domingo, 3 de maio de 2026

O ENTRETENIMENTO E A EDUCAÇÃO POLÍTICA. Por Renato Janine Ribeiro



 Vamos dizer algo atrevido: pode ser que o entretenimento de qualidade esteja promovendo uma educação política maior do que os políticos progressistas.

Senão, vejamos: Luana Piovani detona o machismo e o preconceito, com suas falas, é verdade que controversas (penso que ela atacar os evangélicos como um todo – mesmo sendo ela própria evangélica – é algo que os afasta das pautas progressistas). Mas, no todo, é uma mulher inteligente e com valores importantes.
Hoje, teremos Shakira em Copacabana. Segue-se a Madona e Lady Gaga. Somemos a elas o maior sucesso brasileiro, Anitta. Alguma dúvida do que elas pensam em matéria política?

Ainda: Três Graças, que está chegando à reta final. Sei que ainda há gente que procura acumular capital simbólico dizendo que despreza novelas. Sei também que a mudança nos apartamentos, mais apertados hoje, fez desaparecer muito corredor – isso eliminou o comentário usual dos anos 80 e 90, que era o intelectual dizer que “estava passando no corredor quando vi”, e seguia-se uma cena icônica da novela da época. A fantasia de intelectual incluía, claro, nunca ver produtos da indústria cultural! Então, hoje, gabar-se de não ver novelas não tem mais aquela ressalva de, por enorme coincidência!, ter visto as cenas mais importantes das mesmas.

Mas a verdade é que Três Graças gabarita, no repertório progressista. Denuncia os crimes dos ricos. Proclama a vitória do amor sobre o preconceito – os dois filhos do bandidão Ferete se casam fora da caixinha, a filha com outra mulher, o filho com uma mulher trans. Estende a mão mais aberta que já vi dos católicos (as duas fiéis de Santa Rita de Cássia) aos evangélicos.

E finalmente o BBB. Quem ganhou foi Ana Paula Renault, que explicou aos colegas de confinamento e a milhões de brasileiros uma série de pautas progressistas, inclusive as que dizem respeito ao trabalho, como a escala 5x2 (não, eu não vi – ou só em reels no Instagram).

Ah, a 5x2. O governo, imerso na defesa de Jorge Messias ao STF, descuidou dessa pauta. Ontem sim, dia 1.o de maio, participou de eventos defendendo-a. Mas não preparou. Deveria ter preparado. Ainda há tempo, claro.
Mas meu ponto, aqui, era dizer que o entretenimento está sendo mais firme no progressismo do que muitos políticos de esquerda.


'Copacabana coroou Shakira': o que a imprensa internacional disse sobre show no RJ

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Muito além dos palcos: as causas sociais defendidas por Shakira

Em Copacabana, artista lembrou que Brasil possui mais de 20 milhões de mulheres solo, que têm que lutar a cada dia para sustentar suas famílias.


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Shakira fez um pedido pessoal: queria conhecer os assentamentos do MST antes de subir ao palco em Copacabana.
Então, ela veio com a gente pra Campos dos Goytacazes!
Dep. Marina do MST (PT- RJ) no facebook



A Shakira apareceu na madrugada desta segunda-feira (4) depois do show histórico em Copacabana e soltou um desabafo carregado de emoção. Disse que não conseguiu dormir, que o que viveu no Rio foi “inesquecível e arrepiante” e destacou o tamanho absurdo do público, com cerca de 2,5 milhões de pessoas. No meio da mensagem, ainda trouxe um tom mais reflexivo, falando que mesmo sendo um dia difícil pra muita gente, a noite foi sobre celebrar a vida como ela é, com acertos e imperfeições. E foi além, exaltando a própria essência do Rio, falando de mar, praia, montanha, sol e aquela sensação de estar presente no momento, como se a cidade lembrasse o que realmente importa.


Ela também deixou claro que o evento teve um peso maior, dizendo que a mensagem que saiu dali pra América Latina e pro mundo foi simples: é possível ser feliz com o básico. Em seguida, fez uma sequência de agradecimentos pesados, citando Anitta, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Ivete Sangalo, a Unidos da Tijuca e o grupo Dance Maré, além de toda a equipe de produção, patrocinadores e autoridades envolvidas no evento. Reforçou o esforço gigantesco de quem trabalhou nos bastidores e destacou os fãs que viajaram de vários lugares pra estar ali, fechando com a ideia de que aquelas milhões de pessoas viraram uma família pra ela naquela noite.


Antes disso tudo, o show já tinha começado com tensão nos bastidores. A apresentação, que estava prevista para 21h45, só começou por volta de 23h05 depois de um atraso de mais de uma hora causado por um problema pessoal. A informação inicial foi divulgada pela TV Globo, e depois veio o detalhe de que o pai da cantora, William Mebarak Chadid, de 94 anos, teve um mal-estar pouco antes dela subir ao palco. Mesmo com esse cenário, o evento seguiu e entregou um espetáculo completo, incluindo o show de drones que abriu a noite com imagens marcantes e a frase “te amo, Brasil” no céu de Copacabana.


Quando finalmente começou, o show trouxe a turnê “Las Mujeres Ya No Lloran” com um setlist forte, incluindo músicas como “Antologia”, “Inevitable”, “She Wolf”, “Soltera”, “Estoy Aquí” e as sessões com Bizarrap. Teve também momento inédito com Anitta na música “Choka Choka”, além das participações de Caetano, Bethânia e Ivete no palco. Durante a apresentação, ela ainda puxou mensagens voltadas ao público feminino, falando sobre a força das mulheres e destacando a realidade de mais de 20 milhões de mães solo no Brasil. No fim, mesmo com tudo que rolou nos bastidores, o que ficou foi a dimensão do evento e o impacto direto que aquela noite teve em quem estava ali.

acima, post da página Cariocasemfiltro

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