PROIBIÇÃO DO VOTO FEMININO
blog da Cultura
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terça-feira, 14 de julho de 2026
Do ‘Game of Thrones’ bolsonarista ao ‘Conto da Aia’
O bode expiatório bilionário: por que o dossiê “Farras” desmonta a narrativa contra a Lei Rouanet
Enquanto uma parte da imprensa e parte do legislativo formada por políticos da direita, aqui incluindo “centrão” e os extremistas, miram na renúncia fiscal da Lei Rouanet como o grande vilão do orçamento cultural, um levantamento inédito aponta que o dinheiro público está sendo queimado em um palco muito maior, mais concentrado e com muito menos transparência: o dos shows financiados diretamente por prefeituras e governos estaduais.
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Os números que não podem ser ignorados
O coração do dossiê é um levantamento de impacto: desde janeiro de 2024, apenas 40 artistas (ou, mais precisamente, suas produtoras e escritórios de representação) embolsaram, juntos, a cifra estratosférica de R$ 3,08 bilhões oriundos de contratos públicos firmados com Estados e municípios.
Para que o leitor tenha uma dimensão real do que isso representa, o relatório faz um recorte comparativo direto com a Lei Rouanet. Em 2025, a lei de incentivo atingiu seu recorde histórico de captação, com cerca de R$ 3,41 bilhões viabilizados para projetos culturais em todo o país.
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O ralo direto: quando o dinheiro sai sem escalas
A primeira grande distinção apontada pelo dossiê “Farras” está na origem e no fluxo do recurso.
1. Saída imediata do caixa: Enquanto os recursos da Lei Rouanet envolvem renúncia fiscal — ou seja, o dinheiro que a União deixaria de arrecadar com impostos se a empresa não patrocinasse o projeto —, os R$ 3,08 bilhões mapeados no relatório saem diretamente e de forma líquida do Tesouro de Estados e municípios. É dinheiro que sai do orçamento da saúde, da educação e da infraestrutura para pagar cachês, estruturas de palco, equipes técnicas e divulgação de shows.
2. Sem contrapartida obrigatória de incentivo: Na Rouanet, o projeto precisa passar por análise, aprovação no Ministério da Cultura e, muitas vezes, exige contrapartidas sociais ou culturais. Nos contratos diretos de shows, a lógica é muitas vezes a da prestação de serviço pura e simples, sem a exigência de legado cultural ou descentralização.
________________________________________Concentração versus diversidade: o verdadeiro cerne da questão
A segunda revelação do dossiê escancara o que os críticos da Rouanet raramente mencionam: a pulverização dos recursos.
• Pela Lei Rouanet, o dinheiro é distribuído entre milhares de projetos em todas as regiões do país, abrangendo teatro, dança, circo, artes visuais, cinema de autor, música erudita, patrimônio histórico e literatura. É um ecossistema complexo e fragmentado.
• Nos contratos diretos, a lógica é inversa. O dossiê “Farras” revela que quase a totalidade dos R$ 3,08 bilhões foi destinada a megashows musicais, concentrados em poucos gêneros dominantes do mercado fonográfico, frequentemente realizados em grandes centros urbanos ou em festas de aniversário de cidades.
Em outras palavras: enquanto o debate público ataca a Rouanet supostamente por financiar “produções de elite” (o que já é uma meia-verdade), os olhos se fecham para um fluxo bilionário que financia exclusivamente o mainstream musical, sem qualquer contrapartida de fomento à cadeia cultural diversificada.
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Por que a narrativa desvia o foco?
Se o montante é tão expressivo e o critério de gasto é tão questionável, por que a Lei Rouanet continua sendo o alvo preferencial? O dossiê sugere que a resposta está na conveniência política e midiática.
Atacar a Lei Rouanet é um ato de baixo risco político. Ela é facilmente associada a uma suposta “casta cultural” de São Paulo e Rio de Janeiro, virando um símbolo fácil de ser combatido em discursos populistas. Já os contratos milionários de shows envolvem agentes poderosos: prefeitos em ano eleitoral, governadores em busca de popularidade imediata e grandes empresários do entretenimento que têm forte capilaridade nos parlamentos estaduais e na Câmara dos Deputados.
O relatório do De Olho nos Ruralistas acende um alerta: a ausência de um debate rigoroso sobre esses gastos diretos permite que o dinheiro público seja usado como moeda de troca eleitoral e como vitrine pessoal de gestores, sem passar pelo crivo dos mecanismos de transparência e diversidade que a Lei Rouanet (ainda que imperfeitamente) exige.
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Conclusão: é hora de virar a chave
O dossiê “Farras” não defende a extinção ou a manutenção cega da Lei Rouanet; ele propõe, na verdade, um reposicionamento do debate. Se a preocupação da sociedade é com o mau uso de verbas públicas, o foco de investigação, controle e indignação popular precisa migrar urgentemente.
Enquanto uma parte da imprensa da imprensa tradicional e os politicos hipócritas continuarem caçando o "vilão" errado — criminalizando o patrocínio a um filme ou a uma peça de teatro —, o verdadeiro rombo continuará escorrendo pelos bastidores das grandes arenas musicais, impulsionado por contratos diretos que privilegiam um punhado de artistas bilionários em detrimento de toda a cadeia produtiva da cultura brasileira.
Os dados estão na mesa. Resta saber se a sociedade e o Tribunal de Contas da União (TCU) e os Tribunais de Contas dos Estados (TCEs) terão coragem de apontar o holofote para o palco certo. Afinal, como bem resume o dossiê, não é a lei que está doente; é o sistema de financiamento paralelo, opaco e concentrador, que insiste em fazer shows enquanto a música ou de forma mais ampla a cultura diversa, fica sem palco e sem público.
P.S.: 1 - A contradição do expectro ideológico ou "fisiológico" de onde surgem as criticas a Lei Rouanet por um viés reacionário e inconsequente.
Prefeituras
governadas por partidos de direita são responsáveis pela maior parte dos gastos
públicos com shows. É o que indica o relatório Farras, publicado em 1º de
julho, que analisou cerca de 20 mil contratos firmados em todo o país.
https://www.facebook.com/reel/3179952752202422?locale=pt_BR
Os dados
apresentados pelo pesquisador do De Olho nos Ruralistas, Bruno Bassi, no
programa Manhã Brasil, indicam que, em 2025, 72% dos recursos destinados a
apresentações musicais estavam concentrados em municípios administrados por
partidos de direita — considerando, nesse espectro, o Centrão e a extrema
direita. Entre os partidos de centro-esquerda, que respondem por 28% desses
gastos, Bassi destaca o PSB como o partido que mais concentrou despesas naquele
ano.
Para saber
mais, acompanhe o De Olho nos Ruralistas . Assista também aos nossos
vídeos especiais no YouTube: youtube.com/@DeOlhonosRuralistas.
O De Olho
nos Ruralistas é um observatório jornalístico independente e depende do seu
apoio para continuar produzindo pesquisas de fôlego com uma equipe premiada.
Aracaju está no topo nacional de gastos com grandes shows. Dossiê aponta conexões de cachês milionários com poder político
domingo, 12 de julho de 2026
A Anatomia do Nosso Caos: O Que Vivaldi e as Irmãs Sandes Nos Ensinam Sobre a Urgência de Cultivar Públicos e Memorias
Por Zezito de Oliveira
sábado, 27 de junho de 2026
sexta-feira, 10 de julho de 2026
🎬 Vamos ao cinema assistir Anatomia do Caos!
Mais do que um documentário, o filme é um convite à reflexão sobre um dos períodos mais marcantes da história recente do Brasil. Ao revisitar os acontecimentos da pandemia e os debates da CPI da Covid, a obra contribui para preservar a memória coletiva e fortalecer o exercício da cidadania.
Acreditamos que a cultura e o cinema têm um papel fundamental na formação do pensamento crítico, na defesa da democracia e na ampliação do diálogo sobre temas que impactam a vida de todos nós. Por isso, prestigiar Anatomia do Caos é também valorizar o cinema brasileiro e apoiar produções comprometidas com a verdade, a memória e o interesse público.
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sábado, 27 de junho de 2026






