CANAL DA AÇÃO CULTURAL

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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Projeto Encontro de Adolescentes e Jovens do Ponto de Cultura Juventude e Cidadania. Nova versão


Projeto Encontro de Adolescentes e Jovens do Ponto de Cultura Juventude e Cidadania. Nova versão
Local: Chácara no povoado Aningas – município de São Cristóvão.
Dia: 24 e 25 de fevereiro de 2018 (sábado e domingo).
Quantidade esperada: Estimativa de 8 pessoas no sábado e mais 9 pessoas no segundo dia.
Objetivos: Reunir um grupo de adolescentes egressos das oficinas do Ponto de Cultura Juventude e Cidadania,  para a  troca de informações sobre temas ligados aos aspectos sociais e coletivos do cotidiano, como cidadania, direitos humanos, ecologia, cultura, sexualidade e etc., visando colaborar para complementar e enriquecer a formação cultural, ética,  social  e humana  ofertadas pelas oficinas culturais do ponto de cultura e pela escola.
Público Alvo: Preferencialmente  meninos (as) que participaram da oficina do audiovisual e das outras oficinas do Ponto de Cultura Juventude e Cidadania, posteriormente serão incorporados outros (as) que participam de atividades culturais ligadas a outros projetos e programas. Podem vir  acompanhado  de pai ou mãe, caso queiram.
Programação (em construção).
Sábado (24 de Fevereiro de 2018)
1 – 7:00 - Saída do Conjunto Jardim (ponto de ônibus na BR). Haverá um pequeno grupo que irá de carro, levando os mantimentos, material de apoio  e equipamentos sonoros e visuais. Outros irão de ônibus.
2 – 8:20 – Chegada ao local, arrumação, apoio a limpeza, guarda de material.
3 – 8:50 – Leitura das regras, divisão do trabalho em equipe e orientação para a primeira atividade.
4 – 9:00 - Abertura com leituras e canções da MPB sobre  o cuidado com a nossa comunidade e com o nosso país.
4 – 9:20 – Inicio da primeira atividade. Formação de sub-grupos para rodas de conversa  sobre as seguintes questões:   O que temos de melhor e de pior em nosso bairro e o que colabora para o nosso crescimento e para a nossa descida? O que podemos fazer para nos aproximarmos  mais do que colabora para o nosso crescimento e nos afastarmos mais do que colabora para a nossa descida? Quem são os nosso aliados/parceiros e quem são os nossos oponentes/contrários
5 – 10:00 – Colagem das etiquetas com o resumo da roda de conversa, apresentação e debate com todo mundo junto.
6 – 11:00 – Passeio pelo local, para fotografar o lado belo e o lado feio do povoado.
7 – 12:00 – Almoço
8 – 13h00 – Retomada das atividades da atividade da tarde. Formação de sub-grupos para rodas de conversa sobre as seguintes questões:
Roda de conversa com o tema: Como enfrentar a questão do lixo em nossa comunidade? Como podemos fazer para nos educar e colaborar na educação dos outros? O que fazer para que a prefeitura cumpra a sua parte?
Após a roda de conversa, exibição de filmes curtos  sobre o tema do lixo, apresentando como essa realidade é enfrentada  em outros locais do país e a importância da preocupação com o tema.
14h30 – Apresentação do tema em forma de dramatização, coreografia, paródia e etc., para todos os presentes.
16h – Ida até o rio para o banho. Retorno às 17h30 – Retorno para casa.
Noite – preparação de uma fogueira e roda de canções, poesias, dança e contação de histórias.
Domingo (25 de fevereiro)
8:00 – Abertura com leituras e cânticos de música popular brasileira sobre  o tema do dia anterior.
8h30 – Caminhada pela comunidade para fazer recolhimento de lixo e ida para banho de rio.
10h30  - O que precisamos melhorar no trabalho com arte e cultura que desenvolvemos na comunidade? Quais as dificuldades e como podemos enfrentá-las?
12h – Almoço
13h – Roda de conversa.
Continuidade do planejamento das atividades de 2018 e exibição de filmes curtas  sobre arte e cultura na comunidade.
Produção de cartazes para sensibilização e divulgação das atividades do Ponto de Cultura na comunidade.
 16h30  - Avaliação


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

De onde saiu o tiro, também saiu a Tuiuti. Mais educação e incentivo a cultura e menos policia e censura.

E VIVA A PARAÍSO DA TUIUTI!!
A escola “regular” brasileira tem muito a aprender com as escolas de samba.
Quem disse isso há alguns anos foi um professor que fugiu da universidade para educar.
Tião Rocha, fundador do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD).
Um debate que pode ser realizado também pelos partidos progressistas e pelos sindicatos.

Para educador, escola formal não serve para educar


"A Escola formal não está só na forma. Está dentro da fôrma. O pior é quando está no formol. É um cadáver." É assim que o educador mineiro Tião Rocha, 59, vê o ensino convencional, de cujos métodos e conteúdos se afastou há mais de 20 anos para experimentar processos alternativos de educação.
À frente do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento desde 1984, Rocha sempre persegue "maneiras diferentes e inovadoras" de educar, alfabetizar, gerar renda. Ele distingue educação de escolarização e busca um sonho: escolas que sejam tão boas que professores e alunos queiram freqüentá-las aos sábados, domingos e feriados. "Se ninguém fez, é possível", diz.


Toda a sua história como educador é feita do lado de fora das escolas convencionais. Qual é o seu problema com a escola formal? Tião Rocha - 

Se eu tivesse um analista, isso seria um prato cheio para ele. Comecei a ter problemas com a escola desde que entrei, aos sete anos. Logo no primeiro dia de aula, no Grupo Escolar Sandoval de Azevedo, Belo Horizonte, a professora Maria Luiz Travassos nos levou para a sala de leitura, pegou um livro, "As Mais Belas Histórias", da dona Lúcia [Monteiro] Casasanta, e começou a ler: "Era uma vez um lugar muito distante, onde havia um rei e uma rainha (...)".
Eu levantei a mão e falei: "Professora, eu tenho uma tia que é rainha". Ela desconversou, pediu para eu ficar quieto. Ela prosseguiu a história. Depois que a interrompi duas ou três vezes, ela me mandou calar a boca e ir falar com a diretora, dona Ondina Aparecida Nobre.
Ela me deu um tranco, perguntou se eu queria ser expulso. A partir daí, eu sempre inventava coisa para matar a aula. Nunca tive uma escola boa. Nunca tive prazer na escola, mas sempre quis aprender.
Quando fui para a faculdade, estudei história e antropologia, fui resgatar a história da minha tia, que era rainha do congado.
Para pagar os estudos, eu precisava trabalhar. Fui dar aula e me dei conta de que, se eu achava aquilo chato, meus alunos também, porque eu era um reprodutor da mesma chatice.


E você conseguiu mudar? Rocha - Não. Criava jeitos diferentes de trabalhar com os alunos, inovava, mas, no fim, era uma experiência muito reformista. Ela começou a ser transformadora quando aconteceu o fato com o Álvaro, minha primeira grande perda [o garoto, excelente aluno, se suicidou].
Aí eu falei: "Opa! Não adianta querer que os meninos aprendam história se eu não consigo aprender a história da vida deles". Então comecei a deixar de lado não só a forma mas também o conteúdo.
Por exemplo, pedia aos alunos para pesquisarem em casa: sobre cantiga de ninar, expressões populares, jogos etc. Um pai chegou para mim e disse: "Vim te agradecer, porque eu tinha um problema de relacionamento com meu filho, mas agora ele apareceu querendo saber sobre as brincadeiras de quando eu era criança e começamos a conversar, a brincar".
Eu nem sabia que aquele negócio estava ajudando a aproximar pais e filhos. Aí eu fui me libertando dos conteúdos cheirando a mofo e comecei a ver que estava partindo para uma outra coisa. Esse processo foi evoluindo na reflexão sobre o que é deixar de ser professor e virar educador. O professor ensina, o educador aprende.

 


E então o sr. começou seus projetos fora da escola, debaixo do pé de manga. Mas o sr. acha que a escola formal serve para alguma coisa? Rocha - Ela serve para escolarizar. Ela dá um determinado tipo de informação e de conhecimento que atende um determinado tipo de demanda, um determinado tipo de modelo mental de uma sociedade que aceita, convive e não questiona.


 

Essa escola educa?
Rocha -
Não. Ela escolariza. Uma coisa é falar em educação, outra é falar em escolarização. A maioria das pessoas que estão cometendo grandes crimes são pessoas escolarizadas. Então, que escola é essa? Para que ela serviu? Não ajudou nada, mas escolarizou.
E essa escola continua sendo branca, cristã, elitista, excludente, seletiva, conformada. Ela seleciona conteúdos, seleciona pessoas, mas não educa.


O que significa a escola ser branca?
 

Rocha - Por exemplo, eu nunca tive aula sobre os reis do Congo, mas tinha aula sobre todos os Bourbons, reis europeus.

E conformada?

Rocha - A escola não permite inovação. Ela é reprodutora da mesmice. A escola formal não está só na forma. Ela está dentro da fôrma. O pior é quando ela está dentro do formol. É um cadáver. O conteúdo da escola está pronto e acabado. Os meninos que vão entrar na escola no ano que vem, independentemente de quem sejam, aprenderão as mesmas coisas, do mesmo jeito. Aprendem o que alguém determinou que tem que ser aprendido.
 

O que está errado com o conteúdo? 

Rocha - Recentemente, uma menina de nove anos, lá em Curvelo, virou para mim e disse: "Tião, vou ter prova e esqueci o que é hectômetro". Eu disse a ela que ninguém precisa saber o que é isso, que não se preocupasse, isso não cairia na prova. Perguntei se ela sabia o que era centímetro, metro, quilômetro. Ela sabia. "Pronto, tá bom demais, você vai viver a vida inteira mais 15 dias e não vai acontecer nada", disse para ela.
Passados uns dias: "Me ferrei. Caiu na prova e eu não sabia". Peraí: criança de nove anos tem que saber isso?
Isso é conhecimento morto. Mas se eu pergunto se eu posso ensinar outra coisa, não posso. O que posso é ensinar as mesmas coisas de um forma diferente. No conteúdo não pode mexer. O vestibular cobra. É um processo seletivo que vai determinando e excluindo, afunilando, dizendo que, para entrar aqui, precisa pensar desse jeito, nessa lógica. Do ponto de vista da escolarização, tá indo muito bem. Agora, se tá educando ou não, ninguém discute.
Quando uma criança é entrevistada e diz que é de determinado projeto porque quer ser alguém na vida, já sei que ela foi pessimamente educada. Um menino que aos 12 anos acha que não é ninguém na vida não tem mais auto-estima. Ele não é ele. Ela vai ser. É sempre um projeto adiado para o futuro.

 

Como deveria ser a educação?
Rocha -
Um projeto de vida, não de formação para o mercado. A lógica da vida não é ter um emprego. Será que é possível construir um processo de uma escola que incorpore valores dignos, que passe a perceber que a ciência precisa estar condicionada a esses valores, que a tecnologia precisa estar condicionada a esses valores, que elas não podem ser determinantes dos valores humanos?
Ter analfabetos não pode ser um problema econômico, é um problema ético. A experiência que a gente vem desenvolvendo no CPCD é saber se é possível fazer educação de qualidade. Claro que é. Só que você tem que botar uma pergunta que a gente sempre faz. É o MDI: "de quantas maneiras diferentes e inovadoras eu posso"... O resto você completa com uma ação: educar, alfabetizar, diminuir a violência, gerar mais renda.
Quando a gente começa a fazer isso, aparecem 70 sugestões para alfabetizar, por exemplo. Vamos tentando uma por uma. Funcionou? Não? Risca. E vamos para a próxima. Quando chega na última, já tem mais tantas outras. Você não esgota o seu potencial de soluções para as crianças aprenderem.

 

Até onde vale criar soluções?
Rocha -
Na educação, qual é a melhor pedagogia? É aquela que leva as pessoas a aprender. Na escolarização, a melhor pedagogia é aquela que dá mais sentido para quem a aplica.
O CPCD foi secretário da Educação de Araçuaí. Lá tinha um problema: os meninos demoravam duas horas no ônibus. O que a gente fez? Colocou educadores no ônibus. Qualquer secretaria de Educação pode fazer. É só sair da caixa.
Uma outra questão é o acesso aos livros. Há muitos anos, acompanhei a trajetória de dez crianças em Ouro Preto num período de seis, sete anos.
Como eu sei se um aluno é da primeira, da segunda, da terceira série? É pelo tamanho da pasta. No primeiro ano, traz até uma mala. Leva tudo. Depois, vai deixando. No ginásio [quinta a oitava série], eles não levam quase mais nada. No colegial, às vezes leva só uma canetinha.
Eu me perguntei se os livros perderam o encantamento ou se foi a escola que não soube mantê-los encantados. Juntei um monte de livros em baixo da árvore e mandava a meninada ir lendo. Em volta, deixava montinhos de sucata e escrevia uma placa: música, teatro, artes plásticas, literatura. Tudo que o menino lesse, tinha que ir numa direção e fazer música, teatrinho etc. É um jogo. Ler e transformar, do seu jeito.
Eles ficavam lá a tarde inteira. Vinha gente de longe. Agora, por que será que esses meninos nunca tinham entrado numa biblioteca da escola? Porque ele não tinha prazer em entrar na biblioteca. Quando ia ler um livro, tinha que dissecar a obra, classificar o texto, responder a dez perguntas sobre aquele negócio. Em baixo da árvore, ele não tinha que responder a pergunta nenhuma. Era prazer, e não dever. Os livros não perderam o encantamento, portanto.
Eu nunca li e detesto Machado de Assis. Por quê? Porque tive que fazer anatomia do livro. Achava um saco. Até hoje não consegui romper com isso.

 


Como enfrentar a falta de leitura?
Rocha -
Faz chover livro na cabeça dos meninos. De todo jeito. Bornal de livros, algibeira de leitura, folia do livro, banco de livros, livro no ponto de ônibus. É igual propaganda. Como você quer que o cara não tome Coca-Cola? Vamos botar esse apelo para o livro. A gente foi tirando os meninos do estado de UTI. Vale tudo. É ético? É. Então, vale. Se nunca foi feito, a gente faz. Se errar, não tem problema. Temos que aprender.

 

Como você mexe no conteúdo? Tem um conteúdo básico?
Rocha -
Claro. Tem que ter alguma coisa para começar. Precisa aprender os códigos de leitura, a raciocinar e fazer cálculo, as quatro operações básicas. Mas não precisa saber o que é hectômetro.

 

Como diversificar? Ou por que diversificar?
Rocha -
Há uns 20 anos, eu trabalhava bem no sertão. Tinha um projeto do governo para combater a doença de chagas na região. Parecia muito bom, as casas de adobe seriam substituídas por casas de cimento com condições de pagamento bem favoráveis. Mas não houve adesão dos moradores.
O que os engenheiros não percebiam é que as casas pareciam um forno de tão quente. O pessoal do projeto dizia: "É uma questão de adaptação". Eu respondia: "Não começa, não. A casa de adobe resolve muito bem a questão térmica. Por que não fazem casa de qualidade com adobe naquele sertão?". Eles disseram que não sabiam fazer, que não aprendiam isso na faculdade de engenharia.
Fiquei imaginando: eles não foram formados para fazer casas dignas para a população. Querem fazer em São Paulo e no sertão uma casa do mesmo tipo. Que lógica é essa? É a lógica do modelão.
Hoje, entrou na moda fazer casa de adobe, é ecológico. Engraçado. Antes, as pessoas faziam casa assim. Aí vieram, cortaram a tradição, impuseram o modelão e, agora, querem voltar ao que se fazia antes, mas travestido de conversa nova.

 

Você é contra todo tipo de forma universalizante? 

Rocha -
Como padrão único, claro.

 

Você é a favor de uma transformação constante?
Rocha -
Da diversidade permanente.

 

De uma pedagogia específica para cada pessoa? 

Rocha -
Não. O que não pode é aprender uma única coisa, todo mundo igual. Mas não é "cada um faz o que quer". O que não pode é dar pesos desiguais, ou seja, negar ou excluir coisas em função de critérios que são absolutamente ideológicos.
É possível criar uma sociedade polivalente, diversificada? É, porque não foi feito ainda. Se ninguém fez, é possível. Isso é o que eu chamo de utopia. Utopia para mim não é um sonho impossível. É um não-feito-ainda, algo que nunca ninguém fez.
É possível aprender brincando? A escola tem que ser o serviço militar obrigatório aos sete anos ou pode ser prazerosa? Aí eu coloco um indicador: a escola ideal deve ser tão boa que professores e alunos desejem aulas aos sábados, domingos e feriados. Hoje, temos exatamente o contrário.
Os meninos estão no século 21 e a escola está Idade Média. A escola é a única instituição contemporânea que tem servos, tem serventes, pessoas que estão lá para nos servir. Nem em banco tem isso, lá são "auxiliares de serviços gerais".
Quando eu trabalhava na Universidade Federal de Outro Preto, por acaso eu virei pró-reitor. Acabei indo a uma reunião de pró-reitores com o secretário da Educação. Aquele discurso enfadonho estava me enchendo o saco, até que eu disse: "Nesse país, uma escola nunca teve crise de aprendizagem: a escola de samba.
Uma assessora do secretário disse que aquilo era inadmissível e perguntou se eu achava que a escola pública tinha que ser "aquela bagunça". Eu respondi: "Tô vendo que a sra. não entende nada de escola de samba. Na escola tem disciplinador, não tem? Pois na escola de samba tem diretor de harmonia". Entende? Uma coisa é cuidar da disciplina, outra coisa é cuidar da harmonia.


Como nasce uma nova forma de ensinar?
 

Rocha - Ou da dificuldade ou da pergunta. Somos movidos por uma pergunta, que vira um desafio, que vira uma encrenca. É possível educar debaixo do pé de manga? É possível criar agentes comunitários de educação? Vamos ficar pensando ou vamos aprender fazendo? Vamos aprender fazendo.
A primeira coisa que a gente fez foram os "Não Objetivos Educacionais". Porque formular um objetivo é muito simples: basta colocar um verbo na forma infinitiva e depois encher de lingüiça. O nosso verbo é o "paulofreirar", que só se conjuga no presente do indicativo: eu "paulofreiro", tu "paulofreiras" e por aí vai. Não existe "paulofreiraria", "paulofreirarei". Ou faz agora ou sai da moita. Ação e reflexão, agora.
As respostas vão sendo testadas e viram novas metodologias, pedagogias. Assim surgiu a pedagogia da roda, por exemplo, como um jeito de combater a evasão dos meninos. Não podemos perder os alunos, precisamos mantê-los interessados. 

 
Seus métodos são tão abertos a ponto de aceitar que uma criança queira aprender na escola formal? Ou você quer acabar com a escola?
 

Rocha - Eu não quero acabar com a escola. Ela é muito mais importante do que parece. Ela tá longe de esgotar seu repertório, não usou nem 10% das possibilidades. Mas, para isso, ela precisa ter a ousadia de experimentar. É uma lástima dar às crianças só o que a escola formal oferece. É muito pouco.
As pessoas querem tirar os meninos da rua e levar para a escola --só se for para prender, porque para aprender não serve. É muito chato. Por que, em vez de tirar da rua, não mudamos a rua? Lugar de criança é na escola, na rua, em todos os espaços. Todos os espaços podem ser de aprendizado. Há experiências de cidades educativas muito legais. 

  
Como é sua relação com os governos?
Rocha -
Eu não vejo muita diferença. Todos eles estão dentro da mesma caixa, só muda a cor. A escola que tem agora não é muito diferente da de oito anos ou 20 anos atrás. Vai só pintando a fachada. A lógica, o processo, a metodologia muda muito pouco, no geral. A gente não consegue estabelecer alianças com os governos porque incomoda pensar fora da caixa. Se incomoda, são refratários. Então a gente vem aprendendo a fazer política pública não-governamental.

Fonte: UOL
Publicado em 26/11/2007

 Com a saga performática da Tuiuti, a contra narrativa do golpe atinge o coração do povo brasileiro.

Paraíso do Tuiuti é vice-campeã na Sapucaí e 'campeã do povo' nas redes sociais

A Tuiuti entrou na Sapucaí no primeiro dia de desfile do grupo especial do carnaval carioca para conseguir o melhor resultado de sua história com fantasias como 'manifestoches' e o 'vampiro neoliberalista'
por Redação RBA publicado 14/02/2018 17h43, última modificação 14/02/2018 19h34
MIDIA NINJA
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A Paraíso da Tuiuti realiza mais um desfile no sábado, junto das campeãs do carnaval carioca
São Paulo – Apesar de sagrar-se vice-campeã no carnaval carioca, a escola de samba Paraíso do Tuiuti é aclamada nas redes sociais como campeã do povonesta quarta-feira (14). Tão logo foram consolidados os resultados do jurado, a quadra da escola em São Cristovão, na zona central do Rio de Janeiro, passou a comemorar o resultado como se fosse campeã. No twitter, a #TuiutiCampeãDoPovo ficou entre os assuntos mais comentados do país.
Tuiuti entrou na Sapucaí no primeiro dia de desfiles do grupo especial do carnaval carioca para conseguir o melhor resultado de sua história. O desfile polêmico foi consagrado por "lavar a alma" do povo brasileiro, como dizem muitos internautas. Além de um samba-enredo nota 10 sobre a continuidade da escravidão no país mesmo após a abolição, ganharam destaque fantasias e alegorias com críticas políticas.
A escola levou para a avenida uma representação do presidente Michel Temer (MDB) vestido de vampiro em uma fantasia chamada "Vampiro Neoliberalista". Levou também manifestantes como fantoches, com roupas análogas à da seleção brasileira, o que virou símbolo das manifestações pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) em 2015; e patos com cifrões nos olhos, representando o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao impeachment, além de criticar a reforma trabalhista capitaneada por Temer.
Agora, a Paraíso da Tuiuti realiza mais um desfile no sábado (17), junto das campeãs do carnaval carioca. O diretor de carnaval da escola, Thiago Monteiro, disse que a conquista do vice-campeonato foi o resultado do trabalho de um grupo. “Acabamos de mostrar que, com trabalho e dedicação, [a escola] pode ser competitiva. Parabéns para o grupo", afirmou.
A escola de samba campeã do carnaval de 2018 no Rio de Janeiro é a Beija-Flor de Nilópolis. A escola apresentou o enredo "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, baseado no livro de terror Frankenstein, de autoria de Mary Shelley, que completou 200 anos.
Na obra, um cientista dá vida a uma criatura construída com partes de pessoas mortas, tornando-se uma figura feia. No desfile, a figura foi usada para críticas a problemas sociais como corrupção e desigualdades.
Em uma disputa apertada, a campeã ficou apenas um décimo à frente da segunda colocada, a Paraíso do Tuiuti.
As escolas de samba foram avaliadas em nove quesitos: alegorias e adereços, bateria, fantasia, samba-enredo, comissão de frente, evolução, harmonia, mestre-sala e porta-bandeira e enredo.
Veja o resultado final da apuração:
1º Beija-Flor de - 269,6
2º Paraíso do Tuiuti -  269,5
3º Salgueiro - 269,5
4º Portela - 269,4
5º Mangueira - 269,3
6º Mocidade - 269,3
7º Unidos da Tijuca - 269,1
8º Imperatriz  - 268,8
9º Vila Isabel - 268,1
10º União da Ilha - 267,3
11º São Clemente - 266,9
12º Grande Rio - 266,8
13º Império Serrano - 265,6
 Com informações da Agência Brasil







O Carnaval pode ter  

 

disparado um gatilho social 

 

irrefreável. Por Gilberto Maringoni


É muito cedo para qualquer avaliação sobre o impacto de pelo menos dois acontecimentos de ontem na cena política, a Paraíso do Tuiuti e a ocupação do Santos Dumont. Tenho o péssimo hábito de pensar em voz alta, infernizar quem me é próximo com longas conversas telefônicas antes de opinar. Busco aqui algum diálogo com amigos do FB. Quem tiver paciência, please, opine.
1. Estamos em uma época de muita politização e pouca mobilização. Mas o desfile da Tuiuti e a ocupação do aeroporto carioca pelos foliões são eventos muito fortes.
2. Constituem-se em fenômenos diferentes. A exuberância e a imediata aceitação, adesão e difusão da conexão entre escravidão, golpe e reformas regressivas realizada na Sapucaí mostra que milhões de pessoas compreendem uma narrativa sofisticada.
3. Trata-se de ligações histórico-políticas que poucos – pensava eu – faziam. Agora não, todo mundo sabe e entende. Grilhões e reforma trabalhista, vampiro “neoliberalista” e patos da Fiesp, navio-negreiro e manipulação das pessoas formam um conjunto articulado. Nem mil cursos de formação política executariam o que a escola dirigida, entre outros, por Jack Vasconcelos, realizou quase em rede nacional.
4. A ocupação do Santos Dumont complementa as evoluções no asfalto. Embora com um contingente mais restrito de pessoas, combinou-se festa e ousada decisão. Tivemos aqui, de verdade, um gesto ruidoso de desobediência civil. Não passou na Globo com o destaque da escola, mas é também algo significativo;
5. Por todo o país, ações de folia e rebeldia no mesmo tom se reproduzem.
6. Ao mesmo tempo – e aqui é puro impressionismo – o apoio a Lula parece ter aumentado. Falo por mim e nada há de ciência nisso. Amigos das classes populares com quem há meses converso – vários eleitores de João Dória ou que torceram pela queda de Dilma – , decidiram votar no ex-presidente ou em alguém por ele indicado. Alguns afirmam terem decidido “com raiva”, ou “por vingança”.
7. Nenhuma das pessoas com quem converso acha Lula santo. “Roubou, e daí?” me diz um camelô. “Eu também não sou puro, faço das minhas”, emenda, para completar: “No tempo dele, comprei computador, TV da melhor, carro zero e tudo. Agora não posso gastar. Isso é o que interessa”.
8. Não escrevo por apoio a Lula – não é meu candidato no primeiro turno -, mas pelo fato de o petista encarnar uma vasta e difusa sensação de protesto.
9. É cedo para dizer que o jogo virou, mas os golpistas perderam a disputa de ideias e emoções na sociedade. Mas não tenhamos ilusões: seguem no comando por seus sólidos laços na superestrutura. Em bom português, nas instituições de Estado, em especial no Congresso e no Judiciário, além da mídia. O capital financeiro banca o jogo e contam ainda com um violentíssimo aparato de segurança. Vieram a serviço e não a passeio.
10. A única saída que têm é aprofundar o golpe. Num primeiro momento isso se traduz em prender Lula com máximo estardalhaço. Em seguida, obstruir cada vez mais os canais de participação existentes, criminalizar manifestações populares etc.
11. Resta saber se a direita tem unidade entre si para bancar o jogo pesado. Não conseguem fabricar um nome para outubro. Estão com sérios problemas para aprovar a reforma da Previdência. A disseminação da notícia – verdadeira ou falsa – de que Bolsonaro quer metralhar a Rocinha e a fragilidade de Luciano Huck, que não aguenta uma manchete desfavorável, mostra que a partida não é tranquila para o outro lado.
12. As próximas semanas serão definidoras sobre a prisão de Lula. Depois desses dias de folia, as incertezas para eles podem ter aumentado.O encarceramento talvez tenha consequências imprevisíveis. O carnaval pode ter disparado disparado um gatilho social irrefreável… sublinho a palavra “pode”.
(Não tenho muitas conclusões, pois o jogo está pelo meio. É delírio meu ou algo aqui tem nexo?)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Olha o Consórcio Cultural aí gente!


Caravana Arcoiris
Reunião do Consórcio com a Presença do Secretário da Cultura(ProfºLuiz Alberto)
1
Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
23/3/2008 · 231 · 13

A despeito de ainda não ter definindo por completo os objetivos finalísticos e nem o formato organizacional, o Consórcio Cultural do A. Franco e Adjacências já é quase realidade.

O lançamento público aconteceu em 29 de setembro de 2007, quando foi realizada a III Noite Cultural no Complexo Cultural “O Gonzagão”. 

O evento reuniu dezenas de artistas e grupos culturais emergentes, que se apresentaram para um público de aproximadamente 400 pessoas. Segundo o depoimento de algumas delas, foi possível relembrarem os melhores tempos em que o Gonzagão era uma casa de shows bastante concorrida. 

“Gostaria que a nova direção trouxesse de volta os shows que Joe Feitosa {produtor e radialista} realizava com Lairton e outros artistas. Eu vinha com minha mãe e irmãs, faz muito tempo que não venho aqui, gostei muito do que assisti na III Noite Cultural, mas sinto saudade do passado aqui, com Diego, Pholhas, Bandas de Forró”. (cf. Relatório de avaliação do público presente a III NOITE CULTURAL. – 29 de setembro de 2007).

A realização da noite cultural confirmou o que disse os dirigentes da Quadrilha Junina Asa Branca que afirmaram semanas antes: “A data de realização da noite cultural é para nos encontrar, comemorar sempre e deixar registrado em mossa memória como a noite da integração cultural do Conjunto Augusto Franco e Adjacências”. 

Em termos de gestação, o consórcio começa a se tornar realidade a partir das reuniões realizadas desde maio de 2007, quando assumimos a direção do Gonzagão, com a decisão de promover um modelo de gestão inspirada nos princípios da democracia participativa e do controle social – o que é lamentavelmente bastante citado em prosa e versos, mas pouco implementado efetivamente.

A idéia inicial foi a formação de um conselho gestor ou uma associação de amigos ou de usuários. Entretanto, devido às crescentes demandas para apoio financeiro e logístico aos artistas e grupos culturais da comunidade e adjacências, e em razão dos problemas de restrições orçamentárias e da necessidade de investir na capacitação técnica dos agentes culturais, na tentativa de acessar outras fontes de patrocínio, foi aceita a proposta de ampliar o raio de alcance das discussões e ações coletivas. 

A partir deste entendimento as reuniões não estariam voltadas apenas para tratar de assuntos internos do Gonzagão, mas também para aspectos referentes às políticas públicas de cultura, à divulgação de espaços/oportunidades para aprimorar o conhecimento na área de gestão e produção cultural, à realização de parcerias dos artistas e representantes de grupos culturais para ações conjuntas, dentro e fora do Gonzagão etc...

E muito foi feito neste sentido, como por exemplo:
* Realização de duas reuniões mensais (em média) envolvendo de 7 a 20 agentes culturais;
* Abertura do espaço do Gonzagão para o ensaio de quadrilhas juninas, grupos de teatro, bandas de forró e grupos de dança (sem burocracia e /ou má vontade);
* Realização de um cadastro de iniciativas culturais do Conj. Augusto Franco e dos bairros do entorno;
* Promoção de quatro rodas abertas de diálogo, encontros cuja metodologia inclui a apresentação de um especialista que apresenta um tema de interesse para quem está diretamente envolvido com o trabalho social educativo com linguagens artisticas - na seqüência é realizado um debate e para concluir uma apresentação artística relacionada ao tema. Como unir juventude e tradição cultural, para o qual foi convidado o professor José Paulino e que reuniu 30 pessoas no mês de julho. O legado de Luiz Gonzaga para o povo brasileiro,sob a coordenação do Professor José Augusto, com a presença de 100 pessoas. Como educar crianças e jovens para a paz utilizando as artes e a sabedoria ancestral, sob a coordenação da Caravana Arcoiris, com a presença de 50 pessoas, e Canudos ontem e hoje, sob a coordenação do Pesquisador Enock de Oliveira com a presença de 80 pessoas); 
* Participação em oficinas, videoconferência, fóruns etc.. organizados pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Ministério da Cultura, Ong Ação Cultural;
* Apresentação em slides do programa Mais Cultura do Ministério da Cultura para os integrantes do Consórcio Cultural com a presença de 20 integrantes do consórcio cultural;
* Palestra sobre o crediamigo do BNB (o banco financia a juros baixos grupos de 3 a 10 pessoas que desejem dinamizar seu empreendimento cultural. A reunião contou com a presença de 15 integrantes do consórcio cultural);
* Coleta de sugestões visando subsidiar o planejamento das ações culturais em 2007 e para o ano de 2008 no Gonzagão.

Como conseqüência positiva, dentre várias, tivemos:
• A apresentação pela primeira vez de projetos de captação de recursos para organismos governamentais por parte das duas quadrilhas sediadas no Conj. A. Franco (local onde está sediado o Gonzagão). A Quadrilha Luís Gonzaga apresentou projeto para o BNB, e a Quadrilha Asa Branca para a Sid/Minc;

• A criação do grupo cultural Asa Branca, cujos integrantes são jovens egressos da quadrilha junina Asa Branca e cuja organização foi bastante estimulado pelas discussões no Consórcio Cultural. Estreou na III Mostra Cultural e recebeu diversos convites para apresentações gratuitas e com cachê;

• Alguns artistas e grupos culturais passaram a ter a uma visibilidade ampliada em termos midiáticos (jornais, internet, agenda cultural da Secretária de Estado da Cultura);

• Tivemos também o convite para apresentações remuneradas a grupos de dança e grupos musicais que participaram e/ou participam do consórcio cultural.

Perspectivas de futuro.

No decorrer do ano de 2008 pretendemos encaminhar as discussões e organização jurídica da Associação de Amigos ou de Usuários do Gonzagão ou de um Conselho Gestor. A pretensão e criar uma instrumento de participação cidadâ voltado para as questões internas do Complexo Cultural, funcionará como um braço administrativo do Gonzagão e cujas potencialidades além do controle social, poderá servir como porta de acesso para realizarmos parcerias e obtermos patrocínios junto a organismos governamentais, empresas e terceiro setor.

Quanto ao consórcio cultural, pretendemos iniciar a discussão de um regimento interno buscando garantir e ampliar o espaço de articulação e mobilização para ações conjuntas envolvendo os agentes culturais que integram o consórcio e com possibilidades de expandir o raio de ação para além do atual território que compreende os bairros adjacentes ao Gonzagão.

Pedras no caminho 

É verdade que para atingirmos os objetivos que inicialmente estamos propondo, teremos que afastar muitas pedras do caminho. Em anos anteriores, já tivemos envolvimento com algumas iniciativas da criação de redes e fóruns que encontraram (e ainda encontram) bastante dificuldades e resistências para seguirem em frente.Podemos citar como exemplo a Rede de Agentes Culturais (RAC) estimulada pelo Sebrae, a organização da Rede Provai, apoiada pelo Vereador Magal da Pastoral (em seu primeiro mandato), e a Rede Sergipe de Cultura (iniciativa da ECOS -Entidades Culturais Organizadas).

Quanto às dificuldades e resistências, que ao contrário do que muita gente pensa, não é somente da parte dos poderes constituídos, vale a pena lembrar algumas delas registrados na Carta Cultural da Periferia, resultado do I Fórum Popular de Cultura, em 2005:
*É preciso ampliar a quantidade de grupos articulados, através de fóruns e redes para possibilitar maior intercomunicação;
* É preciso superar o estrelismo e o individualismo existente no meio artístico;
* Falta amor próprio e auto-respeito por parte dos artistas e produtores. Um exemplo disso é a falta de iniciativa de muitos artistas e grupos populares, que ficam apenas esperando o financiamento de projetos por parte do governo; 
* Sofremos muito com o imediatismo do próprio artista, reconhecemos que precisamos nos organizar mais, e o fórum é o caminho para essa perspectiva de um futuro melhor;
* Há necessidade de unir os grupos para fortalecer as ações culturais;
* A dificuldade principal é buscar pessoas competentes para trabalhar com cultura junto a crianças e jovens;
* É necessário ampliar os espaços e as oportunidades para se obter formação;
* Como conseguir incrementar projetos num ambiente avesso ao patrocínio cultural?
* Como enfrentar o descaso e a desvalorização dos órgãos culturais governamentais que valorizam mais o trabalho dos artistas de fora?

Para concluir, diante de tantos desafios só nos resta dizer como o poeta que: “sonha que se sonha só é só um sonho e sonho que se sonha junto é realidade”.

Portanto, a continuidade e sustentação do consórcio cultural será obtido a partir do desejo e do trabalho cotidiano de vários agentes culturais, grupos e entidades que compreendem que apenas com ações isoladas não obteremos sucesso duradouro. Oxalá, essa compreensão já esteja bastante clara para muitos e que através de ações coletivas, compartilhadas e com base em relações éticas e transparentes, seja possivel evitar aquilo que disse o Ministro Gilberto Gil, em discurso na Câmara dos Deputados em 2004: “(...) Há muitas iniciativas culturais que nascem, e na maior parte das vezes morrem, nas periferias e no interior do nosso país, sem que o Brasil possa se dar conta de quanto talento é capaz o seu povo..”