quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Pastor presbiteriano abandona preconceito e se torna uma das principais vozes contra a intolerância religiosa



Texto de Clarissa Monteagudo publicado originalmente no Extra
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Na primeira Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa em 2008, o pastor Marcos Amaral, da Igreja Presbiteriana de Jacarepaguá, aceitou o convite do babalaô Ivanir dos Santos, seu amigo dos tempos de articulação política, para representar os evangélicos.
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Foi na cara e na coragem, como diz. Ao ver a multidão em trajes afro, o pastor gelou. Até então, aquela imagem era associada ao demônio.
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Apavorado, Marcos Amaral buscou refúgio no alto do carro de som. Mas, ao descer, o pedido de uma senhora fez o líder mudar de rota e se tornar hoje uma das principais vozes em defesa da liberdade religiosa.
— Eu estava morrendo de medo. Nunca tinha estado em contato com “essa gente” porque, para mim, nessa época, não eram pessoas. Quando desci, pensei em ir embora. Quando estava saindo, uma jovem correu atrás de mim e me pediu para tirar uma foto com a mãe dela. Vi uma senhora negra com roupas de baiana. Ela me pediu: “O senhor pode orar por mim?” e botou a minha mão no turbante dela. Aquela velhinha me quebrou. Nunca mais a vi, mas ela nunca saiu de mim — lembrou o pastor.
Autor de livros como “De volta para casa” e eleito presidente do Sínodo da Guanabara, que congrega mais de 50 igrejas, Marcos Amaral realizará, nesta segunda-feira, reunião de lideranças com participação do reverendo Roberto Brasileiro, pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, na Universidade Mackenzie, no Centro.
Um de seus objetivos é, por meio da união dos líderes presbiterianos, representar uma voz em defesa dos valores reais da religião, como a ética. Ele se assusta quando vê as atitudes desequilibradas feitas em nome de uma suposta fé por líderes de novas seitas que se dizem evangélicas. O verdadeiro cristão, ele ensina, tem outro comportamento.
— Cristo só foi intolerante com os líderes de sua própria nação, quando estes eram intolerantes com as pessoas. Jesus foi o primeiro a dar sinais de compreensão aos que seriam os umbandistas da época, como o centurião romano, que era politeísta (adorava vários deuses). Cristo nos ensinou o amor — encerra Amaral.
Entrevista com pastor Marcos Amaral
O senhor sofreu críticas dentro da igreja ao dialogar com outras religiões quando se aproximou da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa?
Ao longo desses quatro anos, sofri incompreensões. Mas fui me fortalecendo e, ao mesmo tempo, o movimento pela defesa da liberdade religiosa foi ganhando tanta transparência que hoje as pessoas percebem que aquele espaço não é para debate religioso. Mas para cobrar uma atitude cidadã de respeito.
Como o senhor avalia hoje essa experiência?
Eu só ganhei com isso, como se tivesse me despertado. O candomblé e a umbanda sempre foram execráveis, o demônio para mim. Com essa aproximação, fui construindo laços afetivos com as pessoas e desconstruindo minha leitura preconceituosa. Não me considero integrante efetivo da comissão porque não consigo acompanhar tanto os trabalhos, embora eles insistam em dizer que sou. Então, eu me sinto privilegiado e encho os pulmões para dizer que sou membro da comissão.
Como o senhor vê o preconceito religioso no Brasil?
Nós convivemos com um processo silencioso de discriminação e rejeição, amenizado e até caricaturado pelo jeito brasileiro de encarar as coisas. Os neopentecostais têm um projeto imperialista de supremacia política, baseada em um modelo de valorização dos países do hemisfério norte. Não é à toa que eles chutam a santa ou associam imagens de centros umbandistas a “endemoniados”. Há um projeto de aniquilação religiosa no Brasil.
É um perigo quando a discriminação é feita em nome da religião…
Existe uma armadilha, um discurso de que o “Estado religioso” está acima do “Estado civil”. Dentro dessa argumentação, se o estado é contra o que dizem ser o reino de Deus vou tentar aniquilar o estado e, então, vou fazer bem a Deus. É um discurso do século 12, 14, do tempo das Cruzadas. Quando os cristãos matavam os islâmicos, eles acreditavam estar fazendo a vontade de Deus. Quando os puritanos colocaram Joana D’arc na fogueira acreditaram que o fogo iria expulsar os demônios e fazer bem a ela.
E como combater esse discurso?
Espero reunir as lideranças protestantes éticas que digam à sociedade que o estado brasileiro é laico e que esse comportamento fanático não reflete o Reino de Deus. Reflete um desajuste e um projeto de poder. Vamos levantar nossa voz para a sociedade e dizer que todos têm o direito de escolher seu credo.

Morre menino com câncer que arrecadou mais de R$ 1 milhão em campanha com pulseiras

Morre menino com câncer que arrecadou mais de R$ 1 milhão em campanha com pulseiras

Matéria da BBC publicada no UOL
Um britânico de 11 anos que conseguiu arrecadar mais de 500 mil libras (R$ 1,4 milhão) para caridade morreu após uma batalha de quatro anos contra um tumor no cérebro.
Harry Moseley, de Birmingham, ficou conhecido depois que decidiu vender pulseiras que ele mesmo fazia em uma campanha chamada “Ajude Harry a Ajudar Outros”, junto à ONG Cancer Research UK.
Por causa do trabalho de caridade realizado enquanto o menino enfrentava quimioterapia e radioterapia, Harry ganhou o título de “Criança Mais Generosa da Grã-Bretanha” e conquistou fãs famosos, como os jogadores de futebol John Terry, Frank Lampard e Rio Ferdinand, o primeiro-ministro David Cameron, que foi visto usando uma de suas pulseiras, além de apresentadores de TV e empresários.
Twitter
Harry estava em coma desde agosto, depois que seu tumor cresceu 50% e ele teve de passar por uma cirurgia.
No domingo, a mãe de Harry, Georgina Moseley, anunciou a morte no Twitter @harry_moseley.
“Meu menino corajoso e inspirador adormeceu nos meus braços às 23h10. De repente, nosso mundo virou um lugar muito escuro e cruel.” Pulseiras para a Grã-Bretanha
A página de Harry no Twitter foi inundada de homenagens ao menino.
Richard Taylor, diretor-executivo de arrecadação e marketing da instituição Cancer Research UK, disse: “Estamos extremamente entristecidos em ouvir que o extraordinariamente corajoso Harry Moseley tragicamente perdeu sua batalha contra o câncer no cérebro com apenas 11 anos de idade.”
“Harry era um menino especial – mesmo quando enfrentava uma doença fatal, ele manteve sua personalidade audaciosa e sua vontade de ajudar os outros”, disse Taylor.
“Era o desejo de Harry que toda a Grã-Bretanha usasse uma de suas pulseiras com orgulho. Ele tocou os corações de todos que ele encontrou e a diferença que ele fez em sua curta vida é impressionante.”

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

FIQUEM LIGADOS NO FESTIVAL INTERNACIONAL DO CINEMA INFANTIL

http://www.festivaldecinemainfantil.com.br/2011/

Fazendo produção cultural na escola.

 Zezito de Oliveira · Aracaju, SE

3/10/2011 · 0 Há cerca de uns vinte dias, quando comecei a pensar a respeito da seleção de músicas que utilizaria na apresentação do tema “produção cultural nas escolas”, no programa de formação cultural “Ossos de Oficio”, da Fundação Municipal de Cultura, a primeira frase musical que me ocorreu foi: “Há tempos são os jovens que adoecem”, parte da composição “Há Tempos” do Legião Urbana.

Ao mesmo tempo em que preparava a apresentação, a frase “Há tempos são os jovens que adoecem” me remetia ao trágico acontecimento ocorrido por estes dias em uma escola pública em São Paulo, vitimando uma criança de 10 anos e sua professora, além de outros fatos semelhantes ocorridos nos últimos anos em todo o mundo.

Por outro lado, com a perspectiva de encontrar possíveis soluções, fui buscar em meus arquivos algumas músicas que oferecem pistas sobre os caminhos que precisamos percorrer para evitar ou diminuir os impactos das dores e sofrimentos que se abatem sobre crianças, adolescentes e jovens. Dores e sofrimentos decorrentes de um conjunto de causas que deitam raízes nas contradições do modelo econômico e político atual, cujas bases estão firmadas no individualismo, no materialismo e no consumo desenfreado de bens materiais.

A primeira delas chama-se “Estudo Errado”, de autoria de Gabriel, o Pensador, música que, na minha opinião, pode ser considerada a composição que mais fielmente retrata a situação vivida pelos estudantes da maioria das escolas brasileiras.

Acesse esse texto por aqui  e tenha acesso a todos os links indicados.
Em “Estudo Errado”, podemos ouvir trechos emblemáticos do atraso e dos equívocos inerentes ao nosso sistema de ensino: “Decoreba, este é o método de ensino”. “Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci, decorei, copiei, memorizei, mas não entendi“. ”A maioria das matérias que eles dão eu acho inútil, em vão, pouco interessante”. “Eu sei que ainda não sou gente grande, mas eu já sou gente e sei que o estudo é uma coisa boa. O problema é que sem motivação a gente enjoa”. “Vamos fugir dessa jaula! (...).” “Matei a aula porque num dava. Eu não aguentava mais. E fui escutar o Pensador escondido dos meus pais.”

Este último verso nos leva a uma reflexão fundamental: Se a criançada, em vez de escutar o Pensador escondido dos pais, também os professores, técnicos educacionais e psicólogos prestassem mais atenção àquilo que crianças e adolescentes ouvem, leem e assistem, não seria uma forma interessante de iniciar ou reforçar o diálogo dos adultos com a garotada?

Todavia, em muitos casos, teremos que fazer um grande esforço para diminuir preconceitos e/ou resistências de várias naturezas, inclusive a algumas músicas e programas de televisão que reforçam aquilo que foi expresso em uma das composições dos Titãs e que nos causam asco: “A televisão está me deixando muito burro, burro demais”.

Quando me refiro à necessidade de nós adultos prestarmos mais atenção ao tipo de música ou de programa de televisão que nossos jovens assistem, não estamos dizendo que temos que reforçar ou ampliar a audiência que estas músicas ou programas já detêm, mas pensar com eles sobre quais pulsões, instintos ou desejos são alimentados por aquilo que faz sucesso e quem ganha e quem perde com isso.

Outro caminho necessário e urgente é ampliar e fortalecer o acesso a produtos culturais que provoquem reflexão e estimulem valores positivos. Como exemplo, podemos citar, além das músicas de Gabriel, O Pensador, a Legião Urbana, os Titãs, os eternos Racionais e o trabalho de um jovem e promissor talento que está surgindo na cena cultural independente: nos referimos ao CRIOLO, gestado nas periferias de São Paulo e que mostra em suas composições uma alta dose de criatividade e sintonia com o pensamento e anseios das novas gerações dos guetos e das quebradas, como também de alguns setores de classe média mais cults..

Outra música, composta em meados da década de 80 do século XX, pelos Titãs, e que retrata expectativas, necessidades e desejos da garotada ainda hoje, chama-se “Comida”, diz ela : “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. “A gente não quer só comer, quer comer e fazer amor“. “A gente quer prazer para aliviar a dor”. “ A gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro e felicidade”. “A gente quer inteiro e não pela metade”.

A música “Galera da Fraternidade”(1), ainda atual e composta no mesmo período de “Comida”, é da autoria de Reginaldo Veloso, um cara por quem tenho grande admiração e carinho por sua dedicação às crianças e jovens da periferia da grande Recife, em especial dos morros que formam o bairro de Casa Amarela. O padre Reginaldo, como também é conhecido, além de sacerdote, é educador, pai , compositor e cronista.

Foi um dos inúmeros pernambucanos que tiveram o privilégio de conviver e trabalhar com Dom Hélder Câmara, considerado um dos principais referenciais, dentre os chamados “progressistas”, em matéria de religião no século XX.

Por meio de suas composições e crônicas, Reginaldo Veloso retrata uma série de situações, problemas e/ou soluções vivenciadas por crianças e jovens desde a década de 70 do século passado. Muitas delas encontrou na iniciativa impulsionada por Padre Reginaldo, o Movimento de Adolescentes e Crianças (MAC), pessoas realmente comprometidas com a solidariedade e com a alegria, parceiras da construção de um mundo melhor.

A letra da composição “Galera da Fraternidade” apresenta alguns elementos da metodologia e da proposta do MAC, descrevendo com sua melodia e belos versos um exitoso trabalho que inspirou um programa de animação cultural nas escolas das cidades do Cabo, Recife e Jaboatão dos Guararapes e que poderia ser referencia para outras escolas do País. Oxalá! esse texto possa estimular pessoas, com poder de decisão e recursos, a se aprofundarem no conhecimento desta e de outras experiências para que possam ser multiplicadas Brasil a fora.

Com relação a trabalhos de produção cultural na escola, realizados com a minha participação, vale a pena conferir dois vídeos disponíveis no youtube.

O primeiro foi uma reportagem do programa Sergipe Comunidade, da TV Sergipe, no ano de 2003 e o segundo, uma entrevista realizada em 2006, com Fernanda Almeida, adolescente ligada ao Projeto Ecarte, atualmente estudante de audiovisual da Universidade Federal de Sergipe.

À guisa de conclusão, acreditamos que as músicas “Estudo Errado”, “Comida” e “Galera da Fraternidade” apresentam alternativas que podem, como já afirmamos, acabar ou aliviar a dor de crianças e jovens, trazendo a possibilidade de diminuir as situações dramáticas ou trágicas vividas pela moçada e pelos adultos, situações chocantes tão bem captadas por Renato Russo e tantos artistas de outras linguagens.

Espero não estar pedindo muito a educadores, técnicos e gestores dos sistemas educacionais que apurem os ouvidos e o olhar para captar, pelos mais diversos meios, as várias necessidades, desejos e vontades de nossas crianças e jovens, sem esperar que isso ocorra em meio a situações bastante dolorosas ou violentas.(2)

Levar a sério a produção cultural na escola pode contribuir para atingir esse objetivo(3).
NOTAS

(1)Galera da Fraternidade – Letra e Música; Reginaldo Veloso

1. Minha galera é a galera da fraternidade. Meu tempero é a fé, é o amor-liberdade.

2. O meu assunto é a vida.

È a vida, é a vida!

Caretice, aceitar essa vida-sem-vida!

3. Já é hora de a gente mudar,

esse jeito não dá pra ficar

4. É preciso muita criatividade!

Arregace as mangas com muita vontade!

Vamos investir nessa da felicidade!

Ser feliz é o destino da humanidade!...

5. Nós vamos nessa do chapa

Joãozinho Trinta:

A cultura é beleza que encanta e que agita!

6. O meu samba não vai te enganar;

Eu só canto pra vida mudar!

7. Você traz muita coisa

Então pode perder!

Vamos nessa, galera, botar pra valer!

Cada um tem um gosto e um jeito de ser!

É preciso juntar, fazer tudo render!...

8. A gente vai nessa do indio e da ecologia

Salve o verde, a beleza da geografia!

A beleza da geografia!

9. Não morreu Chico Mendes em vão,

Ressuscita em você, meu irmão!

10. É preciso muita, mas muita coragem!

Se guardar pra si mesmo

É uma grande bobagem!

Pois, no fim, quem dá vida

É quem leva vantagem!

É a galera de Cristo

Partindo em viagem!

Confira parte do áudio da composição, aqui





(2)"Numa sala de aula, um jovem com os fones de um walkman nos ouvidos susurra entusiasmado, um trecho de um pop rock nacional: “o amooor, é o caloooor que aqueeece a almaaaa!”. Enquanto isso, outro gruda sorrateiramente em seus ouvidos o seu radinho de pilha (provavlemente para ouvir uma canção de sua preferência). Num canto da sala, uma jovem “devora” páginas de um livro de poesias, “best-seller” do momento. Junto a parede, uma jovem digita um torpedo em seu celular; já outro tenta esconder junto aos cadernos, a última edição de uma revista juvenil, que traz na capa o galã da novela do horário nobre. Um jovem, num outro canto da sala, aguarda a professora passar por entre as carteiras e mochilas da “hora” espalhadas pela sala, para mostrar aos colegas uma tatuagem no ombro direito; e eis que adentra na sala, esbaforida, uma garota, desfilando um cabelo multicolorido, susurrando aos colegas: pintei com papel crepom! Ao lado da janela, uma jovem escreve um bilhete para um colega: Eahe kara, vamu zoa nu xou dos omi? Toca um celular estrindentemente! Insistentemente! E a professora (alheia a isso tudo?)segue explicando a matéria.”

(3)AS 7 APRENDIZAGENS BÁSICAS PARA CONVIVÊNCIA SOCIAL

1) Aprender a não agredir o semelhante(fundamento de todo modelo de convivência social)

2) Aprender a comunicar-se(base da auto-afirmação pessoal ou do grupo)

3) Aprender a interagir(base dos modelos de relação social)

4) Aprender a decidir em grupo(base da política e da economia)

5) Aprender a cuidar de si(base dos modelos de saúde e seguridade social)

6) Aprender a cuidar do entorno(fundamento da sobrevivência)

7) Aprender a valorizar o saber social(base da evolução social e cultural)

Bernado Toro (1993)

Para aprofundar o estudo e o debate:

Culturas Juvenis - Dinamizando a escola

Este livro é mais um lançamento do jornal Mundo Jovem, que traz para o centro do debate a rica diversidade cultural presente nos jovens das escolas brasileiras: os que curtem funk, rap, graffiti, cultura anime, rock, religião, que gostam de se encontrar nos parques, nos bares, nas ruas, nos quartos, enfim, múltiplas juventudes.

Como podemos nos apropriar das culturas juvenis em nosso planejamento diário como professores? Como revelar as identidades juvenis nas diferentes práticas do currículo escolar? As aulas podem servir de canal para que as histórias de vida e as identidades dos jovens ganhem lugar na cena escolar? Com a colaboração de diversos autores, esperamos contribuir com a inquietude de tantos que buscam uma escola adequada aos nossos tempos.



Orgs: Márcia H. Koboldt Cavalcante e Rui Antônio de Souza

Número de páginas: 120

Valor = R$ 14,00 (As despesas de correio estão incluídas)

Para adquirir o livro basta enviar o endereço completo e o pagamento correspondente:



a) depósito identificado no Banco do Brasil Agência 3168-2 (Porto Alegre) - na conta nº 707.311-9. (o código identificador pode ser o nº de CPF ou CNPJ)

Esta conta está em nome de nossa mantenedora (UBEA-PUCRS-MJOVEM). É necessário enviar o comprovante do depósito junto com o nome e endereço completo para o envio do livro, pelo fax: 0 (..)(51) 3320-3889 / 3320-3902; ou por carta, porque o banco não comunica quem fez o depósito.

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Leia textos para aprofundamento do tema "produção cultural nas erscolas", aqui

Textos para aprofundamento do tema "Fazendo produção cultural na escola"

TRAGÉDIAS NAS ESCOLAS

O que a violência ensina

Por Gabriel Perissé em 04/10/2011 na edição 662
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Já se tornou inesgotável a quantidade de notícias sobre violência dentro do ambiente escolar brasileiro. Entre o massacre de Realengo,em 7 de abril deste ano, e a tragédia de São Caetano do Sul, no último 22 de setembro, dezenas de outros episódios têm sido noticiados. E a situação tende a agravar-se.
Ao longo destes cinco meses, o que terá nos ensinado a violência dentro da escola?
Uma primeira lição é a de que alunos tímidos, “bonzinhos”, reservados podem revelar-se violentos. Em artigo de inspiração freudiana, Sérgio Telles (“O menino suicida”, em O Estado de S.Paulo, 1/10) deixa claro que um episódio como este, em que uma criança de 10 anos atira na professora e se mata, não foi algo gratuito, mera “brincadeira” infeliz. No caso de Wellington de Oliveira, as motivações, por mais ensandecidas que tenham sido, aparecem como inequívocas. Muito provavelmente o menino Davi sofreu calado, e acumulou, durante meses, inúmeras razões sem razão que o levaram ao gesto desesperado.
Uma segunda lição decorre da primeira: no ambiente escolar, é necessário que os conflitos (naturais) sejam observados, ventilados e acompanhados. Que se reforce o vínculo entre escola e família, para que cada uma cumpra seu papel. Nem tudo é responsabilidade da escola, e muitas habilidades sociais devem ser aprendidas em casa. Se há bullying (e sempre há), a escola deve criar formas de identificar os envolvidos antes que o caldo entorne. Expulsar as crianças problemáticas é fazer o problema mudar de endereço, só isso.
Uma terceira lição: chegando a violência escolar a certos níveis, é insuficiente contar apenas com a boa vontade da escola ou o esforço familiar. A sociedade precisa mobilizar-se, com apoio governamental. E não se trata de acionar a Secretaria de Segurança, mas tomar consciência de que a violência na escola tornou-se epidêmica e requer participação de todos.
O inevitável e o evitável
Uma quarta lição – de nada adianta “abafar o caso”. No caso de Realengo, em artigo publicado neste Observatório (“O impossível retorno“), expressei a opinião de que incentivar a maquiagem da escola Tasso da Silveira não apagaria a dor e o trauma, e seria desperdiçar uma chance de ouro: fazer daquele local um centro nacional de estudos sobre violência escolar. Também agora será atitude pouco responsável dizer que o aluno “bonzinho” pegou a arma do pai por acaso, atirou na professora sem querer e se matou sem pensar.
A violência dentro ou fora da escola é, infelizmente, inevitável. Mas tratar essa realidade como tema sigiloso não ajudará a impedir novos massacres e tragédias.
É evitável fazer vista grossa e calar-se. Devemos falar mais, saber mais, e pensar em formas concretas de elaborar soluções e estabelecer cuidados preventivos. Já naquele fatídico mês de abril, Ruth de Aquino publicou na revista Época carta de uma ex-professora da Tasso da Silveira, na qual se afirma que não fazemos ideia dos problemas que diariamente afligem nossas escolas. De fato, são constantes as brigas, as depredações, levam-se armas brancas e de fogo para a sala de aula, são muitos os alunos envolvidos com drogas e álcool, muitos os professores ameaçados, agredidos...
A mídia ainda não sabe da aula a metade.
***
[Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor; www.perisse.com.br]

O que é Mobilização Social


Bernardo Toro*

A mobilização social é muitas vezes confundida com manifestações públicas, com a presença das pessoas em uma praça, passeata, concentração. Mas isso não caracteriza uma mobilização. A mobilização ocorre quando um grupo de pessoas, uma comunidade ou uma sociedade decide e age com um objetivo comum, buscando, quotidianamente, resultados decididos e desejados por todos.

Mobilizar é convocar vontades para atuar na busca de um propósito comum, sob uma interpretação e um sentido também compartilhados.

Participar ou não de um processo de mobilização social é um ato de escolha. Por isso se diz convocar, porque a participação é um ato de liberdade. As pessoas são chamadas, mas participar ou não é uma decisão de cada um. Essa decisão depende essencialmente das pessoas se verem ou não como responsáveis e como capazes de provocar e construir mudanças. Convocar vontades significa convocar discursos, decisões e ações no sentido de um objetivo comum, para um ato de paixão, para uma escolha que “contamina” todo o quotidiano.

Toda mobilização é mobilização para alguma coisa, para alcançar um objetivo pré-definido, um propósito comum, por isso é um ato de razão. Pressupõe uma convicção coletiva da relevância, um sentido de público, daquilo que convém a todos. Para que ela seja útil a uma sociedade ela tem que estar orientada para a construção de um projeto de futuro. Se o seu propósito é passageiro, converte-se em um evento, uma campanha e não em um processo de mobilização. A mobilização requer uma dedicação contínua e produz resultados quotidianamente.

Como falamos de interpretações e sentidos também compartilhados reconhecemos a mobilização social como um ato de comunicação. A mobilização não se confunde com propaganda ou divulgação, mas exige ações de comunicação no seu sentido amplo, enquanto processo de compartilhamento de discurso, visões e informações. O que dá estabilidade a um processo de mobilização social é saber que o que eu faço e decido, em meu campo de atuação quotidiana, está sendo feito e decidido por outros, em seus próprios campos de atuação, com os mesmos propósitos e sentidos.

Toda ordem de convivência é construída, por isso é possível falar em mudança. As ordens de convivência são construídas, não são naturais. O que é natural é a nossa tendência a viver em sociedade. Os gregos se tornaram capazes de criar a democracia a partir do momento que descobriram que a ordem social não era ditada pelos deuses, mas construída pelos homens. Vislumbraram assim a possibilidade de construir uma sociedade cujo destino não estivesse fora dela, mas nas mãos de todos os que dela participavam.

Quando as pessoas assumem que têm nas mãos o seu destino e descobrem que a construção da sociedade depende de sua vontade e de suas escolhas, aí a democracia pode tornar-se uma realidade.

“Toda ordem social é criada por nós. O agir ou não agir de cada um contribui para a formação e consolidação da ordem em que vivemos. Em outras palavras, o caos que estamos atravessando na atualidade não surgiu espontaneamente. Esta desordem que tanto criticamos também foi criada por nós. Portanto, e antes de converter a discussão em um juízo de culpabilidades- se fomos capazes de criar o caos, também podemos sair dele.” Bernardo Toro

No Brasil já não acreditamos na ordem emanada dos deuses, já não temos um ditador e cada vez fica mais impessoal o “eles” a quem responsabilizamos pela nossa realidade. Mas ainda insistimos em pensar e agir como se a situação em que vivemos fosse obra do outro.

Não aceitar a responsabilidade pela realidade em que vivemos é, ao mesmo tempo, nos desobrigarmos da tarefa de transformá-la, colocando na mão do outro a possibilidade de agir. É não assumirmos o nosso destino, não nos sentimos responsáveis por ele, porque não nos sentimos capazes de alterá-lo. A atitude decorrente dessas visões é sempre de fatalismo ou de subserviência, nunca uma atitude transformadora.

A formação de uma nova mentalidade na sociedade civil, que se perceba a si mesma como fonte criadora da ordem social, pressupõe compreender que os “males” da sociedade são o resultado da ordem social que nós mesmos criamos e que, por isso mesmo, podemos modificar.

A convivência social, por não ser natural, requer aprendizagens básicas que devem ser ensinadas, aprendidas e desenvolvidas todos os dias. Esta é uma tarefa de toda a vida de uma pessoa e de uma sociedade.

AS 7 APRENDIZAGENS BÁSICAS PARA CONVIVÊNCIA SOCIALBernardo Toro (1993)

1) Aprender a não agredir o semelhante(fundamento de todo modelo de convivência social)

2) Aprender a comunicar-se(base da auto-afirmação pessoal ou do grupo)

3) Aprender a interagir(base dos modelos de relação social)

4) Aprender a decidir em grupo(base da política e da economia)

5) Aprender a cuidar de si(base dos modelos de saúde e seguridade social)

6) Aprender a cuidar do entorno(fundamento da sobrevivência)

7) Aprender a valorizar o saber social(base da evolução social e cultural)

A Democracia é uma ordem social que se caracteriza pelo fato de suas leis e suas normas serem construídas pelos mesmos que as vão cumprir e proteger. A democracia é uma ordem auto-fundada. Nem toda ordem de convivência é democrática. A monarquia é uma ordem de convivência, mas não é democrática. Nela um monarca, que, por laços de sangue ou divindade, se coloca fora, separado da sociedade, diferente dos outros, cria as leis e as normas que vão reger aquela sociedade. Ele cria a ordem social e aos súditos (sub ditos: submetidos ao que o outro diz) cabe obedecer essas normas. É por isso que na monarquia comemora-se quando nasce o filho do rei, porque a continuidade da ordem está assegurada.

A ditadura também é uma ordem social, mas não é democrática. Nela o ditador, ou seu grupo, por força das armas, se coloca acima da sociedade e dita as normas sobre como ela deve pensar e agir. A ordem também vem de fora, sua fonte é externa à sociedade que deve cumpri-las.

Na democracia a ordem social se produz a partir da própria sociedade. Nela as leis são criadas, direta ou indiretamente, pelos mesmos que as vão cumprir e proteger. A convivência democrática começa quando uma sociedade aprende a auto-fundar a ordem social. E isso deve ser ensinado e aprendido.

Por isso, a democracia é uma cosmovisão, o que quer dizer que ela é uma forma de ver o mundo. Uma forma que aceita cada pessoa como fonte de criação de ordem social. A democracia não pode ser imposta, tem que ser quotidianamente construída. Ela é fruto da decisão de uma sociedade, que acredita que é possível criá-la, a partir de uma unidade de propósito e do respeito pelas diferenças.

A democracia não é um partido político, não é uma matéria, é uma decisão que se fundamenta em aceitar o outro como igual em direitos e oportunidades. Por isso, a democracia supõe a construção da equidade social, econômica, política e cultural.

Porque a ordem democrática é uma ordem construída, não existe um modelo ideal de democracia que possamos copiar ou imitar. Podemos aprender com outras sociedades que constroem sua própria ordem democrática, mas é nossa a responsabilidade de criar nossa própria democracia.

Esse princípio é chamado de “incerteza” e é fundamental para uma sociedade que quer ser produtiva econômica e socialmente, porque se opõe à tradição de “ser como os outros”.

O conflito é constitutivo da convivência democrática. Na democracia não existem os inimigos, mas os opositores: pessoas que pensam diferente, querem buscar os objetivos de outra forma, tem interesses distintos dos meus, que muitas vezes conflitam com eles, mas com as quais posso discutir e consensar metas comuns, colocadas acima das divergências. Para a democracia, a paz não é a ausência de conflito. A paz é o resultado de uma sociedade que é capaz de criar e aceitar regras para dirimir conflitos sem eliminar o outro nem física, nem social, nem psicologicamente.

Na democracia, o público, o que convém e interessa a todos, se constrói e se fortalece na sociedade civil. A força do público e das instituições públicas tem origem no fato de que eles sintetizam e representam os interesses, contraditórios ou não, de todos os setores da sociedade.

A partir deste conceito de democracia podemos desenvolver o conceito de cidadão. No Brasil o cidadão tem sido confundido com o voto. Cidadão seria aquele que vota. Mas o voto é um direito do cidadão, não é o que o define como tal.

Cidadão é a pessoa capaz de criar ou transformar, com outros, a ordem social e a quem cabe cumprir e proteger as leis que ele mesmo ajudou a criar.

(As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade de seu autor)

*Bernardo Toro é escritor, filósofo e educador colombiano, um dos mais importantes pensadores da educação e democracia na América Latina. Dentre suas obras destacamos o livro “Mobilização social: um modo de construir a democracia e a participação” (Autentica Editora LTDA, 104 págs), escrito com Nísia Maria Duarte Werneck.


PÁSCOA À VISTA
Reginaldo Veloso




Passadas as efervescentes brincadeiras do Carnaval,


nossos olhos se voltam para o Oriente,


porque daqui a uns 40 dias,


vai renascer o Sol da Justiça.


É a festa das festas que vem aí:


a Festa da PÁSCOA!




A palavra “páscoa”,


de origem hebraica,


é irmã da portuguesa “passagem”.


E páscoa quer dizer “a passagem de Deus”!


Sim, porque Deus passa, está sempre passando na história da Humanidade,


na vida da gente...


Mas a gente não se dá conta.


Foi preciso, então, que Deus passasse de maneira espetacular, escandalosa até,


para que, pelo menos uma porção de gente se tocasse.




E foi assim:


JESUS DE NAZARÉ, um carpinteiro,


que, mais de 2000 anos atrás, nascera de um casal pobre


e vivera num lugarejo do interior da Palestina,


aos 30 anos de idade,


começou a anunciar o Reino de Deus!


Para pertencer a este Reino,


as pessoas precisavam mudar de vida:


Ø quem tinha conhecimentos, devia partilhar com os desinformados...


Ø quem tinha dinheiro, devia repartir com os necessitados...


Ø quem tinha poder, devia colocar-se a serviço dos excluídos...


Era como se o mundo tivesse que virar de cabeça para baixo!


Uma revolução, sim, mas que deveria começar no coração de cada um, de cada uma.


Para os pobres, era uma BOA NOTÍCIA,


aquilo que eles mais gostariam de ver acontecer.


E é isso que quer dizer “evangelho”,


palavra grega, sinônimo de “boa nova”, boa novidade.


Mas para os ricos era subversão, perturbação da ordem,


ou, como muita gente hoje em dia ainda diz,


isso era “comunismo”!


Até os pobres, iludidos pela conversa mole dos ricos e poderosos,


foram na onda deles e ficaram contra Jesus.


Só sei que, por conta dessa história,


Jesus terminou preso, foi condenado e morreu crucificado entre dois marginais.


Mas, quando os poderosos menos imaginavam,


os poucos seguidores de Jesus de Nazaré foram perdendo o medo


e fizeram o maior reboliço na cidade:


saíram anunciando que Deus havia ressuscitado seu Mestre!


Jesus vivia, isto é, Deus deu razão a ele!


Ele morreu pela causa do povo, sobretudo dos pobres,


seu sangue foi derramado para que uma nova Humanidade começasse a se organizar,


os entendidos se colocassem a serviço dos sem instrução,


os ricos se colocassem a serviço dos empobrecidos,


os poderosos se colocassem a serviço do povo,


e todos se juntassem numa grande irmandade,


uma família de irmãos e irmãs, simples como as crianças.


E como a causa pela qual Jesus morrera


era justamente a causa de Deus, o que Deus mais queria que acontecesse,


por esse motivo, Deus passou no túmulo onde Jesus foi sepultado,


e o arrancou do poder da morte.


Deus aprovou a vida e a mensagem de Jesus!


Portanto, pregavam seus discípulos,


está na hora de aceitar sua mensagem libertadora,


de fazer parte do Reino por ele anunciado...


Chegou o momento de cada um, de cada uma, deixar Deus passar na sua vida.




PÁSCOA é isso: Deus passando na história de Jesus de Nazaré,


e o reconhecendo como seu Filho!


Deus querendo passar na vida de cada um da gente,


na medida em que a gente entrar na jogada de Jesus,


e se tornar assim um filho, uma filha de Deus.




Só sei que, quem ia acreditando em Jesus, através da mensagem dos discípulos,


tomava um banho, para mostrar que estava começando uma vida nova,


limpa de todas as maldades e sujeiras.


E esse banho passou a chamar-se de Batismo.


Os discípulos (seguidores), agora chamados “apóstolos”, quer dizer “enviados”,


colocavam as mãos sobre a cabeça dos que se “batizavam”


e eles e elas recebiam uma nova energia, um espírito novo,


que chamavam de ESPÍRITO SANTO!


Na força dessa nova energia,


é que o pessoal continuava se reunindo,


escutando a mensagem dos Apóstolos sobre Jesus,


repartindo, entre todos, os seus bens,


de tal forma que ninguém passava necessidade entre eles e elas.


E esse ajuntamento de gente, convocada pela Palavra de Deus,


chamou-se de IGREJA.




O que mais chamava a atenção do povo era a alegria


com que eles comiam a Ceia do Pão e do Vinho, em memória de Jesus:


era o jeito de eles se sentirem em comunhão de vida com seu Mestre.


Era como se o corpo de Jesus passasse a se manifestar na carne deles e delas...


Era como se o sangue de Jesus passasse a correr nas veias deles e delas...


Era Jesus que passava a viver neles e nelas..


Era o Reino de Deus que começava a acontecer “assim na terra como céu!”


E essa Igreja era, assim, o ensaio, a amostra de um MUNDO NOVO!




É por causa dessa história, que os cristãos e cristãs de todos os tempos,
todo ano, a certa altura do mês de abril,


celebram a Festa da Páscoa.




Valeria a pena a gente pensar numa “Festa da Páscoa”


entre os Grupos Culturais do PROAC?...


Que sentido teria?...


Apenas recordar o que aconteceu há mais de 2000 anos atrás?...


Será que a Páscoa, de alguma maneira,


estará acontecendo na vida da gente, hoje, aqui e agora,


e, por isso, vale a pena celebrá-la?...




Talvez seja questão de ter olhos de ver,


olhos capazes de enxergar Deus passando na vida dessa Juventude que tendo oportunidade de se encontrar, de conversar suas coisas, de sentir-se escutada, levada em conta... de poder descobrir seus valores e suas potencialidades... começa a gostar de si mesma, a gostar da vida, a levantar a cabeça, a encantar-se com o que é belo, a querer o que é bom, a sonhar com um mundo diferente, de amor, alegria e felicidade... Não é como se nascessem de novo?...


Ø tendo oportunidade de partilhar idéias, sugestões e iniciativas entre eles e elas... de brincar e jogar juntos, de aprender coisas juntos... de cantar, tocar e dançar juntos,,, de desenhar e pintar juntos... de fazer teatro, organizar passeios e festas... vão superando a solidão e o individualismo... vão dando uma finalidade construtiva a sua agressividade, a suas energias... vão desenvolvendo um novo jeito de conviver, crescendo em amizade e companheirismo... É uma nova convivência que está desabrochando?...


Ø tendo oportunidade de conhecer a história e as tradições do seu povo, as riquezas e belezas do folclore, as coisa bonitas que o povo do seu bairro faz, o jeito característico do povo desta cidade viver e festejar... vão trocando as coisas que vêm de fora pelas coisas nossas... começam a gostar do frevo e do maracatu... passam a preferir um suco de mangaba a coca-cola, uma tapioca a um mac-burger qualquer... descobrem que a “embolada” é o jeito nosso de fazer rap, muito antes que o rap existisse e virasse onda... e por aí vão crescendo no amor a esta cidade, a começar pelo seu bairro... Não é isso uma identidade perdida que está se resgatando?...


Ø tendo oportunidade de encarar o seu ambiente de vida, com novas informações sobre higiene, limpeza pública, reciclagem de lixo, importância do verde, da mata, do mangue, da água, do ar, do silêncio, da preservação ambiental... começam a tomar cuidados e iniciativas na sua classe, na escola, em casa, quando vão pela rua... começam a preocupar-se com arborização e jardinagem... com reciclagem de plástico e papel, com coleta seletiva... com a limpeza das canaletas e canais... com a altura do som das radiolas e televisões... com tudo quanto incomoda e prejudica o ambiente em que se vive... e passam a ser multiplicadores de uma nova mentalidade a respeito dessas coisas no dia-a-dia das pessoas... Não é isso um mundo diferente que está surgindo?...


Ø tendo oportunidade de perceber que a cidade é feita por todos os que nela habitam... que todos e todas têm direitos a serem respeitados ou conquistados, para que todo mundo viva vida de gente e possa ser feliz... que ser cidadão, cidadã é querer bem a seu pedaço e se responsabilizar por ele, para que seja o melhor lugar do mundo, a cidade mais bonita e feliz... onde todos, de mãos dadas, vivem num mutirão sem fim, cuidando de tudo, para que tudo dê certo, para o bem de todos... onde o prazer maior é poder, no fim de semana, festejar com ciranda e coco, a fraternidade cidadã exercida ao longo de toda a semana... Não é isso um mundo novo que está despontando?...




Para quem tem olhos de ver,


é por aí, quem sabe, que Deus está passando,


nos arrancando da morte para a Vida...


é por aí que o Sangue de Jesus está circulando


e o Espírito de Jesus está soprando


e tudo vai se transformando nos indivíduos e na sociedade,


e a Páscoa vai acontecendo


e o mundo se salvando.




Se for assim,


se assim estiver sendo,


será que não vale a pena celebrar a Páscoa,


a passagem de Deus em nossas vidas,


na vida da juventude do PROAC?...




E agora José, e agora Maria,


como vamos fazer para que nossos Grupos Culturais


cheguem à gostosa descoberta deste “Mistério” maravilhoso


que se esconde em suas vidas,


mas que precisa se manifestar aos olhos deles e delas, aos olhos de todos?...




Como fazer para que esta descoberta


se torne motivo de festa


e desencadeie toda uma criatividade,


no sentido de todos se darem as mãos


na preparação de um evento capaz de fazer brilhar


esta vida nova, este mundo novo,


que está acontecendo no dia-a-dia dos Grupos Culturais do PROAC,


como Festa da Vida,


como um grande louvor ao Deus da Vida,


que assim como passou na história de Jesus,


está passando nas histórias bonitas da gente, hoje, aqui e agora?...




A Páscoa está à vista!


Como vamos fazer?

terça-feira, 4 de outubro de 2011

NPD encerra oficina com Pablo Capilé

Dando continuidade às comemorações de aniversário, o Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira | Programa Olhar Brasil encerrou, nesta quinta, 29, a oficina de Empreendedorismo Cultural com ênfase no audiovisual. A oficina teve como ministrante Pablo Capilé, um dos articuladores do Fora do Eixo e uma das figuras mais emblemáticas e atuantes do cenário cultural no país.

Durante a oficina, Pablo contou um pouco sobre a experiência do Fora do Eixo, apresentou ideias e projetos culturais, e suscitou no público presente uma discussão sobre a construção de um Fórum Permanente de Cultura em Sergipe.

Para Zezito de Oliveira, participar de uma oficina com Pablo foi enriquecedor. “Capilé é uma das personalidades mais interessantes na cultura hoje, tem ideias inovadoras. Precisamos receber pessoas como ele aqui no estado que nos ajudem a pensar sistemas culturais para Sergipe”, disse.

Segundo Daniele Rocha, a oficina foi fundamental para fomentar nos realizadores sergipanos novas perspectivas. “A oficina permite um diálogo interessante, não só na área de audiovisual, mas para as artes em geral. Busco sempre aprender um pouco de tudo e essa oficina serve para ampliar nossas ideias”, declara.

Pablo Capilé ressalta a importância do contato com o NPD. “Estabelecer esse diálogo com um NPD atuante e de forte influência no estado de Sergipe é um passo enorme na construção de um processo cultural. É preciso que a sociedade civil se mobilize e chegue jnto das instituições de cultura. Fico muito satisfeito com a realização da oficina e espero que este espaço seja ampliado e novos diálogos aconteçam. Estarei sempre disposto a manter esta comunicação com os realizadores sergipanos”, disse.


Fonte: http://npdorlandovieira-aju.blogspot.com/

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Em Sergipe primavera começa com Jornada Ecológica

Unindo ciência, compromisso social e político, afeto, arte e espiritualidade.


OS BONS TEMPOS ESTÃO DE VOLTA.

Neste 25 de setembro de 2011, ao ultrapassar o portão que dá acesso às salas e auditórios localizados nos fundos da igreja São Pio X para participar do último dia da Jornada Ecologia e Espiritualidade, lembrei-me de bons momentos vividos na década de 80 e meados dos anos 90 do século passado no Rio de Janeiro, em Pernambuco e São Paulo, quando adentrava em alguns espaços eclesiais para participar de encontros, celebrações e eventos culturais.

Naqueles anos, havia um maior número de bispos, padres, irmãs e leigos da igreja católica, como também religiosos e fiéis de igrejas evangélicas históricas, a exemplo das Luterana, Metodista, Congregacional, Presbiteriana (os ramos denominados independente e unida), Anglicana e outras mais, buscando se associar de forma ativa e constante a pessoas que participavam de processos educativos, sociais, políticos e artísticos voltados para a construção de um mundo melhor, independente de crença religiosa ou ideologia.

Por esta razão, a sociedade brasileira avançou em muitas conquistas sociais, políticas, éticas e culturais.

SEXTA-FEIRA

Foi lembrando isso que Roberto Malvezzi, mais conhecido como Gogó, iniciou a sua palestra dialogada na jornada ecológica em 23 de setembro, com público de mais de 40 pessoas, em uma noite de clima agradável.

“Nos últimos anos, vocês tiveram contato com notícias frequentes referentes ao alto número de bebês ou crianças mortas no sertão, saques de gente faminta, êxodo em massa de nordestinos rumo ao chamado sul maravilha, frentes de emergência, carros pipa e etc?” Com essa pergunta Gogó iniciou sua participação na jornada.

Como a resposta foi negativa, Gogó, sem negar os méritos das politicas sociais de alguns governos, discorreu durante parte da noite exatamente sobre as maneiras de superação das constantes situações de dor, sofrimento, morte e desalento encontradas pela população sertaneja, organizada em associações e movimentos sociais apoiados por igrejas, organizações não governamentais e universidades.

Leia mais: http://www.overmundo.com.br/overblog/em-sergipe-primavera-comeca-com-jornada-ecologica