O QUE É E O QUE FAZ AÇÃO CULTURAL

▼

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Mandato coletivo e cultura de base: como a Bancada Cultura Viva tenta redesenhar a representação política na Alesp.

  Por Redação Blog da Cultura


O desenho tradicional da política institucional brasileira, frequentemente pautado por lideranças centralizadoras e campanhas personalistas, ganha novos contornos no Estado de São Paulo com a consolidação das candidaturas coletivas. Entre as propostas que emergiram com força no campo progressista, a Bancada Cultura Viva desponta como um dos arranjos mais orgânicos de ocupação do espaço legislativo, convertendo décadas de militância artística de periferias e do interior paulista em uma plataforma de disputa real por uma cadeira na Assembleia Legislativa (Alesp).

Oficialmente, a legislação eleitoral do país ainda não reconhece o modelo multifacetado na urna, exigindo o registro de um único CPF e uma única foto. Para contornar o engessamento jurídico, o coletivo apresenta o nome de Alessandro Azevedo (registrado como Alessandro Cultura Viva, sob o número 13000). Por trás do número, contudo, opera uma engrenagem horizontal composta por sete trabalhadores e fazedores de cultura: além de Azevedo, a chapa traz nomes de peso do setor como Valéria Silvestre, Ellen Moreira, Vinícius Cassiolato, Alexandre Braz (Xandão) e Gilberto Augusto da Silva (Gil do Jongo).

A costura dos territórios: da base ao manifesto

A arquitetura da Bancada Cultura Viva diferencia-se dos arranjos de cúpula partidária por ter sido gestada de baixo para cima, mimetizando a própria dinâmica da Política Nacional Cultura Viva — programa federal de fomento comunitário que inspira o grupo. A construção da proposta buscou quebrar o histórico isolamento entre a capital e as demais regiões do estado, costurando uma rede que une as franjas da metrópole (como o bairro de Perus) a polos culturais do interior e do litoral, incluindo cidades como São José dos Campos, Sumaré, Araras, Peruíbe e Piquete.

O programa de diretrizes do mandato foi blindado do modelo tradicional de gabinetes fechados. Em vez disso, foi maturado em praças, fóruns abertos, saraus e terreiros de comunidades tradicionais. Segundo o manifesto oficial do grupo, o estopim para a unificação das candidaturas foi a urgência de "transformar a indignação contra o desmonte cultural em efetivação de políticas públicas", oferecendo uma resposta técnica e coordenada após anos de contingenciamento orçamentário e asfixia de editais no estado.

Coerência sob a lupa: trajetórias sem ruídos públicos

Em um cenário onde propostas coletivas por vezes enfrentam desconfiança quanto à sua real coesão, o histórico dos integrantes da chapa funciona como um selo de consistência entre o discurso e a prática. Os "co-deputados" acumulam vivências que cobrem as principais lacunas do fomento público estadual.

Alessandro Azevedo traz o lastro de 30 anos de teatro e da criação do Sarau do Charles, um marco da literatura periférica paulistana. A representação da ancestralidade e dos direitos humanos ganha peso com Valéria Silvestre, mestra jongueira e especialista pela USP com trânsito na gestão de políticas para minorias, e com Gil do Jongo, liderança tradicional do Vale do Paraíba. No interior, nomes como Ellen Moreira (do Circo Colorê) e Vinícius Cassiolato (do Ponto de Cultura Cia Tupinambá) — ambos com experiência recente como Agentes Territoriais de Cultura do Ministério da Cultura (MinC) — garantem a capilaridade regional do projeto.

Um levantamento nos canais de transparência e nos arquivos da imprensa especializada mostra que a retidão pública tem sido uma constante no grupo. Não há registros de escândalos financeiros, denúncias de improbidade administrativa ou controvérsias que arranhem a imagem dos proponentes. A projeção pública do coletivo tem se mantido estritamente atrelada ao debate programático, defendendo a descentralização de recursos e o fortalecimento do Sistema Estadual de Cultura.

O desafio da governança compartilhada

O grande teste da Bancada Cultura Viva, caso conquiste a vaga na Alesp, será a operacionalização prática do gabinete. O grupo firmou um pacto político de tomada de decisões horizontais, onde o voto de cada coparlamentar tem o mesmo peso no direcionamento de emendas e no posicionamento em comissões.

Mais do que uma estratégia de marketing eleitoral, a chapa tenta provar que a "cultura de redes" e a solidariedade comunitária que sustentam os pontos de cultura há mais de duas décadas são ferramentas perfeitamente capazes de gerir o orçamento e a burocracia do maior parlamento estadual da América Latina.


Para conhecer mais detalhes, clique AQUI  e AQUI 



MANIFESTO DO BLOG DA CULTURA EM DEFESA DE DOM VICENTE FERREIRA


Em defesa da Igreja, da democracia, da cultura e da dignidade de um pastor

O Blog da Cultura, espaço de reflexão sobre ações culturais de base comunitária, teologia da libertação, direitos humanos e ecologia integral, vem a público manifestar sua solidariedade e defesa de Dom Vicente de Paula Ferreira, bispo da Diocese de Livramento de Nossa Senhora (BA), presidente da Comissão Especial para Ecologia Integral e Mineração da CNBB, psicanalista, poeta, compositor e escritor.

Repudiamos com veemência a reação descompensada de Allan dos Santos, foragido da Justiça brasileira e abrigado nos EUA, que publicou vídeo com palavrões, insultos homofóbicos e referências de teor sexual contra Dom Vicente e os bispos da CNBB. Ao chamar o bispo de "besta fera" e "cloaca de Satanás", Allan atacou não apenas um homem, mas a própria Igreja e a democracia brasileira.

Uma situação como essa nos lembra que a extrema direita fareja o risco de derrota iminente nestas eleições e, com esse tipo de atitude, aumenta ainda mais essa possibilidade. O desespero não se converte em autoridade; a violência não se converte em verdade.

Em outros tempos, entre muitos exemplos de ataques a bispos brasileiros defensores da democracia e dos direitos humanos, está o caso do bispo da Diocese de Nova Iguaçu, Dom Adriano Hipólito, sequestrado em 22 de setembro de 1976 por seis homens armados, encapuzado, algemado e torturado, sendo depois abandonado nu em um matagal em Jacarepaguá, com o corpo pintado de vermelho e sob a acusação de comunista. Seu carro foi destruído em uma explosão perto da CNBB, na Glória, e nenhum dos envolvidos foi jamais identificado ou punido.

Na  década de 1980, no sertão de Sergipe, o bispo Dom José Brandão de Castro e os padres da Diocese de Propriá também sofreram uma escalada de violência por sua opção preferencial pelos pobres. A catedral foi invadida durante uma missa, com padres e leigos ameaçados de morte por fazendeiros e políticos locais; a igreja de Canhoba foi ocupada e o próprio bispo sofreu um atentado ao lado de jornalistas da BBC, além de ameaças de morte dirigidas a ele e aos padres Nestor Matheus e Enoque. 

A diferença é que hoje a agressão ganha megafone nas redes e tenta transformar o desespero em intimidação. Mas, ao atacar uma voz da Igreja, a extrema direita não cala os bons pastores: expõe sua própria fragilidade e amplia o isolamento que diz querer evitar.

Dom Vicente Ferreira não é apenas um nome atacado: é um homem íntegro, pastoralmente comprometido com o projeto de amorosidade dos pontificados do Papa Francisco e do Papa Leão XIV, qualificado intelectualmente e poeta criativo, crítico e sensível. Sua atuação à frente da Comissão de Ecologia Integral e Mineração da CNBB, seu acompanhamento das vítimas de Brumadinho e seu compromisso com a defesa da vida e da Casa Comum revelam um pastor que pensa, sente e serve.

Neste manifesto, o Blog da Cultura nomeia os atores políticos, sociais, culturais e religiosos que se solidarizam com Dom Vicente Ferreira:

No campo religioso e eclesial: A Comissão Episcopal para a Ecologia Integral e Mineração da CNBB, que manifestou "solidariedade e comunhão com seu ministério episcopal"; as Pastorais Sociais do Regional Nordeste III da CNBB (Bahia e Sergipe); o Regional Norte 1 da CNBB; o Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP); a Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Bahia; a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil); o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC-MG); a Cáritas Brasileira Regional MG; e o padre jesuíta Bruno Franguelli, que conclamou os católicos à "consciência da gravidade" do momento.

No campo social e de direitos humanos: O Movimento Nacional de Fé e Política; a Rede Brasileira de Fé e Política; o Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara; o ISER Assessoria; o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM); o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); o Conselho Nacional de Leigos e Leigas do Brasil (CNLB); a Comissão Arquidiocesana Justiça e Paz da Arquidiocese de BH; o Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo; e o Instituto de Pastoral Vocacional.

No campo acadêmico e cultural: O Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas; o Anima/PUC Minas; o NEPAC/PUC Minas; o CEFAP/PUC Minas; a Academia de Juristas Católicos Humanistas da Arquidiocese de BH; o Movimento AMOR; e o próprio Blog da Cultura, por meio do artigo de Zezito de Oliveira, que denunciou o "isentivismo" da ACI/EWTN na cobertura da crítica de Dom Vicente à Quaresma de São Miguel.

No campo político e institucional: A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que em 2023 concedeu a Dom Vicente o título de cidadão honorário do Estado, destacando "relevantes serviços prestados"; a Câmara Municipal de Poços de Caldas, que aprovou Moção de Apoio ao bispo; e o grupo de parlamentares "Fratelli Tutti", que se encontrou com Dom Vicente em julho de 2025 para reafirmar o compromisso com os pobres e com a justiça.

Por tudo isso, o Blog da Cultura manifesta sua defesa intransigente de Dom Vicente Ferreira. Não aceitamos que o ódio, a mentira e a covardia se apresentem como voz da verdade. A Igreja que ama, acolhe e denuncia a injustiça não se calará. Seguiremos ao lado de seus pastores que defendem a democracia, os direitos humanos, a cultura e a dignidade de todos.

Dom Vicente Ferreira, nossa solidariedade, nosso respeito e nossa oração. Sua voz não será silenciada.

Blog da Cultura

Zezito de Oliveira, editor

Comunhão



Fraternidade e Ecologia Integral - Campanha da Fraternidade 2025 (Dom Vicente de Paula Ferreira em Aracaju )

Blog da Cultura eleva o nível do debate sobre política e cultura ao convidar Marcos Santana, candidato a deputado federal, para uma roda de conversa online.

 A ideia surgiu a partir da conversa de um importante líder religioso de Aracaju com o editor do Blog da Cultura, Zezito de Oliveira. Este soube, por meio do líder religioso, da disposição de Marcos Santana em se lançar candidato a deputado federal nestas eleições, com base no legado histórico que construiu como prefeito da quarta cidade mais antiga do Brasil.

Como consequência disso, na manhã desta quinta-feira, o Blog da Cultura realizou um debate ao estilo do programa Roda Viva, da TV Cultura, com Marcos Santana, ex-prefeito de São Cristóvão por oito anos e candidato a deputado federal pelo PSB de Sergipe.

Seu legado baseia-se na seriedade na administração das finanças públicas, na prioridade às questões sociais, educacionais e culturais, além da atenção ao turismo e à geração de emprego e renda. 

Com isso, um documento ancorado nas discussões realizadas no Blog da Cultura, destacando a necessidade de ampliação do  acesso à cultura por parte das populações periféricas, foi entregue há cerca de dois meses a Marcos Santana, que endossou prontamente seu conteúdo. Uma reunião para aprofundar os pontos abordados ficou de ser marcada e aconteceu nesta quinta-feira, conforme informado.

A reunião foi realizada via plataforma Google Meet e reuniu um grupo de dez pessoas envolvidas com ações culturais na periferia, que acompanham as publicações do Blog da Cultura e endossam as demandas nelas levantadas.

Abaixo segue um resumo das questões abordadas. Com a expectativa da vitória de Marcos Santana e do presidente Lula, respectivamente como deputado e presidente, nossa esperança é que o círculo virtuoso das políticas culturais e da gestão cultural — inaugurado pelo presidente Lula quando assumiu a presidência da República em 2003 e por Marcos Santana quando assumiu a prefeitura de São Cristóvão em 2017 — possa continuar crescendo, se consolidando e espalhando benefícios e prosperidade, em especial para as populações de baixa renda. Benefícios como autoestima, senso de pertencimento, bem-estar, criatividade, respeito às diferenças, saúde mental e prosperidade, pela possibilidade de a cultura e a economia criativa gerarem inserção produtiva no mercado de trabalho e na produção de riqueza, seja como assalariado ou como dono do próprio negócio. 

Cultura, eleição e mobilização: Blog da Cultura debate com Marcos Santana

Encontro virtual reuniu dez pessoas e discutiu a carta da Comissão Estadual de Pontos de Cultura, desafios da gestão cultural e estratégias para engajar a juventude.

Na manhã de 1º de outubro de 2026, das 8h às 9h15, o Blog da Cultura promoveu um  encontro  virtual com leitores do blog e  Marcos Santana, ex-prefeito de São Cristóvão por oito anos e candidato a deputado federal pelo PSB de Sergipe. O encontro, realizado via Google Meet, reuniu dez pessoas e teve como fio condutor a política cultural, a mobilização comunitária e os desafios pós eleições 2026

A carta da Comissão Estadual de Pontos de Cultura

Danilo, do coletivo Inferninho, apresentou a carta elaborada pela Comissão Estadual dos Pontos de Cultura, direcionada a candidatos — principalmente deputados federais — com pautas para assinatura e compromisso. O documento é resumido e de fácil apresentação, e o pedido foi para que Marcos Santana o enviasse e assinasse por meio do gov.br.

Os pontos centrais da carta incluem:

  • apoio a projetos de fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura (SNC) e do Plano Nacional de Cultura (PNC);
  • apoio a PECs que estabeleçam dotação mínima para a cultura;
  • emendas federais para pontos e equipamentos culturais municipais;
  • aperfeiçoamento dos processos de incentivo fiscal, como a Lei Rouanet e o audiovisual;
  • projetos de formação cultural para jovens em periferias.

 Marcos Santana sinalizou que receberá e assinará a carta com carinho, comprometendo-se a subscrever projetos em tramitação e a integrar a bancada ou frente parlamentar de cultura na Câmara Federal, caso eleito.

Trajetória e compromissos de Marcos Santana

Marcos Santana apresentou sua trajetória política: militância desde 1983, fundação local do PT, migração ao MDB e atualmente filiado ao PSB, além da atuação como prefeito de São Cristóvão. Destacou sua preocupação com a política cultural e a intenção de atuar de forma legislativa mais ampla em Brasília.

Marcos enfatizou que pretende ser um deputado que atue legislativamente, e não apenas por meio de emendas, construindo e participando de frentes parlamentares de cultura e fortalecendo as políticas culturais nacionais e locais.

Foi ressaltada a relevância de centros comunitários e atividades presenciais, com atrativos culturais e alimentação, para envolver jovens que estão presos nas redes sociais.

Cultura de base, conselhos e participação popular

Danilo explicou sua atuação no Conselho Municipal de Políticas Culturais de São Cristóvão e a importância de fortalecer a participação popular. Ele observou que o Conselho está em processo de consolidação e precisa ser mais utilizado pela sociedade.

Destacou-se o papel transversal da cultura como política de juventude e transformação social, além da necessidade de representação dos pontos de cultura no debate com candidatos e governos. O coletivo Inferninho foi reconhecido por ter recebido grande incentivo de Marcos Santana durante sua gestão como prefeito, assim como outros coletivos culturais juvenis da cidade, que agora apoiam sua candidatura.

Desafios administrativos e burocráticos na gestão cultural

Marcos detalhou dificuldades práticas enfrentadas na gestão cultural municipal: regularização de artistas e grupos para pagamento, problemas com o uso de espaços históricos como o Convento de São Francisco, entraves por normas e autorizações e conflitos com órgãos de proteção do patrimônio.

Entre os exemplos citados, estão restrições de uso de cozinha e apartamentos no Convento, exigências de regularidade para pagamentos que atrasam ou impedem a remuneração de artistas, e tensões entre vontade política e limitações administrativas. Como projeto de longo prazo, Marcos mencionou a transformação de uma casa em ruína num teatro para a cidade de São Cristóvão, preservando a arquitetura local, e o plano de fortalecer a filarmônica municipal e levá-la aos bairros e povoados como política de formação de plateia.

Trabalho, direitos e precarização

Claudionor dos Santos trouxe o debate sobre propostas que afetam trabalhadores, mencionando a escala de trabalho 6x1 que, na prática, tem virado 7x1. Houve críticas à precarização e à tentativa de redução de direitos, com preocupação em relação a projetos e PECs que possam ampliar a exploração.

Marcos comentou o contexto legislativo, citando o surgimento de muitas siglas “de aluguel” e alterações na legislação partidária, como as federações, que modificam as dinâmicas eleitorais. Também foram mencionadas reduções e alterações no número de vagas e nas regras eleitorais. A resposta de Marcos partiu de um comentário e de uma pergunta formulada por Jesse James.

Juventude, presença e formação política

Vários participantes, como João Delmiro e Claudionor dos Santos, reforçaram que muitos jovens estão afastados da política por desinteresse ou pela ausência de canais presenciais. A recomendação foi de um trabalho “de formiguinha”, agregando jovens gradualmente e combinando debates com atividades culturais e alimentação para atrair participação.

João destacou a importância do diálogo comunitário presencial — em centros comunitários, com lanches e atividades — para sensibilizar e formar consciência política. Marcos argumentou que a desmobilização é uma estratégia da direita e defendeu o uso de atividades culturais como porta de entrada para debates políticos e para a formação de plateia e de consciência crítica.

Encaminhamentos e próximos passos

Ao final, foi solicitado o envio da carta da Comissão Estadual para assinatura de Marcos, que reafirmou o compromisso de assiná-la e trabalhar nas pautas apresentadas. Também foi feito um pedido para que o material de campanha — vídeos curtos e materiais sobre cultura e educação — seja compartilhado e distribuído para multiplicar a mensagem nos últimos dias.

Zezito de Oliveira propôs uma reunião pós-eleição com representantes comunitários, equipe e coletivos para discutir a descentralização do FASC e de outros eventos do calendário cultural da cidade, além de projetos de equipamentos culturais, como centros culturais e CEUs, e o acompanhamento das ações como consta em um documento enviado a Marcos Santana há cerca de dois meses.

Memórias, afetos e o simbolismo da filarmônica

Zezito de Oliveira compartilhou uma lembrança pessoal sobre os pais e sua relação simbólica com a banda filarmônica  e com São Cristóvão. Seu pai, José de Deus,  foi músico multi-instrumentista e gostava muito de São Cristóvão , onde a familia teve/tem casa, herança por parte da mãe de Zezito, Maria Marlene, que nasceu na cidade. A fala de Marcos sobre a importância da banda filarmônica de São Cristóvão e a necessidade de levá-la a outros territórios, para além da sede, fez Zezito e Jesse James, seu irmão, que participava da transmissão, conectarem a memória familiar com o trabalho cultural e a campanha.

A reunião terminou com a sensação de que a cultura segue sendo um território estratégico de organização, memória e esperança — e que a mobilização dos próximos dias pode ajudar a transformar esse legado em políticas públicas efetivas com a reeleição de Lula e contribuição dos sergipanos para elevar o nível da representação parlamentar de Sergipe na câmara federal.

 


quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Quem não assistiu a Gonzaguinha no Cinema do Centro ainda tem uma chance neste sábado, às 14h e ainda tem Ran e Terra e Transe

 


Ran (1985), dirigido por Akira Kurosawa, é um épico de drama histórico franco-japonês considerado uma das maiores obras-primas da história do cinema.

Ran: Filme de Akira Kurosawa retorna aos cinemas brasileiros em 4K
Versão remasterizada chega em outubro, comemorando seus 40 anos.

Jean Clemente | 17 de setembro de 2026 às 19:24
O clássico de Akira Kurosawa faz aniversário e quem ganha os presentes são os fãs. Para marcar os 40 anos da estreia de Ran (completados de fato no ano passado), o filme voltará aos cinemas brasileiros remasterizado em 4K. A estreia está marcada para o dia 1º de outubro.


Adaptação da peça Rei Lear, de William Shakespeare (1564-1616), com elementos da história do daimyô Mori Motonari (1497-1571), Ran teve parte de sua produção realizada também na França, sendo lançado em 1985 e estrelado por Tatsuya Nakadai (que também foi protagonista em Kagemusha, do mesmo diretor). No Oscar, ganhou o prêmio de Melhor Figurino, além de concorrer nas categorias de Direção, Fotografia e Direção de Arte.

Na história, acompanhamos os desdobramentos da decisão do chefe de um clã, Hidetora, que elege um de seus três filhos para ser seu sucessor no controle de suas terras. Os demais herdeiros ficam com alguns bens menores e devem obediência ao irmão que se tornou chefe. Saburu Naotora é um dos filhos que ficou com o “resto” da herança e se revolta com a decisão, sendo expulso do feudo, enquanto seu pai vai sendo tomado pela insanidade ao se ver isolado do império que tinha ajudado a criar.

O filme atualmente se encontra disponível no streaming Belas Artes à la Carte, onde chegou recentemente junto de um documentário que acompanha a produção do longa. É o próprio À La Carte quem está por trás da nova distribuição nos cinemas.


Para aprofundar sobre Ran

Roger Ebert — “Ran” (2000)

“Ran” — Roger Ebert

Ebert vai além de dizer que Ran é uma adaptação de Rei Lear: ele percebe no filme uma espécie de reflexão de Kurosawa sobre sua própria vida e sobre o poder, observando a relação entre o velho senhor Hidetora e o próprio diretor, então com 75 anos. Para uma leitura mais política, isso é especialmente fértil: guerra, poder, vaidade, envelhecimento, violência e a tentativa de construir uma ordem que termina produzindo o caos.

O BFI publicou “Kurosawa vs Shakespeare”, de Ben Nicholson, que discute justamente como Kurosawa transforma Shakespeare ao incorporar tradições japonesas, sobretudo o teatro Nô, e como seus filmes utilizam a narrativa para fazer comentários sobre ganância, corrupção e poder.

“Kurosawa vs Shakespeare” — BFI

A Folha de S.Paulo, em texto de Inácio Araújo, publicou em 1994 uma pequena, mas interessante crítica sobre Ran. Ele chama atenção para o paradoxo de um filme construído em torno do desequilíbrio dos personagens, mas que alcança uma espécie de equilíbrio cinematográfico entre beleza e tragédia.

“Kurosawa revê Shakespeare” — Folha de S.Paulo

Pensar Ran não apenas como adaptação de Rei Lear, mas como um filme sobre a decomposição de uma ordem política fundada na guerra, na concentração do poder e na incapacidade de transmitir esse poder sem transmitir também os conflitos acumulados pelo velho senhor. O próprio Criterion destaca Ran como uma reflexão sobre a guerra e o desmoronamento de uma família sob o peso da traição, da ganância e da busca insaciável pelo poder.

Isso permitiria inclusive aproximar Ran de uma questão bastante contemporânea: o que acontece quando uma geração que construiu sua autoridade pela disputa e pela guerra tenta deixar como herança uma ordem que já não consegue controlar?

 Terra em Transe (1967), dirigido por Glauber Rocha, é uma das obras-primas do Cinema Novo e um dos filmes mais importantes da história do cinema brasileiro. 

Para aprofundar 

“Diálogos entre Walter Benjamin e Glauber Rocha: uma leitura alegórica de Terra em Transe e o mito fundador do Brasil”, publicado nos Cadernos Benjaminianos, da UFMG.

Ler o artigo na UFMG

Terra em Transe não seria apenas uma alegoria do Brasil imediatamente anterior ao golpe de 1964, mas uma representação de ciclos históricos que se repetem, nos quais o país passa de uma crise a outra procurando um salvador e reproduzindo as condições que produziram a própria crise. O artigo aproxima Glauber de Walter Benjamin justamente para pensar essa circularidade histórica.

“Estética e política no Brasil contemporâneo: Terra em Transe e Maranhão 66 revisitados”, de Alexandre Fernandez Vaz.

Ler o artigo na revista ethic@/UFSC

 O autor retorna aos dois filmes para observar como suas formas estéticas continuam produzindo sentido diante dos impasses políticos posteriores. A leitura coloca em relação o Brasil dos anos 1960 e desenvolvimentos políticos posteriores, tratando os filmes como obras que amadurecem historicamente.

“A autocrítica do intelectual militante no cinema político: Terra em Transe e Lutas na Itália”, publicado pela UFMG.

Ler o artigo sobre a autocrítica do intelectual militante

Ele examina Paulo Martins, o poeta-jornalista interpretado por Jardel Filho, como figura do intelectual que quer intervir na política, mas também se confronta com seus próprios limites e contradições.

Paulo Martins não é simplesmente o intelectual que denuncia a política; ele está dentro do transe político que pretende compreender e transformar. Isso permite discutir uma questão muito atual: o que acontece quando artistas, intelectuais, jornalistas e militantes tentam falar em nome do povo sem conseguir estabelecer uma relação efetiva com ele?







Qual o futuro dos debates politicos na TV? O mesmo dos festivais de música?

 Escrevi o artigo abaixo depois do primeiro debate com os presidenciáveis no primeiro turno,   e agora com o cancelamento do último retomo o mesmo artigo, os  argumentos continuam valendo. ZdO  


Quando o espetáculo devora a democracia

O que aconteceu com os grandes festivais de música dos anos 1960 pode nos ajudar a compreender o desgaste que começa a aparecer no formato dos debates eleitorais?

Este artigo parte de um paralelo entre dois momentos distintos, separados por décadas, mas atravessados por uma questão semelhante: o que acontece quando a lógica do espetáculo passa a ocupar o lugar central de uma disputa que deveria produzir reflexão, confronto de ideias e participação pública?

Os festivais que mobilizaram multidões, torcidas e paixões políticas também foram, pouco a pouco, transformados pela própria lógica televisiva que ajudou a torná-los populares. O artigo pergunta se algo semelhante pode estar acontecendo com os debates eleitorais, quando a provocação, o conflito e a performance passam a disputar espaço com a discussão sobre projetos e propostas.

Não se trata de comparar simplesmente música e política, mas de observar como um formato de comunicação pública pode ser desgastado quando a audiência passa a ser mais importante do que aquilo que deveria estar sendo debatido.

Uma reflexão sobre festivais, televisão, política, espetáculo e democracia.

👉 Leia o artigo completo no Blog da Cultura:

Sobre o primeiro debate com os presidenciáveis, que não assisti ontem na Band, um paralelo com o que aconteceu com os festivais de música na década de 1960.

https://acaoculturalse.blogspot.com/2026/08/sobre-o-primeiro-debate-com-os.html?m=0&utm_source=chatgpt.com