informações sobre ações culturais de base comunitária, cultura periférica, contracultura, educação pública, educação popular, comunicação alternativa, teologia da libertação, memória histórica e economia solidária, assim como noticias e estudos referentes a análise de politica e gestão cultural, conjuntura, indústria cultural, direitos humanos, ecologia integral e etc., visando ao aumento de atividades que produzam geração de riqueza simbólica, afetiva e material = felicidade"
EDITAL
01/2026 DE CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA PARA APROVAÇÃO DO
ESTATUTO ATUALIZADO DA AÇÃO CULTURAL
A
Associação Cultural, com sede na Rua São Cristóvão, 14, Edf. Cultura Artistica
sala 402 – Centro – CEP:49.010-380 Aracaju, através do seu conselho-diretor,
devidamente representada por sua diretora presidente Sra. Maira Ramos Santos,
CONVOCA através do presente edital, todos os membros, colaboradores e parceiros
para a Assembléia Geral Extraordinária visando discutir e aprovar o Estatuto da
Ação Cultural, revisado e atualizado, em conformidade com as disposições
da Lei Cultura Viva Lei nº 13.018/2014 e da Lei 13.019/2014 – Marco
Regulatório do Terceiro Setor – MROSC e legislação derivada ou complementar.
A
Assembléia será realizada em 25 de junho de 2026, às 14h, por meio da
plataforma google meet, e tem como base legal estatutária o Art. 18º –
Compete a Assembléia geral de sócios: III – Decidir sobre reformas do estatuto,
na forma do art. 44º – O presente estatuto poderá ser reformado, a qualquer
tempo por decisão da maioria absoluta de seus sócios votantes, em pleno gozo de
seus direitos, em assembléia geral especialmente convocada para este fim e
entrará em vigor na data de seu registro em cartório.
A
Assembléia Geral de acordo com o Parágrafo único do Art. 21º: - Se instalará em
primeira convocação com a maioria dos sócios votantes e em segunda convocação,
após meia hora com qualquer número de presentes. Logo, a primeira convocação
será realizada às 14h, com a presença da maioria dos sócios votantes e, em
segunda convocação às 14h30, com qualquer número.
Epidemia de solidão: o que está por trás do aumento global de pessoas sem conexão social?
Todos os anos, centenas de milhares de pessoas morrem por causa da solidão. E estar desconectado da sociedade tem um efeito na saúde equivalente ao hábito de fumar 15 cigarros por dia.
Essas são apenas algumas das estatísticas que escancaram um fenômeno antigo, mas que começou a chamar atenção mais recentemente: a quantidade de pessoas sem laços sociais, que se sentem incomodadas pela sensação de “não fazer parte".
Mas o que é a solidão? E que evidências temos sobre os efeitos dela na saúde e até na economia? O repórter André Biernath responde a essas e outras perguntas nesse vídeo — que foi gravado num prédio que promete ser uma das soluções para lidar com esse problema.
Se você se sente sozinho ou tem outros problemas que afetam o seu bem-estar mental, procure ajuda nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) mais próximos de sua casa.
Você também pode buscar apoio emocional no Centro de Valorização da Vida (CVV), no número de telefone 188.
Para casos de emergência, contate o Samu (192).
IASMIN SANTOS FEITOSA
Agente Jovem Cultura Viva - Ponto de Cultura Ação Cultural
ARACAJU — SE
↳ Verbete: Agente Cultura Viva
“Durante os últimos meses, de novembro de 2024 a junho de 2025, vivi uma experiência que não foi só profissional, foi transformadora. Atuar como Agente Cultura Viva me colocou em contato direto com o que há de mais pulsante na cultura: as pessoas, suas histórias, seus saberes e suas lutas. E nesse processo, aprendi mais do que qualquer sala de aula poderia ser capaz de me ensinar. Minha atuação foi múltipla e diversa, como a própria cultura brasileira. Desde a organização de documentos e revisão de textos, até relatórios financeiros e pesquisas orçamentárias para projetos culturais, participei dos bastidores que sustentam as ações que chegam até o público. Me envolvi diretamente na escrita de projetos, aprendendo a linguagem da política pública e entendendo como transformar ideias em ações reais. Estive presente em eventos culturais, nos quais fotografei, conversei, registrei memórias e fortalezas, ajudando a documentar e valorizar cada encontro. E vivi um dos momentos mais marcantes da minha trajetória: a viagem a São Paulo para participar do 1º Encontro Nacional da Rede Sacix, que reuniu agentes culturais de todo o Brasil, trocando experiências sobre mídias livres, tecnologias sociais e os caminhos para uma comunicação mais justa. Tudo isso me fez entender que ser Agente Cultura Viva é mais do que executar tarefas. É atuar como ponte entre o território e as políticas públicas, como apoio técnico e humano nos processos culturais de base comunitária. É ser parte viva de uma rede que movimenta, articula, impulsiona e resiste. É também sobre aprender a ouvir, a dialogar, a respeitar e a fortalecer vozes que muitas vezes são silenciadas. E, principalmente, sobre se reconhecer como sujeito ativo na construção de um país mais diverso, justo e cheio de possibilidades”.
1 - Eles transformam "isolamento" em "pertencimento" (o antídoto para os "15 cigarros por dia")
A reportagem aponta que a desconexão social equivale a fumar 15 cigarros por dia em danos à saúde. O Ponto de Cultura atua exatamente no oposto: ele tece conexões.
No texto da Iasmin, ela diz que aprendeu a "ouvir, dialogar, respeitar e fortalecer vozes".
A lógica do Ponto não é o atendimento individual (como uma consulta médica), mas a criação de coletivos. Dançar, fotografar, produzir mídia ou organizar eventos em grupo obriga as pessoas a saírem do isolamento digital e entrarem em contato físico, afetivo e colaborativo. É a "vitamina" social que regenera o tecido comunitário.
2. Eles ressignificam o espaço público como local de encontro (a solução arquitetônica e humana)
A reportagem da BBC foi gravada num prédio que promete ser solução para a solidão, ou seja, um espaço físico de convivência.
Os Pontos de Cultura são, antes de tudo, territórios físicos.
Enquanto a cidade moderna muitas vezes isola as pessoas em apartamentos e carros, o Ponto de Cultura vira a "casa da comunidade". É o lugar onde o jovem, o idoso ou o artista periférico pode ir não para consumir, mas para produzir e existir coletivamente. É ali que se combatem a solidão estrutural e a falta de "terceiros lugares" (espaços que não são o trabalho nem a casa).
3. Eles dão propósito e protagonismo (combate à sensação de "não fazer parte")
A reportagem destaca a angústia de não se sentir parte de algo. A solidão moderna é alimentada pela sensação de inutilidade ou invisibilidade.
No relato de Iasmin, ela destaca que ser Agente Cultura Viva é "reconhecer-se como sujeito ativo na construção de um país mais diverso, justo e cheio de possibilidades".
Quando um Ponto de Cultura financia e valoriza a cultura local, ele diz àquela pessoa: "O que você sabe, o que você faz e quem você é importa para esta comunidade". Isso gera autoestima e pertencimento, que são os maiores inimigos da solidão patológica.
4. Eles criam "redes de cuidado" (apoio emocional prático)
A reportagem termina indicando canais como UBS, CAPS e CVV para quem sofre de solidão. São ferramentas essenciais, mas muitas vezes procuradas depois que o adoecimento já ocorreu.
Os Pontos de Cultura atuam na prevenção. Como Iasmin descreve ao participar da Rede Sacix, os Pontos formam uma malha de afetos e trocas.
No dia a dia, o Agente de Cultura não é um terapeuta, mas é a pessoa que percebe se o jovem sumiu das oficinas, se o idoso parou de aparecer ou se alguém está chorando nos bastidores. Ele pode acolher, conversar e encaminhar. Ele é a "antena social" que detecta a solidão antes que ela vire emergência.
5. Eles combatem a solidão geracional e digital
A epidemia de solidão é agravada pelas redes sociais, que criam a ilusão de conexão sem contato real.
Os Pontos de Cultura, especialmente os que trabalham com mídias livres e tecnologias sociais (como a Rede Sacix que Iasmin mencionou), ensinam a usar a tecnologia não para substituir o abraço, mas para articular encontros reais.
Além disso, eles promovem a integração entre gerações (jovens e mestres da cultura popular), quebrando o isolamento etário que também causa solidão.
Conclusão: O Ponto de Cultura como "Remédio Social"
Se a solidão é uma epidemia de desconexão, o Ponto de Cultura é a fábrica de reconexão.
Enquanto a reportagem mostra o diagnóstico (morremos de solidão), os Pontos de Cultura (como o da Iasmin) mostram o tratamento: colocar as pessoas para fazerem coisas juntas, com sentido, com afeto e com reconhecimento público. Não é um remédio em caixa, é um remédio em rede. É a política pública que entende que o bem-estar não se faz só com remédios, mas com dança, música, memória e pertencimento.
Entre os dias 16 e 18 de junho (terça à quinta), às 14h e às 19h, discutiremos a década que mudou o Brasil e que agora vemos finalizar.
Debateremos, em diferentes mesas, essa década que começa com o impeachment de Dilma Rousseff e termina com a eleição de outubro (independentemente de seu resultado). Algumas das principais áreas que fizeram parte dessa década e foram atravessadas por ela são: A direita, a esquerda, a cultura, os evangélicos, as identidades e a periferia.
Esperamos a todos para esses dias de debates que julgamos essenciais para pensarmos o presente que vivemos e o futuro que ainda estamos por escrever.
Confira a programação completa para não perder nenhuma discussão!
Local: Auditório Fernand Braudel (FFLCH-USP)
Imagem
O PAÍS QUE ACONTECEU: Brasil, 2016-2026 - CONFERÊNCIA PAULO ARANTES
PAÍS QUE ACONTECEU: Brasil, 2016-2026 - CULTURA. Aqui
Neste sábado, 20 de
junho de 2026, a Casa da Doméstica Dom José Vicente Távora, localizada à Rua
Siriri, nº 684, no centro de Aracaju, recebe a 4ª Sessão do Cine Realidade, com
exibição de filmes da 15ª Mostra Difusão Cinema e Direitos Humanos. A sessão acontece
em dois horários – às 9h e às 14h30 – com entrada gratuita.
A programação reúne
três produções brasileiras que dialogam com memória, resistência, protagonismo
feminino e identidade cultural. O curta de animação "No início do Mundo" (CE,
2020, 7min46), da diretora Camila Osório. O filme acompanha a relação afetiva
entre uma avó e sua neta, em meio à natureza, e mostra como as histórias de
mulheres fortes podem servir de amparo em momentos de dor e incerteza.
Em seguida o documentário "Eu sou Raiz" (PE,
2022, 7min), de Cíntia Lima e Lílian de Alcântara, apresenta a trajetória de
Mestra Mariinha, líder quilombola que há mais de 40 anos luta às margens do rio
São Francisco pela preservação da cultura e do território. Benzedeira, mestra
do Reisado e detentora de saberes sobre ervas medicinais, ela simboliza a força
das comunidades tradicionais e a importância da memória viva.
Completando a
programação, o público também conferirá "As Lavadeiras do Rio Acaraú" (CE,
2021, 12min – classificação 12 anos – Documentário/Experimental), do diretor
Kulumym-Açu. A obra transforma a embarcação em nave de condução e acompanha o
fluxo das águas do Rio Acaraú, que atravessa a cidade de Sobral, no Ceará. O
filme exalta a cultura, a ancestralidade e o trabalho coletivo das lavadeiras,
mostrando como a lida delas no rio vai muito além de lavar roupa – é
identidade, resistência e a alma da comunidade. No filme, o esfregar e o voar
fazem parte do mesmo gesto coletivo, tecendo uma narrativa poética e potente
sobre o pertencimento.
A escolha dos filmes
está alinhada à missão formativa do Cine Realidade, que vai além da exibição
cinematográfica: busca estimular o pensamento crítico, a empatia e o debate
sobre direitos humanos, identidade e justiça social.
A sessão acontece na
Casa da Doméstica, instituição socioassistencial sem fins lucrativos fundada em
1968, que há mais de cinco décadas atua no acolhimento, orientação jurídica e
previdenciária, além do encaminhamento ao mercado de trabalho para profissionais
do serviço doméstico. Atualmente, a entidade é parceira do projeto
federal "Mulheres
Mil – Trabalho Doméstico e Cuidados", que oferece
qualificação profissional, formação sociopolítica e atendimentos
multidisciplinares – incluindo cursos de informática, acompanhamento
psicológico e nutricional, oficinas e dinâmicas grupais.
Com essa parceria, a
Casa da Doméstica amplia seu papel como espaço de acolhimento e transformação,
e o Cine Realidade se soma a esse esforço ao levar arte e reflexão para dentro
do cotidiano das trabalhadoras e da comunidade.
Serviço:
·Evento: 4ª Sessão do Cine Realidade – 15ª Mostra Difusão Cinema e
Direitos Humanos
·Local: Casa da Doméstica Dom José Vicente Távora – Rua Siriri, nº
684, Centro de Aracaju
·Data: 30 de junho de 2026 (sábado)
·Horários: 9h e 14h30
·Entrada: Gratuita
A programação é uma
oportunidade de vivenciar o cinema como ferramenta de educação, afeto e
cidadania. Venha assistir, refletir e compartilhar essa experiência.
Contexto da Mostra:
Esta sessão integra aEtapa de Difusão da 15ª Mostra Cinema e Direitos Humanos (2025/2026), que selecionou 1.150 pontos de exibição em mais de 660 municípios de todo o Brasil. A iniciativa visa descentralizar o acesso ao cinema, levando produções brasileiras — com destaque para documentários, curtas-metragens e obras indígenas e quilombolas — a cineclubes, escolas, centros culturais e ONGs que costumam ficar fora do circuito comercial tradicional. O objetivo é democratizar a cultura e promover debates sobre direitos humanos em todos os territórios.
Projeto contemplado no Edital de Chamamento Público nº 11/2024 – Rede Municipal de Pontos de Cultura de Aracaju, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e da Política Nacional Cultura Viva. Ministério da Cultura e Governo Federal, com participação da Funcaju, Prefeitura de Aracaju.
Um dos maiores desafios da cultura paulistana é a manutenção e o apoio aos pequenos ecossistemas culturais da cidade.
São Paulo vive um momento de intensa atividade artística, mas....
Bar Sirigoela, no Bixiga, emparedado pela prefeitura (Tom Sampaio/Arquivo pessoal/Divulgação)
A coluna escrita por Alê Youssef na VEJA SÃO PAULO argumenta que, embora a cidade figure como a 7ª capital cultural do mundo segundo a revista Time Out, a gestão municipal adota políticas repressivas. Ele aponta um "claro preconceito ideológico" que asfixia pequenos ecossistemas criativos e penaliza trabalhadores da cultura.
Os principais pontos levantados pelo autor incluem:
Potencial Subaproveitado: A cidade possui vocação cultural única e abriga a única representante da América Latina no top 10 global, mas caminha na direção oposta ao que poderia ser sua principal força econômica criativa.
Ataques à Economia Criativa: Há um enfraquecimento contínuo dos pequenos ecossistemas culturais, refletido no fechamento de espaços históricos e na pressão sobre bares e casas de show.
Rigidez Institucional: O autor critica a aplicação rígida de normas urbanas sem mediação cultural, o que gera conflitos desnecessários com artistas e produtores.
Falta de Políticas Públicas: Denuncia-se uma escassez de apoio institucional e orçamentário, que sufoca os trabalhadores do setor e contraria a própria vocação cosmopolita de São Paulo.
A recente fala do presidente Lula durante a reunião do G7, captada por microfones e rapidamente viralizada, trouxe à tona uma questão que parece atravessar a história recente da política brasileira — e mundial: afinal, o que significa ser "de esquerda"? Em conversa com líderes europeus, Lula afirmou que "nunca foi esquerdista" e defendeu que "o mundo é do caminho do meio". A declaração, surpreendente vinda de um ícone da esquerda latino-americana, reabre um debate que vai muito além da autodefinição de um político.
Entrevista coletiva concedida por Lula sobre a sua participação da reunião do G7. AQUI
Esta é uma discussão que Norberto Bobbio, um dos mais lúcidos pensadores da ciência política, já enfrentava ao afirmar que a distinção entre direita e esquerda, longe de ter perdido relevância, continua sendo uma bússola fundamental para a democracia — ainda que seus critérios sejam historicamente móveis e atravessados por juízos de valor. Para Bobbio, o que opõe fundamentalmente os dois campos é a posição diante da igualdade: a esquerda tende a favorecer políticas que reduzam as desigualdades; a direita, a considerá-las naturais ou mesmo desejáveis.
A complexidade dessa distinção ganhou contornos dramáticos no Brasil durante os protestos de junho de 2013. Naquele momento, o youtuber PC Siqueira e Diego Quinteiro publicaram um vídeo — "Globo e os Protestos" — que buscava definir o movimento como "de esquerda", orientando os manifestantes a rejeitar a cobertura da grande mídia e a aceitar a participação de partidos alinhados a esse espectro. A tentativa de fixar uma identidade política gerou enorme controvérsia entre os comentaristas, que reivindicavam para si um caráter apartidário ou, quando muito, "político sem ser partidário". O episódio revelou o quanto a definição de "esquerda" pode ser objeto de disputa, negociação e rejeição, mesmo — ou especialmente — em momentos de intensa mobilização popular.
O debate, no entanto, não é novo. Já em 1918 e 1920, Lênin dedicava textos como "Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo" e "Criançada Esquerdista" a criticar o que considerava um desvio infantil e pequeno-burguês dentro do próprio movimento revolucionário: a recusa intransigente a participar de instituições burguesas como parlamentos ou a incapacidade de calcular realisticamente a correlação de forças. Para Lênin, o "esquerdismo" era uma postura que, sob a aparência de radicalidade, servia objetivamente aos interesses da reação — uma advertência que ecoa com força quando observamos os movimentos contemporâneos que se recusam a qualquer mediação institucional.
É a partir desse mosaico — a pragmática autodefinição de Lula, a teoria crítica de Bobbio, a tentativa polêmica de PC Siqueira em junho de 2013, e a advertência leniniana contra os desvios do próprio campo progressista — que nos situamos e por isso buscamos trazer as diversas vozes do debate para cá.
Sobre a fala de Lula, o que penso a respeito...
Lula ´é um humanista e social democrata. Neste caso de centro-esquerda. Penso que ele gostaria de ser um social democrata forte., o que significa dizer: A defesa da conciliação entre o capitalismo e o forte papel do Estado, garantindo que o livre mercado seja regulado para promover igualdade social, serviços públicos universais (como saúde e educação) e forte proteção ao trabalhador. Historicamente, esse modelo é a base de partidos e governos de centro-esquerda, sendo o "modelo nórdico" (países como Suécia, Noruega e Dinamarca) o exemplo mais clássico de social-democracia consolidada. Em entrevistas internacionais (como à rede norueguesa NRK), Lula já elogiou o sistema de bem-estar social dos países nórdicos, considerando-o um modelo de desenvolvimento e qualidade de vida que concilia crescimento econômico com forte amparo à população.
No coração urbano de Aracaju, a antiga Praça Tancredo Neves não é apenas um espaço de lazer; é memória viva, resistência silenciosa e testemunho de transformação. Sua história, marcada por camadas de barro, fé e convivência, reflete a própria cidade, unindo o sagrado, o cívico e o popular em um mesmo espaço.
Antes de se tornar praça, era uma colina de barro vermelho, vestida de matagais, na antiga elevação conhecida como “Alto da Boneca”. A comunidade, com seu esforço diário, retirava o barro para erguer casas de taipa, moldando o terreno e transformando-o em penhasco abrupto e de difícil acesso. Nesse ponto, elevado não apenas na geografia, mas na simbologia, consolidou-se o caráter religioso do espaço. No início da década de 1960, após negociações entre os frades capuchinhos e a Prefeitura, ergueram-se a Igreja e o Convento de São Judas, imprimindo à colina uma aura de fé que atravessa o tempo, silenciosa testemunha da devoção e da história.
Anos se passaram, e o espaço permaneceu adormecido, quase esquecido. Somente em 1985, durante a gestão do prefeito José Carlos Teixeira, o terreno acidentado recebeu urbanização e se transformou finalmente em praça. O nome escolhido, Tancredo Neves, ressoava esperança: homenagem ao primeiro presidente civil eleito após a ditadura militar, símbolo vivo da redemocratização brasileira.
Como tantas obras públicas da época, a praça logo mergulhou no esquecimento. A falta de cuidados apagou aos poucos o brilho conquistado. Somente em 1994, na administração do prefeito José Almeida Lima, uma ampla reforma trouxe fôlego ao espaço: o anfiteatro ganhou grades de ferro reaproveitadas da Praça Olímpio Campos. Ainda assim, o descuido retornou, e a praça, antes viva, permaneceu silenciosa, sob o peso do abandono que ameaçava sua história e a lembrança da comunidade.
Na gestão do ex-prefeito Edvaldo Nogueira, deu-se início, em 25 de abril de 2024, a uma grande reforma, prevista para ser concluída em 19 de fevereiro de 2025, com custo de R$ 1.944.054,29 (um milhão, novecentos e quarenta e quatro mil, cinquenta e quatro reais e vinte e nove centavos). A obra, fruto de indicação do então vereador Fabiano Oliveira, prometia devolver à comunidade um espaço digno, moderno e seguro. Anos antes, o ex-vereador Dr. Emerson havia apresentado a indicação para a mudança do nome da praça, que deixava de ser Tancredo Neves para se tornar Praça Frei Miguelangelo Serafine (Frei Miguel), em homenagem ao franciscano que dedicou sua vida à fé, à solidariedade e à comunidade.
Depois de cinco meses de atraso, a praça foi finalmente inaugurada, reunindo gestores, vereadores e comunidade para celebrar a conclusão da obra. O espaço ganhou nova vida, tornando-se ponto de encontro vibrante, memória viva e símbolo da história e identidade de Aracaju. Cada detalhe refletia cuidado, tornando a Praça Frei Miguel um local de lazer, convívio e cultura, pronto para abraçar gerações.
Mas o que muitos moradores testemunharam na inauguração foi um desfile de autoridades, algumas mais blogueirinhas que legisladores, disputando câmeras e sorrisos efêmeros. Raros conhecem o chão que pisam; tropeçam até no nome da praça e do santuário, revelando total falta de intimidade com a história e com o povo do bairro. Muitos desses legisladores e gestores, sem GPS, talvez jamais chegassem ao bairro América, na zona oeste de Aracaju, onde a vida pulsa longe dos holofotes, e onde a verdadeira história da comunidade se escreve a cada dia.
Quando a praça desperta plenamente, sua essência se revela em cada gesto e em cada som. Que a FUNCAJU conduza grupos teatrais, músicos e artistas populares, transformando a Praça Frei Miguel em um coração pulsante de lazer, arte e memória. Que a concha acústica ressoe com risos, canções e histórias, e que cada canto do espaço celebre encontros, sonhos e afetos, devolvendo à zona oeste a vitalidade de um tempo em que o bairro inteiro fazia da rua palco de vida e poesia.
Que a FUNCAJU dê vida e movimento à nossa praça, pois um espaço público não é apenas lugar de passagem ou comida: é ponto de convivência comunitária, de encontro, de troca e de expressão. A praça deve pulsar com arte, cultura, diversão e interação, oferecendo ao morador não só sustento, mas alegria, aprendizado e vivência coletiva. Afinal, uma praça sem vida é só concreto e chão, mas com cultura e movimento ela se transforma em território de sonhos, afeto e pertencimento.
E que cada morador compreenda seu papel. Preservar a praça, cuidar dos bancos, da iluminação e da concha acústica é gesto de cidadania e amor pelo bairro. Não basta esperar pelo poder público: é preciso zelar, proteger e manter viva a beleza conquistada com esforço. Afinal, a praça é nossa, e pertence a todos que acreditam que o espaço público é reflexo da comunidade que o habita.
*É historiador, coautor dos livros Bacias Hidrográficas de Sergipe, Unidades de Conservação de Sergipe e Bairro América: A saga de uma comunidade. Também atua como repórter fotográfico e poeta popular.
Um problema anunciado desde a inauguração. A sugestão foi ter a guarda municipal fazendo rondas intensivas, assim também como um programa municipal contratando fiscais da comunidade recebendo salário mensal para fiscalização, pode ser agentes jovens comunitários. Lembrando: Sem identificação, com papel de ser os olhos e ouvidos da gestão municipal..
Junto a isso o trabalho de educação patrimonial para e com os estudantes, mas isso para o médio e longo prazo..
Bronca da Comunidade: moradores denunciam vandalismo em praça do Bairro América
Arte, fé e arquitetura: como a Emurb transformou a Praça dos Capuchinhos em referência para Aracaju