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segunda-feira, 8 de maio de 2023

POLÍTICAS SOCIAIS MUDAM A CABEÇA DO POVO?

 Frei Betto 

Le Monde Diplomatique 

Maio 2023

        Minha resposta à pergunta acima é não. Em setenta anos de União Soviética, o povo foi beneficiado com direitos que o Ocidente ainda não conquistara. Homens e mulheres desempenhavam os mesmos trabalhos e tinham igual remuneração. Já na década de 1920, 600 mulheres ocupavam cargos similares ao de prefeita, enquanto na maioria dos países ocidentais elas nem tinham direito a voto. 

       A União Soviética foi o primeiro país da Europa a apoiar direitos reprodutivos, em 1920. As mulheres detinham plena autoridade sobre seu corpo.[1] O ensino escolar era gratuito, inclusive a pós-graduação. Os estudantes recebiam do poder público livros didáticos e material escolar.[2] Também o sistema de saúde era inteiramente gratuito. O número de usuários de drogas era extremamente baixo e os poucos que conseguiam entorpecentes o faziam através de turistas que contrabandeavam para dentro do bloco.[3] Foram os soldados que ocuparam o Afeganistão, no fim da década de 1980, que infestaram de drogas os países do bloco soviético. 

       Apesar de tudo, a União Soviética colapsou sem que fosse disparado um único tiro. O povo deu boas-vindas ao capitalismo. Hoje, a Rússia é um dos países onde a desigualdade social é mais alarmante.

       O socialismo soviético não fez a cabeça do povo em prol de uma sociedade solidária. Do mesmo modo, o Estado de bem-estar social, predominante na Europa “cristã” até ruir o Muro de Berlim, não fez a cabeça do povo.

      Antonio Candido dizia que a maior conquista do socialismo não se deu nos países que o adotaram, e sim na Europa Ocidental, onde o medo do comunismo levou a burguesia a ceder os anéis para não perder os dedos.

     Findo o socialismo, a burguesia ergueu os punhos e revelou sua verdadeira face: prevalência dos privilégios do capital sobre os direitos humanos; repúdio aos refugiados; privatização dos serviços públicos; alinhamento à política belicista dos EUA. 

 Governos do PT

        O Brasil conheceu 13 anos de governos do PT que asseguraram à população de baixa renda vários benefícios: Bolsa Família; salário mínimo corrigido anualmente acima da inflação; Luz para Todos; Minha casa, Minha vida; Fies; cota nas universidades; redução drástica da miséria, da pobreza e do desemprego; aumento da escolaridade etc. 

       No entanto, Dilma Rousseff foi derrubada sem que o povo fosse às ruas defender o governo. E Bolsonaro foi eleito presidente em 2018. Em 2022, perdeu para Lula pela diferença de apenas 2 milhões de votos, de um total de 156 milhões de eleitores.

 Freud e Chomsky

        Segundo Freud, “a massa é extraordinariamente influenciável e crédula, é acrítica, o improvável não existe para ela. (...) Os sentimentos da massa são sempre muito simples e muito exaltados. Ela não conhece dúvida nem incerteza. Vai prontamente a extremos; a suspeita exteriorizada se transforma de imediato em certeza indiscutível, um germe de antipatia se torna um ódio selvagem. Quem quiser influir, não necessita medir logicamente os argumentos; deve pintar com imagens mais fortes, exagerar e sempre repetir a mesma fala. (...) Ela respeita a força, e deixa-se influenciar apenas moderadamente pela bondade, que considera uma espécie de fraqueza. Exige de seus heróis fortaleza, até mesmo violência. Quer ser dominada e oprimida, quer temer os seus senhores. No fundo, inteiramente conservadora, tem profunda aversão a todos os progressos e inovações, e ilimitada reverência pela tradição.”[4]

       Quem faz a cabeça do povo é o capitalismo, que exacerba nosso lado mais individualista e narcisista. E promove 24h por dia a deseducação da sociedade ao estimular o consumismo, a competitividade, a ambição de riqueza, o “salve-se quem puder”. 

       Noam Chomsky[5] enumera os recursos do sistema para evitar a consciência crítica: o entretenimento constante (vide a programação de TV); disfarçar os abusos como necessidades, como o aumento das tarifas dos transportes (“Medidas que são, na verdade, prejudiciais à população por favorecer os interesses escondidos de uma minoria, passam a ser implantados como se fossem garantir benefícios em comum”); tratar o público como criança e manter a consciência infantilizada; fazer a emoção prevalecer sobre a razão; manter o público na ignorância e na mediocridade, como a linguagem cifrada utilizada nas matérias sobre economia; autoculpabilização (sou o único responsável por meu fracasso ou sucesso); convencer que a grande mídia sabe mais do que qualquer pessoa etc. São o que Chomsky denomina as “armas silenciosas para guerras tranquilas”. 

       O PT governou por quatro vezes os municípios de Maricá (RJ) e Ipatinga (MG), assegurando grandes benefícios às suas populações. Em 2022, Bolsonaro venceu nos dois turnos nas duas cidades.

       Isso significa que é real o risco de a direita voltar à presidência da República em 2026. Por mais benefícios que o governo Lula venha a garantir ao povo brasileiro. Qual é, então, a saída? Como evitar que isso venha a ocorrer?

 Educação política

        Só há uma alternativa: intenso e imenso trabalho de educação popular, pelo método Paulo Freire, utilizando dois recursos preciosos que o governo dispõe, a capilaridade e o sistema de comunicação. Capilaridade seria adotar a pedagogia paulofreiriana na formação dos agentes federais em contato com os segmentos mais vulneráveis da população, como saúde, IBGE, Embrapa etc. Por que não incluir no Bolsa Família, que atende mais de 21 milhões de famílias, uma terceira condicionalidade, além da escolaridade e da vacina? Seria a capacitação profissional. Além de propiciar qualificação aos beneficiários, de modo a que possam produzir a própria renda, as oficinas de capacitação seriam pelo método Paulo Freire. Mulheres que se inscreverem para se capacitarem em oficinas de culinária e costura, por exemplo, aprenderiam esses ofícios segundo o método que desperta consciência crítica.

 A rede de comunicação do governo federal

        O outro recurso é a EBC – Empresa Brasileira de Comunicação -, poderoso sistema de comunicação em mãos do governo federal, desde a “Voz do Brasil”, ouvida diariamente por 70 milhões de pessoas.

       A TV Brasil, Canal 2, rede de televisão pública, conta com 50 afiliadas em 21 estados. Em 2021, ficou entre as 10 emissoras mais assistidas do país. O sistema de rádio EBC engloba 9 emissoras próprias em 2 estados e no Distrito Federal. A EBC dispõe do maior sistema de cobertura nacional de rádio, com 14 rádios afiliadas. A Rádio Nacional é uma rede de emissoras da EBC. É formada pelas seguintes emissoras: Rádio Nacional do Rio de Janeiro (alcance em todo o território nacional por transmissão via satélite); Rádio Nacional de Brasília; Nacional FM (Brasília); Rádio Nacional da Amazônia (sede em Brasília, mas programação voltada para a região Norte); Rádio Nacional do Alto Solimões (Tabatinga, AM); e as Rádios MEC e MEC FM (Rio de Janeiro).

       A comunicação do governo federal dispõe ainda da Radioagência Nacional, agência de notícias que distribui áudios produzidos pelas emissoras próprias da EBC e emissoras parceiras. Segundo a estatal, mais de 4.500 emissoras de rádios utilizam os conteúdos da Radioagência. E a Agência Brasil, focada em atos e fatos relacionados a governo, Estado e cidadania, alcança 9,19 milhões de usuários por mês. 

       Há ainda o Portal EBC, plataforma na internet que integra conteúdos dos veículos (Agência Brasil, Radioagência Nacional, Rádios EBC, TV Brasil, TV Brasil Internacional) da Empresa Brasil de Comunicação e da sociedade em um único local. 

       A EBC, além de gerenciar as emissoras públicas federais, também é responsável pela formação da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP). A RNCP visa estabelecer a cooperação técnica com as iniciativas pública e privada que explorem os serviços de radiodifusão pública. Atualmente, a rede conta com 38 emissoras espalhadas por todo o país.  

    Dentro da política da RNCP, a EBC pode solicitar a qualquer tempo canais para execução de serviços de radiodifusão sonora (rádio FM), de sons e imagens (televisão) e retransmissão de televisão por ela própria ou por seus parceiros. São as chamadas Consignações da União. Atualmente, 13 veículos são operados dessa forma em todo o país: TV Brasil Maranhão, com o Instituto Federal do Maranhão; TV UFAL, com a Universidade Federal de Alagoas; TV UFPB, com a Universidade Federal da Paraíba; TV UFSC, com a Universidade Federal de Santa Catarina; TV Universidade, com a Universidade Federal do Mato Grosso; e TV Universitária, com a Universidade Federal de Roraima.

       Imagina o leitor ou a leitora toda essa rede voltada para o despertar da consciência crítica do público. Basta para isso mudar a chave epistemológica, passar da lógica analógica, que apenas se foca nos efeitos dos problemas sociais, à lógica dialética, centrada nas causas dos problemas sociais. 

       Quando vemos na TV campanhas em favor de quem tem fome, em geral aparecem indicações de locais de coleta de alimentos e doações de cestas básicas. Em nenhum momento o noticiário levanta as perguntas: por que há pessoas com fome? Por que não têm acesso aos alimentos? É natural que haja abastados e famintos? Como superar essa desigualdade? 

       Há muito a fazer para conscientizar, organizar e mobilizar o povo brasileiro. Recursos existem. E há vontade política por parte de Lula e da Secretaria Geral da Presidência da República, monitorada pelo ministro Márcio Macedo. Faltam apenas maior empenho, produção de material para os veículos de comunicação social e verba para que o governo disponha de uma rede de educadores populares de, no mínimo, 50 mil pessoas!

       

Frei Betto é escritor e educador popular, autor de “Por uma educação crítica e participativa” (Rocco) e, com Paulo Freire, “Essa escola chamada vida” (Ática), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org

 Assine e receba todos os artigos do autor: mhgpal@gmail.com

      


domingo, 7 de maio de 2023

O que pode fazer a animAÇÂO cultural na escola para criar um ambiente mais seguro, assim como estimulante do ponto de vista do ensino-aprendizagem?

ATENÇÃO - A live desta quarta-feira, 10/05/2023, sobre AnimAÇÂO Cultural como vacina contra a violência dentro e fora das escolas, está adiada em razão de problemas de saúde com a nossa colega Fatinha Pontes de Recife (PE). Contamos com a compreensão de todos que estão compartilhando a divulgação, assim como disponibilidade para a nova data que for anunciada. Quando for marcado nova data avisaremos por aqui...


 Mais perguntas:

O que já foi feito neste sentido pelo Programa de Animação Cultural nas Escolas (Recife) e Projeto Reculturarte (Aracaju) e Ação Cultural em parceria com a Escola Estadual Júlia Teles em Socorro (SE) ?

Por que a ação cultural na escola é pouco lembrada como estratégia privilegiada do ensino integral e como antídoto ou vacina para enfrentar o recrutamento de  estudantes por grupos extremistas neonazistas e/ou disseminadores de fake news e de cultura do ódio em geral? 

Exemplo: 

Por que a janela de oportunidades abertas com as leis de fomento a cultura para fortalecer e ampliar a ação cultural nas escolas por parte das leis  Paulo Gustavo e Aldir Blanc, não é percebido como estratégica por parte da maioria dos gestores e técnicos educacionais, assim como a maioria dos professores das escolas do ensino básico envolvidos em maior ou menor grau com ação cultural nas escolas?

O que é animação/ação cultural como conceito ? 




Os sonhos não envelhecem. Só Alegria! A roda de conversa sobre Teatro como educação popular na Aracaju dos anos de 1980..

 

Zezito de Oliveira - Foto Raoni Smith

GIlvanete de Melo - Foto Raoni Smith

Só alegria! O final da tarde de hoje, 05 de maio de 2023,  quando chegamos ao fim da conversa sobre teatro como educação popular na Aracaju dos anos 1980. Mais especificamente no Bairro América...

Foi uma tarde que correspondeu a todas nossas expectativas, repetindo o que já tinha acontecido quando assisti a excelente roda de conversa sob a batuta  do professor Romero Venâncio sobre teatro contra a ditadura militar, realizada há cerca de quarenta dias. 

Nesta tarde de hoje, contamos com a presença tanto de alunos da Escola de Arte Valdice Teles, ex-alunos, professor Carlos Mascarenhas (UFS)  e com a presença luxuosa de Marcélio Bonfim, grande liderança da luta e da resistência contra a ditadura militar em Sergipe.

Interessante saber que Marcélio, assim como o escritor de literatura de cordel, o Sr. Jaci, foram participar da roda de conversa por meio de convite publicado nas redes digitais.

Do nosso círculo mais próximo contamos com a presença de Raoni Smith, que fez a cobertura fotográfica e apoio técnico na projeção de slides, Antônio Luiz,  integrante da diretoria, depois conselho deliberativo da AMABA , desde meados dos anos de 1980 até o inicio dos anos 2000 e Alan de Oliveira, escritor, pesquisador e ativista cultural do campo da literatura, membro fundador do Fórum de Literatura de Sergipe, criado em janeiro deste ano no bojo das discussões para implementação das Leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc,

No primeiro momento da estréia do Café com Teatro quando convidado, afirmei  via instagram “tudo que o artista Raimundo Venâncio toca como diretor, vira ouro” aqui lembrando o nosso grande cantor e compositor Guilherme Arantes.

Do mesmo modo acrescento, “tudo que Tânia Maria interpreta como atriz e cantora vira ouro”, a peça "Billie Holiday, a canção"  que o diga, assim como as magistrais interpretações de canções especialmente escolhidas de acordo com a temáticas das rodas de conversa.  No dia de hoje fomos brindados na abertura com a interpretação da  canção “O amor é o meu país” de Ivan Lins.

Vida longa ao Projeto Café com Teatro, com o desejo que gere outras ramificações, outras iniciativas semelhantes, assim como vida longa a todos que estão a frente do projeto, assim como aos demais que estiverem presentes nesta tarde...

E que os sonhos de mais igualdade e liberdade democráticas nunca acabem, nunca envelheçam, como disse na apresentação utilizando o verso de uma canção de Gilberto Gil “O sonho acabou, quem não dormiu de sleeping bag nem sequer sonhou.”

Portanto, overdose de sonhos e desejos de construção e reconstrução de homens e mulheres novos, mediados pela arte e pela cultura, assim como por meio das práticas esportivas e de atividades de interação com o meio ambiente. O “sleeping bag” , saco de dormir ou colchonete utilizados em acampamentos e congressos estudantis e de movimentos culturais ambientalistas e populares na década de 1980,  foi a  a metáfora que utilizei, pegando emprestado o verso da canção de Gilberto Gil, um de nossos artistas geniais.

O que garantirá o antidoto ou a vacina necessária contra o retrocesso civilizatório que sofremos nestes último anos, sem esquecer que ainda não estamos fora de perigo, o que inclusive foi destacado pelo bravo lutador do povo, Marcélio Bonfim...

Fotos abaixo: Raoni Smith





SERGIPE E BRASIL: SEM ARTE E MEMÓRIA NÃO HÁ FUTURO.

Sensacional! A roda de conversa na tarde de ontem, 06/05/2023, no projeto Café com Teatro da Escola de Arte Valdice Teles (Funcaju) na qual fiz a fala provocadora/inspiradora, juntamente com a colega professora e atriz Gilvanete de Melo.

 O texto com as nossas impressões já está pronto e será publicado até amanhã, domingo,  juntamente com as fotos tiradas pelo filhão Raoni Smith, trabalhador da área do audiovisual e da comunicação digital e radiofônica.

Alguns amigos manifestaram a vontade de ir, mas por várias razões ficaram impedidos de estarem presentes, como relatado por alguns ontem e agora pela manhã. E para os que puderam chegar junto   Raoni  Smith, Alan de Oliveira e Antônio Luiz, como para àqueles que desejaram, mas que não puderam ir, os nossos agradecimentos.

No final da conversa, coloquei-me a disposição para ir até a UFS para falar sobre a nossa vivência e pesquisas com alunos do curso de teatro.

Da mesma maneira, reiterei de viva voz, o que publiquei no blog da Ação Cultural, iniciativas como estas do Café com Teatro são necessárias e urgentes, principalmente em razão de estarmos imersos em um estado de guerra cultural declarado pela extrema-direita, guerra cultural que fere gravemente a nossa democracia, mesmo limitada e inconclusa,  e as nossas expectativas de vivermos em uma nação solidária, como cantou Alceu Valença, nos anos de 1980, anos em que o Brasil estava tentando novamente se tornar “irreconhecivelmente inteligente”, na feliz expressão do critico literário Roberto Schwarz

Lembrei da necessidade da universidade realizar atividades de pesquisas e extensão inspiradas no Café com Teatro , assim como o SINTESE e o MST. A CUT dos anos de 1980/1990 também foi lembrada por causa do projeto SINDIARTE.

Até dezembro deste ano, pretendo gravar um programa a ser disponibilizado no canal da Ação Cultural no youtube com o conteúdo desta roda de conversa, com o intuito de atingir um público mais amplo, inclusive quem mora fora do estado e que manifestou interesse via redes digitais... P.S.: E era para ser apenas um textinho.. rsrsr
Fiquem com a matéria da Ascom da Funcaju e publicada no site oficial, e busquem participar na medida do possível do projeto Café com Teatro, inclusive para o mesmo ser expandido sob os auspícios da Funcaju em parceria com outras instituições. As Leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc 2 , como falei ontem, oferecem ótima janela de oportunidades para isso...

Leia também:

Café com Teatro realiza primeiro encontro de maio na Escola de Artes Valdice Teles
Cultura
05/05/2023 18h40


quinta-feira, 4 de maio de 2023

Café com teatro apresenta a potência do teatro na periferia de Aracaju, bairro américa, nos anos 1980

  CAFÉ COM TEATRO

🎭
É consenso que a tecnologia nos afastou do humano, distanciou o olhar, anulou o som da voz, impossibilitou a discussão, o diálogo no cara a cara. Emburrecemos, empobrecemos intelectualmente, e o ritmo de vida moderna nos escravizou.
Onde e quando, HOJE, em nossa cidade, pra servir de exemplo, teríamos a oportunidade de ouvir histórias envolvendo a Arte, e, neste excerto, o Teatro, como esta que será contada pelo historiador, professor, agente cultural, Zezito de Oliveira, e pela professora Gilvanete Melo, sobre a memória de um tempo, de um lugar, num canto de Aracaju, que transformou vidas, impulsionou ações e ideias afirmativas, ecoou de modo pulsante, efervescente? No Café com Teatro isso será possível. Aproveitem!
🎭
* Sergipe não é lugar onde as coisas costumam durar.

Será um prazer e uma honra estar com vocês neste evento de importância ímpar para a nossa cidade, porque traz a reflexão sobre a arte teatral para o lugar da interseção em que esta se faz e se refaz, mediada com a reflexão sobre a experiência vivenciada e ancorada no pensamento de renomados artistas, filósofos, historiadores, sociólogos, antropológos, comunicadores, pedagogos, psicólogos e etc. Penso ser uma forma potente de enfrentar o avanço do pensamento e das práticas neofascistas em nosso meio...Penso que esta proposta pode ser ampliada e apropriada por outros espaços e contextos, como o ambiente acadêmico dentro de uma proposta de extensão e diálogo com a sociedade, realizando troca de saberes com quem não está mais dentro das salas próprias, como também com quem nunca frequentou o ambiente acadêmico. Penso no movimento sindical, em especial no SINTESE com seu departamento cultural, que poderia também refletir sobre políticas e práticas culturais nos moldes como vocês da escola de arte estão realizando...Penso no movimento estudantil e na ação cultural desenvolvida por estes como o CPC da UNE no pré golpe de 1964 e as marcas indeléveis que deixou em nossa história, politica e cultural. Penso no MST de Sergipe com seu setor de cultura, mas que parece meio apagado depois de perdermos Lupércio Damasceno , grande e saudosa referência cultural.



domingo, 9 de fevereiro de 2020

Seminário Educação Popular e Planejamento em 18/02, no auditório da Adufs.




Vamos planejar para quando o carnaval passar.

Quem pensa, pesquisa, faz, ou pretende fazer  trabalho de educação popular,  sinta-se convidado  para participar da etapa de planejamento  para as próximas ações de continuidade do Seminário  Educação Popular e Memória. 

Será no dia 18 de fevereiro, terça-feira, a partir das  18h30 no auditório da Adufs, localizado no Campus  UFS São Cristóvão.  

O objetivo é dar continuidade a articulação iniciada com a realização das  quatro etapas de exposição e debates que aconteceram na sede da CUT, nos meses de novembro/dezembro de 2019, sob a coordenação do Professor Romero Venâncio.

Neste sentido,  o coletivo organizador formado por representação da ADUFS, CEBI-SE, AÇÃO CULTURAL, ABJD, CENTRO DE ESTUDOS ARABES E ISLÂMICOS DA UFS
 e COLETIVO TRAPICHE, espera a construção de um plano de ação voltado para o fortalecimento de atividades desenvolvida  no campo das iniciativas educativas e culturais,  baseadas na concepção  e nos referenciais filosóficos e metodológicos da Educação Popular, assim como pesquisas e  estudos com base nestas mesmas concepções e referenciais.

A proposta do dia 18 é construir o plano de ação utilizando metodologias que foram conhecidas nas décadas de 1980/1990,  através do intercâmbio  Aracaju-Recife, por meio de organizações populares e sindicais.

E quando o carnaval chegar, no final da semana de realização do encontro de planejamento, o Brasil conhecerá  mais uma vez a potente e arrebatadora  união da cultura  com a educação popular.  

 O que só acontece porque existe trabalho cotidiano de mentes e corações devotados a causa da alegria e do bem viver. Trabalho muitas vezes planejado, com pesquisa,   estudo e produção cultural, como no caso das escolas de samba, afoxés, blocos  e etc..

Para saber mais...


Educação Popular: Marxismos e Pentecostalismos. 2ª Semana


EDUCAÇÃO POPULAR: DOS MARXISMOS AO NEO PENTECOSTALISMO.

A QUEM INTERESSAR POSSA....





 V SEMINÁRIO   
INTERNACIONAL 
 Diálogos com PAULO FREIRE 
UFRN | Natal | 20/05 a 22/05/2020    |  
 Angicos |  UFERSA | 23/05/2020: encontro com ex-alunas e alunos de Paulo Freire, de 1963

Pedagogias Insubmissas – Paulo Freire: memória e presença

https://www.facebook.com/DialogosPauloFreire2017/





https://www.facebook.com/events/384514209161482/

ENCONTRO INTERNACIONAL
EDUCAÇÃO POPULAR E CIDADANIA EXPERIÊNCIAS E DESAFIOS
RIO DE JANEIRO, 22-26/06/2020

 “Quando a educação não é libertadora, o sonho do

 oprimido é ser o opressor” (Paulo Freire)

OBJETIVOS


O objetivo principal do Encontro Internacional Educação Popular e Cidadania – Experiências e Desafios é reunir e propiciar o intercâmbio de experiências, pesquisas e reflexões que tenham por foco a Educação Popular, entendida como caminho de construção de uma sociedade fundada numa cidadania emancipada e emancipatória.

Reconhecendo a multiplicidade, diversidade e riqueza das práticas e da produção intelectual dos pesquisadores, militantes, educadores, movimentos e redes que, no mundo inteiro trabalham com e sobre Educação Popular, este encontro pretende também explorar as possibilidades e lançar as bases de formas regulares e permanentes de cooperação e intercâmbio internacionais.

METODOLOGIA

Fiel à inspiração da Pedagogia do Oprimido, de Paulo Feire, e do Teatro do Oprimido, de Augusto Boal, o Encontro Internacional de Educação Popular é concebido como um grande espaço-tempo de diálogo, em que diferentes atividades, falas e modos de expressão conversem entre si, se interpelem e interpretem. Textos, vídeos, posters, exposições de vários tipos, apresentações teatrais, performances e quaisquer outras formas de expressão serão admitidas, afirmando igualmente a riqueza da diversidade e da troca intercultural entre iguais.
As várias sessões temáticas, rodas de conversa, mesas e outras reuniões contemplarão, sempre, diálogos cruzados reunindo: militantes de movimentos sociais, educadores populares, pesquisadores e acadêmicos de diferentes países e representativos da multiplicidade de experiências de Educação Popular.
Mais além, vislumbramos um encontro em aberto, em que iniciativas não previstas inicialmente, insurgentes... possam ser experimentadas.
A tradução simultânea deverá contemplar o maior número possível de línguas, de modo que cada participante possa, na medida do possível, expressar-se em sua língua natal.

CONTRIBUIÇÕES E ÁREAS TEMÁTICAS

Os interessados em participar poderão submeter:
- Artigos,
- Vídeos
- Posters,
- Exposições,
- Oficinas,
- Performances,
- Apresentações artísticas.
Também serão aceitas propostas de mesas, rodas de conversa ou outras atividades insurgentes a serem organizadas pelos proponentes.
Os trabalhos e propostas de sessões deverão contemplar uma ou mais das seguintes áreas temáticas:
1) Pedagogia do Oprimido e Teatro do Oprimido - Atualidade do pensamento e prática de Paulo Freire e Augusto Boal
2) Experiências de educação popular
3) Educação popular, justiça ambiental e crise climática
4) Educação popular e educação pública
5) Universidade, movimentos sociais e educação popular
6) Educação popular, sexualidade e gênero
7) Educação popular e saúde
8) Educação popular, soberania alimentar, agroecologia e reforma agrária
9) Educação popular e territórios: povos indígenas, populações tradicionais e afetados por grandes projetos
10) Educação popular e artes
11) Educação popular e trabalho
12) Educação popular, xenofobia e racismo
13) Educação popular, cooperativismo e economia solidária
14) Educação popular e lutas urbanas
15) Educação popular, violências e segurança pública
16) Educação popular e juventude
As submissões de trabalhos, sessões, rodas de conversas, performances, apresentações artísticas, posters e quaisquer outras atividades poderão ser apresentadas por escrito ou por vídeo-propostas.
As propostas de atividades artísticas e culturais serão selecionadas, apoiadas e coordenadas por uma Curadoria Artistico-Cultural.

DATAS IMPORTANTES

Prazo para submissão de propostas – 15/02/2020 Resultados da seleção de propostas – 06/03/2020 Encontro – 22-26/06/2020


INSCRIÇÕES
Em breve serão divulgados instruções e formulário para a submissão de propostas e para as inscrições.

INFORMAÇÕES

E-mail: confedpop@ippur.ufrj.br
Facebook: https://www.facebook.com/events/384514209161482/
Instagram: educacao_popular Twitter: @EducacaoPopular

COMISSÃO ORGANIZADORA

Amita Bhide – Tata Institute of Social Sciences, Mumbai, India
Boaventura de Souza Santos - Universidade Popular dos Movimentos Sociais - Universidade de Coimbra, Portugal
Candido Gribowsky (IBASE, Brasil)
Carlos Rodriges Brandão - Universidade Estadual de Campinas, Brasil
Carlos Vainer - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil
Claudia Mayorga - Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil
Daniel Carceglia - Universidad Plurinacional de la Patria Grande, Argentina
Gaudêncio Frigotto - Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Brasil
Lisa Thompson - African Center for Citizenship and Democracy, University of the Western Cape, África do Sul
Marco Aurélio Santana - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil
Miguel Lacabana - Universidad Nacional de Quilmes, Argentina
Pierre Vuarin – Université Internationale Terre Citoyenne
Oscar Jara – Consejo de Educación Popular para América Latina y Caribe
Roberto Leher - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil
Sergio Haddad – Ação Educativa, Brasil

COMISSÃO LOCAL

Aercio Oliveira (FASE) - Candido Gribowsky (IBASE) - Carlos Vainer (UFRJ) – Chico Alencar (UFRJ) - Elizabeth Queiroz (UFRJ) - Francisco Rodrigues de Alencar Filho (UFRJ) – Marcos Arruda (PACS) - Paula Maracajá (Coletivo em Silêncio) - Patricia Dorneles (UFRJ) - Percival Tavares da Silva (Fórum Grita Baixada)


PROMOÇÃO
African Center for Citizenship and Democracy, University of the Western Cape, África do Sul
Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales – CLACSO, Santiago, Chile
Consejo de Educación Popular para América Latina y Caribe – CEAAL, San Jose, Costa Rica
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas - IBASE, Rio de Janeiro, Brasil Sergio Haddad, Ação Educativa, São Paulo, Brasil
Tata Institute of Social Sciences - TISS, Mumbai, India
Universidad Nacional de Quilmes, Quilmes, Argentina
Universidad Plurinacional de la Patria Grande, Buenos Aires, Argentina
Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, Campinas, Brasil
Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ, Rio de Janeiro, Brasil
Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, Belo Horizonte, Brasil
Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil
Universidade Popular dos Movimentos Sociais – UMPS, Universidade de Coimbra, Portugal
Université Internationale Terre Citoyenne - UITC, Paris, France










segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Educação Popular: Marxismos e Pentecostalismos. 2ª Semana





Talvez seja essa uma das mais importantes publicações desse ano... Com mais de 10 mil templos, distribuídos em todos os estados e em quase cem países, a Igreja Universal do Reino de Deus é um gigante neopentecostal. Da réplica do Templo de Salomão, Edir Macedo dirige sua igreja com autoridade inconteste, cortejado por líderes de todas as cores ideológicas. Nesse sentido, a recente unção de Jair Bolsonaro como paladino da fé cristã – celebrada pessoalmente por Macedo – demonstra um projeto de poder iniciado há mais de quarenta anos na primeira sede da Universal, o prédio de uma antiga funerária no subúrbio do Rio de Janeiro.

Neste minucioso e inédito trabalho de apuração jornalística, Gilberto Nascimento traça a história completa da IURD, de seu fundador e de sua vertiginosa expansão...

No Seminário que teremos nesta terça as 18:30h. na CUT-SE sobre "Educação Popular e Movimentos sociais nos anos 80" a IURD é tema...




Na próxima terça as 18:30h. no auditório da CUT-SE e dando sequência a segunda etapa do seminário sobre Educação popular e movimentos sociais nos anos 80, destacaremos a "Teologia da Libertação" e sua influência em diversas práticas de educação popular que se espalhou por este Brasil profundo a fora... O "livrinho" dos irmãos Boff é de 1986 - um ano importante desse movimento eclesial. Os teólogos fazem aqui uma sistematização das melhores sobre os temas-chave da teologia da libertação latino americana... Fundamental no seminário!!!









SOBRE LEONEL BRIZOLA

Bibliografia básica do seminário sobre educação popular e Memória em sua segunda etapa: Educação popular & Movimentos Sociais - os anos 80 em perspectiva... na próxima terça, as 18:30h. na CUT-SE...

O livro mostra Leonel Brizola pelo olhar de historiadores renomados. A razão indignada reúne 10 textos de historiadores sobre Leonel Brizola e aborda duas fases de sua trajetória política. A primeira, compreendida entre 1961 e 1964, se refere ao momento em que Brizola é elevado à prestigiosa posição de liderança das esquerdas, como governador do Rio Grande do Sul e deputado federal. A outra se delineia a partir do início dos anos 1980, quando Brizola refunda o projeto trabalhista e assume o governo do Rio de Janeiro ‒ tendo que lidar com críticas, tanto das esquerdas revolucionárias como de setores conservadores.




Nesta próxima terça seguimos com o seminário sobre Educação Popular onde teremos como tema: EDUCAÇÃO POPULAR & MOVIMENTOS SOCIAIS: OS ANOS 80 EM PERSPECTIVA. As 18:30h. na CUT - SE (Rua Porto da Folha). O filme básico do curso é: "MUDA BRASIL" ( Oswaldo Caldeira, 1985)... Na tradição do documentário político, este filme brasileiro registra os principais momentos de nosso País desde que se começou a discutir as eleições diretas durante o governo militar. Durante seis meses, até o resultado do Colégio Eleitoral, onde Tancredo Neves consagrou-se presidente da República pelo voto indireto, foi mostrado o fim do período autoritário e as primeiras etapas da transição para a democracia. Foram produzidas 23 horas de material filmado, em que se destacam entrevistas e pronunciamentos de personalidades como Paulo Maluf, Ulysses Guimarães, Antônio Carlos Magalhães, Fernando Henrique Cardoso, José Aparecido de Oliveira, Fernando Lyra , Airton Soares, entre outros.
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A QUEM INTERESSAR POSSA:
Alguns títulos de filmes importantes no seminário sobre educação popular e Memória em sua segunda etapa: Educação popular & Movimentos Sociais - os anos 80 em perspectiva... na próxima terça, as 18:30h. na CUT-SE.
- LISTA:
*Greve (João Batista de Andrade, 1979)
*Linha de Montagem (Renato Tapajós, 1982)
*Cabra marcado para morrer (Eduardo Coutinho, 1984)
*O Evangelho segundo Teotônio (Vladimir de Carvalho, 1984)
*Muda Brasil (Oswaldo Caldeira, 1985)
*A igreja da Libertação (Silvio Da-Rim, 1985)
*A Igreja dos Oprimidos (Jorge Bodanzky, 1986)
*Dedé Mamata (Rodolfo Brandão, 1988)
*Que bom te ver viva (Lucia Murat, 1989)
*O direito achado na rua (CPCE-UnB, 1993).

*Passos de luta - 40 anos do MNU (Amanda Porto e Juliana Dalesio, 2018)



Retomando a leitura. De volta as reflexões sobre movimentos sociais, sua linguagem, seu lugar social... suas história... Um dos temas do curso sobre educação popular e memória em sua segunda etapa. 03 de dezembro. as 18:30h. na CUT-SE.








terça-feira, 12 de novembro de 2019

EDUCAÇÃO POPULAR: DOS MARXISMOS AO NEO PENTECOSTALISMO.


Sede da CUT Aracaju - Endereço: R. Porto da Folha, 1039 - Cirurgia, Aracaju - SE, 49055-365. Próximo ao posto Aperipê 1
Telefone: (79) 3214-4912




Nos últimos dois anos tenho ficado atente a publicações sobre a direita, extrema-direita ou fascismos no Brasil e América Latina... Foi como sair de um “sono dogmático” ou sair da “bolha”. Talvez a coisa seja mais grave do que imagino... filmes, documentários, documentos, livros, sites, canais, etc... tenho andado por esta zona perigosa, mas necessária... segue alguns títulos que tenho lido e me feito pensar... Nesta terça a partir das 18:30h. no auditório da CUT-SE (Rua Porto da Folha – Aracaju), estamos iniciando um seminário que pretendo aprofundar um pouco esses temas... RV


Para uma melhor compreensão da política cultura no Brasil nos anos 60, o ensaio de Roberto Schwarz "Cultura e política: 1964-1969" é de fundamental importância. Leitura básica no seminário sobre a memoria da educação popular no Brasil... Iniciamos amanhã, terça, 26/11, as 18:30h. no auditório da CUT-SE... RV

Livro importante e que marcou época como a experiência em Natal-RN os inicio dos anos 60 e que ele evoca como experiência vivida e interrompida pelo golpe militar de 1964... No seminário que iniciamos na terça sobre Educação Popular e memória...Citarei esse livro e essa experiência vinculada ao projeto de Paulo Freire de educação... começa as 18:30h. no auditório da CUT-SE. RV


Na próxima terça (26/11) as 18:30h. na CUT-SE (Rua Porto da Folha - Aracaju), iniciamos um curso sobre a história e a memória da educação popular no Brasil... Em 04 etapas e sempre as terças a noite... Vamos nas "origens" do termo e das suas influências... Conhecer as "Ligas camponesas" pelas palavras de um de seus "intelectuais orgânicos" é importante. Raridade essa edição primeira dos "cadernos do povo brasileiro"... Tema na terça!  RV



Estou aqui preparando o conteúdo do seminário sobre a memória da educação popular partir dos anos 60 no Brasil, e me deparo com essa coletânea fundamental de peças de Oduvaldo Viana Filho e do CPC-UNE... Um projeto dos mais importantes da política cultural dos comunistas entre 1961-1964... Iniciamos nesta terça, 26/11, as 18:30h. na CUT-SE (Rua Porto da Folha). RV


Impossível retomar a memória da educação popular no Brasil e não passar pelo projeto educacional do MST... No seminário que inicia na terça as 18:30h. na CUT-SE, destacaremos alguns elementos das reflexões e práticas educacionais do Movimento Sem Terra... O livro do Luiz Bezerra Neto é um trabalho de pesquisa dos bons sobre as práticas e a produção teórica do MST em termos educacionais... Ajuda!!!  RV











MOVIMENTO DE CULTURA POPULAR (MCP). NOTA-CONVITE

Na próxima terça dia 26/11 teremos um seminário em 04 etapas sobre "Educação Popular" e sua memória na CUT-SE a partir das 18:30h. Um dos temas será o MCP do Recife.
Movimento de alfabetização de adultos e de educação de base constituído em maio de 1960 em Recife por estudantes universitários, artistas e intelectuais, em ação conjunta com a prefeitura, à época ocupada por Miguel Arrais. Foi extinto pelo movimento político-militar de 31 de março de 1964.
O MCP tinha por objetivo formar uma consciência política e social nas massas trabalhadoras no intuito de prepará-las para uma efetiva participação na vida do país.

Entre setembro de 1961 e fevereiro de 1964, o movimento realizou uma experiência através do rádio, transmitindo programas de alfabetização e de educação de base com recepção organizada em escolas experimentais. Paralelamente, procurou diversificar suas atividades, criando “parques” e “praças de cultura”. Os primeiros destinavam-se a melhorar as condições do lazer popular, estimulando a prática de esportes, e a apreciação crítica de filmes, peças teatrais e música. As praças de cultura consistiam em centros de recreação e de educação cuja finalidade era despertar a comunidade de cada bairro para seus problemas. Os centros, recreativos passíveis de serem transformados em praças eram chamados de “núcleos de cultura”.
Em seus quase quatro anos de existência, o MCP teve uma atuação importante na área da educação. Um de seus primeiros colaboradores, o professor Paulo Freire, formulou um método próprio de alfabetização de adultos, que a partir de 1962 passou a ser regularmente aplicado em Pernambuco. Além do MCP, o Movimento de Educação de Base (MEB), programa nacional de educação instituído em 1961, adotou o método Paulo Freire, difundindo-o em todo o país.
Devido ao alto custo de suas atividades e à conseqüente necessidade de apoio oficial, o MCP restringiu-se de início a Recife. Apenas a Prefeitura de Natal pôs em prática um programa semelhante, instituindo em 1961 a campanha “De pé no chão também se aprende a ler”. A partir de 1963, nos estados do Amazonas e da Guanabara desenvolveram-se também movimentos de cultura popular.
O espírito que animou todos esses movimentos era bastante próximo das propostas dos centros populares de cultura (CPCs), organizados a partir de 1962 junto às entidades estudantis...


OSMAR FÁVERO E O MEB. NOTINHA EM FORMA DE CONVITE


Teremos um seminário que terá na próxima terça (26/11) a noite na CUT-SE a partir das 18:30h. (acontecerá em 04 etapas) sobre "Educação popular" e a questão da memória. O nome de Osmar Fávero é de fundamental importância. Sua experiência e seus livros serão citados e trabalhados... Ele fez parte dessa geração de jovens vindos da Ação Católica, principalmente de seus ramos estudantil e universitário e que vai colaborar na criação e liderar vários desses movimentos, em alguns casos lado a lado com os marxistas. A criação do MEB (Movimento de Educação de Base) expressa o deslocamento da Igreja católica institucional em direção às classes populares. No entanto, a proposta e as práticas iniciais do MEB, oriundas de experiências anteriores realizadas em estreita colaboração com o Estado, são bastante tradicionais. Mas, após dois anos de experiência, por exigência da própria prática e por influência daquela geração, redefiniu seus objetivos e reviu sua metodologia, em função de uma nova opção ideológica, sintetizada na conscientização e nas ideias iniciais de Paulo Freire. Em decorrência, deu nova dimensão à educação base, nucleou o trabalho com as experiências radiofônicas singulares e, apesar da crise provocada pelo golpe militar de 1964, ampliou o contato direto com as bases, na perspectiva de uma verdadeira pedagogia da participação popular... É preciso lembrar!!!