informações sobre ações culturais de base comunitária, cultura periférica, contracultura, educação pública, educação popular, comunicação alternativa, teologia da libertação, memória histórica e economia solidária, assim como noticias e estudos referentes a análise de politica e gestão cultural, conjuntura, indústria cultural, direitos humanos, ecologia integral e etc., visando ao aumento de atividades que produzam geração de riqueza simbólica, afetiva e material = felicidade"
Bergoglio transformou sua vocação pastoral em um testemunho de proximidade, compaixão e acompanhamento nos lugares mais remotos do mundo e, por meio de anedotas, gestos simples e decisões corajosas, demonstra uma liderança que transforma a fé em ação concreta e transformadora.
Pôster e fotos do documentário sobre Francisco
Pôster e fotos do documentário sobre Francisco | RD/Capture
(Notícias do Vaticano) – “Francisco representou a cultura do cuidado diante da cultura da crueldade, e o fez inúmeras vezes, infelizmente sozinho”, afirma Esteban Cadoche, cineasta argentino. Com essas palavras, ele resume o espírito de seu documentário, O Sacerdote do Fim do Mundo , que explora o papado de Francisco por meio de suas decisões, ações e pensamentos mais significativos. Filmado no Brasil, na Argentina e no México, este projeto nitidamente latino-americano busca mostrar como o Papa argentino transformou a Igreja e se tornou um símbolo global da cultura do cuidado, transcendendo fronteiras religiosas, ideológicas e políticas.
A cultura do cuidado, explica Cadoche, envolve concentrar a atenção, a inteligência e o coração nos outros, especialmente naqueles que são mais vulneráveis. Em contraste com a "cultura da crueldade" — que significa causar sofrimento e se deleitar com ele — Francisco promoveu uma Igreja próxima, inclusiva e comprometida com os mais necessitados.
O documentário destaca como o Papa colocou as periferias no centro do seu ministério : os bairros mais pobres, as comunidades indígenas, as zonas rurais e os marginalizados. Vindo da América Latina, o continente com a maior população católica do mundo, Francisco promoveu uma renovação dos valores do Concílio Vaticano II e da Conferência Episcopal de Medellín, reafirmando a opção preferencial pelos pobres e excluídos.
Testemunhos de pessoas que trabalharam ao seu lado, como o padre Pepe Di Paola na Argentina e o juiz Andrés Gallardo, presidente da COPAJU (Comissão Pan-Americana de Juízes pelos Direitos Sociais), refletem a magnitude de seu impacto. “ Francisco tornou-se um ícone global, ainda maior que Gandhi ou Martin Luther King ”, afirma Cadoche, destacando como o Papa conseguiu transcender fronteiras culturais e religiosas.
Além disso, o documentário inclui vozes das comunidades indígenas Tsotsil e Tseltal de Chiapas e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Brasil, para mostrar a diversidade de experiências e desafios que a Igreja enfrenta hoje.
O filme também destaca como Francisco abordou firmemente os abusos dentro da Igreja e promoveu a transparência e a justiça, consolidando sua liderança ética e moral em um momento crítico para a instituição. Sua aproximação com os mais vulneráveis e sua promoção da sinodalidade deixaram uma marca profunda na memória coletiva, que, segundo Cadoche, perdurará por gerações.
O documentário será distribuído em cinemas, plataformas digitais e por meio de organizações comunitárias , sindicatos e câmaras de comércio de diversos setores, buscando alcançar até mesmo as comunidades mais remotas da América Latina. A própria Igreja, juntamente com organizações como o Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (LACAI), será fundamental para garantir que a produção chegue a essas áreas isoladas.
“O que Francisco fez, e o que queríamos mostrar no filme, é uma revolução do cristianismo cotidiano : a certeza de que somos todos filhos de Deus, iguais em dignidade e merecedores de respeito e amor”, conclui Cadoche.
O documentário "O Padre do Fim do Mundo" tem estreia prevista para abril de 2026, mês que marca o primeiro aniversário da morte do Papa argentino, e promete mostrar ao mundo um Pontífice que fez da cultura do cuidado não apenas um lema, mas um estilo de vida que inspira e transforma comunidades inteiras.
Frase e foto abaixo publicadas no facebook por Hélio Andrade Filho
"Mapa eleitoral em Portugal nesse domingo em segundo turno para a presidência. Concorriam Antônio José Seguro, do Partido Socialista e André Ventura, do Chega! de extrema direita, também conhecido como o Bolsonaro português. Os distritos em vermelho votaram no Socialista." - Célio Turino
Como muitos sabem, meu marido, Noam Chomsky, hoje com 97 anos, enfrenta sérios problemas de saúde após sofrer um grave derrame em junho de 2023. Atualmente, Noam está sob cuidados médicos permanentes, 24 horas por dia, e encontra-se completamente incapaz de falar ou participar de debates públicos.
Desde essa crise de saúde, tenho estado inteiramente dedicada ao tratamento e à recuperação de Noam, sendo a única responsável por seus cuidados e tratamento médico. Noam e eu não contamos com assistência de relações públicas. Por essa razão, somente agora pude tratar da questão referente aos nossos contatos com Jeffrey Epstein.
"Noam e eu sentimos um profundo peso em relação às questões não resolvidas que cercam nossas interações passadas com Epstein. Não desejamos deixar esse capítulo envolto em ambiguidades.
Ao longo de sua vida, Noam sempre insistiu que os intelectuais têm a responsabilidade de dizer a verdade e expor mentiras — especialmente quando essas verdades são desconfortáveis para eles próprios.
"Como é amplamente conhecido, uma das características de Noam é acreditar na boa-fé das pessoas. Sua natureza excessivamente confiante, neste caso específico, levou a graves erros de julgamento de nossa parte.
"Foram levantadas, com razão, questões sobre os encontros de Noam com Epstein e sobre a assistência administrativa que seu escritório prestou em relação a um assunto financeiro privado — que não tinha absolutamente nenhuma relação com as atividades criminosas de Epstein.
"Noam e eu fomos apresentados a Epstein ao mesmo tempo, durante um dos eventos profissionais de Noam em 2015, quando a condenação de Epstein em 2008, no estado da Flórida, era conhecida por pouquíssimas pessoas, enquanto a maior parte do público — incluindo Noam e eu — não tinha conhecimento disso. Essa situação só mudou após a reportagem do Miami Herald, em novembro de 2018.
"Quando fomos apresentados a Epstein, ele se apresentou como um filantropo que apoiava a ciência e como um especialista financeiro. Ao se apresentar dessa forma, Epstein despertou o interesse de Noam, e eles passaram a se corresponder. Sem perceber, abrimos a porta para um cavalo de Troia.
"Epstein passou a se aproximar de Noam, enviando presentes e criando oportunidades para discussões interessantes em áreas nas quais Noam vinha trabalhando intensamente. Lamentamos não ter percebido isso como uma estratégia para nos envolver e tentar minar as causas que Noam defende.
"Almoçamos uma vez no rancho de Epstein, em conexão com um evento profissional; participamos de jantares em sua casa em Manhattan e ficamos algumas vezes em um apartamento que ele ofereceu quando visitamos Nova York. Também visitamos o apartamento de Epstein em Paris durante uma tarde, em uma viagem de trabalho. Em todos os casos, essas visitas estavam relacionadas aos compromissos profissionais de Noam. Nunca fomos à sua ilha nem soubemos de qualquer coisa que tenha ocorrido lá.
"Participamos de encontros sociais, almoços e jantares nos quais Epstein estava presente e em que foram discutidos temas acadêmicos. Nunca testemunhamos qualquer comportamento inadequado, criminoso ou repreensível por parte de Epstein ou de outras pessoas. Em nenhum momento vimos crianças ou menores de idade presentes.
"Epstein propôs encontros entre Noam e pessoas que despertavam o interesse de Noam, devido a suas diferentes perspectivas sobre temas relacionados ao trabalho e ao pensamento de Noam. Foi nesse contexto acadêmico que Noam escreveu uma carta de recomendação.
"O e-mail de Noam a Epstein, no qual Epstein solicitava conselhos sobre a imprensa, deve ser lido em seu contexto. Epstein havia afirmado a Noam que estava sendo injustamente perseguido, e Noam falou a partir de sua própria experiência em controvérsias políticas com a mídia. Epstein construiu uma narrativa manipuladora sobre seu caso, na qual Noam, agindo de boa-fé, acreditou. Hoje está claro que tudo foi orquestrado, sendo uma das intenções de Epstein fazer com que alguém como Noam ajudasse a restaurar sua reputação por associação.
"A crítica de Noam nunca foi dirigida ao movimento das mulheres; ao contrário, ele sempre apoiou a equidade de gênero e os direitos das mulheres. O que ocorreu foi que Epstein se aproveitou das críticas públicas de Noam ao que passou a ser chamado de “cultura do cancelamento” para se apresentar como vítima dela.
Somente após a segunda prisão de Epstein, em 2019, tomamos conhecimento da real extensão e gravidade das acusações — hoje confirmadas como crimes hediondos contra mulheres e crianças.
Fomos negligentes ao não investigar adequadamente seu histórico. Esse foi um erro grave e, por essa falha de julgamento, peço desculpas em nome de ambos. Noam compartilhou comigo, antes de seu derrame, que sentia o mesmo.
"Em 2023, a resposta pública inicial de Noam às perguntas sobre Epstein não reconheceu adequadamente a gravidade de seus crimes nem a dor duradoura de suas vítimas, principalmente porque Noam presumiu que era óbvio que condenava tais crimes. No entanto, uma posição firme e explícita sobre esse tipo de questão é sempre necessária.
"Foi profundamente perturbador para nós perceber que havíamos nos relacionado com alguém que se apresentava como um amigo prestativo, mas levava uma vida oculta marcada por atos criminosos, desumanos e perversos.
"Desde a revelação da extensão de seus crimes, ficamos chocados.
Para esclarecer a natureza do cheque que recebemos do escritório de Epstein: Epstein pediu a Noam que desenvolvesse um desafio linguístico que ele desejava estabelecer como um prêmio regular. Noam trabalhou nisso, e Epstein enviou um cheque de US$ 20.000 como pagamento.
O escritório de Epstein entrou em contato comigo para providenciar o envio do cheque para nosso endereço residencial.
"Quanto à transferência reportada de aproximadamente US$ 270.000, devo esclarecer que se tratava integralmente de recursos do próprio Noam. Na época, Noam havia identificado inconsistências em seus recursos de aposentadoria que ameaçavam sua independência econômica e lhe causavam grande preocupação.
Epstein ofereceu assistência técnica para resolver essa situação específica. Nesse assunto, Epstein atuou de acordo, recuperando os recursos para Noam, em um gesto de ajuda e, muito provavelmente, como parte de uma estratégia para obter maior acesso a ele. Epstein atuou exclusivamente como consultor financeiro nesse caso específico. Até onde sei, Epstein nunca teve acesso às nossas contas bancárias ou de investimento.
Também é importante esclarecer que Noam e eu nunca tivemos investimentos com Epstein ou com seu escritório — individualmente ou como casal.
"Espero que esta retrospectiva esclareça e explique as interações de Noam Chomsky com Epstein.
"Noam e eu reconhecemos a gravidade dos crimes de Jeffrey Epstein e o profundo sofrimento de suas vítimas. Nada nesta declaração pretende minimizar esse sofrimento, e expressamos nossa solidariedade irrestrita às vítimas.
Entrevista com Frei Sérgio Antônio Görgen, frade franciscano, engajado nas lutas pela terra desde o seminário. Ele foi membro fundador do MST em 1984. Frei Sérgio também foi deputado estadual do Rio Grande do Sul pelo PT. Faleceu em 2 de fevereiro de 2026 no assentamento do MST onde vivia.
Esta entrevista é um bônus do filme "O Evangelho da Revolução", dirigido por François-Xavier Drouet. Foi gravada em Porto Alegre em 9 de maio de 2022, durante as filmagens do documentário.
Nota de Pesar
Frei Sérgio Görgen, referência histórica da luta popular e da Reforma Agrária
Nota de Pesar do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
3 de fevereiro de 2026
Da Página do MST
É com grande pesar que o Movimento Sem Terra lamenta o falecimento do Frei Sérgio Görgen. Sua trajetória é um exemplo de dedicação absoluta à luta camponesa, deixando um legado imensurável de contribuição para todo o povo brasileiro.
Frei Sérgio esteve nos primeiros passos de fundação do MST no acampamento Encruzilhada Natalino e da fazenda Annoni. Também marcou este início como Frade franciscano a violência física que sofreu na resistência do “massacre da Santa Elmira”.
Em sua jornada em defesa dos camponeses participou da fundação do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Atuou na institucionalidade no governo Olivio Dutra e como deputado estadual, defendendo os direitos dos trabalhadores sem se afastar da luta popular. Sua defesa ao governo Lula, greve de fome de 26 dias pela candidatura do Lula e contribuição no debate das políticas públicas também marcam sua trajetória.
Frei Sérgio foi um elaborador da luta popular. Transformou em teoria diversas práticas cotidianas dos movimentos. Foi um ativo construtor do Projeto Brasil Popular, Via Campesina Brasil e do Sistema de comunicação popular com o Brasil de Fato.
Seu legado é um exemplo de dedicação à luta popular, desde as greves de fome em defesa dos direitos sociais e políticos e na linha de frente das mobilizações.
Neste momento de despedida, reafirmamos nosso compromisso com a continuidade de sua história. Sua partida deixa um vazio imenso, mas seu legado permanece vivo nas fileiras da luta popular.
Frei Sérgio Görgen: Presente, Presente, Presente!
REFORMA AGRÁRIA (Grande Esperança) - com ZILO E ZALO
Sergius na língua da Roma Antiga, representa “guardião”,
O protetor do todo violentado;
Servo atuante e abnegado
Capaz de repartir-se em muitos “Eus”;
Aquele que faz tudo pelos seus
Sem nunca exigir um bem trocado.
Com os Sem Terra, veio a ser um acampado
Dos camponeses tornou-se o Movimento;
Junto aos famintos, foi ânimo e fermento
E a voz de todos os pobres silenciados.
No assolamento foi fonte de otimismo...
Nos arrebates se fez comedimento;
Nos paradeiros tornou-se rebeldia
E nas refregas a força do argumento.
Nas grandes perdas e de puras fantasias
Se impôs como protótipo da esperança;
Um gesto, uma palavra, uma aliança...
Teceram a unidade no raiar do novo dia.
Na fronte altiva, o retrato da utopia...
Nas mãos amigas, a força da bondade
E a defesa da biodiversidade
Nunca se curvou aos pés da covardia.
Com as ideias fez muros e trincheiras
A intransigência serviu de companheira
E alterou o conteúdo da verdade.
Nunca aceitou o bem pela metade
Nem a injeção de veneno nas sementes.
Diante dos desvios manteve a coerência...
Das frustrações fez mastros de bandeiras
Pôs para cima a mística cancioneira...
Complementando as formas de consciência.
A ternura nos olhos fez o encanto....
Os anseios das mudanças se espalharam...
Os saberes e as culturas se cruzaram
Nas mensagens das antigas profecias.
Resta agora o caminho como espelho:
Ensinar as ideias e os bons conselhos
Nesta eterna escola do guardião da empatia.
Ademar Bogo
Certidão de Óbito poético ao Frei Sergio Görgen.
04 de fevereiro de 2026.
Lula na prisão em Curitiba: “me ajudou a atravessar momentos difíceis”
“A fé e as sábias palavras de Frei Sérgio durante suas visitas em Curitiba me ajudaram a atravessar com força e esperança os momentos difíceis da prisão injusta a que fui submetido”, afirmou Lula sobre o frade, que morreu aos 70 anos.
Por: Letícia Cotta
Publicado: 03/02/2026 - às 12h53
O frade Sérgio Antônio Görgen, conhecido como Frei Sérgio, morreu nesta terça-feira (3), aos 70 anos, na comunidade dos Franciscanos em Candiota (RS). Frei Sérgio ficou conhecido por visitar o presidente Lula durante os mais de 580 dias em que ele esteve preso injustamente pela Lava Jato na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba.
Nas redes, Lula lamentou o falecimento do amigo e afirmou que ele o ajudou a “atravessar momentos difíceis”.
“A fé e as sábias palavras de Frei Sérgio durante suas visitas em Curitiba me ajudaram a atravessar com força e esperança os momentos difíceis da prisão injusta a que fui submetido”, afirmou Lula.
“Ele carregava consigo uma história de vida exemplar. De luta e de sacrifícios pessoais – incluindo greves de fome – para garantir os direitos daqueles que vivem da agricultura familiar”, continuou.
Segundo Lula, “Frei Sérgio dedicou sua vida a cumprir o ensinamento de Cristo: ‘Dai de comer a quem tem fome’.
“Lutou pela alimentação do corpo e da alma. E deixa esta vida com sua missão cumprida, que seguirá servindo de exemplo e inspiração a todos nós. Descanse em paz, companheiro”, escreveu o presidente.
Frei Sérgio chegou a ser deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no Rio Grande do Sul, entre 1999 e 2002, e foi um dos fundadores do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), em 1996. Ele também atuou ativamente na resistência contra a Reforma da Previdência promovida no governo do golpista Michel Temer (MDB) e da jornada pela democracia, em 2018.
“O MPA se despede de uma de suas maiores referências, o semeador que espalhou a resistência e esperança em cada rincão do campesinato brasileiro. Que sua memória seja agora luz e força para as mãos que cultivam a terra. Frei Sérgio não morre; ele se encanta na luta”, destacou o MPA em nota.
“Nota de Falecimento de Frei Sérgio Görgen, o Profeta da Resistência Camponesa
É com imenso pesar, mas guiados pela esperança que ele sempre semeou, que o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) comunica o falecimento de seu dirigente histórico, Frei Sérgio Antônio Görgen.
Frade franciscano, escritor e intelectual orgânico das causas populares, Frei Sérgio foi mais do que um dirigente; foi um pastor que escolheu o “cheiro das ovelhas” e o barro das trincheiras. Sua partida deixa um vazio imenso na luta social brasileira, mas seu legado de soberania alimentar e dignidade camponesa permanece vivo em cada semente crioula plantada neste solo.
Uma Vida Entregue ao Povo do Campo
Natural do Rio Grande do Sul, Frei Sérgio (OFM) dedicou sua existência à articulação política e espiritual dos excluídos. Foi peça fundamental na fundação do MPA em 1996, nascido da urgência das secas e da necessidade de voz para o pequeno agricultor.
Sua trajetória foi marcada pelo sacrifício pessoal em prol do coletivo. Frei Sérgio utilizou seu próprio corpo como ferramenta de denúncia através de cinco greves de fome, destacando-se as lutas por crédito agrícola nos anos 90, a resistência contra a Reforma da Previdência em 2017 e a jornada pela democracia em 2018, em frente ao STF.
Memória e Profecia
Como sobrevivente e cronista do Massacre da Fazenda Santa Elmira (1989), ele assumiu a missão de não deixar a história ser escrita apenas pelos vencedores. Através de obras como “Trincheiras da Resistência Camponesa” e “A Gente Não Quer Só Comida”, ele teorizou e defendeu a agricultura camponesa como um verdadeiro projeto de vida.
Frei Sérgio não apenas pregava o Evangelho, ele o vivia nas trincheiras da luta pela terra. Sua vida foi um testemunho de que a espiritualidade e o compromisso político com os pobres são faces da mesma moeda. Deixa-nos um legado de resistência e de um amor profundo pelo povo simples do campo.
Neste momento de despedida, reafirmamos o compromisso inabalável com as bandeiras que Frei Sérgio carregou com coragem até o fim. O MPA se despede de uma de suas maiores referências, o semeador que espalhou a resistência e esperança em cada rincão do campesinato brasileiro.
Que sua memória seja agora luz e força para as mãos que cultivam a terra. Frei Sérgio não morre; ele se encanta na luta. Ele segue vivo na Mística do nosso Movimento e no pulsar de cada coração que resiste. Frei Sérgio vive na luta do povo!”
AOS SETENTA ANOS
Ao completar setenta anos, roda um filme na cabeça da gente.
Nunca imaginei chegar a esta idade.
Mas se os anos se cumpriram, não resta dúvida, foi por Graça, pura Graça.
Então, só resta agradecer ao Senhor da Vida, em seu Filho e em sua Mãe. Com certeza, me ampararam e me seguraram. Muitas e muitas vezes, através das amizades, do companheirismo, da fortaleza comum, no suporte das duas famílias (a de sangue e a de hábito), das tantas e tantas orações, dos pedidos de “se cuide” (quase nunca obedecidos). É nos gestos que a Graça se faz prática e o Amor se faz vivo.
Chegar aos setenta tendo sofrido seis acidentes de carro, passado por cinco greves de fome, inúmeros conflitos sociais e fundiários, saindo ferido em dois, como diz o ditado popular, “só por Deus”.
Vivi em situações de muita dor (até hoje ecoam nos meus ouvidos o choro de crianças com fome nos barracos de acampamento e até me dói no mais fundo de mim a dor de enterrar crianças que morriam de fome) e muita tensão em tantos e tantos conflitos vividos, mas os tempos de alegria e confraternização foram infinitamente maiores. Algumas decepções, mas os testemunhos edificantes foram e são infinitamente maiores.
Lembro, neste filme da vida, dos direitos que não tive.
Não tive o direito de ter medo, mesmo carregado de temor, porque em tantos conflitos, uma covardia minha seria a derrocada para muita gente.
Não tive o direito de vacilar, embora inseguro e cheio de dúvidas, porque este vacilo comprometeria a firmeza na luta de tanta gente.
Não tive o direito ao desânimo, embora tantas vezes sem enxergar caminhos seguros, porque estavam tantos olhando em minha direção e uma pequena demonstração de desânimo de minha parte contaminaria o coração de muita gente e desistiriam de lutar pela dignidade de suas vidas.
Não tive direito ao cansaço, embora tantas e tantas vezes o espírito arrastou meu corpo exausto.
Não tive o direito de ter crise, nem vocacional, nem espiritual, nem de confiança no futuro, embora em meu interior tenha passado por várias e tantas, porque sentia a responsabilidade e o peso do hábito de São Francisco sobre os ombros na vocação que abracei.
E desde aquele dia em que, num conflito de terra na ocupação da Fazenda Anonni, em que a Brigada Militar avançava em direção ao povo e uma mulher puxou minha camisa e me disse “Frei, o senhor não vai fazer nada?” e eu, cheio de vergonha, avancei do meio do povo e fui para frente dos policiais, incapaz de dizer uma única palavra, abri os braços e parei bem próximo a eles – e as crianças com flores na mão, me seguiram e os policiais pararam – desde aquele dia, perdi também o direito à omissão.
Por isso, cheguei aos setenta meio assim, bruto, sincero demais, teimoso, xucro, irreverente, fora dos prumos estabelecidos, mas disposto e esperançoso na força do amor e da vida, pedindo sempre a Jesus e àqueles com quem caminho nas empreitadas da vida, que me farquejem e corrijam, para que meus muitos defeitos não sejam mais salientes que a Graça de Deus. Continuo acreditando na força do povo organizado, uma das expressões mais vigorosas da Graça e das Bênçãos divinas.
Um direito, porém, sempre me assistiu: a proteção de Maria e a presença amorosa e incômoda de Jesus.
Talvez, só por isso, tenha chegado aos setenta.
Gratidão enorme, a Deus e a tanta gente com quem os caminhos da existência propiciaram encontrar.
Uma ordem
jurídica guiada pela gravidade da agressão, e não pela identidade dos
envolvidos, reafirma seu papel civilizador. Quando o sistema adota critérios
morais discriminatórios, deixa de cumprir sua função e permite que atrocidades
fragilizem o pacto social.
Penalizar
com rigor não é exagero, é dever do Estado. Sempre que o Judiciário se retrai
diante de crimes brutais, abre espaço para a impunidade e compromete a
confiança da sociedade nas garantias legais. O vácuo deixado pela omissão
estatal não permanece vazio, é perigosamente preenchido pelo ímpeto da
autotutela, em que a vingança privada suplanta a soberania da lei e retrocede o
convívio ao estágio da barbárie. A sanção não nasce da vingança, mas da
necessidade de estabelecer parâmetros éticos que impeçam a repetição dos
delitos e evitem que o sofrimento seja tratado como algo aceitável. Essa linha
de contenção protege diretamente quem foi atingido e preserva a própria esfera
pública.
O horror
possui uma semiologia própria, que se exprime pela força da virulência, pela
ruptura causada, pelo sofrimento imposto e pela ameaça que projeta sobre todos.
São esses elementos que deveriam orientar a resposta penal. Quando há
tolerância seletiva, consolidam-se relações de dominação. Algumas existências
passam a ser tratadas sem valor, enquanto outras recebem atenção ampliada. Uma
sociedade que hierarquiza quem merece mais amparo oficializa a desigualdade e a
injustiça.
Fatos
recentes envolvendo uma sequência desumana de assassinatos de cães e gatos em
diferentes regiões do país inserem-se nesse mesmo padrão de estratificação de
vidas. Corpos mutilados, tortura, envenenamentos deliberados, espancamentos e
assassinatos praticados com extrema perversidade não configuram desvios
pontuais, mas manifestações de uma violência que se testa publicamente, medindo
os limites da indiferença institucional.
O
assassinato do cão Orelha, ocorrido em Santa Catarina, que teve forte
repercussão nacional e internacional, comprovou o abismo entre a indignação
social e o anacronismo jurídico brasileiro, exigindo um rigor penal que
acompanhe a evolução ética e a dignidade animal reconhecidas pela consciência
social moderna.
Nesse
contexto, torna-se imprescindível a aplicação da Teoria do Elo. Estudos
criminológicos sobre psicopatia comprovam que a crueldade contra animais
raramente ocorre de forma isolada e, por isso, funciona como um indicador
precoce de comportamentos violentos em relação a outros seres humanos,
permitindo antecipar e prevenir danos interpessoais. A violação de seres cujas
capacidades sensoriais são semelhantes às nossas revela um ciclo de brutalidade
que ultrapassa as fronteiras da espécie.
A violência
contra animais, tradicionalmente tratada como infração menor por uma cultura
antropocêntrica, subestima sofrimentos não humanos, ignora evidências
científicas sobre senciência e mantém vínculo direto com outras formas de
conflito social. Tratar esses crimes com leniência, sob o argumento da
diferença de espécie, é reproduzir uma lógica de exclusão moral que, ao longo
da história, sustentou a legitimação da opressão contra grupos humanos
arbitrariamente considerados inferiores.
Uma mudança
de perspectiva não é utopia jurídica e encontra respaldo em acenos legais,
ainda tímidos, como a Lei 14.064/20, que aumentou a pena para maus-tratos a
cães e gatos, e na jurisprudência crescente que reconhece animais como seres
sencientes e sujeitos de proteção legal.
A justiça
que se pretende contemporânea precisa abandonar filtros morais seletivos. O
critério central, repito, deve ser a intensidade da agressividade e suas
consequências concretas. Apenas assim o sistema jurídico se afasta do
personalismo punitivo e se aproxima de sua finalidade primordial.
Proteger a
vida em todas as suas expressões exige firmeza e coragem para aplicar penas
máximas quando a violência atinge níveis intoleráveis. Qualquer desvio desse
caminho compromete as vítimas e corrói o próprio sentido de humanidade.
(*)jornalista, fundadora e presidente da ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais). É membra especialista do Fórum Global de Segurança Alimentar e Nutrição (FAO) e conselheira ad hoc da UNESCO-SOST no Brasil. Integra o Diversitas da USP, a Abraji e a Rede Nacional de Combate à Desinformação.
musica - Homenagem a Orelha cão vítima da maldade.
Te chamavam de Orelha
E você vinha correndo
Como quem diz “tô aqui”
Mesmo sofrendo por dentro
Quem te feriu não sabia
O anjo que tava ali
Um cãozinho não entende ódio
Só sabe existir
Como quem diz “tô aqui”
Mesmo sofrendo por dentro
Quem te feriu não sabia
O anjo que tava ali
Ele morava na rua, mas tinha endereço
No coração de quem passava e dava um pedaço de pão
Orelha era livre, era do vento e do sol
Da areia da Praia Brava ao nascer do farol
Dez anos olhando o mar, esperando o dia
Um carinho, um chamado, um resto de alegria
Não tinha dono no papel, mas tinha multidão
Que dividia o almoço, a água e a proteção
Virou mascote da praia, parte do lugar
Quem chegava sentia ele antes de pisar
Um latido manso, um olhar que entendia
Que amor também mora onde ninguém via
Como quem diz “tô aqui”
Mesmo sofrendo por dentro
Quem te feriu não sabia
O anjo que tava ali
Mas o mundo às vezes erra
E a maldade cruza a mão
Quem não entende um cãozinho
Não entende o coração
Ô Orelha… dói falar de você
A rua ficou vazia desde que você se foi
Te fizeram mal, mas não levaram
O amor que você deixou em nós
Hoje a Praia Brava chora
A saudade não sai do chão
Você virou memória viva
Que não sai do nossos corações
Se alguém ouvir sua Historia
Que aprenda com a tua dor
Maus-tratos não são destino
Carinho também é amor
Na rua também nasce anjo
De pelo, pata e olhar
Quem alimenta um cãozinho
Também aprende a amar
Ô Orelha, descansa em paz
No colo da eternidade
Seu nome virou memória
Seu amor virou saudade
Que aprenda com a sua dor
Maus-tratos nunca vencem
O amor
Você partiu cedo demais
Sem merecer o adeus
Mas deixou em nós a certeza
Que o bem sempre esta em Deus
História de três irmãs migrantes, deportadas e encarceradas na Guatemala, ilustra a crueldade sistêmica contra imigrantes nos EUA e a resistência humana através da arte.
A história é como nuvem,
balé nos céus que persiste na dança do vento.
Movimento, formas e cores,
sem parar, sem descanso.
Nuvem que se faz e desfaz,
vapor d’água que se forma e muda de forma.
Nuvem que se compõe e desaparece no ar.
Crianças-Nuvem
Crianças adoram olhar as nuvens. Brincam com elas, descobrem formas, inventam imagens, riem. Crianças são como nuvem. Como rio que flui conduzido por sua beira, nuvens se deslocam e são deslocadas pelas margens que são o vento, a umidade, a temperatura e a pressão. Como rio que flui, suas águas jamais são as mesmas. Crianças fazem travessuras como rio em movimento, jamais se deixando prender às beiradas, bordas e margens.
Nove, oito, seis anos de idade...
Três irmãs.
As três irmãs, cuja história conto agora, são filhas de imigrantes salvadorenhos não documentados e viviam no sul do Texas. Muita gente, mundo afora, agora, no início de 2026, tem se indignado e se espantado, se revoltado com as ações da ICE (polícia de imigração e alfândega) contra imigrantes vivendo nos EUA. Puro terror. Porém, lamento informar, essas perseguições não são de agora. Estão mais intensas e performáticas, contra as quais a população decente entre os estadunidenses tem se insurgido. E está pagando com prisões e morte. Até o momento, dois cidadãos dos Estados Unidos da América foram assassinados pelo ICE por conta da solidariedade que prestavam aos migrantes. Dois entre os estadunidenses, porque entre os imigrantes já são mais de cinquenta assassinatos nos últimos meses; de menos repercussão midiática, por migrantes e invisíveis aos olhos do mundo.
Prender, encarcerar e deportar crianças filhas de migrantes é algo corriqueiro naquele país. De muitos anos e governos. Separando as crianças dos pais, inclusive. Foi o que aconteceu com a história das três irmãs. Capturadas, aprisionadas e deportadas para um país estranho a elas, a Guatemala.
Um dia as meninas saíram a fazer travessuras pelas ruas. Como as milhões de crianças em qualquer lugar do mundo. São crianças. São nuvem. Foi quando conheceram a ética e a justiça de um Sistema opressor, racista, explorador, ganancioso, egoísta, implacável.
Três irmãs
As três irmãs foram detidas pela polícia dos Estados Unidos, presas e sequestradas. Deportadas para serem jogadas n’algum canto da América Central. Os pais sequer puderam saber para onde seriam levadas.
Três meninas, três irmãs.
Nove, oito e seis anos...
Abandonadas sem os pais
cujo sonho americano
evaporou feito nuvem.
Meninas do Não-Lugar,
vapor d’água que se desfaz,
apátridas de nascimento,
não tiveram chance.
Pesadelo de quem acorda assustado em um país igualmente cativo
Como pesadelo de quem acorda assustado, não deixaram rastro, apenas lembrança e dor no peito. Meninas de um sonho sequestrado, expulsas de um país, sem dó ou piedade. Isso aconteceu antes de Trump, acordo dos tempos de Obama. Meninas levadas a um lugar estranho, que sequer era a terra de sua ascendência, trancadas numa Casa de Migrantes.
Guatemala, Terra Maia,
país tão bonito e histórico,
terra de vulcões e lindos tecidos,
colorida parte do mundo
igualmente sequestrada.
Meninas cativas num país em igual cativeiro. Cativos sob o peso de muitos acordos assinados. O sequestro do país aconteceu em um Final de Semana que nunca terminou; Week-End na Guatemala, de Miguel-Ángel Astúrias, vale ler para entender.
Entre os acordos firmados com os Estados Unidos: Casas de Migrantes. Eufemismo para Casas de Detenção em que migrantes deportados pelo Grande Irmão do Norte são jogados e trancafiados. Incluindo crianças. Como as três irmãs dessa história.
Para a deportação não importa o país de origem. Ao migrante capturado, detido, acorrentado, basta ter ascendência na América Central. Esse é o termo do Acordo. À Guatemala cabe se encarregar do cárcere dos sequestrados em troca de aporte financeiro em tostões. No tempo em que escrevo essa história também El Salvador assinou acordo vil com prisão para quarenta mil.
Obra de arte que se cria e destrói
As meninas foram sequestradas e deportadas sem que os pais soubessem. Enviadas à Guatemala, aprisionadas.
Três irmãs.
Nove, oito e seis anos...
Um sussurro do universo,
obra de arte que se cria e destrói.
Com essa história, que já escrevi e contei em outras formas, meu desejo é tocar os corações e as consciências das pessoas. Agora tento novamente no formato de ensaio literário, ou como se queira classificar esse meu jeito de torto de escrever sobre a realidade. O que me importa é que a história circule, toque quem leia e, de alguma maneira, ajude a interromper a infâmia.
Basta um ponto, uma atitude.
Prestem atenção no que pode acontecer.
Basta alguém.
O Ponto de Cultura Frida Kahlo, na Cidade da Guatemala, dirigido por um casal de artistas, Beatriz Sandoval e Ronald Carrillo, obteve permissão para dar aulas de desenho e pintura às meninas detidas na Casa-Prisão.
Um sopro de humanidade,
feito nuvem,
se formou.
Para desenhar há que escolher motivos, as inspirações. A cada nova visita o casal de artistas sugeria um tema, uma fruta, uma flor, uma história de memória. Certo dia o tema foi “Nuvens”. Mas... As crianças não sabiam desenhar nuvens. A imagem havia sido apagada da lembrança. Nuvens se movendo no céu, como vê-las através das grades numa Casa-Prisão?!?!
Ainda assim decidiram desenhar.
O casal levou as crianças para perto das grades nas janelas.
Os pescocinhos se contorceram.
Os olhinhos esticaram.
As cabeças encolheram.
As imaginações alargaram.
- Enxergaram as nuvens!
Lápis e tinta a domar medos
Um balé de liberdade aconteceu,
dança desenhada na cabeça e nos céus,
vento a modelar formas,
lápis e tinta a domar medos.
Até de uma prisão entre grades é possível avistar as nuvens, desenhá-las e pintá-las. O encontro com as meninas deixou marca de beleza e encantamento. Mas se desfez.
Como sonho que se desfaz ao acordar.
Como nuvem que esvai com o vento.
Os desenhos das irmãs esvaíram. Feito nuvem.
Onde estarão agora?
Escutei essa história em 2017, quando em viagem à América Central para escrever o livro “Cultura a unir os povos”, lançado em Castelgandolfo, território Vaticano na Itália, onde os Papas passam os verões e que Francisco, o Papa do sul do mundo, transformou em espaço para encontros e histórias. No Brasil o livro foi republicado sob o título “Por todos os caminhos – Pontos de Cultura na América Latina”, editado pelo SESC. Esta e outras histórias da América Latina está lá. Desde então, sempre que eu avisto nuvens no céu, recordo das meninas que nunca conheci. Também quando vi pela televisão a imagem daquele menininho com cinco anos de idade, gorro de lã azul para se proteger do frio, preso junto ao pai, migrante equatoriano em Minneapolis, tão indefeso.
Onde as meninas estarão agora?
E as tantas mais?
Brincadeira tão singela e tão difícil para alguns.
Imaginar formas e seres entre nuvens de algodão.
- Olhem aquela!
- Parece uma montanha se movendo no céu.
- E a outra?!?!
- Um pássaro tão pequenino...
Sumiu.
Guatemala - Chiko Queiroga & Antônio Rogério
Nuvem Passageira - Hermes Aquino
01- Curso Por Todos os Caminhos: Pontos de Cultura pela América Latina com Célio Turino