quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Lei Aldir Blanc. O que produziu e produzirá em termos de resultados positivos para a arte e cultura no Brasil?

 

Quantas  oportunidades de geração de renda, postos de trabalho, taxas, impostos e etc.,  foram/são/serão  gerados pelos projetos culturais aprovados via editais da Lei Aldir Blanc? Fora os   impactos artísticos/culturais e políticos.

Para a guerra cultural permanente, precisamos desses dados e análises.

2021: “As lutas terão de ser perpétuas”. Entrevista com Déborah Danowski     



Cartilha Memória e Análise da Lei Aldir Blanc


 🚨 LEI ALDIR BLANC: PRORROGADA, MAS NEM TANTO 🚨

*Por Alexandre Santini 

Aguardada com enorme expectativa por trabalhadores e trabalhadoras da cultura, gestores culturais, artistas e produtores que se mobilizaram em todo o país, foi publicada nesta terça feira (29)  a Medida Provisória (MP) 1.019/2020, que prorroga os prazos de execução dos recursos oriundos da Lei Aldir Blanc para o ano de  2021. A notícia é boa, mas não tanto. O texto publicado  é bastante  restritivo quanto às  possibilidades de aproveitamento e execução da verba emergencial no ano que vem. 

A luta do setor cultural pela Lei Aldir Blanc atravessou todo o ano de  2020. Após aprovação no Congresso Nacional no mês de junho em tempo recorde,  fruto de grande mobilização nacional,  os percalços começaram já no processo de sanção presidencial e regulamentação federal.  Ao todo, este processo levou cerca de 90 dias, demora injustificável para uma política emergencial.  Apesar da enorme mobilização e dos resultados expressivos na transferência dos recursos a estados e municípios (atingindo a  quase totalidade dos R$3 bilhões previstos na Lei),  os prazos apertados e as inúmeras dificuldades das gestões locais tornaram muito complexa a chegada efetiva destes recursos aos seus beneficiários em tempo tão curto.   

Nas últimas semanas, foram  intensos os esforços de parlamentares, gestores públicos de cultura e agentes culturais de todo o país que se mobilizaram exigindo uma prorrogação dos prazos de execução de da Lei Aldir Blanc que conseguisse  abranger  todo o volume de recursos transferidos aos entes federados em 2020.

Lamentavelmente não foi esta a decisão do governo federal. A MP sancionada e publicada  prorroga os prazos, mas afirma que “ serão considerados apenas os recursos que tenham sido empenhados e inscritos em restos a pagar pelo ente responsável no exercício 2020.” Esta redação restringe bastante as possibilidades da prorrogação. Na sequência, um parágrafo único estabelece que, nos empenhos, deverá constar já o nome dos beneficiários - pessoas ou grupos aprovados em processos seletivos- que irão receber os recursos.  Os valores não enquadrados nessas categorias terão que ser devolvidos ao Tesouro Nacional após o dia 31 de dezembro de 2020.  

Na prática, esse dispositivo impede a realização de novos editais em 2021, bem como dificulta a reprogramação da utilização de recursos, pelos estados, das verbas não empregadas pelos municípios. O problema se torna mais grave nas cidades menores e no interior do país. Mais uma vez, o que se perde  com esta decisão é a possibilidade de ampliar a descentralização da distribuição dos recursos de fomento à cultura no Brasil. Perde o Sistema Nacional de Cultura e perde a sociedade brasileira. 

A perspectiva de devolução de parte significativa desta  verba emergencial ao Tesouro Nacional é uma amarga notícia para trabalhadores e trabalhadoras da cultura em todo o país, no apagar das luzes de um ano já tão difícil. A  Lei Aldir Blanc foi a única política cultural, de iniciativa da sociedade e do parlamento, que garantiu investimento em larga escala a um dos segmentos mais atingidos pelas consequências sociais e econômicas da pandemia. 

O balanço final de quanto será efetivamente executado e de quanto terá que ser devolvido à União só poderá ser feito após a virada do ano. Até às 23h59 do dia 31 de dezembro deste 2020 infinito, há um mutirão nacional para tentar garantir o empenho e a execução desta verba em benefício do setor cultural. Mas não se pode negar os resultados altamente expressivos e os números eloquentes de execução dos recursos da Lei Aldir Blanc, em um país de dimensões continentais, injusto e desigual como o nosso. Serão muitas as experiências e os aprendizados deste processo, que segue sendo um divisor de águas na história das políticas culturais no Brasil.  

A luta seguirá em 2021, para que os recursos devolvidos sejam reinvestidos na cultura de forma abrangente, universal e descentralizada.  Ninguém solta a mão de ninguém! 

#LeiAldirBlanc2021

Escola de Políticas Culturais

Articulação Nacional de Emergência Cultural

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"Triste publicação para todos que entenderam "PRORROGAÇÃO", como uma oportunidade de inscrever o seu projeto, ou que tiveram seus projetos indeferidos. 😔😔😔😔"

#LIVE - Como anda a Lei Aldir Blanc?




BAIXE O LIVRO "COMO VAI A LEI ALDIR BLANC?"


Como um país que foi esperança para a humanidade durante a Era Lula/Dilma se tornou esse pesadelo que aí está? Decifra-me ou.....


Post interativo. Dê a sua resposta, por aqui ou em outras redes sociais onde a pergunta está sendo formulada. Sugerimos série de reportagens com este mote, pesquisas acadêmicas, assim como disponibilização das muitas que buscam responder a essa pergunta, série de conferências on-line e etc...

Para melhor nos prepararmos  precisaremos fazer isso doravante.

As primeiras respostas que nos chegaram foram as seguintes, via facebook...  

EF - Se acabar com o haha no Facebook e as fake News nas redes sociais dentro de uns 4 meses no máximo Bolsonaba leva um impeachment, e o gado sai do universo paralelo do qual estão, e sendo assim brevemente o Brasil voltaria a ser esse lugar citado!   

ZdO - Sem dúvida!! Mas a contaminação mental é grande. E desintoxicação requer tempo e pedagogia,

EF -  Tempo que nós economicamente não temos, na corrida tecnológica e econômica maluca que temos atualmente, jamais poderíamos largar no palio com um jegue contra Ferraris e lamborguinis da vida, Bolsonaba nos custará muito caro, muito mais que sequer se possa mensurar!

ZdO - Sim!! Mas nunca podemos deixar de fazer e até recomeçar. Quando escrevi essa frase me lembrei de um brasileiro que me ensinou a não desistir. Ele pesquisou e escreveu bastante para tentar encontrar resposta a pergunta. Como o Brasil se tornou no que é? Uma pena que muita gente da esquerda e com mais poder do que eu e você não se ateve a necessidade de fazer Darcy Ribeiro com suas formulações, mais conhecido dos brasileiros. Mas fica como um aprendizado...

Leia também

Darcy Ribeiro e o enigma Brasil: um exercício de descolonização epistemológica


Darcy Ribeiro e 'O Povo Brasileiro' - obra ainda é chave para entender a formação étnica e cultural do Brasil ...       








segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

A AMABA/Projeto Reculturarte foi muita coisa e agora vai virar livro. (em fotos e documentos)

 “A AMABA/Projeto Reculturarte que já foi campanhas e lutas por melhorias para o bairro américa em Aracaju (SE) , incluindo a luta pela retirada da fábrica de cimento, campanha pele drenagem e pavimentação de ruas, melhoria do transporte coletivo, instalação de uma creche, qualificação do atendimento na área da saúde, além de palestras sobre cidadania e saúde, capoeira, cineclube, teatro, rádio, dança, alfabetização, e reforço escolar, oficina de artesanato, jornal, banda afro, escolinha de esportes, festival de arte comunitária, retiro/acampamento, circulos biblicos, oficinas de alimentação e medicina alternativa, curso de informática e pré vestibular, AGORA VAI VIRAR LIVRO COM RECURSOS DA LEI ALDIR BLANC, COM PREVISÃO DE LANÇAMENTO EM JUNHO DE 2021.
















domingo, 10 de janeiro de 2021

Discussão no facebook sobre o que é arte a partir da vagina no canavial


 JWS

Chamar isso de cultura tá mais pra pornografia e tá cheio no texto. O Brasi tá cada vez pior por conta desses tipos de pessoas que  se dizem artistas e  que de artistas  não tem nada.

 ZDO

 Aí irmão tem que ter mais compreensão do que é cultura, ainda mais do que representa dentro do contexto local da destruição do solo, do meio ambiente. Assim como o fato da  vagina ter significado de fertilidade...

JWS

Desde quando uma fenda na terra representa cultura?

 JWS

Vai nos povoados antigos e vê o que  é cultura de verdade,  não essa asneira aí.

 ZDO

 Se não tivesse citado que era uma vagina talvez não provocasse discussão. Se for ver, pode parecer com outra coisa, inclusive com uma fenda na terra..

 JWS

 Mas é uma simples fenda na terra msm kkk

 SSA

 arte é o que choca. As críticas é que dão vida a arte.

 CGNB

 verdade, o fruidor é que da vida a arte. É comum algumas pessoas acreditarem que a arte é o belo mas nem sempre é assim. A arte é inquieta, questionadora, instigadora e acima de tudo revolucionária. Vide Marcel Duchamp, Andy Warhol, Frida Khalo, Jean Michel Basquiat, John Cage...

JWS

 não vi nada de revolucionário nisso ai,  um buraco no chão.

CGNB

a arte não precisa da autorização de ninguém para ser arte.

  •  ZDO

 Entendedores entenderão.  

Metáfora - Gilberto Gil

 https://www.youtube.com/watch?v=58sW0ojthyI

LEIA MAIS:

A vagina que salvou o Réveillon do Brasil


Legião Urbana ontem e Benvindo Sequeira hoje concordam: "Somos um Estado que não é nação".

 Bemvindo Sequeira: ‘Brasil deixou de ser uma nação’

“Hoje nós somos um pedaço de chão com um monte de gente”, disse à TV 247 o ator, humorista e militante. “A gente tem vergonha de dizer que é brasieleiro. Se você diz que é brasileiro vem em seguida um olhar de piedade”.   

247 - Ator, humorista e militante político, atualmente com residência fixa em Portugal, Bemvindo Sequeira falou à TV 247 sobre o que vê ao olhar para o Brasil de Jair Bolsonaro, país tomado por um governo fascista e apoiado por uma parcela importante da sociedade.  



Para Sequeira, o Brasil já deixou de ser uma nação e está “fragmentado” e “dividido em tribos”. “Nós perdemos a nossa nacionalidade, o Brasil  está fragmentado, dividido em tribos. Você não tem mais ‘povo brasileiro’, você tem professores, militares, estudantes, médicos, desempregados; são as tribos. Hoje nós somos um pedaço de chão com um monte de gente, não tem mais Brasil. A Hildegard Angel tem uma frase maravilhosa: ninguém precisa sair do Brasil, o Brasil já saiu de nós”.

Morando no exterior, o ator contou que sente vergonha de dizer que é brasileiro por carregar consigo, mesmo que contra sua vontade, a imagem de Bolsonaro e de um país destruído pelo governo. “A gente tem vergonha de dizer que é brasileiro. Se você diz que é brasileiro vem em seguida um olhar de piedade, de compaixão: ‘coitado’. Eu ouço isso! Eu agora já estou dizendo: ‘eu sou português. Fui para o Brasil pequenininho e agora estou de volta à terrinha’. É a forma de não ter que ouvir: ‘como vocês elegeram aquele homem?’”. 

Bolsonaro, para o humorista, é o “demônio bíblico”. “É uma pessoa psicopata, sociopata, incapaz de ter qualquer contato consigo próprio, quanto mais com o próximo. Ele é destruidor por excelência, é o demônio bíblico, que vem para mentir, roubar e destruir, vem para matar. Ele é isto e impõe isto à nação brasileira, e com ele esses militares todos que estão rodeados em volta dele dando apoio. São todos fascistas. O fascismo carrega morte, destruição, não constrói nada”.

Como alternativa de saída para o Brasil, Bemvindo Sequeira afirmou que o país precisará, para abandonar o bolsonarismo, migrar para um governo de centro-direita, dada a ausência de uma “liderança catalisadora” de esquerda. “A gente vai ter que passar primeiro por um governo de centro-direita, não tem para onde correr, vamos ter que passar pelo centro. A esquerda não elege daqui dois anos, não elege, mesmo que seja uma catástrofe. O poder está nas mãos da burguesia”.

Bemvindo Sequeira: humor contra o fascismo





Legião Urbana - Perfeição

https://www.youtube.com/watch?v=UueCjRrQLM4 


Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado, que não é nação
Celebrar a juventude sem escola
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda hipocrisia e toda afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo que é normal
Vamos cantar juntos o Hino Nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção
Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha, que o que vem é perfeição



Acrescentado em 13/01/2021


Jessé Souza: a elite do atraso ainda é bolsonarista?





sábado, 9 de janeiro de 2021

Livro AMABA/Projeto Reculturarte é selecionado no Edital Lei Aldir Blanc/Governo de Sergipe e será lançando em junho de 2021.

 A AMABA/Projeto Reculturarte que já foi campanha por melhorias para o bairro américa em Aracaju (SE) , incluindo a luta pela retirada da fábrica de cimento, palestras sobre cidadania e saúde, capoeira, cineclube, teatro, rádio, dança, alfabetização, reforço escolar, festival de arte comunitária, retiros/acampamentos, circulos biblicos, oficina de artesanato, jornal, banda afro, escolinha de esportes, oficinas de alimentação e medicina alternativa, curso de informática e pré vestibular, AGORA VAI VIRAR LIVRO COM RECURSOS DA LEI ALDIR BLANC, COM PREVISÃO DE LANÇAMENTO EM JUNHO DE 2021.

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Sinopse da Obra “AMABA/PROJETO RECULTURARTE: O ESQUECIDO CIRCULO DE
CULTURA DA ARACAJU DAS DÉCADAS DE 1980/1990. – VOLUME I
É um livro que traz a tona, experiência educativa, social e cultural ocorrida entre os anos de 1983 e 2008, no Bairro América, localizado na periferia de Aracaju, tendo como base o pensamento filosófico e pedagógico do educador Paulo Freire. São relatos e análises com base principalmente em pesquisa documental e entrevistas, e coloca em pauta memórias e vivências de moradores vivendo com sérios problemas de ordem familiar e social, mas que encontraram na AMABA/Projeto Reculturarte condições e oportunidades de superação, reforçando conhecimentos e habilidades que já possuíam, assim como adquirindo novos, no campo da cidadania, educação, arte, comunicação, convivência, saúde e esporte.
Pequena amostra do livro

Mais um artigo publicado em E-book baseado nas pesquisas para elaboração do Livro AMABA/PROJETO RECULTURARTE O artigo sobre a Banda Afro Meninos do B.A.

INTERESSADOS PODEM ENCONTRAR EM CONTATO POR MEIO DO EMAIL zezitodeoliveira@gmail.com ou por meio dos comentários na página do livro ou enviando mensagem. O PREÇO É R$30.00, impresso, e R$15.00 o Ebook. As pré vendas começarão a partir de abril de 2021. O dinheiro arrecadado com a venda do primeiro volume será utilizado para financiar as despesas do segundo volume, cujo previsão de lançamento é novembro ou dezembro de 2021.
Rejane Conceição no "Ao Vivo" sobre o Projeto Reculturarte (Reeducação, Cultura e Arte). https://www.youtube.com/watch?v=ZDYg87qhY2Q
José Cosme (Nano) no "Ao Vivo" sobre o Projeto Reculturarte (Reeducação, Cultura e Arte)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

A vagina que salvou o Réveillon do Brasil


 so


A vagina que salvou o Réveillon do Brasil: ao cobrir a terra arrasada pelo canavial com uma buceta de 33 metros, a obra da artista Juliana Notari interrompeu a farra bolsonarista.


Jair Bolsonaro planejou e executou uma coreografia de “macho” para abrir 2021. A bordo de uma lancha, aproximou-se da Praia Grande, no litoral paulista, onde centenas de banhistas se amontoavam apesar de o país já estar chegando aos 200.000 mortos por covid-19. Depois de acenar para adultos e crianças, atirou-se no mar e nadou até a multidão. Atravessou a massa de gente como se fosse ungido por ela, ovacionado por gritos de “mito! mito!”. Funcionou tanto que ele até repetiu o batismo dias mais tarde, na segunda vez caminhando pela areia como o Messias do seu nome do meio. A cena calculada tem grande potencial simbólico. Horrorizou o mundo em transe pandêmico, mas não envergonhou uma parte significativa do Brasil. Se a eleição fosse hoje, Bolsonaro teria chances consideráveis de se reeleger.
E então, outro gesto aconteceu. Outra imagem ganhou o mundo. A vagina de 33 metros de altura por 16 metros de largura e 6 metros de profundidade da artista Juliana Notari, abrindo em vermelho a terra arrasada pelos canaviais de Pernambuco, se impôs. No noticiário internacional, havia a imagem do presidente com sinais de sociopatia desafiando o vírus e a racionalidade com seu “histórico de atleta”. E, ofuscando esse espetáculo falocêntrico, a vagina vermelha se expandiu, multiplicou-se como imagem e ocupou muito além da terra em que foi esculpida e recoberta por concreto armado e resina. Se não fosse por ela, Bolsonaro mais uma vez abriria o ano controlando a narrativa do Brasil.
Nada poderia ser mais transgressor no país dominado pelo bolsonarismo, o que diz o seu nome e o que não diz, do que essa buceta gigante. Não há maior ato de resistência, no Brasil onde os corpos humanos foram convertidos em obscenidade pela moral dos imorais e, portando, têm sido violados continuamente, do que abrir a terra esgotada, a terra pisoteada, a terra ferida como o corpo de tantas mulheres, com a escultura de uma vagina. A arte, que a obscenidade de Bolsonaro e das milícias digitais de extrema direita tentaram tornar obscena, salvou o início de um ano que quase certamente será ainda mais difícil do que o de 2020. Há disputa. E sabemos onde ela está.
Uma obra de arte não é em si nem para si. Há a intenção do artista e há o que ela se torna no encontro e no confronto com o olhar de cada um, um encontro e um confronto que podem atravessar as épocas, transmutando-se a cada contexto. A arte é aquela que, antes de ser, se torna. E só se torna se for aberta aos mundos.
A pernambucana Juliana Notari há pelo menos duas décadas faz um trabalho muito consistente na intersecção entre o feminino e a violência. Dessa vez, chamou a vagina gigante de “Diva” e definiu-a como uma “vulva/ferida”. Ao divulgar em 31 de dezembro a obra que passou 11 meses esculpindo para a Usina de Arte, um parque artístico-botânico na cidade de Água Preta, em Pernambuco, sofreu um ataque brutal nas redes sociais. Só no Facebook o post já recebeu 27 mil comentários, parte deles reduzidos a agressões. Por romper o cotidiano e atravessá-lo, a artista foi atacada violentamente. A reação já faz parte da obra. Até um “Punhetaço” foi marcado pelas redes sociais pelos machos com medo de buceta. A sua, a nossa Diva, já entrou para a história das vaginas que perturbam o mundo com sua potência.
Escolho me encontrar com a vulva ferida a partir do confronto do ato de Bolsonaro e da obra de arte de Notari. Talvez porque a obscenidade de Bolsonaro, num momento em que a pandemia volta a se agravar também no Brasil, nos feriu logo no irromper de 2021. Calculadamente, ele fez sua demonstração de força para mostrar quem manda e enterrar todas as ilusões de que a virada de um ano possa interromper o exercício do mal. Bolsonaro é o presidente. E, por ser o presidente, não há ninguém no país mais responsável do que ele para conduzir o Brasil na maior crise sanitária em um século. E ele tem nos conduzido para a morte com a cumplicidade de milhões de brasileiros.
Os cúmplices não são apenas os que votaram em Bolsonaro, nem são apenas os que declaram nas pesquisas que seu governo é ótimo ou bom ou mesmo regular, no momento em que mais de 50 países já começaram a vacinar suas populações e o Brasil ainda não conseguiu sequer comprar seringas. Ser bolsonarista é mais do que ter votado ou pretender votar em Bolsonaro. O bolsonarismo virou um modo de agir no mundo que se baseia na produção calculada de mentiras e na imposição da vontade do indivíduo sobre as necessidades do coletivo, portanto pela imposição do mais forte pela violência. É por isso que o bolsonarismo é ainda mais perigoso do que Bolsonaro —e persistirá muito além dele. Tenho me surpreendido com a quantidade de pessoas que aderiram ao bolsonarismo nessa pandemia, ao acreditar que sua pretensa liberdade os autoriza a ameaçar todos os outros. Não existe a liberdade de matar.
Bolsonaro não trabalha com eleitores, mas com seguidores que votam. E é para eles que produz imagens. Desde o início da pandemia, ele atua para fazer uma associação perversa: a de que só os fracos morrem de covid-19. Os fortes, grupo que ele acredita representar, quando contaminados têm apenas uma “gripezinha”. Bolsonaro e o bolsonarismo já deixaram mais do que explícito quem consideram fracos: as mulheres, os LGBTQ+, os negros, os indígenas. Também já tornaram explícito quem são os fortes, os do topo da cadeia alimentar: os homens, “machos” porque héteros, os brancos.
Ao nadar para ser ungido pelo povo, numa demonstração de força, como fez no primeiro dia do ano, ele é o macho que desafia as ondas, o vírus, as instituições internacionais, a ciência, a ética, a racionalidade e a própria verdade. É o homem sem amarras, livre porque a única vida que importa é a dele. Quando na segunda cena, essa caminhando sobre a areia, ele carrega crianças no colo, a mensagem é a de que só os fortes merecem viver. Se os bebês forem contaminados, os “melhores” sobreviverão. É também por isso que ele pode dizer “e daí?” diante dos mortos ou, mais recentemente, “não dou bola”, referindo-se ao fato de seu governo ainda não ter garantido a vacina à população e estar atrás de tantos países, incluindo a Argentina, que já começaram a imunizar seus habitantes. Quando ele abraça pessoas sem máscara, espalhando perdigotos em seus rostos, ele está dizendo: se você é forte, merece viver; se for fraco, dane-se.
Também não é por acaso que, em suas declarações, ele costuma forjar uma associação pejorativa com raça e gênero. Como ao defender que aqueles que quiserem ser vacinados deveriam assinar um termo de compromisso responsabilizando-se pelos supostos efeitos colaterais. A mensagem é explícita: “Se você virar um chimpanz... se você virar um jacaré, é problema de você [sic]. Não vou falar outro bicho aqui para não falar besteira. Se você virar o super-homem, se nascer barba em alguma mulher aí ou um homem começar a falar fino, eles [os laboratórios] não têm nada a ver com isso”.
Bolsonaro já declarou que não tomará a vacina. É o “macho” que nada para abraçar o povo exatamente porque o povo não importa. Toda a sua campanha foi alicerçada no ataque aos corpos que ele considera “errados” ou “fracos” porque não são o seu. Já vamos para o quarto ano, contando o da eleição, sendo violentados pelas declarações de Bolsonaro, que fala obsessivamente de orifícios, de pênis e de ânus, convertendo os corpos em objetos e dividindo o mundo entre aqueles que portam buracos e aqueles que têm o poder de enfiar coisas nos buracos. Para homens como ele, a única relação possível entre um corpo e outro corpo é a da violência. Tanto o pênis quanto as armas são falos empunhados para fazer buracos nos corpos dos que considera mais fracos ou inferiores.
Antes do batismo do macho protagonizado no litoral paulista, sua última declaração midiática foi ironizar a tortura sofrida por Dilma Rousseff pelas mãos de agentes do Estado durante a ditadura civil-militar (1964-1985). Logo depois do Natal, ele disse a apoiadores: “Dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela. Traz o raio-X para a gente ver o calo ósseo. Olha que eu não sou médico, mas até hoje estou aguardando o raio-X”.
Não é uma escolha aleatória. A única mulher presidenta do Brasil foi destituída por um impeachment em cuja votação Bolsonaro, então deputado federal, homenageou o mais notável torturador e assassino da ditadura, associado a dezenas de mortes e a centenas de sessões de tortura de opositores políticos. Bolsonaro fez questão de adicionar uma perversão a mais: “Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”.
Enaltecer o torturador, demonstrar prazer com a tortura da mulher que está empenhado em destituir do cargo e depois duvidar de seus ferimentos é o gozo do perverso. É assim que se comportam os torturadores e também os assassinos. Bolsonaro torturou Dilma durante o impeachment e, dias atrás, a torturou mais uma vez. Para mostrar que pode. Porque pôde, no passado, e por isso se elegeu —e porque pode no presente, porque faz tudo isso e segue sem ser perturbado por um processo de impeachment.
Essa é a mensagem que pretende vender e, como faz parte da estupidez de tantos comprar gato por lebre se achando o maior esperto do mundo, milhões de brasileiros acreditam. Como tudo em Bolsonaro, a imagem de força e de potência é só mais uma fake news ou, em bom português, uma mentira. Basta ir ao youtube ver Bolsonaro fingindo fazer flexões de braço para ver que ele é tão atleta quanto é cristão. Na terça-feira (5), afirmou publicamente sua impotência: “O Brasil está quebrado e não consigo fazer nada”. Os mais de 60 pedidos de impeachment que poderiam tirá-lo do governo que corrompe para botar quem consegue fazer alguma coisa estão dormindo na gaveta de Rodrigo Maia (DEM).
A força de Bolsonaro é a dos fracos: a violência, seguidamente armada. Violentar, corromper e mentir é só o que esse arremedo de homem consegue fazer. Bolsonaro fracassou como militar, sua carreira como deputado é uma vergonha e um desperdício de dinheiro público, ao tornar-se presidente, tornou-se o pária do mundo, como afirma seu próprio chanceler, motivo de piada de um lado a outro da Terra que ele acha que é plana.
Como descobrimos, porém, há milhões de brasileiros dispostos a acreditar em qualquer mentira e a chamar de “mito” um mentiroso. Assim, a virada do ano é tempo de balanço e de estabelecer metas de Ano-Novo também para Bolsonaro. Em seus atos, ele garantiu ao seus iguais que poderão seguir abusando de mulheres como Mari Ferrer, vítima de estupro que foi violentada mais uma vez durante o julgamento ao ser tratada como culpada. Em seus atos, o presidente do Brasil está reafirmando que os homens poderão seguir dizendo que o acusado de estupro não tinha condições de perceber que a vítima estava inconsciente e seguir julgando o comportamento da vítima em vez do ato do estuprador. Essa é a mensagem sempre que ele publicamente humilha uma mulher com palavras ou gestos ou decisões.
Na concepção de mundo do bolsonarismo não há relação que não termine com um outro subjugado e desumanizado. Bolsonaro tornou o Brasil um grande experimento pornográfico. O homem no cargo máximo do país brinca de nos matar. Ao mergulhar nas águas do mar, para muitos um ritual de purificação, ele renasce para mais um ano como senhor da morte. Tenho convicção de que as gerações futuras vão nos perguntar por que não fomos capazes de impedi-lo de seguir matando. Essa acusação assombrará os que hoje estão vivos para muito além da vida.