terça-feira, 25 de janeiro de 2022

UMA NOTINHA DE NADA MOTIVADA PELO VÍDEO DA VEZ DO OLAVO DE CARVALHO -

 Romero Venâncio - 

Publicado no facebook. 7/6/2020.

Alguns amigos e amigas me recomendaram um curto vídeo com uma fala do Olavo de Carvalho completamente celerado e atacando seu pupilo Bolsonaro. O que em nada me surpreende. Tenho evitado falar desta figura, mesmo sabendo de seu papel nesse Brasil do momento. 

Agora e por razões pessoais, falo um breve episódio que vi. Conheci-o pessoalmente em 1992 na UFPB. Estava terminando minha graduação em filosofia. Na ocasião, ele foi levado a universidade por uma astróloga e professora do departamento de geografia à época (que não lembro o nome dela agora) da UFPB. 

Pelo que vi, ela se dizia amiga do Olavo. Escutei ele por mais de uma hora numa sala de aula do CCHLA/UFPB onde não tinha mais do que 40 pessoas e ele atacou o tempo inteiro alguns pensadores brasileiros: analfabetos, não sabem de filosofia, não conhecem Aristóteles, são comunistas disfarçados, doutrinadores e ateus... Revelou todo um ódio que eu nunca tinha visto até aquele momento a quatro figuras (que na época, eu os lia): Gerd Bornheim, Marilena Chauí, Carlos Nelson Coutinho e Leandro Konder (que ele dizia ser o mais sério! e ainda tinha algum respeito na época). 

Para ele, eram a derrota de toda a filosofia praticada no Brasil. No momento, fiquei sem saber o que pensar!!! E depois falei rapidamente com ele no cafezinho da praça da alegria (Olavo esteve na praça da alegria e no café da saudosa Nanci!!!) e tenho apenas uma lembrança dele ter me dito que procurasse conhecer Bruno Tolentino. Dizia ele ser esta figura o maior poeta brasileiro vivo e grande erudito. 

O Olavo que guardei pra mim: uma figura muito inteligente, cativante, ressentida e doente mentalmente.Resumo ele assim naquele tempo e hoje ainda. Para mim, toda a "loucura" do Olavo está expressa nas primeiras páginas de "O jardim das aflições" quando ele fala de José Américo Motta Pessanha com um ódio e uma inveja siderais. 

Nunca havia lido algo assim. Ali tem tudo. Um dia penso em escrever mais detidamente sobre isto e como ele fez sucesso em redes sociais num vaco deixado pelas esquerdas acadêmicas. Por hora, me basta isto: uma das razões do crescimento e da fama dele se deu por conta de uma série de preconceitos que os acadêmicos de esquerda das universidades têm (ou tinham!!!) com as redes sociais... E em politica ou em rede social é assim: Não existe vaco esperando futura celebridade... 

Onde, possivelmente exista, alguns/alguém ocupa. Foram décadas de Olavo e seus cursos de "formação de base em extrema direita, teorias da conspiração e filosofias avulsas" e com apoio de editoras conservadoras. O resultado já temos ai e com prazo de duração. Mas isto é assunto para um outro momento. Aguardo ansiosamente a leitura do livro do prof. João Cezar de Castro Rocha (ensaísta e Professor Titular de Literatura Comparada da UERJ): "Guerra Cultural Bolsonarista – A Retórica do Ódio". Pelo que ouvi do professor numa live de quarentena, vai na linha do que penso sobre esse Olavo. Mas quero muito ler o livro e continuar modestamente minhas reflexões...

Essa introdução foi apenas para dizer uma coisa sobre o vídeo que vi: não nos iludamos ou nos enganemos com Olavo... A aposta dele é sempre alta.

Romero Venâncio (Filosofia - UFS)

Leia também:

Olavo viveu para entender que foi usado e descartado por Bolsonaro - Leonardo Sakamoto

 O entrevistado entende do assunto e é uma pessoa que fala de uma forma bem legal...

Repórter conta o que aprendeu em aula com guru de Bolsonaro

Olavo de Carvalho morre de Covid e deixa o bolsonarismo órfão de seu maior guru

 https://www.youtube.com/watch?v=b94bJI1foE4 







E morreu Olavo de Carvalho. 
Horacio Neiva


Talvez não tenha havido, no Brasil recente, nenhuma personalidade do mundo da cultura mais influente politicamente que ele. O resultado dessa influência está aí: radicalismo ideológico, polarização e degradação do debate público.

Por ocasião da data, gostaria de falar da minha própria experiência com o olavismo e que talvez ajude a entender a influência e o impacto que o Olavo teve nessa geração. 

Conheci o Olavo nos idos de 2007, por meio de um texto famoso na época: A tragédia do estudante sério no Brasil. O texto tinha muitos elementos que mexiam com um jovem universitário: Olavo nos tratava como intelectuais em potencial e como vítimas de circunstâncias alheias a nós. 

Além disso, despejava uma multidão de autores que nunca tínhamos ouvido falar, o que, além de despertar a curiosidade, sugeria a ideia de que 1) nossos professores eram ignorantes (e o Olavo era luz); 2) havia um complô para nos impedir o acesso a essas fontes de conhecimento 

Estávamos, na época, no segundo mandato do Lula, e o clima de antipetismo já estava instaurado, apesar dos índices de aprovação do presidente. O Mensalão havia minado parte da credibilidade moral do governo. 

2008, por exemplo, foi o auge do blog do Reinaldo Azevedo e o ano em que foi publicado o "País dos Petralhas". Nesse caldo político, Olavo fazia a associação entre crise da cultura e degradação política, associando o estado geral de ignorância ao projeto de poder da esquerda. 

Mas noto que, ainda que a parte política fosse um estímulo adicional, Olavo arregimentava seguidores principalmente a partir de um jogo de vaidades juvenis: jovens, de inteligência moderada e algum interesse intelectual, eram atraídos para um vórtice de ideias e autores. 

Ideias e autores que, como já disse, nunca tínhamos ouvido falar. O impacto, pelo menos em mim, foi tremendo: "seu professor nunca lhe falou deste filósofo? O maior do século XX?". 

E Olavo era, sobretudo, um grande escritor (coisa que até os críticos admitem). E aqui, também, havia um texto clássico: Aprendendo a escrever. Se vocês lerem os dois em conjunto, verão mais ou menos o mesmo modus operandi: name dropping, críticas a professores e intelectuais etc 

No fundo, muitos de nós queríamos conhecer aqueles autores, escrever tão bem quanto o Olavo, e principalmente, ter a autoconfiança e o estudo necessários para fazer o que Olavo falava que qualquer aluno seu faria com 3 anos de estudos (depois aumentou para 5, depois para 10): 

"Acabar com qualquer professor da USP num debate". Notem que isso não faz nem sentido (o que significa acabar com alguém num debate?), mas era o suficiente para mexer com o orgulho e a petulância de jovens. 

Esse sentimento era potencializado pela comunidade no Orkut do Olavo. Ali se reuniam "alunos e admiradores" do "Professor Olavo" ao redor do Brasil. Gente com interesses comuns e que, de algum modo, reforçavam nos outros o mesmo sentimento de querer se tornar um estudante sério. 

Olavo percebeu as demandas dessa comunidade e lançou o Curso de Filosofia. Lembro bem - e já tuitei sobre isso - que aquele parecia um momento histórico. No ano (acho que em 2009), alunos mais engajados trocavam materiais de aula, apostilas velhas, áudios de cursos antigos. 

Tudo isso reforçava ainda mais a lenda e o mito de que Olavo era um gigante do pensamento, escondido e que agora teríamos acesso a uma vastidão de conhecimento. 

Mas observem (e aqui está o pulo do gato): o público era formado, majoritariamente, por pessoas com baixa formação (jovens ou adultos que não tinham formação acadêmica). Mas como eu, e essa gente, podia avaliar a qualidade do Olavo, dos autores que ele citava, de suas ideias? 

A resposta: não podia. O que fez a fama do Olavo nunca foi o valor de suas ideias, mas antes a combinação de barafunda de autores desconhecidos, o sentimento de comunidade, o clima de seita e a ideia de que estávamos resistindo a alguma ameaça (política, cultural, intelectual). 

E esse era um traço marcante do Olavo: a discussão quase sempre se dava num plano meta-intelectual. Olavo falava da crise da cultura, dos problemas da inteligência brasileira etc. mas raramente discutia as próprias ideias ou as ideias de alguém. 

No curso, por exemplo, poucas aulas eram dedicadas a analisar um argumento filosófico, e a esmagadora maioria era destinada a "desmascarar" erros dos outros. Façam o teste: perguntem aos seguidores quantas ideias originais (e mesmo sem ser originais) do Olavo ele consegue listar 

Os que conhecem um pouco mais a obra do Olavo vão mencionar coisas como teoria dos quatro discursos (um livro academicamente fraco); a ideia de "conhecimento por presença" (totalmente desarticulada e desconexa) + 

O intuicionismo radical (que ele nunca desenvolveu e na prática era utilizada para justificar suas ideias retiradas de lugar nenhum), a teoria do império do Jardim das Aflições (historicamente impreciso), o seu conceito de verdade (que nenhum autor de epistemologia aceitaria) 

Mas havia, é claro, uma justificativa para não discutir ideias: é porque, filosoficamente, o que interessava eram as "experiências dos filósofos" e não suas ideias. O que isso significava na prática? Que o trabalho de lê-los e interpretá-los não era relevante. 

Um dos exercícios que o Olavo sugeria - a leitura lenta (uma frase por dia) de um autor (ele sugeria Louis Lavelle) - dava um exemplo: você lia uma frase e ficava refletindo (hummm, que experiência será que ele teve antes de escrever isso?). 

Não tinha isso de ler o livro todo, de situá-lo no contexto dos debates da época, na história de investigações da disciplina (Olavo falava de status quaestionis, mas ficava por isso). O negócio era ter a "experiência" (isso está presente nas críticas do Olavo ao Descartes). 

No fundo, sob o ponto de vista metodológico, Olavo fornecia as ferramentas para que alguém pouco letrado em filosofia falasse as maiores asneiras do mundo com a confiança de um especialista. Essa arrogância intelectual foi a grande marca que ele deixou nos seus alunos. 

E é por isso que tanta gente fala que teve a vida transformada pelo Olavo: pouca gente relata que aprendeu algo, mas muitas que "se transformaram em algo". E no que se transformaram? 

O legado é a autoconfiança injetada em jovens e adultos de baixa formação e leitura, mas que se sentiam metodologicamente validados em sua própria ignorância. A filosofia do Olavo dava ferramentas para ignorantes se acharem inteligentes e julgarem os demais burros e estúpidos. 

Essa autoconfiança, essa violência - que no início era apenas intelectual - encontrou terreno fértil no bolsonarismo. E é aqui que os caminhos se cruzam: as ferramentas que o "ignorante intelectual" recebeu eram também ferramentas de radicalismo político. 

Olavo dizia que estava formando uma "nova geração de intelectuais" mas, no fundo, estava formando uma nova geração de militantes. Isso se percebia pelos cacoetes introjetados nos alunos, pela constante emulação que muitos faziam até dos jeitos do Olavo. 

O que essa geração "formada" pelo Olavo buscava não era estudo e conhecimento, mas sim validação e, de certa forma, poder: poder para se afirmar em relação a amigos e professores e, no limite, poder para se afirmar em relação aos esquerdistas. 

Esquerdistas que, note-se, eram inimigos não só pelas ideias, mas porque ocuparam o lugar na cultura que deveria ser do Olavo. Por que razão deveria ser dele? Perguntem hoje para os alunos que escrevem seus elogios. A resposta será: "porque o Olavo falou". 

Saí disso, para nunca mais voltar, há dez anos. Quando vejo hoje jovens relatando a profunda transformação operada pelo Olavo lembro dos meus tempos e nutro a esperança de que, assim como eu, eles também possam perceber o que percebi: que não havia nada ali. 


domingo, 23 de janeiro de 2022

Na tentativa de destruir o legado de Leonel Brizola, organizações Globo ajudaram a destruír o Rio de Janeiro...

  Idem com relação ao PT, Lula e estado atual do Brasil.


Uma foto histórica: New York, 1978. Lélia Gonzalez, Abdias Nascimento e Leonel Brizola.

O centenário de Leonel Brizola nos faz lembrar que o começo da destruição do Rio de Janeiro, tem inicio  pela busca de  destruição do legado que ele construiu quando governador. A Rede Globo foi uma das principais lideranças desse processo. 

A mesma emissora de TV que esteve na linha da frente do começo da destruição do Brasil, quando iniciou a campanha do assassinato de reputação do PT e de Lula.

Com isso e todos os seus desdobramentos, petistas e assemelhados, podem entender melhor porque Brizola falava tão mal das organizações Globo.  Sem esquecer que também no inicio a Rede Globo participou de uma trama junto com agentes ligados ao então Serviço Nacional de Informações (SNI) para fraudar o resultados das eleições de 1982 ,  em tempos mais favoráveis com contagem de cédulas de papel.

Houve quem achasse exageradas,  as  criticas de  Brizola a Rede Globo, eu fui um deles...

Há uma frase atribuída a José Dirceu atestando esse grave erro....Em entrevista a jornalista Hildegard Angel ele nega, porém nos primeiros anos do governo Lula, o governo  agiu como se pensasse assim. Embora depois da manipulação do noticiário acerca do chamado “mensalão”, já no final do segundo mandato, Lula deixou proposta de regulação dos meios de comunicação. Dilma resolveu não levar a frente.  A chamada mídia técnica é um forte indicador da leniência dos governos petistas com a questão. Na segunda parte desse artigo eu explico o que é a chamada “mídia técnica”. 

É bem provável, depois do que passou, que afirme ser esse um de seus arrependimentos.

Aquela sua reunião com o Requião, em que ele diz que você afirmou que vocês tinham a Rede Globo, e não precisavam de uma TV pública, isso é verdade? 

José Dirceu - Virou verdade, não é? Não vou dizer que não é verdade. Eu vou dizer que eu dou um boi para não entrar em uma briga com o Requião. Ao contrário do ditado mineiro, que diz que eu dou um boi para não brigar, e uma boiada para não sair da briga. Eu nunca disse isso para o Requião. Eu nem tratei deste assunto e nem era responsável por isso. Isso ele tinha que discutir com o Gushiken, com a Secom, podia discutir isso com o Ricardo Kotscho, com o André Singer, que era o porta-voz. Eu nunca invadi essa área da publicidade. O que eu posso dizer é o seguinte: o Lula criou e tentou impulsionar a TV pública, o Lula descentralizou a publicidade para os jornais de todo o Brasil. E todos os jornalões fizeram editorial contra... 

Esse artigo terá continuidade de forma mais propositiva..

                                              Leia mais aqui: https://www.jb.com.br/colunistas/hildegard_angel/2018/09/3230-nunca-disse-ao-requiao-que-nos-tinhamos-a-globo-e-nao-precisavamos-de-tv-publica.html

Depoimento mais pessoal..


100 anos de Leonel Brizola hoje... Em 1961, Brizola encontra-se com a escritora Carolina Maria de Jesus.

Brizola Centenário

Grande Brizola! Mesmo tendo reservas a alguns aspectos da sua personalidade e do seu pensamento e práticas politicas, nunca deixei de ter respeito, máximo por sinal,  e admiração pela sua garra, coragem e projeto de nação, sempre levando em conta os debaixo, os mais pobres... Os brasileiros que querem pensar um Brasil grande e mais  justo, precisam conhecer mais e melhor  o velho Briza...

Zezito de Oliveira

Leonel Brizola em Sergipe na companhia Manoel Ferreira,  grande referência do trabalhismo neste estado.



CENTENÁRIO DE MANOEL FERREIRA SANTOS

Nesta semana de grande repercussão do centenário do político Leonel Brizola gostaria de comentar o centenário do poeta, ex-diretor do Museu Histórico de Sergipe (MHS), grande agente cultural de São Cristóvão. Ele foi meu amigo, eu tive o prazer de desfrutar de sua presença na minha vida, aprendi muito, como retribuição divulgueu sua importância como intelectual da resistência que atropelou preconceitos de "sábios acadêmicos" (Exceção: MF era sempre grato a importância e o incentivo de Manoel Cabral Machado e Sebrão Sobrinho).
Quem tiver interesse em saber mais sobre este sergipano procura no meu novo blog POESIA COM TEMPERO & ARTE SUSTENTÁVEL - velho blog Cicerone de São Cristóvão (2006/2022) - os textos que publiquei em 2007, ano de sua morte. 
Obs: Dá pra compreender como MF esteve envolvido no reconhecimento de São Cristóvão como "Quarta cidade mais antiga do Brasil". 
Espero que os agentes culturais e a Prefeitura de São Cristóvão não deixe passar no limbo o centenário de Manoel Ferreira. 



Brizola foi o melhor governador de esquerda do Brasil

O fundador do PDT foi um estadista, um homem comprometido com seu tempo e com o povo brasileiro. Fazem faltas figuras públicas desta tradição

POR JOÃO PEDRO STÉDILE | 22.01.2022 05H59

Muitos Salve!!  Para o Grande Leonel Brizola..

Um patriota de verdade, um homem muito considerado....

100 anos de Leonel Brizola | Blog do Cadu Amaral

https://www.youtube.com/watch?v=-x4cFc-lixY



QUEM FOI LEONEL BRIZOLA




Documentário: BRIZOLA - Tempos de Luta






BRIZOLA: A GÊNESE DE UM CAUDILHO - EDUARDO BUENO





Assista este video e outros do canal Tutameia sobre Brizola e etc.

Brizola, cem anos - trajetória e legado político

https://www.youtube.com/watch?v=X-KOebkqG7E&t=5s


100 ANOS DE BRIZOLA | O caudilho dos pampas | TVGGN 20H (21/01/22)



Forças do Brasil - 100 anos de Brizola, com Leonel Brizola Neto






Roda Viva | Leonel Brizola | 1989


Vale a leitura...


‘LEONEL BRIZOLA – A HISTÓRIA O HISTORIADOR ‘, DE GILBERTO FELISBERTO VASCONCELLOS

Não deixem de assistir, ou assistir novamente...


Leonel BRIZOLA em direito de resposta constitucional na TV GLOBO no Jornal Nacional c/Cid Moreira HD











sábado, 22 de janeiro de 2022

LEONEL BRIZOLA CENTENÁRIO (1)

Há um século nascia Leonel de Moura Brizola, em Carazinho, Rio Grande do Sul. Brizola é uma figura histórica muito importante no Brasil do século XX. Para mim, tem um significado especial: jovem professor de História, foi o primeiro "grande personagem" que estudara nos livros e conheci pessoalmente. 

Brizola, para a minha geração, juntava essa dimensão contemporânea e histórica. Como gostava de dizer, "viemos de longe". Representou o trabalhismo mais autêntico, de caráter progressista. Tanto que o articulador da ditadura, Golbery do Couto e Silva, operou para que ele, na volta do exílio, não ficasse com a legenda do PTB - até hoje totalmente degenerado.

Brizola nunca esteve imune a contradições e equívocos, mas sempre atuou no campo democrático e popular. Homem de convicções, jamais ficou trocando de partido, como é péssimo costume de uns tempos para cá. Faz falta por suas qualidades: tinha enorme sensibilidade para os deserdados, priorizou de fato a Educação  (nos dois estados que governou, RS e RJ) e não temia a polêmica (inclusive a da prioridade absoluta para as escolas de horário integral). 

Brizola, com seu inegável carisma, aproximou o povo da política, que não queria como "acerto por trás das cortinas". No seu 2º governo no RJ precisou compor com o fisiologismo na Alerj. Como contraponto a essa concessão, alertava para a necessidade de não apenas eleger o Executivo, mas uma base parlamentar significativa. "O governador promete/ mas o sistema diz não/ e a usura dessa gente/ já virou um aleijão", cantou Gil, certamente inspirado nele...

Brizola nunca se orientou pelo ideário marxista (ao contrário de seu amigo Oscar Niemeyer), mas defendeu um impreciso "socialismo moreno", cuja tradução era a implementação de políticas públicas para as maiorias. Darcy Ribeiro, com sua inteligência voraz,  sempre foi seu fiel companheiro, instigador de utopias.

Brizola era demolidor contra seus adversários, sem perder o humor. Gostava de apelidar aqueles com quem competia: "gato angorá", "rainha de Sabá". Eu mesmo, ao disputar com Miro Teixeira (PDT) a prefeitura do Rio, fui qualificado como "pangaré" - bom só de largada (não foi o que as urnas mostraram...).Mais tarde, amistoso, ele me prometeu um "insuperável arroz a carreteiro", que infelizmente nunca ocorreu.

Na quadra medíocre que o Brasil vive, cabe lembrar Brizola: política é posição, projeto de Nação, embate (civilizado), denúncia de privilégios, superação das desigualdades.

Ato pelo Saneamento Básico na Baixada Fluminense (anos 80)


Assista também:

Brizola, cem anos - trajetória e legado político





sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Chegou! O texto base da Campanha da Fraternidade de 1982


  Hoje (21/01/2021) recebi pelos correios o texto base da Campanha da Fraternidade (CF) sobre educação.  O mesmo foi solicitado depois de resposta a  um pedido de ajuda que fiz na  internet, quando disse ter obtido o texto base da campanha da fraternidade de 1998 também sobre educação, mas não o da primeira campanha.

Portanto é motivo de grande alegria possuirmos os textos das três campanhas, podendo assim fazermos o estudo comparativo como já informei, o qual terá como eixo  principal a  memória histórica da educação popular e busca de engajamento dos católicos em um  pensamento e práticas de educação libertadora, consoante o contexto eclesial CNBB  e Vaticano em cada período das campanhas anteriores e atual

Algumas surpresas a primeira  vista, um texto base pequeno,  em comparação com os demais, o maior é o de 1998 e impresso em um papel quase semelhante a papel jornal, o que faz com que o mesmo chegue nestes dias atuais com amarelamento nas bordas e com possibilidade de pouca durabilidade no decorrer dos anos. Semelhante as limitações estéticas do texto  da CF atual,  por isso é desprovido de imagens e de recursos complementares como poesias e recortes de textos de  jornais e de Paulo Freire e Frei Betto, bem como um roteiro de perquntas para que grupos e comunidades realizem diagnóstico local e partipativo como consta no texto base da CF de 1998.

Em termos de conteúdo,  é o texto que mais faz referência a educação popular, como conceito e não como método como faz o texto base da CF 1998, assim como a Comunidades Eclesiais de Base e Movimentos Populares, também coloca em destaque a educação politica.

Isso tudo reflete muito bem o momento politico e cultural de 1982, um Brasil com ditadura civil militar em decadência, com os movimentos de luta pela democracia em ascensão, abertura politica, como apresentamos no livro AMABA: O esquecido círculo de cultura da Aracaju dos anosde 1980. A AMABA é fundada no ano de 1983.

No campo interno da igreja católica estão em alta,  teologia da libertação, comunidades eclesiais de base, padres e bispos progressistas e parceiros dos movimentos populares e das organizações civis ligadas a classe média.

Demoraria alguns anos para a igreja se fechar naquilo que ficou conhecido como o grande inverno da igreja católica, quando começou a prevalecer, os setores da igreja favorecido pela forma de governo do Papar João Paulo II, mais alinhados com os interesses dos ricos e poderosos do planeta.

 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

As articulações do campo progressista para construir uma plataforma estratégica para o Brasil (3)

Rudá Ricci (no facebook)

Prometi postar aqui uma síntese das iniciativas do campo popular e de esquerda que estão ocorrendo para construir um projeto político para o Brasil, alguns deles focados na contribuição à campanha de Lula. 

O primeiro deles é o Projeto Brasil Popular da frente já conhecida que envolve PT, PCdoB, Consulta Popular, MST etc. São 32 grupos temáticos criados há dois anos. No site (https://projetobrasilpopular.org) é possível encontrar cadernos, por tema, com a produção acumulada.

A segunda iniciativa é do Outras Palavras, liderada pelo Antonio Martins. No site (https://outraspalavras.net ) é possível acessar a sequência de reflexões e produções temáticas, principalmente na seção "Resgate". São 14 temas centrais.

A terceira experiência é do BR Cidades. Nasceu na Frente Brasil Popular, mas ganhou autonomia, embora não tenha rompido com a Frente. Entre os vários líderes desta iniciativa, gostaria de destacar a militância de Ermínia Maricato, ex-secretária de Habitação do governo Erundina. Acesse aqui: https://www.brcidades.org/ .

A quarta iniciativa é do grupo Unidade na Diversidade. Eu sou um dos coordenadores desta articulação que envolve mais de 250 organizações e lideranças sociais. A intenção é produzir uma contribuição de um projeto de esquerda para o país a ser discutido com coletivos feministas, antirracistas, agroecológicos e LGBTQIA+.

Há ainda, iniciativas como o do canal Resistentes que, recentemente elaborou um projeto global definido pela garantia da soberania nacional.

Existem articulações temáticas em curso, como o da Articulação Brasileira do Pacto Educativo Global (ABPEC). A ABPEC está chamando um encontro nacional em abril para definir uma plataforma progressista para a educação brasileira.

Finalmente, muitos coletivos e organizações do campo de esquerda decidiram lançar candidaturas fortes para o Congresso Nacional, caso do MST, Consulta Popular e Frente Antirracista. 

Quem é de esquerda tem a obrigação de acompanhar essas iniciativas. 

Tem hora para se queixar e tem hora para se engajar.

(terceiro artigo da série educação popular , ação cultural de base comunitária, comunicação alternativa e economia solidária para a reconstrução do Brasil)


quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Lula, a Cultura e a quarta revolução industrial. Atentemos!! (2)

 Artigo interativo em construção..  (segundo da série educação popular , ação cultural de base comunitária, comunicação alternativa e economia solidária para a reconstrução do Brasil)

1º artigo: 

Essa história de “racismo reverso” não é a primeira fraquejada do Antônio Risério.

Quem quiser pode ir respondendo as questões abaixo, aos poucos irei dando a minha contribuição..

Roteiro inicial

1 - Por que Lula colocou a cultura no centro da agenda politica e econômica?

2 -  O que é a quarta revolução industrial?

3 - Como cultura e a quarta revolução industrial se articulam na entrevista coletiva que Lula concedeu a midia independente..

Zezito de Oliveira

Mídia NINJA

Durante entrevista coletiva para mídias independentes nesta quarta-feira (19), Lula (@lulaoficial) afirmou que se acaso vencer a eleição de 2022, não só vai retornar com o ministério da Cultura, como vai criar um comitê de Cultura.

“Aliás, eles têm tanto medo da Cultura que acabaram com o ministério. Pois eu vou criar, vou fazer uma conferência de Cultura e vou criar um comitê de Cultura. Não vai ter mais só um ministro de Cultura, é um comitê de Cultura. Pra gente dizer pra eles que a Cultura vai ajudar a construir esse país mais democrático. (...) Então, quem tiver medo de Cultura se prepare, porque vai funcionar mais forte no próximo governo”, completou o ex-presidente.



Para começo de conversa, e bom começo...

Como as artes e a educação ajudam a rever o modelo fordista de escola, garantem uma educação de qualidade e impulsionam a inovação produtiva.

Desta vez o texto ficou longo e levei uma puxada de orelha do editor, mas o assunto merece.

Coluna da semana no ar.

Marta Porto

O que as artes agregam ao debate sobre educação e inovação produtiva

Assista também

LULA FALA À FÓRUM E À MIDIA INDEPENDENTE







E mais:

TUTAMÉIA entrevista Frei Betto - Temos que voltar a Paulo Freire



Respostas recebidas.

Resposta de Josenilson Alexandre a questão 1

As forças políticas internacionais não querem  a construção de uma identidade culturalmente nacional, o que faria percebermos o real valor da  América Latina por meio do cinema, do  teatro, da literatura, e etc. Estas forças  querem o nosso  sentimento patriótico permeado pelo patriotismo fajuto  dos norte-americanos.

Contribuição como exemplo prático trazido por Josenilson.

Produtora que nasceu na periferia de Contagem, na Grande BH, representa o Brasil em festival internacional de cinema


Resposta de Alan do canal Literatura TV a questão 2 

A 4ª  Revolução Industrial é do meu interesse: É a revolução tecnológica. Alguns até acreditam na possibilidade da substituição do homem pelos robôs, como mostrado em livro de Isaac Asimov e em filme de ficção-científica. Particularmente, acredito nessa possibilidade. Mas, não da noite para o dia. Porém, depois de algumas décadas.

 Uma publicação recente do Célio Turino no facebook. 

A categorização da Cultura entre Erudita, Popular e de Massas, tal qual formulado e utilizado em Estudos Culturais no século XX/início do XXI, revela-se insuficiente para dar conta da complexidade do fazer cultural e artístico em nosso tempo. Chegou o momento de aprofundar e compreender conceitos, não como academicismo, mas para encarar os desafios da criação, circulação e gestão das artes e da Cultura. As fusões, o hibridismo, as novas identidades, as culturas de nicho; a distinção entre cultura de massas e culturas periféricas, ou das quebradas, entre cultura popular e culturas ancestrais. A Cultura do vulgar e da ostentação, da estupidez, do bruto e grosseiro. As tentativas de partilha do sensível. Arte e transformação social, arte e natureza. Se quisermos retomar uma ação cultural transformadora e emancipadora há que compreender essas diferenças presentes num mundo em pluriverso.

(incluído em 25/2022)


terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Essa história de “racismo reverso” não é a primeira fraquejada do Antônio Risério.

Antônio Risério teve destaque na semana que passou por conta de um  artigo infeliz que publicou na Folha de São Paulo, onde fez afirmação acerca do racismo de negros contra brancos, evidentemente,  destaque para leitores do jornal e principalmente dos sites e canais progressistas no Youtube.

Mas, quando Lula assumiu o governo em 2002, Antonio Risério esteve como um importante assessor no Ministério da Cultura. Naquele momento era o responsável por um programa de implantação das BACs (bases de apoio a cultura) uma boa ideia em teoria,  

Portanto, caso esta  fosse adiante, seria a primeia grande “fraquejada” de Antônio Risério, quiçá com boas intenções. Fraquejada que resultaria em prejuízo a médio e longo prazo para milhões de brasleiros, não apenas financeiro, como politico. Mais abaixo, explico melhor.

Mas quem é Antônio Risério, segundo a Wikipedia, entre outras informações:



“Em 1968, fez política estudantil, mergulhou na contracultura, sendo preso como subversivo pela ditadura militar aos dezesseis anos de idade.

Em 1995, defende tese de mestrado em Sociologia com especialização em Antropologia na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Elaborou o projeto geral do Cais do Sertão Luiz Gonzaga, no Recife. Trabalhou no Ministério da Cultura juntamente com Roberto Pinho na implantação das Bases de Apoio à Cultura durante a gestão de Gilberto Gil até ele ser exonerado do cargo, por ter sido acusado pelo secretário-executivo do ministério, Juca Ferreira, de irregularidades no contrato firmado com o IBRAC (Instituto Brasil Cultural). Nesta ocasião Antonio Risério e mais dois assessores do ministro Gilberto Gil pediram demissão.

Tem feito roteiros de cinema e televisão e diversos ensaios sobre urbanismo e história da Bahia e do Brasil. Muitas composições suas foram gravadas por importantes artistas da música popular brasileira, sendo considerado um herdeiro da Tropicália.”  

Memórias - Antonio Risério, Poético Político

https://www.youtube.com/watch?v=hV0zq0eYs8A&t=2s

 

Para Ser o Sol (Antônio Risério e Armandinho) - A Cor do Som


Antes de começar a explicar , trago declaração importante de Célio Turino, idealizador do programa Cultura Viva,  em seu perfil pessoal no facebook.

“Pensar que o redator dos discursos programáticos de Gilberto Gil no Ministério da Cultura foi Antônio Risério. Ele saiu do ministério em razão de crise interna ao final de 2003, por conta das BACs (bases de apoio à cultura). 

Quando eu cheguei no MinC em 2004, convidado para assumir a Secretaria de Programas e Projetos Culturais (depois, Cidadania Cultural) formulei o programa Cultura Viva e propuz trocar as BACs pelos Pontos de Cultura, no que Gil compreendeu e apoiou. Interessante acompanhar os caminhos.”

Agora sim, porque as BACs não dariam certo...

Porque as BACs se constituiriam  na construção de  grandes estruturas físicas, isso seria um grande negócio para construtoras e prefeitos e governadores ávidos por projeção politica por meio de obras vistosas e bonitas, mas para um grande número de agentes culturais e educadores...... Continue a leitura para entender o porquê.....

Quando a proposta foi lançada eu me lembrei dos CIACs. 

Mas o que eram os CIACs ou CAICs como depois ficou mais conhecido?  Vamos nos valer do  Dicionário Interativo da Educação Brasileira - EducaBrasil. 

"Os CIACs foram instituídos em 1991 pelo governo Collor como parte do “Projeto Minha Gente”, inspirados no modelo dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), do Rio de Janeiro, implantados na gestão de Leonel Brizola. O objetivo era prover a atenção à criança e ao adolescente, envolvendo a educação fundamental em tempo integral, programas de assistência à saúde, lazer e iniciação ao trabalho, entre outros.

Sofreu as mesmas críticas dos CIEPs, inclusive a do potencial de clientelismo político implícito em um projeto de construir 5 mil escolas em todo o país a um custo de dois milhões de dólares por unidade, sem que o governo federal dispusesse de meios financeiros e humanos para operá-las. Alguns educadores criticaram esse tipo de projeto (CIEPs e CAICs) dizendo que seria mais eficaz gastar-se recursos no modelo de rede escolar já existente, atendendo-se um maior número de crianças.

O fim do governo Collor não significou o fim do projeto dos CIACS. Para não perder os investimentos já realizados, da ordem de um bilhão de dólares, o ministro Murílio Hingel decidiu dar continuidade ao programa em outros termos, inclusive pela alteração de sua sigla, com gastos previstos de 3 bilhões de dólares para o período 1993-1995. A partir de 1992 passaram a se chamar Centros de Atenção Integral à Criança (CAICs)."


Foto tirada por Ronaldo Lima no CAIC do Conjunto Jardim no ano de 2004. Adelmo ex-aluno e dançarino de bandas de forró e o autor deste artigo. Percebe-se no cenário ao fundo e em volta a imagem da decadência.

E quanto ao Cultura Viva, em especial os Pontos de Cultura, a principal ação do programa, porque é melhor que a proposta das BACs? 

Quem acompanhou o processo de nascimento, crescimento e decadência dos CIACs/CAICs, percebe que a maioria dos equipamentos ou estão desvirtuados, reduzidos, limitados ou vieram abaixo. 

Tive contato com um deles, localizado no Conjunto Jardim, região metropolitana de Aracaju. O prédio literalmente veio abaixo e durante semanas a população pobre da área levou para casa, portas, janelas, torneiras, ferragens e etc.. Para saber mais, acesso os links abaixo:

1- Secretário visita escolas no Conjunto Jardim 

https://www.seed.se.gov.br/noticia.asp?cdnoticia=537

2 - Alunos temem desabamento de Caic no Marcos Freire

https://infonet.com.br/noticias/educacao/alunos-temem-desabamento-de-caic-no-marcos-freire/

3- Telhado do Caic do conjunto Jardim cai e mata adolescente

https://a8se.com/noticias/sergipe/telhado-do-caic-do-conjunto-jardim-cai-e-mata-adolescente/

Importante lembrar que isso também acontece com muitos Praças da Juventude ou com os CEUS da arte e da cultura, como ficou conhecido programa semelhante as BACs que retorna com este nome. Embora alguma medidas para evitar o que aconteceu com os CIACs/CAICs no longo prazo foram tomadas desde o nascedouro dos CEUs. Vale uma pesquisa acadêmica sobre como se encontram os CEUs atualmente. 

Para saber mais sobre os CEUs da cultura e do esporte, clique abaixo:

Centros de Artes e Esportes Unificados

https://pt.wikipedia.org/wiki/Centros_de_Artes_e_Esportes_Unificados

E por que os Pontos de Cultura é uma proposta melhor para a reconstrução do Brasil?


Mosaico com atividades de Pontos de Cultura sergipanos

Porque há uma cultura viva que não precisa de grandes estruturas para existir e re-existir.

Porque há uma produção cultural nas cidades e no campo, que não pode depender sempre da boa vontade dos prefeitos, governadores e presidentes de plantão. São organizados em grupos e associações de base comunitária, acostumadas a uma situação de autonomia, mais ou menos, a depender de uma série de fatores internos e externos. Como o programa Cultura Viva investe  na autonomia em termos bem práticos, colabora muito para a criação de uma relação mais madura do estado com a sociedade civil, não pautado mais no paternalismo e no clientelismo, porque a dependência direta em termos financeiros e da autorização para utilização do espaço físico estatal, muitas das vezes esbarra na cobrança de vinculação do grupo ou da associação cultural ao agrupamento politico que esta na prefeitura ou no governo do estado.

Mas nem tudo foram flores nos Pontos de Cultura, e até hoje tem uma série de pendências no campo juridico e politico para serem resolvidas.

E por que isso acontece?

Porque a maiorias dos convênios dos orgãos de governo firmados  com grupos culturais formalizados por meio de associação civil sem fins lucrativos, foram baseados na lei 8.666/2016.

Esta lei regula tanto convênios para a construção de hidrelétricas como para atividades socio-culturais-educativas.

Este convênio tem como base uma série de filigramas contábeis e juridicas, que para serem atendidas precisa de um aparato logistico em termos de burocracia que somente os orgãos de estado e grandes ONGs podem ter...

Contribuição de Jussione Hora Reis ao debate proposto nessa postagem.

Conhece esse vídeo? Cultura é basicamente criatividade.



(primeiro artigo da série educação popular , ação cultural de base comunitária, comunicação alternativa e economia solidária para a reconstrução do Brasil)

Este artigo interativo se aproveita da polêmica de outro artigo do Antônio Risério e visa discutir um tema que precisa entrar na agenda politica, o fomento a cultura da periferia e dos grotões. Pretendemos prosseguir com o mesmo. Você pode colaborar com comentários e perguntas.
As mesmas serão consideradas para efeito de publicação na continuidade do artigo...
O mesmo servirá como base de roteiro para uma live que pretendemos realizar até o meio deste ano...Uma não, várias lives cuja temática será educação popular, ação cultural de base comunitária, comunicação alternativa e economia solidária para a reconstrução do Brasil.