domingo, 23 de março de 2014

‘Cidade Cinza’ é documentário de Marcelo Mesquita e Guilherme Valiengo no Cine Vitória

‘Cidade Cinza’ é documentário de Marcelo Mesquita e Guilherme Valiengo que mostra a iniciativa da prefeitura de São Paulo de aplicar uma nova política de limpeza urbana. Com isso, muros da maior cidade brasileira são pintados de cinza para apagar intervenções artísticas. Artistas como Os 
 Gemeos, Nunca e Nina, que tiveram importantes obras destruídas pela iniciativa, se juntam para repintar um muro de 700 metros. No Cine Vitória (localizado na antiga 24h).









O filme no facebook
https://www.facebook.com/cidadecinzafilme

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Documentário Cidade Cinza joga novas cores na arte de rua de São Paulo

Roberto Sadovski
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Em minha cabeça, grafite era uma coisa; pichação, outra. Pouco antes do começo da sessão de Cidade Cinza, o diretor Marcelo Mesquita (que trabalhou ao lado de Guilherme Valiengo) me puxou de lado e explicou que, no fim, tudo é igual e tudo é válido. “Mas como a arte e a sujeira podem ser a mesma coisa?”, cocei a cabeça. “A discussão não é sobre o que é arte”, ele disse. “Mas sobre como a voz de quem não tem voz, mesmo necessária, é apagada.” Pouco menos de duas horas depois, com Cidade Cinza flutuando nas ideias, eu voltei a pensar nas palavras de Mesquita. E, ao sair do cinema, enxerguei os muros grafitados (pichados?) ao redor e pensei em vozes, em cores. E no cinza que os cobre.
Cidade Cinza é um trabalho de sete anos. O que começou como o registro do trabalho de artistas de rua como Nunca e Osgemeos, que viram seus grafites por muros, paredes e pontes de São Paulo ganhar o mundo como arte legítima, evoluiu para o universo paralelo em que a prefeitura da cidade se esforça para cobrir de cinza os muros “sujos”. Não só mostra uma cidade que perde sua cor, mas também ampliando o debate sobre a quem pertence o espaço público e até que ponto o poder vigente – independente de partidarismo, já que, a cada troca de administração, a “operação limpeza” se mantém firme – vai de encontro com a voz das ruas.
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Nunca e Osgemeos, protagonistas da arte de rua de São Paulo

O que fica claro com as palavras dos protagonistas de Cidade Cinza é que, acima de tudo, o grafite (pichação?) é a expressão de quem não encontra espaço “formal” para dizer o que pensa sobre a própria cidade na qual habita. Com habilidade, o filme estabelece uma cronologia dos artistas, mostrando de forma clara seu desenvolvimento e suas influências, o reconhecimento de institutos de arte fora do Brasil, até chegar à encruzilhada atual. Sua defesa apaixonada de seu trabalho é esperada, porém justa: existe estilo, existe evolução e, principalmente, existe uma visão muito clara do que a turma reunida no documentário quer mostrar. Mas a contrapartida é ainda mais sensacional: ao acompanhar os representantes do poder público que fiscalizam São Paulo em busca de grafites (pichações?) para cobrir de cinza, chegamos a um mundo bizarro em que o funcionário da prefeitura assume papel de censor, “crítico de arte” e até curador, determinando com o polegar para cima ou para baixo, arvorado em seu pequeno poder, quais obras “merecem” ser mantidas e quais, determinadas “feias e sujas”, são levadas ao caminho do esquecimento. Triste e impressionante.
O ponto central de Cidade Cinza é um mural de 700 metros quadrados, na alça de acesso da avenida 23 de maio, que foi apagado pela administração pública em 2008. Com a atenção da mídia e o protesto da elite cultural paulistana, o prefeito de então, Gilberto Kassab, admitiu o “equívoco” (“Um equívoco de 700 metros quadrados?”, pergunta a certa altura o artista Nunca), e um novo mural foi pintado em conjunto. A “reinauguração”, com direito a muita demagogia e palavras vazias por parte dos donos do poder, que praticamente ignoram as palavras dos artistas ao posar para as câmeras da imprensa, é um dos momentos brilhantes captados pelas lentes de Cidade Cinza.
Afinal, é grafite ou pichação? Afinal, é sujeira ou arte? Afinal São Paulo é uma cidade que não compreende artistas desse porte ou é uma cidade cuja vocação é para a frieza do concreto?  Não há respostas. Mas Cidade Cinza consegue levantar a discussão. Particularmente, de cinza basta a chuva.
Ampliar



O documentário "Cidade Cinza", de Marcelo Mesquita e Guilherme Valiengo, acompanha a trajetória de grafiteiros brasileiros como OsGemeos, Nina e Nunca, que tiveram diversas obras pintadas de cinza pela prefeitura. O filme, que entra em cartaz nos cinemas graças a uma campanha de crowdfunding, tem música inédita do rapper Criolo na trilha-sonora.

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OUTRA
 Alcançamos 100mil visualizações do #CurtaMetragemCriolo em 48 horas e só temos a agradecer. Obrigado, família! 




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ESPECIAL - 50 ANOS DO GOLPE, A LUTA CONTINUA!!

Clique e leia abaixo o especial produzido pelo portal EBC

50 anos do golpe

 

 


 Exposição no Rio relembra os Anos de Chumbo

A mostra estimula o público a revisitar os acontecimentos da época por meio de instalações interativas e cênicas no Armazém 6 do Cais do Porto.

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TV Brasil estreia duas séries inéditas sobre os 50 anos do golpe militar no país

Gerência de Comunicação Social - EBC20.03.2014 - 15h47 | Atualizado em 21.03.2014 - 11h02
 
Há 50 anos, entre o dia 31 de março e 1º de abril de 1964, deflagrou-se o golpe militar para destituir o presidente João Goulart do poder. Censura, cerceamento à liberdade de expressão e perseguições políticas fizeram parte da história recente do país. Para lembrar este período, a TV Brasil montou uma programação especial com filmes, documentários, programas de entrevistas, jornalísticos e documentários. No dia 24 de março, próxima segunda-feira, a TV Brasil exibe duas séries inéditas, produzidas especialmente para a emissora: Resistir É Preciso e Advogados contra Ditadura.
"As duas séries que lançamos são importantes porque dão luz sobre fatos de nossa história recente: o papel fundamental da imprensa alternativa, que atuava na clandestinidade por questões de segurança, que atuou dentro e fora do Brasil revelando as mazelas que aconteciam durante o Regime Militar, caso de Resistir é Preciso; e a atuação heróica dos advogados que defendiam e representavam os presos políticos atrás das grades e nos porões do regime, muitas vezes sem cobrar por seu trabalho, apenas pela ação da defesa do direito, da legalidade e da solidariedade humana, caso de Advogados contra a Ditadura. São séries que contribuirão para a reflexão da sociedade sobre este período para que não ocorra mais.", comenta Rogério Brandão, Diretor de Produção da TV Brasil.
Resistir É Preciso
A série Resistir É Preciso possui dez episódios com 26 minutos de duração (de segunda a sexta, às 19h30) e resgata a trajetória da imprensa brasileira que resistiu e combateu ao golpe militar. Traz depoimentos e material historiográfico de jornalistas que atuaram em três frentes de combate: a imprensa alternativa, a clandestina e a que atuava no exílio. A série, narrada e apresentada pelo ator Othon Bastos, recupera a história de jornais alternativos, como o PifPaf, o Pasquim, Bondinho, Opinião e outros mais, permitindo conhecer as dificuldades de produção, as perseguições e manobras para mantê-los em circulação.
“Resistir É Preciso é uma série pioneira. Mostra, de forma leve, a trajetória de veículos clandestinos, feitos com mimeógrafos, distribuídos pelo correio ou por meio de panfletagens. Contamos também como foi a atuação dos veículos feitos no exterior por exilados políticos. Pela primeira vez, a televisão brasileira vai contar a trajetória da imprensa brasileira que, com a explícita intenção de resistir e combater o golpe de 1964, nasceu, cresceu e se expandiu no exílio, na clandestinidade e nas bancas de jornais, quando foi possível publicá-la”, explica o jornalista Ricardo Carvalho, que também é autor, roteirista e diretor da série Resistir É Preciso.
Para relembrar e construir essas histórias, Resistir É Preciso conta com depoimentos de jornalistas como Audálio Dantas, Juca Kfouri, Laerte, Raimundo Pereira, Paulo Moreira Leite, Bernardo Kucinsky, José Hamilton Ribeiro, entre tantos outros. No primeiro episódio, no dia 24 de março (segunda-feira, às 19h30), Resistir É Preciso faz uma viagem no tempo e recua a 1867, ano em que foi publicada a que é considerada uma das primeiras charges políticas da nossa história, desenhada por Ângelo Agostini. Vale lembrar que, nos dez episódios, são citadas aproximadamente 100 publicações, com mais de 50 entrevistas.
Advogados Contra Ditadura
A série Os Advogados Contra a Ditadura também estreia na próxima segunda-feira, dia 24 de março. É composta por cinco episódios, cada um com 52 minutos. Entra na grade da TV Brasil de segunda a sexta, às 23h30, e faz um apanhado do papel estratégico da Justiça Militar durante o regime e presta uma homenagem aos advogados que estiveram na defesa de presos políticos.
Os Advogados Contra a Ditadura se tornou uma série graças ao olhar precioso de um dos maiores documentaristas brasileiros, Silvio Tendler, conhecido como o “cineasta dos vencidos” ou “o cineasta dos sonhos interrompidos” por abordar em seus filmes personalidades como Jango, JK, Carlos Marighella, entre outros. Silvio Tendler já produziu cerca de 40 filmes e agora vai contar, na TV Brasil, memórias de homens e mulheres fundamentais na luta contra as atrocidades cometidas pelo Estado: os advogados que atuaram na defesa de presos políticos.
A ideia da série, realizada em parceria com o Projeto Marcas da Memória, da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, surgiu do livro Advogados e a Ditadura de 1964 – A defesa dos perseguidos políticos no Brasil, organizado pelos professores Fernando Sá, Oswaldo Munteal e Paulo Emílio Martins. Foi lançado em 2010 pela editora PUC-Rio e tomado como inspiração para a série que teve direção de Silvio Tendler.
“É um lado da ditadura não abordado no cinema. A série pretende levar a uma profunda reflexão sobre a época em questão, a partir do universo jurídico e do papel estratégico da Justiça Militar. Também será uma justa homenagem aos advogados que, pela justiça e liberdade, se posicionaram corajosamente na linha de frente da defesa de presos políticos e se dedicaram a construir uma nova sociedade.”, explica Silvio Tendler.
O primeiro episódio de Advogados Contra Ditadura, na segunda, dia 24 de março às 23h30, narra os primeiros dias do golpe civil-militar e como eles foram vivenciados pelos advogados que viriam a atuar na defesa dos presos políticos: conflito da Cinelândia, a resistência armada que não houve, a prisão dos advogados de esquerda, a resistência dos estudantes, o primeiro estádio usado como prisão da América Latins, entre outros assuntos com depoimentos de Técio Lins e Silva, Modesto da Silveira, Eny Moreira, Sepúlveda Pertence, Ivan Proença e Cecília Coimbra.
Militares pela Democracia
A TV Brasil também vai exibir, de forma inédita, a segunda série sobre o tema criada especialmente por Silvio Tendler. Militares pela Democracia entra no ar no dia 31 de março e fala sobre os homens do exército, da Marinha e da Aeronáutica que sofreram por reagir ao golpe dentro dos quartéis. "Sempre penso em como enfrentar injustiças e a censura, seja ela qual for. Foi assim que surgiu a ideia de realizar a série sobre os advogados, mas fiquei instigado em fazer seu irmão gêmeo, para mostrar também como nem todos os militares perseguiram, torturaram e foram algozes nessa história. Alguns se viram expulsos das Forças Armadas, cassados, tiveram suas vidas sacrificadas por conta da ditadura", conclui o cineasta.
Nos dois trabalhos, compostos por cinco episódios cada um, Tendler mescla fatos documentais e ficcionais sobre o período da ditadura militar, tendo como narrativa a participação de advogados militantes e dos militares que lutaram pela democracia, mas tiveram suas trajetórias desconsideradas pelas novas gerações. Em Militares da Democracia, retoma-se o percurso de vários grupos de militares que muito antes do golpe de 1964 já vinham se organizando por novos direitos, melhores condições de trabalho, e na defesa de uma sociedade melhor. E como, a partir de 1964, esses distintos grupos passaram a ser tratados, sofrendo represálias, como a perda do direito de usar a farda, de seus direitos trabalhistas, assim como foram impedidos de exercer suas atividades profissionais.
TV Brasil - saiba como sintonizar
Resistir É Preciso – estreia no dia 24 de março, às 19h30 (de segunda a sexta, com dez episódios)
Advogados Contra Ditadura – estreia no dia 24 de março, às 23h30 (de segunda a sexta, com cinco episódios)
Militares pela Democracia – estreia no dia 31 de março, às 23h30 (de segunda a sexta, com cinco episódios)
  • Direitos autorais: Creative Commons - CC BY 3.0

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Opositor do regime, Suplicy cresceu em família que apoiou golpe de 1964

AQUI 

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O capítulo "Os aviões ficaram no chão," da biografia "Marighella", está à disposição, gratuitamente, na internet. Cortesia da Companhia das Letras. O capítulo conta as horas incandescentes do Golpe de 1964. Faço o download: http://bit.ly/1jilxMw

sexta-feira, 21 de março de 2014

CIA financiou Igreja em marchas pró-golpe militar, diz Frei Betto

Postado por Simone de Moraes 12:15:00 21/03/2014


Crédito : Reprodução

Por Guilherme Balza - Frei Betto é sempre lembrado quando o assunto é a controversa relação entre a ditadura e a Igreja Católica, que passava por profundas transformações enquanto o país esteve sob o jugo das Forças Militares. Em entrevista ao UOL, o dominicano descreve os conflitos no interior da igreja durante a ditadura e explica como se operou a mudança de lado da CNBB, que inicialmente celebrou o golpe com agradecimentos a Nossa Senhora Aparecida, mas depois se constituiu como força de resistência ao regime. O religioso revela ainda que a CIA (agência de inteligência dos Estados Unidos) financiou as Marchas da Família com Deus pela Liberdade, manifestações populares que antecederam o golpe militar.

UOL - O que o senhor estava fazendo em 31 de março de 1964?
Frei Betto -
 Na verdade o golpe foi no dia 1º. Essa história de 31 é invenção dos milicos porque tinham vergonha do 1º de abril. O golpe foi oficialmente no dia 1º de abril, quando Jango sai do Brasil e se refugia no Uruguai. Eu estava participando do Congresso Latino-americano de Estudantes em Belém, no Pará.
UOL - Como o senhor recebeu a notícia?
Frei Betto -
 A notícia veio de maneira difusa, confusa, de que havia movimento de tropas, que o Jango tinha passado por Brasília, depois ido a Porto Alegre e de lá saído ao Uruguai, porque estava deposto. O Congresso foi desfeito porque ali participavam estudantes de quase todos os países da América Latina, muitos deles acostumados a golpes militares. Eles sentiram que a coisa ia endurecer. Estava hospedado na casa do arcebispo de Belém dom Alberto Gaudêncio Ramos porque eu era dirigente da  Juventude Estudantil Católica (JEC) e da Ação Católica também. Fui pra casa de um militante da JEC chamado Lauro Cordeiro. E ali fiquei, de ouvido colado no rádio, tentando entender o que estava acontecendo, e fomos tomando consciência, a partir do dia 2 ou 3 [de abril], de que realmente havia um golpe militar, que começava uma repressão. Nós esperávamos uma reação das forças esquerda, do PCB (Partido Comunista Brasileiro), da Ação Popular, das Ligas Camponesas, reação que nunca veio. Praticamente os militares assaltaram o poder sem precisar dar nenhum tiro.
UOL - Essa reação não ocorreu por quê?
Frei Betto - 
Não ocorreu porque era um blefe. Realmente a esquerda não estava suficientemente organizada. Primeiro, não acreditava que houvesse um golpe, porque havia um mito de que o Jango detinha pleno controle das Forças Armadas. E que os generais que eram ministros dele jamais haveriam de traí-lo. O esquema militar do Jango era um mito que se alimentava. Em segundo, porque a esquerda era muito proselitista, mas não fazia um trabalho de organização popular. Não havia um trabalho de base como houve depois da ditadura. Era uma esquerda muito mais discursiva, ideológica, mas que não tinha uma capacidade de mobilização popular como se imaginava que tinha ou se esperava que tivesse para reagir ao golpe.
UOL - Naquele momento o que lhe passava pela cabeça?
Frei Betto - 
Meu pai já tinha vivido sob uma ditadura, de [Getúlio] Vargas, já tinha sido preso, nos anos 30, teve que deixar o Rio de Janeiro, onde exercia a advocacia, e voltar a Minas porque forças de Vargas cercearam qualquer possibilidade dele de arrumar emprego. Ele me descrevia a ditadura como uma coisa cruel, assassina, com censura, sem nenhuma liberdade de expressão. Comecei a esperar que a mesma coisa viesse a acontecer. E fui atingido na pele só no dia 6 de junho de 1964, quando eu voltei ao Rio de Janeiro, onde morava, e ali eu fui preso com a direção da JEC, da JUC (Juventude Universitária Católica) e da Ação Católica, pelo serviço secreto da Marinha na madrugada de 5 para 6 de julho.
UOL - Nessa primeira prisão, onde o senhor ficou?
Frei Betto - 
Primeiro eu fui levado até o comando da Marinha, na praça Mauá (centro do Rio), onde nós fomos torturados, interrogados e transferidos para Ilha das Cobras (RJ), no quartel de fuzileiros navais. Ficamos uma semana presos e depois fomos levados de volta ao apartamento em que morávamos por conta da CNBB, mas especificamente por conta de d. Helder Câmara, que era o assistente da Ação Católica, e ficamos em prisão domiciliar mais uma semana. Depois fomos liberados sem que houvesse processo formal.
UOL - Nesse período chegou a haver tortura?
Frei Betto - 
Houve tortura. Quando fomos levados para o comando naval, houve tortura. Não nos moldes de 1969, quando fui preso de novo, mas houve tortura, com sopapos, soco na cara, empurrão.. Não houve pau-de-arara, choque elétrico, essas coisas.
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UOL - O senhor poderia descrever qual era o clima político do país naquele momento?
Frei Betto - 
Era um clima de absoluta perplexidade. Em meados de abril de 1964, numa reunião no Rio da qual participei como membro da direção nacional da Ação Católica, houve uma furiosa discussão entre bispos conservadores e progressistas, tendo ganhado o setor conservador. E a CNBB oficialmente apoiou o golpe por ter livrado o Brasil da ameaça comunista. O caldo de cultura do golpe já havia sido preparado pela CIA no Brasil através do padre Patrick Peyton, que era o pároco de Hollywood e veio ao Brasil. Hoje já se sabe com documentos que ele era pago pela CIA para fazer as Marchas da Família com Deus pela Liberdade. Ele promovia grandes mobilizações nesse sentido. Portanto, quando veio o golpe, a igreja agradece a Nossa Senhora Aparecida ter livrado o Brasil da ameaça comunista. Ao mesmo tempo havia aquela ideia de que a ditadura não duraria muito tempo porque [depois do golpe] não houve propriamente uma manifestação popular de apoio explícito. Então se pensava que os militares não teriam respaldo da opinião pública. Nos enganamos. A ditadura não só foi se aprimorando na sua crueldade, no seu desrespeito aos direitos humanos, principalmente a partir de 68 com o AI-5, como também ela durou 21 anos, o que na época ninguém esperava que acontecesse.
Se pensava que os militares não teriam respaldo da opinião pública. Nos enganamos. A ditadura não só foi se aprimorando na sua crueldade, no seu desrespeito aos direitos humanos, principalmente a partir de 68 com o AI-5, como também durou 21 anos, o que na época ninguém esperava que acontecesse.
UOL - Pelo o que o senhor diz, a igreja estava dividida naquele momento. Ou os setores que eram contrários ao golpe ainda eram minoritários?
Frei Betto - Eles eram minoritários. Os bispos tinham uma formação tradicional. Os primeiros bispos progressistas estavam praticamente aparecendo no cenário brasileiro, como o d. Helder [Câmara], o d. Waldyr Calheiros, que era bispo de Volta Redonda (RJ), o d. José Vicente Távora, de Aracaju. Mas eram poucos. O d. Carlos Carmelo Mota, de São Paulo (presidente da CNBB à época), era um moderado, mais para progressista. Era muito amigo do Juscelino [Kubistchek]. Mas o d. [Alfredo] Scherer, que era arcebispo de Porto Alegre, o d. Jaime Câmara, que era arcebispo do Rio, eles eram muito conservadores e tinham muita força. Havia também dois militantes de extrema direita no episcopado, que eram o d. Geraldo Proença Sigaud, de Diamantina (MG), e d. [Antônio de] Castro Mayer, de Campos do Goytacazes (RJ), que eram patronos da TFP (Tradição Família e Propriedade). Esses eram dois militantes ferozes do fundamentalismo conservador na igreja. E tiveram muita atividade, muito empenho, nessa aprovação do golpe por parte da CNBB.
UOL - Como o Vaticano e o papa Paulo 6º se posicionavam?
Frei Betto - 
O papa não se posicionou no início. Mais tarde, o Vaticano veio a censurar a ditadura. Porque com o tempo a repressão se estendeu também à igreja e daí criou-se não só uma divisão na igreja, mas a própria CNBB foi se afastando da ditadura. A partir dos anos 70 a CNBB foi praticamente a grande voz de defesa das vítimas da ditadura. Tanto que o mais importante documento sobre os mais de 20 anos de ditadura foi produzido pelo d. Paulo Evaristo Arns, que é o livro "Brasil Nunca Mais", que ele fez também com o reverendo Jaime Wright. A igreja e a própria CNBB se tornaram, a partir do AI-5, uma voz contra a ditadura. A igreja mudou de posição à medida que padres, bispos e religiosos eram também perseguidos e vitimizados pela ditadura. O d. Adriano Hipólito, por exemplo, bispo de Nova Iguaçu (RJ), foi apreendido e torturado. O d. Marcelo Carvalheira, que era assessor de d. Helder, foi preso comigo no Rio Grande do Sul. Toda essa repressão que atingiu os bispos fez com que a igreja assumisse cada vez mais uma posição crítica à ditadura.
Na medida em que os bispos foram se posicionando, Paulo 6º veio em apoio, tanto que na prisão dos dominicanos se manifestou explicitamente a nosso favor. Enviou-nos de presente um rosário feito de contas de oliveiras de Jerusalém e um cartão manuscrito "como um testemunho de afeição, Paulo 6º". Tivemos um apoio explícito nos quatro anos em que estivemos presos.
UOL - E os bispos conservadores, como ficaram após essa virada na CNBB?
Frei Betto - 
Eles ficaram em minoria. Alguns foram morrendo, outros foram aposentados por razão de idade ou de doença, mas eles foram perdendo a hegemonia da CNBB, que passou para as mãos dos progressistas, que eram críticos contundentes da ditadura e, portanto, defensores dos direitos humanos. Você vê surgir uma igreja progressista, das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), das pastorais populares, assumindo uma posição bastante consequente, contundente, contra a ditadura militar.
UOL - Mas também houve repressão contra as CEBs.
Frei Betto -
 Sempre houve. Quanto mais a igreja se posicionava, mais havia repressão. Houve repressão sobre todos aqueles que se opunham à ditadura.
UOL - Antes dessa virada, havia trânsito entre os militares e lideranças da igreja?
Frei Betto - 
Havia. Como o caso do d. Eugênio Sales, no Rio, cuja postura até hoje, no meu ponto de vista, não está devidamente esclarecida. Ele alega que ajudou perseguidos, mas eram perseguidos do Uruguai, da Argentina e mesmo assim eu pessoalmente não conheci nenhum dos perseguidos do Cone Sul que tenham sido ajudados por ele. Sei que no caso dos perseguidos brasileiros, com exceção de algumas pessoas notórias, como intelectuais e jornalistas, ele se omitiu inteiramente. Pelo menos foi assim nos casos dos dominicanos.
UOL - Havia delatores dentro da igreja?
Frei Betto - 
Isso sempre aconteceu. Não foi uma coisa maciça, mas aconteceu. Eu mesmo fui interrogado no Dops (Departamento de Ordem Política e Social) de São Paulo pelo delegado Alcides Cintra Bueno, que era conhecido como delegado oculto. Ele tinha delatores dentro da igreja. Tinha padres, freiras, frades, pessoas que achavam, sei lá, em sã consciência que estavam ajudando a livrar o Brasil do comunismo, a purificar a igreja. Havia sim delatores dentro da igreja, como há em qualquer instituição, dentro do jornalismo, no teatro, em sindicatos. Isso sempre houve.
UOL - Como avalia o impacto do golpe na igreja?
Frei Betto - 
Eu acho que o impacto foi muito positivo. Porque levou a igreja a se conscientizar do que é uma ditadura e do papel dela em defesa das vítimas, dos direitos humanos, dos mais pobres. São males que vem para o bem. Ou seja, a ditadura acabou produzindo uma grande renovação da igreja no Brasil, renovação que depois se perde bastante com o pontificado do João Paulo 2º.
São males que vem para o bem. A ditadura acabou produzindo uma grande renovação da Igreja no Brasil, renovação que depois se perde bastante com o pontificado do João Paulo 2º.
UOL - Esta renovação interrompida se recupera hoje?
Frei Betto - 
Agora com o papa Francisco (risos) nós estamos virando a página. Ainda a maioria dos bispos e padres que temos é resultado dos pontificados de João Paulo 2º e Bento 16. Então não dá para ser otimista imediatamente, mas, a médio prazo, sim. Tenho impressão que a Igreja Católica vai passar por uma grande mudança, com a volta das CEBs e daquela igreja progressista, que, diga-se de passagem, enchia os templos da Igreja Católica, não havia essa evasão que há hoje. A evasão coincide com a repressão às CEBs, às pastorais populares. Tenho a impressão que vamos voltar a um novo alento aí na Igreja Católica com o papa Francisco.
UOL - Como a igreja vem se comportando nesse processo de rediscussão da ditadura, com as Comissões da Verdade?
Frei Betto - 
Vem se comportando muito bem, inclusive dando todo apoio, assessoria, documentação. Aliás, toda a documentação mais importante que existe sobre a ditadura foi feita pelo trabalho da igreja, do d. Paulo Evaristo Arns e do reverendo Wright. Eles que fizeram essa documentação, que foi microfilmada, levada para Suíça, recentemente retornou e hoje está à disposição dos pesquisadores em São Paulo.

Outro lado

Procurada pela reportagem do UOL, a Embaixada dos EUA no Brasil informou não ter "como fornecer nenhuma análise histórica desse período". 
A reportagem do UOL entrou em contato por telefone com a assessoria de imprensa da CNBB na última terça-feira (18) para que comentasse as afirmações feitas por Frei Betto. Até o fechamento do texto, às 20h desta quarta-feira (19), a entidade não havia respondido as perguntas enviadas por email.
* Produção: Noelle Marques

QUEM É FREI BETTO Frade dominicano e escritor, Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, 69, mineiro de Belo Horizonte, era um jovem estudante adepto da Teologia da Libertação quando as tropas derrubaram o presidente João Goulart, em 1964. Foi preso pela primeira vez dois meses após o golpe, permanecendo 15 dias detido. O segundo cárcere foi mais longo, entre 1969 e 73, e mais cruel: o frade foi submetido a sessões torturas nos porões do DOI-Codi, em São Paulo, comandado pelo Coronel Brilhante Ustra.
Nos dias posteriores ao golpe, o militante religioso foi testemunha da derrota dos progressistas no embate com conservadores dentro da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), fato que resultou no apoio da Igreja Católica aos militares ao menos até 1968, quando o regime aprofundou a repressão e a violação de direitos humanos.
Autor de três livros sobre os anos de chumbo ("Cartas da Prisão", "Diário de Fernando" e "Batismo de Sangue"), Frei Betto relata que o Ato Institucional nº. 5 (AI-5) e o aumento da perseguição a religiosos, assim como a ascensão de bispos progressistas, provocaram uma virada na igreja, que passou a se opor aos militares até o final do regime, com a chancela do Vaticano.


Fonte: UOL
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 50 Anos do Golpe








quinta-feira, 20 de março de 2014

Sergipe: Entre o mar e o sertão

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Texto Deborah Rocha Moraes
Fotografias Chema Llanos

Fonte:  http://www.azulmagazine.com.br/v1/?p=4848

Ricas tradições culturais e tranquilidade traduzem o espírito da sergipana Aracaju. Além da capital, o menor estado brasileiro guarda cenários incríveis no interior, onde o Rio São Francisco dá forma ao Cânion do Xingó
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Encolhida no menor estado brasileiro, à beira-mar e às margens do Rio Sergipe, Aracaju é uma das boas – e mais inesperadas – surpresas do Nordeste. Tem ares de vila interiorana e guarda belezas que crescem diante dos olhos de quem a visita. Ao mesmo tempo que exibe praças e ruas bem arborizadas e cheias de história, é dona de uma orla tranquila, composta de faixas de areia pontuadas por coqueiros. Capital com um dos melhores índices de desenvolvimento da região, tem crescido de maneira considerável, porém ordenada. Ela se mantém fiel ao caráter primário de cidade litorânea, onde o sol, as praias, os manguezais e as dunas formam um belo mosaico plural em meio à urbanização.
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Muitos de seus segredos e referências culturais estão na área central, onde a cidade começou a tomar forma, em 1855. Construções como a Catedral Imaculada Conceição, erguida bem no meio da capital em 1862, exibem ao visitante um lampejo da sabedoria dos aracajuanos. Em seu entorno, bordadeiras seguem com seus pontos e cruzes e oferecem as peças nas barracas ou na Rua do Turista. Perto dali, onde antes ficava o porto, uma festa tramada desde cedo se desenrola até o cair da tarde nos três mercados públicos. É o vai-e-vem dos comerciantes que abastecem suas vendas com frutas, peixes, artesanatos e flores. Saborear o gosto da mangaba, observar o cafuzo escolhendo um chapéu ou se aventurar num inusitado café da manhã regado a carne-de-sol, cuscuz e macaxeira são algumas das experiências que fazem do espaço um império dos sentidos.
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Mais da história local está exposto no Museu da Gente Sergipana, que, desde sua inauguração, em 2011, funciona como um guardião das raízes populares do estado. Visitar o casarão de 1926 é garantia de encontro com as tradicionais festas juninas. Em Aracaju, as celebrações deste ano vão de 12 de junho a 13 de julho, junto com a Copa do Mundo – a cidade será centro de treinamento da seleção da Grécia. É quando a Orla de Atalaia, seu principal cartão-postal, ganha mais um atrativo: o Arraiá do Povo, uma cidade cenográfica que reproduz um vilarejo interiorano e é palco de quadrilhas, trios de forró e grupos folclóricos.
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Na hora de provar o mar do destino, as opções se multiplicam para além dos limites do município. O aracajuano se orgulha de ter belas praias, manguezais e dunas a pouca distância do centro, como uma extensão da Orla de Atalaia. Na Praia do Mosqueiro, 22 quilômetros ao sul, a diversão é seguir de barco pelo Rio Vaza-Barris até a Ilha dos Namorados e a Croa do Goré, um banco de areiahabitado por mini caranguejos (os gorés) que se enfiam debaixo do mangue ao sentir os passos dos visitantes. Há ali um bar flutuante que se adapta ao movimento das marés e é perfeito para se martelar caranguejo e bebericar uma cachaça com caju no sal, bem ao estilo local.
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Mais ao sul do Estado, já na divisa com a Bahia, a natureza é ainda mais generosa. A bordo de um saveiro que zarpa de Estância, a 68 quilômetros da capital, a tripulação singra as águas dos rios Piauí e Real com destino à mais bela faixa de areia sergipana. A Praia do Saco (ou da Boa Viagem) logo surge na linha do horizonte, como uma pequena enseada dotada de ingredientes para um perfeito cenário de filme: areia branca e fofa, mar calmo e cristalino, coqueiros e formações rochosas. Outra parada possível é na Ilha da Sogra, visível apenas na maré baixa. O mergulho revigorante no mar de águas mornas é o gesto mais intuitivo. Dali, pode-se admirar a Praia de Mangue Seco, na vizinha Bahia, ou até acompanhar a saga de um filhote de tartaruga buscando o caminho para o oceano. Em terra firme, a melhor pedida para terminar o dia é um divertido passeio de bugue pelas dunas da região, lá por onde os cajus pendem dos galhos como brincos de ouro.
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Passada a curtição na costa, é hora de se preparar para outra experiência memorável, agora a 220 quilômetros da capital. É lá no sertão da caatinga sergipana que o Rio São Francisco dá seu último grande salto antes de correr manso e profundo em direção ao mar. Desde 1995, porém, este salto dá lugar à Usina Hidrelétrica de Xingó que, por sua vez, acabou por criar o Cânion do Xingó. O composto de rochas de arenito avermelhado circundadas por um lago que chega a ter 190 metros de profundidade é hoje a atração mais cobiçada por quem visita o Sergipe. A formação fica em Canindé de São Francisco e seu acesso é feito a partir de catamarãs. O visual do trajeto inclui esculturas esculpidas pelo vento e cactos variados, como o mandacaru, o facheiro, a coroa-de-frade e o xique-xique. Depois de 40 minutos, o barco chega a um local onde é possível finalmente se banhar nas águas do Velho Chico. Mas engana-se quem pensa em sair nadando rio afora. O mergulho no paraíso se dá numa espécie de cercadinho. Decepção para uns, alívio para outros. Dentro da água densa e verde a imaginação é livre, capaz de dar sabores variados ao passeio.
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A região, conhecida como Baixo São Francisco, guarda ainda preciosidades como a cidade de Piranhas, na margem alagoana do rio. Apesar de antiga e pobre, suas casas têm paredes coloridas e enormes telhados coloniais. As ruas e calçadas de pedras irregulares mantêm a memória de muitas lutas e confrontos entre coronéis e jagunços. É dali que parte mais um tour de barco, conduzido a favor da correnteza e com hidromassagem natural: uma rede aberta na parte central do casco permite um contato estimulante com as águas do rio. Nesse trecho, elas são ainda mais traiçoeiras do que na parte represada. Obstáculos enfrentados somente por quem foi criado ali, como os pescadores que circulam em suas canoas.
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Na paisagem, mandacarus acabam de florar as margens e o riacho seco que leva até a Grota do Angico nitidamente espera por um sinal de chuva. O refúgio escarpado foi o local onde o lendário cangaceiro Lampião foi morto pelos soldados da volante em 1938. A caminhada até as sepulturas dele, de Maria Bonita e de outros nove homens de seu bando leva cerca de uma hora sob o calor da caatinga. A vegetação seca e espinhenta, de árvores mirradas com troncos retorcidos, dá o tom da história contada em detalhes pelo guia. Uma saga que começou no início do século passado, marcada por violência e romantismo, e terminou bem ali, na boca do sertão do São Francisco.
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Onde ficar
Hotel Aruanã
No pé da Praia de Aruanda, a 5km da Orla de Atalaia, possui 54 quartos com décor da terra. O restaurante Sollo é um dos melhores da cidade.
Rod. Inácio Barbosa, 1000, Aruanda, Aracaju. T 79 2105 5200 / aruanahotel.com.br
Xingó Parque Hotel
À beira do Rio São Francisco, tem 60 quartos e espaçosa área de lazer, com piscina e jardins bem cuidados.
Rod. SE 206, Serra do Chapéu de Couro, s/nº, Canindé de São Francisco. T. 79 3217 4306 / xingoparquehotel.com.br
Onde comer
Parati
Local onde os aracajuanos praticam o ócio criativo à beira-mar. Serve deliciosos caldinhos, como o de sururu.
Rod. Pres. José Sarney, 47, Praia do Refúgio, Aracaju. T 79 3227 2100
Sabor do Sertão
Local de comida sertaneja: guisado de carneiro, galinha de capoeira, feijão-de-corda, pirão de macaxeira e quiabada.
Rod. SE 230, km 144, Canindé de São Francisco T 79 9963 5811
Azul Viagens
O pacote de três noites no Hotel Aruanã, em Aracaju, e duas noites no Xingó Parque Hotel, em Canindé, com aéreo, café da manhã, traslados e passeios custa R$1.800. 4003 1181
Toptur
Receptivo instalado em Aracaju e especializado em passeios pelo Estado.
T 79 3179 5050 / toptur.com
Voos Azul
HÁ VOOS DIRETOS PARA ARACAJU DESDE BRASÍLIA, BELO HORIZONTE, MACEIÓ E RECIFE. PARA CHEGAR AO CÂNION DO XINGÓ, É POSSÍVEL VOAR ATÉ PAULO AFONSO, NA BAHIA, QUE FICA A 80KM DE CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO

quarta-feira, 19 de março de 2014

Vigilia cidadã em favor do Marco Civil da Internet. Participe!



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Por uma internet livre e democrática!

Aos deputados e senadores:

Exigimos que o Marco Civil da Internet no Brasil seja votado de forma integral, preservando os conceitos de neutralidade da rede, liberdade de expressão e a privacidade do usuário de internet brasileiro. Nós exigimos que V. Exas se mantenham firme contra o lobby das empresas de telecomunicações e garantam que nenhum usuário perca seus direitos por causa do lucro de empresas privadas. A internet é livre e precisa continuar dessa forma.
400.000

341.421
341.421 assinaram (100 mil em menos de seis horas!). Vamos chegar a 400.000
Clique AQUI


Atualização: 13 março 2014
Ontem, nossa enorme petição com 300 mil assinaturas foi ouvida nos corredores do poder em Brasília – até o relator da proposta mencionou nossa petição durante o debate no plenário da Câmara. No entanto, uma ofensiva desesperada para acabar com o Marco Civil forçou o adiamento da votação. Os próximos dias são decisivos para convencer os parlamentares indecisos de que precisamos ganhar - assine e compartilhe com todos para aumentar a pressão! Veja mais fotos aqui.
Há muitos anos eu me encanto com o poder da internet e a criatividade que nela circula, mas agora estou muito preocupado que isso possa acabar. A Câmara dos Deputados vai votar um novo projeto de lei que poderá fortalecer o nosso acesso a uma internet livre ou então decretar o fim da neutralidade na rede e diminuir nosso poder de escolha.

Já nos anos em que fui Ministro da Cultura discutíamos formas de garantir o caráter democrático e aberto da internet – dessa construção coletiva, nasceu o Marco Civil. Mas, agora, o poderoso lobby das empresas de telecomunicações está influenciando nossos políticos para que transformem a internet em uma espécie de TV a cabo, em que se poderia cobrar a mais para podermos assistir a vídeos, ouvir música ou acessar informações. A votação será apertada, mas uma grande mobilização pública pode convencer os deputados de que suas reeleições dependem desse voto!

Junte-se a mim nesta campanha da Avaaz para criar a maior mobilização já vista por uma internet livre no Brasil. Assine agora e conte para todos. Nós levaremos a voz de todos que assinarem a petição diretamente aos parlamentares. Vamos vencer essa batalha e salvar a internet.

Gilberto Gil e a equipe da Avaaz

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Sem acordo sobre neutralidade, Marco Civil fica para próxima semana na Câmara

Após mais uma reunião entre governo e líderes da Câmara, propostas de mudanças seguem ameaçando questões centrais do projeto. Edição de decreto sobre exceções à neutralidade é um dos problemas
por Redação RBA publicado 19/03/2014 16:24, última modificação 19/03/2014 16:27
Renato Costa/Frame/Folhapress
marcocivil_Renato-Costa_Fra.jpg
Cunha (e) e Cardozo (d): dificuldade para chegar a acordo sobre conceito central do projeto
São Paulo – A votação do Projeto de Lei 2.126, de 2011, que cria o Marco Civil da Internet, ficou mesmo para a próxima terça-feira (25). Adiada mais uma vez, a data da votação foi decidida após reunião, realizada hoje (19), entre ministros e líderes partidários da Câmara dos Deputados. Como tramita em regime de urgência constitucional, cujo prazo de votação se esgotou, enquanto o trâmite da matéria não for concluído, nenhum outro projeto avança na Casa, o que ocorre desde outubro do ano passado.  

Durante o encontro desta quarta-feira – que ocorreu na sala da presidência da Câmara por mais de duas horas – os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvati, representaram o governo federal, como têm feito durante todos os dias desta semana. Segundo Cardozo, os líderes partidários concordam com o princípio da neutralidade de rede previsto no projeto, ponto que proíbe a venda de pacotes diferenciados de acesso e bloqueio de alguns sites ou aplicativos pelas empresas que gerenciam conteúdo (provedores de aplicação). A divergência está em como essa neutralidade será regulamentada, se por lei ou por decreto presidencial.

O ministro garante que o governo vai manter a proposta de regulamentação por decreto, mas, antes de editá-lo, a presidenta Dilma Rousseff terá de ouvir a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Comitê Gestor da Internet. “Para ouvir tanto a sociedade quanto um órgão técnico”, esclarece. A necessidade de ouvir esses setores deverá constar no projeto. A oposição, no entanto, insiste que a regulamentação da neutralidade seja feita por meio de lei.

A neutralidade de rede é o aspecto mais polêmico do Marco Civil. As empresas de telecomunicações querem uma mudança neste princípio para poder impor pacotes com direitos diferenciados de acesso de acordo com o valor pago pelo cliente, posição que é defendida também pelo líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), principal opositor ao texto defendido pelo Planalto.
Baseado na controvérsia em torno da questão, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) defendia, desde ontem (18), a votação da proposta na próxima semana. Hoje, os parlamentares vão apenas começar a discutir o parecer do relator do projeto,  deputado Alessandro Molon (PT-RJ), que foi lido no plenário no dia 12 de fevereiro. Tanto o DEM como o PMDB apresentaram emendas com textos alternativos ao parecer, contendo mudanças no conceito de neutralidade.

Mesmo com mudanças na redação, partidos de oposição e o PMDB, um dos principais críticos do texto, não pretendem recuar. Os peemedebistas, liderados pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e com apoio do DEM, apresentou, na semana passada, uma proposta que prevê a retirada da garantia de neutralidade, para se contrapor ao projeto de Molon.

Flexível?


Em relação aos data centers, o líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirma que "não houve flexibilização de nenhum ponto, apenas uma maior clareza de redação para produzir um acordo". Ele ressaltou que o texto deixará claro que as empresas que coletem dados e informações de brasileiros serão regidas pelas leis brasileiras.

Já a oposição busca reforçar o discurso de que o governo teria cedido nesse ponto. O líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), disse que o governo vai retirar do projeto do Marco Civil a obrigatoriedade de usar data centers localizados no Brasil para armazenar dados de navegação realizada no País. “Seria um ônus a mais para o usuário da internet”, explica, comemorando o que considerou “uma conquista da oposição”.

Esse é um dos pontos mais polêmicos da proposta. A exigência não estava incluída no texto original. Ela foi adicionada por Alessandro Molon após o escândalo da espionagem dos Estados Unidos em diversos países.

Com informações da Agência Brasil e Agência Câmara


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Marco Civil da Internet

Por trás da disputa política, a força das teles

Fonte: Rede Brasil Atual
De olho no financiamento eleitoral, PMDB defende interesse das teles no Marco Civil da Internet e se une à oposição para derrotar governo. Projeto coletivo pode ficar desfigurado
por Felipe Seligman, da Agência Pública publicado 19/03/2014 14:55
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
eduardo cunha
O líder do PMDB, Eduardo Cunha, tornou fator político a votação do projeto do Marco Civil da Internet

São Paulo – No dia 6 de novembro do ano passado, a bancada do PMDB, segunda maior da Câmara, se reuniu no Congresso Nacional para ouvir com exclusividade o que Eduardo Levy, diretor executivo do Sindicato das Empresas de Telefonia (Sinditelebrasil), tinha a falar contra o projeto do Marco Civil da Internet, que já naquela época trancava a pauta da casa. Uma didática exposição concentrava as principais críticas sobre a tão falada neutralidade da rede e defendia a desnecessidade de um projeto sobre o assunto.
Diante das informações prestadas, o deputado Fábio Trad (PMDB-MS) levantou a mão. “A pergunta que eu faço ao Levy é a seguinte: se hoje nós temos uma desigualdade, afinal de contas todos pagam em tese o mesmo por serviços diferentes, existe algum estudo que demonstre prejuízo financeiro às empresas, às Teles, por exemplo, em virtude dessa igualdade diante de serviços diferentes?”
A resposta veio em seguida. “Não é que o projeto provoque prejuízo às teles. O que está em jogo ai é que o projeto provoca uma necessidade de investimento maior para manter o nível de serviço igualitário, que acarretará, ao fim, no aumento do custo para o usuário”, afirmou um convicto Eduardo. Não o Levy, como seria de se esperar, mas Eduardo Cunha, líder do PMDB na Câmara, e apontado como o mais ferrenho defensor dos interesses das empresas de Telefonia nessa questão.
O objetivo da palestra de Levy era municiar os deputados peemedebistas para o debate que ocorreria naquele mesmo dia, à tarde, também convocado por Cunha, com a Comissão do Marco Civil. O encontro entre a bancada e o representante das teles, disponível no Youtube, demonstra bem o grau de confusão de interesses na bancada do Marco Civil da Internet, que se agravou com a disputa política entre PMDB e o governo Dilma durante a votação do projeto neste ano, seguidamente adiada.
O Marco Civil, como o próprio nome diz, refere-se à criação de princípios básicos, uma espécie de Constituição de direitos e deveres fundamentais a serem seguidos no mundo digital. Trata-se de uma matéria que envolve interesses complexos e difíceis de serem equacionados. Algo que, por mais técnico que pareça, terá repercussão direta na sua sua vida e na dos 100 milhões de brasileiros conectados.
As regras a serem definidas no Marco Civil terão repercussão direta na vida dos brasileiros – não apenas dos já conectados na dos que ainda irão se conectar. Também afetarão instituições tão diversas quanto as próprias empresas de Telecomunicação, como Oi, Telefônica ou Tim; os provedores de conteúdo, entre eles Google, Facebook; a sociedade civil organizada; a Polícia Federal e o Ministério Público; e até mesmo as relações internacionais do governo Dilma Rousseff.

O poder das teles

Dentro do Congresso, porém, essa é uma questão menor. O que pegou mesmo foi o fato de Dilma ter encampado a neutralidade da rede como um princípio a ser defendido por seu governo.
Diante disso, as teles começaram a agir. Multiplicaram-se as reuniões e conversas reservadas entre deputados e representantes das empresas, a fim de convencê-los a não aprovar o projeto. O encontro do dia 6 de novembro é apenas um exemplo.
O descontentamento foi reverberado dentro do Congresso por uma figura central, exatamente o líder peemedebista Eduardo Cunha, que tem relação histórica no setor. Ele foi presidente da Telerj, então estatal do Rio de Janeiro, que fazia parte do sistema Telebrás, privatizado no final dos anos 90. Processo licitatório, por sinal, que ficou marcado por fortes suspeitas de um esquema para direcionar o resultado a um consórcio liderado pelo Banco Opportunity, de Daniel Dantas.
Na ocasião, a Telerj foi adquirida pela Telemar e posteriormente virou a Oi, empresa que, hoje, tem presença constante no Congresso Nacional. Durante a tramitação do Marco Civil, seus gerentes trabalharam em conjunto com o sindicato representativo das empresas na tentativa de derrubá-lo.
Nos bastidores do Congresso, deputados e seus assessores chegaram a comentar, reservadamente, que a atuação da Oi é uma das mais evidentes contra o Marco Civil. Parlamentares passam a falar, por exemplo, que uma votação favorável ao texto do Marco Civil poderia colocar em risco possíveis doações de campanha para as eleições deste ano.
As principais teles não podem doar, por serem concessionárias de um serviço público, mas empresas ligadas a elas são sim grandes doadores. A Oi é o melhor exemplo. Entre seus acionistas está, além de fundos estatais como BNDESPar, Previ e Funcef, a Andrade Gutierrez (representada pela AG Telecom), umas das empreiteiras que mais faz doação de campanha (veja aqui a composição societária da Oi).
Para se ter uma ideia dos valores envolvidos, a construtora doou para campanhas do PMDB de Eduardo Cunha um total de R$ 20,6 milhões e R$ 14,8 milhões em 2010 e 2012, respectivamente, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Diante de tal movimentação, a presidente acionou dois ministros para negociar diretamente com as teles e tentar chegar a um acordo: José Eduardo Cardozo (Justiça) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais). Pouco antes do carnaval, eles se reuniram com Molon e representantes das empresas no Ministério da Justiça. Saíram de lá com um discurso que parecia caminhar para um acordo. As teles abririam mão da neutralidade, mas o governo inseriria na justificativa do projeto de lei uma observação dizendo que as empresas poderiam continuar oferecendo planos com velocidades diferentes, sem diferenciar o conteúdo mas garantindo a manutenção do que já existe.
Tudo parecia certo até que a crise política se instalou.

Marco civil em segundo plano

“Infelizmente, o Marco Civil virou acessório. A questão agora é governo contra o PMDB”, resume Pedro Abramovay.
Insatisfeitos com o que consideram um pequeno espaço no governo, ao menos nove partidos da base (PMDB, PP, PSD, PDT, entre outros) formaram informalmente o “blocão”, com mais de 250 deputados, pressionando por novos ministérios e pela liberação de emendas indicadas por eles referentes ao ano de 2013.
A principal liderança do blocão é exatamente Eduardo Cunha, que de três semanas para cá passou a atacar o PT e a presidente Dilma, ameaçando inclusive romper a aliança entre os partidos. Disposto a promover derrotas ao governo, começou a reunir colegas para derrubar o Marco Civil. Fatores políticos, portanto, passaram a reforçar sua posição tecnicamente contrária ao projeto.
A articulação colocou em risco o que havia de consenso em torno do assunto. Partidos de oposição que eram favoráveis ao Marco Civil, como o PSDB e DEM, passam a vê-lo de forma política também. Afinal, derrotar a presidente Dilma no que lhe é de mais caro, em ano eleitoral, passou a ser mais interessante.
Com a crise política instaurada, as chances de derrota ainda são altas, mesmo com concessões feitas pelo governo, como a promessa de nomeação de peemedebistas para ministérios.
Semanalmente, o projeto é pautado para ser votado, mas sem a certeza de que irá passar o governo dá um passo atrás e adia. Na semana passada, após uma reunião de líderes, Molon afirmou que “ambiente político”não está propício para a análise do tema. Naquele mesmo dia, o plenário da Câmara aprovou a criação de uma comissão interna para investigar a Petrobras, derrotando o Planalto. No dia seguinte, deputados decidiram convocar ou convidar dez ministros, além de Graça Foster, presidente da empresa, para prestarem esclarecimentos sobre mais diversos assuntos, com a intenção de constranger o governo.
Nesta semana, Eduardo Cunha chegou a ir até o Palácio do Planalto na tentativa de iniciar um acordo. O impasse continua.
Diante da possibilidade de uma derrota, a sociedade civil voltou a se mobilizar.  O músico e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil criou uma petição no site Avaaz alertando para os riscos do fim da neutralidade e, em uma semana, conseguiu mais de 330 mil assinaturas.
A insensibilidade do Congresso diante da demanda social por liberdade na internet frustra as expectativas de quem participou do processo de criação do Marco Civil desde o começo. “A mensagem que o Congresso passa é de descompromisso. De que não existe um plano sobre onde queremos chegar. Muito triste ver o Congresso capturado por uma agenda de curtíssimo prazo, casuística, deixando a agenda de longo prazo para escanteio”, avalia Lemos.