informações sobre ações culturais de base comunitária, cultura periférica, contracultura, educação pública, educação popular, comunicação alternativa, teologia da libertação, memória histórica e economia solidária, assim como noticias e estudos referentes a análise de politica e gestão cultural, conjuntura, indústria cultural, direitos humanos, ecologia integral e etc., visando ao aumento de atividades que produzam geração de riqueza simbólica, afetiva e material = felicidade"
Para escrever esta segunda postagem sobre o 2º Festival de Teatro do Alto Sertão Sergipano, recorri à bela e sábia canção de Milton Nascimento: 'Notícias do Brasil (Os Pássaros Trazem)'. Na primeira parte, tomei a liberdade de adaptá-la ao festival; o restante da letra fala do evento por si só."
Não deu no rádio, no jornal ou na televisão, a exceção são algumas redes digitais
Veio no vento do quadrante nordeste-sudeste deste tempo calorento , do vento que sopra do sertão para o litoral.
Esta noticia voa nas asas planas e às vezes sinuosas da arte e da cultura e pode vir também de algumas regiões de Fortaleza, de Recife e de Natal.
No sertão nordestino, onde a terra exige resistência e a fé caminha ao lado da luta diária pela sobrevivência, algumas figuras ultrapassam os limites da própria biografia e passam a integrar a memória coletiva de um povo. Assim foi a trajetória de Frei Enoque Salvador de Melo, religioso franciscano que marcou profundamente a história social e política do Alto Sertão de Sergipe.
Frei Enoque - Arquivo Pessoal
Frei Enoque nasceu em 1943, no estado de Pernambuco, na cidade de Cachoeirinha, tendo sido registrado civilmente no município de Belo Jardim. Filho de uma família simples do interior nordestino, cresceu em meio à religiosidade popular e às dificuldades da vida rural que historicamente marcaram o Nordeste brasileiro.
Sua caminhada religiosa ganhou direção a partir de 1966, quando teve contato com o frei franciscano Angelino Caio Feitosa. Esse encontro marcaria profundamente sua vida e sua vocação pastoral, inspirada pela espiritualidade de Francisco de Assis, marcada pela simplicidade, pela proximidade com os pobres e pela defesa dos marginalizados.
Chegando a Sergipe, Frei Enoque iniciou seu trabalho pastoral na região do Baixo São Francisco, integrando a Diocese de Propriá, que à época era conduzida pelo bispo Dom José Brandão de Castro. Nesse período, a Igreja Católica brasileira vivia um processo de renovação inspirado pelo Concílio Vaticano II, que incentivava os religiosos a se aproximarem das comunidades mais pobres e marginalizadas, promovendo uma pastoral comprometida com a justiça social e a transformação das realidades rurais.
No sertão sergipano, especialmente em Poço Redondo, Frei Enoque encontrou o espaço onde sua vocação se realizaria plenamente. Percorrendo estradas de terra, visitando comunidades rurais e celebrando missas em pequenas capelas, aproximou-se profundamente da vida do povo sertanejo. Conversava com agricultores, escutava trabalhadores rurais e acompanhava de perto as dificuldades impostas pela seca, pela pobreza e pelo isolamento das regiões mais distantes.
Naquele tempo, religiosos como Frei Enoque caminhavam pelas comunidades, visitavam casas simples e partilhavam o cotidiano das famílias do sertão. Era uma igreja presente na poeira das estradas, nas pequenas capelas e nas reuniões comunitárias. Hoje, muitos percebem que parte dessa tradição parece ter se enfraquecido. Em alguns setores da Igreja, multiplicam-se religiosos mais preocupados com a visibilidade das telas, com transmissões em redes sociais e aparições na televisão, enquanto a presença junto aos pobres e marginalizados parece cada vez mais rara. A memória de figuras como Frei Enoque recorda que a força da fé, no sertão, sempre esteve na proximidade concreta com o povo.
Entre as causas que abraçou esteve também a defesa do povo indígena Xocó, que vive na histórica Ilha de São Pedro, às margens do Rio São Francisco. Durante décadas, os Xocós enfrentaram conflitos pela posse de suas terras e pressões para abandonar o território. Frei Enoque tornou-se um “Xocó de coração”, compreendendo que a luta indígena era a raiz de todas as lutas pela terra no Brasil, e usando sua voz para denunciar nacionalmente o genocídio silencioso que se desenrolava.
Um dos episódios mais dramáticos que marcou sua atuação aconteceu após uma tragédia em Santa Rosa dos Ermírios. Um ônibus que circulava entre povoados pegou fogo, transportando passageiros, combustível e botijões de gás de cozinha. O incêndio transformou o veículo em uma armadilha mortal, provocando a morte de várias pessoas queimadas vivas. Diante do silêncio das autoridades, Frei Enoque denunciou publicamente as condições inseguras do transporte por meio dos meios de comunicação da época, iniciando um processo lento de melhorias e maior fiscalização nos transportes do sertão.
Com o passar dos anos, sua liderança ultrapassou o campo religioso e social. A confiança que o povo sertanejo depositava nele acabou levando-o também para a vida política. Frei Enoque Salvador de Melo foi eleito prefeito de Poço Redondo por três vezes, experiência rara para um religioso que decidiu assumir diretamente a administração pública de um dos municípios mais emblemáticos do Alto Sertão sergipano. Em seus mandatos, buscou ampliar políticas sociais, melhorar as condições de vida da população rural, fortalecer a presença do poder público nas comunidades mais distantes e dar ênfase à educação, incentivando a construção e melhoria de escolas, ampliando o acesso ao ensino nas comunidades rurais e defendendo a educação como instrumento fundamental para transformar a realidade do sertão. Posteriormente, por orientação da Igreja, afastou-se da política partidária, retornando integralmente à vida religiosa e pastoral.
Entre suas iniciativas culturais mais conhecidas está a criação da celebração conhecida como Missa do Cangaço, realizada na histórica Gruta do Angico, local onde, em 1938, tombaram Lampião e Maria Bonita. A celebração transformou o espaço marcado pela violência em um local de memória, reflexão e encontro com a história do sertão.
Entre as muitas histórias que cercam sua trajetória, guardo também uma lembrança pessoal. Tive a felicidade de conhecê-lo e conversar com ele algumas vezes. Nosso último encontro aconteceu em 2019, quando eu e a professora da Universidade Federal de Sergipe, Erna Barros, fomos entrevistá-lo para o documentário Angicos de Fora a Fora. Naquele momento Frei Enoque já enfrentava problemas de saúde, mas mesmo assim nos recebeu com a mesma gentileza e simplicidade que sempre o caracterizaram. Conversou longamente sobre o sertão, sobre a fé e sobre as lutas do povo que marcaram sua caminhada. Ficou claro, mais uma vez, que Frei Enoque não foi um santo, mas um homem do bem, profundamente comprometido com seu povo.
Quando sua morte foi anunciada em uma sexta-feira, 13 de março de 2026, muitos sertanejos sentiram que o sertão perdia uma de suas vozes mais marcantes. Na tradição cristã, a sexta-feira recorda a memória da paixão de Jesus Cristo, dia que simboliza sofrimento, mas também esperança.
Hoje, nas margens do Rio São Francisco e nas estradas de terra do interior sergipano, a lembrança de Frei Enoque continua viva entre agricultores, ribeirinhos e comunidades sertanejas. Mais do que religioso ou político, ele permanece na memória do povo como alguém que escolheu caminhar ao lado dos mais simples, compartilhando suas lutas, suas dores e suas esperanças, deixando um legado que une fé, justiça social e compromisso com a educação.
(*) Historiador, poeta popular, escritor e repórter fotográfico
Nutro a ideia de que algo precisa ser feito, dentro do possível, do mínimo, do impossível.
Não existe flexibilização na luta de classes. Em muitos casos, a condição financeira é um entrave, na maioria das vezes também; não é uma mera alusão, nem uma metáfora desconexa ou difusa.
É o meu entendimento: quando olho para as camadas de baixo, vejo que o assunto não são as políticas culturais.
Então escrevo, luto para aprender e pensar outras saídas. Já ouvi isso, saca? Vou rir. Uma visão barata e míope de que nós, vindos das camadas de baixo, somos só intuição.
Pelo contrário, passamos por aprendizados diários.
Andando na viela da minha rua, vi um cachorro chamado Felipe foi assim que o cara o chamou. Parei. Era louco. O cara falava um monte com o Fifi, e ele só latia. Surreal.
As drogas são poderosas.
Eu quero atravessar as tempestades com boas ideias. Quero entender o que são as políticas culturais, para a minha formação e para a revolução interna. Mas também quero construir outro pensando, a partir do Sul da cosmos visão dos de baixo, enquanto for possível, como muitas pessoas têm feito, mesmo que, às vezes, sejam ideias feias, que te enganam pelo encantamento, enquanto o universo sopra em mim.
Então mostro para o Felipe que fazer gestão cultural é como administrar sua casa: a mãe é prefeita, a tia mais velha é a cultura, que gesta a vida com cuidado, as filhas são as vereadoras e as crianças, a população que clamam por brincadeiras.
E tudo tem seu tempo. A cultura é o que impede a gente de perder a nossa humanidade.
Por isso, justifico que as políticas culturais são tão importantes para mim.
Por favor: um café com leite e pão na chapa.
Neri Silva Silvestre:Produtor cultural, articulador e gestor cultural, idealizador do Sarau na Quebrada, poeta e agitador cultural. Sempre foi um sujeito inquieto. Quando jovem lança com o grêmio escolar, o Jornal Macunaíma, daí não parou mais. Esteve à frente como coordenador do 1° Ponto de Cultura de Santo André (SP) de 2010/2013. Produziu inúmeros eventos que vão da música à literatura.
➡️ O Coletivo Teologias da Libertação convida a todos e todas para participarem do curso de formação “Do encanto da tela ao encontro do mais humano”, com o Irmão Marcelo Barros.
🪷 Neste encontro especial, primeiro de uma série que promoveremos em 2026, vamos debater a obra homônima de Marcelo Barros, que propõe enxergar o cinema como caminho para a recuperação da alma do mundo. Inspirado no filme "A Rosa Púrpura do Cairo", de Woody Allen, o autor usa a relação entre espectador e tela para refletir sobre como o cinema pode ser uma ponte para a empatia, a espiritualidade e o bem-viver.
📗 A seguir, registramos as informações mais importantes sobre o evento:
Data: 18-03-2026, quarta-feira.
Horário: de 19h às 20h30min.
Debatedores: Irmão Marcelo Barros de Sousa OSB (monge beneditino, escritor e teólogo brasileiro), com a mediação do Prof. Romero Venâncio (UFS).
Proponente: Coletivo Teologias da Libertação.
Inscrição gratuita: Certificação: Universidade Federal do Sergipe / Universidade Federal do Rio de Janeiro (Projeto de Extensão "Educação&Insubmissão")
“Pobre e para os pobres”. As palavras do Papa são também o título do mais recente livro de Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Um texto que parece ser o passo definitivo para uma Teologia da Libertação “normalizada”. O volume, que conta com o prólogo de Francisco, foi apresentado em um auditório do Vaticano, a alguns passos da Praça de São Pedro, e com um relator surpresa: Gustavo Gutiérrez.
Müller é o principal artífice dessa “normalização” de uma corrente de pensamento que ainda provoca ardentes debates na América Latina. Ele é, há décadas, amigo pessoal de Gutiérrez, “pai” dessa teologia. Após a apresentação do livro, o recente cardeal alemão explicou aos jornalistas a razão pela qual a apoia sem hesitar.
A entrevista é publicada por Vatican Insider, 27-02-2014 . A tradução é do Cepat.
No fundo, a vida vai continuar auspiciosa. Os que têm
possibilidades ignoram a maioria, que enfrenta os desafios do dia a dia:
recolher lixo para reciclagem, trabalhar como doméstica, cometer pequenos furtos ou atuar
como avião, vapor, tudo para pagar contas, comer e ter onde morar. A miséria da
solidariedade é a nova cultura estabelecida, e nos leva a um apartheid social,
cultural e político.
O povo não pratica turismo, e a cultura passa a ser a do
trabalho de segunda a sábado, uma lógica perversa. A igreja surge como
salvação, enquanto tudo que é coletivo se esgota. Nesse tempo, as misérias se
transformam em ações sem sentido, viram fetiche e romantização e contrapartida
de projetos culturais e socias.
As pessoas com cidadania estão cada vez mais
individualizadas, e o futuro continua incerto.
E na cultura, esse campo que deveria ser de encontro, o que
se destaca é o tratamento desigual: os diferentes são vistos apenas como
público. O que resta é observar o desdém, a cara de pau, a soberba, a política
de balcão, o tráfico de influência e o compadrio. Em todos os lugares há
“carteiradas” e imposições de cima para baixo.
Mas, afinal, o que é cultura?
Cultura é o conjunto complexo de hábitos, costumes, valores,
crenças, arte, linguagem e tradições partilhado por um grupo social,
transmitido entre gerações. Ela molda a identidade coletiva, determina
comportamentos e organiza a visão de mundo das pessoas, variando no tempo e no
espaço.
Cultura é o tempo da vida e da convivência; é tudo que nos
faz coletivo e indivíduo.
E agora pensemos: E a Cultura Viva?
É uma política pública brasileira de base comunitária que
visa reconhecer, apoiar e fortalecer expressões culturais tradicionais e
populares. Focada na cidadania e na diversidade, articula Pontos e Pontões de
Cultura em rede para descentralizar recursos, valorizar a produção local e
simplificar a burocracia para agentes culturais. É a dimensão do povo, da rede
que transforma o meio em prática, ações de encantamento, magia, reza, tesão e
bença.
E os sistemas da Cultura Viva e do Sistema Nacional de
Cultura?
Ambos têm como centralidade o controle social e a
participação. Porém, muitas vezes, tornam-se meros protocolos: não há, de fato,
um empenho consistente entre governo e sociedade civil para colocá-los em
prática.
Existe, sim, uma destruição dos sistemas de políticas
públicas em diversos campos. Há muito servilismo e pouca insurgência,
justamente o contrário do que seria necessário para uma democracia cultural.
O mais grave é a lógica de mudança de leis. Veja a cidade de
São Paulo: pessoas enlouquecidas pelo acesso ao cofre público, pelas emendas
parlamentares que muitas vezes desestruturam as políticas culturais e todo o
processo democrático,inclusive com
casos sob suspeita.
O processo é difícil porque os interesses individuais
superam o coletivo, e as pessoas precisam se expor a ambientes racistas,
elitistas, marcados por quem nunca sofreu qualquer tipo de discriminação.
Escrevo hoje para desmistificar o que pode ser feito na
governança, na participação social e na mudança de mentalidades. Aqui, o bicho
pega: são várias biqueiras, muitos homens alcoólatras, e os meninos mais novos
trabalhando como vapor, uma multidão decadente, vencida pelas drogas. O estado
de São Paulo abriga uma realidade que lembra uma grande Cracolândia.
Veja: é simples. A “Lei de Gérson” rege uma classe média que
sempre leva vantagem, enquanto para nós vale a “Lei de Murici”: cada um cuida
de si.
No final, o que vemos é um show de horrores: uma classe
média que controla tudo e todos, atuando como pelega de uma burguesia autômata.
Fecham-se as cortinas, e termina o espetáculo.
Sejam mais humanos.
O neoliberalismo venceu !
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Abaixo, análise comparativa do texto de Neri Silvestre com o pensamento de Teixeira Coelho utilizando a IA deepseek
Excelente texto. Ele é um diagnóstico contundente da realidade social e cultural brasileira contemporânea, e a sua relação com o pensamento de Teixeira Coelho é profunda e direta, podendo ser lido como uma manifestação prática e indignada dos conceitos que Coelho teorizou.
Para entender essa relação, precisamos lembrar quem é Teixeira Coelho e qual é a sua principal contribuição. José Teixeira Coelho Neto é um dos mais importantes pensadores brasileiros na área de políticas culturais. Sua obra mais influente, o "Dicionário Crítico de Política Cultural", é uma referência fundamental. Coelho é um crítico feroz do que ele chama de "indústria cultural" (herdado da Escola de Frankfurt) e, principalmente, defende a passagem de uma "política cultural" (imposta de cima para baixo) para uma "democracia cultural" (que emerge das bases) texto que você compartilhou é, essencialmente, um lamento pela derrota da "democracia cultural" e a consagração do modelo neoliberal, que para Coelho é o ambiente onde a cultura se transforma em mercadoria e o acesso a ela se torna um privilégio.
Abaixo, detalho como os pontos do texto se conectam com as ideias de Teixeira Coelho:
1. O Fim do Sonho da Democracia Cultural vs. A vitória do Neoliberalismo
No Texto: O título "Pelo fim do SNC?!" e a pergunta sobre a "Cultura Viva" já estabelecem o tema: a erosão das políticas públicas de cultura construídas para serem participativas (como o Sistema Nacional de Cultura - SNC e o programa Cultura Viva). O texto descreve um cenário onde "os interesses individuais superam o coletivo", onde há "tratamento desigual" e "imposições de cima para baixo". A frase final é a sentença: "O neoliberalismo venceu!"
Relação com Teixeira Coelho: Coelho sempre alertou para o perigo da lógica de mercado invadir o campo da cultura. O neoliberalismo, para ele, não é apenas uma política econômica, mas um projeto que transforma o cidadão em consumidor e a cultura em entretenimento. O texto mostra a consequência disso: a "cultura" deixa de ser um direito de todos (democracia cultural) e vira um negócio para poucos, gerando o "apartheid social, cultural e político" mencionado. O "fim do SNC" é o símbolo da derrota do projeto de gestão pública e participativa da cultura, que Coelho ajudou a conceituar, para um modelo gerido por interesses privados e de balcão.
2. A "Miséria da Solidariedade" e o Fim do Coletivo
No Texto: "A miséria da solidariedade é a nova cultura estabelecida... enquanto tudo que é coletivo se esgota. As pessoas com cidadania estão cada vez mais individualizadas."
Relação com Teixeira Coelho: Coelho discute a "cidadania cultural", que é a capacidade do indivíduo não só consumir, mas participar e produzir cultura, sentindo-se parte de uma coletividade. O texto descreve o oposto disso: a solidariedade se torna "miséria" porque é uma ação residual, individualizada (como "cada um cuida de si" da "Lei de Murici") e não uma força política estruturante. A atomização dos indivíduos é a base para a vitória do neoliberalismo, pois um povo fragmentado não reivindica direitos coletivos, como o direito à cultura.
3. O "Apartheid Cultural" e a Separação entre Público e Fazedores
No Texto: "E na cultura, esse campo que deveria ser de encontro, o que se destaca é o tratamento desigual: os diferentes são vistos apenas como público."
Relação com Teixeira Coelho: Essa é uma das críticas mais ácidas do texto e uma das mais caras a Coelho. Na visão tradicional de "política cultural" (que Coelho critica), o Estado e as elites definem o que é "cultura de verdade" e a oferecem para as "massas" (o público). O texto denuncia exatamente isso: os "diferentes" (a periferia, os pobres, os trabalhadores informais) não são vistos como produtores de cultura, como sujeitos com seus próprios valores e estéticas, mas apenas como receptores passivos de uma cultura alheia. É a negação da "democracia cultural", que para Coelho só existe quando todos são também produtores.
4. A Burocracia, o Compadrio e a "Política de Balcão"
No Texto: "o que se destaca é o tratamento desigual... o desdém, a cara de pau, a soberba, a política de balcão, o tráfico de influência e o compadrio... pessoas enlouquecidas pelo acesso ao cofre público, pelas emendas parlamentares que muitas vezes desestruturam as políticas culturais."
Relação com Teixeira Coelho: Coelho é um crítico da gestão cultural baseada em privilégios e relações pessoais. A "política de balcão" é o oposto de um sistema transparente e participativo como o SNC. O texto mostra como, na prática, a "carteirada" e o "compadrio" substituem a política pública, corroendo os canais de participação social e transformando a cultura num campo de disputa por recursos entre uma elite, e não num direito universal.
5. A Definição de Cultura: Conflito entre o "Popular" e o "Erudito" (ou de Mercado)
No Texto: Ele contrapõe duas definições: a primeira, mais acadêmica e ampla ("conjunto complexo de hábitos..."), e a segunda, mais viva e ligada à "Cultura Viva" ("encantamento, magia, reza, tesão e bença"). O pano de fundo é a realidade dura daqueles que vivem à margem, onde a cultura é a "do trabalho de segunda a sábado".
Relação com Teixeira Coelho: Coelho defende justamente essa visão ampla e antropológica de cultura, que não se restringe às belas-artes ou ao mercado de entretenimento. O texto mostra o conflito entre essa cultura viva, enraizada na comunidade, e a cultura hegemônica (que pode ser tanto a erudita quanto a da indústria cultural). Quando o texto descreve a vida do trabalhador, do "vapor", da "doméstica", está falando da produção e reprodução de seus modos de vida, ou seja, da sua cultura. A denúncia é que essa cultura é ignorada, desprezada ou, na melhor das hipóteses, "romantizada" como "contrapartida de projetos culturais".
Conclusão
O texto é um grito de revolta contra a realidade que Teixeira Coelho teorizou como um risco. Ele pega os conceitos de democracia cultural, cidadania cultural, política cultural vs. indústria cultural e os coloca na arena do debate público, mostrando seu fracasso prático.
Se Coelho nos deu o diagnóstico teórico e o dicionário crítico para entender as políticas culturais, o texto que você compartilhou é um laudo de óbito desse ideal, escrito a partir da trincheira de quem vê o "show de horrores" de perto, testemunhando a substituição do sonho do coletivo pela "Lei de Gérson" e a "Lei de Murici". O texto é, portanto, a comprovação empírica e emocional dos alertas feitos por Teixeira Coelho.
A noite de ontem (17/03/2026) na Igreja São Pedro Pescador, no Bairro Industrial, foi especial e nos encheu de alegria por diversos motivos. Elenco aqui alguns pontos principais e convido a quem participou a completar esta lista, caso sinta necessidade:
União de esforços: Foi gratificante ver a comunhão entre o Pároco, os Grupos, Pastorais, Movimentos e a Ação Cultural (Cineclube Realidade).
Formação e Espiritualidade: Em sintonia com o Papa e a CNBB, o Pároco promoveu um momento valioso de formação sobre a Quaresma e a Campanha da Fraternidade (CF), conectando o tema de forma brilhante aos textos bíblicos.
Generosidade na Partilha: Os paroquianos deram um show de desprendimento, trazendo alimentos deliciosos em fartura, o que permitiu que todos se servissem à vontade — uma verdadeira vivência de Mateus 14:13-21.
Cultura e Reflexão: O Cineclube Realidade exibiu a entrevista "Os desafios da Moradia Digna no Brasil", com o Frei Marcelo Toyansk Guimarães (coordenador da Pastoral de Moradia e Favela), seguida por uma fala iluminadora de Lulia Lima sobre a CF e a Encíclica Fratelli Tutti.
Diálogo Aberto: Ao final, o Padre Soares respondeu a perguntas e Marcos, da Pastoral do Povo de Rua, trouxe uma intervenção necessária sobre a realidade de quem vive nas ruas.
Hino Oficial da Campanha da Fraternidade 2026 (Clipe Oficial)
Oficina "Cinema na Palma da Mão"
Ao final, detalhamos sobre a realização da nossa oficina de audiovisual.:
Dias e Horários: Terças e quintas, das 15h30 às 18h (escolha da maioria).
Duração: Apenas um mês. A pontualidade é fundamental para o máximo aproveitamento.
Início: 24 de março (terça-feira).
Inscrições: Já alcançamos a meta mínima de 20 inscritos para a primeira turma da oficina de audiovisual com celular. Agora, temos 5 vagas excedentes disponíveis. Não é obrigatório preenchê-las, mas aceitaremos até 5 novas inscrições.
Produção: Os alunos criarão vídeos de 1 a 5 minutos sobre temas cotidianos (família, igreja, escola, bairro). Importante: pelo menos um vídeo será dedicado aos residentes do Lar de Idosos SAME, nossos parceiros.
Atividades Extras: Teremos uma roda de conversa virtual e uma sessão presencial de cineclube com curtas sobre "Juventude", além de um breve debate sobre a Fratelli Tutti.