Um ateu que lia a Biblia" Uma das questões legais que surgiu na live de Romero e o Pastor Marcos de Teresopólis, sobre o jornalista João da Penha. Autor de importantes livros no Brasil sobre o Existencialismo. Uma corrente de pensamento que me traz boas recordações do tempo da gradução, incluindo texto dissertativo sobre Sartre e o Existencialismo. Nota 10. O professor Antonio Conceição foi professor substituto na UFS em meados dos anos de 1990 e era bem legal ao estilo dos dois professores que fizeram a live ontem , 19/04, sobre João da Penha.
O titulo que abre esse comentário também foi citado na live de ontem pelo professor Romero Venâncio, aqui repito a expressão que ele disse, mas utilizando uma frase biblica, depois da palavra Existencialismo.
Zezito de Oliveira
Faleceu no dia 16 de abril de 2020 , o jornalista e filósofo João da Penha. Ele morreu completamente solitário em Teresópolis. Foi do PCB - Rio nos anos 70 e 80. Escreveu na revista Civilização Brasileira durante anos... e tem alguns livros publicados. Era um profundo conhecedor da obra de Sartre... e ainda foi tradutor. Aquele clássico intelectual de esquerda e de convicções.
João da Penha também colaborou em publicações culturais como Cult e Tempo Brasileiro. Autor, dentre outros livros, de O que é existencialismo (Brasiliense, 2011, 17. ed.) e Períodos Filosóficos (Ática 2000, 4.ed.), traduziu para revistas e jornais poemas dos russos Sierguêi Iessiênin e Alieksandr Blok, e contos de José Maria Argüedas, Júlio Cortázar e Gabriel García Márquez, publicados em Os primeiros contos de dez mestres da narrativa latino-americana (Paz e Terra, 1978).
Profº Romero Venâncio
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informações sobre ações culturais de base comunitária, cultura periférica, contracultura, educação pública, educação popular, comunicação alternativa, teologia da libertação, memória histórica e economia solidária, assim como noticias e estudos referentes a análise de politica e gestão cultural, conjuntura, indústria cultural, direitos humanos, ecologia integral e etc., visando ao aumento de atividades que produzam geração de riqueza simbólica, afetiva e material = felicidade"
sexta-feira, 24 de abril de 2020
EXISTENCIALISMO, EIS UM TEMPO FAVORÁVEL e O NEOLIBERALISMO COMO FUNDAMENTO DA CULTURA DE MORTE.
quarta-feira, 22 de abril de 2020
Ailton Krenak – O amanhã não está à venda
O amanhã não está à venda. Por Ailton Krenak
POR EQUIPE ULTRAJANO - ABRIL 20, 2020
Parei de andar mundo afora, cancelei compromissos. Estou com a minha família na aldeia Krenak, no médio rio Doce. Há quase um mês, nossa reserva indígena está isolada. Quem estava ausente regressou, e sabemos bem qual é o risco de receber pessoas de fora. Sabemos o perigo de ter contato com pessoas assintomáticas. Estamos todos aqui e até agora não tivemos nenhuma ocorrência.
A verdade é que vivemos encurrala dos e refugiados no nosso próprio território há muito tempo, numa reserva de 4 mil hectares — que deveria ser muito maior se a justiça fosse feita , e esse confinamento involuntário nos deu resiliência, nos fez mais resistentes. Como posso explicar a uma pessoa que está fechada há um mês num apartamento numa grande metrópole o que é o meu isolamento? Desculpem dizer isso, mas hoje já plantei milho, já plantei uma árvore…
Faz algum tempo que nós na aldeia Krenak já estávamos de luto pelo nosso rio Doce. Não imaginava que o mundo nos traria esse outro luto. Está todo mundo parado. Quando engenheiros me disseram que iriam usar a tecnologia para recuperar o rio Doce, perguntaram a minha opinião. Eu respondi: “A minha sugestão é muito difícil de colocar em prática. Pois teríamos de parar todas as atividades humanas que incidem sobre o corpo do rio, a cem quilômetros nas margens direita e esquerda, até que ele voltasse a ter vida”. Então um deles me disse: “Mas isso é impossível”. O mundo não pode parar. E o mundo parou.
Vivemos hoje esta experiência de isolamento social, como está sendo definido o confinamento, em que todas as pessoas têm de se recolher. Se durante um tempo éramos nós, os povos indígenas, que estávamos ameaçados da ruptura ou da extinção do sentido da nossa vida, hoje estamos todos diante da iminência de a Terra não suportar a nossa demanda. Assistimos a uma tragédia de gente morrendo em diferentes lugares do planeta, a ponto de na Itália os corpos serem transportados para a incineração em caminhões.
Essa dor talvez ajude as pessoas a responder se somos de fato uma humanidade. Nós nos acostumamos com essa ideia, que foi naturalizada, mas ninguém mais presta atenção no verdadeiro sentido do que é ser humano. É como se tivéssemos várias crianças brincando e, por imaginar essa fantasia da infância, continuassem a brincar por tempo indeterminado. Só que viramos adultos, estamos devastando o planeta, cavando um fosso gigantesco de desigualdades entre povos e sociedades. De modo que há uma sub humanidade que vive numa grande miséria, sem chance de sair dela – e isso também foi naturalizado.
O presidente da República disse outro dia que brasileiros mergulham no esgoto e não acontece nada. O que vemos nesse homem é o exercício da necropolítica, uma decisão de morte. É uma mentalidade doente que está dominando o mundo. E temos agora esse vírus, um organismo do planeta, respondendo a esse pensamento doentio dos humanos com um ataque à forma de vida insustentável que ado tamos por livre escolha, essa fantástica liberdade que todos adoram rei vindicar, mas ninguém se pergunta qual o seu preço.
Esse vírus está discriminando a humanidade. Basta olhar em volta. O melão-de-são-caetano continua a crescer aqui do lado de casa. A natureza segue. O vírus não mata pássaros, ursos, nenhum outro ser, apenas humanos. Quem está em pânico são os povos humanos e seu mundo artificial, seu modo de funcionamento que entrou em crise.
É terrível o que está acontecendo, mas a sociedade precisa entender que não somos o sal da terra. Temos que abandonar o antropocentrismo; há muita vida além da gente, não fazemos falta na biodiversidade. Pelo contrário. Desde pequenos, aprendemos que há listas de espécies em extinção. Enquanto essas listas aumentam, os humanos proliferam, destruindo florestas, rios e animais. Somos piores que a Covid-19. Esse pacote chamado de humanidade vai sendo descolado de maneira absoluta desse organismo que é a Terra, vivendo numa abstração civilizatória que suprime a diversidade, nega a pluralidade das formas de vida, de existência e de hábitos.
Os únicos núcleos que ainda consideram que precisam se manter agarrados nessa Terra são aqueles que ficaram meio esquecidos pelas bordas do planeta, nas margens dos rios, nas beiras dos oceanos, na África, na Ásia ou na América Latina.Esta é a sub-humanidade: caiçaras, índios, quilombolas, aborígenes. Existe, então, uma humanidade que integra um clube seleto que não aceita novos sócios. E uma camada mais rústica e orgânica, uma sub-humanidade, que fica agarrada na Terra. Eu não me sinto parte dessa humanidade. Eu me sinto excluído dela.
Fomos, durante muito tempo, embalados com a história de que somos a humanidade e nos alienamos desse organismo de que somos parte, a Terra, passando a pensar que ele é uma coisa e nós, outra: a Terra e a humanidade. Eu não percebo que exista algo que não seja natureza. Tudo é natureza. O cosmos é natureza. Tudo em que eu consigo pensar é natureza.
Nós, a humanidade, vamos viver em ambientes artificiais produzidos pelas grandes corporações, que são os donos da grana. Agora esse organismo, o vírus, parece ter se cansado da gente, parece querer se divorciar da gente como a humanidade quis se divorciar da natureza. Ele está querendo nos “desligar”, tirando o nosso oxigênio. Quando a Covid-19 ataca os pulmões, o doente precisa de um respirador, um aparelho para alimentação de oxigênio,senão ele morre. Quantas máquinas dessas vamos ter de fazer para 7 bilhões de pessoas no planeta?
A nossa mãe, a Terra, nos dá de graça o oxigênio, nos põe para dormir, nos desperta de manhã com o sol, deixa os pássaros cantar, as correntezas e as brisas se moverem, cria esse mundo maravilhoso para compartilhar, e o que a gente faz com ele? O que esta mos vivendo pode ser a obra de uma mãe amorosa que decidiu fazer o filho calar a boca pelo menos por um ins tante. Não porque não goste dele, mas por querer lhe ensinar alguma coisa. “Filho, silêncio.” A Terra está falando isso para a humanidade. E ela é tão maravilhosa que não dá uma ordem. Ela simplesmente está pedindo: “Si lêncio”. Esse é também o significado do recolhimento.
Quem dera eu pudesse fazer uma mágica para nos tirar desse confina mento, que pudesse fazer todos sentirem a chuva cair. É hora de contar histórias às nossas crianças, de explicar a elas que não devem ter medo. Não sou um pregador do apocalipse, o que tento é compartilhar a mensagem de um outro mundo possível. Para com bater esse vírus, temos de ter primeiro cuidado e depois coragem.
Vemos algumas pessoas defenderem a manutenção da atividade econômica, dizendo que “alguns vão mor rer” e é inevitável. Esse tipo de abordagem afeta as pessoas que amam os idosos, que são avós, pais, filhos, irmãos. É uma declaração insensata, não tem sentido que alguém em sã consciência faça uma comunicação pública dizendo “alguns vão morrer”. É uma banalização da vida, mas também é uma banalização do poder da palavra. Pois alguém que fala isso está pronunciando uma condenação, tanto de alguém em idade avançada, como de seus filhos, netos e de todas as pes soas que têm afeto uns com outros. Imagine se vou ficar em paz pensando que minha mãe ou meu pai podem ser descartados. Eles são o sentido de eu estar vivo. Se eles podem ser descarta dos, eu também posso.
Governos burros acham que a eco nomia não pode parar. Mas a economia é uma atividade que os humanos inventaram e que depende de nós. Se os humanos estão em risco, qualquer atividade humana deixa de ter importância. Dizer que a economia é mais importante é como dizer que o navio importa mais que a tripulação. Coisa de quem acha que a vida é baseada em meritocracia e luta por poder. Não podemos pagar o preço que estamos pagando e seguir insistindo nos erros.
Michel Foucault tem uma obra fantástica, Vigiar e punir, na qual afirma que essa sociedade de mercado em que vivemos só considera o ser humano útil quando está produzindo. Como avanço do capitalismo, foram criados os instrumentos de deixar viver e de fazer morrer: quando o indivíduo para de produzir, passa a ser uma despesa. Ou você produz as condições para se manter vivo ou produz as condições para morrer. O que conhecemos como Previdência, que existe em todos os países com economia de mercado, tem um custo. Os governos estão achando que, se morressem todas as pessoas que representam gastos, seria ótimo. Isso significa dizer: pode deixar morrer os que integram os grupos de risco. Não é ato falho de quem fala; a pessoa não é doida, é lúcida, sabe o que está falando.
Desde muito tempo, a minha comunhão com tudo o que chamam de natureza é uma experiência que não vejo ser valorizada por muita gente que vive na cidade. Já vi pessoas ridicularizando: “ele conversa com árvore, abraça árvore, conversa com o rio, contempla a montanha”, como se isso fosse uma espécie de alienação. Essa é a minha experiência de vida. Se é alienação, sou alienado. Há muito tempo não programo atividades para “depois”. Temos de parar de ser convencidos. Não sabemos se estaremos vivos amanhã. Temos de parar de vender o amanhã.
Penso naqueles versos do Carlos Drummond de Andrade: “Stop./ A vida parou/ ou foi o automóvel?”. Essa é uma parada para valer. O ritmo de hoje não é o da semana passada nem o do ano novo, do verão, de janeiro ou fevereiro. O mundo está agora numa suspensão. E não sei se vamos sair dessa experiência da mesma ma neira que entramos. É como um anzol nos puxando para a consciência. Um tranco para olharmos para o que real mente importa.
Tem muita gente que suspendeu projetos e atividades. As pessoas acham que basta mudar o calendário. Quem está apenas adiando compromissos, como se tudo fosse voltar ao normal, está vivendo no passado. O futuro é aqui e agora, pode não haver o ano que vem. Ninguém escapa, nem aquelas pessoas saindo de carro importado para mandar seus empregados voltarem ao trabalho, como se fossem escravos. Se o vírus pegá-los, eles podem morrer, igual a todos nós. Com ou sem Land Rover.
As cidades são sorvedouros de energia: se faltar eletricidade, as pessoas morrem fechadas nos seus apartamentos, sem conseguir descer. Não tivemos capacidade crítica para pensar as consequências de uma crise sanitária nos grandes centros urbanos, e preciso confessar que tenho do de quem vive nessas metrópoles. Muitas pessoas vivem sozinhas nesses centros, deixamos de ser sociais porque estamos num local com mais 2 milhões de pessoas.
Em artigo que li sobre a pandemia, o sociólogo italiano Domenico De Masi cita a obra profética A peste, de Albert Camus: a peste pode vir e ir em bora sem que o coração do homem seja modificado. Ele cita um trecho inteiro do romance em que o personagem diz algo assim: o bacilo que trouxe aquela mortandade, que parece que tinha sido dominado, podia continuar oculto em alguma dobra, algum corri mão, janela, poltrona, só esperando o dia em que, infortúnio ou lição aos homens, a peste acordará seus ratos para mandá-los morrer numa cidade feliz.
Tomara que não voltemos à normalidade, pois, se voltarmos, é porque não valeu nada a morte de milhares de pessoas no mundo inteiro. Depois disso tudo, as pessoas não vão que rer disputar de novo o seu oxigênio com dezenas de colegas num espaço pequeno de trabalho. As mudanças já estão em gestação. Não faz sentido que, para trabalhar, uma mulher tenha de deixar os seus filhos com outra pessoa. Não podemos voltar àquele ritmo, ligar todos os carros, todas as máquinas ao mesmo tempo.
Seria como se converter ao negacionismo, aceitar que a Terra é plana e que devemos seguir nos devorando. Aí, sim, teremos provado que a humanidade é uma mentira.
terça-feira, 21 de abril de 2020
O jornal francês Le Monde publicou uma entrevista de duas páginas com Edgar Morin. Excertos
Eduardo Lôbo Costa :
"-- Sei que um confinamento prolongado será vivido como um impedimento. Os vídeos não podem a longo prazo substituir a ida ao cinema, os tablets não podem substituir a ida à livraria. Os Skype e Zoom não possibilitam o contato carnal, o tim-tim das taças num brinde. A comida doméstica, mesmo excelente, não suprime o desejo de ir ao restaurante. Os documentários não suprimirão a vontade de conhecer de perto as paisagens, as cidades e os museus. A redução ao indispensável desperta a sede do supérfluo.
-- Essa epidemia nos traz um festival de incertezas. Não temos certeza da origem do vírus: mercado insalubre de Wuhan ou laboratório vizinho. Não sabemos quando regredirá e nem se o vírus se tornará endêmico. Não sabemos as consequências políticas, econômicas, nacionais e planetárias das restrições impostas pelos confinamentos. Não sabemos se devemos esperar o pior, ou o melhor, ou uma mistura dos dois: vamos rumo a novas incertezas.
-- A ciência não é um repertório de verdades absolutas e suas teorias são biodegradáveis sob o efeito de descobertas novas. Na ciência, foram os "desviantes", de Pasteur a Einstein, passando por Darwin, que as fizeram progredir. Agora há muitas ideias "desviantes" e marginalizadas se espalhando: retorno à soberania, Estado Providência, defesa do serviço público contra as privatizações, repatriamento de indústrias, desglobalização, anti-neoliberalismo.
-- Como crise econômica, a pandemia sacode todos os dogmas que governam a economia, e ameaça agravar as penúrias de nosso futuro. Como crise nacional, revela as carências de uma política que favoreceu o capital em detrimento do trabalho, e sacrificou prevenção e precaução ao aumento de rentabilidade e competitividade. Como crise civilizacional, nos leva a perceber as carências de solidariedade e a intoxicação consumista que nossa civilização desenvolveu.
-- Os desconfinamentos serão o começo da saída da mega-crise ou seu agravamento? Boom ou depressão? Enorme crise econômica? Crise alimentar mundial?
-- Todos os futurologistas que previam o futuro a partir das correntes do presente desmoronaram. Continuamos a prever 2025 e 2050, mas somos incapazes de compreender 2020."
-- A ciência não é um repertório de verdades absolutas e suas teorias são biodegradáveis sob o efeito de descobertas novas. Na ciência, foram os "desviantes", de Pasteur a Einstein, passando por Darwin, que as fizeram progredir. Agora há muitas ideias "desviantes" e marginalizadas se espalhando: retorno à soberania, Estado Providência, defesa do serviço público contra as privatizações, repatriamento de indústrias, desglobalização, anti-neoliberalismo.
-- Como crise econômica, a pandemia sacode todos os dogmas que governam a economia, e ameaça agravar as penúrias de nosso futuro. Como crise nacional, revela as carências de uma política que favoreceu o capital em detrimento do trabalho, e sacrificou prevenção e precaução ao aumento de rentabilidade e competitividade. Como crise civilizacional, nos leva a perceber as carências de solidariedade e a intoxicação consumista que nossa civilização desenvolveu.
-- Os desconfinamentos serão o começo da saída da mega-crise ou seu agravamento? Boom ou depressão? Enorme crise econômica? Crise alimentar mundial?
-- Todos os futurologistas que previam o futuro a partir das correntes do presente desmoronaram. Continuamos a prever 2025 e 2050, mas somos incapazes de compreender 2020."
Notável Morin.
Via Vandevaldo Nogueira
segunda-feira, 20 de abril de 2020
SE A PANDEMIA DE CORONAVIRUS TIVESSE ACONTECIDO NOS TEMPOS DA AMABA, NA ARACAJU DOS ANOS DE 1980/1990?
"O historiador não é aquele que fala do passado. Ele se serve do que sabe do passado para falar do presente, para compreender o que se passa hoje".
Marc Ferro
Por Zezito de Oliveira
Na semana passada, uma noticia bem positiva com relação a forma como a periferia está enfrentando o coronavirus nos chamou a atenção.
Na semana passada, uma noticia bem positiva com relação a forma como a periferia está enfrentando o coronavirus nos chamou a atenção.
O motivo principal foi a criação da figura dos “ presidentes de rua” , estratégia que o movimento comunitário em Paraisopólis encontrou para não depender do estado, o que na prática significa evitar a morte de mais gente nas periferias por causa da pandemia.
Os presidentes de rua, tem como função de acordo com a matéria que está no link abaixo:
Logo após a leitura, foram acionadas lembranças acerca de informações e documentos do período cronológico (1990 a 1993), referente a pesquisa que estamos realizando. Estas trazem a relação do trabalho de base realizado por meio da AMABA e, inspirado pela forma descentralizada e colegiada como a Arquidiocese de São Paulo organizava o trabalho pastoral, isso refletiu na adesão a ideia de dividir o bairro em regiões, com os representantes eleitos, chamados de conselheiros, escolhidos em eleições por moradores de cada região.
Vale ressaltar, isso foi facilitado pela vitória da chapa 1, através do qual fui eleito para presidente no ano de 1989. Em que pese algumas tentativas de descentralização em anos anteriores, porém sem êxito. Já essa tentativa bem sucedida durou até o ano de 1993.
Esses conselheiros reunidos depois de escolhidos nas regiões, elegiam dentre eles o presidente, o secretário e o tesoureiro. Essa proposta buscava uma maneira de combater o personalismo na figura do presidente, a centralização, buscávamos fazer com que houvesse processo de organização que facilitasse o trabalho com as bases e a participação dessas nas decisões da entidade.
Isso ajuda a explicar, porque três pessoas com quem conversei recentemente tem boas recordações do trabalho da AMABA a partir de 1990, mas não se recordavam da minha pessoa como presidente. Dois por morarem nas imediações do bairro América e não participar do cotidiano da associação, e o outro por ter começado a participar da AMABA através de atividades do Projeto Reculturarte.
Acerca deste último, acontecia uma questão interessante e que confundia a cabeça de muitas crianças e adolescentes que participavam do Reculturarte,
Tratava-se do papel do coordenador do projeto e o papel de presidente da AMABA, o que para muitos eram a mesma pessoa, já que somente o coordenador do projeto podia ser remunerado para ficar a disposição do projeto, logo, permanecendo por mais tempo na sede da entidade e circulando pelo bairro. O contrário do presidente da AMABA, que trabalhava e fazia universidade durante o dia, e que era proibido de receber remuneração por conta da legislação da época, mesmo com o trabalho especializado a serviço do projeto sociocultural que muitas vezes realizava. Trabalho que misturava competências de educador popular com assistente social.
Isso ajuda a explicar, porque três pessoas com quem conversei recentemente tem boas recordações do trabalho da AMABA a partir de 1990, mas não se recordavam da minha pessoa como presidente. Dois por morarem nas imediações do bairro América e não participar do cotidiano da associação, e o outro por ter começado a participar da AMABA através de atividades do Projeto Reculturarte.
Acerca deste último, acontecia uma questão interessante e que confundia a cabeça de muitas crianças e adolescentes que participavam do Reculturarte,
Tratava-se do papel do coordenador do projeto e o papel de presidente da AMABA, o que para muitos eram a mesma pessoa, já que somente o coordenador do projeto podia ser remunerado para ficar a disposição do projeto, logo, permanecendo por mais tempo na sede da entidade e circulando pelo bairro. O contrário do presidente da AMABA, que trabalhava e fazia universidade durante o dia, e que era proibido de receber remuneração por conta da legislação da época, mesmo com o trabalho especializado a serviço do projeto sociocultural que muitas vezes realizava. Trabalho que misturava competências de educador popular com assistente social.
Quanto aos bons resultados das regiões e grupos de rua, o experimento avançou muito mais na região do Campo do Vidro. Por coincidência, área de nascimento da associação e bastante abandonada pelo poder público.
Foram coordenadores dessas regiões os jovens, éramos todos jovens, Luis Fernando e Antônio Wanderley, este último também artista plástico e desenhista. Todos os dois prestaram inestimáveis contribuição a população do bairro América.

Luiz Fernando - Em pé de óculos e bigode. De frente Aparecida e de costas Paulo Sérgio. Essa cena é uma dramatização, possivelmente como parte de um exercicio de psicodrama. A foto tem como local o Recanto Franciscano, casa de retiros localizada no bairro Mosqueiro em Aracaju. O ano é 1992.


Luiz Fernando - Em pé de óculos e bigode. De frente Aparecida e de costas Paulo Sérgio. Essa cena é uma dramatização, possivelmente como parte de um exercicio de psicodrama. A foto tem como local o Recanto Franciscano, casa de retiros localizada no bairro Mosqueiro em Aracaju. O ano é 1992.

Wanderley, de cocóras e Antônio Luiz, olhando para a câmera.
No capitulo do livro que dedicaremos a esse desenho ou redesenho de gestão, traremos mais detalhes sobre o sucesso parcial da proposta e sobre as dificuldades para conseguirmos avançar, dificuldades que deita raízes em nosso passado colonial, escravocrata, e que nos deixou marcas profundas de autoritarismo, paternalismo, passividade, acomodação, conformismo, apego exagerado a tradição e ao estabelecido, falta de hábito pelo estudo, preguiça ou dificuldades em pensar, medo de inovar.
Isso também ajuda a explicar o retrocesso violento que o nosso país está sofrendo na atualidade, depois das avançadas gestões de Lula e primeiro governo da presidenta Dilma Roussef, mesmo com os limites e contradições que acabaram por provocar o colapso "programado" do seu segundo mandato, o que contaminou os demais poderes da república, além de amplos setores da iniciativa privada e da sociedade civil que embarcaram na canoa furada ou no titanic do golpe de 2016, motivos do afundamento do Brasil desde então.
No capitulo do livro que dedicaremos a esse desenho ou redesenho de gestão, traremos mais detalhes sobre o sucesso parcial da proposta e sobre as dificuldades para conseguirmos avançar, dificuldades que deita raízes em nosso passado colonial, escravocrata, e que nos deixou marcas profundas de autoritarismo, paternalismo, passividade, acomodação, conformismo, apego exagerado a tradição e ao estabelecido, falta de hábito pelo estudo, preguiça ou dificuldades em pensar, medo de inovar.
Isso também ajuda a explicar o retrocesso violento que o nosso país está sofrendo na atualidade, depois das avançadas gestões de Lula e primeiro governo da presidenta Dilma Roussef, mesmo com os limites e contradições que acabaram por provocar o colapso "programado" do seu segundo mandato, o que contaminou os demais poderes da república, além de amplos setores da iniciativa privada e da sociedade civil que embarcaram na canoa furada ou no titanic do golpe de 2016, motivos do afundamento do Brasil desde então.
E em se tratando de epidemia, entre os anos de 1990 a 1993, o país é sacudido por uma epidemia de varíola e a AIDS ainda uma doença recente, estava levando muitas pessoas a óbito. A forma como a AMABA se engajou no esforço de educação preventiva também merece ser relembrado. Aqui vale ressaltar a participação de Antônio Luís, secretário executivo da AMABA, o qual visitava escolas e outras associações de moradores para levar filmes, slides e folhetos de orientação visando a proteção contra a coléra, contra o vírus da AIDS e contra o uso de drogas, essa última campanha em parceria com o setor educativo da policia federal, o qual liberava folhetos e às vezes um agente especializado para palestras.
Antônio Luis também prestou inestimável contribuição para o desenvolvimento atual do Bairro América. Tendo a sua contribuição se ampliado, ainda no tempo da AMABA, para a cidade de Aracaju como um todo. Considerando o seu engagamento posterior no movimento sindical dos aposentados e atualmente na federação dos conselhos comunitários de segurança.
Antônio Luis também prestou inestimável contribuição para o desenvolvimento atual do Bairro América. Tendo a sua contribuição se ampliado, ainda no tempo da AMABA, para a cidade de Aracaju como um todo. Considerando o seu engagamento posterior no movimento sindical dos aposentados e atualmente na federação dos conselhos comunitários de segurança.
Antônio Luis e o autor desse artigo. Sede da AMABA - foto de 1993.
Por último, voltando mais uma vez para a periferia de São Paulo encontro uma noticia negativa, aqui trata-se de uma área conhecida como Brasilândia, nessa região, segundo o blog de uma rádio comunitária da região, a Cantareira, apesar de ser uma área com o maior número de caso de coronavirus, a população residente, em sua maioria, não reage com os cuidados que a gravidade da situação requer.
Por último, voltando mais uma vez para a periferia de São Paulo encontro uma noticia negativa, aqui trata-se de uma área conhecida como Brasilândia, nessa região, segundo o blog de uma rádio comunitária da região, a Cantareira, apesar de ser uma área com o maior número de caso de coronavirus, a população residente, em sua maioria, não reage com os cuidados que a gravidade da situação requer.
Logo me lembrei de uma situação que essa região viveu nas décadas de 1980 e 1990, quando teve como bispo D. Angélico Sandalo Bernardino. A esse respeito escrevi e postei no facebook.
“A Brasilândia foi um território com grande quantidade de comunidades de base quando o Cardeal Arns foi arcebispo de SP. Em razão da redivisão da arquidocese, politica do Vaticano visando enfraquecer esse trabalho, a região Brasilândia que continuou sob a jurisdição do Cardeal Arns, ganhou Dom Angelo Sandalo Bernardino como bispo auxiliar. Ele que foi bispo auxiliar da região episcopal de São Miguel Paulista. A pergunta que não quer calar.. Caso o trabalho com comunidades eclesais de base não tivesse sido enfraquecido pelo Papa João Paulo II, em favor do fortalecimento da renovação carismática entre outros tipos de movimentos neoconservadores, a Brasilandia não estaria em situação melhor? Quanto a essa e outras questões que requer mais consciência cidadã, compromisso social e solidariedade pró ativa.”
Uma das pessoas que comentou a minha postagem em um grupo de adeptos da teologia da libertação fez uma afirmação e eu respondi. Essa resposta ajuda a entender um pouco mais como se deu a influência do pensamento e da ação pastoral de Dom Paulo Evaristo Arns, quando foi arcebispo da maior arquidiocese da América Latina, inclusive por meio do jornal "O São Paulo", o qual chegou na sede da AMABA durante alguns anos por meio de assinatura anual.
Afirmação : Você acertou na sua dissertiva sobre o bairro da brasilandia.
Resposta: E só estive na região Brasilândia apenas uma vez. Mas acompanhei bastante o que aconteceu na periferia de SP nas décadas de 1980/1990, por meio da assinatura do Jornal "O SÃO PAULO" e do Jornal Grita Povo da Região Episcopal São Miguel Paulista. Além dos cursos de verão do CESEEP e dos materiais escritos, que alimentaram o meu trabalho de base nesse periodo, aqui em Aracaju.Estes eram distribuídos pelo então Centro de Pastoral Vergueiro (CPV). Aqui em Aracaju foi um trabalho pastoral e laico ao mesmo tempo. Depois explico com mais detalhes.
E para concluir: Fundamental pensarmos esse momento para fortalecermos redes politicas de solidariedade, politicas porque não se faz solidariedade apenas prestando assistência ou alivio imediato. Mas pensando o agora e o depois. Bem na linha do que afirmou Dom Hélder: "Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista."
E para concluir: Fundamental pensarmos esse momento para fortalecermos redes politicas de solidariedade, politicas porque não se faz solidariedade apenas prestando assistência ou alivio imediato. Mas pensando o agora e o depois. Bem na linha do que afirmou Dom Hélder: "Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista."
P.S.: O trabalho social educativo com arte e cultura realizado pela AMABA, foi financiado de forma permanente pela Visão Mundial, desde 1989 até 1999. E de forma intermitente pela Coordenadoria Ecumênica de Servico (CESE). O Unicef fez repasse de pequeno repasse uma vez e o então deputado Renatinho Brandão (PT) fez repasse razoável uma ou duas vezes, não temos certeza. O Centro Sergipano de Educação Popular prestou assessoria fundamental nos dois primeiros anos e depois esporadicamente. O Centro Nordestino de Animação Popular , localizado em Pernambuco e especializado em arte-educação popular, prestou assessoria a distância, presencial e significativa, em especial de 1992 à 1995. O Centro Ecumênico de Serviços a Evangelização e a Educação localizado em São Paulo, colaborou de forma indireta por meio dos cursos de verão em 1990 e 1991. Inclusive por meio deste chegamos ao CENAP.
O serviço voluntário permanente por parte de alguns dirigentes foi imprescindivel,
assim como por parte de alguns sócios, de forma esporádica.
A parceria com a Igreja São Judas Tadeu foi muito importante,
em especial no período compreendido entre 1983 e 1991 na pessoa do Frei Florêncio Pecorari.
Assim como a Escola Estadual Souza Porto, na pessoa do diretor Carlos, entre 1986 e 1991.
Alguns comerciantes do bairro foram parceiros importantes.
A todos, o nosso mais sincero e afetuoso agradecimento.
A todos, o nosso mais sincero e afetuoso agradecimento.
DOCUMENTOS SOBRE A REFORMA NO ESTATUTO QUE DESCENTRALIZOU E DEMOCRATIZOU A AMABA.

DOCUMENTOS SOBRE O TRABALHO EDUCATIVO E PREVENTIVO CONTRA A COLÉRA E CONTRA A AIDS.
Jornal Popular - Nº 19 - Junho de 1991

Jornal de Sergipe - 17 de julho de 1991
O texto a esquerda no recorte acima, foi extraído do Jornal "O São Paulo" da Arquidiocese de São Paulo. Não encontramos mais detalhes acerca da edição ou ano de publicação. Provavelmente é do ano de 1991.
DOCUMENTOS RELATIVOS A PARTICIPAÇÃO DE REPRESENTANTES DA AMABA NO CURSO DE VERÃO PROMOVIDO PELO CESEEP NAS DEPENDENCIAS DA PUC-SP.
Jornal Popular - Nº 06 - Fevereiro de 1990

Zezito de Oliveira e Paulo Sérgio no Curso de Verão de 1992 . Teatro da PUC/SP. Em destaque, saindo do palco por um dos corredores, após uma fala de boas vindas, o saudoso Arcebispo de São Pauo, Dom Paulo Evaristo Arns.
Cardeal Arns, personagem emblemático da história do Brasil contemporâneo se foi, mas o Curso de Verão prossegue.
Até uma parte do mesmo, pode ser visto aqui na net.. Vale a pena participar de maneira presencial..
Sugestões bibliográficas:
Livro conta a história do Bairro América
Dom Paulo Evaristo Arns – um homem amado e perseguido
A censura ao jornal O São Paulo durante a ditadura militar (1964-1985): desafio à evangelização na cidade de São Paulo
artigos,monografias, dissertação e teses..
artigos,monografias, dissertação e teses..
ESTIGMAS NA EDUCAÇÃO: O ENCARCERAMENTO SIMBÓLICO DAS JUVENTUDES DO
BAIRRO AMÉRICA EM ARACAJU/SERGIPE
UMA FONTE PARA A HISTÓRIA DO CATOLICISMO EM SERGIPE: O PRIMEIRO LIVRO TOMBO DA PARÓQUIA SÃO JUDAS TADEU – ARACAJU/SE (1961 – 2016)
Do MEB ao CESEP : uma análise da educação popular em Sergipe
Os princípios políticos e a prática educativa do CESEP: processos formativos de uma ONG em Sergipe: 1988/1998
BOLETIM DA AMABA DEZEMBRO DE 1984 - ARQUIVO DIGITAL DO CENTRO PASTORAL VERGUEIRO.
CURSO DE VERÃO: UM PROJETO DE EDUCAÇÃO POPULAR FEITO EM MUTIRÃO.
METODOLOGIA DA EDUCAÇÃO POPULAR: CONCEITOS, PRÁTICAS E APRENDIZAGENS NO CURSO DE VERÃO 2018
BAIRRO AMÉRICA EM ARACAJU/SERGIPE
UMA FONTE PARA A HISTÓRIA DO CATOLICISMO EM SERGIPE: O PRIMEIRO LIVRO TOMBO DA PARÓQUIA SÃO JUDAS TADEU – ARACAJU/SE (1961 – 2016)
Do MEB ao CESEP : uma análise da educação popular em Sergipe
Os princípios políticos e a prática educativa do CESEP: processos formativos de uma ONG em Sergipe: 1988/1998
BOLETIM DA AMABA DEZEMBRO DE 1984 - ARQUIVO DIGITAL DO CENTRO PASTORAL VERGUEIRO.
CURSO DE VERÃO: UM PROJETO DE EDUCAÇÃO POPULAR FEITO EM MUTIRÃO.
METODOLOGIA DA EDUCAÇÃO POPULAR: CONCEITOS, PRÁTICAS E APRENDIZAGENS NO CURSO DE VERÃO 2018
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AMABA/PROJETO RECULTURARTE – O ESQUECIDO CÍRCULO DE CULTURA DA ARACAJU DOS ANOS DE 1980 E 1990
RESUMO
Este artigo apresenta o Projeto Reculturarte (Reeducação, Cultura e Arte), realizado nos anos de 1990 em Aracaju, proposta pioneira e inovadora de arte-educação popular, atual e necessária nestes tempos de fake news, individualismo exacerbado e falta de espaços para a socialização criativa e crítica de crianças, jovens e adultos. Os resultados preliminares da pesquisa iniciada em 2018 mostram avanços no campo da construção de sentido, protagonismo cidadão e preenchimento do tempo livre de forma construtiva.
Palavras-chave: adolescentes; arte; comunidade; cultura de paz; educação popular.
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São 57 artigos e 6 projetos de intervenção, em 421 páginas, escritos por 75 autores(as) que analisam sob diferentes pontos de vista as "fake news" em relação ao pensamento, à obra e até mesmo à pessoa de Paulo Freire.
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