segunda-feira, 27 de julho de 2026

A história da importante escola de design, arquitetura e artes da Alemanha pré nazista. A Bauhaus, também citada na música Eduardo e Mônica da banda Legião Urbana

 No caso da citação da palavra  Bauhaus em Eduardo e Mônica  especialistas acreditam que a citação na canção faz mais sentido para uma banda britânica pioneira do pós-punk/rock gótico, a qual utilizou o mesmo nome para se identificar...


O Camarote.21 homenageia os 100 anos da Bauhaus. O jubileu da famosa escola de design, arquitetura e artes coloca a Alemanha em destaque no cenário cultural de 2019. A Bauhaus surgiu em 1919, na cidade de Weimar: uma escola que impactaria a nossa concepção estética até os dias de hoje. Mas o que se sabe sobre a Bauhaus? Na verdade, muito pouco. É hora de desvendar mais – e desmentir alguns mitos! Entre eles:

Puramente funcional, sem frescuras: isso é Bauhaus? Sim, mas nem sempre! O design da Bauhaus se mostrou também colorido, divertido e exuberante. Com espírito livre, não existiam tabus para os integrantes da Bauhaus.

Bauhaus: uma invenção alemã? Este mito está errado! A Bauhaus era multicultural – com professores e alunos vindos de várias partes do mundo. Mais tarde, muitos deles foram para o exterior e construíram edifícios internacionalmente lendários. Arieh Sharon é um deles.

O sucesso da Bauhaus é sempre associado a nomes como Walter Gropius, Hannes Meyer e Mies van der Rohe. Quer dizer que todos os grandes mentores foram homens? Não! O êxito da Bauhaus dependeu também de grandes mulheres, como Ise Frank e Lilly Reich.

Em 1933, os nazistas chegam ao poder e fecham a Bauhaus. Foi realmente o fim?  

Depois do fechamento da escola se desenvolve uma relação contraditória entre o regime e alguns integrantes da Bauhaus – uma parte da história que muitos preferem esquecer.

A quase veneração pela arquitetura e pelo design da Bauhaus se mantém até hoje. Casas e móveis, essa é a verdadeira arte da Bauhaus, certo?! Errado! A Bauhaus também produziu outros ícones: conheça o trabalho da designer Anni Albers.

Depois de 100 anos de fundação...a Bauhaus é só história? Muito pelo contrário, as ideias da Bauhaus estão mais vivas do que nunca. Como no México, por exemplo, com o trabalho de tecelagem da designer Amor Muñoz.





P.S:: Ao término da leitura desse texto não se esqueça,  votar na extrema direita é sempre sacrificar o desenvolvimento e evolução da arte e da cultura, consequentemente da democracia social e dos direitos humanos. 

Aos 98 anos Luiz Carlos Barreto um dos baluartes do cinema brasileiro nos deixa e a Rádio Cultura Brasil , a TV Brasil e o canal Brasil nos apresentam uma parte do seu legado.

 

Cine Cultura

Homenagem a Luiz Carlos Barreto

As trilhas de filmes produzidos por Barretão e depoimentos de profissionais do audiovisual

O “Cine Cultura” deste sábado (25/07) homenageia o cineasta e produtor Luiz Carlos Barreto, que faleceu nesta quarta (22/07) aos 98 anos.

Barretão foi responsável pela direção e produção de filmes de sucesso do cinema nacional, como “Bye Bye Brasil” (de Cacá Diegues), “Dona Flor e seus dois maridos” e “O que é isso, companheiro?” (dirigidos pelo filho de Luiz Carlos, Bruno Barreto). O programa apresenta as trilhas de filmes produzidos e dirigidos por Luiz Carlos Barreto e depoimentos de profissionais do audiovisual.

Ouça! 




Luiz Carlos Barreto (1928–2026): o produtor que fez do cinema brasileiro uma indústria
Redação
22 jul 26
Divulgação

Luiz Carlos Barreto

Morreu aos 98 anos Luiz Carlos Barreto, o Barretão, ao fim de uma dura luta pela saúde. Com ele se encerra uma das trajetórias mais longevas e decisivas da história do audiovisual nacional, iniciada nos bastidores do Cinema Novo e estendida por mais de seis décadas de produção ininterrupta. Sua partida deixa um amplo vazio, pessoal e profissional: vai-se o amigo, o mestre e o guia — a referência de talento, força, resiliência e liderança de toda uma indústria.

Barreto foi um cineasta completo no sentido mais literal do termo: fotógrafo, roteirista, diretor, documentarista, produtor, distribuidor e formulador de política. Não havia campo do audiovisual que não conhecesse em profundidade. Mesmo aos 90 e poucos anos, incorporava a evolução da tecnologia com rapidez e a capacidade de adaptar suas obras a cada novo tempo — empenhado, ainda recentemente, em levar seus títulos mais emblemáticos à alta definição. Seu legado intelectual é profundo e perpétuo.

Nascido em 20 de maio de 1928, em Sobral, no interior do Ceará, Barreto chegou ao cinema pela porta do jornalismo. Foi repórter fotográfico da revista O Cruzeiro entre 1950 e 1963, no auge da publicação comandada por Assis Chateaubriand, com quem conviveu de perto e a quem sempre creditou parte de sua formação como leitor de país. A vocação cinematográfica se revelou em 1961, quando cobriu, para a revista, as filmagens de Barravento, o primeiro longa de Glauber Rocha, no litoral baiano. Dali em diante, o repórter que sabia enquadrar o Brasil não voltaria mais atrás.

Do Cinema Novo à construção de um mercado

A entrada efetiva no meio veio como roteirista, ao lado de Roberto Farias, em O assalto ao Trem Pagador (1962). Logo assinaria a fotografia de Vidas secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, clássico absoluto do Cinema Novo e prêmio da crítica no Festival de Cannes de 1964. Em 1965, abandonou de vez o jornalismo para se dedicar exclusivamente ao cinema.

Foi então que Barreto revelou sua contribuição mais duradoura: a de organizador e empreendedor de uma cinematografia que, até então, vivia de gestos isolados. Fundou a Difilm, distribuidora que reuniu diversos diretores do Cinema Novo sob uma mesma estrutura — um raro exercício de articulação industrial num cinema historicamente pulverizado. Em seguida, ao lado da mulher e sócia Lucy Barreto, criou a L.C. Barreto Produções Cinematográficas, uma das mais importantes e longevas produtoras do país, responsável por dezenas dos títulos que definem o cânone nacional.

Como produtor e coprodutor, seu currículo confunde-se com a própria história do cinema brasileiro moderno: Terra em transe* (1967), de Glauber Rocha, prêmio da crítica em Cannes; Brasil ano 2000 (1969), de Walter Lima Jr., Urso de Prata em Berlim; Bye Bye Brasil (1979), de Cacá Diegues; Memórias do cárcere (1983), de Nelson Pereira dos Santos, novamente premiado em Cannes. Documentou também o Brasil popular em Garrincha, alegria do povo (1963) e Isto é Pelé (1974), e chegou ao século XXI com títulos como Bossa Nova (2000) e Flores raras (2013). Ao longo da vida, Barreto contabilizava um universo de cerca de 150 títulos, entre produções e coproduções, com aproximadamente 70 a 80 filmes assinados pela produtora e 30 adaptações literárias — "filmamos o Brasil do extremo Norte ao extremo Sul", resumia.

O produtor de bilheteria — e de prestígio

Se o Cinema Novo lhe deu a formação, foi na conquista do público que Barreto cravou seu nome no mercado. Dona Flor e seus dois maridos (1976), dirigido pelo filho Bruno Barreto, tornou-se um marco: mais de 10 milhões de espectadores e um dos maiores fenômenos de bilheteria da história do cinema brasileiro. Barreto gostava de lembrar que o filme havia superado, nas salas nacionais, Tubarão, de Steven Spielberg — episódio que, para ele, era mais do que anedota: era a prova de que o cinema brasileiro podia dominar o próprio mercado.

Duas vezes levou o país à disputa do Oscar, com filmes dirigidos pelos filhos: O Quatrilho (1996), de Fábio Barreto, e O que é isso, companheiro? (1997), de Bruno Barreto, ambos finalistas na categoria de melhor filme estrangeiro. Poucos produtores brasileiros reuniram, numa só trajetória, bilheteria recorde e reconhecimento nos grandes festivais e na Academia.

Nos últimos anos, sua obra foi celebrada em retrospectivas no Lincoln Center, em Nova York, no segmento Cannes Classic do Festival de Cannes, na Cinemateca Portuguesa e no Festival de Berlim. Em 2024, recebeu a Medalha da Abolição, principal honraria do governo do Ceará. Recentemente, seu acervo fotográfico — testemunho de um Brasil registrado lente a lente — foi destinado ao Instituto Moreira Salles, passando a integrar um dos mais importantes arquivos do fotojornalismo brasileiro.

Um agente das políticas audiovisuais

Mais do que produzir filmes, Barreto pensava o sistema que os tornava possíveis. Foi presença constante na formulação de políticas para a produção nacional e um dos mais insistentes defensores da autossustentabilidade da indústria audiovisual brasileira. Sua militância remonta aos tempos do Grupo Executivo da Indústria Cinematográfica (GEICINE) e atravessa toda a era da Embrafilme, período que ele considerava o ápice da conquista de mercado pelo cinema nacional. Foi um dos principais líderes da sociedade civil no processo de construção, entre 1993 e 2012, do atual marco legal do audiovisual brasileiro. 

"A luta toda do cinema brasileiro foi a de conquistar o seu próprio mercado. Isso foi conseguido na época da Embrafilme. Chegamos a alcançar 42% do mercado", declarou ao Correio Braziliense, em 2023. Na mesma entrevista, comparava aquele patamar com o cenário mais recente — "hoje, não temos nem 1%. Isto é um escândalo" — e cobrava do Estado a regulação e o arcabouço criado pela Medida Provisória 2228-1.

Barreto fazia questão de situar o cinema acima das disputas ideológicas do momento. "O cinema tem que ser livre e independente de direita ou esquerda. O cinema é uma atividade ampla, de pensamento largo", afirmou, citando Roberto Rossellini: "O cinema é a alma de cada país." Para ele, filme era, simultaneamente, obra de autor e produto de uma indústria — e essa dupla natureza foi a bússola de sua atuação como empresário e como articulador político do setor.

Sua ausência se faz sentir num momento particularmente delicado. O cinema brasileiro vive hoje um quadro de alarmante desordem estrutural, e é difícil não imaginar que, tivesse Barreto conservado a saúde nesses últimos dois anos, em condições de exercer suas conhecidas capacidades de articulação e liderança, a situação não seria tão grave. Que seu exemplo ilumine os operadores políticos do presente.

Legado

Patriarca de uma das mais influentes famílias do cinema brasileiro — ao lado de Lucy Barreto e dos filhos Bruno, Fábio (morto em 2019) e Paula, que está à frente da L.C. Barreto, mantendo em atividade a produtora que carrega as iniciais do pai e dá continuidade ao legado da família —, Luiz Carlos Barreto deixa uma obra que é, ao mesmo tempo, acervo estético e infraestrutura de mercado. Foi um dos raros que entenderam, desde cedo, que o cinema brasileiro só existiria de forma perene se tivesse público, distribuição e política pública sustentando a criação.

Ao mercado que ajudou a fundar, Barretão lega a certeza incômoda e mobilizadora que repetiu por décadas: um país só é dono de sua imagem quando é dono de suas telas.

Aqui na Filme B guardamos dele uma lembrança à altura do personagem. Um dia, o telefone da redação tocou e do outro lado estava o próprio Barretão, pedindo para falar com o Paulo. Diante da ausência, foi logo ao ponto: "Ah, é que escreveram aí uma matéria sobre mim me chamando de lendário. Sempre que escrevem sobre mim botam esses adjetivos. Parece que eu morri. Quem escreveu?" Prometemos tirar o adjetivo. "Obrigado", respondeu, satisfeito, o lendário cineasta Luiz Carlos Barreto.

A Lucy, Bruno, Paula e Cláudio, netos, netas, bisnetos e bisnetas, o carinho e as condolências da Filme B.

domingo, 26 de julho de 2026

Arte, tecnologia e pessoas que acreditam em um mundo melhor: segundo módulo do "Cinema na Palma da Mão" agita o Aracaju Shopping Parque

Sobre a primeira parte do segundo módulo da Oficina "Cinema na Palma da Mão". 

Realizada no dia 26 de julho de 2026, das 14h às 17h, no Aracaju Shopping Parque, a primeira parte do segundo módulo da  oficina de audiovisual com celular  contou com a equipe formada por Marcel, Raoni, Iasmin e Zezito, totalizando 16 participantes. A aula teve como foco central o ensino de técnicas básicas de edição de vídeo, utilizando o aplicativo CapCut como ferramenta principal.

Para fundamentar o aprendizado teórico, foi apresentada uma aula expositiva com slides, seguida pela instalação do aplicativo nos celulares dos participantes. Marcel conduziu um passo a passo detalhado composto por dez etapas essenciais: inicialmente, realizou-se a sincronização do material; em seguida, a remoção de excessos (tanto gerais quanto específicos do entrevistado) e a aproximação das falas; na sequência, procedeu-se aos cortes precisos para definição da montagem final, à inserção de trilha sonora e à adição de imagens de apoio (fotos e vídeos); por fim, foram incluídos textos e créditos, além da aplicação de transições e correção de cor.

Na parte prática, os grupos que já haviam realizado as entrevistas reuniram-se para editá-las, contando com a supervisão direta de Marcel e Raoni. Paralelamente, o grupo que ainda não havia gravado seu material seguiu a dinâmica proposta, observando e registrando o passo a passo para que estejam aptos a editar suas futuras entrevistas. Dessa forma, a oficina conseguiu integrar teoria e prática de maneira equilibrada, garantindo que todos os participantes evoluíssem no manuseio da ferramenta, independentemente da fase em que se encontravam no processo de produção audiovisual.

O olhar dos participantes da oficina

sábado, 25 de julho de 2026

1ª Oficina de Teatro Popular no Bairro Industrial - O olhar do assessor técnico pedagógico e de produção. Por Zezito de Oliveira

 Ontem, sexta-feira, 24/072026. tive o privilégio de assistir ào ensaio aberto  da sequência de cenas curtas trabalhadas ao longo do processo de ensino-aprendizagem da primeira oficina de teatro popular do Ponto de Cultura Ação Cultural em 2025, depois de 10 anos de suspensão.

acima atores realizando exercicios de memorização antes da apresentação final na atividade ensaio aberto

O que posso garantir é que o burburinho que ouvi durante os quatro dias em que estive próximo ao grupo — tanto alunos inscritos quanto professores — correspondia exatamente ao que vinha sendo comentado e que já havia sido registrado no primeiro artigo sobre a oficina, disponível no blog da cultura. aqui

Da parte dos alunos, confirmo a impressão do professor Raimundo Venâncio, que me disse ter se surpreendido com o talento dos inscritos e com o compromisso e a responsabilidade de todos, sem distinção. O que vi durante as apresentações foi exatamente isso: atores e atrizes bem centrados em seus papéis, buscando uma interpretação fluida, com pouca hesitação, esforçando-se para extrair o que os personagens tinham de mais expressivo e desafiador — e não era pouco, pois os textos escolhidos carregam uma densidade psicológica e existencial intensa.

Mais importante ainda: os temas das histórias colocam em cena questões fundamentais, que nos fazem pensar sobre o mundo em que vivemos. Questões que, na verdade, atravessam o convívio humano e social há séculos, reaparecendo sob novas roupagens ao longo do tempo. Basta lembrar do drama de Hamlet, de Shakespeare — um príncipe que se vê diante do pai assassinado pelo próprio tio, que ainda trai o irmão com a cunhada para apossar-se do trono. Um conflito de poder, lealdade e identidade que ressoa até hoje, em diferentes contextos. E não custa recordar que Shakespeare, embora hoje seja considerado um clássico erudito, foi, em sua época, um autor de peças bastante populares, que dialogava diretamente com o gosto e as inquietações do público comum — algo que esta oficina resgata com maestria.

Entre as outras cenas curtas, algumas me chamaram particularmente a atenção por abordarem questões bem contemporâneas, que me fizeram recordar o conceito de amores líquidos, cunhado pelo filósofo polonês Zygmunt Bauman — relações frágeis, descartáveis, que se esvaem como água. Outra cena, de forma inteligente e inventiva, valeu-se da linguagem da literatura de cordel para misturar São Pedro, o Céu, o Diabo e um ex-deputado num diálogo cuja conclusão nos oferece uma reflexão aguda sobre como construímos o céu e o inferno aqui mesmo na Terra, por meio de nossas escolhas políticas e éticas.

Embora nos tempos atuais as peças de Shakespeare, assim como as de outros autores clássicos e contemporâneos, estejam, em geral, distantes do grande público — restritas a circuitos especializados ou a temporadas elitizadas —, iniciativas como a do Ponto de Cultura Ação Cultural vêm justamente para romper essa barreira. Ao trazer o teatro popular para o centro da comunidade, elas reafirmam a arte como direito de todos, e não como privilégio de poucos. Mais do que entretenimento, essa oficina demonstra que o teatro pode ser um espaço de formação crítica, de acolhimento de vozes diversas e de reinvenção coletiva da realidade.

Ao final, fica a certeza de que a semente lançada nesses dias já germinou — não apenas nos talentos revelados, mas na consciência de que a cena, quando é genuinamente popular, reflete e transforma a vida. Que venham as próximas oficinas, e que o burburinho continue, pois ele é o sintoma de uma cultura viva, pulsante e necessária.

Hoje, sábado, 25/07/2026 será o encerramento, com o segundo ensaio aberto para familiares e amigos convidados. Às 16h30 no pátio do espaço de convivência da Paróquia São Pedro Pescador.

No dia 22 de agosto a apresentação das cenas serão repetidas na Mostra Arte e Cidadania juntamente com outras apresentações culturais, musica, audiovisual, hip-hop e maculelê mirim do povoado São Braz de Nossa Senhora do Socorro em homenagem ao dia 22 de agosto, comemorado como  dia do folclore.

Abaixo a lista dos textos de onde as cenas foram retiradas:

1. Sou Criança (Ivone Boechat)

2. Seu Darlei (Nicolás Monastéri)

3. Valsa N° 6 (Nelson Rodrigues)

4. Hamlet (William Shakespeare)

5. Espelho, Espelho Meu! (Nicolás Monastéri)

6. Campanha Eleitoral (Maviel Melo)

7. A Encalhada (Ingrid Guimarães e Aloísio Abreu)

        *Recorte da Peça Cócegas




"Hamlet" soviético é exibido hoje

21 de Junho de 1999 

PAULO SANTOS LIMA

free-lance para a Folha

A obra mais conhecida de William Shakespeare é exibida hoje numa versão que nem todos conhecem ou esperavam conhecer.

"Hamlet", produção soviética de 1964 dirigida por Grigory Kozyntsev, integra o ciclo Teatro, Cinema e Psicanálise, promovido pela Sala Cinemateca em parceria com a Sociedade Brasileira de Psicanálise.

Após a exibição do filme, o psicanalista Luis Carlos Menezes e o crítico e professor de Letras da USP José Miguel Wisnik -mediados pelo também psicanalista Uracy Simões- abrem mesa-redonda para discutir o filme e a obra do dramaturgo inglês.

Enganam-se os que esperam ver um filme de técnica rústica. Antes de qualquer metáfora política, "Hamlet" ("Gamlet", em russo), é uma adaptação em princípio fiel ao texto original. Há, ainda, um rigor estético e narrativo como pouco se vê nessas transposições.

Como no original, Hamlet é o príncipe que ouve o fantasma de seu pai pedindo vingança por ter sido assassinado pelo irmão, que assumiu o trono da Dinamarca.

O problema é que o jovem príncipe (Innokenti Smoktunovsky, ator de prestígio na época, mas, convenhamos, com 39 anos, um tanto velho para o papel) não sabe como viabilizar a vingança, uma vez que não há provas fáceis que incriminem seu tio. Outra questão: sua mãe, Gertrudes, traiu o rei com o cunhado.

Quem é culpado, o quanto é culpado e o quanto a natureza humana contribuiu para esse e outros crimes é o dilema que faz de Hamlet um louco para os cortesãos.

Não é só. Junto a traições de amigos -o único confiável é Horácio- e tentativas de assassinato, ele ainda nutre um amor tortuoso por Ofélia (a bela Anastasiya Vertinskaya), mulher que cai na verdadeira loucura, aquela que leva à destruição.

Apesar de parecer um filme dos anos 50, o "Hamlet" soviético possui fotografia e cenografia adequadas, simples e cumprindo a caracterização do texto. O diretor não o rodou como teatro-filmado, ao contrário, mantém uma câmera sempre em panorâmicas e travel-lings, instigando o olhar do espectador que mais se ateria ao discurso da obra shakespeareana.

Adaptações de "Hamlet" não faltam. Pelo menos 25 versões "fiéis" existem -do "Hamlet" de Clement Maurice (1900) ao "Hamlet" de Michael Almereyda (99), passando pelos ótimos "Hamlet" de Laurence Olivier (48) e de Kenneth Branagh (96) e o péssimo de Franco Zeffirelli (90).

O que só fortalece a leitura de Grigory Kozyntsev. Basta a última sequência, que mostra o protagonista carregado por espadas.

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/acontece/ac21069901.htm



quarta-feira, 22 de julho de 2026

"Cortina Levantada! 1ª Oficina de Teatro Popular da Ação Cultural Encanta e Mobiliza o Bairro Industrial"

 Iniciativa gratuita da Ação Cultural une história, expressão corporal e inclusão para jovens e adultos a partir de 13 anos.


quinta-feira, 23 de julho de 2026

Na Flip, os sinos dobram por José Tolentino de Mendonça e Edimilson de Almeida Pereira

Mesa teve homenagem aos analfabetos que transmitem a literatura e lembrança de que ‘a poesia devolve o silêncio que a sociedade nos tira’

Iara Biderman

23jul2026

https://quatrocincoum.com.br/noticias/flip/na-flip-os-sinos-dobram-por-jose-tolentino-de-mendonca-e-edimilson-de-almeida-pereira/

A primeira mesa da programação principal da Flip, nesta quinta-feira (23), reuniu os “sedentos de palavras”, na expressão de José Tolentino de Mendonça. O cardeal e poeta português conversou com o poeta mineiro Edimilson de Almeida Pereira sobre o silêncio e o tumulto causados pelo poema. E, a partir de uma pergunta da mediadora, a também poeta e editora da Tinta-da-China Brasil Sofia Mariutti, sobre a profanação que ela enxerga na obra dos dois.

“Profanar não é destruir, é dar outro uso”, disse Tolentino de Mendonça citando o filósofo italiano Giorgio Agamben. “A poesia serve para profanar o silêncio, usá-lo de outra forma. Poetas tentam devolver ao silêncio a gramática da vida”. 

Mais do que isso, acrescentou Pereira, é o que silencia provocando o ruído. “A poesia devolve o silêncio que a sociedade nos tira”, disse. Não à toa, o nome da mesa era “Saber de cor o silêncio”, título de um poema de Orides Fontela, a homenageada da Flip 2026. 

Também não foi por acaso que Mariutti perguntou sobre a relação entre a prática espiritual e a escrita de poesia. Tolentino de Mendonça, além de cardeal, esteve na “shortlist” de sucessores do Papa Francisco e é prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação no Vaticano. Na noite de quarta (22), celebrou uma missa, bastante concorrida, no centro histórico de Paraty. 

“O ato artístico é sempre espiritual. A fé é a disponibilidade para o nomadismo interior”, afirmou. Tolentino de Mendonça ainda contou que, em seu trabalho, passa horas escrevendo relatórios nada poéticos. “Mas ir ao osso desses textos sem adjetivos é uma escola de poesia, porque o poema se constrói com substantivos, não com adjetivos”. 

E, como toda arte para ele, nasce da dor: “Experimentar na carne a ferida, não só a cicatriz, a lembrança do que dói, é também a expansão, o parto, essa coisa cósmica de um passar a dois, o encontro daquilo que se abre”.

Para Edimilson de Almeida Pereira, nas culturas populares, a ideia de ferida não se instala. “Para algumas comunidades, talvez ferida seja algo muito concreto e letal. O contraponto da ferida é a consciência de que a vida é, a um só tempo, momentânea e infinita”.

Transformação tradicional

Os dois poetas também falaram sobre a convivência de tradição e experimentação em suas obras. “Na perspectiva das culturas afrodiaspóricas, não há dicotomia entre o que é tradicional e o que é transformação. São comunidades que vivem deslocamentos, não só geográficos, mas de visão de mundo. O paradoxo entre modernidade e tradição está nos poetas populares, e temos trabalhado nessa perspectiva”, disse Pereira. 

O poeta-cardeal Tolentino de Mendonça, conhecido por seu interesse na cultura pop contemporânea (entre outros, é fã da cantora Rosalía e do cineasta Pier Paolo Pasolini), disse buscar a ponte entre a tradição oral e a escrita, entender como os poemas passaram de orais para escritos. “Minha avó, que era analfabeta, foi minha primeira biblioteca. Quando fui trabalhar na biblioteca do Vaticano, quis recordar minha avó e todos os analfabetos que têm sido, por séculos, responsáveis pela transmissão da literatura.”

Em vários momentos da conversa, os dois fizeram leituras de seus poemas. Em uma dessas ocasiões, o sino da igreja matriz de Paraty tocou enquanto Tolentino de Mendonça recitava. “A poesia é uma só. A dos sinos, das palavras, de tudo”, disse a mediadora. “O espanto é o umbigo do mundo. Quando somos capazes de espanto, estamos vivos. A poesia tem que ser a iniciação para o espanto”, emendou, muito poeticamente, Tolentino de Mendonça.

Flip 2026

A 24ª Flip acontece de 22 a 26 de julho e homenageia a poeta paulista Orides Fontela. Leia mais sobre a Flip 2026.



Sugestão do editor do blog para quem gosta de música brasileira. As que estão abaixo dialogam com a palestra acima, mas não só estas, outras contribuições podem ser enviadas via comentários ..

A primeira abaixo me lembrou falas de Edimilson


A segunda abaixo falas de Tolentino..








As canções que nos mostram a diferença entre o patriota verdadeiro e o patriota fake. Vamos ouvir e promover mais canções assim? Brasil e Cara do Brasil...


Eduardo Bolsonaro construiu sua imagem pública sobre o slogan "Brasil acima de tudo". No entanto, os fatos objetivos, registrados em decisões judiciais e atos administrativos, pintam um quadro oposto. O quadro abaixo, serve como nossa bússola:

(1) Dimensão A Retórica do "Patriota" (2) A Realidade dos Fatos

(1)  Vínculo Profissional Defesa das instituições e do funcionalismo técnico. (2) Demissão recomendada pela Polícia Federal por abandono do cargo de escrivão.

(1) Mandato Eletivo Representação dedicada e ativa do povo brasileiro na Câmara. (2) Cassação do mandato de deputado federal decretada por excesso de faltas injustificadas.

(1) Respeito à Soberania Discurso soberanista e contra interferências estrangeiras. (2) Atuação internacional e lobby nos EUA que resultaram em sanções prejudiciais à própria economia brasileira.

(1) Futuro e Moradia Luta pelo futuro das famílias brasileiras "em solo pátrio". (2) Obtenção de residência permanente (green card) e vida estabelecida no exterior.

É nesse fosso entre a retórica e a prática que as canções encontram seu eco mais devastador.

1. "Brasil" (Cazuza): o grito que cobra o pagamento da conta

Lançada em 1988, a música de Cazuza é um manifesto de quem está cansado de ser enganado. Seu refrão é uma convocação direta:

"Brasil, mostra a tua cara / Quero ver quem paga / Pra gente ficar assim"

A letra expõe a relação parasitária entre a elite nacional e o poder, e denuncia a hipocrisia dessas mesmas elites politicas e econômicas. Aplicando essa lente ao caso concreto, a pergunta de Cazuza se torna inquietante: quem pagou pelas faltas injustificadas de Eduardo Bolsonaro na Câmara? Quem pagou pelos atos de coação no contexto golpista que lhe renderam uma condenação unânime no STF a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto?

A resposta prática é que ele não pagou e sobrou para o contribuinte brasileiro, o erário da nação. Enquanto o Brasil aguardava a regularização de sua situação jurídica — com a perda do cargo na PF, a cassação do mandato e a inelegibilidade por oito anos —, ele simplesmente mudou de endereço. O verso "a burguesia cheira / a burguesia quer ficar rica" encontra sua materialização no green card e na vida confortável nos Estados Unidos. A "cara" que Cazuza pede para ser mostrada não era a do guerreiro patriota, mas a do homem que, diante das consequências, escolheu a fuga.

2. "A Cara do Brasil" (Vicente Barreto): o mergulho nas contradições abandonadas

Se Cazuza grita da esquina, Vicente Barreto convida à reflexão filosófica sobre a identidade nacional. A canção é um longo inventário de dualidades:

"Na verdade, o Brasil o que será?"

"O Brasil é o que tem talher de prata / Ou aquele que só come com a mão?"

"O Brasil é o homem que tem sede / Ou o que vive na seca do sertão?"

"A gente é torto igual a Garrincha e Aleijadinho / Ninguém precisa consertar"

A música não oferece uma resposta única porque o Brasil não é monolítico; ele é feito de contradições, belezas e chagas que coexistem. O discurso ufanista de Eduardo Bolsonaro sempre tentou vender a imagem de um Brasil homogêneo, heroico e acima de qualquer suspeita. No entanto, sua trajetória revela que ele abraçou apenas um lado da canção: o do privilégio, do "talher de prata" e da segurança estrangeira.

Ao abandonar o cargo de escrivão da PF, ele virou as costas para o Brasil que  precisa de instituições fortes. Ao fazer lobby nos EUA que resultou em sanções ao Brasil, ele traiu a soberania que dizia defender, escolhendo o endosso de governantes estrangeiros em detrimento do cumprimento das leis de seu próprio país. A frase "A gente é torto igual a Garrincha e Aleijadinho / Ninguém precisa consertar" é um manifesto de aceitação da identidade nacional em sua forma imperfeita, mas não nos termos como é a  familia Bolsonaro. 

A Junção Final: o Quadro Completo do Oportunismo

Quando justapomos a análise factual com as duas canções, obtemos um retrato tridimensional do oportunismo político:

Cazuza nos dá o grito de alerta: o "patriota" é, na verdade, um membro da elite que se apropria do Brasil como vitrine, ou seja, usa o país enquanto lhe é útil e o descarta quando a conta chega. A condenação no STF e a perda do cargo são a "conta" que ele se recusou a pagar, trocando-a por um green card.

Vicente Barreto nos dá o mergulho na essência: o Brasil real é feito de contradições que não cabem em slogans. A verdadeira identidade nacional não se constrói com fugas, mas com a coragem de encarar o "sertão" , a "seca" e a "contradição" . Eduardo Bolsonaro, ao fixar residência nos EUA, rejeitou essa essência. Ele não quis ser o homem que "se vira sozinho" , como sugere a canção; preferiu ser o homem que se vira para fora,  o homem que critica as "mamatas", mas que sempre fez uso delas, e continua, agora fora do país. 

Conclusão: a Pátria onde Estão os Interesses

A pergunta que atravessa toda a análise é a mesma que ecoa das duas canções: qual é, de fato, a pátria de quem escolhe virar as costas ao próprio país no momento de prestar contas à Justiça?

Cazuza responde com ironia: a pátria do oportunista é o lugar onde ele pode "mostrar a cara" apenas quando lhe convém, e escondê-la quando a conta chega. Vicente Barreto responde com melancolia: a pátria verdadeira é aquela que se assume em suas contradições, que não foge do "torto" , do "gordo" , do "que não come" .

O ex-parlamentar, ao obter residência permanente nos EUA enquanto enfrentava a perda do cargo, a cassação do mandato e a inelegibilidade, deu sua resposta prática e definitiva. A pátria, para ele, não é o chão onde se nasceu, nem o conjunto de responsabilidades que se contraiu, nem a nação de contrastes que um dia explorou em discursos. É, antes de tudo, o lugar onde seus privilégios estão a salvo — o que valida o questionamento central da primeira análise: a pátria do autêntico patriota não é um refúgio descartável, mas o local onde se assume a responsabilidade pela própria história. E a história de Eduardo Bolsonaro, como bem cantaram Cazuza e Vicente Barreto, tem a cara de quem prefere o exílio confortável à coragem de enfrentar o Brasil que ele próprio ajudou a construir, ou será destruir? 

Cazuza, Brasil








quarta-feira, 22 de julho de 2026

"Cortina Levantada! 1ª Oficina de Teatro Popular da Ação Cultural Encanta e Mobiliza o Bairro Industrial"

 Iniciativa gratuita da Ação Cultural une história, expressão corporal e inclusão para jovens e adultos a partir de 13 anos.

No último dia 21 de julho de 2026, o espaço de convivência da Paróquia São Pedro Pescador, no Bairro Industrial, foi palco de uma tarde repleta de arte, aprendizado e emoção com o início da 1ª Oficina de Teatro Popular. Promovida pela Ação Cultural e ministrada pelos experientes professores Raimundo Venâncio e Tânia Maria, a aula de estreia cumpriu brilhantemente o papel de despertar o talento dos participantes inscritos e presentes.

A aula foi estruturada em dois momentos complementares. Inicialmente, os docentes conduziram uma imersão teórica nos fundamentos da arte dramática, abordando os conceitos de atuação e ator com uma viagem histórica que conectou os primórdios do teatro à influência dos jesuítas no Brasil. Na sequência, a professora Tânia Maria deu o tom prático com exercícios de avaliação e controle respiratório, enquanto o professor Raimundo Venâncio desafiou a turma com dinâmicas de memorização e expressão corporal — elementos essenciais previstos na ementa do curso, que abrange desde a consciência corporal até a memória das emoções.

Os relatos dos participantes são unânimes ao destacar a qualidade didática e o encantamento proporcionado. A aluna Vania Bandeira emocionou a equipe ao confessar: "Confesso que iniciei super nervosa e cheia de expectativas. Mas, ao longo da aula, tudo se transformou em muito aprendizado! Conhecer a história do teatro trouxe uma profundidade maravilhosa. A aula passou voando e me deixou com atenção plena e o desejo de saber e aprender ainda mais com esses mestres da arte."

A conexão com as famílias também foi imediata. A mãe de uma das jovens alunas, Lara Cecília, compartilhou a alegria em casa: "Minha filha amou! Veio cheia de novidades, me contando tudo. Me encheu mais de vontade de ir. Ela tá muito animada e sei que pra ela vai ser maravilhoso. Muito obrigada!" Os demais alunos, como Jaci Farias e Rafael, também aprovaram a metodologia lúdica, informativa e reflexiva, destacando o alto nível do conteúdo e pedindo "mais!" . 

A oficina, com carga horária total de 20 horas distribuídos durante cinco dias,   alinha-se perfeitamente aos objetivos do Ponto de Cultura: estimular a expressão artística, a reflexão cidadã e o protagonismo juvenil.

Ao final da aula, os professores realizaram uma avaliação individualizada, distribuindo textos compatíveis com o perfil de cada aluno. A expectativa agora é alta para os próximos encontros, que continuarão explorando a expressão vocal, a improvisação e a construção de personagens, sempre partindo da experiência pessoal de cada participante.

O produto final dessa jornada será a produção de várias cenas teatrais curtas, em formato de monólogos, que serão apresentadas ao público na Mostra Arte e Cidadania, marcada para o dia 22 de agosto. A iniciativa promete não apenas revelar novos talentos, mas também fortalecer a identidade cultural da comunidade, gerar oportunidades de inserção profissional no âmbito da  economia  criativa  e melhorar a autoestima e o desempenho escolar dos envolvidos.



Fotos: Raoni Smith

Projeto contemplado no Edital de Chamamento Público nº 11/2024 – Rede Municipal de Pontos de Cultura de Aracaju, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e da Política Nacional Cultura Viva. Ministério da Cultura e Governo Federal, com participação da Funcaju, Prefeitura de Aracaju.



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