sábado, 27 de agosto de 2022

Além de eleger Lula e Alckimin quem mais precisamos eleger para voltar a acreditar no Brasil?

NOVO - acrescentado em 04/09/2022

Ótima ferramenta para definir o voto em 2022.

Digite o nome do parlamentar e veja como ele se comportou nas votações de interesse dos Trabalhadores.

Trabalhador que honra seu trabalho, nem vota em CANDIDATOS-PATRÕES nem em CANDIDATOS DOS PATRÕES.

 https://www.quemfoiquem.org.br/

Coloque o nome do deputado e o Estado e

VEJA QUEM DEFENDEU O TRABALHADOR.

Publicado no facebook em 26 de agosto de 2022 

Recomendação para ajudarmos Lula a fazer um bom governo... Um dos  limites para isso decerto será a eleição de parlamentares e de governadores. Afinal , comprar gente do centrão fica muito caro, e   com orçamento secreto então... Que seja possível eleger uma bancada melhor de deputados e senadores, ídem com os governadores. "Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter". Engenheiros do Hawaii

Publicado no facebook em 05 de novembro de 2021

Será preciso uma boa estratégia de comunicação, para carimbar na testa de cada parlamentar que vota a favor de Bolsonaro, a marca de inimigos do povo, cúmplices das ações de lesa pátria e lesa humanidade que este governo promove. Afinal, se não fossem os deputados e senadores que lhe dão sustentação, os estragos de Bolsonaro e Guedes ao país e ao planeta seriam menores. Um exemplo é fazer como esse site abaixo. Compartilhem!!


15 de junho de 2022

Quem são os deputados, senadores e partidos que estão juntos com Bolsonaro no assalto as nossas riquezas e soberania?
Precisamos massificar essa pergunta e a resposta desse jeito.. .Com memes e vídeos curtos... As centrais sindicais também estão devendo um hot site e/ou plataforma com essa pergunta e resposta.. Vou continuar batendo nessa tecla..



Publicado no facebook em 21 de agosto de 2022

Importante colocar a série histórica das votações contra e a favor da maioria da nação.. Isso no caso da atual legislatura.. Vale para Assembléias Legislativas, Câmara dos Deputados e Senado.. .Vamos nessa?

Tarefa para  centrais sindicais e abong coordenar....

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Como votam os "representantes do povo" no congresso nacional. 2018 a 2022 - Por falta de informações sobre outras votações esse post ficou incompleto...

CURTA A PÁGINA FACEBOOK COMO VOTAM DEPUTADOS E SENADORES..

https://www.facebook.com/comovotar



quinta-feira, 18 de agosto de 2022

!4 de agosto de 2022

Duda Salabert - Derrotar o bolsofascismo com a biopolitica da mobilização, consciência critica, arte e com amor.


quinta-feira, 25 de agosto de 2022

NIcarágua e Anti-Petismo

 Assim como os problemas da relação da Igreja Ortodoxa   com os Bolcheviques, os quais  ascenderam ao poder em 1917 a partir da Revolução Russa,  foram e ainda são bastantes utilizados para turbinar a propaganda anti-comunista.

Assim também se sucede  com os problemas existentes entre a Igreja Católica e o presidente Daniel Ortega da Nicarágua.  O que está dando munição para setores da extrema direita católica associar o assunto, lamentáve por sinal, ao atual processo eleitoral brasileiro.   Observem que evito utilizar o termo governo sandinista, pelo fato do "espirito" sandinista estar bem distante do Ortega de 2022.

Como tentativa de responder a isso, publiquei aqui no blog um artigo acerca da questão, entretanto reconheço a necessidade de escrever um texto mais curto e com um racicionio mais  simples  para atingir um público maior.. 

domingo, 21 de agosto de 2022

O público maior a que me refiro aqui, não é a multidão de fanáticos que foram seduzidos pela propaganda manipuladora da extrema direita, tanto faz se católica, evangélica ou laica..´O público maior que pretendo atingir é uma multidão formada por pessoas que não entendem e querem entender...

Solicito mais atenção ao assunto por parte da midia alternativa ou independente... 

Espero dispor de um tempo para completar pesquisas e produzir  texto curto e com o raciocinio mais simples...

Para quem puder ou quiser vale produzir  memes, lives, videos curtos, reportagens, trabalhos acadêmicos e etc.. Nao deve ser somente para "convertidos" do campo da esquerda...

Viva o Cristo Libertador ! Salve Maria do canto Magnificat!! 




quarta-feira, 24 de agosto de 2022

O que as esquerdas continuam precisando aprender com os evangélicos

" A igreja foi o primeiro lugar que fez eu me sentir importante, foi na igreja que vi um instrumento musical pela primeira vez, foi ajudando minha madrinha no festival de milho da igreja que eu me senti acolhida em um dos momentos mais dificeis da minha vida e foi da igreja que vieram as únicas cestas básicas que já precisei receber. Na periferia a igreja cumpre o papel de centro cultural, de censo de comunidade, lazer ... São nas igrejas que alguns adictos conseguem ajuda, que ex detentos conseguem ser reintegrados, onde o desempregado consegue uma palavra de afeto e onde pessoas que passam por momentos dificeis conseguem ser acolhidos. As igrejas neopentecostais de bairro fazem trabalho de base da maneira que boa parte da esquerda não consegue fazer. "  Laura Sabino



Leia também: 

A  esquerda e os evangélicos: o que aprender com a vitória de Crivella


segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Humanos estão errados sobre a história da humanidade, aponta livro

FERNANDA MENA

[RESUMO] Em entrevista à Folha, o arqueólogo britânico David Wengrow comenta seu livro "O Despertar de Tudo", trabalho iconoclasta, escrito em parceria com o antropólogo americano David Graeber, que refuta as visões consagradas sobre a história da humanidade. Segundo o autor, sociedades pré-históricas e povos indígenas desenvolveram formas de organização social e política tão ou mais avançadas que os europeus em aspectos como a democracia e a liberdade, mas tiveram suas contribuições descartas pelo cânone ocidental eurocêntrico forjado a partir do Iluminismo.

Mitos de origem são tão distantes quanto poderosos. Eles se confundem com a história oficial, hoje em acelerada reinterpretação e redescoberta, em um processo que já derrubou algumas estátuas pelo caminho.

Nesse processo, "O Despertar de Tudo: uma Nova História da Humanidade", livro recém-lançado no Brasil do antropólogo americano David Graeber e do arqueólogo britânico David Wengrow, é um tsunami.

A obra estica essa trincheira até um passado tão remoto que se convencionou chamá-lo de pré-história, como se isso fosse possível, o que fez dele um terreno especialmente fértil para a imaginação.

Segundo os autores, boa parte daquilo que acreditamos saber sobre o surgimento da humanidade é, na verdade, muito pouco baseado em fatos e evidências e o poder dessas narrativas está reduzindo a amplitude de nossa percepção sobre o presente, seus enormes desafios e potenciais alternativas.

Em um momento crucial da humanidade, marcado por desigualdades recordes e pela crise climática, eles defendem uma nova perspectiva: os humanos estão errados sobre a humanidade.

Iconoclasta, "O Despertar de Tudo" antagoniza com interpretações até aqui consagradas, popularizadas em obras como "Sapiens", do historiador israelense Yuval Noah Harari, "As Origens da Ordem Política", do filósofo nipo-americano Francis Fukuyama, "O Mundo Até Ontem", do geógrafo americano Jared Diamond, e "Os Anjos Bons da Nossa Natureza", do psicólogo e linguista canadense Steven Pinker, todas citadas pela dupla.

Graeber e Wengrow argumentam que há hoje evidências científicas suficientes para sustentar, por exemplo, que os humanos caçadores-coletores não eram "primitivos e irreflexivos" como pensávamos. Os autores refutam o modelo linear de evolução que começa em um suposto estado natural, passa para o cultivo da terra e chega, então, a cidades, em uma complexidade crescente que requer a concentração de poder no Estado.

Na contramão, o livro apresenta as sociedades pré-históricas e os povos indígenas como um "desfile carnavalesco de formas políticas" capazes de produzir um caleidoscópio de novas possibilidades, todas descartas pelo cânone ocidental eurocêntrico que definiu, a partir do Iluminismo, as noções modernas de liberdade, civilização, Estado e democracia.

Para Graeber e Wengrow, essas definições fundamentais do liberalismo emergiram como uma reação às críticas feitas por lideranças indígenas das Américas, o Novo Mundo da época, que colocaram em xeque os valores e as estruturas sociais da Europa imperialista.

"As evidências estavam lá, cada uma isolada em sua área. Nós apenas começamos a ligar os pontos", afirma Wengrow, 50, em entrevista por videochamada à Folha de sua casa em Londres, onde é professor de arqueologia comparada no Instituto de Arqueologia da UCL (University College London).

Quase dez anos depois da troca de ideias que motivaram o livro, Wengrow e Graeber concluíram as quase 700 páginas de "O Despertar de Tudo" certos de que causariam barulho.

Nada a que Graeber já não estivesse acostumado. Intelectual público de movimentos de repercussão internacional, como Occupy Wall Street, autor do slogan "nós somos 99%" e anarquista convicto, ele dedicou sua vida e sua carreira a repensar a sociedade sem conformismos.

O autor de "Dívida: Os Primeiros 5.000 Anos" e "Bullshit Jobs" planejava uma continuação do novo livro em dois ou três volumes para explorar melhor o novo território desbravado. Graeber morreu subitamente, aos 59 anos, semanas depois de concluir "O Despertar de Tudo", durante suas férias de 2020 em Veneza, na Itália.

"Graeber me disse: nós vamos mudar o curso da história ao olhar para o passado", lembra Wengrow. "Ele me falou que a repercussão seria grande, só não me avisou que não estaria comigo quando isso acontecesse."

*— O livro tem um subtítulo pretensioso: "Uma Nova História da Humanidade". Como é possível renovar tudo aquilo que conhecemos sobre seres humanos e civilização? 

— As imagens fantásticas do novo telescópio divulgadas recentemente mostraram o cosmos de uma maneira que nunca poderíamos ter imaginado antes. Estamos em um momento bastante semelhante em relação à compreensão científica da história humana.

Pela primeira vez, há técnicas disponíveis que nos permitem investigar o que os seres humanos fizeram há milhares ou mesmo dezenas de milhares de anos. O efeito não é diferente daquele produzido pelas imagens de todas essas galáxias: surgem novas possibilidades que nos colocam em uma perspectiva diferente.

Portanto, você está certa: o subtítulo é pretensioso. Mas ele também reflete uma genuína sensação de choque e descoberta. A imagem que se tem hoje da história humana é muito diferente da história que nós contamos para nós mesmos há séculos.

— Quais foram as principais descobertas que criaram novas perspectivas sobre o passado? 

— A mudança mais importante é que, agora, podemos ver que os nossos antepassados não eram essas figuras estranhas e bidimensionais retratadas em livros ou no estudo da pré-história. Temos uma noção desses primeiros humanos como seres primitivos e irreflexivos, caçadores-coletores que apenas se adaptavam ao meio.

O que podemos ver nitidamente agora é que isso não é verdade, um insight que antropólogos como Claude Lévi-Strauss já haviam tido nos anos 1960. Não existe diferença entre nós e nossos antepassados muito remotos em termos de inteligência, de cognição e de consciência social e política.

Com isso, começamos a enxergá-los simplesmente como pessoas que, intencional e conscientemente, criaram outros modelos de sociedade ativamente rejeitados, mas que, em certos aspectos, estão além daquilo que nós fomos capazes de realizar.

— Como essas noções surgiram e vêm sendo reiteradas? 

— Elas foram baseadas em experimentos filosóficos feitos por europeus há mais de três séculos. Eles viviam em uma época em que não era possível recuar no tempo e colher provas diretas do nosso passado remoto. Não existia nem sequer arqueologia.

No entanto, isso não impediu pensadores como Thomas Hobbes, no século 17, ou Jean-Jacques Rousseau, no século 18, de imaginar como deveria ser a humanidade em um tempo que eles denominaram de estado natural, no qual, despidos das armadilhas da civilização, restaria a nossa essência.

— Os dois, porém, chegaram a resultados diametralmente opostos. 

— Exato. Eles chegaram a conclusões completamente diferentes. Rousseau imaginou que os humanos começaram como criaturas inocentes, felizes mas também estúpidas, que vagueavam pela selva, incapazes de mudar suas circunstâncias, conformados em sua simplicidade. A agricultura e a propriedade privada foram inventadas, e essa civilização arruinou tudo.

Já Hobbes imaginou também um início simples para a história humana, que não era tão feliz. Ao contrário disso, humanos altamente egoístas viviam em estado de guerra, e a única coisa capaz de impedir o tumulto permanente foi a criação do Estado, com leis, tribunais, prisões, forças policiais e Exércitos, maneiras de conter o que seria nosso instinto animalesco e competitivo.

Estranhamente, ainda que Rousseau e Hobbes partissem de premissas muito diferentes, eles chegaram em um mesmo lugar, no qual somos levados a simplesmente aceitar a pobreza, os sem-teto e outras formas extremas de desigualdade como se fossem efeitos colaterais naturais da civilização. Essa história vem sendo reiterada em livros que se tornaram muito populares.

— Que tipo de descoberta foi capaz de desafiar essas noções? 

— A arqueologia está vivendo sua idade de ouro. Nasceu focada na Europa, no Mediterrâneo e no Oriente Médio e hoje é uma disciplina global. Há milhares de arqueólogos trabalhando na China, na África Subsaariana, no Brasil e nos EUA.

As técnicas disponíveis hoje, após uma série de revoluções tecnológicas das últimas décadas, permitem a reconstrução de ambientes da Antiguidade, suas dietas e formas de mobilidade. Isso é fenomenal, porque agora começamos a saber das histórias de regiões que foram descritas como se não tivessem qualquer história.

— Como quais? 

— A Amazônia é um grande exemplo. Até bem pouco tempo atrás, os povos indígenas amazônicos eram descritos como se fossem ancestrais contemporâneos ou relíquias vivas de organizações humanas anteriores à revolução agrícola e ao surgimento das cidades.

O que a arqueologia e a antropologia trazem hoje é simplesmente extraordinário. Sabemos que, há cerca de 2.000 anos, partes da Amazônia já estavam altamente desenvolvidas em termos de sistemas de estradas e arquitetura monumental, além de formas sofisticadas de comércio e de gestão de um território muito vasto.

Ou seja, descobrimos que essas sociedades têm uma outra história. Estamos agora na fase de ligar os pontos e reconstruir o que aconteceu historicamente em regiões sobre as quais escrevíamos de maneira bem pouco histórica.

— Como essas novas histórias desconstroem o cânone ocidental: as ideias de civilização, de Estado e até mesmo de democracia? 

— É curioso que a democracia seja descrita como algo raro, que ocorreu primeiro em um grupo restrito em Atenas no século 5 a.C. e que, depois de milhares de anos esquecida, foi redescoberta pelos europeus.

Atenas estava muito longe de ser uma democracia perfeita. Era uma sociedade patriarcal, em que as mulheres estavam completamente excluídas de participação política, a escravidão era normal, vivia-se em guerra com seus vizinhos. Essa é a nossa referência de nascimento da democracia. Hoje, há muitos relatos de comportamento democrático em praticamente qualquer outra parte do mundo.

— Quais? 

— Várias partes da África, da Oceania, da América do Sul e da América do Norte. Há um debate sobre a medida em que os pais fundadores dos EUA modernos e também os filósofos iluministas europeus podem ter absorvido ideias-chave sobre democracia e liberdade a partir de sociedades não ocidentais que estavam colonizando.

— Pode dar um exemplo? 

± Descrevemos no livro relatos fascinantes da conquista do México e de como os espanhóis prepararam o ataque à capital do império asteca, no início do século 16, com a ajuda de um grande número de guerreiros e aliados nativos de uma cidade-estado chamada Tlaxcala. Quando você vai às fontes dessa que é uma nota de rodapé, descobre algo extraordinário: Tlaxcala era uma espécie de democracia que, obviamente, nunca foi influenciada pela Grécia Antiga.

Há relatos fascinantes de como eles geriam as cidades sem governantes e dos rituais pelos quais formavam a classe política, que tinha de passar por longas provações incrivelmente dolorosas, em que eram chicoteados, esfomeados e ridicularizados, para quebrar seus egos e fazê-los lembrar que seu papel era encarnar o povo e não projetar suas próprias preocupações. É quase o oposto das expectativas que temos com os políticos hoje.

O livro cita relatos escritos por jesuítas e outros colonizadores europeus que trazem perspectivas muito novas sobre os povos originários. Temos muitos relatos de jesuítas enviados à região dos Grandes Lagos, no Canadá, como parte de um projeto imperial colonial para converter esses povos em cristãos. São terras habitadas por povos das línguas algonquinas e iroquianas. Os jesuítas descobriram que o povo local, que esperavam ser primitivos e que reconheceriam de imediato a superioridade da fé cristã e da civilização europeia, era o contrário disso.

— Como assim? 

— Há relatos engraçados de jesuítas frustrados com os ótimos contra-argumentos que ouviam de indivíduos desses povos. Pessoas que nunca haviam lido Platão, mas tinham habilidades retóricas impressionantes e estratégias de argumentação. Os jesuítas não tinham qualquer razão para romantizar esses povos, que consideravam pagãos e perversos e cujo modo de vida estavam tentando destruir. A forma como esses encontros foram registrados teve um impacto enorme no pensamento europeu e naquilo que hoje chamamos de Iluminismo.

Esses relatos foram considerados ficção e, talvez por isso, nunca tratados como evidência. Quando isso mudou? É tudo muito nebuloso. Houve uma mistura. De um lado, relatos de sociedades nativas americanas escritos por indivíduos que viveram nas colônias e aprenderam línguas locais —jesuítas, mas também soldados e comerciantes. Seu impacto potencial era explosivo, mas o acesso era muito limitado.

Esses relatos se tornaram base para outros trabalhos que eram pura ficção, de um gênero extremamente popular no Iluminismo, baseado na forma de diálogos. De um lado, um europeu representando a própria civilização, de outro, uma espécie de sábio selvagem cético de algum lugar exótico.

O texto-chave aqui é "Diálogos curiosos entre o autor e um selvagem de bom senso que viajou", publicado em 1703 pelo aristocrata francês barão de Lahontan, que viveu na Nova França por dez anos, aprendeu pelo menos duas línguas nativas e teve interações militares e políticas com figuras muito importantes das nações indígenas. Os diálogos que publicou seriam muito próximos das conversas reais que teve com um chefe dos huron-wendat chamado Kandiaronk.

— Como sabemos que não é ficção? 

— Kandiaronk estava na Grande Paz de Montréal, o tratado feito entre o governador da Nova França e as nações indígenas em 1701, e há muitos outros relatos sobre ele, que era famoso na região. Um guerreiro em batalhas estratégicas, mas também um diplomata e famoso orador e intelectual. O livro não é uma transcrição literal, ele inventa coisas, certamente, mas é, sem dúvida, um produto desse encontro colonial que se torna muito influente nos círculos intelectuais europeus.

Lahontan se torna amigo de [Gottfried Wilhelm] Leibniz, filósofo alemão que comenta em carta a um amigo que Kandiaronk é uma pessoa de verdade, chefe da nação huron-wendat, e que chegou a viajar para a França, mas que valorizou sua civilização acima da europeia.

— Um dos aspectos mais interessantes do livro é a crítica indígena à civilização europeia. De que forma ela foi incorporada ao que chamamos de pensamento ocidental? 

— Indiretamente e, por vezes, até mesmo negativamente. Houve um forte "backlash" contra os valores expressos nessa crítica indígena, seja sobre o cristianismo, seja sobre a liberdade sexual das mulheres e seu direito ao divórcio.

Há, ainda, críticas importantes sobre o papel do dinheiro e da riqueza material na França e, por associação, em toda a Europa. Observadores indígenas ficaram escandalizados com a situação das pessoas sem-teto. Como era possível deixar seu próprio povo cair nessa condição?

O que discutimos no livro é como a história da história humana foi inventada como uma espécie de resposta muito inteligente à crítica indígena. É possível traçar esse percurso a partir das interações entre filósofos do círculo de Adam Smith, que passaram a classificar as sociedades de acordo com os modos de produção, que, de alguma maneira, passa a classificar também quem eles são. Nós ainda pensamos e vivemos nesse tipo de mundo.

— Como esses mitos prenderam a humanidade em um modelo de democracia liberal capitalista? 

— Existe o problema da falta de evidências desses mitos e uma espécie de problema político, porque chegamos a uma encruzilhada muito perigosa na nossa relação com o planeta. Nesse contexto global, não parece uma grande ideia simplesmente continuarmos a repetir histórias que têm pouca base factual, mas que têm o efeito narrativo de reduzir as possibilidades humanas.

— Se essas histórias sobre a humanidade são míticas e equivocadas, como explicar que tenhamos pelo planeta arranjos políticos tão semelhantes? 

— A resposta a isso é a própria história moderna. Sabemos que a forma como os Estados-nação modernos se estabeleceram em boa parte do mundo não teve o caráter de uma evolução gradual, mas foi estabelecida por meio da força, do império, do colonialismo, do genocídio.

— O Brasil vive hoje uma crise na relação entre o Estado e os povos indígenas. Qual pode ser o papel do país na construção ou na destruição de um novo futuro possível? 

— Meus amigos e colegas que trabalham de perto com indígenas no Brasil relatam que esses povos retomam a crítica indígena feita aos europeus no século 18. Em muitos aspectos, as populações indígenas estavam à nossa frente, mais avançadas em termos de valores que hoje são caros a nós, como democracia, liberdade feminina, higiene urbana, saúde e a condição física. O resultado disso, no século, 18 foi obviamente um desastre.

Hoje, meus colegas contam que cada aldeia tem seus intelectuais indígenas com suas críticas brilhantes. Entre eles, Davi Kopenawa e sua crítica xamânica do capitalismo. Especialmente em questões ambientais, se olharmos para o que aconteceu na COP26, na Escócia, muitas das ideias alternativas aos sistemas extrativistas que dominaram o mundo foram levadas por filósofos indígenas a partir das experiências desses povos com o território.

Por isso, talvez estejamos hoje em uma situação que é como uma segunda chance para a humanidade. Temos a oportunidade de aprender com as pessoas a partir das coisas que realmente nos interessam, ou que deveriam nos interessar, e que estão à nossa frente. A pergunta hoje é: será que vai ser diferente?

DAVID WENGROW, 50

Doutor pela Universidade de Oxford e professor de arqueologia comparada no Instituto de Arqueologia da UCL (University College London), desenvolve pesquisas sobre a formação do Estado, abordagens cognitivas e evolutivas da cultura e arte e estética pré-históricas. Autor, entre outros livros, de "The Archaeology of Early Egypt. Social Transformations in North-East Africa, 10,000-2650 BC" e "O Despertar de Tudo", com David Graeber.

Fernanda Mena

Mestre em direitos humanos pela LSE (London School of Economics), doutora em relações internacionais pela USP e repórter especial da Folha

O DESPERTAR DE TUDO: UMA NOVA HISTÓRIA DA HUMANIDADE

Preço R$ 119,90 (696 págs.); R$ 49,90 (ebook)

Autor David Graeber e David Wengrow

Editora Companhia das Letras

Tradutores Claudio Marcondes e Denise Bottmann

Foto: O arqueólogo britânico David Wengrow (esq.) e o antropólogo americano David Graeber, autores de 'O Despertar de Tudo' - Kalpesh Lathigra/Divulgação

FSP 20.08.2022




Luís Felipe Miguel: para reconstruir a democracia, esquerda não pode apagar golpe de Estado de 2016

'Ou nos preparamos para o confronto ou o voo será sempre de galinha', diz cientista político, defendendo que novo governo progressista ataque privilégios estruturais

19 de agosto de 2022, 15:18 h Atualizado em 19 de agosto de 2022, 15:20   

www.brasil247.com - 

https://www.youtube.com/watch?v=z0LocdRZ2ME



Por Pedro Alexandre Sanches, do Opera Mundi - O cientista político Luís Felipe Miguel, em entrevista ao jornalista Breno Altman no programa 20 MINUTOS desta quarta-feira (17/08), defendeu que um novo governo de esquerda não terá êxito se evitar o confronto com as classes dominantes e não atacar de modo profundo os privilégios e as desigualdades no Brasil.

Para ele, as políticas dos governos petistas privilegiaram não um reformismo fraco, como batizou o cientista político André Singer, mas um reformismo superficial, que mexia nas consequências sem atacar suas estruturas da desigualdade social. 

“Não adianta, porque acaba mexendo lá e o confronto acaba acontecendo. Ou a gente se prepara para o confronto ou o voo será sempre de galinha”, comentou.

As soluções reformistas, na avaliação do professor da UNB, não tiveram o poder de evitar o embate com o grande capital. “Buscaram-se fazer mudanças que impactavam a vida dos mais pobres, que não tocariam nos privilégios da classe dominante para que ela não fizesse uma oposição muito forte. Mas essas mudanças desencadearam uma dinâmica de transformação social que fatalmente mexeu nesses privilégios”, interpreta. 

"Se não fizermos tudo certo, vamos sair presos", disse Bolsonaro antes de chegar à Presidência

Ele cita um exemplo do barril de pólvora escondido mesmo embaixo das atitudes supostamente conciliatórias dos governos petistas: “Uma medida importantíssima para entender tanto as potencialidades quanto os limites e o debacle dos governos petistas foi a PEC das domésticas. Conquistam-se direitos trabalhistas básicos, um avanço civilizacional gigantesco, e burguesia e classe média que se beneficiam da extrema desigualdade do país reagem porque estão perdendo o acesso à mão de obra a preço vil”.

Autor do livro recém-lançado Democracia na Periferia Capitalista - Impasses do Brasil (Autêntica), Miguel defende que os retrocessos políticos e sociais dos últimos anos encurtaram o horizonte da esquerda brasileira, a ponto de que hoje há quem pretenda simplesmente o retorno ao pré-bolsonarismo e o apagamento do golpe de Estado de 2016 e seus significados.

"Que tipo de reconstrução democrática estaremos fazendo se os responsáveis pela fratura do elemento mais básico da nossa democracia, o respeito aos resultados eleitorais, forem perdoados e reincorporados sem nenhuma necessidade de autocrítica?”, pergunta. “É uma solução de curtíssimo prazo, que acaba enfraquecendo nossa possibilidade de uma reconstrução democrática mais sólida e segura", acrescenta.

Em seu diagnóstico, a esquerda brasileira deve parar de ter medo de colocar na rua um projeto de transformação social radical. “Precisamos poder falar do mundo que queremos sem ter vergonha. Chegamos numa situação em que a direita foi capaz de transformar a palavra socialismo num palavrão”, protesta. “As pancadas que sofremos nos últimos tempos foram tão fortes que a esquerda está cada vez menos esquerda. O projeto de transformação social é cada vez mais epidérmico.”

O professor da UNB aponta uma cautela excessiva do hoje candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva ao recuperar seus direitos políticos, quando ficou exposta a conspiração que o impediu de concorrer à presidência em 2018. 

Diante do desastre do governo Bolsonaro, argumenta, Lula acumulou força que lhe daria condições de negociar apoios em posição mais vantajosa. “Houve uma opção excessivamente retrancada para aceitar uma composição que rebaixa nosso programa ao mínimo do mínimo, por não entender a possibilidade de negociar inclusive vários desses acordos, mas numa posição mais vantajosa”, critica. “Parece que existe um complexo de inferioridade que faz com que nós da esquerda estejamos sempre prontos a ceder tudo para ganhar um apoio a mais.”

Miguel sublinha que uma parte significativa dos hoje signatários de manifestos de defesa do Estado democrático de direito é co-responsável pelos retrocessos de 2016 para cá. “A democracia brasileira não começou a ser golpeada com Bolsonaro”, afirma, citando a deposição de Dilma Rousseff e a voracidade neoliberal de Michel Temer. 

"Alexandre de Moraes, que hoje é saudado como grande guardião da democracia brasileira, foi um partícipe importante da desconstrução da democracia tal como balizada pela Constituição de 1988.” 

O deslocamento do foco político da esquerda para o embate eleitoral e a negociação com o capital não garantiu estabilidade aos governos petistas e não o fará num eventual retorno ao poder, na opinião do cientista político. 

“Achávamos que estava garantido o básico, que eram as liberdades democráticas e a democracia eleitoral, e não estava. Quando deram golpe, cadê a capacidade de resistência que a gente tinha? O campo popular foi capaz de mostrar muito pouco, quase nada nas ruas”, avalia. 

Em suas palavras, a base popular petista acomodou-se a expressar apenas pelo voto e se tornou dependente exclusivamente das instituições, que se mostraram indignas de confiança: "Quando os grupos dominantes acham que está na hora de dar uma virada de mesa, o Congresso, o judiciário e o quarto poder que é nossa imprensa corporativa estão todos do mesmo lado.” 

Ao privilegiar a estratégia eleitoral, a esquerda se torna necessariamente mais moderada, e essa moderação diz mais respeito a pressões da direita que da esquerda, que por sua vez não apresenta alternativas factíveis ao projeto petista: “Lula se tornou o candidato único da esquerda, e a lógica que impera é que é necessário abraçar Alckmin, o agronegócio, o sistema financeiro, a fim de dar a essa candidatura o caráter mais amplo possível, o que tem impacto no programa político e na capacidade de tensionar a sociedade”. 

Luís Felipe Miguel adverte para a instabilidade inescapável das soluções conciliatórias: “Os realistas dizem que se tivesse tentado mais não teria durado, mas a verdade é que não durou se tentando tão pouco. Não precisou de meia dúzia de anos para que voltássemos à insegurança alimentar e à situação de fome de antes. Aprovaram o teto de gastos, Bolsonaro desmontou tudo numa canetada e recuamos rapidamente dez ou 15 anos na construção já precária de Estado social no Brasil”. 

Como mecanismos práticos para superar instabilidades dessa natureza, a solução seria o estreitamento dos laços entre os políticos em mandato e o eleitorado, por meio de medidas revogatórias de caráter plebiscitário e formas obrigatórias de prestação de contas não apenas na campanha eleitoral, mas de forma permanente. 

"Ao reduzir a distância entre representante e representado, você torna o representante menos vulnerável às pressões dos poderosos”, preconiza.

domingo, 21 de agosto de 2022

As revoluções que mais me interessam.

Entrada dos sandinistas em Manágua- 19 de julho de 1979, 
 
As revoluções do século XX que mais me interessam são aquelas cujo ímpeto revolucionário conseguiu lograr êxito somente por pouco tempo. 

A despeito de tantas vidas sacrificadas para que o processo revolucionário não sucumbisse em poucos anos ou sem terminar com o triunfo em plenitude dos guerrilheiros. Caso de El-Salvador e Guatemala e Colômbia na América Latina

As revoluções que mais me interessam além das citadas, são as revoluções da Nicarágua e do Peru com o general Velasco Alvarado. Também na Europa  a Revolução dos Cravos em Portugal . 

No caso da Nicarágua, estamos recebendo constante informações da tensão existente entre os bispos da igreja nicaraguense com o atual presidente Daniel Ortega.

Para quem minimamente conhece o histórico dessa relação, é sabido que sempre foi tenso, mesmo quando os sandinistas ascenderam o poder pelas armas, mesmo quando um grande contingente de cristãos participaram da luta armada e do governo que se seguiu ao triunfo da revolução em julho de 1979.

Ainda tenho comigo o livro “Revolucionários por causa do Evangelho” de  Teófilo Cabestrero, o qual traz relatos de católicos que participaram do processo revolucionário.. A leitura é interessante por que explica a partir da vivência como eles conciliaram a Biblia, compromisso com a luta revolucionária e  participação no governo sandinista.

Mas um bom tempo se passou, estes cristãos foram perseguidos pelo Vaticano , a sua existência bem reduzida nos tempos atuais. Os sandinistas perderam o comando do governo, foram para a oposição, se dividiram e assim retornam ao governo..

E pelas noticias que circulam na imprensa, quem retorna é  a expressão mais autoritária do sandinismo representada pelo comandante e atual  presidente Daniel Ortega.

Mas não conseguimos obter as informações completas necessárias, as que em  primeiro lugar  possam nos dar conta de como e porque a Igreja Católica na Nicaragua está mobilizada na cruzada contra o atual governo, o que também fez lá atrás, embora dividida,

E como a expressão mais autoritária do sandinismo consegue ocupar lugar tão proeminente em  termos de protagonismo politico?

E os terríveis governos da extrema direita em El Salvador e Guatemala, porque os bispos locais também não tomam posições contrárias, semelhantes aos seus irmãos bispos nicaraguenses? 

Zezito de Oliveira

Para começar a encontrar respostas. Para saber o que acontece na Nicarágua e porque.. Com base em fontes confiáveis...



Carlos Mejía Godoy - Lo Mejor De Carlos Mejia Godoy (1994) Para ouvir






Acrescido em 14 de fevereiro de 2023

O seminário chama-se Paulo VI, mas quem faz a cabeça dos seminaristas são os escritos e vídeos do Pe. Paulo Ricardo..
A informação é do Padre Vanildo Luiz Zugno 
De onde podemos deduzir:    Cristo fascista reina? Reina
Uma das possibilidade de entendimento do que acontece na Nicarágua atualmente . O choque ideológico do pior da extrema direita encampada por muitos religiosos e o pior de uma tradição autoritária e caudilhista que teima em ressurgir nessa América Latina sofrida e querida, os ridiculos tiranos citados por Caetano Veloso na canção Podre Poderes, realidade que o Brasil viveu recentemente sob o governo Bolsonaro, e cujas consequências ainda nos assombra...




sábado, 20 de agosto de 2022

Adoecimento e neo liberalismo na escola pública. O que fará o PT nos governos estaduais e federal com relação a isso?

 "Somos os principais alvos do retrocesso no país"

Há esperança para o futuro? Confesso que não sei, mas não há expectativa alguma de mudança se não, pelo menos, começarmos a dialogar mais sobre esses problemas. Ignorar não é o caminho. Por isso, gostaria de encerrar este texto trazendo uma fala da Anna, com um ponto que citou inúmeras vezes em nossa conversa e que imagino que também fará sentido para os professores que lerem este texto.

"Nós, professores, somos os principais alvos do movimento de retrocesso que vemos em nosso país e ninguém quer falar sobre isso.A gente tem consciência, mas ninguém quer falar sobre o problema. Há um nível de alienação que nos desespera. É agoniante estar numa sala de professores no intervalo e não conseguir dialogar. Quem fala algo sobre o assunto pode sofrer retaliação. Essa alienação nos silencia, e o silenciamento é violento. Eu sinto como uma espécie de violência. Há um grupo de professores que está na expectativa de que tudo mude para melhor no processo eleitoral. Apostar tudo nisso é arriscado."

Doente e desvalorizado: sobre ser professor na rede pública brasileira