segunda-feira, 30 de março de 2026

Para reto com Neri Silvestre - Por uma gestão cultural para e com o povo (8)

A movimentação existe, é justa e deve acontecer. O que ocorre é que ela precisa ser permanente e pedagógica. O Sistema Nacional de Cultura deve até existir , porém tem que ser anti neoliberal.

Os fatores que nos impedem de pensar são vários: o economicismo estéril, a setorização da subjetividade humana.

Acho que podemos focar nos direitos culturais, na participação e no controle social. Deixamos privatizar os espaços da cidade e perdemos a oportunidade de exercer esse controle. Perdemos os conselhos gestores dos espaços públicos e dos postos de saúde, enquanto seguimos apostando em uma política sustentada por editais, colocando a população em disputa, em pé de guerra o neoliberalismo destrói subjetividades.

Além disso, a setorização da cultura beneficia os grupos já organizados. Em uma cidade, por exemplo, foram destinados quatro editais para quatro comunidades indígenas de 25 mil cada que as quatro podem disputar( vai jogar um contra o outro) deveria haver rateio entre as comunidades e valor precisa ser maior, enquanto o setor do audiovisual recebeu 500 mil, e os indígenas ficaram com cerca de 100 mil. São distorções que não fazem sentido, e há muitas outras.

Não adianta ter editais com ou sem burocracia, com ou sem cotas, com ou sem prestação de contas, se os valores continuam irrisórios. O que precisamos pensar é que os recursos da PNAB podem e devem fortalecer as instituições, as secretarias e os conselhos de políticas culturais, além de promover um aumento significativo do Fundo de Cultura.

Também é necessário haver flexibilidade nos planos de cultura, metas podem ser ajustadas, e buscar formas de fazer a população compreender que cultura é a sua própria vida, tudo aquilo que ela carrega como ser humano.

Como venho refletindo, é hora de ouvir os de baixo, os “ninguéns”, como escreveu Eduardo Galeano. Talvez seja o momento de investir em uma formação permanente nesse campo + educação nas escolas, antes mesmo de pensar a cultura como uma política universal que, de fato, é, e que faça valer o direito à cultura, e entendida como tudo aquilo que somos.


O texto de Neri Silvestres apresenta uma crítica contundente à lógica de mercado aplicada às políticas públicas, dialogando com diversas vertentes do pensamento crítico contemporâneo.
Aqui estão os principais intelectuais e conceitos que sustentam essa argumentação:

  • Eduardo Galeano: Citado diretamente no texto através dos "ninguéns". Sua obra foca na invisibilidade das populações marginalizadas da América Latina e na necessidade de dar voz aos que são historicamente silenciados pelo poder econômico.
  • Pierre Bourdieu: A crítica à "setorização da cultura" e aos grupos já organizados remete ao conceito de capital cultural. Bourdieu explica como as instituições podem reproduzir desigualdades se as regras do jogo (como os editais burocráticos) favorecerem apenas quem já detém o conhecimento técnico e social.
  • David Harvey: A reclamação sobre a privatização dos espaços da cidade e a perda de controle social ecoa o conceito de "Direito à Cidade". Harvey critica como o neoliberalismo transforma espaços públicos em ativos financeiros, retirando o poder de decisão das comunidades locais.
  • Michel Foucault e Wendy Brown: A ideia de que o "neoliberalismo destrói subjetividades" é um tema central na análise da governamentalidade neoliberal. Brown, seguindo Foucault, argumenta que o neoliberalismo não é apenas um modelo econômico, mas uma lógica que transforma todas as esferas da vida (incluindo a cultura e a saúde) em métricas de competição e rentabilidade.
  • Milton Santos: No Brasil, a defesa de "ouvir os de baixo" e a crítica ao "economicismo estéril" conversam com a ideia de "Globalização de Baixo" ou o "espaço do cidadão" de Milton Santos, que propõe uma visão de mundo baseada na solidariedade em vez da escassez imposta pelo mercado.
  • Byung-Chul Han: A menção à "disputa" e "pé de guerra" gerada pelos editais pode ser relacionada à sua análise sobre a "sociedade do desempenho", onde o indivíduo é explorador de si mesmo e o coletivo é fragmentado pela competição constante.

domingo, 29 de março de 2026

"Rapadura é doce, mas não é mole!" resume bem o que foi o segundo dia da oficina "Cinema na palma da mão" da Ação Cultural

Uma atividade realizada na última quinta-feira, 26 de março, prosseguiu reunindo  participantes interessados em audiovisual em uma das salas do espaço de convivência da Paróquia São Pedro Pescador, no Bairro Industrial, em Aracaju. A oficina, no segundo dia voltada para a introdução ao roteiro, marcou mais um encontro de formação cultural com foco no desenvolvimento criativo e técnico dos aprendizes.

Durante a aula, os participantes tiveram contato com noções básicas da construção de roteiros, etapa fundamental no processo de produção audiovisual. Ao final da atividade, a aprendiz Grazi sintetizou a experiência com a frase que destacamos como manchete. 

A oficina integra um curso estruturado como ação cultural, com o objetivo de oferecer uma visão geral do ciclo completo do audiovisual. Além do roteiro, os conteúdos incluem fotografia, captação de imagens e edição, permitindo que os participantes compreendam todas as etapas de produção.

Muitas políticas culturais se contentam em "ocupar o tempo" das pessoas. Teixeira Coelho, um dos maiores pensadores brasileiros sobre o tema,  nos provoca a ir além: a cultura deve servir para questionar a realidade e dar poder de voz. Uma oficina de audiovisual, sob essa ótica, vai além de ensinar a usar a câmera; ela ensina o aluno a olhar para o seu próprio bairro e decidir qual história ele quer contar através daquela lente.

Fazer ação cultural é, portanto, um ato político e pedagógico. É transformar o "dar acesso à cultura" em "dar acesso ao poder de fazer cultura". Quando entendemos isso, nossas oficinas deixam de ser apenas cursos técnicos e passam a ser espaços de liberdade e transformação social.

A proposta também busca incentivar os aprendizes a aprofundarem seus conhecimentos após a formação inicial. Para muitos, o contato com o conteúdo funciona como um ponto de partida para explorar aspectos técnicos e estéticos do cinema e do vídeo.

Um dos diferenciais da oficina é o uso de um agente de inteligência artificial, alimentado com o conteúdo do livro-base do curso. A ferramenta auxilia na resolução de dúvidas e na construção de roteiros de forma mais ágil, contribuindo para o processo de aprendizagem.

Entre os participantes, a recepção continua sendo  positiva. Ras de Sá, cinéfilo e frequentador assíduo de espaços de cinema em Aracaju, avaliou a experiência como enriquecedora. “Foi bem informativa sobre o processo de como organizar uma ideia e expressar na tela de forma organizada”, afirmou.

Outro participante, Ezequiel, também demonstrou entusiasmo com a atividade. “Muito bom mesmo! Já esperando a próxima aula”, comentou.

A iniciativa reforça o papel das ações culturais na democratização do acesso ao conhecimento audiovisual e na formação de novos criadores na cidade.

Gostou? Fique ligado nas redes digitais da Ação Cultural para a abertura de novas  inscrições para a segunda turma do audiovisual (noturno) e a  de teatro popular. 

A Oficina de Audiovisual com celular é uma das ações culturais e educativas do projeto contemplado no Edital de Chamamento Público nº 11/2024 – Rede Municipal de Pontos de Cultura de Aracaju, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e da Política Nacional Cultura Viva. Ministério da Cultura e Governo Federal, com participação da Funcaju, Prefeitura de Aracaju.


Assisti nesta tarde de domingo (29/03/2026) no Cinema do Centro em Aracaju ao filme “Hora do Recreio” e as melhores expectativas se confirmaram. 🎬✨

Hora do Recreio é o filme de Lucia Murat em que alunos brasileiros mostram problemas como violência, racismo e feminicídio. Foto: Divulgação

O documentário já abre com um "respiro" potente: a voz de Djonga com “A Música da Mãe”, tendo como pano de fundo a realidade carioca — ruas, trens, estações e frentes de escolas. Esse fôlego se repete em outros momentos, com outras canções,  exposição de artes visuais (colagem), jogo de máscaras,  preparando o terreno para aulas em forma de rodas de diálogo muito bem conduzidas sobre questões pesadas: violência de gênero, dramas familiares e racismo na vida de adolescentes e  homofobia.  

 O filme consegue ser um sopro de vida ao mesmo tempo em que mergulha em feridas sociais profundas, usando a arte como uma ponte entre o passado de Lima Barreto e o presente desses jovens. 

Na metade do filme, a narrativa mergulha na montagem de uma peça inspirada em “Clara dos Anjos”, de Lima Barreto. É emocionante ver a entrega dos jovens nos papéis! A representação alterna entre encenação, leitura dramática e debates que conectam o subúrbio do início do século XX com a nossa atualidade.
Para quem não conhece, o romance de Lima Barreto é uma denúncia amarga. Clara, uma jovem negra e ingênua, é enganada por Cassi Jones, um malandro branco de elite. O desfecho é um soco no estômago: a consciência de que, perante a elite, "nós não somos nada".
Ao usar a  leitura dramática interrompida por debates, o documentário mostra que a vulnerabilidade de Clara, escrita no início do século XX, ainda ecoa nas esquinas do Rio hoje .
 O "nós não somos nada" que encerra o livro de Lima Barreto é ressignificado no filme. Enquanto na literatura é um grito de dor, no documentário parece servir de combustível para que esses jovens tomem consciência de sua posição e lutem para mudar essa lógica.
É um filme que não apenas documenta, mas educa e provoca.
Um filme necessário que mostra como a literatura de 100 anos atrás ainda explica o Brasil de hoje. Recomendo muito! ✊🏾📚
Zezito de Oliveira


sábado, 14 de março de 2026

O documentário Hora do Recreio mostra a realidade brutal nas escolas das periferias do Rio e a arte como sublimação, mas também ato de rebeldia. Blog do IMS e Outras Palavras.


10 razões para assistir o doc. HORA DO RECREIO...                                                         
1 - O filme coloca adolescentes de escolas públicas periféricas no centro da narrativa, permitindo que alunos do ensino médio se reconheçam e se vejam representados nas telas.
2 -Aborda temas urgentes como violência, racismo, homofobia e abandono, dialogando diretamente com questões que atravessam o cotidiano escolar e a formação dos jovens.
3- Mostra como a realidade brutal pode ser transformada em arte por meio de colagens, teatro e dança, oferecendo um poderoso exemplo de resistência criativa e expressão cultural.
4 - A diretora Lúcia Murat constrói um pacto de escuta com os jovens, demonstrando uma metodologia horizontal que se aproxima dos princípios da educação popular.
5 - A sequência da excursão ao centro do Rio – com passagens pela Candelária, Cais do Valongo e CCBB – transforma a história em descoberta viva, conectando passado e presente de forma significativa.
6 - O filme prova que o cinema pode ser escuta e não apenas retrato, valorizando a fala e a experiência dos estudantes como protagonistas.
7 - Ao expor o caráter de encenação desde o início, a obra estimula o olhar crítico dos jovens sobre as relações entre realidade, ficção e representação.
8 - Vencedor do Urso de Cristal no Festival de Berlim, o longa-metragem reúne qualidade artística reconhecida internacionalmente com relevância pedagógica e social.
9 - A obra promove reflexões sobre identidade, pertencimento e cidadania, fundamentais para a formação de jovens estudantes em nível médio.
10 - Ir ao cinema assistir a Hora do Recreio não é apenas uma atividade cultural, mas uma oportunidade de vivenciar coletivamente uma experiência estética que afirma a potência da juventude periférica.


sábado, 28 de março de 2026

De avô para neto. (ou: a história da Porteira da Capivara). Fragmento de memória social e afetiva da Greve de 1917 em Campinas. Por Célio Turino

 

Na cidade de Campinas, dois mausoléus do Cemitério da Saudade – Quadra 32, Perpétuas números 40 e 41 – têm notável valor histórico, cultural e social: eles completaram 100 anos em  16 de julho de 2017.  A tragédia ocorreu durante o auge da primeira greve geral de trabalhadores que se espalhou pelas principais cidades do Brasil, em julho de 1917.

 Aos meus netos, Beatriz e Pedro

 

O túnel.

A porteira.

Duas travessias.

Passos que ecoam gerações. Avô e neto.

Eu tinha dez anos, algo assim; ele, a idade que tenho hoje, sessenta e tantos. Um caminho entre luz pálida sob os trilhos da antiga Companhia Paulista de Estradas de Ferro. No Túnel, como é conhecido o túnel de pedestres, me encontrei com meu avô, à época de criança e agora, cinquenta anos depois. Não foi apenas lembrança, foi presença.

José Turino, filho de imigrantes italianos, primeiro a nascer neste chão chamado Brasil, no bairro proletário da Vila Industrial, Campinas, estado de São Paulo. Como ele, sou desse lugar. Tudo era muito demarcado. Os trilhos da ferrovia separando os dois lados. “De lá”, o lado dos palacetes dos Barões de Café e das casas das classes médias que viviam em torno desses, o grande comércio, o poder local. “De cá”, o lado do proletariado, imigrantes e ex-escravizados vivendo entre cortiços, casas e vilas, o pequeno comércio, as igrejas e fábricas; o lado e lugar dos sem-poder.

Por conta da ferrovia o entorno foi recebendo um parque fabril desde a segunda metade do século XIX. A primeira das fábricas: Fundição Lidgerwood, que produzia ferramentas agrícolas, desde 1868 e que depois veio a ser sede do Museu da Cidade, cujo projeto eu elaborei, bem como o tombamento do edifício foi assinado por mim na condição de secretário de cultura (isso no século passado). Território de indústrias nascentes: a Companhia Mac Hardy, a Cervejaria Colúmbia, entre outras. E a grande Fábrica e Oficina de locomotivas e vagões da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, que produziu a primeira locomotiva em solo nacional, em 1905, e aglomerava 3 mil operários. 

Travessia estreita, subterrânea. Pelo Túnel desço degraus, atravesso tempo, trezentos metros de caminhada. Fiz muito esse trajeto quando criança e adolescente e agora volto a ele. Por aquele corredor misterioso ouvi histórias pela voz de meu avô. Zé Turino gostava de contar sobre os livros que lia: O velho e o mar, de Hemingway, Os Miseráveis de Vitor Hugo, ou Jack London, seu autor preferido. Mas a mais funda de todas as histórias não estava em livro, estava nele e foi passada a mim.

Nas proximidades do Túnel aconteceu o massacre dos operários na Porteira da Capivara. A porteira não existe mais, tendo sido substituída por um viaduto, e depois outro (viaduto Vicente Cury). O ano: 1917.

A esperança erguida nas fábricas ecoava o grito das Mulheres da Mooca, tecelãs que ousaram desafiar o patrão e pararam a cidade de São Paulo. O grito chegou a Campinas e os operários da Fábrica de locomotivas e vagões também pararam. Gente da Vila Industrial, como em todas as vilas proletárias do mundo.

Um mundo desconhecido se abria. A greve transcorria pacífica, mas firme. Um dos líderes, o anarquista Ângelo Soave, foi preso para ser julgado na capital. Os grevistas deduziram que ele seria deportado. Á época muitos imigrantes, sobretudo italianos, eram considerados indesejáveis no país, por anarquistas e lutadores sociais, por isso eram deportados sumariamente.

Mas os operários disseram:

- Não!

Famílias colocam-se na frente dos trilhos junto à porteira da Capivara. Tentavam impedir que o líder fosse levado à capital. Meu avô estava lá. Menino de dez anos, a mesma idade que eu tinha quando confiou o segredo no meio da travessia pelo túnel. Tradição, a verdade que fala silenciosamente.

De súbito, os soldados. Rastejando como caçadores em busca da presa. A soldadesca da Força Pública de São Paulo iniciou os disparos contra a população. O estampido dos fuzis. O fogo. As bombas. O apito do trem. Pedras atiradas pelo povo contra os soldados. O chão foi coberto de sangue. Feridos sem conta. Os mortos. Três: Antônio Rodrigues Magotto, Tito Ferreira de Carvalho, Pedro Alves.

Onde estão eles?

Os corpos dos três operários mortos estão enterrados em dois Mausoléus no Cemitério da Saudade: Quadra 32, Perpétuas n. 40 e 41. Sepulcros erigidos em mármore com recursos arrecadados entre os trabalhadores grevistas. Moedas operárias a erguer um monumento singelo, o primeiro em honra a operários grevistas no Brasil. Logo depois, parte da lápide foi destruída a marretadas. Meu avô disse-me que foi pela polícia. No epitáfio, cuja continuidade da frase desapareceu, estava escrito:

“...barbaramente assassinados pela polícia na porteira da Capivara”.

O final da frase sumiu.

Mas permaneceu na memória das famílias presentes no massacre e na voz de velhos combatentes. A pedra perdeu a palavra, mas sobreviveu nos olhos do menino. Assim um povo se ergue:

na memória que passa;

na sombra que não apaga;

na palavra que resiste.

A identidade de um povo também se constrói por histórias repassadas de avô para neto.

Leia mais sobre fragmento de memória sobre o acontecimento   AQUI

















quarta-feira, 25 de março de 2026

Ação Cultural dá início a projeto audiovisual inovador na Paróquia São Pedro Pescador, no Bairro Industrial

Aconteceu na última terça-feira, 24 de março, o primeiro encontro da Oficina Audiovisual com Celular "Cinema na Palma da Mão", promovida pela Ação Cultural. A atividade ocorreu na Paróquia São Pedro Pescador, localizada na Av. João Rodrigues, no Bairro Industrial, em Aracaju (SE), e reuniu 16 participantes de diferentes idades em uma tarde de troca de experiências e aprendizado.

Das 15h30 às 18h, a equipe formada por Marcel Magalhães , Zezito de Oliveira  e Iasmin Feitosa  conduziu as atividades, que já demonstraram o potencial transformador da proposta. A diversidade geracional, longe de ser um desafio, mostrou-se um dos pontos altos do encontro, promovendo uma dinâmica complementar entre os envolvidos.

Primeiras impressões dos participantes

Os aprendizes e integrantes da equipe de produção compartilharam suas percepções sobre o início da jornada. Iasmin, aprendiz e assistente de produção,  destacou a qualidade da mediação e a importância do primeiro contato:

“Este primeiro dia me trouxe uma ótima impressão. Todo o conjunto das coisas que foram discutidas e vistas, como a clareza de Marcel ao explicar de forma objetiva o sentido da oficina, e seu interesse em querer conhecer as características e inspirações pessoais de todos os participantes para saber como nos direcionar. Também a variação entre as idades, que em qualquer outro caso poderia haver conflito de geração, mas neste, em especial, foi algo complementar. Acredito que todos nós iremos aprender muito com essa oficina, e também uns com os outros!”


Grazi também celebrou o ambiente acolhedor: 

“Gostei de ontem. Turma boa e tranquila. Tenho muita expectativa para os novos aprendizados.”

Para Patrícia, a experiência foi marcada pela troca e pela didática aplicada: 

“Foi muito bom, divertido compartilhar de cada um. As explicações de Marcel foram perfeitas e muito produtivas. Gostei muito.”

Anne complementou: 

“Gostei bastante, aula muito dinâmica e explicativa. Vamos seguir, que é só o começo.”

O participante Ezequiel ressaltou o entusiasmo gerado desde a primeira aula:

“Muito boa a aula. Gerou muito entusiasmo, desejo de saber. Deixou uma impressão muito boa. Se a primeira aula foi assim rsrs... As próximas nos levará a passos mais distantes. Parabéns aos envolvidos. Deus abençoe!”

Jaci Farias também registrou sua avaliação positiva, destacando a interação proporcionada pelo ministrante:

“A nossa 1ª aula foi de grande proveito e muito agradável, pela comunicabilidade do ministrante Marcel, que foi estímulo para a interação de todos os participantes, despertando em mim novas e boas expectativas de aprendizado. Gratidão e parabéns a Ação Cultural pela iniciativa.”

Um experimento cultural e educativo

O assessor técnico cultural, Zezito, fez questão de registrar a relevância simbólica do momento. Em seu depoimento, ele destacou a presença de figuras importantes da comunidade e o significado da continuidade do trabalho:

“Foi bonita a primeira aula da oficina. Fiquei contente!! E isso pode ser constatado por Rose, que foi levar a filha e ficou, declarando a intenção de seguir participando. Pelo Padre Soares, que solicitou a transferência do exame médico para uma hora mais tarde, para poder ficar mais tempo. Pelo fato de poder estar com Marcel, 13 anos depois dele ter realizado a primeira oficina de audiovisual da Ação Cultural, e pelo fato de perceber o quanto a continuidade de Marcel com oficinas de iniciação ao audiovisual, fazendo esse trabalho aqui e fora do estado, nos proporciona uma gama maior de conhecimento acumulado por ele.”

Zezito também enfatizou a capacidade de Marcel de se conectar com os jovens por meio da cultura pop, além de sua postura aberta e desprendida. Sobre o grupo, celebrou a diversidade presente:

“Quanto ao grupo, é muito bom a diversidade de idade, expectativas, experiências, a disponibilidade, a alegria (...) Lembrando a todos, estamos participando de uma experiência pioneira e inovadora sob diversos aspectos, além da utilização da IA, a própria oficina em si, sendo realizada em uma paróquia localizada no bairro Industrial. Estamos participando de um experimento cultural e educativo com pessoas de visão.”

Zezito concluiu seu depoimento destacando os protagonistas dessa iniciativa:

       “Nós que fazemos a Ação Cultural, o Padre Soares e quem chega junto a ele               nessa compreensão pastoral de formação humana  integral, como propõe as             cartas sociais do Papa Francisco, em especial a Fratelli Tutti (Todos Irmãos)                       Marcel   Magalhães e vocês que atenderam ao chamado.”

Próximos passos

A oficina segue com novos encontros, nessa quinta-feira, 26/03 e depois da semana santa,  consolidando-se como um espaço de formação audiovisual, convivência e inovação. A iniciativa integra a programação do Ponto Ação Cultural Juventude e Cidadania. 

A Oficina de Audiovisual com celular é uma das ações culturais e educativas do projeto contemplado no Edital de Chamamento Público nº 11/2024 – Rede Municipal de Pontos de Cultura de Aracaju, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e da Política Nacional Cultura Viva. Ministério da Cultura e Governo Federal, com participação da Funcaju, Prefeitura de Aracaju.




Dossiê PowerPoint do Master: A Rede Globo e a perseguição histórica das elites aos que lutam a favor da justiça e da felicidade no Brasil

Por que a elite odeia o Lula? Marcos Coimbra responde ao GGN



Episódio do powerpoint mentiroso desata sincerídio em ex-globais sobre a emissora




REVELAÇÃO: GLOBO PEDIU DESCULPAS APÓS NOTIFICAÇÃO JUDICIAL E NÃO POR ESCOLHA

DEMISSÃO DE CHEFE DO JORNALISMO EXPÕE O CAOS DENTRO DA GLOBO



Marcia Tiburi: “Mídia alternativa derrotou a Globo no caso do Power Point”


Power Point: Globo demite editora e poupa Merval Pereira





Leia a íntegra do direito de resposta do governador Leonel Brizola no Jornal Nacional, da TV Globo. O texto foi redigido em 1992:

"Em cumprimento à sentença do juiz de Direito da 18ª Vara Criminal da Cidade do Rio de Janeiro, em ação de direito de resposta, movida contra a TV Globo, passamos a transmitir a nota de resposta do sr. Leonel de Moura Brizola.

'Todos sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça. Aqui cita o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado perante o povo brasileiro. Quinta-feira, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar editorial de 'O Globo', fui acusado na minha honra e, pior, apontado como alguém de mente senil. Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador Roberto Marinho, que tem 86 anos. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si. Não reconheço à Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos, que dominou o nosso país.

Todos sabem que critico há muito tempo a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou na quinta-feira, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípios. É apenas o temor de perder o negócio bilionário, que para ela representa a transmissão do Carnaval. Dinheiro, acima de tudo.

Em 83, quando construí a passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar de todas as formas o ponto alto do Carnaval carioca. Também aí não tem autoridade moral para questionar. E mais, reagi contra a Globo em defesa do Estado do Rio de Janeiro que por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior.

E isso é que não perdoarão nunca. Até mesmo a pesquisa mostrada na quinta-feira revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado. Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade. Seria antes um dever para qualquer órgão de imprensa, dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção.

Quando ela diz que denuncia os maus administradores deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante do seu poder.

Se eu tivesse as pretensões eleitoreiras, de que tentam me acusar, não estaria aqui lutando contra um gigante como a Rede Globo.

Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado. Quando me insulta por nossas relações de cooperação administrativa com o governo federal, a Globo remorde-se de inveja e rancor e só vê nisso bajulação e servilismo. É compreensível, quem sempre viveu de concessões e favores do Poder Público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesma.

Que o povo brasileiro faça o seu julgamento e na sua consciência límpida e honrada separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis, gananciosos e interesseiros.'

assina Leonel Brizola."


Editores demitidos ameaçam denunciar que ordem do PowerPoint veio da direção da Globo

Demissões na Globo expõem crise interna, ameaça de denúncias e dúvidas sobre responsabilidade editorial e ética jornalística no caso do PowerPoint.

Leia AQUI

Veja o que o robô faria no ‘powerpoint’ de Andréia Sadi

Por Moisés Mendes  22 mar, 2026 5 

O episódio mais grotesco e famoso envolvendo Deltan Dallagnol foi a apresentação do powerpoint em que o ex-procurador colocava Lula, sem provas, no centro de uma estrutura criminosa. Aconteceu em setembro de 2016.

Dallagnol, processado por Lula e obrigado a pagar uma indenização de R$ 147 mil por causa da sua obra gráfica, ficou como o cara do powerpoint difamador. O esquema gráfico mentiroso, colegial e amador, com bolinhas azuis, que Dallagnol mandou fazer, virou a cara da Lava-Jato.

A pergunta agora é: Andréia Sadi pode ficar tão famosa quanto Dallagnol pelo powerpoint que apresentou na GloboNews, em que, ao mostrar “as conexões de Daniel Vorcaro”, Lula aparece ao alto e o quadro mostra até uma estrela do PT?

O powerpoint da Globo vem sem Bolsonaro, sem Tarcísio de Freitas (que receberam dinheiro de Vorcaro), sem Roberto Campos Neto, sem dois diretores do Banco Central de Bolsonaro comprovadamente envolvidos na máfia do Master, sem os figurões do centrão e sem a própria Globo, patrocinada por Vorcaro.

Quem fez o powerpoint de Andréia Sadi, que, numa comparação com o de Dallagnol, é ainda mais precário e infantil? Quem do departamento de arte da Globo cometeu aquela obra, que sugere o modelo antigo de painéis de delegacia de polícia com um ‘organograma’ sem pé nem cabeça com fotos e nomes de ‘envolvidos’ em crime presumidos?

Eu fiz duas perguntas ao Gemini, a Inteligência Artificial do Google. Até a máquina sabe que a jornalista fez uma manipulação grosseira de informações sem provas e sem amarração nenhuma. O Gemini tiraria Lula e colocaria Campos Neto.

Abaixo, as perguntas e as respostas.

1. Você colocaria num powerpoint o presidente Lula entre os implicados com o Caso Master?

“Com base nas informações atuais (março de 2026), a inclusão do presidente Lula como um implicado direto (ou seja, como investigado ou réu) no Caso Master não é sustentada pelos fatos das investigações em curso.

O presidente tem se posicionado publicamente como alguém que cobra a apuração do caso, referindo-se aos envolvidos como “magnatas da corrupção”. Ele utilizou o escândalo para criticar a gestão anterior e a falta de supervisão do sistema financeiro.

Portanto, colocar Lula como um dos “implicados” em um PowerPoint informativo seria factualmente incorreto perante o estágio atual das investigações, que o posicionam mais no papel de autoridade política que acompanha e comenta o desdobramento do caso”.

2. Você colocaria o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto no powerpoint?

“Diferente do caso do presidente Lula, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto tem um papel central nas narrativas e investigações sobre o Caso Master, sendo frequentemente incluído em apresentações e debates sobre o tema em março de 2026.

Se você estiver montando um PowerPoint, ele apareceria sob a ótica da omissão ou falha de fiscalização, e não necessariamente como um “réu confesso” de fraude direta. Aqui estão os pontos para estruturar sua presença:

Omissão na Fiscalização: Relatórios indicam que o Banco Central sob sua gestão teria recebido alertas (inclusive do FGC) sobre problemas de liquidez e estratégias de risco do Banco Master, mas evitou intervenções drásticas.

“Ovo da Serpente”: O presidente Lula e seus aliados utilizam este termo para descrever a gestão de Campos Neto, alegando que ele permitiu o crescimento da fraude ao não agir.

Pedidos de investigação: Existem pedidos formais na PGR e na Polícia Federal, como os apresentados pelo deputado Lindbergh Farias, para apurar se sua conduta foi prevaricação ou apenas uma escolha de política monetária.

Defesa de Campos Neto: Em sua defesa, ele argumenta que o Caso Master não trazia risco sistêmico ao setor financeiro e que as medidas tomadas à época (como ultimatos de governança) seguiam os ritos padrões do BC”.

Um detalhe importante: o robô do Google define a obra mostrada na GloboNews como “o powerpoint de Andréia Sadi”.

(Peço desculpas, mas não irei reproduzir aqui o powerpoint difamador, que até Carluxo teria vergonha de publicar.)

Moisés Mendes

É jornalista em Porto Alegre. Foi colunista e editor especial de Zero Hora. Escreve também para os jornais Extra Classe, Jornalistas pela Democracia e Brasil 247. É autor do livro de crônicas 'Todos querem ser Mujica' (Editora Diadorim)

"O capitalismo é um gerador de desumanização e silêncio" | Leandro Demori no Juca Kfouri Entrevista