terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O preço de não escutar a natureza

O preço de não escutar a natureza
por Leonardo Boff

O cataclisma ambiental, social e humano que se abateu sobre as três cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na segunda semana de janeiro, com centenas de mortos, destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca capa de solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assentada sobre imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam frequentemente deslizamentos fatais.

Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que destribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora.

A causa principal deriva do modo como costumamos tratar a natureza. Ela é generosa para conosco pois nos oferece tudo o que precisamos para viver. Mas nós, em contrapartida, a consideramos como um objeto qualquer, entregue ao nosso bel-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação nem lhe damos alguma retribuição. Ao contrário, tratamo-la com violência, depredamo-la, arrancando tudo o que podemos dela para nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira de nossos dejetos.

Pior ainda: nós não conhecemos sua natureza e sua história. Somos analfabetos e ignorantes da história que se realizou nos nossos lugares no percurso de milhares e milhares de anos. Não nos preocupamos em conhecer a flora e a fauna, as montanhas, os rios, as paisagens, as pessoas significativas que ai viveram, artistas, poetas, governantes, sábios e construtores.

Somos, em grande parte, ainda devedores do espírito científico moderno que identifica a realidade com seus aspectos meramente materiais e mecanicistas sem incluir nela, a vida, a consciência e a comunhão íntima com as coisas que os poetas, músicos e artistas nos evocam em suas magníficas obras. O universo e a natureza possuem história. Ela está sendo contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. Nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam.

Os povos originários sabiam captar cada movimento das nuvens, o sentido dos ventos e sabiam quando vinham ou não trombas d’água. Chico Mendes com quem participei de longas penetrações na floresta amazônica do Acre sabia interpretar cada ruído da selva, ler sinais da passagem de onças nas folhas do chão e, com o ouvido colado ao chão, sabia a direção em que ia a manada de perigosos porcos selvagens. Nós desaprendemos tudo isso. Com o recurso das ciências lemos a história inscrita nas camadas de cada ser. Mas esse conhecimento não entrou nos currículos escolares nem se transformou em cultura geral. Antes, virou técnica para dominar a natureza e acumular.

No caso das cidades serranas: é natural que haja chuvas torrenciais no verão. Sempre podem ocorrer desmoronamentos de encostas. Sabemos que já se instalou o aquecimento global que torna os eventos extremos mais freqüentes e mais densos. Conhecemos os vales profundos e os riachos que correm neles. Mas não escutamos a mensagem que eles nos enviam que é: não construir casas nas encostas; não morar perto do rio e preservar zelosamente a mata ciliar. O rio possui dois leitos: um normal, menor, pelo qual fluem as águas correntes e outro maior que dá vazão às grandes águas das chuvas torrenciais. Nesta parte não se pode construir e morar.

Estamos pagando alto preço pelo nosso descaso e pela dizimação da mata atlântica que equilibrava o regime das chuvas. O que se impõe agora é escutar a natureza e fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio.

Só controlamos a natureza na medida em que lhe obedecemos e soubermos escutar suas mensagens e ler seus sinais. Caso contrário teremos que contar com tragédias fatais evitáveis.

Leonardo Boff é filósofo/teólogo

Leia mais:

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/leonardo-boff-o-preco-de-nao-escutar-a-natureza.html

Leia e veja também:


Carta do Chefe Seattle ao presidente dos Estados Unidos
no YOU TUBE

Em 1854, o presidente dos Estados Unidos da América, Franklin Pierce, enviou uma carta ao cacique, Noah Sealth da tribo Duwamish, mais conhecido como Chefe Seattle, onde manifestava o interesse de adquirir a terra onde viviam aqueles índios.
Essa foi a resposta do Chefe Seattle:



"Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?

Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.
Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família.

Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós.O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais.

Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.

Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos.

E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.

O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.

Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir.Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.

O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.

Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e ferí-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.

Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnadas do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.

Onde está o arvoredo? Desapareceu.
Onde está a águia? Desapareceu.
É o final da vida e o início da sobrevivência."


O nome da cidade de Seattle é em honra desse grande chefe, que acabou eternizado, como um exemplo de amor e respeito ao meio ambiente. Nada mais atual.

Abraços!!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

OFICINA DE DANÇAS CIRCULARES EM JANEIRO DE 2011 - Aracaju

A música que simbolizou a primeira oficina de danças circulares de 2011.

CAMINHO DAS ÀGUAS


Comunidade Bom Pastor


Comunidade Bom Pastor

Comunidade Bom Pastor

Comunidade Bom Pastor




Sábado a noite na garagem d!arte (bairro Siqueira Campos)



domingo a noite na praia de atalaia

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Oficina de Danças Circulares com Àlvaro Pantoja


Forma de expressão humana através dos movimentos do corpo, terapia de evolução íntima e de integração ou então “dança como uma mediação em movimento”. Essas são possíveis definições para as danças circulares.

E para quem tiver interesse em se aprofundar e praticar esta arte acontecerá no próximos dias 15 e 16 a “Oficina de Danças Circulares – No Ritmo da Vida”, na Comunidade Bom Pastor no Bairro Santos Dumont. A oficina é uma realização da Ação Cultural e será ministrada por um das referências nacionais das danças circulares o educador Álvaro Pantoja. Durante o curso que será realizado nos dois dias das 9h às 17h, o público poderá ter contato com diversas técnicas e tipos de dança oriundas de diversos países.

DANÇAS CIRCULARES – Sempre associadas às colheitas, celebrações ou a religiosidade, as danças circulares estão presentes entre diversos povos. Em 1976 o coreógrafo alemão Bernhard Wosien obteve da comunidade alternativa de Findhorn , localizada no norte da Escócia, o compromisso em disseminar o conhecimento por ele acumulado em algumas décadas de registro, catalogação e difusão das danças. Findhorn tornou-se uma grande divulgadora desse tipo de dança ressaltando seus aspectos de integração comunitária e para fins terapêuticos.

Os praticantes de danças circulares também ressaltam o seu caráter terapêutico, de autoconhecimento além de ser uma forma de expressão que estimula a interação, alegria e leveza de seus participantes.

SOBRE ÁLVARO PANTOJA – Carioca, residente em Olinda (PE), licenciado em Filosofia, doutorando em Ciências da Educação na Universidade do Porto (Portugal) , educador, formador, focalizador, desde 2000, de rodas, encontros e cursos de Danças Circulares em diversas cidades brasileiras (Recife, João Pessoa, Aracaju, Maceió, Teresina, Fortaleza, Sobral).

INSCRIÇÃO – o valor da inscrição é de R$ 60,00 e o depósito pode ser efetuado na conta BRADESCO - AG 3162-3 C/P 3908493-7

MAIS INFORMAÇÕES:
Maxivel Ferreira - (79) 8815-1116 - maxidesigner@hotmail.com;
Irene Smith - (79) 3044-8186 - irenesmith@ig.com.br
Zezito de Oliveira (79) 9993-4483 – zezitodeoliveira@gmail.com

O QUÊ? “Oficina de Danças Circulares – No Ritmo da Vida”

ONDE? – Comunidade Bom Pastor -- Rua Efrem Fernandes Fontes, 65- Bairro Santos
Dumont (Próximo ao Terminal Rodoviário Maracaju), Aracaju-SE.

QUANDO? – Dias 15 e 16 de JANEIRO de 2011, das 09 às 17 horas.
QUANTO? – RS 60,00.

PARA SABER MAIS SOBRE DANÇAS CIRCULARES, CLIQUE ABAIXO:
http://acaoculturalse.blogspot.com/p/dancas-circulares.html

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Familia, tribus, herman@s de todas las direcciones:

Les envìo un saludo cariñoso desde esta ciudad bella y màgica de Cuenca, adonde me encuentro de nuevo despuès de ocho años de mi ultimo paso por aqui, y de la operaciòn de cervicales que aqui se me dio, y que me ha dado la oportunidad de seguir caminando por mis propios pies desde entonces. Acompañado de mi compañera Veronica y sus hijas, Carolina y Sofìa, de toda la tribu familiar y tribal ecuatoriana, les estoy adjuntando mis dos màs recientes comunicados:
Uno que resume mi mirada del Consejo de Visiones, el Llamado del Aguila, que puede ser complementado y mejorado, editado con fotos, si alguien se avienta, para que lo podamos subir a facebook y a todas las redes que les interese reproducirlo.
El segundo, es un texto que llevo un tiempo cocinando, y que no queria dejar pasar el 2010 sin enviarles, que es un Manifesto de la Naciòn Arcoiris que creo es un buena base para podernos ubicar en este momento de nuestra historia. Todos los comentarios, seràn siempre bienvenidos.

Agradeciendo por todo lo vivido en este año, por las pruebas, por los logros, por todos los pasos dados, y por la fuerza que hemos logrado volver a juntar para seguir dando al mundo un mensaje de optimismo y esperanza en estos tiempos que tanto lo necesitan.

Estarè de regreso a mediados de enero a Mèxico. Pido por mi salud, la de todos nosotros, y por las almas que estan partiendo y las que estan naciendo, como mi primer nieto andino, Ilan, al que le doy la bienvenida, asi como aprovecho para mandarles en este momento todo mi amor a sus padres, mi hija Mayura, David y los pequeñines bogotanos hermanos, Sebastian y Amaya.

Y claro, a todas mis relaciones familiares, fraternales, tribales, planetarias y còsmicas, a quienes les envio como siempre, mis mejores deseos y bendiciones.

Siempre, para siempre siempre
El Coyote Alberto

Coyote Alberto Ruz Buenfil
Caravana Arcoiris por la Paz
Subcoyotealberto@yahoo.com
http://www.caravanaarcoiris.blogspot.com/
Ecoaldea Huehuecóyotl AP.111,
Tepoztlán, Morelos
ZP 6252, México
Tel: 52-739-3955011



POR UNA RE-EVOLUCION DE LACONSCIENCIA

-2010: AÑO 65 DE LA ERA POST-ATOMICA-


“Llegará el momento de nuestra historia, en que, cuando la mayor parte de las aguas del planeta no puedan beberse o sean propiedad de alguna corporación nacional o internacional, cuando el aire se haya tornado irrespirable por el acumulo de contaminación atmosférica emanada por el conjunto de la especie humana; cuando la energía cósmica del sol y la energía atómica producida por la inventiva de los seres humanos se conviertan en una amenaza radioactiva para toda forma de vida, humana y no humana, y cuando la misma Madre Tierra-Pachamama se haya convertido en un gigantesco basurero, envenenada, explotada, violada, dividida por las propiedades privadas y las propiedades nacionales; llegará el momento cuando una gran parte de la raza humana se haya transformado en un rebaño global de billones de seres inconscientes, presas de una compulsión de consumo ilimitado, competitivos, sin valores éticos, sociales ni espirituales, manipulado por una minúscula camarilla trasnacional de dueños de gigantescas corporaciones, carentes completamente de escrúpulos y de visión futura, cuyas únicas motivaciones sean: el control del poder, el lucro material y la explotación de los dones de la naturaleza y del resto de los seres humanos; llegará el momento cuando parezca que la esperanza se haya convertido en un valor obsoleto, que el futuro de nuestra propia especie esté en peligro de extinción y que estemos condenados a seguirnos exterminando unos a los otros por la obtención de los beneficios más miserables, por la predominancia de nuestros más mezquinos intereses personales o grupales, nuestras ideas o creencias particulares; llegará pues el momento en que, cuando parezca que todo esté perdido y estemos condenando y llevando a nuestro planeta, a nuestra casa común a la destrucción generalizada y a una crisis global, social y natural sin precedentes; y en ese momento comenzarán a surgir por toda superficie de la Madre Tierra, individuos, guerreros y guerreras por la paz, niños especiales, familias extendidas, clanes, grupos organizados, tribus, movimientos y redes de personas que no se identificarán ya más por sus orígenes étnicos ni geográficos, su color de la piel, sus lenguajes, sus tradiciones, sus creencias, sus clases sociales, sus orientaciones sexuales o su género, sus ideologías, su edad o sus preferencias alimenticias, de vestuario, de estilo de vida; y en el que todas esas personas se reconocerán como hijos e hijas de una misma madre sin fronteras, la Madre Tierra, Gaia, Pachamama, Tonantzin, en la que todos nacemos y a la que todos retornaremos, y de un mismo padre, el Padre Sol, Helios, Inti, Tonatiu, quien es origen de vida, de calor, de luz, y fuente energética de la que emana la existencia de todo ser vivo en este planeta.
Y entonces, como fue anunciado y profetizado por l@s abuel@s de muy distintas latitudes y de todos los tiempos, que esa nueva humanidad emergente, formada por seres multicolores de todo el planeta, dará origen a la Gran Nación de los Pueblos del Arcoiris.”
CUANDO LAS PROFECÍAS SE CONVIERTEN EN HISTORIAS
Los hijos e hijas de esta nueva humanidad, la primera humanidad con consciencia planetaria, aquello@s de nosotr@s nacid@s a partir del Año 1 de la Era Post-Atómica (año 1945 del calendario gregoriano), a raíz de las explosiones de Hiroshima y Nagazaki; conseguimos atravesar nuestra infancia y adolescencia, dando nuestros primeros pasos y tropezones, cruzando los siete puentes de la Senda del Arcoiris hasta alcanzar nuestra mayoría de edad en el Año 23 de esa misma Era (1968 del calendario gregoriano).
Fue precisamente en ese Año 23, con el despertar de la Mujer Dormida, que nuestra generación se declaró a nivel planetario en rebeldía y en ruptura radical contra todos los fundamentos de la Sociedad del Espectáculo y de la Sociedad del Consumo, contra todos los sistemas económicos, políticos y de gobierno con sus respectivas ideologías, credos, falsos valores y moralidades hipócritas, y levantamos de nuevo la consigna de “PAZ y AMOR” contra todos los fundamentalismos nacionalistas, militares, económicos, políticos y religiosos, con sus visiones de progreso y crecimiento ilimitado sin importar el costo y sacrificio humano y natural, ni el futuro de las próximas generaciones.
Llamados los “Niñ@s de las Flores”, hippies, comuneros, pacifistas, soñadores, utopistas, contestatarios, fuimos y somos los herederos de las enseñanzas de todos los y las guías del pasado y de todos los tiempos que lucharon por la paz, la libertad, la justicia, la equidad, la solidaridad y el amor universal, y que nos dejaron sus ejemplos de vida para modelar nuestras propias existencias. Fuimos también la primera generación reconocida por l@s abuel@s de distintas tradiciones y culturas que nos antecedieron, y que de acuerdo a sus profecías nos llamaron los “nuevos indígenas de la Tierra,” aquellos en quienes depositaron, para preservarlas, sus enseñanzas, sin importar nuestros colores de pieles o nuestros orígenes geográficos, étnicos, sociales o culturales.
Y desde entonces comenzamos a multiplicarnos y a unirnos por todas las biorregiones de nuestro planeta-oikos o casa común con una visión y una misión común y prioritaria: REHABITARLA CONSCIENTEMENTE, CUIDARLA, PROTEGERLA, DEFENDERLA, REGENERARLA, CELEBRARLA Y RECREARLA a lo largo de todas nuestras vidas, sembrando esas semillas en las próximas generaciones a través de nuestros pensamientos, intentos, palabras, sentimientos y acciones personales y colectivas.
A partir del Año 27 de la Era Post-Atómica (1972 del calendario gregoriano), la leyenda profética del surgimiento de la Nación del Arcoiris, proveniente de las culturas indoamericanas de todo el continente y de las mitologías de una gran mayoría de las civilizaciones de la Tierra, comenzó a convertirse en historia, con el surgimiento sincrónico de las primeras organizaciones, familias comunitarias y tribus y que adoptaron el símbolo del puente luminoso o arco-iris como su emblema, y que desde entonces vienen congregándose anual y cíclicamente en los Encuentros del Arcoiris (Rainbow Gatherings) caminando esas profecías y construyendo redes locales, biorregionales y planetarias para reconstruir el descompuesto y enfermo tejido social humano, y para proteger y regenerar el igualmente destruido y enfermo tejido natural que es sustento de vida de todos los habitantes de este nuestro hogar-oikos terrestre.
En el año 42 de la Era Post-Atómica (1987 del calendario gregoriano), respondiendo a antiguas y nuevas profecías mayas y galácticas, por primera vez en nuestra historia humana, estas primeras generaciones de “gente del arcoiris” o “gente de la tierra”, nos convocamos a una celebración o Convergencia por la Armonía Planetaria en la que participamos millares de guerreros y guerreras del arcoiris y millones de personas del mundo entero, declarando mediante millares de acciones simultáneas por el cuidado y defensa de la vida, que somos parte de una misma humanidad, con un mismo origen y un mismo destino, y con una misma responsabilidad por el futuro de nuestra especie y el de todas las formas de vida con las que compartimos este hogar, especialmente por el cuidado de los cuatro elementos naturales de los cuales dependemos: el agua, el aire, la energía o fuego y la tierra con sus montañas, ríos, mares, desiertos, bosques y demás especies vegetales y animales.
En el año 47 de la Era post-Atómica (1992 del calendario gregoriano), se celebró en Rio de Janeiro la Cumbre de la Tierra, reuniendo por primera vez en la historia a la mayor parte de los líderes y gobernantes políticos del mundo y a los representantes de millares de organizaciones, redes y movimientos sociales y ambientales altermundistas de todo el planeta, así mismo como a docenas de líderes de pueblos originarios indígenas de todos los continentes, para analizar y discutir el estado de deterioro creciente del Medio Ambiente, y para intentar consensar una agenda, llamada Agenda 21, que siente las bases de una cultura ecológica y de paz, y de una constitución por los derechos de la Tierra a nivel global.
En dicho evento histórico realizado en Brasil, los representantes de los pueblos indígenas, rojos, amarillos, negros y blancos, acompañados de activistas altermundistas de todo el planeta, se manifestaron como los guardianes y custodios tradicionales de la Pachamama, y denunciando la absoluta falta de representatividad de sus pueblos en los foros políticos de la Cumbre, levantaron la bandera de la Wipala, la antigua bandera arcoiris de la confederación de los pueblos andinos de los cuatro rincones del Tewantinzuyo, como su emblema común, auto-nombrándose la “gente de la tierra,” los chakarunas o seres puentes que anuncian el despertar del nuevo ciclo del tiempo, el 10º Pachakutec.
En el año 49 de la Era Post Atómica, (1º de enero del año 1994 de la Era gregoriana), el mundo entero se despertó con la noticia de un levantamiento armado indígena en las selvas del Sureste mexicano, declarando el inicio de una Guerra Florida, al estilo de los combates rituales entre pueblos originales, contra el gobierno priista y el sector más corrupto del ejército mexicano, contra el (NAFTA) Tratado de Libre Comercio, contra más de 500 años de marginación de los pueblos y naciones indígenas, clamando por sus derechos sociales, culturales y espirituales. Asumiéndose como herederos del zapatismo libertario de los años 1910-1917, y de las profecías mayas del legendario Votán, los insurgentes mayas-zapatistas inauguraron un nuevo tipo de lucha de resistencia, activa, inclusiva, mediática, teatral, de diálogo y para dar voz y rostro a todos aquellos que nunca la tuvieron. Su movimiento ha inspirado y sigue inspirando a los pueblos mestizos e indígenas de toda Latinoamérica y a grupos y movimientos del resto del mundo, que desde entonces han conseguido importantes victorias políticas y sociales a nivel continental, y a la creación de los Foros Sociales Mundiales y Nacionales, que han llevado al poder en años consecuentes a líderes y luchadores populares en países como Venezuela, Brasil, Bolivia, Ecuador, Honduras, Nicaragua, Uruguay y Paraguay entre otros, reconociéndose como naciones bolivarianas, revolucionarias, plurinacionales y comunitarias. En varias de ellas, levantando la bandera arcoírica de la Wipala como su emblema de identidad panamericana.
En el año 54 de la Era Post Atómica, (año 1999 de la Era gregoriana), tuvieron lugar las primeras manifestaciones contra la cumbre de la OMC (organización Mundial de Comercio) en Seattle, donde miles de personas convocadas principalmente por sindicatos, organizaciones ecologistas, profesionales, anarquistas, indígenas, mujeres, gays, lésbicas y personas comunes, se movilizaron en las calles contra la OMC, hasta hacer fracasar la llamada Ronda del Milenio, todo al margen de cualquier partido político. Estás acciones están consideradas como el inicio de una nueva etapa del movimiento antiglobalización, con sus banderas arcoíricas y consignas por la Paz, el cuidado de la Tierra, la justicia social y el fin del hambre en el planeta. Según el departamento de policía de Seattle esta manifestación contó con 40.000 participantes aproximadamente, que desde entonces se han convertido en millones en las sucesivas reuniones de la OMS, el G-8, el Banco Mundial, la cumbre económica de Davos y las COPS o Cumbres por el cambio climático. El nombre genérico con que estos herederos en la acción directa han recibido, es el de altermundistas. Uno de sus principales y más activos voceros en el mundo, padre de la llamada “Ecoteología de la liberación,” el brasileño Leonardo Boff, termina uno de sus libros, “La Voz del Arcoíris”, publicado en el año 2000 con las siguientes palabras:
“Las reflexiones de este libro están atravesadas por estas ideas, sueños y utopías. Tenemos la profunda convicción de que representan lo que debe ser. Y lo que tiene que ser tiene la fuerza irresistible de la primavera cuando llega el tiempo de su irrupción. Entonces nos sentiremos todos ligados y re-ligados, unos a otros, como hijos e hijas del arcoíris que sobre todos se extiende y a todos abraza y bendice.”
En el año 57 de la Era Post-Atómica (2002 del calendario gregoriano), por primera vez también en nuestra historia humana, millones de seres humanos provenientes de todos los pueblos y naciones, clases sociales y religiones, ideologías y creencias, edades y géneros, salieron a las calles en todos los rincones de la Tierra, manifestando su repudio a la invasión del Iraq, iniciada por las grandes Corporaciones trasnacionales y sus ejércitos mercenarios comandados por los Señores de la Guerra, en su afán de mantener el control sobre los mayores yacimientos de petróleo del Oriente y del mundo. Y la bandera que encabezó las marchas multitudinarias, las manifestaciones y las más diversas expresiones de rechazo a esa guerra, como a todas las guerras fratricidas, genocidios y de exterminio, fue precisamente la bandera de la Nación del Arcoiris, con la palabra PACE=PAZ inscrita a lo largo de sus siete colores.
En este año 65 de la Era Post-Atómica (2010 del calendario gregoriano), en una gran cantidad de países del continente americano se celebran las fiestas de conmemoración de sus respectivas luchas de Independencia de las naciones coloniales que hasta hace 200 años, mantenían a los pueblos indoamericanos, mestizos, criollos y afro descendentes dominados y esclavizados, explotándolos por sucesivas generaciones, así como a todas sus riquezas naturales. En México se celebra también en este año, además del bicentenario independentista, el centenario del inicio de las gestas que culminaron con la Revolución Mexicana de 1910, marcando el empiece de las revueltas e insurrecciones populares del siglo XX contra los regímenes dictatoriales, civiles y militares, surgidos en la mayor parte de las repúblicas “independientes” de una gran parte del planeta.
Al aproximarnos al cierre de la primera década del siglo XXI, y a las puertas del 67 año profético de la Era Post-Atómica (2012 del calendario gregoriano), de frente al crítico panorama global de derrumbe de los sistemas de valores y psicológicos que sustentan los tejidos sociales; de la inseguridad y la violencia generalizada provocada por las mafias y carteles coludidas de delincuentes comunes, gobiernos, sociedades y medios de desinformación y manipulación masivos; de la devastación sistematizada de los sistemas ecológicos biorregionales, del desequilibrio provocado por los inminentes cambios climáticos en nuestro sistema planetario, y de frente a las profecías apocalípticas que anuncian el fin de los tiempos, nosotros, los hijos e hijas de la Madre Tierra y del Padre Sol, recapitulando sobre los antecedentes históricos de estas últimas seis décadas, hemos decidido levantar este Manifiesto de la Nación Arcoiris.
Nuestra visión y misión se refleja en la siguiente consigna: “POR UNA RE-EVOLUCIÓN CONSCIENTE DE NUESTRA ESPECIE, CELEBRANDO NUESTRA INTERDEPENDENCIA CON TODOS LOS SERES VIVOS, HUMANOS Y NO-HUMANOS, CON LOS ELEMENTOS NATURALES Y LAS FUERZAS DEL COSMOS, Y POR LA EMERGENCIA DE UNA CULTURA DE PAZ PLANETARIA.”
Y es por ello, que queremos convocar, a que a partir de este año, comencemos a articular nuestras redes vivenciales y virtuales, en los cuatro rumbos de la Madre Tierra, para crear a nivel local, biorregional, virtual y planetario nuestros Consejos de Visiones de Guardianes de la Tierra, promoviendo eventos, acciones, festivales, ceremonias, la creación de redes sociales, presenciales y digitales, de acorde con las visiones y misión que nos unen, integrándonos y complementándonos precisamente a partir de nuestras diferencias.
Por ello, proponemos empezar a constituir nuestros propios “Consejos de Abuelos y Abuelas de la Nación del Arcoiris,” integrándonos aquell@s de nosotr@s que nos identifiquemos con estas propuestas, los que nos antecedieron señalándonos el sendero, los que provenimos de estas generaciones de la Era post-atómica, y aquell@s de nuestr@s hijos y niet@s que hemos caminado y seguimos caminando y cruzando los siete puentes de colores del Arcoiris, con el objetivo de sentar por el ejemplo y no solo por las palabras, las bases de una civilización basada en el respeto, la inclusión, la cooperación, la fraternidad, la búsqueda de la armonía, la solidaridad, el amor y el cuidado por la vida, en todas sus manifestaciones.
Y para dar un primer paso en la afirmación de esta propuesta, hemos convocado a la integración de nuestro “1er Consejo de almas ancianas, abuelos y abuelas de la Nación del Arcoiris,” con aquell@s de nosotr@s presentes en el 10º. Consejo de Visiones o “Llamado del Águila”, realizado en Noviembre en la Aldea temporal de Paz que levantamos en Temictla, Chalmita, en el estado de México.
Para ello, invitaremos a aquell@s de nosotros que así lo sintamos, a compartir en respeto nuestras experiencias de vida, y para prever los próximos pasos de nuestro movimiento, sentados en tres círculos alrededor del fuego. Uno de estos círculos será conformado por l@s abuel@s de más de 52 años de edad que hemos caminado por la Senda del Arcoiris por un mínimo de 26 años; el segundo, por nuestr@s “jóvenes abuel@s,” aquell@s que ya nacieron y que siguen caminando por esa misma senda y que serán los receptores de nuestros bastones para seguir manteniendo viva esta profecía y convirtiéndola en historia. El tercer círculo se formará con aquellos que hayan respondido al “Llamado del Águila,” y que por primera vez se acerquen al Consejo de Visiones, para compartir y ser testigos de este evento histórico y trascendente.
Con este acto, sembraremos una nueva tradición para nuestros futuros Consejos de Visiones, al mismo tiempo que lanzaremos esta invitación a otros Consejos similares, para apropiarse de esta iniciativa y para afirmar nuestra madurez como un movimiento social planetario, sin antecedentes y sin fronteras, que reivindica su pasado, afirma su presente y se proyecta como una propuesta de vida para las próximas siete generaciones.
POR TODAS NUESTRAS RELACIONES
O´MTA KUOYASIM
CAMINANDO LAS PROFECIAS
Este manifiesto, redactado por Coyote Alberto Ruz en el mes de octubre del 2010, un mes antes del “Llamado del Águila”, preveía ya que durante nuestro encuentro de tribus, pudiésemos visualizar y formalizar en algún tipo de ceremonia, que el Consejo de Visiones de Guardianes de la Tierra es un árbol de la vida que simboliza, en sus raíces, la herencia ancestral proveniente de la herencia genético-cultural amestizada de las cuatro familias-madre de la humanidad, la negra, la amarilla, la roja y la blanca, en su tronco a aquellos que constituimos la primera generación de miembros de la familia del la humanidad arcoiris; en las ramas a nuestr@s hij@s y aquell@s niños y jóvenes índigos, cristales e arcoíricos ya nacidos y crecidos en los valores emergentes de esta nueva humanidad, en las hojas, nuestr@s niet@s y aquell@s que inician su caminada para atravesar los siete puentes que llevan a la fuente de donde nace el Arcoíris; y en los frutos, aquellos que están por nacer y que disfrutarán de este proceso de re-evolución consciente de nuestra especie. El jueves 18 de Noviembre, contando con la presencia de cerca de trescientas personas y testigos de más de treinta nacionalidades, esta ceremonia tuvo lugar bajo la carpa arcoíris en el eco-campamento de Temictla, durante el 10º Consejo de Visiones.
Coyote Alberto Ruz
Coyoacán, Ciudad de México-Diciembre 15 del 2010.


Y LA MAGIA ACABÓ SIENDO LA PRINCIPAL COORDINADORA DEL “LLAMADO DEL ÁGUILA”

Por Coyote Alberto Ruz

Huehuecóyotl, Morelos y Cuenca, Ecuador.

Diciembre del 2010.

Fue casi un año de preparativos, reuniones mensuales del Grupo Semilla y de grupos de trabajo y comisiones, ires y venires de cientos de correos en el Internet, acuerdos y desacuerdos, consensos y discensos, alianzas estratégicas, coqueteos, noviazgos, matrimonios y divorcios, propuestas y bloqueos, hasta que finalmente se fue acercando el día cero, sábado 13 de noviembre, y finalmente pasamos de las palabras a la acción.

El “X Consejo de Visiones”, también convocado como “El Llamado del Águila” estaba por comenzar, y de las cuatro direcciones comenzamos a peregrinar para asistir a la cita en el campamento Temictla, nuestro primer “consejódromo”, situado en un gran valle terrazeado, rodeado de montes y bosques, en los terrenos que forman parte de la ecoaldea Ñerika, y del proyecto Om Sua, dentro de la localidad de Chalmita, municipio de Ocuilan, estado de México.

Con este evento cerrábamos un ciclo de 10 Consejos de Visiones realizados en México a lo largo de casi de dos décadas, iniciado en el 1991 con el primero en el Centro Ceremonial Ñañu de Temoaya, y que en esta su décima edición incluyó también otras tres propuestas: El encendido del Fuego Nuevo, iniciativa de la Red Anahuac; el Festival artístico Omeyoacuan, y la reunión anual de los representantes de la Red Iberoamericana de Luz. Se trató pues de un ambicioso intento de conseguir en un mismo gran encuentro, juntar a artivistas, sanadores, guardianes de tradición, niños y jóvenes provenientes de distintos puntos del planeta.

Cerrábamos en Temictla también un ciclo iniciado en el año 1996, con la realización del 1er Congreso Biorregional de las Américas de Meztitla, evento en el cual la iniciativa de la Caravana Arcoiris por la Paz se comprometió a llevar al Sur del continente la experiencia de los Consejos de Visiones mexicanos, para sembrarla a lo largo de lo que serían, trece años de peregrinaje. Y esto se logró en distintos países como Costa Rica, Colombia, Venezuela, Puerto Rico, Cuba, Ecuador, Chile, Argentina, pero muy especialmente en ocasión a dos grandes encuentros internacionales: El Llamado del Cóndor, en el año 2003, realizado en el Valle sagrado del Urubamba, en Perú; y el Chamado do Beijaflor (Llamado del Colibrí-2005), en la Chapada dos Veadeiros en Brasil.

Temictla, el sitio escogido para la reunión, localizado a pocos kilómetros del santuario de Chalma y del santuario del Ahuehuete sagrado, lugares de poder adonde convergen más de diez millones de peregrinos al año, fue cuidadosa y amorosamente preparado por casi ocho años por un grupo de apasionados visionarios, liderados por Armando y Anja, fundadores de Ñerika, quienes contaron con la asesoría de uno de nuestros más experimentados jóvenes permacultores, Odin, y con el apoyo logístico de Benjamín y Fausto y docenas de personas que en esos años contribuyeron con su amor, trabajo, sudor, sangre, oraciones, cantos y danzas, para crear un sitio donde nuestras visiones pudieran encontrarse en paz y en armonía, en respeto las unas con las otras, y con todo el maravilloso entorno natural que lo rodea. El gran peso de la producción del Llamado, quedó precisamente bajo la responsabilidad de este equipo incombustible y entregado, anfitriones maravillosos que no solo abrieron las puertas de su hogar, sino que nos hicieron a todos los que llegamos al Llamado, sentirnos de la casa, tanto para su disfrute como para su cuidado.

Una semana antes del día del inicio del Consejo, comenzaron a llegar los primeros y sobre todo, las primeras voluntarias para ayudar con el montaje de nuestra Ecoaldea Temporal de Paz, y en la tarde del 11, llegamos Verónica y yo, a bordo de la legendaria Mazorca y con la Carpa Arcoiris, para compartir en ese proceso y aportar al Llamado toda la experiencia recogida en 13 años de camino por las rutas del Sur.

En medio de un valle de terrazas, rodeado de montes y bosques, nos encontramos con un circulo de piedras pintadas de rojo, blanco, amarillo y negro, representando a las cuatro naciones madres de la humanidad, y en cuyo centro se encuentra un árbol-palo adornado de amarres de tabaco, que sirve como eje desde el cual los danzantes del sol se cuelgan para ofrendar sus oraciones, sudor, sangre, hasta que la piel de sus pechos se rompe bajo el peso de una cabeza de bisonte y con ello cumplen su obligación anual como ofrenda al Gran Misterio.

Hacia el norte, ya está preparándose el espacio del Consejo de Tradiciones, con sus temazcales, sus tipis, su fuego sagrado y su altar wirrárika, ya que en este Consejo, son los huicholes quienes vienen en mayoría a traer sus ceremonias para todos los presentes. Ahí también están ya acampando algunos abuelos, Don Faustino, Don Andrés, los guardianes del fuego y los corredores de los temazcales.

Al oriente, nos ubicamos nosotros, los que tenemos casas rodantes, coloridas, y detrás del tecorral, se encuentran los espacios del Consejo de Salud, a cargo del Guru Gómez y su heredera Dalia, del compadre Lalo de la Garza, y posteriormente del equipo del sanador pranico Gabo Zapata y sus haditas de la Conchita de Coyoacán, con sus carpas y su maloca piramidal, adonde se llevaran a cabo las sanaciones, demostraciones y talleres de los curanderos, terapeutas y demás brujos y brujas buenas de la Aldea.

Al Sur, se erigió la gran lona y el escenario para los conciertos y el Consejo de Arte y Cultura, con sus techados de palma para realizar talleres de máscaras, pintura, señalética, y donde se presentarán cada noche distintos grupos musicales, de toda la gama conocida: rock, raggae, etno, world music, jaraneros, DJ´s provenientes de Inglaterra y USA, hip hopers anarco-libertarios como el Roco y Moyenei, voces celestiales, como las de Marissa y Luisa de Lille, ritmos sabrosos de Casa Verde, cantos totonacas y nuevas composiciones de Deva y Pedro Vadhar, y media docena más que seguramente Luix Saldaña completará cuando le llegue este Comunicado.

En esa misma dirección, están los baños secos, composteros, y las duchas colectivas, “La Tortuga Ciclópea,” lonchería alternativa que montaron Marisela y su familia, y el William con su café veracruzano, y que fue un sitio altamente visitado, a todas horas del día y de la noche, cuando los horarios del comedor comunal estaban ya cerrados.

Más allá, se encontraba el espacio del Consejo de los Niñ@s, con su lona amarilla bajo la cual se encontraban una gran cantidad de materiales para realizar actividades lúdicas y talleres de todo tipo, con un equipo de niñas eternas para jugar con ustedes, la Ale Balado, Luchy, Alegría, Ximena, la gente de Ecomundi, y sobre una colina, la tienda colorada del Consejo de Jóvenes, de donde surgieron muchas iniciativas y actividades que juntaron, por primera vez en nuestros Consejos, a un buen número de chavos y chavas de distintos clanes, listos a tomar el bastón de manos de nosotros, sus hermanos mayores, y a quienes este Consejo les abrió de nuevo la visión y el horizonte, las puertas de la percepción consciente para poder mirar más allá de los ipods, del chat, los antros, los videojuegos, los shoppings, el abuso del alcohol y el tabaco, y de toda la gama de pendejadas que los convierte en un rebaño indiferenciado de atrofiados consumidores, como a muchos de los jefes de sus cuates e incluso a algunos de sus progenitores. Aho! pues Laolín, Arún, Carmen, Xuna, Lea, Merlin, chavos anarcopunks, Krisna, Jerónimo y el resto de la banda. Espero que no se dejen devorar por el consumismo, los gadgets electrónicos, y los falsos universos virtuales que les ofrece la publicidad para adormecerlos. Manténganse alertas y despiertos!

Ya para el poniente, se estableció un buen contingente de carpas sobre varias terrazas, asemejando una colmena colorida, de madres y padres reina, con sus respectivas proles, incluyendo una zona VIP, donde algun@s de nuestr@s “consejeros semilla” montaron su cuartel general, con cafecitos, tecitos, jugos, jamoncito serrano, quesitos ricos, galletitas y demás delicateses, para complementar la dieta espartana pero rica y abundante que nos ofreció el Llamado durante toda la semana.

En esta dirección fue también levantado el gran tipi de la Gran Madre, para el Consejo de Espiritualidades ecuménicas, con su fuego sagrado ardiendo día y noche por los ocho días que duró el Llamado, cuidado permanentemente por un relevo de guardianas, lideradas por la incombustible joven abuela Verónica, trayendo el fuego de los campamentos del cóndor del Sur, para unirlos a los de los pueblos de las águilas. Las abuelas Angélica, de Toluca, y Alas de Águila, de Caracas, estuvieron también ahí, siempre presentes, para compartir la sabiduría añejada por los años de experiencia, el cariño, el cuidado de las hermanitas menores. Formando un cuarteto muy potente, las abuelas, incluyendo a la guardiana chilena Ximena y a una docena más de sacerdotisas de la Diosa, supieron mantener el calor día y noche de ese corazón pulsante, acompañado al abuelo fuego con cantos, ofrendas, rezos, danzas, palabras de poder, curaciones y todo tipo de compartires de beneficio para todos los habitantes del campamento.

Al Poniente, sobresaliendo como siempre en los anteriores Llamados, se encontraba también la Gran Carpa Arcoiris, con sus banderas y sus banners coloridos, que fungió como la sede principal de nuestras plenarias cada día, y del Consejo de Ecología y los movimientos biorregionalistas, con sus talleres, congresos, mesas redondas, enfocadas en ofrecer y compartir propuestas para el mejor cuidado de la Pachamama y de la vida toda.

En una de sus puertas, se colocó estratégicamente la mesa de registro, a la cual pasamos todos los asistentes, para dar nuestros datos, pagar nuestras cuotas y recibir los brazaletes de identificación correspondientes al tiempo que permaneceríamos en la Aldea. Ahí mismo se encontraban los paneles de información, con sus tableros de actividades, oferta de talleres, de caminatas, de eventos por venir, de mensajes, y los programas para cada día de la semana. Por Consejos y por Comisiones.

La variedad de actividades, como siempre en los Consejos, fue impresionante. Cada Consejo ofreciendo su propia programación, además de la general, a la cual estábamos convocados, para eventos de participación, todos los ecoaldeanos.

Durante las plenarias, se discutieron cada día temas de interés general, explicaciones del funcionamiento de los clanes o grupos de trabajo participativo, a su vez que de contención emocional, se compartieron palabras e informes, y se tomaron decisiones para distintos temas que nos implicaban a todos los presentes. También ahí se hicieron cada día las peticiones de voluntari@s para trabajos de emergencia, todo el proceso facilitado por vari@s de nuestras estrellas en procesos grupales, como Liora, Ulyses y nuestra inigualable Laura.

Por primera vez en los Consejos y Llamados, no utilizamos la metodología del “consenso” tal y como lo habíamos hecho anteriormente, después de haber constatado que dicha herramienta, muy eficaz para algunos tipos de situaciones, grupos y eventos, no lo es en todos los casos. También debido a que nos hemos dado cuenta que una gran parte de los participantes que asisten por primera vez a nuestros eventos, no tienen una formación o preparación para utilizarla correctamente, y en algunos casos no están de acuerdo en utilizarla. Especialmente porque en el Consejo de Visiones compartimos muchas diferentes formas de tomar decisiones y no tiene caso reducirlas a una sola. De hecho, durante el Llamado del Águila, cada Consejo lo hizo autónomamente. Sin embargo, estamos convencidos que la facilitación es un elemento fundamental para prácticamente todo tipo de reunión democrática y no jerárquica de personas, y por ello recomendamos que mientras más aprendamos cómo facilitar, utilizando distintas metodologías, mejor funcionaran las reuniones, plenarias, discusiones, y mejores decisiones se alcanzaran durante los procesos participativos.

En el costado poniente del campamento y a un lado de la Carpa Arcoiris, se establecieron la cocina comunal, el gran comedor, la panadería, las estaciones de lavado de trastes, la composta y la estación de reciclaje. Durante los ocho días que duró el Llamado, se sirvieron tres alimentos para las 400 o 450 personas que ya estaban acampando en Temictla por promedio cada día. Los equipos de cocina fueron coordinados por nuestro chef estrella Francisco José, con sus hijos Júpiter y Alain sus nueras y sus nietos. Apoyados por un voluntariado permanente de Consejeros entregados al servicio como Bety Padilla, varias señoras de Chalmita y por los distintos equipos de clanes que cada día se rotaron para ayudar y que mantuvieron siempre en la gran cocina un espíritu de alto nivel de alegría, amor, limpieza, que favoreció a que nunca pasáramos hambres, y que no tuviésemos ninguna complicación con las digestiones del personal. Algo que en este tipo de eventos en medio rural y rústico, no siempre es fácil conseguir. Ahó por ello también!!! Y gracias por los panes calientitos y los roles de canela, tanto de día como de noche!!!! Fabulosos.

El sábado 13 encendimos el fuego social, con brazas provenientes del fuego de tradiciones, y de éste salieron las brazas un par de días después, para encender el fuego del tipi de la Gran Madre, quedando los tres mantenidos prendidos día y noche, para efectos y propósitos distintos. El fuego de tradiciones para alimentar las piras de madera utilizadas para los dos temazcales; el social para los círculos de palabra, cantos de distintas culturas, compartir de historias y leyendas orales, para las grandes celebraciones, y más tarde para calentar las pieles de los tambores y los huesitos en las heladas medianocheras y matinales. El fueguito del tipi de la Gran Madre, para mantenerlo caliente para las mujeres en sus lunas, para ayudar a aliviar dolencias del cuerpo, del alma y del corazón, un rico fuego de enseñanzas y aprendizajes, de intimidad, de relatos, para los pequeñines, para las y los que buscaban a la sororidad para volver a integrarse con la tribu humana.

Intentar levar una bitácora de las docenas de vivencias que compartimos en esa semana, sería una tarea arda y prolongada para todo un equipo juntando los pedazos de ese complejo rompecabezas. No sé si es necesaria, pero se la dejo a otr@s, así que aquí yo solo voy a intentar ofrecerles un leve testimonio del feeling general del campamento y de algunos de los momentos más bellos que todos evidenciamos. Buscaré ser objetivamente subjetivo, o subjetivamente objetivo, y mis cuentos serán tan solo unos cuantos, entre otros miles de cuentos que otros contarán a su manera.

Así que, empiezo con la canción de Lennon de Imagina, y les dejo a ustedes la tarea de pensar en un mundo sin fronteras, sin leyes, sin posesiones, sin nada porque matar ni nada porqué morir, sin religiones y sin partidos políticos, un mundo en el que los niños corren desnudos o con coronas de flores en la cabeza por los prados, exploran los linderos del bosque, se pierden en los causes del riachuelo, pero siempre son cuidados por todos los demás, pues ellos son de todos nosotros, no tan solo de sus padres y sus madres. Imagina un mundo en el que las caracolas llaman a formar los círculos, a formar las filas para recibir los alimentos, para limpiar cada quien lo que ensucia en tres grandes ollas de agua, para aprender a cuidar cada gota de ella. Imagina un mundo con opciones para aprender cada día cosas nuevas, para construir hornos de leña, domos geodésicos, enormes muñecos con ramas, hojas y semillas, para aprender a curarnos con las manos, con yerbas, recogiéndolas e identificándolas en los paseos con nuestros brujos urbanos.

Imagina un mundo sin papeles, ni bancos, ni cárceles, ni policías, un mundo donde cuidan y velan por tu seguridad en la noche los hermanos-guerreros de las bandas anarco punks, coordinados por la incombustible sister Helen Lembal, sin más armas que su presencia, vestidos de cuero negro y estoperoles, sus miradas, sus manos fuertes y sus artes marciales. Un mundo en el que las mujeres no tienen porqué sentirse menos o vulnerables, pues nadie puede tocarlas, sin su permiso, y eso, tan solo para acariciarlas, darles un abrazo, cariño, apoyo emocional, y hacerlas sentir que si es posible sentirse seguras. Que no se trata tan solo de un ideal relacional descrito en los textos ecofeministas sobre la historia de los tiempos en los que el culto de las Diosas, realizados por sus sacerdotisas en los templos de la luna, era algo normal y general en los grandes centros ceremoniales y en la sociedad, ya que estos se erguían al lado y a la par en importancia de los templos del sol de sus hermanos sacerdotes. Tiempo de enterrar las hachas de guerra y de celebrar el encuentro amoroso entre los hombres y las mujeres. Fuimos, somos y seremos siempre ese ying yang inseparable, incluso los más machistas y las más radicales feministas de entre nosot@s.

Imagina un mundo donde el centro de la enseñanza, a todos niveles, es el cuidado de la Madre Tierra. Donde palabras como ecología, biorregionalismo, permacultura, bioconstrucción, producción orgánica de café, frutas, legumbres y preparación de compotas y mermeladas, reciclaje, compostaje, captación de aguas, protección de bosques, rescate de cuencas, cambio climático, diseño de ecoaldeas, redes de ecoaldeas y ecobarrios, biofiltros, arrope, huertos verticales, mandalas de plantas medicinales, compostas lombriceras, baños secos, aprovechamiento de residuos sólidos, ecopedagogía, escuelitas alternativas, preparación de conservas no son más palabras extrañas, sino de uso diario, para niños, jóvenes y adultos, y que puedes vivir, aunque sea tan solo por unos días de tu vida, en un sitio donde todas esas palabras ya se están caminando. Donde puedes aprender a ser eco-consciente a cada paso que das, tan solo desarrollando tu capacidad de atención a lo que haces, donde pisas, de donde bebes, adonde van a parar tus desperdicios, y como se construyen las casas y se diseñan los espacios.

Imagina un mundo donde podemos dar reconocimiento y agradecimiento en tiempo presente y llamar “héroes y heroínas culturales” a nuestros pioneros verdes locales y a los que llegaron al Llamado proveniente de otras biorregiones hermanas: Holger, Odín, Lou, Guy, Marina, Ana Lechuga, Arturo, Cristina, Fabio, Laura, Armando, Arnold, Noelle, Emilio, Clorofila, Anja, Liora, Andrew, los tres Patos Gómez, Carlos Rojas y Carlos Ríos, Mono, Javier, Heriberto, Virginia, Jacques, Conchita, Mamadoc, Chris Wells, Tracy y tant@s otr@s que irán apareciendo en esta u otras listas con el paso del tiempo.

Imagina un mundo en el que los jóvenes no tienen porque sentirse marginados, sino todo lo contrario, donde se les alienta y enseña a compartir su palabra, donde los veteranos les explicamos cómo pasamos nuestra etapa de sexo, drogas y rock and roll, sin dejar la salud, la cordura, la razón ni mucho menos la vida en ello, y de la que salimos fortalecidos y más claros de cual era nuestro camino de corazón, nuestra misión de vida, y conseguimos, unos cuantos pocos, dejar de ser jóvenes y pendejos, para transformarnos en viejos y sabios. Recordándoles que el mundo está lleno de viejos pendejos, que nunca dejaron de serlo a través de su juventud, madurez, edad adulta y sus años de padres de familia. La edad sola, no garantiza ninguna sabiduría para quien no sabe aprender de sus tropiezos y para los que por arrogancia se niegan a aprender de las enseñanzas de los que ya caminaron los senderos antes que uno.

Imagina un mundo de personas a las que ya no importa saber de dónde vienes, sino donde estas. Para las que ya no tiene ninguna importancia si tu piel es más oscura o demasiado blanca, si creciste en una familia judía, guadalupana, hippies o si en tu casa no profesan nada, si tus padres tienen cinco carros y cuentas en bancos europeos, o si son empleados, campesinos, artesanos, terepeutas u obreros, y tu decidiste salir al mundo con tu mochila a encontrar tu propio oficio o destino, si estudiaste en un colegio privado, de estado, alternativo, o si no fuiste nunca a la escuela, si vienes de la loma o de la favela, del Sur o del Norte, de la costa o de la capital, de provincia o del extranjero, porque cuando te quitas la ropa para entrar desnudo al temazcal, y ves a tu alrededor, lo único que es cierto y comprobable, es que en el bajo vientre tenemos todos un ombligo parecido.

Imagina un mundo en el que se saluda al sol cada mañana y cada atardecer, con cantos y danzas de distintas culturas, de algunas de las cuales nunca había escuchado. Y que se forman cada tarde enormes círculos de personas, de todas las edades, bajo la gran carpa del Arcoiris, para seguir las instrucciones del hermano Mono Calero que te enseña rezos, cantos y danzas de paz universal de todas las distintas religiones: sufís, ortodoxas, hebreas, cristianas, indoamericanas, africanas, hindús y tibetanas, cantos a la Guadalupana, a Pachamama, al hermano viento, al abuelo fuego. Y que como una maravillosa mandala en movimiento, las manos siempre juntas, centenares de personas comulgan así de una manera ecuménica, si distingo de origen, las creencias, oraciones, rituales de toda la Tierra.

Imagina un mundo con conciertos musicales cada noche, en los que no es necesario emborracharse para desinhibirse, donde no es necesario sentirse avergonzado porque nadie te saca a bailar, o donde ni siquiera tienes que sentirte mal por nunca haber aprendido a hacerlo, un mundo sin pastillas, tachas y polvos mortales producidos masivamente por los carteles del crimen organizado, para embrutecerte, para hacerte subir y bajar como un zombi, bajo los efectos de la manipulación electrónica y la batuta de un aparato que te programa con su punchi punchi mecánico y sus luces fosforescentes y sincopadas, a repetir movimientos espasmódicos, desarmónicos, solitarios, para mandarte adentro en tu pequeño mundo psicológico, ahí donde mandan tan solo tus ilusiones y tus miedos, y donde vives la apariencia y maya de ser tribu, para despertar al amanecer, crudo y aturdido, y darte cuenta que apenas formas parte de un rebaño. Listo para tomar un baño y correr de nuevo a marcar tarjeta en tu establo preferido, llámese escuela, trabajo o establecimiento.

Imagina un mundo con príncipes y princesas que te enseñan a danzar afro, a subir y bajar por las telas y mecerte con gracia en los trapecios; que te introducen a la sublime dignidad de las danzas giratorias de los dervishes Sufis, con sus vestidos blancos y sus capas oscuras, sus sombreros como conos apuntando al cielo, mientras la Madre Superior de la Nación afro-islámica Tynetta Muhammed te observa con su mirada de paz y de dulzura sin horizontes; maestros que te enseñan a tocar con armonía y ritmo los tambores, para desarrollar tu oído y tu atención para no cubrir con la sordera de tu ego o ignorancia las voces de otros instrumentos más sutiles, o del más sutil de los instrumentos, la voz humana. Un mundo donde aprendes del conteo de los ciclos lunares, solares, venusinos, pleyadianos, para ofrecerte las herramientas para tu mismo volverte a programar de acuerdo a los tiempos de la naturaleza y del cosmos. Para no tener que correr tras las manecillas de un aparato mecánico, que te hace llevar una vida mecánica, que te hace pensar y te programa a creer que el tiempo es un recurso con un precio, y que ese precio es el que determina tu valor como ser humano. Valor determinado por un mercado impersonal, que predetermina que quien paga por tu tiempo se vuelve en el dueño de tu vida y de tu mente y adquiere el derecho irrefutable de usar tu fuerza, tu talento, tu experiencia o tu cuerpo, para su único y total provecho.

Imagina un mundo donde aún puedes beber el agua de los manantiales, lavar las legumbres en el apantle, cocinar con leña, donde puedes respirar tan solo aire oxigenado, y no el humo negro producido por millones de carros, billones de cigarros, millares de fabricas escupiendo sus venenos tóxicos a una atmosfera cada vez más peligrosa para toda forma de existencia. Imagina un mundo donde aún puedes despertar con el canto de pájaros y en cuyo cielo todavía puedes ver volar cada día zopilotes en su danza majestuosa buscando sus alimentos, halcones veloces y una que otra águila dorada, para enaltecer tu espíritu y no olvidar que aquí venimos todos para responder al Llamado del Águila. Imagina un mundo en el que, por nuestras acciones colectivas y eco-conscientes, el gran Bosque de Aguas retornase a ser la cuna desde donde puedan de nuevo fluir las aguas limpias para alimentar los ecobarrios que conforman nuestras ciudades verdes.

Imagina que al Consejo llegasen cada día docenas y docenas de niños y niñas, jóvenes y adultos, provenientes de los vecinos municipios y pueblos aledaños, de las escuelas, preparatorias, universidades, para poder conocer de la existencia de otro mundo posible, de una forma de vivir distinta basada en valores que parecieran haberse borrado de la superficie de la Tierra, como la cooperación, el respeto al próximo, como a sí mismo; el amor incondicional, apoyo mutuo, fuerza de la colectividad y la tribu; la belleza natural, sin artificios; el cuidado por la vida y la seguridad del tejido comunitario y social. Y aunque sea por unos instantes, dejar atrás todos los prejuicios que se construyen, que siempre se han construido para intentar desvirtuar la posibilidad de que el paraíso no necesita alcanzarse después de la muerte, sino que se puede construir, aquí y ahora, cuando un grupo de personas, guiadas por sus más altos ideales, como en la escuelita de Ecomundi, deciden manifestar que: “Si somos soñadores, no somos los únicos, y que esperamos que un día te nos unas, y solo entonces el mundo será Uno para todos y para todas.”

Imagina un tianguis donde solo se traen productos sembrados o hechos por las mismas manos que los vienen a trocar, a intercambiar, y que el dinero deja de ser la medida de ese intercambio, porque los humanos acabamos de comprender que los abrazos, el agradecimiento, los servicios, las ofrendas, las ferias de trueque, la reciprocidad, el yo te doy y tú me das y así nos enriquecemos igualmente los dos, el crear códigos de comercio justo, las monedas sociales, las redes de crédito fuera de los bancos, pueden ir transformando poco a poco la lógica del mercado impersonal, basado en el lucro desmedido, en la explotación sin escrúpulos del prójimo, en el desangramiento de los dones de la Madre Tierra. Imagina que todas estas formas de comercio justo nos permiten creer que ese sueño sea posible, que no tenemos que seguir atados a la rueda infernal de la Matrix, los Bancos mundiales, de las deudas, internas y externas, de las tarjetas usureras, de los juegos maquiavélicos de las trasnacionales.

Imagina un mundo en el que en un performance teatral y ritual se recrea ante tu vista, bajo un templo ecuménico multicolor, un árbol de la vida, como un gran avatar, cuyas raíces provienen de todos los bosques de la Tierra, trayendo la savia de todas las culturas de la historia humana, para alimentar el tronco de una nueva especie, una mutación de nuestra especie humana, que es el origen de este encuentro, de este Consejo de Visiones, de este Llamado, y de todos los movimientos formados por personas y grupos ya nacidos con una consciencia planetaria, desde apenas un poco más de medio siglo. Y que en las pocas horas de duración de esa obra de “teatro vivo” (Living Theater), puedas entender que de ese tronco surgen las ramas que te han sostenido, los héroes y heroínas culturales de tu tiempo, con sus historias y testimonios personales de las que tú mismo formas parte, y que te caiga el veinte de tú mism@ eres ya parte de esa historia profética, y que si no eres tronco, ya eres rama, hoja, fruto, semilla de futuros bosques. Y que así como nos pedía el hermano John Lennon que nos uniéramos a su sueño, pues solo así el mundo sería como Uno, basta ese momento bajo una carpa, basta poder visualizar esos tres círculos humanos de abuelos, jóvenes y guerrer@s, tu gran familia, para que tu sepas y recuerdes que siempre fuiste un soñador, y que no eres el único. Y que basta que ese sueño de un mundo como imaginamos todos lo soñemos suficientes veces y seamos un grupo suficiente de personas compartiendo la misma visión, para que ese mundo comience a existir, de la manera como lo estamos viviendo y experimentando cada día aquí en Temiclta.

Y entonces no te será difícil ya imaginar una ceremonia de medicina sagrada, proveniente del desierto, guiada por viejos sabios entorno a un fuego, con un par de centenares de personas comulgando en respeto, a lo largo de toda una noche preparada por el encendido de un Fuego Nuevo en los altares de Malinalco, para comprender que ya no se trata de tripiar a la pendeja, de andar por ahí metiéndose de todo, sino de que los rituales con medicinas naturales solo tienen sentido cuando están realizados de una manera sagrada, con una actitud y con un ceremonial bien cuidado, guiados por gente con una ética y una moral impecable, y que se realizan por personas que tienen un propósito común: visualizar juntos ese mundo en el que queremos vivir, el que queremos dejar a los que vienen.

Y tampoco te sorprenderá imaginar que al amanecer el nuevo sol, naciendo justo detrás del paso nevado donde se dan la mano el guardián Popocatépetl y la guardiana Iztlaccihuatl en Amecameca, bajen de las altas montañas y aparezcan en torno del fuego social de tu aldea ceremonial, un par de docenas de danzantes emplumados, guiados por el hermano y gran guerrero Mázatl, con sus enormes teponaztles, sus huehuetls, sus sonajas, sus caracolas, sus conchas, sus cantos de guerra florida, flor y canto, sus rostros pintados, sus figuras asemejando ocelotes, águilas, jaguares, sus saludos a las cuatro direcciones. Ni te asustará ver que en ese preciso instante el fuego alcance una altura impresionante de más de tres metros, evocando la presencia de un enorme coyote, sentado en sus cuartos traseros, vestido de un manto incandescente de rojos y dorados, de la misma manera que el sol recién apareciendo tras las lomas de Temictla.

No te sorprenderá imaginar a todas las tribus acercarse al gran círculo de fuego, convocadas por las caracolas, para escuchar las alabanzas, danzar al ritmo de los tambores antiguos, dejar el alma cantar siguiendo el rasgar de la concha, unirte con tus pasos a los pasos de los danzantes acariciando respetuosos la piel de la Madre Tierra. Y entonces, invocando al silencio, prepararnos a recibir las palabras de los más caminados, de los jóvenes abuelos, como el obstinado hermano Gerardo, compartiendo el porqué de esta ceremonia, las razones del encendido pleyadiano de este Fuego Nuevo, encendiéndose en los cuatro rincones de Méshiko y del mundo al mismo tiempo. Y observar el paso de un bastón, proveniente de los Andes, de mano del guardián Armando, a las manos del Viejo Coyote Alberto. Y a este observar en silencio el fuego a través de la chakana, y después de saludar al sol, ofrecer su palabra a todos los presentes recordando que en esta misma fecha precisa, 20 de noviembre del 2010, se celebra, ya no tan solo el bicentenario del inicio de las gestas independentistas de México y las Américas mestizas, criollas, indígenas y africanas; ni tan solo el centenario del inicio de las luchas revolucionarias que en estas tierras dejaron tantos sueños e ilusiones sembradas y regadas con sangre; sino que en este mismo día estamos aquí para celebrar el día uno, del año uno, del inicio de una nueva etapa de nuestra historia humana: la de nuestra re-evolución de la consciencia, de nuestra interdependencia con todas las formas de existencia y del nacimiento de una cultura de paz planetaria.

Y una vez esta invocación enviada al Universo y celebrada por el gran Aho! de la Nación Arcoiris, el Coyote Alberto proceder a entregar simbólicamente el bastón andino a un representante de la nueva generación, aquel que más duramente trabajó este último años para mantenernos en contacto unos con los otros y fortalecer la red virtual y real de nuestro Consejo Semilla, con el apoyo de los hermanos mayores Israel, Gerardo y Mauricio, por muchas lunas, retos y dificultades, para honrar al hermanito y joven abuelo Iván Sawyer, y que este recibiese el bastón, con investido de su poder y responsabilidades, ante todos estos testigos provenientes de las cuatro direcciones, y lo levantase y agradeciese, compartiendo sus propias palabras, en nombre de todos sus hermanos y hermanas presentes y ausentes.

Una vez este momento mágico de la ceremonia culminado, orgánicamente se fue formando una cola para pasar bajo de un arcoíris de bambú, para simbolizar el dejar atrás el viejo tiempo de los himnos y las celebraciones de las guerras del pasado, para entrar al nuevo tiempo de celebración de un mundo regido por las artes, la armonía con el mundo natural, social y cósmico, y de un planeta unificado bajo los valores de una cultura de paz, y una vez pasado el puente de colores ir creando el mayor de los círculos que en esa semana se convocaron, abarcando prácticamente todo el valle de Temicltla.

Las manos juntas, como escamas y cascabeles de una gran serpiente, la serpiente de la vida, vimos entonces volar sobre nuestras cabezas al águila dorada, dando vueltas entre los cerros, para confirmar que nuestro intento colectivo estaba siendo escuchado por las fuerzas de la Naturaleza. Y entonces, una pareja tomo en sus manos una bandera de la Tierra, y comenzó a correr a lo largo y ancho del gran círculo, ante los vítores de los presentes, hasta agotarse y pasar el relevo a otra y otra y otra pareja, y de esa manera hacer claro que ese emblema es uno para tod@s, niños, jóvenes, adultos y abuelos. Todos miembros de una misma nación planetaria, la Nación profética del Arcoíris.

Dicen que lo que empieza bien termina bien, así que imagina si puedes un mejor cierre que, al caer de la tarde del 20 de Noviembre, la formación de una mandala humana alrededor del fuego conformada por las diferentes tribus asistentes al Consejo. Los punks, los ecologistas, los sanadores, los artistas, los afro-asiáticos, los jóvenes, los niños, las sacerdotisas, los guardianes de tradiciones indígenas, y cada una de las tribus pasando al frente y ofreciendo al gran círculo un momento, una palabra, un canto, una oración, una manifestación de su esencia, para todos poderlas llevar a nuestros lugares de origen y en nuestros andares para sembrarlas en muchas otras regiones, corazones y mentes abiertas y fértiles, para permitirles germinar y convertirse en nuevos huertos, jardines e incluso bosques de aguas y esperanza.

Y ahora imagina si puedes todas estas imágenes distintas siendo grabadas por docenas de cámaras digitales, desde las más simples hasta las más sofisticadas, para cada quien poderlas llevar a sus distintos círculos, elevarlas en forma cibernética a sus diferentes redes virtuales, a sus facebooks, sus yutubes, sus comunicados personales, sus revistas de Internet, y que incluso tengamos ya en la tribu nuestros propios canales de TV que están mandando la señal del Llamado al mundo de las redes sociales. Y que justamente, sincrónicamente desde Londres llegase Duncan, el reconocido druida y visionario celta, para poder captar la esencia más pura de nuestra reunión de tribus, las palabras de nuestros sabios guerreros y nuestras aguerridas sacerdotisas, los cantos alrededor del fuego y el fuego de los cantos de Moyinei y Roco y del resto de nuestros embajadores musicales en el mundo. Y que todo ello fuese parte de un próximo documental que contribuya a que la humanidad logre dar ese “Giant Leap,” ese gran salto re-evolutivo que precisamos dar como especie para materializar ese sueño en el que todos podamos ser UNO.

Hace 40 años que la vida de John Lennon fue segada por las balas de un psicópata, y sin embargo hoy en día sus mensajes siguen vivos como nunca, y las letras de su himno planetario, siguen alimentando el inconsciente colectivo de las sucesivas generaciones. Seguimos habiendo quienes soñamos con ese mundo que imaginamos, quienes sin meter la cabeza en un agujero, nos damos cuenta de los horrores que se cometen cada día en prácticamente todo el planeta, horrores que sirven de combustible para los medios masivos de manipulación y de control social, para mantener a la sociedad paralizada por el miedo, por el cinismo y la apatía.

Ante tales condiciones, pareciera que imaginar otros mundos posibles, fuese una ingenuidad propia de los ilusos, los utopistas, los forever de siempre. Y sin embargo, para los cientos de nosotr@s que acudimos al Llamado del Águila, así como para los miles, cientos de miles de otros nosotros que andan por ahí sembrando sueños por toda la Tierra, la esperanza volvió a renacer, el empoderamiento y la sensación general y convicción de que “si se pudo”, algo que nadie nos podrá arrebatar, y que por lo contrario nos ha dado la fuerza para asumir el compromiso para volver a levantar el campamento, el poblado de paz del Consejo de Visiones, al menos por los tres años por venir.

Y es que en estos tiempos, recordemos no es suficiente soñar otros mundos posibles, tenemos que despertar antes que nuestros sueños se conviertan en humo o en pesadillas, y hay que acordarse de continuar o comenzar cada nuevo día construyendo la realidad en la que queremos vivir mañana. Tener claro que ésta no se va a construir sola, ni van a venir los extraterrestres o las fuerzas angelicales a salvarnos o a hacer el trabajo por nosotros. Por más que los evangelistas de toda denominación nos ofrezcan la salvación espiritual a costas de nuestra obediencia, nuestra sumisión y un buen tajo de nuestros salarios, si se desata el apocalipsis que tanto proclaman, no habrá iglesia que los proteja de los desastres naturales o sociales que se desencadenen y que nadie podrá controlar.

El paraíso o el infierno, es ahí donde vivimos cada día, en nuestro hogar, en nuestro barrio, en nuestra vida familiar, social o comunitaria, en nuestros centros de estudio o de trabajo, en nuestras instituciones privadas o estatales, y solo depende de cada uno de nosotros, niños, adolescentes, jóvenes, adultos y abuelos, que ese oikos, esa casa sea el sitio donde se refleja del mundo de afuera. Tomemos consciencia que si nuestro hogar es un campo de guerra, que no nos extrañe vivir en la calle en medio de un campo de batalla.

El Consejo de Visiones de Temictla, fue un escaparate maravilloso en el que pudimos ver reflejadas nuestras mejores intenciones. Y aunque solo duró una semana, siendo el tiempo eterno, la experiencia colectiva fue lo suficientemente real, para recordarnos a tod@s que si pudimos, y que si podremos mañana seguir construyendo, contra viento y corriente, el mundo que queremos heredar a los que vienen.

Y en ese andar, nos seguiremos encontrando. Buen camino para tod@s!!!

Por todas nuestras relaciones

Coyote Alberto

PS: Envío mi más caluroso abrazo, agradecimiento y reconocimiento a los más de 500 participantes al X Consejo de Visiones, y a tod@s los que no pudieron asistir pero que hubieran querido estar con nosotr@s. Si en esta reseña no los nombro a tod@s, no por ello están menos en mis corazones, así que para cada un@, mi amor de siempre, y siempre presentes en todas mis oraciones. Aho!!

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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Natal ontem e hoje, depende de uma Mulher!

Natal ontem e hoje, depende de uma Mulher!
Naquele tempo,

“O Anjo do Senhor anunciou a MARIA
e ela concebeu do espírito santo!” Era um tempo de trevas... Nos corações dos empobrecidos uma ardente fome e sede de justiça... Uma jovem mulher do povo, recém-casada com um carpinteiro, ligada profundamente à sua gente sofrida, vive à espreita de um sinal, um “sinal dos tempos”. De repente, se sente desafiada a ser Mãe, com uma missão maior: dar ao mundo Aquele de quem seu povo e as nações esperam a grande mudança... “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim, segundo a tua palavra!” Diante do desafio que lhe é colocado, ela se coloca totalmente à disposição. Essa disponibilidade, feita de esperança, iniciativa, generosidade e firmeza, vai custar muito caro, mas ela vai dar conta do recado. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós!”
E eis que o Projeto divino, que vinha de encontro aos sonhos e ânsias da humanidade, começou a acontecer na pessoa de um Homem, nascido desta Mulher, o qual, em nome de Deus, disse “sim” à justiça, disse “sim” à paz, disse “sim” à VIDA, e por essa causa deu a sua própria vida.

Encerrando a primeira década do novo século, o NATAL, para acontecer de novo, depende, igualmente, da Mulher, isto é, de todas as Mulheres. A primeira delas, DILMA ROUSSEFF, desde a sua juventude que se tem deixado desafiar pelos “sinais dos tempos”, e, solidária com os Trabalhadores explorados pelo Capitalismo globalizado, fazendo sua a fome e sede de justiça dos excluídos, começará o Ano Novo assumindo a presidência do país. Dilma, desde cedo, disse seu “sim” aos apelos da História. E as mudanças que vêm se desenhando, desde o governo de um Operário, há oito anos, têm tudo para se consolidar e ampliar. Para tanto, vai ser preciso apenas, mas inadiavelmente, que a Classe Trabalhadora retome, de modo mais corajoso, criativo e generoso, a sua luta por mudanças e direitos. Na correlação de forças, a mobilização dos Trabalhadores precisará ter um peso decisivo. Sem isso, nenhum governo lhes será favorável. Mas a hora é da Mulher, sobretudo das Mulheres Trabalhadoras: referendadas e estimuladas pela presença de uma Mulher na presidência do país, façam valer o peso da sua participação, do seu grito feito de ternura, de cuidado e de firmeza na defesa da Vida. Sozinha, Dilma nada poderá!

O MTC deseja, assim, a todos os Trabalhadores e Trabalhadoras um FELIZ NATAL e um ANO NOVO de lutas e conquistas!

MOVIMENTO DE TRABALHADORES CRISTÂOS (MTC)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Natal: ver com os olhos do coração & Meus sonhos de Natal

É o que mais nos falta hoje: a capacidade de resgatar a imaginação criadora para projetar melhores mundos e ver com o coração. Se isso existisse, não haveria tanta violência, nem crianças abandonadas nem o sofrimento da Mãe Terra devastada.

Leonardo Boff

Somos obrigados a viver num mundo onde a mercadoria é o objeto mais explícito do desejo de crianças e de adultos. A mercadoria tem que ter brilho e magia, senão ninguém a compra. Ela fala mais para os olhos cobiçosos do que para o coração amoroso. É dentro desta dinâmica que se inscreve a figura do Papai Noel. Ele é a elaboração comercial de São Nicolau – Santa Claus - cuja festa se celebra no dia 6 de dezembro. Era bispo, nascido no ano 281 na atual Turquia. Herdou da família importante fortuna. Na época de Natal saia vestido de bispo, todo vermelho, usava um bastão e um saco com os presentes para as crianças. Entregava-os com um bilhetinho dizendo que vinham do Menino Jesus.

Santa Claus deu origem ao atual Papai Noel, criação de um cartunista norte-americano Thomas Nast em 1886, posteriormente divulgado pela Coca-Cola já que nesta época de frio caía muito seu consumo. A imagem do bom velhinho com roupa vermelha e saco nas costas, bonachão, dando bons conselhos às crianças e entregando-lhes presentes é a figura predominante nas ruas e nas lojas em tempo de Natal. Sua pátria de nascimento teria sido a Lapônia na Finlândia, onde há muita neve, elfos, duendes e gnomos e onde as pessoa se movimentam em trenós puxados por renas.

Papai Noel existe? Esta foi a pergunta que Virgínia, menina de 8 anos, fez a seu pai. Este lhe respondeu:”Escreva ao editor do jornal local! Se ele disser que existe, então ele existe de fato”. Foi o que ela fez. Recebeu esta breve e bela resposta:

Sim, Virgínia, Papai Noel existe. Isto é tão certo quanto a existência do amor, da generosidade e da devoção. E você sabe que tudo isto existe de verdade, trazendo mais beleza e alegria à nossa vida. Como seria triste o mundo se não houvesse o Papai Noel! Seria tão triste quanto não existir Virgínias como você. Não haveria fé das crianças, nem a poesia e a fantasia que tornam nossa existência leve e bonita. Mas para isso temos que aprender a ver com os olhos do coração e do amor. Então percebemos que não há nenhum sinal de que o Papai Noel não exista. Se existe o Papai Noel? Graças a Deus ele vive e viverá sempre que houver crianças grandes e pequenas que aprenderam a ver com os olhos do coração.

É o que mais nos falta hoje: a capacidade de resgatar a imaginação criadora para projetar melhores mundos e ver com o coração. Se isso existisse, não haveria tanta violência, nem crianças abandonadas nem o sofrimento da Mãe Terra devastada.

Para os cristãos vale a figura do menino Jesus que tirita sobre as palhinhas sendo aquecido pelo bafo do boi e do jumento. Disseram-me que ele misteriosamente através de um dos anjos que cantaram nos campos de Belém enviou a todas as crianças do mundo uma cartãozinho de Natal no qual dizia:

Queridos irmãozinhos e irmãzinhas:

Se vocês olhando o presépio e me virem aí, sabendo pelo coração que sou o Deus-criança que não veio para julgar mas para estar, alegre, com todos vocês,

Se vocês conseguirem ver nos outros meninos e meninas, especialmente no mais pobrezinhos, a minha presença neles,

Se vocês conseguirem fazer renascer a criança escondida no seus pais e nos adultoss para que surja nelas o amor a ternura,

Se vocês ao olharem para o presépio perceberem que estou quase nuzinho e lembrarem de tantas crianças igualmente pobres e mal vestidas e sofrerem no fundo do coração por esta situação desumana e desejarem que ela mude de fato,

Se vocês ao verem a vaca, o boi, as ovelhas, os cabritos, os cães, os camelos e o elefante pensarem que o universo inteiro recebe meu amor e minha luz e que todos, estrelas, pedras, árvores, animais e humanos formamos a grande Casa de Deus,

Se vocês olharem para o alto e virem a estrela com sua cauda e recordarem que sempre há uma estrela sobre vocês, acompanho-os, iluminando-os, mostrando-lhes os melhores caminhos,

Então saibam que eu estou chegando de novo e renovando o Natal. Estarei sempre perto de vocês, caminhando com vocês, chorando com vocês e brincando com vocês até aquele dia que só Deus sabe quando estaremos todos juntos na Casa de nosso Pai e de nossa Mãe de bondade para vivermos bem felizes para sempre.

Belém, 25 de dezembro do ano 1.




Leonardo Boff é teólogo e escritor.

Meus sonhos de Natal

Há poucos dias sonhei que o mundo estava todo colorido e brilhante. Árvores com luzes e estrelas, bonecos lindos de papel e de barro. Um sonho fantástico. Pouca correria, muita solidariedade e partilha. Quase não havia pobres esmolando e nem violência como alunos espancando os professores e nas igrejas muito compromisso com as atividades sociais. Uma beleza. Ufah, acordei.

Um sonho. Na verdade faltam três dias para o Natal, talvez está expectativa tenha me inebriado. Perçebo que a soceidade do consumo e da pressa vive inebriada com a véspera. Tudo hoje é comemorado na véspera. Aniversário natalício, festa de casamento, carnaval e até Natal. Tudo com antecedência e sem muita ênfase no sentido daquilo que se faz. A sociedade do descartável está acima dos valores perenes. Na cidade e no sítio, no deserto e na companhia dos mais finos castelos, todas as pessoas e tudo se esvai rapidamente.

O sonho está acima dos nossos esquemas humanos invadidos pelo desejo de gozar a vida sem deixá-la revelar-se. O sonho está além de nossas estruturas sóciais, políticas e religiosas. Está no horizonte da transcendência, está na figura dos pastores de Bélem de Judá, nos vaqueiros do Nordeste brasileiro, no choro da criança haitiana. O sonho projeta nossa esperança. Nos faz ver além do material, nos ajuda a divinizar a manjedoura da nossa existência.

Creio que preciso sonhar mais, lutar mais. Não será preciso adormecer. O tempo urge. Basta viver e sonhar mais. Quem sabe meu sonho, seu sonho, nosso sonho, nos permitirá crer mais, apostar mais, defender mais a vida que se manifesta numa criança tão indefesa e na nostalgia de idosos fragilizados que todos os anos acordam para celebrar Natal.

Para você que acompanha esse blog - Feliz Vida no Natal do Menino-Deus.

José Soares de Jesus

http://jose.soaresdejesus.zip.net/index.html