domingo, 14 de abril de 2019

Qual a relação entre poltica e arte da fuleragem?

Cês percebem como candidatos a cargos politicos ou muitos eleitos, fuleiros e escrotos,  gostam de abrir  a mala do carro e tocar bem alto  o som da fuleragem, assim como financiar mini trios ou trios elétricos, muitas vezes com dinheiro público?


Qual a relação que podemos fazer entre  a politica da fuleragem, ocupando os principais cargos de comando do pais atualmente, e essa arte da fuleragem? Construída como cultura a partir dos  anos de  1990, período em que o neoliberalismo começa a dar  as caras e as cartas em nosso país.  Um livro para quem quiser estudar esse tipo de relação e com outras inter- relação "O Neoliberalismo Ideologia Dominante na Virada do Seculo", de José Comblin. 





sábado, 13 de abril de 2019

PLAY LIST BRASIL E SUAS CARAS. DESVELANDO OS BRASIS COM SUAS CANÇÕES


DESDE 2016 O BRASIL REVELA A CARA MAIS FEIA.

PORÉM QUEM VAI MAIS FUNDO, QUEM VAI ALÉM, QUEM DESCE DOS SALTOS, DESCOBRE OUTRO BRASIL. UM BRASIL QUE PRECISA DE MAIS FORÇA, MAIS ATENÇÃO, MAIS APOIO.

No municipio de Socorro, região metropolitana de Aracaju, meninos (as) passaram o dia 13 de abril de 2019,  grafitando o muro de uma escola, como parte de uma extraordinária iniciativa cultural de base comunitária. A conclusão é que apesar de tanta gente mal e seus "sacos de maldade" o Brasil não deixa de mostrar que há muita gente boa e coisas boas acontecendo. Mas não é por cima, não sai no noticiário principal, não vem de Brasilia. 

O melhor do Brasil VIVE. Outros viram, eu vi, meninos (as) grafitando muro em Socorro. Precisamos ver e ouvir essa chamado .

UM BRASIL COM SUAS DUAS CARAS DISPUTANDO. QUAL É MESMO A CARA DA NAÇÃO?



OUTROS VIRAM, EU VEJO, QUEM TIVER OLHOS PARA VER...





"Sempre repito que é preciso conhecer as periferias do cristianismo. Lá no chão, no meio da floresta amazônica, nos seus rios, nas comunidades rurais e periféricas do Nordeste, em várias periferias urbanas das grandes cidades. É preciso ir, muitas vezes, onde vai o Conselho Missionário Indigenista (CIMI), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), as resilientes Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). E olha que aí está uma multidão de homens e mulheres, tantas vezes jovens ou já de cabelos brancos, animando as comunidades e anunciando um evangelho vivo por sua própria vivência. Ainda mais, aí também encontrarão muitos padres e muitos bispos, além das sempre fundamentais religiosas dedicadas ao povo.
Há ainda um bom grupo de evangélicos, gente do povo, também pastores dedicados ao povo de suas comunidades, mas também ao povo brasileiro. Lembro aqui de tantos pastores da Igreja Batista do Nordeste, irmãos de todos nós nessa caminhada."
Mas,  para ver coisas boa a grané um cristão ou não cristão tem que andar a pé, não ter medo de colocar os pés na lama. E desligar a televisão, tirar a bunda do sofá, vez em quando.   Se afastar do seu circulo de colegas e amigos do dia a dia, para ir ao encontro de outras pessoas e outros mundos. Andar por esse país e descobrir como ser mais feliz e como colaborar para a felicidade dos outros (as).




sexta-feira, 12 de abril de 2019

A união da religião, da ciência e da arte como apoio terapêutico preventivo às neuroses e às paranoias.

 "Pintando  o sete" em uma manhã de domingo na década de 1990. Praça dos Capuchinhos. Bairro América.  A coordenação da atividade esteve a cargo do professor de história e artista plástico Antônio Wanderley. Na época integrante do JUCES, um dos grupos de jovens católicos parceiros.
 Oficina de sisal em um dia comum nos anos de 1990. Sala na Igreja São Judas Tadeu, Bairro América. A coordenação da atividade esteve a cargo do instrutor e irmão da igreja Assembléia de Deus, Gerson Vilas Boas
 Brincadeira tradicional, "quebra pote", no festival infantil na década de 1990. Praça dos Capuchinhos. Bairro América.

Circulo de cultura terapêutico com  a facilitação da psicologa Cibele Ramalho, referência sergipana em psicodrama. Em um final de semana dos anos de 1990, na chácara dos frades franciscanos no povoado Mosqueiro.

A religião na AMABA/Projeto Reculturarte.

À guisa de introdução

A religião muitas vezes pode ser fonte de cura, mas pode ser também fonte de neurose e de perdição. Os exemplos são tantos que nem precisa muito esforço para pesquisar no google. Basta procurar noticias sobre a campanha de pressão em favor de Bolsonaro, que muitos pastores doidos e/ou mercenários desenvolveram. No caso da igreja católica também, porém com mais discrição.

Mas assim como pode ser o que citei, a religião pode ser fonte de cura e de libertação, libertação do preconceito, da discriminação, da solidão, da depressão, do racismo, do machismo,  do desejo de acumular bens e de explorar o semelhante.

Ontem, 23 de janeiro de 2019, entrevistando uma mulher que conheci menina, participante do projeto Reculturarte do inicio até meados da década de 1990, percebi que a devoção e um milagre de Nossa Senhora na vida dela, não significou retrocesso e recuo em matéria do que ele aprendeu e vivenciou no convívio com o grupo de educadores e dirigentes da AMABA que participaram da formação humana integral que ela recebeu durante este tempo.

Uma das passagens em que ela me chamou a atenção foi quando disse que, mesmo sendo muito devota, não frequenta a igreja com muita regularidade, por razões cujas descrições dada, remete ao que falei sobre um ambiente que favorece a criação e reprodução de gente neurótica.

E até mesmo o Papa Francisco tem chamado a atenção acerca disso. E a propósito da dimensão religiosa ou espiritual no seio do projeto Reculturarte, os momentos de oração e os estudos bíblicos eram componentes importantes dos retiros/acampamentos do Reculturarte.

Fora as conversas constantes nestes momentos e nas oficinas artísticas regulares, sobre valores humanos, defendidos no Evangelho e em outros livros bíblicos, como respeito, dignidade, solidariedade, união, transparência, diálogo, respeito às diferenças e etc...Assim como uma busca em tentar viver isso nas relações, embora como bem disse ela, por parte de alguns educadores , se ficava a desejar em alguns pontos.

Em um outro pequeno texto escrevi que o que éramos mesmos, ou que formávamos no fundo mesmo, uma comunidade terapêutica de base. Que as palavras e exemplos do querido Papa Francisco e de pastores como Henrique Vieira, Odja Barros, que recentemente esteve no curso deverão do Ceseep/PUC-SP, uma das escolas que ajudou a formar educadores do Reculturarte,  e tantos (as) outras, possam inspirar o cuidado que precisamos ter com a formação de pessoas seguras, maduras, conscientes, alegres, solidárias e centradas.

A formação de quem estava a frente do processo educativo e cultural na AMABA/Projeto Reculturarte, esteve bastante influenciada pela Teologia da Libertação. Já os protestantes que faziam parte das duas agências de fomento que patrocinaram o trabalho,a CESE e a Visão Mundial,  estavam influenciados tanto por essa, como pela Teologia da Missão Integral.

E foi graças a isso, que também as referencias da nossa herança cultural e espiritual, indígena e africana, sempre foram respeitadas e até incorporadas em nosso processo educativo e cultural, como no caso da banda e da dança afro e da belíssima festa Kizomba realizada em 1995, quando a sede da AMABA foi transformada literalmente em um barracão ou terreiro de candomblé.

Reiterando, comunidades terapêuticas de base, como uma das possibilidades de saída para um Brasil em transe.


P.S.: O pequeno texto que escrevi e onde citei pela primeira vez o termo “comunidade terapêutica de base”  “No decorrer da caminhada matinal do dia 15/01/2019, a lembrança de um país cheio de gente pirada, de gente maluca, inclusive ocupando a presidência e alguns ministérios.

Daí me ocorre a idéia de comunidades terapêuticas de base, como podemos definir  o que foi a AMABA/Projeto Reculturarte.

Nas entrevistas com os que participaram dessa iniciativa sociocultural nos anos de 1990 no bairro américa, periferia de Aracaju, salta aos olhos o quanto as ações culturais, esportivas e de reforço escolar, colaboraram com a auto estima, o sentido de pertencimento e coesão, o centramento, a construção de sentido e projeto de vida, a consciência cidadã, a alegria, o bem viver.

Portanto, precisamos ir além da discussão sobre o investimento em comunidades terapêuticas para tratar de dependentes químicos, assim como da discussão sobre a redução da maioridade penal, o que fará entupir os presídios e empurrar mais jovens para os braços do crime organizado.

O mais necessário é evitarmos a necessidade disso, de gente pirada, de gente maluca, elegendo gente igual. E para tal, precisamos de mais comunidades terapêuticas de base. O que pode também prevenir a quantidade de adolescente e jovens enredados no crime e na violência.”
Zezito de Oliveira - educador e agente cultural

quinta-feira, 11 de abril de 2019

O que me tocou no 2º Enconto de Educadores (as) negros (as) e indigenas.



As falas inspiradoras e instigadoras dos  professores  Gersem  Baniwa e Nilma Lino, no 2º seminário de professores negros e indigenas, me deixaram  muito a  vontade e me fez lembrar dos versos de três canções que fazem parte da minha memória sonoro afetiva,  e que nos provocam também a pensar e a repensar muito do que fizemos/fazemos na vida. 

A primeira “Quando eu era pequeno eu achava a vida chata” de  Lulu Santos. Daí eu afirmei que achava e acho, sob certos aspectos,  a escola, a igreja, o  partido e até, o sindicato, como inclusos nessa afirmação. Mesmo não deixando de estudar, de continuar sendo cristão católico, em que pese os retrocessos dos que tem saudade do tempo das cruzadas e quando cristãos e não cristãos eram queimados na fogueira, mesmo continuando a votar no PT e eventualmente em outros partidos de esquerda, e mesmo sendo sindicalizado e participante em alguns momentos das  assembleias, eventos de formação e das  mobilizações.

Nas escolas, nas igrejas, nos partidos e nos sindicatos,  um autor que pode ajudar a diminuir isso que afirmo acima é Paulo Freire, ultimamente muito badalado por seus adversários e por quem superestima a sua presença nas universidades brasileiras e em nossas escolas.

 Fosse mais considerado no Brasil, como é no exterior, a formação de  professores, tanto a graduação,  como a continuada, seria   fortemente baseada no pensamento e nas práticas freireanas, isso impactaria também  a gestão escolar, incluindo a prioridade na formação continuada no chão da escola, na  construção de prédio escolares mais “amigos” dos alunos e dos professores, como é o caso da quadra, de um auditório, mesmo pequeno e  uma sala de artes e/ou de vídeo, o que deve  ser considerado um luxo, por muitos gestores públicos, evidentemente porque os seus filhos não estudam ou não estudarão  em escola pública .

Mas, graças a Deus ! Tanto na igreja católica e em algumas protestantes históricas , a pedagogia de Paulo Freire serve de base para o método de  leitura popular da Biblia, realizado por meio das pesquisas, estudos e cursos organizados pelo Centro de Estudos Biblicos (CEBI), do qual tenho a honra de participar. O  Partido dos Trabalhadores mesmo aquém do esperado, está querendo acertar o passo,   como demonstra os temas e as metodologias dos  trabalhos das pesquisas, estudos e formação realizados pela  Fundação  Perseu Abramo.  O sindicato por meio do coletivo de professores negros e indígenas,  está promovendo seminários com essa temática e projetos de imersão na realidade das escolas que trabalham com a temática étnico racial.

Já dois  encontros bastante concorridos para professores (as) apresentarem práticas pedagógicas interessantes e diferenciadas. Não sei porque não teve continuidade. O projeto cultural do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe. (SINTESE), também colabora bastante, embora deva ser repensado. Nesse sentido,   insights, sugestões  foram  apresentados na mesa cultura-educação-comunicação do seminário preparatório para o Fórum Social Mundial 2018, realizado na UFS. E,   conversa preliminar a esse respeito, foi mantida com o diretor de comunicação do SINTESE, professor Joel Nascimento, mas não prosperou, infelizmente. 

 Outra canção a que fiz referência em minha fala tem como   um dos versos "Tocar, como é bom tocar, transformar tudo em som." E a pergunta que deixei, como tocar as pessoas não apenas no campo da inteligência racional, mas também pelo emocional, pelos sentidos, pelo imaginário? Dentro de uma perspectiva emancipadora e não escravizadora como é realizado pelo mercado da publicidade e da propaganda e pela maioria das igrejas e religiões, acrescento por aqui.


Aqui, fiz associação com o mito do  desenvolvimento,  do progresso e da civilização, o qual nas sábias palavras do professor Gersem Baniwa estão nos levando a barbárie. Paradoxal e interessante não é mesmo?

E aqui concluo as minhas palavras com uma reflexão sintese que fiz após chegar em casa, juntamente com uma texto do amigo Roberto Malvezzi, o Gogó,  que li um poucos antes de dormir.

Quer saber da novidade? De quem e do que aponta para saídas? De quem pode mudar o sentido deste mundo, tão vasto mundo, que segue rumo a barbárie a passos largos?

Ouçamos mais os povos da floresta, incluindo principalmente os indios. os ribeirinhos, os quilombolas, as mulheres que lutam e reexistem nas comunidades periféricas, dos adolescentes e jovens que criam e se mobilizam através dos coletivos de cultura, de comunicação, de empreendimentos sociais e comunitários, das pautas do empoderamento feminino, do combate ao racismo, dos cristãos que estão no meio do povo com um propósito comunitário libertador.


Zezito de Oliveira - professor e agente/produtor cultural de iniciativas de base comunitária.

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quinta-feira, 14 de junho de 2018


domingo, 7 de abril de 2019

PARA LULA, NESTE 07 de ABRIL E PARA QUEM AMA O BRASIL DE VERDADE. COM SUA GENTE, SUA NATUREZA E SUA CULTURA.

Se é que há uma saída para este país, e há, a saída é pela cultura, até mais do que pela educação, pois até esta para ser mais humanista, mais democrática e mais libertadora, mais será quanto mais atividades culturais pudermos contar dentro das escolas e nos espaços de educação informal ou não regular.
E aqui, obviamente, não nos referimos a cultura dos grandes eventos ou dos grandes espetáculos, mas a ação cultural no cotidiano, com atividades que reúnam grupo pequenos, médios e esporadicamente grupos grandes. Atividades com intencionalidades voltada para a criação de uma cultura de convivência, de cuidados com a alimentação e hábitos saudáveis, que permita fortalecer tanto identidade (s) local (is) como abrir portas e janelas dentro d’alma e da mente para o acesso a cultura de outros povos, cultura para fortalecer a tolerância e o diálogo com o (s) diferente (s).
Ação cultural em que democracia, cidadania, tolerância, cultura de paz e etc., sejam apreendidas como vivência, como habitus, como algo que nos compromete pelos sentidos, pelas práticas, e não somente pelos conceitos racionais ou cognitivos , tão somente. Como algo que quando formos ver já estamos vivendo, realizando e não somente contemplando, admirando, esperando, sonhando.
E com certeza, nesse sentido, muito foi e é realizado. São muitas iniciativas realizadas neste país com a consciência de que cultura educa e que a arte liberta. E quantos mais compreendermos e valorizarmos isso, melhor para todos nós.

O livro sobre a AMABA/Projeto Reculturarte ,atualmente em fase de pesquisa e redação de capitulos, vem para mostrar a tentativa de fazer tudo isso que está colocado acima, mesmo com os percalços e os limites das pessoas , das condições materiais/financeiras e de época. Décadas de 1980 e 1990, chegando até o ano de 2004. E, com a ascensão do PT e PC do B ao poder central no ano de 2002, muito do que foi experimentado e aprovado na AMABA/Projeto Reculturarte e em outras iniciativas país afora, se tornou politica pública federal através do programa Cultura Viva - Pontos de Cultura.
O livro está sendo produzido como contribuição que pretende apresentar a potência do que afirmamos no inicio. Um bom relato e reflexão com base em uma prática socioeducativa e sociocultural, possibilitando nos mostrar o que mais deveria ter sido feito ou o que precisa ser realizado, afim de que o nosso pais encontre e/ou reencontre o prumo ou os sentidos que podem reforçar a auto estima, o prazer e a alegria de sermos brasileiros, principalmente visando superar esse momento dificil que atravessamos desde 2016, depois do golpe midiático-parlamentar -judicial que depôs uma presidenta honesta. justa e comprometida com o melhor do/para o Brasil e os brasileiros. Assim como a prisão em seguida do nosso amado, justo e honesto presidente Lula. Para entender melhor esse argumento recomendamos leitura: Mino Carta: Este sim é o culpado
Até porque, precisamos de melhores brasileiros para termos um país melhor. E o melhor caminho para fazer isso, um caminho que até tem um bom acumulo de experiências e reflexão , é o caminho da ação cultural de base comunitária. Um caminho que nos faz chegar bem perto do coração. O caminho que mobiliza e transforma, para o bem ou até para o mal, caso deixemos o "trabalho de base" ser feito apenas por religiosos fundamentalistas e traficantes de drogas.
Ou, cultura como chave de explicação e mobilização para um povo de maioria religiosa e que na sua maioria também gosta de festa, novela, música e de futebol.
Oxalá, essa compreensão comece a permear mais pesquisas, estudos e seminários no campo acadêmico, assim como debates no parlamento e elaboração/aprimoramento da legislação necessária, além do planejamento de ações no campo sindical e dos partidos progressistas , inclusive quando ocupam funções no executivo.
Do contrário será a barbárie. E que tem aqui uma pequena amostra.
P.S.: A propósito de músicas necessárias como estas acima, como querer que sejam conhecidas e incorporadas ao repertório cultural e afetivo das novas gerações, sem que sejam levadas ao conhecimento dos nossos estudantes, por meio especialmente de iniciativas culturais de base comunitária? Até porque de certa maneira, os grandes meios de comunicação , salvo honrosas exceções, demonstram ter pouco ou nenhum compromisso com a ética, com a educação, com a cultura de tradição e de invenção, com a democracia, com os direitos humanos.

CARTA DE FREI BETTO A LULA NO DIA DO PRIMEIRO ANO DE PRISÃO DO LÍDER POLÍTICO .


07/04/2019
Querido Lula,
Coincidiu eu estar junto a você nas datas de suas duas prisões. A primeira, em abril de 1980. Desde que se iniciara a greve metalúrgica no ABC paulista, e os líderes sindicais presos um a um, passei a permanecer em sua casa em apoio à família. Fui acordá-lo quando, às primeiras horas da manhã, os policiais da ditadura bateram à sua porta. Estive em sua casa até o dia de seu retorno do cárcere, um mês depois.
Em 2018, há um ano, ao escutar no rádio que a sua prisão fora decretada pelo juiz Sergio Moro, fui ao seu encontro na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), onde você dormia. De novo despertei-o e rezamos juntos.
Desde que você se encontra encarcerado em Curitiba, tive a oportunidade de visitá-lo duas vezes. A última, pouco antes do Natal. Levei a eucaristia e partilhamos o corpo e o sangue do Senhor.
Nas duas ocasiões, constatei o seu espírito forte, aguerrido. Como narrei a amigos, você se mantém a par do noticiário, lê muito, faz exercícios físicos, ouve música, assiste a programas de TV, de preferência, como me disse, na TV Aparecida: “gosto da missa das seis da tarde e dos programas de música sertaneja”.
Falei-lhe de minhas experiências de prisão. Aliás, descrita nos livros que lhe dei, como “Cartas da prisão” (Companhia das Letras) e “Diário de Fernando – nos cárceres da ditadura militar brasileira” (Rocco). O mais importante é evitar a contradição entre o corpo retido na cela e a mente, em sua incontrolável liberdade, aqui fora. Não se deixar possuir pela ânsia de liberdade a qualquer custo. Considerar o cárcere a sua normalidade, ainda que empenhe todo o seu esforço para recuperar a liberdade. E lembrar o que me disse: “Não troco minha dignidade pela liberdade”.
Mil condenações jamais haverão de sombrear o seu protagonismo na história do Brasil e a força de sua liderança popular. Quanto mais tentam esmagá-lo, mais você cresce. Em todo o mundo há mobilizações pró “Lula livre”. Ao proferir conferências no exterior e dedicá-las em sua homenagem, seu nome tem sido efusivamente aplaudido.
A prisão é um eremitério. Lugar de reflexão e aprofundamento. Sei que você tem aproveitado para avaliar acertos e equívocos dos 13 anos de governo do PT. Os acertos são sobejamente conhecidos. Basta comparar os dados sociais e econômicos dos governos Temer-Bolsonaro com os períodos Lula-Dilma. Não havia esse clima de animosidade, e até ódio, que hoje divide muitas famílias e separa amigos. Vivia-se com maios civilidade e sem ameaça à democracia. Não se precisava penhorar a democracia na conta dos militares, e eles estavam onde sempre deveriam estar – nos quartéis.
Contudo, o PT não cuidou de promover a alfabetização política de nosso povo; descuidou do trabalho de base; deixou de punir com rigor desvios éticos; e jamais dominou o uso tático das redes digitais. Esse flanco vulnerável permitiu ao adversário centrar baterias no ataque ao partido, o que resultou no golpe de Temer contra Dilma e na eleição de Bolsonaro ao surfar na onda antipetista.
Agora é hora de repensar a estratégia política. Fazer autocrítica, analisar por que não houve consistente reação popular à deposição de Dilma. Nunca fui militante partidário, mas julgo que é hora de o PT se reinventar. Reatar seus vínculos com os mais pobres e excluídos, fortalecer os movimentos sociais e, sobretudo, assumir desempenho propositivo, para que o povo brasileiro vislumbre uma saída democrática ao governo Bolsonaro.
Há que resgatar a esperança e a utopia. Não se manter refém de eleições periódicas, e sinalizar um projeto de Brasil capaz de tirar o nosso país do buraco em que se encontra, e mobilizar amplos setores nacionais frente ao desafio de reduzir drasticamente a desigualdade social.
Nada haverá de calá-lo, Lula. Mesmo quando a morte o surpreender. Faça sempre de sua voz a voz dos que não têm voz nem vez, impedidos de falar e atuar. Você representa milhões de brasileiros e brasileiras que não venderam a alma às mentiras virtuais e às infundadas acusações judiciais.
Como dizia nosso amigo Henfil, ainda que esmaguem uma flor, não haverão de deter a primavera.
Meu abraço fraterno
Frei Betto

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Como é que se organiza em 07 de abril, um ato pela liberdade de Lula, apesar da situação de prisão dele, com afeto, com arte, com esperança e alegria?





Confira as mobilizações no Brasil e no mundo da Jornada Lula Livre  




AMOR E LIVROS

Contra o ódio, 'Ninguém Solta a Mão de Ninguém' celebra a alegria na política

Com 24 textos, a coletânea leva no título a expressão criada pela artista Thereza Nardelli, que ganhou grande destaque após a vitória da extrema-direita nas eleições presidenciais do ano passado





domingo, 29 de julho de 2018


FESTIVAL #LULA LIVRE É AMOR DA CABEÇA AOS PÉS.



 Canções por democracia e liberdade! Pelos direitos dos trabalhadores livres! Por Lula livre! segunda-feira, 25 de junho de 2018

 "A arte e a cultura são potentes armas contra a alienação, a ignorância, a barbárie. Há tempos muitos estão  na luta  com estas armas. Desse jeito! Ocupemos mais as ruas, as praças, as escolas, as igrejas, os meios de comunicação e as redes sociais. Com canções e artes de luta, de resistência, de paz, de justiça."