terça-feira, 29 de setembro de 2026

Nunca foi por causa da corrupção. Por Zezito de Oliveira



 Causa-nos espécie como um candidato com a vida pregressa de Flávio Bolsonaro, e pela forma como se comporta na campanha — e, para completar, com o escândalo-bomba que estourou no dia de hoje —, ainda esteja com os atuais índices de preferência do eleitorado, ameaçando até ser eleito presidente da República.

Se fosse um candidato do PT, bastaria 10% de tudo o que esse candidato tosco e rastaquera fez e faz para os índices terem baixado à metade do que esta figura detém, fazendo da eleição um passeio neste domingo para o principal adversário.

O jornalista Moisés Mendes apresentou, com o comentário abaixo na manhã de hoje pelo  facebook , uma das principais razões para isso.

Moisés Mendes

"Se o Brasil vivesse sob normalidade, a reportagem do PlatôBR sobre o filho ungido teria acabado com a candidatura do sujeito. O texto está sendo compartilhado pelos sites progressistas, mas não será lido nos jornalões. É assustador até para a extrema direita."

Essa opinião faz coro com o que escreveu, em 1904, o jornalista Joseph Pulitzer na revista acadêmica e política The North American Review:

"Uma imprensa cínica, mercenária e demagógica produzirá, com o tempo, um povo tão vil quanto ela mesma."

E assim, mais uma vez, voltamos à nossa velha cantilena — e à de muitos outros brasileiros.

O provável governo Lula 4 precisa dedicar uma atenção prioritária à questão da comunicação, tanto em termos da macropolítica como da micropolítica, do contrário não tem como essa país dar certo.

E se quiser saber como: Convide as melhores cabeças pensantes acerca da questão, e não são poucas.. 








Politizar a cultura, culturalizar a política. Pense n’eu, vez em quando; pense em nós, vez em quando; pense no país, vez em quando. E, depois de pensar, continue pensando.

Gonzaguinha escreveu “Pense N’eu”, música que Luiz Gonzaga gravou em 1984, numa parceria de pai e filho que carrega, por trás de uma aparente simplicidade, uma pergunta que continua atual: onde estamos, onde estaremos, se sorrindo ou se chorando?

A canção pede que alguém seja lembrado “vez em quando”, mas, à medida que avança, o pensamento deixa de caber apenas na relação entre duas pessoas e se abre para uma dimensão coletiva, para a gente, para o povo, para o país, para a esperança de fazer tudo melhor e para a ideia de união. É justamente esse movimento que me interessa recuperar agora, quando mais uma vez somos chamados a tomar decisões políticas que terão consequências para a nossa vida coletiva.

Por isso, talvez seja bom pensar n’eu, pensar em nós e pensar no país, não apenas durante o período eleitoral, mas também depois dele.

Pensar antes de decidir. Pensar enquanto decidimos. E continuar pensando, de vez em quando, naquilo que decidimos e nas consequências dessas decisões.

É com esse espírito que convido você a ler o texto abaixo. Não como uma tentativa de dizer em quem votar, muito menos como uma fórmula pronta para orientar sua escolha, mas como um convite para pensar sobre o que entendemos por política, que lugar atribuímos à cultura na construção da sociedade e que tipo de participação queremos exercer na vida pública.

Talvez uma das tarefas mais importantes de uma cultura democrática seja justamente esta: ajudar-nos a pensar antes de escolher e, sobretudo, não deixar que o pensamento termine no momento em que depositamos o voto na urna.

Porque democracia não começa e termina na eleição.

Ela continua quando acompanhamos o que os eleitos fazem, quando cobramos compromissos, quando participamos das decisões públicas, quando preservamos a memória das experiências vividas e quando procuramos compreender as razões pelas quais nossa sociedade toma determinados caminhos.

É nesse sentido que proponho a leitura deste texto: 

Politizar a cultura, culturalizar a política

Há uma frase que, de tão simples, pode parecer apenas um slogan: politizar a cultura, culturalizar a política. No entanto, quando olhamos para a trajetória da Ação Cultural e para aquilo que vem sendo construído, registrado e debatido ao longo dos anos no Blog da Cultura, percebemos que ela pode ser mais do que uma frase de efeito. Pode ser uma chave para compreender uma determinada maneira de pensar e fazer cultura, política e participação social.

Mas é preciso começar por uma distinção. Quando falamos em politizar a cultura e culturalizar a política, não estamos falando de transformar a cultura em instrumento de propaganda partidária, nem de submeter a produção cultural aos interesses de governos, partidos ou candidatos. Estamos falando de política no sentido mais nobre da palavra, como espaço de construção da vida coletiva, de disputa democrática de projetos de sociedade, de participação nas decisões que afetam a comunidade e de reconhecimento de cada pessoa como sujeito de direitos.

É nesse sentido que a trajetória registrada pelo Blog da Cultura ganha importância.

O próprio Blog já fez uma síntese bastante direta dessa perspectiva ao afirmar: “Culturalizar a política. Politizar a cultura.” A formulação aparece associada à necessidade de aproximar processos de formação, pedagogias críticas, criação cultural e capacidade de incidência social e política. Não se trata, portanto, de acrescentar um pouco de política à cultura ou um pouco de cultura à política, mas de compreender que as duas dimensões estão profundamente relacionadas.

A cultura não acontece fora da sociedade. Ela nasce das relações sociais, das experiências, das memórias, dos conflitos, das esperanças e das formas pelas quais homens e mulheres procuram dar sentido à própria existência. Por isso, quando uma comunidade cria um cineclube, organiza uma apresentação teatral, preserva sua memória, realiza uma oficina de audiovisual, constrói um Ponto de Cultura ou participa de uma audiência pública, não está simplesmente fazendo cultura. Está também produzindo conhecimento, vínculos, consciência, pertencimento e capacidade de intervenção.

É aí que começa a politização da cultura.

Politizar a cultura é deixar de enxergá-la apenas como entretenimento, espetáculo, evento ou programação. É perguntar quem produz, quem acessa, quem decide, quem fica de fora, que memórias são preservadas, quais narrativas circulam, quais territórios são reconhecidos e que sujeitos conseguem transformar suas experiências em linguagem pública.

Uma política cultural, nessa perspectiva, não pode ser avaliada apenas pela quantidade de eventos realizados, pelo número de artistas contratados ou pelo volume de recursos movimentados. Essas informações são importantes, mas não esgotam a questão. É preciso perguntar também qual sociedade está sendo produzida por determinada política cultural.

É justamente esse deslocamento que aparece em diferentes momentos da trajetória do Blog da Cultura.

A discussão sobre a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por exemplo, não se limita (ou deveria se limitar)  à existência dos recursos ou à execução financeira. A preocupação recorrente é com a participação social, o controle público, a continuidade das políticas, o fortalecimento dos agentes culturais e a capacidade de transformar recursos temporários em processos permanentes de cidadania cultural.

Da mesma forma, a experiência dos Pontos de Cultura aparece não apenas como uma política de financiamento de iniciativas culturais, mas como possibilidade de organização social, formação, articulação em rede e participação. Em 2025, por exemplo, o Blog registrava a necessidade de discutir coletivamente a Lei Cultura Viva, a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, os mecanismos de participação e controle social e a própria organização da Rede Sergipe de Pontos de Cultura.

Isso é politizar a cultura.

Mas existe o movimento inverso: culturalizar a política.

Culturalizar a política significa compreender que a disputa política não acontece somente nos parlamentos, nos governos, nas eleições ou nos partidos. Ela acontece também no terreno dos símbolos, das narrativas, da memória, dos afetos, da identidade, da linguagem e do imaginário.

Uma sociedade não se transforma somente porque uma lei foi aprovada. Ela se transforma também quando as pessoas passam a enxergar sua própria história de outra maneira, quando uma comunidade reconhece seu patrimônio, quando jovens aprendem a produzir imagens sobre seu território, quando moradores conseguem narrar seus problemas, quando grupos historicamente silenciados conquistam espaço para dizer quem são e como querem ser vistos.

O audiovisual realizado com celular por jovens da periferia pode ser uma prática cultural, mas pode também se transformar em instrumento de leitura crítica do território. O próprio projeto da Ação Cultural registra explicitamente essa possibilidade ao definir o audiovisual como ferramenta para evidenciar problemas da comunidade e mobilizar discussões sobre direitos e políticas públicas.

É aí que cultura e política deixam de ser dois departamentos separados da vida social.

O cineclube pode ser espaço de fruição estética, mas também de conversa sobre a realidade. O teatro pode ser expressão artística, mas também exercício de leitura do mundo. A memória pode ser preservação do passado, mas também instrumento para compreender o presente. Uma mostra cultural pode apresentar obras, mas também criar encontro entre pessoas que dificilmente se encontrariam em outros espaços.

O Cineclube Realidade é um exemplo bastante concreto dessa concepção. O projeto articula sessões de cinema com rodas de conversa, oficinas de audiovisual, teatro popular, formação em educação popular, ação cultural e participação social.

Não é por acaso que a expressão educação popular, ação cultural e participação social tenha aparecido reunida no próprio projeto. Há aí uma compreensão de que essas três dimensões podem constituir partes de um mesmo processo.

A educação popular ajuda a compreender a realidade, a ação cultural cria possibilidades de expressão e criação, e a participação social permite que os sujeitos intervenham na realidade que ajudaram a compreender.

Essa relação aparece de forma ainda mais explícita no texto do Seminário de Educação Popular, Ação Cultural e Participação Social publicado pelo Blog em setembro de 2026. Ali se afirma que uma oficina, um cineclube, uma apresentação artística, uma mostra cultural ou uma reunião comunitária podem constituir espaços de exercício da cidadania quando articulados a processos de formação e participação.

Essa talvez seja uma das formulações mais importantes para compreender o sentido de culturalizar a política.

Porque significa reconhecer que a política também pode aprender com os processos culturais, com a escuta, a criação coletiva, a diversidade, a memória, a capacidade de conviver com diferentes linguagens, a construção horizontal de conhecimentos e a valorização dos saberes produzidos nos territórios.

E, sobretudo, pode aprender que participação não é apenas estar presente em uma reunião ou votar em uma eleição. Participar é também produzir conhecimento, formular perguntas, criar propostas, disputar prioridades, acompanhar decisões, exercer controle social e construir coletivamente os sentidos daquilo que é público.

Nesse ponto, a trajetória da Rede Sergipe de Pontos de Cultura oferece outro exemplo. As reuniões registradas no Blog mostram uma preocupação que vai muito além da organização de eventos: discutir governança, formação, participação, comunicação, democracia cultural, controle social e capacidade de incidência.

O evento é importante, mas o que acontece antes e depois dele pode ser ainda mais importante. Quem participa da construção? Quem decide? Como as decisões são registradas? Como os resultados retornam para a comunidade? O que permanece? Que rede foi fortalecida? Que novos sujeitos apareceram?

Essas perguntas ajudam a distinguir uma política cultural baseada apenas na programação de uma política cultural baseada em processos de cidadania.

Talvez por isso a memória ocupe lugar tão importante nessa trajetória.

O próprio Blog reconhece sua função como guardião de parte da memória das políticas culturais, da gestão, da produção e da ação cultural em Sergipe. Em publicação de 2026, ao fazer um balanço de sua trajetória, identifica uma passagem da divulgação cultural para a reflexão crítica sobre a cidade, chegando à participação cidadã e à memória coletiva.

Essa passagem é reveladora.

Guardar memória também é fazer política, não a política partidária, mas a política como disputa sobre aquilo que uma sociedade considera digno de lembrar, preservar e transmitir às novas gerações.

Quando uma experiência desaparece porque ninguém a registrou, uma parte da história social desaparece com ela. Quando uma experiência é documentada, organizada e disponibilizada, ela pode voltar a ser interrogada, reinterpretada e utilizada por outras gerações.

Por isso, cultura digital também pode ser política de memória.

O Blog da Cultura é, nesse sentido, mais do que um arquivo de notícias. Ele funciona, ainda que de maneira incompleta e em permanente construção, como uma espécie de arquivo vivo de experiências culturais e políticas de Sergipe.

E talvez seja justamente aí que a ideia de politizar a cultura e culturalizar a política encontre sua expressão mais profunda.

Não se trata de escolher entre cultura e política, mas de superar essa falsa separação.

Porque uma política sem cultura pode até administrar recursos, organizar instituições e executar programas, mas corre o risco de perder a capacidade de compreender os significados, os afetos, as memórias e os imaginários que movem uma sociedade.

E uma cultura que se recusa a reconhecer sua dimensão política pode produzir obras, eventos e experiências importantes, mas corre o risco de não perceber as condições sociais que determinam quem pode criar, quem pode acessar, quem pode circular e quem permanece excluído.

Politizar a cultura é perguntar pelo poder que atravessa a cultura. Culturalizar a política é perguntar pela cultura que atravessa o poder.

Entre essas duas perguntas existe um vasto território de possibilidades.

É nele que podemos situar a Ação Cultural.

Uma organização que nasceu do encontro entre artistas, produtores culturais e educadores, que passou por dança, teatro, audiovisual, cineclube e hip-hop, que trabalhou com crianças, adolescentes e jovens das periferias, que participou da construção de redes e Pontos de Cultura e que mantém no Blog uma parte significativa dessa memória, não precisa inventar artificialmente uma teoria para justificar sua trajetória.

A teoria pode ser encontrada, em grande medida, nas próprias práticas.

Ela está na oficina que vira espaço de formação, no cineclube que vira roda de conversa, no audiovisual que vira ferramenta de leitura do território, na memória que vira instrumento de compreensão do presente, no Ponto de Cultura que vira espaço de organização comunitária, na audiência pública que deixa de ser mera formalidade e passa a ser espaço de disputa democrática, na rede cultural que procura não apenas existir, mas construir capacidade de incidência.

E está também no próprio Blog da Cultura, quando ele transforma acontecimentos culturais em perguntas sobre a cidade, a democracia, a memória e as políticas públicas.

Talvez seja por isso que politizar a cultura e culturalizar a política possa ser entendido não como uma palavra de ordem, mas como uma perspectiva de trabalho.

Uma perspectiva que recupera a política em seu sentido mais nobre: a construção coletiva da vida comum.

Uma política que não reduz o cidadão ao eleitor, uma cultura que não reduz o cidadão ao público e uma ação cultural que não reduz as pessoas ao papel de beneficiárias.

Porque, no final das contas, democratizar a cultura não é somente fazer com que mais pessoas tenham acesso aos bens culturais. É criar condições para que mais pessoas possam criar, interpretar, participar, decidir e transformar.

E talvez seja justamente isso que significa, no sentido mais profundo, politizar a cultura e culturalizar a política.

E depois da leitura, fica o convite que a própria canção nos inspira a fazer: não deixe esse pensamento terminar aqui. Leve-o para a conversa com os amigos, para a família, para os espaços de participação, para a decisão que cada um tomará nas eleições e, principalmente, para depois delas. Porque talvez a democracia precise menos de certezas definitivas e mais de cidadãos dispostos a pensar, repensar e continuar pensando, de vez em quando, sobre aquilo que fizeram, sobre aquilo que escolheram e sobre o país que estão ajudando a construir.

Pense n'eu

Pense n'eu

Pense n'eu quando em vez coração

Pense n'eu vez em quando

Onde estou, como estarei

Se sorrindo ou se chorando

Se sorrindo ou se chorando

Pense n'eu vez em quando

Pense n'eu vez em quando

Pense n'eu quando em vez coração

Pense n'eu vez em quando

Onde estou, como estarei

Se sorrindo ou se chorando

Se sorrindo ou se chorando

Pense n'eu vez em quando

Pense n'eu vez em quando

'To na estrada, 'to sorrindo apaixonado

Pela gente e pelo povo do meu país (olêlê)

'To feliz pois apesar do sofrimento

Vejo um mundo de alegria bem na raiz (vamos lá)

Alegria muita fé e esperança

Na aliança pra fazer tudo melhor (e será)

Felicidade o teu nome é união

E povo unido é beleza mais maior

Pense n'eu quando em vez coração

Pense n'eu vez em quando

Onde estou, como estarei

Se sorrindo ou se chorando

Se sorrindo ou se chorando

Pense n'eu vez em quando

Pense n'eu vez em quando

'To na estrada, 'to sorrindo apaixonado

Pela gente e pelo povo do meu país (olêlê)

'To feliz pois apesar do sofrimento

Vejo um mundo de alegria bem na raiz (vamos lá)

Alegria muita fé e esperança

Na aliança pra fazer tudo melhor (e será)

Felicidade o teu nome é união

E povo unido é beleza mais maior

Pense n'eu pense n'eu

Pense n'eu pense n'eu

Pense n'eu pense n'eu

Para continuar pensando

1. Refundação da Ação Cultural
Apresenta a concepção de Teixeira Coelho sobre ação cultural como criação das condições para que pessoas e grupos possam inventar seus próprios fins no universo da cultura. É a porta de entrada conceitual para toda a reflexão.

2. Pontos de Cultura: uma tentativa de mapeamento do Estado de Sergipe
Uma pesquisa que ajuda a compreender a experiência concreta dos Pontos de Cultura em Sergipe, suas dificuldades, seus impactos nas comunidades e os desafios para a organização em rede.

3. Cineclube Realidade e Fratelli Tutti em ação
Mostra, na prática, como cinema, audiovisual, teatro e formação podem ser articulados à reflexão cidadã e à participação comunitária, particularmente junto a crianças, adolescentes e jovens do Bairro Industrial.

4. A questão da participação e controle social dos fazedores de cultura em razão da Política Nacional de Cultura Aldir Blanc
Coloca diretamente em discussão quem participa das decisões sobre as políticas culturais, como os representantes são escolhidos e quais condições são necessárias para que a participação e o controle social sejam efetivos.

5. Cultura, Educação Popular e Participação Social: Construindo Cidadania nos Territórios
É a formulação mais recente e talvez a que melhor sintetize a perspectiva apresentada no artigo: educação popular, ação cultural e participação social como dimensões de um mesmo processo de construção da cidadania cultural.

Uma das possibilidade de chegada a partir da canção e do artigo acima: 



segunda-feira, 28 de setembro de 2026

A lição de Gonzaguinha: sem cultura, educação e comunicação popular, não se enfrenta o projeto de recolonização

 Ontem, domingo,  27/09,  fui mais uma vez assistir ao documentário Gonzaguinha – Da Maior Liberdade  no Cinema do Centro. E posso garantir: é da maior necessidade, para um povo que se vê mais uma vez em uma encruzilhada para escolher seu destino como nação — e não será a primeira vez. Foi assim em 2022, está sendo assim neste ano e, com a provável vitória de Lula, será assim novamente em 2030. Talvez com uma intensidade menor do que foi em 2022 e agora, a depender da prioridade a cultura, a  educação e a comunicação popular , inclusive a cultura digital e a midia livre,  em um provável governo Lula 4, 


No caso de derrota do projeto civilizatório e soberano representado por Lula e de vitória do projeto de barbárie e recolonização representado por Flávio Bolsonaro, dificilmente o Brasil reunirá as condições para sair do abismo a que será lançado.

Mas, assistindo a Gonzaguinha e pensando ao final, para diminuir a intensidade desse sentimento de angústia e sofrimento que vivemos em 2022 e agora, reiteramos como uma mantra, será preciso uma real compreensão da importância da cultura, da educação e da comunicação popular para alcançarmos esse intento. E aqui, três medidas são urgentemente necessárias:

1) O apoio maciço, com orçamento, à democratização da produção e da circulação do audiovisual brasileiro. Muitos exemplos reforçam este apelo, como a incrível quantidade de bons filmes brasileiros  que tem sido lançados nestes primeiros anos da retomada da democracia e do investimento em arte e  cultura como realizado no governo Lula 3, mas é preciso mais. E, no caso da circulação, especial atenção à construção e manutenção das salas de cinema de rua, à criação e manutenção de cineclubes e ao reforço da divulgação do streaming público "Tela Brasil", em especial junto aos professores, estudantes e beneficiários dos programas sociais. No caso das escolas, uma atenção muito especial à exibição da nossa produção audiovisual, o que exige não apenas formação dos professores, desde a graduação, mas também investimento em salas e equipamentos de qualidade para exibição dentro das escolas e com protagonismo dos estudantes.

2) Retomada urgente do caminho de soberania digital, iniciado nos dois primeiros governos do presidente Lula, quando nem mesmo a palavra soberania estava na ordem do dia, mas, para além da retórica, os fatos correspondiam à ideia, lembrando Cazuza.

Dessa maneira, das ações micro, como o letramento digital, às ações macro, como a regulação das grandes plataformas e a construção de uma rede de internet soberana, com envolvimento do maior número de pessoas nessa discussão, faz-se urgente e necessário.

E, para isso, é preciso trazer para o centro do debate e das decisões ativistas e/ou pesquisadores que atuam de forma qualificada e engajada com a cultura digital — e temos mais de uma centena no Brasil.

De volta a Gonzaguinha - Da Maior Necessidade, em termos da motivação para assistir ao filme pela segunda vez, o que me levou a isso foi a forma como a diretora e a equipe do filme souberam captar os momentos difíceis de um tempo de ditadura, com tudo de ruim que isso pode significar — como a censura que atingia de forma ridícula jornalistas, intelectuais e artistas como Gonzaguinha, como é tão bem demonstrado no filme —, mas ao mesmo tempo a alegria de viver, de resistir, de burlar a tirania, de se divertir, em meio ao clima de perigo reinante. Enfim, personagem e filme que bem retrataram o espírito de um tempo. 

E, para sintetizar com um pensamento bem formulado acerca da maior necessidade a que me refiro na introdução desta nota, trago o que afirmou o professor Romero Venâncio (UFS):

"Uma esquerda que não sabe organizar sua memória e aprender com a memória dos de baixo sofrerá num eterno presente e frustrará o futuro..."

  https://acaoculturalse.blogspot.com/2019/03/sobre-ditadura-civil-militar-de-1964.html?utm_source=chatgpt.com

Para quem quiser se aprofundar em dois dos assuntos centrais do texto acima , recomendo:

Sobre o que são Cineclubes e sua importância.

Os cineclubes surgiram nitidamente em resposta a necessidades que o cinema comercial não atendia, num momento histórico preciso.

https://cineclubedesertoverdedotorg2.wordpress.com/cineclubismo/principios-por-felipe-macedo/

Sobre Soberania Digital


https://decalogo.soberania.digital/ 
 Em um momento decisivo do processo eleitoral,  um programa para a autonomia tecnológica do país, em busca do compromisso de candidatos nestas eleições. 
 Cultura Digital: O que foi, o que será. 

Por Célio Turino.

 Num poema político, a história interrompida de um Brasil-vanguarda. Software livre, jovens hackers, pontos de cultura. Um dos semeadores desta época reconstitui a efervescência das redes – hoje “fio partido” que precisa ser reconstruído.

https://acaoculturalse.blogspot.com/2025/06/cultura-digital-o-que-foi-o-que-sera.html

Quatro publicações de agosto e setembro de 2026 no blog  da cultura sobre  Gonzaguinha, da Maior Liberdade.

1. “Vamos lotar as salas de exibição de ‘Anistia 79’ e ‘Gonzaguinha: Da Maior Liberdade’...”

LEIA TAMBÉM:

25 de agosto de 2026

Ler o artigo no Blog da Cultura

O filme é apresentado como parte de uma retomada da memória recente do Brasil, ao lado de Anistia 79. O artigo chama atenção para o fato de o documentário transformar Gonzaguinha em personagem político e libertário e relaciona sua obra à necessidade de enfrentar a “crônica falta de memória” brasileira.

Um eixo importante é a música “Pequena Memória para um Tempo sem Memória”, utilizada como chave para pensar o filme e a própria disputa pela memória histórica.


2. “Por que assistir a cinebiografia sobre o genial Gonzaguinha: Da maior liberdade. Melhor doc. do Festival de Cinema de Gramado?”

1º de setembro de 2026

Ler o artigo no Blog da Cultura

Destaca a repercussão do documentário no 54º Festival de Cinema de Gramado, incluindo o Kikito de Melhor Longa-Metragem Documentário. A publicação reúne informações sobre o filme e várias músicas de Gonzaguinha, entre elas “Comportamento Geral”, “Pequena Memória para um Tempo sem Memória”, “Caminhos do Coração”, “E Vamos à Luta” e “É”.

O texto também coloca em primeiro plano a pergunta sobre que artista é Gonzaguinha para o Brasil de hoje, aproximando sua obra da memória política e cultural brasileira.


3. “Por que devemos lotar a sala Walmir Almeida / Cinema do Centro para assistir Gonzaguinha – Da maior liberdade?”

18 de setembro de 2026 — por Zezito de Oliveira

Ler o artigo no Blog da Cultura

Apresenta Gonzaguinha como um dos principais artistas da geração dos festivais e reúne informações sobre sua trajetória, sua relação com a música de protesto e a ditadura.

Além da análise do filme, o artigo cumpre uma função de mobilização do público para o Cinema do Centro, chegando a informar sessões e também outras cidades brasileiras onde o documentário estava em cartaz.


4. “Dicas do Blog da Cultura para este sábado e domingo em Aracaju...”

19 de setembro de 2026

Ler a publicação no Blog da Cultura

Aqui Gonzaguinha aparece dentro de uma agenda cultural de fim de semana, com destaque para a exibição do documentário no Cinema do Centro. A publicação retoma a informação de que o filme recebeu o Kikito em Gramado e apresenta a crítica publicada no G1, que caracteriza Gonzaguinha como um artista político e libertário.

O texto articula o filme com Anistia 79 e com a ideia de que o cinema pode contribuir para combater a perda da memória histórica brasileira.


Uma publicação posterior 

“(4) Lula na ONU e as músicas ‘Comportamento Geral’ e ‘É’ de Gonzaguinha como duas das 13 para pensar o Brasil que merecemos depois do dia 04 de outubro” — 23 de setembro de 2026.

Ler no Blog da Cultura

Este texto já ultrapassa o filme propriamente dito. Gonzaguinha passa a ser utilizado como referência para pensar o Brasil contemporâneo, especialmente através de “Comportamento Geral” e “É”.


Frei Betto: ameaçam cassar Aparecida & Marcelo Barros: Aparecida, as eleições e a Democracia

Senhora Aparecida, Mãe negra encontrada nas águas do rio Paraíba, que não pediste concurso público para ser padroeira, nem fizeste campanha eleitoral, nem prometeste emendas parlamentares… olhai por nós, que andamos perdidos entre tantos que querem cassar o que não lhes pertence. Intercedei por este Brasil que te quer Mãe, mas que ainda não aprendeu a honrar os filhos que tu preferes: os pobres, os negros, os excluídos, os que não têm voz. Ensinai-nos, Senhora, que padroeira não é cargo eletivo, não recebe salário e não depende de reeleição. E quando terminarem de discutir o teu título, lembrai-lhes — e a nós — que ainda falta discutir a fome, a pobreza, o feminicídio, o racismo, a desigualdade e o abandono. Que a tua fé nos guie para escolher a Democracia, a Justiça ecossocial e a Paz. Amém.

Da indiferença às pautas populares ao preconceito de classe, as razões pelas quais a devoção a Aparecida permanece inalcançável para os políticos

  Frei Betto - Revista Opera - 27 de setembro de 2026 -

O racismo e a intolerância religiosa da família Bolsonaro e de seus aliados voltam a se manifestar na proposta de um deputado do PL, partido de Flávio Bolsonaro, de cassar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. (Foto: Gustavo de Oliveira / Arquidiciocese do Rio)

O racismo e a intolerância religiosa da família Bolsonaro e de seus aliados voltam a se manifestar na proposta de um deputado do PL, partido de Flávio Bolsonaro, de cassar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. (Foto: Gustavo de Oliveira / Arquidiciocese do Rio)

Em abril de 2017, no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro, ao se referir a uma visita a um quilombo, contou: “O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Acho que nem para procriador ele serve mais.” Bolsonaro usou uma unidade de peso associada a animais para se referir a quilombolas. A fala provocou denúncia da então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que considerou desrespeitoso o uso de “arrobas” para pessoas negras por tratá-las de maneira comparável a animais. 

Em julho de 2018, já candidato à Presidência, Bolsonaro foi novamente questionado sobre racismo, e ao ser perguntado sobre uma eventual dívida histórica do Brasil com a população negra, respondeu: “Não escravizei ninguém”. Na mesma entrevista, acrescentou: “Foram os próprios negros que entregavam os escravos”.

Também durante a campanha, defendeu o fim das reservas indígenas e quilombolas: “Se eu chegar lá, não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola.”

O racismo e a intolerância religiosa da família Bolsonaro e de seus aliados voltam a se manifestar na proposta de um deputado do PL, partido de Flávio Bolsonaro, de cassar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

Nossa Senhora Aparecida, que andava entretida em explicar a um grupo de devotos que não existe “Aparecida do Norte”, pois o município paulista fica no Sul e desde que se emancipou de Guaratinguetá, em 1928, é denominado apenas Aparecida, ficou preocupada com a notícia da ameaça de cassação. E, convenhamos, até uma santa pode ficar indignada quando descobre que seu cargo está sendo discutido no Congresso.

“Mas desde quando preciso de concurso público para ser padroeira?”, teria perguntado a Virgem ao ajeitar o manto azul. “Não lembro de ter feito campanha eleitoral, distribuído santinhos ou prometido emendas parlamentares.”

A história, aliás, não começou agora. Em 16 de julho de 1930, o papa Pio XI proclamou Nossa Senhora Aparecida padroeira do Brasil, a pedido dos bispos brasileiros. A solenidade pública ocorreu em 1931, no Rio de Janeiro, diante de autoridades e de uma multidão de fiéis. Aparecida, portanto, estranha a notícia de que alguns políticos pretendem retirá-la do posto.

“Que fiz eu de errado?”, pergunta. Talvez seja o imperdoável pecado de ser negra. Afinal, a pequena imagem encontrada em 1717 nas águas do rio Paraíba é negra e há quem ainda se incomode com a presença dos negros ocupando lugares de honra.

Talvez o problema seja ela não pertencer a partido algum. Não é de esquerda nem de direita. Não se filiou ao PT, ao PL, ao PSOL, ao centrão ou a qualquer outra legenda. Nunca pediu fundo partidário. Nunca disputou eleição. E, sobretudo, jamais prometeu aquilo que político adora assegurar se for eleito: o milagre de resolver todos os problemas do Brasil em quatro anos.

Outro detalhe desconcertante é Aparecida ter a preferência de pobres. Isso complica sua permanência no cargo. Segundo a própria tradição católica, sua devoção tornou-se um elo de união entre diferentes grupos do povo brasileiro e é associada à solidariedade, à fraternidade e à atenção aos mais pobres. 

Ora, convenhamos, uma santa que insiste em defender os excluídos pode causar certo desconforto em ambientes onde a população carente costuma ser levada em conta apenas em época eleitoral. Aparecida talvez também esteja intrigada com a ideia de que políticos possam cassar aquilo que não lhes pertence. “Fui encontrada por pescadores, venerada pelo povo, proclamada Padroeira pela Igreja e reconhecida oficialmente pelo Estado brasileiro. E agora um político imagina que pode me demitir?”

Em 1980, a Lei nº 6.802 decretou o dia 12 de outubro feriado nacional dedicado à devoção a Nossa Senhora Aparecida e reconheceu oficialmente sua condição de padroeira do Brasil. Portanto, se algum parlamentar quiser realmente votar sua cassação, sugiro que providencie antes uma CPI.

Primeiro, ouviriam a acusada: “A senhora confirma que é Padroeira do Brasil?” “Confirmo”. “Tem consciência de que esse título poderá ser retirado?” “Tenho”. “E pretende recorrer?” “Não. Prefiro deixar que o povo decida no coração”. Silêncio no plenário. Então alguém perguntaria: “A senhora tem alguma consideração final?” E Aparecida, talvez sorrindo debaixo do manto azul, responderia: “Tenho. Quando terminarem de discutir meu título, sugiro que comecem a discutir a fome, a pobreza, o feminicídio, o racismo, a desigualdade e o abandono dos que não têm voz.” Silêncio no plenário.

Talvez algum deputado cochichasse: “Essa santa está ficando política demais.” Ao que outro reagiria: “Não. Nós é que esquecemos que política deveria servir ao povo.”

Aparecida, então, voltaria tranquilamente para seu altar. Afinal, padroeira não é cargo eletivo, não recebe salário e não depende de reeleição. E, se algum dia perder o título oficial, continuará sendo aquilo que os pescadores encontraram há mais de trezentos anos no rio Paraíba: uma pequena imagem negra que, desde então, o povo brasileiro insiste em chamar de Mãe.

(*) Frei Betto é escritor, autor da tetratologia sobre Jesus editada pela Vozes (Jesus Militante, Jesus Rebelde, Jesus Revolucionário e Jesus Amoroso), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org

Marcha Final (De Banzo E De Esperanca) / Invocao A Mariama

Aparecida, as eleições e a Democracia


Marcelo Barros

O candidato do mal e do entreguismo foi acusado de estar planejando, se for eleito, retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de “padroeira do Brasil”. Isso nem poderia ser verdade, já que se trata de uma distinção dada pela hierarquia católica e só essa poderia mexer nisso. A única coisa que um presidente da República pode fazer seria abolir o feriado nacional de 12 de outubro, dia da festa de Nossa Senhora Aparecida. O feriado nacional foi decretado pelo General Figueredo em 1980 e isso é sim da competência do governo federal.

Um Presidente que pretendesse retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil suscitaria a revolta da maior parte da hierarquia católica e de grande parte do povo brasileiro, católico ou não. Do lado evangélico, muitos irmãos e irmãs de Igrejas histórias e pentecostais não entrariam diretamente na polêmica, mas poderiam pronunciar-se pela defesa da cultura popular brasileira, ligada a Aparecida.

Provavelmente, o candidato em questão conseguiria o apoio de numeroso grupo de evangélicos e pentecostais que veem na devoção à Aparecida, um fenômeno de superstição e idolatria, contrária ao Evangelho de Jesus.

No entanto, além dessa questão conjuntural, o tal boato falso revelou algo mais profundo e mais preocupante: muitos católicos reagiram a essa notícia, exatamente, como a massa católica reagiu em 1931, quando, pela influência de Dom Sebastião Leme, cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, o Papa Pio XI proclamou Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e no ano seguinte, 1931, na data de 12 de outubro, no Rio de Janeiro, o cardeal inaugurou a estátua do Cristo Redentor no morro do Corcovado.

Naquela época o que estava em jogo era a influência da hierarquia católica no país. Ao fazer Nossa Senhora Aparecida padroeira do Brasil e inaugurar a estátua do Cristo Redentor no Corcovado, o Cardeal Leme, maior líder católico no Brasil, garantiu o prestígio e a força política necessária para impor ao governo e à sociedade laica os interesses do clero e o poder da Igreja Católica no país, ainda então, considerado católico. O sistema de Cristandade, isso é, de uma Igreja ligada ao Estado como poder e que se expressa como religião civil já não existia desde os tempos do Império, mas a cultura continuava a mesma.

E agora, o que está em jogo? É triste perceber que, em pleno século 21, nesse contexto de mundo em que vivemos, essa cultura de dominação católica e de religião de massa continua, não apenas nos círculos católicos mais tradicionais, mas mesmo nos meios eclesiais mais abertos e comprometidos com a renovação eclesial e do mundo. Não percebem que continuar na cultura de Cristandade não só não é justo com o pluralismo cultural e religioso do povo brasileiro, como não faz bem nem à própria Igreja. Além de que isso nada tem a ver com o projeto de Jesus, não rompemos com o colonialismo ainda impregnado na cultura de Cristandade.

Atualmente, todas as pessoas conscientes concordam que o Brasil é um Estado laico e deve continuar laico. Portanto, o povo brasileiro tem todo o direito de ter a religião que quiser seguir, ou nenhuma. A liberdade religiosa está assegurada pela atual Constituição Federal de 1988. Essa parte mais lúcida da sociedade reage quando escuta pastores pentecostais sugerirem que tal cidade pertence ao Cristo e expressarem que sonham com um Brasil pentecostal.

No entanto, grande parte dessa lucidez não aparece, quando se trata de defender um Brasil católico, com feriados católicos e privilégios para a Igreja Católica, assegurados pela Concordata com o Vaticano.

Pessoalmente, imagino que Maria de Nazaré, discípula do filho Jesus e esse mesmo, no seu intento de testemunhar ao mundo o projeto divino, estejam pouco preocupados com títulos como esse de padroeira do Brasil e prefiram ver o nosso povo empobrecido mais consciente dos seus direitos e mais capaz de votar para continuar a luta por uma mais profunda e  verdadeira democracia, laica e pluricultural.

Comparando os dois candidatos a presidente com real chance de serem eleitos, é óbvio que com Lula estará assegurado o caminho para garantirmos o regime democrático, a luta por direitos do Povo e da Natureza e a luta para que, de fato, o Brasil continue a ser um Estado laico. O outro candidato tem evidentes relações com milicianos, com a corrupção em muitos casos e, inúmeras vezes, já declarou que pretende colocar o Brasil de joelhos, diante dos Estados Unidos.

Em muitos países, a tentação de um governo ditatorial e de tendência fascista tem sido característica da extrema-direita. O Brasil não pode cair nesta vala, que trará a amputação da democracia e cortes brutais em direitos trabalhistas, previdenciários, humanos e ambientais, conquistados nas últimas décadas, com muita luta, suor e sangue. Que, nessa hora grave das eleições presidenciais, estaduais e de grande parte do legislativo nacional, a fé e a espiritualidade de todas as religiões e caminhos humanos nos guiem para escolher a Democracia, a Justiça ecossocial e a Paz.

O Irmão Marcelo Barros (nascido em Camaragibe, PE, em 27 de novembro de 1944) é um monge beneditino, teólogo da libertação, biblista e escritor brasileiro, amplamente reconhecido por sua dedicação às causas sociais e ao diálogo inter-religioso.

Play List Salve Maria! Com a MPB secular e com a MPB católica. Por Zezito de Oliveira

Uma seleção que atravessa o sagrado e o cotidiano, a fé e a vida social, o terreiro e o asfalto, o sertão e o morro. De Luiz Gonzaga a Renato Teixeira, de Herivelto Martins a Roberto e Erasmo, de Cacaso e Wisnik a Padre Zezinho,Zé Vicente e Padre Marcelo Rossi.

Maria de Nazaré. Nossa Senhora Aparecida. Maria Marlene, minha mãe. Todas as Marias. 🙏

Porque Deus é amor, no sentido jesuânico — o amor que gera vida.

 

domingo, 27 de setembro de 2026

Nossa Senhora Aparecida: patrimônio cultural do povo brasileiro. Célio Turino (*)


Ela não veio do céu numa carruagem de ouro. Veio do rio, presa numa rede de pesca. Não foi encontrada inteira: foi encontrada quebrada. E o povo a fez inteira. 🌊✨

Nossa Senhora Aparecida é patrimônio cultural do povo brasileiro. Mais que uma imagem, é a forma popular de dizer que ninguém se salva sozinho.

A rede trouxe a imagem.
A imagem trouxe a comunidade.
A comunidade trouxe a festa.
A festa trouxe a memória.
E a memória, quando permanece viva, torna-se patrimônio. 💙

Mãe negra encontrada por pescadores. Mãe que acolhe todos os filhos. Mãe que não divide seus filhos: chama para a mesa, e em mesa de Mãe sempre cabe mais um. Até o Brasil inteiro. 🇧🇷

Daniela Lima: Igreja Católica já monitorava ataques a Nossa Senhora.




Em defesa do Estado laico: a necessária reação católica ao projeto teocrático bolsonarista

Na máquina de moer carne do debate público brasileiro, nem toda polêmica nasce do nada. O rumor de que Flávio Bolsonaro retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil pode não ter prova (ele vai ajudar a construir uma teocracia via STF, mas isso é outra história), mas a história ganhou fôlego nas redes por algo real: o temor sobre o comportamento do filho de Jair junto a temas importantes para setores da Igreja Católica. Estes criticam o seu desprezo pelos direitos dos mais pobres e temem pelo próprio catolicismo diante de um projeto de poder ligado a lideranças fundamentalistas.

Há precedentes que alimentam essa desconfiança. Um projeto antigo tentou rebaixar Nossa Senhora e foi apresentado pelo pastor Victório Galli, que depois foi assessor na Presidência de Jair. Some-se a isso a expansão da chamada Teologia do Domínio, que defende a conquista de áreas como política, educação, mídia e cultura para submetê-las a uma visão religiosa conservadora. O cenário se conecta aos ataques que o papa Leão 14 vem sofrendo por parte da extrema direita global. Para ele, um domínio trumpista sobre a América Latina, de maioria católica, vai piorar esse quadro. 

Ao tentar conter a crise, Flávio pediu censura ao TSE contra publicações críticas, inclusive postagens que nem sequer o acusavam diretamente de chutar a santa, como as de Antonio Tabet e de Erika Hilton. Depois, pressionado pela repercussão negativa entre católicos, acusou a CNBB, sem provas, de participar de uma campanha contra ele. Em resumo: atacou a Igreja para provar que não atacou a Igreja.

A diferença para 2018 é decisiva. A “Mamadeira de Piroca” era ficção absoluta, criada pelo bolsonarismo para espalhar pânico moral contra Fernando Haddad e minorias. Já a polêmica de 2026, embora falsa como acusação específica, cresce como sintoma de um temor real: o de que direitos, soberania, símbolos católicos e o próprio Estado laico sejam atropelados por um projeto aliado a radicais dispostos a impor sua visão de mundo.  Leia o restante do texto na minha coluna no UOL, link na bio.

O que é a CNBB, entidade católica criticada por Flávio Bolsonaro


Relatório entregue à CNBB pela Comissão Brasileira de Justiça e Paz reúne 58 episódios desde 2018 que a entidade classifica como ataques da extrema direita contra católicos.
Leia AQUI

Fui Conferir a Fake News de Nossa Senhora e Achei Isso


DANIELA LIMA É ENVOLVIDA EM FAKE NEWS CONTRA LULA | PLANTÃO