informações sobre ações culturais de base comunitária, cultura periférica, contracultura, educação pública, educação popular, comunicação alternativa, teologia da libertação, memória histórica e economia solidária, assim como noticias e estudos referentes a análise de politica e gestão cultural, conjuntura, indústria cultural, direitos humanos, ecologia integral e etc., visando ao aumento de atividades que produzam geração de riqueza simbólica, afetiva e material = felicidade"
Os jovens professores estão
chegando as escolas, são os nascidos desde meados das décadas de 1990, 2000.
São tempos marcados pela ascensão
e tentativas de consolidação do neoliberalismo, caracterizado pela primazia do
individual em detrimento do coletivo, o que na economia significou a privatização de empresas
públicas, a terceirização de algumas áreas do serviço público, algumas delas estratégicas em termos de soberania, a
desnacionalização das economias dos países periféricos, a financeirização da
economia, desindustrialização e etc..
Para quem mora fora do estado, SINTESE é o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe
Isso tem impacto na cultura e na
educação, com o reforço da mentalidade individualista, competitiva,
meritocrática, consumista, anti democráticae etc., o que retroalimenta as iniciativas ou ações objetivas do
neoliberalismo no plano econômico.
Em termos mais práticos, muito
dessa cultura que reforça a mentalidade individualista, competitivas,
meritocrática, consumista, anti democrática e etc., foi aprendida nas escolas
e/ou universidades privadas de onde muitos jovens professores são oriundos, e até mesmo com alguns professores nas universidades públicas.
Isso porque, na maioria das
escolas e universidades privadas não se “perde tempo” com longas consultas ou
debates e com eleição direta de diretores ou reitores, até porque são
empreendimentos privados, sem interesse no incentivo e fortalecimento do pensamento critico e emancipador
por razões óbvias decorrentes.
E aí , chegamos ao atual
“estado da arte” da participação democrática na escola. Logo, como avançar a
participação do jovem professor no sindicato? Com profissionais sem muito
hábito em questionar o “status quo”, sem hábitoou “habitus” (1) aqui trazendo o conceito de Pierre Bordiau, de discutir
coletivamente, acostumado a velha hierarquia em que “manda quem pode, obedece
quem tem juízo”, sem horizontes utópicos, contentes com um estilo de vida bem
semelhante ao chamado “american way life”. Um modo de viver, fortemente ancorado em uma
cultura marcada pelo consumismo, padronização social e culturale a crença
nos valores democráticos liberais.
Me chamo Ricardo dos Santos Alferes Filho e estou fazendo doutorado. Fui com 29, quase 30 anos. Faz um ano e meio que cheguei, no segundo semestre de 2020. Estou com 31 anos agora.
Área de estudo
Doutorado em engenharia civil, construção civil. Obtive a partir de uma entrevista de emprego. Mandei um e-mail quando vi a vaga no site da universidade. Fiz a entrevista via Skype e enviei currículo. Quando passei na entrevista mandei os documentos pro RH e fui.
O meu emprego é o doutorado. Eu trabalho no laboratório, faço pesquisa aplicada visando o desenvolvimento de materiais para uso na construção civil. Tem algumas empresas patrocinadoras do projeto.
É a Universidade Técnica de Eindhoven. eu não sei se de repente as empresas se juntaram e fizeram, eu realmente não sei como que é essa informação.
Assim, tenho uma ideia geral do projeto e a partir daí eu traço um caminho de como eu vou fazer meu objetivo central, os experimentos que eu faço, as máquinas que a gente pode usar, o que depende um pouco de cada projeto, de cada pessoa. É um contrato de quatro anos.
Continuar na Holanda ou voltar para o Brasil
O doutorado depois de quatro anos acaba. O que pode acontecer é, se você não terminou nos quatro anos, por exemplo, conseguir uma extensão de tempo, mas sem acréscimo salarial.
Neste momento de pandemia que estamos passando, teve gente que perdeu a amostra de trabalho porque não podia buscar no laboratório e estragou, além de materiais que não foram entregues pelos fornecedores por causa de problemas logísticos gerados com a pandemia e etc.
Tem pessoas convidadas para fazer um pós-doutorado, mais isso irá depender das vagas disponíveis.
A forma de comunicação
A língua predominante para a comunicação é o inglês. O holandês é uma língua complexa e é difícil praticar porque a maior parte das pessoas no ambiente em que trabalho são de outros países, de outras culturas, os holandeses são minoria no meu grupo de trabalho.
O impacto cultural e social
Há um aspecto que é bem clichê dizer, mas é bem real, a questão da segurança. A segurança de poder sair à noite, de poder andar sem preocupação.
Nos meus primeiros meses eu ainda andava olhando para trás, em qualquer lugar que andasse, com aquela tensão que nos acompanha aqui no Brasil
Isso é bom porque podemos fazer planos sem se preocupar com a hora de voltar para casa, e isso faz com que as pessoas sejam mais relaxadas nesse aspecto. Isso influencia a forma como as pessoas usam a cidade.
Então quando faz sol na primavera as pessoas saem pra fazer piquenique. Esse é um hábito que eu acho bem interessante e que eu não via tanto aqui no Brasil.
Também em geral as pessoas tem um mínimo de atividade física. Eu vejo a maioria das pessoas praticarem alguma atividade física, algum esporte, parece ser uma coisa bem natural.
A bolha universitária
Há também o recorte da bolha, do ambiente universitário onde eu convivo, por exemplo, a maioria anda de bicicleta. As pessoas não se importam se é uma bicicleta nova, se é uma bicicleta velha, se ela foi cara, se ela foi barata ninguém se importa. Não tem uma cultura da ostentação E então, assim eu vejo o meu chefe chegar e voltar do trabalho de bicicleta. Não são pessoas preocupadas em ter um carro novo, bonito e sair por aí.
O contrário do que vejo com algumas pessoas em uma determinada região, porque elas são de origem diferente, são de família de imigrantes de países mais pobres. Assim, a impressão que eu tenho é que ali entre eles existe um pouco mais a questão do que você usa, de como você se mostra.
O uso da bicicleta.
Onde eu moro tem muitos parques, tem bastantes ciclovias, toda rua tem uma. Enquanto aqui no Brasil, a gente às vezes procura uma ciclovia pra poder fazer o caminho de bicicleta, lá é como se fosse o contrário, porque a ciclovia é prioridade.
Se você tá de carro, você tem que ver onde você consegue andar de carro, porque quando tem uma rua só e não tem outra mão, o espaço é da ciclovia.
A bicicleta é prioridade, por exemplo, ao redor do estádio de futebol tem uma rua que é mão dupla só que ela é estreita, então, quando estiver passando uma bicicleta, o carro tem que se afastar para dar vez a bicicleta.
Dessa maneira, os carros só conseguem usar as duas faixas enquanto não tem bicicletas.
Entrevista realizada presencialmente em Aracaju no mês de janeiro de 2022, quando Ricardinho como é mais conhecido por aqui, esteve de férias em visita aos pais.
Seleção de alguns comentários no grupo Seguidores do Anarcomiguxos e Meu Professor de História.
Zezito de Oliveira - Estudar o marxismo não para se tornar marxista necessariamente, mas para não permanecer ingênuo, Essa é do filósofo Henrique Dussel,
Maressa Andrade
Sabe que eu realmente acho...
Como pesquisadora, uma vez meu orientador me disse que era
minha obrigação não só divulgar os dados mas fazer os dados serem
compreensíveis.
O Monark, honesto ou não, disposto a aprender ou não, só
demonstra que:
1. Essa doutrinação toda nunca existiu. Pq se tivesse
existido todo jovem da idade dele saberia o q é meio de produção.
2. A academia, que é o lugar mais comum onde se discute esse
tema, falhou miseravelmente em não conseguir fazer com que esse tema fosse
compreensível à população não acadêmica.
Monark é só um sintoma que mostra tanto a podridão da
direita quanto a nossa incapacidade de se fazer entender.
Uma vez eu fiz uma pergunta mto simples a um uber: "se
vc parasse de trabalhar hoje, o que aconteceria com vc em 1 mês?" Ele
responde obviamente: passaria fome, conta atrasada... etc.
E eu respondi a ele: então vc não eh dono do meio de
produção. Vc precisa ter sua força de trabalho explorada e sem nenhuma garantia
de direito contra doença ou qlqr coisa, pra poder sobreviver.
A gente precisa de falar de maneira mais simples. Pq, senão,
vai haver uma "epidemia" de Monark. Se é que não já tem.
Elvira Gonçalves
Uma coisa que percebo é que a esquerda não é capaz de
produzir nem um mero podcast de relevância, um entrevistado de esquerda precisa
ir num podcast de direita pra conseguir ter alguma relevância. Tem muito inútil
preocupado em cancelar e lacrar, mas gerar mecanismos de disputa de espaços com
a direita que é bom, nada.
Zezito de Oliveira
- O Meteoro salva o nosso campo... E tem mais alguns, mas a partir de uma
iniciativa independente. A esquerda institucional até investe em comunicação,
mas é muito tradicional, vertical ou um "museu de grandes novidades",
lembrando Cazuza..
Leonardo Souza Ubatuba
Elvira Gonçalves o Podcast poderoso que é puxado
pra esquerda é o Podpah
Muito feliz por ter participado na tarde de hoje (19/02/2022) do encontro “despertar da Campanha da Fraternidade” assessorado pelo Padre Soares e Frei Gilvan.
O encontro foi realizado na Comunidade Bom Pastor e contou com a presença de representantes do Centro Ecumênico de Estudos Biblicos (CEBI), Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), Comunidade Bom Pastor, Pastoral da Juventude, além da professora e vereadora Ângela Melo.
Achei sensacional a abordagem das Campanhas da Fraternidade (CF) em uma perspectiva histórico dialógica, entremeada por canções das diversas campanhas da fraternidade sob a coordenação do Frei Gilvan. Foi uma verdadeira introdução a história da igreja no Brasil desde a década de 1960, utilizando como tema gerador a realização das campanhas da fraternidade, iniciada no ano de 1962.
Bem freireano portanto e holístico, quer dizer, tivemos uma abordagem onde a apresentação das campanhas da fraternidade esteve interligada com os aspectos políticos, econômicos e a linha pastoral que marcaram e marcam o percurso da igreja católica no Brasil e no mundo, neste caso, principalmente a partir de dois grandes centros de poder e decisão, o Vaticano e os EUA.
A discussão sobre a Campanha da Fraternidade prossegue nos dias 2 e 3 de abril, com um aprofundamento centrado nos textos base das CF realizadas sobre educação em 1982, 1998 e a atual.
Este encontro contará com a minha assessoria e para inicio de conversa recomendo a leitura deste texto abaixo, ainda em construção, e que comporá o segundo volume da trilogia Livro AMABA/Projeto Reculturarte...
Longe é um lugar que não existe e Fernão Capelo Gaivota, titulo de dois livros que nunca li, mas que lembro de ter visto em várias papelarias, livrarias e bancas de jornais nos anos de 1980.
Há poucos anos atrás um amigo de forma efusiva me recomendou a leitura do segundo.
Me lembrei destes dois livros, agora, domingo pela manhã na caminhada matinal, lembrando o encontro realizado na tarde deste sábado (19/02/2022) sobre as Campanhas da Fraternidade.
A lembrança me veio a partir de um dos momentos da conversa em roda, quando conversamos sobre o passado como presente dentro de nós, e no presente das nossas existências..
Assim como o futuro, construído por alguns homens visionário como Dom Hélder que articulou a criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e que articulou junto com outros irmãos do episcopado uma série de avanços pastorais que foram incorporados nos documentos oficiais do Concilio Vaticano II, isso sob a batuta de João XXIII, o Papa bom..
Assim como longe é um lugar que não existe, sob o ponto de vista espacial, principalmente nestes tempos de aviões ultravelozes, internet e etc.., o passado e o futuro também.
Se o primeiro nos acompanha e às vezes nos aprisiona o segundo pode ser realizado aqui, logo agora, desde que tenhamos boas e longas asas do pensamento para voar dentro d’alma, como Fernão Capelo Gaivota, assim como algumas estruturas favoráveis
Conclusão, o passado com boas e más histórias está aí. O futuro pode ser aqui, podemos chegar logo, se a nossa alma for capaz de voar como a gaivota...A gaivota que lá do alto, ver que os que estão muito próximos do chão não conseguem enxergar... E quem vê de cima, pode ver tanto o potencial de amorosidade que temos, como o seu inverso...Fazer leituras, produzir pesquisas, buscar memórias é necessário.
Olhemos, contemplemos e façamos prevalecer o primeiro.... Como afirma um artista visionário, dentre os muitos que temos.. Beto Guedes
"Recusamos o esquema de causa e efeito. O presente não é apenas o resultado do passado, mas é também consequência dos sonhos e esperança que serão concretizadas no futuro."
Evangelho (Mt 5,13-16)
“Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo”
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 13”Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens.
14Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. 16Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”.
Resumo
Longe é um um lugar que não existe
Do mesmo autor de ""Fernando Capelo Gaivota"". este livro conta uma história. aparentemente inocente. que esconde profundos significados.
Rae Hansen. uma menininha de cinco anos. vai fazer aniversário. Mesmo sabendo que Bach mora muito longe e precisará atravessar desertos. montanhas e outros incríveis desafios para chegar até a sua festa. ela o convida. E é esta impressionante jornada baseada na amizade e no amor que será narrada na obra. que já se tornou um grande clássico infantojuvenil desde que foi lançada. em 1979.
Fernão Capelo Gaivota
Obra-prima que a cada dia conquista mais admiradores agora publicada com a inédita Parte 4
Um dia, enquanto pensava sobre a vida, o ex-piloto da Força Aérea americana Richard Bach escutou uma voz misteriosa que começou a contar-lhe a história de uma gaivota que queria voar mais alto e mais rápido. Impressionado com a inexplicável inspiração, Bach escreveu tudo o que ouviu. Ao final, tinha em mãos uma das obras mais populares e importantes das últimas décadas: Fernão Capelo Gaivota, uma aventura emocionante sobre liberdade, que influenciou, motivou e mudou para melhor a vida de milhões de pessoas no mundo todo. Após sofrer um acidente de avião em 2012 e passar quatro meses no hospital, Richard Bach decidiu que era o momento de compartilhar o desfecho de seu trabalho e ensinar a seus leitores como fazer suas vidas valerem mais a pena.
O encontro de hoje, 19/2, foi rico e significativo. Reunimo-nos como CEBs e PJ para refletirmos sobre o “Despertar da Campanha da Fraternidade”.
Com a parceria do CEBI e Bom Pastor, somamos a força com 22 pessoas. Cantamos, rezamos, partilhamos e fizemos história. Os assessores, Padre Soares e Frei Gilvan Aquino, OFMCap, destacaram com lucidez os seguintes pontos:
a) A CF tem como fonte básica o Concílio Vaticano II e Medellín. Os bispos do Brasil intuíram o chamado de São João XXIII e da Divina Ruah, que trouxeram vida e luta pela Justiça nas várias fazes da Campanhas, sempre dentro do espírito quaresmal.
b) As fases foram: de 1964 a 1972; de 1973 a 1984 e de 1985 até o ano de 2002, quando fizemos acenos muito fortes sobre a sociedade, as minorias, a eclesialidade e o atual pontificado do Papa Francisco. Os debates e as informações foram muito ricos e instigantes.
c) Por último, a metodologia utilizada pelos assessores provocou nos participantes questionamentos, reflexões e interação. Além de exposição dos temas, foram colocados os cantos das respectivas Campanhas em debate, com oração e muita alegria pelas partilhas.
Agradecemos a todas e todos que estiveram presente neste momento tão rico.
Iniciando o texto com frase de uma canção do bardo sobralense Belchior, também chamado por alguns de Bel, outros dizem que ele não gostava muito desse apelido.
Mas vamos lá, todo dia um comentário opinativo construtivo, democraticamente falando. Aos poucos alimentaremos essa sequência por aqui no blog, diariamente ou quando for possível, mas com alguma regularidade..
Um dia, quem sabe, criaremos uma persona para entrar no canal da Ação Cultural no youtube ou um podcast para tratar desses temas, os quais dizem respeito, não somente ao movimento sindical, mas a outros tipos de organizações, associaçoes ou coletivos ligados ao mundo do trabalho, dos precarizados, dos excluídos e marginalizados...
1 – Ah! Zezito, mas tem uma chapa na eleiçao do SINTESE - Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe, com candidatos que são filiados ao PSOL.
Penso não ser este um problema. O problema é o aparelhamento , o que parece ser uma missão quase inexorável dos partidos de esquerda, à direita também, mas estes já tem controle majoritário das igrejas, meios de comunicação e dos sindicatos patronais em sua totalidade, evidentemente.
No caso dos partidos de esquerda, independente de siglas é uma tradição recorrente. Com variações, para mais ou para menos....
Mas o trabalhador ser filiado a um partido de tradição socialista, desde os menos, até os marxistas-leninistas não há problema, deve até ser saudado, porque os trabalhadores precisam ocupar cada vez mais espaço dentro das estrutura do poder estatal, e isso é realizado por intermédio dos partidos, inclusive para que as demandas dos sindicatos e dos outros movimentos sociais sejam melhores recebidas e absorvidas, na forma de Leis e outros tipos de iniciativas que garantam e ampliem direitos. E as contrapartidas em forma de deveres? Perguntarão alguns, claro, o trabalhador em geral, como o próprio termo indica não quer viver na base do direito de explorar outros homens ou de destruir a natureza. O que é bem típico dos burgueses, mesmo que Caetano Veloso diga “como são lindos , como são lindos os burgueses”.
Claro que não é todo trabalhador que está ligado na ideia da transformação da sociedade na perspectiva marxiana de superação da exploração do homem pelo homem, afinal, como disse o patrono da educação brasileiro, Seu Paulo Freire, “Quando a educação não é libertadora....”
Os pontinhos é para ajudar a refrescar a memória, ou interativamente propor a quem não se lembrar, ir no google com a primeira parte da frase..
OU
É quase o mesmo....
Para quem quiser aprofundar mais o tema Aparelhamento e outras questões relacionadas...
Considerações finais
Neste sentido, a perspectiva de classe que, em alguma medida, caracterizou o sindicalismo brasileiro nos anos oitenta, uma das expressões mais latentes das lutas de classe no Brasil a despeito do contexto em que se deu, tornou-se uma peleja inócua, um tipo novo de corporativismo de categoria (ALVES, 2000), deixando de ser de combate e ser tornado um sindicalismo de resultados. E, se, num primeiro momento, é nítida a diferença entre os trabalhadores produtivos e improdutivos nos movimentos aqui analisados, por outro, tanto no tratamento dado às greves quanto na capacidade de resistência dos movimentos grevistas, essa diferenciação só aparece no tempo de duração destas, pois as conquistas, ou melhor, a falta delas, é o que se repete. Assim, algumas particularidades saltam aos olhos de qualquer observador atento aos processos das últimas greves em Vitória da Conquista. Vejamos:
8 Referimo-nos aqui às lutas fragmentadas que emergiram, sobretudo, nos anos de 1960 com estratégia para quebrar as lutas de classes como o movimento negro, das mulheres, dos gays e tantos outros.
a) Sinais da crise perpassam e comprometem completamente a luta sindical, principalmente pós-emergência do neoliberalismo, evidenciada numa significativa descredibilidade no sindicato e nas instituições representativas de forma geral, por parte das categorias de trabalhadores. Isso se mostrou expressivamente no caso do SINSERV. Apesar do número de trabalhadores da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, o quantum de filiados ao sindicato não chega a 20% do total da categoria. Tal dado sugere, à primeira vista, o reconhecimento do papel histórico dos sindicatos enquanto entidade política típica do processo de acumulação capitalista como não representante dos reais interesses da classe trabalhadora;
b) Apesar da insatisfação generalizada, evidenciada no pool de greves emergidas no período, em nenhum momento se buscou a união das categorias na luta contra a superexploração do capital sobre o trabalho, não se falando em mobilização unificada das categorias. A solidariedade de classe ficou somente – e quando ficou – nas notas públicas. Ao que parece, o corporativismo tornou a greve num fim em si mesma. Em Vitória da Conquista, a perspectiva luxemburguiana que afirmava ser a greve um meio de desenvolvimento da consciência de classe não se confirmou no processo em foco;
c) O problema central da inconsciência das classes trabalhadoras locais sobre seu papel na sociedade capitalista não é causado somente pela crise e pela reestruturação da luta sindical com seu consequente descrédito. Este quadro é fruto de todo um processo histórico. O caso do SIMMP, por exemplo, em que aproximadamente 50% da categoria é composta de professores contratados, submetidos a relações de emprego e trabalho precarizado, muitos deles apadrinhados sob um processo clientelista cuja permanência enquanto trabalhador está condicionada à aceitação tácita das condições impostas pelos mandatários do poder político, mostra que o aprofundamento da crise estrutural do capital, da reestruturação produtiva, acompanhada da precarização das relações de trabalho nas suas mais diversas formas, também tem contribuído para a fragmentação da classe trabalhadora, bem como para a perda da consciência histórica, tão importante para o auto reconhecimento enquanto agente social.
Deste modo, em plena crise capitalista “marcada por um continuum depressivo [...] [que] se mostra longeva e duradoura, sistêmica e estrutural” (ANTUNES, 2011b, p. 10), onde formas precarizadas de trabalho assumem configurações extremas e a contradição capital/trabalho se intensifica para manter o padrão de acumulação do capital, por todo o mundo explodem reivindicações, questionando a viabilidade histórica desse modo de sociabilidade. Novamente é colocado na ordem do dia a necessidade das classes trabalhadoras assumirem as rédeas do processo histórico de forma autônoma e livremente associada, tomando o controle do metabolismo social e fundando um novo padrão de vida que vise o desenvolvimento integral do homem, a igualdade substantiva, a subjetivação e a individuação como elementos norteadores de uma nova sociedade.
DIÁLOGO, Canoas, n.28, p. 89-104, abr. 2015. / ISSN 2238-9024
Alexandre de Jesus Santos, José Rubens Mascarenhas de Almeida
Hoje , 10 de fevereiro, é o dia do aniversário do PT, data que merece alta distinção, em termos de celebração da memória rebelde e humanista do Brasil contemporâneo.
Dentre algumas das lembranças mais fortes que eu tenho do PT nos anos de 1980, na relação com os movimentos populares de então, AMABA incluso, saltava aos olhos o respeito pela autonomia.
Nunca sofremos interferência do partido em nossas instâncias internas de decisão, mesmo com dois/três militantes ou simpatizantes do PT, moradores do bairro América, membros da direção da AMABA.
O mais destacado como dirigente da AMABA e militante do PT, Francisco Alves, aparece na foto com uma camisa escrita "Vai dar Zebra", slogan da campanha do partido em 1982, salvo engano.
A bem da verdade, fazer movimento popular mais independente de algumas estruturas partidárias ou estatais nunca foi fácil, o aspecto econômico tem uma grande influência nisso.
Em termos de autonomia política, o que nos ajudou a garantir isso a partir do final dos anos de 1980 até 1999, durante dez anos portanto, foi o apoio financeiro oriundo da cooperação internacional, neste caso através da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e Visão Mundial..
Nos anos de 1990 o PT começa a investir mais no campo da institucionalidade, e passa a sofrer o impacto do crescimento dos mandatos parlamentares e executivos e a influência destes, nem sempre virtuosa, na relação com as lideranças dos movimentos populares.
Isso pode ser constatado na leitura do livro História do PT , escrito pelo historiador e professor da USP Lincoln Secco.
Um dica de entrevista para os canais progressistas no dia de hoje ou amanhã.
Para quem tiver interesse sobre essa questão acerca da poltica no plano micro/macro em 1980, tem mais no livro AMABA: O esquecido círculo de cultura da Aracaju dos anos de 1980.
Já no plano macro/micro, o livro do LIncoln Secco é uma obra necessária.
A foto acima foi tirada no Curso de Verão realizado pelo CESEEP nas dependências da PUC em São Paulo. Inicio da década de 1990. Ao centro Dom Paulo Evaristo Arns, à esquerda o autor destas linha e à direita o companheiro educador Paulo Sérgio...
A ideia de fascismo na igreja me soava como algo bem estranho, em tempos de uma igreja no Brasil comprometida de corpo e alma com as grandes causas que mobilizavam as melhores mentes e corações brasileiros,
Naquele tempo, meados de 1970 até a década de 1980, tinha informações da existência de cristãos fascistas no Libano, algo bem distante...
Com o tempo, com a progressão dos estudos cheguei a Espanha de Franco e ao Portugal de Salazar, os quais conseguiram permanecer um bom tempo no poder, até 1970, mesmo fascistas, contando com apoio da Igreja Católica, mas foi pouco de estudo, não foi suficiente para perceber os estragos que a ligação igreja católica e fascismo fez na Europa, com reflexos para o resto do mundo, inclusive o Brasil.
Em decorrência do Concilio Vaticano II e das Conferências Episcopais de Medellin e Puebla, cresci em um ambiente eclesial que buscava uma atualização e enraizamento do pensamento social católico, assim, não fazíamos ideia do que o retrocesso iniciado por João Paulo II iria causar.
Em termos mais diretos e didáticos, a Campanha da Fraternidade, foi uma das formas mais eficazes que a igreja católica no Brasil encontrou para atualizar e arejar a cabeça e o coração dos milhões de católicos Brasil afora de acordo com as orientações do concilio e das conferências citadas.
A primeira Campanha da Fraternidade que me marcou foi a de 1983, recém chegado a Aracaju e ano de criação da AMABA, em especial pelo tema e pelo cartaz, assim como por uma ou outra canção, depois se sucederam uma série de campanhas inesqueciveis.
O cartaz me atraía pela graça e alegria das crianças, pela beleza das cores e pelo cenário...
Músicas da Campanha da Fraternidade 1983 Fraternidade e Violência
Quando retornei a Aracaju em meados do ano de 1982, depois de morar treze anos no Rio de Janeiro, me deparei com uma igreja local cujo arcebispo, Dom Luciano José Cabral Duarte, era um dos principais expoentes do clero conservador no Brasil, o que não era novidade para mim, leitor do Jornal do Brasil, onde Dom Luciano tinha uma coluna esporádica, assim como outro expoente do clero conservador, Dom Eugênio Salles, arcebispo do Rio de Janeiro e paradoxalmente um dos criadores da Campanha da Fraternidade no inicio da década de 1960, quando arcebispo de Natal, RN. Dom Eugênio contava com uma coluna semanal, por ser a liderança religiosa católica do lugar onde o Jornal do Brasil tinha sede, no caso o Rio de Janeiro.
Quando cheguei a Aracaju no ano de 1982, fui morar no bairro Novo Paraíso, bem próximo ao bairro América, daí comecei a frequentar a igreja São Judas Tadeu, fundada e mantida por frades franciscanos capuchinhos, mas antes conheci no Partido dos Trabalhadores um morador do bairro América, Francisco Alves, com residência em um local um pouco distante de onde eu morava, mas com disposição para organizar os moradores em uma associação, afim de lutar por melhorias no bairro.
A principal melhoria era representada pela saída da fábrica de cimento, Francisco Alves morava próximo a mesma, era uma luta antiga encampada pelos frades capuchinhos.
Assim podemos nos aproximar ainda mais da igreja local, onde fomos bem recebidos pelo Frei Florêncio Pecorari, o pároco naquele momento e que alguns anos depois foi meu professor no curso de História na Universidade Federal de Sergipe.
Se o arcebispo de Aracaju era conservador, bem ao estilo de um modo de ser católico que voltou a sobressair no Brasil a partir dos anos 1990, quando as mudanças iniciadas por João Paulo II começaram a dar seus frutos, Frei Florêncio poderia ser considerado um representante do clero moderado, quase conservador e eu, um leigo progressista. Logo sob o ponto de vista do ideário cristão dos dois religiosos citados teria pouco o que absorver, embora com Frei Florência ao menos podia conversar, menos sob questões ligadas a teologia, e religião e etc., e mais sobre educação, comunidade, problemas sociais ...
Falar em Frei Florêncio como moderado com tendência conservadora, certamente é lembrar dos seus tradicionais colegas da comunidade franciscana capuchinha e do arcebispo Dom Luciano Duarte, não fosse isso, quem sabe não poderia ser um moderado com tendência progressista.
Daí começei a buscar referenciais em livros, cartilhas e jornais inspirados pela teologia da libertação e/ou educação popular. Foi assim que passamos a assinar algumas publicações, seja enquanto pessoa fisica , seja como pessoa juridica, via AMABA, neste caso a partir do inicio da década de 1990.
Foram eles, jornal O São Paulo, ligado a Arquidiocese de São Paulo, um dos mais importantes jornais da imprensa alternativa, um pequeno “detalhe” às vezes esquecido nos estudos de nossos pesquisadores do tema e do período, e último jornal a ter a censura prévia suspensa.
Este jornal teve a censura suspensa em 1978 e passei a ter contato com este quando cheguei em Aracaju, e o motivo de ter sido o último jornal alternativo a ter a censura suspensa e estar em circulação, foi uma das razões para fazer a assinatura, assim como o fato da Arquidiocese de São Paulo ser uma grande referência na época com que lidava com educação popular e direitos humanos,. (1)
Também assinamos o boletim da Comissão Pastoral da Terra (CPT) , o jornal Porantim ligado ao Centro Indigenista Missionário, o Grita Povo ligado ao Centro de Comunicação Popular de São MIguel. A revista Sem Fronteiras e Alô Mundo, que era produzida e distribuída pela congregação dos missionários combonianos. (2)
Assinei também durante um tempo a revista Familia Cristã das Edições Paulinas, tachada por Dom Luciano Duarte como revista comunista (sic), em um dos programas que apresentava nos dias de domingos na rádio da Arquidiocese de Aracau, a Rádio Cultura.
Voltando a Campanha da Fraternidade, esta conseguiu atingir um maior número de católicos, a depender da orientação do bispo, dos padres e das irmãs. Onde havia um clero mais progressista , mais a campanha era realizada por meio da formação de equipes diocesanas e paroquiais, o que ocasionava a realização de melhores homilias abordando a temática e uma compra maior para a distribuição dos materiais produzidos pela equipe nacional, os mais utilizados eram os roteiros das novenas, da via sacra, o texto base, em especial para os lideres de grupos, pastorais e movimentos eclesiais, os slides, mais na frente as fitas VHS e DVDs, os roteiros para a catequese e para os grupos de jovens.
Para preparar os lideranças leigas, assim como os próprios padres e irmãs, eram realizados os encontros de formação, durante um ou dois dias. Em Aracaju a Pastoral de Juventude tinha uma manhã de estudo mensal e durante alguns anos o mês de janeiro e fevereiro tece como tema escolhido, o mesmo da campanha da fraternidade.
Vale ressaltar que o Projeto Reculturarte, um das mais importantes iniciativas educativas, culturais e esportivas de base comunitária realizada em Aracaju, se não a mais importante, pelo investimento , diversidade e tempo de existência, teve como um dos principais textos de sensibilização e aprofundamento sobre a questão do "menor abandonado", o texto base da Campanha da Fraternidade de 1987.
Zezito de Oliveira
1) O São Paulo - O jornal O São Paulo, da Cúria Metropolitana de São Paulo, comandado pelo arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns, se destacou na denúncia dos atentados aos direitos humanos no Brasil e em países vizinhos. O veículo tinha grande capilaridade, por ser distribuído nas igrejas e comunidades eclesiais de base (CEBs) da região. Também foi submetido à censura prévia, suspensa em junho de 1978. Fonte: https://memoriasdaditadura.org.br/imprensa-alternativa/
2) Sem Fronteiras foi uma revista brasileira fundada em maio de 1972. Durante os trinta anos de sua existência, foi um instrumento de evangelização no Brasil. Dirigida pelos Missionários Combonianos, fundamentava-se na Teologia da Libertação, defendendo movimentos sociais diversos, como, por exemplo, o da Reforma Agrária. A revista se centralizava nas questões sociais, nos debates acerca da discriminação, no apoio aos processos democráticos e na difusão da cultura. Fonte: wikipédia, acesso em 12 de fevereiro de 2022.
Outro capitulo já escrito e que será desdobrado em dois no segundo volume do livro AMABA/Projeto Reculturarte. Além de algumas modificações...
Para uma Campanha da Fraternidade com os pés no chão, da escola e das periferias geográficas e existenciais... Para uma igreja em saída como pede o Papa Francisco..
Diálogo em um grupo de Professores de História no facebook neste 11 de fevereiro de 2022
Zezito de Oliveira - Uma pergunta simplista. Nao poderia ter resposta melhor. Mas, se a escola fosse freireana, poderia provocar um debate mais consequente.
CK - Se a escola fosse freireana talvez esses alunos que pensam que professor é feito pra ser pisado não estariam lá. Existe a indisciplina que pode ser perfeitamente contida com um jeitinho pela professor, mas existe a indisciplina do aluno antagonista, esse só o professor sozinho não dá conta, esse tipo de aluno deve ser acompanhado por toda equipe escolar e pela família, e por um serviço de psicologia se for o caso.
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Zezito de Oliveira - Então, é nessa perspectiva mesmo porque a educação freireana é concebida como um processo coletivo, no modelo tecnicista neo liberal, a concepção é responsabilizar o professor tão somente, quem é professor e já não ouviu a expressão "dominio de sala". Agora, vá "dominar", uma sala quente, cheia de alunos, cheios de necessidades, inclusive uma quadra de esportes para extravasar as energias no recreio e nas aulas de educação fisica...
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CK - Isso aconteceu ontem a noite em um 1° ano com esses alunos que nem olham para a cara do professor. Que te ignoram maldosamente. Era a minha primeira aula do ano com eles, não me deixaram nem eu me apresentar. Alunos que estão lá forçados a estar. Aí me chega essa funcionária da escola cheia de marra falando comigo num tom petulante. Levou a invertida de imediato. Ou a gente se impõe ou viramos saco de pancada dos de cima e dos de baixo.
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CAL - Vida contraditória, antagônica, sofrida essa nossa vida no magistério. É preciso muita terapia e chá e camomila, fora os calmantes e antidepressivos. Difícil encontrar um professor(a) não sequelado.
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CK - Todos, em diferentes níveis, estamos sequelados...
Devidamente arquivado...Pode vir a ser útil nessa retomada que será complicada, não só por defasagens da pandemia ou falta do devido acolhimento, mas pelo recrudescimento de uma cultura educacional.
Depois que criarem uma metodologia para quem não quer aprender, isso certamente se resolverá! Por hora, é melhor levar muitos panos...Acrescente ao quadro educacional, mais uma reforma no ensino médio destinada a piorar o que já está ruim, sendo vendida como divisor de águas! Neste ano letivo, será preciso dosar os momentos de enfrentamento e também de abstrair e fingir demência...
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