segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

O BRASILEIRO MÉDIO


Texto de Valéria Brandini

"É o povo que está elegendo o fascismo. Se não fosse esse militarzinho bunda suja, seria outro. Pesquiso o brasileiro há 25 anos. Já fiz pesquisas presenciais de norte a sul do País e atesto que o brasileiro médio ‘é isso aí’.
Quando a tendência da diversidade chegou, ela veio ‘de fora para dentro’, é uma tendência mundial, pegou a parte mais desenvolvida da sociedade, que não deve chegar a 5% - não falo de nível econômico, falo de nível cultural - e pegou o pink money da comunidade LGBTQ. Mas quem estuda tendências socioculturais sabe que uma coisa é a tendência que vem de fora, e outra coisa é sua assimilação de acordo com os valores e tendências emergentes de um grupo, ou povo.
Pois bem, há uns 7 anos entrevistei grupos de jovens homens que diziam que ‘não dá pra namorar hoje em dia porque só tem puta’, e grupos de jovens mulheres que ‘queriam casar virgem, porque a mulherada hoje não se respeita’, que acham que ‘não dá pra trabalhar e ser mãe e esposa ao mesmo tempo’. Isso é o brasileiro médio - homens e mulheres machistas, racistas e homofóbicos.
O brasileiro médio odeia viado, odeia pobre — mesmo quando é pobre. Não odeia a pobreza, odeia pobre. Divide as mulheres entre as putas e as mulheres pra casar, é racista e de um ‘racismo cordial’ nojento, pois diz que tem amigo negro, mas não se importa que a polícia mate jovens negros inocentes.
Entrevistei adolescentes que diziam ter medo de ir em baladas, pois ‘os caras não aceitam quando você não quer ficar com eles e te agridem’. Entrevistei jovens homossexuais de periferia que disseram que ‘tirando os Jardins (SP), ser gay na periferia é correr ameaça de espancamento e morte todo dia’.
O brasileiro médio nunca foi ‘bonzinho’, como dizia Kate Lyra nos quadros de humor dos anos 80.
A candidatura de B17 rompeu o lacre do reacionarismo e o protofascismo que orienta o ethos do brasileiro médio, mas que com a tendência mundial de apoio à diversidade, ficava reprimida. Democracia é isso, senhoras e senhores, e infelizmente o povo brasileiro é isso.
As mulheres são AS grandes machistas, pois o machismo feminino é o que forma homens e mulheres machistas na socialização primária das crianças e elas NÃO QUEREM se libertar dos padrões coercitivos do machismo, elas querem manter esses padrões, pois acreditam que nele elas têm privilégios (mesmo tomando porrada de machista e com um índice altíssimo de feminicídio — vivem uma eterna síndrome de Estocolmo). Já no feminismo, elas teriam que ser responsáveis por suas próprias vidas, teriam que ter autonomia existencial e isso é novo e assustador.
Não fique apenas na tentativa de convencimento de voto. O trabalho para inspirar é trabalho de uma vida inteira, não de uma eleição — e só ele causa mudanças profundas.
Nós aqui que achamos uma abominação o machismo, homofobia e racismo do PSL, nós que lutamos contra Bolsonaro e sua ideologia de extrema-direita, sua apologia à tortura, seu desmerecimento às mulheres, seu ódio aos LGBTQ e sua depreciação dos negros, somos a minoria numa elite cultural que não representa o brasileiro médio — e não digo isso com orgulho, mas com pesar —, pois somos o que o brasileiro médio não quer.
Então, se você, como eu, acredita nos valores da diversidade, na busca por equinanimidade para os excluídos, como base da cidadania, busque inspirar e influenciar os valores da igualdade por onde passar. Use o conhecimento como ferramenta para desconstruir mitos discriminatórios, use o conhecimento como forma de mostrar a realidade do Outro para aqueles fechados em suas bolhas, pois a empatia é o caminho para que estas pessoas entendam que você precisa lutar por quem não tem condições de lutar por si na sociedade.
Essa pesquisa apresentou resultados que chegam a essas mesmas conclusões.
Não tente convencer, mostre o conhecimento, desconstrua os preconceitos pelo conhecimento e deixe que escolham o caminho a seguir. Se 1 em 10 pessoas se inspirar, você venceu.
E aprenda a mandar à merda quem precisa ser mandado à merda, sem medo de que não gostem de você, pois nada é mais precioso do que a integridade, e integridade é ser inteiro no que você acredita."
Valeria Brandini
Antropóloga graduada pela Unicamp, especialista em Multimeios (Comunicação e Interdisciplinaridade) pela Unicamp, mestre em Publicidade e Propaganda pela ECA/USP, doutora em Ciências da Comunicação pela ECA/USP em convênio com a Universitá La Sapienza (Roma) e Central Saint Martin's School of Fashion (Londres) e pós-doutoranda em Antropologia Empresarial pela Unicamp.
P.S.: No ano 2000, a revista Época publicou uma extensa pesquisa sobre o pensamento do brasileiro acerca de questões politicas, comportamentais, valores e etc..
Eis aí uma possível questão a ser analisada. E bem analisada. Até mesmo para compreendermos a dificuldade de elegermos pessoas e partidos com pautas mais progressistas. Ao mesmo tempo que nos coloca o desafio de compreender a educação popular e a ação cultural e comunicação de base comunitária como fundamentais. E isso leva tempo, requer estudo, ações coletivas....





Educação Popular: Marxismos e Pentecostalismos. 2ª Semana





Talvez seja essa uma das mais importantes publicações desse ano... Com mais de 10 mil templos, distribuídos em todos os estados e em quase cem países, a Igreja Universal do Reino de Deus é um gigante neopentecostal. Da réplica do Templo de Salomão, Edir Macedo dirige sua igreja com autoridade inconteste, cortejado por líderes de todas as cores ideológicas. Nesse sentido, a recente unção de Jair Bolsonaro como paladino da fé cristã – celebrada pessoalmente por Macedo – demonstra um projeto de poder iniciado há mais de quarenta anos na primeira sede da Universal, o prédio de uma antiga funerária no subúrbio do Rio de Janeiro.
Neste minucioso e inédito trabalho de apuração jornalística, Gilberto Nascimento traça a história completa da IURD, de seu fundador e de sua vertiginosa expansão...
No Seminário que teremos nesta terça as 18:30h. na CUT-SE sobre "Educação Popular e Movimentos sociais nos anos 80" a IURD é tema...




Na próxima terça as 18:30h. no auditório da CUT-SE e dando sequência a segunda etapa do seminário sobre Educação popular e movimentos sociais nos anos 80, destacaremos a "Teologia da Libertação" e sua influência em diversas práticas de educação popular que se espalhou por este Brasil profundo a fora... O "livrinho" dos irmãos Boff é de 1986 - um ano importante desse movimento eclesial. Os teólogos fazem aqui uma sistematização das melhores sobre os temas-chave da teologia da libertação latino americana... Fundamental no seminário!!!









SOBRE LEONEL BRIZOLA
Bibliografia básica do seminário sobre educação popular e Memória em sua segunda etapa: Educação popular & Movimentos Sociais - os anos 80 em perspectiva... na próxima terça, as 18:30h. na CUT-SE...
O livro mostra Leonel Brizola pelo olhar de historiadores renomados. A razão indignada reúne 10 textos de historiadores sobre Leonel Brizola e aborda duas fases de sua trajetória política. A primeira, compreendida entre 1961 e 1964, se refere ao momento em que Brizola é elevado à prestigiosa posição de liderança das esquerdas, como governador do Rio Grande do Sul e deputado federal. A outra se delineia a partir do início dos anos 1980, quando Brizola refunda o projeto trabalhista e assume o governo do Rio de Janeiro ‒ tendo que lidar com críticas, tanto das esquerdas revolucionárias como de setores conservadores.




Nesta próxima terça seguimos com o seminário sobre Educação Popular onde teremos como tema: EDUCAÇÃO POPULAR & MOVIMENTOS SOCIAIS: OS ANOS 80 EM PERSPECTIVA. As 18:30h. na CUT - SE (Rua Porto da Folha). O filme básico do curso é: "MUDA BRASIL" ( Oswaldo Caldeira, 1985)... Na tradição do documentário político, este filme brasileiro registra os principais momentos de nosso País desde que se começou a discutir as eleições diretas durante o governo militar. Durante seis meses, até o resultado do Colégio Eleitoral, onde Tancredo Neves consagrou-se presidente da República pelo voto indireto, foi mostrado o fim do período autoritário e as primeiras etapas da transição para a democracia. Foram produzidas 23 horas de material filmado, em que se destacam entrevistas e pronunciamentos de personalidades como Paulo Maluf, Ulysses Guimarães, Antônio Carlos Magalhães, Fernando Henrique Cardoso, José Aparecido de Oliveira, Fernando Lyra , Airton Soares, entre outros.
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A QUEM INTERESSAR POSSA:
Alguns títulos de filmes importantes no seminário sobre educação popular e Memória em sua segunda etapa: Educação popular & Movimentos Sociais - os anos 80 em perspectiva... na próxima terça, as 18:30h. na CUT-SE.
- LISTA:
*Greve (João Batista de Andrade, 1979)
*Linha de Montagem (Renato Tapajós, 1982)
*Cabra marcado para morrer (Eduardo Coutinho, 1984)
*O Evangelho segundo Teotônio (Vladimir de Carvalho, 1984)
*Muda Brasil (Oswaldo Caldeira, 1985)
*A igreja da Libertação (Silvio Da-Rim, 1985)
*A Igreja dos Oprimidos (Jorge Bodanzky, 1986)
*Dedé Mamata (Rodolfo Brandão, 1988)
*Que bom te ver viva (Lucia Murat, 1989)
*O direito achado na rua (CPCE-UnB, 1993).

*Passos de luta - 40 anos do MNU (Amanda Porto e Juliana Dalesio, 2018)



Retomando a leitura. De volta as reflexões sobre movimentos sociais, sua linguagem, seu lugar social... suas história... Um dos temas do curso sobre educação popular e memória em sua segunda etapa. 03 de dezembro. as 18:30h. na CUT-SE.








segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Lula e comitiva na África. Lula e comitiva na Ilha de Gorée

Título: `PERDÃO PELO QUE FIZEMOS¿
Autor: Francisco Leali
Fonte: O Globo, 15/04/2005, O País, p. 3
Lula a africanos: `A dor da escravidão é como a de cálculo renal. Não adianta dizer, tem de sentir¿
Após percorrer cinco países em cinco dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou ontem sua viagem à África fazendo um histórico pedido de perdão aos negros. Imitando um gesto do Papa João Paulo II, Lula fez da visita à Ilha de Gorée ¿ lugar de onde partiam escravos para a América ¿ um ato simbólico e emocionado para reconhecer o sofrimento dos africanos no período de exploração escravagista.
Na Casa dos Escravos, um Lula de olhos marejados ouviu a secretária da Promoção de Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, discursar emocionada. Convidado a falar, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, cantou. À capela, entoou os versos de ¿La lune de Gorée¿ (¿A lua de Gorée¿), sua e de Capinan, que fala da dor de quem descende dos que passaram pela ilha. No ato, acompanhado pelo presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, choraram Gil, Matilde, a ex-ministra Benedita da Silva e a maioria dos integrantes da comitiva presidencial.
¿ Não tenho responsabilidade pelo que ocorreu nos séculos XVIII, XVII e XVI, mas penso que é uma boa política dizer ao povo do Senegal e ao povo da África: perdão pelo que fizemos aqui aos negros ¿ disse Lula, o primeiro presidente brasileiro a fazer este gesto.
Em resposta, Wade disse que Lula está fazendo uma revolução pacífica, que é o primeiro presidente negro do Brasil e que pode considerar os africanos seus irmãos. E foi além:
¿ Considere este continente como seu. Considere-se um africano.
De manhã, Lula seguiu de lancha para Gorée, onde foi recebido por crianças e capoeiristas. Na Casa dos Escravos, percorreu um a um os ambientes. A sala de pesagem de negros, a das crianças, a solitária. No cubículo sem janelas, negros eram amontoados por tempo equivalente ao delito que cometiam. Quando visitou o lugar, o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela ficou sozinho por alguns instantes. Saiu chorando.
Lula ouviu o guia explicar que escravos com menos de 60 quilos ficavam na engorda. Virgens e jovens valiam um barril de rum e crianças, um espelho. O presidente ainda segurou uma bola de chumbo que era atada ao tornozelo dos escravos e experimentou um grilhão. Também foi ao local de embarque batizado de ¿porta sem retorno¿.
¿ É (a dor da escravidão) como a dor de cálculo renal. Não adianta dizer, tem que sentir. Só estando aqui é que se tem a dimensão do que essas pessoas sentiram nesses 300 anos ¿ disse Lula, ao deixar a casa, hoje transformada num museu.
`Onde come um, comem dois¿, diz
Antes de voltar ao Brasil, Lula ainda teve tempo de se encontrar com 150 brasileiros que vivem no Senegal. Tirou fotos, deu abraços, mas não quis falar sobre os problemas que enfrenta no Congresso.
¿ Do Brasil, falo no Brasil.
Lula voltou a explicar os motivos que o levaram a priorizar a África. Disse que, mesmo não podendo dar ajuda financeira, os países devem compartilhar o que têm de melhor:
¿ Minha mãe falava que, em casa que come um, comem dois e, em casa que comem dois, comem dez.
Lula afirmou que as dificuldades que o continente africano passa decorrem do passado de exploração.
¿ O continente africano não é pobre porque nasceu para ser pobre. Trezentos anos tirando gente com saúde, na flor da idade... Isso contribuiu de forma definitiva para que o continente leve mais tantos anos para se reencontrar.
O presidente ainda propôs maior união entre os países africanos e disse que é preciso buscar a paz e apreender a conviver com as diferenças.
¿ É possível conviver democraticamente na adversidade.

Ligiana e Ameth Male - La lune de Gorée

https://www.youtube.com/watch?v=H2rrozWUS3E
GILBERTO GIL LA LUNE DE GORÉE
https://www.youtube.com/watch?v=1Y1uY0H7pgk
Lune de Gorée
https://www.youtube.com/watch?v=Co_6WrxBL7k
Touche pas à mon pote
https://www.youtube.com/watch?v=SMZedQZ43E0

A Lua de Goreia
A Lua que se ergue
Na ilha de Goreia
É a mesma Lua
Que se ergue em todo o mundo

Mas a Lua de Goréia
Em uma cor profunda
Que não existe
Em outras partes do mundo
É a Lua dos escravos
É a Lua da dor

Mas a pele que há
No corpo de Goreia
É a mesma pele que cobre
Todos os homens do mundo

Mas a pele dos escravos
Em uma dor profunda
Que não existe não
Em outros homens do mundo
É a pele dos escravos
Uma bandeira de liberdade
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"Não toque em meu amigo"

O que significa isso?

Isto quer dizer, talvez

Que o Ser que habita nele

É o mesmo que habita em você

"Não toque em meu amigo"

O que significa isso?

Isso quer dizer que o Ser

Que fez Jean-Paul Sartre pensar

Fez jogar Yannik Noah

"Não toque em meu amigo"

Não devemos esquecer que a França

Já teve a chance

De se impor sobre a Terra

Pela guerra

Os tempos passados passaram

Agora vimos aqui

procurar os braços de uma mãe

boa mãe

Ele faz Charles Aznavour cantar

Ele faz Jean-Luc Goddard filmar

Ele faz bela Brigitte Bardot

Ele faz pequeno o maior francês

E faz maior o pequeno chinês

"Não toque em meu amigo"

Touche Pas à Mon Pote



segunda-feira, 18 de novembro de 2019

“Não é preciso ser impositivo: quando se confia nas escolas, elas respondem”


Educação como uma cadeia de produção na Espanha. Há semelhanças com o modelo que está em disputa  no Brasil? Respondo que sim, basta olhar a forma  como a BNCC e o Ensino Integral estão sendo implementados. Aqui não trata-se de ir contra a BNCC e nem contra o Ensino Integral, até porque constam no Plano Nacional da Educação,  resultado  de um debate democrático com os educadores e com a sociedade.  Aqui nos referimos à forma, a maneira, ao processo . Como afirma a manchete da matéria abaixo, publicada no jornal EL País. “Não é preciso ser impositivo: quando se confia nas escolas, elas respondem” Portugal se tornou referência mundial em melhoria na educação e pedagogias inovadoras. É a nova Finlândia. Afirma a abertura da reportagem. 

Para mim, isso é Paulo Freire na veia, porém a nação que tem Paulo Freire como patrono da educação, ainda discute a educação com uma veia autoritária, mesmo atenuando com pitadas da filosofia e da pedagogia freireana.

O bom dessa reportagem de EL País é, além de trazer a confirmação do que temos defendendo e fazendo desde um bom  tempo, fazer isso com exemplos bem sucedidos. Porque a prática é o melhor critério para aferir a verdade.

Portanto, fica mais uma vez o apelo para que pesquisemos mais,  produzamos estudos  e divulguemos os  resultados sobre   sistemas de ensino como  o da Finlândia e o de Portugal, este novidade para mim e revelado na reportagem abaixo, assim como experiências de sucesso na perspectiva de construção da escola pública democrática e de qualidade, desenvolvida por escolas, iniciativas não governamentais e governos municipais e estaduais, assim como as os oásis federais dos Colégios de Aplicação , Institutos Federais de Ensino, Colégio D. Pedro II (RJ). Assim como práticas de extensão das universidades públicas.

Essas pesquisas e estudos precisam ser divulgados e traduzidos ou simplificados para o grande público, considerando a falta de hábito de leitura da nossa gente, e por isso vale memes, vídeos curtos, reportagens e etc.   Vale os sindicatos apresentar esses estudos e pesquisas, porque devemos criticar e mostrar que uma escola pública democrática e de qualidade já é realidade e está mostrando resultado melhores do que escolas autoritárias ou parcialmente democráticas. Zezito de Oliveira



P. O diretor do PISA, Andrea Schleicher, diz que os professores da Espanha "trabalham como em uma cadeia de produção". O modelo português é o oposto.
R. Dentro do currículo nacional permitimos que as escolas trabalhem 25% do programa com sua própria estratégia. Elas geralmente mesclam disciplinas — história e geografia, ou matemática e física —, trabalham experimentalmente ou criam projetos anuais. Estive em uma classe em que os professores de biologia, química e filosofia estavam atuando em rodízio com pequenos grupos para abordar de forma integral a questão das drogas e do doping. Não é preciso ser impositivo. As escolas veem que se confia nelas e respondem muito bem.
P. Autonomia com controle.
R. Especialistas da universidade e inspetores visitam a escola por uma semana e emitem um relatório. Não se faz uma classificação, é apenas uma espécie de auditoria para ajudar no projeto pedagógico.
“As escolas tinham descuidado da arte e da psicomotricidade. Agora é avaliada”
P. Portugal apresenta um grande fosso entre as classes sociais nos resultados acadêmicos.
R. Sim, há diferenças muito notáveis e devemos trabalhar nisso. Portugal vem de uma ditadura em que a educação não era uma questão central. Muitos adultos ainda têm grandes deficiências de qualificação e precisam ser treinados.
P. Por que gastam tanto na pré-escola?
R. Por ter feito doutorado em neuroquímica, sei que a etapa dos três aos seis anos é crucial para o conhecimento e acesso a valores coletivos, à cidadania e ao ensino inclusivo. Uma criança não discrimina por padrão, nós adultos trabalhamos para que isso aconteça. E a pré-escola é um instrumento de equidade: se a criança está em casa pode ser que seu ambiente não estimule a aprendizagem e os valores que ela aprenderia na escola.
“Agora, as provas nacionais também avaliam as expressões artísticas e psicomotoras, que haviam sido negligenciadas nas escolas para focar em português e matemática, as matérias examinadas externamente. Muitas crianças não sabiam dar cambalhota.

Leia mais: 

“Não é preciso ser impositivo: quando se confia nas escolas, elas respondem”


O encontro dos educadores com o Papa Francisco no próximo ano,  pode oferecer uma ótima oportunidade para colocar o exemplo de Portugal e da Finlândia como exemplo, assim também como experiências bem sucedidas na América Latina e outros continentes, incluindo  bons exemplos dos povos originários.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

EDUCAÇÃO POPULAR: DOS MARXISMOS AO NEO PENTECOSTALISMO.


Sede da CUT Aracaju EndereçoR. Porto da Folha, 1039 - Cirurgia, Aracaju - SE, 49055-365. Próximo ao posto Aperipê 1
Telefone(79) 3214-4912



Nos últimos dois anos tenho ficado atente a publicações sobre a direita, extrema-direita ou fascismos no Brasil e América Latina... Foi como sair de um “sono dogmático” ou sair da “bolha”. Talvez a coisa seja mais grave do que imagino... filmes, documentários, documentos, livros, sites, canais, etc... tenho andado por esta zona perigosa, mas necessária... segue alguns títulos que tenho lido e me feito pensar... Nesta terça a partir das 18:30h. no auditório da CUT-SE (Rua Porto da Folha – Aracaju), estamos iniciando um seminário que pretendo aprofundar um pouco esses temas... RV


Para uma melhor compreensão da política cultura no Brasil nos anos 60, o ensaio de Roberto Schwarz "Cultura e política: 1964-1969" é de fundamental importância. Leitura básica no seminário sobre a memoria da educação popular no Brasil... Iniciamos amanhã, terça, 26/11, as 18:30h. no auditório da CUT-SE... RV

Livro importante e que marcou época como a experiência em Natal-RN os inicio dos anos 60 e que ele evoca como experiência vivida e interrompida pelo golpe militar de 1964... No seminário que iniciamos na terça sobre Educação Popular e memória...Citarei esse livro e essa experiência vinculada ao projeto de Paulo Freire de educação... começa as 18:30h. no auditório da CUT-SE. RV


Na próxima terça (26/11) as 18:30h. na CUT-SE (Rua Porto da Folha - Aracaju), iniciamos um curso sobre a história e a memória da educação popular no Brasil... Em 04 etapas e sempre as terças a noite... Vamos nas "origens" do termo e das suas influências... Conhecer as "Ligas camponesas" pelas palavras de um de seus "intelectuais orgânicos" é importante. Raridade essa edição primeira dos "cadernos do povo brasileiro"... Tema na terça!  RV



Estou aqui preparando o conteúdo do seminário sobre a memória da educação popular partir dos anos 60 no Brasil, e me deparo com essa coletânea fundamental de peças de Oduvaldo Viana Filho e do CPC-UNE... Um projeto dos mais importantes da política cultural dos comunistas entre 1961-1964... Iniciamos nesta terça, 26/11, as 18:30h. na CUT-SE (Rua Porto da Folha). RV


Impossível retomar a memória da educação popular no Brasil e não passar pelo projeto educacional do MST... No seminário que inicia na terça as 18:30h. na CUT-SE, destacaremos alguns elementos das reflexões e práticas educacionais do Movimento Sem Terra... O livro do Luiz Bezerra Neto é um trabalho de pesquisa dos bons sobre as práticas e a produção teórica do MST em termos educacionais... Ajuda!!!  RV











MOVIMENTO DE CULTURA POPULAR (MCP). NOTA-CONVITE

Na próxima terça dia 26/11 teremos um seminário em 04 etapas sobre "Educação Popular" e sua memória na CUT-SE a partir das 18:30h. Um dos temas será o MCP do Recife.
Movimento de alfabetização de adultos e de educação de base constituído em maio de 1960 em Recife por estudantes universitários, artistas e intelectuais, em ação conjunta com a prefeitura, à época ocupada por Miguel Arrais. Foi extinto pelo movimento político-militar de 31 de março de 1964.
O MCP tinha por objetivo formar uma consciência política e social nas massas trabalhadoras no intuito de prepará-las para uma efetiva participação na vida do país.

Entre setembro de 1961 e fevereiro de 1964, o movimento realizou uma experiência através do rádio, transmitindo programas de alfabetização e de educação de base com recepção organizada em escolas experimentais. Paralelamente, procurou diversificar suas atividades, criando “parques” e “praças de cultura”. Os primeiros destinavam-se a melhorar as condições do lazer popular, estimulando a prática de esportes, e a apreciação crítica de filmes, peças teatrais e música. As praças de cultura consistiam em centros de recreação e de educação cuja finalidade era despertar a comunidade de cada bairro para seus problemas. Os centros, recreativos passíveis de serem transformados em praças eram chamados de “núcleos de cultura”.
Em seus quase quatro anos de existência, o MCP teve uma atuação importante na área da educação. Um de seus primeiros colaboradores, o professor Paulo Freire, formulou um método próprio de alfabetização de adultos, que a partir de 1962 passou a ser regularmente aplicado em Pernambuco. Além do MCP, o Movimento de Educação de Base (MEB), programa nacional de educação instituído em 1961, adotou o método Paulo Freire, difundindo-o em todo o país.
Devido ao alto custo de suas atividades e à conseqüente necessidade de apoio oficial, o MCP restringiu-se de início a Recife. Apenas a Prefeitura de Natal pôs em prática um programa semelhante, instituindo em 1961 a campanha “De pé no chão também se aprende a ler”. A partir de 1963, nos estados do Amazonas e da Guanabara desenvolveram-se também movimentos de cultura popular.
O espírito que animou todos esses movimentos era bastante próximo das propostas dos centros populares de cultura (CPCs), organizados a partir de 1962 junto às entidades estudantis...


OSMAR FÁVERO E O MEB. NOTINHA EM FORMA DE CONVITE


Teremos um seminário que terá na próxima terça (26/11) a noite na CUT-SE a partir das 18:30h. (acontecerá em 04 etapas) sobre "Educação popular" e a questão da memória. O nome de Osmar Fávero é de fundamental importância. Sua experiência e seus livros serão citados e trabalhados... Ele fez parte dessa geração de jovens vindos da Ação Católica, principalmente de seus ramos estudantil e universitário e que vai colaborar na criação e liderar vários desses movimentos, em alguns casos lado a lado com os marxistas. A criação do MEB (Movimento de Educação de Base) expressa o deslocamento da Igreja católica institucional em direção às classes populares. No entanto, a proposta e as práticas iniciais do MEB, oriundas de experiências anteriores realizadas em estreita colaboração com o Estado, são bastante tradicionais. Mas, após dois anos de experiência, por exigência da própria prática e por influência daquela geração, redefiniu seus objetivos e reviu sua metodologia, em função de uma nova opção ideológica, sintetizada na conscientização e nas ideias iniciais de Paulo Freire. Em decorrência, deu nova dimensão à educação base, nucleou o trabalho com as experiências radiofônicas singulares e, apesar da crise provocada pelo golpe militar de 1964, ampliou o contato direto com as bases, na perspectiva de uma verdadeira pedagogia da participação popular... É preciso lembrar!!!