CANAL DA AÇÃO CULTURAL

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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Um bom exemplo para a arte na escola cidadã! Ricardo lança festival que incentiva arte e cultura nas escolas da Paraíba

 E pode ser ainda melhor. Com uma premiação mais estimulante, em forma de oficinas e cursos livres com profissionais qualificados, além de recursos financeiros para futuras produções dos grupos de alunos de melhor qualificação.

Seguindo o mesmo tom do que fazemos nas oficinas culturais do Ponto de Cultura Juventude e Cidadania
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Outro bom exemplo em SP, mas com problemas de retrocesso por conta do prefake. Mr. Dólar


VAI - O empurrão que a produção cultural na periferia de Aracaju e na região metropolitana precisa.
http://acaoculturalse.blogspot.com.br/…/o-empurrao-que-prod…


 
 sábado, 8 de julho de 2017 - 19:39 - Fotos:  Secom-PB/ Walter Rafael
O governador Ricardo Coutinho participou, na manhã deste sábado (8), do lançamento do projeto Arte em Cena: Festival de arte e cultura na escola, realizado no Espaço Cultural, em João Pessoa. Na ocasião, ele acompanhou apresentações culturais e assinou o edital do festival que visa estimular o interesse e a produção artístico-cultural entre os alunos da rede estadual de ensino, valorizando a arte como forma de crescimento social. A vice-governadora Lígia Feliciano, deputados, auxiliares do Governo e representantes das Gerências Regionais de Educação (GREs) participaram da solenidade.

O evento contou com apresentação teatral “Arte em cena: semeando talentos”, por alunos do grupo artístico Paraíba Sim Senhor, da Escola Cidadã Integral Técnica de João Pessoa, apresentação musical e o lançamento do Projeto Tô Ligado na Leitura que consiste em fortalecer as experiências e projetos de incentivo à leitura já implementados pelas escolas da rede estadual. Também houve a exibição do filme “Nunca me Sonharam” do diretor Cacau Rhoden.

“Educação não é só ensinar português, matemática ou qualquer outra matéria, mas sim tornar os alunos sujeitos ativos da sua própria história em busca da construção da cidadania. Esse caminho é feito através também das artes. Estamos aqui concretizando um sonho antigo que é, justamente, fazer um grande festival de artes na área da educação que hoje começa com essa empolgação, com grande participação de estudantes e gestores de todas as regiões”, observou Ricardo.
Ainda de acordo com o governador a educação na rede estadual de ensino na Paraíba está mais viva 

que nunca. “Nós construímos, reformamos e ampliamos diversas escolas, implantamos laboratórios, inclusive de robótica, apoiamos professores, investimos no Gira Mundo, no Prima, enfim, a escola estadual tem, sem dúvida, uma qualidade melhor”, pontuou.

O secretário de Estado da Educação, Aléssio Trindade, explicou que o Festival Arte em Cena é aberto para toda a rede estadual, sendo o tema deste ano Juventude: emoções, vivências e cultura de paz. “A ideia é que todos os anos a gente faça este festival, hoje estamos iniciando, com o lançamento do edital, todo este processo. No Festival existirão etapas regionais e depois a etapa estadual, cada escola e alunos com projetos nas áreas de música, poesia, produção de vídeo e outras manifestações culturais, vão poder concorrer entre eles. Aqueles projetos que forem melhor avaliados vão participar do ponto alto do Festival no dia 26 de setembro, onde haverá premiação para as cinco linhas artísticas do projeto”, concluiu.

“É importante essa união entre as secretarias da cultura e da educação para tornar a escola estadual mais atraente para o aluno. Através da política da leitura e cultura é possível que a gente avance no conhecimento. O objetivo é que o Governo consiga fomentar mais a área da formação dos estudantes, para termos bons resultados na cultura e na educação”, destacou o secretário de Estado da Cultura, Lau Siqueira.

O lançamento do Festival reuniu cerca de 500 alunos das escolas estaduais de ensino médio, 

localizadas nas 14 Gerências Regionais de Educação. O estudante Luiz Amaro de 17 anos, participou da peça teatral que abriu o evento e comentou sobre a importância do incentivo à cultura nas escolas. “Eu estudo na Escola Técnica de João Pessoa e lá tem bastante inclusão das artes e da cultura na realidade escolar. Somos incentivados a buscar novos campos culturais que venham a contribuir com nosso desenvolvimento e este projeto é um exemplo disso”, falou.

Larissa Alves participa do Projeto de Inclusão Social através da Música e das Artes (Prima) do polo do Alto do Mateus, em João Pessoa. Ela expressou o sentimento de gratidão e felicidade em poder se apresentar no lançamento do Festival. “Estou muito feliz em poder cantar na abertura desse festival que já é uma das ações mais importantes para o desenvolvimento da cultura nas escolas estaduais”, comentou.

domingo, 10 de setembro de 2017

Conversas com quem compreende ou com quem quer compreender o papel da arte e da cultura para diminuir o "mal estar" na escola pública

Falam duas alunas! De escolas diferentes onde trabalho. 

Uma delas disse que os projetos culturais realizados na escola, são muitos reduzidos e limitados em termos de formação, pois não provocam os alunos para irem além da aparência de uma apresentação de danças bonitinha, por exemplo. 

A dança que deveria provocar investigação ou pesquisa sobre o povo que a criou, e sobre outras questões que conectam estética e reflexão, buscando levar os alunos a conhecerem mais sobre as diversas culturas e sociedades, na maior parte das vezes, não passam de uma mera atração para uma festa “pedagógica” na escola, com algum toque de pesquisa ou reflexão, às vezes nem isso. 

Perguntei a esta: E as oficinas culturais do ponto de cultura juventude e cidadania foram boas para você? Sim, me respondeu, foi através delas que pude fazer as comparações que me levaram mais rapidamente a estas conclusões. 

Concluí a conversa dizendo: E ainda estamos pouco satisfeitos com o que fazemos. Imagine se estivéssemos realizando pelo menos 50% do que acredito que seja um trabalho com arte-educação, arte-terapia e educomunicação.

A outra disse que na passagem pelo ensino médio, sentiu falta do protagonismo do estudante, percebeu que o ambiente da escola era todo controlado para domesticar o aluno, visando não torná-lo critico e consciente, mesmo com a frase pintada no muro da escola.

Também sentiu falta da história e da cultura de Sergipe, disse o quanto isso representa um “desastre”, para a maioria dos seus colegas, imersos em uma alienação preocupante sobre a(s) identidade (s) cultural (is) sergipana e o sentido de pertencimento.

E SE TODAS AS ESCOLAS FOSSEM PONTO DE CULTURA? https://www.youtube.com/watch?v=v0loiEROLRE

E SE TODOS ESTUDANTES FOSSEM OUVIDOS E APOIADOS EM SEUS ANSEIOS MAIS PROFUNDOS E VERDADEIROS, ALÉM DE SEREM PROVOCADOS A QUERER IR MAIS ALÉM? http://www.videocamp.com/pt/movies/nuncamesonharam

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Quando a arte é “liga” para a criação, amizade e união.

O encontro de cerca de 15 adolescentes durante 8 meses para pensar e realizar audiovisual deixou uma marca indelével, ou que não se pode destruir ou apagar. Mesmo decorrido cerca de um mês da finalização da oficina, recebo via zap ou facebook a pergunta se haverá a oficina de audiovisual neste sábado pela manhã (09/09/2017).

Dentre os elementos que percebi como força propulsora deste “eco”, lembro os dias de chuva em que muitos chegaram antes do horário inicial, a pouca quantidade de aprendizes atrasados, a baixa evasão, a alegria de estar presente, os pactos com as mães para chegar no horário ou para não deixar de fazer as tarefas domésticas na sexta a noite ou no sábado bem cedo.

Para não se perder o contato e este fogo criativo e de amizade, manteremos encontro de aprofundamento sobre a produção de roteiro, edição e etc., faremos sessões do Cine Realidade e aulas passeios para fotografar e filmar.

Essa mesma “liga” pode ser dito a respeito da turma do teatro, formado por gente de menor idade, crianças e pré adolescentes.

Com essa experiência das oficinas culturais na escola, ficou claro o poder educativo, terapêutico e de comunicação que a arte pode proporcionar. Sem reduzi-las apenas a este papel ou independente das nossas intenções mais educativas, curativas ou comunicacionais. 

Em outras palavras, sem adjetivos ou rótulos, como arte-educação, arte-terapia ou educomunicação, porque a arte tem disso tudo e um pouco mais. Independente das nossas segundas ou terceiras intenções. 

Quem dera pudesse mais dirigentes políticos e gestores compreender isso, e destinar os recursos necessários para que a arte não seja feita como resto ou com aquilo que sobra, como improviso, apenas por pessoas de bom coração ou bem intencionadas, como vemos comumente.

Porque, é preciso darmos saltos de criatividade, consciência e de beleza. Não é possível nos contentarmos com a arte “cover” que vemos em muitos casos, cópia boa ou mal feita das músicas e das danças de sucesso na televisão e/ou na internet. 

Daí a nossa defesa para que se considere prioritários, os recursos necessários para remunerar profissionais capacitados e para garantir a estrutura mínima necessária. 

Falo assim, porque percebemos que com o redução criminosa dos investimentos na área social, não demorará para algum canal de televisão vir com apelo as “boas almas” de artistas, independentes de suas limitações e fragilidades, para que doem seu conhecimento, talento e experiência para colaborar com milhares de iniciativas culturais comunitárias , as quais ficarão com menos ou nenhum recurso governamental, ainda mais reduzidos ou cortados.

Claro que o voluntariado sempre houve e haverá. Claro que o voluntariado faz a diferença na maior parte das exitosas iniciativas culturais comunitárias. Claro que o voluntariado é necessário. Porém o voluntariado será sempre insuficiente para darmos saltos de qualidade estéticos e pedagógicas, e reitero, porque sem combinar pessoas remunerados com pessoas voluntárias , não faremos arte nas comunidades que nos surpreenda, que nos espante, que nos deslumbre. 

E sobretudo, que possam garantir um superávit de conhecimentos que possa permitir a continuidade e evolução das iniciativas comunitárias, afim de ocupar os espaços de prestigio e de circulação cultural, assim como perspectivas de inserção produtiva dos meninos e meninas participantes dos “projetos” culturais comunitários.

Para exemplificar o que escrevi acima, deixo abaixo uma das produções da oficina de audiovisual 2016 e 2017. Mais na frente outras estarão sendo disponibilizadas.

Gratidão a todxs que participaram direta e indiretamente.

Como os educadores/oficineiros foram citados de forma subentendida no texto acima, lembre-mo-nos dos seus nomes também, já que este artigo pretende ser uma forma de homenagem a estes profissionais que estudam continuamente e que acumulam experiências de sucesso em sua trajetória profissional. 

Um indicador disso, são os percursos da maioria dos que trabalharam conosco, com trabalhos produzidos e realizados em outras cidades e estados do Brasil, assim como no exterior. 

Audiovisual – Marcel Magalhães, Juliana Almeida e André Aragão.
Teatro – Eduardo Freitas, Gracinha Oliveira e Tania Maria.
Dança - Cristiane Anjos e Tiago Sitineta
Grafite - Alef Bruno
Rap - David Santos, Vanderson Brown e Wilian Silva

Para saber mais: 

Informativo Ação Cultural – Ano 11 (2016/2017) – Numero 10 – Tiragem 2000 exemplares
http://acaoculturalse.blogspot.com.br/…/informativo-acao-cu…


Zezito de Oliveira - coordenador pedagógico das oficinas culturais juventude e cidadania.

Voa Passarinho - MC César Levines https://www.youtube.com/watch?v=qpgFq5m6N20



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Oh! Cride, fala pra mãe. Avisa pros secretário de educação de Sergipe, Jorge Carvalho do Nascimento e de Cultura João Gama. Quem for de outro estado, pede para avisar aos outros secretários também.

O que o governo da Paraíba fez e que o governo de 😉Sergipe não faz. Ou quando só falamos de protagonismo juvenil. Só falamos........


E pode ser ainda melhor. Com uma premiação mais estimulante, em forma de oficinas e cursos livres com profissionais qualificados, além de recursos financeiros para futuras produções dos grupos de alunos de melhor qualificação.


Seguindo o mesmo tom do que fazemos nas oficinas
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VAI - O empurrão que a produção cultural na periferia de Aracaju e na região metropolitana precisa.
http://acaoculturalse.blogspot.com.br/…/o-empurrao-que-prod…

A Secretaria de Educação da Paraíba organizou uma exibição pública do documentário Nunca Me Sonharam, reunindo 600 jovens de instituições de ensino da região. Eles puderam discutir sobre a situação da educação no Brasil a partir da perspectiva do ensino médio público.
A sessão ocorreu em virtude do lançamento de um edital de arte e cultura para todas as escolas de Ensino Médio do Estado. Além disso, autoridades políticas, como o Governador e secretariado, estiveram presentes.
É sempre gratificante saber que auditórios estão sendo lotados em torno de temas atuais de extrema importância social. Para conhecer nosso catálogo de filmes transformadores, acesse: videoca.mp/4xsbcB

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Zezito de Oliveira
Qual o motivo principal do aumento da violência e agravamento da “guerra civil” que assola o país?
Muitas pessoas, mesmo as que tem acesso a informação e que tem escolaridade de nível superior , são levadas a acreditar que o problema disso acontecer é a falta do acesso da população ao porte de armas. Portanto, o principal culpado por essa situação é o estatuto do desarmamento.


Para também justificar esta e outras mazelas de fundo econômico e social, o discurso conservador utiliza a resposta da irresponsabilidade dos pais, da falta de "Deus" no coração das pessoas, da desestrutura familiar, da falta de interesse das crianças e jovens pelo estudo, da falta de respeito dos mais novos pelos mais velhos, da "preguiça" dos brasileiros, do orgulho de quem não quer trabalhar, nem que seja por um prato de comida e etc.

Essas respostas não relacionam estes problemas ou consequências com a politica econômica em vigor, principal geradora do quadro de violência que assusta a maioria dos brasileiros na atualidade. Quando muito, fazem relação com as questões da corrupção e/ou desperdício dos recursos públicos. E mais, corrupção e desperdício que só acontecem com os "políticos". No poder judiciário e nas forças armadas não tem disso não.

Na falta do trabalho de base com arte, comunicação e educação popular, o discurso midiático e religioso predominante, principais disseminadores desse tipo de “doutrinação” faz prevalecer esse tipo de visão, preparando o terreno para o crescimento do fascismo, através da eleição de tipos como Trump, João Dória, Bolsonaro e cia.

Para problematizar a resposta a primeira pergunta, apresentei um dado para o colega que apresentou o estatuto do desarmamento como o “responsável” pelo aumento da violência. A taxa de desemprego atual maior do que o pico registrado na época de FHC.

Ainda complementei, se mesmo em uma economia com pleno emprego nos deparamos com o problema de furtos e assaltos, o que dirá com o numero de quase 14 milhões verificados atualmente.

Lembrando: A questão do emprego não é suficiente para “zerar” o numero de furtos e assaltos, mas possibilita uma queda bastante expressiva. Para diminuir isso ainda mais, além da geração de empregos, faz-se necessário mais investimento na educação integral, com ampliação do acesso qualificado a cultura a ao esporte.

Tudo isso combinado gerará beneficio também para o campo da geração de empregos e renda, considerando o potencial gerador de riqueza que a cultura e o esporte possuem, além do potencial gerador de melhoria da aprendizagem, saúde e segurança, que a cultura e o esporte possuem, quando combinados com a educação.

Como convencer a maioria da sociedade a respeito disso? Como concorrer com a maioria dos programas sensacionalistas e de entretenimento idiota, da maioria das emissoras de rádio e televisão. Como fortalecer os segmentos progressistas das igrejas que apóiam os argumentos apresentados acima?

Dessas respostas depende o não agravamento dessa situação, com a eleição de candidatos com pensamentos autoritários, racistas, machistas, homofóbicos, anti-democráticos e violentos.

 20 de agosto 

Se é verdade que temos um rico potencial cultural, basta ver o que foi compilado por Silvio Romero no final do século XIX, no campo da cultura popular. É verdade também que nos falta enquanto sergipanos um sentimento e um projeto de sociedade mais coletivo e mais generoso. E isso atua como uma "bomba" permanente contra a preservação e desenvolvimento de nossa cultura.

Os ditados populares “farinha pouca meu pirão primeiro”, “em terra de Muricy cada um cuida de si”, “em terra de cego que tem um olho é rei”, são muitos potentes em nosso território. Em outros estados e regiões do Brasil, não é muito diferente, mas a sua concentração em nosso rincão talvez seja demasiada. 

Falta visão de futuro a maioria de nossos políticos, visão de futuro com sentido de incluir e de pertencer , como constatamos no saudoso Marcelo Déda, apesar dos limites. Falta-nos, enquanto sociedade e poder público, perceber o potencial de desenvolvimento humano, social e econômico da cultura.

Falta-nos capacidade empreendedora para pensar a cultura "menos como uma senhora doente que tem de ser protegida para não morrer e mais como uma adolescente criativa que tem de ser estimulada a viver." Como disse o cineasta e jornalista Arnaldo Jabor, em um artigo escrito para a Folha de São Paulo no ano de 1996.

Um recorte, talvez um resumo, da conversa que tive com a atriz e cantora sergipana Tânia Maria após a edição de mais um encontro da oficina de teatro infantil do Ponto de Cultura Juventude e Cidadania, no dia 19/08/2017. Agradeço a indicação do filme “Lampião Revisitado” que em forma de obra de arte, reitera o que está escrito acima e acrescenta.

Toda a nossa contribuição como cidadão e agente cultural ao movimento profasc (pró retomada do festival de arte de São Cristóvão)nos anos de 2010/2011, foi realizada pensando na perspectiva acima. A expectativa é que a retomada do festival, prevista para dezembro deste ano possa avançar com esse vetor.

Um bom sinal para isso, pode ser a participação de representantes ligados a produção artistica e cultural na cidade, para discutir o formato da programação. Lembro em minhas idas a Recife nos anos 2000, ter me alegrado por saber que a prefeitura da cidade na gestão do prefeito João Paulo(PT), fez isso com relação ao São João e ao Carnaval. Lamentavelmente, as gestões de Marcelo Déda como prefeito e como governador, ficaram devendo com relação a este aspecto da participação popular na gestão cultural. 

Percebem como isso é um dos fatores que explicam a força da cultura pernambucana? Porque não basta ter uma cultura popular forte, tão somente. 

Reiterando o que escrevi em outro post: “Tudo pelo povo, mas com o povo. Se este não for protagonista, os direitos politicos, econômicos, sociais e culturais, podem ser perdidos como o roubo do picolé da mão do menino pequeno. A arte e a cultura podem colaborar para o protagonismo popular, porém é preciso um projeto de poder comprometido com outra cultura politica ”

Lampião Revisitado

  



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Circulando por diversos territórios de nossa cidade partida, no dia de ontem, sábado, 26/08/2017, periferia, centro e zona sul. Construindo ou reforçando pontes ou viadutos no plano cultural, a começar por dentro de mim.

De manhã no Conj. Jardim acompanhando o último ensaio/encontro da oficina de teatro do Ponto de Cultura Juventude e Cidadania, nesta fase da parceria com a Secult-Se e MINC.


Pela tarde, fazendo uma visita rápida a oficina de RAP e acompanhando 5 meninos (as) para assistir a estréia nacional de “Filme de Cinema", no Cine Vitória. São egressos da oficina de audiovisual já encerrada, mas retroalimentada através de ações como essa.


A noite na Reciclaria, espaço cultural alternativo localizado na zona sul de Aracaju ,assistindo ao show do excelente The Baggios, com a participação de Joésia Ramos, Patricia Polayne e Alex Santana, outros excelentes artistas sergipanos convidados. Com direito a Fora e Morra Temer! Mas sem a resposta magnifica que veriámos em outros locais, por razões óbvias. 


Este última ação, na companhia da amada companheira. Revejo pessoas legais conhecidas, vejo muitas que não conheço e até uma pessoa que me conheceu nos tempos de jovem, lá pelas bandas do Bairro América, como ativista social e cultural nos idos dos anos de 1980 e 1990. Esta pessoa morou fora de Aracaju durante um bom tempo. 


Isso de circular por diversas territórios da "cidade partida", na feliz expressão do jornalista e escritor carioca Zuenir Ventura, começa antes do bairro américa e merece texto a parte.


Nossos agradecimentos especiais a amiga Maria Rosali que colaborou com a cessão dos 5 ingressos para o Cine Vitória. 


Quem for parceiro do Cine Vitória por meio do cartão fidelidade e quiser colaborar com doação de ingressos, estará participando desse esforço de aproximar os Brasis.


E assim, vamos fazendo desse lugar um bom país, esperando a mudança dos ventos de Brasilia, Mas que não mudará se não começarmos a fazer isso em nossos bairros e cidades.


Quem foi citado direta ou indiretamente aqui nesse texto já faz isso. Lembrando um poema de Fernando Pessoa 


“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”






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A arte como canal de cura, além de canal de entretenimento, comunicação e educação. 

Uma música que fala sobre isso, embora com sutileza. “A cura” de Lulu Santos. Sugerindo como uma das questões fundamentais para a cura pessoal e coletiva, a idéia de que precisamos começar a construir o céu, ou um mundo melhor, aqui e agora, para merecermos o que vem depois. No plano da história e/ou para além.

Trazemos abaixo, também dois textos testemunhos sobre a aplicação prática disso. 


“Enquanto isso
Não nos custa insistir
Na questão do desejo
Não deixar se extinguir
Desafiando de vez a noção
Na qual se crê
Que o inferno é aqui”


https://www.youtube.com/watch?v=SUB4bBqqdzk

O GRAFITE, A DANÇA E O CANTO QUE FAZEM BEM
No mundo de hoje temos sempre que pensar duas vezes o que queremos na vida. Participar da oficina de grafite foi uma das escolhas que fiz no ano de 2016, porque acho bonito como grafiteiros entendem o mundo, como expressam o que sente ou o que está passando no mundo. Amei as aulas práticas, quando preenchemos o dia fazendo aquilo que gostamos, sendo tão bom que me sentia como se estivesse em outro mundo, de tão relaxada que me senti. Livre de tudo e de todos. Sem mais palavras para explicar como foi essa experiência.


Rayane Leite Santos - Aprendiz da oficina de grafite do Ponto de Cultura Juventude e Cidadania/Ação Cultural .

Na roda de danças circulares que focalizei na última sexta-feira (14/08/2016) no municipio de Macambira (SE), uma das senhoras participantes me falou que tinha lembrado dos versos da Ciranda da Rosa Vermelha, porque cantava os mesmos trabalhando na roça. Interessante perceber a música e a dança como fonte de revival da memória, ao mesmo tempo lembrando a canção como parte de um momento que a mesma foi utilizada como fonte de apoio para enfrentar a dureza do trabalho.

Zezito de Oliveira - Educador e Agente/Produtor Cultural


A CURA-LULU SANTOS-VIDEO ORIGINAL-ANO 1988 ( HQ ) [ HD 

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 Educação

Deu tudo errado, a educação não é mais a saída e o que sobra é a resistência

por Denise Silva Macedo* — publicado 08/07/2017 08h00, última modificação 04/07/2017 11h41
O professor é hoje um profissional derrotado economicamente, politicamente, ideologicamente
FotosPúblicas/Camila Souza


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Cérebros ou nádegas. Quem não tem dinheiro não estuda. Se tudo der errado. As últimas pérolas dos mercadores e dos compradores da educação alienante no Brasil. Um professor da Unicamp, um deputado, alguns alunos do ensino médio.

 Quem são esses personagens de um cenário educacional mais amplo bastante preocupante? Apenas alguns dos muitos que atacam o sistema de cotas nas universidades públicas, que defendem que essa mesma universidade se destine a quem pode pagar por ela e que acreditam no sucesso material e na bobagem da meritocracia.

Instituições, como escolas e universidades, públicas ou privadas, não existem no vácuo, mas em contextos sociais muitas vezes graves e confusos, os quais ela vem, perigosamente, reproduzindo. 

Há sete anos, venho estudando os impactos desses contextos nessas instituições que, em princípio, deveriam ser o refúgio e a defesa da ética, da estética, do saber, do conhecimento desinteressado – como defendia Nietzsche –, das discussões produtivas, da descolonização do saber, do cultivo da visão e do fazer coletivos e, no caso brasileiro, da identidade da América Latina. Em princípio...

Nesta contemporaneidade, abrem-se escolas de princesas, contratam-se pedagogos como babás, configura-se o ensino superior como um ensino médio um pouco melhorado, diretores de escola apoiam o escola sem partido, o governo pós-impeachment estabelece um teto cruel à educação por 20 anos, pais terceirizam seus filhos para escolas que já têm até lavanderias, coachs e plataformas importadas tomam o lugar do professor com seus discursos vazios.

Em épocas de ultraneoliberalismo, pais viraram clientes, alunos são preparados para o vestibular desde o 1º. Ciclo do Ensino Fundamental, professores viraram produto e abaixaram suas cabeças rapidamente, muitas vezes, sem sequer perceberem a própria desvalorização. 

Os sindicatos se enfraquecem vertiginosamente, sob políticas trabalhistas desfavoráveis e em uma inação que aumenta as dificuldades dos professores em resistirem ao massacre. A visão crítica agoniza; a visão coletiva vira utopia; o questionamento foi substituído pelo simpático consentimento mudo, vazio e covarde.

O professor é hoje um profissional derrotado economicamente, politicamente, ideologicamente. Muitos tentam resistir, mas, como em tempos imemoriais, sequer são entendidos naquilo que defendem. 

Milton Santos já disse que o intelectual é o ator social mais oprimido no Brasil, e Darcy Ribeiro já revelou que a crise na educação do Brasil não é uma crise, é um projeto ideológico.

As peças do jogo educacional se encaixam, na prática e na teoria. Como chegamos até aqui? De vários modos. Um deles foi e é a falta de questionamento.

 Como disse Cornelius Castoriardis, o problema da condição contemporânea de nossa civilização moderna é que ela parou de se questionar. Não formular certas questões é extremamente perigoso, mas o sistema se estrutura de modo a mostrar que fazê-lo também o é. 

 Está criado o jogo de tensões entre os silenciosos e os questionadores. Todos pagam um preço, o de perderem a dignidade ou de causarem estranhamento, o qual deveria ser desejável na educação, mas não é. 

Não é porque esse projeto ideológico de que fala Darcy Ribeiro garantiu gerações e gerações de professores, mesmo mestres ou doutores, acríticos, formatados em cursos superiores, públicos ou privados, voltados para a técnica e para o mercado.

No outro lado desse mundo como perversidade, a mídia oficial ajuda muito no processo de decadência ética, intelectual, crítica. 

Tira proveito e provoca, dialeticamente, a pocotização de muitos, como adjetivou Luciano Pires, desviando as atenções das questões realmente importantes: anestesia milhões de telespectadores, a cada dia, com a exposição da violência; transforma algumas das pessoas mais estúpidas em celebridades; dita rumos políticos; tira do debate o que convém ser tirado e decide qual será o assunto do dia, no café da manhã, no almoço e no jantar.

O desconhecimento histórico e social do que as cotas e outros auxílios já fizeram a estudantes universitários e suas famílias, a falta de ética secular da política brasileira e o pensamento elitista e falacioso da meritocracia da classe média rondam o cotidiano educacional no Brasil. Perpetuam Paulo Freire: “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor.” 

Entram nas engrenagens sociais, alcançando universidades, onde já há alunos de pós-graduação, mestrandos e doutorandos, querendo ser príncipes e princesa, no que parece ser um processo de disneilandização sem volta.

Darcy Ribeiro disse que tentou fazer uma universidade séria e fracassou. Sim. Neste momento, ninguém poderia consolá-lo. Em várias escolas e universidades, públicas e privadas, muita coisa deu errado.

 O modo como muitos adolescentes chegam e saem do ensino médio explica parte desse fracasso. A educação, ao que tudo indica, não é mais a luz no fim do túnel, sempre duramente atacada pelo próprio Estado. 

Ela segue reproduzindo e reforçando, dialeticamente, a violência e a exclusão social. A saída é nos lembramos de como Darcy Ribeiro completa o próprio pensamento, “Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”, e ficarmos sempre atentos a de que lado estamos.



Cultura além do consagrado

O Brasil mudou e mudou também a forma de ver e fomentar a cultura, incluindo aí tudo que se produz, desde o artesanato até os grupos tradicionais de forró, passando pela união de forças entres descendentes de quilombolas e pomeranos no Sul do país.


Em Janduis (RN) ponto de cultura “Em Cena Ação” durante espetáculo
Em Janduis (RN), ponto de cultura “Em Cena Ação”, durante espetáculo
Foto: Divulgação



Falar sobre Pontos de Cultura – capítulo importante do programa Cultura Viva do Ministério da Cultura – sempre rende conversas longas, relatos variados e conclusões diversas, mas há um consenso: a experiência pode mesmo fomentar o que já existe e estimular o surgimento de variadas formas de expressão cultural do Brasil.

De 2003 a 2009, foram 7 mil projetos financiados em mais de duzentos editais públicos – que antes não existiam. É nesse contexto que nasce o programa e os pontos, tendo como pano de fundo a diminuição da segregação social no país, multiplicando os espaços e as chances reais de milhões de pessoas.

Condição para ser um ponto de cultura é estar em rede, a fim de trocar informações, experiências e realizações. Segundo as regras publicadas no site do MinC, organizações e entidades interessadas “devem solicitar a criação da rede de Pontos de Cultura ao MinC, indicando o número de pontos a serem selecionados (uma rede é constituída por, no mínimo, quatro Pontos) e dispor de contrapartida financeira mínima de um terço do valor total do convênio a ser firmado”.

Mas o ponto não tem um modelo único, nem exige instalações físicas, programação ou atividade. Um aspecto comum a todos é a transversalidade da cultura e a gestão compartilhada entre poder público e comunidade.

A diversidade brasileira

Os exemplos são variados, já existe bibliografia sobre o tema, que também é objeto de teses acadêmicas. O programa possibilitou, em um dos exemplos mais citados, Vídeo nas Aldeias, o desenvolvimento de um projeto de inclusão digital de aldeias indígenas. Instituído desde 2005, esse ponto conseguiu colaborar com a formação de cineastas, roteiristas, diretores e editores índios. “O índio na frente e atrás das câmeras”, explica Vincent Carelli, realizador desta ação. É a continuidade da cultura tradicional por meio da utilização de técnicas e ferramentas digitais.

  

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva explicou os Pontos de Cultura como “espaços permanentes de experimentação, encanto, transformação e magia”. São produtores de conhecimento, do moderno ao tradicional, englobando tudo que se possa alocar debaixo do guarda chuva da diversidade.

Gilberto Gil, ex-ministro da Cultura, falava que os pontos eram “uma espécie de ‘do-in’ antropológico, massageando pontos vitais, mas momentaneamente desprezados ou adormecidos, do corpo cultural do país”.

Para além da experiência de criar políticas de Estado, são resultado dos debates ocorridos na preparação da campanha presidencial de 2002, que culminou em momento importante da história do avanço das políticas culturais.

 A ação do MinC muda o foco, levando em consideração que em cada lugar remoto do país existe quem crie cultura de alguma forma e por isso o Estado deveria reconhecer e dar sustentabilidade ao que já exista, porém até aquele momento, desprovido de qualquer apoio.

Em 2003, Célio Turino levou sua experiência na Secretaria de Cultura do município de Campinas (SP) para a Secretaria de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura. Entusiasta e um dos responsáveis pelo início de tudo, Célio desenha uma equação para explicar os pontos: PC = (a + p”) = E. Traduzindo: ponto de cultura é o resultado da soma autonomia mais protagonismo elevado à potência, ou seja, é igual a empoderamento/emancipação. Muito mais do que só cultura.

Em 2004 havia R$ 5 milhões para os pontos de cultura. Esse valor passou a R$ 55 milhões em 2005, graças a uma emenda parlamentar inédita em termos de investimento na área. O primeiro edital conveniou 210 inscritos, passando a 400, em 2005; 700 em 2006; mais de 2 mil em 2007, e em 2011 são mais de 3 mil conveniados pelo Brasil afora, atuando em redes sociais, estéticas e políticas. Segundo os cálculos de Turino, são 8 milhões de pessoas envolvidas ao custo mensal de R$ 5 mil.

No Almanaque Cultura Viva, editado pelo MinC, com o balanço das ações do programa, na apresentação o então ministro Juca Ferreira escrever que “o governo compreendeu que a Cultura é uma ferramenta poderosa para a redução das desigualdades e para a universalização de conquistas de qualidade de vida, permitindo ao cidadão comum o desenvolvimento de suas capacidades, da inventividade e do senso crítico. Estratégica para a economia, tanto na participação do PIB nacional, quanto na inserção global do país no mercado internacional”.

Redesenhar o programa

Marta Porto foi secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC até o dia 1º de setembro. Sua demissão estava em vias de ser anunciada oficialmente quando finalizamos este texto. Mas antes disso, ela e sua equipe ficaram dois meses trabalhando e discutindo as soluções de problemas e a ampliação do programa Pontos de Cultura.

Em setembro será divulgado o resultado da segunda fase do termo de cooperação assinado com Ipea, englobando estudos sobre os pontos de 2008 a 2010. O levantamento foi feito diretamente com os pontos e a partir das respostas obtidas será apresentada proposta de andamento do programa.

Marta havia adiantado o compromisso e prioridade para os temas voltados para questões da gestão administrativo-financeira dos pontos e acelerar a força tarefa, que já está trabalhando, para colocar em dia as prestações de contas com problemas, e assim finalizar os pagamentos pendentes.

A então secretária, que integrou o conselho consultivo do programa Cultura Viva em seu começo, falou que, do ponto de vista político, o governo federal espera introduzir em todas as suas áreas ações de combate à miséria, que é o carro chefe do governo Dilma. E a cultura não fica fora disso.

“Em conjunto com outros programas, de outros ministérios, vamos atuar no fortalecimento dos pontos de cultura como espaços nos quais os agentes culturais são protagonistas que podem articular políticas setoriais”, explicou Marta, ponderando que há uma variedade imensa de pontos de cultura. O próximo passo será fazer levantamento de toda tipologia existente entre os pontos.

Redesenhar o programa, assim Marta Porto descreveu o futuro dos pontos. “São três compromissos básicos: definição do que fazem os pontos e sua atuação, política de fomento mais apropriada, levando em conta as características regionais e dos projetos de forma a pensar alternativas de sustentabilidade, além da implantação real do pacto federativo são apresentados por Marta como o que virá para o futuro. E, também, a consolidação de legislação para garantir as iniciativas que expressem a diversidade nacional”.

O programa Cultura Viva fica com R$ 80 milhões dos R$ 800 milhões do orçamento do MinC. Foi feito investimento nas regionais e contratação de mais dois profissionais por região para acelerar os processos. Além de ampliar e implantar novos pontões a partir de ação conjunta com estados e municípios, o MinC pretende lançar novas redes e vem atuando em ações interministeriais. Nesse sentido, Marta anunciou várias atividades e editais com as secretarias de Direitos Humanos, de Juventude e de Políticas para as Mulheres.

Demanda da sociedade

O Coletivo Digital, grupo de São Paulo, foi idealizado no final de 2004 para levar adiante a experiência de seus integrantes nas áreas de inclusão digital, disseminação e utilização do software livre, e do conhecimento colaborativo.

Os jovens do Coletivo Digital contam que o surgimento dos pontos de cultura, em 2003, foi resultado de pressão para que o governo investisse no que já estava em andamento, apoiar o que já acontecia, respeitando a diversidade brasileira. A gestão de Gilberto Gil apostou nas “pequenas” ações culturais, fazendo o país descobrir várias experiências, do rock ao candomblé.

Ponto de cultura parte do princípio que se o governo investe, fazendo girar o ecossistema cultural das comunidades, gera cultura e público. O pessoal do Coletivo Digital vê os pontos de cultura “como resultado das demandas da sociedade civil e da coragem de Gil, que entrou no ministério para comprar brigas”. Mas relatam problemas, como atraso no repasse das verbas, dificuldades nas prestações de conta e, com o início da atual gestão, pouco acesso aos gestores no MinC. Para o Coletivo, o ministério precisava avançar na continuidade do projeto e também encaminhar questões que são caras ao movimento de cultura. Entre eles, a reforma da Lei Rouanet e o projeto de lei de direitos autorais, que ainda não foi apresentado.

O livro mais recente de Célio Turino, “um radical, utópico e comunista”, como ele mesmo se define, “Ponto de Cultura – O Brasil de baixo para cima”, apresenta uma sensível radiografia de como são e o que fazem os pontos de cultura de Norte a Sul, de Leste a Oeste, exemplos variados e que de fato “des-silenciam” os facetados brasis que se espalham pelo enorme território nacional.

Um livro que emociona pela simplicidade do relato e pela profundidade do significado da ação dos pontos, que podem ser pautados pelos interesses e cultura indígena, de idosos, culinária, religião e até manicômios. Os pontos, para Célio e outros entusiastas, provam que a cultura é diversa e não tem cercas.

Além de escrever (e muito) sobre pontos de cultura, Turino tem sempre o que contar. Entre exemplos da vida real, como do nada um grupo ergue um super projeto que atenda a juventude nas periferias, ou como idosos encontraram em um ponto a forma de mostrar à comunidade sua vida, dá também a receita de como resolver os problemas administrativos do projeto.

Além de serem espaços de continuidade cultural, de construção ou aglutinação de pessoas e ideias, Turino também defende que os pontos têm dimensão econômica e cita como  exemplo o Vale do Araripe, Ceará, onde a pré-história, as pinturas rupestres e os fósseis fazem  parte da vida da comunidade. A movimentação é grande, os jovens produzem de música a exposições e para a economia da cidade, com a demanda de turistas, também gerou dividendos para Nova Olinda.

Para ele, seria simples dar continuidade ao projeto dos pontos. Lembrando que há problemas somente em 15% do total do projeto, Turino defende a proposta de algo como o programa bolsa família. “Os pontos são como as famílias que o Estado deve amparar. Um cartão de micro financiamento, com prestações de contas a partir dos resultados e não da burocracia procedimental”, propõe.

Ocupando a América Latina

Há dúvidas sobre como ficarão os pontos de cultura, mas isso é só no Brasil, porque outros países da América Latina, como Guatemala, Costa Rica, Argentina e Peru, já estão colocando o projeto em ação.

Billy Ochoa, gestor cultural comunitário do Colectivo Caja Lúdica, da Guatemala, relata com animação a construção da proposta para fora do Brasil. “Estamos iniciando esta construção na Guatemala e na América Central. Estamos dando os primeiros passos e iremos ao Fórum de Política, Cultura e Juventude levar esta ideia”.

No Peru, Paloma Carpio, do projeto Mundo Tarumba, vai na mesma direção. E já há muita coisa acontecendo, apesar do pouco tempo: no último dia 21 de agosto, ocuparam as ruas do bairro onde atuam, Nova Lima, e levaram aos vizinhos e crianças espetáculos de teatro e música. “Cultura Viva para Nova Lima é o programa cultural central mais importante da atual gestão. Esperamos fortalecer a produção artística existente na cidade e contribuir para a construção de uma maior consciência cidadã na capital”, defende Paloma.

Todos os contatos procurados retornaram mostrando não só entusiasmo, mas projetos e propostas e pelo visto se encaminha para ser um projeto de todo Mercosul.


Fernanda Estima é editora assistente de Teoria e Debate



Referências