terça-feira, 3 de março de 2026

Politica Nacional de Cultura Aldir Blanc e Midia Livre - Neri Silvestre , Célio Turino e Zezito de Oliveira #Lei Aldir Blanc2

Em algum momento histórico, tivemos que criar nossas próprias mídias, ou o que era chamado de “imprensa nanica”. Esse movimento consolidou-se como uma iniciativa diversa de contra-informação nos anos 1990 e 2000, com o fortalecimento da internet.

E agora, com a Politica Nacional de Cultura Aldir Blanc, nós, do movimento social das culturas, temos a oportunidade de criar essa dimensão na lei, em todos os estados e municípios: estabelecer editais para mídia livre comunitária, para fazer o contraponto à mídia oficial, colocar em evidência pessoas, coletivos, pontos de cultura, artistas e trabalhadores locais.

Trata-se de enfrentar nossa invisibilidade, criando condições para sermos vistos, e também colocar nossas voz e vezes na boca do povo, a partir do olhar do próprio território, e fomentar a construção de um movimento local de mídias livres, em todos os seus formatos.

NERI SILVESTRE

Pontos de Mídia Livre: por que resgatá-los?

Um de seus criadores narra como política pública surgiu, em 2008, e criou um efervescente universo de mídias independentes. Mesmo experimental, diz, mostrou a importância da aliança entre Cultura e Comunicação, tão necessária, hoje, em tempos de desinformação

CÉLIO TURINO


Abaixo, contextualização e detalhamento com IA Gemini

|Política Nacional de Cultura Viva (PNCV), instituída pela Lei nº 13.018/2014, possui um alto potencial para fomentar Pontos e Pontões de Cultura Digital e Mídia Livre, agindo como um catalisador de soberania tecnológica, democratização da comunicação e descentralização do acesso à produção cultural. Ao reconhecer a Cultura Digital como um de seus eixos temáticos fundamentais, a PNCV transforma coletivos comunitários em agentes ativos de produção de conteúdo, utilizando software livre e ferramentas colaborativas para combater a exclusão digital e fortalecer a diversidade cultural. 

Principais Potenciais da PNCV no Fomento à Cultura Digital e Mídia Livre:

Infraestrutura e Capacitação (Pontões de Cultura Digital): Os Pontões de Cultura temáticos, como o de Cultura Digital e Mídia Livre, mapeiam e capacitam os Pontos de Cultura em todo o país. Eles entregam ferramentas de gestão, comunicação e produção cultural colaborativa, oferecendo uma alternativa à dependência das Big Techs e fortalecendo a soberania digital do Brasil.

Acesso a Recursos Financeiros (Edital Cultura Viva): A política facilita o repasse de recursos federais, estaduais e municipais para projetos de cultura digital, com alto investimento previsto (ex: R$ 47,25 milhões para Pontões em 2025). Isso viabiliza a compra de equipamentos e a manutenção de estúdios comunitários de mídia livre.

Democratização da Produção (Mídia Livre): A PNCV potencializa "Pontos de Mídia Livre" que atuam como "pontos-cruz" na rede, permitindo que comunidades periféricas e tradicionais produzam sua própria narrativa, fugindo da mídia dominante. Exemplos incluem coletivos que utilizam o "Fediverso" para redes sociais e estúdios livres para produção audiovisual.

Desburocratização (Termos de Compromisso): A Lei Cultura Viva simplifica os processos de prestação de contas, facilitando o acesso de coletivos com pouca estrutura jurídica a recursos públicos, permitindo que Pontos de Cultura foquem na produção de conteúdo e não na burocracia.

Rede e Colaboração: A política incentiva a formação de uma rede colaborativa, onde o conhecimento sobre tecnologias livres e a produção de mídia livre é compartilhado, garantindo a autonomia dos coletivos e a sustentabilidade das práticas culturais. 

 Em suma, a interseção entre a Cultura Viva e a Cultura Digital fortalece o protagonismo de base comunitária, promovendo a apropriação tecnológica por populações em vulnerabilidade social. 

Começa Mapeamento Nacional dos Pontos de Cultura Digital e Mídia Livre

Trabalho faz parte da meta dois do projeto e contribuirá para atualizar e ampliar a base de dados do MinC

Comitê Gestor do Pontão Cultura Digital, Comunicação e Mídia Livre fortalece a soberania digital dos Pontos de Cultura

https://colaborativas.net/comite-gestor-do-pontao-cultura-digital-comunicacao-e-midia-livre-fortalece-a-soberania-digitaldos-pontos-de-cultura/

PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO MATERIAL E IMATERIAL ATRAVÉS DA CULTURA DIGITAL DENTRO DA CULTURA VIVA COMUNITÁRIA.

https://www.enecult.ufba.br/modulos/submissao/Upload-699/152464.pdf

Redes das Produtoras Colaborativas inicia Qualificação Digital Nacional dos Pontos e Pontões de Cultura

Qual a importância do trabalho politico pedagógico com cultura digital junto as populações periféricas e marginalizadas do Brasil nesse momento histórico?

Fonte IA ICL - Oráculo 

03/03 • 15:40

Essa é uma pergunta extremamente relevante e atual. Vou buscar nas aulas do ICL o que nossos professores abordam sobre cultura digital, educação e populações periféricas.. Que pergunta potente! Vou compartilhar o que nossos professores abordam sobre esse tema crucial. Encontrei conteúdos muito relevantes que conectam educação digital, democratização do acesso e pedagogia crítica:

Educação Digital e Formação Crítica

Fernando Horta, no curso "Soberania Digital: Um Novo Cenário Internacional", enfatiza que a educação digital deve ser prioridade neste momento histórico. Ele destaca três pilares fundamentais: acesso, democratização e formação crítica. Segundo Horta, "devemos investir mais nesse processo de educação digital" - não apenas como alfabetização técnica, mas como ferramenta de emancipação.

Aula 09 – Tecnologia geração de valor e geopolítica - 88:51

Democratização do Acesso à Informação

César Pereira, no curso "Sociedade Digital: tecnologias, informação e desafios", aborda a importância da democratização do acesso, da comunicação e do uso da informação. Ele afirma: "Estamos democratizando o acesso à informação" - mas isso precisa vir acompanhado de formação crítica para que as populações marginalizadas possam não apenas consumir, mas também produzir conhecimento."

Aula 07 – Conhecimento e Inovação - 2:43

Educação Libertadora e Contexto Digital

O curso "Paulo Freire: Educar e Esperançar" traz fundamentos essenciais para pensarmos o trabalho político-pedagógico com cultura digital. A educação libertadora de Freire é crucial neste momento porque:

Propõe uma educação comprometida com a superação da opressão

Valoriza o diálogo e a construção coletiva do conhecimento

Busca a autonomia e conscientização crítica dos educandos

Aula 04 – Pedagogia do oprimido (Parte I) - 47:09

Formação para o Uso Consciente

Nara Helena, no curso "Adolescentes e Crianças on-line", reforça: "É importante falar cada vez mais sobre a educação digital, a formação de fazer um bom uso dos aplicativos" - especialmente para populações que historicamente foram excluídas dos processos educacionais formais.

Aula 09 – Adolescência e saúde mental - 26:14

A importância neste momento histórico está em: garantir que as populações periféricas e marginalizadas não sejam apenas consumidoras passivas da cultura digital, mas protagonistas críticas, capazes de usar a tecnologia como ferramenta de libertação, expressão e transformação social - exatamente como Paulo Freire propunha com a alfabetização.



Contra a guerra injusta e injustificada com o Irã. Editorial da revista jesuíta America. #Análise de Conjuntura

 03 Março 2026

"Qualquer pessoa com memória de 2003 e do período que antecedeu a segunda Guerra do Golfo contra o Iraque também se lembrará de outra lição que os Estados Unidos aprenderam da maneira mais difícil: as aventuras militares americanas no Oriente Médio tendem a terminar muito, muito mal", afirma a revista dos jesuítas americanos America, 02-03-2026, em editorial.

Segundo o editorial, "não há dúvida de que estamos enfrentando uma emergência nacional e internacional enquanto as bombas continuam a cair. Embora ainda tenhamos esperança de um retorno à diplomacia e ao respeito pelo Estado de Direito, também enfrentamos o pior cenário possível, apropriadamente descrito pelo Papa Leão XIV logo após o início dos ataques: o de que não seremos capazes de “assumir a responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável”.

Eis o editorial.

O Oriente Médio mergulhou mais uma vez em conflitos e incertezas — e o principal culpado é o presidente americano que prometeu acabar com o hábito dos EUA de se envolver em “guerras intermináveis”: Donald J. Trump. Ao se unir a Israel para executar o assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, Trump ignorou a lei americana e envolveu o país em uma guerra por sua própria conta e risco. Ele também continua ignorando os custos e os riscos de desestabilizar a já frágil ordem internacional. Como os editores disseram sobre seu aventureirismo na Venezuela há apenas dois meses: “Intervenções militares sem princípios e imprevisíveis tornarão os conflitos regionais mais duradouros e destrutivos”.

É evidente que a oposição ao ataque conjunto EUA-Israel ao Irã não significa, de forma alguma, um endosso ao atual regime iraniano, como se apenas duas opções ruins fossem possíveis: destruir o regime violentamente ou apoiá-lo. Décadas de regime totalitário e a violenta repressão de protestos civis, combinadas com o apoio a guerras por procuração destinadas a minar a estabilidade da região e o desrespeito às resoluções da ONU sobre o desenvolvimento de armas nucleares — juntamente com frequentes apelos à destruição literal dos Estados Unidos e de Israel — fizeram com razão do regime iraniano um pária. Mas reconhecer essa realidade não justifica a mudança de regime pela força, nem torna esse resultado praticamente alcançável.

O cálculo político do governo Trump até agora sugere uma disposição para que os fins justifiquem os meios: uma vez que a oportunidade de eliminar a liderança iraniana por meio de ataques de decapitação se apresentou, era uma oportunidade imperdível, independentemente do que estivesse acontecendo na mesa de negociações. No entanto, esse raciocínio não apenas deixa de atender aos critérios para ação militar em qualquer formulação da teoria da guerra justa ou do direito internacional, como também falha no teste do bom senso. Qual é o fim que supostamente justifica esses meios perigosos e imprevisíveis?

Será uma mudança de regime, como disse o Sr. Trump em duas mensagens de vídeo no fim de semana, após o início dos ataques aéreos? Será uma nova tentativa de destruir o programa nuclear iraniano, após os ataques deste verão? A eliminação de qualquer ameaça de mísseis aos Estados Unidos e a Israel? Ou, como disse o secretário de Defesa Pete Hegseth em uma coletiva de imprensa esta manhã, o objetivo é simplesmente transmitir a mensagem: “Se vocês matarem americanos, se ameaçarem americanos em qualquer lugar do mundo, nós os caçaremos sem remorso e sem hesitação, e os mataremos”? Não está claro que alguém no governo dos EUA — e certamente não na comunidade internacional — saiba qual é o objetivo final.

Qualquer pessoa com memória de 2003 e do período que antecedeu a segunda Guerra do Golfo contra o Iraque também se lembrará de outra lição que os Estados Unidos aprenderam da maneira mais difícil: as aventuras militares americanas no Oriente Médio tendem a terminar muito, muito mal. Essa segunda guerra resultou em enormes baixas civis e militares e praticamente levou o Estado iraquiano à falência. Mesmo hoje, um quarto de século depois, o Iraque permanece uma nação fragmentada e violenta. Enquanto isso, as forças americanas permaneceram em solo iraquiano por décadas após o presidente George W. Bush declarar "Missão Cumprida". A ação americana contra o Iraque em 2003 também contribuiu para a ascensão do Estado Islâmico e a subsequente Guerra Civil Síria, deixando também aquele país devastado.

Em 2003 (e em 1991), o governo dos EUA procurou convencer seus próprios cidadãos e a comunidade internacional, incluindo o Vaticano, da necessidade de intervenção militar no Iraque antes de realizar a invasão propriamente dita. Mesmo em 2003, quando os Estados Unidos agiram com uma coalizão de nações muito menor do que em 1991 e com base no que mais tarde se revelou ser uma evidência exagerada de um programa de armas nucleares iraquiano, o governo de George W. Bush ao menos seguiu os trâmites para obter alguma autorização do Congresso e consenso internacional antes da intervenção militar. Desta vez, o Sr. Trump não fez tal tentativa.

Talvez reconhecendo que não receberia o apoio do Congresso, especialmente à luz das deserções públicas de Rand Paul e outros republicanos proeminentes, o Sr. Trump optou por não se dar ao trabalho. Tampouco tentou apresentar argumentos públicos ao povo americano, do qual apenas um a cada quatro apoia os ataques ao Irã, ou à comunidade internacional.

Existe alguma saída para esse impasse moral e jurídico? Dado que a capacidade do Sr. Trump de iniciar uma guerra supera em muito sua capacidade de terminá-la, o que os Estados Unidos devem fazer em relação ao Irã daqui para frente, agora que assassinaram grande parte de sua liderança sênior, mas não possuem uma maneira viável de fortalecer qualquer alternativa ao regime atual?

O primeiro passo é que o Sr. Trump pare — ou que o Congresso o impeça — de conduzir esta guerra de forma desordenada, com objetivos obscuros e irrealistas. É necessária uma cooperação bipartidária robusta em resposta às ações do presidente: um debate aberto e irrestrito no Congresso, que inclua as vozes francas de legisladores republicanos se manifestando contra a guerra, poderia convencer o Sr. Trump a retornar à mesa de negociações e a formular um plano que ele possa defender perante os aliados, tanto nacionais quanto internacionais. Infelizmente, os Estados Unidos provavelmente precisarão planejar o fim deste conflito sem depender dos aliados ocidentais. Não podemos contar com a comunidade internacional, em grande parte porque, nos últimos 15 meses, a maior parte da comunidade internacional aprendeu a parar de contar conosco.

Não há dúvida de que estamos enfrentando uma emergência nacional e internacional enquanto as bombas continuam a cair. Embora ainda tenhamos esperança de um retorno à diplomacia e ao respeito pelo Estado de Direito, também enfrentamos o pior cenário possível, apropriadamente descrito pelo Papa Leão XIV logo após o início dos ataques: o de que não seremos capazes de “assumir a responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável”.

Leia o texto na fonte original IHU.

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EUA buscam estrangular energeticamente a China, que os derrotou em seu próprio jogo. Tel Aviv deseja ver o Irã transformar-se num Estado falido. Mas se Teerã resistir, os dois mafiosos terão diante de si um pesadelo político, econômico e eleitoral.

https://outraspalavras.net/geopoliticaeguerra/o-plano-delirante-e-os-riscos-de-trump-e-netanyahu/

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Por dentro do Irã. Por César Benjamin e Natalia Maia Calfat



O velório coletivo das 160 meninas mortas no ataque de Israel ao Irã, com os corpos envoltos em mortalhas brancas, cada um acompanhado por fotografias e flores, enquanto familiares se despedem em meio à dor e ao luto. Uma cena devastadora que expressa a dimensão humana de uma tragédia.

domingo, 1 de março de 2026

A astúcia lulista: sobrevivência molecular que mantém o campo popular vivo onde a ruptura seria aniquilação. Por Sérgio Alarcon #Análise de Conjuntura

"A astúcia do lulismo não é uma ideologia, mas uma inteligência prática de sobrevivência e transformação molecular que, ao navegar pelas restrições estruturais do Brasil, reconfigura o sensível e mantém vivo o campo popular onde a ruptura frontal seria aniquilação".

Eu não conheço ninguém que tenha conseguido reverter uma Lei Magnitsky” - Eduardo Bolsonaro

Agora é só Maduro dedurar o Lula” - Nikolas Ferreira

Se o Lula não tivesse ganhado a eleição em 2022 o Brasil teria virado uma Venezuela.” - Pedro Ronchi, pós sequestro de Maduro.

Superar o lulismo é um debate inadiável” - Jonas Manoel. 

Há um modo recorrente de interpretar a política brasileira, especialmente a partir de setores da esquerda, que oscila entre duas leituras igualmente paralisantes. De um lado, a narrativa da derrota histórica da esquerda dita “revolucionária”: a guerrilha fracassada, a institucionalização sem ruptura, a degeneração pragmática do projeto dos anos 1970-1980. De outro, a crença resignada de que, diante do fascismo social e do cinismo organizado do Centrão, resta apenas apoiar Lula como último dique possível - ainda que esse dique pareça fazer parte do próprio sistema que produz o desastre.

Nessa leitura, a esquerda teria se entrincheirado num dogma defensivo (“é isso ou o pior”); o PT teria se tornado o oposto do que nasceu para ser; e Lula apareceria ora como vítima da correlação de forças, ora como seu engenheiro perverso - ao entregar rádios aos evangélicos, ministérios aos fisiológicos, espaço ao orçamento secreto, teria capitulado integralmente. O resultado seria um circuito fechado: Lula enfraquece a esquerda ao governar; ao enfraquecer a esquerda, torna-se a única alternativa; e assim se perpetua como gestor inevitável de uma ordem que não transforma.

Essa crítica é intelectualmente sofisticada, mas opera num único regime de inteligibilidade: o da macropolítica, da estratégia transparente, do programa coerente, do sujeito histórico reconhecível e da transformação como evento legível. É uma política pensada como se o Brasil fosse um espaço iluminista, no qual a razão pública se expressa por meio do debate racional, da disputa ideológica clara e de instituições minimamente estáveis.

É precisamente contra esse pressuposto que, mobilizando autores como Jacques Rancière, William James (e algo de John Dewey, seguindo certa tradição do pragmatismo) - e a noção de métis, tal como elaborada por Detienne e Vernant e reconectada por Deleuze e Guattari ao campo da micropolítica, tentarei demonstrar como, sob outra perspectiva, funcionam Lula e o lulismo. 

Acho que todos esse autores, a seu modo, deslocam a política do plano da norma para o da prática, da experiência e da invenção situada. Mas alguns dirão que se trata de uma verdadeira colcha de retalhos conceitual - e podem estar certos -, mas a gente tem que exercitar às vezes aquele procedimento que Deleuze ensinou: permitir nos guiar pelos “intersessores”; deixar-se conduzir por encontros heterogêneos, mesmo quando entre eles não se ofereça, à primeira vista, qualquer promessa de conciliação sistemática.

Rancière nos lembra que o ódio à democracia raramente se dirige, em primeiro lugar, às instituições formais. Ele se volta, sobretudo, contra aquilo que essas instituições são incapazes de controlar: a irrupção da igualdade em lugares onde ela não foi previamente autorizada. Para Rancière, democracia não designa um regime político estável, nem um arranjo institucional consolidado, mas o nome do escândalo que emerge quando aqueles que, segundo a ordem dominante, “não deveriam governar” passam a contar, a falar e a interferir no comum, no coletivo.

A política democrática, nesse sentido, não se apresenta como uma epopeia racional guiada por consensos ou procedimentos técnicos. Ela se manifesta como um deslocamento do sensível: uma perturbação daquilo que pode ser visto, dito e pensado. Ao romper a chamada “ordem policial” - isto é, a distribuição hierárquica dos lugares, das vozes e das competências - a democracia introduz um ruído, um excesso, um desacordo que desestabiliza as fronteiras do possível.

Já Deleuze e Guattari, ao retomarem a métis grega (uma retomada implícita, não literal), descrevem uma racionalidade “menor”, astuciosa, que opera nos interstícios e nas turbulências dionisíacas - não o logos soberano apolíneo, mas a inteligência dos que não controlam o jogo e sobrevivem criando desvios, atalhos, acomodações táticas. É a sabedoria da mãe que estica o orçamento familiar, do sindicato que arranca ganhos sem romper o pacto, do favelado que dribla o Estado policial e o mercado predatório ao mesmo tempo. Certamente não visa algo grandioso como uma teoria da emancipação última e grandiosa; mas é ciência da sobrevivência criativa, in acto, na realidade, pois in potentia, em potência, no porvir que se sonha, não há o pão que mata a fome aqui e agora…

Aplicada ao lulismo, essa dupla chave - rancieriana e deleuzo-guattariana - permite uma leitura materialista menos, digamos, “moralizante”. O lulismo não é, em primeiro lugar, uma ideologia nem um programa coerente: é um modo de operar que emerge de experiências concretas da classe trabalhadora brasileira ou, em outras palavras, um modo de produção desejante imediato, maquínico, molecular que  emerge a partir das fábricas do ABC, das comunidades eclesiais de base, dos sindicatos, e das periferias racializadas. Trata-se de uma política que aprendeu, na prática, que no Brasil a ruptura frontal quase sempre termina em aniquilação - política ou literal.

Nesse sentido, o lulismo não representa a derrota da geração fundadora, mas sua metamorfose num terreno em que a revolução clássica se tornou estruturalmente inviável. A vontade de transformação não desapareceu; ela se molecularizou, como diria Guattari. Ela se deu sob a forma de crédito popular, valorização real do salário mínimo, formalização do trabalho doméstico, expansão universitária massiva, isenção do imposto de renda para milhões, políticas de transferência de renda e a entrada concreta de dezenas de milhões de pessoas na vida econômica, simbólica e cidadã do país. Não são apenas reformas administrativas: são, no sentido deleuzo-guattariano, produção de subjetividade (ou, em termos rancierianos, é uma reconfiguração do sensível). Diria, para horror de alguns, um “Marx menor”, cartográfico, situacional, sensível às forças reais do campo onde efetivamente a luta é ao mesmo tempo real e possível - in actu e potentia.

Aqui o diálogo com o pragmatismo deweyano parece-me oportuno e direto: a democracia não é aplicação de princípios universais, mas aprendizagem coletiva experimental sob condições imperfeitas. O lulismo, nesse registro, é política experimental em contexto de restrição estrutural.

A crítica à suposta despolitização lulista falha em perceber que, nas periferias, a política não se realiza prioritariamente na linguagem do debate público ilustrado, mas na linguagem da vida que tenta se organizar. Quando a filha da faxineira entra na universidade, quando a doméstica tem carteira assinada, quando o jovem negro acessa um instituto federal, não se trata apenas de distribuição de benefícios: trata-se de reconfiguração do campo do possível, do sensível - exatamente o tipo de deslocamento que Rancière identifica como político, ainda que não se anuncie como tal.

Acusar Lula de “fabricar” a correlação de forças que o limita é atribuir-lhe um poder quase soberano que ele nunca teve. A estrutura brasileira - neopentecostalismo de massa, patrimonialismo, rentismo, violência policial, oligopólio midiático - precede e excede qualquer liderança individual. Lula não cria esse diagrama; ele navega nele. E navegar não é endossar: é praticar a métis necessária para que o campo popular não seja simplesmente esmagado.

Para a leitura que chamei de “moralista”, isso é acomodação. Para a leitura genealógica, pragmática e micropolítica, é lucidez trágica sobre o terreno real da luta. No Brasil, o herói que tenta romper frontalmente a correlação de forças é rapidamente triturado - os exemplos últimos de Jango, Marighella, ou mesmo Brizola e Dilma, são lembranças incômodas disso. A astúcia que desloca gradualmente a estrutura permanece viva, e com ela a própria possibilidade de conflito futuro.

A política brasileira nunca coube na narrativa da vanguarda heróica nem na da derrota total. Ela opera num regime híbrido, mestiço, micropolítico, experimental, ensaístico. Como sugerem Rancière, Dewey e Deleuze-Guattari, a democracia real não se apresenta como ordem estável nem como redenção final, mas como processo instável de abertura do campo do comum. No Brasil, essa abertura raramente vem como épico; surge como infiltração, rearranjo, invenção cotidiana.

Obviamente a métis não substitui a crítica - ela a torna, talvez, mais precisa. Sim, o lulismo está longe de ser revolucionário no sentido clássico. Sim, a esquerda institucional perdeu capacidade organizativa. Mas também é verdade que, sem a astúcia lulista, o campo popular teria sido devastado pela ofensiva fascista-oligárquica recente. Risco que, aliás, ainda existe.

"Este artigo acima reforça uma opinião que costumo expressar: se o nosso olhar do campo popular focar apenas na macropolítica, o pessimismo e o derrotismo prevalecem. Por outro lado, ao priorizarmos a micropolítica — o trabalho cotidiano e prático, sem perder a conexão com o todo — percebemos o quanto se pode avançar 'por baixo' das grandes estruturas. Isso nos livra da paralisia dos debates puramente intelectuais e elitistas, que criam uma perfeição virtual sem aderência à realidade complexa e contraditória em que o povo vive. É dessa base que retiro o combustível para continuar acreditando em transformações possíveis, mesmo que não tenham o alcance totalizante que desejaríamos."

Zezito de Oliveira


 Abaixo, via IA Deepseek 

Com base na leitura atenta do artigo fornecido, os autores citados e suas respectivas ideias ou conceitos (presentes de forma implícita ou explícita) são:

Autores Citados e Conceitos Associados

Jacques Rancière:

Ideia/Conceito: O "ódio à democracia" e a definição de política como "irrupção da igualdade".

Explicitação no texto: O autor usa Rancière para argumentar que a democracia não é um regime estável, mas o "escândalo" que ocorre quando aqueles que "não deveriam governar" passam a contar e a interferir no comum. Isso se conecta à análise do lulismo como uma "reconfiguração do sensível" — quando a filha da faxineira entra na universidade ou a doméstica tem carteira assinada, ocorre uma "perturbação daquilo que pode ser visto, dito e pensado", rompendo com a "ordem policial" (a distribuição hierárquica dos lugares).

William James:

Ideia/Conceito: Filiação ao Pragmatismo (ênfase na experiência e na prática).

Explicitação no texto: O autor menciona James ao situar seu argumento dentro de uma tradição que desloca "a política do plano da norma para o da prática, da experiência e da invenção situada". Serve como base para a crítica à visão "iluminista" da política.

John Dewey:

Ideia/Conceito: Democracia como "aprendizagem coletiva experimental".

Explicitação no texto: O autor conecta Dewey diretamente à sua tese, afirmando que "a democracia não é aplicação de princípios universais, mas aprendizagem coletiva experimental sob condições imperfeitas". Isso é usado para interpretar o lulismo como uma "política experimental em contexto de restrição estrutural".

Marcel Detienne e Jean-Pierre Vernant:

Ideia/Conceito: A noção de métis (a inteligência astuciosa, a sabedoria prática e adaptativa).

Explicitação no texto: Os autores são citados como a fonte original do conceito de métis, que é central para a argumentação. A métis é descrita como a "racionalidade 'menor', astuciosa, que opera nos interstícios" — a sabedoria da sobrevivência criativa, do desvio e da acomodação tática em situações adversas.

Gilles Deleuze e Félix Guattari:

Ideia/Conceito: Micropolítica, produção de subjetividade, "intercessores" e a retomada da métis.

Explicitação no texto:

Retomada da métis: Eles são mencionados por terem "reconectado" a métis "ao campo da micropolítica".

Intercessores: O autor utiliza o procedimento ensinado por Deleuze de se deixar guiar por "intercessores" (encontros heterogêneos) para construir seu argumento, mesmo que pareçam uma "colcha de retalhos conceitual".

Micropolítica e Produção de Subjetividade: O lulismo é interpretado como um "modo de produção desejante imediato, maquínico, molecular". A vontade de transformação, no lulismo, não desapareceu, mas se "molecularizou" (conceito de Guattari). As políticas sociais são vistas como "produção de subjetividade", transformando a vida concreta das pessoas.

Ideias e Conceitos Presentes sem Autoria Específica (ou como síntese do argumento)

Além dos autores citados, o texto mobiliza e contrapõe conceitos implícitos que são fundamentais para a argumentação:

Macropolítica vs. Micropolítica: Esta é a oposição central do texto. A crítica que o autor combate opera no regime da "macropolítica" (estratégia, programa coerente, sujeito histórico). A análise proposta opera no campo da "micropolítica" (práticas cotidianas, invenção situada, produção de subjetividade).

"Marx menor": O autor cunha essa expressão para descrever uma análise "cartográfica, situacional, sensível às forças reais do campo", em oposição a uma teoria da emancipação grandiosa e última.

Moralismo vs. Materialismo / Genealogia: O texto distingue a crítica "moralizante" (que vê o lulismo como traição ou derrota) de uma leitura "materialista", "genealógica" e "micropolítica" (que o vê como adaptação e luta pela sobrevivência em um terreno hostil).

Experiência histórica brasileira (Jango, Marighella, Brizola, Dilma): O autor usa esses exemplos históricos (de forma implícita) para defender sua tese: no Brasil, a "ruptura frontal" (tentativa de confrontar diretamente a correlação de forças) leva à aniquilação, validando assim a métis lulista como uma estratégia de sobrevivência e deslocamento gradual.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

O que a politica nacional de cultura viva tem a ver com a afirmação do deputado Marcos Pereira "´ócio demais faz mal" em defesa da manutenção da escala 6X1 ?

 O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, afirmou que vê com preocupação a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da jornada 6x1. Em entrevista, o parlamentar declarou acreditar que o trabalho está diretamente ligado à prosperidade e fez críticas ao que considera excesso de tempo ocioso.  “Eu acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, tem que ter lazer, mas ócio demais faz mal”, afirmou. Ele ainda argumentou que a redução da jornada poderia expor pessoas a riscos sociais. “Vai ficar mais exposto a drogas, a jogo de azar. Pode ser o contrário, ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou no sertão lá do Nordeste?”, questionou.

A Política Nacional Cultura Viva (PNCV) e a afirmação do deputado Marcos Pereira sobre a jornada 6x1 representam visões opostas sobre o papel do tempo livre, do lazer e da cidadania nas populações vulneráveis. Enquanto o parlamentar argumenta que o tempo livre ("ócio") pode expor os pobres a riscos sociais por falta de opções de lazer, a Cultura Viva foi criada justamente para garantir que essas mesmas comunidades sejam protagonistas de sua própria produção cultural e tenham acesso pleno a seus direitos.

Abaixo, detalho as conexões e os contrastes entre a política pública e a declaração citada:

1. Garantia de Direitos Culturais vs. Riscos do "Ócio"

O deputado afirma que a redução da jornada poderia expor pessoas a "drogas e jogos de azar" por falta de opções de lazer em comunidades ou no sertão. Em contraste, a Política Nacional Cultura Viva tem como objetivo central garantir o pleno exercício dos direitos culturais aos cidadãos, especialmente para grupos em situação de vulnerabilidade social. 

PNCV: Foca em fornecer meios e insumos para que as próprias comunidades produzam, registrem e difundam sua cultura.

Contradição: A afirmação do parlamentar sugere uma carência de opções que a PNCV busca suprir ao reconhecer e apoiar as atividades culturais já existentes nesses territórios.

2. Protagonismo Social vs. Vulnerabilidade no Lazer

Marcos Pereira questiona: "Qual é o lazer de um pobre numa comunidade?". A Política Cultura Viva responde a essa pergunta através dos Pontos de Cultura, que são o eixo central da política.

Os Pontos de Cultura não são apenas espaços de recepção de lazer, mas centros de fomento a grupos e ações culturais com experiência comprovada em suas localidades.

A política visa estimular o protagonismo social, transformando o que o deputado chama de "ócio" em tempo de criação, formação e convivência comunitária. 

3. Lazer como Direito e Qualidade de Vida

A afirmação associa o tempo fora do trabalho ao "mal", enquanto as políticas públicas de lazer e a PNCV o veem como essencial para a saúde, bem-estar e coesão social. 

Políticas de lazer visam facilitar o acesso à arte e entretenimento para todos, independentemente da situação socioeconômica.

Atividades culturais e de lazer são comprovadamente eficazes na redução do estresse e ansiedade, promovendo a inclusão social e a equidade. 

Comparativo de Perspectivas

Ponto de Análise Visão da Afirmação (Marcos Pereira) Visão da Política Cultura Viva

Tempo Livre Visto como "ócio demais", potencialmente perigoso ("pode ser o mal"). Visto como tempo para o exercício da cidadania e direitos culturais.

Pessoas Pobres Consideradas vulneráveis a riscos sociais se tiverem tempo livre. Consideradas protagonistas e beneficiárias prioritárias de fomento cultural.

Comunidades/Sertão Descritos como locais com falta de opções de lazer legítimo. Reconhecidos como polos de diversidade e riqueza cultural que devem ser apoiados.

Papel do Estado Insinua que o trabalho contínuo protege o indivíduo. Garante recursos para que a comunidade desenvolva sua própria vida cultural.

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O ócio criativo, segundo o sociólogo italiano Domenico De Masié a união harmoniosa entre trabalho, estudo e lazer. Diferente da preguiçaé um estado ativo onde o tempo livre é usado para gerar conhecimento e criatividade, resultando em inovação e maior qualidade de vida, ao invés de apenas exaustão. 

Este vídeo explica o conceito de ócio criativo de Domenico De Masi:





quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

"Ócio demais faz mal", diz presidente do Republicanos contra o fim da escala 6x1 - O povo não tem dinheiro. Vai ficar mais exposto. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade?',

Fonte: Página Anarcomiguxos no Facebook

] Essa fala é interessante porque expõe claramente três pensamentos intrínsecos da classe dominante (e que infelizmente o pobre de direita não vai entender:

1) para a classe dominante, o pobres não podem ter tempo pra pensar. Daí sempre fazerem o possível para que os pobres descansem apenas o mínimo possível pra não colapsarem ou mesmo que trabalhem até a exaustão. Daí os ataques a qualquer feriado que exista no Brasil.

2) para a classe dominante os pobres não têm direito a festejar (vejam os ataques ao Carnaval). É uma ideia de que festejar seria uma "recompensa" ao "mérito"... e no capitalismo só tem mérito quem tem fortuna, logo, "permitir" que os pobres festejem seria como premiar quem "não merece". 

Embora eles sejam contra o Carnaval (por motivos religiosos) de uma forma geral, não teriam nenhuma problema se este fosse restrito aos "bailes de máscaras" de clubes privados ou aos camarotes do sambódromo. O "problema" é o Carnaval de rua onde qualquer pessoa pode simplesmente improvisar uma fantasia com o que tiver em casa e ir se divertir com amigos e vizinhos sem pagar nada por isso.


Eles abominam a ideia de pobres, com tempo livre, se divertindo.

3) para a classe dominante, principalmente a classe dominante dos países com histórico escravagista, essa história de "Deus, Pátria e Família" é um lema para os ricos, para eles pobres não têm família, eles produzem mão de obra. Até porque eles não pensam que os mais  pobres possuam sentimentos familiares. A continuação da fala desse cidadão é afirmando que os pobres não ficariam com a família se tivessem tempo livre, porque "os brasileiros não são assim".

Qualquer unidade de brasileiro que já tenha convivido com estrangeiros do Norte vai ter ouvido em algum momento sobre como povos do Sul têm uma vida girando em torno da família (tudo é feito em família e todos estão sempre juntos) enquanto no Norte saem de casa com 18 anos e às vezes passam anos sem falar com parentes (mesmo os pais).

E eu tenho certeza que ele só disse isso porque o que ele realmente pensa seria impublicável, sabendo que esse nível de pensamento elitista é aceitável para uma parte dos pobres e mesmo reproduzido por eles, eu tenho certeza que o que ele realmente gostaria de ter dito é muito pior


"Ócio demais faz mal", diz presidente do Republicanos contra o fim da escala 6x1
'O povo não tem dinheiro. Vai ficar mais exposto. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade?', questiona Pereira
26 de fevereiro de 2026, 06:57 h

Portal 247 - O presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), afirmou ter levado ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), preocupações sobre a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da jornada de trabalho 6x1. Em entrevista à Folha de São Paulo, o parlamentar declarou ser contrário à votação do tema em ano eleitoral e apontou possíveis impactos negativos para a economia brasileira.

Pereira relatou que externou sua posição diretamente a Motta e ouviu do presidente da Câmara que a tramitação da PEC buscaria assegurar protagonismo ao Legislativo diante da possibilidade de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentar um projeto de lei sobre o assunto.

Ao comentar a proposta, Pereira afirmou: “Estou muito preocupado. Eu já demonstrei ao Hugo Motta a minha contrariedade ao tema. Não é o momento para se debater. Poderia se debater em outro momento, mas em ano eleitoral é muito sensível, porque expõe a Casa [Câmara]. Às vezes até tem que votar [favorável] por conta de ser um ano eleitoral, porque o eleitor pode não entender bem se você votar contra, por exemplo. Eu estou preocupado”.

Ele argumentou que, conforme notas técnicas do setor produtivo, a mudança pode elevar custos. “Pelas notas técnicas do setor produtivo, vai encarecer mais ainda. Pode ficar ruim para todos, porque vai tirar mais ainda a competitividade do setor produtivo brasileiro”, declarou.

Sobre a decisão de pautar a matéria, Pereira relatou a justificativa apresentada por Motta: “Ele falou ‘vamos fazer um debate’. No momento que ele despachou para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), ele me disse: ‘Eu estou fazendo isso porque se eu não fizer, o governo vai fazer, então é melhor que a Casa tome o protagonismo’”.

Questionado sobre a comparação feita por Motta entre a PEC e marcos históricos como a criação da CLT e o fim da escravidão, o dirigente partidário afirmou: “Me surpreendeu um pouco. A CLT, com todos os méritos, tem muitos problemas. É só você comparar com os países com pleno emprego e economia mais pujante. A gente tem um abismo”. Ele também citou diferenças de custo trabalhista e tributário em relação a países europeus e à China.

Ao abordar a demanda por mais tempo de lazer, Pereira declarou: “Eu acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, a pessoa tem que ter lazer, mas lazer demais também, o ócio demais faz mal”. Ele acrescentou que a população enfrenta limitações econômicas: “O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?”.

Banco Master e investigações
Sobre o caso envolvendo o Banco Master, o deputado afirmou que as investigações devem seguir seu curso. “Isso é um negócio que você vê como ele começa, mas não sabe como termina. Está a cargo da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário”. Ele ressaltou que recursos públicos precisam ser apurados: “É dinheiro público. Tem que ser investigado e, se comprovadas fraudes e crimes, serão penalizados, não tenho dúvidas”

Pereira também destacou que o Fundo Garantidor de Crédito envolve recursos privados e que o sistema financeiro deve se organizar sob regulação do Banco Central

Disputa política e cenário eleitoral
No campo político, o presidente do Republicanos avaliou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ocupou espaço na direita após a prisão de Jair Bolsonaro (PL). “Não tem vácuo. Acho que foi ocupado por ele [Flávio]. Se o Bolsonaro apoiar você, você já sai com 20%. E tem 15% de antipetismo, aí já vai a 35%. Ele já está no segundo turno. São os números que estão aí”, afirmou

Ao comentar decisões tomadas pelo PL sem diálogo com outras legendas, declarou: “Não é uma coisa que ajuda no debate, na aproximação. [...] Isso distancia”. Sobre eventual apoio em 2026, disse que a discussão interna começará após o prazo da janela partidária

Questionado se considera que Jair Bolsonaro tentou um golpe de Estado, respondeu: “Eu acho que golpe de Estado você só dá se você tiver o apoio das Forças Armadas. Se tentou, não teve o apoio. Mas eu não sei. Não participei, não conheço, não me debrucei nos autos do processo que o julgou, então prefiro não dar essa opinião”

Pereira também afirmou não se incomodar com críticas ao Congresso e reiterou posições liberais na economia, defendendo privatizações amplas, com exceção de Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica Federal e Petrobras

Aos 53 anos, Marcos Pereira é advogado, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, está em seu segundo mandato como deputado federal e já ocupou o cargo de ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços no governo Michel Temer (MDB)


Ao atacar o fim da escala 6x1, o deputado federal Marcos Pereira acabou fortalecendo justamente a campanha por mais descanso. Ao sugerir que trabalhadores pobres não saberiam o que fazer com um dia livre a mais — associando de forma preconceituosa lazer a vícios e desordem — o presidente do Republicanos, partido de Tarcísio de Freitas, transformou um debate trabalhista em julgamento moral. O argumento mistura fé com política pública, confundindo Teologia da Prosperidade com Filosofia da Exaustão, e levanta uma questão central: cabe ao Estado decidir qual é o caminho da virtude de cada trabalhador?

Descanso não é sinônimo de desvio. Direitos trabalhistas não são ameaça moral. A história mostra que avanços como a jornada de oito horas enfrentaram resistência, mas se consolidaram porque equilibrar trabalho e vida fortalece a sociedade. A pergunta não é o que o pobre fará com mais tempo livre. É por que alguém precisa trabalhar seis dias seguidos para provar seu valor. O debate sobre a 6x1 precisa de dados e respeito, não de estigmas. Trabalhadores não precisam de tutela. Precisam de dignidade.






quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Acompanhe por aqui as novidades do Ponto Ação Cultural 2025/2026

 Para quem quem quiser  participar da primeira turma da oficina de audiovisual com celular "Cinema na Palma da Mão" . https://docs.google.com/forms/d/1e0eLStkoctIJ9T4YdeMMtV8CCEUoO7F7JRNZVbyyH1I/edit



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O que é a Politica Nacional Cultura Viva? O que são Pontos de Cultura?


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Ponto de Cultura Ação Cultural inicia período de inscrição da oficina "Cinema na Palma da Mão" direcionada para integrantes de grupos culturais do Bairro Industrial e Adjacências

    O Ponto de Cultura Ação Cultural inicia, na segunda quinzena de março, a primeira turma da oficina de audiovisual com celular: "Cinema na Palma da Mão". As inscrições estão abertas para integrantes de iniciativas culturais localizadas no Bairro Industrial e arredores.

     sábado, 21 de fevereiro de 2026 

    Cineclube Realidade e Fratelli Tutti em ação

     sábado, 21 de fevereiro de 2026 - Já estamos no tempo de organizar o calendário e outras questões de logistica para o  início das oficinas de audiovisual e de teatro, bem como a continuidade do Cineclube Realidade. Crianças, adolescentes e jovens ligados à Paróquia São Pedro Pescador — e a comunidade em geral do Bairro Industrial e arredores — receberão um presente muito caro a quem é comprometido com a formação humana integral, na linha do que propôs o Papa Francisco na Encíclica Fratelli Tutti (Todos Irmãos) e por outras palavras e gestos de seu pontificado, endossados e continuados por seu sucessor, Leão XIV.