Por que a elite odeia o Lula? Marcos Coimbra responde ao GGN
"Em cumprimento à sentença do juiz de Direito da 18ª Vara Criminal da Cidade do Rio de Janeiro, em ação de direito de resposta, movida contra a TV Globo, passamos a transmitir a nota de resposta do sr. Leonel de Moura Brizola.
'Todos sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça. Aqui cita o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado perante o povo brasileiro. Quinta-feira, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar editorial de 'O Globo', fui acusado na minha honra e, pior, apontado como alguém de mente senil. Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador Roberto Marinho, que tem 86 anos. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si. Não reconheço à Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos, que dominou o nosso país.
Todos sabem que critico há muito tempo a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou na quinta-feira, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípios. É apenas o temor de perder o negócio bilionário, que para ela representa a transmissão do Carnaval. Dinheiro, acima de tudo.
Em 83, quando construí a passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar de todas as formas o ponto alto do Carnaval carioca. Também aí não tem autoridade moral para questionar. E mais, reagi contra a Globo em defesa do Estado do Rio de Janeiro que por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior.
E isso é que não perdoarão nunca. Até mesmo a pesquisa mostrada na quinta-feira revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado. Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade. Seria antes um dever para qualquer órgão de imprensa, dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção.
Quando ela diz que denuncia os maus administradores deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante do seu poder.
Se eu tivesse as pretensões eleitoreiras, de que tentam me acusar, não estaria aqui lutando contra um gigante como a Rede Globo.
Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado. Quando me insulta por nossas relações de cooperação administrativa com o governo federal, a Globo remorde-se de inveja e rancor e só vê nisso bajulação e servilismo. É compreensível, quem sempre viveu de concessões e favores do Poder Público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesma.
Que o povo brasileiro faça o seu julgamento e na sua consciência límpida e honrada separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis, gananciosos e interesseiros.'
assina Leonel Brizola."
Editores demitidos ameaçam denunciar que ordem do PowerPoint veio da direção da Globo
Demissões na Globo expõem crise interna, ameaça de denúncias e dúvidas sobre responsabilidade editorial e ética jornalística no caso do PowerPoint.
Veja o que o robô faria no ‘powerpoint’ de Andréia Sadi
Por Moisés Mendes 22 mar, 2026 5
O episódio mais grotesco e famoso envolvendo Deltan Dallagnol foi a apresentação do powerpoint em que o ex-procurador colocava Lula, sem provas, no centro de uma estrutura criminosa. Aconteceu em setembro de 2016.
Dallagnol, processado por Lula e obrigado a pagar uma indenização de R$ 147 mil por causa da sua obra gráfica, ficou como o cara do powerpoint difamador. O esquema gráfico mentiroso, colegial e amador, com bolinhas azuis, que Dallagnol mandou fazer, virou a cara da Lava-Jato.
A pergunta agora é: Andréia Sadi pode ficar tão famosa quanto Dallagnol pelo powerpoint que apresentou na GloboNews, em que, ao mostrar “as conexões de Daniel Vorcaro”, Lula aparece ao alto e o quadro mostra até uma estrela do PT?
O powerpoint da Globo vem sem Bolsonaro, sem Tarcísio de Freitas (que receberam dinheiro de Vorcaro), sem Roberto Campos Neto, sem dois diretores do Banco Central de Bolsonaro comprovadamente envolvidos na máfia do Master, sem os figurões do centrão e sem a própria Globo, patrocinada por Vorcaro.
Quem fez o powerpoint de Andréia Sadi, que, numa comparação com o de Dallagnol, é ainda mais precário e infantil? Quem do departamento de arte da Globo cometeu aquela obra, que sugere o modelo antigo de painéis de delegacia de polícia com um ‘organograma’ sem pé nem cabeça com fotos e nomes de ‘envolvidos’ em crime presumidos?
Eu fiz duas perguntas ao Gemini, a Inteligência Artificial do Google. Até a máquina sabe que a jornalista fez uma manipulação grosseira de informações sem provas e sem amarração nenhuma. O Gemini tiraria Lula e colocaria Campos Neto.
Abaixo, as perguntas e as respostas.
1. Você colocaria num powerpoint o presidente Lula entre os implicados com o Caso Master?
“Com base nas informações atuais (março de 2026), a inclusão do presidente Lula como um implicado direto (ou seja, como investigado ou réu) no Caso Master não é sustentada pelos fatos das investigações em curso.
O presidente tem se posicionado publicamente como alguém que cobra a apuração do caso, referindo-se aos envolvidos como “magnatas da corrupção”. Ele utilizou o escândalo para criticar a gestão anterior e a falta de supervisão do sistema financeiro.
Portanto, colocar Lula como um dos “implicados” em um PowerPoint informativo seria factualmente incorreto perante o estágio atual das investigações, que o posicionam mais no papel de autoridade política que acompanha e comenta o desdobramento do caso”.
2. Você colocaria o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto no powerpoint?
“Diferente do caso do presidente Lula, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto tem um papel central nas narrativas e investigações sobre o Caso Master, sendo frequentemente incluído em apresentações e debates sobre o tema em março de 2026.
Se você estiver montando um PowerPoint, ele apareceria sob a ótica da omissão ou falha de fiscalização, e não necessariamente como um “réu confesso” de fraude direta. Aqui estão os pontos para estruturar sua presença:
Omissão na Fiscalização: Relatórios indicam que o Banco Central sob sua gestão teria recebido alertas (inclusive do FGC) sobre problemas de liquidez e estratégias de risco do Banco Master, mas evitou intervenções drásticas.
“Ovo da Serpente”: O presidente Lula e seus aliados utilizam este termo para descrever a gestão de Campos Neto, alegando que ele permitiu o crescimento da fraude ao não agir.
Pedidos de investigação: Existem pedidos formais na PGR e na Polícia Federal, como os apresentados pelo deputado Lindbergh Farias, para apurar se sua conduta foi prevaricação ou apenas uma escolha de política monetária.
Defesa de Campos Neto: Em sua defesa, ele argumenta que o Caso Master não trazia risco sistêmico ao setor financeiro e que as medidas tomadas à época (como ultimatos de governança) seguiam os ritos padrões do BC”.
Um detalhe importante: o robô do Google define a obra mostrada na GloboNews como “o powerpoint de Andréia Sadi”.
(Peço desculpas, mas não irei reproduzir aqui o powerpoint difamador, que até Carluxo teria vergonha de publicar.)
Moisés Mendes
É jornalista em Porto Alegre. Foi colunista e editor especial de Zero Hora. Escreve também para os jornais Extra Classe, Jornalistas pela Democracia e Brasil 247. É autor do livro de crônicas 'Todos querem ser Mujica' (Editora Diadorim)
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