domingo, 5 de abril de 2026

As diversas Páscoas e o mundo atual. Por Marcelo Barros (*)

Muita gente fala de Páscoa como se só existisse uma. De fato, no mundo religioso, existe a Páscoa judaica e a Páscoa cristã. Na sociedade, existe a Páscoa de quem aproveita o feriado para ir à praia ou passear. Mesmo em cada uma das Páscoas religiosas, há várias formas de viver e celebrar esse evento.  

Provavelmente, o termo Páscoa (Peshach) significa passo. Em regiões do antigo Oriente Médio,  designava uma  dança de primavera. Era o passo (Páscoa) dos abrigos do inverno para o convívio com as outras pessoas e a natureza. Então, por sua origem, a Páscoa tem caráter ecológico e, até hoje, a humanidade festeja a primavera. 

Assim, no hemisfério-sul, em setembro, comunidades indígenas e afrodescendentes mantêm festas, nas quais celebram as manifestações divinas na Mãe-Terra, nas águas e na natureza. É possível que, no Candomblé Ketu, a festa das Águas de Oxalá tenha algo a ver com isso. É um rito de procissão na qual as pessoas carregam água e recordam o mito de Oxalá, que estava preso e foi libertado. É comemoração de uma libertação.  

Até hoje, no Judaísmo, a festa de Páscoa, conhecida pelo nome de Peshach ocorre nas sinagogas e comunidades de todo o mundo. Neste ano de 2026, a Páscoa judaica é celebrada de 1º a 9 de abril. Recorda a libertação do povo oprimido que, conforme a Bíblia, era escravizado no Egito, sob o jugo dos faraós e em uma festa de Páscoa, tomou uma refeição apressada, para partir para a libertação. 

Desde tempos antigos, essa festa consiste, principalmente, em uma ceia litúrgica chamada Seder. Além disso, durante sete ou oito dias, as pessoas evitam comer alimentos fermentados (chamêts). Consomem matsá (pão ázimo) e outras comidas simbólicas, que lembram o sofrimento e a saída apressada do Egito.

A tradição traduziu o termo hebreu como judeu e, posteriormente, a própria Bíblia identificou hebreu com israelita. Historiadores, exegetas e pesquisadores da história, como o estadunidense Norman Gottwald e o alemão Gerd Theissen, acreditam que o termo hebreu não designava etnia ou raça e sim categoria social, que, hoje, corresponderia a lavrador sem-terra, ou migrante sem-documento. 

Infelizmente, hoje, muitos religiosos e religiosas do Judaísmo tradicional celebram liturgicamente a Peshach, mas, ao mesmo tempo, apoiam o governo sionista que massacra o povo palestino e chama o Irã de amalecitas, que, conforme a interpretação fundamentalista de textos do livro de Josué, devem ser simplesmente exterminados. 

Graças a Deus, há sinagogas que celebram a ceia pascal e proclamam ao mundo que Deus é Amor e está sempre do lado dos povos crucificados de hoje. Os ritos, em sua essência, são os mesmos. O que muda é a interpretação e a ética com a qual as pessoas ligam o rito à vida concreta e à realidade de hoje. Nessa Páscoa de 2026, em nome da fé, há soldados israelitas que se negam a participar da guerra.

Desde 1969, em Tel Aviv e em Jerusalém, as comunidades do Neve Shalom, Oásis de Paz, reúnem pessoas judias e árabes. Embora enfrentem sérios problemas de segurança e ameaças de grupos fundamentalistas judeus e muçulmanos, a Neve Shalom mantém escolas bilingues, em hebraico e árabe e presta socorro às famílias, vítimas da guerra. Na quarta-feira, 1 de abril, essa comunidade celebra o SEDER, a ceia pascal judaica. Na quinta-feira, inicia a celebração cristã da Páscoa.  

No Cristianismo, em geral, só as Igrejas consideradas históricas celebram a Páscoa. Entre elas, há grupos que ligam Liturgia e Vida e outros que se negam até a cantar o hino da Campanha da Fraternidade, porque não o consideram religioso. 

Nas paróquias e comunidades, os ritos e textos litúrgicos ainda  mantêm linguagem e conteúdo sacrificial. Celebram a morte de Jesus como sacrifício oferecido a Deus para salvar a humanidade do inferno. Cantam a cruz, na qual Cristo, por sua morte, nos salvou. Crentes escrevem nas paredes: O sangue de Cristo tem poder. 

Graças a Deus, em todo o mundo, cresce o número de grupos e comunidades que acreditam: não foi por sua morte e seu sangue que Cristo nos salvou. Foi por sua vida doada por amor até a morte e morte de cruz. Cremos na vida e não na morte. Não podemos acreditar em um Deus que precisa que seu filho morra para se reconciliar com a humanidade. Cremos na salvação, não como apenas libertação do pecado e sim como vida nova que, através do Espírito, o Cristo Ressuscitado nos dá, para renovar-nos interiormente e transformar as relações humanas e todo o universo. 

Neste momento, o Brasil, a América Latina e o mundo atravessam uma noite social e politicamente pesada. A violência cometida pelo império contra Venezuela e contra Cuba, sua intervenção em países como Argentina e Honduras que fizeram a direita ganhar as eleições, assim como suas ameaças sobre todos os nossos povos são sinais de que a pobreza da Venezuela, a dignidade do povo cubano e nossas minorias abraâmicas por todo o continente desafiam o poder do Império. A resistência e a teimosia em crer que outro mundo é possível revelam que a Cruz dos povos crucificados de hoje é cruz de ressurreição. 

No século IV, São João Crisóstomo, bispo de Constantinopla, afirmava: “Por sua ressurreição, o Cristo vem tornar a nossa vida uma festa contínua, mesmo em meio às lutas e dificuldades que enfrentamos”. 

(*) É  um dos mais proeminentes teólogos e biblistas brasileiros, consolidando-se como um profundo estudioso da tradição judaico-cristã e mestre do diálogo ecumênico e inter-religioso. Monge beneditino e discípulo próximo de Dom Hélder Câmara, sua trajetória é marcada pela defesa do "macroecumenismo", proposta que busca a unidade e a colaboração entre as diversas tradições religiosas, incluindo espiritualidades indígenas e afro-brasileiras, em prol da justiça social e da paz. Com mais de 50 obras publicadas, Barros alia o rigor acadêmico à militância junto a movimentos populares e comunidades eclesiais de base. Sua atuação internacional na Associação Ecumênica de Teólogos do Terceiro Mundo (EATWOT) e o título de Doutor Honoris Causa pela UFPB atestam sua relevância intelectual. Em suma, sua vida e obra representam uma ponte entre a mística cristã e o compromisso ético com a diversidade e a ecologia integral.
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“Que se apresente sempre de modo mais claro na América Latina o rosto de uma Igreja que seja verdadeiramente pobre, missionária e pascal, desligada de todo poder temporal e corajosamente comprometida com a libertação de toda humanidade e de cada ser humano, em todas as suas dimensões”  (2ª Conferência geral dos bispos latino-americanos – Medellín, 1968  – Doc.   5, 15).
Isso foi dito para toda a Igreja Católica da América Latina, mas, mesmo naqueles anos, só uma minoria de bispos, padres e grupos católicos levaram a sério a proposta de tornar a nossa Igreja pobre, missionária, pascal e consagrada à libertação integral. Atualmente, nos meios do clero e da hierarquia, assim como de muitos grupos católicos, a rejeição a essa proposta ainda é mais generalizada e radical. Muitas de nossas dioceses e paróquias rejeitam totalmente a proposta de uma Igreja em saída para as periferias do mundo. Não querem inserir-se no mundo atual, nem dialogar com as pessoas de cultura contemporânea. Optam por uma Igreja que, ao contrário de uma Igreja pobre, apresenta-se sempre com estruturas muito caras e é centrada no clero e voltada para si mesma. Muitos ministros e fieis acreditam em Deus como todo-poderoso e não como Amor. Optam pela espiritualidade do sacrifício, portanto da violência e da morte. Proclamam em liturgias solenes e formais que o Cristo ressuscitou, mas, infelizmente, negam-se a testemunhar isso em uma fé profética que ensaie o mundo novo, que queremos construir, sob a inspiração do Espírito que ressuscitou Jesus.  
Apesar disso, esse modelo de Igreja proposto pela conferência de Medellín continua atual para nós que seguimos firme na caminhada. Os bispos nem precisariam ter detalhado que para ser pascal a Igreja precisa ser pobre, missionária e consagrada à libertação da humanidade e de cada pessoa. De fato, Páscoa significa passagem e, no primeiro testamento, foi passagem da escravidão do Egito à libertação. Portanto, para ser pascal, a Igreja tem de se colocar sempre a caminho. Isso significa viver com o essencial e levar pouca bagagem. É missionária, não porque prega e sim porque testemunha no mundo, o projeto divino de vida e libertação que como resumia nosso profeta Pedro Casaldáliga: “a missão é sair por aí e espalhar ressurreição”.
Com o Concílio Vaticano II aprendemos que Igreja é essencialmente local. Portanto, antes de tudo, temos de começar por nós e tornar pascal o nosso grupo, as nossas comunidades. Temos de ser pascais, mesmo em meio a uma Igreja Católica e Igrejas evangélicas que, majoritariamente, procuram reconstruir as velhas estruturas de Cristandade.
A boa notícia de que o Cristo ressuscitou e essa ressurreição começa a contaminar o mundo inteiro foi dada na madrugada do domingo da Páscoa, ainda no escuro da noite. Foi como uma conspiração de algumas poucas mulheres corajosas que, naquele momento de repressão e enfrentando forte risco de vida, saíram pelos caminhos. Eram camponesas da Galileia para a qual a cidade era estranha e perigosa. Apesar disso, elas saíram sem pedir permissão a nenhuma autoridade apostólica, nem esperar pelos discípulos. Eram conduzidas pelo carinho e pelo cuidado. Foram elas as primeiras a descobrir que o túmulo estava vazio.
Agora, na celebração dessa Páscoa, nós somos convidados e convidadas a juntar nossos corpos e nossos afetos a aquelas mulheres meio loucas e testemunhar  que, hoje, também e ainda a vida vence a morte.
Neste momento, o Brasil, a América Latina e o mundo atravessam uma noite social e politicamente pesada. A violência cometida pelo império contra Venezuela e contra Cuba, sua intervenção em países como Argentina e Honduras que fizeram a direita ganhar as eleições, assim como suas ameaças sobre todos os nossos povos são sinais de que a pobreza da Venezuela, a dignidade do povo cubano e nossas minorias abraâmicas por todo o continente desafiam o poder do Império. A resistência e a teimosia em crer que outro mundo é possível revelam que a Cruz dos povos crucificados de hoje é cruz de ressurreição.
Na noite do sábado, ou madrugada do domingo, seja em celebrações formais, seja em algum momento de oração em casa, somos convidados e convidadas a renovar o nosso batismo. Concretamente, isso deve significar que nos comprometemos de novo a dar mais um passo no caminho da conversão interior e da transformação do nosso ser mais profundo, para juntos ensaiarmos a transformação do mundo.
No século IV, São João Crisóstomo, bispo de Constantinopla, afirmava: “Por sua ressurreição, o Cristo vem tornar a nossa vida uma festa contínua, mesmo em meio às lutas e dificuldades que enfrentamos”.
Que nossa Páscoa seja sem fim. O Cristo ressuscitou realmente, aleluia.

Guatá Porã (“belo caminhar” em Mbyá Guarani) da Orquestra Villa-Lobos estreou em 03/12/25 no Auditório Araújo Vianna, Porto Alegre, com sucesso de público e crítica. O espetáculo se inspira na cultura dos povos originários brasileiros, exaltando a sua conexão com a natureza e ancestralidade, e propõe reflexões diante da crise climática do planeta e a importância da preservação dos direitos e territórios dos verdadeiros donos dessa terra. O show é a culminância do projeto realizado ao longo de 2025 com oficinas e vivências artísticas, envolvendo os integrantes da orquestra e aldeias indígenas. O projeto foi contemplado no Edital SEDAC nº 28/2024 PNAB RS – Cultura e Educação e executado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) do Ministério da Cultura do Brasil.
PROGRAMA 
CANTOS DA FLORESTA   (Raízes Caboclas)
Arranjo: Mateus Mapa
MELODIA SENTIMENTAL  (Heitor Villa-Lobos)
Arranjo: Cecília Silveira
PASSARIM   (Tom Jobim)
Arranjo: Leonardo Boff
AMAZÔNIA   (Nilson Chaves)
Arranjo: Leonardo Boff
Participação especial: Stephanie Soeiro
   CANOA CANOA  (Nelson Ângelo e Fernando Brant)
Arranjo: Beto Chedid
Participação especial: Beto Chedid, Marcelo Delacroix e Vitor Oliveira
CIO DA TERRA   (Milton Nascimento e Chico Buarque)
Arranjo: Cecília Silveira
MATANÇA   (Augusto Jatobá)
Participação especial: Beto Chedid e Marcelo Delacroix
SALVE O VERDE  (Jorge Ben)
Arranjo: Leonardo Boff
Participação especial: Isa de Souza e Stephanie Soeiro
NHANDEREKOÁ  (Ka’aguy Porã)
Arranjo: Nathan Luz
TASSY    (Giba Giba e Maria Betania Ferreira)
Arranjo: Beto Chedid
Participação especial: Geyson William, Thales Cruz, Vitor Oliveira e Yago Lima
BUSCA DA TERRA SEM MALES (Raul Ellwanger)
Arranjo: Thales Cruz
Participação especial: Isa de Souza
CORAL MBYÁ GUARANI “Canções Para Todos Se Alegrarem” 
DEMARCAÇÃO JÁ   (Chico Cesar e Carlos Rennó)
Arranjo: Beto Chedid
Participação especial: Beto Chedid e Stephanie Soeiro
POVOS DO BRASIL  (Leandro Fregonesi)
Arranjo: Geyson William
Participação especial: Stephanie Soeiro
UMA HISTÓRIA GUARANI            (Mestre Paraquedas)
Arranjo: Geyson William
Participação especial: Geyson William e Vitor Oliveira

Malhação do Judas em 2026. Em Aracaju, como resiste a tradição? E pais afora?

 

Foto- Ras de Sá

O Velhinho de Taubaté e as tradições que se perdem no tempo

Por Mário Jéfferson Leite Melo (o velhinho de Taubaté, em construção) - São Paulo.

O Velhinho acordou naquele sábado com um silêncio diferente… não era só o silêncio do mundo — era o silêncio da memória pedindo licença pra falar. Porque, veja bem… no tempo do Velhinho, sábado depois da Sexta-feira da Paixão não era só mais um dia. Era o Sábado de Aleluia, e o nome já vinha carregado de promessa, igual nuvem preta que a gente sabe que vai virar chuva boa.

De manhã, parecia que até o vento andava de cabeça baixa. As igrejas quietas, os sinos calados, como se o tempo tivesse tirado o chapéu em respeito. Diziam os antigos — e o Velhinho acredita até hoje — que aquele era o dia em que o céu cochichava baixinho, pra não acordar a dor de Maria.

Mas bastava o sol esquentar um tiquinho… e pronto! A molecada virava o mundo do avesso.

Era um corre-corre danado pelas ruas de terra, batendo de porta em porta, numa espécie de procissão ao contrário — não de penitência, mas de travessura autorizada por Deus (ou pelo menos tolerada, que santo também tem senso de humor).

— “Ô de casa!”

E lá vinha o coro, afinado na marra da alegria: — “Deus te pague! Deus te ajude!”. Quando caía balas, moedas, qualquer coisinha que tilintasse ou adoçasse o dente, era como se o céu abrisse uma frestinha só pra sorrir.

Agora… se não vinha nada… ah, meu amigo… aí o julgamento era rápido, direto e sem recurso: — “Pão duro miserável! Pão duro miserável!”. E lá se ia a turma, rindo, porque até a maldade ali era leve, dessas que não machucam — só cutucam o orgulho.

O Velhinho, com os olhos meio marejados e meio risonhos, lembrou também de Silveiras, ali pertinho, onde existia a lendária PR Cabrito… uma rádio que não precisava de antena, nem de licença, nem de verdade — porque vivia na frequência da imaginação. Era ela que “transmitia” a Malhação de Judas. E depois vinha o grande espetáculo: a leitura do testamento. Meu Deus do céu… O Judas, que já tinha sido malhado, ainda tinha que dividir seus “bens” — que nunca eram bens — com os figurões da cidade. Fulano herdava uma dentadura sem dente, sicrano ganhava um chapéu furado, e assim ia… uma justiça poética que nem juiz nenhum dava conta de assinar.

Era o povo rindo de si mesmo, das autoridades, da vida… Era a sabedoria vestida de piada. Porque o Velhinho aprendeu cedo que tradição é isso: não mora em livro, mora na boca do povo. Não vive em decreto, vive na repetição. E quando para de ser contada… vira saudade.

Hoje, ele olha em volta e vê que muitas dessas coisas foram se perdendo, como reza esquecida no fundo da gaveta ou fotografia que desbota sem ninguém perceber. As crianças já não batem nas portas — batem em telas.

O “Deus te pague” virou notificação silenciosa. E o “pão duro miserável” … ah, esse foi aposentado pela indiferença, que é pior, porque não grita — só apaga. 

O Velhinho coça o queixo, ajeita o chapéu imaginário e solta, meio rindo, meio sério: — “O mundo hoje tem pressa demais pra lembrar… e pressa demais também pra esquecer.Mas ele ainda acredita — teimoso como só — que tradição é igual brasa de fogão a lenha: pode parecer apagada…, mas se alguém sopra com carinho… ela volta.

E talvez — só talvez — ainda tenha uma criança em algum canto batendo numa porta qualquer, esperando não só uma bala…, mas um motivo pra continuar dizendo, em coro: — “Deus te pague, Deus te ajude…” 

Porque enquanto alguém disser isso de coração… o tempo não leva tudo, não.

Aqui em Aracaju, no bairro Getúlio Vargas , nesse ano da graça de 2026, a queima do Judas está sendo retomada, depois de vinte anos sem ser realizada depois do falecimento de Maroaldo, o líder da iniciativa tradicional por aqui. Nesse segundo ano da retomada , os Judas queimados foram conceituais, o racismo e a homofobia.

Foto- Ras de Sá



No vídeo acima e AQUI, do bairro Novo Horizonte, municipio de Socorro,  o protesto contra o governador de Sergipe, com destaque para o problema da crise no abastecimento de água.. 

A cobertura do Blog da Cultura em outros anos... AQUI


A origem da Malhação do Judas está ligada à punição simbólica do apóstolo que traiu Jesus, uma tradição que os colonizadores portugueses e espanhóis trouxeram para o Brasil. Com o tempo, ela se transformou, ganhando contornos de crítica social e se tornando uma festa popular que, embora menos comum hoje, ainda resiste em muitas comunidades .

📜 Origens e Significado Religioso
A tradição tem suas raízes na narrativa bíblica da Páscoa:

Base bíblica: A prática é uma alusão à história de Judas Iscariotes, o apóstolo que traiu Jesus Cristo em troca de 30 moedas de prata. De acordo com o relato bíblico, tomado pelo desespero, Judas teria se enforcado .

Punição simbólica: "Malhar o Judas" representa, portanto, a rejeição coletiva à traição. O ato de surrar, enforcar ou queimar o boneco é uma forma simbólica de punir o ato que, segundo a fé cristã, levou à crucificação de Jesus .

Data da celebração: O ritual acontece sempre no Sábado de Aleluia, o dia que antecede o Domingo de Páscoa. Do ponto de vista litúrgico católico, este é um dia de silêncio e reflexão, o que torna a malhação uma manifestação da cultura popular, e não um rito oficial da Igreja .

🇧🇷 Como a Tradição se Estabeleceu no Brasil
A tradição chegou ao Brasil ainda no período colonial, trazida por portugueses e espanhóis, e se enraizou de forma única na cultura nacional .

Registros históricos: A prática já era tão comum no século XIX que foi documentada por importantes artistas e escritores. O francês Jean-Baptiste Debret retratou a cena em uma pintura de 1823, e o dramaturgo Martins Pena a mencionou em uma peça de 1840 .

Adaptação brasileira: No Brasil, o boneco de Judas tradicionalmente ganha um "testamento", uma lista satírica ou cartazes com os nomes de políticos, técnicos de futebol e outras personalidades que se tornaram alvo de insatisfação popular . Essa é a principal característica que distingue a tradição brasileira, transformando o ritual em um termômetro da opinião pública e uma forma de protesto bem-humorado .

Variações regionais: A forma de celebrar varia em todo o país. A versão mais comum é a confecção do boneco, que é pendurado em um poste, espancado e depois queimado. No entanto, há variações únicas, como o famoso "Estouro do Judas" na cidade de Itu (SP), onde o boneco é literalmente detonado com bombas em um espetáculo pirotécnico .

🤔 Uma Prática em Transformação
Embora ainda presente em muitos bairros e cidades, especialmente no interior e nos subúrbios de grandes centros como o Rio de Janeiro, a tradição tem se tornado mais rara. Entre os motivos estão a crescente urbanização e a preocupação dos pais com a violência do ato de espancar e queimar um boneco na frente das crianças . Apesar disso, ela persiste como um momento de união comunitária, onde famílias e vizinhos se reúnem para confeccionar o boneco e manter viva a memória cultural .

Em resumo, a Malhação do Judas no Brasil é uma tradição que nasceu de um simbolismo religioso medieval, foi adaptada com o humor e a irreverência brasileiros e se consolidou como um fenômeno de crítica social e cultural.

Tradição e política: quem você queimaria como “Judas”?, pergunta o jornalista Narcizo Machado no facebook. AQUI

Resposta do editor do blog. Zezito de Oliveira
Flávio Bolsonaro e familicia.
Com base no que afirma o jornalista Bernardo Mello Franco no Globo de hoje, 05/04/2026

"Flávio Bolsonaro quer convencer o governo americano a interferir na eleição brasileira a seu favor. E a vassalagem não para na oferta de minerais críticos a Trump." Prossegue o jornalista citado.

E para quem tem uma mente e um coração de verdadeiro cristão, Feliz Páscoa!!!





“Gostava de prescrever Cultura, dar bilhetes de cinema em consulta a utentes (*)que não iriam. A Cultura em Portugal é um luxo e um privilégio” - Do Jornal Expresso - Portugal

“The Pitt” está a caminhar para o final da segunda temporada. No podcast “No Último Episódio”, Margarida Santos, médica de medicina geral e familiar e autora do podcast “Consulta Aberta”, analisou o realismo do ambiente hospitalar retratado na série e abordou a importância da cultura na saúde, num episódio originalmente publicado a 30 de janeiro de 2026

(*) usuários dos serviços de saúde. Também chamados de pacientes no Brasil

03 abril 2026    04:00

José Paiva Capucho  

João Reis. Sonoplastia - Tomás Almeida.  Fotografia

Margarida Santos é médica de família. E é também autora de um dos podcasts mais famosos da SIC Notícias, o “Consulta Aberta”. Portanto, um rosto bem conhecido que, além de passar horas dentro de consultórios, hospitais e centros de saúde, passa também muito tempo a informar a audiência sobre saúde. Mas quando o crítico de cinema e televisão José Paiva Capucho, autor do podcast “No Último Episódio”, a convidou para falar do regresso de “The Pitt”, a profissional de saúde sabia que estava perante um outro desafio: será que uma série pode espelhar a própria realidade dos hospitais portugueses? “Sim, há muito realismo ali, o caos está bem representado, mas um médico português não é mesmo um médico norte-americano”, contou a também podcaster.

Recapitulando: nesta segunda temporada, o Dr. Robby (Noah Wyle, que também está envolvido na criação e realização da série) está prestes a tirar uma licença sabática durante uns tempos. O seu serviço de urgências de Pittsburgh passou, na primeira temporada, por um caos organizado de pacientes e doentes, tendo o ponto alto uma tragédia: um ataque terrorista durante um festival. Conhecemos os colegas, alguns segredos, mas pouco mais do que a sua vida dentro daquele hospital. O que importa é o realismo, o método, e ver partos de bebés que parecem mesmo a sério. “A minha experiência de um serviço de urgências no hospital de São José não foi igual, claro. Em ´The Pitt´, apesar do caos, tudo funciona bem. Existe equipamento médico, é possível fazer uma ecografia no momento sem ter um cenário que encontramos cá: um ecografista para todo o hospital”, argumenta.

Apesar de existirem grandes diferenças entre um serviço de urgências em Portugal e outro nos Estados Unidos da América, Margarida Santos percebe porque é que há tantos profissionais de saúde a sentirem-se representados em “The Pitt”. E até diz que há uma parte sua que gostava de voltar a ter uma experiência tão intensa. “Sim, há o meu lado que queria ser médica que me puxa para isso, mas 40 anos naquele serviço, em turnos, é muito desgastante. Está até provado que aumenta o risco de várias doenças.”

Ainda assim, Margarida Santos acredita que a cultura é um veículo fundamental de informação e, portanto, “The Pitt”, é extremamente importante numa altura de grande desinformação no universo da ciência e da saúde.Se eu fizer um vídeo sobre o testamento vital, ninguém vai querer saber, mas um episódio da série sobre isto é diferente, portanto, sim, a cultura é fundamental neste caso”, finaliza.


Leia a matéria no site do Expresso, aqui

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"Vitamina de cultura" ou "Kulturvitaminer" é um projeto terapêutico inovador originário da Dinamarca, que visa tratar a depressão, ansiedade e estresse através de atividades culturais. O projeto envolve a participação de pacientes em diversas atividades culturais, como visitas a museus, teatros e concertos, com o acompanhamento de guias culturais. 
A iniciativa, que começou em 2016, tem como objetivo proporcionar aos participantes uma experiência cultural enriquecedora, com o intuito de melhorar o bem-estar mental e emocional. A ideia central é que a cultura possa funcionar como uma "vitamina" para a mente, combatendo os efeitos negativos do estresse e da depressão, segundo o projeto. 
O projeto "Kulturvitaminer" foi implementado em quatro cidades dinamarquesas: Aalborg, Silkeborg, Holstebro e Odense. As atividades são realizadas com o acompanhamento de guias culturais profissionais, que auxiliam os participantes a explorar e interpretar as obras e experiências culturais. 
A "vitamina de cultura" é uma abordagem complementar aos tratamentos convencionais para a depressão e ansiedade, e tem como objetivo oferecer uma alternativa para aqueles que buscam novas formas de lidar com suas condições de saúde mental, segundo o projeto. 

"Banho de floresta", ou Shinrin-yoku, é uma prática japonesa que consiste em passar tempo em contato com a natureza, especialmente em áreas florestais, para promover bem-estar físico e mental. A técnica envolve imersão sensorial na floresta, utilizando todos os sentidos para se conectar com o ambiente natural, incluindo sons, aromas e texturas. 
O que é o Banho de Floresta?
O banho de floresta, tradução para o termo japonês Shinrin-yoku, é uma prática terapêutica que se baseia na ideia de que a exposição à natureza pode reduzir o estresse e melhorar a saúde. A prática envolve: 
Imersão na natureza:
Passar tempo em áreas florestais ou parques, caminhando lentamente ou apenas observando o ambiente. 
Engajamento sensorial:
Utilizar todos os sentidos (visão, audição, olfato, tato e paladar) para apreciar os elementos da natureza. 
Redução do estresse:
A prática demonstrou diminuir os níveis de cortisol, hormônio relacionado ao estresse, e aumentar a sensação de relaxamento. 
Benefícios do Banho de Floresta:
Estudos têm demonstrado que o banho de floresta pode trazer diversos benefícios para a saúde física e mental, incluindo: 
Redução do estresse e ansiedade:
A prática pode ajudar a diminuir os níveis de cortisol e promover uma sensação de calma e relaxamento. 
Melhora do sistema imunológico:
A exposição aos aromas naturais das árvores, chamados fitocidas, pode aumentar a produção de células de defesa do corpo, como os linfócitos NK. 
Melhora da concentração e atenção:
A imersão na natureza pode ajudar a acalmar a mente e melhorar a capacidade de concentração. 
Bem-estar geral:
A prática pode promover uma sensação de bem-estar físico e mental, aumentando a conexão com a natureza. 
Como fazer um banho de floresta?
Escolha um local: Selecione um local com áreas verdes, como parques ou florestas. 
Prepare-se: Vista roupas confortáveis e calçados adequados para caminhada. 
Conecte-se com a natureza: Caminhe lentamente, observe os detalhes da floresta, sinta o ar, os sons e os cheiros. 
Relaxe e aproveite: Encontre um local tranquilo para sentar e apreciar o ambiente, respirando profundamente e se conectando com a natureza. 
Acima pesquisa com IA
Para aprofundar o que está escrito acima, sugiro os links abaixo...

domingo, 8 de março de 2020

"A gente não precisa somente de comida, a gente precisa de comida, diversão e arte.."Parafraseando Titãs.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024