sábado, 10 de maio de 2014

Mostra A América por John Ford tem exibição gratuita no Cine Vitória

Programe-se para a mostra América por John Ford
Sábado,10
SESSÃO 7 | 14h30
A MOCIDADE DE LINCOLN - 100 MIN
SESSÃO 8 | 16h30
AS VINHAS DA IRA - 129 MIN
SESSÃO 9 | 19h
MÉDICO E AMANTE - 98 MIN
Domingo,11
SESSÃO 10 | 14h30
O PRISIONEIRO DA ILHA
DOS TUBARÕES - 96 MIN
Mediação: Jornalista e Cinéfilo Ivan Valença
Tema: Imprima-se a verdade
SESSÃO 11 | 17h
JUIZ PRIEST - 96 MIN
SESSÃO 12 | 19h
RASTROS DE ÓDIO - 119 MIN
Terça,13
SESSÃO 13 | 14h
NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS - 97 MIN
Mediação: Profª Mestra Maíra Ezequiel, UFS
Tema: No tempo das diligências e a alvorada da linguagem
clássica hollywoodiana como a conhecemos até hoje
SESSÃO 14 | 17h
RASTROS DE ÓDIO - 119 MIN
SESSÃO 15 | 19h20
O PRISIONEIRO DA ILHA
DOS TUBARÕES - 96 MIN
Quarta,14
SESSÃO 16 | 14h
AS VINHAS DA IRA - 129 MIN
SESSÃO 17 | 16h30
O HOMEM QUE MATOU
O FACÍNORA - 119 MIN
SESSÃO 18 | 19h
NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS - 97 MIN



Mostra A América por John Ford tem exibição gratuita


 A mostra, composta por oito obras, esforça-se em apresentar John Ford como um diretor capaz de filmes com temáticas diversas, mas alicerçadas na história norte-americana. A entrada é franca.

O evento exibe uma coletânea de filmes que recupera as importantes produções do famoso cineasta norte americano. Considerado um dos diretores mais premiados na história do Oscar, o americano John Ford teve seu auge entre as décadas de 30 a 60, e ficou conhecido, principalmente, pelos seus westerns (faroeste). 

John Ford foi um dos pioneiros a trabalhar com o som, realizando o primeiro filme inteiramente falado da Fox, “O barbeiro de Napoleão” (Napoleon's Barber, 1928), atualmente perdido. Conquistou enorme notoriedade e se consolidou como um dos mais importantes diretores do cinema americano. 
Local: Auditório (165 lugares)

O Homem que Matou o Facínora

Informação: 1940 / 119 min. / Preto e Branco

O advogado Ransom Stoddard (James Stewart) chega a uma pequena cidade do velho oeste dominada por um pistoleiro violenti chamado Liberty Valance (Lee Marvin). Para combatê-lo Tom Doniphon (John Wayne) se apresenta como um caubói determinado. Stoddard volta então a essa cidade para enterro de seu valente amigo; para restaurar sua imagem vitoriosa, já que a história de Donephon havia caído no esquecimento; e para trazer à tona a verdade sobre a morte do vilão Liberty Valance.

No Tempo das Diligências

Informação: 1939 / 119 min. / Preto e Branco

No tempo das diligências é uma das obras mais aclamadas de John Ford; considerada uma obra-prima do faroeste. No caminho para a cidade de Lordsburg viajam em uma carruagem um banqueiro corrupto, um médico alcoólatra, uma prostituta, a esposa de um oficial, um jogador decadente, um rígido xerife, um condutor abobalhado, um vendedor de bebidas e um fora da lei que fugiu da cadeia. Diversos conflitos são deflagrados enquanto um clima de tensão permeia todo o percurso, pois um ataque indígena pode acontecer a qualquer momento. 

Rastros de Ódio

Informação: 1956 / 119 min. / Colorido

Ethan, personagem de John Wayne, após anos lutando pelos conferedados, regressa ao rancho de seu irmão. Enquanto isso, a região está mergulhada em conflitos com os índios, que de tanto sofrerem com ataques dos norte-americanos resolvem pagar na mesma moeda. Os Comanches realizam um violento ataque, assassinando toda a família de Ethan e raptando as suas duas sobrinhas. Ele inicia uma perseguição implacável aos assassinos, em busca de sua sobrinha, raptada para se tornar esposa do líder da tribo. 

A Mocidade de Lincoln

Informação: 1962 / 119 min. / Preto e Branco

Neste filme Ford aborda a juventude se seu ídolo, o ex-presidente do Estados Unidos, Abrahsm Lincoln, em especial a formação do seu caráter. A história do filme é simples, narra o apreço de Lincoln pelo Direto e seu desdobramento na carreira política. A pesar de gozar de certo reconhecimento, sua fama só viria após um incidente em que dois irmãos matam um homem em legítima defesa. Após o assassinato, entra em cena a figura de Lincoln, o homem do direito e da política, impedindo o linchamento e se tornando advogado de defesa dos acusados.  

Juiz Priest

Informação: 1934 / 96 min. / Preto e Branco

O tema central deste filme é a tolerância, para que o país consiga superar as diferenças políticas provocadas pela Guerra de Secessão. Priest, interpretado carismaticamente por Will Rogers, vai suavemente, falando sobre os outros personagens, muitas vezes falando sozinho, como se mais nada tivesse a fazer senão nos apresentar o universo social de Kentucky. 

A questão racial é tratada com muita sutileza, mas Ford, desde o começo do filme, estabelece a importância da integração interracial, de incorporar os negros em um novo estatuto social, mas mantém o caráter submisso e subalterno dos negros como mão de obra barata. 

O Prisioneiro da Ilha dos Tubarões

Informação: 1936 / 96 min. / Preto e Branco

Dr. Mudd é condenado por ter socorrido um homem com a perna quebrada, fato corriqueiro para um médico, não fosse esse homem o assassino do presidente Abraham Lincoln. O médico, é claro, desconhecia essa importante informação. O real assassino é morto e toda a ira popular recai sob oito suspeitos de serem cúmplices e que são rapidamente tomados como culpados que devem pagar pelo crime de assassinato ao presidente. Dr. Mudd é o único que não é executado, mas é condenado à prisão perpétua e é levado a Ilha dos Tubarões, localizada no meio do oceano. Na ilha, o médico se encarregará de combater uma terrível doença.

As Vinhas da Ira

Informação: 1940 / 129 min. / Preto e Branco

História clássica, baseada o livro de John Steinbeck, que se passa no auge da Depressão, no final dos anos 1930. Uma grande família de arrendatários é expulsa de suas terras no norte e parte para procurar emprego no sul. O filme gira em torno de três personagens-chave: Tom Joad, Casy, Mãe Joad. Tom está retornando para a família após um período de quatro anos na cadeia, Casy é um ex-pregador religioso e Mãe Joad é matriarca lutadora que não mede esforços para manter sua família. Todos são lançados à famosa Rota 66 ruma a uma Califórnia idílica.

Médico e Amante

Informação: 1931 / 98 min. / Preto e Branco

O talentoso médico Arrowsmith (Ronald Colman) abre mão de sua promissora carreira de cientista para ser médico em Dakota do Sul, cidade natal de sua esposa. Mas seu trabalho de cientista é resgatado quando ajuda um fazendeiro e consegue eliminar uma doença que havia afetado suas vacas. A competência de Arrowsmith como cientista o leva ao mais elevado instituto de pesquisa de Nova York. Lá é destacado às Antilhas para resolver um caso de epidemia de peste bulbônica, onde o trabalho de médico e cientista se mistura. Arrowsmith fica então dividido entre uma função e outra. O médico controla a doença, mas perde a mulher e os amigos. 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Augusto Boal e o Teatro do Oprimido: "Vários outros mundos são possíveis"

O Teatro do Oprimido alia teatro e ação social, prepara o ator com esse viés e busca permanentemente a transformação da realidade através do diálogo.


Fonte: Carta Maior
Léa Maria Aarão Reis reprodução
Agora, com a publicação do segundo volume da coleção de trabalhos do célebre teatrólogo Augusto Boal, (1931-2009), criador do Teatro do Oprimido e colaborador frequente de Carta Maior, o Instituto Augusto Boal se volta para a montagem de uma grande exposição sobre seu trabalho, um dos intelectuais brasileiros mais conhecidos internacionalmente, projetada para se iniciar no dia 13 de janeiro de 2015. Nascido no bairro da Penha, no Rio de Janeiro, Boal escreveu a sua biografia intitulada Hamlet e o Filho do Padeiro – Memórias Imaginadas (Cosac Naif) lançada durante uma manifestação na calçada do prédio onde funcionou o Dops carioca, mês passado, por ocasião da descomemoração dos 50 anos do golpe que instaurou a ditadura civil-militar no país. Antes deste segundo volume da coleção que reúne suas obras, no ano passado foi lançado Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas. 

Em seguida, outros três títulos virão, anuncia a psicanalista Cecilia Boal, viúva do teatrólogo e presidente do Instituto Augusto Boal. Ela comenta: ”Há o costume de sempre se falar mais do aspecto do Boal como teórico e homem político, o que de fato é muito importante. Mas seu texto é belo, pouco conhecido e valorizado. Espero que os livros estimulem a descoberta da qualidade dele de escritor, alguém que sentia prazer imenso em usar as palavras, que gostava de brincar com elas e substituí-las por outras quando burilava um texto.”  A ação, a militância política através da arte – no caso, o teatro – também era “importantíssima, na vida, na cena e nas intervenções que Boal realizava com as técnicas do Teatro do Oprimido,” observa Cecília.

Outra tarefa em que o Instituto está empenhado é a conservação do precioso acervo de Boal que se encontra na Faculdade de Letras da UFRJ. São quatro mil itens, textos, fotos, DVDs, programas e cartazes que ainda não estão catalogados, mas podem ser consultados mediante agendamento prévio com o Prof. Eduardo Coelho, de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“Concordo,” diz Cecília, “com aqueles que dizem que no Brasil não existem ainda políticas públicas preocupadas com a memória nacional.” Ela chama a atenção para a existência de grandes acervos, grandes coleções e com reservas técnicas adequadas e “também instituições que asseguram o cuidado e a guarda de muitos acervos e coleções. Portanto, seria injusto dizer que não existe nada. Mas é insuficiente. Deveríamos ter uma política pública sistemática de preservação que possa acompanhar essa grande produção nacional artística e intelectual.”

Conversando com Carta Maior sobre o assunto, comenta que há muitas famílias tentando cuidar desse tipo de patrimônio, que afinal pertence ao país. “Sozinhas e sem muitas condições. É o meu caso. A UFRJ tem tentado ajudar bastante. Mas ainda falta muito. Agora, através da mostra no CCBB, espero poder avançar um pouco mais no tratamento dos documentos. Através deste acervo se pode acompanhar todo um período da história do Brasil e da história de América Latina, da Revolução dos Cravos em Portugal. Um material que acompanha Boal no percurso do seu exílio.”

Na opinião da presidente do Instituto Augusto Boal, para quem é importante que o acervo permaneça no Brasil (“ele gostaria que fosse assim”) apesar de inúmeros convites para ser enviado para instituições no exterior, já deveria estar disponibilizado na internet, para consulta de todos. “Como Boal era um homem de esquerda, marxista, engajado nos movimentos populares - preso, torturado e depois exilado no estrangeiro -, é difícil eu aceitar ajuda da iniciativa privada. Tenho o cuidado de respeitar a sua memória. O Banco do Brasil é o Banco do Brasil, como o seu nome indica. E o Ministério de Cultura é um ministério do Brasil. É justo e desejável que sejam eles a se ocupar deste acervo. É o dever e a missão deles. Do Banco do Brasil, da Funarte, do MINC e do MEC.”

Se os títulos dos livros escritos pelo teatrólogo estavam, até aqui, fora de catálogo no Brasil, o mesmo não ocorreu nos Estados Unidos e na Inglaterra, onde estão constantemente disponíveis. “Ele está sendo publicado e republicado regularmente lá fora. Estou assinando novos contratos o tempo todo”, comenta Cecília.

Há dois anos, entrevistada por Emir Sader, em Carta Maior, e já naquela época preocupada com o destino do precioso acervo do marido, ela falava sobre o interesse da New York University, onde Boal sempre trabalhou, de ter a guarda desse acervo, para “higienizá-lo, catalogá-lo e colocar uma cópia integral na internet, ou seja, à disposição de todos, em qualquer lugar do mundo e de forma inteiramente gratuita.” Cecília lembrava que nessa biblioteca há o setor Tamiment Library consagrado a autores da esquerda e à historia do sindicalismo no mundo. “Acho que o Boal estaria em excelente companhia neste espaço e seria muito bem tratado. Porém, também acho que as histórias que se originaram no contexto de uma determinada cultura pertencem a ela e é ali que devem continuar.”

Já Julián, o filho de Boal, jovem pesquisador do Teatro do Oprimido, se volta para a permanência das experiências do Teatro do Oprimido nos  tempos atuais de “Facebook, de reality shows, de democracias participativas esvaziadas”, como ele diz. “O que o Teatro do Oprimido tenha talvez a oferecer agora seja menos um palanque para os oprimidos, um lugar aonde eles possam se expressar, e mais uma prática com a qual se vê o mundo como um lugar transformável. Se no tempo das ditaduras havia um sentido de falar em participação popular, hoje isso não se dá do mesmo modo”, considera Julián.

Mas a parceria, por exemplo, entre Teatro do Oprimido e o Movimento dos Sem Terra, que dura mais de dez anos, se mantém viva. Ele lembra: ”Foi uma delegação do MST que fez sua primeira formação junto do meu pai dentro do Centro do TO. Atualmente, mais de 30 grupos de TO se encontram dentro do movimento e os exercícios são regularmente utilizados nos encontros.”

Julián fala também de uma cena do Teatro do Oprimido que mostra o confronto entre opressor e oprimido e onde o desfecho se mantém em aberto. “Em tempos de colapsos ecológicos programados é, talvez, um bom exercício tentar enxergar que, como dizia meu pai, ‘vários outros mundos são possíveis”.

Com novas formas, o TO continua com os fundamentos criados por Boal e inspirado nas ideias de Berthold Brecht – arte - e de Paulo Freire - educação. Alia teatro e ação social, prepara o ator com esse viés e busca permanentemente a transformação da realidade através do diálogo.

terça-feira, 6 de maio de 2014

ONGs lançam petição online para aprovar marco regulatório do setor

Recolhimento de assinaturas é estratégia para divulgação da proposta na internet; projeto que regulamenta atuação das entidades e contratos públicos tramita na Câmara
por Sarah Fernandes, da RBA publicado 06/05/2014 13:49 
  Fonte: Portal Rede Brasil Atual
 
Raoni Maddalena/ RBA
Organização social
Normas atuais são consideradas imprecisas inseguras por organizações sociais

São Paulo – Organizações sociais lançaram uma petição online para pedir a aprovação de um novo marco regulatório para as Organizações da Sociedade Civil que tramita na Câmara Federal pelo projeto de lei 7168 de 2014. A proposta tem o objetivo de regular os contratos firmados entre entidades e governos. Além disso, ela é vista como garantia de segurança jurídica e transparência nas relações do setor com o poder público.
O abaixo-assinado está hospedado na plataforma Avaaz e traz um texto de apresentação que cobra legislação mais rígida para coibir casos de corrupção e para valorizar o trabalho realizado pelas organizações sociais. O recolhimento de assinaturas faz parte da estratégia de divulgação da proposta nas redes sociais, que prevê mobilizar organizações e cidadãos no apoio a aprovação do projeto.
O texto ressalta que “apesar de toda a contribuição prestada à democracia e à sociedade”, as organizações sociais “esbarram em uma legislação que dificulta a atuação das entidades e limita seu potencial transformador. As normas existentes são imprecisas em relação às parcerias e não deixam claras quais são as regras aplicáveis às organizações da sociedade civil. Isso gera um cenário de insegurança jurídica e institucional, tanto para gestores públicos quanto para as organizações.”
A iniciativa é da Plataforma por um Novo Marco Regulatório para as Organizações da Sociedade Civil, uma articulação de entidades que representa mais de 50 mil organizações sociais brasileiras que atuam nas áreas de defesa de direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais.
Leia também:
O marco regulatório aguarda votação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados, com relatoria do deputado Décio Lima (PT-SC). Se aprovado, será encaminhado para o plenário da Casa.
O Senado já aprovou, em dezembro do ano passado, o substitutivo a um projeto de lei do senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), de autoria do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que propõe medidas para garantir maior segurança jurídica para as organizações sociais na relação com as três esferas de governo.
A Associação Brasileira de Organizações não Governamentais (Abong) considera que as organizações sociais brasileiras “vivem um momento muito difícil, com dificuldades crescentes para garantir sua sustentabilidade financeira e política”, de acordo com texto publicado no site da instituição. “Hoje, a realização de parcerias entre organizações e governos está cada vez mais difícil, pois a legislação é confusa”, enfatiza.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Informativo Regional MINC - Bahia e Sergipe - 15/2014


3º FlashMob Dança do Ventre Sergipe é realizado no dia Internacional da Dança em Aracaju.,


Aconteceu no ultimo dia 29 de abril de 2014 dia em que é comemorado o ( DIA INTERNACIONAL DA DANÇA ) a Cia de Dança Carpe Diem, dirigida pela Bailarina Sergipana  Flavia Kahyna realizou o 3º FlashMob Dança do Ventre Sergipe, a ideia é reunir um grande numero de pessoas,  que aparecem inesperadamente em local público, fazendo  performance e dispersando-se rapidamente  no meio da multidão. Normalmente, o Flash Mob tem como objetivo impactar pessoas desavisadas que estão passando por locais de grande concentração.




A ideia foi apresentada pela primeira vez em 2013 e veio da oportunidade de se ter um contato maior com o público que não tem acesso a esta cultura e então porque não inovar e levar a dança diretamente a eles de uma forma diferente???? E Foi assim que a Cia, existente há 13 anos, surpreendeu mais um vez os Aracajuanos, invadindo com sua dança o Calçadão da Rua João Pessoa no Centro de Aracaju comemorando o Dia Internacional da Dança.



No show do 1º de Maio, Leci Brandão chama atenção para 'genocídio da juventude negra'

Direitos

Deputada e cantora critica exploração comercial do caso de racismo contra o jogador Daniel Alves e cobra mudanças na atuação policial para que cor de pele não seja visto como 'carimbo da bandidagem'
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 01/05/2014 17:19, última modificação 02/05/2014 16:21
Danilo Ramos / RBA
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A cantora e ativista Leci Brandão, no ato da CUT em São Paulo pelo Dia dos Trabalhadores

São Paulo – Durante seu show de 40 minutos no Vale do Anhangabaú, a cantora e deputada estadual Leci Brandão (PCdoB) chamou a atenção para "o genocídio da juventude negra" e pediu mudanças nas políticas de segurança. "A gente quer que as secretarias de segurança pública, especialmente a de São Paulo, entendam que a polícia é para defender cidadão, para nos proteger da insegurança. Não é a cor da pele, a etnia, que dá o carimbo da bandidagem", afirmou, depois da apresentação.

Ela também fez ressalvas ao episódio no último fim de semana envolvendo o jogador Daniel Alves, do Barcelona, que comeu uma banana arremessada por um torcedor durante uma partida, em manifestação racista. "Foi um momento de tensão no campo, correto. Mas outras pessoas se aproveitaram", comentou, referindo-se a uma possível exploração comercial do caso e repudiando o slogan surgido nas redes. "Não somos todos macacos. Somos negros."

Para Leci, o que se seguiu foi uma "onda ruim", em sua definição. "Não vi ninguém com uma camisa dizendo que é contra o genocídio da juventude, que somos todos Cláudia (referência à mulher arrastada em um carro de polícia no Rio de Janeiro), somos todos MC Daleste (cantor e compositor, assassinado em 2013), somos todos Sabotage (cantor também assassinado, em 2003)."

Com 30 anos de participações no 1º de Maio, a artista destacou a relevância da organização dos trabalhadores. "É fundamental incentivar as pessoas a entender a importância das centrais sindicais. As conquistas só acontecem porque existem os sindicatos."

Leci também defendeu a implementação de políticas sociais para a redução da desigualdade. "Foram muitos anos (de exclusão). A gente está conseguindo mudanças significativas. E quero muito que continue. Eles já tiveram todo o tempo. Agora é a nossa vez."

Depois de Leci, o cantor Michel Teló fez provavelmente um dos shows mais rápidos em todos os 1º de Maio. Foram menos de três minutos no palco.

Às 17h, apresentou-se o pianista João Carlos Martins. Em repertório diferente do habitual para atos sindicais, um tenor, Jean William, cantou Ave Maria, de Charles Gonoud. No início do ato no Anhangabaú, um grupo de artistas, incluindo acrobatas, fez encenações com referências ao tema do evento (democratização da comunicação).

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Abaixo-assinado pela Lei de Meios colhe mil adesões no primeiro dia em São Bernardo

mídia livre
por Paulo Salvador, para a Rede Brasil Atual publicado 03/05/2013 14:54 
 
São Paulo – Foi um sucesso a coleta de assinaturas para o projeto de lei de iniciativa popular (PLIP) que regulamenta a liberdade de comunicação no país. O 1º de Maio, Dia do Trabalhador,  foi escolhido pelo movimento "Para Expressar a Liberdade" para o lançamento do abaixo-assinado. Em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC fez da festa uma celebração da campanha "Quero falar também", com o lançamento do abaixo-assinado que angariou cerca de mil adesões.
Uma mesa foi instalada nas tendas de TVT e Rádio Brasil Atual, em frente às de bebidas e comidas, por onde passaram milhares de pessoas. No final da festa, o coordenador do Intervozes (Coletivo Brasil de Comunicação Social), Pedro Ekman, fez as contas: cerca de mil adesões. "Foi um bom início, centenas de pessoas passaram pela barraquinha, conseguimos conversar com muita gente e a adesão foi tranquila."
Outro que comemorou o sucesso da campanha foi Silvio Cesar do Nascimento, diretor de formação do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, trabalhador da Volkswagen há 24 anos. Ele ficou cerca de oito horas no meio da multidão para explicar aos pequenos grupos o que era o abaixo-assinado. "Falo da importância da comunicação para o trabalhador e mostro que quem domina a imprensa no país são os burgueses". Silvio disse que não teve dificuldade com nenhum grupo, que os mais velhos aderem de imediato, mas precisa explicar um pouco mais para os jovens. "Depois da explicação, todo mundo adere, só não consigo na hora do show".

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 Pólis promove intervenção cultural na praça da Kantuta

Neste domingo dia 4 de maio estaremos na festa do Dia do Trabalhador com a ação Apropriarte na comunidade boliviana de São Paulo. 
A ação Apropriarte traz rodas de conversas com a comunidade e apresentações artísticas objetivando fortalecer o trabalho cultural já realizado pela Associação e Feira Gastronômica da Kantuta. 

 

22/04/2014
O Pontão do Pólis e a Associação Gastronômica Cultural Folclórica Padre Bento promovem o encontro Apropriarte Conviver em Paz nas Cidades: a Cultura Boliviana em São Paulo, no dia 4 de maio, a partir das 15h, na praça da Kantuta. Serão realizadas atividades artísticas com expressões culturais bolivianas.
O evento será realizado no domingo, dia da tradicional Feira da Kantuta, e em comemoração ao dia do trabalho. Além das apresentações artísticas, haverá uma conversa intercultural com a participação dos frequentadores da feira e interessados.
O encontro pretende levantar questões e elaborar propostas para melhorar a vida da comunidade boliviana em sua relação com a cidade.
Este é o terceiro Apropriarte realizado pelo Pontão de Convivência e Cultura de Paz; o evento propõe a apropriação do espaço público por meio da arte e da cultura
Convite Kantuta Dia do Trabalhador

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Os novos planos de Pablo Capilé

http://blogdomorris.blogfolha.uol.com.br/2014/04/23/os-novos-planos-de-pablo-capile/

Por Morris Kachani
23/04/14 11:39

Mídia Ninja no MAM

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Mídia Ninja/Divulgação
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Série de fotos produzidas pelo Mídia Ninja no ano passado, que passaram a integrar o acervo permanente do MAM
 
No horizonte do coletivo Fora do Eixo, 2014 é um ano estratégico. Nas próximas semanas, será lançado o portal do Mídia Ninja, que pretende se tornar um hub do midiativismo. São cerca de 100 ativistas ligados diretamente, além de 200 colaboradores e uma lista de aproximadamente 100 articulistas independentes. Hoje a página do facebook do Mídia Ninja recebe 5 milhões de visualizações por semana.
Para junho, durante a Copa, o coletivo está envolvido com a ‘República da Cinelândia’, em que cerca de 200 militantes ocuparão com barracas o centro do Rio criando uma Constituição própria como forma de provocação, em que a maconha é legalizada e a polícia, desmilitarizada, por exemplo.
O segundo semestre contará com nada menos que 140 festivais de música. Para o período está também programado o lançamento do “Emergência”, espécie de Fórum Social Mundial do século 21, reunindo ativistas e redes sociais de várias partes do mundo, em São Paulo.
Com alcance em 500 cidades, o Fora do Eixo conta com 2 mil colaboradores pelo país e cerca de 60 casas sede, nas quais vivem aproximadamente 400 pessoas, em um regime próprio de convivência em que praticamente tudo é compartilhado. Nos planos do coletivo para o futuro próximo consta também a ideia de adotar crianças.
pablo1Pablo Capilé, 34, cuiabano, é quem está encabeçando estas empreitadas. Embora já venham atuando desde 2005, Capilé e o Fora do Eixo ganharam mais exposição no noticiário após os protestos de junho. Críticas e acusações vieram à tona. Para Capilé, o saldo é positivo. De acordo com ele, o coletivo cresceu desde então.
Segundo Capilé o coletivo recebeu apoio de diversas fundações internacionais desde então. Verba pública, de acordo com ele, representa uma parte muito pequena no balancete do Fora do Eixo. “A verdade é que a gente devia receber muito mais”.
Nesta entrevista ele explica como seu coletivo se posiciona politicamente: “o PT não é um câncer. Do PSTU até a Marina, a gente entende que é possível dialogar”. Pablo critica Dilma, a gestão atual do Ministério da Cultura, e oferece sua versão sobre os protestos de junho.
*
Quais são as bandeiras do ativismo?
A variedade da pauta é imensa. Vai desde a necessidade de regulação dos meios de comunicação passando pela necessidade de desmilitarizar a polícia, a reforma política, a regulamentação das drogas, a criação de um ambiente favorável ao debate ambiental. Em suma, dar visibilidade aos invisíveis, conseguir conectar um país continental que tem 5343 cidades.
Parte significativa destas cidades está dentro de uma invisibilidade, muitas vezes não conseguem apresentar suas inteligências colocadas.
Como enxerga a Copa?
Os dois lados têm argumentos muito bem fundamentados. Você tem uma construção simbólica muito forte em torno da Copa, um encontro civilizatório num país que nos últimos 15 anos conseguiu se tornar potência global. Mas ao mesmo tempo esta é Copa das remoções, pautada por um estado de exceção defendido pela FIFA, pouco discutido com a parte debaixo da história toda, coordenada por federações de futebol pouco transparentes.
Existe um clima de insatisfação no ar.
Quando você tira 40 milhões de pessoas da zona de extrema pobreza, e elas se estabilizam, você estabelece um ambiente favorável para essa explosão. Eu tenho uma visão muito particular sobre os fatos que levaram à explosão de junho.
Uma utopia acontece a partir de 2002, quando um torneiro mecânico sai do chão de fábrica para se tornar presidente do Brasil. Isso estimula pra caramba simbolicamente um cara como eu, em Cuiabá, que tinha dificuldade para acreditar que era possível. Assim as redes começam a surgir e fortalecer.
Mas em determinado momento, nos 4 anos de  governo Dilma, alguns alicerces principais do fortalecimento dessas utopias são rompidos. O debate da cultura, da comunicação, do meio ambiente, dos direitos humanos, da juventude, tudo isso deixou de ser uma prioridade. No Lula era prioridade. Entramos em um ciclo desenvolvimentista onde esses temas que eram muito importantes para essa geração, deixaram de ser.
Isso se soma a um processo de criminalização que veio acontecendo contra as lutas progressistas no Brasil. O Mensalão foi uma grande porrada, instigou parte mais conservadora da população a se levantar e combater em certa medida as reformas de um governo popular.
Então o levante das forças conservadoras se soma à insatisfação por parte de uma série de movimentos sociais, criando todo um ambiente.
Para mim o que aconteceu está muito distante de terem sido só os vinte centavos, e discordo completamente de quem tenta privatizar a explosão a partir de um tema específico. Foi uma série de fatores.
Qual a diferença entre São Paulo e Rio?
São Paulo é uma terra das certezas, o Rio é uma terra das utopias.
No pós-junho, vejo diferenças. No Rio, Cabral derreteu. Em São Paulo, quem tomou foi Haddad, em tese Alckmin se manteve estável mesmo sendo responsável por 99,9% das coisas que aconteceram.
No Rio a polícia derreteu, sua credibilidade está no chão. O debate sobre a repressão é muito mais intenso, a necessidade de desmilitarização está na boca dos movimentos e das pessoas. Em São Paulo, a polícia continua estável.
No Rio os movimentos estão cada dia mais conectados. Aqui em certa medida deram uma atomizada. O Rio puxou a greve dos garis. São Paulo em certa medida puxou a Marcha pela Família com Deus. Então acho que o Rio amanheceu melhor de junho, que São Paulo.
Mas mesmo amanhecendo de forma diferente do que o Rio, os movimentos de São Paulo ganharam muita força, se ampliaram e continuam ocupando as ruas e fazendo os debates fortes nas redes. MTST ou os movimentos de periferia da cidade, entre outros, demonstram isso com vigor.
Como enxerga o tecido social brasileiro?
Traduzo a partir de três grandes campos. Você tem os estabelecidos – a grande mídia, os partidos, o empresário grande, que são 2% do Brasil. Você tem os desorganizados por outro lado, que é o povo, lutando pelo seu dia a dia. E entre eles tem o ‘meinho’. Esse ‘meinho’ fica tentando falar pros desorganizados como resignificar a lógica estabelecida.
Tem dois grandes blocos este ‘meinho’: um que faz disputa de classe, e um da disputa do imaginário. O de classe está mais ligado à esquerda clássica marxista, com a defesa de temas fundamentais, desde o trabalho de base. Envolve desde MPL a juventudes de alguns partidos, além de MTST etc.
O outro lado que disputa o imaginário está falando sobre o futuro capital simbólico, está na guerra de meme, na disputa narrativa.
Um está mais próximo da economia solidária, o outro da economia criativa. Um dialoga mais com Estado, outro com mercado. Um foca no enfrentamento das lutas de forma mais tensa como barricada etc, outro encara a disputa simbólica como ferramenta de diálogo.
Muitas vezes os blocos têm dificuldade de dialogar. Estes grupos sempre tiveram dificuldade de conviver por disputarem a presidência do ‘meinho’.
Os movimentos tradicionais de base e de classe conseguem reunir 3, 4, 5 mil pessoas depois de junho. Já as redes de imaginário conseguem fazer com que mais gente se envolva.
Protestos de massa como os de junho podem se repetir?
Óbvio que pode não repetir a explosão de junho, mas não vai parar de crescer. É uma greve de polícia na Bahia, outra de gari, ocupações pelo Brasil inteiro, o parque Augusta, a luta antihomofóbica, e por aí vai.
Qual sua interface com os partidos políticos?
Do PSTU até a Marina a gente entende que é possível dialogar, conversar e quando solicitado participar. O PSOL tem crescido. O próprio PT tem se resignificado. Acho absurda a tentativa de criminalizar as lutas que o PT desenvolveu para o país. As pessoas tentam vender o PT como se fosse o Mensalão.
Não, o PT tem 30 anos, conseguiu tirar 40 milhões de pessoas da pobreza, colocou o Brasil no cenário internacional. Óbvio que tem contradições e equívocos mas tentar transformar o PT num câncer das lutas políticas é de uma imbecilidade tremenda. E estou longe de ser petista, não sou filiado.
Que pensa sobre nossa classe política?
Para haver reforma política é necessária a compreensão de que não dá para despolitizar o debate, ficar falando que todo político é um merda, que os partidos não prestam, que no Congresso só tem picareta. Se você criminaliza a política, abre porta para muitos perigos.
E sobre as críticas recebidas ano passado?
Uma comunidade como a nossa tinha tudo para se abster da relação com o resto da sociedade, que é o que maioria das comunidades fazem. Elas se afastam para não serem criminalizadas por uma visão moralista em torno da opção de vida que fizeram. No nosso caso, o que desencadeou o debate foi o post de uma cineasta que era patrimonialista, defendendo a propriedade privada, o direito autoral proprietário, numa visão muito parecida com a do blogueiro Reinaldo Azevedo. Acusando-nos de trabalho escravo, de que somos uma seita, de que ninguém lia ou assistia filme. Como assim? Estamos conectados na rede o tempo todo, os parâmetros de formação intelectual são completamente diferentes do século 20.
Não viemos de uma base de partido, nem das lutas sociais tradicionais, e nem de São Paulo. No final das contas a gente afronta tanto a direita como parte significativa da esquerda, que vive uma crise de protagonismo, que te chama de novo capitalista.
No congresso do Fora do Eixo, em 2013
No congresso do Fora do Eixo, em 2013
Qual a atuação política do Fora do Eixo?
Inicialmente entramos com uma política muito radical para tentar mudar o mapa musical brasileiro. Na música o debate partiu principalmente dos artistas que moram em São Paulo. É óbvio que não tem cachê em determinadas situações. São lugares onde não tem estrutura, não tem investimento público, só de passagem pode ser 15 mil reais, você vai ter um prejuízo inclusive. Então não ache que você vai ganhar a mesma coisa tocando na rua Augusta e no resto do Brasil. O problema de distribuição de renda é da Dilma, não meu.
Em parte a ausência de um protagonismo por parte do Ministério da Cultura fez com que uma parcela da classe cultural canalizasse suas frustrações para nós. A gente com esse orçamentozinho é mais debatido que o Minc.
A verdade é que os últimos 4 anos no ministério estão muito aquém do que aconteceu nas gestões de Gilberto Gil e Juca Ferreira. As políticas foram descontinuadas, as utopias não foram alimentadas. Veio primeiro Ana de Hollanda, que foi uma não-ministra. Se Marta tivesse vindo depois de Juca, a cobrança seria muito maior, e ela teria feito uma gestão melhor do que a atual. Somos uma mistura da estratégia dos pontos de cultura da gestão Gil, com cultura digital. Por isso defendemos o legado dessa construção.
Qual o tamanho, alcance e faturamento do Fora do Eixo?
Atuamos em mais de 500 cidades brasileiras, nos 27 Estados, através de iniciativas variadas. A rede é multifacetada e diversa, você não tem condição de fazer uma sistematização completa com todos os dados. É uma rede que trabalha o tempo inteiro com a perda de controle. Não tem uma central que coordena essas paradas todas.
Como funcionam a universidade e o banco?
A universidade consiste na troca de repertórios. São vivências nas casas. Todos integrantes são corpo docente, e todas estruturas são campos. Por exemplo, a Ivana Bentes, diretora da escola de comunicação da UFRJ, é um corpo docente que roda as casas falando sobre midialivrismo, redes etc. Assim como Juca Ferreira, Emicida e tantos outros, pessoas que sempre circularam entre nós.
E o banco?
O que é o banco? A gente é o único movimento que conseguiu resolver uma coisa que ninguém resolve, que é a disponibilidade dos ativistas. Eles têm disponibilidade 24 hs. Ninguém tem isso. Porque acreditam que isso é bom pra vida delas. O fotógrafo, o designer, o artesão, tudo isso gera recurso. Prestamos serviços para parceiros, para outros coletivos.
Quantos ativistas são?
Hoje são mais de 2 mil pessoas espalhadas pelo Brasil. 400 delas vivendo nas casas. São umas 60, 70 casas. Sobre faturamento é difícil falar um número fechado porque ele muda. Por exemplo, o festival Grito Rock aconteceu em 500 cidades, você não tem clareza de quanto girou, só terá dentro de 3, 4 meses. Se falar que girou R$ 500 mil, pode estar falando de um número maior ou aquém. E vai ter mais 140 festivais no segundo semestre, alguns até maiores.
E editais e recursos públicos?
Um dado importante é de que uma parcela muito pequena dos nossos recursos é proveniente do poder público. Muito pequena mesmo, tipo irrisória, frente às coisas todas que a gente faz. E eu acho que a gente tinha que receber muito mais investimento público. Lembre que até o Rock in Rio recebe verba pública. Assim como os jornais e TVs. Não é demérito nenhum você receber.
Em 2014 não recebemos nada e nem em 2013.
Como funciona a vida coletiva?
Eu diria que  morar junto, dividir a angústia, a felicidade, a tristeza, faz você de você um forte por não se sentir só. É a força motriz.
É verdade que vocês estão com plano de adotar crianças?
Nasceu o Benjamin aqui dentro da casa, há um ano e pouco, o tempo está passando. Foi o primeiro bebê, além de outros bebês a gente acha fundamental a adoção sabendo que tem um monte de criança precisando. Temos um espaço coletivo para a criação dessas crianças, temos condições para adotá-las. Estamos começando a estudar e a saber como a parada funciona.
Que pensa da Marina Silva?
Acho que ela ainda não conseguiu traduzir para quem é entusiasmado com ela quais são os próximos passos que ela quer dar, acho que isso está meio nebuloso. Ainda é muito superficial e plástica essa conexão dela com o Eduardo Campos. Ela não fez um download disso.
Qual sua história pessoal?
Sou de Cuiabá, fiz comunicação e direito na faculdade, mas não graduei em nenhuma. Já fazia teatro, audiovisual e música desde pequeno, meus pais sempre incentivaram. Meu pai é historiador e minha mãe, assistente social, foi coordenadora do Mobral.
De onde surge a militância social?
A consciência social veio desse ambiente e também com minha mancha no rosto, ela também ajudou nisso, ajudou eu a ter uma percepção do diferente. Nasci com ela -é um hemangioma. Então a perspectiva do diferente sempre esteve comigo, em determinados momentos recebi tratamentos diferentes, e isso me aproximava de outros que também eram vistos assim… Mas hoje não, a partir do momento que resolvo essa questão, vou muito forte pra cima.
Qual sua rotina?
É um flow contínuo. Durmo pouco, umas 4, 5, às vezes 3 horas, inclusive sábado e domingo. A gente não trabalha, a gente vive né, você tem uma lógica diferente de dividir o tempo. As pessoas geralmente trabalham sob tortura das oito às seis, das seis às dez elas gastam os créditos que ganharam sob tortura para esquecê-la, e depois têm pesadelo nas oito horas seguintes para conseguir lidar com essa esquizofrenia.
A gente vive 18 horas por dia e sonha seis. Cada dia uma dinâmica nova.
Quais são os planos do Fora do Eixo?
Estamos lançando o portal do Mídia Ninja. Ideia é criar um hub comum não só com nosso conteúdo mas de outros coletivos e redes. Atualmente temos 2 mil colaboradores com a gente. Muitos coletivos se chamam Mídia Ninja e não necessariamente têm uma ligação direta com a gente. Haverá uma zona de curadoria manual, e um roll com uma timeline infinita onde vai entrar o que todo mundo postar. Vai ter também um live feed com os vídeos transmitidos ao vivo em tempo real.
Então funciona como TV e como portal. Estamos estruturando uma grade com programas fixos de estúdio também. Não serão necessariamente só nossos mas formam um mosaico. A ideia é produzir e redistribuir conteúdo qualificado de produções que estão invisíveis na rede. Rodam atualmente 5 milhões de page views semanais na nossa página no Facebook. Teremos 100 articulistas, de dentro e de fora de nossa rede.
Que outros projetos?
Temos 140 festivais no segundo semestre. E organizaremos a ‘República da Cinelândia’, que não é só nossa mais. Um monte de movimentos ocuparão durante o mês da Copa a Cinelândia, criando uma zona autônoma temporária que vai ter Constituição própria. Na República a maconha é legalizada, a homofobia é crime, a polícia é desmilitarizada. São provocações.
Em que termos vai se dar essa ocupação?
De 150 a 200 pessoas morando em barracas e recebendo a visita de jornalistas internacionais e interessados nesta disputa simbólica e narrativa do que significa essa Copa.
Como visualiza o futuro do jornalismo?
O novo jornalismo não é o velho jornalismo sem dinheiro. O novo é multifacetado, diverso, ajudando a mobilizar. É partícipe, é parcial, replica o outro. Nesse novo ambiente onde todo mundo tem mais ou menos o mesmo tamanho, você vai ter mais visibilidade se colocando, do que tentando apresentar os dois lados. Na formulação da opinião, o meio termo é o zero a zero universal. Não te leva pra frente nem pra trás.