quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Neste Brasil em transe muitas canções nos consola, nos ensina e nos incentiva a seguir lutando.

 Seguem algumas canções que nos conectam a esta quadra histórica que estamos vivendo — uma possibilidade de trilha sonora para o roteirista desta epopeia que chamamos Brasil, pensada para ajudar a atravessar esse acontecimento histórico referente ao 4 de outubro.

A primeira será “Será”, do Legião Urbana, para as cenas de reações de surpresa e decepção com o resultado do primeiro turno das eleições em 4 de outubro; seguida de “Coração Civil”, de Milton Nascimento, para introduzir um respiro de esperança e levantar o astral. A seguir, para lembrar que será uma luta bastante difícil e que o resultado pode ser desfavorável, entra “Roda Viva”, de Chico Buarque; já para a possibilidade de vitória, “Nem Cinco Minutos Guardados”, dos Titãs. Perpassando todo o enredo, “É”, de Gonzaguinha. E, logo depois da vitória, “Maria, Maria”, de Milton Nascimento,  com o trecho “Tenha fé em nosso povo, que ele resiste”.



Mensagem do Blog da Cultura aos cristãos católicos e de outras denominações para as eleições de 25 de Outubro de 2026

 

Mateus 13:16 

― Mas bem-aventurados os olhos de vocês, porque veem, e os ouvidos de vocês, porque ouvem.








Leia aqui a entrevista completa do Papa onde essa questão foi abordada. 

Ludwig Ring-Eifel (KNA) Hoje estivemos em Metz, muito perto da fronteira alemã, mas, até agora, o senhor ainda não foi à Alemanha. Portanto, minha pergunta básica é: quando podemos esperá-lo do outro lado da fronteira? E isso tendo como pano de fundo dois fenômenos que talvez também o preocupem: o declínio constante da Igreja Católica na Alemanha e o surpreendente crescimento de partidos extremistas no país, que ameaçam romper o consenso em torno da Europa, sobre o qual o senhor falou hoje em Metz.

Com toda a humildade, direi que sou Papa há apenas cerca de quinze meses. Há muitos lugares que ainda não visitei. Tenho, sim, um convite. Espero voltar à Alemanha — quero dizer, já estive lá antes, mas não como Papa — e espero visitar a Alemanha, assim como espero visitar muitos outros lugares. Mas ainda não tenho uma programação definida. Ainda estou trabalhando na agenda do próximo ano, e a única viagem definitivamente programada é a Jornada Mundial da Juventude, na Coreia. Portanto, aos poucos estamos chegando lá. Mas obrigado pela paciência e pela pergunta. Sobre a expressão que o senhor usou, de que “a Igreja está morrendo na Alemanha”, ou sobre a diminuição dos números: as pessoas já disseram isso sobre a França no passado e, no entanto, vimos o que aconteceu ao longo destes últimos quatro dias. Acredito que, se encontrarmos o verdadeiro espírito missionário e a maneira adequada de colocá-lo em prática, ainda existem muitas, muitas pessoas na Alemanha que desejam viver e celebrar sua fé cristã e católica. Portanto, sou otimista em relação a isso, embora reconheça os problemas e as diferentes causas que atingiram duramente a Igreja. Mas isso também atingiu duramente — por assim dizer — a Igreja evangélica ou protestante e afetou a sociedade praticamente da mesma maneira. Mas espero poder me aproximar dessa realidade. Espero continuar trabalhando com os responsáveis pela Igreja na Alemanha e encontrar maneiras de responder a essa situação. Seria interessante estudar e analisar se existe, e de que maneira poderia existir, uma relação, por exemplo, entre o crescimento desses grupos de extrema direita. A própria extrema direita está se fragmentando agora, como se pode observar: um determinado grupo está se tornando ainda mais extremista em relação a outros grupos considerados de extrema direita. Ao mesmo tempo, vemos também algumas manifestações que combinam essas posições de extrema direita com um determinado tipo de religião. E não é apenas a minha opinião: tanto os líderes da Igreja Católica quanto os da Igreja Protestante na Alemanha já se pronunciaram a respeito, afirmando que isso não constitui uma expressão autêntica do cristianismo. E, mais uma vez, voltamos aos valores do Evangelho, que não são valores de ódio e divisão, mas de compreensão, compaixão e acompanhamento.

Espero profundamente — e espero que a Igreja também possa contribuir para isso — que possamos encontrar maneiras de nos aproximar da maioria das pessoas de boa vontade, que compreenderão a importância de seu compromisso, inclusive por meio da participação nos processos políticos, para que possam fazer escolhas claras em favor do bem comum, e não de ideias extremistas que talvez possam causar danos muito maiores do que aqueles dos quais temos consciência neste momento. Portanto, penso que todos nós devemos encorajar nessa direção. Mais uma vez, de nossa parte, como Igreja, por meio da Doutrina Social da Igreja, cabe-nos falar, ensinar e pregar aquilo que acreditamos serem valores que promovem a vida, e não a destruição, a divisão e o ódio.

Para saber o que é Extrema Direita no Brasil.

Como a extrema direita conquistou o Brasil? O que faz pessoas com interesses, valores e visões de mundo tão diferentes se unirem em torno de um mesmo projeto político? Como o medo, a religião, a defesa da família e o discurso anticorrupção ajudaram a construir o bolsonarismo?

Saiba mais AQUI 

MENSAGEM DO CONSELHO PERMANENTE DA CNBB AO POVO BRASILEIRO POR OCASIÃO DO SEGUNDO TURNO DAS ELEIÇÕES NACIONAIS DE 2026

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça” (Mt 6,33)
Às vésperas do segundo turno das eleições, dirigimo-nos ao povo brasileiro com fraterna estima. O Brasil, como país soberano, necessita de trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança de qualidade. Precisa cuidar do meio ambiente, garantir os direitos humanos e promover a paz. O desenvolvimento deve assegurar vida digna e justa a todos e oportunidades às novas gerações. Espera-se que todos(as) os(as) eleitos(as) assumam esses compromissos com determinação.
Reafirmamos a importância da defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito e do respeito aos resultados legítimos das urnas, expressão da liberdade de escolher os que governam. Encorajamos a participação consciente de todos neste segundo turno das eleições.
O voto é livre e secreto. Ameaçar ou pressionar eleitores bem como negociar votos são práticas inadmissíveis. Governos recebem mandatos, os cidadãos conservam a responsabilidade de participar, fiscalizar e reivindicar. A crítica responsável e o diálogo franco fortalecem a democracia. Essa tarefa exige informação confiável, liberdade de expressão e proteção para quem denuncia injustiças.
Cada eleitor(a) é convidado(a) a considerar a trajetória dos candidatos, suas práticas e seus compromissos com a democracia e com as condições de vida do povo. Nossa esperança em Jesus Cristo nos chama ao compromisso com o Reino de Deus. Atentos aos pobres, aos ameaçados e aos que trabalham pela justiça, continuemos responsáveis uns pelos outros e pelo nosso país.
Que Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, interceda por nós e ajude-nos a vencer a indiferença e a construir uma convivência fundada na verdade, na fraternidade e na paz.
Brasília - DF, 21 de outubro de 2026
Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB





quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Se a canoa Brasil não virar, é Olê, Olê, Olê, Olá, Lula lá, Lula lá! E depois?

"Na reta final do segundo turno das eleições presidenciais, a presença de artistas nas mobilizações, a circulação de vídeos que estimulam a reflexão crítica e os encontros culturais em defesa da democracia revelam possibilidades de aproximar comunicação, cultura e participação popular. Essas experiências também apontam desafios para um eventual quarto governo Lula: incorporar a Educação Popular, a Ação Cultural e a Participação Social como práticas permanentes de formação política, mobilização cidadã e fortalecimento da democracia, tanto nos territórios quanto nas redes digitais." 

 Se a canoa Brasil não virar por completo neste segundo turno, com uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, será preciso que um possível governo Lula 4 leve bastante a sério os conceitos e as práticas de Educação Popular, Ação Cultural e Participação Social, tanto nos formatos presenciais quanto nos digitais. Será por necessidade, não por escolha.

A reta final desta campanha eleitoral oferece exemplos que merecem ser observados não apenas pelo seu impacto imediato na disputa, mas também pelo que revelam sobre as possibilidades de formação crítica, mobilização e participação popular na sociedade brasileira.

1 – A forte presença dos artistas e da arte nesta campanha. Não apenas dos artistas mais conhecidos, mas também de uma multidão de pessoas que se apropria das linguagens artísticas para se expressar, comunicar sentimentos e afirmar um jeito de ser e estar no mundo. Isso é Ação Cultural em movimento mil grau, misturando o conceito com uma gíria atual. A arte não entra apenas para animar a campanha: ela ajuda a construir vínculos, traduzir sentimentos e dar forma pública a valores e projetos de sociedade.


2 – O desafio lançado em torno da abertura do sigilo. Aqui, vale observar algo que também faz parte da Educação Popular: lançar perguntas em vez de apresentar afirmações fechadas ou respostas prontas. A pergunta pode provocar, desestabilizar certezas e abrir espaço para que cada pessoa examine as próprias convicções. É uma estratégia que exige disposição para o diálogo e capacidade de problematizar a realidade, especialmente quando a polarização eleitoral parece reduzir tudo a respostas automáticas.


3 – Os vídeos do projeto Revelando, realizados pela equipe do podcast Calma Urgente, sob a liderança de Alessandra Orofino, com apoio e colaboração do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), da Mídia Ninja e da produtora 342 Artes. A experiência merece atenção quando o conteúdo audiovisual ultrapassa a função de informar ou sensibilizar e contribui para a formação crítica, a construção coletiva do conhecimento e a participação das pessoas na vida pública. Em uma campanha marcada pela disputa de narrativas, importa não apenas o que se comunica, mas também a capacidade de ajudar o público a compreender os interesses, os contextos e as contradições em jogo.    https://www.youtube.com/@revelando_br

4 – O canal Brasil Fora das Cavernas. Entre os formatos de vídeo utilizados pelo canal, um deles me chamou a atenção: as entrevistas nas ruas, com perguntas problematizadoras dirigidas a eleitores . É uma experiência interessante para pensar as possibilidades e os limites da Educação Popular no ambiente digital. Quando os entrevistados não conseguem se desvencilhar das armadilhas lógicas em que estão mergulhados, isso fica exposto para quem acompanha o diálogo com disposição crítica e compromisso democrático. Mas o desafio educativo vai além de mostrar contradições: consiste também em compreender como determinadas convicções se formam e como é possível abrir brechas para a reflexão.  https://www.youtube.com/@BrasilForadaCaverna

5 – O Manifesto Cultural — A Cultura Também é Campo de Luta! promoveu um encontro gratuito na ONÇA — Casa de Cultura e Arte, em Aracaju, reunindo artistas, educadores, comunicadores e representantes de coletivos juvenis em uma roda de conversa sobre cultura, democracia e estratégias de mobilização, seguida de shows e exposição artística. A iniciativa valorizou a arte como expressão política, espaço de diálogo, fortalecimento de redes e instrumento de resistência e transformação social.
A experiência aproxima-se da Educação Popular freireana ao transformar o espaço cultural em lugar de diálogo, consciência crítica, reconhecimento de saberes e articulação política. A cultura não aparece apenas como produto artístico ou entretenimento, mas como prática educativa e instrumento de participação cidadã. É nesse encontro entre reflexão, expressão e ação coletiva que se manifesta seu potencial transformador.

Esses exemplos, observados nesta reta final do segundo turno, ajudam a perceber que a disputa eleitoral não se resume à escolha entre candidaturas. Ela também revela como as pessoas constroem suas opiniões, compartilham informações, expressam sentimentos, reconhecem pertencimentos e participam da vida pública.

Se a democracia está em disputa, não basta esperar que as pessoas reconheçam o melhor argumento. É preciso criar condições para que possam construir seus próprios argumentos, confrontar informações, reconhecer interesses e se tornar protagonistas da vida pública.

Por isso, se houver continuidade do projeto político representado por Lula, Educação Popular, Ação Cultural e Participação Social não poderão permanecer restritas aos discursos, aos programas institucionais ou aos períodos eleitorais. Precisarão integrar uma política permanente, articulando territórios, movimentos sociais, escolas, universidades, Pontos de Cultura e redes digitais.

A lição que esta campanha deixa é que não basta disputar votos: é preciso fortalecer, todos os dias, a capacidade coletiva de compreender e transformar o Brasil.



O que faz da série de vídeos Revelando uma experiência de educação popular?

 O projeto Revelando, realizado pela equipe do podcast Calma Urgente, sob a liderança de Alessandra Orofino, com apoio e colaboração do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), da Mídia Ninja e da produtora 342 Artes, pode ser compreendido como um exemplo de educação popular por meio digital quando o conteúdo audiovisual ultrapassa a função de informar ou sensibilizar e passa a contribuir para a formação crítica, a construção coletiva do conhecimento e a participação das pessoas na vida pública.

Essa compreensão dialoga com o pensamento de Paulo Freire, para quem a educação popular não consiste em transmitir conhecimentos prontos a pessoas tratadas como receptoras passivas, mas em criar condições para que os sujeitos compreendam criticamente a realidade em que vivem e se reconheçam como capazes de transformá-la. Nessa perspectiva, o meio digital não é apenas um canal de distribuição de vídeos: pode se tornar um espaço de diálogo, mobilização, produção de sentidos e aprendizagem compartilhada.

A série apresenta reportagens audiovisuais sobre acontecimentos e problemas históricos que continuam influenciando o Brasil contemporâneo. O primeiro episódio, por exemplo, aborda a eugenia, as esterilizações forçadas e a permanência dessas ideias em discursos atuais na internet.


Revelando: Flávio Bolsonaro defende acusado de matar menina

1 - O que faz da série de vídeos  Revelando uma experiência de educação popular?

1. Parte de questões que afetam a vida concreta das pessoas

A educação popular ganha força quando trata de questões que atravessam a vida cotidiana, os direitos, as desigualdades e as relações de poder. Ao relacionar acontecimentos históricos com problemas atuais, o projeto oferece elementos para que o público compreenda que muitas situações do presente têm raízes sociais e políticas profundas.

Com Fábio Porchat, série apoiada pelo ICL chega ao Top 1 do YouTube

2. Transforma informação em possibilidade de leitura crítica

O audiovisual pode tornar assuntos complexos mais acessíveis, articulando pesquisa, narrativa, imagens e apresentação. Quando contextualiza os acontecimentos e explicita suas conexões, ajuda o espectador a ultrapassar a informação fragmentada e a formular perguntas sobre quem exerce poder, quem é beneficiado e quem sofre as consequências de determinadas decisões.

Piovani volta a comentar PEC das Praias após tema ser pautado no Senado: 'Permanecer atentos'

3. Amplia o acesso ao conhecimento por meio das redes

A publicação gratuita dos episódios no YouTube e sua circulação nas redes sociais permitem que pessoas fora dos espaços tradicionais de ensino e debate tenham acesso aos conteúdos. A série também aborda temas ligados a direitos e decisões políticas, como a controvérsia sobre a chamada PEC das Praias.

2. A relação com Paulo Freire e a educação popular

O diálogo com Paulo Freire permite compreender melhor tanto as possibilidades quanto os limites dessa experiência. Na perspectiva freireana, educar não significa apenas oferecer informações corretas, mas favorecer a leitura crítica do mundo, reconhecendo a experiência dos sujeitos e sua capacidade de produzir conhecimento.

O projeto Revelando pode contribuir para esse processo em pelo menos quatro dimensões:

  • Conscientização: oferece informações que podem ajudar a reconhecer desigualdades, interesses e relações de poder que nem sempre aparecem nas narrativas mais difundidas.

  • Problematização: apresenta questões que convidam o público a rever explicações simplificadas e a relacionar passado e presente.

  • Democratização do conhecimento: utiliza uma linguagem audiovisual capaz de alcançar públicos diversos, para além de cursos, universidades e publicações especializadas.

  • Mobilização para o diálogo: os vídeos podem servir de ponto de partida para conversas em escolas, associações comunitárias, Pontos de Cultura, coletivos juvenis e movimentos sociais.

É importante, porém, fazer uma distinção: um vídeo acessível e bem pesquisado não se transforma automaticamente em educação popular. Na concepção de Paulo Freire, o processo educativo se completa quando o conhecimento entra em diálogo com a realidade dos sujeitos, suas experiências, suas dúvidas e suas possibilidades de ação.

3. Do vídeo à práxis: como transformar a experiência digital em educação popular?

É aqui que o exemplo do Revelando se torna especialmente interessante para a atuação de organizações culturais e comunitárias. Os vídeos podem ser utilizados como disparadores de processos formativos que articulam comunicação, cultura e participação social.

Etapa 1 — Assistir e compreender

Exibir um episódio, presencialmente ou por celular, e identificar o problema central, os acontecimentos apresentados, as fontes e os diferentes sujeitos envolvidos.

Etapa 2 — Dialogar e relacionar com a realidade

Promover uma roda de conversa: onde esse problema aparece em nossa comunidade? Que experiências conhecemos? Quais grupos são mais afetados? O que ainda precisamos investigar?

Etapa 3 — Investigar e produzir conhecimento

Consultar documentos, comparar fontes, ouvir moradores e especialistas e confrontar as informações do vídeo com a realidade local. Os participantes deixam de ser apenas espectadores e se tornam investigadores.

Etapa 4 — Criar e compartilhar

Produzir vídeos curtos, podcasts, depoimentos ou pequenos documentários que expressem as conclusões do grupo e apresentem questões relevantes para outras pessoas da comunidade.

Etapa 5 — Agir sobre a realidade

Organizar uma atividade pública, uma campanha de conscientização, uma reunião comunitária ou um diálogo com gestores públicos. A aprendizagem passa a orientar uma ação coletiva.

Esse percurso aproxima o audiovisual digital da práxis da educação popular: reflexão e ação articuladas na busca pela transformação da realidade.

4. O que o Revelando ensina aos Pontos de Cultura?

Para iniciativas como o Ponto de Cultura Juventude e Cidadania e outras experiências da Ação Cultural, a principal contribuição está em perceber que a tecnologia digital pode ampliar o alcance da ação cultural sem substituir o protagonismo das comunidades.

O Revelando oferece uma referência de linguagem, narrativa e circulação de conteúdos. Os Pontos de Cultura podem se apropriar dessas possibilidades para trabalhar com a memória dos territórios, a história das comunidades, os direitos culturais, a juventude, as desigualdades sociais e os problemas que afetam a população.

A diferença fundamental está na relação entre quem produz e quem recebe o conteúdo. Em uma comunicação vertical, a comunidade é tratada como audiência. Em uma experiência de educação popular, ela também participa da escolha dos temas, da pesquisa, da interpretação dos problemas e da produção de respostas.

Por isso, o celular, a edição de vídeos e as plataformas digitais não são apenas recursos técnicos. Quando apropriados coletivamente, tornam-se instrumentos de expressão, formação crítica e participação cidadã.

Síntese

O projeto Revelando pode ser considerado uma referência de educação popular via meio digital porque articula jornalismo audiovisual, contextualização histórica, acesso público à informação e circulação de questões relevantes para a sociedade. Seu potencial educativo se amplia quando os conteúdos estimulam o pensamento crítico e alimentam processos de diálogo, investigação e ação coletiva.

A lição para a Ação Cultural é que não basta ensinar jovens a filmar, editar e publicar vídeos. É preciso criar condições para que aprendam a ler criticamente o mundo, narrar a própria realidade, disputar os sentidos da informação e participar da transformação de seus territórios. É nesse encontro entre comunicação, cultura e organização comunitária que o audiovisual digital pode se tornar uma ferramenta efetiva de educação popular.

Referências para aprofundar: o canal do Revelando no YouTube, onde estão publicados os episódios da série, e a obra Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire, para fundamentar a dimensão dialógica, crítica e transformadora dessa proposta.

Artigo produzido com suporte do Chat GPT

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

O FILHO DO RIOCENTRO - BERNARDO MELLO FRANCO - O GLOBO - 18/10/2026

 

E pensar que eu estava no Riocentro naquele show... poderia nem estar aqui para votar agora #boraLula - ZdO

Em 30 de abril de 1981, um capitão e um sargento do Exército cruzaram o Rio em missão secreta. Transportavam duas bombas para causar terror e pânico num show que reunia milhares de jovens em comemoração ao Dia do Trabalhador. O plano era culpar a esquerda e sabotar o processo de redemocratização do país.

Em 30 de abril de 1981, um tenente que amava a ditadura, mas era tido pelos superiores como "excessivamente ambicioso", assistiu em Resende ao nascimento do primeiro filho. Tempos depois, ele entraria na política como porta-voz dos porões.

Ninguém escolhe o dia em que vem ao mundo, e Flávio Bolsonaro não tem culpa de ter nascido no dia do atentado do Riocentro. No entanto, todos são responsáveis pelas escolhas feitas na idade adulta. Entre a democracia e a ditadura, Flávio sempre marcou a segunda opção.

No livro "Mito ou verdade", o senador expõe seu ideário sem disfarces. No texto, ele exalta o golpe de 1964 e o regime autoritário que perseguiu, prendeu e matou opositores políticos. "Ao invés (sic) de marginalizados, deveriam ser ser tratados como heróis nacionais", escreve, sobre os agentes da repressão.

A exemplo do pai, Flávio glorifica o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que levava crianças para assistirem à tortura dos pais. Descreve o militar como "homem correto, íntegro, que cumpriu seu papel de defender a pátria" e teria sido "massacrado pela mídia".

O filho de Jair acusa a Comissão da Verdade, criada para apurar crimes da ditadura, de "tentar reescrever a História à luz da visão dos terroristas". Ele ataca a memória de vítimas do regime e chega a sugerir que o ex-deputado Rubens Paiva, assassinado no DOI-Codi, teria sido morto por grupos de esquerda.

O livro foi lançado em 2017, quando Flávio ensaiava concorrer ao Senado. Estava no fim do quarto mandato na Assembleia Legislativa do Rio, onde se notabilizou por subir à tribuna todos os anos para festejar o 31 de março, data cultuada pela extrema direita como aniversário da ditadura.

"Fica aqui o meu repúdio a essa massificação que é feita com relação ao regime militar, esquecendo-se do grande avanço econômico, social e político que tivemos", discursou, em 2004. "Para mim, é motivo de muito orgulho e agradecimento aos militares", reforçou, em 2009.

"A esquerda, hoje no poder, insiste em falar que houve um golpe", prosseguiu, em 2010. No ano seguinte, ele celebrou a "data especial" e disse que era preciso combater "a mentira de que houve um golpe militar". "Todos já conhecem o posicionamento da família Bolsonaro", acrescentou. Quem haveria de discordar?

Desde que entrou na política, o patriarca do clã milita na defesa do autoritarismo. Especializou-se em exaltar a violência de Estado, atuar pela impunidade de torturadores, ofender viúvas e órfãos de desaparecidos. Quando o Ministério Público Federal reabriu o caso Riocentro, em 2014, ele fez questão de acompanhar o depoimento de um militar investigado. Diante dos procuradores, atacou a Comissão da Verdade e disse sonhar com uma reedição da Operação Condor, aliança clandestina entre ditaduras do Cone Sul.

A democracia deveria ser tema central na primeira eleição após o 8 de Janeiro e a inédita condenação de generais golpistas. Os marqueteiros treinaram o candidato do PL para evitar menções à ditadura, mas não podem apagar tudo o que ele já disse e escreveu sobre o tema. Por destino e por escolha, Flávio Bolsonaro é o filho do Riocentro.

A noite em que fui ao Riocentro — e encontrei o PT no caminho

Por Zezito de Oliveira

Foto tirada em 13/10/2024, nas ruas de Aracaju, com uma caminhada liderada pelos setores organizadas da esquerda sindical, politica e estudantil. Em outras situações, tanto em Sergipe, como em outros estados, as iniciativas se dão por fora das estruturas tradicionais de organizaçáo e com estas dando suporte em termos estruturais. Assim, fazemos o ´país que a gente quer , ou de quando cada um de nós abre os braços. Este boneco "fofo" de Lula é o ,mascote do movimento dos trabalhadores da cultura "Cultura com Lula", e quem me passou o mesmo ´para caminhar com ele uma parte do tempo, foi Tácita Mickaelly, da operativa do Comitê Paulo Gustavo em Sergipe. Muitas pessoas tiraram fotos com o boneco.

Há poucos dias surgiram no YouTube imagens do show do Riocentro de 1980; as de 1981 já circulavam há mais tempo, em parte por causa da tentativa de explosão de bombas. As imagens vêm da transmissão da TV Tupi; a segunda transmissão foi da Bandeirantes. O documentário Gonzaguinha – Da maior liberdade recupera cenas do show de 1º de Maio de 1981, inclusive quando Gonzaguinha avisa sobre as bombas. Eu não lembrava bem dessa fala, mas lembrava do atentado pela repercussão na imprensa; a memória voltou anos depois com o CD duplo do show de 1981 apresentado a mim por Paulo Correa, atual secretário de cultura de Aracaju.

Fiz duas viagens. Em 1980, saí de São João de Meriti, perto da atual Pavuna, para o primeiro grande show de 1º de Maio. Em 30 de abril de 1981, repeti o trajeto. Na época, chegar ao Riocentro era uma expedição: o metrô não chegava à Pavuna e a Barra parecia muito distante. O segundo show ficou marcado pela conversa com dois jovens no ônibus. Pelo modo de falar, pareciam da Zona Sul, mas isso importa menos que o entusiasmo com que falavam das festas do recém-criado PT. O partido tinha pouco mais de um ano e ainda buscava espaço na saída da ditadura; aqueles jovens o viam não só como organização política, mas como convivência, cultura e festa. Anos depois, a pesquisa histórica mostrou que essa lembrança tinha contexto: em 1981 o PT formava núcleos no Rio e na Baixada, com atividades esportivas, culturais e políticas em Mesquita e Nova Iguaçu, além de militantes em Chapéu Mangueira, Copacabana e Leme. O ônibus, assim, unia geografias sociais que pareciam distantes.

O show de 30 de abril, promovido pelo Centro Brasil Democrático, reuniu cerca de 20 mil pessoas, com Luiz Gonzaga, Gonzaguinha, Clara Nunes, Beth Carvalho, Alceu Valença, Elba Ramalho e Chico Buarque, entre outros grandes artistas. Poucas horas depois, uma bomba explodiu dentro de um Puma no estacionamento: o sargento Guilherme Pereira do Rosário morreu e o capitão Wilson Luís Chaves Machado ficou gravemente ferido; outra bomba foi encontrada perto da casa de força. O episódio seria ligado à extrema direita militar, que tentava frear a abertura. Na hora, ninguém sabia exatamente o que ocorria — eu também não. Gonzaguinha tornou-se uma voz daquele instante.

Quase meio século depois, penso que a conversa no ônibus é tão importante quanto a explosão. O atentado está nos jornais, processos, livros e arquivos; a conversa existe apenas na memória. É nessa fronteira entre memória e documento que se entende melhor o Brasil de 1981: ditadura ainda forte, sociedade civil avançando, sindicatos, comunidades eclesiais, associações de moradores e artistas em resistência, e um partido novo tentando organizar essa energia. Eu estive lá duas vezes. Na segunda, dentro do ônibus, encontrei um pequeno pedaço do Brasil que renascia.

P.S.: - Após a publicação na noite de ontem me recordei da expressão “esquerda festiva”, hoje denominada como “esquerda cirandeira”, e fui pesquisar para saber as origens do termo, bastante utilizado de forma pejorativa e em alguns casos até de maneira compreensiva, quando a crítica é ao excesso de festa em detrimento de outras questões como formação, organização e luta. Mas por outro lado, é importante perceber a crítica como uma falta ou debilidade de uma esquerda muito racional e bastante influenciada pela cultura europeia chamada de moderna, o que é distante, como sabemos, desses aspectos de beleza e alegria mais espontânea e mais caliente. Só que vale lembrar que, como mostrou Bakhtin, antes, na Europa pré-iluminista, a cultura europeia era marcada por uma presença forte da cultura popular, com o riso, a festa e a praça pública tendo papel central e criando um “segundo mundo” de liberdade e inversão temporária das hierarquias. Foi depois, com o racionalismo iluminista e a visão burguesa de mundo, que essa cultura popular foi sendo desvalorizada e separada da “alta cultura”. Então a crítica que faço não é simplesmente opor Europa e Brasil , mas uma certa racionalidade moderna que rompeu com a dimensão festiva e popular da própria cultura europeia, o que também influenciou em termos estéticos  uma grande parte das nossas esquerdas,  de lá e de cá. 



SHOW RIOCENTRO 30 DE ABRIL DE 1981


1. Postagens encontradas no Blog da Cultura sobre o atentado do Riocentro

Memorial da Democracia - Bomba no Riocentro implode terror militar

1. #1964+60 – A explosão da bomba no Riocentro: novas e antigas informações sobre o caso

1º de abril de 2024

A postagem reúne referências documentais sobre o atentado, incluindo o relatório da Comissão Nacional da Verdade, informações sobre o depoimento do capitão Wilson Machado e a investigação histórica do episódio. É uma boa porta de entrada para aprofundar a pesquisa documental.

Memorial da Democracia - Bomba no Riocentro implode terror militar

2. Outro Atentado como o de 1981 no Riocentro é possível?

25 de dezembro de 2022

Relaciona o atentado de 1981 à tentativa de ataque a bomba em Brasília, em dezembro de 2022. A publicação traz registros audiovisuais do show do Riocentro e referências à Comissão Nacional da Verdade, articulando memória histórica e defesa da democracia.

Riocentro - Um vinil para o show interrompido | Brasil 247

3. FESTIVAL #LULA LIVRE É AMOR DA CABEÇA AOS PÉS

29 de julho de 2018

Texto de Zezito de Oliveira que recupera sua experiência como jovem presente ao show de 1981. O autor relata que poderia ter sido uma das vítimas do atentado e estabelece uma relação entre a tentativa de violência política da ditadura e as disputas políticas posteriores. É especialmente importante para a dimensão autobiográfica da memória do Riocentro.

40 anos do atentado do Riocentro. Essa história não deve ser esquecida

4. Sobre o julgamento e condenação de Bolsonaro e alguns militares golpistas. Depoimento de quem poderia ter morrido no atentado do Riocentro em 1981

12 de setembro de 2025

Artigo de Zezito de Oliveira que retoma o episódio a partir da memória de quem esteve no show. Discute a atuação de setores militares contrários à abertura política, a impunidade e as relações entre a memória da ditadura e as ameaças recentes à democracia.

Retratos de Identificação - Documentário 2014 - AdoroCinema

5. Como 'Anistia 79' reavivou minhas lembranças da democracia e da esperança

23 de agosto de 2026

Embora não seja exclusivamente sobre o atentado, o artigo recupera a lembrança pessoal dos shows de 1º de Maio de 1980 e 1981 e destaca o perigo vivido pelo público no Riocentro. Ajuda a contextualizar o episódio dentro de uma trajetória de juventude, música e luta pelas liberdades democráticas.

2. Qual postagem consultar primeiro?

Minha recomendação é começar pelo texto de 2025, “Depoimento de quem poderia ter morrido no atentado do Riocentro em 1981”, e depois ler o artigo de 2024, que reúne referências documentais. Em seguida, vale voltar à postagem de 2022, que contém vídeos e registros do show.

Os cinco textos permitem acompanhar três dimensões complementares: a experiência pessoal de Zezito de Oliveira, a importância política e cultural do show e a documentação histórica do atentado.

Uma observação: os títulos e links acima correspondem às páginas encontradas na pesquisa; a lista não garante que sejam todas as menções ao Riocentro existentes no blog.

Qual o futuro dos debates políticos na TV? O mesmo dos festivais de música?

 

Hoje, 19/10,  no programa Fim de Tarde da Rádio Eldorado (SP), comentário de  um dos apresentadores do programa  e a repetição da falsa equivalência  entre os dois candidatos, E a pergunta que não quer calar? Como debater  com candidatos tipo Marçal, Flávio e Nikolas? Os editoriais do Estadão sobre o segundo deu a pista. Nos EUA é aplicado um sistema de checagem em tempo real, será que pode ajudar? 




 




Blog da Cultura — 1º de outubro de 2026

Subtítulo: Quando o espetáculo devora a democracia.

O artigo retoma uma reflexão sobre o primeiro debate presidencial do primeiro turno e volta a discutir o tema após o cancelamento do último debate mencionado no texto.

Ação Cultural S.E.
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Leia o artigo completo:

Qual o futuro dos debates políticos na TV? O mesmo dos festivais de música?

O argumento central do artigo

O texto aproxima dois fenômenos separados por décadas: os festivais televisivos de música dos anos 1960 e os debates eleitorais contemporâneos. A questão comum é como a disputa, a rivalidade entre participantes, as provocações e as torcidas podem se tornar parte central do espetáculo, deslocando a atenção do conteúdo que deveria estar em discussão.

O artigo desenvolve esse paralelo em torno de três questões:

  • A transformação da disputa em espetáculo: nos festivais, a rivalidade entre artistas e as torcidas ajudavam a mobilizar a audiência; nos debates eleitorais, conflitos e provocações também podem ganhar mais visibilidade que as propostas.

  • O papel da televisão e das redes sociais: a busca por audiência e engajamento interfere na maneira como a competição é apresentada e repercute.

  • Os riscos para a democracia: o problema não é a existência de divergências, mas a possibilidade de a agressividade e a desqualificação dos adversários ocuparem o lugar da discussão pública.




domingo, 18 de outubro de 2026

Nordeste dará mais uma contribuição inestimável para salvar a democracia e a cultura do Brasil. João Gomes agora é parte dessa corrente.

 Admiração por João Gomes segue firme; salve o povo e a cultura nordestina — e também das regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul —, além do presidente que ama e investe na cultura brasileira.

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Após ser cobrado nas redes sociais para revelar seu posicionamento político, João Gomes decidiu falar abertamente sobre suas convicções durante uma apresentação em Londrina.

Ao lado dos amigos Mestrinho e Jota Pê, o cantor leu um texto em que defendeu a educação, a democracia, a liberdade de expressão e os direitos sociais. Durante o discurso, ele também demonstrou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

João ainda relembrou dificuldades que enfrentou na infância e destacou a importância de oferecer oportunidades às pessoas mais vulneráveis. O artista também falou sobre saúde mental, respeito às diferenças e a importância de votar pensando no futuro do Brasil. 






 JOÃO GOMES E MAEANA - CANÇÕES - DIEGO EDICOES



MAEANA CANTA JOÃO GOMES