segunda-feira, 27 de abril de 2026

Descarte irregular de livros e documentos públicos em Osasco e São Luís gera revolta e alerta para crime contra o patrimônio histórico

Em menos de quinze dias, dois episódios envolvendo a destruição de acervos públicos foram registrados no país, causando indignação e levantando suspeitas de crime. Na última sexta-feira (24), a Prefeitura de Osasco (Grande SP) descartou centenas de livros da Biblioteca Pública Monteiro Lobato, incluindo jornais e documentos que registravam a memória da cidade, alegando contaminação por fungos. O acervo foi jogado em uma caçamba de lixo um dia após o Dia Mundial do Livro, enquanto a biblioteca permanece fechada desde 2020 e uma reforma inacabada se arrasta desde 2023. Paralelamente, no Maranhão, em 17/04, imagens obtidas pela TV Mirante mostraram documentos públicos com mais de 40 anos, como relatórios e projetos de revitalização, sendo retirados da antiga sede da Secretaria de Estado da Cultura em São Luís e despejados em caçambas no Centro Histórico. Especialistas nos dois casos alertam que o descarte de documentos públicos sem análise técnica pode configurar crime previsto no artigo 305 do Código Penal, com pena de até seis anos de prisão. Enquanto moradores e professores cobram a reabertura da biblioteca em Osasco, o governo do Maranhão alega que os documentos descartados não tinham valor histórico — versão contestada por historiadores, que ressaltam que nenhum documento público é descartável por si só.  

 A Prefeitura de Osasco descartou centenas de livros da Biblioteca Pública Monteiro Lobato, na Grande São Paulo, na última sexta-feira (24/4), e gerou revolta entre os moradores da cidade. A administração afirma que os exemplares foram descartados após apresentarem contaminação por fungos e para evitar deterioração do restante do acervo.

Segundo moradores, jornais e documentos que registram a memória de Osasco estão entre o conteúdo descartado. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram centenas de livros jogados em uma caçamba de lixo. O descarte ocorreu um dia após a comemoração do Dia Mundial do Livro (23/4).

A biblioteca está fechada desde 2020, quando teve as atividades suspensas por causa da pandemia da Covid-19. Desde então, o local permanece inacessível ao público e apresenta estado de abandono. Os livros descartados teriam sido contaminados por fungos pela falta de manutenção, conforme relatos de osasquenses.

Moradores, professores e escritores pedem pela reabertura do espaço desde 2022. Nas redes sociais, o perfil " reabrebibosasco” afirma que “bibliotecas públicas são um importante patrimônio para a população, pois representam um espaço de encontro entre conhecimento, cultura e cidadania. E é por elas que lutamos”.

Em uma postagem da página, um internauta lamentou o descarte dos livros e reafirmou a memória da biblioteca: “Meu saudoso pai trabalhou nesta biblioteca pública Monteiro Lobato por décadas, desde os anos 1960 até meados dos anos 1990 e muitos desses livros foram catalogados por ele. De onde ele estiver, se viu isso certamente ficou tão triste como estou agora."

Uma reforma começou na biblioteca em setembro de 2023, mas não foi concluída e o prédio segue fechado. A obra tinha previsão de ser entregue no começo de 2024, mas não houve explicações públicas da prefeitura após o vencimento do prazo.

Criada por meio da Lei nº 162, de 20 de setembro de 1963, a Biblioteca Pública Monteiro Lobato (BPML) tem um importante papel na promoção do acesso ao livro e ao estímulo à leitura em Osasco. Antes de ser fechado, o espaço já chegou a receber cerca de duas mil pessoas por mês.

https://www.facebook.com/photo/?fbid=122308120586032255&set=a.122119910594032255&locale=pt_BR

Arquivos públicos com mais de 40 anos são encontrados em caçamba de lixo em São Luís

Imagens obtidas pela TV Mirante mostram retirada de documentos da antiga sede da Secretaria de Cultura. Especialistas alertam que o descarte pode ser crime, e o governo afirma que o material não tinha valor histórico.


Documentos públicos oficiais, alguns com mais de 40 anos, foram encontrados descartados em caçambas de lixo no Centro Histórico de São Luís. Entre os documentos estavam relatórios, tabelas de pagamento e até projetos de revitalização de prédios públicos importantes da capital maranhense.

Imagens obtidas pela TV Mirante na sexta-feira (17) mostram três homens retirando arquivos da antiga sede da Secretaria de Estado da Cultura, localizada na região central da cidade . Os documentos foram levados em um carrinho de mão e jogados em caçambas de lixo próximas à Rua Portugal.

Os materiais encontrados incluem documentos produzidos desde a década de 1980, tabelas de pagamento da secretaria, relatórios de atividades, livros e projetos de revitalização de prédios públicos, como a Biblioteca Benedito Leite.

Especialistas alertam que descarte pode configurar crime

Segundo pesquisadores e especialistas em arquivologia consultados pela reportagem, o descarte de documentos públicos só pode ocorrer após uma análise administrativa e técnica. Caso contrário, a prática pode configurar crime.

O artigo 305 do Código Penal prevê pena de até seis anos de prisão e multa para quem destruir, suprimir ou ocultar documentos públicos ou particulares.

Em entrevista à TV Mirante, o historiador Diogo Gualhardo explicou que existem duas formas legais de preservar documentos institucionais: o armazenamento físico no Arquivo Público do Maranhão ou a digitalização.

Segundo o historiador, ambos os processos exigem avaliação técnica, identificação do material, definição do que deve ser preservado e procedimentos administrativos, como a contratação de empresas especializadas. Ele afirma que o descarte não poderia ter ocorrido da forma registrada nas imagens.

"Não existe um documento descartável por si só. Deve-se analisar que tipo de documentação é essa e a quem pode interessar, mas são documentos públicos oficiais, jamais poderiam ser entregues à lata do lixo como se procedeu”, disse o historiador.

Arquivistas ouvidos pela reportagem explicam que a eliminação de documentos públicos só pode ocorrer após avaliação técnica — que define o que pode ser descartado e o que deve ser preservado — e com autorização da instituição arquivística competente, no caso do Maranhão, o Arquivo Público do Estado.

Arquivo Público do Maranhão está interditado há mais de um ano

O Arquivo Público do Maranhão está interditado há mais de um ano, desde janeiro de 2025. Segundo a Defesa Civil, o prédio apresenta risco de desabamento. Uma obra chegou a ser iniciada, mas ficou restrita à estrutura de sustentação e acabou paralisada.

O prédio reúne documentos desde o século XVII. Parte desse acervo ainda não foi transferida para um espaço provisório, o que tem prejudicado pesquisas e o acesso a registros históricos.

"Não existe, a priori, um documento que seja propriamente descartável, porque isso pode se tornar um objeto de estudos não só para historiadores, mas para administradores. Por exemplo, para alguém que vai pensar a administração estadual nos últimos 30 anos, ele poderia utilizar esse documento", disse o historiador.

Em novembro do ano passado, a Secretaria de Estado da Cultura informou que a vistoria do Corpo de Bombeiros no prédio provisório no Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA) estava em fase final, mas ainda não havia um local adequado para guardar os registros históricos.

Governo diz que documentos descartados não têm valor histórico

Em nota, a Secretaria de Estado da Comunicação informou que os documentos encontrados na antiga sede da Secretaria de Cultura seriam apenas arquivos administrativos e contábeis de gestões antigas, sem valor histórico. Segundo a pasta, esse material já teria cumprido o prazo legal de retenção previsto em decreto estadual e, por isso, não precisaria ser preservado.

A secretaria afirmou ainda que documentos com relevância histórica passam por digitalização e arquivamento adequado, e destacou o compromisso com a gestão correta dos documentos, a transparência e a preservação do patrimônio público.

Procurado, o Governo do Estado não informou quando a obra no Arquivo Público do Marnhão será concluída.

https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2026/04/19/arquivos-publicos-com-mais-de-40-anos-sao-jogados-em-cacambas-de-lixo-em-sao-luis.ghtml

O prefeito atual de Osasco é Gerson Pessoa, filiado ao Podemos (PODE). Ele foi eleito em primeiro turno nas eleições de 2024 e sucedeu Rogério Lins, que também é do mesmo partido.  O governador do Estado do Maranhão é Carlos Brandão. Embora tenha sido eleito e reeleito pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), fontes indicam que ele se encontra atualmente sem partido após ser destituído da presidência estadual da sigla em agosto de 2025.

NOTA: MinC repudia descarte de parte do acervo da Biblioteca Pública Monteiro Lobato, em Osasco (SP)

O fato aconteceu na semana em que se comemorou o Dia Mundial do Livro e causou indignação na comunidade.

🔗 Leia nota na íntegra: https://www.gov.br/cultura/pt-br/centrais-de-conteudo/sala-de-imprensa/notas-do-ministerio-da-cultura/minc-repudia-descarte-de-parte-do-acervo-da-biblioteca-publica-monteiro-lobato-em-osasco-sp


Ecos do 25 de abril em Portugal e na Itália.. A luta contra o fascismo de todos os dias.

 Gilberto Calil 

Impressões sobre a manifestação do 25 de abril em Lisboa.

* Foi seguramente a maior dentre as três em que estive. É muito difícil calcular, mas foram dezenas de milhares. A chegada no Rossio durou mais de 1h30.

* A participação jovem.foi muito destacada, majoritária, bem acima de outros anos. E nesta juventude, uma maioria de mulheres.

* Em um contexto de crescimento dos fascistas do Chega, a vinculação entre a memória da derrubada da ditadura e a luta contra o fascismo atual foi muito marcada.

* Como de hábito, a manifestação foi alegre, espontânea, com o povo entoando canções de luta e sem discursos no carro de som.

Uma grande lição e uma alegria presenciar mais uma vez o 25A em Lisboa.

Gilberto Grassi Calil

Gilberto Grassi Calil possui graduação em História (Licenciatura) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1994), graduação em História (Bacharelado) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1996), mestrado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1998) e doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense (2005). Atualmente é professor associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, atuando no Curso de História e no Programa de Pós-Graduação em História. 


Nuno Cavaco

Nem todos os “capitães” de abril são militares.

Obrigado capitão, com gente como tu Portugal terá futuro!


 

Nuno Cavaco 

𝑨𝒏𝒕𝒊𝒈𝒂𝒎𝒆𝒏𝒕𝒆 é 𝒒𝒖𝒆 𝒆𝒓𝒂 𝒃𝒐𝒎

São já centenas de milhares de pessoas de direita que, fartas das conquistas da “esquerdalha” e da “comunagem”, dizem querer abdicar do que o 25 de Abril lhes trouxe e voltar a viver como antigamente, no tempo de António de Oliveira Salazar.

Município do Seixal

Escola Secundária da Baixa da Banheira

FLUL - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

Jefferson Santos

A festa do 25 de abril é uma das tradições mais comemoradas na Itália. Conhecida como Festa della Liberazione, essa data celebra o fim da ocupação nazista e a queda do fascismo. Dá uma emoção danada ouvir a canção Bella Ciao, um símbolo de resistência. 

 A Itália está com caras novas na política e uma grata surpresa é Silvia Salis, ex atleta olímpica, foi eleita no ano passado,  prefeita de Gênova. Sua ascensão é meteórica, especialistas já a apontam como futura sucessora da Meloni. 

Torcendo para a Itália dar essa guinada com ideias progressistas. Ela tem cativado o coração da população italiana, já que sua meta, entre outras, é realizar um desenvolvimento econômico com justiça social. Para ela, não há inimigos, todos têm que andar juntos. 


Filiado PSOL, não apóio ditaduras de Esquerda. Morou 8 anos na França

estudou Direito


25 de abril de 2026 na Cidade do Porto - 
Por Egidio Santos, Agência de fotografia, Lda
Fotojornalismo Retrato Reportagem Trabalhou em : " O Jornal"," O Independente", "Jornal de Negócios", Museu do Douro. Colabora actualmente com revista "Exame", Universidade do Porto, Escola de Gestão do Porto, "Exame Informática", CCDR-N






























Paulo Celestino
artista

Trechos de “As Armas e o Povo” realizado pelo Sindicatos dos Trabalhadores de Cinema Português. Nele vemos Glauber Rocha entrevistando o povo português no desfile do 1º de maio de 1974 em Lisboa, dias após a revolução dos Cravos que ocorreu em 25 de abril daquele mesmo ano libertando Portugal de décadas de ditadura. E também trecho da gravação de “Tanto Mar” de @chicobuarque gravado em 1975 para a RTP🎥🇵🇹Viva a Revolução dos Cravos! Viva o 25 de Abril!



Fonte: Facebook


Sandy - O Amor É Um Ato Revolucionário (Videoclipe)








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sábado, 25 de abril de 2026

O 25 de Abril: uma data que conecta Portugal, Itália e Brasil. Por Zezito de Oliveira




domingo, 26 de abril de 2026

A presidente da UNE, Lula, os jovens, as ruas e os celulares. Por Moisés Mendes

 Publicado por Moisés Mendes - Atualizado em 25 de abril de 2026 às 22:32

Bianca Borges. Foto: Reprodução

Fonte DCM

Se nem celular tem, como o presidente Lula pode querer entender os jovens? Como poderá enfrentar Nikolas Ferreira, que domina o celular e as redes sociais? Esse é um resumo possível de uma das pautas da presidente da UNE, Bianca Borges (foto), em entrevista ao Estadão.

Já sabemos que os jovens, as abelhas e os tico-ticos despareceram da cena pública. E agora se sabe que Lula pode até se comunicar bem com os bichos, mas não com os jovens. Porque não capta os sons dos jovens, também por não ter celular.

Essa é a frase de Bianca: “De um lado, o Lula que não tem nem celular; do outro, o Nikolas Ferreira, que caminhou mil quilômetros outro dia só para ir gravando stories e fazer cortes para as redes sociais”.

Lula talvez seja o mais jovem presidente que o Brasil já teve desde o golpe que instalou a República. Um jovem agora com 80 anos. Tem vitalidade física, vigor retórico e dedicação intensa, desde o primeiro governo, às demandas dos jovens. Alguém falará do jovem Collor, mas esse era apenas um maratonista.

Lula tem atrevimento, atitudes, espírito de jovem. Mas não tem celular, e esse detalhe pode ser parte do diagnóstico. Nikolas filma o que faz ou simula fazer, em caminhadas, enchentes em Minas e aglomerações. É o que a direita faz melhor do que a esquerda. Principalmente para produzir mentiras e ódio.

Num cenário em que as pesquisas indicam o aumento do reacionarismo entre os jovens, Lula está perdendo apoio porque o mundo mudou e as conversas, os dilemas e os sonhos são outros. Toda a esquerda perdeu, também pela incapacidade de renovação de quadros, fala e ações, que o próprio Lula já abordou.

A direita tem, além do deputado transfóbico bem celularizado, muitos outros exemplos de jovens lideranças, com ou sem mandato, com poder de fala e de síntese. Todos com celulares de última geração, alguns com dezenas celulares.

A UNE hoje liderada por Bianca foi uma entidade de combate antes e depois da ditadura, e muitos nomes das esquerdas ascenderam como líderes estudantis. Lindberg Farias e Orlando Silva foram os últimos a ganhar mandato e projeção nacional. Ninguém mais com expressão política e voto veio depois.

Há muito tempo a União Nacional dos Estudantes não tem a mesma relevância como trincheira de luta. É provável que a UNE tenha envelhecido mais do que Lula, porque os estudantes já não se agrupam, nem em uniões estaduais e municipais de secundaristas, nem nos DCEs das universidades, com a mesma força que tiveram até as manifestações pelo impeachment de Collor em 1992.

Como, nesse ambiente, querer mais conexão do poder com os jovens? Comprar um celular e treinar Lula com um pau de selfie? Reduzir a dependência que Lula tem do seu fotógrafo Ricardo Stuckert, para que o presidente se vire sozinho com um celular Huawei Mate XT Ultimate Design, considerado uma Ferrari perto do iphone 16 da Apple?

Pode ajudar, mas não vai resolver. Em artigo recente na Folha, a jornalista Lúcia Guimarães, que mora em Nova York, escreveu sobre a ausência dos jovens americanos nas ruas.

As manifestações, informa Lúcia, têm cada vez mais gente de mais idade. São pessoas já perto dos 50 anos. Os jovens não lutam mais, contra as guerras e contra o fascismo, como lutaram por tanto tempo e chegaram a lutar até contra Trump.

Lúcia escreveu: “Uma professora universitária (Dana Fisher) que monitora o perfil demográfico do No Kings registrou que a idade média da manifestação de junho de 2025 foi de 36 anos; a de outubro passado foi de 44 anos; e o protesto recordista de 28 de março de 2026 foi o mais grisalho, com idade média de 48 anos”.

A jornalista pergunta: por que os jovens sumiram? As respostas tentadas são: pela clausura das telas e das redes, por desencanto com as instituições, por desprezo pelos partidos e pelos políticos e por medo da polícia.

Na Argentina, uma tradição dos anos 90, que parou por alguns anos e voltou com força no governo de Milei, são as manifestações de rua das quartas-feiras. Promovidas por idosos.

Todas as quartas eles caminham em direção ao Congresso ou à Casa Rosada, levam bordoadas da polícia e retornam na outra quarta. Há jovens nas caminhadas contra o governo do gângster da criptomoeda, mas os atos são essencialmente uma luta de velhinhos e velhinhas.

Os jovens estão mais no celular do que nas ruas, não só em Buenos Aires. E as ruas sempre foram deles desde o dia em que começaram a atirar paralelepípedos na polícia em Paris, lá em 1968.

Bianca tem 26 anos, é militantes do PCdoB e está preocupada com a pouca conexão dos jovens com a memória e com a História e com a desconexão do governo e de Lula com os jovens. O que está acontecendo também no Brasil?

E aí surgiu o celular na pauta da sua entrevista. Mas o celular, como diria o ferreiro sabido, é uma ferramenta. Que põe os jovens em conexão e, ao mesmo tempo, convida jovens, adultos maduros e idosos a ficarem em casa. Um celular na mão de Lula talvez não mude quase nada.

Mas é certo que a situação poderia ser melhor se tivéssemos mais jovens nas ruas para defender os idosos que um dia foram à guerra. Mas aí é preciso sair um pouco do celular. E as ruas terão que ter de novo algum sentido.

domingo, 12 de abril de 2026

13º ENFP em São Bernardo: 1.500 vozes se unem para fortalecer a democracia e o Bem Viver

O 13º ENFP (Encontro Nacional de Fé e Política) é um evento organizado pelo Movimento Nacional de Fé e Política que reúne lideranças religiosas, militantes de movimentos sociais e intelectuais de todo o Brasil. Realizado entre 24 e 26 de abril de 2026 em São Bernardo do Campo (SP), o encontro utiliza a metodologia do "Ver-Julgar-Agir" para articular espiritualidade e transformação social.

Neste momento histórico, o 13º ENFP busca oferecer as seguintes contribuições:

Fortalecimento da Democracia: Propor caminhos para enfrentar a extrema direita no Brasil e no mundo, incentivando candidaturas progressistas que se comprometam com as lutas sociais e o bem comum. 

Construção do "Bem Viver": Refletir sobre um projeto de país que supere o individualismo e o desencanto, integrando a fé cristã com práticas políticas voltadas para a justiça social e a paz. 

Protagonismo das Periferias e Minorias: Ampliar o espaço para as vozes e lutas de mulheres, movimentos negros, povos originários e das artes nas periferias, reafirmando a diversidade como pilar democrático. 

Esperança Ativa: Atuar como um espaço de resistência e reconstrução ética diante de crises ambientais e desigualdades crescentes, mobilizando a sociedade civil para a ação concreta. 

O encontro é visto como uma oportunidade de reafirmar o compromisso ético com os direitos humanos e a transformação coletiva, especialmente em um cenário de fragmentação social. 

Essa mesa de abertura do  13º Encontro Nacional Fé e Politica reúne Márcia Lopes, Marina Silva e Frei Betto. 

 Com o tema Fortalecer a Democracia, o Esperançar e o Bem Viver, o movimento reúne cerca de mil e quinhentas pessoas de todo o país. O encontro busca refletir sobre os desafios do nosso tempo através da metodologia do Ver-Julgar-Agir, com foco em: * Enfrentar a extrema direita e fortalecer a democracia. * Construir um projeto de país orientado para o Bem-viver e o Reino de Deus. * Ampliar as lutas das mulheres, movimentos negros e povos originários. * Realçar o papel das artes e das juventudes nas periferias.


Terceiro dia do 13º ENFP diretamente de São Bernardo do Campo. Com o tema Fortalecer a Democracia, o Esperançar e o Bem Viver, o movimento reúne cerca de mil e quinhentas pessoas de todo o país.

O encontro busca refletir sobre os desafios do nosso tempo através da metodologia do Ver-Julgar-Agir, com foco em:

 * Enfrentar a extrema direita e fortalecer a democracia.

 * Construir um projeto de país orientado para o Bem-viver e o Reino de Deus.

 * Ampliar as lutas das mulheres, movimentos negros e povos originários.

 * Realçar o papel das artes e das juventudes nas periferias.

Domingo – 26/04: 

7h – Café (Área Externa – Ginásio)

8h30 – Mística (Palco Principal – Ginásio)

9h – Grande Plenária de convergência (Palco Principal – Ginásio) 

10h30 – Leitura da carta do Encontro (Palco Principal – Ginásio) 

11h - Mística de encerramento (Palco Principal – Ginásio) 

12h30 - Almoço e encerramento do 13º ENFP 


Um pouco de teoria para aprimorar nossas lutas – Pedro A. Ribeiro de Oliveira

https://fepolitica.org.br/um-pouco-de-teoria-para-aprimorar-nossas-lutas-pedro-a-ribeiro-de-oliveira/



sábado, 25 de abril de 2026

O 25 de Abril: uma data que conecta Portugal, Itália e Brasil. Por Zezito de Oliveira

 O 25 de Abril é uma data significativa para italianos, portugueses e para todos os que, ao redor do mundo, se dedicam à luta contra o fascismo. Mais do que uma efeméride europeia, essa data carrega conexões profundas também com o Brasil — seja por laços culturais, pela participação militar ou pelos debates contemporâneos sobre democracia e autoritarismo.

Portugal: a Revolução dos Cravos

Em Portugal, o 25 de Abril de 1974 ficou conhecido como a Revolução dos Cravos. Diferente de outros movimentos de ruptura política, essa revolução foi marcada por sua singularidade: ocorreu de forma quase pacífica, com os soldados colocando cravos vermelhos nos canos de seus fuzis e a população saindo às ruas em apoio. Os símbolos que ecoam até hoje são as flores e a canção "Grândola, Vila Morena", de Zeca Afonso, que serviu de senha para deflagrar o levante e cujos versos falam em "terra da fraternidade" e "terra da liberdade". Essa data representou o fim do chamado Estado Novo, a longa ditadura salazarista que durou mais de quatro décadas.

Itália: a libertação do nazifascismo

Já na Itália, o 25 de Abril celebra a libertação do país do regime fascista de Benito Mussolini e da ocupação nazista, em 1945. Foi o dia da insurreição geral das forças de resistência — os partisans — que culminou na queda e na execução do ditador. Nesse contexto, um elemento frequentemente esquecido é a participação brasileira: cerca de 25 mil soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) foram enviados para lutar ao lado dos Aliados na Campanha da Itália. Muitos desses combatentes perderam a vida no campo de batalha, retornando em caixões ao Brasil ou voltaram com graves sequelas físicas e psicológicas.

Ainda assim, o 25 de Abril italiano é menos lembrado no Brasil do que o português. As razões são múltiplas: as relações históricas e culturais mais fortes com Portugal (a começar pela língua comum) e o contexto de 1974, quando tanto Portugal (ainda sob Salazar) quanto o Brasil (sob a ditadura militar de Geisel) viviam regimes autoritários. Essa proximidade tornou a Revolução dos Cravos mais familiar aos brasileiros, com artistas como Chico Buarque compondo canções emblemáticas como "Tanto Mar" em solidariedade à liberdade portuguesa.

Para assistir a um dos mais importantes filmes sobre a Revolução dos Cravos, Capitães de Abril, dirigido por Maria de Medeiros,  aqui  Sinopse: "Em Portugal, na noite de 24 de abril de 1974, o rádio tocava uma canção proibida, "Grândola". Era o esperado sinal para o grupo militar que iria mudar o destino do país. Ao som da voz do poeta José Afonso, as tropas avançaram, marchando sobre Lisboa. Em contraste com a trágica tentativa do ano anterior, a Revolução dos Cravos se desenrolou como uma grande aventura, em busca da paz e de lirismo."

A canção que une as memórias

Para resgatar a memória do 25 de Abril na Itália, uma canção se destacou: "Bella Ciao". Cantada pelos partisans durante a resistência, tornou-se um ícone mundial da luta antifascista. Recentemente, um vídeo que viralizou na internet mostrou bispos brasileiros cantando essa melodia em um encontro recreativo, o que reacendeu o debate sobre o papel da Igreja Católica diante do fascismo — tanto na Itália quanto no Brasil.

A Igreja Católica entre dois lados

Vale lembrar que a Igreja Católica não teve uma posição única e monolítica em relação aos regimes autoritários. Na Itália, houve católicos que apoiaram Mussolini, especialmente após os Pactos de Latrão de 1929, que concederam vantagens significativas à Igreja. Contudo, também houve padres, freiras e leigos que participaram ativamente da resistência, arriscando suas vidas para proteger judeus e perseguidos. Um exemplo disso pode ser encontrado no filme Roma Cidade Aberta de Roberto Rossellini, a sinopse afirma: "Entre os anos de 1943 e 1944, a cidade de Roma, ocupada pelos nazistas, é declarada cidade aberta, a fim de evitar bombardeios aéreos. Neste momento comunistas e católicos unem-se para combater os alemães e as tropas fascistas." Assista aqui.

No Brasil, durante a ditadura militar (1964-1985), setores da Igreja apoiaram o regime, vendo nele um baluarte contra o "perigo comunista". Outros, no entanto — particularmente aqueles vinculados à Teologia da Libertação —, opuseram-se corajosamente à repressão e defenderam os direitos humanos.

O caso recente do padre José Eduardo

Esse histórico torna ainda mais instigante um episódio recente. No Brasil, tivemos um padre diretamente envolvido nas investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Trata-se do padre José Eduardo de Oliveira e Silva, da Diocese de Osasco (SP). Ele foi indiciado pela Polícia Federal em novembro de 2024 como suposto integrante do chamado "núcleo jurídico" do esquema que tentava elaborar uma minuta de decreto para instituir um regime de exceção e impedir a posse do governo eleito.

De acordo com as investigações, o padre teria participado de uma reunião no Palácio do Planalto em novembro de 2022, ao lado de Filipe Martins (ex-assessor de Bolsonaro) e do advogado Amauri Feres Saad, apontado como mentor intelectual da chamada "minuta do golpe". Além disso, a PF encontrou mensagens enviadas por ele pedindo que fiéis por meio de Frei Gilson, entre outros padres,  fizessem uma "oração do golpe" — uma corrente de preces direcionada a generais de quatro estrelas e ao então ministro da Defesa, para que tivessem "coragem de salvar o Brasil".  

 A "oração" enviada, datada de novembro de 2023, pedia a católicos e evangélicos que incluíssem em suas preces os nomes do então ministro da Defesa e de outros 16 generais. O texto solicitava a Deus que desse a eles "coragem para salvar o Brasil, ajudasse-os a vencer a covardia e os estimulasse a agir com consciência histórica e não apenas como funcionários públicos de farda".

No entanto,  embora indiciado pela PF, o padre nunca foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Em fevereiro de 2026, a PGR decidiu não oferecer denúncia contra ele, por considerar que não havia elementos suficientes para sustentar uma acusação formal. 

Conclusão

Dessa forma, o 25 de Abril revela-se uma data de memória multifacetada que conecta Portugal, Itália e Brasil por diferentes fios históricos: em Portugal, a Revolução dos Cravos de 1974 marcou o fim pacífico de uma longa ditadura com seus símbolos de flores e canção; na Itália, a libertação de 1945 do nazifascismo, exemplificada pela resistência dos partisans e pelo hino "Bella Ciao", contou com a participação decisiva de 25 mil soldados brasileiros da FEB; no Brasil, embora a data italiana seja menos lembrada por razões culturais e políticas, o país se vê novamente confrontado com o debate sobre autoritarismo e o papel da Igreja Católica — que, tanto na Europa quanto aqui, jamais teve uma posição monolítica, dividindo-se entre apoiadores de regimes opressores e corajosos defensores da democracia. como no exemplo de bispos como Dom José Cabral Luciano Duarte  (in memorian) na época da ditadura militar  em Aracaju e  Padre José Eduardo (Osasco), em tempos mais recentes e no segundo caso Dom Hélder , Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Pedro Casaldaliga, entre outros no passado. No presente,  seguindo a trilha de construção da democracia e da justiça social com reformas estruturais,  destacamos Padre Júlio Lancellotti, Dom Orlando Brandes (emérito de Aparecida), Dom José Ionilton (Marajó), Dom Leonardo Steiner (cardeal arcebispo de Manaus), entre outros.

Dedico o artigo acima a uma colega professora sergipana,  descendente de italianos, Isabela Chizolini, que  me lembra o legado anarquista, socialista e comunista pela sua indignação, coragem e prontidão para a luta, trazido pelos imigrantes anticapitalistas e antifascistas  da peninsula itálica que chegaram ao Brasil no inicio do   século XX

P.S.: De Sergipe tivemos a presença no momento musical com  Bella Ciao, do bispo Dom Genivaldo de Estância.


Com apoio da IA deepseek em algumas informações factuais e revisão do texto... 

O 25 de Abril português aqui no blog

Bispos em momento de lazer cultural cantam Bella Ciao. Nem todos bispos católicos se parecem com o bispo do Auto da Compadecida


'Dama dos Cravos', símbolo da revolução que pôs fim à ditadura em Portugal, morre aos 91 anos

Celeste Caeiro foi quem começou a distribuir flores para os soldados na chamada 'Revolução dos Cravos', em 25 de abril de 1974. Movimento foi a base para o estabelecimento da democracia no país.

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2024/11/15/dama-dos-cravos-simbolo-da-revolucao-que-colocou-fim-a-ditatura-em-portugal-morre-aos-91-anos.ghtml


Bispos do Brasil divulgam mensagem ao povo e alertam para violência, desigualdade e crise social

https://www.cnbb.org.br/bispos-do-brasil-divulgam-mensagem-ao-povo-e-alertam-para-violencia-desigualdade-e-crise-social/




sexta-feira, 24 de abril de 2026

NA CASA QUE FALTA PÃO, TODO MUNDO GRITA E NINGUÉM TEM RAZÃO. Velhinho de Taubaté por Mário Jéfferson Leite Melo


O Velhinho, curioso como só ele, resolveu dar um passeio pelos grupos de zap — esse novo coliseu onde gladiador não usa espada, usa áudio de três minutos e textão com dedo nervoso. E bastou abrir a porta digital pra perceber: o pão sumiu da mesa, mas o barulho continua farto. É gente discutindo como se estivesse decidindo o destino do mundo, quando na verdade mal consegue decidir quem leva o café e quem lava a xícara.

E lá estavam eles, companheiros de trincheira, se engalfinhando com palavras afiadas, confundindo divergência com guerra santa, e transformando reunião em ringue. Cada um com sua verdade no bolso, mas ninguém com paciência no coração. Porque no zap, meu amigo, todo mundo é general — o problema é que falta soldado disposto a ouvir ordem que não seja a própria.

O Velhinho coçou o queixo e pensou: “Uai… tão brigando por quê mesmo?” E quanto mais lia, menos entendia. Era reunião que não foi reunião, convite que não era convite, representação que representava ninguém e todo mundo ao mesmo tempo. Um tal de “eu fui”, “eu não fui”, “você disse”, “eu não disse”... e no meio disso tudo, a tal da cultura, coitada, sentada no canto, esperando alguém lembrar que ela existe pra além do ego ferido.

Porque enquanto uns discutem se a cadeira é de madeira ou de plástico, ninguém percebe que a mesa está quebrada.

E o mais curioso — ou trágico — é que todos ali estão do mesmo lado. Ou deveriam estar. Mas o tal do “fogo amigo” virou esporte oficial. Um atira no outro achando que está acertando o inimigo, quando na verdade está só abrindo mais buraco no próprio barco. E barco furado, meu filho, não afunda só um — afunda todo mundo junto, com direito a discurso inflamado até o último gole d’água.

O Velhinho lembrou então de um causo antigo: dois irmãos brigavam pela herança de uma casa que ainda nem tinham terminado de construir. Enquanto discutiam quem ficaria com a sala, o teto caiu. E ficaram os dois sem sala, sem teto e com a razão — cada um segurando a sua, como quem segura um troféu inútil.

É disso que se trata.

Debate é coisa bonita. Divergência é motor. Mas quando o respeito sai pela porta, a inteligência pula pela janela. E o que sobra? Vaidade, ruído e uma coleção de certezas que não constroem nada. Como já dizia aquele sopro lúcido de Eduardo Galeano, o mundo moderno anda transformando o que é prazer em obrigação — e talvez a cultura esteja sendo empurrada pro mesmo abismo: deixando de ser encontro pra virar disputa de território.

E enquanto isso, lá fora, quem realmente não quer política pública de verdade agradece. Porque nada é mais eficiente do que um grupo desunido tentando provar quem tem mais razão enquanto perde o essencial: o sentido coletivo.

O Velhinho então bateu o cajado no chão — não pra fazer barulho, mas pra ver se alguém escutava — e soltou:

“Briga de irmão não se vence, se aparta. E quanto mais demora, mais caro fica o conserto.”

No fim das contas, quem grita mais alto não ganha — só cansa primeiro.

Quem fala sozinho não lidera — só ecoa no vazio.

E quem esquece o coletivo… vira plateia da própria derrota.

Porque onde falta pão, o grito pode até ser alto…

mas nunca será solução.

sábado, 11 de abril de 2026