sexta-feira, 2 de outubro de 2026

MANIFESTO DO BLOG DA CULTURA EM DEFESA DE DOM VICENTE FERREIRA


Em defesa da Igreja, da democracia, da cultura e da dignidade de um pastor

O Blog da Cultura, espaço de reflexão sobre ações culturais de base comunitária, teologia da libertação, direitos humanos e ecologia integral, vem a público manifestar sua solidariedade e defesa de Dom Vicente de Paula Ferreira, bispo da Diocese de Livramento de Nossa Senhora (BA), presidente da Comissão Especial para Ecologia Integral e Mineração da CNBB, psicanalista, poeta, compositor e escritor.

Repudiamos com veemência a reação descompensada de Allan dos Santos, foragido da Justiça brasileira e abrigado nos EUA, que publicou vídeo com palavrões, insultos homofóbicos e referências de teor sexual contra Dom Vicente e os bispos da CNBB. Ao chamar o bispo de "besta fera" e "cloaca de Satanás", Allan atacou não apenas um homem, mas a própria Igreja e a democracia brasileira.

Uma situação como essa nos lembra que a extrema direita fareja o risco de derrota iminente nestas eleições e, com esse tipo de atitude, aumenta ainda mais essa possibilidade. O desespero não se converte em autoridade; a violência não se converte em verdade.

Em outros tempos, entre muitos exemplos de ataques a bispos brasileiros defensores da democracia e dos direitos humanos, está o caso do bispo da Diocese de Nova Iguaçu, Dom Adriano Hipólito, sequestrado em 22 de setembro de 1976 por seis homens armados, encapuzado, algemado e torturado, sendo depois abandonado nu em um matagal em Jacarepaguá, com o corpo pintado de vermelho e sob a acusação de comunista. Seu carro foi destruído em uma explosão perto da CNBB, na Glória, e nenhum dos envolvidos foi jamais identificado ou punido.

Na  década de 1980, no sertão de Sergipe, o bispo Dom José Brandão de Castro e os padres da Diocese de Propriá também sofreram uma escalada de violência por sua opção preferencial pelos pobres. A catedral foi invadida durante uma missa, com padres e leigos ameaçados de morte por fazendeiros e políticos locais; a igreja de Canhoba foi ocupada e o próprio bispo sofreu um atentado ao lado de jornalistas da BBC, além de ameaças de morte dirigidas a ele e aos padres Nestor Matheus e Enoque. 

A diferença é que hoje a agressão ganha megafone nas redes e tenta transformar o desespero em intimidação. Mas, ao atacar uma voz da Igreja, a extrema direita não cala os bons pastores: expõe sua própria fragilidade e amplia o isolamento que diz querer evitar.

Dom Vicente Ferreira não é apenas um nome atacado: é um homem íntegro, pastoralmente comprometido com o projeto de amorosidade dos pontificados do Papa Francisco e do Papa Leão XIV, qualificado intelectualmente e poeta criativo, crítico e sensível. Sua atuação à frente da Comissão de Ecologia Integral e Mineração da CNBB, seu acompanhamento das vítimas de Brumadinho e seu compromisso com a defesa da vida e da Casa Comum revelam um pastor que pensa, sente e serve.

Neste manifesto, o Blog da Cultura nomeia os atores políticos, sociais, culturais e religiosos que se solidarizam com Dom Vicente Ferreira:

No campo religioso e eclesial: A Comissão Episcopal para a Ecologia Integral e Mineração da CNBB, que manifestou "solidariedade e comunhão com seu ministério episcopal"; as Pastorais Sociais do Regional Nordeste III da CNBB (Bahia e Sergipe); o Regional Norte 1 da CNBB; o Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP); a Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Bahia; a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil); o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC-MG); a Cáritas Brasileira Regional MG; e o padre jesuíta Bruno Franguelli, que conclamou os católicos à "consciência da gravidade" do momento.

No campo social e de direitos humanos: O Movimento Nacional de Fé e Política; a Rede Brasileira de Fé e Política; o Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara; o ISER Assessoria; o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM); o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); o Conselho Nacional de Leigos e Leigas do Brasil (CNLB); a Comissão Arquidiocesana Justiça e Paz da Arquidiocese de BH; o Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo; e o Instituto de Pastoral Vocacional.

No campo acadêmico e cultural: O Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas; o Anima/PUC Minas; o NEPAC/PUC Minas; o CEFAP/PUC Minas; a Academia de Juristas Católicos Humanistas da Arquidiocese de BH; o Movimento AMOR; e o próprio Blog da Cultura, por meio do artigo de Zezito de Oliveira, que denunciou o "isentivismo" da ACI/EWTN na cobertura da crítica de Dom Vicente à Quaresma de São Miguel.

No campo político e institucional: A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que em 2023 concedeu a Dom Vicente o título de cidadão honorário do Estado, destacando "relevantes serviços prestados"; a Câmara Municipal de Poços de Caldas, que aprovou Moção de Apoio ao bispo; e o grupo de parlamentares "Fratelli Tutti", que se encontrou com Dom Vicente em julho de 2025 para reafirmar o compromisso com os pobres e com a justiça.

Por tudo isso, o Blog da Cultura manifesta sua defesa intransigente de Dom Vicente Ferreira. Não aceitamos que o ódio, a mentira e a covardia se apresentem como voz da verdade. A Igreja que ama, acolhe e denuncia a injustiça não se calará. Seguiremos ao lado de seus pastores que defendem a democracia, os direitos humanos, a cultura e a dignidade de todos.

Dom Vicente Ferreira, nossa solidariedade, nosso respeito e nossa oração. Sua voz não será silenciada.

Blog da Cultura

Zezito de Oliveira, editor

Comunhão
















Blog da Cultura eleva o nível do debate sobre política e cultura ao convidar Marcos Santana, candidato a deputado federal, para uma roda de conversa online.

 A ideia surgiu a partir da conversa de um importante líder religioso de Aracaju com o editor do Blog da Cultura, Zezito de Oliveira. Este soube, por meio do líder religioso, da disposição de Marcos Santana em se lançar candidato a deputado federal nestas eleições, com base no legado histórico que construiu como prefeito da quarta cidade mais antiga do Brasil.

Como consequência disso, na manhã desta quinta-feira, o Blog da Cultura realizou um debate ao estilo do programa Roda Viva, da TV Cultura, com Marcos Santana, ex-prefeito de São Cristóvão por oito anos e candidato a deputado federal pelo PSB de Sergipe.

Seu legado baseia-se na seriedade na administração das finanças públicas, na prioridade às questões sociais, educacionais e culturais, além da atenção ao turismo e à geração de emprego e renda. 

Com isso, um documento ancorado nas discussões realizadas no Blog da Cultura, destacando a necessidade de ampliação do  acesso à cultura por parte das populações periféricas, foi entregue há cerca de dois meses a Marcos Santana, que endossou prontamente seu conteúdo. Uma reunião para aprofundar os pontos abordados ficou de ser marcada e aconteceu nesta quinta-feira, conforme informado.

A reunião foi realizada via plataforma Google Meet e reuniu um grupo de dez pessoas envolvidas com ações culturais na periferia, que acompanham as publicações do Blog da Cultura e endossam as demandas nelas levantadas.

Abaixo segue um resumo das questões abordadas. Com a expectativa da vitória de Marcos Santana e do presidente Lula, respectivamente como deputado e presidente, nossa esperança é que o círculo virtuoso das políticas culturais e da gestão cultural — inaugurado pelo presidente Lula quando assumiu a presidência da República em 2003 e por Marcos Santana quando assumiu a prefeitura de São Cristóvão em 2017 — possa continuar crescendo, se consolidando e espalhando benefícios e prosperidade, em especial para as populações de baixa renda. Benefícios como autoestima, senso de pertencimento, bem-estar, criatividade, respeito às diferenças, saúde mental e prosperidade, pela possibilidade de a cultura e a economia criativa gerarem inserção produtiva no mercado de trabalho e na produção de riqueza, seja como assalariado ou como dono do próprio negócio. 

Cultura, eleição e mobilização: Blog da Cultura debate com Marcos Santana

Encontro virtual reuniu dez pessoas e discutiu a carta da Comissão Estadual de Pontos de Cultura, desafios da gestão cultural e estratégias para engajar a juventude.

Na manhã de 1º de outubro de 2026, das 8h às 9h15, o Blog da Cultura promoveu um  encontro  virtual com leitores do blog e  Marcos Santana, ex-prefeito de São Cristóvão por oito anos e candidato a deputado federal pelo PSB de Sergipe. O encontro, realizado via Google Meet, reuniu dez pessoas e teve como fio condutor a política cultural, a mobilização comunitária e os desafios pós eleições 2026

A carta da Comissão Estadual de Pontos de Cultura

Danilo, do coletivo Inferninho, apresentou a carta elaborada pela Comissão Estadual dos Pontos de Cultura, direcionada a candidatos — principalmente deputados federais — com pautas para assinatura e compromisso. O documento é resumido e de fácil apresentação, e o pedido foi para que Marcos Santana o enviasse e assinasse por meio do gov.br.

Os pontos centrais da carta incluem:

  • apoio a projetos de fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura (SNC) e do Plano Nacional de Cultura (PNC);
  • apoio a PECs que estabeleçam dotação mínima para a cultura;
  • emendas federais para pontos e equipamentos culturais municipais;
  • aperfeiçoamento dos processos de incentivo fiscal, como a Lei Rouanet e o audiovisual;
  • projetos de formação cultural para jovens em periferias.

 Marcos Santana sinalizou que receberá e assinará a carta com carinho, comprometendo-se a subscrever projetos em tramitação e a integrar a bancada ou frente parlamentar de cultura na Câmara Federal, caso eleito.

Trajetória e compromissos de Marcos Santana

Marcos Santana apresentou sua trajetória política: militância desde 1983, fundação local do PT, migração ao MDB e atualmente filiado ao PSB, além da atuação como prefeito de São Cristóvão. Destacou sua preocupação com a política cultural e a intenção de atuar de forma legislativa mais ampla em Brasília.

Marcos enfatizou que pretende ser um deputado que atue legislativamente, e não apenas por meio de emendas, construindo e participando de frentes parlamentares de cultura e fortalecendo as políticas culturais nacionais e locais.

Foi ressaltada a relevância de centros comunitários e atividades presenciais, com atrativos culturais e alimentação, para envolver jovens que estão presos nas redes sociais.

Cultura de base, conselhos e participação popular

Danilo explicou sua atuação no Conselho Municipal de Políticas Culturais de São Cristóvão e a importância de fortalecer a participação popular. Ele observou que o Conselho está em processo de consolidação e precisa ser mais utilizado pela sociedade.

Destacou-se o papel transversal da cultura como política de juventude e transformação social, além da necessidade de representação dos pontos de cultura no debate com candidatos e governos. O coletivo Inferninho foi reconhecido por ter recebido grande incentivo de Marcos Santana durante sua gestão como prefeito, assim como outros coletivos culturais juvenis da cidade, que agora apoiam sua candidatura.

Desafios administrativos e burocráticos na gestão cultural

Marcos detalhou dificuldades práticas enfrentadas na gestão cultural municipal: regularização de artistas e grupos para pagamento, problemas com o uso de espaços históricos como o Convento de São Francisco, entraves por normas e autorizações e conflitos com órgãos de proteção do patrimônio.

Entre os exemplos citados, estão restrições de uso de cozinha e apartamentos no Convento, exigências de regularidade para pagamentos que atrasam ou impedem a remuneração de artistas, e tensões entre vontade política e limitações administrativas. Como projeto de longo prazo, Marcos mencionou a transformação de uma casa em ruína num teatro para a cidade de São Cristóvão, preservando a arquitetura local, e o plano de fortalecer a filarmônica municipal e levá-la aos bairros e povoados como política de formação de plateia.

Trabalho, direitos e precarização

Claudionor dos Santos trouxe o debate sobre propostas que afetam trabalhadores, mencionando a escala de trabalho 6x1 que, na prática, tem virado 7x1. Houve críticas à precarização e à tentativa de redução de direitos, com preocupação em relação a projetos e PECs que possam ampliar a exploração.

Marcos comentou o contexto legislativo, citando o surgimento de muitas siglas “de aluguel” e alterações na legislação partidária, como as federações, que modificam as dinâmicas eleitorais. Também foram mencionadas reduções e alterações no número de vagas e nas regras eleitorais. A resposta de Marcos partiu de um comentário e de uma pergunta formulada por Jesse James.

Juventude, presença e formação política

Vários participantes, como João Delmiro e Claudionor dos Santos, reforçaram que muitos jovens estão afastados da política por desinteresse ou pela ausência de canais presenciais. A recomendação foi de um trabalho “de formiguinha”, agregando jovens gradualmente e combinando debates com atividades culturais e alimentação para atrair participação.

João destacou a importância do diálogo comunitário presencial — em centros comunitários, com lanches e atividades — para sensibilizar e formar consciência política. Marcos argumentou que a desmobilização é uma estratégia da direita e defendeu o uso de atividades culturais como porta de entrada para debates políticos e para a formação de plateia e de consciência crítica.

Encaminhamentos e próximos passos

Ao final, foi solicitado o envio da carta da Comissão Estadual para assinatura de Marcos, que reafirmou o compromisso de assiná-la e trabalhar nas pautas apresentadas. Também foi feito um pedido para que o material de campanha — vídeos curtos e materiais sobre cultura e educação — seja compartilhado e distribuído para multiplicar a mensagem nos últimos dias.

Zezito de Oliveira propôs uma reunião pós-eleição com representantes comunitários, equipe e coletivos para discutir a descentralização do FASC e de outros eventos do calendário cultural da cidade, além de projetos de equipamentos culturais, como centros culturais e CEUs, e o acompanhamento das ações como consta em um documento enviado a Marcos Santana há cerca de dois meses.

Memórias, afetos e o simbolismo da filarmônica

Zezito de Oliveira compartilhou uma lembrança pessoal sobre os pais e sua relação simbólica com a banda filarmônica  e com São Cristóvão. Seu pai, José de Deus,  foi músico multi-instrumentista e gostava muito de São Cristóvão , onde a familia teve/tem casa, herança por parte da mãe de Zezito, Maria Marlene, que nasceu na cidade. A fala de Marcos sobre a importância da banda filarmônica de São Cristóvão e a necessidade de levá-la a outros territórios, para além da sede, fez Zezito e Jesse James, seu irmão, que participava da transmissão, conectarem a memória familiar com o trabalho cultural e a campanha.

A reunião terminou com a sensação de que a cultura segue sendo um território estratégico de organização, memória e esperança — e que a mobilização dos próximos dias pode ajudar a transformar esse legado em políticas públicas efetivas com a reeleição de Lula e contribuição dos sergipanos para elevar o nível da representação parlamentar de Sergipe na câmara federal.

 


quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Quem não assistiu a Gonzaguinha no Cinema do Centro ainda tem uma chance neste sábado, às 14h e ainda tem Ran e Terra e Transe

 


Ran (1985), dirigido por Akira Kurosawa, é um épico de drama histórico franco-japonês considerado uma das maiores obras-primas da história do cinema.

Ran: Filme de Akira Kurosawa retorna aos cinemas brasileiros em 4K
Versão remasterizada chega em outubro, comemorando seus 40 anos.

Jean Clemente | 17 de setembro de 2026 às 19:24
O clássico de Akira Kurosawa faz aniversário e quem ganha os presentes são os fãs. Para marcar os 40 anos da estreia de Ran (completados de fato no ano passado), o filme voltará aos cinemas brasileiros remasterizado em 4K. A estreia está marcada para o dia 1º de outubro.


Adaptação da peça Rei Lear, de William Shakespeare (1564-1616), com elementos da história do daimyô Mori Motonari (1497-1571), Ran teve parte de sua produção realizada também na França, sendo lançado em 1985 e estrelado por Tatsuya Nakadai (que também foi protagonista em Kagemusha, do mesmo diretor). No Oscar, ganhou o prêmio de Melhor Figurino, além de concorrer nas categorias de Direção, Fotografia e Direção de Arte.

Na história, acompanhamos os desdobramentos da decisão do chefe de um clã, Hidetora, que elege um de seus três filhos para ser seu sucessor no controle de suas terras. Os demais herdeiros ficam com alguns bens menores e devem obediência ao irmão que se tornou chefe. Saburu Naotora é um dos filhos que ficou com o “resto” da herança e se revolta com a decisão, sendo expulso do feudo, enquanto seu pai vai sendo tomado pela insanidade ao se ver isolado do império que tinha ajudado a criar.

O filme atualmente se encontra disponível no streaming Belas Artes à la Carte, onde chegou recentemente junto de um documentário que acompanha a produção do longa. É o próprio À La Carte quem está por trás da nova distribuição nos cinemas.


Para aprofundar sobre Ran

Roger Ebert — “Ran” (2000)

“Ran” — Roger Ebert

Ebert vai além de dizer que Ran é uma adaptação de Rei Lear: ele percebe no filme uma espécie de reflexão de Kurosawa sobre sua própria vida e sobre o poder, observando a relação entre o velho senhor Hidetora e o próprio diretor, então com 75 anos. Para uma leitura mais política, isso é especialmente fértil: guerra, poder, vaidade, envelhecimento, violência e a tentativa de construir uma ordem que termina produzindo o caos.

O BFI publicou “Kurosawa vs Shakespeare”, de Ben Nicholson, que discute justamente como Kurosawa transforma Shakespeare ao incorporar tradições japonesas, sobretudo o teatro Nô, e como seus filmes utilizam a narrativa para fazer comentários sobre ganância, corrupção e poder.

“Kurosawa vs Shakespeare” — BFI

A Folha de S.Paulo, em texto de Inácio Araújo, publicou em 1994 uma pequena, mas interessante crítica sobre Ran. Ele chama atenção para o paradoxo de um filme construído em torno do desequilíbrio dos personagens, mas que alcança uma espécie de equilíbrio cinematográfico entre beleza e tragédia.

“Kurosawa revê Shakespeare” — Folha de S.Paulo

Pensar Ran não apenas como adaptação de Rei Lear, mas como um filme sobre a decomposição de uma ordem política fundada na guerra, na concentração do poder e na incapacidade de transmitir esse poder sem transmitir também os conflitos acumulados pelo velho senhor. O próprio Criterion destaca Ran como uma reflexão sobre a guerra e o desmoronamento de uma família sob o peso da traição, da ganância e da busca insaciável pelo poder.

Isso permitiria inclusive aproximar Ran de uma questão bastante contemporânea: o que acontece quando uma geração que construiu sua autoridade pela disputa e pela guerra tenta deixar como herança uma ordem que já não consegue controlar?

 Terra em Transe (1967), dirigido por Glauber Rocha, é uma das obras-primas do Cinema Novo e um dos filmes mais importantes da história do cinema brasileiro. 

Para aprofundar 

“Diálogos entre Walter Benjamin e Glauber Rocha: uma leitura alegórica de Terra em Transe e o mito fundador do Brasil”, publicado nos Cadernos Benjaminianos, da UFMG.

Ler o artigo na UFMG

Terra em Transe não seria apenas uma alegoria do Brasil imediatamente anterior ao golpe de 1964, mas uma representação de ciclos históricos que se repetem, nos quais o país passa de uma crise a outra procurando um salvador e reproduzindo as condições que produziram a própria crise. O artigo aproxima Glauber de Walter Benjamin justamente para pensar essa circularidade histórica.

“Estética e política no Brasil contemporâneo: Terra em Transe e Maranhão 66 revisitados”, de Alexandre Fernandez Vaz.

Ler o artigo na revista ethic@/UFSC

 O autor retorna aos dois filmes para observar como suas formas estéticas continuam produzindo sentido diante dos impasses políticos posteriores. A leitura coloca em relação o Brasil dos anos 1960 e desenvolvimentos políticos posteriores, tratando os filmes como obras que amadurecem historicamente.

“A autocrítica do intelectual militante no cinema político: Terra em Transe e Lutas na Itália”, publicado pela UFMG.

Ler o artigo sobre a autocrítica do intelectual militante

Ele examina Paulo Martins, o poeta-jornalista interpretado por Jardel Filho, como figura do intelectual que quer intervir na política, mas também se confronta com seus próprios limites e contradições.

Paulo Martins não é simplesmente o intelectual que denuncia a política; ele está dentro do transe político que pretende compreender e transformar. Isso permite discutir uma questão muito atual: o que acontece quando artistas, intelectuais, jornalistas e militantes tentam falar em nome do povo sem conseguir estabelecer uma relação efetiva com ele?







Qual o futuro dos debates politicos na TV? O mesmo dos festivais de música?

 Escrevi o artigo abaixo depois do primeiro debate com os presidenciáveis no primeiro turno,   e agora com o cancelamento do último retomo o mesmo artigo, os  argumentos continuam valendo. ZdO  


Quando o espetáculo devora a democracia

O que aconteceu com os grandes festivais de música dos anos 1960 pode nos ajudar a compreender o desgaste que começa a aparecer no formato dos debates eleitorais?

Este artigo parte de um paralelo entre dois momentos distintos, separados por décadas, mas atravessados por uma questão semelhante: o que acontece quando a lógica do espetáculo passa a ocupar o lugar central de uma disputa que deveria produzir reflexão, confronto de ideias e participação pública?

Os festivais que mobilizaram multidões, torcidas e paixões políticas também foram, pouco a pouco, transformados pela própria lógica televisiva que ajudou a torná-los populares. O artigo pergunta se algo semelhante pode estar acontecendo com os debates eleitorais, quando a provocação, o conflito e a performance passam a disputar espaço com a discussão sobre projetos e propostas.

Não se trata de comparar simplesmente música e política, mas de observar como um formato de comunicação pública pode ser desgastado quando a audiência passa a ser mais importante do que aquilo que deveria estar sendo debatido.

Uma reflexão sobre festivais, televisão, política, espetáculo e democracia.

👉 Leia o artigo completo no Blog da Cultura:

Sobre o primeiro debate com os presidenciáveis, que não assisti ontem na Band, um paralelo com o que aconteceu com os festivais de música na década de 1960.

https://acaoculturalse.blogspot.com/2026/08/sobre-o-primeiro-debate-com-os.html?m=0&utm_source=chatgpt.com


terça-feira, 29 de setembro de 2026

Nunca foi por causa da corrupção. Por Zezito de Oliveira



 Causa-nos espécie como um candidato com a vida pregressa de Flávio Bolsonaro, e pela forma como se comporta na campanha — e, para completar, com o escândalo-bomba que estourou no dia de hoje —, ainda esteja com os atuais índices de preferência do eleitorado, ameaçando até ser eleito presidente da República.

Se fosse um candidato do PT, bastaria 10% de tudo o que esse candidato tosco e rastaquera fez e faz para os índices terem baixado à metade do que esta figura detém, fazendo da eleição um passeio neste domingo para o principal adversário.

O jornalista Moisés Mendes apresentou, com o comentário abaixo na manhã de hoje pelo  facebook , uma das principais razões para isso.

Moisés Mendes

"Se o Brasil vivesse sob normalidade, a reportagem do PlatôBR sobre o filho ungido teria acabado com a candidatura do sujeito. O texto está sendo compartilhado pelos sites progressistas, mas não será lido nos jornalões. É assustador até para a extrema direita."

Essa opinião faz coro com o que escreveu, em 1904, o jornalista Joseph Pulitzer na revista acadêmica e política The North American Review:

"Uma imprensa cínica, mercenária e demagógica produzirá, com o tempo, um povo tão vil quanto ela mesma."

E assim, mais uma vez, voltamos à nossa velha cantilena — e à de muitos outros brasileiros.

O provável governo Lula 4 precisa dedicar uma atenção prioritária à questão da comunicação, tanto em termos da macropolítica como da micropolítica, do contrário não tem como essa país dar certo.

E se quiser saber como: Convide as melhores cabeças pensantes acerca da questão, e não são poucas.. 


Página Anarcomiguxos VIII em 30/09/2026
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Disse tudo. A real crise é o quarto poder (imprensa) em conluio com o agro rentismo (que sempre foi de extrema-direita), sob as ordens do trumpismo.







Politizar a cultura, culturalizar a política. Pense n’eu, vez em quando; pense em nós, vez em quando; pense no país, vez em quando. E, depois de pensar, continue pensando.

Gonzaguinha escreveu “Pense N’eu”, música que Luiz Gonzaga gravou em 1984, numa parceria de pai e filho que carrega, por trás de uma aparente simplicidade, uma pergunta que continua atual: onde estamos, onde estaremos, se sorrindo ou se chorando?

A canção pede que alguém seja lembrado “vez em quando”, mas, à medida que avança, o pensamento deixa de caber apenas na relação entre duas pessoas e se abre para uma dimensão coletiva, para a gente, para o povo, para o país, para a esperança de fazer tudo melhor e para a ideia de união. É justamente esse movimento que me interessa recuperar agora, quando mais uma vez somos chamados a tomar decisões políticas que terão consequências para a nossa vida coletiva.

Por isso, talvez seja bom pensar n’eu, pensar em nós e pensar no país, não apenas durante o período eleitoral, mas também depois dele.

Pensar antes de decidir. Pensar enquanto decidimos. E continuar pensando, de vez em quando, naquilo que decidimos e nas consequências dessas decisões.

É com esse espírito que convido você a ler o texto abaixo. Não como uma tentativa de dizer em quem votar, muito menos como uma fórmula pronta para orientar sua escolha, mas como um convite para pensar sobre o que entendemos por política, que lugar atribuímos à cultura na construção da sociedade e que tipo de participação queremos exercer na vida pública.

Talvez uma das tarefas mais importantes de uma cultura democrática seja justamente esta: ajudar-nos a pensar antes de escolher e, sobretudo, não deixar que o pensamento termine no momento em que depositamos o voto na urna.

Porque democracia não começa e termina na eleição.

Ela continua quando acompanhamos o que os eleitos fazem, quando cobramos compromissos, quando participamos das decisões públicas, quando preservamos a memória das experiências vividas e quando procuramos compreender as razões pelas quais nossa sociedade toma determinados caminhos.

É nesse sentido que proponho a leitura deste texto: 

Politizar a cultura, culturalizar a política

Há uma frase que, de tão simples, pode parecer apenas um slogan: politizar a cultura, culturalizar a política. No entanto, quando olhamos para a trajetória da Ação Cultural e para aquilo que vem sendo construído, registrado e debatido ao longo dos anos no Blog da Cultura, percebemos que ela pode ser mais do que uma frase de efeito. Pode ser uma chave para compreender uma determinada maneira de pensar e fazer cultura, política e participação social.

Mas é preciso começar por uma distinção. Quando falamos em politizar a cultura e culturalizar a política, não estamos falando de transformar a cultura em instrumento de propaganda partidária, nem de submeter a produção cultural aos interesses de governos, partidos ou candidatos. Estamos falando de política no sentido mais nobre da palavra, como espaço de construção da vida coletiva, de disputa democrática de projetos de sociedade, de participação nas decisões que afetam a comunidade e de reconhecimento de cada pessoa como sujeito de direitos.

É nesse sentido que a trajetória registrada pelo Blog da Cultura ganha importância.

O próprio Blog já fez uma síntese bastante direta dessa perspectiva ao afirmar: “Culturalizar a política. Politizar a cultura.” A formulação aparece associada à necessidade de aproximar processos de formação, pedagogias críticas, criação cultural e capacidade de incidência social e política. Não se trata, portanto, de acrescentar um pouco de política à cultura ou um pouco de cultura à política, mas de compreender que as duas dimensões estão profundamente relacionadas.

A cultura não acontece fora da sociedade. Ela nasce das relações sociais, das experiências, das memórias, dos conflitos, das esperanças e das formas pelas quais homens e mulheres procuram dar sentido à própria existência. Por isso, quando uma comunidade cria um cineclube, organiza uma apresentação teatral, preserva sua memória, realiza uma oficina de audiovisual, constrói um Ponto de Cultura ou participa de uma audiência pública, não está simplesmente fazendo cultura. Está também produzindo conhecimento, vínculos, consciência, pertencimento e capacidade de intervenção.

É aí que começa a politização da cultura.

Politizar a cultura é deixar de enxergá-la apenas como entretenimento, espetáculo, evento ou programação. É perguntar quem produz, quem acessa, quem decide, quem fica de fora, que memórias são preservadas, quais narrativas circulam, quais territórios são reconhecidos e que sujeitos conseguem transformar suas experiências em linguagem pública.

Uma política cultural, nessa perspectiva, não pode ser avaliada apenas pela quantidade de eventos realizados, pelo número de artistas contratados ou pelo volume de recursos movimentados. Essas informações são importantes, mas não esgotam a questão. É preciso perguntar também qual sociedade está sendo produzida por determinada política cultural.

É justamente esse deslocamento que aparece em diferentes momentos da trajetória do Blog da Cultura.

A discussão sobre a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por exemplo, não se limita (ou deveria se limitar)  à existência dos recursos ou à execução financeira. A preocupação recorrente é com a participação social, o controle público, a continuidade das políticas, o fortalecimento dos agentes culturais e a capacidade de transformar recursos temporários em processos permanentes de cidadania cultural.

Da mesma forma, a experiência dos Pontos de Cultura aparece não apenas como uma política de financiamento de iniciativas culturais, mas como possibilidade de organização social, formação, articulação em rede e participação. Em 2025, por exemplo, o Blog registrava a necessidade de discutir coletivamente a Lei Cultura Viva, a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, os mecanismos de participação e controle social e a própria organização da Rede Sergipe de Pontos de Cultura.

Isso é politizar a cultura.

Mas existe o movimento inverso: culturalizar a política.

Culturalizar a política significa compreender que a disputa política não acontece somente nos parlamentos, nos governos, nas eleições ou nos partidos. Ela acontece também no terreno dos símbolos, das narrativas, da memória, dos afetos, da identidade, da linguagem e do imaginário.

Uma sociedade não se transforma somente porque uma lei foi aprovada. Ela se transforma também quando as pessoas passam a enxergar sua própria história de outra maneira, quando uma comunidade reconhece seu patrimônio, quando jovens aprendem a produzir imagens sobre seu território, quando moradores conseguem narrar seus problemas, quando grupos historicamente silenciados conquistam espaço para dizer quem são e como querem ser vistos.

O audiovisual realizado com celular por jovens da periferia pode ser uma prática cultural, mas pode também se transformar em instrumento de leitura crítica do território. O próprio projeto da Ação Cultural registra explicitamente essa possibilidade ao definir o audiovisual como ferramenta para evidenciar problemas da comunidade e mobilizar discussões sobre direitos e políticas públicas.

É aí que cultura e política deixam de ser dois departamentos separados da vida social.

O cineclube pode ser espaço de fruição estética, mas também de conversa sobre a realidade. O teatro pode ser expressão artística, mas também exercício de leitura do mundo. A memória pode ser preservação do passado, mas também instrumento para compreender o presente. Uma mostra cultural pode apresentar obras, mas também criar encontro entre pessoas que dificilmente se encontrariam em outros espaços.

O Cineclube Realidade é um exemplo bastante concreto dessa concepção. O projeto articula sessões de cinema com rodas de conversa, oficinas de audiovisual, teatro popular, formação em educação popular, ação cultural e participação social.

Não é por acaso que a expressão educação popular, ação cultural e participação social tenha aparecido reunida no próprio projeto. Há aí uma compreensão de que essas três dimensões podem constituir partes de um mesmo processo.

A educação popular ajuda a compreender a realidade, a ação cultural cria possibilidades de expressão e criação, e a participação social permite que os sujeitos intervenham na realidade que ajudaram a compreender.

Essa relação aparece de forma ainda mais explícita no texto do Seminário de Educação Popular, Ação Cultural e Participação Social publicado pelo Blog em setembro de 2026. Ali se afirma que uma oficina, um cineclube, uma apresentação artística, uma mostra cultural ou uma reunião comunitária podem constituir espaços de exercício da cidadania quando articulados a processos de formação e participação.

Essa talvez seja uma das formulações mais importantes para compreender o sentido de culturalizar a política.

Porque significa reconhecer que a política também pode aprender com os processos culturais, com a escuta, a criação coletiva, a diversidade, a memória, a capacidade de conviver com diferentes linguagens, a construção horizontal de conhecimentos e a valorização dos saberes produzidos nos territórios.

E, sobretudo, pode aprender que participação não é apenas estar presente em uma reunião ou votar em uma eleição. Participar é também produzir conhecimento, formular perguntas, criar propostas, disputar prioridades, acompanhar decisões, exercer controle social e construir coletivamente os sentidos daquilo que é público.

Nesse ponto, a trajetória da Rede Sergipe de Pontos de Cultura oferece outro exemplo. As reuniões registradas no Blog mostram uma preocupação que vai muito além da organização de eventos: discutir governança, formação, participação, comunicação, democracia cultural, controle social e capacidade de incidência.

O evento é importante, mas o que acontece antes e depois dele pode ser ainda mais importante. Quem participa da construção? Quem decide? Como as decisões são registradas? Como os resultados retornam para a comunidade? O que permanece? Que rede foi fortalecida? Que novos sujeitos apareceram?

Essas perguntas ajudam a distinguir uma política cultural baseada apenas na programação de uma política cultural baseada em processos de cidadania.

Talvez por isso a memória ocupe lugar tão importante nessa trajetória.

O próprio Blog reconhece sua função como guardião de parte da memória das políticas culturais, da gestão, da produção e da ação cultural em Sergipe. Em publicação de 2026, ao fazer um balanço de sua trajetória, identifica uma passagem da divulgação cultural para a reflexão crítica sobre a cidade, chegando à participação cidadã e à memória coletiva.

Essa passagem é reveladora.

Guardar memória também é fazer política, não a política partidária, mas a política como disputa sobre aquilo que uma sociedade considera digno de lembrar, preservar e transmitir às novas gerações.

Quando uma experiência desaparece porque ninguém a registrou, uma parte da história social desaparece com ela. Quando uma experiência é documentada, organizada e disponibilizada, ela pode voltar a ser interrogada, reinterpretada e utilizada por outras gerações.

Por isso, cultura digital também pode ser política de memória.

O Blog da Cultura é, nesse sentido, mais do que um arquivo de notícias. Ele funciona, ainda que de maneira incompleta e em permanente construção, como uma espécie de arquivo vivo de experiências culturais e políticas de Sergipe.

E talvez seja justamente aí que a ideia de politizar a cultura e culturalizar a política encontre sua expressão mais profunda.

Não se trata de escolher entre cultura e política, mas de superar essa falsa separação.

Porque uma política sem cultura pode até administrar recursos, organizar instituições e executar programas, mas corre o risco de perder a capacidade de compreender os significados, os afetos, as memórias e os imaginários que movem uma sociedade.

E uma cultura que se recusa a reconhecer sua dimensão política pode produzir obras, eventos e experiências importantes, mas corre o risco de não perceber as condições sociais que determinam quem pode criar, quem pode acessar, quem pode circular e quem permanece excluído.

Politizar a cultura é perguntar pelo poder que atravessa a cultura. Culturalizar a política é perguntar pela cultura que atravessa o poder.

Entre essas duas perguntas existe um vasto território de possibilidades.

É nele que podemos situar a Ação Cultural.

Uma organização que nasceu do encontro entre artistas, produtores culturais e educadores, que passou por dança, teatro, audiovisual, cineclube e hip-hop, que trabalhou com crianças, adolescentes e jovens das periferias, que participou da construção de redes e Pontos de Cultura e que mantém no Blog uma parte significativa dessa memória, não precisa inventar artificialmente uma teoria para justificar sua trajetória.

A teoria pode ser encontrada, em grande medida, nas próprias práticas.

Ela está na oficina que vira espaço de formação, no cineclube que vira roda de conversa, no audiovisual que vira ferramenta de leitura do território, na memória que vira instrumento de compreensão do presente, no Ponto de Cultura que vira espaço de organização comunitária, na audiência pública que deixa de ser mera formalidade e passa a ser espaço de disputa democrática, na rede cultural que procura não apenas existir, mas construir capacidade de incidência.

E está também no próprio Blog da Cultura, quando ele transforma acontecimentos culturais em perguntas sobre a cidade, a democracia, a memória e as políticas públicas.

Talvez seja por isso que politizar a cultura e culturalizar a política possa ser entendido não como uma palavra de ordem, mas como uma perspectiva de trabalho.

Uma perspectiva que recupera a política em seu sentido mais nobre: a construção coletiva da vida comum.

Uma política que não reduz o cidadão ao eleitor, uma cultura que não reduz o cidadão ao público e uma ação cultural que não reduz as pessoas ao papel de beneficiárias.

Porque, no final das contas, democratizar a cultura não é somente fazer com que mais pessoas tenham acesso aos bens culturais. É criar condições para que mais pessoas possam criar, interpretar, participar, decidir e transformar.

E talvez seja justamente isso que significa, no sentido mais profundo, politizar a cultura e culturalizar a política.

E depois da leitura, fica o convite que a própria canção nos inspira a fazer: não deixe esse pensamento terminar aqui. Leve-o para a conversa com os amigos, para a família, para os espaços de participação, para a decisão que cada um tomará nas eleições e, principalmente, para depois delas. Porque talvez a democracia precise menos de certezas definitivas e mais de cidadãos dispostos a pensar, repensar e continuar pensando, de vez em quando, sobre aquilo que fizeram, sobre aquilo que escolheram e sobre o país que estão ajudando a construir.

Pense n'eu

Pense n'eu

Pense n'eu quando em vez coração

Pense n'eu vez em quando

Onde estou, como estarei

Se sorrindo ou se chorando

Se sorrindo ou se chorando

Pense n'eu vez em quando

Pense n'eu vez em quando

Pense n'eu quando em vez coração

Pense n'eu vez em quando

Onde estou, como estarei

Se sorrindo ou se chorando

Se sorrindo ou se chorando

Pense n'eu vez em quando

Pense n'eu vez em quando

'To na estrada, 'to sorrindo apaixonado

Pela gente e pelo povo do meu país (olêlê)

'To feliz pois apesar do sofrimento

Vejo um mundo de alegria bem na raiz (vamos lá)

Alegria muita fé e esperança

Na aliança pra fazer tudo melhor (e será)

Felicidade o teu nome é união

E povo unido é beleza mais maior

Pense n'eu quando em vez coração

Pense n'eu vez em quando

Onde estou, como estarei

Se sorrindo ou se chorando

Se sorrindo ou se chorando

Pense n'eu vez em quando

Pense n'eu vez em quando

'To na estrada, 'to sorrindo apaixonado

Pela gente e pelo povo do meu país (olêlê)

'To feliz pois apesar do sofrimento

Vejo um mundo de alegria bem na raiz (vamos lá)

Alegria muita fé e esperança

Na aliança pra fazer tudo melhor (e será)

Felicidade o teu nome é união

E povo unido é beleza mais maior

Pense n'eu pense n'eu

Pense n'eu pense n'eu

Pense n'eu pense n'eu

Para continuar pensando

1. Refundação da Ação Cultural
Apresenta a concepção de Teixeira Coelho sobre ação cultural como criação das condições para que pessoas e grupos possam inventar seus próprios fins no universo da cultura. É a porta de entrada conceitual para toda a reflexão.

2. Pontos de Cultura: uma tentativa de mapeamento do Estado de Sergipe
Uma pesquisa que ajuda a compreender a experiência concreta dos Pontos de Cultura em Sergipe, suas dificuldades, seus impactos nas comunidades e os desafios para a organização em rede.

3. Cineclube Realidade e Fratelli Tutti em ação
Mostra, na prática, como cinema, audiovisual, teatro e formação podem ser articulados à reflexão cidadã e à participação comunitária, particularmente junto a crianças, adolescentes e jovens do Bairro Industrial.

4. A questão da participação e controle social dos fazedores de cultura em razão da Política Nacional de Cultura Aldir Blanc
Coloca diretamente em discussão quem participa das decisões sobre as políticas culturais, como os representantes são escolhidos e quais condições são necessárias para que a participação e o controle social sejam efetivos.

5. Cultura, Educação Popular e Participação Social: Construindo Cidadania nos Territórios
É a formulação mais recente e talvez a que melhor sintetize a perspectiva apresentada no artigo: educação popular, ação cultural e participação social como dimensões de um mesmo processo de construção da cidadania cultural.

Uma das possibilidade de chegada a partir da canção e do artigo acima: