sexta-feira, 12 de junho de 2026

🎬 Cineclube Realidade em Rosário do Catete: cinema, direitos humanos e o grito da terra

📅 11 de junho de 2026 | 📍 Escola Municipal Des. José Sotero Vieira Melo – Rosário do Catete/SE

👥 Público total: 85 participantes (com equipe)


⏰ Acordar mais cedo para valer a pena

Hoje, o Cine Realidade fez a terceira exibição programada para esta 15ª Difusão da Mostra Cinema e Direitos Humanos.

Para isso, precisei acordar e sair de casa mais cedo que o habitual. O mesmo aconteceu com a jovem assistente. Na companhia de duas professoras extremamente comprometidas com seu ofício, fomos para Rosário do Catete – cidade do interior de Sergipe, bem pertinho da capital, Aracaju.

Os filmes escolhidos pela professora Marta a partir dessa lista são primorosos. Assim como os dois principais exibidos nas sessões anteriores.

Na sessão de hoje, exibimos Pau D’Arco e Terra Doente. Sobre todos os quatro filmes, não posso deixar de dizer: a pertinência das temáticas, a qualidade técnica e artística e a curadoria estão de parabéns.

Zezito de Oliveira - Curador do Cine Realidade e Editor do Blog.

Abaixo - Com anotações realizadas por Iasmin Feitosa


🎞️ Turma 1 – 07h30 | 28 participantes

Filme: Pau D’Arco

Os alunos demonstraram grande concentração. O filme trouxe seriedade, profundidade e relatos reais sobre o assassinato de trabalhadores rurais por policiais militares no Pará..

💬 “O assassinato foi algo impactante e novo para mim.”

Pau D´Arco

89 min - PA - 2025 - 14 anos - Documentário

Perfil online: @docpaudarco @_ana_aranha_

Direção: Ana Aranha

Sinopse: 

Depois de sobreviver à chacina em que a polícia matou 10 trabalhadores sem-terra, a principal testemunha do crime e seu advogado lutam por justiça e pelo direito à terra. Ao seguir seus passos por sete anos na Amazônia Paraense, acontecimentos chocantes indicam uma possível tentativa de encobrir o crime.


🌿 Turma 2 – 09h | 27 participantes

Filme: Terra Doente

O documentário mostra a realidade sob o ponto de vista indígena, destacando:

  • A diferença de cuidado com a natureza entre indígenas e não indígenas
  • O medo da contaminação dos rios e animais por agrotóxicos e plantações excessivas de soja
  • O desmatamento em grande escala
  • O processo de reconstrução até reestabelecer o lar, a transferência de um local mais impactado pela agressão ao habitat dos indios para outro menos.. 

🗣️ “O rio que nos alimenta é a nossa vida.”

Os alunos assistiram com atenção, muitos fazendo anotações. A exibição terminou com muitos aplausos.

Depoimentos e relatos locais

Alunos trouxeram relatos da própria região:

  • Plantações contaminadas em Rosário do Catete
  • Aviões despejando agrotóxicos
  • Desmatamento na Mata Vermelha

⚠️ “Já pensaram onde os filhos e netos de vocês vão beber água? E na quantidade de doenças que estamos tendo por causa disso?”

Muitos responderam: “não”.

Sobre o que polui o rio, citaram: lixo e esgoto.


🔥 Turma 3 – 10h | 28 participantes

Filme: Terra Doente

Houve necessidade de uma breve orientação para concentração e seriedade. Depois desse momento, os alunos focaram nas cenas profundas e impactantes. O filme terminou com aplausos e comentários.

O que mais surpreendeu/impactou:

  • Cena do indígena pegando mamão num pé alto
  • Pinturas corporais e faciais
  • O fogo
  • Rituais e tradições
  • Pescar com a mão
  • O rio
  • A poluição nos rios e o “sabor de metal”

Sobre o entendimento do filme:

🌳 “Não pode cortar as árvores, queimar e poluir o rio.”

Zezito complementou:

✂️ “O errado não é cortar como fazem os indios. O errado é cortar sem necessidade, como muitas vezes fazemos como homens brancos.”

“Valeu a pena? Por quê?”

  • Matheus: “Sim. Achei bacana porque nós temos tudo aqui na cidade, mas e eles? Os brancos não pensam neles.”
  • Jane: “Sim. Aprendi coisas que eu não sabia sobre os indígenas.”
  • Stephanie: “Sim. Gostei das águas.”

Pergunta que ficou no ar:

🧐 “Existem indígenas como esses?”

Por que o aluno perguntou "Existem indígenas como esses?"

O aluno fez essa pergunta porque o filme Terra Doente mostrou indígenas com traços culturais fortíssimos – pinturas corporais, rituais, pesca com as mãos, relação sagrada com o rio, fala na língua original – mas ao mesmo tempo lidando com tecnologia e problemas do mundo contemporâneo: agrotóxicos, desmatamento, utilização de drones e câmeras de filmar, canoas com motor,  decisões políticas de favorecimento do agronegócio em detrimento da vida das pessoas, dos animais, das plantas, das águas e do solo.

Esse contraste gerou estranhamento. No imaginário comum, o imaginário do aluno, "indígena de verdade" costuma ser associado apenas ao passado, à floresta intocada, ao corpo nu ou com cocar, isolado da tecnologia e dos problemas "dos brancos" e estes talvez nem devam existir mais.

Ao ver que é possível ser profundamente indígena na aparência, nos ritos, na relação com a terra – e simultaneamente ser um sujeito do século XXI – o aluno ficou em dúvida. Sua pergunta revela que ele aprendeu a separar essas coisas: ou o indígena é "tradicional" (e aí estaria no passado), ou é "moderno" (e aí perderia sua identidade). O filme mostrou que essa separação é falsa. Os Khisêtjê são os dois: profundamente originários e plenamente contemporâneos.

SUKANDE KASÁKÁ | Terra Doente

30min  - 2025 - MT - Livre - Documentário 

Perfil online: @minhanaturezamuda 

Direção:  Kamikia Kisedje, Fred Rahal

Sinopse: 

Kamikia e Lewaiki, do povo Kisêdjê, são obrigados a abandonar sua maior aldeia após detectarem a contaminação por agrotóxicos, que envenena suas terras, rios e alimentos. Cercados por monoculturas de soja, eles lutam para proteger sua cultura, suas famílias e seu território, enfrentando um inimigo invisível que ameaça sua existência.


Gostou deste relato? Compartilhe e acompanhe as próximas exibições do Cineclube Realidade.

📍 Rosário do Catete – Sergipe
🎥 Cinema, memória e transformação social.


 

Documentário “Pau d’Arco” resgata revelações e depoimentos sobre a violência no campo paraense


 Curta-metragem indígena vence Festival É Tudo Verdade com denúncia sobre agrotóxicos no Xingu

Narrado pelos próprios indígenas, filme mostra impactos da monocultura no território Wawi, do povo Kisêdjê, no estado do Mato Grosso

https://www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/curta-metragem-indigena-vence-festival-e-tudo-verdade-com-denuncia-sobre


Centro de Aracaju está em avançado processo de degradação e abandono. Ruínas de prédios históricos públicos e privados denunciam o ataque à memória

 Publicado em 11 de março de 2024 às 07:24

 Não precisa fazer grande esforço para perceber o avançado processo de descaso, degradação e abandono do Centro de Aracaju. Em qualquer rua ou praça que se vá, o quadro é sempre o mesmo: casas fechadas e algumas em ruínas, monumentos destruídos em praças e ruas inteiras quase desertas, abandonadas.

Também chama a atenção o abandono e degradação de prédios públicos e privados de grande beleza arquitetônica e importância histórica, a começar pela sede da própria Prefeitura de Aracaju, o Palácio Inácio Barbosa, inaugurado na década de 1920 em homenagem ao fundador da cidade.

Leia a reportagem completa no site da Mangue Jornalismo.

https://manguejornalismo.org/centro-de-aracaju-esta-em-avancado-processo-de-degradacao-e-abandono-ruinas-de-predios-historicos-publicos-e-privados-denunciam-o-ataque-a-memoria/?utm_source=chatgpt.com

Publicado em 11 de setembro de 2024 às 07:35

Reflexão sobre o acerto da campanha de cidadania cultural em prol da revitalização do centro histórico de Aracaju.

Ter acesso a essas duas matérias foi — e continua sendo — importante para perceber o acerto da nossa campanha de cidadania cultural. Isso se deve especialmente à cobertura dada pela Agência Mangue Jornalismo ao tema, que foi feita de maneira responsável e qualificada.

É importante lembrar que já tinha tido contato com essas matérias antes, mas nunca havia parado para lê-las de forma completa — o que só foi possível agora, por meio das buscas que estou realizando na internet e das conversas que tenho tido com meu parceiro de caminhada cultural, Rás de Sá.

E que buscas são essas? São perguntas fundamentais que estamos tentando responder juntos:

Como o Centro Histórico de Aracaju chegou a esse ponto de abandono e degradação?

O que pode ser feito, por meio da ação cidadã ativa, para despertar a nossa cidade — na linha dos versos da canção de Gerônimo: "Acorda cidade, acorda pra ver"? (cidade aqui, autoridades e população).

Quais são os melhores tipos de destinação para os edifícios retomados e restaurados, de modo a beneficiar a economia criativa e popular da cidade?

Quem pode e/ou quer  se juntar a nós nessa busca por respostas?

O ponto de largada está dado. Agora, é caminhar junto.

Zezito de Oliveira - editor do blog da cultura

Candidatos prometem criar empregos e revitalizar o Centro de Aracaju, mas não dizem como fazer

https://manguejornalismo.org/candidatos-prometem-criar-empregos-e-revitalizar-o-centro-de-aracaju-mas-nao-dizem-como-fazer/





Com Escola Nacional, Hip-Hop entra na escola pela porta da frente..


A Undime em parceria com o Ministério da Educação realizou a live sobre a Escola Nacional de Hip Hop. Para  conversar sobre o programa, falou da adesão, que está aberta, e trouxe orientações aos gestores. 

O Programa Escola Nacional de Hip Hop tem como objetivo realizar a integração da cultura Hip Hop como instrumento didático-pedagógico, em consonância com o Decreto nº 11.784/2023, que dispõe sobre as diretrizes nacionais para as ações de valorização e fomento da cultura hip-hop.   

A iniciativa busca promover a inovação curricular, a formação continuada de professores e o fortalecimento da implementação da Lei nº 10.639 e da Lei nº 11.645 que tornaram obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana e indígena na educação básica, no ensino fundamental e médio. 

As redes de ensino estaduais, municipais e do Distrito Federal podem formalizar a participação no programa até o dia 30 de junho, no Simec, por meio da assinatura do termo de adesão.


 Com esse exemplo e conquista é hora das Culturas Populares se organizarem e articular melhor para uma Escola Nacional das Culturas Populares. A experiência pedagógica e cultural do Instituto Brincante em São Paulo pode servir como uma boa base de justificativa prática, quem souber de outras experiências relevantes pode escrever nos comentários.

Mais informações,  aqui         aqui

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Carta Convite: Participe da Campanha pela Reforma e Revitalização do Antigo Prédio do INSS – Um espaço público a serviço da moradia, economia criativa e solidária em Aracaju

 Após o sucesso da campanha de cidadania cultural que reafirmou a necessidade da reforma e revitalização do Palácio Inácio Barbosa, em poucos dias daremos início à nossa segunda mobilização: desta vez, o objetivo é a reforma e a revitalização do antigo prédio do INSS, localizado no centro de Aracaju.

Diferente da campanha anterior (que teve a prefeitura como principal poder público demandado), agora o foco principal é a Presidência da República, uma vez que o imóvel pertence à União (governo federal). Também vamos cobrar diretamente os representantes de Sergipe no Congresso Nacional, especialmente os eleitos para a próxima legislatura (tanto os novatos quanto os reeleitos).

Por isso, convidamos a todos para usar este tema como critério de voto nas próximas eleições. Podemos inclusive lançar um slogan mais estruturante, como:
“Só voto em candidato que coloque a cultura, o meio ambiente e as pautas sociais como prioridade.”
O que vocês acham da ideia?


A Segunda Campanha – 

Esta  segunda campanha se baseia em demandas que já apresentamos anteriormente no Blog da Cultura e durante uma participação no Jornal da Fan, quando o ministro Guilherme Boulos (Ministro da  Casa Civil)  foi entrevistado.

Na ocasião, fiz a seguinte pergunta ao ministro:

“Bom dia, Narcizo, ouvintes e ministro Guilherme Boulos. Aqui é Zezito de Oliveira – Educador e Agente Cultural. Há um grande edifício desativado, de propriedade do governo federal, bem no centro de Aracaju. Esse prédio pertence ao INSS e teve uma reforma iniciada em 2023, mas que foi paralisada. Seria possível destinar esse espaço para famílias de baixa renda, organizações da sociedade civil, micro e pequenos empreendimentos ligados à cultura, comunicação, economia solidária, tecnologia, turismo e outras áreas? O senhor pode viabilizar isso?”

A pergunta foi bem recebida pelo ministro Boulos e também por ouvintes ligados à economia criativa, artes incluso. Hoje, um seguidor do Blog da Cultura lembrou novamente dessa pauta, o que nos motivou a retomá-la. Conversamos com o parceiro que atuou conosco  na campanha do antigo prédio da Prefeitura (Palácio Inácio Barbosa), Rás de Sá,  e ele se mostrou favorável. Assim, decidimos dar o pontapé inicial nesta nova jornada.

Ainda hoje, assistimos à cerimônia de entrega de imóveis da União para fins de moradia social, culturais e outros usos coletivos – o que mostra que esse tipo de destinação é viável e já está acontecendo no país.


Em pouco mais de três anos de existência, o Imóvel da Gente se tornou uma das principais ferramentas de democratização e destinação social do patrimônio da União. Dede janeiro de 2023 , a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) destinou mais de 1.700 imóveis federais para políticas públicas voltadas ao atendimento da população, em 625 municípios brasileiros.

Convidamos novamente todos vocês a se engajarem nesta empreitada!
Compartilhem, cobrem os candidatos e futuros parlamentares, e ajudem a transformar um prédio abandonado em um espaço vivo a serviço da cultura, da moradia e da economia criativa e solidária.


 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

quarta-feira, 10 de junho de 2026

“Òsányìn na Escola: O Segredo das Folhas, a Juventude e a 15ª Mostra de Direitos Humanos em Aracaju”.

Por Zezito de Oliveira e Iasmin Feitosa

 Na tarde do dia 8 de junho de 2026, a Escola Estadual Senador Leite Neto, em Aracaju, tornou-se palco de uma experiência cinematográfica transformadora. Em parceria com a Associação de Deficientes Visuais e Escola Estadual Leite Neto, o  Cineclube Realidade promoveu a exibição do curta-metragem de animação “Òsányìn: O segredo das folhas” (2021, 22 min, livre), dirigido por Pâmela Peregrino e produzido entre Alagoas, Bahia e Rio de Janeiro. A sessão reuniu 22 pessoas — entre alunos adolescentes e equipe organizadora — em um ambiente de escuta, afeto e reflexão.


Sobre o filme:
A obra conta a história de uma criança que nasce com folhas em seu corpo. Diante da busca por cura, sua mãe percorre caminhos até que, na escola, a protagonista sofre discriminação e foge para a mata. Na Caatinga, encontra seres encantados de tradições indígenas e negras e inicia uma jornada de autoconhecimento. Sua busca a leva até Òsányìn, o Orisà das folhas, que revela o poder das plantas e a urgência da preservação ambiental.

Recepção e destaques da sessão:
A recepção dos vinte alunos foi muito boa — e não é para menos. O filme encantou pelos traços e cores fortes, pelas belas canções e por uma história que entrelaça temas profundos e urgentes: o preconceito no ambiente escolar, o uso das plantas como tratamento e cura, os aspectos simbólicos e míticos associados à religiosidade de matriz africana, e a grave questão do desmatamento. Durante a exibição, os alunos demonstraram participação ativa e entusiasmada. As cenas musicais, em especial, geraram grande envolvimento da plateia, que reagiu com aplausos espontâneos e acompanhou o ritmo das melodias, elevando o clima de integração e fruição coletiva.

Depoimentos dos alunos:

  • Ray: “O filme mostrou que as ervas medicinais podem cuidar de várias doenças, como dor de cabeça, caxumba, entre outros. O poder delas nos ajuda com diversos sintomas e tem grande utilidade.”

  • Fabrício: “As plantas podem nos curar, mas também podem nos matar.”

  • Davi Alberto: “O filme ensina sobre religião – talvez o candomblé, de certa forma. Passou conceitos e ensinamentos sobre as religiões, as ervas medicinais e o desmatamento, que é algo prejudicial à sociedade.”

  • Anny: “A natureza tem diversidade de cores.”

Contexto da Mostra:
Esta sessão integrou a Etapa de Difusão da 15ª Mostra Cinema e Direitos Humanos (2025/2026), que selecionou 1.150 pontos de exibição em mais de 660 municípios de todo o Brasil. A iniciativa visa descentralizar o acesso ao cinema, levando produções brasileiras — com destaque para documentários, curtas-metragens e obras indígenas e quilombolas — a cineclubes, escolas, centros culturais e ONGs que costumam ficar fora do circuito comercial tradicional. O objetivo é democratizar a cultura e promover debates sobre direitos humanos em todos os territórios.

Observações finais:
Em suma, “Òsányìn: O segredo das folhas” é um filme sensível, bem realizado, pertinente e integral. O Cineclube Realidade reafirma, com esta sessão, seu papel como espaço de formação crítica, diálogo intercultural e valorização da juventude, promovendo cidadania por meio da linguagem audiovisual. A cultura também transforma realidades — e a 15ª Mostra Cinema e Direitos Humanos mostrou, mais uma vez, que o cinema, quando chega à escola, semeia consciência, respeito à diversidade e defesa da vida em todas as suas formas.

Para assistir o filme.... 



Barcelona, Visita à cripta e ao túmulo de Gaudí, 10 de junho de 2026 – Papa Leão XIV

 Antoni Gaudí: há 100 anos, arquiteto que projetou Sagrada Família foi confundido com sem-teto e morreu após ter ajuda negada

Gênio do modernismo catalão foi atropelado por um bonde em Barcelona e não resistiu. Papa Leão XIV celebra missa na basílica no aniversário de sua morte.

Por Daniel Médici, g1

10/06/2026 01h00  

Retrato de Antoni Gaudí de 1878 — Foto: Pablo Audouard Deglaire/Reprodução

Era o início da noite em Barcelona quando um senhor de roupas amarrotadas atravessou distraído a Gran Via de les Corts Catalanes, apoiado em sua bengala, e foi surpreendido por um bonde vindo em sua direção. Ele tentou desviar, sem ver que um outro bonde se aproximava, no sentido contrário.

O velho homem foi atingido em cheio e caiu inconsciente em plena avenida. A cena atraiu vários curiosos, mas, pelo seu aspecto, ele foi tido como um sem-teto, e a maioria dos transeuntes não se preocupou em ajudá-lo.

Aquele homem era o arquiteto Antoni Gaudí i Cornet (1852-1926).

Nesta quarta-feira (10), centésimo aniversário de sua morte, o papa Leão XIV celebra uma missa dentro de sua obra mais famosa, a Basílica da Sagrada Família, na capital catalã.

Igreja da Sagrada Família em Barcelona inaugura Torre de Jesus Cristo

Igreja da Sagrada Família em Barcelona inaugura Torre de Jesus Cristo

Apenas duas pessoas se dispuseram a tentar socorrer Gaudí. Por quatro vezes, eles tentaram fazer um táxi parar e levar o velho ferido para o hospital — por quatro vezes, os condutores se negaram.

Finalmente, após uma longa espera, um guarda civil se aproximou do local e obrigou um quinto táxi a parar e levá-lo para onde pudesse ser atendido.

No dispensário da Ronda de San Pedro, que já não existe mais, os médicos constataram diversas fraturas e um sangramento pelo ouvido. Também anotaram no prontuário que ele não levava consigo nenhum documento – apenas o livro dos Evangelhos, um rosário, um lenço e uma chave. Ainda com status de indigente, ele foi transferido ao hospital de Santa Creu.

Só no dia seguinte ele foi reconhecido pelo capelão da Sagrada Família, cuja construção estava em seus primeiros estágios: tratava-se de ninguém menos que o próprio criador da edificação, que se tornaria um dos cartões-postais mais famosos da Europa.

'Arquiteto de Deus'

Rua vazia em frente a um dos principais pontos turísticos de Barcelona, a catedral da Sagrada Família — Foto: Reuters/Nacho Doce

Rua vazia em frente a um dos principais pontos turísticos de Barcelona, a catedral da Sagrada Família — Foto: Reuters/Nacho Doce

Gaudí agonizaria ainda por três dias, mas a gravidade dos ferimentos fez com que ele morresse aos 73 anos, em 10 de junho de 1926.

Entre o atropelamento e o óbito, a notícia correu pelas ruas de Barcelona, e o acidentado “anônimo” teve a morte anunciada pelos mais diversos jornais espanhóis. Seu funeral foi acompanhado por uma multidão em um cortejo que terminou no canteiro de obras da Sagrada Família, onde seu corpo foi sepultado. Até hoje, seus restos mortais permanecem na mesma cripta do templo.

Católico fervoroso, Gaudí foi apelidado de “arquiteto de Deus”. Com as obras previstas para terminarem em 2032, a Sagrada Família foi consagrada apenas em 2010, pelo papa Bento 16.

Na ocasião, o papa alemão elogiou "o gênio de Antoni Gaudí" que, "inspirado pelo ardor de sua fé cristã, conseguiu transformar esta igreja em um louvor a Deus feito de pedra".

Ao ser proclamado venerável, a Igreja reconhece as “virtudes heroicas” do arquiteto catalão. O ato precede a beatificação, que requer o reconhecimento de um milagre. Um segundo milagre validado pelo Vaticano é então necessário para obter o status de "santo" com a canonização, geralmente no final de um longo processo que dura vários anos.

Modernismo catalão

Gaudí chegou a Barcelona em 1868 para estudar arquitetura, tornando-se o maior nome do modernismo catalão no fim do século 19. Foi na capital da região autônoma que ele deixou algumas de suas obras mais famosas, como o Parque Güell, a Casa Milà e a Casa Battló. Estas e outras quatro edificações foram tombadas como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Sua obra mais famosa, no entanto, é a Sagrada Família, à qual ele se dedicou de 1883 até sua morte.

Profundamente religioso, Gaudí tomou seu trabalho como um sacerdócio. Segundo seus biógrafos, ele parece ter se apaixonado uma vez na vida por uma mulher, mas sem ser correspondido. Dessa forma, permaneceu solteiro até o fim da vida.

À medida que amadurecia, o arquiteto passou a adotar um modo de vida excêntrico, com hábitos frugais, vestindo-se com trajes velhos e sem cuidado com sua aparência. Um de seus costumes era fazer longas caminhadas diárias, inclusive no dia de sua morte, quando ele se dirigia à igreja de San Felipe Neri, para se encontrar com seu amigo e confessor, o padre Agustí Mas.





La torre de Jesús en la SAGRADA FAMILIA, inaugurada por el PAPA LEÓN XIV con un gran espectáculo





Gaudi na canção brasileira

"Eva, irmã de neon, Filha de Barcelona e Gaudí, Tu tens asas pra voar, Mas eu te  esperarei"

Sou tímido e espalhafatoso. Torre traçada por Gaudi

1. Caetano Veloso – "Vaca Profana"

Na faixa "Vaca Profana" (do disco Totalmente Demais), Caetano referencia diretamente a arquitetura de Gaudí enquanto reflete sobre sua própria vivência e a efervescência urbana, cantando os versos: "Torre traçada por Gaudi / São Paulo é como o mundo todo / No mundo, um grande amor perdi". A letra celebra a mistura cultural e as particularidades da vida nas metrópoles. 
2. Djavan – "Irmã de Neon"
Djavan tem uma profunda paixão pela arquitetura modernista catalã. Em "Irmã de Neon", o cantor imortaliza essa admiração na canção, elevando Gaudí à figura de gênio criador e padroeiro estético: "Eva, irmã de neon / Filha de Barcelona e Gaudí / Tu tens asas pra voar..."
3. BK' – "GAUDI APEX"

Trazendo a referência para a atualidade, o rapper BK' nomeou uma de suas faixas de sucesso em homenagem ao arquiteto. Na música, a figura de Gaudí é usada como símbolo de ostentação, genialidade, sucesso financeiro e uma construção única de identidade, mesclando suas conquistas com as referências da arquitetura singular do espanhol.

A FORÇA DA MOBILIZAÇÃO POPULAR: Pressão cidadã garante assinatura de projeto para o novo Museu da Cidade no Palácio Inácio Barbosa.

A informação divulgada nesta manhã pelo radialista Narcizo Machado, no Jornal da FAN, confirma que o Palácio Inácio Barbosa passará por um processo de restauração técnica.

A Prefeitura de Aracaju assinou o contrato com a empresa Ágora Arquitetos Associados, sob a coordenação do arquiteto Ézio Déda, para elaborar o projeto executivo de restauro e adequação do imóvel, que abrigará o Museu da Cidade.
O edifício centenário, antiga sede da intendência municipal localizado na Praça Olímpio Campos, encontrava-se desativado e sem uso definitivo após propostas anteriores não avançarem.
RECONHECIMENTO À MOBILIZAÇÃO POPULAR
Este passo atende a uma mobilização da sociedade civil. Fica o registro de agradecimento a todos que assinaram o abaixo-assinado pela reforma e revitalização, aos cidadãos que atuaram na divulgação por meio da imprensa, aos que acompanharam e comentaram as publicações da campanha nas redes sociais, e aos autores de artigos sobre o tema.
O agradecimento estende-se também aos artistas e escritores que se disponibilizaram a colocar suas produções e talentos lítero-artísticos em prol da causa, o que não foi necessário para este momento.
A iniciativa demonstra como a participação cidadã pode atuar na preservação de outros prédios e monumentos históricos que demandam atenção na capital sergipana. , prédios e monumentos de responsabilidade das três esferas de governo... 
Responsável pelo desenvolvimento do projeto, Ézio Déda é o arquiteto que assina o Museu da Gente Sergipana. Novas atualizações sobre o cronograma das etapas técnicas iremos acompanhar nos canais de comunicação da prefeitura e imprensa em geral. 🏛️📻
Zezito de Oliveira e Rás de Sá – Ativistas culturais da nossa cidade
#JornalDaFan #Aracaju #EzioDeda #MuseuDaCidade #MobilizacaoCidada #PatrimonioHistorico #CulturaSE 
Abaixo,  poema e música simbolo da campanha

Tecendo a manhã

                                                                           João Cabral de Melo Neto


Um galo sozinho não tece uma manhã:

ele precisará sempre de outros galos.

De um que apanhe esse grito que ele

e o lance a outro; de um outro galo

que apanhe o grito de um galo antes

e o lance a outro; e de outros galos

que com muitos outros galos se cruzem

os fios de sol de seus gritos de galo,

para que a manhã, desde uma teia tênue,

se vá tecendo, entre todos os galos.


E se encorpando em tela, entre todos,

se erguendo tenda, onde entrem todos,

se entretendendo para todos, no toldo

(a manhã) que plana livre de armação.

A manhã, toldo de um tecido tão aéreo

que, tecido, se eleva por si: luz balão.

(In: A educação pela pedra)