informações sobre ações culturais de base comunitária, cultura periférica, contracultura, educação pública, educação popular, comunicação alternativa, teologia da libertação, memória histórica e economia solidária, assim como noticias e estudos referentes a análise de politica e gestão cultural, conjuntura, indústria cultural, direitos humanos, ecologia integral e etc., visando ao aumento de atividades que produzam geração de riqueza simbólica, afetiva e material = felicidade"
E se mais provas dos crimes de Bolsonaro e familicia forem encontradas? Como o governo deve fazer para convencer àqueles que comeram ou comem as maçãs envenenadas das noticias falsas e da desinformação? Sai que é sua Paulo Pimenta!! Para quem lembra do bordão do Galvão Bueno. Sai que é sua Taffarel! Não pode ser apenas uma operação policial naun.
A lembrar, certos tipos de respostas não cabem a SECOM por uma série de motivos.. Mas podem ser obra de um gabinete do amor. A equipe de Boulos já criou algo assim na campanha a prefeito de 2020 e funcionou muito bem.
Abaixo a resposta luminosa da cantriz Tânia Maria...
Se não houver educação política nas escolas, e em todos os espaços onde haja gente pra aprender (nas bases) Zezito, a cadela do fascismo de que tão bem falou Brecht seguirá a nos espreitar. Tivemos o maior e mais monstruoso exemplo disso há apenas 6 anos. Pra surgir um outro arremedo de Hitler, como o biltre que elevaram ao cargo de presidente da República, a gente só precisa fechar os olhos e dar às costas pra educação, com fins de informação e conhecimento político. E, claro, tendo a ARTE presente nas ações comunicativas mediadoras. São as contribuições de Brecht, de Augusto Boal, através do teatro do oprimido, capitalizando acerca das experiências que deram certo em outros países, que podemos construir uma base sólida que nos ajude a não cair mais nas ardilosas armadilhas da extrema direita e seus canalhas representantes.
O gabinete do amor é um excelente caminho!! ❤️
Uso tático das plataformas: estudo da atuação do gabinete do amor para a promoção da candidatura de Guilherme Boulos nas eleições de 2020
O tema desta dissertação é o uso tático (CERTEAU, 1998) de plataformas de rede social (VAN DIJCK; POELL; DE WAAL, 2018) para a promoção de uma candidatura política, apoiando-se na biopotência colaborativa e criativa da multidão (HARDT; NEGRI, 2001). A temática é abordada por meio de um Estudo de Caso (BECKER, 1993) ancorado no paradigma indiciário (BRAGA, 2008) e nos Métodos Digitais (ROGERS, 2016; 2019; OMENA, 2019). O objeto empírico é o Gabinete do Amor, iniciativa que surgiu em apoio à candidatura de Guilherme Boulos e Luiza Erundina (PSOL) à prefeitura de São Paulo nas eleições municipais de 2020. A proposta tem como objetivos específicos: a) situar o Gabinete do Amor no contexto midiático e político paulistano de 2020; b) mapear as plataformas utilizadas na campanha, observando a produção e circulação dos conteúdos; c) apresentar um panorama da inserção do Gabinete do Amor no Facebook; e d) identificar, a partir do aprofundamento de 11 publicações, as principais táticas e estratégias empregadas pela iniciativa no Facebook. Ao atingi-los, espera-se responder à pergunta norteadora da pesquisa, a saber: como a atuação tática do Gabinete do Amor contribuiu para a promoção da candidatura de Guilherme Boulos à prefeitura de São Paulo nas eleições de 2020? Os principais resultados encontrados foram a referência a produtos da cultura pop, a crítica e distinção da oposição, a ressignificação de expressões e o uso de trocadilhos e contrações. Ao explaná-los, espera-se auxiliar membros de coletivos sociais, profissionais de marketing político e futuros pesquisadores da Comunicação a conduzirem seus trabalhos na área.
Quem conhece a tradição da esquerda sabe que seus militantes habitualmente recebiam formação político-ideológica. Havia múltiplos cursos, seminários, fóruns e equipes de educação popular que assessoravam processos formativos em grupos e partidos. Incentivava-se a leitura de vasta bibliografia marxista e da história da esquerda. Popularizava-se como referência histórica os exemplos das revoluções russa, chinesa e cubana.
Em suma, havia um sistema de sentido que impregnava a subjetividade da militância, a ponto de inúmeras vítimas de torturas em mãos de tiranias demonstrarem uma inquebrantável resistência ideológica e preferirem morrer a delatar.
O capitalismo também dissemina seu sistema de sentido, baseado na naturalização da desigualdade social, do racismo, da misoginia, da meritocracia e, sobretudo, do direito à apropriação privada da riqueza. Com a vantagem de o capitalismo ser hegemônico no mundo e possuir ampla rede de deseducação política que incute nas pessoas seus “valores” fundados na prevalência do capital sobre os direitos humanos.
Assim, multidões associam democracia e neoliberalismo, competitividade e liberdade, apropriação da mais-valia e prosperidade. Todo esse aparato ideológico tem por ferramentas desde o “catecismo” capitalista das produções Walt Disney até as poderosas plataformas digitais com seus robôs e algoritmos, agora turbinados pela inteligência artificial.
Foi o Cristianismo que inventou a publicidade e primeiro criou uma ampla rede de educação religiosa. As religiões surgiram há 8 mil anos como influentes sistemas de sentido. Dão respostas às indagações mais pertinentes do ser humano: por que há sofrimento? Quem criou o mundo? O que nos acontece após a morte? Aliadas ao poder, incutiram em seus fiéis a abnegação frente à pobreza e à opressão; o sentimento de culpa quando se violam leis e preceitos estabelecidos pela elite dominante; a esperança de alcançar na transcendência pós-morte a plenitude dos direitos negados nesta vida. Vide René Girard, Paul Ricouer, Max Weber, Feuerbach e outros.
As religiões criaram um sistema eficiente de atrair fiéis, dos quais o corpo hierárquico (padres e pastores) obtém recursos para se manter e ampliar suas estruturas. E o que os fiéis recebem em troca? Nenhum benefício material, ainda que vivam na miséria. Recebem em troca bens simbólicos, um sistema de sentido, uma razão de viver, uma esperança de recompensa divina. Como o marxismo do século XX, as religiões moldam a subjetividade humana.
Eis o ponto: o que, em última instância, motiva o ser humano são as convicções impregnadas em sua subjetividade. Não são as políticas sociais que o beneficiam ou o salário que recebe. Convicta, uma pessoa é capaz de renunciar a seus privilégios de classe para abraçar, em nome de uma causa, as mais duras adversidades (Francisco de Assis, Gandhi, Fidel, Guevara, irmã Dulce). É capaz de sacrificar a própria vida por uma causa, como foi o caso de frei Tito de Alencar Lima, preso em 1969 e reenviado à tortura, durante três dias, em fevereiro de 1970. Para evitar delatar seus companheiros, cortou a artéria do braço para guardar silêncio.
Hoje, como é feita a educação política-ideológica dos militantes de esquerda? O que almejam os partidos progressistas, obter votos ou conquistar um novo modelo de sociedade alternativo ao capitalismo?
É inegável que políticas sociais trazem votos, mas não imprimem convicções. Estas resultam de sistemas de sentido introjetados no coração humano, como crenças religiosas ou princípios ideológicos. Onde as ferramentas da esquerda para promover educação política?
É fato que alguns partidos progressistas e movimentos populares têm suas escolas de militância, como a Florestan Fernandes (MST) e a Paulo Freire (Levante Popular da Juventude). Isso, contudo, não é o mais importante. O mais importante é atingir amplas parcelas da população, e fazê-lo sem viés partidário e retórica ideológica.
Como? O método é o proposto pelo professor Paulo Freire: indutivo, crítico, participativo, cujo protagonismo é exercido pelos educandos e não pelos educadores. As ferramentas, a capilaridade do governo federal, a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), as trincheiras digitais.
Para tanto, é imprescindível que haja sincronia entre a Secretaria Geral da Presidência da República, responsável pelo contato com os movimentos sociais, a Secom (Secretaria de Comunicação Social), responsável pela poderosa máquina de publicidade e informação do governo, o Ministério da Educação e o Ministério da Cultura.
Há quem alegue não ser papel do Estado promover educação política. Ora, a máquina estatal não é neutra. Sua atual estrutura foi montada para atender aos interesses da classe dominante. Foi manipulando essa estrutura que Bolsonaro sonegou vacinas, disseminou o ódio, liberou a importação e o comércio de armas, consolidou o apoio do fundamentalismo evangélico, nomeou para postos-chaves quem reza por sua cartilha, como o presidente do Banco Central e dois ministros do STF.
No regime democrático, o Estado deve servir, prioritariamente, aos interesses do povo, ao fortalecimento da democracia, à defesa dos direitos humanos.
O governo possui apenas duas pernas de sustentação: o Congresso e a mobilização popular. O Congresso atual é majoritariamente contrário ao governo, e este, seu refém. Lula se sente obrigado a ceder e conceder ao Centrão para levar adiante seu projeto de governo. E não há suficiente mobilização popular em seu apoio. A capacidade de mobilização popular foi perdida pela esquerda, com exceção do MST.
E só há um caminho para recuperá-la: a educação política, como outrora ocorria nos sindicatos, nas pastorais populares, nas ONGs, nos movimentos sociais. Visão crítica e dialética da realidade. Protagonismo popular. Caso contrário, não haveremos de deter o avanço das forças neofascistas e a progressiva morte da democracia.
Frei Betto é escritor, autor de “Por uma educação crítica e participativa” (Rocco), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org
Assine e receba todos os artigos do autor: mhgpal@gmail.com
Frei Betto: “Criar uma sociedade com consciência crítica exige educação política
"Há muito a fazer para conscientizar, organizar e mobilizar o povo brasileiro. Recursos existem. E há vontade política por parte de Lula e da Secretaria Geral da Presidência da República, monitorada pelo ministro Márcio Macedo. Faltam apenas maior empenho, produção de material para os veículos de comunicação social e verba para que o governo disponha de uma rede de educadores populares de, no mínimo, 50 mil pessoas!"
BBC News Brasil - Como o Sr. avalia a expansão da direita na América Latina? A esquerda falhou? Como?José Mujica - Temos muita gente com fome, sem abrigo ou com casas miseráveis, e conseguimos, até certo ponto, ajudar essa gente a se tornar bons consumidores. Mas não conseguimos transformá-los em cidadãos - os processos são lentos demais, é mais fácil resolver de imediato o problema da (falta de) comida, porque é algo que fala de imediato à nossa consciência. Mas não conseguimos cortar a imensa dependência que temos deste mundo atual que se expande cada vez mais. Queremos consumir como o primeiro mundo enquanto ainda não resolvemos nossos problemas mais básicos. Isso resulta na criação de condições brutais de vida.
O mundo desenvolvido começou a caminhar 200 anos antes de nós, fez muitíssimos sacrifícios, pagos pelo povo, os únicos que trabalhavam 12, 14 horas por dia, e assim se capitalizaram. E no mundo colonial... tudo isso, não é? Nós chegamos tarde, corremos atrás, mas nem tudo está perdido. Não creio que a extrema-direita possa fazer mais além de concentrar ainda mais a riqueza. E, por infelicidade, teremos que aprender a ser mais pacientes, e continuar trabalhando. Os termos "esquerda" e "direita" são muito modernos, mas as faces do conservadorismo e da solidariedade são tão antigas quando a existência dos humanos sobre a Terra. Seguiremos em frente.
“Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha”
"Quais são os grandes ideais mas também os caminhos concretos para aqueles que querem construir um mundo mais justo e fraterno nas suas relações quotidianas, na vida social, na política e nas instituições?".
Na live deste domingo os bolsonaros foram eficaz naquilo que pretendiam. A maioria das esquerdas criticou as falas de bolsonaro e filhos. Com certa razão. Só que esquerda séria, não pode apenas ficar na crítica. Baixando poeira do ocorrido, vamos a alguns fatos. Dois, mais precisamente. Primeiro: na sala ao vivo vendo a live, tinha mais de duzentas mil pessoas e hoje já vai mais de dois milhões de visualizações. Não acho pouco. Acompanho as lives do Lula (presidente) e a pífia politica de comunicação do governo. Paciência. Segundo: eles anunciaram ao vivo um pacote de cursos para preparar na base lideranças de direita. Estão já pensando nas eleições deste ano. E mais: não querem só votos, mas voto com formação. Na linha do que falou várias vezes o Olavo de Carvalho. Venho estudando a extrema direita católica na redes digitais faz algum tempo e vejo uma ligação de uma coisa com a outra: os bolsonaros e sua estratégia e a extrema direita católica. No momento necessário, se juntam. Atentemos.
A narrativa psicótica é sempre dual. A raiz é partir do legado da falta de formação básica do povo. Quem tem uma personalidade com traços de psicopatia ou sociopatia pode levar as pessoas para um lugar que não existe.
A força da mente doente é adoecer ou colocar a existência do outro na inércia. Esses dias comecei a ler um livro sobre os psicopatas. E o autor aborda casos reais de pessoas com traços psicopatas. O intuito não é julgar ou tratar esse tema de modo unilateral ou fechado. O intuito é levar aos seus leitores a um despertar da consciência sobre quando a pessoa se mostra ou não com comportamentos altamente perigosos para o tecido social.
Ele começou com o exemplo de uma jovem que se encantou via mídia social por um europeu que ela conheceu nas redes. Se mostrou lindo e belo. Com fotos do corpo instigantes, ela da Venezuela, estava permitindo que ele entrasse no local mais sagrado da sua vida. Sua mente e seu coração. As promessas de amor quando chegam num coração bom ou que tende a amar sem reservas fisgam e podem levar a morte. Ele prometeu o céu para ela. Passavam tempos jurando amor via redes (locais paralelos) que maquina mortes e mentiras difíceis de serem revertidas.
Da Venezuela a Barcelona. Ela se foi. Chegando lá no aeroporto. Ao ser recepcionada, o jovem era totalmente diverso daquilo que ela idealizou. Era o começo da morte da sua alma. Por pouco não perdeu a vida. Acreditou como muitos de nós acreditamos no comunismo irreal, fruto do jogo de poder e manipulações de mentes, ideias, igrejas, templos, famílias etc.
Onde ela se viu depois do encontro após tantas juras de amor? Num quartinho sujo, fedorento, peçonhento. E ela precisou ser firme interiormente para sair daquela cilada. Percebeu que nada do prometido era real. Vejo essas lives grotescas de pessoas adoecidas no caráter fazendo sucumbir uma geração pela via psicopática. É um perigo o elixir das redes sem limites. Após uma semana, ela descobriu a realidade do rapaz. Ele era viciado em relações afetivas doentias. Gostava de sair em grupos e de modo sádico usava suas parceiras (vítimas) para destruir seu corpo e depois eliminava...Jesus!!!
A força da imaginação que gera morte e que gera vida.. Abaixo uma canção e uma matéria sobre São Tomás de Aquino em chave diferente do que é apresentado pelo brilhante texto acima do Pe. Anderson Gomes.
Beth Carvalho - Força da Imaginação
O legado de Santo Tomás de Aquino: "Fé, razão e imaginação"
Fala o teólogo dominicano Giuseppe Barzaghi. A memória litúrgica do Doutor Angélico e o 750º aniversário de sua morte, uma ocasião para aprofundar aspectos ainda menos conhecidos de sua obra
Vatican News
A memória litúrgica de Santo Tomás de Aquino, celebrada em 28 de janeiro, é sempre um convite para redescobrir um aspecto do extraordinário legado deixado pelo Doutor Angélico. Ainda mais este ano, no 750º aniversário da morte do santo, em 7 de março, e na preparação para o grande aniversário de 2025, os 800 anos de seu nascimento. O padre Giuseppe Barzaghi, dominicano, professor de Teologia fundamental e Teologia dogmática na Faculdade Teológica da Emilia Romagna – norte da Itália - e docente no Estúdio Filosófico Dominicano de Bolonha, em seu estudo La maestria contagiosa (Esd), sublinhou um desses aspectos, não suficientemente considerado: o poder imaginativo de Aquino.
Santo Tomás é um grande dialético, onde dialética significa "dizer através de". Há uma dialética rígida, que pertence mais propriamente à lógica, e há também uma dialética suave, que é sempre um dizer através de, mas não é mais simplesmente uma questão formal de conceitos, mas de imagens. A imagem é realmente um ver através. Basta pensar na etimologia: imago, que é uma contração de imitago, imitação. Quando alguém imita, vê o outro em si mesmo. Santo Tomás é um mestre na cultura de imagens, também porque é um discípulo de Aristóteles, que disse em De Anima, na tradução latina feita por Guilherme de Moerbeke, nihil intelligit anima sine phantasmate. O que isso significa? Nossa alma não entende nada sem imaginação. Quando tentamos entender algo, é por meio de uma conversio ad phantasmata. Devemos nos converter à fantasia. E isso significa dar exemplos. É por isso que Santo Tomás é fascinante. Ele nunca deixa uma visão, digamos, teoricamente rígida, descoberta, a não ser reconduzindo-a às imagens, que são os exemplos.
Certamente. Santo Tomás, entre seus contemporâneos eruditos, foi o grande comentarista de Aristóteles, das Escrituras, o grande teólogo, mas entre as pessoas comuns ele era um homem com uma memória prodigiosa. Quando, no De Prudentia, ele explica como se pode memorizar bem, o primeiro critério é: associar ideias muito abstratas a imagens vívidas.
Quando nos deparamos com a Summa Theologica, talvez intimidados por seu volume, ficamos impressionados e como que aliviados pela própria beleza das imagens, dos exemplos, em quase todos os artigos.
Na primeira Questão da primeira parte da Summa Theologica, onde Santo Tomás expõe a teoria da teologia como ciência, há um artigo que diz assim: utrum Sacra Scriptura debeat uti metaphoris, se a Sagrada Escritura deve fazer uso de metáforas, ou seja, imagens. E a resposta é sim. Primeiro, porque não entendemos as coisas espirituais a não ser a partir das coisas que pertencem à sensorialidade. Não há nada no intelecto que não tenha estado primeiro no sentido, este é outro de seus axiomas. Em segundo lugar, a Sagrada Escritura, a revelação divina, usa metáforas porque as imagens devem ser objeto da inteligência, de intus legere, entrar em. As imagens também podem ter quatro ou cinco significados, portanto, por um lado, elas permitem que o estudioso "entre em" - o que significa o fogo? Ele ilumina, destrói, aquece, assusta, acolhe... cinco ideias diferentes dentro da imagem do fogo - por outro lado, contra aqueles que desejam zombar ou obscurecer o conteúdo revelado, as imagens representam um obstáculo. Contra irrisiones infidelium, diz Santo Tomás.
Santo Tomás também se inspirou muito na escola dos Vitorinos (escola da Abadia de São Victor em Paris, ndr), que eram os grandes especialistas na interpretação das imagens da Sagrada Escritura. Quando quer representar a atividade de nossa razão no conhecimento, toma a imagem do voo dos pássaros e diz: há o pássaro que voa de forma circular e rotativa, ou o voo que vai para frente e para trás, ou o voo que vai de cima para baixo, de baixo para cima. O movimento circular é o movimento contemplativo, o movimento que vai para frente é da causa para o efeito, para trás é do efeito para a causa, de cima para baixo é a dedução, de baixo para cima é a indução. Lembrando do voo dos pássaros se traz à mente todas as formalidades da atividade cognitiva.
Até parece brincadeira 😂😜 Prefeitos cassados por corrupção e que se jactam de serem contrários a tal. Em um estado tido como modelo e que se propõe a ser uma referência nacional no campo político e econômico. E ainda um prefeito com o sobrenome "baguio".
Outro prefeito preso em SC.
Do PT?
Não!
Do PL!
Sobre essa malandragem oficial, mais atualizada, bandidagem oficial, Chico Buarque escreveu e cantou....
"Agora já não é normal, o que dá de malandro
regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social
malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal."
O pensamento zapatista é traduzido em um Brasil assolado pelo fascismo e por um contexto de genocídio e atrocidades contra os povos indígenas. Assim, A experiência zapatista: rebeldia, resistência e autonomia, escrito pelo historiador Jérôme Baschet (2021), é também fruto de uma coletânea de obras sobre a insurgência do movimento zapatista. Esta resenha apresenta o livro de Baschet (2021) no diálogo com o pensamento zapatista, desde seu surgimento como movimento armado, com o “já basta!” (1994), aos dias atuais, no sentido de compreender como os povos têm reescrito o seu protagonismo na História, sobretudo em contextos marcados por conflitos e lutas que procuram definir e delimitar o lugar, histórico e social, para o desenvolvimento de outras formas de vida e libertação.
1) O livro tem quase 400 páginas e é muito bonito e muito bem editado. O primeiro capítulo retoma o percurso do EZLN, começando pelo levante de 1994, explora os princípios neozapatistas e chega às políticas de saúde e educação adotada nos territórios autônomos
2) Como ainda não terminei a leitura, vou postar alguma coisa sobre a história e estrutura das comunidades autônomas zapatistas. Começando pela história.
3) No final de 1993, 4.500 combatentes indígenas se prepararam para tomar quatro cidades do Estado mexicano de Chiapas. Logo no início de 1994, avançam sobre essas cidades e publicam uma declaração de guerra ao governo federal.
4) A declaração convoca os mexicanos a eleger livremente novas autoridades públicas e se aliar a um "basta" à pobreza do país. É publicada uma "lei revolucionária das mulheres". As mulheres terão um papel relevante na evolução zapatista. No dia 2 de janeiro, as tropas recuam.
5) Depois de onze dias de combates, o governo Salinas de Gortari anuncia um cessar-fogo, o mesmo anúncio feito pelo comando do EZLN. Começa, a partir daí, um ziguezague de negociações e a fase do que os zapatistas denominam de "zapatismo civil".
·6) é formado o Conselho Estatal de Organizações Indígenas e Campesinas que, em seguida, se unem aos sindicatos independentes, associações civis e á Convenção das Mulheres para formarem a Assembleia Estatal Democrática do Povo Chiapaneco.
7) No final de 1994, 30 municípios são declarados rebeldes, provocando nova ofensiva militar contra os zapatistas. Contudo, o comando do EZLN se embrenha na selva, obrigando o exército a suspender a ocupação militar. São instaladas, em seguida, mesas de negociação de San Andrés
8) Acordos são firmados entre governo e zapatistas e, em fevereiro de 1996, um documento oficial reconhece os direitos dos povos indígenas à autonomia e às suas próprias formas de governo.
9) Embora este acordo não tenha sido respeitado pelas autoridades públicas nos anos seguintes, a declaração acabou por orientar a organização civil territorial liderada pelos zapatistas. A partir de 2003 são anunciadas 5 Juntas de Bom governo, uma para cada das áreas zapatistas
10) Nesse momento, nascem os "Caracóis", centros político-culturais e sede das Juntas de Bom Governo, absolutamente autônomas. É importante entender que essas estruturas não participam dos processos eleitorais e organizações oficiais da política mexicana.
11) Pulo para o projeto educacional zapatista. Os territórios zapatistas possuem seu próprio sistema educacional e escolar. Em 2013, em Los Altos (uma das áreas livres zapatistas), existiam 157 escolas autônomas, 496 professores (que denominam promotores) e 4,886 alunos.
12) Por ser uma educação comunitária (a estrutura social básica indígena), os professores necessariamente se integram às assembleias comunitárias de cada território autônomo.
13) O currículo adotado não rompe totalmente com os modelos escolares convencionais. A grande diferença é justamente a articulação com a organização e cultura comunitária indígena. Se aproxima muito do que no Brasil se denomina de Pedagogia da Alternância.
14) Ocorreu, nos últimos anos, um aprimoramento das suas formas de organização. O subcomandante Marcos - originalmente estudante de filosofia - foi se afastando gradativamente do comando do EZLN e substituído por um indígena. Há informações que as mulheres assumirão o comando
15) Também se fala numa nova estrutura da autonomia zapatista. A base é, agora, o Governo Autônomo Local, GAL. São coordenados pelos agentes e comissários autônomos e estão sujeitos à assembleia do povo. Cada GAL controla suas escolas e clínicas e a relação com povos vizinhos.
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16) Os Municípios Autônomos Rebeldes foram substituídos por GALs. Um GAL pode estruturar Coletivos de Governos Autônomos Zapatistas, CGAZ, onde se discute e se decide sobre múltiplos assuntos comunitários (Saúde, Educação, Agroecologia, Justiça, Comércio) em assembleias
17) Um GAL articula campanhas de medicina preventiva e vacinação, campanhas para doenças endêmicas, cursos e capacitação especializada (como técnicos em laboratório, raios-X, ultrassom, mamografias e o que mais aprendermos), de alfabetização, encontros esportivos e culturais.
18) As Assembleias de Coletivos de Governos Autônomos (ACGAZ) não têm autoridade e dependem dos CGAZ. Reorganizaram a estrutura para aumentar a defesa e segurança das comunidades frente às agressões, ataques, epidemias, invasão de empresas predatórias da natureza, militares.
19) Foram dez anos de planejamento para definirem esta nova estrutura. Para quem desejar acessar um breve informativo a respeito dessas mudanças, aqui vai o link, já finalizando este fio:
Seja o Meu Céu - Zé Ramalho e Robertinho de Recife
Papa Francisco disse que “gosta de pensar que o inferno está vazio”. Esta fala aconteceu ontem (14), durante uma entrevista ao programa de televisão italiano Che tempo che fa.
Por Walter Sánchez Silva
15 de jan de 2024 às 16:10
"Isto não é um dogma de fé. Isto que direi é uma coisa pessoal: gosto de pensar que o inferno está vazio", declarou Francisco.
"É um desejo que espero que se torne realidade, mas é um desejo", completou o papa. O papa comentava que, em suas orações, usa imagens do Evangelho, pensando em Deus como o Pai misericordioso que acolhe o filho pródigo que desperdiçou sua fortuna e andou por caminhos errados sem nem mesmo deixa-lo falar.
“Gosto de pensar no Senhor com este abraço, quando vou dizer-lhe: mas eu falhei nisto. Gosto de pensar Nele, com a mão assim e que me diz: ‘mas continua, continua, continua’. O Senhor que nos encoraja a ir em frente, que não se escandaliza com os nossos pecados, porque é Pai e acompanha-nos", prosseguiu.
"O 'problema' é Dele: se acompanho o pecador ou se o envio diretamente para o inferno. E Ele escolhe acompanhar-nos. E é por isso que enviou o seu Filho, para nos acompanhar (...) enviou o seu Filho ao mundo não para o condenar, mas para o salvar", disse o papa Francisco.
O catecismo da Igreja Católica diz, no número 1.035: “A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente, após a morte, aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, «o fogo eterno». A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em Quem o homem pode ter a vida e a felicidade para que foi criado e a que aspira”.
23:59- "Que absurdo o Papa desejar que o inferno esteja vazio".
0:00- Rezando o terço: "...levai as almas TODAS PARA O CÉU..."
Papa Francisco e o inferno
Em março de 2014, ele exortou os homens e mulheres que fazem parte da máfia na Itália a converterem-se, para não irem parar no inferno.
"Convertei-vos: ainda é tempo de não irdes parar o inferno. É isto que vos espera se continuardes neste caminho. Tiveste um pai e uma mãe: pensa neles. Chora um pouco e converte-te", exortou o papa.
Em junho deste mesmo ano, Francisco também advertiu os corruptos a se converterem, porque se não o fizerem, serão "os cães do inferno que beberão seu sangue".
Em março de 2015, o papa encontrou-se com um grupo de crianças e jovens e explicou o que é o inferno e quem vai para o inferno.
"Ninguém te manda para o inferno: se fores, é porque o escolheste. O inferno é querer afastar-se de Deus porque não quero o amor de Deus. O demônio é o inferno porque ele quis isso: nunca mais ter uma relação com Deus", disse.
"Só vai para o inferno aquele que diz a Deus: 'Não preciso de ti, consigo desenrascar-me sozinho', como fez o diabo, e esse é o único que temos a certeza que está no inferno", acrescentou.
Em junho de 2022, em uma audiência com um grupo de religiosos, Francisco disse: "Muitas vezes, digo-o com amargura - falo em geral, não de vós, porque não vos conheço - constatamos que algumas comunidades religiosas são um verdadeiro inferno, um inferno de ciúmes, de lutas pelo poder. E onde está o amor?
Onde reina amor - Taizé
Walter Sánchez Silvaé jornalista na ACI Prensa, agência em espanhol do grupo ACI, com mais de 15 anos de experiência cobrindo eventos da Igreja na Europa, América e Ásia.
Niño de ballet bailando descalzo en la pista en el parque de la tarde en verano - Freepik
Adilson Morais
Nietzsche disse que só acreditaria em um deus que soubesse dançar. Padre Zezinho acredita que Deus é cantor e compõe versos que os anjos cantam e dançam lá no céu. Francisco de Assis em um Deus que nos fez todos irmãos e na mais nobre de todas as damas - a Irmã Pobreza. Padre Julio Lancellotti em um Deus humanizado,..Papa Francisco em um Deus amoroso, o que faz pensar em um inferno vazio. Já outros em um.Deus impiedoso, bélico, vingativo...que faz do inferno um lugar populoso. Sigo a caminhada refletindo, em qual Deus eu consigo acreditar e de quais deuses eu me considero ateu?
"Se é meia-noite no século": quando Victor Serge publicou o livro que leva este título, em 1939, ano do pacto germano-soviético e da divisão da Polónia, era de facto meia-noite e uma noite irrevogável estava prestes a engrossar e continuar por cinco anos.
Não é meia-noite em nosso século? Duas guerras estão em andamento. A da Ucrânia já mobilizou ajuda económica e militar de parte do mundo, com radicalização e risco de alargamento do conflito. A Rússia não conseguiu anexar a Ucrânia, mas permanece nas regiões anteriormente separatistas de língua russa. O bloqueio enfraqueceu-a parcialmente, mas também estimulou o seu desenvolvimento científico e técnico, nomeadamente no domínio militar. Esta guerra já está a ter consequências consideráveis: o empoderamento do Sul em relação ao Ocidente e o fortalecimento de um bloco Rússia-China.
Uma nova fonte de guerra eclodiu no Médio Oriente após o massacre cometido pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, seguido pelos bombardeamentos mortais de Israel em Gaza. Estas carnificinas, acompanhadas de perseguições na Cisjordânia e de declarações anexionistas, despertaram a questão palestiniana adormecida. Mostraram tanto a urgência, a necessidade e a impossibilidade da descolonização do que resta da Palestina Árabe e da criação de um Estado Palestino.
Como não é nem será exercida qualquer pressão sobre Israel para alcançar uma solução entre dois países, só podemos prever um agravamento, ou mesmo um alargamento, deste terrível conflito. É uma lição trágica da história: os descendentes de um povo perseguido durante séculos pelo Ocidente cristão, e então racista, podem tornar-se tanto os perseguidores como o bastião avançado do Ocidente no mundo árabe.
O pensamento ficou cego.
Estas guerras agravam a conjunção de crises que atingem as nações, mantidas pelo antagonismo virulento entre três impérios: os Estados Unidos, a Rússia e a China. As crises alimentam-se umas das outras numa espécie de policrise ecológica, económica, política, social e civilizacional que se amplificará.
A degradação ecológica afecta as sociedades humanas através da poluição urbana e rural, agravada pela agricultura industrial. A hegemonia do lucro descontrolado (principal causa da crise ecológica) aumenta as desigualdades em todas as nações e em todo o planeta. As qualidades da nossa civilização deterioraram-se e as suas deficiências aumentaram, particularmente no desenvolvimento do egoísmo e no desaparecimento da solidariedade tradicional.
A democracia está em crise em todos os continentes: é cada vez mais substituída por regimes autoritários, que, ao disporem de meios de controlo informático sobre as populações e os indivíduos, tendem a formar sociedades de submissão que poderiam ser chamadas de neototalitárias. A globalização não criou solidariedade e as Nações Unidas estão cada vez mais desunidas.
Esta situação paradoxal faz parte de um paradoxo global específico da humanidade. O progresso técnico-científico que se desenvolve prodigiosamente em todas as áreas é a causa dos piores retrocessos do nosso século.
Foi ele quem permitiu a organização científica do campo de extermínio de Auschwitz; foi ele quem permitiu o desenho e a fabricação das armas mais destrutivas, até a primeira bomba atômica; é ele quem torna as guerras cada vez mais mortíferas; foi ele quem, movido pela sede de lucro, criou a crise ecológica do planeta.
Notemos – o que é difícil de conceber – que o progresso do conhecimento, ao multiplicá-lo e separá-lo por barreiras disciplinares, provocou uma regressão do pensamento, que se tornou cego. Ligado ao domínio do cálculo num mundo cada vez mais tecnocrático, o progresso do conhecimento é incapaz de conceber a complexidade da realidade e em particular das realidades humanas. O que leva ao retorno do dogmatismo e do fanatismo, bem como a uma crise de moralidade na onda de ódio e idolatria.
A ausência de esperança.
Caminhamos para prováveis catástrofes. Isso é catastrofismo? Esta palavra exorciza o mal e dá serenidade ilusória. A policrise que vivemos em todo o planeta é uma crise antropológica: é a crise da humanidade que não consegue tornar-se Humanidade.
Houve um tempo – não há muito tempo – em que podíamos considerar uma mudança de direção. Parece que é tarde demais. É claro que o improvável e principalmente o imprevisto podem acontecer. Não sabemos se a situação global é apenas desesperadora ou verdadeiramente desesperadora. Isto significa que devemos, com ou sem esperança, com ou sem desespero, avançar para a Resistência. A palavra evoca irresistivelmente a resistência dos anos de ocupação (1940-1945), cujos inícios, muito modestos, foram dificultados pela ausência de esperança previsível após a derrota de 1940.
A falta de esperança previsível é semelhante hoje, mas as condições são diferentes. Não estamos atualmente sob ocupação militar inimiga: somos dominados por poderes políticos e económicos formidáveis e ameaçados pelo estabelecimento de uma sociedade de submissão. Estamos condenados a suportar a luta entre dois gigantes imperialistas e a possível irrupção bélica do terceiro. Estamos sendo arrastados para uma corrida em direção ao desastre.
Fraternidade, vida e amor.
A primeira e fundamental resistência é a da mente. Requer resistir à intimidação de qualquer mentira afirmada como verdade, ao contágio de qualquer intoxicação coletiva. Requer nunca ceder à ilusão da responsabilidade coletiva de um povo ou de um grupo étnico. Requer resistir ao ódio e ao desprezo. Prescreve a preocupação de compreender a complexidade dos problemas e dos fenómenos, em vez de ceder a uma visão parcial ou unilateral. Requer pesquisa, verificação de informações e aceitação de incertezas.
A resistência também passaria pela salvaguarda ou criação de oásis de comunidades com relativa autonomia (agroecológica) e de redes de economia social e solidária. A resistência exigiria também a coordenação de associações dedicadas à solidariedade e à rejeição do ódio. A resistência prepararia as gerações mais jovens para pensar e agir pelas forças de união da fraternidade, da vida e do amor que podemos conceber sob o nome de Eros, contra as forças de deslocamento, desintegração, conflito e morte que podemos conceber sob o nome de Polemos e Tânatos.
É a união, dentro dos nossos seres, dos poderes de Eros e daqueles da mente desperta e responsável que alimentará a nossa resistência à escravização, às ignomínias e às mentiras. Os túneis não são infinitos, o provável não é certo, o inesperado é sempre possível."
Edgar Morin é sociólogo e filósofo. Seu último livro, “Encore un moment…” (Denoël), foi publicado em 2023.
TRADUÇÃO COMPARTILHADA POR DANIEL RAVIOLO, DO TEXTO DO EDGAR MORIN PUBLICADO EM PARIS NO LE MONDE DO DIA 22 DE JANEIRO.
UM TEXTO DOÍDO MAS LÚCIDO SOBRE OS TEMPOS PRESENTES. CONCLUI: "DEVEMOS, COM OU SEM ESPERANÇA, DESESPERADOS OU NÃO, IR PARA A RESISTÊNCIA". TALVEZ O TEXTO DE DESPEDIDA DESSE GRANDE HOMEM.
(Enviado por Alvaro Pantoja)
Filósofo, antropólogo, sociólogo: Edgar Morin
José Eli da Veiga fala sobre esse intelectual, cuja principal obra teórica, segundo ele, é muito pouco conhecida no Brasil, que está prestes a completar 102 anos de vida