quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Olha o Consórcio Cultural aí gente!


Caravana Arcoiris
Reunião do Consórcio com a Presença do Secretário da Cultura(ProfºLuiz Alberto)
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Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
23/3/2008 · 231 · 13

A despeito de ainda não ter definindo por completo os objetivos finalísticos e nem o formato organizacional, o Consórcio Cultural do A. Franco e Adjacências já é quase realidade.

O lançamento público aconteceu em 29 de setembro de 2007, quando foi realizada a III Noite Cultural no Complexo Cultural “O Gonzagão”. 

O evento reuniu dezenas de artistas e grupos culturais emergentes, que se apresentaram para um público de aproximadamente 400 pessoas. Segundo o depoimento de algumas delas, foi possível relembrarem os melhores tempos em que o Gonzagão era uma casa de shows bastante concorrida. 

“Gostaria que a nova direção trouxesse de volta os shows que Joe Feitosa {produtor e radialista} realizava com Lairton e outros artistas. Eu vinha com minha mãe e irmãs, faz muito tempo que não venho aqui, gostei muito do que assisti na III Noite Cultural, mas sinto saudade do passado aqui, com Diego, Pholhas, Bandas de Forró”. (cf. Relatório de avaliação do público presente a III NOITE CULTURAL. – 29 de setembro de 2007).

A realização da noite cultural confirmou o que disse os dirigentes da Quadrilha Junina Asa Branca que afirmaram semanas antes: “A data de realização da noite cultural é para nos encontrar, comemorar sempre e deixar registrado em mossa memória como a noite da integração cultural do Conjunto Augusto Franco e Adjacências”. 

Em termos de gestação, o consórcio começa a se tornar realidade a partir das reuniões realizadas desde maio de 2007, quando assumimos a direção do Gonzagão, com a decisão de promover um modelo de gestão inspirada nos princípios da democracia participativa e do controle social – o que é lamentavelmente bastante citado em prosa e versos, mas pouco implementado efetivamente.

A idéia inicial foi a formação de um conselho gestor ou uma associação de amigos ou de usuários. Entretanto, devido às crescentes demandas para apoio financeiro e logístico aos artistas e grupos culturais da comunidade e adjacências, e em razão dos problemas de restrições orçamentárias e da necessidade de investir na capacitação técnica dos agentes culturais, na tentativa de acessar outras fontes de patrocínio, foi aceita a proposta de ampliar o raio de alcance das discussões e ações coletivas. 

A partir deste entendimento as reuniões não estariam voltadas apenas para tratar de assuntos internos do Gonzagão, mas também para aspectos referentes às políticas públicas de cultura, à divulgação de espaços/oportunidades para aprimorar o conhecimento na área de gestão e produção cultural, à realização de parcerias dos artistas e representantes de grupos culturais para ações conjuntas, dentro e fora do Gonzagão etc...

E muito foi feito neste sentido, como por exemplo:
* Realização de duas reuniões mensais (em média) envolvendo de 7 a 20 agentes culturais;
* Abertura do espaço do Gonzagão para o ensaio de quadrilhas juninas, grupos de teatro, bandas de forró e grupos de dança (sem burocracia e /ou má vontade);
* Realização de um cadastro de iniciativas culturais do Conj. Augusto Franco e dos bairros do entorno;
* Promoção de quatro rodas abertas de diálogo, encontros cuja metodologia inclui a apresentação de um especialista que apresenta um tema de interesse para quem está diretamente envolvido com o trabalho social educativo com linguagens artisticas - na seqüência é realizado um debate e para concluir uma apresentação artística relacionada ao tema. Como unir juventude e tradição cultural, para o qual foi convidado o professor José Paulino e que reuniu 30 pessoas no mês de julho. O legado de Luiz Gonzaga para o povo brasileiro,sob a coordenação do Professor José Augusto, com a presença de 100 pessoas. Como educar crianças e jovens para a paz utilizando as artes e a sabedoria ancestral, sob a coordenação da Caravana Arcoiris, com a presença de 50 pessoas, e Canudos ontem e hoje, sob a coordenação do Pesquisador Enock de Oliveira com a presença de 80 pessoas); 
* Participação em oficinas, videoconferência, fóruns etc.. organizados pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Ministério da Cultura, Ong Ação Cultural;
* Apresentação em slides do programa Mais Cultura do Ministério da Cultura para os integrantes do Consórcio Cultural com a presença de 20 integrantes do consórcio cultural;
* Palestra sobre o crediamigo do BNB (o banco financia a juros baixos grupos de 3 a 10 pessoas que desejem dinamizar seu empreendimento cultural. A reunião contou com a presença de 15 integrantes do consórcio cultural);
* Coleta de sugestões visando subsidiar o planejamento das ações culturais em 2007 e para o ano de 2008 no Gonzagão.

Como conseqüência positiva, dentre várias, tivemos:
• A apresentação pela primeira vez de projetos de captação de recursos para organismos governamentais por parte das duas quadrilhas sediadas no Conj. A. Franco (local onde está sediado o Gonzagão). A Quadrilha Luís Gonzaga apresentou projeto para o BNB, e a Quadrilha Asa Branca para a Sid/Minc;

• A criação do grupo cultural Asa Branca, cujos integrantes são jovens egressos da quadrilha junina Asa Branca e cuja organização foi bastante estimulado pelas discussões no Consórcio Cultural. Estreou na III Mostra Cultural e recebeu diversos convites para apresentações gratuitas e com cachê;

• Alguns artistas e grupos culturais passaram a ter a uma visibilidade ampliada em termos midiáticos (jornais, internet, agenda cultural da Secretária de Estado da Cultura);

• Tivemos também o convite para apresentações remuneradas a grupos de dança e grupos musicais que participaram e/ou participam do consórcio cultural.

Perspectivas de futuro.

No decorrer do ano de 2008 pretendemos encaminhar as discussões e organização jurídica da Associação de Amigos ou de Usuários do Gonzagão ou de um Conselho Gestor. A pretensão e criar uma instrumento de participação cidadâ voltado para as questões internas do Complexo Cultural, funcionará como um braço administrativo do Gonzagão e cujas potencialidades além do controle social, poderá servir como porta de acesso para realizarmos parcerias e obtermos patrocínios junto a organismos governamentais, empresas e terceiro setor.

Quanto ao consórcio cultural, pretendemos iniciar a discussão de um regimento interno buscando garantir e ampliar o espaço de articulação e mobilização para ações conjuntas envolvendo os agentes culturais que integram o consórcio e com possibilidades de expandir o raio de ação para além do atual território que compreende os bairros adjacentes ao Gonzagão.

Pedras no caminho 

É verdade que para atingirmos os objetivos que inicialmente estamos propondo, teremos que afastar muitas pedras do caminho. Em anos anteriores, já tivemos envolvimento com algumas iniciativas da criação de redes e fóruns que encontraram (e ainda encontram) bastante dificuldades e resistências para seguirem em frente.Podemos citar como exemplo a Rede de Agentes Culturais (RAC) estimulada pelo Sebrae, a organização da Rede Provai, apoiada pelo Vereador Magal da Pastoral (em seu primeiro mandato), e a Rede Sergipe de Cultura (iniciativa da ECOS -Entidades Culturais Organizadas).

Quanto às dificuldades e resistências, que ao contrário do que muita gente pensa, não é somente da parte dos poderes constituídos, vale a pena lembrar algumas delas registrados na Carta Cultural da Periferia, resultado do I Fórum Popular de Cultura, em 2005:
*É preciso ampliar a quantidade de grupos articulados, através de fóruns e redes para possibilitar maior intercomunicação;
* É preciso superar o estrelismo e o individualismo existente no meio artístico;
* Falta amor próprio e auto-respeito por parte dos artistas e produtores. Um exemplo disso é a falta de iniciativa de muitos artistas e grupos populares, que ficam apenas esperando o financiamento de projetos por parte do governo; 
* Sofremos muito com o imediatismo do próprio artista, reconhecemos que precisamos nos organizar mais, e o fórum é o caminho para essa perspectiva de um futuro melhor;
* Há necessidade de unir os grupos para fortalecer as ações culturais;
* A dificuldade principal é buscar pessoas competentes para trabalhar com cultura junto a crianças e jovens;
* É necessário ampliar os espaços e as oportunidades para se obter formação;
* Como conseguir incrementar projetos num ambiente avesso ao patrocínio cultural?
* Como enfrentar o descaso e a desvalorização dos órgãos culturais governamentais que valorizam mais o trabalho dos artistas de fora?

Para concluir, diante de tantos desafios só nos resta dizer como o poeta que: “sonha que se sonha só é só um sonho e sonho que se sonha junto é realidade”.

Portanto, a continuidade e sustentação do consórcio cultural será obtido a partir do desejo e do trabalho cotidiano de vários agentes culturais, grupos e entidades que compreendem que apenas com ações isoladas não obteremos sucesso duradouro. Oxalá, essa compreensão já esteja bastante clara para muitos e que através de ações coletivas, compartilhadas e com base em relações éticas e transparentes, seja possivel evitar aquilo que disse o Ministro Gilberto Gil, em discurso na Câmara dos Deputados em 2004: “(...) Há muitas iniciativas culturais que nascem, e na maior parte das vezes morrem, nas periferias e no interior do nosso país, sem que o Brasil possa se dar conta de quanto talento é capaz o seu povo..”


Cultura para quem precisa de cultura.

Caravana Arciris
Valéria e Micheline(destaque) da Cia de Dança Rick di Karllo São Cristóvão/SE

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
4/12/2008 ·
Há dois tipos de cultura que geram tipos de riquezas importantes: a cultura do cultivo da terra, que garante a nossa alimentação; e a cultura do cultivo do espírito, através da arte, que nos humaniza. Esta última também pode, juntamente com a agricultura, principalmente a familiar, se devidamente estimulada nesta perspectiva, ajudar a criar os milhões de empregos de que tanto precisamos.


Alguns exemplos apontam para isso, como o que foi citado pelo produtor cultural “Zé da Flauta”, no Fórum do Forró – edição 2004, em Aracaju. Contou a história de um disco de forró que ele produziu e que passou dez anos encalhado. Levado para os Estados Unidos por um americano que esteve de passagem por Recife, tornou-se um sucesso de vendas, sendo, inclusive, indicado para o Grammy, o “Oscar” da música.



Utilizando a história como um bom exemplo de como nossa cultura pode ser um bom produto para exportação, Zé da Flauta lembrou que, se o Presidente Luís Inácio Lula da Silva e sua equipe econômica estivessem atentos a isso, teriam levado um pacote cheio de discos de diversos estilos para presentear os chineses.



“A população da China é de um bilhão e trezentos milhões de habitantes. Imagine se o nosso forró cair no gosto de 10% dos chineses? O quanto não venderemos de discos naquele país?” — perguntou Zé da Flauta para a platéia.



As perspectivas não são apenas boas para o mercado externo, mas dentro de nosso país, como lembrou o ministro Gilberto Gil, durante discurso na Câmara dos Deputados: “No Brasil a cultura movimenta muito mais do que 1% do PIB. Apenas na cidade do Rio de Janeiro, para dar um exemplo, as atividades culturais são responsáveis por 7% do PIB, empregam diretamente 600 mil reais e geram nada menos que 2 bilhões de reais apenas em impostos municipais. Um trabalho recente feito pela UFRJ mostra que cada 1 real investido pelo poder público em cinema gera mais três reais para a economia local”.



Aqui em Sergipe, um jornal local publicou em junho de 2004 alguns dados interessantes referentes à quantidade de empregos que são gerados pelos 64 grupos que integram a Liga das Quadrilhas Juninas do Estado de Sergipe. Segundo a reportagem, de março até a primeira semana de julho, são gerados quase mil empregos para músicos, cantores, costureiras, maquiadoras, estilistas e muitos outros profissionais.



No entanto, faltam estudos mais completos que incluam toda a cadeia produtiva do forró. Outras capitais brasileiras já realizaram e/ou estão realizando estudos semelhantes. No caso de Recife, foi realizado estudo sobre a cadeia produtiva da música. O Rio de Janeiro, além da pesquisa citada, realizou uma outra, mais especifíca, sobre o impacto econômico e social do carnaval carioca.



Na mesa temática sobre cultura, no Congresso da Cidade de Aracaju, em 2003, foi apresentada uma sugestão para que a Funcaju, em parceria com o Sebrae e as universidades, fizesse estudos semelhantes, focalizando inicialmente o PRECAJU e o FORROCAJU, para servir de estímulo no aumento dos investimentos destinados para a área cultural por parte dos órgãos públicos, da iniciativa privada e do terceiro setor, mas nada até agora foi realizado neste sentido.



No Fórum do Forró, edição 2004, sugerimos que um dos temas a ser apresentado no ano de 2005 fosse a economia do forró, ou na falta de um estudo mais especifico, uma proposta mais abrangente como a pesquisa do Recife sobre a economia da música.



Mas além destes aspectos econômicos, nunca é demais lembrar que a cultura pode contribuir para a nossa saúde, bem estar e felicidade. O problema é expressar essas contribuições por meios que sejam claros, demonstráveis e que contribuam para fazer o máximo possível de cultura e atividade criativa.



O texto “Democracia e o apoio oficial à cultura”, disponível no site www.culturaemercado.com.br, mostra a preocupação de alguns intelectuais europeus com esta questão. François Matarasso, por exemplo, não procura negar, mas acrescentar outros aspectos para a avaliação de um projeto artístico que vão além do índice no PIB nacional. Saúde, bem-estar, estabilidade, desenvolvimento e felicidade da sociedade britânica são aspectos que, para esse escritor, estariam acima da economia e que a arte poderia influenciar fortemente. Em outras palavras, ao invés do aspecto econômico, o foco é sobre o social.



Em nossa opinião, nenhum aspecto deve deixar de ser levado em conta. Aquilo que for possível quantificar, mensurar, deve ser comprovado. Já as questões subjetivas, que sejam apresentadas através de depoimento pessoal, estudos de caso ou outros meios que as ciências sociais conhecem muito bem.



Quem sabe, com isso consigamos convencer os executivos a ampliar os recursos orçamentários, como também os líderes de movimentos sociais, entidades de representação e ONGs para incluírem em suas pautas de reivindicações, além de um orçamento digno para a cultura, a participação popular e o controle social, através da convocação de uma Conferência de Cultura e da instalação do Conselho de Cultura. 



Necessária também é uma descentralização para facilitar a democratização e o acesso aos meios de criação cultural por parte daqueles que moram em locais mais distantes dos equipamentos culturais, que em sua grande maioria, se concentram nas áreas centrais e nas zonas com populações de alto poder aquisitivo.



Eis uma tarefa urgente para os intelectuais ligados às universidades, às ONGs e aos militantes sociais, considerando que temos prefeitos assumindo em 2009 e disputa para os governos estaduais e mandato do Presidente da República em 2010.



P.S.
Caros (as) over_manos e minas,
Os motivos que nos levaram a reeditar o artigo acima, originalmente publicado no jornal cinform, edição 1130 de 06 a 12 de dezembro de 2004, com o titulo “Cultura para quem precisa de emprego, paz, auto-estima, alegria e saúde” são os seguintes:

A crise nas bolsas de valores, tendo como uma de suas conseqüências na economia real, o agravamento dos índices de desemprego. Diante desse fato, como ampliar as possibilidades do mercado cultural, em especial através dos novos modelos de negócios, para criar mais oportunidades de geração de trabalho e renda? 

A necessidade de ampliar e divulgar os estudos e pesquisas que comprovam o argumento de que os investimentos em cultura, melhoram e muuuuuito a qualidade do ensino público, da saúde pública, da segurança pública etc...

E por último a feliz iniciativa do Ministério da Cultura em parceria com o Ministério da Educação, que anunciaram recentemente o edital Pro-Cultura para financiar pesquisas acadêmicas que atende aos reclamos de muitos atores sociais e/ou culturais desde já há algum tempo.




Edital PRÓ-CULTURA Capes/MinC - apoio à pesquisa em cultura 
Inscrições até 31 de março de 2009



O Edital nº 7/2008 - Capes/MinC - faz parte do Programa Pró-Cultura e irá conceder 48 bolsas de ensino para estudantes de mestrado (stricto sensu) e para pesquisas na área cultural.

O programa é fruto de um trabalho conjunto entre a Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura (SPC/MinC) e a Capes e visa fomentar a pesquisa universitária, bem como o aperfeiçoamento e a formação de pessoal de nível superior em Cultura. O valor das bolsas a serem concedidas é de R$ 1.200,00, cada uma.

As inscrições estão abertas até 31 de março de 2009 e deverão ser feitas por instituições de ensino superior.

A divulgação dos selecionados será realizada a partir de abril de 2009.

As áreas temáticas da Cultura prioritárias para o desenvolvimento das pesquisas são: Cultura, Arte e Novas Tecnologias; Cultura, Manifestações Artísticas e Conhecimentos Tradicionais; Cultura, Memória e Patrimônio; Cultura Populações e Territórios; Cultura, Cidadania e Inclusão Social; Cultura, Estado, Legislação da área de Cultura e Políticas Públicas; Cultura, Economia e Desenvolvimento; e Cultura, Globalização e Diversidade.

A preferência para a seleção dos bolsistas, conforme o edital, será dada a projetos que promovam o diálogo e a interação das pesquisas com os conhecimentos da cultura tradicional do país; promovam a articulação das universidades com empresas; realizem a apresentação de conteúdos em formatos audiovisual e/ou digital; façam a divulgação dos resultados em seminários, oficinas e eventos culturais, entre outros aspectos.

Conheça o edital:

Mais informações:

CAPES - Coordenação de Programas de Indução e Inovação - CII
Telefone: (61) 2104-8944

Secretaria de Políticas Culturais
Telefone: (61) 3316-2358

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Democracia e o apoio oficial à cultura. Um texto datado, mas com informações ainda úteis.

Mesmo governos de esquerda, como se apregoa ser o Trabalhista inglês, procuram a todo custo entregar à iniciativa privada a responsabilidade pela produção e pelo crescimento?Qualquer governo democrático de hoje tem que se esforçar horrores para convencer a população da importância de se investir em artes. Com problemas como alimentação, transporte, saúde pública, educação, qual o motivo de investir na construção de teatros ou na manutenção de orquestras? Até as revoluções liberais que percorreram o mundo nos séculos XVII e XVIII, cujas mais marcantes que serviram de paradigma às outras foram a inglesa (1688), a americana (1776) e a culminante revolução francesa (1789), o apoio oficial dado à arte não precisava ser justificado, pois era parte inerente daquelas sociedades. A arte não era entendida como um gasto público, mas como uma questão de honra e de ostentação, perigosamente confundidos com patriotismo e nacionalismo.
François Matarasso, num texto chamado To Save the City: the Function of Art in Contemporary Europe Society, lembra-nos de que na peça ?Sapos?, de Aristófanes, escrita em 405 aC , o Deus do Teatro, Dionísio, viaja ao mundo subterrâneo na intenção de trazer de volta à vida Aeschylus ou Eurípedes. Quando então é indagado pelo por quê da necessidade de se buscar poetas ele responde numa frase clássica: ?para salvar a cidade?. Na comédia de Aristófanes, evidentemente, essa frase tem todo seu significado em relação ao enredo e à narrativa, o que a torna muito mais complexa. No entanto, o que nos interessa notar é que a arte, como vista pelos gregos, era uma parte ativa da vida social, capaz de salvar a cidade de sua decadência. Mas como e por que a arte teria tamanho poder? Exageros à parte, pois Aristófanes também era um poeta, a arte na Grécia antiga não se desgarrava da sociedade, não se considerava como algo além do mundo terreno embasada na falácia de que era uma obra estética e como tal distante do entendimento mundano. Quando Aristóteles discute a Estética, em seu famoso texto, de maneira alguma coloca a arte acima da sociedade, o que se comprova com a idéia fundamental da catarse, que une o espetáculo ao espectador. Na verdade, era a arte que trazia para as pessoas as feições, as roupas, os ensinamentos, a personalidade dos Deuses do Olimpo, tornando-os presente no dia-a-dia. Portanto, trazer a arte de volta à vida era uma maneira de trazer a identidade do povo, a religião e, como nunca poderia deixar de ser, o entretenimento que passava longe da idéia de alienação nos tempos de crise.
Esse exemplo grego não se repetiu exatamente durante a História. Em cada época a arte teve sua função e muitas vezes não das mais louváveis. Ao invés de salvar a cidade pode-se dizer que a arte já serviu muito mais para salvar o governo. De qualquer modo, com o fim dos governos aristocráticos outros setores da população passaram a fazer parte das decisões políticas através da escolha de seus líderes. Ainda não se fala em democracia, mas em participação burguesa na política. A partir de então o dinheiro do governo vinha através de impostos pagos pelos mesmos burgueses. O gasto público do Estado passou a ser sentido no bolso de quem governava. Até aí o orgulho que a arte despertava nos burgueses e nos ex-nobres (?esnobes?), além da falta de voz ativa que viesse da massa popular e que reivindicasse compromisso social, garantia dinheiro e apoio ao desenvolvimento cultural.
No entanto, o século XX foi marcado pela democratização – embora longe de ser completa – das instituições públicas. O voto em quase todos os cantos do mundo passou a ser universal aos maiores de idade, independente de sexo ou condição financeira. Com isso, a educação deixou de ser privilégio de poucos para se tornar generalizada e uma obrigação de Estado. A saúde teve de tratar com aquelas pessoas que antes eram meramente mão-de-obra. A partir da década de 30, Franklin Roosevelt implementou a rede de proteção social (Welfare State) nos Estados Unidos, que, das mais diversas maneiras, espalhou-se pelo mundo afora. Independente de qualquer discussão moral, tudo isso representou um grande aumento nos gastos públicos. Quando a conta teve de ser paga vieram as crises das décadas de 70 e 80 e um conseqüente afastamento do Estado da economia. Mesmo governos de esquerda, como se apregoa ser o Trabalhista inglês, procuram a todo custo entregar à iniciativa privada a responsabilidade pela produção e pelo crescimento. O ex-presidente do Banco Central do Brasil, Gustavo Franco, na revista Veja de número 1775, diz que as cartas de intenção de investimento do governo na verdade são ?cartas de intenções alheias, porque quem toma a decisão de investir é o setor privado?.
Um Estado com tantos gastos e já não tão presente na economia de um país não pôde mais manter a mesma relação com a arte. Do mesmo modo, a própria arte em relação à sociedade mudou. O mercado do artista não é mais o nobre ou o enriquecido burguês. Seu mercado está ampliado e visa também às pessoas afastadas da chamada alta cultura; procuram na arte, na verdade, um modo simples e rápido de entretenimento. O artista também não é mais aquela pessoa apoiada pelo Estado, seja de modo direto, com dinheiro injetado pelo em suas obras, seja através de cargos públicos, como nos mostra Antonio Candido em relação ao Brasil em ?Literatura e Sociedade?. Não é mais o Príncipe, em geral, que compra as obras de arte, mas o mercado, muitas vezes inculto e viciado. O artista se tornou parte da economia como uma pessoa comum em busca de reconhecimento profissional. Ele nem possui mais, para a sociedade em geral, a imagem de alguém com dom divino, nem é mais sentido como o representante e tradutor da alma de um povo. O artista na economia de mercado avassaladora das últimas décadas parece ter perdido sua aura. É necessário, agora, para qualquer governo ao investir na cultura justificar de modo prático e, se possível, estatístico, a razão pela qual a cultura deve receber recursos públicos. A arte, a partir de então, tem de passar por uma avaliação capaz de dizer se ela justifica o investimento público. No entanto, o instigante é definir o que terá peso nessa avaliação. Talvez seja nessa definição que se possa encontrar o que seja uma política cultural.
No fim dos anos 1980 um famoso estudo John Myerscough demonstrou a importância na economia do setor cultural. Com dados, Myercough procura convencer que uma política cultural bem elaborada pode levar a grandes lucros a uma grande movimentação financeira da nação. Essa assertiva pode ser confirmada com o dado do Arts Council of England que diz que o setor cultural teve um crescimento de 16% no ano passado, enquanto a economia em geral não cresceu 2%. Como se sabe, nos anos 80 a Inglaterra foi governada pelas idéias do liberalismo econômico de Margareth Tatcher. A política conservadora (que por mais antagônico que sejam os termos, não se opõe ao liberalismo econômico) adotada naquela época procurava desmontar a rede estatal, falida pelos gastos, como se justificava, nas áreas de segurança social. A idéia básica das propostas do Partido Conservador era transferir para a iniciativa privada tudo aquilo que era deficitário e que pesava nas contas públicas. Nesta barca também passou a navegar a nauseada política cultural, tendo de lidar a partir de então basicamente com o mercado.
O mercado não é inimigo da arte. Pelo contrário, é ele quem torna artistas em milionários e famosos. É ele quem cria milhares de empregos todos os dias para pessoas ligadas direta ou indiretamente à arte. E é ele quem já apoiou algumas das mais belas peças artísticas. No entanto, o mercado se torna de costas à qualquer coisa que não traga inerente a varinha de condão do lucro. É simplificador dizer que boa arte não dá lucro. Muitos grandes artistas, reconhecidos por críticos, conseguem atingir o grande público e por conseqüência agradar ao mercado. Outros, no entanto, não conseguem sair de um pequeno ciclo de admiradores que mal conseguem pagar os custos de uma obra. Guinga, um violinista carioca muito respeitado no meio musical, disse certa vez em um show que era besteira dizer que artista vira os olhos ao grande público. ?Meu sonho é ver meus discos serem vendidos nas Lojas Americanas?, ele dizia. O problema é que para isso, segundo ele, teria que mudar seu repertório, fazer uma música mais ?fácil?. Para ele, então, deixar o apoio à cultura à boa vontade do mercado é esmagador. De qualquer modo, o estudo de Myercough preponderou durante o governo Tatcher como justificativa para se apoiar a arte. Em outras palavras, dizia-se, arte dá lucro e isso basta para que seja apoiada. No entanto, embora não abandonada, a idéia de Myercough passou logo a ser revista. François Matarasso, no livro Defining Values: Evaluating Arts Programme, critica a idéia liberal que se criou durante o governo Tatcher. Diz ele:
But, despite appearances to the contrary, financial growth is not the only measure of public good. And while the arts certainly can contribute to our GNP, they contribute far more to the health, well-being, stability, development and happiness of British society. The problem is to express these contributions in ways which are clear, provable and helpful in making the most of culture and creative activity.*

Portanto, François Matarasso não procura negar mas acrescentar outros aspectos para a avaliação de um projeto artístico que vão além do índice no PIB nacional. Saúde, bem-estar, estabilidade, desenvolvimento e felicidade da sociedade britânica são aspectos que para esse escritor estariam acima da economia e que a arte poderia influenciar fortemente. Em outras palavras, ao invés do aspecto econômico o foco é sobre o social. O estudo de Matarasso, que na verdade faz parte de uma série coordenada por ele na editora Comedia, chamada Defining Values, busca definir os valores que devem ser empregados quando da avaliação de um projeto artístico. Durante todo o texto o autor desenvolve uma metodologia questionando o validade ou não de cada vetor a ser empregado. No fim, o que se nota é a dificuldade de se concluir como negativa ou positiva qualquer avaliação.

Evidentemente, há entre os estudos de Myercough e o de Matarasso uma guinada para o ideário da esquerda (ainda que discreta), do mesmo modo que o governo inglês, agora sob o comando do trabalhista Tony Blair. De todo modo, o que é comum é o que viemos falando até então: há, qualquer seja o governo e qualquer que seja sua visão da cultura, a necessidade de se justificar para a população o dinheiro investido. Isso pode parecer um entrave nas relações entre governo e entidades culturais, mas, na verdade, é a representação dos tempos democráticos. A cultura é um bem fundamental para uma sociedade por todas as justificativas possíveis, desde a grega até a econômica ou social, e um governo que reconheça isso, sem demagogia e democraticamente, pode, sem maiores problemas, mostrar à população a pertinência de se gastar o dinheiro público nesse setor. E o produto desse relação democrática, o que será inovador, poderá ser compartilhado por todos.
* ?Mas, apesar de parecer o contrário, crescimento financeiro não é a única medida do bem público. E enquanto as artes podem certamente contribuir para nosso ?GNP?, elas contribuem muito além para a saúde, bem-estar, estabilidade, desenvolvimento e felicidade da sociedade britânica. O problema é expressar essas contribuições por meios que sejam claros, demonstráveis e que contribuam para fazer o máximo possível de cultura e atividade criativa.?
Michel Nicolau é formado em Direito pela PUC-SP. Em 2001, desenvolveu projeto com a Fapesp chamado “Linguagens Cinematográfica e Literária nas obras ?Traumnovelle?, de Arthur Schnitzler, e ?Eyes Wide Shut?, de Stanley Kubrick”. Atualmente cursa ?Arts Planning and Manegement? na Universidade de Londres.
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Michel Nicolau

Conversas com quem quer encontrar as portas de saída. "Achávamos que o Brasil poderia ser um país desenvolvido, capitalista e dionisíaco. De gente feliz." Paulo de Moraes

De tanto ficarmos preocupados na busca de respostas a questões imediatas e de curto prazo, vem o futuro e nos cobra. E aêê?
E como não aprendemos a lição, buscamos responder com mais respostas de curto e médio prazo, tipo encarceramento em massa da juventude, pena de morte, militarização de escolas, escola sem partido, censura em museus, programação cultural baseada em futilidades, futricas e fuleirage e etc...
E assim nos tornamos brasileiros...Como diz Cazuza. Quem sabe ouvindo mais canções do Cazuza possamos nos lembrar do que precisamos pensar e fazer para irmos mais além. Ou lembrando e ouvindo mais canções de Taiguara, Legião Urbana, Bob Marley, Racionais MCs, Bezerra da Silva, Edvaldo Santana, Criolo,Emicida e tanta gente nova, que está batalhando para abrir espaço em meio a "ditadura" cultural do mercado.
“E que as crianças cantem livres sobre os muros
E ensinem sonho ao que não pode amar sem dor
E QUE O PASSADO ABRA OS PRESENTES PRO FUTURO.
QUE NÃO DORMIU E PREPAROU O AMANHECER....” (Taiguara)
Mas para isso...Precisamos de mais Criolo e menos Safadão, Mais teatro e menos televisão. Mais grafite e menos muros cinza. Mais poesia e menos pancadão. Mais saraus e menos crack. Mais conversas e menos doutrinação. Mais amor e menos dor. Mais arte e menos solidão. Mais criação e menos repetição.
E você, tem fome de que? E você, tem sede de que?
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Um pensamento que me veio, após a comemoração de um aniversário na noite deste sábado, na companhia de gente de boa energia e em um ambiente com arquitetura favorável, inclusive a boa convivência dos espaço construídos com os espaços verdes.
“Gente é energia. Energia é ancestralidade, também. Ter a consciência de que somos energia e ancestralidade pode nos ajudar, mas não podemos esquecer da conexão com a realidade do tempo presente. Feito essa combinação podemos obter a (s) cura (s).”
Energia aqui deve ser entendida conforme o que está expresso no texto abaixo. O qual chegou até a mim novamente , após escrever o que consta acima.
“ 7 coisas que afetam sua frequência vibracional, do ponto de vista da física
Vibração na física quântica significa que tudo é energia. Somos seres vibracionais. Cada vibração equivale a um sentimento e no mundo “vibracional”, existem apenas duas espécies de vibrações, a positiva e a negativa. Qualquer sentimento faz com que você emita uma vibração que pode ser positiva ou negativa.
1ª – Os Pensamentos.
Todo pensamento que você possui emite uma frequência para o Universo e essa frequência retorna para a origem, no caso, você! Então se você tem pensamentos negativos, de desânimo, tristeza, raiva, medo, isso tudo vai voltar para você. Por isso é tão importante que você cuide da qualidade dos seus pensamentos e aprenda a cultivar pensamentos mais positivos.
2ª – As Companhias.
As pessoas que estão a sua volta influenciam diretamente na sua frequência vibracional. Se você está ao lado de pessoas alegres, determinadas, você também entrará nessa vibração, agora se você se cerca de pessoas reclamonas, fofoqueiras e pessimistas, tome cuidado! Pois elas podem estar diminuindo a sua frequência e como consequência te impedindo de fazer a lei da atração funcionar a seu favor.
3ª – As Músicas.
Músicas são poderosíssimas. Se você só escuta músicas que falam de morte, traição, tristeza, abandono, isso tudo vai interferir naquilo que você vibra. Preste atenção na letra das músicas que você escuta, elas podem estar diminuindo a sua frequência vibracional. E lembre-se: você atrai para sua vida exatamente aquilo que você vibra.
4ª – Coisas que você Assiste.
Quando você assiste programas que abordam desgraças, mortes, traições, etc. seu cérebro aceita aquilo como uma realidade e libera toda uma química no seu corpo, fazendo com que sua frequência vibracional seja afetada. Assista coisas que te façam bem e te ajudem a vibrar numa frequência mais elevada.
5ª – O Ambiente.
Seja na sua casa ou no seu trabalho, se você passa grande parte do tempo num ambiente desorganizado, sujo, feio, isso também afetará a sua frequência. Melhore o que está a sua volta, organize e limpe o seu ambiente. Mostre ao Universo que você está apto a receber muito mais. Cuide do que você já tem!
6ª – A Fala.
Se você reclama ou fala mal das coisas e das pessoas, isso afeta a sua frequência vibracional. Para você manter a sua frequência elevada é fundamental que você elimine o hábito de reclamar e de falar mal dos outros. Então evite fazer dramas e se vitimizar. Assuma a Responsabilidade pelas Escolhas da sua Vida!
7ª – A Gratidão.
A Gratidão afeta positivamente a sua frequência vibracional, esse é um hábito que você deveria incorporar agora mesmo na sua vida. Comece a agradecer por tudo, pelas coisas boas e ruins, por todas as experiências que você já vivenciou. A gratidão abre as portas para que as coisas boas fluam positivamente na sua vida.”

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

PONTOS DE CULTURA : uma tentativa de mapeamento do Estado de Sergipe


PONTOS DE CULTURA : uma tentativa de mapeamento do Estado de Sergipe
Manuela Ramos da Silvaa, Flávia Pacheco b, Augusto César Vieira dos Santos c, Mônica Barreto d, Maria Guadalupe Alves e
                                                                           b UFS/NSE, flavinhalp@hotmail.com
d UFS/NTU, monyka_2008@hotmail.com
e UFS/NTU, maria-guadalupe1988@hotmail.com
Resumo
Este artigo apresenta os principais resultados e os desafios de um projeto cujo objetivo foi mapear os pontos de cultura do estado de Sergipe. Para tanto, foi realizada uma pesquisa de caráter exploratório-descritivo com gestores e usuários de cinco dos Pontos de Cultura do Estado de Sergipe. Posteriormente, os dados foram analisados através do método de análise de conteúdo. Nas conclusões, observa-se que: a) os Pontos de Cultura estão funcionando ativamente, b) os pontos enfrentam problemas de gestão, devido a falta de capacitação técnica; c) os pontos de cultura consideram o Programa dos Pontos de Cultura do MinC insuficiente ou não atendem as demandas da comunidade envolvida; d) não há interação entre os pontos investigados, muito menos ações em rede; e) os usuários atendidos pelos pontos de cultura estão satisfeitos com o trabalho feito na comunidade, mas dizem que falta estrutura nos pontos; e f) os usuários atendidos pelos pontos acreditam que houve mudanças positivas na comunidade após o trabalho dos pontos.
Palavras-chaves: Pontos de Cultura; Políticas Públicas; Gestão; Organizações Culturais.


Falar em gestão cultural significa referir-se a um conjunto de ações de uma organização – pública ou privada - destinado a atingir determinados objetivos que foram planejados e – supõe-se - são desejados pela organização. Implica em implementar normas, planos e projetos, estabelecer estruturas, alocar recursos humanos, financeiros, físicos e  tecnológicos e, principalmente, empenhar criatividade e capacidade de inovação para  atingir esses objetivos da melhor forma possível. A especificidade cultural está dada pelo fato de se tratar da implementação de políticas culturais ou de lidar com instituições culturais. Ou, em outras palavras, de estar trabalhando com um intangível como é a cultura nas suas mais diversas manifestações.

Se nos referirmos à atividade do Estado, estaremos atuando no âmbito da política cultural. Ela, como toda política pública está integrada no conjunto das políticas governamentais e se constitui numa contribuição setorial à busca do bem-estar coletivo.

A política cultural abrange uma gama imensa de atividades que vão desde a preservação de monumentos históricos até o financiamento do cinema, passando pelas diversas atividades possíveis no campo das artes plásticas, do teatro, da música, etc. As  ações públicas em cada um desses setores se sujeitarão a prioridades determinadas, pela sua vez, por linhas políticas e ideológicas: a ampla discussão sobre cultura erudita, cultura popular e cultura de massas; a questão do nacional versus o cosmopolita; a ação das indústrias culturais, integram o conjunto de problemas a partir de cujas respostas serão feitas a alocação de recursos e as inversões.

 Acrescente-se o fato de que todas essas atividades são perpassadas pela necessidade de preservar a diversidade cultural e de assegurar, em primeiro lugar, o reconhecimento, respeito e garantia dos direitos culturais, isto é, o direito à própria cultura, o direito à produção cultural e o direito ao acesso à cultura.

Ressurge assim a preocupação com a cultura considerada um fim em si e não apenas um elemento acelerador – ou, muitas vezes, retardador - do desenvolvimento econômico. Se cultura é um sistema de pensamento, valores, hábitos e crenças próprios de um grupo humano, seu modo de conceber a vida e o mundo, os meios de expressão desse sistema e os produtos que dele decorrem, ela é a base essencial para a aplicação de qualquer critério de governança e governabilidade.

Vista assim, a cultura passa a ser um elemento fundamental da atividade governamental e um fator decisivo de progresso social. Acentua-se destarte a necessidade de melhorar o desempenho das instituições públicas e privadas diretamente relacionadas com a vida cultural.

O país vive hoje um processo contínuo de construção de projetos coletivos de gestão pública. A base dessa gestão deve ser o reconhecimento cultural dos distintos agentes sociais e a criação de canais de participação democrática. Um dos grandes desafios da gestão pública da cultura e da avaliação das ações implementadas diz respeito à relatividade de seus objetivos e à multiplicidade de efeitos buscados ou por ela alcançados. As ações públicas têm que ter fundamentos, uma coerência entre o que se diz buscar e o que se faz de concreto para tanto. No campo das políticas culturais, a relação causa e efeito não é direta. Os resultados dependem da apreciação de outros fatores, estranhos ao processo da ação cultural estrito senso.
Há que referir uma preocupação de natureza aplicada no que diz respeito às organizações do campo da cultura que, até há pouco tempo, não eram objeto de atenção da administração. Esse campo organizacional e suas peculiares organizações, nascidas no seio de comunidades homogêneas, representações simbólicas de grupos culturais, de identidades sociais, de origens geográficas e linguísticas entre outras, vive nos últimos anos, um processo de transformação gradual, mas acelerado, de seu caráter mais tradicional. Com a franca participação do Estado, essas organizações têm vindo a sofrer importantes transformações.
Este projeto pautou-se na importância do fenômeno organizacional paralelamente ao fenômeno cultural, dos Pontos de Cultura como aspecto fundamental para o desenvolvimento e sustentabilidade dos projetos e das ações dos pontos de cultura, de modo a formar agentes e gestores culturais autônomos e emancipados.
Os Pontos de Cultura são organizações culturais criadas a partir de um dos eixos do Programa Cultura Viva, lançado em 2004 pelo Ministério da Cultura, que busca constituir uma rede orgânica de criação e gestão cultural que agregue recursos e novas capacidades a iniciativas culturais já existentes, que atuam com legitimidade comunitária. A ideia é potencializar o que já existe, por meio de equipamentos que ampliem as possibilidades do fazer artístico e de recursos para uma ação contínua com as comunidades:
Este é um programa de acesso aos meios de formação, criação, difusão e fruição cultural, cujos parceiros imediatos são agentes culturais, artistas, professores e militantes sociais que percebem a cultura não somente como linguagens artísticas, mas também como direitos, comportamento e economia (BRASIL, 2012).
O Programa está estruturado em cinco principais ações: “Ponto de Cultura”, “Cultura Digital”, “Agente Cultura Viva”, “Escola Viva” e “Griô”.
Os pontos de cultura são assim formados por meio de projetos submetidos pela sociedade ao MinC, a partir de editais que estão sendo continuamente apresentados. Esses projetos são avaliados pelo MinC e devem contribuir, de alguma forma, para o desenvolvimento cultural de uma dada comunidade. Ao ser aprovado, o projeto passa a receber um financiamento do Ministério que espera, como contrapartida, que a própria sociedade, que desenvolveu o projeto, trabalhe no caminho de um Estado ampliado, aumentando a relação Estado-sociedade.
“Nossa idéia é a de que a troca, a instigação e o questionamento, elementos essenciais para o desenvolvimento da cultura, aconteçam num contato horizontal entre os Pontos, sem relação de hierarquia ou superioridade entre culturas. Um Ponto auxiliando outro Ponto” (BRASIL, 2012).
As ideias de protagonismo, encantamento e participação social permeiam todo o discurso na cartilha do Programa Cultura Viva. A proposta do projeto é fazer com que os pontos se articulem como uma rede, formando assim uma teia de relacionamentos que os torne capazes de andar com as próprias pernas, compartilhando informações e resolvendo problemas em conjunto.
Assim, surgiu a preocupação central dos pesquisadores, compreender as reais necessidades de gestão dos Pontos de Cultura que atuam no Estado de Sergipe e, ao mesmo tempo, capacitá-los e, por meio dessa capacitação, fazer com que estes pontos interagissem, compartilhassem experiências e, por fim, formassem uma rede de Pontos, capaz de se auto-organizar. O importante era, portanto, tornar mais efetiva a atuação dos gestores culturais, permitindo-lhes uma organização mental que lhes possibilitasse enfrentar os desafios cotidianos que sua atividade lhes apresenta, com a possibilidade de conhecer e poder usar a linguagem explícita e tácita da burocracia e, sobretudo, com a vantagem de terem aprendido a operacionalizar as próprias ideias.
Materiais e Métodos
A metodologia adotada em uma pesquisa deverá ter uma função de estruturação e orientação geral da investigação a ser realizada, a fim de apresentar um modelo de trabalho que facilite a coleta e análise de dados (BRYMAN, 1992).
Em todo o tipo de pesquisa científica, existe uma estrutura metodológica que irá dar seqüência lógica à ligação entre os dados empíricos e as questões de pesquisa iniciais e, por fim, suas conclusões. Pode-se dizer, portanto, que o desenho da pesquisa é um plano de ação que possibilita ao investigador sair da fase de questionamento inicial para a obtenção de algumas conclusões (respostas) sobre esses questionamentos (YIN, 1994).
Este projeto caracteriza-se como exploratório e descritivo, tendo como unidade de análise os Pontos de Cultura. Com a finalidade de aprofundar a descrição e análise da realidade pesquisada, esta pesquisa pode ser considerada dentro do método de estudo de caso e deverá se utilizar de estratégias que possibilitem combinar uma série de fontes de evidências como, documentos, artefatos, entrevistas e observações que revelem dados tanto qualitativos quanto quantitativos (YIN, 1994). Com isso, pretende-se apreender a totalidade da situação a qual se pretende pesquisar e, com isso, descrevê-la a partir da complexidade de um caso concreto (MARTINS e LITZ, 2000).
A primeira etapa consistiu na revisão da literatura, o que possibilitou um maior entendimento do tema objeto de investigação. Na verdade, esta ação se estendeu por toda a pesquisa.
A partir do objetivo inicial do projeto, que envolvia pesquisa e extensão, dado que os pesquisadores tinham o intuito de identificar os principais problemas relacionados ã gestão dos Pontos de Cultura do Estado de Sergipe e, posteriormente, realizar cursos de extensão, com o intuito de capacitar os gestores de tais organizações.
Contudo, uma das principais dificuldades foi contatar os Pontos de Cultura.  Uma lista inicial foi fornecida pela SECULT (Secretaria de Cultura do Estado de Sergipe), porém os dados estavam desatualizados, em sua maioria. Este contato era essencial para planejarmos conjuntamente a capacitação dos gestores.
Após levantados os dados na SeCult, tentou-se contato com todos os pontos de cultura presentes no Estado a fim de convidá-los a uma discussão inicial que fosse o primeiro passo para a realização das oficinas. Dentre os 30 Pontos de Cultura presentes na lista da Secretaria, apenas 6 se fizeram presentes. Nesta reunião, foi realizada uma pesquisa acerca dos principais problemas relacionados à gestão do mesmo e, ao mesmo tempo, apresentar-lhes a proposta do projeto, que seria capacitar os Pontos de Cultua do Estado de Sergipe nos aspectos levantados.
A partir da pouca procura e por meio das respostas obtidas pelos Pontos presentes, ficou clara a necessidade de reestruturação do projeto. Os gestores dos Pontos de Cultura foram enfáticos no sentido de que não possuíam tempo suficiente para realizar tais capacitações através de encontros presenciais e, também por esse motivo, não haviam ainda conseguido se organizar em rede. Dessa forma, esse levantamento inicial foi importante para dimensionarmos os passos seguintes deste projeto.
Sendo assim, decidiu-se concentrar as atividades e ações do projeto para o mapeamento  dos pontos de cultura. Além disso, criou-se uma nova meta: produção de documentário dos Pontos de Cultura de Sergipe, que forma a enriquecer as nossas idas ao campo e estimular aos gestores para a mobilização de constituição da Rede.
Com dados oriundos da fase inicial elaboraram-se dois questionários, que serviram de guia para as entrevistas. Tais entrevistas tiveram por finalidade mapear dos Pontos do Estado, realizadas com os gestores e usuários dos Pontos de Cultura.
Nessa fase, houve nova procura pelos contatos dos Pontos de Cultura do Estado, seja através por telefone, como por e-mail. Os endereços não foram passados pela SECULT. Mais uma vez o índice de Pontos contatados foi baixa, já que a maioria dos dados presentes na lista estavam desatualizados.
Dessa forma, foram entrevistados cinco gestores, sendo que uma das entrevistas foi respondida por e-mail. As entrevistas foram transcritas na íntegra e analisadas qualitativamente. As entrevistas com os gestores foram registradas em vídeo e, além disso, realizou-se também o registro de atividades e ações concretas dos Pontos, culminando na produção de um documentário, considerado como um produto da pesquisa.
Já na etapa de análise e tratamento dos dados, realizou-se a análise do conteúdo das entrevistas. Assim, podemos afirmar que nesta pesquisa se utilizou da técnica de triangulação de coleta de dados que, conforme Triviños (1995), tem o objetivo de descrever, explicar e compreender o foco do estudo em sua máxima amplitude.
Para Triviños (1995), as pesquisas qualitativas têm dois traços fundamentais, a saber: uma natureza desmistificadora dos fenômenos, do conhecimento e do ser; e a rejeição da neutralidade do saber científico. Afinal, segundo Triviños (1995) é exatamente nesta rejeição ao saber científico que pode estar a força principal desse tipo de análise, pois uma maior possibilidade de interpretação por parte do pesquisador, permitirá um maior questionamento acerca dos dados, buscando-se aproveitar a sua capacidade de percepção de aspectos obscuros ou escondidos dos fenômenos.
Resultados
O principal resultado deste Projeto foi a produção de documentário sobre os Pontos de Cultura do Estado de Sergipe, especificamente os Pontos: Luz do Sol-Arte, Cultura e Inclusão em Busca de Cidadania (Nossa Senhora da Gloria), Instituto Vida Ativa (Porto da Folha)  e Ação Cultural (Aracaju).
Os referidos Pontos foram escolhidos pelo critério de acessibilidade, disponibilidade e interesse os seus gestores, além do fato de ainda estarem em funcionamento. Tal pesquisa também possibilitou identificar as principais dificuldades enfrentadas pelos Pontos na gestão, em participar, e da constituição da Rede, no geral.
Segundo os gestores, a principal motivação para a criação os pontos de cultura está relacionada a oferta de atividades para a comunidade em torno e pelo interesse  no desenvolvimento social. Segundo, um dos gestores foi “a oportunidade do município trabalhar a cultura da região e dar uma visibilidade maior na cultura do município”. (Gestor de Ponto de Cultura, em entrevista)
Os Pontos de Cultura estão funcionando ativamente, com exceção de Companhia de Teatro Cobras e Lagartos, que encerrou suas atividades em 2013 e resolveu não reenviar proposta ao Ministério da Cultura.
Destaca-se que todos os gestores declaram que o público-alvo são alunos da rede pública de ensino. Sendo que a Companhia de Teatro Cobras e Lagartos, Cultura e Inclusão em Busca de Cidadania, Instituto Vida Ativa atendem também pessoas da terceira idade. A renda média das pessoas atendidas pelos Pontos de Cultura  é de até dois salários mínimos e o grau de escolaridade desse público é, em sua maioria, do ensino fundamental.
No que se refere à infraestrutura, o prédio sede dos pontos são alugados, exceto o PC (Ponto de Cultura) Cobras e Lagartos, que é cedido pela prefeitura. Todos apresentam boa localização e condições estruturais para realização das atividades, porém o gestor do PC de Porto da Folha acredita que sua estrutura é insuficiente para realização de algumas práticas.
A prestação de conta foi citada por todos os pontos como o principal entrave da gestão. Além disso, existe o problema de repasse de recursos para estas organizações.

Além de falta de recursos financeiros, a falta de conhecimento da legislação para licitação foi citado como aspecto que traz alguns problemas à gestão. No entanto, é importante salientar que, em reunião feita entre o grupo de pesquisa e os pontos de cultura, os mesmos deixaram claro que as oficinas de gestão, propostas pelo grupo, seriam desnecessárias, já que os mesmos não tinham tempo ou necessidade de realizar tais oficinas relacionadas a gestão.
De maneira geral, os pontos enfrentam problemas de gestão, devido a falta de capacitação técnica para tal fim, conforme depoimento de um gestor “o nosso problema realmente é que nem todo mundo tem capacidade técnica e administrativa”.   Talvez o que possa explicar essa falta de capacidade técnica e administração do setor seja a maneira informal com as organizações iniciam as suas atividades. As organizações ligadas à arte e à cultura têm suas origens ligadas à formação de grupos informais, com o passar do tempo, vão se fortalecendo, até atingirem um ponto decisório: ou se tornam profissionais ou continuam amadores.
Além disso, deve-se levar em consideração a figura do gestor que se confunde com a imagem e a trajetória do próprio grupo. O gestor, a pessoa que coordena, que gera a organização, além de assumir questões administrativas, também lida diretamente com aspectos artísticos. Essa transição de papeis não ocorre facilmente.
Essa constatação é importante porque permite entender parte das dificuldades enfrentadas por essas pessoas e consequentemente pelas organizações que elas coordenam.
Além da própria prestação de contas em si, a elaboração dos balancetes de prestação de conta exige alguns conhecimentos específicos que não são passados através de oficinas promovidas pelo Ministério da Cultura (estas que quase nunca são realizadas), e quando são realizadas não são satisfatórias, de acordo com os gestores pesquisados. Durante a discussão desse grupo de pesquisa com os grupos, ficou claro que o interesse de capacitação dos pontos não está relacionado a conhecimentos contábeis, já que estes dizem pagar contadores para realizar tal trabalho, mas sim em compreender o passo a passo do processo de prestação de contas utilizado pelo MinC para os pontos de cultura.
De maneira geral, os pontos enfrentam problemas de gestão, devido à falta de capacitação técnica para tal fim, conforme depoimento de um gestor “o nosso problema realmente é que nem todo mundo tem capacidade técnica e administrativa”.  (Gestor de Ponto de Cultura, em entrevista). Apesar disso, pudemos verificar um esforço, dos pontos pesquisados, em realizar suas atividades de modo que as decisões fossem tomadas de maneira coletiva e participativa.
Além disso, existe o problema no atraso, por parte do MinC, no repasse de recursos para estas organizações que, em consequência, acabam atrasando o pagamento do aluguel da sede, a realização de atividades, as oficinas e a contratação de instrutores e educadores, causando prejuízo o andamento do projeto, como foi apontado por quase todos os gestores.
Saber captar os incentivos é outro ponto relevante, que passa por um processo de aprendizagem tanto da organização quanto do gestor, assumindo um lugar estratégico.
Quanto à contratação das pessoas para trabalharem nos pontos, os gestores declaram que o conhecimento, habilidades, experiência, formação acadêmica e comprometimento são critérios utilizados no recrutamento e seleção e, por isso, a maioria dos profissionais que atuam nos pontos as possuem. Tal constatação mostra-se contraditória diante das dificuldades de gestão declaradas pelos gestores do Pontos de Cultura.
 O voluntariado é a principal vínculo das pessoas com os PC, apenas os instrutores e educadores são remunerados durante a realização das oficinas.
Outra situação crítica apontada foi com relação à articulação entre os pontos. De acordo com os gestores, não há a efetiva articulação, pois existem grandes problemas na interação dos PC, principalmente pela falta de comunicação e distâncias entre eles.  “Não sinto inserção na rede, por falta de motivação do programa.” (Gestor de Ponto de Cultura, em entrevista). A partir desse comentário, pode-se perceber, por parte dos pontos, um certo ressentimento ou percepção de que cabe ao MinC, além de repassar os recursos, buscar facilitar o contato e articulação entre os pontos.
[Depoimento do Gestor do PC] programa não conhece a realidade e as dificuldades de cada ponto que muitas vezes são especificas [...] poderia ser mais realista com as nossas necessidades, por que eu acho que eles fazem um projeto para todos os municípios do Brasil [...].
[Depoimento do Gestor do PC] a minha dificuldade aqui não é a mesma em São Paulo é como se eles estabelecessem padrão para todos os lugares e não é assim, às vezes você tem um ponto de cultura que é totalmente digital e às vezes você tem um que é de artesanato que vai mexer com palhas e não é a mesma coisa na hora de prestar conta.
Diante do exposto, a padronização do programa é bastante questionada pelos gestores, assim como a etapa de prestação de contas do pouco dinheiro repassado para os PC.
A potencialização dos PC ocorre não apenas pelo convênio efetuado com o Governo Federal ou repasse regular de recursos financeiros, técnicos, materiais, mas também,e especialmente, pela interligação com outros Pontos, formando uma rede capaz de intensificar  um processo de desenvolvimento significativo.
No caso do Estado de Sergipe, não ocorre nem uma coisa nem outra, contraindo inclusive as diretrizes centrais do Programa.
Trata-se, pois, de um programa flexível, que se molda à realidade, em vez de moldar a realidade. Um programa que será não o que o governante pensa ser certo ou adequado, mas o que o cidadão deseja e consegue tocar adiante. Nada de grandioso, certamente. Mas sua multiplicação integrada, com banda larga e sítios, emissoras de TV e rádios comunitárias, programas na TV pública e jornais comunitários, deve produzir uma revolução silenciosa no País, invertendo o fluxo do processo histórico. Agora será da periferia à periferia: depois, ao centro (BRASIL, 2012)
Todavia, como se tratam de recursos públicos destinados ao desenvolvimento de ações por grupos de indivíduos ou de órgãos da administração pública, o Ministério não pode deixar de acompanhar o desenrolar do projeto e de exigir a prestação de contas. Por isso, uma ação cultural na esfera governamental sempre terá como limite as exigências burocráticas, que devem ser atendidas.
Percebe-se que a forte influência político-administrativa do ente público sob este setor, considerando principalmente a criação ou desativação de leis e normas.
O subsídio ou patrocínio aparece como outro fator importante para o sucesso da gestão e manutenção das atividades dos pontos de cultura do estado de Sergipe.
Quanto ao objetivo principal do PC, os gestores afirmam que ainda não foi atingido complemente.
[Depoimento do Gestor do PC]  “Não foi ainda, mais aos poucos está caminhado para serem atingidos”
[Depoimento do Gestor do PC] “Ainda não foi alcançado, mas está próximo.
 Entende-se com coerente esta declaração dos gestores quanto ao cumprimento dos objetivos, uma vez que um “Ponto de Cultura” se constitui em um espaço de organização da cultura em âmbito local e é a referência de uma rede horizontal de articulação, recepção e disseminação de iniciativas. Funciona como um mediador na relação entre Estado e sociedade, agregando agentes culturais que articulam e impulsionam um conjunto de ações em suas comunidades.
 Segundo o ex-Ministro da Cultura, Gilberto Gil, os “Pontos de Cultura” são “intervenções agudas nas profundezas do Brasil urbano e rural, para despertar, estimular e projetar o que há de singular e mais positivo nas comunidades, nas periferias, nos quilombos, nas aldeias: a cultura local”. (BRASIL, 2012)
Gestores também afirmam que ainda não avaliaram o impacto das ações dos PC junto à comunidade que atuam. No entanto, os usuários entrevistados pelo grupo de pesquisa apontaram a importância do Ponto de Cultura em sua comunidade e em suas vidas, pois além do aprendizado, percebem um maior interesse nos aspectos culturais. Porém, também revelam que a estrutura física e quantidade de pessoal é insuficiente para atender a comunidade de forma satisfatória, ou seja, mas ainda há muito o que ser melhorado e discutido com a sociedade e gestores dos pontos para que os objetivos sejam, de fato, alcançados.
Foi possível perceber ainda, que os pontos de cultura consideram o Programa dos Pontos de Cultura do MinC insuficiente ou não atendem as demandas da comunidade envolvida. 
Quanto ao objetivo principal do PC, os gestores afirmam que ainda não foi atingido complemente.  Gestores também afirmam que ainda não avaliaram o impacto das ações dos PC junto a comunidade que atuam.
Contudo, na visão dos usuários percebeu-se a importância dos projetos para a mudança na vida das comunidades envolvidas. Os usuários entrevistados estavam desenvolvendo atividades há mais de um ano nos pontos de cultura e a única crítica que apontaram foi relativa à estrutura física dos mesmos, já que os espaços se tornaram pequenos em comparação à demanda de alunos que aparecia.
Com relação a atendimento, os usuários também demonstram uma grande satisfação com o trabalho dos pontos e sugerem que os mesmos desenvolvam novos e maiores projetos para a comunidade. Além disso, a resposta mais marcante desses usuários diz respeito às mudanças que os mesmos geraram nas comunidades onde atuam.
Na comunidade as pessoas eram mentes, mais fechadas para a arte em si. Tudo era mais complicado, difícil. Depois do Ponto de Cultura a comunidade foi abrindo os olhos. (Usuária de Ponto de Cultura, em entrevista).
A comunidade aqui era desmotivada, agora percebemos que houve um maior interesse pela cultura. (Usuário de Ponto de Cultura, em entrevista)
Assim, levando-se em consideração o levantamento feito junto a gestores e usuários dos Pontos de Cultura do Estado de Sergipe, podemos dizer que tal ação é muito importante para o desenvolvimento cultural, social e educacional das comunidades onde atuam, mas ainda há muito o que ser melhorado e discutido com a sociedade e gestores dos pontos para que os objetivos sejam, de fato, alcançados.
Conclusões
Na verdade os objetivos iniciais do projeto foram redefinidos, após insucesso nos contatos iniciais e sensibilização dos Pontos de Cultura para participarem da capitação, conforme previsto por projeto inicial.
Partindo do pressuposto que de que as políticas culturais devem levar em conta as demandas e as necessidades da sociedade contemporânea e que, para isso, é fundamental contar com informações e indicadores culturais que possam contribuir para diagnosticar situações, desenhar políticas e planejar ações, como segunda etapa desta pesquisa.
 Considera-se que este trabalho inicial foi de grande relevância, contudo necessitaria de mais tempo para atingir os seus objetivos, uma vez que lida com pessoas, políticas públicas, programas de capacitação. Além disso, o tempo é também necessário para um diagnóstico de capacitação que vise atender a real necessidades apontadas pelos gestores dos pontos de cultura  do Estado de Sergipe.
Um dos aspectos que convém destacar é a dificuldade relatada pela maioria dos gestores entrevistados sobre as questões administrativas. Todavia, o reconhecimento dessa dificuldade é o primeiro passo para um esforço na tentativa de buscar novos conhecimentos, agregar novas aprendizagens e facilitar o dia-a-dia dos gestores.
Além disso, demonstra-se urgente a necessidade de estudo que vise a identificação e avaliação dos indicadores sociais e culturais ligados as ações dos Pontos de Cultura do Estado de Sergipe. Conforme ressalta Jannuzzi (2001), os indicadores sociais possibilitam o monitoramento das condições de vida e bem-estar da população por parte do poder público e da sociedade civil. Por isso, podem subsidiar as atividades de planejamento público e a formulação de políticas sociais nas diferentes esferas do governo, além de contribuir para o aprofundamento da investigação acadêmica sobre a mudança social e os determinantes dos diferentes fenômenos sociais. Da mesma forma, indicadores culturais também podem contribuir para a formulação de políticas culturais, além de subsidiar a investigação acadêmica sobre o processo cultural.
Desse modo, os indicadores podem ajudar os responsáveis pelas políticas a concentrarem sua atenção nas questões prioritárias e são utilizados cada vez mais por políticos, meios de comunicação e ativistas como ferramentas de debate político.
Agradecimentos
A equipe do Projeto agradece  A FAPITEC pelo apoio e financiamento a Pesquisa e  a todos Gestores dos Pontos de Cultura, na pessoa de Zezito de Oliveira.

Referências Bibliográficas
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