terça-feira, 25 de setembro de 2018

O arrebatador e intenso espetáculo Billie Holiday. Vale a pena assistir!

É EMOCIONANTE O SUCESSO DO ESPETÁCULO BILLIE HOLIDAY, A CANÇÃO OU SUA ÚLTIMA TEMPORADA EM 2018!


Parece que o espetáculo teatral Billie Holiday, a Canção desconstrói frases feitas, a lembrar da frase do emblemático dramaturgo Nelson Rodrigues: “A unanimidade é burra!” Ouso dizer que até o Mister Rodrigues reveria o próprio conceito. 

O espetáculo sergipano, surpreendentemente, desconstrói a frase icônica e vira uma unanimidade ante os espectadores impressionados com a interpretação visceral da atriz-cantora-intérprete Tânia Maria! 

Agora nossa produção também vem desconstruindo outro famoso tabu: o de que “santo de casa não faz milagre”, e tem provado que faz sim! O sucesso da temporada da obra dramática de Hunald de Alencar, Billie Holiday, a Canção, no teatro da TAMPA é algo impressionante! Casa lotada, pessoas comprando ingressos antecipados ou voltando da porta por falta de ingresso, enfim, emocionante! 

Um público lindamente variado: sergipanos envaidecidos e contemplados com uma arte sergipana de altíssimo nível; turistas de Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Salvador e até dos Estados Unidos -tivemos a visita de duas norte-americanas que ficaram perdidamente apaixonadas pelo trabalho: “Bravo, bravo, entendi tudo mesmo em português!” Disse uma delas, com seu sotaque inconfundível. 

Pessoas que vieram assistir a nossa montagem 3 vezes, e mais um tanto de gente que veio assisti-la por recomendação, ou seja, pelo “boca a boca” que tem funcionado muito bem.Provando, assim, que quando um espetáculo é “bom” as pessoas vão assistir! 

Fora isso, a arrebatadora empatia da plateia com o trabalho: muita emoção, muito choro, muita cumplicidade, depoimentos carregados de profundo sentimento, ao ponto de terminar o espetáculo e as pessoas não conseguirem sair do espaço, todas imóveis diante de uma arte tão verdadeira! “Eu tenho talento, você tem o dom, menina”! Disse um ator que estava na plateia. “Sou baiano e moro em Sergipe já um tempo. Nem em Sergipe e nem na Bahia assisti a um trabalho com tamanha originalidade. Foi uma hora que se passou rápido, e que nunca mais vai se repetir na minha vida. Foi a melhor peça que assisti, tanto aqui em Aracaju quanto na Bahia, nos últimos tempos!” Disse o professor. “A sua interpretação é tão verdadeira que a gente sofre junto. Quase não vinha, mas ainda bem que não desisti. Obrigada por essa oportunidade!” Foi o depoimento de uma itabaianense que veio assistir à Billie, recomendada por uma conterrânea. 

Enfim, estamos muito felizes com o sucesso dessa temporada, porque também sabemos que estamos fazendo história! Esta semana é a última em que Billie Holiday, a Canção encerra a sua trilha de apresentações. 

Não deixe de ver a maior produção do teatro sergipano das últimas décadas! Corra e faça a sua reserva, pois já estamos com vários ingressos vendidos para esta última semana da temporada! Se você realmente é apaixonado por arte, pelo teatro, por um trabalho que tem alma, vida e qualidade não perca a oportunidade de assistir a este trabalho genuinamente sergipano, tipo exportação! Uma produção que tem convites para várias cidades do Brasil e do exterior! Ligue para a nossa produtora Evelyn Teixeira, no telefone 98854-2275, e garanta o seu ingresso: inteira R$ 20,00 e meia-entrada R$ 10,00.
Raimundo Venâncio - diretor e produtor do espetáculo.



Para ouvir: THE BEST BILLIE HOLIDAY
Sem dúvida! É uma das iniciativas culturais sergipanas mais intensas e arrebatadoras dos últimos anos. Fora o fato de estar sendo apresentado em um espaço cultural com as caracteristicas que tem a TAMPÀ produções artisticas e no bairro em que está localizado. Fazer com que pessoas de classe média façam o percurso contrário ao que é comumente feito, quando queremos ir ao teatro, tem uma significado bastante especial, assim como o fato de ser uma apresentação teatral em um espaço que não é público, o que não é tão  corriqueiro em nosso estado.    
Utilizei a iniciativa cultural de apresentar Billie Holiday, A Canção na sede da TAMPA, como um dos cases de sucesso que as administrações progressistas podem se inspirar, considerando o papel da arte e da cultura na geração e distribuição de riqueza simbólica, cidadã e econômica . No caso da administração municipal e estadual, talvez falte tirocinio para perceber o que escrevi abaixo.

Urgente! Democratizar o acesso a propriedade, ao crédito e ao conhecimento sobre gestão/produção de micro e pequenos negócios, individuais e coletivos.








Para aprofundar a abordagem acima, sugerimos a leitura.

Na periferia de São Paulo, arte e economia solidária superam violência


Agência Solano Trindade desenvolve talentos e mostra como os projetos de economia solidária podem transformar a vida das comunidades no Capão Redondo, zona sul da capital paulista
Zezito de Oliveira - Educador, agente cultural e blogueiro. Participou da equipe responsável  pela primeira iniciativa de arte educação popular cultural de base comunitária,  realizada em um bairro da periferia de Aracaju, justamente o Bairro América, final dos anos de 1980 e durante toda a década de 1990. Iniciativa que contou com recursos de agências de cooperação internacional,  localizadas na Europa e nos  EUA. Bairro AMÉRICA , nem tudo é por acaso. Importante registrar que esse experiência está sendo objeto de uma pesquisa participante para fins da produção de um livro. Essa iniciativa cultural contou com o apoio do Centro Sergipano de Educação Popular e da Igreja São Judas Tadeu.


quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A arte do cuidado pelas pessoas e pela pólis.



Mas Kid Abelha e  Peninha/Caeteno Veloso e Lulu Santos  nos propõe uma espécie de  bálsamo, refrigério e até a cura.


E se formos além do cuidado como forma de amor , não apenas no plano individual, das relação pessoais tão somente. Mas considerando de maneira mais ampla, pensando nos aspectos comunitários, sociais, politicos, econômico e cultural. De quais candidatos e de que programas de governo  nos lembraremos? 

Portanto, votar também é um gesto de cuidado e de amor. E se qualquer forma de amor vale a pena, fundamental lembrar , desde que seja  amor pela vida, pela vida  em abundância. Pelo bem viver. Em forma de amor próprio, de  amor pela cidade e pelo planeta pensado como casa comum, pela pólis, como é o significado original da palavra politica. Como amor de eros, o amor que  representa a nossa busca do prazer e da comunhão  com os outros por meio de nossos corpos.  Além do  amor pelo divino  amor , no caso dos homens e mulheres de fé, porque Deus é amor e onde existe amor, Deus aí está.

Mais amor por favor, gritam os jovens nos muros de São Paulo nestes tempos  de neuroses e paranóias individuais e coletivas. Faça amor não faça a guerra, gritaram os jovens contra a cultura de guerra, opressiva e de exclusão das classes dominante, isso foi nas década de 1970,  nas ruas de Paris, Londres, São Paulo, Recife e Nova York. Grito que até hoje ecoa.

O nosso voto e a nossa participação social ou cidadã, antes e  depois das eleições, podem decidir se estamos buscando o tratamento e a cura, ou se queremos  aprofundar ainda mais o estágio de sofrimento, solidão e dor que  fazem nos sentir tão mal e com a sensação de que o inferno se aproxima cada vez mais de nós, mesmo sem sabermos  ou  querermos.

A cantora Aíla, nos propõe uma saída pela arte, que nós eleitores e candidatos ouçamos com bastante atenção as palavras da canção.

 Todo Mundo Nasce Artista -  Aíla

Todo mundo nasce artista
Depois vem a repressão
"não faz arte" diz a tia
"vê se deixa de invenção! "

Todo mundo nasce artista
Depois vem a castração
E o artista que há em nós
Vai do quarto pro porão

Todo mundo nasce artista
Depois vem a podação
E a vida fica triste
Sem arte, sem emoção

Todo mundo nasce artista
Depois vem a piração
Alcoolismo, suicídio
Doença mental, depressão

E essa doença tem cura! (?)
Existe uma salvação! (?)
Faça arte! faça arte!
Mesmo que sua mãe diga que não (x2)

Compositor: Eliakin Rufino - Outra versão da canção acima.
Portanto que o nosso voto, seja um recado em favor do cuidado e do amor, incluindo pela  arte como  meio e fim.  Que seja em candidatos e partidos que tenham essa compreensão.

Os candidatos e partidos que defendem a vida em plenitude ou em abundância, também precisam reconhecer o quanto cuidar mais e melhor das pessoas é cada vez mais  necessário, pois se muito vale o já feito, mais vale o que será. Até para que não nos deparemos com o aumento das doenças psiquicas ou mentais,  e  das guerras  geradas por causa disso. Incluindo a guerra nas redes sociais.
 



segunda-feira, 17 de setembro de 2018

O Brasil entre a barbárie e a civilização. Com quem está a melhor/maior pARTE dos brasileiros.

Luiz Nassif, jornalista econômico do Jornal GGN, fala sobre a sabatina de Fernando Haddad, candidato à presidência do Partido dos Trabalhadores, no Jornal nacional na sexta-feira (14). Nassif comenta também sobre o cenário político atual e as perspectivas das pesquisas.
Ouça a entrevista de Marilu Cabañas.



POR QUE VOTO EM HADDAD
Luiz Eduardo Soares
Devo começar declarando minha admiração por Boulos e Ciro. Acredito que Boulos se tornará uma grande referência política, cujo protagonismo contribuirá para redesenhar a configuração partidária atual e espero poder acompanhá-lo no futuro pós-eleitoral. Sua candidatura, entretanto, foi assumida como oportunidade de politização da sociedade, particularmente das classes subalternas, sem a pretensão de disputa efetiva. E aí está o problema, porque as eleições de 2018 são dramaticamente decisivas para o país.

Ciro Gomes é um dos políticos mais inteligentes e preparados de nossa história republicana e propõe ao país uma transformação importante, dispondo-se a enfrentar os interesses do capital financeiro com o propósito de r)etomar o desenvolvimento e reduzir as desigualdades, tendo em vista sempre a defesa da soberania nacional, profundamente ameaçada pelo atual governo ilegítimo. Considero sua aliança com Katia Abreu -candidata a vice- compreensível, no esforço de evitar o isolamento, mas não subestimo os riscos aí envolvidos, uma vez que, mesmo tendo sido contrária à farsa do impeachment, ela tem um histórico extremamente negativo, no que diz respeito ao meio ambiente, à preservação das terras indígenas e à luta contra o trabalho escravo.

Todavia, há uma dificuldade mais relevante: Ciro é um homem na ventania. Quero dizer o seguinte: o candidato atua e se situa no mapa político como indivíduo, isto é, como um agente desprovido de vínculos orgânicos com organizações democráticas da sociedade civil e movimentos sociais. Seu partido, embora proveniente de uma origem respeitável, há muito tempo afastou-se da identidade que Brizola tentou construir. Por isso, Ciro transita entre zonas distintas do espectro político conforme cálculos táticos, apoiados em seu projeto pessoal, que por mais generoso que seja é, antes de tudo, seu próprio projeto. E, como sabemos, as conjunturas, sobretudo nesse período de constante instabilidade, são centrípetas e agonísticas. A taxa de imprevisibilidade da candidatura do PDT é elevada. Quando os críticos lhe cobram pelo temperamento explosivo erram o alvo. O que é explosivo, incerto e errático é seu destino político, porque condenado a ser moldado por decisões individuais, sob os constrangimentos das diferentes conjunturas. Sim, trata-se de um grande homem, mas é um indivíduo. E o que há lá fora é ventania.

Por fim, Haddad. Vamos lá. O PT vinha perdendo seus laços com os movimentos sociais porque, a despeito das enormes conquistas dos governos Lula, os melhores de nossa história, não estava sendo capaz de realizar sua autocrítica, publicamente, extraindo daí todas as consequências. Entretanto, o Partido dos Trabalhadores e os movimentos sociais se reencontraram. Velhos militantes decepcionados, como eu mesmo, voltaram à trincheira comum. A aprovação do partido, que caíra vertiginosamente, retornou à marca de 24%. Críticos contumazes, como eu mesmo, cerraram fileiras com os antigos companheiros. Desafetos resolveram colocar a gravidade da situação política acima de desentendimentos, por mais significativos que fossem. Por que? Eis a resposta -há aqui muito de testemunho pessoal. Creio que o processo de afastamento foi revertido pela brutalidade com que as elites passaram a agredir o partido, chegando ao ponto de negar as conquistas alcançadas, tentando apagar da memória coletiva o fato de que Lula concluiu o segundo mandato com 85% de aprovação popular e se recusou a sequer considerar a hipótese de aceitar a mudança das leis para buscar um terceiro mandato, que lhe cairia nas mãos por gravidade, mesmo sem campanha. Apesar da grande mídia insinuar que o presidente terminaria por copiar os passos de Chaves, ele fez o contrário, dando a maior demonstração possível -não consigo imaginar outra que fosse comparável- de que, acima de tudo, respeita o Estado democrático de direito, o qual, paradoxalmente, não o respeitou, desrespeitando-se a si mesmo, negando sua própria natureza, mergulhando o país no arbítrio de violações sucessivas.

Por uma questão de honestidade intelectual, importa assinalar que o presidente FHC não resistiu ao canto da sereia, ele que, com seu partido, condena o “bolivarianismo”. Mas é claro que a compra de votos para que se viabilizasse a reeleição e a mudança das regras de jogo, enquanto o jogo era jogado, não feriram a sensibilidade moral da mídia conservadora, a qual não apenas calou-se, cúmplice, como apoiou a candidatura do PSDB à reeleição, cancelando, com o despudor que lhe é próprio, os debates entre os candidatos, nos quais FHC teria de responder por seus malfeitos na economia, na política, na ética.

A campanha pelo impeachment foi tão cínica, venal e repulsiva, que infiltrou e disseminou na opinião pública o veneno do antipetismo, o grande mal que nos assola e divide. Desde aquele momento, impunha-se, para qualquer democrata, resistir com o antídoto: o anti-antipetismo. Era preciso e urgente denunciar o perigo escandaloso das generalizações, não apenas aquelas que estendiam para o conjunto dos membros do partido qualquer acusação que atingisse algum de seus membros, como aquelas que comprometiam todas as conquistas históricas do partido e de seus governos ao conectá-las a erros econômicos específicos e recentes. E ainda aquelas generalizações que conectavam crise econômica a corrupção. O antipetismo escapou ao controle dos comunicadores que o gestaram, vestiu o uniforme do fascismo e retirou dos armários em que se escondiam, envergonhados, o racismo, a sede de vingança, os cavaleiros da barbárie.

O processo grotesco foi sendo conduzido por vazamentos seletivos, estrategicamente distribuídos. E por decisões evidentemente artificiais. Direitos foram violados sob o silêncio de uns e os aplausos da mídia conservadora. O que era importante e necessário combate à corrupção, converteu-se em método de desconstituição política, ideologicamente orientado. A Justiça degradou o direito e a Constituição corrompeu-se na exceção.

Para quê incendiaram o país e o contaminaram com esse ingrediente patológico, o ódio feroz ao PT, transfigurado em signo do mal? Para levar ao poder, em nome da luta contra a corrupção, os que mais fundo enterraram seus pés no pântano. Mas é claro que havia uma razão superior para que se perpetrasse tamanha traição ao que um dia chamaram pátria. Era preciso aproveitar a oportunidade para impor guela abaixo do povo brasileiro, que jamais o aceitaria pelo voto, uma agenda neoliberal extremada, liquidando direitos sociais e o patrimônio nacional, inclusive ambiental. Eis, enfim, o propósito do golpe. Havia duas metas a cumprir para garantir a continuação da política ruinosa em curso: (1) excluir Lula das eleições, a qualquer preço; (2) difundir a versão mais primária da ideologia liberal nas camadas médias. Segundo essa concepção tosca haveria uma oposição entre Estado e Sociedade. No âmbito dessa visão de mundo primitiva, o Estado atuaria como predador, a serviço dos interesses de seus operadores (governantes, legisladores e funcionários): os sangue-sugas sorveriam a energia e os frutos do trabalho da sociedade, a qual seria um saco de batatas, um aglomerado de indivíduos -como gostava de dizer Margareth Tatcher. Conclusão: para salvar o Brasil, seria necessário reduzir o Estado ao mínimo e liberar o mercado, porque a sociedade entregue a si mesmo, livre das garras do Estado e de seus impostos escorchantes (que só serviriam para alimentar políticos e funcionários), se desenvolveria a pleno vapor, harmoniosa e feliz.

Como vêem, não há mitologia mais adequada para justificar o darwinismo social. A pobreza e as desigualdades seriam expressões da distribuição desigual do mérito. É nesse ponto que a corrupção torna-se central: o sangue drenado do corpo social alimenta o vampiro imoral, o mal supremo, a mãe de todos os males: a corrupção. Desse modo, uma ideologia política, travestida de descrição objetiva e neutra da “realidade”, ganha a alma que falta ao discurso economicista e suscita o ódio que a radica nas redes intersubjetivas que formam opiniões coletivas.

Nesse sentido, a corrupção é a linguagem que engata percepções, valores e afetos, no âmbito da ideologia neoliberal. Corrupção, enquanto tema midiaticamente associado ao impeachment de natureza golpista, é antes de tudo o veículo da ideologia anti-Estado, anti-Política, é a dramaturgia do ódio, a conclamação ao linchamento, a exaltação da vingança, o combustível do punitivismo e a dupla negação: por um lado, da sociedade como conjunto de contradições, constelação de classes sociais em conflito; por outro lado, do Estado, como espaço de luta por hegemonia.

Em síntese, eis aí o resultado: Lula preso e excluído da disputa eleitoral, que ele venceria no primeiro turno; o neoliberalismo disseminando-se como o outro lado da moeda da corrupção; a recusa à Política como apanágio da moralidade popular. Enquanto isso, o país segue sendo entregue aos interesses internacionais e a grande massa da população volta a mergulhar na miséria, ouvindo dia e noite a cantilena anti-Política. Para varrer o PT do mapa, para vetar Lula, foi preciso tentar ferir de morte a política, como atividade humana imprescindível na democracia, e a própria República. O lugar do público foi tragado pelo vórtice do mercado. O coletivo reduzido ao ajuntamento de indivíduos. As desigualdades acabaram justificadas pelo mérito.

Sabem qual é o nome disso, desse fenômeno monstruoso? Bolsonaro.
Nesse contexto, se vejo assim o país, como eu poderia não apoiar Haddad? Claro que, além disso, além do que julgo ser meu dever --confrontar sem medo o anti-petismo, resistir à tentação de capitular (por exemplo, aceitando que uma vitória do PT produziria muito desgosto nas hostes opostas e geraria uma atmosfera excessivamente tensa no país)--, além de tudo isso, há o candidato, Fernando Haddad, um dos políticos jovens mais talentosos, preparados e inteligentes de sua geração. Estão mais do que claros seus compromissos com a democracia (e a urgentíssima democratização da mídia), a soberania nacional e os direitos humanos, com a luta contra o racismo, as desigualdades, e com a defesa do meio ambiente, das sociedades indígenas e das minorias. Chega de violações aos direitos e de manipulação. Está em jogo o futuro do país.”


Luiz Eduardo Bento de Mello Soares.  É um antropólogo, cientista político e escritor brasileiro. Considerado como um dos mais importantes especialistas em segurança pública do Brasil,
É autor ou coautor de dezenas de livros, incluindo os best-sellers Elite da Tropa (com André Batista e Rodrigo Pimentel) e Elite da Tropa 2 (com André Batista, Claudio Ferraz e Rodrigo Pimentel).

Em um lugar onde não há atividades culturais qualificadas e permanentes, candidatos com ideais e idéias nazifascistas tornam-se opção de escolha.





Da periferia e da classe média ser tão invadida por mentiras, a verdade se materializou no candidato nazifascista. Ecce Homo!

Para entender esse Brasil em transe, em surto, com muitos brasileiros vivendo um quadro de hipnose e/ou de paranoia coletiva, é necessário conhecer as fontes que criaram e alimentaram a cultura do ódio. Os programas sensacionalistas que fazem apologia da tortura e da pena de morte, os religiosos fundamentalistas formados na escola do evangelismo norte-americano e as mentiras absurdas espalhadas pelo MBL.
 Como a de que Dona Marisia Leticia não teria morrido, mas uma outra mulher morta teria sido colocada em seu lugar, para que ela pudesse fugir para Cuba com milhões de dólares, os quais seriam usufruídos por ela e por Lula quando este fugisse do Brasil. 
Urgente! Compreender a importância da comunicação e da cultura na construção de uma sociedade doente, da mesma maneira que conhecer os antídotos que podem ajudar no tratamento, até a cura, considerando as pessoas enquanto indivíduos ou grupos.
Ao mesmo tempo, cuidar de melhores condições no campo da infraestrutura econômica também é necessário, fazendo isso no plano maior e no plano das iniciativas de base comunitária. 
ZdO
 Publicado no facebook em 18 de setembro. 
 





 Como é assustador descobrir o Brasil arcaico, que mora nas profundezas de muitos de nós e de nossas instituições. Muitas vezes embrulhado em papel de presente ou de modernidades futuristas.
 
A prosa impúrpura do Caicó
Chico César
Ah! Caicó arcaico
Em meu peito catolaico
Tudo é descrença e fé
Ah! Caicó arcaico
Meu cashcouer mallarmaico
Tudo rejeita e quer
É com, é sem
Milhão e vintém
Todo mundo e ninguém
Pé de xique-xique, pé de flor
Relabucho, velório
Videogame oratório
High-cult simplório
Amor sem fim, desamor
Sexo no-iê
Oxente, oh! Shit
Cego Aderaldo olhando pra mim
Moonwalkmam
 Publicado no facebook em 14 de setembro de 2018




AS ELEIÇÕES E O MONSTRO NA PORTA. NOTAS MIÚDAS
Romero Venâncio

Vemos aos poucos se formar um consenso tardio de que estamos num dos piores momentos da cambaleante república brasileira desde o “fim” da ditadura militar nos anos 80. Junto da crise econômica que deixa consequências gravíssimas na vida dos mais pobres, temos uma crise política que vai gestando monstros pouco vistos nessas paragens.

 Políticos corruptos, oligarquias truculentas, burguesia predatória, classe média idiota e filisteia, uma população pobre e vitimada pela mais rebaixada indústria cultural... Tudo isso junto, faz parte do cenário brasileiro a anos. Não seria novidade estas coisas aparecerem em eleições e achávamos que não tinha como piorar neste quesito. 

Pioramos! E não se trata dos velhos e novos candidatos grotescos e até risonhos, tipo “Rôla” em Aracaju ou “Tiririca” em São Paulo. Essas coisas bizarras e inofensivas fazia parte do cenário tolo da democracia eleitoral. O que temos agora é outra coisa: nova porque velha diante da memória geopolítica mundial. Falo aqui não apenas dos candidatos Bolsonaro & João Amoêdo, os dois mais perversos e danosos candidatos para um Brasil que tem a história que tem e vive a crise que vive hoje... Mas não é apenas essas duas candidaturas individuais que me refiro. Me preocupa muito mais um movimento que vem na esteira e em apoio a esses candidatos. 

Enquanto movimento e organização (e possibilidade de vitória no pleito deste ano) a candidatura de Bolsonaro é a pior. Temos hoje no Brasil (em todas as grandes cidades brasileiras. Todas!!!) esse movimento que se espelha na figura de Bolsonaro e é maior que ele. Se deixasse ele de existir, o movimento não deixaria e tenderia a crescer. A coisa é muito grave. Por isto, duas coisas me preocupam demais nesse momento de transe por todos os lados e lugares: que se acredite e se jogue todas as fichas num processo eleitoral para derrotar essa candidatura fascista (não nego que derrotá-lo nas urnas é necessário e urgente!!!). 

Mas tem uma outra coisa: uma derrota eleitoral não estanca um movimento que cresce e se organiza por todo o país. Um movimento que se alimenta da “falsificação da ira”, que se alimenta com posturas violentas e preconceituosas, que se alimenta de fakes, ignorância, fanatismo religioso... Há um pais derrotado culturalmente e se aprofundando cada vez mais numa cegueira olímpica, e que não será “redimido” por um pleito eleitoral por mais importante que seja tal pleito. Por tudo isto e pelo que chegou a ser nessa quadra histórica a esquerda brasileira, não acho estranho ou incoerente ver pessoas sérias e bem intencionadas anunciarem seu voto em Ciro Gomes, Guilherme Boulos ou Fernando Haddad. 

Essa é uma realidade atual de um Brasil e não ver isto é cair na velha armadilha do sectarismo e vanguardismo sempre de plantão para certas esquerdas. Problema maior é outro: ver em seus candidatos “messias” que poderão mudar o rumo desse país num passe de mágica e não ver que há um cultura de direita enraizada em tão pouco tempo em quase todos os setores da sociedade. O monstro da porta não mais se expressa apenas em uma pessoa, mas num movimento, numa legião... Torna-se necessário que uma eleição não seja apenas o lugar de fala de cabos eleitorais de redes sociais e de panfletagens inócuas, gente que objetiva apenas os carguinhos ou marqueteiros tolos. A sabedoria que se exige num momento como esse, vai além dos delírios ofegantes de pleitos eleitorais. E tenho dúvidas se todos nós de esquerda estamos a altura do momento. ZdO

Publicado no Face em 13 de setembro de 2018

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Espero passarmos bem, desse terremoto ou redemoinho de bobagens e até de atrocidades. Mas que as forças progressistas precisam repensar, repensar mesmo, muitas questões, precisa. Falo aqui, grosso modo, das relações com a educação, não apenas formal, comunicação, não apenas a comunicação de massa, e com a cultura, não apenas com a cultura do entretenimento. 

Disso dependerá se conseguiremos ultrapassar o campo minado construído em nossas inteligências e sensibilidade. Junto estou com Papa Francisco e milhões de lideres de outras religiões, Com Pepe Mujica e Lula, entre milhares de lideranças progressistas e com milhões de artistas, intelectuais, educadores, trabalhadores e etc..O que precisa é a mais compreensão e apoio de muitas lideranças, muitas que não ajudam e nem atrapalham e outras que escolhem o segundo caminho.


Exemplo de um programa do Papa Francisco que mostra a sua preocupação. Na prática.  
Publicado no face em 13 de setembro de 2018

Scholas Occurrentes e Cultura Viva: a arte do encontro num projeto do Papa Francisco 

 Se já está sendo um verdadeiro desastre, esse país governado por uma gente que não sabe o que significa sermos um dos povos mais ricos do mundo em diversidade - bio, cultural, religiosa, social, sexual e etc. - imagine se isso for ampliado e cada vez mais consolidado.

 Uma das razões para isso acontecer, não tenhamos dúvida, deve-se ao crescimento que tivemos nos últimas décadas de um modo de ser e estar no mundo, inspirado no modo norte americano dominante de concepção sobre um determinado projeto de sociedade.

Um projeto de sociedade individualista, segregado, de supremacia branca e masculina, materialista, mesmo quando se tem religião, além de consumista, imperialista e etc..
Esse "american way of life", ou modo americano de viver, nos chega por meio da indústria cultural e dos missionários americanos de matriz cristã fundamentalista.

É uma situação que podemos encontrar semelhanças com a primeira catequese levado a cabo pelos padres jesuítas. 

Sem essa, a indústria de moer gente, que foi o engenho colonial e todos os demais atributos da colonização, não teria obtido o êxito que alcançou, a despeito do custo em vidas humanas e das consequência que sofremos até os dias de hoje. 


A despeito da resistência e dos espaços de cultivo e práticas dessa diversidade, como foram os quilombos e as casas religiosas de matriz africana, isso em meio a toda tipo de perseguição e humilhação.

Assim se fez./faz com o processo de tentativa de recolonização em curso. Mas dificilmente esse processo de tentativa de moldar um outro rosto para o nosso povo e nosso país, alcançará todos os objetivos que tem em mente, como não alcançaram os colonizadores portugueses, desde que pisaram este solo tropical.
ZdO



.Publicado no face em 9 de setembro