informações sobre ações culturais de base comunitária, cultura periférica, contracultura, educação pública, educação popular, comunicação alternativa, teologia da libertação, memória histórica e economia solidária, assim como noticias e estudos referentes a análise de politica e gestão cultural, conjuntura, indústria cultural, direitos humanos, ecologia integral e etc., visando ao aumento de atividades que produzam geração de riqueza simbólica, afetiva e material = felicidade"
A entrada ao evento será gratuita, mas com uma condição solidária: será solicitada a doação mínima de 2 kg de alimentos não perecíveis para retirada dos ingressos.
Os ingressos poderão ser trocados no dia 1º de novembro, das 10h às 17h, no hall do teatro.
Recomendo demais esse “O agente secreto” do Kleber Mendonça Filho. Tem tudo para ser um grande filme e que marcará a história do cinema brasileiro. Do roteiro à fotografia; da direção à trama; dos personagens ao cenário de época…
Mas tem uma coisa que toca a todos que estão na condição de docente numa universidade e que deveria nos tocar todos e todas que temos ligação com o ensino público como projeto de país e de soberania…
Enquanto trabalhadores e trabalhadoras da educação pública, seremos tocados direta ou indiretamente: o personagem é um professor universitário comum, pesquisador e dedicado a vida acadêmica de pesquisa, mas tragado por uma situação que sempre será a desgraça do ensino público: a determinação do privado que tem o poder econômico…
Tem uma cena antológica e que muito nos fará pensar em dias atuais e poderemos ver nosso destino quando reside nas mãos dessa gente adoradora de PPP`s, mercado, empreendedorismo… Não direi mais nada do filme para não estragar a “surpresa”.
O filme deveria nos fazer pensar que tipo de professor/professora que temos (e somos) numa instituição pública (ainda), no governo e MEC que temos em dias atuais e suas relações com o mercado; que tipo de gestores/gestoras temos nas universidades públicas e quais seus reais compromissos com algum projeto de Nação e não apenas com jogadas marqueteiras, adorações de parcerias privadas e essa loucura do empreendedorismo coach que castiga o horizonte de nossa juventude e de quebra, “reforma” administrativa no horizonte próximo para nos destruir de vez…
No filme, um departamento inteiro e suas pesquisas foram destruídas por um “simples” burguês marginal dos mercados de plantão e que fala mais alto que uma estatal pública. Era uma ditadura naquela época (no contexto do filme). Hoje é diferente(?), estamos na democracia e num governo de esquerda. Certo?... No mais, vejamos o filme e não tenhamos vergonha do que praticamos!!!
Em O Agente Secreto, Kleber Mendonça Filho subverte expectativas. O filme começa feito um thriller de espionagem, mas logo se transforma em algo maior: uma colagem de gêneros, ecos e memórias cinematográficas. Kleber faz o que sempre soube fazer — cria a partir das ruínas, mistura política, melancolia e invenção formal. Mais ou menos à maneira de Quentin Tarantino, ele recicla cults e clássicos: da Nouvelle Vague ao Cinema Novo, do cinema de retomada ao asiático, do europeu ao nordestino. O resultado é um mosaico em que o Brasil se revela por reflexos, lapsos e silêncios.
A história de Marcelo (Wagner Moura), fugitivo que desembarca no Recife de 1977, é apenas o fio condutor. Por trás dele, o que se esconde é o retrato de um país que apaga pessoas, lugares e lembranças — o mesmo Brasil de Aquarius, Bacurau e Retratos Fantasmas. A fotografia, de tons sépia e luz difusa, remete a um cinema antigo, quase analógico, em que cada plano parece resgatar uma lembrança. O São Luiz, o centro, a Praça do Sebo, o som abafado das fitas e dos projetores: tudo pulsa como um inventário da memória recifense.
Como em Recife Frio, seu curta-metragem mais provocador, Kleber volta à cidade como se fosse um personagem — viva, contraditória, ameaçadora. E é ali que a trama se expande para um território moral: um Brasil de arquivos censurados, polícias corruptas e identidades ocultas. Cada personagem parece ser um agente duplo de si mesmo, e o passado insiste em vazar pelos poros do presente.
Mas a verdadeira subversão de Mendonça Filho está na estrutura. Quando esperamos a catarse, o filme corta o tempo — num gesto à la irmãos Coen, como em Onde os Fracos Não Têm Vez ou Bravura Indômita. O que seria explosão vira silêncio; o que prometia vingança se dissolve em melancolia. É aí que o filme revela seu segredo: não é sobre espionagem, mas sobre esquecimento.
Com atuações intensas de Moura, Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Tânia Maria (uma revelação aos 78 anos), O Agente Secreto é ao mesmo tempo um épico político e uma elegia à memória. Kleber transforma o cinema em espelho e em disfarce — um lugar onde o que é apagado continua a viver, teimosamente, na luz da tela.
CUMULUS SAMBAS - OUVIR, OLHAR, SENTIR - VIDEOCLIPE OFICIAL
Para mais informações sobre a pesquisa acima do ano de 2015.
O ato aconteceu ontem, 25/10, na mesma catedral da Sé que, há meio século, enfrentou a ditadura para contestar a versão fabricada pelos torturadores, de que Vlado havia se suicidado. Naquela ocasião, conduziram os trabalhos o arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel, e o pastor presbiteriano Jaime Wright.
Ontem, para uma catedral lotada e muito comovida, o trio original foi representado pelo atual arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, o rabino da Congregação Israelita Beth-El, Uri Lam, e pela pastora Anita Wright, filha de Jaime Wright.
Acompanhando o Coro Martin Luther King, o público cantou o Bêbado e o Equilibrista, hino informal da anistia aos perseguidos pela ditadura.
Sim, o ato de ontem na Catedral da Sé me fez feliz. E mais esperançoso neste Brasil tão desigual, tão machucado pela herança sombria dos golpistas de 64, tão enlutado pelos que morrem pela injustiça da fome, do preconceito e do abandono. Por 24 horas serei maiakovskiano, sem dar bola para os filhos de uma que ronca e fuça saudosos da tirania verde-oliva e seus cúmplices.
Ato Inter-religioso “50 Anos por Vlado” na Catedral da Sé – São Paulo
Instituto Vladimir Herzog recria cerimônia histórica em memória do jornalista
Catedral da Sé canta O Bêbado e o Equilibrista em homenagem a Vladimir Herzog
O assassinato de Vladimir Herzog, 50 anos depois | O ASSUNTO
"A ordem de execução do Vlado veio de Brasília, dos irmãos Geisel", afirma Adriano Diogo
"A Ideologia da Vergonha e o clero do Brasil" é um livro do autor William Cesar Castilho Pereira que investiga como a formação de seminaristas no Brasil pode ser moldada por um processo de ocultamento das origens socioeconômicas, levando a uma tensão entre espiritualidade e poder. Essa "ideologia da vergonha" estaria ligada a uma negação de si mesmo, que pode se manifestar no que o autor chama de "consumo do sagrado" (culto à imagem, apego a símbolos de poder) e em dinâmicas de culpa e submissão.
Formação clerical: A obra analisa como os seminários podem, em alguns casos, criar uma formação que leva ao distanciamento das origens populares dos seminaristas.
"Consumo do sagrado": O autor sugere que a negação das origens pode levar ao fascínio por padres influenciadores e ao apego excessivo a símbolos externos de poder, como uma versão narcisista da "caverna de Platão".
Mecanismos de poder e culpa: O livro busca expor as estruturas de poder e culpa que, na visão do autor, confinam a fé a uma experiência de medo e submissão, em vez de uma experiência de acolhimento.
Objetivo da obra: O livro visa provocar reflexão sobre a formação e a autenticidade dentro da Igreja Católica, incentivando um diálogo mais aberto sobre os desafios internos.
Recepção: A obra é considerada provocativa e necessária para religiosos e leigos e foi discutida em debates com a participação de figuras como o cardeal Dom Leonardo Ulrich Steiner e o psicanalista Jurandir Freire Costa.
Eliseu Wisniewski
A presença de um novo perfil de clero brasileiro revela uma tendência clericalista visível a olho nu que ganha seu lugar cada vez mais comum e, por conseguinte, mais legítimo nas mídias católicas e nas comunidades eclesiais. Não deixa de ser desconcertante o perfil predominante dos ministros ordenados, em especial do presbítero, nas últimas décadas, em perspectiva oposta a uma Igreja sinodal. Grande parte dos denominados "padres novos" normalmente: tomam distância do Vaticano II e do magistério do Papa Francisco; gostam de se autodenominar "sacerdotes" e de exercer seu ministério em torno ao culto e à administração dos sacramentos; devotam especial esmero ao uso de paramentos e outros utensílios da liturgia pré-conciliar; dizem-se zelosos da doutrina e defensores da tradição; vestem-se com trajes clericais, demarcando o espaço "sagrado" em relação ao dito ambiente "mundano"; não hesitam em demonstrar sua superioridade e sua distância em relação aos leigos e leigas (estes considerados de segunda categoria); são pouco sensíveis às questões sociais, preferindo o centro às periferias; estão atrelados a uma Igreja autorreferencial e pouco missionária; fazem pontes com ideologias conservadoras.
O novo rosto do clero: perfil dos “padres novos” no Brasil
"Diante da complexidade do perfil dos “padres novos” na Igreja do Brasil - esta obra é um convite para pensar o ministério presbiteral e seu exercício na Igreja e no mundo de hoje", escreve Eliseu Wisniewski, presbítero da Congregação da Missão (padres vicentinos) Província do Sul e mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), ao comentar o livro O novo rosto do clero: perfil dos padres novos no Brasil (Vozes, 2021, 304 p.), de autoria de Dr. Agenor Brighenti e coautoria de Alzirinha Rocha de Souza, Andrea Damacena Martins, Antônio José de Almeida, Antônio Manzatto, Brenda Carranza, Fernando Altemeyer Junior, João Décio Passos e Manoel José de Godoy.
Três temas que precisam serem intensificados na formação dos seminaristas e na formação continuada do clero.
1 - A questão da relação com o dinheiro, a audiência pública com os dizimistas para discutir as prioridades como uma espécie de orçamento participativo , o controle social por parte dos conselhos internos e a transparência interna e mesmo pública, quando for o caso.
2- A dimensão da sexualidade em uma perspectiva inclusiva, coerente com os valores cristãos, mas considerando os avanços no campo da ciência e da cultura. Mesmo com alguns anacronismos da legislação intraeclesial , como o catecismo e o código do direito canônico, acredito que dê para avançar. Pode render um bom debate para uma série de lives do canal Não é Heresia, por exemplo. A editora Vozes, por exemplo, nos surpreende com a publicação de um livro da psicóloga e comunicadora Laura Muller, especializada na discussão do tema sexualidade sob uma ótica mais contextualizada na realidade do tempo presente, com suas alegrias e percalços neste campo.
3- A questão da cultura também precisa ser abordada sob uma ótica inclusiva, decolonial e considerando o conceito da alteridade, que também é valor. A importância da inculturacao, bastante evidente nos documentos de São Domingos e Aparecida, precisa ser retomada com o vigor que teve antes da pentecostalização da igreja católica, desde os anos 1990. A Tv Aparecida pode ajudar nessa formação, como já vem fazendo , assim como os canais progressistas católicos, além do Não é Heresia, já citado, o Causas da Vida, o qual já fez bons programas sobre o tema Cultura.
Gilberto Gil processa padre que debochou de orixás após morte de Preta Gil
Oito membros da família ajuizaram uma ação com pedido de indenização de R$ 370 mil devido ao discurso proferido pelo sacerdote. Leia mais AQUI
Também é importante citar o vigoroso trabalho do professor Romero Venâncio (UFS) nas redes digitais abordando de forma brilhante temas como Cultura e a Guerra Cultural da extrema direita católica, também não menos vigoroso e brilhante, o trabalho do canal Paz e Bem. Todavia, o cerne ou âmago da questão trazida aqui é a formação nos seminários e de forma contínua do clero. Tudo que está escrito acima foi motivado , não somente, mas fortemente pela briga transmitida ao vivo do padre de uma pequena cidade do interior de Minas com um radialista de nome Jesus. Ou, quando alguma ou algumas coisas estão fora de ordem, aqui lembrando Caetano Veloso.
Zezito de Oliveira
PADRE INVADE RÁDIO E AGR1D4 JESUS, O RADIALISTA, DURANTE PROGRAMA AO VIVO EM MINAS GERAIS | PLANTÃO
Autor de pintura que gerou briga entre padre e locutor Jésus reprova restauração: 'Deturparam minha obra'
Autor da Santa Ceia da Igreja de Sant’Ana, em Bambuí, afirma que não foi consultado pela paróquia sobre a restauração feita em 2022. A pintura foi o motivo da briga em que um radialista disse ter sido agredido por um padre após criticar o trabalho ao vivo.
Para saber mais sobre Nilson Chaves, clique aqui e aqui
Fafá de Belém - Ao Pôr Do Sol
Ao Pôr do Sol - Teddy Max
Ao pôr do Sol
Eu vou te dizer
Que o nosso amor
Não pode morrer
Quando as estrelas
No céu despontarem vão dizer
Que a Lua, eu fiz pra você
E então eu serei amor
O sereno e o luar será você
Ardente de paixão
Que raia no meu coração
E então eu serei amor
O sereno e o luar será você
Ardente de paixão
Que raia no meu coração
Para conhecer a história do cantor e compositor Theddy Max, falecimento precocemente quando cantava em um show na cidade de Macapá, leia aqui
Olhando Belém
Composição: Celso Viáfora.
detalhe importante: Esta canção é da autoria de um compositor que nasceu em São Paulo mas que nutre por Belém e pela Amazónia um sentimento de profunda conexão. Para conhecer mais sobre Celso Viáfora clique aqui
O Sol da manhã rasga o céu da Amazônia
Eu olho Belém da janela do hotel
As aves que passam fazendo uma zona
Mostrando pra mim que a Amazônia sou eu
E tudo é muito lindo
É branco, é negro, é índio
No rio Tietê mora a minha verdade
Sou caipira, sede urbana dos matos
Um caipora que nasceu na cidade
Um curupira de gravata e sapatos
Sem nome e sem dinheiro
Sou mais um brasileiro
Olhando Belém enquanto uma canoa desce um rio
E o curumim assiste da canoa um Boeing riscando o vazio
Eu posso acreditar que ainda dá pra gente viver numa boa
Os rios da minha aldeia são maiores do que os de Fernando Pessoa
Olhando Belém enquanto uma canoa desce um rio
E o curumim assiste da canoa um Boeing riscando o vazio
Eu posso acreditar que ainda dá pra gente viver numa boa
Os rios da minha aldeia são maiores do que os de Fernando Pessoa
Olhando os meus olhos de verde e floresta
Sentindo na pele o que disse o poeta
Eu olho o futuro e pergunto pra insônia
Será que o Brasil nunca viu a Amazônia?
E vou dormir com isso
Será que é tão difícil
Olhando Belém enquanto uma canoa desce um rio
E o curumim assiste da canoa um Boeing riscando o vazio
Eu posso acreditar que ainda dá pra gente viver numa boa
Os rios da minha aldeia são maiores do que os de Fernando Pessoa
Olhando Belém enquanto uma canoa desce um rio
E o curumim assiste da canoa um Boeing riscando o vazio
Eu posso acreditar que ainda dá pra gente viver numa boa
Os rios da minha aldeia são maiores do que os de Fernando Pessoa
O Brasil não conhece a Amazônia
Waldemar Henrique - Uirapuru
Certa vez de montaria
Eu descia o Paraná
O caboclo que remava
Não parava de falar, ah, ah
Não parava de falar, ah, ah
Que caboclo falador
Me contou do lobisomem
Da mãe-d'água, do tajá
Disse do Jurutai
Que se ri pro luar, ah, ah
Que se ri pro luar, ah, ah
Que caboclo falador!
Que mangava de visagem
Que matou surucucú
E jurou com pavulagem
Que pegou uirapuru, ah, ah
Que pegou uirapuru, ah, ah
Que caboclo tentador!
Caboclinho, meu amor
Arranja um pra mim
Ando roxo pra pegar
Unzinho assim
O diabo foi-se embora
Não quis me dar
Vou juntar meu dinheirinho
Pra poder comprar
Mas no dia que eu comprar
O caboclo vai sofrer
Eu vou desassossegar
O seu bem querer, ah, ah
O seu bem querer, ah, ah
Ora deixa ele pra lá!
Waldemar Henrique da Costa Pereira (Belém do Pará, 15 de fevereiro de 1905 — Belém, 29 de março de 1995) foi um maestro, pianista, escritor e compositor brasileiro. Artista símbolo do Pará, a cidade de Belém possui uma praça e um teatro que levam seu nome. Leia mais aqui
“Eu olho o futuro e pergunto pra insônia: será que o Brasil nunca viu a Amazônia?”
Aldenor Ferreira
Publicado em: 10/02/2024 às 00:37 | Atualizado em: 10/02/2024 às 00:37
Celso Viáfora, em sua emocionante obra musical “Olhando Belém”, interpretada por Nilson Chaves, traz uma questão provocadora: “eu olho o futuro e pergunto pra insônia: será que o Brasil nunca viu a Amazônia?”, argumenta.
De fato, é uma questão pertinente. Infelizmente, parte da sociedade brasileira desconhece a Amazônia. E, lamentavelmente, o que se conhece da região, muitas vezes, é atravessado por preconceitos.
Conforme observado pelo sociólogo Antônio Carlos Witkoski, a Amazônia é uma formação socioeconômica moldada desde sua origem pela dinâmica do capitalismo. Ela nasce de costas para o Brasil, mas de frente para a Europa e para a exploração capitalista que esta dinâmica sempre propiciou.
Ainda segundo o sociólogo, “no curso do processo civilizatório ocidental, desde as grandes navegações – uma das primeiras manifestações de intensa globalização das relações econômicas, sociais, políticas e culturais no novo mundo –, a Amazônia se destaca mais pela lembrança/presença do que pelo esquecimento/isolamento”.
A dinâmica de exploração predatória dos recursos naturais da Amazônia passou por diversas fases. No século XX, a Ditadura Militar (1964-1985), ao tomar posse definitiva deste território com o lema “integrar para não entregar”, manteve a exploração capitalista predatória. Mesmo nos governos progressistas e democráticos, a região foi submetida à lógica do neodesenvolvimentismo.
A ignorância é conveniente
Portanto, o desinteresse, o preconceito e a negligência do “Brasil litorâneo” e das regiões metropolitanas mais ricas em relação à Amazônia são prejudiciais para o nosso país, mas benéficos para a exploração predatória promovida pelo capital nacional e internacional.
A ignorância é a causa de nossa tragédia em relação a este magnífico território. Todavia, é uma dádiva para aqueles que enxergam a Amazônia apenas como um meio para seus fins privados, visando somente ao lucro, em detrimento de toda a vida presente neste bioma.
Talvez seja por isto que o compositor se inquiete. Ele questiona: “eu olho o futuro e pergunto pra insônia: será que o Brasil nunca viu a Amazônia?” E conclui: “e vou dormir com isto: será que é tão difícil?”
Os rios de nossa aldeia
Eu posso acreditar que ainda dá pra gente viver numa boa
A conclusão do compositor coincide com a minha. Ele observa: “olhando Belém, enquanto uma canoa desce um rio e o curumim assiste da canoa um Boeing riscando o vazio, eu posso acreditar que ainda dá pra gente viver numa boa; os rios da minha aldeia são maiores do que os de Fernando Pessoa”.
Certamente, é possível viver bem, viver numa boa. Os nossos rios são os mais majestosos do mundo. E eles são muitos, uma miríade. São eles os principais responsáveis pela renovação da vida na Amazônia a cada ciclo. Vida no sentido amplo da palavra: vida da ictiofauna, vida botânica, vida vinda da agricultura, vida vinda da fé de cada homem, de cada mulher.
Uma nova vida é possível. Basta que tenhamos a capacidade e os investimentos necessários para o desenvolvimento de projetos endógenos, que levem em consideração as singularidades e especificidades biossocioculturais deste mosaico de “terras, florestas e águas”, para citar novamente o sociólogo Antônio Carlos Witkoski.
Conclusão
O Brasil pode não conhecer a Amazônia, mas nós que a conhecemos bem seremos os defensores dela. Nós, amazônidas, que vivemos nesta região, temos a missão de protegê-la de todas as formas possíveis.
Nós que navegamos em seus rios, que exploramos suas florestas e nos banhamos em suas cachoeiras e igarapés. Nós que cultivamos suas várzeas, que pescamos seus peixes, que apreciamos seus sabores, que celebramos as suas festas folclóricas e suas cores, seremos os fervorosos defensores de sua preservação e da busca incansável pelo seu desenvolvimento sustentável.
*Sociólogo
Amazônia
Nilson Chaves
Sim, eu tenho a cara do saci, o sabor do tucumã
Tenho as asas do curió, e namoro cunhatã
Tenho o cheiro do patchouli e o gosto do taperebá
Eu sou açaí e cobra grande
O curupira sim, saiu de mim, saiu de mim, saiu de mim
Sei cantar o tár do carimbó, do siriá e do lundú
O caboclo lá de Cametá e o índio do Xingu
Tenho a força do muiraquitã
Sou pipira das manhãs
Sou o boto, igarapé
Sou rio Negro e Tocantins
Samaúma da floresta, peixe-boi e jabuti
Mururé filho da selva
A boiúna está em mim
Sou curumim, sou Guajará ou Valdemar, o Marajó, cunhã
A pororoca sim, nasceu em mim, nasceu em mim, nasceu em mim
Sim
Eu tenho a cara do Pará, o calor do tarubá
Um uirapuru que sonha
Sou muito mais
Eu sou, Amazônia!
"Pérola azulada" - Zé Miguel e Nilson Chaves
Já aprendi voar dentro de você
Ancorar no espaço ao sentir cansaço
Ossos da jornada
Já aprendi viver como vive nu
Um cacique arara cultivando aurora
Luz de sua tiara
Eu amo você terra minha amada
Minha oca meu iglu, minha casa
Eu amo você pérola azulada conta
No colar de deus, pendurada
A benção minha mãe
Já aprendi nadar em seu mar azul
Adorar água, homem peixe, água
Fonte iluminada
Já aprendi a ser parte de você
Respeitar a vida em sua barriga
Quantos mais vão aprender
Eu amo você...
Terra, terra por mais distante o errante
Navegante quem jamais te esqueceria
Jaloo - Chuva (Clipe Oficial)
Composição: Iara Rennó / Thalma de Freitas.
Ar quente vai subir
Ar frio vai descer
Vapor que vem do mar
Geleiras vão derreter
O vento vai soprar
Tudo pode acontecer
As nuvens vão se condensar
E, depois, vão dissolver
Porque quando o sol aquece a Terra
Muita água se libera
E a gravidade da atmosfera
Faz pressão que nem panela
Quando vai chover bem muito
Você vem para o meu mundo
E eu te conto como acontece a chuva
E eu te conto como acontece a chuva
Chuva molha, molha, cai
Chuva chove, chove, sai
Chuva molha, molha, vem
Chuva, chuva
Chuva molha, molha, cai
Chuva chove, chove, sai
Chuva molha, molha, vem
Chuva, chuva
O ciclo d’agua é uma dança eterna!
Oh, lua lua luar
Me leva contigo pra passear
EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL
QUERIDA AMAZONIA
DO SANTO PADRE FRANCISCO
AO POVO DE DEUS E A TODAS AS PESSOAS DE BOA VONTADE
1. A Amazónia querida apresenta-se aos olhos do mundo com todo o seu esplendor, o seu drama e o seu mistério. Deus concedeu-nos a graça de a termos presente de modo especial no Sínodo que se realizou em Roma de 6 a 27 de outubro de 2019, concluindo com o Documento Amazónia: Novos Caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral.
2. Ouvi as intervenções ao longo do Sínodo e li, com interesse, as contribuições dos Círculos Menores. Com esta Exortação, quero expressar as ressonâncias que provocou em mim este percurso de diálogo e discernimento. Aqui, não vou desenvolver todas as questões amplamente tratadas no Documento conclusivo; não pretendo substitui-lo nem repeti-lo. Desejo apenas oferecer um breve quadro de reflexão que encarne na realidade amazónica uma síntese de algumas grandes preocupações já manifestadas por mim em documentos anteriores, que ajude e oriente para uma receção harmoniosa, criativa e frutuosa de todo o caminho sinodal.
3. Ao mesmo tempo, quero apresentar de maneira oficial o citado Documento, que nos oferece as conclusões do Sínodo e no qual colaboraram muitas pessoas que conhecem melhor do que eu e do que a Cúria Romana a problemática da Amazónia, porque vivem lá, por ela sofrem e a amam apaixonadamente. Nesta Exortação, preferi não citar o Documento, convidando a lê-lo integralmente.
4. Deus queira que toda a Igreja se deixe enriquecer e interpelar por este trabalho, que os pastores, os consagrados, as consagradas e os fiéis-leigos da Amazónia se empenhem na sua aplicação e que, de alguma forma, possa inspirar todas as pessoas de boa vontade.
5. A Amazónia é um todo plurinacional interligado, um grande bioma partilhado por nove países: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Perú, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa. Todavia dirijo esta Exortação ao mundo inteiro. Faço-o, por um lado, para ajudar a despertar a estima e solicitude por esta terra, que também é «nossa», convidando-o a admirá-la e reconhecê-la como um mistério sagrado; e, por outro, porque a atenção da Igreja às problemáticas deste território obriga-nos a retomar brevemente algumas questões que não devemos esquecer e que podem servir de inspiração para outras regiões da terra enfrentarem os seus próprios desafios.