sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Quem leu ou assistiu o filme "Professora Maluquinha" irá gostar bastante do "ao vivo" do dia 22/10, com as professores Maíra Magno e Rosangela Meirelles

 22 de Outubro (Quinta-Feira) 20 horas.

Paulo Freire no chão da Escola. A luta entre o sonho e a realidade.

Com as Professoras Maíra Magno (SE) e Rosângela Meireles Grabe (MG). 

Eixo: Educação Básica, Universidade Pública e Educação Popular.

‏ jornalista @LEANDROBEGUOCI - "Um certo candidato e seus apoiadores dizem que vão acabar com o método Paulo Freire nas escolas. Para fazer isso, eles vão ter de garantir que todas as escolas brasileiras apliquem as ideias do Freire, o que está longe de acontecer."15:56 - 29 de ago de 2018

A transmissão da Live será através da página da Ação Cultural no Facebook.  https://www.facebook.com/acaocultur


Acima, a professora Maíra com um grupo de alunos.


Acima, atividade desenvolvida pela professora Rosângela com um grupo de alunos.


UMA PROFESSORA MUITO MALUQUINHA : TRAILER OFICIAL • DT

Vídeo aula 7 - Cinema


TXOPAI E ITÔHÃ



Uma Professora Muito Maluquinha - Era Tudo O Que Eu Queria Ouvir




Fernanda Takai - Menina, Amanhã de Manhã (Uma Professora Muito Maluquinha)


Maíra Magno 



É brasileira natural de São Paulo – SP e descendente de família libanesa. Licenciada em Artes Visuais na Universidade Federal de Sergipe, professora concursada de Artes pelo estado de Sergipe e pela prefeitura municipal de Aracaju. 

De 1998 a 2011 foi professora de Danças Árabes no Centro de Cultura e Artes da Universidade Federal de Sergipe – CULTART, vinculado a Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários.

Como profissional da dança integrou em 2000 o quadro de dançarinas do ventre da Casa de Chá Sacerdotisa, em São Paulo. Tendo participado com destaque em diversos festivais de dança no Brasil e ministrado diversas oficinas de dança oriental em Sergipe, outros estados do Brasil, Argentina e na Europa. Tem se apresentado com destaque como solista em diversos estados do Brasil além de Portugal, Espanha, Egito, Argentina, Tunísia, Marrocos, Grécia e Líbano.

Rosângela Meireles Grabe - 

Pedagoga, com especialização em Ciências, da Religião, Psicopedagogia e Educação Infantil.

Professora de Educação Infantil e anos iniciais do Fundamental da Região Metropolitana de Belo Horizonte, contadora de Histórias nas horas vagas, militante do Grupo Fé e Politica e do Coletivo em Defesa das Nascentes do Pampulha  e integrante do Núcleo de Educação Étnico Racial da Prefeitura de Belo Horizonte.

E para quem não assistiu o "ao vivo" do dia 15 de Outubro. Se ligue!!! 

Quem quiser rever ou  assistir a um verdadeiro “aulão” sobre história da educação em uma perspectiva de resistência e de transformação,  é só chegar na página da Ação Cultural no facebook e clicar em cima do vídeo do “ao vivo” com os professores Romero Venâncio (SE), Daniel Ferraz e Luigy Marks (SP), os quais trouxeram a memória e o legado de Anisio Teixeira, Paulo Freire e de Maria Nildes Mascellani do Ginásio Vocacional.

Como já afirmou o Professor Romero Venâncio em outras ocasiões. “Quando o presente fecha  portas,  o passado nos apresenta   chaves que podem  abrir  o futuro."

Assista AQUI




quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Canções para o "Ao Vivo" do dia do professor sobre Anisio Teixeira, Paulo Freire e Ginásio Vocacional.

 No meio de uma calorosa conversa vem uma pergunta: “Quais os fatores que determinaram o  subdesenvolvimento do Brasil?”.

Não foi preciso tempo para as respostas: “Deficiência de assistência social e alto crescimento demográfico”. “Fome e dependência politica estrangeira”. “Desemprego como consequência da monocultura latifundiária”. “Falta de aproveitamento dos recursos naturais”. “Desequilíbrio econômico entre indústria e agricultura e más condições de trabalho”.

As hipóteses não foram levantadas em uma universidade ou em um instituto de pesquisa. Elas foram pensadas nos bancos de uma escola, por estudantes ginasiais – atual ensino fundamental II.

Registrado no documentário Vocacional, uma Aventura Humana, o debate ocorreu em um dos seis Ginásios Vocacionais do estado de São Paulo, que funcionaram nas cidades de Americana, Batatais, Barretos, Rio Claro, São Caetano do Sul e São Paulo, entre 1962 e 1969, até serem extintos pela ditadura militar, que os considerou subversivos.

Leia mais AQUI

CANÇÃO DO SUBDESENVOLVIDO

https://www.youtube.com/watch?v=JKdCBrD7jIE&feature=emb_logo

CAMINHANDO

ALEGRIA, ALEGRIA


BRASIL ARCAICO E SUBMISSO x BRASIL PROGRESSISTA E SOBERANO.
"Houve um tempo, diz-nos Roberto Schwarz, em que o país estava  irreconhecivelmente inteligente. “Política externa independente”,  “reformas estruturais”, “libertação nacional”, “combate ao imperialismo e ao latifúndio”: um novo vocabulário – inegavelmente avançado para uma sociedade marcada pelo autoritarismo  e  pelo  fantasma da imaturidade de seu povo – ganhava a cena, expressando um momento de intensa movimentação na vida brasileira."  HOLLANDA, Heloisa e GONÇALVES, Marcos. Cultura e participação nos anos 60. São Paulo: Brasiliense, 1982. p.8
Esse tempo foi antes de 1964, e começou pós ditadura de Getúlio Vargas, a partir de 1946, atingindo o ápice nos últimos anos da década de 1950 até 1964. Mas aí,   como  bem descrito por Chico Buarque na canção Roda Viva, sendo esse termo uma metáfora para ditadura civil-militar  “ A gente quer ter voz ativa. No nosso destino mandar. Mas eis que chega a roda-viva. E carrega o destino pra lá.”
E no decorrer desse período, 1964 à 1985, muitos brasileiros que participaram das tentativas de  construção desse país "irreconhecivelmente inteligente"  passaram a sofrer violações, incluído torturas e desaparecimentos,  por defender a democracia e a liberdade, por desejar um país mais justo.
Todavia, após 21 anos de luta e resistência  contra a nova ditadura estabelecida em 1964, inclusive mediada com a canção e com o teatro, como foi o caso da peça e canção Roda Viva, o sol das liberdades democráticas recomeça a raiar no ano de 1985. Um sol ainda tímido, encoberto pelas nuvens do chamado entulho autoritário, 
(...) A denúncia do “entulho autoritário” pelo pmdb (ou pelo grupo de “oposição autêntica” liderada por Fernando Lyra) e pela oab (presidida por Raymundo Faoro) apontava que, apesar da revogação dos atos institucionais, persistiam na ordem jurídica leis e instituições com a tônica autoritária da ditadura militar. (...) Era o caso da Lei de Segurança Nacional (...)  
Mas “irreconhecivelmente inteligente”, além dos exemplos citados pelo critico literário  Roberto Schwarz, também era o Brasil pré 1964, no campo da educação e da cultura,  com muitas iniciativas educativas e culturais inovadoras e inclusivas, algumas mais conhecidas e outras menos, as quais sofreram uma ferrenha perseguição por parte dos “ridículos tiranos” que assumiram o comando da nação. 
Dentre as iniciativas educativas e culturais mais conhecidas, podemos citar o Movimento de Cultura Popular do Recife, o Centro Popular de Cultura, o Movimento de Educação de Base, o Sistema Paulo Freire de Educação de Adultos e etc.
Quanto as iniciativas pouco conhecidas, destacamos o  Sistema de Ginásios Vocacionais, um dos objetos de nossa Live, juntamente com a memória dos educadores e  escritores Anisio Teixeira e Paulo Freire.
A memória dos três,  são marcados pelo tempo e pelos acontecimentos que tiveram lugar no Brasil durante a década de 1960/1970, em especial o asfixiamento do Sistema dos Ginásios Vocacionais provocado pela ditadura, assim como o exilio de Paulo Freire e a morte suspeita  de Anisio Teixeira.
Entretanto, nem sempre pós 1985,   tiveram seu legado suficientemente reconhecido à altura da importância necessária para a  retomada e  consolidação da democracia, em especial dentro da escola pública, considerada por Anisio Teixeira como verdadeiras máquinas de democracia.
Até que ponto isso não colaborou para o neoatraso bolsonarista que repete o clima de 1964?, como afirmou   Roberto Schwarz,  em entrevista ao jornal Folha de São Paulo de 15 de Novembro de 2019.  
Zezito de Oliveira


A PROSA IMPÚRPURA DO CAICÓ

https://www.youtube.com/watch?v=kacfDjIwNZg&feature=emb_title



quarta-feira, 14 de outubro de 2020

NPD Orlando Vieira passa por reestruturação e distribuirá R$ 500 mil da Aldir Blanc


FOTO- MARCO VIEIRA

Com o processo de retomada das atividades por conta da redução no número de casos registrados do novo coronavírus (Covid-19), a Prefeitura de Aracaju, por meio da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju), está colocando em prática uma reestruturação do Núcleo de Produção Digital (NPD) Orlando Vieira, na busca por fomentar, apoiar tecnicamente e dar vazão às produções audiovisuais locais. Junta-se a isso, a possibilidade de investir, via Lei Aldir Blanc, R$ 500 mil nesta área.

A iniciativa surge diante do contexto em que coloca em destaque a responsabilidade do órgão enquanto fomentador das cadeias produtivas culturais ligadas às expressões audiovisuais aumentar, por conta das dificuldades impostas pela necessidade de cumprir uma extensa quarentena, o que afetou sobremaneira os profissionais da cultura. “Neste ano, mesmo com a pandemia, nós retomamos a política de audiovisual com o lançamento do edital ‘Janela Para as Artes’ e nomeamos para o NPD o multiartista Anderson Passos, mais conhecido como Hot Black, um grande conhecedor do audiovisual e das linguagens emergentes, sobretudo da chamada cultura das periferias, um profissional que produziu e apresentou programas na TV Brasil.

Agora, com a Lei Aldir Blanc, estamos destinando um grande volume de recursos para o setor, não só cumprindo o objetivo do fomento à cadeia, mas procurando fortalecer nossas gramáticas nesse campo, identificar novos atores e qualificar nossa produção através de ações planejadas. A Funcaju está destinando R$ 500 mil da lei, o maior investimento da história de Sergipe, para o setor do audiovisual”, destacou o presidente da Funcaju, Luciano Correia. A ideia, conforme explica o coordenador do NPD, Anderson Passos, “Hot Black”, é fazer NPD Orlando Vieira passa por reestruturação e distribuirá R$ 500 mil da Aldir Blanc do órgão um espaço com uma importante “força centrípeta”, ou seja, que puxe para si, através do apoio profissional, logístico e técnico, a diversidade de projetos que se encontram espalhados pela capital. “ O audiovisual é um setor que está organizado há um bom tempo, que tem suas produções corriqueiras. Então, ao longo dos seus 14 anos o NPD é o principal lugar de deságue porque ele foi importante em uma série de produções, inclusive renomadas, premiadas nacional e internacionalmente. Talvez, dentro do Centro Cultural, naquele espaço imponente, as pessoas tenham a dificuldade de entender que aquilo os pertence.

Assim, precisamos transformar o local em uma força centrípeta, onde a periferia seja puxada ao centro da produção, trazendo novas narrativas e olhares de quem ficava às margens, para que eles possam produzir o que nós chamamos de ‘novo imaginário’, o que é importante demais”, ressaltou o coordenador do NPD. No processo de reorganização foi percebida a necessidade de avaliar o inventário do NPD, quando se diagnosticou que há um bom parque técnico, que permite um bom suporte, mas que precisa ser ampliado, por meio de convênios tanto com o setor público quanto privado, de maneira que ainda mais pessoas possam usufruir dele, sobretudo quando se sabe que o órgão atende também a demanda de artistas de fora da capital. Investimento recorde Aliado à reestruturação do núcleo será possível, por meio de recursos provenientes da Lei Aldir Blanc, destinar R$ 500 mil ao fomento do setor audiovisual. O montante será distribuído em quatro eixos. São eles: Eixo Difusão, que dispõe de R$ 100 mil, a serem investidos no licenciamento, finalização e distribuição de obras audiovisuais; Eixo Novas Produções Artísticas, que conta com um orçamento de R$ 250 mil, que serão destinados à produção e finalização de curtas-metragens, webséries, videoclipes e roteiros de criação de novas produções artísticas de pequeno, médio e grande portes; Eixo Formação, Capacitação e Pesquisa, que destinará R$ 50 mil ao estímulo do espaço de produção do conhecimento, ensino- -aprendizado e conexões entre os fazedores e o público-alvo; e Eixo Festivais e Mostras, cujo orçamento de R$ 100 mil será utilizado na produção e promoção de atividades de circulação, estudo e diálogos da cadeia do audiovisual. “Desta forma, pretende-se ampliar a qualidade da atuação do NPD junto aos realizadores e cidadãos.

A partir deste volume, uma série de filmes serão produzidos, licenciados, uma série de espaços para mostras, para encontro, webinário, workshop, oficinas de capacitação, todas elas, inclusive, serão ofertadas neste fomento, via edital. Tudo o que será feito, produzido, será um novo marco. E quando a gente fala que é meio milhão, não é um recurso simples, é um volume que nunca antes foi ofertado na cena audiovisual aracajuana. Na perspectiva de que nesse momento de isolamento houve um volume de trabalhos represados, temos que retomar com um outro olhar. Sem dúvida nenhuma, vamos redesenhar a cena do audiovisual”, reforçou Anderson.

ASCOM - FUNCAJU

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Em Aracaju os ventos na eleição municipal sopram para o "mais do mesmo" progressismo social-liberal.



 O jornalista Jozailto Lima,  publicou um artigo analisando as razões dos 5% do candidato do PT à prefeitura de Aracaju  na última pesquisa ibope. Na minha opinião,  há outras e boas razões para fazer criticas ao PT, e lamento  pelo PT e por quem o critica.

As razões da critica ao PT realizada por Jozailto Lima, até poderia ser coerente,  antes da desmoralização da Lava Jato e dos crimes cometidos pelos seus integrantes contra quem era imputado uma série de delitos, no caso alguns integrantes da cúpula do PT, inclusive o Presidente Lula. 

Pelo contrário, quem ficou com provas robustas contra si mesmo foram Moro, Dallagnol e seus parceiros, conforme pode ser conferido pelas publicações da Vaza Jato. 

Já os erros do PT foram de outra natureza, mais politica e cultural do que moral.  Em que pese a quantidade enorme de acertos e a queda ter sido realizada mais por isso do que pelos erros. Para citar um erro, ou melhor dois, não alcançado pela visão falso moralista de amplos setores da classe média,  podemos citar o negligenciamento do papel da comunicação independente ou alternativa. 

Para isso, basta lembrar a chamada "midia técnica" que despejou enormes quantias de dinheiro em publicidade nas grandes redes de Tv e Rádio, assim como a falta de compreensão do papel da ação cultural de base comunitária, dando prioridade ao investimento em grandes canais de comunicação e aos grandes eventos, e nesse último caso, me refiro mais especificamente ao governo do PT em Sergipe e nos municipios.

No plano federal, essa compreensão da acão cultural de base comunitária teve relativo avanço, em especial quando Gilberto Gil esteve a frente do MINC nos dois mandatos do Presidente Lula.

E priorizar o investimento em grandes eventos foi bacana no curto prazo, por questões ligadas ao bom posicionamento da imagem de alguns nomes do executivo, mas o longo prazo chegou e cobra a conta.

E assim, por não ter investido em iniciativas culturais de base comunitária lá atrás e comunicação independente ou alternativa,  os candidatos do PT tem poucas condições de incidir nas comunidades, e não apenas no período eleitoral ,  já que não foram capazes de compreender  a cultura e a comunicação  como potência de  mediação e diálogo com a população das periferias.

Outros partidos aliados históricos do PT seguem o mesmo caminho. 

O candidato Edvaldo Nogueira, ex-PC do B, atualmente no PDT respondendo a pergunta que fiz em um programa de rádio no ano de 2018, também demonstrou os mesmos limites de visão. 

Agora,  está bem  posicionado nas pesquisas e com chances de conquistar novo mandato  por conta das alianças com o "centrão" municipal, além da gestão mediana que realiza atualmente e antes, quando assumiu a vaga de Marcelo Deda quando este foi eleito governador. 

Mas no médio prazo....Lembrando uma musiquinha antiga do programa Silvio Santos...

" A direita vem aí, láiá, laiá, laiá. A direita vem aí...."

Zezito de Oliveira

Em 2006 já cantava essa pedra, e isso em pleno auge do Lulismo.

OUTRO BRASIL? SOMENTE COM PARTICIPAÇÃO E ARTE.

Leia também:

E para relaxar, sem perder o senso critico proposto acima, três  canções  em homenagem à Aracaju.





domingo, 11 de outubro de 2020

O filme Abraço e a necessidade de compreensão da arte e da cultura como algo muito maior. Valei-nos Gramsci!!

ABRAÇO - A única saída é Lutar!⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
• 15/10 nos drive ins, cinemas selecionados e cinema virtual.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
• 29/10 nas plataformas digitais⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Apple Tv, Google Play, NOW, Looke, Vivo Play e Youtube Filmes⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Um filme de DF Fiuza⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Realização do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe (SINTESE)⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀



O filme "Abraço" produzido pelo SINTESE é uma obra de arte grandiosa, assim também como grande registro memorial de um momento importante da luta dos professores sergipanos. Mas sinto falta de uma VISÃO mais abrangente da esquerda sergipana acerca da ARTE e da CULTURA, compreendida como AÇÃO CULTURAL, compreensão de cultura como ação politica de caráter formativo e processual de base estética e educativa, assim como construção plural e descentralizada, uma visão que vá além do grandioso, vistoso, majestoso, espetacular.

Esse tipo de postura vai resultar em grandes ações importantes e necessárias, quando alguns de nossos quadros da esquerda assumem o executivo, como é o caso do saudoso Marcelo Déda (PT), ex-prefeito de Aracaju e governador dos sergipanos, o qual deixou grande legado em matéria de grandes construções e eventos culturais, como os museus Palácio Olimpio Campos e Museu da Gente Sergipana, o Festival de Verão, o Forrocaju e etc.. Mas insuficientes para fortalecer com intensidade os vínculos sociais, identitários, o sentido de pertencimento e auto estima do cidadão, e aqui me refiro ao cidadão como criador, como produtor, como sujeito cultural, assim como agente da construção de uma cultura transformadora, holisticamente falando.

Com o modelo predominante de grandes espetáculos, filmicos inclusive, grandes construções e grandes eventos, o que sobressai é um cidadão passivo, espectador, consumidor, admirador.

E ajuda? Sim, ajuda, mas não deita raízes sólidas, não fortalece o aspecto comunitário ou local, o protagonismo cultural e politico, a sustentabilidade em termos da permanência no tempo e no espaço. Porque quando a gestão, seja pública ou sindical, não conseguir captar dinheiro suficiente, porque grandes construções e grandes eventos custam caro, ou não quiser investir nas grandes construções ou espetáculos, esses não acontecerão mais. O Festival de Artes de São Cristóvão, por exemplo, sofreu desse mal e pode vir a sofrer novamente. O Encontro Cultural de Laranjeira tá num processo de decadência e degeneração de fazer dó.

Já a Ação Cultural das igrejas pentecostais e neopentecostais, está sabendo combinar os dois modelos.

A esse respeito, tive contato essa semana com a experiência transdenominacional que recebe nome de Jeová Nissi, fiquei literalmente de "queixo caído".

Em suma, as igrejas pentecostais e principalmente as neopentecostais crescem, com base na compreensão do que é ação cultural de base comunitária. Ação Cultural que é ação educativa, ação estética, ação terapêutica e, ação politica. Sem perder de vista a necessidade de promoção dos grandes eventos culturais de massa.

Compreensão que muitos da nossa esquerda perderam ou que nunca tiveram..

Fica como sugestão para tema de investigação jornalistica e acadêmica.

Sobre a iniciativa Jeová Nissi, a explanação que assisti é fruto disso...

Zezito de Oliveira

Leia também:

Critica do filme no site AdoroCinema

SOBRE O CONCEITO AÇÃO CULTURAL - Para candidatos e eleitores que colocam a Ação Cultural ou AnimaAÇÃO cultural como prioridade na vida e nas eleições.


Conheço o meu lugar




Para saber sobre a companhia Jeová Nissi e a Ação Cultural de base comunitária das igrejas pentecostais, entre outras questões relacionadas ao tema..





sábado, 10 de outubro de 2020

"Ao Vivo" em 15 e 22 de Outubro, quinta-feira, às 20 horas, com os educadores brasileiros geniais, ontem e hoje.

 A ESCOLA DOS MEUS SONHOS

Frei Betto

Na escola de meus sonhos, os alunos aprendem a cozinhar, costurar, consertar eletrodomésticos, fazer pequenos reparos de eletricidade e de instalações hidráulicas, conhecer mecânica de automóvel e de geladeira, e algo de construção civil. Trabalham em horta, marcenaria e oficinas de escultura, desenho, pintura e música. Cantam no coro e tocam na orquestra.

Uma semana ao ano integram-se, na cidade, ao trabalho de lixeiros, enfermeiras, carteiros, guardas de trânsito, policiais, repórteres, feirantes e cozinheiros profissionais. Assim, aprendem como a cidade se articula por baixo, mergulhando em suas conexões subterrâneas que, à superfície, nos asseguram limpeza urbana, socorro de saúde, segurança, informação e alimentação.

Não há temas tabus. Todas as situações-limites da vida são tratadas com abertura e profundidade: dor, perda, falência, parto, morte, enfermidade, sexualidade e espiritualidade. Ali os alunos aprendem o texto dentro do contexto: a matemática busca exemplos na corrupção dos precatórios e nos leilões das privatizações; o português, na fala dos apresentadores de TV e nos textos de jornais; a geografia, nos suplementos de turismo e nos conflitos internacionais; a física, nas corridas da Fórmula 1 e pesquisas do supertelescópio Hubble; a química, na qualidade dos cosméticos e na culinária; a história, na violência de policiais a cidadãos, para mostrar os antecedentes na relação colonizadores-índios, senhores-escravos, Exército-Canudos etc.

Na escola dos meus sonhos, a interdisciplinaridade permite que os professores de biologia e de educação física se complementem; a multidisciplinaridade faz com que a história do livro seja estudada a partir da análise de textos bíblicos; a transdisciplinaridade introduz aulas de meditação e de dança, e associa a história da arte à história das ideologias e das expressões litúrgicas.

Se a escola for laica, o ensino religioso é plural: o rabino fala do judaísmo; o pai-de-santo do candomblé; o padre do catolicismo; o médium do espiritismo; o pastor do protestantismo; o guru do budismo etc. Se for católica, promove retiros espirituais e adequação do currículo ao calendário litúrgico da Igreja.

Na escola dos meus sonhos, os professores são obrigados a fazerem periódicos treinamentos e cursos de capacitação, e só são admitidos se, além da competência, comungam com os princípios fundamentais da proposta pedagógica e didática. Porque é uma escola com ideologia, visão de mundo e perfil definido sobre o que são democracia e cidadania. Essa escola não forma consumidores, mas cidadãos.

Ela não briga com a TV, mas leva-a para a sala de aula: são exibidos vídeos de anúncios e programas e, em seguida, analisados criticamente. A publicidade do iogurte é debatida; o produto, adquirido; sua química, analisada e comparada com a fórmula declarada pelo fabricante; as incompatibilidades denunciadas, bem como os fatores porventura nocivos à saúde. O programa de auditório de domingo é destrinchado: a proposta de vida subjacente; a visão de felicidade; a relação animador-platéia; os tabus e preconceitos reforçados etc. Em suma, não se fecha os olhos à realidade; muda-se a ótica de encará-la.

Há uma integração entre escola, família e sociedade. A Política, com P maiúsculo, é disciplina obrigatória. As eleições para o grêmio ou diretório estudantil são levadas a sério e um mês por ano setores não vitais da instituição são administrados pelos próprios alunos. Os políticos e candidatos são convidados para debates e seus discursos analisados e comparados às suas práticas.

Não há provas baseadas no prodígio da memória nem na sorte da múltipla escolha. Como fazia meu velho mestre Geraldo França de Lima, professor de História (hoje romancista e membro da Academia Brasileira de Letras), no dia da prova sobre a Independência do Brasil os alunos traziam à classe toda a bibliografia pertinente e, dadas as questões, consultavam os textos, aprendendo a pesquisar.

Não há coincidência entre o calendário gregoriano e o curricular. João pode cursar a 5ª série em seis meses ou em seis anos, dependendo de sua disponibilidade, aptidão e recursos.

É mais importante educar que instruir; formar pessoas que profissionais; ensinar a mudar o mundo que a ascender à elite. Dentro de uma concepção holística, ali a ecologia vai do meio ambiente aos cuidados com nossa unidade corpo-espírito, e o enfoque curricular estabelece conexões com o noticiário da mídia.

Na escola dos meus sonhos, os professores são bem pagos e não precisam pular de colégio em colégio para poderem se manter. Pois é a escola de uma sociedade onde educação não é privilégio, mas direito universal e, o acesso a ela, dever obrigatório.

Frei Betto é escritor, autor de “Alfabetto – Autobiografia Escolar” (Ática), entre outros livros.

   15 de Outubro de 2020 – (Quinta-Feira), 20 horas. 

Anisio Teixeira, Paulo Freire e Ginásio Vocacional. A educação no Brasil que pode dar certo.

 Eixo: Educação Básica, Universidade Pública e Educação Popular.

Com a participação dos Professores  Romero Venâncio (UFS), Daniel Ferraz Chiozzini (PUC-SP) e  Luigy Marks (ex-aluno do Ginásio Vocacional e advogado).  

A transmissão da Live será através da página da Ação Cultura no Facebook.  https://www.facebook.com/acaocultur


 “Brasil despreza seus educadores geniais”

– 2 de dezembro de 2013

Jose-Pacheco - Criador da Escola da Ponte, em périplo pelo país, afirma: “além de Paulo Freire, outros brasileiros poderiam revolucionar ensino; burocracia estatal os sufoca”

Por Simone Harnik, no Uol Educação

Idealizador da Escola da Ponte, em Portugal, instituição que, em 1976, iniciou um projeto no qual os estudantes aprendem sem salas de aula, divisão de turmas ou disciplinas, o educador português José Pacheco afirma que as escolas tradicionais são um desperdício para os estudantes e os professores.

“O que fiz por mais de 30 anos foi uma escola onde não há aula, onde não há série, horário, diretor. E é a melhor escola nas provas nacionais e nos vestibulares”, diz. “Dar aula não serve para nada. É necessário um outro tipo de trabalho, que requer muito estudo, muito tempo e muita reflexão.”

Aos 58 anos, o professor que classifica autores como Jean Piaget como “fósseis”, fez uma peregrinação pelo país. No trabalho de prospecção de boas iniciativas em colégios brasileiros, Pacheco só não conheceu instituições do Acre e do Amapá e diz ter somado cerca de 300 voos no último ano.

Com a experiência das viagens, escreveu dois livros de crônicas: o “Pequeno Dicionário de Absurdos em Educação”, da editora Artmed, e o “Pequeno Dicionário das Utopias da Educação”, da editora Wak. Aponta ainda que a educação brasileira não precisa de mais recursos para melhorar: “O Brasil tem tudo o que precisa, tem todos os recursos e os desperdiça”. Veja a entrevista:

Em suas andanças pelo país, qual o absurdo que mais chamou sua atenção?

O maior absurdo é que a educação do Brasil não precisa de recursos para melhorar. O Brasil tem tudo o que precisa, tem todos os recursos e os desperdiça.

Desperdiça como?

Pelo tipo de organização. A começar pelo próprio Ministério da Educação. Eu brinco, por vezes, dizendo que o melhor que se poderia fazer pela educação no Brasil era extinguir o Ministério da Educação. Era a primeira grande política educativa.

Qual o problema do ministério?

Toda a burocracia do Ministério da Educação que se estende até a base, porque a burocracia também existe nas escolas, à imagem e semelhança do ministério. No próprio ministério, o contraste entre a utopia e o absurdo também existe. Conheço gente da máxima competência, gente honesta. O problema é que, com gente tão boa, as coisas não funcionam porque o modo burocrático vertical não funciona. É um desperdício tremendo.

Como resolver?

Teria de haver uma diferente concepção de gestão pública, uma diferente concepção de educação e uma revisão de tudo o que é o trabalho.

O que teria de mudar na concepção de educação?

O essencial seria que o Brasil compreendesse que não precisa ir ao estrangeiro procurar as suas soluções. Esse é outro absurdo. Quais são hoje os autores que influenciam as escolas? Vygotsky [Lev S. Vygotsky (1896-1934)], Piaget [Jean Piaget (1896-1980)]? Não vejo um brasileiro. Mas podem dizer: “E Paulo Freire?”. Não vejo Paulo Freire em nenhuma sala de aula. Fala-se, mas não se faz.

Identifiquei, nos últimos anos, autores brasileiros da maior importância que o Brasil desconhece. Esse é outro absurdo. Quem é que ouviu falar de Eurípedes Barsanulfo (1880-1918)? De Tomás Novelino (1901-2000)? De Agostinho da Silva (1906-1994)? Ninguém fala deles. Como um país como este, que tem os maiores educadores que eu já conheci, não quer saber deles nem os conhece?

Há 102 anos, em 1907, o Brasil teve aquilo que eu considero o projeto educacional mais avançado do século 20. Se eu perguntar a cem educadores brasileiros, 99 não conhecem. Era em Sacramento, Minas Gerais, mas agora já não existe. O autor foi Eurípedes Barsanulfo, que morreu em 1918 com a gripe espanhola. Este foi, para mim, o projeto mais arrojado do século 20, no mundo.

O que tinha de tão arrojado?

Primeiro, na época, era proibida a educação de moços e moças juntos. Só durante o governo Getúlio Vargas é que se pôde juntar os dois gêneros nos colégios. Ele [Barsanulfo] fez isso. Ele tinha pesquisa na natureza, tinha astronomia no currículo oficial. Não tinha série nem turma nem aula nem prova. E os alunos desse liceu foram a elite de seu tempo. Tomás Novelino foi um deles e Roberto Crema, que hoje está aí com a educação holística global, foi aluno de Novelino.

Por que o senhor fala desses autores?

Digo isso para que o brasileiro tenha amor próprio, compreenda aquilo que tem para que não importe do estrangeiro aquilo que não precisa. É um absurdo ter tudo aqui dentro e ir pegar lá fora.

Qual foi a maior utopia que o senhor viu?

O Brasil é um país de utopias, como a de Antônio Conselheiro e a de Zumbi dos Palmares. Fui para a história, para não falar em educação. Na educação, temos Agostinho da Silva, que é um utópico coerente, cuja utopia é perfeitamente viável no Brasil. Ou seja, é possível ter uma educação que seja de todos e para todos. O Brasil, dentro de uns 30 ou 40 anos, será um país bem importante pela educação. São os absurdos que têm de desaparecer, para dar lugar à concretização das utopias. Acredito nisso, por isso estou aqui.

 Os professores são resistentes às mudanças? 

Os professores são um problema e são a solução. Eu prefiro pensar naqueles professores que são a solução, conheço muitos que estão afirmando práticas diferentes.

Práticas diferentes como a da Escola da Ponte?

Não são “como”, mas inspiradas, com certeza. São práticas que fazem com que a escola seja para todos e proporcione sucesso para todos.

Dentro da escola tradicional, onde ocorre o desperdício de recursos?

Se considerarmos o dinheiro que o Estado gasta por aluno, daria para ter uma escola de elite. Onde o dinheiro se desperdiça? Por que em uma escola qualquer, que tem turmas de 40 alunos, a relação entre o número de professores e de alunos é de um para nove? Por que os laudos e os atestados médicos são tantos? Porque a situação que se criou nas escolas é a do descaso. Esse é um absurdo.

Onde mais ocorre o desperdício nas escolas?

O desperdício de tempo também é enorme em uma aula. Pelo tipo de trabalho que se faz, quando se dá aula, uma parte dos alunos não tem condições de perceber o que está acontecendo, porque não têm os chamados pré-requisitos, e se desliga. Há um outro conjunto de crianças que sabem mais do que o professor está explicando – e também se desliga. Há os que acompanham, mas nem todos entendem o que o professor fala. Em uma aula de 50 minutos, o professor desperdiça cerca de 20 minutos. Se multiplicarmos o número de alunos que não aproveitam a aula pelo tempo, vai dar isso.

O desperdício maior tem a ver com o funcionamento das escolas. Os professores são pessoas sábias, honestas, inteligentes e que podem fazer de outro modo: não dando aula, porque dar aula não serve para nada. É necessário um outro tipo de trabalho, que requer muito estudo, muito tempo e muita reflexão.

As famílias não estão acostumadas com escolas que não têm classe, professor ou disciplinas. Querem o conteúdo para o vestibular. Como se rompe com esse tipo de mentalidade?

Pode-se romper mostrando que é possível. Eu falo do que faço, e não de teorias. O que fiz por mais de 30 anos foi uma escola onde não há aula, onde não há série, horário, diretor. E é a melhor escola nas provas nacionais e nos vestibulares. Justamente por não ter aulas e nada disso.

Por que uma escola que não tem provas forma alunos capazes de ter boas notas em provas e concursos?

Exatamente por ser uma escola, enquanto as que dão aulas não são. As pessoas têm de perceber que não é impossível. E mais, que é mais fácil. Posso afirmar, porque já fiz as duas coisas: estive em escolas tradicionais, com aulas, provas, com tudo igualzinho a qualquer escola; e estive também 32 anos em outra escola que não tem nada disso. É mais fácil, os resultados são melhores.

Na concepção do senhor, o que é uma boa escola?

É a aquela que dá a todos condições de acesso, e a cada um, condições de sucesso. Sucesso não é só chegar ao conhecimento, é a felicidade. É uma escola onde não haja nenhuma criança que não aprenda. E isso é possível, porque eu sei que é. Na prática.

O professor que está em uma escola tradicional tem espaço para fazer um trabalho diferente? O senhor vê espaço para isso?

Não só vejo, como participo disso. No Brasil, participei de vários projetos onde os professores conseguiram escapar à lógica da reprodução do sistema que lhe é imposto. Só que isso requer várias condições: primeiro, não pode ser feito em termos individuais; segundo, a pessoa tem de respeitar que os outros também têm razão. Se, dentro da escola, os processos começam a mudar e os resultados aparecem, os outros professores se aproximam. Não tem de haver divisionismo.

O senhor acha que a mudança na estrutura da escola poderia partir do poder público ou depende da base?

Acredito que possa partir do poder público, mas duvido que aconteça. As secretarias têm projetos importantes, mas são de quatro anos. Uma mudança em educação precisa de dezenas de anos. Precisa de continuidade. E isso é difícil de assegurar em uma gestão. Precisa partir de cada unidade escolar e do poder público juntos.

22 de Outubro (Quinta-Feira) 20 horas
Paulo Freire no chão da Escola. A luta entre o sonho e a realidade.
Com as Professoras Maíra Magno,  Rosângela Meirelles Grabes e o Professor Dennis Portela.
Eixo: Educação Básica, Universidade Pública e Educação Popular.
‏ jornalista @LEANDROBEGUOCI - "Um certo candidato e seus apoiadores dizem que vão acabar com o método Paulo Freire nas escolas. Para fazer isso, eles vão ter de garantir que todas as escolas brasileiras apliquem as ideias do Freire, o que está longe de acontecer."15:56 - 29 de ago de 2018


“A memória está sendo jogada na lata do lixo”, diz Romero Venâncio

26/03/2019

"O Brasil está desmemoriado." É o que pensa Romero Venâncio, professor do Departamento de Filosofia e diretor de comunicação da ADUFS.

Docente da UFS há mais de duas décadas e um dos principais intelectuais da Universidade, Romero se diz preocupado com a forma que o país tem lidado com a própria história. “A memória está sendo jogada na lata do lixo”, dispara.

Para ele, a ordem que o presidente Jair Bolsonaro deu para as Forças Armadas para comemorarem o golpe militar de 1964 é um forte sintoma da perda de memória que acomete o Brasil.

“Desde 2013, sentimos no ar uma perplexidade que a cada ano se aprofundou até seu ponto alto, que foi 2018 e a ‘bolsonarização de um Brasil’. Vemos, quase que impotentes, pessoas de todas as idades defendendo tortura e torturadores; pedindo a volta dos militares como governantes; a defesa do golpe de 1964 e toda uma cultura fascista que vem ganhando capilaridade em todos os setores da sociedade brasileira”, avalia o filósofo.

Segundo Romero, a cultura do ódio e da violência como forma de fazer política é outro sinal importante de que uma parte do Brasil adoeceu – e não acredita mais nem nos próprios fatos.

“Um ódio espalhado em tudo e como método de fazer e pensar em política. Um sentimento ronda nosso pequeno Brasil: a memória sendo jogada na lata do lixo. Para que serve memória quando qualquer um pode fazer sua leitura em redes sociais e achar que tem uma verdade meramente emprenhada pelos ouvidos e por leituras sem fonte alguma, encontradas nas mesmas redes sociais ou em livros de que beiram o ridículo em limitadas argumentações?”, questiona.

‘Onde estamos todos e todas?’

Para o diretor da ADUFS, é preciso que as esquerdas reflitam sobre o processo histórico atual, incentivando discussões, conteúdos e produções artísticas que rememorem à sociedade o que aconteceu nos 21 anos de ditadura militar no Brasil - como torturas, assassinatos e estupros políticos, fechamento do Congresso Nacional, cassação dos direitos políticos e da liberdade de imprensa e expressão, entre outros.

“Em outros momentos da história desse Brasil, as esquerdas em geral e boa parte de intelectuais e educadores faziam numa semana como esta de agora seminários, exibições de filmes, palestras, publicação de livros, ensaios, textos em jornais e até atividades de rua no intuito de disputar uma narrativa dentro da sociedade sobre o significado do golpe de 1964 e tudo que ele representou em 21 anos de duração”, afirma Romero.

“Nós temos uma literatura vasta e importante no que diz respeito a leitura do golpe; temos um cinema que muito falou da ditadura em suas várias fases históricas; temos um teatro, uma poesia, uma pintura, uma escola fotográfica ou ainda um setor do jornalismo que sabe e viveu o golpe e a ditadura. Onde estamos todos e todas?”, provoca.

Por fim, Romero admitiu estar preocupado com a conjuntura política e com o futuro do Brasil. Na sua opinião, o risco de não se conhecer o passado é ficar preso nele, projetando suas sombras para o amanhã

“Me preocupa demais nesse momento esse clima sombrio. Uma esquerda que não sabe organizar sua memória e aprender com a memória dos debaixo, sofrerá num eterno presente e frustrará o futuro.”