domingo, 26 de maio de 2013

Festa junina, só se fizer sentido

Conheça duas experiências de escolas que fazem da festa um momento para ampliar a integração com a comunidade e oferecer novas aprendizagens aos alunos.

Paula Nadal (paula.nadal@fvc.org.br)
Fonte: Site Nova Escola.  AQUI

Festa junina em São Gonçalo do Rio Abaixo. Reprodução
São Gonçalo do Rio Abaixo A festa junina do Centro Educacional
Antes de planejar a festa junina da escola é preciso saber se a comemoração realmente faz sentido para a comunidade escolar. As ações para o dia do evento devem ser programadas com antecedência para que não interfiram negativamente no calendário letivo e todos - alunos, professores, pais e funcionários - têm de ser envolvidos no planejamento.

Para Roberta Panico, especialista em gestão escolar e coordenadora pedagógica da Comunidade Educativa CEDAC, em São Paulo, é preciso muita atenção para não submeter os alunos a situações de constrangimento - como obrigá-los a dançar ou comparecer fantasiados, sem que entendam o propósito das atividades.

Usar o evento para arrecadar fundos para a escola, seja pela venda de produtos (alimentos, ingressos ou "vales" para as brincadeiras), seja pela promoção de concursos como o "Miss Caipira", bastante comum em alguns estados, é outra ação que tem de passar longe dos objetivos listados pela equipe gestora.

Conheça a seguir experiências de duas escolas que pensaram a festa junina como um bom momento para oferecer novas aprendizagens aos alunos e trazer as famílias para dentro da escola.

Uma festa para unir a comunidade
O Centro Educacional de São Gonçalo do Rio Abaixo, a 84 quilômetros de Belo Horizonte, foi criado há dois anos e tem 410 alunos matriculados no Ensino Fundamental II - 70% deles de comunidades rurais do município. Em 2010, para apresentar a escola aos moradores do entorno e aproximar as famílias, a equipe da diretora Geiza Maciel resolveu promover a festa junina - uma das manifestações culturais mais tradicionais na cidade.

A equipe se reuniu para pensar nos objetivos do evento e nas estratégias adotadas para envolver a comunidade. Uma lista de atividades foi elaborada - organização da estrutura física da escola para a festa, montagem do cardápio e distribuição dos convites. Professores e funcionários candidataram-se à coordenação e realização das funções.

Para não esbarrar em questões religiosas (no Catolicismo, as festas juninas são celebrações dos dias de Santo Antônio, São Pedro e São João), a festa foi planejada somente com foco nas manifestações culturais de São Gonçalo. "A escola é uma instituição laica. Trabalhamos para não conferir qualquer caráter religioso à festa", afirma a diretora. Uma gincana foi organizada envolvendo pais, alunos, professores e funcionários. Cada turma da escola tinha como missão trazer participantes para a festa e preparar números artísticos, desde que não fossem religiosos. Os ensaios aconteciam fora do horário de aulas, de acordo com o combinado entre os membros de cada equipe.

Alguns pais tocaram violão, os alunos mostraram coreografias e ajudaram na decoração, enquanto os professores foram personagens do casamento caipira. O objetivo era que cada turma organizasse apresentações relacionadas às manifestações culturais das comunidades em que vivem - por exemplo, as músicas e a dança das congadas, no caso dos alunos vindos de comunidades quilombolas da região; ou as modas de viola, entoadas por pais e alunos de comunidades rurais. "De forma alguma permitiríamos que a figura do caipira fosse estereotipada. Muitos dos nossos alunos são de comunidades rurais e isso é de uma riqueza cultural enorme", conta Geiza.

O Centro Educacional conseguiu transporte público gratuito para levar os moradores à festa junina. Com apoio da Prefeitura Municipal, cada aluno da escola tinha direito a um "vale-transporte" para quatro pessoas. Na festa, pipoca, caldo de feijão e outros pratos tipicamente juninos, todos preparados pelas merendeiras da escola, foram distribuídos gratuitamente. "A festa aconteceu em um sábado e as funcionárias que trabalharam na sexta à noite foram devidamente remuneradas por isso. Não podemos fazer da festa junina uma fonte de arrecadação de fundos para a escola. É um momento de comemoração e de engajamento da equipe", afirma a diretora.

As barraquinhas foram montadas na área externa da escola, com a ajuda de professores e funcionários e fora do horário de aulas. No fim da festa, todos os participantes - inclusive pais e alunos - colaboraram com a limpeza. Ajudaram a desmontar as barracas e a separar os materiais recicláveis do lixo orgânico.

Para a festa de 2011, a origem e as tradições juninas estão sendo trabalhadas nas aulas de Língua Portuguesa e de História. "Queremos reforçar o caráter laico de nossa festa ao trabalhar com os alunos as diferentes manifestações culturais do período e as origens dessa celebração que, antes de tornar-se uma festa católica, surgiu como uma celebração pagã", explica Geiza.

Leia Mais:

Construir, de fato, a Rede Sergipe de Pontos de Cultura, missão quase impossivel?

Foto - Portal Sergipe Cultural (Secult_SE_
Compartilhando uma reflexão feita com alguns companheiros (as), ligados a produção cultural em solo sergipano, em especial aqueles (as) que tentam construir, de fato, a Rede Sergipe de Pontos de Cultura. Missão  que parece quase impossível.

Entender porque nós sergipanos, ligados ao mundo das artes e da cultura, pouco compreendemos sobre o significado de conceitos como: "gestão compartilhada", “produção colaborativa”, “compartilhamento de saberes e fazeres”, "coletivos de cultura" e outros mais contemporâneos, mesmo que remetendo a elementos culturais de nossa formação histórica, como o mutirão, por exemplo, talvez seja a melhor contribuição que professores e estudantes do curso de antropologia da UFS podem dar, neste momento, para nos ajudar a não perder as oportunidades que uma globalização inclusiva e criativa pode nos oferecer. (1) Uma dica de fontes de pesquisas é o pensamento de manutenção do “status quo “ implícito em ditos populares como “farinha pouca meu pirão primeiro”; “Em terra de Muricy cada um cuida de si”; “É preciso se encostar em um pau que faça sombra”. Alguns dos ditados que ouvi em casa, nos tempos de criança e adolescente.
Evidente que isto também está presente  em outras regiões do Brasil, porém, em nosso estado percebo que a não superação da forte presença do opressor que habita em nossas mentes e corações, é um grande empecilho que nos impede  de alcançar um desenvolvimento que possa garantir um futuro mais saudável, original, democrático, sustentável , próspero, justo e com mais segurança, além de agravar as dificuldades enfrentadas por outros brasileiros bombardeados por um poderoso sistema de comunicação, comercial ou ligados a grupos religiosos, que buscam fortalecer o que temos de pior em valores e idéias, no intuito de dificultar o aprofundamento e a ampliação, das conquistas sociais e culturais obtidas nas lutas permanentes do povo sergipano e brasileiro, em especial nestes primeiros anos do século XXI. Para saber mais sobre o que são Pontos de Cultura e o programa Cultura Viva, recomendo:


(1) Clique em cima para ler artigo co-relacionado.
  Zezito de Oliveira
Compartilhando as palavras de um produtor sergipano, a respeito do post acima, publicado originalmente no facebook. “Falo há muito tempo, união (dos artistas, produtores e intelectuais)(1) é a solução do mundo, para a melhoria de todos!” e a resposta que formulei: “Até mesmo para fortalecer o embate com os gestores públicos inaptos e/ou inconsequentes, os quais nem sempre são aqueles que estão nos orgãos de cultura, porque quase sempre, a fonte real das decisões não estão nas mãos dos artistas,  intelectuais, técnicos, professores ou jornalistas  que dirigem e/ou assessoram  os orgãos de cultura, mas, nas mãos da área de finanças e principalmente dos chefes do executivo que tomam decisões, com base em lobbies montados por empresários dos ramos do entretenimento e da comunicação e agora com um novo sujeito, os pastores e artistas ligados a industria gospel. Fontes de garantia do financiamento e votos fáceis nas campanhas eleitorais.” Falo a partir de experiência própria e de conversas com quem viveu ou que vive a experiência de gestor cultural.

(1) acrescentado por mim 

Em outro momento já disse: “Uma das contribuições mais importante dos nossos intelectuais mais antigos, alguns ainda vivos,  foi registrar, catalogar e difundir o nosso rico patrimônio cultural imaterial.  Já dos intelectuais que estão em processo de gestação na UFS e em outras universidades e faculdades de Sergipe e de alhures, o que esperamos é a capacidade de entender e interpretar como as manifestações culturais populares são também mecanismo de sustentação de preconceitos, dominação e manutenção de valores e práticas de opressão ligados ao sistema patriarcal e escravocrata que ainda inspira o pensamento e as ações de muitos de nós, em especial daqueles que descendem mais diretamente  de traficantes de escravos e fazendeiros e que se consideram donos de Sergipe e da sua gente, como no exemplo de quem certa vez, inverteu o sentido da   frase      “Minha terra é Sergipe” para “Sergipe que é minha terra”. Tá certo que Sergipe, nos dias de hoje, não tem na produção agricola a sua principal fonte principal de desenvolvimento e de  riqueza, porém,  o imaginário da casa grande e da senzala ainda permeia muitos de nossos gestos, simbolos, pensamentos e atitudes.


Leia também: A importante contribuição da formação acadêmica para o mal estar  da escola pública. AQUI

Bomfim

NaurÊa

É muito chão, é muito sol
Muito sinal, muito desdém
É muito mais além
É muito santo e proteção
Muito trabalho e oração
É muita perdição
É muita dor, muito suor
Muito swing e carnaval
É música afinal
É muito frio, muito calor
Muito pedir, tanto favor
Bondade mata, meu senhor, iô iô iô
No fim a gente ganha
Bomfim a gente ganha
Sim senhor 2x
Minha menina
Estrela matutina
Brinco sem dinheiro
Como é bom ser brasileiro
Minha menina
Estrela matutina
Vivo só brincando
Como é bom ser sergipano

Anexos: 

Pontos de Cultura: Uma Rede Consolidada


Marilene Santos Padilha


Resumo



O uso de redes sociais para a construção de políticas públicas é uma novidade  aqui Brasil  e no mundo. Este artigo pretende entender a formação atual dos Movimentos Sociais junto a do  Estado na transição para a organização em rede, dando ênfase as políticas públicas culturais atualmente vigentes no Brasil.  O estudo tem como foco os Pontos de Cultura,  principal ação do Programa Cultura Viva, que fazem hoje  dois movimentos articulados em direção a uma reorganização social. No primeiro movimento, o de territorialidade,  acontece um mapeamento das relações entre os Pontos no espaço onde vivem; e o  segundo movimento, os Pontos de Cultura  têm utilizado as novas tecnologias da informação para se inserir no ciberespaço, difundindo a cultura brasileira cada vez mais.

Texto Completo: PDF



Visualizando a rede de Pontos de Cultura da região metropolitana de Belo Horizonte

Fonte: Adriana Veloso de Blog Ação Cultura Digital em Minas Gerais
Neste trabalho, iniciamos uma análise sobre forma com que os Pontos de Cultura da Região Metropolitana de Belo Horizonte se relacionam. Primeiramente problematizamos a natureza das relações estabelecidas entre estas entidades, se são diretas ou indiretas, bem como os tipos de engajamento presentes e suas conexões. Na visualização também indicamos tipos de referências que cada uma possui dentro da rede, com vistas a subsidiar indicações de centralidade. No último grafo observamos suas áreas de atuação e somando as informações já levantadas analisamos os papéis desempenhados por estes atores as sub redes presentes. Diante destes elementos verificamos o uso das tecnologias da informação e comunicação e os locais da centralidade da informação. Para este estudo, não aprofundamos no fluxo dos laços que se enfraquecem e fortalecem ao longo do tempo, optando por destacar as permanências qualificadas e representá-las graficamente. (OBS: Para ver os grafos abaixo dar duplo clique para ampliar)
No primeiro edital federal de seleção dos Pontos de Cultura, de 2005, foram selecionadas vinte instituições em todo estado de Minas Gerais, sendo quatro em Belo Horizonte e outros cinco na região metropolitana. Atualmente a rede de Pontos de Cultura do Estado de Minas Gerais possui 60 projetos conveniados distribuídos entre Pontos de Cultura, Pontões de Cultura e Rede de Pontos de Cultura. A diferença entre estes tipo de conveniamento, além de uma maior vera para os dois últimos, consiste também em uma maior amplitude dos trabalhos. Enquanto para os Pontões espera-se que trabalhem com outros Pontos de Cultura de sua região, a Rede de Pontos já define previamente quais serão as instituições conveniadas.
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Grafo 1 -Pontos, Rede de Pontos e Pontões de Cultura da RMBH
Diante deste contexto, é importante ressaltar que a rede dos Pontos de Cultura da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) é composta por instituições diversas como ONGs e Fundações/Autarquias e se divide entre Pontos, Pontões e Rede de Pontos conforme anteriormente explicitado. Ao lado uma visualização das 19 entidades abordadas neste trabalho.
Como pode-se observar na visualização as entidades selecionadas extrapolam a região metropolitana de Belo Horizonte, isso ocorre devido ao fato de que “local e global, entretanto, são conceitos bem adaptados às superfícies e à geometria, mas inadequados para as redes e a topologia” (Latour, 1994. p. 116). De fato ao pensar nas redes sociotécnicas é preciso incorporar o fato de que a fluidez é inerente à ação social. Por isso, no mapa dos Pontos da RMBH aparecem projetos de cidades como Ouro Preto, Congonhas, Itabira e  Cataguases. Esta última, a mais distante da capital, é sede da Fábrica do Futuro, proponente do Pontão Cidades Invisíveis junto à ONG Contato CRJ e a Rede Minas de Televisão. Antes de prosseguir no perfil dos atores e quais os papéis que estes desempenham na fluidez informacional desta rede destaca-se a hibridação dos espaços geográficos e institucionais.
As redes são vetores de modernidade e também de entropia. Mundiais, veiculam um princípio de ordem, uma regulação a serviço dos atores hegemônicos na escala planetária. Locais estas mesmas redes são portadoras de desordem. A informação especializada e específica que elas transmitem serve à afirmação local dos atores hegemônicos. (Santos, p.57, 1996)
Ainda que existam mais Pontos de Cultura na RMBH (um total de 21 projetos), do início da pesquisa, em fevereiro, até o momento de elaboração deste artigo, algumas destas entidades não deram retorno para marcação de visita e, portanto, não foram abordadas. Dito isso, ressalta-se a presença das duas Redes de Pontos vinculadas à autarquias, uma proposta pela Fundação Municipal de Belo Horizonte e a segunda da Prefeitura de Contagem. Além disso, observa-se que os três Pontões do estado localizam-se na capital e exercem diferentes papéis na rede, até por seu histórico e propostas de trabalho, que serão abordados abaixo em nossa análise.
A estrutura das relações sociais dos Pontos de Cultura do estado estiveram pautadas pela organização e institucionalização dos mesmos enquanto grupo com poder de tomada de decisão. Desde o início da implementação do Programa Cultura Viva, os Pontos de Cultura pleitearam uma maior participação política nas diretrizes do Ministério e sua legislação. Para tanto, organizaram-se por meio da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, que regionalmente se estrutura em Comissões Estaduais. A Comissão Estadual dos Pontos de Cultura de Minas Gerais elegeu no final de 2008 um representante do Pontão de Cultura Centro de Convergência de Novas Mídias (CCNM) e como suplentes representantes do Ponto de Cultura Aruanda, a Rede de Pontos Incubadora de Arte, ambas de Belo Horizonte, a Casa de Drummond de Itabira, o Ponto de Cultura Arte Musical é Vida de Porteirinha e a Rede de Pontos Contagem Cultura Viva. Nos anos de 2006 e 2007, a Comissão Estadual era presidida pela Contato CRJ, Ponto de Cultura e também proponente do Pontão Cidades Invisíveis. A Comissão se comunica com os 60 Pontos de Cultura do estado por uma lista de discussão online, fechada para não membros de Pontos de Cultura. Além disso, há outra lista da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, na qual há representatividade dos 27 estados da federação, também restrita a delegados e eleitos regionalmente.
Antes de prosseguir sobre os métodos e técnicas utilizadas para a análise desta rede social, é importante ressaltar que estes atores, antes de se tornarem Pontos de Cultura, já eram entidades com atividades sócio culturais, e que, portanto, já possuíam cada um suas próprias redes de relações.  Alguns destes Pontos de Cultura, já eram parceiros antes mesmo de serem Pontos de Cultura como é o caso da Associação Imagem Comunitária (AIC) e o Grupo Cultural Negros da Unidade Consciente (NUC). Com o edital do Ministério da Cultura conformou-se uma nova rede, a partir de uma já existente, na qual já estava presente outras relações. A partir das tentativas de organização, por meio da Comissão Estadual dos Pontos de Cultura e os fóruns organizados para sua estruturação, uma nova rede híbrida e móvel destas entidades armava-se e desarmava-se com atores que, em determinados momentos, participavam mais e, em outros momentos menos. Este fenômeno complexo ocorreu nos últimos quatro anos e provavelmente seguirá transformando-se no que se refere à densidade destas relações e aos diferentes tipos de conexões estabelecidas em temporalidades específicas. A opção deste estudo foi verificar permanências qualificadas desta rede, levando em conta os momentos de conformação dos laços e e as formas como ocorrem, ainda que por questões de tempo e espaço, não sejam abordadas em profundidade.
Métodos e estratégias para identificar redes relacionais e estruturais
O método utilizado neste estudo é o aplicado por Garton (2009) em que “a análise das redes sociais observa além dos atributos específicos dos indivíduos para considerar as relações e as trocas entre os atores sociais”.  Neste sentido, além da composição destes Pontos de Cultura, Pontões de Cultura e Rede de Pontos de Cultura da região metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) será observado também o fluxo de capital simbólico, ou seja, quem distribuí e influencia no fluxo de informações. As unidades de análise serão tanto os atores da rede, ou seja os Pontos de Cultura, Pontões de Cultura e Rede de Pontos de Cultura da região metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), bem como a observação das relações estabelecidas entre eles e sua composição (área de atuação) com vistas a observar os nós que existem em conexão.
Para identificar as relações entre os Pontos de Cultura foi elaborado um roteiro de visita, aplicado com gestores dos Pontos de Cultura, que além de obter informações gerais sobre as instituições, também orientava a busca de informações das redes de articulação com o objetivo de compreender qual a natureza das relações estabelecidas de cada Ponto, Pontão e Rede de Pontos de Cultura visitado.
Além disso, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com três diferentes atores; Cláudia Houara, ex Assessora do Programa Cultura Viva na Representação Regional do Ministério da Cultura, José Paulo Neto, articulador regional de MG da Ação Cultura Digital e Denísia Martins representante de Minas Gerais na Comissão Nacional dos Pontos de Cultura. O objetivo destas entrevistas foi a observação da rede a partir de uma perspectiva diferente da visão dos gestores dos Pontos de Cultura.
Relações entre os Pontos
Grafo 2 – Relações
O tratamento destes dados passou por diferentes etapas nas quais o primeiro estágio foi a construção de relatórios de visita e das entrevistas, seguido por construção dos dados no software Ucinet2 para montagem dos grafos no NetDraw3. Estes dados foram estruturados primeiramente a partir da relação institucional entre os Pontos de Cultura como pode-se observar no representação ao lado:
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Este grafo é o primeiro passo para visualizar as sub redes presentes, assim como a natureza das relações estabelecidas entre estas entidades e nós de centralidade da informação.
Após esta estruturação, foi realizada uma representação sobre referências (grafo 3), que abrangeu; referências para outros Pontos de Cultura, referência para comunidade, referência no uso de software livre, trabalhos com outros Pontos de Cultura e participação na Comissão Estadual dos Pontos de Cultura, com o objetivo de construir uma referência referenciada sobre os papéis de centralidade desta rede e como se destacam por sua permanência qualificada. Além disso, procura-se aprofundar na questão da natureza das relações estabelecidas, subsidiando a obervação sobre os indicadores de interdependência e os tipos de engajamento existentes entre estas entidades.
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Referências
Grafo 3 – Referências
Por fim, também foi criado um grafo de representação das áreas de atuação (grafo 4)de cada um dos Pontos de Cultura contactados que abrange os tópicos; cultura digital, juventude, audiovisual, telecentro (máquinas, acesso a internet e uso pela comunidade), áudio/música/rádio, premiados da Ação Escola Viva e atuantes na Ação Griô (mestres da cultura popular). Esta representação auxilia também no destaque de nós centrais desta rede, uma vez que correlaciona atributos variáveis, além de indicar qual o uso que estes projetos fazem das tecnologias da informação e comunicação.
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Análise
Garton (2009) sugere o alcance, a centralidade e os papéis como aspectos a serem observados como características de uma rede. Em termos de alcance ainda que a rede abordada seja pequena neste estudo ela de fato abarca um universo de mais de oitocentos Pontos de Cultura em todo Brasil. Sua heterogeneidade é proporcional à diversidade cultural do Brasil, ainda assim, pode-se traçar quatro linhas de atuação presentes em praticamente todas as entidades da RMBH que são; a cultura digital, juventude, o audiovisual e a presença de telecentros.
A partir da análise foram identificados quatro sub redes que abaixo serão analisadas com relação ao uso das tecnologias da informação e comunicação, centralidade e papéis desempenhados na rede, atributos em comum, fluxo de capital simbólico/centralidade informacional e natureza das relações estabelecidas, com seus respectivos indicadores de interdependência.
Grafo 4 - Áreas de Atuação
Grafo 4 – Áreas de Atuação
Na questão da centralidade da informação “pode ser importante examinar quem é central ou isolado em redes mantidas por diferentes meios (…), nesses casos, alguns atores podem desempenhar o papel de disseminador, fazendo a ponte entre a rede de e-mails e a rede face a face” (Garton, 2009). De fato, a Comissão Estadual dos Pontos de Cultura exerce esse papel, Denísia Martins, do CCNM e atual representante da Comissão, conta que “às vezes após enviar mensagem para lista dos Pontos é necessário pegar o telefone e ligar para as pessoas pedindo para que elas leiam o aviso”. Este é um dos motivos pelos quais este Pontão desempenha papel de centralidade e mediação na rede. Mas além disso, o Pontão de Cultura também é uma das referências no uso de software livre, plataforma adotada e defendida pelo Programa Cultura Viva, além de ser referência para comunidade e para outros Pontos de Cultura. O CCNM é o primeiro Pontão de Cultura conveniado do estado e desenvolve trabalhos com outros Pontos de Cultura em todas as áreas de atuação abordadas por esta análise; é premiado na Ação Escola Viva, atua na Ação Griô, trabalha com áudio, audiovisual, cultura digital, juventude e possui telecentro em parceria com a Rede de Economia Solidária da Prefeitura de Belo Horizonte, no qual desenvolve trabalho de letramento digital com jovens e adultos. A PBH é uma das parcerias com maior permanência qualificada do projeto, abarcando não somente a rede de Economia Solidária, como também a Secretaria de Educação e a Fundação Municipal de Cultura de BH. O projeto ainda tem como característica não somente o uso das tecnologias da informação e comunicação, como também sua apropriação, ou seja, não somente utiliza as TICs como compreende seu funcionamento e dá retorno à comunidade por meio de atividades de aprendizado e troca em projetos de extensão. Diante disso pode-se afirmar que o Pontão é um canal de transferência e troca e que as relações de interdependência são dos outros Pontos de Cultura para com ele. Isso se deve ao fato também do convênio do projeto ser com a Universidade Federal de Minas Gerais, via Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), enquanto todos os outros Pontos de Cultura são Organizações não Governamentais. Por isso, o CCNM agrega outras instituições em relações de colaboração, mas raramente de parceria institucional. Sendo assim,  pode-se dizer que este Pontão é um ego da rede, não uma sub rede, uma vez que e composto por apena um ator.
Outro destaque de centralidade desta cartografia são os proponentes do Pontão Cidades Invisíveis compostos pelos Pontos de Cultura Contato Centro de Referência para Juventude (CRJ) e a Fábrica do Futuro de Cataguases. De fato, “similaridades no comportamento de membros da rede sugerem a presença de um papel de rede” (Garton, 2009), e isso fica explicitado também pelas relações institucionais em comum destes Pontos de Cultura com outros projeto tais como; a TV Murinho de Sabará, a Casa da Juventude de Congonhas e o Timbalê de Ouro Preto. Nessa sub rede, a relação entre a Fábrica do Futuro e a Contato CRJ é de interdependência formal, uma vez que assinaram contrato de consórcio, juntamente com a Rede Minas de Televisão, para a execução do projeto Cidades Invisíveis. Com outros Pontos de Cultura há diferentes tipos de relação, desde a circunstancial, como é o caso do Timbalê, parceria estabelecida somente para execução do Cidades Invisíveis, como também engajamentos intencionais como é o caso da TV Murinho de Sabará, com o qual há uma permanência qualificada de projetos em comum. Esta sub rede é um bom exemplo de laços que se fortalecem e se enfraquecem ao longo de temporalidades específicas, normalmente relacionadas a interesses de execução de atividades conformando parcerias mais ou menos pontuais, uma vez que se relacionam de formas diferentes em cada momento. Em seus atributos esta sub rede aparece com o audiovisual como forte área de atuação destes projetos. Em termos do uso das TICs, a Fábrica do Futuro destaca-se por ser uma referência no uso de software livre, ainda que no projeto Cidades Invisíveis este não tenha sido o sistema operacional adotado. Por isso, observa-se uma dificuldade de fluência digital nesta rede, ou seja, em geral, não conseguem trabalhar com a linguagem audiovisual independente do sistema operacional (MacOS e Final Cut, Windows e Premiere e GNU/Linux e Cinelerra). Isto também é observado em outros atores desta sub rede, que possuem engajamentos subjacentes com os atores centrais, cujo uso das TICs se concentra em apenas o sistema operacional mais hegemônico. Devido ao fato desta sub rede constituir um dos  três Pontões do estado, ela também desempenha certa centralidade informacional, inclusive por mediar canais de transferência e troca de capital simbólico. O projeto Cidades Invisíveis, por exemplo, selecionou nove Pontos de Cultura para participar de formação conceitual e técnica que culminaria na produção de nove inter programas cada a serem exibidos na Rede Minas de Televisão. Esta mediação estabelece também certa relação de poder para com outros Pontos de Cultura, uma vez que o acesso à televisão pública torna-se uma relação indireta.
O terceiro Pontão de Cultura do Estado Formação em Gestão foi conveniado “visando à realização de um programa de formação específica em gestão cultural, direcionado aos Pontos de Cultura conveniados pelo Ministério da Cultura4” de todos os estados do país. Sua atuação consiste em um encontro presencial, no qual mais de 90% dos Pontos de Cultura de Minas Gerais participaram, seguido por uma formação de Educação a Distância (EAD). A natureza das relações estabelecidas pelo Pontão Formação em Gestão caracteriza-se pela presença de canais de transferência e troca em relações de interdependência intencionais por parte de outros Pontos de Cultura, uma vez que as inscrições nos cursos são gratuitas. O projeto não estabelece relações de parcerias (permanência qualificada) com outros Pontos de Cultura, mesmo assim cumpre importante papel de centralidade informacional na rede nacional dos Pontos de Cultura por trabalhar com um dos maiores gargalos do Programa Cultura Viva que é a questão da gestão e prestação de contas.  Por operar com plataformas de ensino a distância percebe-se que o projeto utiliza e desenvolve as TICs, caracterizando uma apropriação destas ferramentas. O Pontão opera um volumoso fluxo de capital simbólico e por ser constituído de um só ator é outro ego da rede.
As duas Redes de Pontos também caracterizam um papel de rede, uma vez que agregam projetos afiliados; a Incubadora de Artes trabalha com cinco centros culturais da Fundação Municipal de Cultura e duas ONGs e a Rede Contagem Viva trabalha com nove instituições da região e seu distrito. Nossa análise acerca destas entidades tem base em seus projetos de Redes de Pontos de Cultura do Programa Cultura Viva, mas também considera sua rede já conformada antes do edital e sua atuação junto as comunidades de suas cidades.  As Redes de Pontos, nas quais as prefeituras municipais estabelecem a mediação entre o governo federal e os projetos afiliados, também chamados de ‘Pontinhos’, mesmo sem executar seus projetos já produzem interações, como é o caso do Centro Cultural do Alto Vera Cruz e o Grupo NUC, por exemplo. Também já são referências para outros Pontos de Cultura, tanto pelo fato de aturem diretamente nas comunidades de seus municípios, como também por serem ligadas a prefeituras, por isso desempenham papel de certa centralidade desta rede, ainda que de forma subjacente conforme verificamos no grafo de relações entre os projetos. Ao lado um recorte desta imagem;
Grafo 5 - Corte Relações Pontos
Grafo 5 – Corte Relações Pontos
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O engajamento dos Pontinhos para com a Fundação Municipal de Cultura de BH e a Prefeitura de Contagem é formal em uma relação de dependência, uma vez que as entidades mediam a relação dos Pontinhos com o governo federal. É dizer, a natureza destas relações é propositalmente de interdependência e mediação. Ambos os projetos das Redes de Pontos prevêem intenso uso das TICs em diversas áreas, do teatro à música e artes plásticas e em alguns casos já executam estes trabalhos como é o caso do D-vEr.CidaDe CuLturaL, oriundo do movimento Hip Hop e Pontinho da Incubadora de Artes.
Outras entidades que aparecem com uma centralidade subjacente são as ONGs Contato CRJ, Grupo NUC, Associação Imagem Comunitária (AIC) e o Museu Giramundo. Este último é referência nacional em teatro de bonecos, apresenta-se constantemente em teatros e ainda possui um Museu com suas construções. O projeto faz parte de uma sub rede de Pontos de Cultura de Belo Horizonte que atua em artes cênicas, também composto pelo Aruanda e o projeto A Fábrica, da Cia SeráQuê?. Esta sub rede se destaca especialmente por sua área de atuação específica e histórico de atuação, uma vez que todos já existiam antes de se tornarem Pontos de Cultura. Citamos estes projetos e esta sub rede de artes cênicas ainda que não sejam objeto desta análise por não atuarem com freqüência configurando permanência qualificada. Dito isso, prosseguimos em nossa problematização acerca dos projetos que fazem uso das TICs e desempenham papel de centralidade informacional.
Os projetos do Grupo NUC e da AIC estão dentro de uma mesma rede de juventude e cultura digital, no entanto existem independente um do outro, surgem de forma totalmente diferente e a pesar de trabalharem em parcerias, com laços que variam de densidade através do tempo, atuam também de forma diferente. A AIC possui um caráter de mediação, capaz de suscitar e fomentar vários projetos em grupos de jovens como, por exemplo, A Rede Jovem Cidadania, em parceria com a Rede Minas. Sua atuação é transversal e seus laços híbridos, ainda que com algumas permanências qualificadas e, em seu trabalho de comunicação e empoderamento, gera produção no fluxo de capital simbólico e informacional. O Grupo Cultural NUC, do Alto Vera Cruz, caracteriza-se como um eixo de resistência cultural e diálogo transversal. Originalmente uma banda de Hip Hop, o Grupo NUC atua em sua comunidade com diversos projetos e ao longo dos anos foi reconhecido por grupos da sociedade civil, como o Observatório da Juventude da FAE/Centro Cultural da UFMG, como uma referência. Engajou-se circunstancialmente com diversas ONGs e Pontos de Cultura, como parte de seus projetos e, nos últimos anos, também passa a ter acesso à grupos de poder, rompendo em alguns momentos com o papel de mediação desses outros grupos, ao criar relações diretas de financiamento com empresas privadas. Tanto o Grupo NUC e como AIC estabelecem relações de engajamento formal em determinados momentos e engajamentos subjacentes em outros, tendo a mobilidade e o diálogo como ponto forte de suas atuações. Trabalham com áudio, audiovisual, cultura digital e juventude e o Grupo NUC ainda possui um telecentro em sua sede. Dentre estes grupos que atuam junto a comunidades no eixo juventude e cultura digital/novas mídias, também está presente a ONG Oficina de Imagens, que embora não seja um Ponto de Cultura, articula forma transversal com estes grupos, estabelecendo engajamentos circunstanciais tanto com AIC, como com o Grupo NUC, entre outros, como a TV Murinho de Sabará. Em nossa representação gráfica a Contato CRJ aparece próxima a estes projetos e poderia ser incluída, caracterizando o pertencimento a múltiplas redes, entretanto ela se difere destes atores por não atuar na ação e formação de comunidades por meio das TICs, e sim por meio de reciclagem, artesanato e geração de renda.
Conclusão
Este trabalho é o começo de uma análise de uma rede complexa que permite outras abordagens. Mesmo assim, busca colaborar com a visualização da rede dos Pontos, Pontões e Redes de Pontos da RMBH, assim como devolver à rede informações analíticas que possam ser úteis para sua mobilização e interação. A partir da análise das relações entre estes projetos, de suas áreas de atuação, de suas referências para os Pontos de Cultura conseguimos identificar permanências qualificadas centrais e subjacentes na rede.
Observamos que os projetos possuem áreas de atuação semelhantes, entretanto com formas de atuação diferentes. Concluímos isso a partir da observação da natureza das relações estabelecidas, que vão de colaboração e cooperação à interdependências de engajamentos formais, subjacentes e circunstanciais. A forma com que os papéis de centralidade são exercidos, no que diz respeito a informação e mediação de relações, também constituíram fonte para diferenciar estas formas de atuação. Enquanto alguns atores se colocam entre a informação, estabelecendo relações indiretas, outros mediam gerando relações diretas.
A informação neste cenário extrapola o conceito de ‘notícia’ caracterizando-se muito mais pelo conhecimento e sua disseminação, ou seja “para que uma informação ganhe um sentido, é preciso que ela entre num conhecimento comum às duas partes5” (Morin, 2009) . A generosidade intelectual, compreendida como a abertura para o compartilhamento dos aprendizados e saberes, está presente no fluxo informacional.  Por outro lado, o controle dos canais de troca e transferência de capital simbólico também apresenta-se nesta rede. Isso pode ser observado a partir dos diferentes usos das tecnologias da informação e comunicação apresentados na análise.
Estas disparidades não são necessariamente negativas, pois “as relações no interior de uma organização, de uma sociedade, de uma empresa, são complementares e antagônicas ao mesmo tempo” (Morin, 2007, p.91). Se as formas de abordagem da cultura digital, do audiovisual e etc, fossem as mesmas em toda RMBH, não haveria diversidade. Esta é uma das tendências desta rede, aliada à grande produtividade de conteúdo e aumento constante de projetos em comum e colaborações híbridas e fluídas. Por fim, os atores desta rede devem observar certa tendência de formação de polarizações, que somente prejudicaria à sua própria ação política dentro da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, enquanto instância de tomada de decisão, e no estado Minas Gerais.
Tendo em vista que o estado de Minas Gerais por meio de sua Secretaria de Cultura já selecionou 100 novas entidades para conveniar como Pontos de Cultura, as análises sobre as dinâmicas desta rede tornam-se cada vez mais relevantes para potencializar seu funcionamento integrado e colaborativo. Por isso, a tendência é que este estudo se aprofunde em uma análise mais detida acerca de como se conformam os laços e em quais momentos isso ocorre, incluindo uma reflexão sobre sua volatilidade nesta rede em específico e com propostas para fortalecer estes momentos em que as redes se constituem.
Bibliografia:
CASTELLS, Manuel. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003. 243 p
GARTON, Laura et al. Studying Online Social Networks. Disponível em < http://jcmc.indiana.edu/vol3/issue1/garton.html#References>. Acessado em 04/07/09.
MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento Complexo. Porto Alegre. 3. ed. Sulina, 2007.
LATOUR, Bruno. Jamais fomos Modernos. São Paulo. Editora 34, 1994.
ORTIZ, Renato. Mundialização e Cultura. São Paulo. Editora Brasiliense, 2000.
SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo. São Paulo: Editora Hucitec, 1994.
SORJ, Bernardo. A nova sociedade Brasileira. Rio de Janeiro. Jorge Zahar, 2000.


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Mundo Jovem - Namorar é buscar morada no outro.


Músicas











Jornal Mundo Jovem - Edição 437 - Junho de 2013.

  Namoro: é possível ampliar nosso conceito de amor
entrevista com Robertson Ferreira Lins (Esquilo), publicada na edição nº 437, junho de 2013.

Robertson Ferreira Lins (Esquilo) psicólogo, didata em biodanza e pós-graduando em Espiritualidade, Educação e Ecologia. Reside em Recife, PE.
 
A sexualidade e o aprendizado através do namoro são temas importantes para se conversar na escola. É preciso transformar nossos espaços de vida – e a escola é um dos principais – e compartilhar sempre o nosso melhor e o potencial de qualidade que o outro tem. Deixar que a relação aconteça: que possamos ter entregas cada vez maiores sem tanta cobrança de resultados. Ou “não ficar tão perto que a gente possa sufocar, e nem tão longe que a gente possa ser esquecido”, como diz o nosso entrevistado, Robertson Ferreira Lins. Esquilo, como gosta de ser chamado.
  • O namoro ainda tem sentido ou é algo ultrapassado? O namorar hoje é bem atual e vai ser sempre atual, em qualquer época. Penso e ao mesmo tempo sinto que namorar é buscar um encontro com o outro, é buscar uma morada no abraço do outro, é querer morar dentro do outro para permitir se encontrar dentro do outro. E essa busca de se encontrar, de se permitir, de se entender, de buscar ser amado vai ter sentido em qualquer época. Namorar nunca vai estar fora de época, fora do contexto. Acredito que todo ser humano e todo animal vai sempre buscar o encontro. Nós, humanos, costumamos namorar, brincar de morar dentro do outro. Por isso creio que esse deslumbramento sempre vai existir, por mais que se diga que está desatualizado.
  • As características de namorar, hoje, são diferentes de outras épocas? Talvez exista alguma diferença conforme os tempos. Não sei se com o amor romântico da época medieval existiam mais poetas que declaravam o amor explícito, o amor comentado, do êxtase. Hoje, há uma série de burocracias que criamos em cima do namorar, há cobranças que existem entre as pessoas, principalmente exigindo resultados, como fazem as empresas. Talvez por isso o namoro tenha perdido um pouco o caminho. Porque o namoro não é resultado, é para se deslumbrar com o outro, é ampliar a sensação de percepção. Hoje temos mecanismos de expressão diferentes de namoro, a nossa vontade de namorar, vontade de dizer que ama. As maneiras é que são diversas.
  • A rapidez do mundo atual afeta o relacionamento amoroso, cria uma espécie de prazo de validade? A pressa que se tem hoje, a ideia da rapidez, da velocidade da internet e das informações, às vezes nos faz esquecer que namorar tem outro ritmo. Namorar é perceber, é ter a possibilidade de escutar o encanto da outra pessoa, saber brotar em cada chão por onde passamos, o encantamento de mostrar uma flor, mostrar uma árvore, mostrar o pôr do sol ou simplesmente olhar a lua cheia. E o tempo para isso é completamente diferente do tempo lógico. É algo mais lento. A rapidez impede a contemplação desses momentos juntos, de olhar, escutar, sentir a presença da outra pessoa. Não pode haver rapidez. Quando a gente começar a atrasar juntos os relógios e começar a fazer pequenas contemplações, estando cem por cento presentes, escutando e se deliciando com a presença do outro, o tempo é outro. Namoro não é resultado, é estar presente e pronto.
  • O namoro pode ser também um projeto de vida de alguém ou é algo que vai surgindo? Penso que tem as duas coisas. Existe a necessidade ou o desejo de um projeto de vida e, ao mesmo tempo, a relação que vai crescendo. Não sei a ordem de como começa, qual a primeira, mas acho que se perdeu um pouco, porque antes disso as pessoas deveriam se encontrar amando a si mesmas. Quando a pessoa descobre que pode amar a si, vai descobrir que pode amar o outro. Agora, no momento em que permanecemos juntos e percebemos continuamente que estamos juntos, tem uma continuidade. Lembrei de duas pessoas interessantes que falaram sobre o amor. Santo Agostinho disse: "simplesmente, ame". Nada além do que seja amor. Cobrança já não é mais amor, exigência não é amor. E Jesus considerava que por amor tudo é possível. Então, duas pessoas que falaram de amor, falaram algo tão simples! Para ter continuidade de vida, de projeto de namoro, tem que se perceber se não está se escondendo atrás do amado ou da amada. Porque, se for assim, não há amor e o projeto vai por água abaixo. A pessoa tem que se perceber completa na relação. É um abrir-se, ficar transparente, e é na intimidade que há a possibilidade do projeto de vida, caso contrário fica difícil a continuidade.
  • Os novos tipos de família, outros modelos, podem afetar o namoro dos filhos? Acabamos tocando na ferida dos pais. Por ter recebido um pouco da não expressão amorosa com naturalidade, acredito que os pais acabam não entendendo as expressões amorosas dos filhos e não sabendo lidar com elas. Como os pais estão nas suas próprias relações? Se isso não vai bem, não há como entender as relações dos filhos. Quanto aos filhos, querendo ou não, há um pouco do protótipo das famílias. Se eles vêm de uma família desorganizada, podem entrar no círculo do padrão da família. Se os pais estão juntos por status, comodidade, algum receio, isso poderá refletir na percepção dos relacionamentos. Quando os pais se amam, dá para ter uma certa tranquilidade a respeito dos filhos. Então isso é algo de mão dupla: os pais entendendo a expressão amorosa dos filhos e os filhos entendendo a expressão amorosa dos pais.
  • Por que um namoro começa e por que ele termina? A própria vida é um processo de transformação. Tudo tem movimento. Há quem disse que tudo é vazio, luz, cores e que tudo é música e movimento. As relações começam porque buscamos esses encontros: da luz, da música, do vazio e do movimento. E se tudo é movimento, chega o momento de passar à frente, dar continuidade. A expressão amorosa é muito maior do que imaginamos. Agora, considerando que amar outra pessoa é o melhor para ela, e que quando ela queira ir embora, compreender que isso possa ser melhor para ela, é entrar no nosso templo de humildade e de liberdade, e permitir que o outro vá. Caso contrário, não é querer o melhor para o outro. Então tudo começa e tudo se transforma. Buscamos esse primeiro contato de carinho, de afeto, de proteção, de realização, mas talvez chegue o momento que se queira mais e isso não significa um fracasso na relação, mas uma ampliação desse amor. Confunde-se muito manter a relação com a posse. Mas as relações não são posse, elas são movimentos dançantes que se expressam a cada momento. A própria vida é uma dança, é uma dança se encontrar com o outro e também é uma dança partir para outros movimentos.
  • O namoro pode servir para um aprendizado do corpo? A todo momento estamos aprendendo, e o aprendizado também acontece na relação com a outra pessoa. Mas talvez tenha se perdido um pouco quando esquecemos de cuidar da relação. E daí entrou uma série de moralismos em cima da relação com o corpo, acabou surgindo a condenação e, com a condenação não há aprendizado perfeito. Mas no momento em que entrarmos desculpabilizando o corpo, com o devido cuidado, é um verdadeiro aprendizado com o outro. Talvez tenhamos que descobrir quais são os nossos medos, nossas culpas, o que estamos buscando, porque o outro simplesmente me dá as pistas do que estou buscando. Quem vai criar percepções e entendimento é a própria pessoa. Namorar vai ser sempre um aprendizado.
  • Como a nossa sociedade e os meios de comunicação lidam com as diferentes expressões de afeto? Acho estranho como, numa sociedade, dentro do nível da racionalidade, falamos de amor e ao mesmo tempo negamos as expressões amorosas em todos os lugares. A televisão, por exemplo, passa mais expressões de morte, de violência do que as pequenas expressões amorosas, como o simples gesto de ajudar alguém a atravessar a rua, dar uma flor, escrever um poema, olhar para outra pessoa. Esses pequenos gestos não são muito pontuados. E quando se reprime a expressão amorosa, aí se provoca o maior distúrbio social, que é a própria violência, a não aceitação do diferente. A diversidade é que faz a vida dar seus passos. É o entendimento desse diferencial também em nós que talvez possa aceitar o diferencial que está fora. Do contrário nos tornamos ditadores; as outras expressões não valem. Acho que todas as expressões são válidas, contanto que revelem o cuidado, o afeto, a cumplicidade e também intimidade num sentido mais amplo, em que possamos encontrar vida em todas as emoções. Existem emoções que fazem com que nos permitamos, nos abramos para a vida, e outras que fazem com que nos fechemos, que é a depressão. Perceber as expressões amorosas externas faz com que nos abramos. Acho que tem uma mistura de moralismo que talvez tenhamos recebido, somado ao medo dessas expressões corporais, de sensações que temos. Muitas vezes, olhar também provoca extremas emoções. Ao mesmo tempo, devido às nossas repressões, não queremos revelar a alegria de ver em nós e no outro as expressões diferentes. É preciso deixar os sentimentos comungarem com as ideias.

O namoro na escola atrapalha ou ajuda?

O namoro pode ajudar muito na escola, porém vai depender da escola e do nível de repressão que os professores carregam dentro de si. Porque se pegar o tema namoro, o flertar, o ficar, o encontrar-se com o outro também como tema de sala de aula, desmistificando esse mistério do amor, colocando-o com mais naturalidade, seria um aprendizado, talvez mais terapêutico do que educativo. É importante compartilhar nossas sensações de alegria, de prazer, de estar aberto para o mundo, porque, quando estamos amando, estamos vendo tudo muito mais bonito. E é essa força divinal que precisamos redescobrir dentro das escolas. As escolas deveriam se abrir para este potencial de vida. Por que não associar o amor e suas várias expressões dentro da sala?
Acho que tudo o que é muito proibido e não é discutido, comentado, provoca uma curiosidade imensa. O ser humano é um bicho curioso. Ele busca alguma coisa, quer entender, quer experimentar, sair dos limites. Então, quanto mais naturalidade nos temas, mais vai preparar as pessoas para escolherem o que querem.
Entre a relação de amor e a relação de morte, parece que se valoriza mais a morte, a luta, a competição. Quase nada se valorizou das expressões amorosas em suas múltiplas possibilidades. Não sei se seria muita hipocrisia hoje querer limitar os tipos de relações amorosas permitidas. Penso que tem que deixar as pessoas serem felizes. Se o feliz dela é estar com o igual, vamos celebrar o igual; se for com os diferentes, vamos celebrar os diferentes, mas o importante é deixar as pessoas escolherem suas melhores expressões amorosas, contanto que não invadam o espaço das outras pessoas: terão apenas que fazer uma escolha responsável. Mas é ainda um grande debate, uma grande discussão tanto filosófica quanto psicológica para ser colocada nas escolas, nos encontros, nos meios de comunicação.
Se nas aulas de História, por exemplo, falássemos do amor em todas as épocas ao invés de falar das guerras, acho que seria interessante. A questão da sexualidade, do aprendizado através do namoro, acredito ser a própria expressão divina. Quando a flor desperta para o desabrochar já é um convite para a abelha chegar. É tudo uma dança. E a dança simplesmente acontece.

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 Sugestão do blog
Cântico dos Cânticos - Um dos mais belos poema para  os (e)namorados.

Texto completo  AQUI

Notas erótico exegéticas  AQUI
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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Sarau Multicultural - Revisitando Utopias



 JUVENTUDE E SEUS CAMINHOS - Opinião e Imagens

 Sonhar - Jornal Mundo Jovem 

 


VIDEO JUVENTUDE E SEUS CAMINHOS
Juventudes e seus caminhos mostra os diferentes rostos e as diversas expressões das juventudes  brasileiras, que se misturam à dor, à ousadia e à esperança. Produzido pelo Jornal Mundo Jovem como subsídio para a Campanha "Fraternidade e Juventude", da CNBB, este vídeo debate os temas que se relacionam com a vida dos jovens: educação, trabalho, drogas, projeto de vida, escolhas, e muitos outros. Um vídeo em que os próprios jovens revelam quem são, como vivem, quais são seus sonhos, seus direitos e suas ações.





Juventudes

Preço: R$37,00
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Assista o trailler 

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Tendo como eixo um debate entre jovens provenientes de diversas áreas de estudo, este DVD apresenta um verdadeiro caleidoscópio da juventude brasileira. Temas como: religião, política, violência, família, internet e outros são comentados a partir de diferentes pontos de vista, influenciados seja pelo lugar social d@s entrevistad@s, seja pelas convicções que cada protagonista construiu ao longo de sua vida.
Para facilitar o seu uso, o documentário está dividido em blocos temáticos, encerrados sempre com algumas perguntas como sugestão para o início de um bate papo.
Este DVD é um subsídio para a Campanha da Fraternidade de 2013: FRATERNIDADE E JUVENTUDE. Servirá igualmente como um instrumento de trabalho em preparação à Jornada Mundial da Juventude.

Saiba como adquirir, AQUI


Conheça o Mundo Jovem

O que é o Mundo Jovem?

O Mundo Jovem é um "jornal de ideias", publicação da PUCRS. O Mundo Jovem não é uma empresa, não tem fins lucrativos e não veicula publicidade. Veicula textos que servem como subsídio para debates e reflexões de grupos e também nas escolas, sobretudo nas disciplinas humanísticas (Ensino Religioso, História, Geografia, Psicopedagogia, Sociologia, Filosofia, Língua Portuguesa etc.), especialmente no Ensino Médio.

Que temas são tratados pelo jornal Mundo Jovem?

O jornal Mundo Jovem trata de temas voltados à vida do jovem e à Educação, sendo um subsídio para professores e alunos do ensino Fundamental e Médio. Trata temas como: Arte e Cultura, Ciências Naturais, Datas Comemorativas, Educação, Educação Ambiental, Ensino Religioso, Filosofia, Geografia, História, Juventudes, Língua e Literatura, Política e Cidadania, Psicopedagogia, Realidade Brasileira,  Saúde e Bem-Viver, Sexualidade e Sociologia.
 
 AQUI

Excelente entrevista com Chiesco -- Francisco Antônio Crisóstomo -, que é coordenador Nacional da Pastoral da Juventude.

Na 4a ampliada das CEBs - Comunidades Eclesiais de Base - realizada na cidade do Crato, no Ceará, preparando o 13o Intereclesial das CEBs, que vai acontecer em Juazeiro do Norte, Ceará, de 7 a 11 de janeiro de 2014, eu, frei Gilvander L. Moreira, entrevistei o Chiesco -- Francisco Antônio Crisóstomo -, que é coordenador Nacional da Pastoral da Juventude. Na Entrevista, Chiesco fala da Juventude, sobre CEBs, Igreja e etc. Eu gravei para socializar com você aqui no youtube. Obs.: Ampliada das CEBs refere-se à Coordenação Nacional das CEBs do Brasil. Belo Horizonte, MG, Brasil.

 


PJ E A CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2013 
Imagens da juventude que comunga de um mundo melhor e que sonha por uma nova sociedade possível para tantos/as jovens

agradecemos também aos painéis construídos por Rafael de Andrade, que expressam a realidade que devemos estar inseridos/as...

É por e com essa juventude que queremos seguir...Eis-me aqui, envia-me!!!