Ricardo André
Não tenho o hábito de acompanhar desfiles de escolas de samba. No entanto, no último dia 15, fiz questão de assistir à apresentação da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói. O motivo foi claro: tratava-se de um desfile que prometia entrar para a história ao prestar uma homenagem em vida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma das maiores lideranças políticas da história do país.
Entretanto, a TV Globo inconformada com o enredo da escola, boicotou o tempo todo o desfile da Acadêmicos de Niterói, gerando indignação em grande parte do público. A emissora iniciou a exibição com atraso significativo, não apresentou o início do desfile e evitou aprofundar comentários sobre o enredo. Ao invés de deixar o público ver a escola, a Globo colocou seus jornalistas constrangidos para praticarem anti jornalismo, falando abobrinhas para gastar o precioso tempo, tudo para esconder a importância do desfile histórico da Acadêmicos de Niterói. Em vários momentos, os comentários pareciam dispersos, superficiais ou deslocados do que acontecia na avenida. Alas importantes foram exibidas rapidamente, e personalidades que compunham o espetáculo tiveram pouca visibilidade. A sensação transmitida foi a de um distanciamento editorial diante do conteúdo apresentado pela escola.
Foi vergonhosa a transmissão da Globo e completo desrespeito com a escola. Mas já era de se esperar. Dias antes, na programação da GloboNews, já haviam sido levantadas críticas ao tema escolhido pela agremiação, com insinuações de que a homenagem poderia configurar propaganda eleitoral antecipada. Esse contexto ampliou a percepção de que a cobertura teria sido influenciada por desconforto político.
É preciso lembrar aos "Marinhos" e a alguns jornalistas "recalcados" da Globo que o Carnaval é, historicamente, um espaço de manifestação cultural livre. Ao longo dos anos, a Marquês de Sapucaí já foi palco de enredos que exaltaram figuras políticas, denunciaram injustiças sociais e revisitaram capítulos complexos da história nacional. Narrar a trajetória de uma liderança política — sobretudo alguém que marcou profundamente a vida institucional do país — pode ser entendido como parte dessa tradição de contar a história do Brasil pela lente do povo.
Independentemente das posições políticas individuais, o desfile da Acadêmicos de Niterói foi celebrado pelo público presente, que respondeu com entusiasmo à narrativa apresentada. A escola brilhou na avenida e cumpriu seu papel artístico: provocar, emocionar e gerar debate.
O episódio também evidencia algo maior: a disputa pelas narrativas sobre quem conta a história do Brasil e de que forma ela deve ser contada. No Carnaval, muitas vezes, é o povo quem assume esse papel — com samba, fantasia e memória coletiva.
Para Lula, Dona Lindu sempre aparece como presença viva, inspiração ética e lembrança concreta da dureza da vida, da fome e da dignidade possível mesmo no limite. É preciso que aprendamos com Lula a reconhecer nas mães não um ornamento discursivo, mas um compromisso político. Ele jamais se esquece...
Viva Lula, guerreiro do povo brasileiro! Fora Globo vergonha nacional!!
Via whatsapp - Grupo Lutadores do Povo
O Samba no Pé e o "Corte" na Tela: Quando a Transmissão Omite o Enredo
O Carnaval sempre foi o jornal do povo. Nas avenidas, as escolas de samba não levam apenas penas e paetês; levam denúncias, homenagens e a reconstrução da história do Brasil sob a ótica de quem a vive na pele. No entanto, o desfile deste ano trouxe à tona uma polêmica antiga, mas sempre latente: até que ponto a lente da televisão tem o direito de editar a mensagem das comunidades?
A Omissão como Escolha Editorial
A crítica que surge após os desfiles de hoje é direta: enquanto em uma noite os comentários eram detalhados e didáticos sobre cada símbolo apresentado, na noite seguinte — especialmente em enredos que tocam na trajetória do Presidente Lula — o silêncio e a ausência de certas imagens gritaram mais alto que a bateria.
Quando uma emissora detém a exclusividade da imagem, ela detém o poder da narrativa. Se o enredo propõe uma homenagem a uma figura central da história política do país e as câmeras "desviam o olhar" ou os comentaristas se calam diante de passagens cruciais, o que temos não é apenas uma falha técnica, mas uma escolha editorial.
O Boicote ao Enredo PopularO samba-enredo é uma obra de arte completa. Cada ala, cada alegoria e cada adereço é pensado para contar uma história. "Esconder" imagens ou omitir o significado de homenagens políticas sob o pretexto de neutralidade é, por si só, um ato político.
A história não pode ser editada: A trajetória de um líder que saiu do sertão para a presidência faz parte do imaginário e da realidade do povo que compõe as escolas.
O papel da transmissão: Espera-se de uma cobertura jornalística e artística a descrição fiel do que acontece na avenida, independentemente de ideologias.
O Povo Vê o que a Câmera Não Mostra
No mundo hiperconectado de hoje, o "boicote" da tela grande encontra resistência nas telas pequenas. As redes sociais e o público presente na Sapucaí ou no Anhembi preenchem as lacunas deixadas pela transmissão oficial. O público percebe quando a curadoria das imagens tenta "limpar" o desfile de suas camadas mais profundas de crítica ou celebração social.
Gerson Brito 🤝🚩🚩🚩🇧🇷🇧🇷🇧🇷
Via Facebook
Carnaval: O que a Globo não quis mostrar e Damares fez questão de inventar
Entre cortes seletivos na transmissão da TV Globo e acusações fantasiosas da Damares Alves, o desfile da Acadêmicos de Niterói revelou mais um embate sobre narrativa, memória e o direito do carnaval de contar a história política do Brasil
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Filho foragido do ex-presidente condenado determinou abertamente para que lideranças evangélicas digam a fiéis que o presidente tem “agenda anticristã”
Escolas de samba – Invenção popular e tensão social
Rachel Valença, coordenadora de literatura do IMS, é uma das pessoas que conhecem melhor a história das escolas de samba. É jurada do tradicional prêmio Estandarte de Ouro e autora de, entre outros livros, “Serra, Serrinha, Serrano – O império do samba” (com Suetônio Valença). Agora em 2022, quando se completam 90 anos do primeiro desfile, ela conta essa história com riqueza de informações, além de iluminar os aspectos principais. Por exemplo: a passagem da marginalidade à aceitação social, necessária para o avanço das escolas, mas que as levou a ter de cantar a história oficial, da Casa Grande. A partir dos anos 1960, elas conseguiram exaltar seus próprios heróis, como personalidades negras. Mas é permanente a tensão entre os verdadeiros sambistas e os que tentam controlar a festa.
https://radiobatuta.ims.com.br/especiais/escolas-de-samba-invencao-popular-e-tensao-social






