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segunda-feira, 4 de maio de 2026
domingo, 3 de maio de 2026
O ENTRETENIMENTO E A EDUCAÇÃO POLÍTICA. Por Renato Janine Ribeiro
Vamos dizer algo atrevido: pode ser que o entretenimento de qualidade esteja promovendo uma educação política maior do que os políticos progressistas.
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Morre aos 85 anos, Raimundo Pereira, um dos mais importantes jornalistas da imprensa alternativa e democrática do Brasil e deixa um legado incomensurável.
Raimundo Pereira, o jornalista da contracorrente
Um dos principais nomes da imprensa alternativa no Brasil, Raimundo faleceu aos 85 anos, no Rio de Janeiro
por André Cintra Portal Vermelho
Publicado 02/05/2026 17:01 | Editado 02/05/2026 17:48
O jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, um dos principais nomes da imprensa alternativa no Brasil, faleceu na manhã deste sábado (2/5), aos 85 anos, no Rio de Janeiro. Ele estava internado desde quinta-feira (30/4) e não resistiu às complicações de uma pneumonia. O corpo será cremado ainda nesta tarde.
Com sua morte, encerra-se uma trajetória que atravessa seis décadas de jornalismo, sempre em tensão com o poder e invariavelmente fora dos trilhos da grande mídia. Não por acaso, sua biografia, escrita em 2013 por Júlia Rabahie e Rafael Faustino, recebeu o título Contracorrente – A História de Raimundo Rodrigues Pereira.
“Das figuras que conheci e com quem convivi, nenhuma reunia simultaneamente doses tão imensas de inteligência, espírito empreendedor e resiliência quanto Raimundo Pereira”, afirma Walter Sorrentino, presidente da Fundação Maurício Grabois, ligada ao PCdoB. “Raimundo pôs tudo isso a serviço do pensamento da esquerda progressista, nacional e democrática, de modo militante.”
Segundo o dirigente, “o jornalismo independente foi sua vida, seu partido político e sua paixão. Com sua obra em Realidade, Opinião, Movimento e Retratos do Brasil, ele foi protagonista em todos os acontecimentos marcantes do país por mais de 50 anos. Foi, sem dúvida, um dos maiores jornalistas da história brasileira”.
Raimundo nasceu em 8 de setembro de 1940, em Exu (PE) – a mesma cidade natal do “Rei do Baião”, Luiz Gonzaga. Mas sua ligação com o Nordeste durou pouco. Em 1942, o pai, Joaquim, mascate de profissão, e a mãe, Lindanora, pegaram os filhos e partiram rumo ao interior de São Paulo, em busca de terras mais fartas. A família – incluindo a ama de leite Maria Pedro, que amamentou e ajudou a criar Raimundo – passou por Córrego dos Macacos e Monte Serrat antes de se fixar em Pacaembu, a Cidade Paraíso.
Foi em Pacaembu que Raimundo, apelidado de “Lorinho”, cresceu dividido entre a escola (onde tirava dez em matemática) e o futebol, sua “coisa incrível”, como ele mesmo definia. Na mesma cidade, descobriu o gosto pela comunicação, narrando, aos 12 anos, jogos do time infantil pelo sistema de alto-falantes da cidade.
Aos 19, passou no vestibular do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), em São José dos Campos. Foi lá que o “Lorinho” comportado deu lugar a “Dana Key”, apelido inspirado no comediante norte-americano Danny Kaye. Raimundo fazia teatro de rua e escrevia artigos subversivos no jornal estudantil O Suplemento. Numa edição, simulou uma emenda constitucional propondo a extinção das Forças Armadas.
No ITA, Raimundo foi eleito para o Centro Acadêmico Santos Dumont e ajudou a articular a tentativa de filiação da escola à UNE (União Nacional dos Estudantes). Seus amigos da época, como Gilcio Martins e Ezequiel Dias, lembravam que o rapaz de pernas tortas e “jeito muito brincalhão” estava sempre dominando a cena.
O golpe militar de 1964 interrompeu seus planos. Em 8 de abril, Raimundo foi tirado da sala de aula, levado ao Dops em São Paulo e submetido a uma sessão de tortura psicológica. “Chegaram até a anunciar no jornal do sindicato que eu estava largando o jornalismo para fazer política”, contou Raimundo numa entrevista. Com a expulsão, deixaria o ITA para sempre, sem o diploma de engenheiro.
Na grande imprensa
A vida deu uma guinada. Em 1965, ainda se recuperando do trauma, Raimundo entrou na USP. Mudando de área, formou-se em Física e trabalhou como redator de revistas técnicas. Em 1968, foi chamado por Mino Carta para ser editor de Ciências da recém-lançada revista Veja.
Quando a publicação amargava baixas vendagens, usou sua formação científica para produzir uma série de reportagens sobre a corrida espacial. O homem chegou à Lua e ajudou a impulsionar a circulação da revista. O jornalista descrevia o lançamento do foguete Saturno V como uma aventura: “O Saturno V tremeu, amarrado ao solo por imensas braçadeiras que agarravam suas 3.000 toneladas, seus 121 metros de altura”.
No auge do prestígio, comandou a histórica edição especial “Amazônia” da revista Realidade, que lhe rendeu o Prêmio Esso em 1971. Mas algo o incomodava: a grande imprensa havia se acomodado à ditadura. Conforme escreveu mais tarde, na edição zero do jornal Movimento, as grandes empresas jornalísticas estavam “aferradas a grandes interesses econômicos”.
Era hora de fazer um jornal sem patrão. Ou melhor, de romper com a lógica da grande imprensa e mergulhar no que viria a ser sua marca definitiva: o jornalismo independente, crítico e militante. Raimundo queria ser dono do próprio instrumento de trabalho. A partir dos anos 1970, ele passa a criar praticamente todos os projetos em que atua, financiando-os com enorme dificuldade, mas preservando autonomia editorial.
Opinião e Movimento
Raimundo desconfiava da homogeneização da grande mídia e via no jornalismo uma ferramenta de interpretação da realidade a serviço da sociedade, especialmente dos trabalhadores. Essa escolha teve custos: projetos interrompidos, circulação irregular e dificuldades financeiras constantes. Mas também produziu um legado singular: uma obra vasta, construída fora das estruturas tradicionais.
É como lembra o jornalista Carlos Azevedo, ao comentar sua trajetória: “São montanhas de textos, jornais, livros, revistas que ele produziu ou comandou. Inacreditável como, além disso, autofinanciou seus projetos durante toda a jornada. Sempre na contracorrente, sempre vitorioso!”
Em 1972, Raimundo aceitou o convite do empresário Fernando Gasparian para dirigir o recém-lançado semanário Opinião. O jornal rapidamente se tornou um fenômeno, vendendo 38 mil exemplares e servindo de tribuna para nomes como Fernando Henrique Cardoso, Celso Furtado e Chico Buarque.
A relação com o patrão era tensa. Raimundo, de bermuda, enfrentava Gasparian, de terno. A gota d’água veio quando Gasparian se aliou à abertura política do governo Ernesto Geisel, e a redação, não. Em 1975, o jornalista foi demitido.
Sua resposta foi imediata: ao lado de parte da equipe, fundou Movimento, o “jornal dos jornalistas”. Financiado por cotas e apoiado por uma rede de colaboradores que ia do seringueiro Chico Mendes ao sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, o jornal se tornou uma das mais importantes trincheiras da imprensa de oposição.
O preço foi alto. Movimento foi censurado desde o primeiro número. Depois que a censura prévia caiu, em 1978, bancas de jornal foram incendiadas para impedir sua circulação. Raimundo reagia com denúncias e processos, além de uma cobertura incansável das greves do ABC, que ele próprio reportava de dentro das fábricas, burlando a proibição. Sua máxima era simples: “informar para conscientizar”.
A vida pessoal
Nem tudo, porém, era política. Contracorrente dedica um capítulo inteiro a um dos episódios mais dramáticos da vida de Raimundo: o relacionamento de sua irmã, Leonora, com Sérgio Paranhos Fleury, o delegado do Dops conhecido como um dos torturadores mais temidos do regime. Raimundo rompeu com a irmã quando soube do caso – e só voltou a vê-la no leito de morte dela, em 2002.
O livro também revela facetas bem-humoradas. Raimundo, que durante a ditadura dormia sobre uma mesa de trabalho com uma folha de papel no rosto (furada para respirar), também era um pai presente que ensinava as quatro filhas a separar fato de interpretação nas notícias. As meninas retribuíam com um jornal feito à mão, O Olhudo, que o pai relia orgulhoso.
Com a redemocratização, Raimundo tentou emplacar um jornal diário, Retrato do Brasil. Fracassou em três meses. “São tentativas desesperadas”, disse Mino Carta, fundador da Veja e parceiro de longa data de Raimundo, em depoimento ao livro. Para Carta, o jornal diário “é um absorvedor de dinheiro, uma coisa infernal”.
Mesmo assim, Raimundo não desistiu. Em 1997, fundou a Editora Manifesto e, nos anos seguintes, lançou a revista Reportagem e a segunda versão de Retrato do Brasil. Passou a sobreviver com contratos de publicidade de empresas estatais e com a ajuda de amigos. Cobriu o mensalão – e sustentou a tese de que o julgamento foi parcial. Defendeu Daniel Dantas contra o que considerava uma “conspiração da mídia”, o que lhe rendeu uma ruptura dolorosa com Mino Carta.
“A ditadura que nós vivemos de 1964 a 1985 era simples de ver. A ditadura sob a qual nós vivemos hoje, na imprensa, que é a ditadura do grande capital, é difícil de ver”, declarou Raimundo ao receber o Prêmio Especial Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, em 2013.
Relação com o PCdoB
Raimundo nunca se filiou a nenhum partido, apesar de ter ensaiado uma entrada no PCdoB no início dos anos 1990. Questionado certa vez pelo ex-ministro José Dirceu se tinha interesse em aderir a alguma legenda, respondeu com bom humor: “Todo mundo fala que eu sou do PCdoB, mas eu não gozo das vantagens de ser do PCdoB. Preciso resolver esse grande problema”.
Esteve sempre por perto, ajudando campanhas e formulando ideias. Raimundo apoiou inúmeras candidaturas comunistas, como as de Benedito Cintra, Jamil Murad e Orlando Silva. Em 1976, criou o slogan da campanha a vereador de Cintra, uma jovem liderança da região da Freguesia do Ó: “Sem direitos, sem feijão, é hora de oposição.” A frase sintetiza meio século de trabalho: olho na carestia, olho na liberdade, sem nunca perder o senso de oportunidade.
“O Raimundo Pereira morou por muito tempo na Freguesia do Ó e teve uma relação profícua com os movimentos políticos e sociais da região. Contribuiu muito com a luta democrática e popular de resistência à ditadura”, lembra Nivaldo Santana, secretário Sindical do PCdoB, que conheceu Raimundo na década de 1970.
“O jornal Movimento era distribuído em larga escala entre a militância. Além do jornal, vale destacar que um importante colaborador do semanário, Duarte Pereira, realizava cursos de formação marxista e deu valiosa contribuição para forjar uma legião de quadros políticos na região”, agrega Nivaldo.
Legado
Raimundo Rodrigues Pereira deixa quatro filhas, quatro netos e uma obra espalhada por dezenas de publicações, que compõem um dos retratos mais completos do Brasil da segunda metade do século 20. Fica a pergunta que ele próprio cultivava: o que leva um físico, expulso do ITA e prestes a se tornar uma estrela da grande imprensa, a largar tudo para fazer jornalismo de oposição “passando o chapéu”?
Para Raimundo, “jornalismo não é tecnologia”. A seu ver, a imprensa popular se faz “sem medo da verdade e sem omitir fatos relevantes”. Ele desenvolveu um método próprio, quase científico, de tratar a informação com precisão e desconfiança em relação aos enquadramentos dominantes. Carregou ao longo da vida o reconhecimento – inclusive de adversários – de ser “um dos mais competentes jornalistas brasileiros em toda a história”.
Mais do que seus textos, Raimundo deixa uma escola prática. Quem trabalhou com ele aprendeu um modo de fazer jornalismo. Vida e profissão se misturaram a ponto de se tornarem indistinguíveis. Ele pertence a uma geração que enfrentou a ditadura com papel, tinta e coragem, mas seu legado não se limita àquele período: atravessa a redemocratização e chega ao século 21 insistindo no jornalismo como ferramenta de compreensão do mundo.
Raimundo se foi. Mas o jornalismo que ele praticou – rigoroso, independente e desconfiado do poder – segue como necessidade. Em tempos de velocidade e superficialidade, talvez mais do que nunca.
Entre o palco e a luta: a estética esvaziadora do 1º de Maio. Por Zezito de Oliveira
O Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, carrega uma origem marcada por conflito, organização coletiva e enfrentamento direto às estruturas de exploração. No entanto, ao observar o formato contemporâneo das manifestações, especialmente no contexto brasileiro, é difícil não notar um deslocamento significativo: da ação política para a encenação previsível.
As manifestações que deveriam pulsar como expressão viva da luta social têm, muitas vezes, assumido uma estética padronizada e pouco provocadora. Carros de som, discursos protocolares, apresentações musicais e palavras de ordem repetidas compõem um roteiro que se repete ano após ano. Trata-se de uma forma reconhecível, mas que, justamente por isso, tende a perder sua capacidade de mobilização e impacto crítico. (1)
Ecos do 25 de abril em Portugal e na Itália.. A luta contra o fascismo de todos os dias.
Há, portanto, uma contradição evidente: celebra-se a luta enquanto se adota uma forma que a domestica. A previsibilidade estética produz conforto organizativo, mas enfraquece a potência transformadora. Sem risco, sem tensão e sem criatividade política, a manifestação perde sua capacidade de incomodar — e, sem incômodo, dificilmente há mudança. (2) (4)
Diante disso, o desafio contemporâneo não é apenas manter viva a tradição do 1º de Maio, mas reinventá-la. Isso implica repensar tanto o formato quanto a estética das manifestações. É necessário romper com a lógica do palco centralizado e abrir espaço para experiências mais horizontais, participativas e diversas. Mais do que assistir, é preciso agir; mais do que repetir, é preciso criar. (3)
Recuperar a força do Dia do Trabalhador exige, portanto, mais do que memória histórica. Exige coragem para transformar a própria forma da luta. Afinal, quando a estética se torna previsível, a política corre o risco de se tornar irrelevante.
De outro modo, uma leitura crítica das manifestações contemporâneas do 1º de Maio também pode ser aprofundada quando articulada a contribuições teóricas de pensadores que refletiram sobre cultura, política e participação popular, em diálogo com reflexões oriundas de experiências culturais de base. Nesse sentido, as formulações de Frei Betto encontram ressonância tanto na pedagogia crítica de Paulo Freire quanto nas práticas culturais que defendem a centralidade da participação social ativa.
Ao problematizar a institucionalização das forças progressistas, Frei Betto aponta para o risco de uma política que se afasta do cotidiano popular. Essa crítica se aproxima de reflexões recorrentes em experiências culturais de base, que enfatizam que cultura não é ornamento, mas processo de organização social, produção de sentido e construção coletiva. Nessa perspectiva, não basta promover eventos ou ocupar o espaço público de forma simbólica; é preciso criar vínculos reais, processos continuados e formas de participação que ultrapassem a lógica do consumo cultural.
Essa leitura dialoga diretamente com Paulo Freire, especialmente quando este critica práticas verticalizadas e defende uma pedagogia fundada no diálogo e na construção coletiva do conhecimento. Ao transpor essa lógica para o campo das manifestações, torna-se evidente o limite de formatos baseados na centralização da fala e na passividade do público. Quando o ato político se organiza como transmissão — e não como troca — ele reproduz a mesma estrutura que pretende combater.
Reflexões oriundas de práticas culturais populares também chamam atenção para um problema recorrente: a tendência de confundir criatividade com improviso e expressão com ausência de estratégia. Esse ponto é crucial para entender por que muitas manifestações acabam se tornando previsíveis. Sem intencionalidade política clara e sem construção coletiva consistente, a estética tende a se repetir, esvaziando seu potencial crítico.
É nesse ponto que a contribuição de Augusto Boal se torna especialmente relevante. Ao propor o conceito de “espect-ator”, Boal rompe com a divisão entre quem atua e quem assiste, defendendo uma prática em que todos participam da construção da cena. Essa perspectiva evidencia o quanto manifestações organizadas como espetáculo — com palco, programação rígida e público passivo — contradizem uma lógica verdadeiramente emancipadora.
A crítica à “espetacularização” da ação política também pode ser aprofundada com Guy Debord, que analisa como, na sociedade contemporânea, as relações sociais são mediadas por imagens e representações. Quando essa lógica se infiltra nas manifestações, há um deslocamento da ação para a aparência: o ato precisa “parecer” mobilizador, ainda que sua capacidade real de transformação seja limitada.
Por outro lado, práticas culturais comprometidas com a base social insistem na necessidade de superar essa superficialidade. Ao valorizar processos, territórios e participação contínua, essas experiências apontam que a força política não está apenas no evento, mas naquilo que se constrói antes, durante e depois dele. Essa visão se aproxima da noção de emancipação proposta por Jacques Rancière, para quem a política se realiza quando há redistribuição efetiva da capacidade de falar, agir e produzir sentido.
Além disso, a ênfase na comunicação popular e na organização de base, presente em autores como Vito Gianotti, reforça que manifestações não podem ser pensadas isoladamente como eventos, mas como parte de um processo mais amplo de formação política e mobilização social.
Assim, ao articular essas contribuições teóricas com reflexões oriundas de práticas culturais de base, torna-se evidente que o desafio das manifestações do 1º de Maio não é apenas político, mas também estético e organizativo. Romper com a lógica do palco, superar a passividade e construir formas mais horizontais e participativas não é um detalhe formal — é condição para que a própria luta recupere sua potência transformadora.
Notas:
(1) O relato de Gavin Adams sobre o 1º de Maio de 2019 – anterior, portanto, ao período mais agudo da crise política brasileira – confirma que o esvaziamento estético das manifestações não é uma reação conjuntural, mas um traço estrutural da cultura política da esquerda institucional. Adams descreve um ato sindical unificado no Vale do Anhangabaú onde "a audiência parecia ser toda militante – valente, dedicada, mas sem alegria"; os discursos, "no máximo corretos", não conseguiam "passar fogo mobilizatório". A síntese do diagnóstico vem de uma fotógrafa presente: "não consigo fazer uma foto com vida. Só vejo gente escorada no mastro da bandeira, tudo corpo duro". Em contraste, um ato autonomista na praça da Sé, reunindo cerca de 150 pessoas, apresentava o "bem-vindo bafo de imaginação política" – com assembleia para decidir o trajeto, palavras de ordem radicais ("Abolir o trabalho, despedir o patrão!") e uma energia que a manifestação sindical não conseguia produzir. Adams observa, ainda, que quando o ato sindical finalmente ganha "corpos dançando", é porque "já tinha virado show" – transformando a política em entretenimento, não em ação transformadora. Ver ADAMS, Gavin. Dia do Trabalho: crônica de dois atos no centro de São Paulo. Outras Palavras, São Paulo, 5 maio 2019.
(2) A crítica aqui desenvolvida à estética previsível e institucionalizada das manifestações encontra confirmação etnográfica no relato de Gavin Adams sobre o ato "Fora Bolsonaro" em São Paulo, em 2 de outubro de 2021. Em seu diário de manifestações, publicado no portal Outras Palavras, Adams descreve em tempo real o descompasso entre a espontaneidade da base e o formalismo das cúpulas. Ele observa o "contraste gritante" entre "a pobreza das formulações institucionais" (discursos gravados, oradores burocráticos, slogans estreitos) e a energia criativa que emerge das margens (cartazes feitos à mão, poetas do slam, blocos de carnaval, uma jovem evangélica que fala de um "Jesus da periferia"). Sua conclusão ecoa diretamente o argumento central deste ensaio: "O pior de tudo é a falta de imaginação e ousadia na proposição do amanhã. [...] Hoje a esquerda moderou o discurso e a direita não veio… Será um erro manter essa toada". A manifestação que tentou atrair o centro-direita com uma estética conciliadora fracassou em ambos os fronts – não mobilizou novos setores e tampouco energizou a militância histórica –, confirmando que, sem risco, tensão e criatividade, a política se torna, de fato, irrelevante. Para uma análise aprofundada dessa experiência, ver ADAMS, Gavin. Manifestação Fora Bolsonaro em São Paulo. Outras Palavras, São Paulo, 3 out. 2021.
(3) Ainda no contexto das manifestações "Fora Bolsonaro" em 2021, o relato de Gavin Adams sobre o ato de 3 de julho aprofunda o diagnóstico aqui apresentado, ao revelar a contradição interna entre a direção institucional (que apostava na Frente Ampla com o PSDB) e a base da manifestação (que expulsou os tucanos da avenida). Adams documenta ainda o descompasso geracional do repertório estético-político ("MPB dos anos 1970 [...] é meio tiozão demais para as lutas atuais") e a emergência de formas espontâneas (cartazes manuscritos em isopor, blocos de carnaval, fanfarra) como únicos momentos de "capilaridade e organicidade". Ao final, enfrenta a questão que o presente ensaio provoca: se a forma institucional falhou, qual o lugar da ação direta? Sua resposta – um apelo ao "debate maduro" sobre legitimidade, tática e jurisdição – é, em si mesma, um exercício de reinvenção da política. Ver ADAMS, Gavin. Terceira Manifestação Fora Bolsonaro em São Paulo. Outras Palavras, São Paulo, 4 jul. 2021.
(4) No ato de 24 de julho de 2021, também descrito por Gavin Adams, a manifestação institucional "Fora Bolsonaro" na Avenida Paulista foi ofuscada, em termos de impacto simbólico e capacidade de gerar debate, pelo incêndio da estátua do Borba Gato ocorrido no mesmo dia. Adams registra que "a sensação de que há resistência não veio da passeata", constatando o descompasso entre a ação política institucionalizada (previsível, controlada, "chata") e as formas emergentes de ação direta (arriscadas, não autorizadas, porém eficazes em pautar o debate público). O autor avança ainda uma teoria estética da falha da esquerda: o "estilo gritado" dos discursos sindicais seria um anacronismo técnico comparável ao canto operário da era pré-amplificação, mantido por inércia cultural mesmo quando o microfone já permite outros registros vocais. Como antídoto, Adams aponta o exemplo do Slam da gente preta, cuja "fala cadenciada e rimada" traria a mensagem política "para o âmbito da poesia e da sofisticação da linguagem" – uma pista concreta para o que o presente ensaio chama de "reinvenção da forma". Ver ADAMS, Gavin. Ato do dia 24 de julho – e esquenta com Jesus. Outras Palavras, São Paulo, 25 jul. 2021.
Referências bibliográficas
BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974. (Obra fundamental sobre a transformação do espectador em "espect-ator" e a crítica ao teatro tradicional como instrumento de passividade).
BOAL, Augusto. A Estética do Oprimido. Rio de Janeiro: Garamond, 2009. (Desenvolve o conceito de que a arte é ferramenta de luta e que a opressão estética é tão violenta quanto a opressão econômica).
GUARNIERI, Gianfrancesco; BOAL, Augusto. Arena conta Zumbi. São Paulo: Teatro de Arena, 1965. (Musical histórico que estreou no Dia do Trabalhador de 1965, inaugurando o "Sistema Coringa" e a atuação coletiva como resistência política).
BOAL, Augusto. O Sistema Coringa: rituais e máscaras no comportamento do ator. São Paulo: Teatro de Arena, 1970. (Folheto que relata as experiências com o método que dilui a figura do protagonista central em favor da ação coletiva).
BETTO, Frei. A caminho do trabalho: celebração das comunidades de base. Petrópolis: Vozes, 1980. (Aborda a recriação de rituais e símbolos para transformar encontros burocráticos em atos de compromisso coletivo, combatendo a previsibilidade estética).
BETTO, Frei. Fidel e a religião: conversas com Frei Betto. Tradução do autor. Revisão de Fidel Castro Ruz. Lisboa: Caminho, 1986. (Analisa a manutenção da espontaneidade e da invenção política dentro de estruturas organizadas, à luz da experiência cubana).
BETTO, Frei. Artigos publicados em Brasil de Fato e Carta Capital. São Paulo, 2015-2025. (Textos recentes que criticam a institucionalização dos movimentos sociais e defendem que a "esquerda precisa descer do palco" para ocupar as ruas com criatividade).
DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Tradução: Estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.
DEBORD, Guy. Comentários sobre a sociedade do espetáculo. Tradução: Celso Azar Jr. Rio de Janeiro: Contraponto, 2002.
GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. Edição e tradução: Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999-2002. 6 v.
GRAMSCI, Antonio. Escritos políticos. Tradução: Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.
HARVEY, David. A crise da urbanização planetária. Blog da Boitempo, São Paulo, 10 jan. 2015. Tradução de Artur Renzo. Disponível em: https://blogdaboitempo.com.br/2015/01/10/david-harvey-a-crise-da-urbanizacao-planetaria/. Acesso em: 3 maio 2026.
HARVEY, David. O enigma do capital: e as crises do capitalismo. Tradução: João Alexandre Peschanski. São Paulo: Boitempo, 2011.
RANCIÈRE, Jacques. O espectador emancipado. Tradução: Ivone C. Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível: estética e política. Tradução: Mônica Costa Netto. São Paulo: Editora 34, 2005.
RANCIÈRE, Jacques. O ódio à democracia. Tradução: Mariana Echalar. São Paulo: Boitempo, 2014.
sábado, 2 de maio de 2026
A capital que não lidera: o atraso de Aracaju na aplicação da Politica Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.
Um contraste incômodo
Enquanto municípios como Estância já lançaram editais do ciclo 2 da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura ainda em janeiro de 2026 — com resultados publicados e novos chamamentos em andamento — Aracaju permanece sem editais estruturantes visíveis até o momento.
No âmbito estadual, o cenário é ainda mais evidente. O Governo de Sergipe já colocou em operação uma série de editais com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, contemplando formação, circulação, pontos de cultura e redes estruturantes. (1)
Já em Aracaju, o que se vê no Mapa Cultural e nas redes institucionais é outra coisa:
- credenciamento contínuo de artistas e técnicos;
- editais pontuais voltados a eventos específicos, como o carnaval;
- ausência de calendário público consolidado da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura;
- nenhuma chamada estruturante claramente identificada como ciclo 2.
Não se trata de ausência de recursos. Trata-se de prioridade.
A política que não virou política
A Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura exige mais do que execução financeira: exige projeto. E é exatamente aí que reside o principal problema.
A manutenção de editais eventuais e ações fragmentadas indica que a política cultural municipal ainda não incorporou plenamente essa lógica. Em vez de um sistema contínuo de fomento, seguimos vendo práticas típicas de um modelo anterior.
Essa crítica não é nova — ela aparece reiteradamente no debate cultural local.
As críticas recorrentes presentes no blog da Cultura apontam para demandas claras:
1. Continuidade e estruturação
2. Transparência e participação
3. Superação da lógica de eventos
A permanência de editais voltados a datas específicas, como o carnaval, reforça exatamente esse modelo — que a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura pretende superar.
4. Fortalecimento da base cultural
Sem editais contínuos e estruturantes, esse fortalecimento não acontece de forma consistente.
Capital que não lidera
Historicamente, espera-se que capitais exerçam papel indutor nas políticas públicas. No caso da cultura, isso significa estruturar redes, ampliar acesso e irradiar boas práticas.
O que se observa hoje em Sergipe é o inverso: municípios menores apresentam maior agilidade na execução da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura do que Aracaju.
O risco do atraso
O atraso na implementação da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura não é neutro. Ele produz efeitos imediatos:
- recursos que demoram a chegar a quem precisa;
- agentes culturais sem perspectiva de continuidade;
- perda de dinamismo no setor;
- enfraquecimento do ecossistema cultural local.
Mais do que isso: compromete uma oportunidade histórica.
O que precisa mudar
O próprio desenho da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura oferece diretrizes claras:
- lançamento urgente de editais estruturantes do ciclo 2;
- definição de calendário público anual;
- ampliação da transparência ativa;
- diálogo com o setor cultural organizado;
- diversificação de linhas de fomento.
A questão central não é técnica. É decisão política.
Conclusão
Aracaju não está fora da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. Está, neste momento, aquém do seu potencial dentro dela.
Enquanto outras cidades transformam recursos em política pública, a capital ainda ensaia movimentos tímidos e fragmentados.
A Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura não é um edital. É um sistema.
E sistemas não se improvisam — se constroem.
Notas:
(1) - A análise do Ciclo 2 da Política Nacional Aldir Blanc em Sergipe mostra que, embora todos os municípios tenham aderido, a execução ainda é bastante desigual e incipiente, com poucos casos concretos de avanço. O destaque é Estância, que já publicou editais em 2026 e avançou inclusive para fases de resultado, configurando-se como o município mais adiantado até o momento. Em contrapartida, cidades como Itabaiana e Nossa Senhora do Socorro apresentam apenas indícios de movimentação, ainda sem confirmação clara de editais do novo ciclo, enquanto a maioria dos demais municípios permanece em etapas preliminares, como planejamento e escutas públicas. Nesse cenário, o governo estadual, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe, aparece mais avançado, tendo lançado diversos editais, o que evidencia uma assimetria na capacidade de execução das políticas culturais entre estado e municípios.
Links para aprofundar no blog da Cultura o argumento defendido acima:
BLOG DA CULTURA. Qual a situação atual de funcionamento dos conselhos de cultura em Sergipe, estado e municípios? Avanços, limites, desafios, gargalos e impasses? 2026. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2026/01/qual-situacao-atual-de-funcionamento.html. Acesso em: 2 maio 2026.
BLOG DA CULTURA. Cultura é investimento, não despesa: diga não aos cortes da PNAB! Observatório Ação Cultural Sergipe. 2025. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2025/03/cultura-e-investimento-nao-despesa-diga.html. Acesso em: 2 maio 2026.
BLOG DA CULTURA. Sergipe é o 3º estado nordestino que menos investiu em cultura. Observatório Ação Cultural Sergipe. 2025. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2025/03/sergipe-e-o-3-estado-nordestino-que.html. Acesso em: 2 maio 2026.
BLOG DA CULTURA. Cultura e patrimônio em 2026: o que eleitores e políticos precisam enxergar antes do voto. 2026. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2026/01/cultura-e-patrimonio-em-2026-o-que.html. Acesso em: 2 maio 2026.
BLOG DA CULTURA. A rede Sergipe de pontos de cultura voltou! Sob o olhar de Neu Fontes e Zezito de Oliveira. 2025. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2025/11/a-rede-sergipe-de-pontos-de-cultura.html. Acesso em: 2 maio 2026.
BLOG DA CULTURA. Reunião geral dos pontos de cultura fortalece articulação e prepara para o fórum estadual. 2025. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2025/10/reuniao-geral-dos-pontos-de-cultura.html. Acesso em: 2 maio 2026.
✅ 1. Aracaju prestou contas do ciclo 1?
Não há evidência pública clara (até agora) de uma prestação de contas detalhada e formal divulgada amplamente pela Prefeitura de Aracaju.
O que existe de informação oficial/indireta:
- No balanço estadual, Aracaju teve baixa execução no ciclo 1 (cerca de 2% do recurso executado no momento do levantamento).
- A regra nacional determinava que os recursos deveriam ser executados até 31/12/2025, com possibilidade de transferência do saldo para o ciclo 2.
👉 Ou seja:
- A prestação de contas pode até ter ocorrido internamente (MinC),
- mas não há transparência pública robusta ou amplamente divulgada até agora (site ou relatórios detalhados acessíveis).
💰 2. Aracaju recebeu recursos do ciclo 2?
Sim — recebeu.
- Aracaju aparece na lista de capitais que já tiveram repasses do ciclo 2 realizados em dezembro de 2025.
- Além disso, todos os municípios de Sergipe aderiram ao ciclo 2, incluindo Aracaju.
📢 3. Há editais do ciclo 2 abertos (Aracaju)?
❗ Situação importante:
- Não há evidência forte de editais municipais de Aracaju (até o momento) amplamente divulgados.
Mas há dois sinais relevantes:
✔️ Indícios nas redes
- Postagens indicam que:
- o ciclo 1 foi encerrado
- há intenção de ampliar participação em editais de 2026
✔️ Nível estadual (Sergipe)
Enquanto Aracaju ainda não aparece com editais robustos visíveis, o Governo de Sergipe já lançou vários editais do ciclo 2, por exemplo:
- Ações formativas (2026)
- Festivais, feiras e mostras
- Circulação cultural
- Pontos e pontões de cultura
- Observatórios culturais
E há editais com inscrições efetivas em 2026, como o de formação cultural com investimento de mais de R$ 1 milhão.
📊 🧭 Leitura crítica da situação
O cenário hoje é mais ou menos assim:
✔️ O que está acontecendo
- Aracaju aderiu e recebeu recursos
- Pode usar saldo do ciclo 1 + novos recursos
- O Estado já está operando fortemente o ciclo 2
⚠️ O que ainda NÃO aparece com clareza
- Editais municipais próprios do ciclo 2
- Calendário público da Funcaju
- Transparência detalhada da execução do ciclo 1
🧩 Conclusão direta
- Prestação de contas: não está claramente publicada (pelo menos de forma acessível)
- Recursos do ciclo 2: sim, Aracaju recebeu
- Editais ciclo 2 em Aracaju: ainda pouco visíveis / incipientes nas redes e canais oficiais
1. O que aparece no Mapa Cultural de Aracaju (2026)
✔️ Editais encontrados (via Funcaju / Mapa)
a) Credenciamento anual (principal ativo hoje)
- Edital nº 003/2026
- Inscrição aberta o ano inteiro (até 31/12/2026)
- Cadastro de artistas, técnicos e serviços culturais
- Inscrição obrigatoriamente pelo Mapa Cultural
👉 Isso é importante:
não é edital de fomento → é banco de prestadores
b) Editais pontuais (eventos)
- Carnaval 2026 (blocos de rua)
- Concurso Rei Momo e Rainha
- Chamamentos rápidos com execução imediata
👉 Todos disponíveis via Mapa Cultural
⚠️ Leitura crítica do Mapa Cultural
O que NÃO aparece:
- ❌ Nenhum edital robusto identificado como PNAB ciclo 2 (2026)
- ❌ Nenhum pacote estruturado (ex: fomento, prêmios, manutenção de grupos)
- ❌ Nenhum calendário público consolidado
👉 Ou seja:
o Mapa está ativo, mas com editais administrativos/eventuais — não estruturantes
📱 2. O que aparece nas redes da Funcaju
A partir do link central (Instagram / Linktree):
-
Divulgação ativa de:
- Credenciamento anual
- Editais de carnaval
-
Presença de materiais PNAB:
- Manual de marcas PNAB
- Identidade visual
👉 Isso é um detalhe importante:
➡️ PNAB aparece como comunicação institucional
➡️ mas não como editais novos em execução visível
🧩 3. Último edital PNAB identificado (referência real)
- Edital Cultura Viva (Pontos de Cultura)
- Publicado em dezembro de 2024
- Inscrições até janeiro de 2025
- Cerca de R$ 330 mil
👉 Esse edital pertence claramente ao ciclo 1
📊 🧭 4. Diagnóstico geral (cruzando Mapa + redes)
✔️ Existe movimentação?
Sim, mas concentrada em:
- credenciamento contínuo
- eventos (carnaval, programação cultural)
❌ Existe PNAB ciclo 2 visível?
Não, até agora não aparece de forma concreta
Nem:
- editais novos
- cronograma
- chamadas públicas estruturadas
⚠️ 5. Interpretação política e de gestão
O padrão que emerge é claro:
🟡 Situação atual
- Município recebeu recursos
- Plataforma (Mapa Cultural) está funcionando
- Comunicação PNAB existe
🔴 Gargalo
- Não transformou isso em editais estruturantes ainda
🧠 6. Conclusão direta (sem rodeio)
-
O Mapa Cultural de Aracaju está ativo, mas operando com:
- credenciamento
- editais pontuais
- As redes da Funcaju confirmam isso
- PNAB ciclo 2 ainda não virou política pública visível na prática
👉 Em termos simples:
Aracaju está habilitada e comunicando,
mas ainda não está executando fortemente o ciclo 2 (publicamente)








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