segunda-feira, 28 de setembro de 2026

A lição de Gonzaguinha: sem cultura, educação e comunicação popular, não se enfrenta o projeto de recolonização

 Ontem, domingo,  27/09,  fui mais uma vez assistir ao documentário Gonzaguinha – Da Maior Liberdade  no Cinema do Centro. E posso garantir: é da maior necessidade, para um povo que se vê mais uma vez em uma encruzilhada para escolher seu destino como nação — e não será a primeira vez. Foi assim em 2022, está sendo assim neste ano e, com a provável vitória de Lula, será assim novamente em 2030. Talvez com uma intensidade menor do que foi em 2022 e agora, a depender da prioridade a cultura, a  educação e a comunicação popular , inclusive a cultura digital e a midia livre,  em um provável governo Lula 4, 


No caso de derrota do projeto civilizatório e soberano representado por Lula e de vitória do projeto de barbárie e recolonização representado por Flávio Bolsonaro, dificilmente o Brasil reunirá as condições para sair do abismo a que será lançado.

Mas, assistindo a Gonzaguinha e pensando ao final, para diminuir a intensidade desse sentimento de angústia e sofrimento que vivemos em 2022 e agora, reiteramos como uma mantra, será preciso uma real compreensão da importância da cultura, da educação e da comunicação popular para alcançarmos esse intento. E aqui, três medidas são urgentemente necessárias:

1) O apoio maciço, com orçamento, à democratização da produção e da circulação do audiovisual brasileiro. Muitos exemplos reforçam este apelo, como a incrível quantidade de bons filmes brasileiros  que tem sido lançados nestes primeiros anos da retomada da democracia e do investimento em arte e  cultura como realizado no governo Lula 3, mas é preciso mais. E, no caso da circulação, especial atenção à construção e manutenção das salas de cinema de rua, à criação e manutenção de cineclubes e ao reforço da divulgação do streaming público "Tela Brasil", em especial junto aos professores, estudantes e beneficiários dos programas sociais. No caso das escolas, uma atenção muito especial à exibição da nossa produção audiovisual, o que exige não apenas formação dos professores, desde a graduação, mas também investimento em salas e equipamentos de qualidade para exibição dentro das escolas e com protagonismo dos estudantes.

2) Retomada urgente do caminho de soberania digital, iniciado nos dois primeiros governos do presidente Lula, quando nem mesmo a palavra soberania estava na ordem do dia, mas, para além da retórica, os fatos correspondiam à ideia, lembrando Cazuza.

Dessa maneira, das ações micro, como o letramento digital, às ações macro, como a regulação das grandes plataformas e a construção de uma rede de internet soberana, com envolvimento do maior número de pessoas nessa discussão, faz-se urgente e necessário.

E, para isso, é preciso trazer para o centro do debate e das decisões ativistas e/ou pesquisadores que atuam de forma qualificada e engajada com a cultura digital — e temos mais de uma centena no Brasil.

Para quem quiser se aprofundar em dois dos assuntos centrais do texto acima , recomendo:

Sobre o que são Cineclubes e sua importância.

Os cineclubes surgiram nitidamente em resposta a necessidades que o cinema comercial não atendia, num momento histórico preciso.

https://cineclubedesertoverdedotorg2.wordpress.com/cineclubismo/principios-por-felipe-macedo/

Sobre Soberania Digital


https://decalogo.soberania.digital/ 
 Em um momento decisivo do processo eleitoral,  um programa para a autonomia tecnológica do país, em busca do compromisso de candidatos nestas eleições.

  

Cultura Digital: O que foi, o que será. Por Célio Turino.

 Num poema político, a história interrompida de um Brasil-vanguarda. Software livre, jovens hackers, pontos de cultura. Um dos semeadores desta época reconstitui a efervescência das redes – hoje “fio partido” que precisa ser reconstruído.

https://acaoculturalse.blogspot.com/2025/06/cultura-digital-o-que-foi-o-que-sera.html



Frei Betto: ameaçam cassar Aparecida & Marcelo Barros: Aparecida, as eleições e a Democracia

Senhora Aparecida, Mãe negra encontrada nas águas do rio Paraíba, que não pediste concurso público para ser padroeira, nem fizeste campanha eleitoral, nem prometeste emendas parlamentares… olhai por nós, que andamos perdidos entre tantos que querem cassar o que não lhes pertence. Intercedei por este Brasil que te quer Mãe, mas que ainda não aprendeu a honrar os filhos que tu preferes: os pobres, os negros, os excluídos, os que não têm voz. Ensinai-nos, Senhora, que padroeira não é cargo eletivo, não recebe salário e não depende de reeleição. E quando terminarem de discutir o teu título, lembrai-lhes — e a nós — que ainda falta discutir a fome, a pobreza, o feminicídio, o racismo, a desigualdade e o abandono. Que a tua fé nos guie para escolher a Democracia, a Justiça ecossocial e a Paz. Amém.

Da indiferença às pautas populares ao preconceito de classe, as razões pelas quais a devoção a Aparecida permanece inalcançável para os políticos

  Frei Betto - Revista Opera - 27 de setembro de 2026 -

O racismo e a intolerância religiosa da família Bolsonaro e de seus aliados voltam a se manifestar na proposta de um deputado do PL, partido de Flávio Bolsonaro, de cassar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. (Foto: Gustavo de Oliveira / Arquidiciocese do Rio)

O racismo e a intolerância religiosa da família Bolsonaro e de seus aliados voltam a se manifestar na proposta de um deputado do PL, partido de Flávio Bolsonaro, de cassar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. (Foto: Gustavo de Oliveira / Arquidiciocese do Rio)

Em abril de 2017, no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro, ao se referir a uma visita a um quilombo, contou: “O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Acho que nem para procriador ele serve mais.” Bolsonaro usou uma unidade de peso associada a animais para se referir a quilombolas. A fala provocou denúncia da então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que considerou desrespeitoso o uso de “arrobas” para pessoas negras por tratá-las de maneira comparável a animais. 

Em julho de 2018, já candidato à Presidência, Bolsonaro foi novamente questionado sobre racismo, e ao ser perguntado sobre uma eventual dívida histórica do Brasil com a população negra, respondeu: “Não escravizei ninguém”. Na mesma entrevista, acrescentou: “Foram os próprios negros que entregavam os escravos”.

Também durante a campanha, defendeu o fim das reservas indígenas e quilombolas: “Se eu chegar lá, não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola.”

O racismo e a intolerância religiosa da família Bolsonaro e de seus aliados voltam a se manifestar na proposta de um deputado do PL, partido de Flávio Bolsonaro, de cassar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

Nossa Senhora Aparecida, que andava entretida em explicar a um grupo de devotos que não existe “Aparecida do Norte”, pois o município paulista fica no Sul e desde que se emancipou de Guaratinguetá, em 1928, é denominado apenas Aparecida, ficou preocupada com a notícia da ameaça de cassação. E, convenhamos, até uma santa pode ficar indignada quando descobre que seu cargo está sendo discutido no Congresso.

“Mas desde quando preciso de concurso público para ser padroeira?”, teria perguntado a Virgem ao ajeitar o manto azul. “Não lembro de ter feito campanha eleitoral, distribuído santinhos ou prometido emendas parlamentares.”

A história, aliás, não começou agora. Em 16 de julho de 1930, o papa Pio XI proclamou Nossa Senhora Aparecida padroeira do Brasil, a pedido dos bispos brasileiros. A solenidade pública ocorreu em 1931, no Rio de Janeiro, diante de autoridades e de uma multidão de fiéis. Aparecida, portanto, estranha a notícia de que alguns políticos pretendem retirá-la do posto.

“Que fiz eu de errado?”, pergunta. Talvez seja o imperdoável pecado de ser negra. Afinal, a pequena imagem encontrada em 1717 nas águas do rio Paraíba é negra e há quem ainda se incomode com a presença dos negros ocupando lugares de honra.

Talvez o problema seja ela não pertencer a partido algum. Não é de esquerda nem de direita. Não se filiou ao PT, ao PL, ao PSOL, ao centrão ou a qualquer outra legenda. Nunca pediu fundo partidário. Nunca disputou eleição. E, sobretudo, jamais prometeu aquilo que político adora assegurar se for eleito: o milagre de resolver todos os problemas do Brasil em quatro anos.

Outro detalhe desconcertante é Aparecida ter a preferência de pobres. Isso complica sua permanência no cargo. Segundo a própria tradição católica, sua devoção tornou-se um elo de união entre diferentes grupos do povo brasileiro e é associada à solidariedade, à fraternidade e à atenção aos mais pobres. 

Ora, convenhamos, uma santa que insiste em defender os excluídos pode causar certo desconforto em ambientes onde a população carente costuma ser levada em conta apenas em época eleitoral. Aparecida talvez também esteja intrigada com a ideia de que políticos possam cassar aquilo que não lhes pertence. “Fui encontrada por pescadores, venerada pelo povo, proclamada Padroeira pela Igreja e reconhecida oficialmente pelo Estado brasileiro. E agora um político imagina que pode me demitir?”

Em 1980, a Lei nº 6.802 decretou o dia 12 de outubro feriado nacional dedicado à devoção a Nossa Senhora Aparecida e reconheceu oficialmente sua condição de padroeira do Brasil. Portanto, se algum parlamentar quiser realmente votar sua cassação, sugiro que providencie antes uma CPI.

Primeiro, ouviriam a acusada: “A senhora confirma que é Padroeira do Brasil?” “Confirmo”. “Tem consciência de que esse título poderá ser retirado?” “Tenho”. “E pretende recorrer?” “Não. Prefiro deixar que o povo decida no coração”. Silêncio no plenário. Então alguém perguntaria: “A senhora tem alguma consideração final?” E Aparecida, talvez sorrindo debaixo do manto azul, responderia: “Tenho. Quando terminarem de discutir meu título, sugiro que comecem a discutir a fome, a pobreza, o feminicídio, o racismo, a desigualdade e o abandono dos que não têm voz.” Silêncio no plenário.

Talvez algum deputado cochichasse: “Essa santa está ficando política demais.” Ao que outro reagiria: “Não. Nós é que esquecemos que política deveria servir ao povo.”

Aparecida, então, voltaria tranquilamente para seu altar. Afinal, padroeira não é cargo eletivo, não recebe salário e não depende de reeleição. E, se algum dia perder o título oficial, continuará sendo aquilo que os pescadores encontraram há mais de trezentos anos no rio Paraíba: uma pequena imagem negra que, desde então, o povo brasileiro insiste em chamar de Mãe.

(*) Frei Betto é escritor, autor da tetratologia sobre Jesus editada pela Vozes (Jesus Militante, Jesus Rebelde, Jesus Revolucionário e Jesus Amoroso), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org

Marcha Final (De Banzo E De Esperanca) / Invocao A Mariama

Aparecida, as eleições e a Democracia


Marcelo Barros

O candidato do mal e do entreguismo foi acusado de estar planejando, se for eleito, retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de “padroeira do Brasil”. Isso nem poderia ser verdade, já que se trata de uma distinção dada pela hierarquia católica e só essa poderia mexer nisso. A única coisa que um presidente da República pode fazer seria abolir o feriado nacional de 12 de outubro, dia da festa de Nossa Senhora Aparecida. O feriado nacional foi decretado pelo General Figueredo em 1980 e isso é sim da competência do governo federal.

Um Presidente que pretendesse retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil suscitaria a revolta da maior parte da hierarquia católica e de grande parte do povo brasileiro, católico ou não. Do lado evangélico, muitos irmãos e irmãs de Igrejas histórias e pentecostais não entrariam diretamente na polêmica, mas poderiam pronunciar-se pela defesa da cultura popular brasileira, ligada a Aparecida.

Provavelmente, o candidato em questão conseguiria o apoio de numeroso grupo de evangélicos e pentecostais que veem na devoção à Aparecida, um fenômeno de superstição e idolatria, contrária ao Evangelho de Jesus.

No entanto, além dessa questão conjuntural, o tal boato falso revelou algo mais profundo e mais preocupante: muitos católicos reagiram a essa notícia, exatamente, como a massa católica reagiu em 1931, quando, pela influência de Dom Sebastião Leme, cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, o Papa Pio XI proclamou Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e no ano seguinte, 1931, na data de 12 de outubro, no Rio de Janeiro, o cardeal inaugurou a estátua do Cristo Redentor no morro do Corcovado.

Naquela época o que estava em jogo era a influência da hierarquia católica no país. Ao fazer Nossa Senhora Aparecida padroeira do Brasil e inaugurar a estátua do Cristo Redentor no Corcovado, o Cardeal Leme, maior líder católico no Brasil, garantiu o prestígio e a força política necessária para impor ao governo e à sociedade laica os interesses do clero e o poder da Igreja Católica no país, ainda então, considerado católico. O sistema de Cristandade, isso é, de uma Igreja ligada ao Estado como poder e que se expressa como religião civil já não existia desde os tempos do Império, mas a cultura continuava a mesma.

E agora, o que está em jogo? É triste perceber que, em pleno século 21, nesse contexto de mundo em que vivemos, essa cultura de dominação católica e de religião de massa continua, não apenas nos círculos católicos mais tradicionais, mas mesmo nos meios eclesiais mais abertos e comprometidos com a renovação eclesial e do mundo. Não percebem que continuar na cultura de Cristandade não só não é justo com o pluralismo cultural e religioso do povo brasileiro, como não faz bem nem à própria Igreja. Além de que isso nada tem a ver com o projeto de Jesus, não rompemos com o colonialismo ainda impregnado na cultura de Cristandade.

Atualmente, todas as pessoas conscientes concordam que o Brasil é um Estado laico e deve continuar laico. Portanto, o povo brasileiro tem todo o direito de ter a religião que quiser seguir, ou nenhuma. A liberdade religiosa está assegurada pela atual Constituição Federal de 1988. Essa parte mais lúcida da sociedade reage quando escuta pastores pentecostais sugerirem que tal cidade pertence ao Cristo e expressarem que sonham com um Brasil pentecostal.

No entanto, grande parte dessa lucidez não aparece, quando se trata de defender um Brasil católico, com feriados católicos e privilégios para a Igreja Católica, assegurados pela Concordata com o Vaticano.

Pessoalmente, imagino que Maria de Nazaré, discípula do filho Jesus e esse mesmo, no seu intento de testemunhar ao mundo o projeto divino, estejam pouco preocupados com títulos como esse de padroeira do Brasil e prefiram ver o nosso povo empobrecido mais consciente dos seus direitos e mais capaz de votar para continuar a luta por uma mais profunda e  verdadeira democracia, laica e pluricultural.

Comparando os dois candidatos a presidente com real chance de serem eleitos, é óbvio que com Lula estará assegurado o caminho para garantirmos o regime democrático, a luta por direitos do Povo e da Natureza e a luta para que, de fato, o Brasil continue a ser um Estado laico. O outro candidato tem evidentes relações com milicianos, com a corrupção em muitos casos e, inúmeras vezes, já declarou que pretende colocar o Brasil de joelhos, diante dos Estados Unidos.

Em muitos países, a tentação de um governo ditatorial e de tendência fascista tem sido característica da extrema-direita. O Brasil não pode cair nesta vala, que trará a amputação da democracia e cortes brutais em direitos trabalhistas, previdenciários, humanos e ambientais, conquistados nas últimas décadas, com muita luta, suor e sangue. Que, nessa hora grave das eleições presidenciais, estaduais e de grande parte do legislativo nacional, a fé e a espiritualidade de todas as religiões e caminhos humanos nos guiem para escolher a Democracia, a Justiça ecossocial e a Paz.

O Irmão Marcelo Barros (nascido em Camaragibe, PE, em 27 de novembro de 1944) é um monge beneditino, teólogo da libertação, biblista e escritor brasileiro, amplamente reconhecido por sua dedicação às causas sociais e ao diálogo inter-religioso.

Play List Salve Maria! Com a MPB secular e com a MPB católica. Por Zezito de Oliveira

Uma seleção que atravessa o sagrado e o cotidiano, a fé e a vida social, o terreiro e o asfalto, o sertão e o morro. De Luiz Gonzaga a Renato Teixeira, de Herivelto Martins a Roberto e Erasmo, de Cacaso e Wisnik a Padre Zezinho,Zé Vicente e Padre Marcelo Rossi.

Maria de Nazaré. Nossa Senhora Aparecida. Maria Marlene, minha mãe. Todas as Marias. 🙏

Porque Deus é amor, no sentido jesuânico — o amor que gera vida.

 

domingo, 27 de setembro de 2026

Nossa Senhora Aparecida: patrimônio cultural do povo brasileiro. Célio Turino (*)


Ela não veio do céu numa carruagem de ouro. Veio do rio, presa numa rede de pesca. Não foi encontrada inteira: foi encontrada quebrada. E o povo a fez inteira. 🌊✨

Nossa Senhora Aparecida é patrimônio cultural do povo brasileiro. Mais que uma imagem, é a forma popular de dizer que ninguém se salva sozinho.

A rede trouxe a imagem.
A imagem trouxe a comunidade.
A comunidade trouxe a festa.
A festa trouxe a memória.
E a memória, quando permanece viva, torna-se patrimônio. 💙

Mãe negra encontrada por pescadores. Mãe que acolhe todos os filhos. Mãe que não divide seus filhos: chama para a mesa, e em mesa de Mãe sempre cabe mais um. Até o Brasil inteiro. 🇧🇷

Daniela Lima: Igreja Católica já monitorava ataques a Nossa Senhora.




Em defesa do Estado laico: a necessária reação católica ao projeto teocrático bolsonarista

Na máquina de moer carne do debate público brasileiro, nem toda polêmica nasce do nada. O rumor de que Flávio Bolsonaro retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil pode não ter prova (ele vai ajudar a construir uma teocracia via STF, mas isso é outra história), mas a história ganhou fôlego nas redes por algo real: o temor sobre o comportamento do filho de Jair junto a temas importantes para setores da Igreja Católica. Estes criticam o seu desprezo pelos direitos dos mais pobres e temem pelo próprio catolicismo diante de um projeto de poder ligado a lideranças fundamentalistas.

Há precedentes que alimentam essa desconfiança. Um projeto antigo tentou rebaixar Nossa Senhora e foi apresentado pelo pastor Victório Galli, que depois foi assessor na Presidência de Jair. Some-se a isso a expansão da chamada Teologia do Domínio, que defende a conquista de áreas como política, educação, mídia e cultura para submetê-las a uma visão religiosa conservadora. O cenário se conecta aos ataques que o papa Leão 14 vem sofrendo por parte da extrema direita global. Para ele, um domínio trumpista sobre a América Latina, de maioria católica, vai piorar esse quadro. 

Ao tentar conter a crise, Flávio pediu censura ao TSE contra publicações críticas, inclusive postagens que nem sequer o acusavam diretamente de chutar a santa, como as de Antonio Tabet e de Erika Hilton. Depois, pressionado pela repercussão negativa entre católicos, acusou a CNBB, sem provas, de participar de uma campanha contra ele. Em resumo: atacou a Igreja para provar que não atacou a Igreja.

A diferença para 2018 é decisiva. A “Mamadeira de Piroca” era ficção absoluta, criada pelo bolsonarismo para espalhar pânico moral contra Fernando Haddad e minorias. Já a polêmica de 2026, embora falsa como acusação específica, cresce como sintoma de um temor real: o de que direitos, soberania, símbolos católicos e o próprio Estado laico sejam atropelados por um projeto aliado a radicais dispostos a impor sua visão de mundo.  Leia o restante do texto na minha coluna no UOL, link na bio.

O que é a CNBB, entidade católica criticada por Flávio Bolsonaro

Você é contra as Bets? E sabe o que pensa sobre o assunto os candidatos em que você pretende votar ?

 O fim das bets, decretada por Medida Provisória pelo governo Lula hoje, é uma vitória da sociedade. Tardia e eleitoral, após vidas serem perdidas e esvaziadas, mas ainda assim uma vitória.

O governo decidiu fechar uma das mais eficientes máquinas de transferência de renda dos pobres para os ricos já montadas no país: o cassino no bolso do trabalhador. A bet vendeu ilusão como renda extra e vício como entretenimento. E muita gente lucrou com isso. Casa de aposta lucrou, clube de futebol, influenciador, veículo de comunicação.

E quando o apostador quebrava, a conta ficava com a família e com o SUS. Coisa que conhecemos bem, privatização dos lucros e socialização do prejuízo.

Lula acertou ao chamar as bets de “tumor”. O problema é que esse tumor cresceu sob os olhos do Estado por anos, alimentado por propaganda, patrocínio e omissão. Michel Temer abriu a porta em 2018. Bolsonaro deixou o vício crescer solto enquanto andava de jet ski. Lula tentou primeiro domesticar o cassino com regulamentação, o que não funcionou.

A medida será judicializada com tantas ações quanto estrelinhas do céu e conchinhas do mar. E o pode ignorar a MP ou desidratá-la depois da eleição. Ou seja, a decisão de hoje ainda pode ser modulada. Mas proibir uma máquina desenhada para explorar desespero financeiro não é paternalismo. Paternalismo foi proteger durante anos o faturamento das empresas enquanto famílias eram trituradas.

O governo tentou, quase no final do primeiro tempo, substituir a “bala de prata” que era esperada com o fim da escala 6x1, proposta que está sufocada em alguma gaveta de Davi Alcolumbre após pedido de Flávio Bolsonaro. Mas, o que importa para as famílias, é que, finalmente, agiu. Escândalo não é fechar as bets agora, mas deixá-las abertas por tanto tempo.


INFLUENCIADORES CHORAM O FIM DAS BETS EM VÍDEOS HILÁRIOS



Há uma sinfonia de choro e ranger de dentes ecoando pelos stories. Influenciadores que ontem ostentavam carros, viagens e vida de luxo agora aparecem abatidos, irritados e transtornados porque o governo Lula apertou o cerco contra as bets. O desespero de quem perdeu a mina de ouro diz mais do que qualquer discurso, mostrando que a mamata construída sobre a ruína de famílias trabalhadoras pode estar secando.

Vender aposta nunca foi sobre entretenimento, mas sobre tráfico de ilusão. Essa turma funcionou como biqueira virtual, empurrando vício financeiro para a tela de quem já contava moedas no fim do mês. Lucrava com o superendividamento e a esperança desesperada de quem queria sair do buraco, enquanto transformava o desastre alheio em ostentação.

Agora posam de vítimas. E parte da política corre para chamar a intervenção de “eleitoreira”. Pode ser. E daí? Bolsa Família reajustado em 15%, canetas emagrecedoras no SUS, restrição às bets: se o cálculo eleitoral produz comida na mesa, tratamento de saúde e menos famílias destruídas por apostas, ótimo. A elite do leite de pera finge não entender que, em ano eleitoral, o voto da faxineira vale o mesmo que o do banqueiro. É justamente quando candidatos precisam do povo que certas conquistas atravessam a barreira do dinheiro.

Foi esse dinheiro que bancou a farra dos cassinos de bolso, comprou silêncio e financiou consciências plastificadas nas redes. Quando o Estado estanca a sangria, mesmo que por cálculo político, o efeito concreto importa mais que a pureza retórica.

O choro dos viúvos das bets é música para quem se importa com saúde mental e orçamento popular. Que sequem as lágrimas com as roupas de grife compradas com o dinheiro do aluguel alheio e procurem um emprego. Não sabemos por quanto tempo, mas o Brasil amanheceu um pouco mais respirável.


Como a posição da bancada sergipana no congresso é coberta pela agência  mangue jornalismo? 
1. O "Livramento" de Impostos para as Grandes Empresas
A Mangue Jornalismo detalhou como votou cada parlamentar em propostas de taxação de apostas e grandes fortunas. Na visão divulgada pela agência, a maior parte dos deputados federais de Sergipe atuou para blindar as plataformas de cobranças mais rígidas. 
  • O veículo apontou diretamente que os deputados Yandra Moura (União), Rodrigo Valadares (União), Ícaro de Valmir (PL) e Gustinho Ribeiro (Republicanos) votaram contra medidas de taxação severa que impactavam as bets e os super-ricos. 
  • Em contrapartida, a agência registrou que apenas João Daniel (PT) e Delegada Katarina (PSD) votaram favoravelmente para aplicar impostos rígidos sobre o setor. Os deputados Thiago de Joaldo (PP) e Fábio Reis (PSD) foram expostos por estarem ausentes na sessão. 
2. Contraponto à Atuação de Senadores e a "Bancada das Bets"
Em repercussões e análises sobre o cenário nacional — incluindo relatórios que mapearam a chamada "bancada das bets" no Congresso —, a agência endossa as críticas ao lobby agressivo exercido pelas empresas de jogos junto ao poder legislativo. 
  • Esclarecimentos e cobranças: Quando o nome do senador sergipano Rogério Carvalho (PT) chegou a ser citado nacionalmente em discussões de emendas ligadas à extensão de prazos de licenças para as empresas do setor, o espaço foi utilizado para trazer à tona o debate de interesse público. A cobertura destaca a posterior defesa do senador, que afirmou atuar contra o mercado de apostas e focar nos danos psicossociais da ludopatia. 
  • Foco nos Direitos e Saúde Humana: O jornalismo da agência faz questão de confrontar o voto político com a realidade local, publicando dossiês e relatos dramáticos de famílias em Aracaju destruídas financeiramente pelo vício em jogos e cassinos virtuais.