sábado, 2 de maio de 2026

A capital que não lidera: o atraso de Aracaju na aplicação da Politica Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.

 

A Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura foi concebida para romper com um vício histórico da gestão cultural brasileira: a descontinuidade. Não se trata mais de editais isolados ou eventos pontuais, mas de um sistema permanente de financiamento, planejamento e fortalecimento das culturas locais.

Em Sergipe, essa mudança já começou a acontecer — mas não de forma homogênea. E, de maneira preocupante, a capital do estado parece caminhar na contramão desse processo.

Um contraste incômodo

Enquanto municípios como Estância já lançaram editais do ciclo 2 da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura ainda em janeiro de 2026 — com resultados publicados e novos chamamentos em andamento — Aracaju permanece sem editais estruturantes visíveis até o momento.

No âmbito estadual, o cenário é ainda mais evidente. O Governo de Sergipe já colocou em operação uma série de editais com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, contemplando formação, circulação, pontos de cultura e redes estruturantes.

Já em Aracaju, o que se vê no Mapa Cultural e nas redes institucionais é outra coisa:

  • credenciamento contínuo de artistas e técnicos;
  • editais pontuais voltados a eventos específicos, como o carnaval;
  • ausência de calendário público consolidado da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura;
  • nenhuma chamada estruturante claramente identificada como ciclo 2.

Não se trata de ausência de recursos. Trata-se de prioridade.

A política que não virou política

A Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura exige mais do que execução financeira: exige projeto. E é exatamente aí que reside o principal problema.

A manutenção de editais eventuais e ações fragmentadas indica que a política cultural municipal ainda não incorporou plenamente essa lógica. Em vez de um sistema contínuo de fomento, seguimos vendo práticas típicas de um modelo anterior.

Essa crítica não é nova — ela aparece reiteradamente no debate cultural local.

O próprio blog da Cultura já aponta a fragilidade estrutural das políticas públicas em Sergipe:

O que diz a sociedade civil — e o que não é atendido

As críticas recorrentes presentes no blog da Cultura apontam para demandas claras:

1. Continuidade e estruturação

A necessidade de políticas permanentes é um dos eixos centrais:
A Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura responde diretamente a essa demanda. No entanto, a ausência de editais estruturantes em Aracaju indica que essa diretriz ainda não foi incorporada.

2. Transparência e participação

O blog também aponta problemas históricos de transparência:
Sem calendário público e com pouca comunicação estruturada sobre a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, a gestão atual reforça esse problema.

3. Superação da lógica de eventos

A crítica à “cultura de evento” também é recorrente:

A permanência de editais voltados a datas específicas, como o carnaval, reforça exatamente esse modelo — que a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura pretende superar.


4. Fortalecimento da base cultural

Outro ponto recorrente é a necessidade de fortalecer agentes culturais local

Sem editais contínuos e estruturantes, esse fortalecimento não acontece de forma consistente.


Capital que não lidera

Historicamente, espera-se que capitais exerçam papel indutor nas políticas públicas. No caso da cultura, isso significa estruturar redes, ampliar acesso e irradiar boas práticas.

O que se observa hoje em Sergipe é o inverso: municípios menores apresentam maior agilidade na execução da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura do que Aracaju.

Essa inversão revela um problema que já vinha sendo denunciado:

A dificuldade de transformar recursos em política pública consistente.

O risco do atraso

O atraso na implementação da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura não é neutro. Ele produz efeitos imediatos:

  • recursos que demoram a chegar a quem precisa;
  • agentes culturais sem perspectiva de continuidade;
  • perda de dinamismo no setor;
  • enfraquecimento do ecossistema cultural local.

Mais do que isso: compromete uma oportunidade histórica.

O que precisa mudar

O próprio desenho da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura oferece diretrizes claras:

  • lançamento urgente de editais estruturantes do ciclo 2;
  • definição de calendário público anual;
  • ampliação da transparência ativa;
  • diálogo com o setor cultural organizado;
  • diversificação de linhas de fomento.

A questão central não é técnica. É decisão política.

Conclusão

Aracaju não está fora da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. Está, neste momento, aquém do seu potencial dentro dela.

Enquanto outras cidades transformam recursos em política pública, a capital ainda ensaia movimentos tímidos e fragmentados.

A Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura não é um edital. É um sistema.

E sistemas não se improvisam — se constroem.

Links para aprofundar no blog da Cultura o argumento defendido acima: 

BLOG DA CULTURA.   Qual a situação atual de funcionamento dos conselhos de cultura em Sergipe, estado e municípios? Avanços, limites, desafios, gargalos e impasses? 2026. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2026/01/qual-situacao-atual-de-funcionamento.html. Acesso em: 2 maio 2026.

 BLOG DA CULTURA.  Cultura é investimento, não despesa: diga não aos cortes da PNAB! Observatório Ação Cultural Sergipe. 2025. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2025/03/cultura-e-investimento-nao-despesa-diga.html. Acesso em: 2 maio 2026.

 BLOG DA CULTURA.  Sergipe é o 3º estado nordestino que menos investiu em cultura. Observatório Ação Cultural Sergipe. 2025. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2025/03/sergipe-e-o-3-estado-nordestino-que.html. Acesso em: 2 maio 2026.

 BLOG DA CULTURA.  Cultura e patrimônio em 2026: o que eleitores e políticos precisam enxergar antes do voto. 2026. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2026/01/cultura-e-patrimonio-em-2026-o-que.html. Acesso em: 2 maio 2026.

BLOG DA CULTURA.  A rede Sergipe de pontos de cultura voltou! Sob o olhar de Neu Fontes e Zezito de Oliveira. 2025. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2025/11/a-rede-sergipe-de-pontos-de-cultura.html. Acesso em: 2 maio 2026.

BLOG DA CULTURA.  Reunião geral dos pontos de cultura fortalece articulação e prepara para o fórum estadual. 2025. Disponível em: https://acaoculturalse.blogspot.com/2025/10/reuniao-geral-dos-pontos-de-cultura.html. Acesso em: 2 maio 2026.

 

✅ 1. Aracaju prestou contas do ciclo 1?

Não há evidência pública clara (até agora) de uma prestação de contas detalhada e formal divulgada amplamente pela Prefeitura de Aracaju.

O que existe de informação oficial/indireta:

  • No balanço estadual, Aracaju teve baixa execução no ciclo 1 (cerca de 2% do recurso executado no momento do levantamento).
  • A regra nacional determinava que os recursos deveriam ser executados até 31/12/2025, com possibilidade de transferência do saldo para o ciclo 2.

👉 Ou seja:

  • A prestação de contas pode até ter ocorrido internamente (MinC),
  • mas não há transparência pública robusta ou amplamente divulgada até agora (site ou relatórios detalhados acessíveis).

💰 2. Aracaju recebeu recursos do ciclo 2?

Sim — recebeu.

  • Aracaju aparece na lista de capitais que já tiveram repasses do ciclo 2 realizados em dezembro de 2025.
  • Além disso, todos os municípios de Sergipe aderiram ao ciclo 2, incluindo Aracaju.

👉 Conclusão:
✔ Está habilitada
✔ Recebeu recursos
✔ Está apta a executar novos editais


📢 3. Há editais do ciclo 2 abertos (Aracaju)?

❗ Situação importante:

  • Não há evidência forte de editais municipais de Aracaju (até o momento) amplamente divulgados.

Mas há dois sinais relevantes:

✔️ Indícios nas redes

  • Postagens indicam que:
    • o ciclo 1 foi encerrado
    • há intenção de ampliar participação em editais de 2026

✔️ Nível estadual (Sergipe)

Enquanto Aracaju ainda não aparece com editais robustos visíveis, o Governo de Sergipe já lançou vários editais do ciclo 2, por exemplo:

  • Ações formativas (2026)
  • Festivais, feiras e mostras
  • Circulação cultural
  • Pontos e pontões de cultura
  • Observatórios culturais

E há editais com inscrições efetivas em 2026, como o de formação cultural com investimento de mais de R$ 1 milhão.


📊 🧭 Leitura crítica da situação

O cenário hoje é mais ou menos assim:

✔️ O que está acontecendo

  • Aracaju aderiu e recebeu recursos
  • Pode usar saldo do ciclo 1 + novos recursos
  • O Estado já está operando fortemente o ciclo 2

⚠️ O que ainda NÃO aparece com clareza

  • Editais municipais próprios do ciclo 2
  • Calendário público da Funcaju
  • Transparência detalhada da execução do ciclo 1

🧩 Conclusão direta

  • Prestação de contas: não está claramente publicada (pelo menos de forma acessível)
  • Recursos do ciclo 2: sim, Aracaju recebeu
  • Editais ciclo 2 em Aracaju: ainda pouco visíveis / incipientes nas redes e canais oficiais

1. O que aparece no Mapa Cultural de Aracaju (2026)

✔️ Editais encontrados (via Funcaju / Mapa)

a) Credenciamento anual (principal ativo hoje)

  • Edital nº 003/2026
  • Inscrição aberta o ano inteiro (até 31/12/2026)
  • Cadastro de artistas, técnicos e serviços culturais
  • Inscrição obrigatoriamente pelo Mapa Cultural

👉 Isso é importante:
não é edital de fomento → é banco de prestadores


b) Editais pontuais (eventos)

  • Carnaval 2026 (blocos de rua)
  • Concurso Rei Momo e Rainha
  • Chamamentos rápidos com execução imediata

👉 Todos disponíveis via Mapa Cultural


⚠️ Leitura crítica do Mapa Cultural

O que NÃO aparece:

  • ❌ Nenhum edital robusto identificado como PNAB ciclo 2 (2026)
  • ❌ Nenhum pacote estruturado (ex: fomento, prêmios, manutenção de grupos)
  • ❌ Nenhum calendário público consolidado

👉 Ou seja:
o Mapa está ativo, mas com editais administrativos/eventuais — não estruturantes


📱 2. O que aparece nas redes da Funcaju

A partir do link central (Instagram / Linktree):

  • Divulgação ativa de:
    • Credenciamento anual
    • Editais de carnaval
  • Presença de materiais PNAB:
    • Manual de marcas PNAB
    • Identidade visual

👉 Isso é um detalhe importante:

➡️ PNAB aparece como comunicação institucional
➡️ mas não como editais novos em execução visível


🧩 3. Último edital PNAB identificado (referência real)

  • Edital Cultura Viva (Pontos de Cultura)
  • Publicado em dezembro de 2024
  • Inscrições até janeiro de 2025
  • Cerca de R$ 330 mil

👉 Esse edital pertence claramente ao ciclo 1


📊 🧭 4. Diagnóstico geral (cruzando Mapa + redes)

✔️ Existe movimentação?

Sim, mas concentrada em:

  • credenciamento contínuo
  • eventos (carnaval, programação cultural)

❌ Existe PNAB ciclo 2 visível?

Não, até agora não aparece de forma concreta

Nem:

  • editais novos
  • cronograma
  • chamadas públicas estruturadas

⚠️ 5. Interpretação política e de gestão

O padrão que emerge é claro:

🟡 Situação atual

  • Município recebeu recursos
  • Plataforma (Mapa Cultural) está funcionando
  • Comunicação PNAB existe

🔴 Gargalo

  • Não transformou isso em editais estruturantes ainda

🧠 6. Conclusão direta (sem rodeio)

  • O Mapa Cultural de Aracaju está ativo, mas operando com:
    • credenciamento
    • editais pontuais
  • As redes da Funcaju confirmam isso
  • PNAB ciclo 2 ainda não virou política pública visível na prática

👉 Em termos simples:

Aracaju está habilitada e comunicando,
mas ainda não está executando fortemente o ciclo 2 (publicamente)


 

CARTA ABERTA DE UM CATÓLICO A FREI GILSON. Por: Toninho Kalunga & REDE DE PADRES EXTREMISTAS QUER O CONTROLE DA IGREJA. Por Álvaro Borba

 


Álvaro Borba e a melhor análise de Frei Gilson e seu projeto político. Atentemos!!! 

Prof.º Romero Venâncio (UFS)

Estimado irmão na fé,

O senhor, Frei Gilson, se dispôs a servir o Reino de Deus por meio do ministério sacerdotal. Essa escolha nasce, em geral, de um ardente desejo de imitar a Cristo e servir, sobretudo, aos pobres.

Não o conheço, nem sei de sua história, mas conheço esse chamado: ele acende uma brasa no peito e, como diz a canção, move-se como uma flecha na alma. É como o primeiro amor. Inesquecível, não é mesmo?

Se me permite um conselho fraterno, diria: vá ao encontro daquele menino e daquele desejo inicial. Talvez o homem que o senhor é hoje precise escutar o adolescente que um dia foi — e, com honestidade, responder a si mesmo: ainda há sintonia entre os sonhos daquele rapaz e a forma como o senhor vive o seu ministério?

Como nos recorda Santo Ambrósio, “a honra do sacerdócio não é para proveito de quem a possui, mas para o serviço daqueles que a contemplam”. Tenho certeza de que o senhor estudou isso. Mas será que compreendeu essa mensagem? E mais: há coerência entre o que o senhor é, e o que um dia pensou em ser?

O sacramento da ordem, meu irmão, não o coloca em um patamar de superioridade ontológica (lembra o que é isso, né?), mas o mergulha na responsabilidade do serviço. Não basta usar o verbo “servir” para compor belas frases.

O Evangelho é categórico: quem deseja ser o maior deve ser aquele que mais serve. Compreender isso — e, mais ainda, viver isso — muda tudo. 

Por isso, o verbo servir precisa estar inseparavelmente ligado ao substantivo serviço. Servir a Deus não é massagear o próprio ego nem buscar status; é deixar o “eu” de lado para dar lugar ao próximo. Se é feito para aparecer, não é serviço — é vaidade.

Não há contradição maior do que um cristão que, durante o dia, diz desejar a salvação do próximo, mas à noite constrói regras para condená-lo ao inferno.

Do poder que corrompe à vaidade que seduz.

Não por acaso, servir é o oposto dialético de mandar. O filósofo Aristóteles advertia, em sua obra "Polítiká", que o poder se corrompe quando deixa de buscar o bem comum e passa a servir aos interesses de quem o exerce.

E aqui não falamos apenas de política institucional ou eleitoral, mas, do poder exercido por homens que utilizam a fé para manipular consciências — e, muitas vezes, a fé do povo — em favor de ideologias travestidas de orientação religiosa.

A que Senhor o senhor serve quando fala mais sobre pecado do que sobre misericórdia? No contexto eclesial, servir sem serviço transforma-se em poder disfarçado.

Santo Agostinho nos lembra, em suas "Confissões", do perigo do “apetite de louvor”. Para ele, o ser humano se perde quando se coloca no centro, acreditando que a glória de Deus é apenas o reflexo do próprio brilho. Isso tem nome: vaidade.

A vaidade, frei Gilson, não grita; ela sussurra em nome de uma suposta “verdade” e se veste de “zelo”. O religioso vaidoso deixa de olhar para Cristo e passa a olhar para o espelho, exigindo admiração sob o pretexto de um discurso de pecado e piedade, piedade e pecado — repetido, insistente, vazio, resultado de muito ego e pouco Cristo.

O clericalismo e o controle do corpo.

Frei Gilson, o Papa Francisco — a quem o senhor parece citar com uma parcimônia que beira o desconforto — diagnosticou o clericalismo como o “câncer da Igreja”. 

O clericalismo é, em última análise, a vaidade institucionalizada. Pior: é a tentativa de controlar o mistério de Deus. Cuidado, meu irmão. A nenhum homem foi dado penetrar plenamente nos desígnios de Deus.

A fé que nasce de Cristo é libertadora. Mas, quando passa a vigiar corpos, julgar aparências e regular o comportamento — especialmente o das mulheres — corre o risco de se tornar instrumento de controle.

Onde deveria haver o bálsamo da misericórdia, instala-se o chicote da norma — e as vítimas, quase sempre, são os mais frágeis.

Falo disso porque algo me inquieta profundamente: quando a fé é reduzida à forma como alguém se veste, sem caridade, escuta e orientação, o que resta é uma distorção do Evangelho. E essa distorção não recai sobre quem é julgado — mas sobre quem julga.

Falo com a humildade de quem reconhece a própria fragilidade. Sou pecador.

Mas há uma lógica perigosa sendo reforçada: a obsessão pelo controle do corpo feminino. A história nos mostra que o moralismo religioso sobre roupas, tatuagens e comportamentos costuma ser o primeiro degrau de uma escada que leva à desumanização.

O senhor já refletiu sobre as consequências disso? Sobre quantas jovens e mulheres se afastam da vida da Igreja e da participação comunitária por causa desse tipo de abordagem?

Muitas chegam à Igreja carregando histórias de dor, desinformação, abandono. A busca delas é por um pouquinho de paz, acolhida e escuta. E o que encontram é apenas julgamento.

Tenho para mim que, nesses casos, o pecado está muito mais no olhar de quem julga do que no coração de quem veste. Quando a religião se torna vigilante do vestuário, ela flerta com uma cultura de posse que, em seus extremos, alimenta a violência — inclusive o feminicídio.

Se o nome de Deus é usado para subjugar a liberdade feminina, não estamos diante de missão, mas da idolatria do patriarcado.

Jesus e o escândalo da misericórdia

Jesus nunca começou pela aparência. Ele acolheu a samaritana, que sequer era vinculada à sua religião. Defendeu uma puta ameaçada de morte por apedrejamento — “prostituta” é um nome mais palatável, não é? — e, curiosamente, não trouxeram o homem que com ela pecava.

Em outro episódio, também com uma mulher "suspeita", Jesus foi convidado para jantar na casa de um homem rico, e ali, surgiu uma mulher que Jesus a acolheu e permitiu que a mesma lhe lavasse os pés com perfumes e bálsamos e os enxugasse com os próprios cabelos.

Enquanto os “puros” de seu tempo viam pecado e impureza, Jesus via dignidade e fé. E mais do que isso: acusavam o próprio Jesus por não reconhecer “quem era aquela mulher” e por se misturar com pecadores.

E olha só que triste, Frei Gilson: é muito fácil imaginar o senhor, nessa cena, ao lado dos doutores da lei e fariseus — não apenas julgando a mulher, mas também questionando o próprio Cristo por acolhê-la.

Mas Jesus respondeu. E respondeu olhando para o fariseu — o religioso julgador das vestimentas e até do provável decote dela — e não para a mulher: “Vês tu esta mulher? […] Os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou.” (Lc 7,30-50).

Ou seja: enquanto o senhor via pecado, Cristo viu amor. Enquanto o senhor julgava, Cristo perdoava. Enquanto o senhor afastava, Cristo acolhia.

Essas respostas de Jesus não lhe inquietam, Frei Gilson?

Santa Teresa d’Ávila dizia: “O Senhor não olha tanto para a grandeza das nossas obras, mas para o amor com que são feitas”. Onde está o amor no julgamento da aparência?

A perseguição e o falso martírio

Tenho acompanhado suas falas, nas quais o senhor interpreta críticas como “sinais de perseguição”, chegando a comparar-se ao próprio Cristo.

Peço-lhe, com caridade: tenha cautela. 

Questionamento não é martírio 

Muitas vezes, é apenas a realidade batendo à porta. Definitivamente, Jesus não foi perseguido por moralismos de sacristia, mas por romper estruturas injustas, colocar o ser humano acima da lei e denunciar a hipocrisia dos que impunham fardos aos outros sem ajudá-los a carregá-los.

Interpretar toda discordância como perseguição é cair no narcisismo espiritual. Comparar-se a Cristo para se blindar de críticas é uma forma de autolatria.

E causa estranheza  seu silêncio diante dos poderosos — como Donald Trump — quando este ataca, covardamente, a figura do Papa Leão XIV e chega ao ponto de se associar à imagem de Cristo, enquanto sua voz se levanta com tanta firmeza para criticar jovens, mulheres e suas escolhas.

Por que o silêncio diante dos poderosos e o grito diante dos pequenos? Isso diz muito sobre sua pregação — e sobre suas escolhas.

O lava-pés como único caminho

Na Última Ceia, Jesus não fez um discurso moralizante. Ele tomou uma bacia e uma toalha. O lava-pés é o antídoto contra a vaidade clerical.

São João da Cruz nos lembra que, ao entardecer da vida, seremos julgados pelo amor. Não pelos seguidores, não pelas visualizações, não pelo rigor das proibições.

A fé verdadeira liberta do medo e da culpa.

Se a sua pregação gera mais medo do que esperança, mais exclusão do que acolhimento, talvez seja hora de voltar ao Cenáculo.

E, se há acolhimento em sua pregação, por que permitir que o medo também fale?

O acolhimento é a parte de Deus em você. A falta dele — talvez seja apenas você mesmo.

Permita-me um último conselho: conserve o que vem de Deus e desapegue-se do que não vem. Abstenha-se daquilo para o qual não foi chamado —  especialmente quando isso fere mais do que edifica.

Que o Espírito Santo lhe conceda o dom da humildade, para que o senhor diminua e Cristo cresça.

Fraternalmente,

Toninho Kalunga

Um irmão na fé

Toninho Kalunga participa da Paróquia Santo Antônio, na Comunidade do Santuário São Luís Orione — o Pequeno Cotolengo Paulista, em Cotia. Também é da Fraternidade Leiga Charles de Foucauld e do Núcleo Nacional da Teologia da Libertação Política e Religião.

"Não é bom colocar muito foco em Frei Gilson com seus equivocos e contradições neste periodo de campanha eleitoral, inclusive em comparação com as palavras dos Papas Francisco e Leão ou com Padre Júlio Lancellotti. Há até influencer de esquerda que afirma "Frei Gilson foi cancelado", mas por quem cara pálida? Por quem nem conhece o Frei e que se conhecesse perceberia o quão distante ele está de um pensamento humanista, inclusivo e democrático."
ZdO - Editor do blog

O contrário do que é feito no vídeo e texto em tela. Nestes dois casos são conteúdos profundos e honestos que lançam luzes sob a figura do Frei, inclusive sobre os impactos nefastos da sua influência sobre um grande número de pessoas vulneráveis , inclusive por causa de uma evangelização no seio de alguns movimentos da igreja ou pelos limites da formação do clero e do laicato.

2 de maio de 1945: o dia em que os nazistas se renderam ao Exército Vermelho

 Queda de Berlim marca vitória decisiva soviética sobre o regime de Hitler e acelera o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa.


247 – Em 2 de maio de 1945, as forças nazistas que ainda resistiam em Berlim se renderam ao Exército Vermelho, consolidando a vitória soviética na batalha final da Segunda Guerra Mundial na Europa e precipitando o colapso definitivo do Terceiro Reich. O episódio ocorreu dois dias após o suicídio de Adolf Hitler, em 30 de abril, e simbolizou a derrota militar e política do regime nazista diante do avanço das tropas da União Soviética.

A rendição foi ordenada pelo general alemão Helmuth Weidling, comandante da defesa de Berlim, após semanas de combates intensos e devastadores. Cercada e bombardeada, a capital alemã tornou-se o palco da ofensiva final soviética, iniciada em abril de 1945, com o objetivo estratégico de encerrar a guerra no continente europeu.

A ofensiva soviética e o cerco a Berlim

A chamada Batalha de Berlim foi uma das maiores e mais sangrentas operações militares da história. O Exército Vermelho mobilizou cerca de 2,5 milhões de soldados, além de milhares de tanques, aviões e peças de artilharia, numa ofensiva massiva contra as últimas linhas de defesa alemãs.

O avanço soviético ocorreu em várias frentes, cercando completamente a cidade. A resistência nazista, composta por soldados regulares, membros da SS e até civis mobilizados às pressas, mostrou-se insuficiente diante da superioridade militar soviética.

Os combates urbanos foram particularmente violentos, com batalhas casa a casa, uso intensivo de artilharia e elevado número de baixas de ambos os lados. A população civil também sofreu enormemente, em meio à destruição generalizada da cidade.

O colapso do regime nazista

O suicídio de Adolf Hitler, em 30 de abril de 1945, dentro de seu bunker em Berlim, foi o sinal definitivo do colapso do regime nazista. Sem liderança política e com a estrutura militar em ruínas, a Alemanha nazista entrou em processo acelerado de rendição.

Dois dias depois, em 2 de maio, o general Weidling decidiu encerrar a resistência na capital. A rendição foi formalizada perante os comandantes soviéticos, marcando a tomada completa de Berlim pelo Exército Vermelho.

Esse momento teve enorme significado simbólico: a bandeira soviética já havia sido hasteada no Reichstag, o parlamento alemão, representando a vitória sobre o nazismo no coração do poder alemão.

O papel decisivo da União Soviética

A vitória em Berlim consolidou o papel central da União Soviética na derrota do nazismo. Ao longo da guerra, o front oriental foi responsável pela maior parte das perdas militares alemãs, com batalhas decisivas como Stalingrado e Kursk enfraquecendo irreversivelmente as forças de Hitler.

Estima-se que a União Soviética tenha sofrido cerca de 27 milhões de mortes durante a guerra, entre militares e civis, evidenciando o enorme custo humano de sua participação no conflito.

A tomada de Berlim foi, portanto, não apenas uma vitória militar, mas também o desfecho de um esforço colossal que redefiniu o equilíbrio geopolítico mundial no pós-guerra.

A vitória do Exército Vermelho - O fim da guerra na Europa

Embora a queda de Berlim em 2 de maio de 1945 tenha sido decisiva, a rendição total da Alemanha ocorreu poucos dias depois. Em 7 de maio, representantes alemães assinaram a capitulação em Reims, na França, diante das forças aliadas ocidentais.

A confirmação final da rendição ocorreu em 8 de maio — ou 9 de maio, no horário de Moscou — data celebrada como o Dia da Vitória sobre o nazismo.

A partir desse momento, encerrava-se oficialmente a Segunda Guerra Mundial na Europa, embora o conflito global ainda prosseguisse no Pacífico até a rendição do Japão, em agosto de 1945.

Memória histórica e significado político

O 2 de maio de 1945 permanece como uma das datas mais emblemáticas da história contemporânea. A rendição nazista em Berlim simboliza não apenas o fim de um regime genocida, mas também a vitória sobre uma ideologia baseada no racismo, no expansionismo e na violência extrema.

A memória desse episódio continua relevante em um mundo marcado por disputas geopolíticas e pela necessidade de preservação da verdade histórica diante de tentativas de revisionismo. A centralidade do papel soviético na derrota do nazismo é amplamente reconhecida por historiadores, ainda que muitas vezes minimizada em narrativas ocidentais.

Ao recordar a queda de Berlim e a rendição nazista ao Exército Vermelho, reafirma-se a importância da luta contra o fascismo e da construção de uma ordem internacional baseada na paz, na soberania dos povos e na cooperação entre nações.







quinta-feira, 30 de abril de 2026

Bandidos de Farda - A reportagem do ICL com documentos inéditos sobre os crimes da ditadura militar

 No episódio #636 do videocast Em Detalhes, Gabriela Varella conversa com o jornalista Igor Mello sobre a série de reportagens do ICL que revelam detalhes perversos do Brasil da ditadura.








quarta-feira, 29 de abril de 2026

Gonzaguinha, símbolo da resistência democrática e da dignidade popular na música brasileira

Compositor enfrentou a ditadura com letras contundentes e construiu uma obra que segue atual ao denunciar desigualdades e defender o povo brasileiro

 Fonte 247

247 – Gonzaguinha, um dos maiores nomes da música popular brasileira, consolidou-se como uma das vozes mais contundentes contra a ditadura militar e como um dos principais intérpretes das angústias e esperanças do povo brasileiro. Morto em 29 de abril de 1991, em um acidente de carro no Paraná, o cantor e compositor deixou um legado artístico profundamente ligado à luta por democracia, justiça social e dignidade.

Filho de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, Gonzaguinha nasceu em 1945, no Rio de Janeiro, mas construiu uma trajetória própria, marcada pela independência estética e pelo engajamento político. Sua formação se deu em meio ao ambiente universitário e cultural dos anos 1960, período de intensa efervescência política no Brasil, interrompido pelo golpe militar de 1964.

Voz ativa contra a repressão

Desde o início da carreira, Gonzaguinha se destacou por letras diretas, muitas vezes duras, que confrontavam o autoritarismo e denunciavam a realidade social brasileira. Durante os anos mais repressivos da ditadura, foi um dos artistas mais atingidos pela censura, tendo diversas músicas proibidas pelos órgãos de controle do regime.

Entre suas composições mais emblemáticas está “Comportamento Geral”, que ironiza a submissão imposta à população:

“Você deve aprender a baixar a cabeça

E dizer sempre: muito obrigado…”

A canção tornou-se um retrato crítico da sociedade sob o regime militar, denunciando a tentativa de domesticação da população por meio do medo e da repressão.

Outra música marcante, “Caminhos do Coração”, reforça o compromisso do artista com valores humanos e sociais, em contraste com a brutalidade do período.

O artista e o povo

Ao longo dos anos 1970 e 1980, Gonzaguinha ampliou seu alcance sem abrir mão do conteúdo político. Suas músicas passaram a dialogar com um público mais amplo, incorporando temas como esperança, solidariedade e a busca por sentido na vida cotidiana.

O maior exemplo dessa fase é “O que é, o que é?”, que se transformou em um dos hinos mais populares da música brasileira:

Eu fico com a pureza da resposta das crianças

É a vida, é bonita e é bonita…”

A canção sintetiza uma visão de mundo profundamente humanista, que dialoga com a resistência democrática ao afirmar a vida, a alegria e a dignidade como valores centrais.

Relação com Luiz Gonzaga e afirmação própria

A relação com seu pai, Luiz Gonzaga, foi inicialmente distante, mas se reaproximou ao longo do tempo. O reencontro artístico e afetivo entre os dois simboliza também a integração entre diferentes vertentes da música brasileira — o regional e o urbano, o tradicional e o político.

Apesar da herança, Gonzaguinha construiu uma identidade própria, marcada pela contundência das letras e pela postura crítica diante das injustiças sociais.

Legado político e cultural

Gonzaguinha não foi apenas um músico, mas um intelectual orgânico da cultura brasileira, que utilizou a arte como instrumento de transformação social. Sua obra dialoga diretamente com o processo de redemocratização do país e com a luta contra o autoritarismo.

Em um Brasil que ainda enfrenta desigualdades profundas e desafios democráticos, suas músicas seguem atuais, ecoando como denúncia e também como esperança.

Ao longo de sua trajetória, Gonzaguinha demonstrou que a música pode ser mais do que entretenimento: pode ser consciência, resistência e instrumento de mudança.

Sua morte precoce, aos 45 anos, interrompeu uma carreira em plena maturidade, mas não diminuiu a força de sua obra. Ao contrário, reforçou seu lugar como um dos artistas essenciais da MPB e como uma das vozes mais autênticas da resistência democrática no Brasil.






terça-feira, 28 de abril de 2026

Noite de luto para o Movimento Negro em Sergipe. Faleceu nesta noite (27/04) Carlos Augusto dos Santos – Reall.

 Ativista intenso no Movimento, Reall é o idealizador e criador do Coletivo de Artistas Afro-Descendentes em 2002.

sob sua coordenação este Coletivo realiza desde 2005 a Mostra Pluriartística Novembro, cujo objetivo é evidenciar a arte que é produzida, em sua maioria, na periferia da nossa cidade, principalmente por artistas afrodescendentes. 

O Coletivo de Artistas Afro-Descendentes lamenta o falecimento do idealizador/criador do grupo, mas exaltamos o seu legado. São 24 Anos de Celebração da Cultura Afro-Sergipana: Por Igualdade na Diversidade! Legado este que não será esquecido nem descontinuado. Continuaremos essa celebração que será cada vez maior à medida que tomarmos cada vez mais consciência de que somos todos filhos da “Mãe África” – Berço da Humanidade.

https://www.instagram.com/p/DXqdO0nltJT/?igsh=MXEwbXFpd2U0aWpwMw%3D%3D


Viva-SE: entre o avanço da infraestrutura cultural e a ausência da visão cultura viva (*)

 Programa Viva-SE integra projetos que fortalecem a cultura e o turismo em Sergipe

Iniciativa compreende 19 intervenções com foco no desenvolvimento sustentável, valorização da sergipanidade e fomento à economia criativa

O fortalecimento da sergipanidade e o legado cultural do Estado são base para a implementação do Programa Integrado de Desenvolvimento Cultural e Turístico de Sergipe (Viva-SE), que já iniciou sua fase de execução. A primeira ordem de serviço, para implantação da Pinacoteca de Sergipe, foi assinada neste mês pelo governador Fábio Mitidieri. Ao todo, o programa reúne 19 projetos voltados à cultura e ao turismo, com foco na transformação social, desenvolvimento sustentável e fomento à economia criativa.

Instituído pelo Governo de Sergipe, através da Secretaria Especial de Planejamento, Orçamento e Inovação, da Cultura, Secretaria de Estado do Turismo, do Trabalho, do Emprego e do Empreendedorismo (Seteem), de Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura (Sedurbi) e Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap), em parceria com o Instituto Banese, o programa é viabilizado por meio de operação de crédito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com investimentos totais de R$ 195 milhões, aprovado na Assembleia Legislativa de Sergipe. 

O secretário Especial de Planejamento, Orçamento e Inovação, Julio Filgueira, destaca o Viva-SE como um projeto de democratização ao acesso  à cultura. “É um trabalho realizado de forma multidisciplinar, com um alinhamento entre várias secretarias e órgãos do Estado, para alcançar aquilo que a gente mais deseja: a valorização da nossa cultura e da nossa sergipanidade. O objetivo é preservar e democratizar o acesso à cultura no nosso estado, impulsionar o desenvolvimento sustentável e fomentar a economia criativa, respeitando as particularidades de cada região. Temos muitas entregas pela frente para fazer com que as manifestações culturais e o turismo em Sergipe sejam cada dia mais valorizados”, ressaltou.

Para além do resgate e preservação do patrimônio sergipano, os projetos do Viva-SE caracterizam-se também como vetores de transformação social, com a finalidade de impulsionar o desenvolvimento sustentável por meio da implementação de novos espaços de fomento à cultura e à economia criativa em diversas regiões de Sergipe, com foco na singularidade e especificidade de cada local.

Segundo o secretário Especial de Cultura, Valadares Filho, além da instalação de novos instrumentos turísticos, o projeto busca ainda a valorização dos espaços já existentes e a pluralidade, com destaque para a importância do turismo religioso e cultural.

“O Viva-SE é um programa que pensa a cultura como vetor de desenvolvimento para Sergipe. Ele integra patrimônio, identidade, turismo e economia criativa, respeitando a história de cada território e, ao mesmo tempo, projetando esses espaços para o futuro. Estamos falando de uma política pública estruturante, que articula diferentes órgãos, fortalece a rede de equipamentos culturais e amplia o acesso da população à cultura. O Governo de Sergipe colocando a cultura como sinônimo de desenvolvimento", enfatizou. 

Principais intervenções

O Viva-SE é composto por 19 projetos divididos entre implantação, instalação e revitalização de equipamentos. Entre as principais intervenções, destaca-se a Pinacoteca, um espaço permanente para exposição, curadoria e educação cultural, que será instalado no Centro de Aracaju, com o objetivo de valorizar o acervo público de artes visuais. Também em Aracaju, o Mirante de Santo Antônio será um espaço destinado à contemplação da vista da cidade na colina do bairro Santo Antônio. 

A Casa do Artesanato Sergipano abrange oito territórios com o objetivo de potencializar a cadeia produtiva do artesanato sergipano e valorizar as tipologias regionais. O Museu do Forró será um espaço dedicado à valorização do forró, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Sergipe, no Complexo Cultural Gonzagão, em Aracaju. O Vila Vaticano trata-se de um projeto de revitalização urbana de casarões históricos no Centro de Aracaju, com foco em direcionar novos usos aos espaços e promover o turismo na região central da capital.

Ao todo, serão instalados cinco memoriais regionais que funcionarão como espaço para exposição, valorização e preservação das manifestações culturais, são eles: Memorial Arthur Bispo do Rosário, em Japaratuba; Memorial Escritor Francisco Dantas, em Riachão do Dantas; Memorial do Vaqueiro, em Porto da Folha; Memorial dos Náufragos de Sergipe, em Aracaju; e Memorial do Cangaço, também em Aracaju.

Como preservação da memória religiosa dos sergipanos e sergipanas, o Viva-SE inclui o roteiro turístico-religioso denominado Caminho do Crepúsculo de Santa Dulce dos Pobres, em São Cristóvão, intervenção que refaz o trajeto de chegada da Irmã Dulce a São Cristóvão, da estação do trem até o Convento dos Carmelitas, na Igreja Nossa Senhora do Carmo.

Reformas de equipamentos culturais

O Programa Viva-SE engloba também o restauro e revitalização de equipamentos culturais. Em agosto do ano passado, o Governo de Sergipe reuniu gestores e especialistas no Seminário de Gestão de Espaços Culturais para debater os novos rumos, desafios e tendências na preservação e funcionamento de espaços públicos que acolhem diversas manifestações culturais sergipanas.

Entre as instalações que serão restauradas, a Biblioteca Estadual Epiphânio Dória, em Aracaju, receberá reforma e modernização tecnológica. Ainda em Aracaju, o Museu da Gente Sergipana passará por modernização tecnológica do acervo e reforma da estrutura física, enquanto o Palácio Museu Olímpio Campos será reformado e modernizado, com foco em ampliar o acesso à memória política e histórica de Sergipe.

Museus históricos como o Museu Histórico de Sergipe e a Casa do Patrimônio do Iphan, em São Cristóvão, e o Museu Afrobrasileiro de Sergipe e Casa de Cultura João Ribeiro, em Laranjeiras, também receberão restauro e modernização.

https://www.se.gov.br/agencia/noticias/governo/programa_viva_se_integra_projetos_que_fortalecem_a_cultura_e_o_turismo_em_sergipe

Etapas

Em relação aos componentes do programa, seis estão em etapa avançada, com perspectivas de inauguração até dezembro deste ano. Das 19 intervenções, sete estão em etapa de desenvolvimento, com perspectivas de início das obras até o final de 2026. Três componentes estão com projetos e ou licitações em andamento.

Municípios e projetos do Viva-SE

Município Projeto / Equipamento

Aracaju Pinacoteca de Sergipe, Mirante de Santo Antônio, Memorial dos Náufragos, Memorial do Cangaço, Museu do Forró, Biblioteca Epiphânio Dória, Palácio Museu Olímpio Campos, Museu da Gente Sergipana, Vila Vaticano, Casa Master do Artesanato (Orla da Atalaia), Ver de Tototó 

São Cristóvão Museu Histórico de Sergipe, Casa do Patrimônio do Iphan, Caminho do Crepúsculo de Santa Dulce dos Pobres 

Laranjeiras Museu Afrobrasileiro de Sergipe, Casa de Cultura João Ribeiro, Museu Histórico 

Japaratuba Memorial Arthur Bispo do Rosário 

Riachão do Dantas Memorial Escritor Francisco Dantas 

Porto da Folha Museu do Vaqueiro 

Campo do Brito Memorial Regional 

Canindé de São Francisco Veredas do Sertão (projeto de valorização territorial) 

Observações importantes

Casa do Artesanato Sergipano: O programa prevê a instalação de unidades em oito territórios do estado, contemplando múltiplos municípios. 

Abrangência total: De acordo com informações divulgadas pelo Governo do Estado em parceria com o BNDES, o programa contempla mais de 30 municípios sergipanos .

Projetos em Aracaju: A capital concentra o maior número de intervenções, com pelo menos 10 equipamentos culturais sendo implantados ou revitalizados .

Atualização do programa: O Viva-SE foi apresentado inicialmente com 15 projetos , sendo posteriormente ampliado para 19 intervenções , com investimento total de R$ 195 milhões .

Governo de Sergipe e BNDES anunciam R$ 445 milhões em investimentos


Investimento do Governo Federal no Viva-SE

Valor total: R$ 195 milhões 

Este montante é viabilizado por meio de operação de crédito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) , aprovada pela Assembleia Legislativa de Sergipe .

Há uma variação na informação sobre o valor exato financiado pelo BNDES:

R$ 180 milhões — valor mencionado pela diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, como recursos de financiamento do banco, com prazo de pagamento de até 34 anos .

R$ 195 milhões — valor total do programa, que inclui investimentos do governo estadual (contrapartida) e a operação de crédito com o BNDES .

Etapas de execução

O programa está dividido em três etapas :

Primeira etapa (R$ 48 milhões já aprovados) :

Pinacoteca de Sergipe (ordem de serviço assinada em fevereiro)

Mirante de Santo Antônio

Memoriais regionais (Escritor Francisco Dantas e Arthur Bispo do Rosário)

Museu do Vaqueiro (Porto da Folha)

Casas do Artesanato Sergipano

Segunda etapa (início das obras previsto até dezembro de 2026):

Reforma da Biblioteca Epiphânio Dória

Restauração dos museus históricos de São Cristóvão e Laranjeiras

Museu do Forró

Caminho do Crepúsculo de Santa Dulce dos Pobres

Memorial dos Náufragos

Terceira etapa:

Vila Vaticano

Museu do Cangaço

Rota turística fluvial Ver de Tototó

Museu da Gente Sergipana

Estrutura de governança

O programa é coordenado por múltiplos órgãos estaduais :

Secretaria Especial de Planejamento, Orçamento e Inovação (Seplan)

Secretaria de Estado da Cultura (Secult)

Secretaria de Estado do Turismo (Setur)

Secretaria do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem)

Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura (Sedurbi)

Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap)

Instituto Banese

Nota importante: O BNDES, embora seja um banco público federal vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, atua na modalidade de financiamento (operação de crédito), não se tratando de repasse direto de recursos do Orçamento Geral da União. O programa Viva-SE é uma iniciativa do Governo de Sergipe, viabilizada por meio de captação de recursos junto ao BNDES .

Abaixo,  análise comparativa do programa VIVA_SE com o conteúdo sobre politica e gestão cultural publicada no blog da cultura. Com utilização de IA

O lançamento do Programa Viva-SE, com investimento de R$ 195 milhões do BNDES, representa um dos maiores esforços recentes do Governo de Sergipe na área cultural. Ao articular patrimônio, turismo e economia criativa, o programa sinaliza uma compreensão importante: a cultura não é apenas expressão simbólica, mas também vetor de desenvolvimento.

No entanto, quando analisado à luz das críticas, propostas e reflexões acumuladas por agentes culturais sergipanos — especialmente aquelas sistematizadas no blog da Cultura — o Viva-SE revela tanto avanços significativos quanto lacunas estruturais.

O que o programa acerta

É inegável que o Viva-SE responde a uma demanda histórica do campo cultural: a necessidade de investimento público consistente. Durante anos, uma das principais reclamações dos agentes culturais foi o abandono de equipamentos, a precariedade de museus e a ausência de políticas estruturantes.

Nesse sentido, iniciativas como a criação da Pinacoteca, os memoriais regionais, a modernização de museus e a recuperação de espaços históricos dialogam diretamente com essa crítica. O mesmo vale para o reconhecimento de expressões culturais como o forró e o artesanato, frequentemente apontados no blog como pilares da identidade sergipana.

Outro ponto positivo é a tentativa — ainda que parcial — de interiorização. A presença de ações em municípios fora da capital responde a uma reivindicação recorrente: a descentralização das políticas culturais.

Onde o programa não alcança

Apesar desses avanços, o Viva-SE mantém um padrão já criticado de forma insistente no blog da Cultura: o foco predominante em infraestrutura, em detrimento dos sujeitos da cultura.

Diversos textos disponíveis no blog  apontam que a principal fragilidade das políticas culturais não está apenas na ausência de espaços, mas na falta de apoio direto aos agentes culturais — grupos, coletivos, artistas e pontos de cultura que sustentam a produção cotidiana.

Nesse aspecto, o programa é silencioso. Não há detalhamento sobre:

mecanismos de fomento direto

políticas continuadas de apoio

financiamento para manutenção de grupos culturais

A consequência desse modelo já é conhecida: equipamentos culturais que, sem política de ocupação e financiamento, tornam-se subutilizados ou desconectados da realidade local.

A ausência de participação social

Outro ponto crítico, amplamente debatido no blog, é a fragilidade da participação social. O campo cultural sergipano tem reivindicado maior protagonismo na formulação das políticas públicas, por meio de conselhos, fóruns e redes.

O Viva-SE, entretanto, é apresentado como uma política construída de forma institucional, com articulação entre secretarias, mas sem evidência de processos estruturados de escuta da sociedade civil.

Essa ausência compromete um princípio fundamental das políticas culturais contemporâneas: a gestão compartilhada.

Cultura viva versus cultura como produto

O programa também reforça uma tendência que aparece com frequência nas críticas do blog: a aproximação entre cultura e turismo. Embora essa integração possa gerar desenvolvimento  econômico, ela traz riscos.

Quando a cultura é tratada prioritariamente como produto turístico, há o perigo de invisibilizar práticas culturais que não se encaixam na lógica de mercado. O blog da Cultura frequentemente alerta para esse desequilíbrio, defendendo a cultura como direito e não apenas como ativo econômico.

Formação e sustentabilidade: pontos frágeis

Outro eixo recorrente nas reflexões do blog é a necessidade de formação cultural continuada — tanto técnica quanto política. O Viva-SE menciona educação cultural, mas não apresenta uma política estruturada de capacitação de agentes.

Além disso, permanece a dúvida central: como serão mantidos os equipamentos após sua entrega? Sem financiamento contínuo, equipes qualificadas e programação permanente, o risco é repetir problemas já conhecidos na gestão cultural.

Entre a estrutura e a vida cultural

O Viva-SE representa, sem dúvida, um avanço na dimensão material da política cultural em Sergipe. Ele fortalece a infraestrutura, valoriza o patrimônio e amplia a presença do Estado no setor.

No entanto, como apontam diversas análises disponíveis no blog da Cultura, o desafio mais profundo permanece: transformar investimento em estrutura em fortalecimento da cultura viva.

Isso implica:

apoiar diretamente os fazedores de cultura

garantir participação social efetiva

estruturar políticas de fomento contínuo

investir em formação e autonomia dos agentes culturais

Sem esses elementos, há o risco de que o Estado construa espaços culturais sem garantir que eles sejam, de fato, ocupados, apropriados e sustentados pela sociedade.

O futuro da política cultural em Sergipe dependerá, portanto, da capacidade de equilibrar essas duas dimensões: a infraestrutura que se inaugura e a vida cultural que precisa ser permanentemente cultivada.

 

(*)  Para além da lei: o que realmente significa “cultura viva”

Nos últimos anos, o termo “cultura viva” ficou conhecido sobretudo por sua incorporação em uma política pública brasileira – a Política Nacional de Cultura Viva (PNCV), criada em 2014. Mas reduzir o conceito ao que diz a lei é empobrecê-lo gravemente. Antes de ser um programa de pontuação, edital ou certificação, cultura viva é uma ideia-força que nasce da própria dinâmica das comunidades.

Em sentido amplo, cultura viva é tudo aquilo que um grupo social cria, recria, pratica e celebra no cotidiano. São as rodas de conversa onde se aprende um ofício, as festas que reúnem vizinhos, as rezas, os mutirões, as narrativas orais que atravessam gerações. Ela não está nos museus ou nos palcos institucionais como algo petrificado: está na ação, no gesto, na relação entre pessoas e territórios.

Três características definem essa compreensão mais abrangente:

Processo, não produto – Cultura viva não se consome; vive-se. Ela se transforma a cada nova execução, sem medo do hibridismo ou da reinvenção.

Memória em movimento – Ela não nega a tradição, mas tampouco a congela. A tradição serve de chão para o voo criativo do presente.

Protagonismo comunitário – Quem define, faz e preserva a cultura viva são os próprios agentes culturais de base, não especialistas externos ou burocracias estatais.