domingo, 23 de março de 2025

Aracaju: Da Zabumba às Redes Sociais, a Política do Espetáculo

*Emanuel Rocha

Aracaju, tem sido palco de uma intigrante (e por vezes polêmica) transformação na forma como seus “líderes” municipais se conectam com a população. De um prefeito que marcou época ao aparecer publicamente tocando zabumba, a uma prefeita blogueira que prioriza as redes sociais

A cidade parece viver uma era em que a imagem e a visibilidade muitas vezes se sobrepõem à gestão pública em si.

O ex-prefeito, conhecido por seu jeito extrovertido e por usar a zabumba como um símbolo de sua aproximação com o povo, deixou um legado de popularidade, mas também questionamentos sobre o equilíbrio entre espetáculo e administração. Sua figura folclórica conquistou corações, mas muitos se perguntavam se o som da zabumba ecoava em obras e ações concretas para a cidade, principalmente no que se refere a proteção do meio ambiente.

Agora, sob a gestão da prefeita blogueira, Aracaju parece ter migrado do palco da zabumba para o feed do Instagram. Com posts nem sempre bem elaborados, stories diários e uma presença digital constante, a nova gestora prioriza a comunicação direta com os cidadãos por meio das redes sociais. No entanto, essa estratégia também levanta debates: até que ponto a prioridade dada às redes reflete em melhorias reais para a cidade?

É inegável que as redes sociais são uma ferramenta poderosa para a transparência e o diálogo com a população. Porém, o risco de transformar a gestão pública em um grande BBB político é real. Enquanto selfies e postagens ganham likes, os cidadãos esperam respostas para problemas cotidianos, como mobilidade urbana, saúde, meio ambiente, educação e segurança.

Aracaju merece mais do que espetáculo, seja ele musical ou digital. A cidade precisa de gestores que equilibrem a comunicação moderna com ações eficientes e transformadoras. Que a zabumba e os posts não sejam apenas um show, mas um meio para amplificar as vozes da população e os resultados concretos de uma administração comprometida com o progresso (e não com a Progresso).

Afinal, política não é sobre aparecer, mas sobre fazer. E Aracaju, com sua rica cultura e potencial, merece líderes que priorizem a cidade real, não apenas a virtual.

*Emanuel Rocha, é reporter fotografico, historiador, e poeta popular


quinta-feira, 20 de março de 2025

Sergipe é o 3º estado nordestino que menos investiu em cultura. Observatório Ação Cultural Sergipe

 Sergipe é o 3º estado nordestino que menos investiu em cultura. O descaso com os museus é um indicativo da falta de política cultural no Estado


O presente trabalho é possível com a participação de uma agente jovem cultura viva por meio do Pontão de Cultura Digital e Mídias Livres.

12.12.2023

Link: https://manguejornalismo.org/sergipe-e-o-3o-estado-nordestino-que-menos-investiu-em-cultura-o-descaso-com-os-museus-e-um-indicativo-da-falta-de-politica-cultural-no-estado/?fbclid=IwY2xjawIYhYRleHRuA2FlbQIxMQABHdMyIWDIx72lE9QmQTl3S75Dc-JO9iYn2C2V8ZcTnAR4gM0e96RDr0sfXg_aem_TCSA5Nl3IQklu_vf_5mThA

1. Assunto principal da matéria:

O baixo investimento em cultura em Sergipe, especialmente na preservação e funcionamento dos museus, e suas consequências para a sociedade.

2. Problemas abordados na matéria (Com números, caso tenha):

Baixo investimento em cultura: Sergipe investiu apenas 0,8% em cultura em 2022, ficando atrás do Ceará (7,4%) e sendo o 3° estado nordestino que menos investiu. (Fonte: IBGE)

Falta de museus: Apenas 47% da população sergipana vive em cidades que possuem museus, o 3° menor percentual do Nordeste. (Fonte: IBGE)

Concentração de museus: Dos poucos mais de 30 museus em Sergipe, 60% estão em Aracaju, deixando o interior sem acesso. (Fonte: IBRAM/CNM)

Falta de concursos públicos: Museólogos formados pela UFS não conseguem atuar devido a ausência de concursos e recursos. (Fonte: Professora Neila Dourado)

Falta de acessibilidade: De mais de 30 museus, apenas 7 possuem banheiro acessível, 4 têm elevador adaptado e 7 têm rampa de acesso. Além disso, 10 museus não possuem nenhum recurso de acessibilidade. (Fonte: IBGE)

Falta de regulamentação: Muitos museus não têm registro legal, impossibilitando a contratação de profissionais e captação de recursos. (Fonte: Professor Fernando Aguiar)

3. Consequências ou resultados negativos destes problemas para os envolvidos e para a sociedade em geral (Com números, caso tenha):

Fuga de talentos: “Muitas pessoas talentosas acabam saindo do estado. Muitas produções param de ser realizadas.” (Fonte: Professora Neila Dourado)

Desestímulo aos jovens e à economia cultural: "Os jovens se sentem desestimulados, consequentemente não há uma movimentação no mercado cultural." (Fonte: Professora Neila Dourado)

Prejuízo à educação e ao aprendizado: “Não dá para se trabalhar a educação patrimonial e a valorização dos saberes locais sem acesso a museus.” (Fonte: Professor Fernando Aguiar)

4. Alternativas que a matéria apresenta para a solução dos problemas (Com números, caso tenha):

Criação de políticas públicas para valorização da cultura: “Não há efetivamente uma política pública voltada para incentivar, estimular e captar recursos para o desenvolvimento de ações que ampliem e transformem.” (Fonte: Professor Fernando Aguiar)

Maior sensibilização do Estado e prefeituras: “É importante que os líderes políticos compreendam a importância de um museu ou de um centro cultural, de uma biblioteca, de um arquivo, para salvaguardar a memória daquela comunidade.” (Fonte: Professora Ana Karina Calmon)

Investimento na estrutura e na acessibilidade dos museus: “Os prédios dos museus são antigos, com estruturas obsoletas... há dificuldades na manutenção da rede elétrica, hidráulica e na segurança contra roubos e incêndios.” (Fonte: Professor Fernando Aguiar)

Realização de concursos públicos e regulamentação dos museus: “Não pode existir museu sem a contratação de museólogos, pois a profissão é regulamentada por lei.” (Fonte: Professor Fernando Aguiar)

Ações de fiscalização e denúncia: “Cabe à população, ao Departamento de Museologia da UFS e às instituições ligadas a museus provocar o Ministério Público Estadual ou Federal.” (Fonte: Professor Fernando Aguiar)

5. Fontes da matéria:

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) e Cadastro Nacional de Museus (CNM)

Professora Neila Dourado Gonçalves Maciel (Chefe do Departamento de Museologia da UFS)

Professora Ana Karina Calmon (Vice-diretora do Campus de Laranjeiras e professora de Museologia da UFS)

Professor Fernando Aguiar (Professor adjunto de Museologia da UFS e membro do Conselho Estadual de Cultura em Sergipe)

6. Lista dos Museus:



AÇÃO CULTURAL COMO LABORATÓRIO E OBSERVATÓRIO CULTURAL

Romero Venâncio (UFS)

"Então, veja, uma das coisas que me animou muito estar no grupo, nessa retomada do Ação Cultural, eu sinto que a gente é assim, a gente está entre um laboratório e um observatório.

Um laboratório no sentido que a gente vai, de certa forma, trabalhando como a gente entende cultura a partir de uma série de ações de gente que mexe com poesia, que mexe com teatro, que mexe com dança, que se interessa por audiovisual e tal.

Então eu acho que isso dá a dinâmica de laboratório. Mas eu diria que não é só um laboratório. Tem muito de observatório. A gente está observando dentro e fora do grupo, um pouco como estão andando esses debates em torno de política cultural.

Por exemplo, como é que estão as políticas para o audiovisual, para o teatro, para a literatura.

Por que eu acho importante isso como um dado conjuntural? Porque eu acho que o debate coletivo, e essas redes de certa forma facilitam, é uma coisa interessante nessas chamadas redes digitais, a gente discutir em grupo ajuda muito, porque nem todo mundo consegue dar conta de tudo, principalmente com a velocidade das coisas que estão ocorrendo.

É uma situação que eu acho que é papel do observatório, mais do que o laboratório, o observatório reflete sobre isso.

Porque, de uma maneira ou outra, o laboratório elabora, discute, realiza ações culturais.

O observatório está antenado com o que está ocorrendo.

Por isso que eu acho que é muito rico, a ideia da retomada da´Ação cultural nesse patamar."

 Há algo errado no País do Forró. Sergipe precisa implantar o ano todo políticas públicas mais consistentes para a cultura do forró

14.06.2023

Link: https://manguejornalismo.org/ha-algo-errado-no-pais-do-forro-sergipe-precisa-implantar-o-ano-todo-politicas-publicas-mais-consistentes-para-a-cultura-do-forro/?fbclid=IwY2xjawIZrYtleHRuA2FlbQIxMQABHTO4a9wga-odxqRyv5R9LcbYitn470wrnnwMIKCPgvvfcSb1WKPSX-EKRw_aem_jyIPz6XYVWzjr2aAJoH5CA

1. Assunto principal da matéria:

A falta de políticas públicas consistentes para a cultura do forró em Sergipe ao longo do ano e a necessidade de valorização e fortalecimento dos artistas locais.

2. Problemas abordados na matéria:

Dificuldade de acesso a instrumentos musicais para crianças e jovens:

Uma sanfona custa entre R$3.000 e R$17.000, tornando-se um desafio para famílias da zona rural adquirirem o instrumento.

Baixa valorização dos artistas locais dentro do próprio estado:

O sanfoneiro Edgard do Acordeon fez mais shows no Sertão da Bahia do que em Aracaju, sua própria capital.

Falta de políticas culturais estruturantes e permanentes:

A cultura do forró é fortalecida apenas em eventos sazonais, sem medidas contínuas para o setor.

O setor cultural sofre com a falta de funcionários concursados e orçamentos limitados.

Ausência de incentivos para formação e capacitação de artistas locais:

Não há escolas de sanfoneiros em Sergipe, enquanto em Pernambuco existem Escolas de Frevo e o Balé Popular do Recife.

3. Consequências ou resultados negativos destes problemas para os envolvidos e para a sociedade em geral:

Desvalorização da cultura e da identidade sergipana:

Muitos sergipanos não conhecem as músicas de artistas locais como Edgard do Acordeon, apesar de sua importância para o forró.

Dificuldade para artistas viverem da própria arte:

Muitos forrozeiros dependem exclusivamente dos festejos juninos para se apresentarem, pois faltam oportunidades ao longo do ano.

Perda de talentos e enfraquecimento da cena cultural:

Sem incentivo, muitos jovens deixam de se interessar pelo forró ou não conseguem desenvolver seu talento.

4. Alternativas que a matéria apresenta para a solução dos problemas:

Criação de políticas públicas contínuas e estruturantes:

A cultura precisa ser valorizada além dos grandes eventos e contar com orçamento adequado.

Diálogo entre poder público e setores culturais:

O fortalecimento da cultura passa pelo envolvimento da sociedade civil e dos artistas na construção de políticas públicas.

Criação de escolas de sanfoneiros e outras formas de ensino da cultura local:

Seguir o exemplo de Pernambuco, que possui Escolas de Frevo e o Balé Popular do Recife, para garantir a formação e preservação da cultura.

Capacitação técnica para artistas ganharem dinheiro na internet:

O poder público poderia auxiliar os forrozeiros a monetizar sua arte online, ampliando suas oportunidades de renda.

Implementação do Plano de Cultura do Estado:

Sergipe aprovou um plano cultural em novembro do ano passado, e o desafio agora é colocá-lo em prática.

5. Fontes da matéria:

Tiago Paulino (autor do artigo e jornalista do Mangue Jornalismo)

Edgard do Acordeon (músico sergipano)

Antonia Amorosa (presidenta da Funcap)

Cinema sergipano é destaque no Nordeste, mas segue invisível no estado

14.08.2024

Link: https://manguejornalismo.org/cinema-sergipano-e-destaque-no-nordeste-mas-segue-invisivel-no-estado/?fbclid=IwY2xjawIZrbVleHRuA2FlbQIxMQABHTOXXT1cTUeN7Gs152N86dv62cX-5NOpfdkuWEClXHk0WO2KwOwcvDf72w_aem_w7jULN75vt5n_4lLDwVQnw

1. Assunto principal da matéria:

O destaque do cinema sergipano em festivais nacionais e internacionais, contrastando com a falta de valorização e apoio dentro do próprio estado.

2. Problemas abordados na matéria:

Falta de apoio e incentivo do poder público ao cinema sergipano:

Apesar de a Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap) ter contribuído com transporte e cachê, faltou suporte adequado, como assessoria de comunicação para registrar e divulgar a participação dos artistas. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta)

Ausência de políticas públicas contínuas para o audiovisual sergipano:

O evento Cena Nordeste demonstrou que outros estados oferecem suporte mais estruturado aos seus realizadores, enquanto Sergipe não investe o suficiente para valorizar sua produção cinematográfica. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta)

Descaso das instituições de ensino com os projetos audiovisuais:

A Universidade Federal de Sergipe (UFS) não apoia o projeto Interdisciplinar do curso de Cinema, que sobrevive apenas pelo esforço de alunos e professores, sem orçamento e com equipamentos defasados. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta)

Apropriação das vitórias dos estudantes pela universidade sem oferecer suporte:

A UFS não colabora com os projetos audiovisuais, mas usa os sucessos dos alunos para se promover. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta)

3. Consequências ou resultados negativos destes problemas para os envolvidos e para a sociedade em geral:

Falta de visibilidade do cinema sergipano dentro do próprio estado:

Mesmo com diversas premiações e reconhecimentos, a cena cinematográfica local segue invisível para o público sergipano. (Fonte: Díjna Torres, Jornalista)

Dificuldade de produção e sustentabilidade para cineastas sergipanos:

Sem apoio financeiro e técnico, muitos realizadores enfrentam dificuldades para produzir filmes e se manter na área. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta)

Desigualdade no apoio entre estados nordestinos:

Estados vizinhos oferecem suporte mais estruturado aos seus realizadores, enquanto Sergipe ainda precisa avançar em políticas culturais. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta).

Precarização do ensino de audiovisual na UFS:

Sem investimentos em estrutura e equipamentos, os alunos precisam buscar alternativas externas para produzir seus filmes. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta)

 4. Alternativas que a matéria apresenta para a solução dos problemas:

Melhor estrutura de apoio por parte do poder público:

Outros estados oferecem assessoria de comunicação e suporte mais abrangente para seus cineastas; Sergipe poderia seguir esse exemplo. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta)

Maior envolvimento das universidades na valorização do audiovisual:

A UFS deveria disponibilizar orçamento e melhores equipamentos para os alunos do curso de Cinema. (Fonte: Fellipe Paixão, cineasta)

Fortalecimento da circulação e difusão do cinema nordestino:

O Cena Nordeste é uma oportunidade para abrir um circuito nordestino de exibição e valorização das produções regionais. (Fonte: Carolen Meneses, produtora da Floriô de Cinema)

Investimentos contínuos no audiovisual sergipano:

O festival Cena Nordeste pode ser uma porta de entrada para novas políticas culturais no estado. (Fonte: Yérsia Assis, professora e realizadora audiovisual)

5. Fontes da matéria:

Díjna Torres (autora da reportagem)

Fellipe Paixão (cineasta e estudante da UFS, participante do Cena Nordeste)

Carolen Meneses (cineasta sergipana e produtora da Flôrio de Cinema)

Yérsia Assis (professora universitária, antropóloga e realizadora audiovisual)

Funcap (Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe)

Cena Nordeste 

Prefeitura de Aracaju ignora Sistema Nacional de Cultura e mantém formato antidemocrático na gestão cultural da capital

26.06.2024

Link: https://www.sergipense.com.br/prefeitura-de-aracaju-ignora-sistema-nacional-de-cultura-e-mantem-formato-antidemocratico-na-gestao

1. Assunto principal da matéria:

A Prefeitura de Aracaju ignora o Sistema Nacional de Cultura (SNC) e mantém um modelo antidemocrático na gestão do Conselho Municipal de Política Cultural, contrariando diretrizes federais e excluindo a participação legítima da sociedade civil.

2. Problemas abordados na matéria:

Nomeação dos membros do Conselho sem eleição ou transparência:

O Conselho Municipal de Política Cultural foi reformulado sem eleição direta, contrariando o artigo 16 do SNC, que exige composição paritária e representantes eleitos pela sociedade civil. (Fonte: Nota conjunta do Comitê Estadual Paulo Gustavo e Ministério da Cultura)

Falta de representatividade e diversidade cultural no Conselho:

O formato atual não garante a presença de diferentes expressões artísticas nem respeita a diversidade territorial e cultural da cidade. (Fonte: Sergipense)

Poder de decisão concentrado no Executivo:

O secretário especial da cultura tem voto de desempate, assegurando que a gestão municipal tenha sempre a palavra final, comprometendo a paridade do Conselho. (Fonte: Sergipense)

Falta de funcionamento efetivo do Conselho desde 2013:

Criado por lei em 2013, o Conselho nunca saiu do papel e, quando anunciado em 2020, permaneceu inativo. (Fonte: Sergipense)

Falta de compromisso da gestão municipal com a cultura:

A atual gestão mantém um modelo de Conselho que não garante participação real da sociedade civil. (Fonte: Sergipense)

Quebra de acordo entre a Funcaju e os vereadores:

O vereador Elber Batalha (PSB) questionou Luciano Correia, presidente da Funcaju, sobre a reestruturação do Conselho e ficou surpreso ao descobrir que a nomeação dos membros já havia sido feita no mesmo dia, sem qualquer diálogo. (Fonte: Elber Batalha, vereador do PSB)

3. Consequências ou resultados negativos destes problemas para os envolvidos e para a sociedade em geral:

Deslegitimação do Conselho Municipal de Política Cultural:

Sem eleição e com poder concentrado no Executivo, o Conselho se torna apenas um órgão simbólico, sem real influência na formulação de políticas culturais. (Fonte: Comitê Estadual Paulo Gustavo e Ministério da Cultura)

Dificuldade na aplicação transparente de recursos culturais:

O Conselho deveria monitorar e avaliar o Plano Municipal de Cultura e definir o uso de recursos federais, mas, sem participação democrática, há riscos de má gestão ou falta de prioridade para as reais necessidades do setor. (Fonte: Sergipense)

Exclusão de setores culturais e artísticos da tomada de decisões:

Sem a exigência de diversidade cultural e territorial, grupos artísticos podem ficar sem representação e apoio adequado. (Fonte: Sergipense)

Manutenção de um modelo de gestão autoritário e ineficaz:

O Conselho segue como uma ferramenta de controle do Executivo, impossibilitando o desenvolvimento de uma política cultural participativa e democrática. (Fonte: Sergipense)

4. Alternativas que a matéria apresenta para a solução dos problemas:

Garantia da eleição direta para os membros da sociedade civil no Conselho:

A nomeação deve seguir o que prevê o artigo 16 do SNC, permitindo que representantes sejam escolhidos democraticamente. (Fonte: Nota conjunta do Comitê Estadual Paulo Gustavo e Ministério da Cultura)

Reestruturação do Conselho para garantir diversidade cultural e territorial:

O modelo atual precisa incluir diferentes expressões artísticas e respeitar a diversidade geográfica da cidade. (Fonte: Sergipense)

Fim do voto de desempate do secretário especial da cultura:

Para garantir equilíbrio de forças entre a sociedade civil e o poder público, o presidente do Conselho não deveria ter o poder de desempate. (Fonte: Sergipense)

Funcionamento real do Conselho com autonomia e fiscalização ativa:

O Conselho precisa atuar efetivamente na formulação e monitoramento das políticas culturais de Aracaju, ao invés de ser um órgão fictício. (Fonte: Sergipense)

Compromisso da gestão municipal com uma política cultural democrática:

A prefeitura deve abandonar o atual modelo e adotar práticas transparentes e participativas na gestão cultural. (Fonte: Sergipense)

5. Fontes da matéria:

Sergipense (veículo de comunicação que publicou a matéria)

Comitê Estadual Paulo Gustavo e Ministério da Cultura

Vereador Elber Batalha (PSB)

Luciano Correa (presidente da Funcaju)

Criado por lei em 2013, Conselho Municipal de Política Cultural de Aracaju nunca saiu do papel

27.03.2023

Link: https://www.sergipense.com.br/criado-por-lei-em-2013-conselho-municipal-de-politica-cultural-de-aracaju-nunca-saiu-do-papel

1. Assunto principal da matéria:

O Conselho Municipal de Política Cultural de Aracaju (CMPC), criado por lei em 2013, nunca saiu do papel e, mesmo com uma tentativa de formação em 2020, permaneceu inativo, comprometendo a democratização da gestão cultural na cidade.

2. Problemas abordados na matéria:

Inatividade do Conselho desde sua criação em 2013:

A lei municipal nº 4.480 criou o Conselho, mas ele nunca foi efetivamente implementado. (Fonte: Sergipense)

Tentativa de formação do Conselho em 2020 sem transparência e sem participação real:

A nomeação dos membros foi feita pelo Decreto nº 6.188 sem edital público e sem garantir representação de todas as expressões artísticas. (Fonte: Wécio Grilo, Coordenador do Fórum Permanente de Artes Visuais)

Desrespeito ao princípio da paridade e ausência de critérios inclusivos:

A composição do Conselho previa 7 vagas para o Executivo e 7 para a sociedade civil, mas sem assegurar diversidade cultural e territorial. Além disso, o presidente (secretário especial da cultura) tinha o direito de voto de desempate, favorecendo o Executivo. (Fonte: Sergipense)

Criação do Conselho em 2020 com fins eleitoreiros e para receber recursos da Lei Aldir Blanc (LAB I):

O Conselho foi montado apressadamente antes das eleições e, após a destinação dos recursos, nunca mais se reuniu. (Fonte: Lu Silva, técnica em audiovisual e membro do Fórum Audiovisual de Sergipe)

Ausência de reuniões e falta de comunicação entre os membros nomeados:

Após uma reunião virtual para posse dos membros em 2020, o Conselho nunca mais se reuniu, e seus próprios integrantes não sabiam quem eram os outros membros. (Fonte: Wécio Grilo)

Hostilidade da gestão pública em relação à classe artística:

O presidente da Funcaju, Luciano Correia, além de não dar continuidade ao Conselho, se recusou a debater com a classe artística sobre a Lei Paulo Gustavo e proferiu ofensas contra fazedores de cultura e vereadoras. (Fonte: Sergipense)

3. Consequências ou resultados negativos destes problemas para os envolvidos e para a sociedade em geral:

Falta de participação popular na gestão da cultura de Aracaju:

Sem um Conselho ativo, a população e os artistas não têm voz na formulação de políticas culturais. (Fonte: Sergipense)

Desorganização e falta de fiscalização na aplicação de recursos culturais:

O Conselho deveria aprovar e fiscalizar eventos como o aniversário da cidade e a distribuição de recursos da cultura, mas sua ausência impede esse controle. (Fonte: Sergipense)

Ausência de valorização e fomento aos artistas locais:

O Conselho poderia garantir maior representatividade dos artistas locais em eventos culturais da cidade, mas sua inatividade perpetua a exclusão dos artistas da tomada de decisões. (Fonte: Sergipense)

Manutenção de um modelo de gestão autoritário e fechado:

O Executivo continua tendo controle sobre as políticas culturais sem debater com a sociedade. (Fonte: Lu Silva, Fórum Audiovisual de Sergipe)

Desmobilização da classe artística e descrença no poder público:

Artistas e entidades culturais veem a falta de funcionamento do Conselho como uma estratégia para manter o setor sem influência política. (Fonte: Wécio Grilo)

 4. Alternativas que a matéria apresenta para a solução dos problemas:

Adequação do Conselho ao Sistema Nacional de Cultura (SNC):

O Conselho precisa garantir paridade real e contemplar a diversidade de linguagens culturais, gênero e etnias, como orienta o SNC. (Fonte: Lu Silva, Fórum Audiovisual de Sergipe)

Eleições diretas e edital público para escolha dos representantes da sociedade civil:

Diferente do que ocorreu em 2020, a composição do Conselho deve ser feita por meio de um processo democrático e transparente. (Fonte: Wécio Grilo, Fórum Permanente de Artes Visuais)

Compromisso com reuniões periódicas e participação efetiva dos membros:

O Conselho deve funcionar regularmente e permitir que seus membros participem ativamente das decisões culturais da cidade. (Fonte: Sergipense)

Garantia da autonomia do Conselho e fim do controle excessivo do Executivo:

O modelo atual, onde o secretário especial da cultura tem o voto de desempate, deve ser reformulado para evitar manipulações. (Fonte: Sergipense)

5. Fontes da matéria:

Sergipense (veículo de comunicação que publicou a matéria)

Lu Silva (técnica em audiovisual e membro do Fórum Audiovisual de Sergipe, denunciou a criação do Conselho em 2020 como uma "maquiagem" para recebimento de recursos da Lei Aldir Blanc)

Wécio Grilo (Coordenador do Fórum Permanente de Artes Visuais, nomeado para o Conselho em 2020, relatou a falta de reuniões e transparência na formação do órgão)

Luciano Correia (presidente da Funcaju, nomeado presidente do Conselho em 2020, envolvido em polêmicas de falta de diálogo com a classe artística)

Emília deixa Funcaju sem titular, não realiza Projeto Verão e não anuncia nada para Cultura

(21/01/2025)

Link: https://manguejornalismo.org/emilia-deixa-funcaju-sem-titular-nao-realiza-projeto-verao-e-nao-anuncia-nada-para-cultura/ 

1. Assunto principal da matéria:

Balanço do 1º mês da Gestão Cultural da Prefeitura de Aracaju com a prefeita eleita Emília Corrêa e a falta de diálogo com a classe artística.

2. Problemas abordados na matéria:

Ausência de um titular na Funcaju - Atualmente, a Fundação Cultural Cidade de Aracaju é gerida interinamente por Fábio Uchôa, que não tem vínculo com a cultural.

Cancelamento do Projeto Verão - O evento foi suspenso pela prefeita Emília Corrêa sob a justificativa de falta de recursos, apesar da Lei Orçamentária Anual prever R$3,2 milhões para sua realização.

Linda Brasil (PSOL) critica o cancelamento: “Alegar falta de recursos quando havia R$3,2 milhões destinados no orçamento para o evento é um insulto à inteligência da população de Aracaju.”

Falta de diálogo com a classe artística - Artistas, coletivos e especialistas do setor afirmam que a prefeitura não abriu espaços de discussão para ouvir as demandas culturais.

Thiago Paulino (Jornalista e pesquisador cultural) pontua: “Espero que [o diálogo] continue e se reverta em ações concretas, como a formulação de um Fundo Municipal de Cultura.”

Tratamento da cultura apenas como eventos - Segundo críticos, a cultura é vista pela prefeitura como festividades, sem ações estruturais de fomento.

Paulino lamenta: “A cultura é vista apenas pela ótica dos eventos, deixando a formação cultural limitada à Escola Valdice Teles.”

3. Consequências ou resultados negativos destes problemas para os envolvidos e para a sociedade em geral:

Desvalorização da cultura e dos artistas - A falta de investimentos e planejamento prejudica a classe artística e limita oportunidades.

Roque Sousa (Músico e produtor cultural) afirma: “Desde o início da campanha eleitoral, não apresentaram um projeto sério para o setor cultural.”

Prejuízo econômico e social - A cultura movimenta a economia e promove inclusão, e sua negligência pode impactar o turismo e o lazer da população.

Zezito de Oliveira (Historiador e militante cultural) alerta: “Ela deveria aproveitar o fato das administrações anteriores não terem tido esse alcance de visão e surpreender. Infelizmente, não houve nenhuma sinalização.”

Falta de credibilidade na gestão cultural - A prefeita prometeu mudanças na cultura, mas, até o momento, a categoria vê contradições em seu discurso.

Coletivo de Música Sergipana (Comus) destaca: “Ela segue bem na contramão do discurso que deu o tom de toda a sua campanha.”

4. Alternativas que a matéria apresenta para a solução dos problemas:

Nomeação de um titular para a Funcaju - Especialistas sugerem que a gestão coloque à frente da pasta um profissional com experiência na área.

Criação de um Fundo Municipal de Cultura - Thiago Paulino sugere que um fundo poderia garantir sustentabilidade para projetos culturais.

Ampliação da formação e infraestrutura cultural - Criação e manutenção de espaços para formação de artistas e técnicos na cidade.

Reforma administrativa com criação da Secretaria de Cultura - Segundo nota da prefeitura, está prevista a criação de uma Secretaria Municipal de Cultura.

Diálogo com artistas e coletivos culturais - A prefeitura afirma que está em processo de diálogo com representantes da cultura para fortalecer políticas culturais.

5. Fontes da matéria:

Vereadora Sônia Meire (PSOL)

Deputada estadual Linda Brasil (PSOL)

Zezito de Oliveira (Historiador e Militante Cultural)

Thiago Paulino (Jornalista, Professor e Pesquisador Cultural)

Roque Sousa (Músico e Produtor Cultural)

Coletivo de Música Sergipana (Comus)

* Nota oficial da Prefeitura de Aracaju.*




CAJUEIRO DOS PAPAGAIOS E A ETIMOLOGIA DA PALAVRA “ARACAJU”. Por Luiz Eduardo Oliva

ilustrações  do livro paradidatico sobre a História da mudança da capital de São Cristóvão para Aracaju .Uma publicação das edições @serjipecultura.
Cresci vendo um livro sergipaníssimo dentre tantos que meu pai ia enchendo sua estante. Era o “Cajueiro dos Papagaios” de um dos maiores intelectuais sergipanos, o médico (João Batista Peres) Garcia Moreno. Era um livro muito bem editado e impresso para os padrões da época – sem dever a nenhuma das grandes editoras do país -  sob a batuta da mais fantástica editora que em Sergipe já existiu, a Livraria Regina comandada por José Apóstolo Sobrinho.

O livro permaneceu na estante mal lido, a não ser pelo velho e bom jornalista João Oliva (à época era ele um jovem jornalista) que ao levar para a estante os escritores sergipanos nos conduziu ao gosto e ao pertencimento daquilo que hoje chamamos sergipanidade. Haveria também o neologismo “aracajuanidade”? 

Recentemente recebi da diretora da Galeria de Arte Álvaro Santos, a produtora cultural Jaci Rosa Cruz, o convite para uma Roda de Conversa na programação de comemoração dos 170 anos de Aracaju: “Cajuístas, somos cajus em terra cajueiro? ”. Logo me ocorreu o velho livro do Garcia Moreno, para entender mais profundamente o que ele dizia da etimologia da palavra Aracaju. Por empréstimos o livro já não foi mais encontrado na estante ainda existente do meu pai. Recorri então ao site “Estante Virtual” e num sebo em São Paulo havia um único exemplar do almejado livro. Nem pensei duas vezes: adquiri.  

De cara, assim que me chegou a preciosidade, logo depois da “página de rosto” uma frase explicava “a melhor hipótese etimológica” para dizer o significado de Aracaju: “na língua dos primitivos donos da terra” Aracaju significa “Cajueiro dos Papagaios”. Nada mais que isso a não ser um punhado de deliciosas crônicas de uma Aracaju bucólica passando por Santos, Paris, Laranjeiras, Maruim, Itabaiana, Lisboa, Dakar.... Note-se que Garcia Moreno reconhece já nos anos 50 os hoje dizimados “primitivos donos da terra”. Valeu o livro mais pela leitura e menos pela já conhecida informação.

A rigor os estudos que apontam para o significado do nome de Aracaju vem do escritor baiano de Santo Amaro, Teodoro Sampaio (1855-1037). É na sua monumental obra “O Tupi na Geografia Nacional” (1901) no capítulo “Vocabulário Geográfico Brasileiro” que está a definição da palavra “Aracaju”. Lá a grafia da palavra está acentuada na última sílaba “ARACAJÚ”. A definição é lacônica: “Ará-acayú, o cajueiro dos papagaios. Sergipe”, nada mais.  Ao buscar, no mesmo dicionário, a palavra “Ara” encontra-se acentuada: “Ará: nome dos papagaios grandes (Psittacus) ”, ou sem acento “Ara: o fruto; o que nasce; o que se colhe” e no “Acaju” encontra-se o “Acã-yú, o pomo amarelo, o caju”. Logo a junção de “ara” com “caju” de fato significa “Cajueiro dos Papagaios”. 

Há inclusive, uma explicação da razão do nome da cidade, que no 17 de março de 1855 Inácio Barbosa elevou-a à condição de capital, no mais lacônico dos decretos (dois artigos apenas) um dos quais determinante: “Fica elevado à categoria de cidade, o povoado do Santo Antônio do Aracaju na barra do Cotinguiba com a denominação de cidade do Aracaju”. 

Conta-se que os primeiros moradores viam, no lugar onde hoje é a Avenida Ivo do Prado, antiga Rua da Aurora e carinhosamente chamada de “Rua da Frente” vários cajueiros em toda a sua extensão e alguns papagaios e araras pousavam nos galhos para comer e descansar. Daí o nome que une araras e papagaios ao delicioso fruto do caju: “Cajueiro dos Papagaios”. Somos seus frutos, “cajuístas”, nessa cidade que nos abriga e nos acolhe e que faz 170 anos nesse 17 de março. Como diz a poesia, “Ameríndios, europeus, africanos/Filhos e filhas do mar, do sertão, filhos baldios/Aracajuanos, matutos praianos/Astutos, ousados, arredios! ”

(*) Artigo Publicado no Jornal da Cidade/SE, edição nº 15.302 de 15 a 18 de março de 2025.

terça-feira, 18 de março de 2025

Poema: ARACAJU - QUEM TE AMOU NO PASSADO QUER TE AMAR NO PRESENTE Autor: Jaci Farias. poeta pernambucano apaixonado por Aracaju

https://acaoculturalse.blogspot.com/2025/03/poema-aracaju-quem-te-amou-no-passado.html

segunda-feira, 17 de março de 2025

terça-feira, 18 de março de 2025

Poema: ARACAJU - QUEM TE AMOU NO PASSADO QUER TE AMAR NO PRESENTE Autor: Jaci Farias. poeta pernambucano apaixonado por Aracaju

 Para ver Antônio Santo 

Eu escalei tua colina 

E contemplei lá de cima 

O verde que era teu manto 

Que hoje me causa espanto 

O quanto foi devastado 

Hoje é manto acinzentado 

Clorofila sem efeito 

Aracaju no meu peito 

Eu carrego teu passado!


Festival de grafite em Aracaju (SE) — Foto: Anna Fontes/ TV Sergipe

Tira essa fantasia 

E sai dessa realeza 

Que não enxerga a pobreza 

Que há na periferia 

Enquanto pra burguesia 

Tu és subserviente 

Seja Aracaju da gente 

Desse povo desprezado 

Quem te amou no passado 

Quer te amar no presente!


segunda-feira, 17 de março de 2025