terça-feira, 19 de março de 2019

É de uma injustiça tremenda o que fizeram com Arthur e o que fazem com meus filhos

Vidas sequestradas
Assim como Arthur esperava para visitar Lula, netos também aguardam para ver o avô igualmente injustiçado: João Vaccari Neto
por João Mateus Júnior publicado 17/03/2019 18h05, última modificação 17/03/2019 18h53
Reprodução
Arthur Lula e netos de Vaccari
Arthur diante da superintendência regional da Polícia Federal, em Curitiba, esperando para abraçar Lula
Arthur tinha 7 anos. Morreu vítima dessas doenças bobas, que teimam em ceifar a vida de pequenos anjos. Desses anjos que deveriam estar por aí jogando bola, correndo pela rua, ralando o joelho, dançando balé, brigando pra não tomar banho ou chorando por mais um pouco de sorvete. Desses anjos que deveriam estar por aí fazendo qualquer outra coisa, menos morrerem aos 7 anos de idade.
Arthur foi vítima de uma fatalidade, dessas que vitimam tantos outros todos os dias. Mas a sua vida não foi como a de uma criança comum, e na sua morte ele não recebeu o respeito que merecia e que não é negado às outras crianças. Nas redes sociais, pessoas comemoraram a sua morte, zombaram de sua família, menosprezaram a dor de seus entes. E o que motivou essas almas penadas? O que fez pessoas se comportarem como indignas do ar que respiram? Arthur era neto do ex-presidente Lula.
Depois de ter negado ao ex-presidente o direito de sepultar o seu irmão Vavá, a “justiça” achou por bem não repetir a crueldade e permitiu a sua presença na despedida do neto. Permitiu a despedida, mas assegurou um espetáculo dantesco, com dezenas (talvez centenas) de policiais de fuzis em mãos para constranger um senhor de 73 anos e impedir que ele falasse.
Na saída da cerimônia, Lula acenou à multidão que (ao contrário do seu desejo) insistiu em ir prestar solidariedade à família. Foi repreendido por um delegado que disse: “O senhor sabe que não devia ter feito isso”, ao que respondeu com um “O senhor sabe que eu devia”.
Não sei quem é o delegado. Talvez (provavelmente) seja um bom homem apenas cumprindo ordens. Mas trago más notícias para ele. Quando uma ordem é criminosa, é criminoso quem dá a ordem, quem transmite a ordem, e quem a executa. E daqui a 50 anos ninguém saberá quem o senhor era ou foi, delegado (talvez, e só talvez, algum ente querido), mas posso lhe assegurar que daqui a 50 anos o mundo ainda saberá quem foi e o que representa Luiz Inácio Lula da Silva.
Ele foi o homem que tirou 40 milhões de pessoas da miséria, que colocou o pobre na universidade, que levou água ao nordeste, que reduziu drasticamente o desemprego, que tirou o país do mapa da fome da ONU e que fez o Brasil ser respeitado mundialmente. Lula também é, hoje, um homem preso. Preso injustamente. Condenado em um processo eivado de vícios, com um conjunto probatório tacanho. Um processo que não se sustenta juridicamente e que um dia será posto aonde merece: na lata de lixo da história.
O ex-juiz que condenou Lula é hoje ministro de um adversário político do ex-presidente. Isso diz tanto sobre esse processo...
Por muito tempo achei que Lula era um preso político. Hoje tenho certeza de que ele é mais do que isso. O ex-presidente é um sequestrado. Está sequestrado por esse aparato jurídico-midiático que quer tirar de nós a esperança de um país melhor, mais justo, mais equânime.
São tempos difíceis para aqueles que acreditam que um outro mundo é possível. São tempos difíceis para aqueles que acreditam que um outro país, mais justo, mais solidário, com respeito às diferenças e guardião das liberdades individuais ainda possa existir.
Mas nós não arrefecemos, pois sabemos que Lula precisa da nossa força, e nós precisamos de sua força.
De todas as fotos de Arthur que circularam na rede, uma me doeu mais do que todas. É uma na qual ele está sentado à frente da sede da Polícia Federal em Curitiba esperado pra visitar o avô. Essa foto me doeu pois tenho uma bem parecida, só que ao invés do Arthur são meus filhos que estão na foto. Eles também estão esperando pra visitar o avô. Ele também está preso injustamente. Ele também é um preso político. Ele também é um sequestrado político. Meus filhos são netos de João Vaccari Neto.
É de uma injustiça tremenda o que fazem com o Lula, com o Vaccari, o que fizeram com o Arthur e o que fazem com meus filhos. A história será implacável. Ela nos absolverá. Poderia ser com qualquer um, mas foi com o Arthur. E como no texto de Émile Zola, eu acuso todas aqueles que zombaram da situação: vocês são a escória do mundo. E não valem o ar que respiram!

segunda-feira, 18 de março de 2019

Mais arte para educar melhor sobre democracia, direitos humanos, liberdade... Historiador discute ditadura militar através da MPB.


A Ditadura Militar em 33 Discos é o nome do evento que será realizado nesta quinta e sexta-feira, dias 13 e 14 de setembro, às 19 horas, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc.  Nele, o historiador Bruno Sanches Baronetti – doutorando em História Social na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP – fará uma discussão sobre o regime militar brasileiro (1964-1985) através de músicas presentes em 33 discos lançados na época. O número se refere à velocidade de execução dos discos (33 rotações por minuto). O objetivo do evento é entender o processo de formação da música popular brasileira e as mudanças estéticas que ela sofreu ao longo do período de ditadura.

Entre os discos que terão músicas analisadas estão Teatro de Arena – Arena Conta Zumbi (1965), de Wilson Simonal, Pra Não Dizer que Não Falei das Flores – Caminhando (1968), Os Incríveis – Eu Te Amo, Meu Brasil (1970), de Roberto Carlos, Acabou Chorare (1972), dos Novos Baianos, Chico Buarque (1978), de Chico Buarque, Canções de Amor e Liberdade (1983), de Taiguara, e Correndo Risco (1985), de Camisa de Vênus.

Para falar sobre o evento, Bruno Baronetti foi entrevistado no programa Via Sampa, da Rádio USP (93,7 MHz), que foi ao ar no dia 11 de setembro de 2018.



O Centro de Pesquisa e Formação do Sesc se localiza na Rua Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista, São Paulo. Mais informações sobre o evento A Ditadura Militar em 33 Discos podem ser obtidas pelo telefone (11) 3254-5600.


Acesse reportagem em áudio. AQUI 

segunda-feira, 11 de abril de 2016


Sarau Multicultural no Edélzio, um dia histórico na cidade de Santa Rosa de Lima

 sábado, 2 de abril de 2016


SARAU MULTICULTURAL REVISITA OS ANOS DE CHUMBO ATRAVÉS DA ARTE E DA LITERATURA.

 

 http://memorialdademocracia.com.br/

 Caetano Veloso e outros artistas lembram período de exílio há 50 anos

Nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Cacá Diegues, Nara Leão e Augusto Boal se exilaram para escapar da perseguição do regime militar


 


Play list - Amor livre e sensualidade na Bíblia. Cântico dos Cânticos ou Cantares.

Depois de uma semana marcada por tanta brutalidade, um sábado para mergulhar no mais lírico, sensual e poético dos livros da Bíblia, o Cântico dos Cânticos.
É um livro praticamente ignorado por conservadores e fundamentalistas, porque celebra o amor livre e a sensualidade. Ao longo da história, houve muitas interpretações sobre o livro. Ainda na Antiguidade, no judaísmo, interpretou-se o Cântico dos Cânticos como livro do amor de Deus por Israel.  Há tratados sem fim sobre ele no cristianismo e a corrente mais influente lê nos versos uma história de amor entre Jesus e a Igreja ou entre Jesus e a humanidade, cada homem e mulher. Os textos de Tomás de Aquino, Bernardo de Claraval e João da Cruz sobre o livro são um dos pontos altos da elaboração cristã.
No Paz e Bem deste sábado, contentamo-no em declamar alguns dos versos e deixarmo-nos conduzir por eles. O Cântico dos Cânticos é composto por um prólogo, 10 poemas, um epílogo e um apêndice.
Diz-nos um trecho do poema, um diálogo entre o amado e a amada nos versículos 15 e 16: “- Como és bela, minha amada, como és bela!… Teus olhos são pombas… / -Como és belo meu amado, e que doçura! Nosso leito é todo relva”.
A “capa” deste Paz e Bem 122 é a foto “cesto de maçãs”, Mauro Lopes, 2019
Fonte: 

https://pazebem.org/canal-paz-e-bem/100744/paz-e-bem-122-amor-livre-e-sensualidade-na-biblia/

















sábado, 16 de março de 2019

Sobre a tragédia de Suzano. O olhar de quem está dentro ou bem próximo a realidade das escolas públicas..

A COBERTURA DA RÁDIO BRASIL ATUAL
Tragédia

Massacre em Suzano abre discussão sobre como o país tem tratado as escolas e alunos

Advogado afirma que redução nos investimentos, culto às armas, ascensão da extrema-direita só impedem projeto pedagógico e de seguranças nas escolas
por Redação RBA publicado 14/03/2019 10h22, última modificação 14/03/2019 13h37
Rovena Rosa/Agência Brasil
Massacre escola Suzano
"Eu entendo que mais violência só vai gerar sempre mais violência", avalia o advogado e especialista Ariel de Castro Alves
São Paulo – O atentado em uma escola de Suzano, na região metropolitana de São Paulo, que deixou 10 pessoas mortas e nove feridas, nesta terça-feira (13), levanta a importância de uma reflexão sobre como a sociedade brasileira tem tratado crianças e adolescentes e a própria educação pública. A avaliação é do como avalia o advogado especialista em Direito da Infância e da Juventude Ariel de Castro Alves, do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), em entrevista à Rádio Brasil Atual.
Ao contrário das declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) em relação a "arma fazer tão mal quanto um carro" e do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que usou a tragédia para criticar a maioridade penal e o desarmamento, ou ainda, da ascensão de doutrinas da extrema-direita que pregam o culto às armas, violência e intolerância, o advogado chama a atenção para a falta de estrutura das instituições de ensino. 
De acordo com Alves, o momento posterior ao massacre precisa vir acompanhado de um projeto que dê conta da seguranças nas escolas, mas também do processo pedagógico tanto para o entendimento do bullying como  da evasão escolar e da necessidade de mais investimentos na educação, por exemplo, para contratação de professores mediadores de conflitos. "Eu entendo que mais violência só vai gerar sempre mais violência. É necessário um trabalho mais preventivo das escolas, com relação à própria estrutura, do que essas questões que eles (Eduardo e Flávio) colocam", afirma à jornalista Marilu Cabañas.

Ouça a entrevista na íntegra



É preciso transformar assuntos que afligem jovens em tema de aula

USP recebe professores da rede para abordar questões que afligem os estudantes, como ética, bullying e drogas. OUÇA AQUI

Deep Web

Submundo da internet estimula crimes como o da escola em Suzano

Poder público deve estar tecnologicamente à altura das novas ameaças virtuais. Protegidos pelo anonimato, integrantes de fóruns disseminam todo tipo de discurso de ódio
por Redação RBA publicado 14/03/2019 11h50, última modificação 14/03/2019 13h58
CC
deep web
Massacre em Suzano foi comemorado em fóruns que reúnem internautas que se dizem frustrados e revoltados com o 'sistema'
São Paulo – Em fóruns virtuais da chamada deep web, os executores do massacre da escola de Suzano foram saudados como "heróis", como mostra reportagem da Ponte Jornalismo. Estes fóruns formam um submundo virtual inacessível a navegadores comuns e reúnem pessoas que, anonimamente, passam a propagar discursos de ódio, racismo, misoginia (ódio contra as mulheres) e homofobia, incitando crimes como o ocorrido na última quarta (13).
Para a integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social – Flávia Lefévre, que também participa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), é preciso que o poder público – polícias e Ministério Público – se desenvolva tecnologicamente para combater esse tipo de crime no mundo virtual. Episódios como o da escola de Suzano são celebrados por esses grupos como forma de "despertar" a sociedade contra um "sistema opressor" e seus "ideais socioculturais", que impedem os seus integrantes de fazer e ser "o que quiserem".
"Não faltam leis no Brasil. O que falta, especialmente neste momento, é um compromisso dos organismos públicos de atuar na garantia desses direitos. Se a gente tem conhecimento de que existe um grupo dentro da deep web comemorando, estimulando e incitando ódio – o que é crime –, assim como essas pessoas acessam, a polícia também deve acessar e atuar para coibir", afirma Flávia, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas na Rádio Brasil Atual nesta quinta-feira (14).
Ela diz que, especialmente no Brasil, vive-se um clima de extrema polarização que faz com que grupos políticos desvalorizem conquistas civilizatórias realizadas nas últimas décadas, desde a Constituição de 1988.
"É muito grave quando representantes dos poderes públicos adotam posturas estimulando o armamento, a violência e o desrespeito a esses direitos fundamentais. Compromete o desenvolvimento e aplicação de políticas públicas, bem como a aplicação de recursos para garantir que a polícia apure a violação a esses direitos. Estamos vivendo um momento muito perigoso institucionalmente, e isso pode ser reverter no caos, como ocorreu ontem na escola em Suzano." 
-------------------------------------------

Ouça a íntegra da entrevista



Tragédia em Suzano

Saúde mental dos alunos deve ser observada no ambiente escolar

Debate na Rádio Brasil Atual suscitou a importância do tema. “Como formamos um cidadão, que é o papel da escola, sem cuidar da mente?”, questiona Maria Julia, diretora da UJS


por Redação RBA publicado 15/03/2019 13h57, última modificação 15/03/2019 14h41
Rádio Brasil Atual/Divulgação
Debate discute as razões do atentado em Suzano
Maria Júlia Oliveira, Maria Eduarda Antonowitz (centro) e Rogê Carnaval discutiram as possíveis razões do atentado em Suzano
São Paulo – O programa Jornal Brasil Atual desta sexta-feira (15) promoveu um debate para tentar compreender as razões que levaram dois jovens a entrarem numa escola com o intuito de matar alunos e funcionários, como aconteceu esta semana na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, região metropolitana de São Paulo.
Participaram da conversa Rogê Carnaval, historiador e educador do projeto “Respeitar é Preciso”, Maria Julia Oliveira Rodrigues do Nascimento, diretora da União da Juventude Socialista (UJS), e Maria Eduarda Antonowitz, estudante secundarista e também integrante da UJS, com mediação da jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.
Para Rogê Carnaval, a uso da força e a violência está no centro da formação histórica do Brasil, desde a escravidão, com requintes de crueldade e a prática de castigos públicos para servirem de “exemplo”.
“Isso se perpetua na nossa formação enquanto nação. Nos anos 70 e 80, a violência vai se transformando em algo ainda mais endêmico, um momento em que a ditadura militar e a violência vai se institucionalizando nos porões, mas também com a polícia nas ruas, com grupos de extermínio que se formam nas grandes cidades”, analisa.
Para ele, esse processo chega aos dias atuais, com o crescimento do tráfico de drogas alinhado com o tráfico de armas, e uma população cada vez mais armada e com medo. “É um discurso absolutamente falacioso, mentiroso, hipócrita, dizer que, ao armar a população, estamos promovendo aquilo que o Estado não consegue prover, que é a sensação de segurança. E de fato, é um discurso legítimo, todo mundo quer se sentir seguro, o problema é que não é armando a população que a gente vai conseguir isso.”
Maria Julia pondera a importância de se avaliar a saúde mental dos jovens que cometeram o atentado em Suzano. “São jovens que entram numa escola para matar outros jovens. Por que? Problemas de saúde mental têm sido cada vez mais recorrentes. É urgente se preocupar com a saúde mental principalmente dos jovens, que já é uma fase muito complicada.”
Ao concordar com a colega, Maria Eduarda diz desconhecer a existência de algum trabalho nas escolas de escuta dos estudantes. E concordo que é preciso dar amparo. “É uma idade muito vulnerável”, afirma, destacando a importância de haver assistente social e psicólogo nas escolas para poder dar esse auxílio.
“Como formamos um cidadão, que é o papel da escola, sem cuidar da mente?”, questiona Maria
Julia.

sexta-feira, 15 de março de 2019

O que o Papa Francisco propõe para prevenir tragédias como a que acontece na Escola em Suzano?



Se é verdade que ninguém está salvo e que todos somos o alvo, porque vivemos em um mundo doente. Também é verdade que precisamos desafiar a noção  de que o inferno é aqui, e para isso,  vamos precisar de todo mundo. 

Mas antes, durante e depois, precisamos fazer com que muito mais gente pense nas crianças  de Hiroshima, de Columbine,  de Realengo, de Suzano. Pensar, lembrar,buscar formas de evitar, mesmo que todo cuidado ainda seja pouco. Realizar como faz o amado Papa Francisco, que após  o atentado a associação mutual israelita-argentina em 1994, ainda como Cardeal Bergoglio, não se limitou somente a lamentar e a rezar pelas vitimas e por todos nós, mas criou um projeto chamado  Escolas de Encontros ou Escolas de Convivência, juntando    crianças,jovens e adultos, a partir da questão inicial: Você ( s) tem sede de que? Você (s) tem fome de que? E depois, o que farão juntos para buscar saciar, nem que seja com pouco, essa fome e essa sede? Até porque muitos tem sede e fome do infinito, porque se sentem como cidadãos do infinito, mas querem  levar a paz no seu caminho.

E a proposta do Papa Francisco, quer chegar até todos os lugares, a todos os homens e mulheres de boa vontade, pois vamos precisar de todo mundo, pra banir do mundo a opressão, e a proposta da  Escola de encontros, ou Escolas de convivência foi apresentada ao governador de Sergipe Belivaldo Chagas e a vice governadora Eliana Aquino, os quais  designaram assessores que receberam uma comissão liderada por Célio Turino, colaborador  brasileiro do Papa Francisco no arranjo internacional do programa Escola de Encontros.


Isso foi em dezembro de 2019 e desde então aguardamos resposta. Em dezembro, também houve conversações com representantes do governo do Ceará e a  Bahia.  É o nordeste recebendo essa oportunidade de mostrar um bom caminho, uma boa direção,  para servir como luz, como farol, como referência,  para um país que tem muitos representantes do povo,  defendendo o indefensável, como o senador por SP que propôs armar professores e funcionários, na linha de combater o incêndio jogando mais gasolina. Será que isso passará despercebido aos governadores visitados? 

Queremos saber, precisamos de uma resposta, não apenas a esse chamado do Papa, como ao que propôs Gilberto Gil, um parceiro do Papa Francisco e de todos àqueles que não se furtam a fazer o bom combate, o qual como  ministro da cultura, contando com o apoio do presidente Lula,  foi o grande responsável,  juntamente com o historiador Célio Turino, pelo sucesso do Programa Cultura Viva - Pontos de Cultura, política pública, cujo experiência exitosa se soma ao bem sucedido programa Escola de Encontros, em favor  da proposta dos Pontos de Encontro.

As perguntas de Gilberto Gil, feitas através de  uma canção emblemática,dos tempos iniciais da presença intensiva da tecnologia em nossas vidas. Tecnologia que também participa  das situações de tragédias como as de Suzano, sendo também aliada fundamental nas ações de prevenção e enfrentamento a estas.
"Queremos saber,
Queremos viver
Confiantes no futuro
Por isso se faz necessário prever
Qual o itinerário da ilusão
A ilusão do poder
Pois se foi permitido ao homem
Tantas coisas conhecer
É melhor que todos saibam
O que pode acontecer".


Resistamos Re existamos, mesmo sem alcançar todas as respostas que almejamos, porque o necessário para prosseguir mesmo, é não ter medo de amar e de não  ser livre. 

Leia também:  

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018


Relato sobre a visita de Célio Turino para propor parceria do programa “Scholas Ocurrentes” com o Governo de Sergipe e apresentação do programa para lideranças da sociedade civil.

 terça-feira, 6 de março de 2018

Como foi o I Encontro de Adolescentes e Jovens do Ponto de Cultura Juventude e Cidadania?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016


Pontos de Cultura são abraçados pelo Papa Francisco


Paz e Bem #121 - O medo de amar é o medo de ser livre - 15.mar.2019

 A politização do carnaval e a culturalização da politica e da educação de base.

quinta-feira, 14 de março de 2019

Olhando a chacina de Suzano sem os chavões e clichês recorrentes. Mesmo que alguns façam sentido.

      foto Werther Santana
    Jornalista André Ortega
    A tragédia que aconteceu em uma escola num bairro de Suzano (essa de video de youtube falando "Escola Suzano" já é sintoma da banalização) merece o título de tragédia por sua profundidade, que vai além da superficialidade dos debates políticos que estão canibalizando o acontecimento.
    Vejo vários comentários que tentam emprestar a legitimidade de áreas como a sociologia e a psicologia, mas no fim mais se afastam do que se aproximam do problema.
    A esquerda tem esse vício do discurso com pretensão científica, o que ao invés de desvelar as interações que formam o fenômeno as encobre com alguma simplificação.
    É como o clichê de falar que tudo é "construção social", colocando alguma determinação unilateral por cima da da interações que formam o sujeito (nem consideram "sujeito"). No fim é forma insidiosa de reabilitar a falácia naturalista, "construção social" vira uma espécie de chave metafísica que explica tudo ("clavis aurea").
    Na sua especificidade, esse problema é um problema que diz respeito a área de estudos em comunicação.
    Isso é um fenômeno comunicacional internacional, que tem suas origens em fóruns nos Estados Unidos.
    Existem fóruns, grupos, ambientes comunicacionais em que esses jovens interagem, produzem e reproduzem signos com SOLIDEZ E CONSTÂNCIA, criando símbolos e cultura própria. Especificamente, eles criam uma pseudo ciência e uma narrativa que explica a situação de sofrimento dos membros, oferece identidades e noções éticas (extremamente distorcidas, mas prescritivas).
    É claro que existe um problema social, psicológico. Esses lugares virtuais não flutuam no nada e são formados por pessoas reais. A "civilização capitalista" dissolve laços de socialização, dissolve comunidades e cria indivíduos cada vez mais atomizados, ao mesmo tempo que os violenta e cria poucos parâmetros de referência além do consumismo - todos os valores fora do consumo (que é uma categoria extra-econômica, é antropológica) estão em crise.
    A sociedade não oferece valores tão sólidos. O individualismo é mais forte do que a socialização. De certa forma, não se oferece oportunidade para as pessoas fazerem algo pela sociedade, pelo coletivo. Não existem grandes referências, grandes acontecimentos.
    (jovens em situações de vulnerabilidade e pobreza mas que estão em comunidades são menos suscetíveis a esse tipo de coisa, mesmo que ali exista uma outras criminogenia - mesmo a máfia é uma forma de acolhimento)
    Tratar como um simples problema de "transmissão de ideologias", "ah o bolsonarismo, a extrema direita" é perder de vista uma realidade muito contemporânea. Estão presos no século XX, é uma resposta funcionalista, igual a conversa de culpar viodegame, como se as pessoas funcionassem assim como receptores passivos e determinados.
    Não tem medida administrativa, panaceia humanista ou aumento de gasto que vá fazer mágica.
    Não se resolve com materialismo de farmácia.
    (nisso eu incluo clichê noventista sobre "bullying")

    ---------------------------

    A PROPÓSITO DO QUE ACONTECEU NA ESCOLA EM SUZANO NO DIA DE ONTEM (13/03/2019). O QUE ALGUMAS PRÁTICAS DEMONSTRAM SOBRE O QUE PODE CONCORRER PARA TRANSFORMAR DE FORMA SADIA E SAUDÁVEL O AMBIENTE E O CLIMA ESCOLAR. FAZENDO REPERCUTIR ATÉ NO CLIMA E AMBIENTE DAS FAMILIAS E DAS COMUNIDADES.
    Gestão democrática de " verdade", imprescindível para avançar nessa proposta de comunidade terapêutica. E aqui, antes que digam que professor não é psicólogo, não me refiro aqui ao termo terapêutico "stricto sensu". Me refiro a combinação da gestão democrática “de verdade”, da interdisciplinaridade, do esporte, dos saraus, cineclubes, das oficinas culturais, das aulas-passeio, das caminhadas em grupo, dos retiros/acampamentos , dos grupos de debates, não apenas de temas pedagógicos e políticos, mas também de questões ligados ao campo das emoções, dos sentimentos, das identidades, das fragilidades, dos temas tabus e etc.. e etc. Junto e misturado. Bem na linha do que meninos e meninas apontaram no movimento de ocupação de escolas e que Frei Betto propõe no texto ao final desse post.
    PROSSEGUINDO A DISCUSSÃO GERADA PELOS DOIS PEQUENOS TEXTOS REPUBLICADOS NO DIA DE ONTEM NO FACEBOOK. (leia no final desse post)
    Abaixo: Uma experiência bem sucedida na rede pública do Estado de São Paulo , mas destruída pelos militares.

    Com projeto de formação crítica, Ginásios Vocacionais foram extintos pela ditadura

    Aqui: O que tem sido feito de melhor hoje, na perspectiva defendida nos termos de comunidades terapêuticas de base.
     

     Sementes da Educação

    Série documental sobre iniciativas transformadoras na educação pública do Brasil.
     

    “ No decorrer da caminhada matinal do dia 15/01/2019, a lembrança de um país cheio de gente pirada, de gente maluca, inclusive ocupando a presidência e alguns ministérios.
    Daí me ocorre a idéia de comunidades terapêuticas de base, como podemos definir o que foi a AMABA/Projeto Reculturarte.
    Nas entrevistas com os que participaram dessa iniciativa sociocultural nos anos de 1990 no bairro américa, periferia de Aracaju, salta aos olhos o quanto as ações culturais, esportivas e de reforço escolar, colaboraram com a auto estima, o sentido de pertencimento e coesão, o centramento, a construção de sentido e projeto de vida, a consciência cidadã, a alegria, o bem viver.
    Portanto, precisamos ir além da discussão sobre o investimento em comunidades terapêuticas para tratar de dependentes químicos, assim como da discussão sobre a redução da maioridade penal, o que fará entupir os presídios e empurrar mais jovens para os braços do crime organizado.
    O mais necessário é evitarmos a necessidade disso, de gente pirada, de gente maluca, elegendo gente igual. E para tal, precisamos de mais comunidades terapêuticas de base. O que pode também prevenir a quantidade de adolescente paajovens enredados no crime e na violência. 
    Professor Zezito de Oliveira 
     --------------------------------
    "Dois jovens entram numa escola, saem atirando e se matam.
    Precisamos cuidar da saúde mental dos nossos jovens, precisamos dar mais atenção as emoções.
    "-Mas se tivessem penas mais duras? "
    Eles se mataram! Não faria diferença!
    " Mas isso é culpa dos jogos q assistem"
    Se eles se inspiraram num jogo, quer dizer q não sabem diferenciar realidade de fantasia. Falta saúde mental.
    Vamos cuidar do emocional uns dos outros. Que as escolas não sejam depósitos de gente e sim onde se cresce como ser humano. Cada jovem morto e cada funcionário foi uma vida que se foi, foram sonhos e famílias enterradas...
    Mais amor por favor... Tá bom2019.
    "

    Professora Carol Loureiro

    A escola dos meus sonhos Frei Betto

    leia também:

    Dogolochan: até quando ‘mascus’ vão destilar ódio, ameaças e marcar hora para matar?


    Massacre de Suzano foi celebrado em fórum acessado na deep web, mas não foi a primeira vez que um crime foi anunciado no grupo.

      O atirador de Suzano. Reportagem da Folha entrevistou familiares de Guilherme Taucci Monteiro, um dos atiradores do massacre ocorrido em escola na cidade de Suzano, no interior de São Paulo, e traz detalhes sobre a vida do jovem: bullying, obsessão por jogos e abandono dos pais.  Fonte dessa nota. Agência Pública

quarta-feira, 13 de março de 2019

Play list para os filhos (as) Santo Amaro da Purificação e para todos (as) que se sentem irmanados (as).

No domingo passado, dia 03 de março, eu e minha esposa Margarette fomos assistir ao documentário “Fevereiros”, em seu último dia de exibição, no Cine Vitória (na Rua do Turista), e posso garantir que o filme foi uma experiência mais que prazerosa, foi uma bênção, um grande presente de Deus, dos Orixás. Um presente, aliás, não só para mim, mas também para Margarette que, encantada com a produção do filme, já teve a feliz oportunidade de conhecer Santo Amaro da Purificação —minha cidade natal — em seus dias de alegria e de sagrada festividade, quando de nossas viagens ao recôncavo baiano.

Para essa afortunada ocasião, aproveitamos para convidar minha mãe, minhas duas irmãs e um irmão, que haviam chegado recentemente da Bahia (assim como eu, eles também são filhos de Santo Amaro) para nos acompanhar na sessão, uma obra que tem tudo a ver com eles também, com nossa história, com nossas origens. Puderam, inclusive, reconhecer amigos e conhecidos atuando naturalmente em meio à narrativa como coadjuvantes. Importante perceber que muitas outras pessoas, simples, humildes, mas que contribuem para a riqueza cultural e artística da cidade, estado e país foram lembradas durante a produção. Foi realmente um grande privilégio ter podido prestigiar aquele lindo filme, expressão audiovisual repleta de singularidades culturais e artísticas daquele povo abrilhantada pela voz da conterrânea Maria Bethânia e de seu Irmão Caetano Veloso.

Senti-me bastante contemplado e ambientado por tão ricas e pertinentes manifestações de nossa gente, de nossas belezas e raízes! Toda essa magia e encanto presentes em cada palavra, verso ou canção traduzem-se como marcas indeléveis que carrego aonde quer que eu vá, como parte imprescindível de mim.

E todo esse sentimento me faz perceber essa forte conexão entre Rio e Bahia, entre Fé e Carnaval, entre Música, História e Folclore. Assim como o Brasil se redescobre em cada uma dessas manifestações, assim também cada um de nós se redescobre ao vislumbrar e reconhecer sua própria história e seu povo sendo retratados por pessoas tão ilustres e talentosas, dedicadas à arte e ao fomento da paz, da cidadania e do amor que integra independente de tons, cores e matizes. Que venham outros fevereiros!

Viva à Maria Bethânia (a Menina de Oyá) e família Veloso, viva a Santo Amaro e à Nossa Senhora da Purificação e ao Carnaval, viva ao Rio de Janeiro e à Mangueira, viva à Iansã e a todos os Orixás! Viva à Arte!

Maxivel Ferreira

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019


"Fevereiros" com Maria Bethania apresenta um dos melhores "pedaços" de um Brasil despedaçado.