informações sobre ações culturais de base comunitária, cultura periférica, contracultura, educação pública, educação popular, comunicação alternativa, teologia da libertação, memória histórica e economia solidária, assim como noticias e estudos referentes a análise de politica e gestão cultural, conjuntura, indústria cultural, direitos humanos, ecologia integral e etc., visando ao aumento de atividades que produzam geração de riqueza simbólica, afetiva e material = felicidade"
"Está chegando a hora. Neste sábado (28), a partir das 14h, no Rio de Janeiro, nos Arcos da Lapa, região central da cidade, o Festival Lula Livre
reunirá artistas e intelectuais latino-americanos em ato cultural e
político em defesa da democracia e contra a prisão política do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os mais de 40 nomes da
música brasileira confirmados, estão Chico
Buarque, Gilberto Gil, Jards Macalé, Ana Cañas, Beth Carvalho, Chico
César, Noca da Portela, Nelson Sargento, Odair José, e Manno Góes, assim
como artistas da nova geração, como Filippe Catto, Tomaz Miranda,
Cecilia Todd, Marcelo Jeneci, Lyza Milhomem, Marcos Lucenna, Maria
Rivero e MC Carol." leia mais aqui
A realização do
Festival Lula Livre será a consagração de duas idéias, a de que Lula é uma das melhores criações da raça brasilis, e que é através da arte que os brasileiros expressam melhor seus ideais e sentimentos por
um mundo mais justo, democrático, diverso e plural, além de ser um dos mais importantes, senão o
mais importante canal de formação de consciência, afetos e mobilização popular que temos em nosso país.
Mas para
isso, as artes e os artistas precisam ser bem nutridos com orçamento maior e
políticas públicas construídas com
participação e controle social. Isso porque ao contrário do que muitos pensam, as artes e os artistas
precisam de uma base material, a qual em termos primários é o próprio corpo do
artista, corpo que nasce e cresce em um dado território e que carrega uma carga
de memórias ancestrais que são fontes para a convivência, inspiração e criação.
Regar ou cuidar disso tudo, com as políticas públicas gerais que vicejaram
no governo Lula, e setorialmente sob abatuta dos geniais Gilberto Gil e Juca Ferreira é o que nos faz reafirmar: Lula
é umas das melhores criações da raça brasilis. Daí, podemos adaptar o famoso
verso de uma antiga canção, transformada em bordão: “Lula
maravilha, nós gostamos de você.”
Abaixo três play lists, a primeira tem a criação artística e a produção
cultural como tema, mote ou
metalinguagem, a segunda canções que clamam pela liberdade de Lula e a terceira canções de luta produzidas nestes tempos sombrios ou TEMERosos.
"A arte e a cultura são potentes armas contra a alienação, a ignorância, a barbárie. Há
tempos muitos estão na luta com estas armas. Desse jeito! Ocupemos mais as
ruas, as praças, as escolas, as igrejas, os meios de comunicação e as
redes sociais. Com canções e artes de luta, de resistência, de paz, de
justiça."
Lançamento de 59 pré-candidaturas da #OcupaPolítica aos legislativos, de 9 estados
Com o Teatro Ofina por palco, surge articulação nacional de
candidaturas coletivas ou comunitárias — a partir também das quebradas,
aldeias e quilombos. Movimento é resposta ao esvaziamento da velha
política
Por Roberto Andrés
Enquanto o velho Brasil oligarca segue sua triste
sina de veneno e lama, a sociedade brasileira se movimenta para buscar
saídas para a enorme crise que vivemos. Dentre tantas iniciativas, há o
crescimento de uma insurgência democrática que vem de coletivos
ativistas, das periferias, de gente do chão das lutas, para quem a
institucionalidade sempre foi negada.
Essa sublevação é incipiente, mas não é nova. Ela já deu as caras nas eleições de 2016, com movimentações como as Muitas, que elegeu as vereadoras Áurea Carolina e Cida Falabella em Belo Horizonte; Bancada Ativista, que ajudou a eleger Sâmia Bomfim em São Paulo; Agora é com a gente,
que elegeu Ivan Moraes no Recife; e com as vitórias expressivas de
Marielle Franco no Rio de Janeiro, Talíria Petrone em Niterói e Marquito
em Florianópolis, dentre outras.
Foi só as conexões começarem e percebeu-se que essa
rede é maior do que a vista alcança. Em tantas e tantas quebradas desse
país, há gente que sempre fez política e que agora decidiu ocupar os
espaços institucionais. Em 2017, foi feito um chamado para um primeiro
encontro dessa rede, em Belo Horizonte – que contou com mais de 300
pessoas de 20 estados brasileiros.
Daí nasceu o #OcupaPolítica, um arco de pessoas do
campo cidadão, popular, feminista e periférico que ousa “sonhar outro
futuro, no qual se expandem as possibilidades de vida livre, feliz,
integrada com a natureza, fundada nos interesses coletivos e na
democracia real”, como colocado no manifesto.
As pré-candidaturas são construídas com autonomia em
cada contexto, mas se fortalecem ao formarem uma rede de troca e
compartilhamentos. E potencializam esperança ao se articularem como um
conjunto. Em uma noite de sábado do inverno paulistano, no último 7 de
julho, no Teatro Oficina, foram lançadas as 70 pré-candidaturas do
movimento.
O evento foi transmitido ao vivo e está disponível em alguns vídeos na página do Ocupa Política. Nesse breve relato me propus a fazer uma visita guiada, um testemunho pessoal e obviamente incompleto, dessa noite insurgente.
Flertaço: 59 pré-candidatas fazem um tête-à-tête com o público presente
Quem chegava ao Teatro Oficina se deparava com duas
imensas fileiras de cadeiras, uma em frente à outra. As pré-candidatas
ocupavam as cadeiras da fileira à esquerda e o público era convidado a
se assentar e bater um papo reto, de frente, em uma dinâmica chamada
flertaço que foi inventada pela Bancada Ativista nas eleições de 2016.
Aliás, é preciso dar um grande salve à Bancada
Ativista, que foi uma das principais articuladoras do encontro e teve a
generosidade de abrir seu lançamento para um evento múltiplo e diverso. É
preciso dar um grande salve também ao modelo de candidatura coletiva
que a Bancada, assim como as Juntas no Pernambuco, propõe: pessoas de diversas lutas construindo uma candidatura que tem somente um nome na urna.
Como bem lembrou a Áurea Carolina, em sua fala
brilhante, “nós também temos em nós afetos violentos, competitivos.
Superar esses afetos em busca da cooperação e da colaboração exige
trabalho.” As candidaturas coletivas destravam os mecanismos automáticos
de competição entre candidatos, abrem espaço de diálogo e
fortalecimento mútuo. O lançamento das pré-candidaturas da Bancada Ativista, com sete mulheres e dois homens de diversas lutas juntas no palco, mostra essa força.
Depois do flertaço veio um Auê,
um rito de cantos tradicionais puxado por indígenas e quilombolas,
ativando as energias de invenção e resistência daquele templo do teatro —
que só poderia ter sido projetado por uma mulher como Lina Bo Bardi.
Quem cantava não era artista contratado, mas as próprias pré-candidatas e
suas apoiadoras, como Sandra Quilombola e Kerexu, pré-candidatas a
deputada federal em Minas Gerais e em Santa Catarina.
A apresentação de mais de 50 pré-candidaturas trouxe a diversidade de
pautas e lutas presentes, mas foi o momento seguinte que permitiu
compreender essa força: uma série de rodas temáticas, ali chamadas
aquários, em que uma pessoa convidada fazia provocações a pré-candidatas
de diferentes locais, contextos e formas de atuação.
A primeira roda (que começa aos 37’30” deste vídeo),
mediada por Bianca Santana, propôs que as ocupações legislativas ali
presentes refletissem sobre suas experiências. Práticas reais de
radicalização democrática, transparência, composição equitativa de
equipes, desconstrução de privilégios, foram trazidos por Daniela
Monteiro (RJ), que compunha a mandata de Marielle Franco, Rafa Barros
(MG), que atuava na gabinetona de Áurea Carolina e Cida Falabella, e
pelas vereadoras Fernanda Melchionna (RS), Ivan Moraes (PE) e Marquito
(SC).
Por mais engessadas que sejam nossas instituições, assistir a esta
mesa impressiona por revelar as potentes possibilidades de atuação e
incidência, de transformação real a partir da prática política no
contato direto com as comunidades.
A roda seguinte (que começa aos 56′ deste vídeo e continua no início deste) abordou o tema Outra Política, Outras Economias.
Mediada pela antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, teve a participação
de Tatiana Roque (RJ), Kênia Ribeiro (MG), Celio Gari (RJ), Celio Turino
(SP) e Sandra Quilombola (MG), em um debate sobre as formas de proteção
social em um mundo em que o trabalho se reconfigurou.
Direito ao futuro foi o tema seguinte (começa aos 12′ deste vídeo).
Em um país em que boa parte dos jovens tem chances reais de ter seu
futuro encurtado, como pontuou a mediadora Claudia Visoni, há uma força
comprometida que emerge nas juventudes periféricas, expressas nessa mesa
por Max Maciel (DF), Douglas Belchior (SP), William Siri (RJ), pelas
potências de Leandrinha Du Art (MG), Eugenia Lima (PE) e Kerexu (SC).
As diferenças abissais entre os centros e as periferias, estas
desprovidas de equipamentos culturais, espaços e serviços públicos, na
mesma medida em que estão saturadas de violência do Estado foi uma das
tônicas da mesa, sintetizada na pergunta de Max Maciel: “Qual o futuro
que vamos ter, se uma pistola que custa R$5.000 chega primeiro nas
periferias do que o ingresso do cinema, que custa R$30”?
Diversos
momentos do Ocupa Política, com destaque para Mônica Francisco, Andreia
de Jesus, Talíria Petrone e Celio Gari na linha superior
A última roda aborda Crise da democracia e papel do Estado, e
acredito que vale ser assistida por todas as pessoas que se importam com
as possibilidades democráticas no Brasil hoje (começa aos 44′ deste vídeo).
A provocação de Marcos Nobre joga na arena as tensões abertas pela
crise de 2008 e os ciclos de protestos de 2011-13, lembrando que não há
uma resposta, nem no Brasil nem fora, desenhada para o momento. Cabe a
nós, portanto, formular respostas, o que a mesa faz prontamente, nas
brilhantes colocações de Áurea Carolina, Marivaldo Pereira, Sâmia
Bomfim, Úrsula Vidal e Marina Helou (mesa continua neste vídeo)
Mas é a partir dos 28′ desse último video que a
coroação dos debates acontece, com a presença de três mulheres negras
que hoje contrariam as estatísticas ao ocupar a política, por isso com
tanta força: Andreia de Jesus, Monica Francisco e Taliria Petrone. O
momento foi também uma homenagem a Marielle Franco, que havia
participado do Ocupa Política em BH e teve ali projetada, pela primeira
vez, sua fala registrada em vídeo em 2017.
Não sei muito bem o que dizer sobre essas quatro
mulheres juntas, com suas falas urgentes, com seus corpos que gritam uma
história atual – Marielle, presente! – de violências, com sua
inteligência e resolutividade, com toda a revolução que expressam, a não
ser que chorei como não chorava há muito tempo, e constatei que
participar dessa construção é, para mim, o único caminho possível para
trabalhar por uma democracia de fato no Brasil.
Ainda na minha perspectiva, há um antes e um depois
do 7 de julho de 2018 no Teatro Oficina. Assim como a Bianca Santana bem
lembrou haver um antes e um depois de um 7 de julho de 40 anos atrás,
em 1978, com a manifestação que reuniu duas mil pessoas em plena
ditadura militar e significou a criação do Movimento Negro Unificado.
O encontro se encerrou ainda sobre o eco,
reverberando naquele teatro, das palavras da Talíria Petrone: “Se a
Marielle foi executada em um crime político, nossa resposta será trazer
as lutas dela para o centro da nossa ação política. O Ocupa Política vem
dizer que é necessária outra política e que não é mais possível aquela
política velha, carcomida, embranquecida, dos barões de café, dos
senhores de engenho, dos proprietários de terra. Ocupar a política de
outra forma é fazer com afeto, com sorriso, e devolver a política do
lugar de onde ela foi roubada. Porque a gente já faz política há muito
tempo.”
Documento
demonstra, com dados, fracasso da intervenção militar. Resultados no
combate ao crime são pífios. Mantém-se padrão vingativo que caracteriza […]
Além de atividades circenses e
lúdicas, programação musical terá nomes como Ana Cañas, Beth Carvalho,
Noca da Portela, Nelson Sargento, MC Carol e Renegado, além de Chico
Buarque, Gilberto Gil, Jards Macalé e Chico César. Odair José promete
“Eu vou tirar você desse lugar”
por Redação RBApublicado
27/07/2018 09h14,
última modificação
27/07/2018 11h23
Divulgação
Em defesa da democracia e contra a prisão política de Lula, festival vai sacudir o Rio de Janeiro
São Paulo – Está chegando a hora. Neste sábado (28),
a partir das 14h, no Rio de Janeiro, nos Arcos da Lapa, região central
da cidade, o Festival Lula Livre reunirá artistas e
intelectuais latino-americanos em ato cultural e político em defesa da
democracia e contra a prisão política do ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva.
Entre os mais de 40 nomes da música brasileira estão confirmados,
Chico Buarque, Gilberto Gil, Jards Macalé, Ana Cañas, Beth Carvalho,
Chico César, Noca da Portela, Nelson Sargento, Odair José, Arnaldo
Antunes, Maria Gadú e Manno Góes, assim como artistas de uma nova
geração também muito talentosa, como Filippe Catto, Tomaz Miranda,
Cecilia Todd, Marcelo Jeneci, Lyza Milhomem, Marcos Lucenna, Maria
Rivero e MC Carol.
O cantor Odair José, remanescente da chamada cultura brega dos anos
1970 e que acabou se tornando cult, voltou a se encontrar com o grande
público nas edições da Virada Cultural paulistana e, em janeiro deste ano, participou pela primeira vez de um ato político em mais de 40 anos de carreira. Para o show no Rio, os organizadores afirmam que pedirão para que cante outro clássico do seu repertório, Eu Vou Tirar Você Desse Lugar.
O evento é organizado por um coletivo de artistas e pelas frentes
Brasil Popular e Povo sem Medo, como parte de uma série de atividades
que culminarão com o registro da candidatura de Lula à Presidência da
República, dia 15 de agosto. Diverso, o festival começa à tarde e se
estenderá noite adentro, com oficinas, DJs e apresentações teatrais,
culminando com um grande ato-show.
A ideia do evento nasceu a partir de um manifesto elaborado por Chico
Buarque, Martinho da Vila, Ziraldo, Leonardo Boff e mais de 800
signatários. O documento afirma que “todo o julgamento do presidente
Lula foi um erro jurídico sem limites”. Para os signatários, não é
possível aceitar que Lula, líder em todas as pesquisas, não participe
das eleições. "Inadmissível é mantê-lo preso num flagrante desrespeito
às regras mais elementares da Justiça.”
Ricardo Stuckert
Mesmo preso injustamente, Lula é líder em todas as pesquisas eleitorais. Candidatura será registrada dia 15 de agosto
Eventos simultâneos
De acordo com a organização, o festival será dividido em duas partes.
A chamda parte lúdica, que começa às 14h, na praça diante dos Arcos e
do Circo Voador, será aberta pela trombonista Ju Storino e o Palhaço Zé
Catimba, que farão o anúncio da abertura. Está previsto um cortejo,
reunindo poetas, músicos, atores e artistas circenses. Em seguida, cada
participante se destinará aos espaços reservados para atividades –
música, teatro, poesia, oficinas.
Em seguida começam as intervenções de rua, como montagem de pipas,
oficina literária (com Márcia Tiburi, segundo informa Hildergard Angel
em sua coluna no Jornal do Brasil), estêncil, bordados e flores (com as Bordadeiras pela Democracia), fotojornalismo, grafite e pintura em tecidos. Os organizadores estimam que sejam feitas cerca de 500 pipas na
oficina da própria praça, que comporão junto com 10 pipas artísticas
gigantes uma espécie de balé. Um ecobalão de 4 metros subirá com uma
faixa com a mensagem do festival.
A praça será tomada pelos grupos circenses Tropa de Palhaços, Grande
Circo Trapézio, Tá Na Rua, e Mistérios e Novidades, seguidos dos
coletivos de dança Passinhos Carioca e Efeito Urbano. Haverá ainda uma
revoada das pipas e ecobalões produzidos, tendo ao fundo o som do DJ
Rodrigo Penna.
Por volta de 17h, a primeira parte do festival será encerrada com samba levado pela Orquestra Voadora, que tem 120 integrantes.
Na sequência, começam as apresentações musicais no palco central. O
reencontro de Chico e Gil encerrará o Festival Lula Livre, em defesa da
democracia e pela libertação do ex-presidente de sua prisão política.
Pesquisa do Datafolha entrevistou 2.090 pessoas em todo o país
Por: Isabela Alves
Cerca de 70 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais deixariam o Brasil se pudessem, segundo um levantamento realizado pelo Datafolha.
A pesquisa, que entrevistou 2.090 pessoas em todo o país, apontou que
43% da população adulta manifestou desejo de sair do país. Entre os que
têm de 16 a 24 anos, a porcentagem vai a 62%. A vontade de emigrar é
majoritária entre os que têm nível superior e entre os que possuem renda
familiar superior a cinco salários mínimos.
Sobre os destinos, Estados Unidos é o mais citado, com 14%, e
Portugal fica em segundo lugar, com 8%. Aparecem também Canadá (3%),
França, Espanha, Inglaterra (2%, cada), Itália, Suíça, Japão, Austrália e
Alemanha (1%, cada). Estados Unidos é lembrado principalmente pelo mais
jovens, enquanto Portugal se destaca entre os mais escolarizados e mais
ricos.
E nós que nem sabemos quanto nos queremos Que nem sabemos tudo que queremos Como é difícil o desejo de amar
Você que nem me soube quanto eu quis Que não me coube, não me viu raiz
Nascendo, crescendo nos terrenos seusEu na janela olhando a lua, perguntando a lua Onde você foi amar?
E nós que nem soubemos nos querer de vez Estamos sós, laçados em dois nós Um que é meu beijo e o outro o lábio seu
Não sei sair cantando sem contar você Que eu sei cantar, mas conto com você Que eu vou seguir, mas vou seguir você
Queria que assim sabendo se a gente se quer Queria me rimar no seu colo mulher Vencer a vida de onde ela vier
Ganhar seu Chegar no chegar meu Dar de mim o homem que é seu
Ao longo dos últimos 30 anos, refluiu o ativismo de esquerda,
aquele que conectava local de trabalho e local de moradia - e se
realizava em paróquias, associações ou subsedes sindicais. Em seu lugar,
cresceu um outro organizador de rotinas, aspirações e desejos - as
igrejas evangélicas, que se multiplicaram, precisamente, depois de 1980.
Uma escola de política se esvaziava, uma outra se erguia
Por Reginaldo Moraes
22/07/2018 12:04
A In
Há
exatos 30 anos, o sociólogo e militante Eder Sader publicou um livro de
obrigatória referência para quem busca analisar os movimentos sociais
da Grande São Paulo, na década de 1970. E útil, também, para compreender
outros contextos, nas outras regiões metropolitanas do país.
O título era mais do que sugestivo – Quando Novos personagens entraram em Cena
– experiências e lutas dos trabalhadores da Grande São Paulo 1970-1980.
(Paz & Terra, S. Paulo, 1988).
O livro procurava entender “a
experiência da condição proletária”, o modo de vida das classes
populares e, também, a dinâmica dos novos movimentos sociais. Enfatizava
a importância de dois “lugares” dessas lutas – a moradia (os bairros
periféricos) e o trabalho (fábricas e sindicatos). O estudo –
originalmente uma tese de doutorado em sociologia – dava bastante
importância às “matrizes discursivas” que animavam os personagens e
ajudavam a compor a sua visão de mundo. Aí, o autor identificava “três
centros de elaboração”: a igreja católica, o novo sindicalismo e os
grupos de esquerda em reconstrução, depois da derrota sob o governo
Médici.
Olhando
em retrospectiva, parece-me que seria prudente reavaliar o peso dessas
“agências”. Quanto aos grupos de esquerda em reconstrução, por exemplo,
embora tenham tido importância crucial em certos momentos e lugares, a
memória me convence que só sobreviveram e vicejaram, durante algum
tempo, precisamente na medida em que cultivaram algum tipo de simbiose –
criativa, muitas vezes - com as outras duas matrizes, a Igreja e os
movimentos sindicais de novo tipo.
Passaram-se
três décadas desse estudo, com grandes transformações operando sobre a
cena e sobre os personagens retratados. As mudanças foram de tal porte
que quase se pode dizer que aqueles novos personagens saíram da cena,
trocaram de identidade ou se enquadraram em um novo enredo.
Voltarei
aos outros personagens em outra ocasião. Por enquanto, registro as
peculiaridades de um deles, que me parece ganhar importância quando
tomamos distância. Refiro-me à “matriz discursiva” da Igreja Católica –
ou, pelo menos, de uma parte então relevante daquela igreja. Até porque
foi bem mais do que discursiva, como se pode ver nos episódios que
comento.
Começo
pela memória de um evento casual. No início de 1972, eu era militante
de um grupo clandestino que se opunha à ditadura. Estava envolvido numa
campanha, a da chapa de oposição no sindicato dos metalúrgicos de S.
Paulo-Capital.
Depois de uma jornada de panfletagens nas fábricas de
Santo Amaro, acompanhei meu amigo Vito Giannotti, operário vinculado à
esquerda católica, à casa de Plinio de Arruda Sampaio, no bairro dos
Jardins. Na nossa provável ingenuidade juvenil (Vito tinha 28 anos, eu
tinha 21), íamos pedir a Plinio, membro importante da Comissão de
Justiça e Paz, para que recomendassem aos padres da periferia uma
atitude de cooperação com os movimentos operários e populares.
Basicamente, que abrissem as paroquias periféricas para nossas reuniões e
campanhas de difusão.
Anos depois, bem depois, entendi que não era
apenas isso. Não íamos pedir algo que não estivesse já deliberado em
certa agenda. Sabíamos que em outras regiões, outros trabalhadores
católicos faziam algo parecido com outros membros progressistas da
Comissão. O que não sabíamos era que nossa “demanda” era a contrapartida
(talvez induzida) de uma estratégia bem mais ampla e organizada do
saudoso cardeal Paulo Evaristo Arns. A chamada Operação Periferia.
Segundo minha avaliação atual, Arns precisava dessa pressão “pelas
bases” para ajudar a legitimar sua decisão corajosa e estratégica. Hoje
tenho convicção de que jamais conseguiremos exagerar a importância de
sua Operação Periferia para a reconstrução do movimento operário e
popular, nas duras condições dos anos 1970.
Por
isso vale a pena recompor a estória dessa operação de Arns, que não
tinha apenas a dedicação de um franciscano, era um pastor
intelectualmente sofisticado e um “comandante” dotado de notável visão
estratégica.
Desde
logo, quando se tornou arcebispo de São Paulo (1970), Arns planejava
reorientar a ação da igreja na região (incluía capital e Osasco, a
cidade “vermelha”). Era uma mudança clara com relação ao antigo gestor,
Agnelo Rossi, que tinha declarada simpatia pelo regime militar. Durante
a campanha da Fraternidade de 1972, Dom Paulo lançou sua Operação
Periferia, num programa de rádio da Diocese.
Organizar
a igreja na periferia tinha mais do que um sentido geográfico – eram
periféricos os pobres, morando em favelas, bairros precários da
periferia ou cortiços e casas de cômodos do centro deteriorado da
cidade.
O
objetivo básico da Operação era formar comunidades. Para isso, era
necessário descobrir e treinar lideranças para animá-las, montar centros
comunitários nos bairros, para nuclear atividades religiosas ou não.
Formular projetos que envolvessem necessidades dos moradores, que os
envolvessem. A Operação projetava uma organização através de colegiados
em diferentes níveis, da base (as comunidades) ao topo (a coordenação). E
incorporando militantes leigos. Construir comunidades implicava
construir essa liderança organizada.
A
operação teve lances de enorme simbolismo. D. Paulo vendeu a majestosa
residência episcopal, um palacete rodeado de jardins em região nobre. E
investiu o recurso na compra de uma centena de terrenos em bairros
periféricos, para a construção de centros comunitários. Não seriam
apenas igrejas, destinadas a celebrar missas. Seriam centros com salas e
salões destinados a atividades como reuniões dos clubes de mães, dos
grupos de catequese, dos núcleos da pastoral operária, creches, cursos,
grupos de jovens para fazer música ou teatro. E também, claro, para as
celebrações dominicais.
Um viveiro de criatividade militante
Durante
os anos 1970, mesmo sob a ditadura, houve uma difícil mas progressiva
recomposição da esquerda política. Um crescimento de seus ativistas e
militantes com fundamento em uma base social clara, uma rede de conexões
que se propagava. Uma rede meio subterrânea que viria à luz do dia com o
declínio da ditadura e a “redemocratização” dos anos 1980.
Esse
crescimento foi muito alimentado pela forja de militantes e ativistas
que vinham de sindicatos e igrejas. A base social relevante da esquerda
política começou a ser essa: os movimentos do “povo pobre da periferia”,
expressão preferida dos católicos e dos maoístas, a corrente política
mais “casada” com os religiosos.
Sim,
era daí que saia o grosso da militância e dos filiados do PT, por
exemplo. Ou das oposições sindicais. Ou da futura CUT. Porque os
sindicatos e esses movimentos populares – tantas vezes nucleados em
paróquias perdidas em bairros precários - eram os “lugares” da
semeadura. Era ali que se realizava aquela atividade regular, constante,
de formação de identidades e afinidades, de hábitos de pensamento e de
comportamento. Hábitos de encontro – a palavra igreja vem de Eclésia,
assembléia, encontro, e não é por acaso.
Quando
a base social da esquerda política se fragmenta, desintegra, amolece, a
dificuldade para promover enfrentamentos é terrível. Depois de 1980,
principalmente, as empresas começam a passar por “reengenharias”. São
fragmentadas e terceirizadas. Com essa reforma e com a automação,
categorias profissionais inteiras são reduzidas pela metade, são
partidas. Depois, com as privatizações, outras categorias definham. Os
movimentos sindicais iriam sentir esse baque. E outros viriam.
Outros
baques viriam, no movimento dos bairros periféricos, o outro lugar de
florescimento de lideranças. Nos anos 1970, a esquerda conseguiu avanços
significativos (em parceria com o chamado clero progressista) criando
conexões entre movimentos no local de moradia. Havia uma interligação e
cooperação viva entre movimentos por transporte, saúde, infraestrutura
urbana, e movimentos sindicais, redundando em fortalecimento de
campanhas de sindicatos e oposições sindicais. Escolas de solidariedade e
de política. Essa atividade foi profundamente abalada por vários
fatores, um dos quais, nada desprezível, foi o brutal desmonte da igreja
da libertação, uma iniciativa clara e enérgica do papa eleito em 1979.
Nos
bairros populares, a chamada “igreja progressista” foi rapidamente
desmantelada por um papa claramente reacionário. Ali, onde elas eram o
lugar do encontro, são substituídas por uma profusão de alternativas
evangélicas, com práticas de enraizamento bem parecidas, mas, em geral,
com um discurso radicalmente oposto. A teologia da libertação – a da
salvação coletiva - dá lugar à teologia da prosperidade, em que Deus é
uma caderneta de poupança: você investe e ele dá retorno, aqui mesmo, na
vida material, no vale de lágrimas. A salvação individual, através do
mérito e do mercado.
A
Igreja Universal do Reino de Deus, por exemplo, nasceu num barracão do
subúrbio carioca, no final dos anos 1970. Menos de dez anos depois já
possuía templos e salões de culto em centenas de municípios. E adquiria
uma das maiores redes de rádio e TV. Muitas concorrentes – ou co-irmãs -
seguiram esse rumo.
As
chamadas correntes evangélicas mostraram admirável energia militante.
Evangélicos são usualmente praticantes – vão ao culto toda semana. Mais
do que isso. Muitos vão mais vezes à igreja, enviam os filhos para
atividades de jovens, crianças. Participam de círculos bíblicos, grupos
de jovens e mulheres, organizam campanhas de proselitismo e venda de
publicações, de conquista de adeptos e “associados”. Muitas igrejas
dessas igrejas realizam um notável e dedicado serviço social, de apoio
aos “irmãos”, de atração de fiéis. Oferecem cursos, grupos de teatro,
creches, orientação para emprego, moradia, legalização de documentos,
informam sobre o acesso a serviços públicos e assim por diante.
Socializam, acolhem, integram. E para ajudar, nos intervalos o fiel ouve
seus pastores e cantores no rádio, cadeias enormes de rádio e TV. Nas
ruas comerciais das grandes cidades, lojas ou cinemas que fecham são com
frequência alugados para alguma igreja desse perfil, não importa sua
denominação.
Nos bairros periféricos, desde a metade dos anos 1980,
vemos a multiplicação de pequenos galpões. Nos anos 1970 era quase
impossível ver um sequer. Com o tempo, transformam-se em templos
maiores, alguns bastante imponentes – suficientemente amplos para
abrigar todas essas atividades.
Tem que ser assim?
Resumindo
o argumento. Ao longo dos últimos 30 anos, refluiu o ativismo de
esquerda, aquele que conectava local de trabalho e local de moradia – e
se realizava em paróquias, associações ou subsedes sindicais. Em seu
lugar, cresceu um outro organizador de rotinas, aspirações e desejos –
as igrejas evangélicas, que se multiplicaram, precisamente, depois de
1980. Uma escola de política se esvaziava, uma outra se erguia.
Descrevi,
páginas acima, a Operação Periferia, um construto político de notável
envergadura. Nenhuma das organização de esquerda , pequenas e divididas,
teria condições de emprendê-la, mesmo que tivesse tal visão. Os
sindicatos – mesmo que fossem imbuídos dessa compreensão – não tinham
coesão suficiente para isso, ainda que, hipoteticamente, tivessem os
recursos. Esse papel coube à Igreja, ou uma parte inovadora e
voluntarista da Igreja, equipada com uma nova teologia.
A partir do
final dos anos 1970, vemos empreendimento similar mas com cortes
claramente conservadores. Houve e há uma operação periferia da
constelação de igrejas pentecostais conservadoras. Nada garante que
continuem a ter essa inclinação doutrinária nem que seja eficientes na
tarefa de controle social. Mas... quem saberá construir uma alternativa?
Como? Talvez hoje sindicatos, movimentos e partidos à esquerda tenham
mais saber e mais coesão para tentar. Talvez. Se não o fazem, acredito,
renunciam a seu papel, mergulham na mediocridade e entregam a batalha
para o adversário. A história provê a oportunidade, não o resultado.
As
condições e os personagens são diferentes, portanto. Para o bem e para o
mal. E hoje não precisamos de um empreendimento imobiliário como aquele
do cardeal rebelde. Há um grande número de espaços estatais para
reconquistar e tornar públicos. Uma escola em cada bairro, centros
comunitários como os CEUs de São Paulo. Outros. Talvez o que falte seja a
criação de pacientes e dedicadas brigadas juvenis, por exemplo. Que
tenham a humildade de aprender e ensinar uma nova lição, para que o
“publico alvo” seja mais do que um alvo. Porque, como diziam meus amigos
cristãos, quem mastiga sente o gosto. E quem sente o gosto tem mais
fome. De poder, porque é do poder que estamos falando.