CANAL DA AÇÃO CULTURAL

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Altamiro Borges: Datafolha e Cracolândia. Que vergonha!

Altamiro Borges: Datafolha e Cracolândia. Que vergonha!: Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania : Antes que Deus me leve quero ter a oportunidade de debater, olho no olho, com ao menos um de...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Repórter se emociona ao entrevistar as famílias expulsas do Pinheirinho (SP)

Ele se emociona na entrevista ao ver a criança parada em meios aos escombros e não consegue terminar a matéria.
As familas procuram algo de valor em meios aos escombros do Pinheirinho em São Jose dos Campos, crianças e moradores sofrem
com a conclusão da reintegração de posse são 2000 mil casas, 2000 mil sonhos destruidos em poucos segundos,7 mil pessoas moravam no local.
Quem vivia no Pinheirinho se espreme em abrigos da prefeitura de São José dos Campos. É dificil comer, tomar banho e cuidar da auto estima. Os moradores precisam de comida, água....
Um drama de quem procura por dignidade, sem o Pinheirinho a infãncia parece perdida.
Moradores reclamam dos R$500,00 oferecidos por Alckmin que segundo eles não dá nem para pagar o Aluguel. O jurista Walter Maierovitch conversa com Heródoto Barbeiro e Andrea Beron sobre a reintegração de posse no Pinheirinho em São José dos Campos (SP).
O vídeo também aborda a corrupção do Poder judiciario


http://www.youtube.com/watch?v=vj2o7MHr8jk&NR=1&feature=endscreen


Comentário de Ricardo Boechat

http://www.youtube.com/watch?v=bqJKwqTnpaE&feature=related

Falta de estrutura compromete atuação dos Conselhos Tutelares

O Fórum Associativo de Conselhos Tutelares de Sergipe (FACTUS) identificou diversas irregularidades no funcionamento dos Conselhos Tutelares do Estado de Sergipe. Segundo o diagnóstico preparado entre os anos de 2010 e 2011, o estado possui 87 conselhos, dos quais 60% sequer dispõe de estrutura básica e em alguns os conselheiros até desconhecem os preceitos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “Sofremos com três problemas: limitações na estrutura física, dificuldades para execução de programas para crianças e adolescentes atendidos e falta de efetivo profissional”, aponta o presidente da FACTUS, Edilson Santana. Dois exemplos que se repetem na maioria dos conselhos em relação à falta de estrutura física é a inexistência de telefone e de carros disponíveis para atender as ocorrências. No município de São Cristóvão, o Conselho Tutelar só dispõe de móveis porque foram doados pelo Ministério Público Estadual. “Aqui falta até papel ofício. Tanto que as vezes temos que tirar dinheiro do bolso para comprar ou trazer esse material de casa”, ressalta a presidente Katiúcia Menezes. Além dos problemas na estrutura física, outras dificuldades comprometem o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente. De acordo com o presidente da Factus, o atendimento a meninos e meninas vítimas de violência sexual é prejudicado devido à ausência de um psicólogo ou assistente social. Outro problema grave identificado é a existência de conselheiros tutelares que não conhecem o ECA, sendo que este é o estatuto que rege as atribuições do Conselho Tutelar. O presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, Danival Falcão, reconhece os problemas enfrentados pelos Conselhos Tutelares no estado de Sergipe. Segundo ele, para que o Conselho Tutelar cumpra sua função é imprescindível a existência de uma sede adequada ao atendimento, assegurando espaços para oitivas e a manutenção do sigilo, computadores, acesso à internet, veículo e telefone. O presidente lembra ainda a responsabilidade do poder público no processo de garantia dos direitos de crianças e adolescentes. “Um dos maiores desafios é chamar o poder público à responsabilidade para que não faltem as condições de trabalho para o atendimento à criança e ao adolescente. É necessário compreender que todos os órgãos da rede têm deveres para com este público”.
(Jornal da Cidade, p. Cidades B3 – 29 e 30/01)

Comentário em destaque:

Katinha disse
Queremos esclarecer que quando citamos a falta de materiais não estávamos nos referindo ao papel oficio.Desde já reforço que os orgãos gestores deveriam dar uma melhor estrutura aos Conselhos Tutelares!

Cultura e Sustentabilidade

Economia Criativa e diversidade cultural em pauta neste domingo, no encerramento do seminário

Na tarde deste domingo, 29/01, o seminário “Cultura e Sustentabilidade – Rumo à Rio+20″, realizado na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, teve foco na economia criativa, com a mesa “A dimensão econômica do desenvolvimento cultural”, que contou com a participação da secretária da Economia Criativa* do Ministério da Cultura, Cláudia Leitão, da especialista em economia criativa e desenvolvimento sustentável, Lala Deheinzelin, e do economista Leandro Valiati.
“A economia brasileira precisa de um novo eixo que deve ser a nossa diversidade. É necessário religar os conhecimentos. Entender os limites entre o que é institucional e o que está em movimento, como a cultura”, declarou Cláudia Leitão. Para a secretária do MinC, é preciso introduzir um novo olhar para o desenvolvimento sustentável e mapear os indicadores da economia criativa, que gera cerca de 6% do PIB do país. Cláudia lembrou que nesta segunda-feira, 30, o MinC promove junto ao IBGE uma oficina para construção da conta-satélite da Cultura, que irá aferir os números do setor.
Lala Deheinzelin destacou que “os bens intangíveis não se esgotam com o uso, mas se renovam, o que mostra o papel estratégico da economia criativa”. A sustentabilidade deve considerar o tempo, pensar o passado, o presente e o futuro e este século é um canal de enormes mudanças, onde a cultura da sustentabilidade passa pelo intangível e não se reduz as questões ligadas ao meio ambiente. “Nós da cultura criamos mentalidades e hábitos. Somos o bolo e não só a cereja”.
“É necessário transformar o crescimento brasileiro em desenvolvimento”, afirmou, Leandro Valiati. O economista explicou que o bem estar econômico tem relação direta com o consumo cultural e não somente com emprego e renda. Para ele, a economia da cultura e criativa estão cheias de canais de inovação. Valiati pontuou que é necessário garantir que as gerações futuras tenham um nível de bem estar com a cultura do país.
Para encerrar o seminário, a mesa “Diversidade e Sustentabilidade” recebeu o secretário de Políticas Culturais do MinC, Sergio Mamberti e Justo Werlang, membro do Conselho da Fundação Gaia, de Porto Alegre. A secretária de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, Jussara Cony, convidada a compor a mesa, não pôde comparecer ao seminário.
Justo iniciou sua fala apresentando o trabalho da Fundação e levou a discussão para as questões de recepção da arte e de sua produção: “o pensamento presente na gênese do trabalho artístico é que entrelaça a arte e a sustentabilidade”. Ao fazer uma análise de obras apresentadas de artistas plásticos, ele pensou o ato de criação inserido na lógica do pensamento sustentável.
O secretário Sergio Mamberti ressaltou a importância do Fórum Social Temático, pelo aprofundamento das discussões em relação à cultura, tendo em pauta tema como a própria informação como dimensão importante da cultura, sempre ameaçada, segundo Mamberti, pelos processos hegemônicos. “somente a dimensão da cultura pode propriciar o pensamento de uma nova sociedade”, disse.
Mamberti optou por um discurso otimista quanto às transformações que eventos como a Rio+20 suscitam na sociedade, apontando para o futuro: “estou convencido de que a cultura é o elemento crucial da sustentabilidade, concretizador do processo de mudança. Juntos poderemos mudar as coisas. O caminho é longo, mas temos de acreditar que podemos construir um mundo diferente, onde o Homem possa ser feliz”, continuou.
No encerramento do seminário, o secretário-executivo do MInC, Vitor Ortiz, fez um balanço das mesas e agradeceu ao grande público que prestigiou o evento. Segundo Ortiz, será ampliada a posição de todos os países do continente na contribuição do debate da Rio+20: “lá nós poderemos dar uma excelente contribuição para reforçar o papel da cultura. Que o debate ultrapasse as fronteiras do Brasil. A opinião dos países do Mercosul e outros países da América Latina será considerada na discussão sobre o tema”.
* em estruturação

Leia mais:
Cultura e sustentabilidade: boa presença de público no seminário realizado neste domingo, em Porto Alegre
(Texto: Sheila Rezende, com colaboração de Leonardo Menezes – Ascom/MinC)
(Fotos: Luiz Tadeu – Ascom/MinC)

Jovens se dividem e criam alternativa ao acampamento da juventude



Fonte: Carta Maior
Movimentos Sociais| 27/01/2012 | Copyleft

Ativistas apontam institucionalização e falta de propostas sustentáveis no Acampamento Intercontinental da Juventude, tradicional espaço dos Fórum Sociais Mundiais, e criam iniciativa paralela. Partidos erguem tendas no local. Polêmica levanta debate sobre a importância das ações políticas tradicionais e as novas formas de fazer política.

Porto Alegre - Parte importante das edições do Fórum Social Mundial, o Acampamento da Juventude representa, tradicionalmente, um espaço de discussão, convivência e troca de experiências não só para os jovens, mas para todos os participantes do evento. No entanto, organizadores e acampados vêm percebendo uma mudança no caráter do acampamento que, desde as últimas edições, foi perdendo seus traços autogestionários e se tornando um espaço cada vez mais institucionalizado.

O Fórum Social Temático de 2012 trouxe como novidade a presença de tendas próprias de partidos e organizações no acampamento, fato inédito na história do evento. Isso gerou bastante discussão. E muita polêmica.

Um exemplo dessa mudança é a existência paralela do Ecoacampamento Aldeia da Paz, projeto que propõe que as pessoas vivam a ideia do “mundo possível que já pode ser praticado”, com iniciativas sustentáveis de bioconstrução, tratamento do lixo e permacultura – conjunto de ações interligadas que enxergam a relação entre homem e natureza de maneira sustentável.

Marcelo Duarte, acampado na Aldeia da Paz, conta que o acampamento funciona de modo autogestionado: todas a decisões são tomadas em conjunto por todos os integrantes, em reuniões feitas ao redor da fogueira central, símbolo da Aldeia.

''O nosso acampamento, que está aqui com quase cem pessoas acampadas, tem uma ideia muito clara de não intervir nem alterar o meio ambiente de nenhuma forma que não seja positiva. Ou seja, tudo o que nós fazemos aqui tem um valor ecológico e é, de uma forma muito clara, uma alternativa ao modelo de produção consumista'', explica Marcelo.

No acampamento formado pelo encontro de comunidades autônomas como as de Viamão e Utopia e Luta (localizadas na região metropolitana de Porto Alegre), a ''economia solidária toma o lugar da economia neoliberal de consumo''. Sua intenção é criar novos paradigmas de alimentação, ecologia e espiritualidade. ''Seguir o lema original do próprio Fórum, de que 'um outro mundo é possível''', conclui Marcelo.

Do outro lado do parque funciona o Acampamento Intercontinental da Juventude, que, embora criado com a mesma proposta da Aldeia da Paz, já não é reconhecido como uma alternativa.

“Não existe tratamento ou recolhimento sustentável do lixo ou do resíduo dos banheiros. Se vocês observarem, não temos a economia solidária organizando a alimentação aqui dentro. Isto é um absurdo. Porque a economia solidária é a primeira alternativa ao capitalismo de consumo. Mas ultimamente essa tem sido uma preocupação menor”, diz Iris de Carvalho, secretária estadual da Juventude do PT.

A preocupação do Acampamento da Juventude é tratar, de modo mais focado, a discussão política. O grande exemplo é a presença das tendas partidárias.

Ambos os acampamentos reclamam de uma institucionalização que vem tomando conta de sua organização. “As decisões são tomadas de cima para baixo. Nós só fomos comunicados de como as coisas foram decididas. É o esgotamento da construção coletiva do fórum”, diz Iris.

A situação ainda é mais complicada no acampamento Aldeia da Paz. A água e a luz providas pela prefeitura só chegaram onze dias depois de erguidas as barracas de bambu, conta Marcelo Duarte. “As conversas com o comitê se deram desde novembro, mas chegamos no dia 7 de janeiro e ficamos até dia 18 sem água e luz”.

Fotos: Tuane Eggers

domingo, 29 de janeiro de 2012

Sergipe, ou a casa da mãe Joana

Filed under: Spleen — spleencharutos @ 8:53 pm
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Rita Lee esnoba Verão Sergipe, mas vai faturar mesmo assim
Quatro edições de Verão Sergipe não foram suficientes para que nossos gestores compreendessem o óbvio: Nós já temos uma cena capaz de sustentar o calendário de eventos do Estado. Não se trata de bairrismo, nem de uma concepção de cultura indiferente às contaminações do mercado. Enquanto insistimos no equívoco de oferecer nossos palcos de mãos beijadas para os outros, como se os domínios de Serigy fossem a casa da mãe Joana, os artistas que tiram leite de pedra para engrossar o caldo de nossa música disputam os farelos abandonados no chão.
Quem quiser que se vire para manter a fervura da cadeia produtiva acesa. No que depender dos eventos promovidos pela administração local (Governo de Sergipe e Prefeitura de Aracaju), a profícua produção musical sergipana permanecerá relegada a palcos menores, preenchendo os intervalos da programação.
It’s all entertainment – Brecha é diferente de espaço. Como bem observou Henrique Teles, da Maria Scombona, a proporção de artistas locais x nacionais na programação do Verão Sergipe está invertida. Embora a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) tenha acertado mais uma vez ao publicar edital selecionando os artistas que se apresentarão na Arena Multicultural do Verão Sergipe (a Funcaju, responsável pelo Projeto Verão, não fez nem isso), comete um pecado imperdoável ao transformar o principal palco do evento numa vitrine de tudo o que não interessa mais na música brasileira. A esnobada que a ex-mutante Rita Lee deu em nossos caciques fala por si.
É como se nossos gestores tivessem parado no tempo. Há quatro anos, os mesmos nomes são contratados a peso de ouro e se revezam diante de um público que periga sucumbir ao cansaço. Margareth Menezes, por exemplo, já se apresentou no Verão Sergipe em 2010. De lá pra cá, não produziu nada que justificasse o convite realizado agora. Os Paralamas do Sucesso se apresentam em evento promovido com o nosso dinheiro pela terceira vez. O Biquine Cavadão não pode ser considerado novidade – uma banda morta, que arrasta a própria carcaça desde o início da última década do século passado. O mesmo pode ser dito do cantor e compositor Frejat, que vem se esmerando na arte de afogar a própria biografia num copo raso de água com açúcar. E por aí vai…
Atencioso e crítico, o cantor e compositor Deilson Pessoa, que integra o coletivo de músicos Serigy All Stars, se manifestou em nome do Fórum de Música de Sergipe. “Nem entro no mérito subjetivo do gosto. Somente me pergunto: por qual necessidade se repetem nomes de artistas nacionais nos eventos de um país tão rico em atrações musicais de grande e médio porte? Há pouco, em 2008, Rita Lee veio embolsar a grana de um reveillon aracajuano. Novamente está de volta, agora pelo Verão Sergipe. Parece que trocou cadeira com Daniela Mercury, que esteve nas edições do próprio Verão Sergipe em 2009 e 2010, e retornou agora para brindar um ‘troquinho’ em nosso reveillon”.
O pior é que o apreço demonstrado pela música local na hora de compor a programação desses eventos se estende ao tratamento dispensado até que o músico finalmente pise no palco. Esta semana, as redes sociais serviram de canal para que os descontentes desabafassem. O produtor Mário Eugênio, profissional respeitado, com diversos serviços prestados à música sergipana, está entre os que soltaram o verbo.
“A produção do Verão Sergipe acabou de me ligar e disse que só tem duas vans pra fazer o translados das bandas locais. Desta forma, temos que ir 13h e ficar direto até a hora do show, que será 1h da manhã. Que tal ficar 12h na labuta pra fazer o show? Tenho certeza de que as bandas de fora ficam com transporte a disposição”.
Segundo a Secult, tudo não teria passado de um ruído na comunicação entre os produtores do evento e o profissional citado. No entanto, não seria a primeira vez que os músicos locais reclamam de descaso no back stage. Se esse estado de coisas permanecer inalterado, melhor os poderosos se acostumarem com o barulho das vaias. Ano passado, o incidente que culminou na interrupção do show de Patrícia Polayne no Verão Sergipe motivou reações apaixonadas e ofereceu oportunidade para que os gestores de nossa cultura fizessem uma auto crítica. O tratamento dispensado aos artistas sergipanos estaria à altura do trabalho apresentado no palco? A julgar pelos acontecimentos mais recentes, parece que não.

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36 Comentários »

  1. Perfeita avaliação. Isso casa com o famigerado vídeo do Compadre Wasghinton. A forma como os artistas de fora são tratados aqui e como os nossos são tratados, fazem todo sentido com que ele disse. Não que não devemos tratar bem as “visitas”, mas não podemos esquecer dos que moram aqui. E nessa questão dos nomes para evento concordo totalmente. Os nomes se repetem, até brinquei no Facebook que esse verão sergipe era um “Heatmus 80 Beach” porque é só aquela galera que vive de cantar as mesmas músicas há anos. Não que não seja artistas merecedores da historia que tem, mas cadê as novidades? Lembrei até o que o Adelvan comentou uma vez, que o pessoal daqui acha que a única banda de recife é a Nação Zumbi. Será que não caberia um Criolo na programação? Uma Tulipa Ruiz? Um Eddie? Enfim, acho difícil essa galera tentar arriscar um pouco mais ao invés de optar pelo que é mais fácil.
    Comentário por Rafa Aragão — janeiro 25, 2012 @ 9:24 pm
  2. Eu trabalhei na Funcaju por um tempo. tempo bom, aprendi muita coisa e uma delas foi: não trabalhe mais pra Governo recebendo mixaria. Primeiramente quero comentar sobre a carcomida Rita Lee. Lembro-me bem que quem contratou o show foi a Funcaju. Rita Lee exigiu um carro que nem em Sergipe tinha, vinhos muito caros, pois era aniversário dela. Ou seja: NÓS BANCAMOS O ANIVERSÁRIO DE RITA LEE. Digo mais: a escolha desses artistas ficam a cargo de apenas DUAS pessoas dentro da Funcaju. Duas pessoas. Fernandinho e a mulher dele. E ninguém toca nesse assunto lá dentro…deixa com eles. Se fizermos uma retrospectiva de todos os eventos que Aracaju fez durante o a prefeitura eleita de Déda e consequentemente do zambumbeiro Edvaldo Nogueira, mais os eventos promovidos pelo governo do ex prefeito Marcelo Deda, nós perceberemos que são as mesmas bandas tocando a cada ano que passa. Se em 2010 não foi vc, vai ser em 2011, porque em 2009 vc já tocou. Digo isso em esfera de Forró Caju, Projeto Verão, Verão Sergipe. O que mais me indigna é que os cachês não são baratos e as bandas locais nem transporte a disposição tem. Para receber esse dinheiro; meses depois, enquanto que o artista de fora só sobe ao palco com o dinheiro no caixa. Sim, os gestores (seja alguns particulares) e em grande monta, o gestor público não acredita na nossa cultura. Isso pra mim cheira a falcatrua pesada…
    Comentário por Alexandre Gandhi Mendes Costa — janeiro 25, 2012 @ 9:41 pm
  3. Olá Rian.
    Gostaria de questionar essa informação sobre o horário do transporte para as bandas locais. Essa informação está errônea e é imprudente publicar uma informação que não foi devidamente apurada. As bandas possuirão transporte de ida e volta para a passagem de som e para os shows.
    Comentário por Edézio Aragão — janeiro 25, 2012 @ 10:01 pm
  4. Se o produtor de uma banda recebe ligação dos produtores do evento e publica essa informação numa rede social; Se essa informação é confirmada por outros músicos, a apuração está feita, meu querido Aragones. De qualquer modo, é bom saber que a Secult acordou a tempo! ;)
    Comentário por spleencharutos — janeiro 25, 2012 @ 10:12 pm
  5. A Secult voltou atrás depois que a reclamação foi alardeada, a verdade é essa. Acompanhei uma ligação que Fabinho recebeu tipo MEIO DIA dizendo que só ia ter uma van pra todo mundo e era pra passar o dia todo lá. Quem não quisesse que fosse no seu próprio carro. Agora NO FIM DA TARDE é que mandaram um cronograma de ida e volta para as bandas em horários diferentes tanto pra passagem quanto pro show. Fico super feliz em constatar a capacidade de rever decisões e, principalmente de ACEITAR CRÍTICAS dessa gestão. Parabéns.
    Comentário por Maíra — janeiro 25, 2012 @ 10:30 pm
  6. Olá Pessoal,
    A produção do evento não voltou a tempo de nada porque simplesmente a informação foi dada errada pela agência que ganhou a licitação, e replicada pelo produtor que agencia três das bandas selecionadas pelo edital. Depois de apurar a fonte dessa informação infeliz, vamos aqui trabalhar para melhorar o diálogo interno e acho que essa crítica é completamente pertinente. Quanto a forma de tratamento com o artista, seja ele quem for, deve seguir o respeito e dar condições de trabalho plenas para o exercício do que foi proposto no combinado entre poder público e atração. De toda sorte, é importantíssimo essa vigília da imprensa para com as ações do poder público no sentido de proporcionar uma atuação coerente e respeitosa. Bom trabalho a todos nós jornalistas, músicos, artistas, gestores, etc…
    Comentário por Edézio Aragão — janeiro 25, 2012 @ 10:51 pm
  7. Que lindo, tá resolvido! (a parte do transporte, né…). Vamos ver o transcorrer do evento, estaremos de olho e acabou o tempo de ficar reclamando entre os pares da banda. Aqui mesmo temos um forte aliado.
    Comentário por Rafael Jr — janeiro 25, 2012 @ 11:18 pm
  8. Rita Lee is dead, boys …
    Faz tempo, aliás.
    Comentário por www.escarronapalm.blogspot.com — janeiro 25, 2012 @ 11:47 pm
  9. Aragão, seu nome muito nos agrada pelo cargo que ocupa na Secult dadas as experiencias no Fórum Musica Sergipe (e falo aqui também em nome dele), à sua conduta pessoal sempre coerente, e pela sua atuação como músico que nos faz crer que temos um de nós do lado de lá. Bom ver o esclarecimento chegar rápido – não tanto quanto a velocidade das redes sociais – ainda que o equívoco tenha sido de terceiros.Lamento que este lapso de informação tenha atingido, mesmo que por momentos, algumas bandas elencadas no evento. Como voce frisou, Mário Eugênio repassou a informação como de fato lhe chegara por quem havia de direito lhe informar. E nós, artistas e demais agentes da música, reverberamos a voz dos nossos.
    É tempo dos gestores ajustarem seu ‘time’ pelos artistas no que está cada vez mais visível o abandono daquela postura medíocre de extrema tolerância da classe ao descaso e indiferença que pontua o trato com a cultura pelo poder público ao longo de cada novo ‘velho’ governo.
    Torcemos de fato pelo seu trabalho, e que sua postura contagie os corredores de cada ambiente onde se gere a música em Sergipe. Pra que voce possa num futuro bem próximo ser porta-voz de esclarecimentos e soluções além dos pequenos incidentes. Nossos verdadeiros dilemas – que transformam pequenas fissuras eventuais em prolongamento do abismo existente entre poder público e classe artística – também apontados no artigo de Rian Santos, estes esperam um posicionamento efetivo do governo. O ocorrido equívoco é apenas a deixa para mais uma vez o jornalista interrogar o porquê de sermos preteridos tão drasticamente nos eventos de nosso próprio estado.
    Oxalá as coisas estejam mudando. Diga-se pelo seu esperado empenho eficiente no conjunto gestor, diga-se pela nossa determinada intolerância crítica. E a maior, diga-se pela qualidade crescente da musica produzida em nosso estado.
    Salve salve música sergipana.

    Comentário por Deilson Pessoa — janeiro 26, 2012 @ 12:51 am
  10. Eu nem acho tanta importância assim esse “sentimento natividade” para a valorização do artista sergipano, mas obviamente está infinitamente melhor em qualidade que muito artista nacional, e deve ser respeitado do aqueles que vivem de passado… fora que só os chamam porque tem nome, politica do governo do estado… pra agradar… pessoal ficar animado e achar que tudo está “numa boa”….
    Comentário por Romário Carlos — janeiro 26, 2012 @ 3:51 am
  11. Bora lá moçada, superada a falha de comunicação – de fato – da produção do Verão Sergipe (foi pontual e isto acontece!), não percamos o foco de fazer um grande evento para o público presente. Endosso as palavras de Rian, assim como as de Deílson Pessoa. Aragones – de fato, também – soma construtivamente.
    Comentário por Henrique Teles — janeiro 26, 2012 @ 1:24 pm
  12. Bem, esqueceram de falar apenas que Sergipe não possui muitas bandas que venham a agradas o público em geral, a exemplo do que acontece todos os anos na Caueira, onde a empolgação com as bandas locais é mínima e algumas apresentações chegam a ser chatas e/ou cansativas, como o de uma cantora sergipana, que nem é daqui mesmo, que na Caueira exibiu no telão um clipe que havia conquistado um prêmio e fez o favor de além da exibição do citado clipe, contou a música duas vezes. Definitivamente arrastou o público ao cansaço e a vontade de ver o show chegando ao fim.
    Em relação ao show de Frejat, foi de tamanha infelicidade o comentário contido no texto, já que é o inverso. Esqueceram de assistir ao Rock in Rio?
    Basta olhar os shows que o líder do Barão Vermelho vem fazendo pra ver que o comentário feito foi realmente infeliz.
    Em relação a Biquine Cavadão, infelizmente não se trata de uma banda morta desde o início da última década do século passado. Basta olhar pros anos 90 e ver que “Vento Ventania” foi a música mais tocada no Brasil no ano do seu lançamento e que de lá pra cá sempre foram lançados cds de sucesso pela banda. Quem não conhece Janaína? Vento Ventania? Tédio? Dentre outras.
    Ademais, voltando a falar das bandas sergipanas, gosto de várias existentes em nosso estado, mas pouquíssimas se destacam. Ainda estão no amadorismo, no romantismo da rebeldia e de que ser esteticamente diferente é fazer sucesso.
    O que esperam as bandas Sergipanas?
    Que o Verão Sergipe ou o Projeto Verão virem uma verdadeira Rua da Cultura?
    Quem já foi o vai pra tal rua sabe muito bem que a qualidade de grande parte das bandas que ali se apresentam é extremamente discutível, e é isso que esperam vender pros sergipanos ou turistas?
    Quem sairia de suas casas para ir a Atalaia Nova ou Caueira pra ver repetir uma Rua da Cultura?
    Talvez nem quem more nessas localidades.
    Por fim, os projetos musicais dos governos estadual e municipal (Aracaju) são ótimos. Em verdade algumas bandas se repetem em pouco espaço de tempo, o que aconteceria em pouquíssimo tempo caso fossemos dar prioridade as bandas sergipanas.
    Temos que aproveitar esses eventos para assistirmos a shows de bandas que jamais teríamos a oportunidade de assistirmos nessa terra alienada onde os eventos do Fabiano, com verbas públicas, sendo eventos particulares, acontecem.
    Até mesmo se tratando de música baiana, forte do Fabiano, algumas bandas não aparecem por aqui, Como a Daniela e o Carlinhos.
    Se não fossem os citados eventos, não assistiríamos ou dificilmente teríamos como assistir em Sergipe shows como Jorge Ben, Frejat, Rita Lee, Titãs, Paralamas, Lulu Santos, Maria Gadu, Vanessa da Mata, Nando Reis, Monobloco, Detonautas, Mano Chao, dentre outros.
    Que as bandas do estado devem participar eu concordo, mas terem a prioridade na apresentação, isso não. Primeiramente que se tratam de bandas que tocam o ano inteiro por aqui, segundo, conforme já dito, algumas chegam com seus shows chatos e cansativos.

    Valorização e qualidade da música sergipana sim. Monopólio em eventos para sergipanos e turistas, não.
    Comentário por Márcio Ferreira — janeiro 26, 2012 @ 1:39 pm
  13. Isso é piada, né Márcio? To morrendo de rir, aqui! ;)
    Comentário por spleencharutos — janeiro 26, 2012 @ 1:44 pm
  14. Meu caro Aragão. Agora que tudo foi devidamente solucionado e exclarecido, gostaria de dar uma sugestão. Acredito que isto não teria acontecido se houvesse uma reunião entre vocês do governo e a agência responsável pelo Verão Sergipe. Também acredito que a intensão da agência foi de adiantar uma demanda, mas a infelicidade talvez tenha sido a forma de como resolver esta demanda, ou seja, deixar as bandas esperando mais de 12 horas. Produzo eventos e sei exatamente que imprevistos acontecem e que a intensão de vocês sempre será de fazer o melhor, mas convenhamos, nem sempre tem sido assim para as bandas locais. Outro dia postei no Facebook que a música do Verão Sergipe 2012 tem a cara da Bahia, e tem mesmo. Infelizmente soube que nenhum artista sergipano gravou ou compôs a mesma. Saiba que antigamente não externava meu pensamento, mas acho que além de agir (através de minhas produções particulares) penso que chegou o momento de também questionar com o que achar prudente, e este foi o caso em voga. De qualquer forma quero que saiba que acredito e confio no seu trabalho, pois já pude constatar em outros momentos. No mais, desejo que o evento seja um sucesso, que todos apresentem suas obras da melhor forma possível e que fiquem satisfeitos, afinal, tive a honra de organizar e coordenar a primeira edição do Verão Sergipe e espero que ele cresça a cada ano. Sucesso.
    Comentário por Mario Eugenio — janeiro 26, 2012 @ 2:41 pm
  15. Rita Lee anuncia a sua aposentadoria em show no Rio de janeiro. E em sua declaração: “Este é meu penúltimo show, mas considero o último.”
    O que ela irá fazer em sua “última” apresentação oficial em Aracaju deva ser, talvez, uma recolhidinha de fundos pra bancar os seus dias futuros.
    É Funcaju…
    “Ainda não havia para mim Rita Lee, a sua mais completa tradução.”

    Comentário por Juliane — janeiro 26, 2012 @ 2:41 pm
  16. Só pode ser piada!
    Absurdo!

    Comentário por Paulo Groove — janeiro 26, 2012 @ 2:50 pm
  17. Belo texto, concordo em quase tudo, realmente existe uma repetição, as bandas do estado que tem qualidade, as vezes são preteridas, mas porra, dizer q Frejat ta decadente? Pqp! Fez um puta show no Rock In Rio, Biquni Cavadao? Ja foi! Mas bem q poderiam trazer Jeneci, Tulipa, Céu, Siba, Eddie, Criolo, Madame Sataan, Cascadura, Maglore tem muita coisa nova e boa rolando pelo pais e pelo estado…
    Comentário por Plinio — janeiro 26, 2012 @ 3:08 pm
  18. Acho válido todos nós, em forma de protesto, organizarmos uma bela vaia e um grande VAI TOMAR NO CÚ
    pra essa cachorra da Rita Lee, e pra todos os outros que estão merecendo !!

    iae quem vai puxar esse coro? kkkk
    Comentário por Thiago Nunes — janeiro 26, 2012 @ 3:12 pm
  19. Não é piada não galera. O Márcio tá falando uma verdade. As bandas de Sergipe se acham muito importantes (podem se doer, voces nao sao revolucionarios). Aqui tem muita coisa boa, mas não é por falta de visibilidade que a maioria não cresce. É por falta de qualidade. Mesmo as bandas mais profissionais aqui não tem consistência em suas composições, algumas músicas são muito boas e grande parte não agrada.
    É também por falta de comunicação com o seu público. Sabem Mozart né? Genio né? Pois, foi o primeiro músico Pop, fazia músicas pensando em seu público e não no seu umbigo. É possível fazer músicas boas pro umbigo e pro público. Se voce quer realização artística, faça pra si, se quer se comunicar com as pessoas, faça pro público. Projeto Verão é um evento de música Pop. Não chega a ser de massa, não atinge o povão, mas atinge boa parte da classe média. Agora me digam, que parcela dessa mesma classe média gosta das músicas da Maria Scombona? Da Patrícia Polayne? É só por falta de visibilidade mesmo? Ou vocês querem mesmo lotar a orla de Atalaia com Ferraro Trio tocando no palco principal? Qual é né? Projeto verão é música entretenimento, coisa que uma banda como Paralamas sabe fazer muito bem, e com qualidade artística, coisa que a maria scombona soube fazer em algumas músicas, coisa que a naurêa fez muito bem e depois estagnou no tempo.
    Teve um evento na sementeira que foi ótimo, não lembro o nome, várias bandas sergipanas de qualidade. Mas as bandas são sergipanas, tocam sempre por aqui. Projeto Verão é pra trazer bandas de fora mesmo. Só concordo que as bandas sergipanas profissionais tem que ser colocadas no mesmo patamar das atrações de outros estados, e o que fizeram com a patrícia polayne foi ridículo. Apesar de gostar de poucas coisas dela, é uma artista local que merece respeito. Mas muitos são amadores mesmo e tem que trabalhar muito ainda pra querer tocar junto dos paralamas.
    E falando ainda em qualidade, são poucas bandas de nível profissional, mesmo sem levar em conta a questão da comunicação com o público. Imagine todo ano ver Chico Queiroga e antonio rogerio, patricia polayne, cataluzes, the baggios, mamutes, plastico lunar, ferraro trio,maria scombona, naurea e mais alguns poucos. Nem mesmo o pessoal que vai religiosamente aos seus shows iria aguentar. Sergipe tem uma produção cultural boa, mas a coisa ta muito incipiente ainda. Veja, talvez o problema de aracaju seja sua virtude. A galera aqui gosta muito de música, fazem coisas bem feitas, mas não atingem um público maior.
    Tem ainda a questão da fantasia de sucesso dos artistas daqui. Acham que vida de músico tem que ser glamourosa, com shows lotados. Mas a realidade é que na própria casa, as bandas sempre tocam em lugares pequenos. Alguns poucos conseguem casas lotadas, sendo a maioria músicos de entretenimento, ou artistas com muitos anos de estrada.
    Só queria deixar claro que em Sergipe já se tornou cultura ficar chorando e reclamando. Reclamando da falta de apoio, do Precaju, reclama-se de tudo. Tem uma galera fazendo, mas tem muita gente chorando. O pessoal que chega de fora e vê a qualidade dos músicos fala sempre isso. Aqui tem bons artistas, mas o povo chora demais. Vão tocar, compor, se não der pra viver de música, vão trabalhar e toquem quando der.
    Parece que os músicos aqui acham que é mágica, basta martelar na cabeça do povo uma coisa que o povo vai acabar engolindo. Vamos martelar música sergipana que o povo vai acabar gostando. Vamos martelar rocknroll setentista retrô feito em Sergipe que o povo vai gostar. Melhor ainda, o povo não gosta de banda de pífano porque banda de pífano não tem visibilidade! Foi-se o tempo em que isso funcionava. Com o acesso a cultura que agente tem hoje, ou o músico se contenta com o público especializado ou parte para a massa. Música não é só música, tem que comunicar com o estilo de vida das pessoas, com o que tá acontecendo. “Ah, mas o que tá acontecendo é porcaria”. Faça porcaria com qualidade. Ou então fique aí, tocando para as mesmas pessoas e chorando na internet.

    Comentário por Bilu — janeiro 26, 2012 @ 3:28 pm
  20. Lembrando aos incautos: EDUCAÇÃO é atribuição delegada pela Consituição Federal ao Estado! ;)
    Comentário por spleencharutos — janeiro 26, 2012 @ 3:33 pm
  21. As bandas sergipanas não “se destacam” porque não têm oportunidade de mostrar seu trabalho pra um publico maior ou não têm oportunidade de mostrar seu trabalho pra um publico maior porque não “se destacam”? qual será o segredo de Tostines?
    Marcio Ferreira, existe um mundo vasto, IMENSO, por aí, além, muito além desse feijão com arroz que você ( e a torcida do Flamengo ) reverencia tanto. Deveria caber ao poder publico mostrar isso ao povo, já que o mercado é sempre regulado pelo apelo comercial puro e simples, mas infelizmente nossos gestores parecem ter caido de vez na vala comum do populismo cultural.
    “Sempre mais do mesmo”, já dizia aquela musica da Legião …
    Comentário por Adelvan — janeiro 26, 2012 @ 3:34 pm
  22. “Faça porcaria com qualidade.” – Bilu, parabéns pela sua elaboradíssima apologia da medocridade.
    Comentário por Adelvan — janeiro 26, 2012 @ 3:40 pm
  23. Mediocridade não Adelvan, realidade. Como eu disse, se não quer ver como funcionam as coisas, fique tocando para as mesmas pessoas e chorando na internet. Tem uma diferença entre como as coisas são e como agente acha que devem ser. “Se você quiser fazer uma música que ninguém nunca ouviu, vai acabar com uma música que ninguém vai querer ouvir” (citação genérica de internet).
    Comentário por Bilu — janeiro 26, 2012 @ 3:47 pm
  24. Já houve um tempo em que Samba era porcaria, em que Rock era porcaria. Vai ver os que criticam o Axé, o Funk, o Forró elétrico, o Arrocha sejam os grandes reacionários de hoje, cumprindo a função dos que antigamente levantavam a bandeira do eruditismo. É um tal de achar ruim tudo que é do povão.
    Comentário por Bilu — janeiro 26, 2012 @ 3:51 pm
  25. E o que é mais engraçado, é a crítica feita ao Samba e ao Rock antigamente, é a mesma feita à música popular de hoje em dia. Samba e rock eram músicas para dançar, assim como Axé, Funk, Forró e Arrocha hoje em dia são música para dançar. Será ainda a velha idéia cristã de que a música tem que ser etérea e que a música para o corpo deve ser evitada? Tem tanta coisa envolvida, não vamos cair na MEDIOCRIDADE e reduzir tudo a dinheiro, porque essa é justamente o pensamento comum, de que o mundo gira em torno de dinheiro.
    Comentário por Bilu — janeiro 26, 2012 @ 3:58 pm
  26. “Se você quiser fazer uma música que ninguém nunca ouviu, vai acabar com uma música que ninguém vai querer ouvir” – se isso não for apologia da mediocridade, é o que ? Bom, deixa pra lá, vou me embora pra Pasárgada (o “underground”), lá sou amigo do rei (meus poucos e bons amigos que produzem musicas “que ninguém vai querer ouvir”)…
    Os dois apologistas do senso comum acima não devem saber e se souberem provavelmente não darão nenhum valor, mas nem todo mundo fica só reclamando e esperando as coisas cairem do céu. Tem gente que vai lá e faz, como nos dois exemplos abaixo:
    http://www.pdrock-sergipe.blogspot.com/2012/01/rota-de-fuga.html
    http://www.facebook.com/pages/Clandestino/161712723939374
    Do It Yourself !!!
    Comentário por Adelvan — janeiro 26, 2012 @ 4:03 pm
  27. O underground é pequeno porque é justamente feito de música que poucas pessoas querem ouvir. Estamos falando de PROJETO VERÃO e não de underground, que conheço muito bem, aliás.
    Comentário por Bilu — janeiro 26, 2012 @ 4:14 pm
  28. ELITISMO. Elitismo maldito, que infesta o nosso mundo e faz com que uma pessoa use um lema punk como DIY pra se vangloriar do seu bom gosto musical, superior à ralé intelectual que só quer pular ao som do Chicletão.
    Comentário por Bilu — janeiro 26, 2012 @ 4:20 pm
  29. rock SEMPRE foi musica pra dançar, também. Depois se multiplicou numa infinidade de variações, algumas, inclusive, etéreas, mas ainda tem muito rock pra dançar por aí, e dos bons – seja batendo cabeça, “pogando” ou sacudindo o esqueleto, mesmo.
    Comentário por Adelvan — janeiro 26, 2012 @ 4:24 pm
  30. Oi Mario e demais,
    Obrigado pelo retorno escrito e por ter nos ajudado a solucionar o problema. Concordo contigo e com Rian a respeito de vários pontos. Infelizmente peguei o barco já bem adiantado e estamos ao mesmo tempo em processo de adaptação e resolução de problemas consequentes de mudanças no planejamento inicial. Sobre o jingle do Verão Sergipe, concordo contigo e acho que esse diálogo precisa ser ampliado para que o evento tenha uma participação expressiva e igualitária entre todas as atrações. Mas quero chamar atenção também que o poder público precisa lidar com um mercado de música em transição violenta e isso reflete nos eventos de muitas formas. Acho esse espaço excelente para comentarmos coisas, mas também acho que precisamos de outro, frente a frente, para construirmos essa gestão da música aqui no estado de forma participativa. Os eventos promovidos pela SECULT é algo que mobiliza bastante, mas não é só isso, música tem muito mais coisa e sei que você sabem disso. Aproveito esse espaço para convidar os interessados que queiram comparecer as reuniões que a SECULT vai estar fazendo com as entidades e agentes da música durante todo o ano com o objetivo de construir pautas comuns dentro da ação da SECULT na área de música. Os interessados em participar, favor mandar e-mail para edezio.aragao@cultura.se.gov.br.
    Comentário por Edézio Aragão — janeiro 26, 2012 @ 4:53 pm
  31. Todo ano é a mesma coisa. Chega verão e todo mundo da palpite. Dai passa o calor da estação e com ele passa também o fervor das cobranças.
    Convido a todos para juntos, focando nas soluções e não nos problemas, pensar coletivamente e durante todo o ano formas e ações para que nas próximas edições de Verão de Sergipe e Projeto Verão as nossas reivindicações sejam atendidas.
    Comentário por Rick Maia — janeiro 26, 2012 @ 5:05 pm
  32. Caríssimo Rian Santos,
    Se “por o dedo na ferida” for isto, então você o fez com maestria!!! Concordo em gênero, número e grau. Perfeito Raio X da situação dos artistas Sergipanos desde sempre, ou melhor, da Cultura Sergipana que está acéfala há muito.
    Por outro lado, quero crer que se os artistas boicotassem este e outros projetos, talvez chamássemos a atenção das autoridades ditas competentes do nosso estado. Aqui tudo é feito de qualquer jeito pra qualquer um, no palco e em baixo dele.
    Não recrimino os artistas e bandas que por ventura participem do referido projeto mas, pelo reconhecimento e peso que tem no meio artístico e fora dele, talvez fosse o caso de “levantar a bandeira” e partir para o front.
    Apesar de não tocar mais, estarei na linha de frente desta batalha onde o vencedor, espero, seja a Cultura no nosso estado.

    Comentário por Ronaldo Heitor — janeiro 26, 2012 @ 5:27 pm
  33. Posição muito bem colocada “Bilu”, sou amiga, admiradora e seguidora de vários artistas sergipanos, e tiro meu chepéu para suas considerações. Infelizmente virou moda reclamar de que não fazem sucesso por falta de apoio do governo, será? Compro os cds e distribuo com alguns amigos que curtem boa música mas que segundo eles “não perdem tempo com os nossos” e sabem o que dizem? “È até que dar para salvar umas duas músicas”…… Realmente achar que produzindo um cd e tocando pra meia dúzia de admiradores/amigos pode lhe garantir espaço em palco principal é piada, aí sim é ridículo. O que precisam de verdade é aprender a REINVINDICAR ao invés de RECLAMAR, mas para isso tem que ter “sustento”, tem que estar seguro e pronto para o desafio. Já vi Reação deixar de tocar inúmeras vezes porque não conseguia nem subir ao palco, e considero uma das melhores bandas e vozes que temos. Falar que estamos cansados das bandas nacionais que vem todos os anos é pura inverdade, faça uma enquete e pergunte quem aprovou a programação do Projeto Verão 2012, pois digo que difícil vai ser excluir O Rappa dela nos próximos anos. Já viu a programação do Festival de Verão de Salvador? Sinceramente, o nosso está muito melhor, não teremos axé, pagode baiano e lá vai, isso já foi no Pré-Caju que é o período para isso. Parabéns FUNCAJU!! E quanto aos nossos músicos sergipanos vamos produzir!!!
    Comentário por Paty — janeiro 26, 2012 @ 5:57 pm
  34. O povo tem o governo que merece, né Paty?
    Comentário por spleencharutos — janeiro 26, 2012 @ 6:21 pm
  35. Rapaz esse blog tá deixando o povo aqui maluco. dizer q Biquini Cavadão é bom e que reciclar músicas batidas e chatas é tá fazendo algo produtivo, tá me zuando!!!
    dizer que axé, forró, arrocha são reacionários, puta merda!!!! é valorizar mesmo o ridículo e dar moral pra um tripanossoma crusis do cumpadre washigton dizer q aqui é o quintal da bahia, vc n se valoriza mesmo né Bilu ???
    rian vc só pecou no frejat q tem um bom trabalho com discos solos legais e um show legal, mas tb tem coisa melhor pra se mostrar.
    e de tudo q eu li aqui e q vcs estão com toda a razão é a eterna choradeira q temos aqui, mas isso tá mudando.
    Comentário por leo — janeiro 26, 2012 @ 7:06 pm
  36. Acho muito bom este desabafo de todos. Realmente é foda a gente ter que tocar na Rua da Cultura de graça para poder participar dos eventos da Secult e Funcaju. Quem não sabe isso em Sergipe? O bom é que os blogs e redes sociais estão divulgando esta quadrilha instalada na cultura de Sergipe. Nossas bandas do interior nem têm o direito de tocar, a não ser que tenha passado pelo crivo do Lindemberg. Eu também quero um Cargo em Comissão no Estado ou na Prefeitura de Aracaju para poder levar a nossa música do interior…
    Realmente cada um tem o governo medíocre que merece.

    Comentário por Cristiano Russo — janeiro 27, 2012 @ 5:42 pm
  37. Deixo a sugestão para trazer em 2013 Criolo, Tom Zé e Roberta Sá. De Sergipe defendo o nome de Vicente Coda. Abraço
    Comentário por Zezito de Oliveira — janeiro 29, 2012 @ 2:06 pm
  38. Pessoal,
    Para formar gosto artístico é preciso formação cultural por meio da escola, por isso há dificuldade de levar gente para apreciar música sergipana. É preciso fortalecer projetos culturais que contemple formação e circulação. Sei de poucos projetos que contemplam circulação nas escolas e menos ainda de criação/produção.
    Outro fator importante, são políticas públicas de fomento a produção e circulação de CDs e DVDs, tanto dos novos, como de resgate de gravações de artistas falecidos como Irmão, João Melo, Ismar Barreto e José Augusto Sergipano. Isso forma público e fortalece os que gostam/curtiram os artistas citados.
    Como ação voltada para a formação e difusão de música sergipana, não entendo porque a SECULT não retorna o projeto “prata da casa”, alguns de vocês tem idéia do que se trata, um modelo tipo “Pixinguinha” somente com artistas locais.
    Por último, a questão da comunicação é importante, graças ao modelo de programação do sistema aperipê de rádio e televisão, estamos tendo acesso a música sergipana, como antes nunca visto. Todavia, a programação da FM UFS lembra os tempos da velha FM Aperipê. É preciso que os coletivos e fóruns de cultura pautem a discussão sobre a “confusa” e “ataboalhada” programação da UFS FM.
    Não se esqueçam dos parlamentares sergipanos, não vi ninguém nas redes sócias propor uma conversa dos coletivos e fóruns com eles para discutir a questão das emendas parlamentares, considerando ser esse o principal sustentáculo financeiro do PRÉ-CAJU e que precisam contemplar outras iniciativas.
    Para quem quiser aprofundar o tema produção cultural na escola, recomendo:

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pinheirinho: Naji Nahas, Alckmin, imprensa e polícia contra 7 mil moradores pobres

Pinheirinho: Naji Nahas, Alckmin, imprensa e polícia contra 7 mil moradores pobres

“O Brasil é afetivo, encantador, violento e tenebroso”

Para Maria Rita Kehl, o importante é que quem está se mobilizando tenha inteligência política suficiente para saber que pontos políticos podem mobilizar

Fonte: Brasil de Fato


26/12/2011
Áurea Lopes
de São Paulo (SP)

Dois pesos: a psicanálise e o jornalismo. Foi a partir dessa parruda união de forças e percepções que Maria Rita Kehl produziu as crônicas de sua mais recente obra, entre muitos escritos em outros livros e jornais – incluindo o artigo que resultou na escandalosa suspensão de sua coluna no jornal O Estado de S. Paulo por ter defendido políticas do governo Lula, quando o jornal (que faz campanha contra a censura) apoiava o candidato à presidência José Serra.
“Eu até gostaria de fazer crônicas mais literárias, mas os temas da atualidade acabam me roubando... e é pra isso que eu vou”, diz a intelectual, que nesta entrevista exclusiva ao Brasil de Fato fala sobre “as dores do Brasil”, eixo agregador dos temas abordados em "18 crônicas e mais algumas", publicação da Boitempo Editorial lançada em novembro.
Indignada com o descaso dos governos e a indiferença da população diante das mazelas sociais (“restos não resolvidos de 300 anos de escravidão”), Maria Rita fala sobre o engajamento dos jovens nas lutas populares (“ainda é pouco”), a violência policial (“resultado de uma ditadura que termina impune”) e afirma que os recursos para aplacar as dores do país estão na militância: “É hora de fazer política”.
Brasil de Fato – Uma frase que do seu último livro que chamou muito a atenção e teve grande repercussão foi “O Brasil dói”. A pergunta inevitável é: quais as dores do Brasil que você considera mais preocupantes?
Maria Rita Kehl – Bem, não que seja uma frase genial, ao contrário, acho até banal. Mas talvez tenha chamado tanto a atenção porque corresponda ao sentimento de muita gente. A dor que o Brasil sente eu já intuía, mas aprendi com o meu ex-companheiro, o historiador Luís Felipe Alencastro, que é um estudioso da escravidão no Brasil. Uma parte do que se chama de um difuso mal estar tem a ver com os restos não resolvidos politicamente de 300 anos de escravidão. Quer dizer, não há explicitamente uma política de segregação no Brasil, mas nunca houve uma abolição, de fato. A abolição se deu porque economicamente o sistema já estava falido.
A escravidão acabou assim, com miséria, com os escravos chutados dos lugares, ganhando subsalários. Mas não houve nada para proteger essas populações, que foram jogadas nas ruas, sem trabalho, sendo tratadas do mesmo jeito que antes porque a cor da pele não muda... e marcou durante décadas os escravos. Demorou muito para o negro ser visto como um trabalhador livre, como qualquer outro. E mesmo hoje, acho importantes as políticas públicas feitas no governo Lula e no governo Dilma, mas embora não haja preconceito explícito, que agora é ilegal, há, sim, diferenças.
Outra coisa que dói, para pegar aquilo que me atinge, é a forma como a ditadura militar acabou. Igualzinho. De repente acabou, porque estava inviável mesmo... e não tem reparação, não tem investigação, julgamento de quem torturou, de quem matou... crimes de Estado ficaram impunes. Hoje há um movimento mais importante para tentar fazer alguma coisa, com muito esforço, conseguiu- se uma tímida comissão da verdade. Mas a indiferença da população é enorme. E dói também o desamparo de uma parte da população, quando tem inundação, quando desaba um morro... e você vê o modo como a verba pública é desviada, os mistérios não cumprem suas funções.... é isso que dói.
Como essas “dores” atingem, em particular, os jovens? Quais as perspectivas de futuro para que as novas gerações mudem esse cenário? O acesso à educação aumentou, mas e as oportunidades de trabalho?
Pelo que eu vejo nas minhas viagens pelo país, o ProUni (Programa Universidade para Todos) – que foi tão criticado, as pessoas diziam que o governo estava fazendo a privatização do ensino, o que não é – abriu uma perspectiva enorme. Em 2008, por exemplo, eu viajei por uma região do rio São Francisco. Todo mundo que a gente conversava tinha um parente na universidade ou estava na universidade. Isso quer dizer que o cara vai ser um doutor, contratado por um alto salário de uma companhia? Não. Mas significa que a visão de mundo dele vai melhorar, o status dele para emprego vai melhorar. Se vai ter emprego, ou não, não dá pra saber. E o mais importante é que isso revela um interesse desse jovem pelo estudo. Eu lembro, em Barra de São Miguel (AL), o garçom dizendo “eu quero estudar história e meu irmão, filosofia”. O que isso vai melhorar na renda dele de garçom? Não tão grande coisa. Mas a visão de mundo será outra. Então, eu acho que melhorou, mas ainda falta muito.
Como você a participação política dos jovens, hoje?
Acho que hoje há um distanciamento. Como havia antes. Na época da ditadura, a gente pensava que todo mundo estava dentro porque a gente estava dentro. Mas era uma minoria de estudantes, uma minoria de militantes. Eu acho, por exemplo, que o MST é o único movimento que atrai os jovens, hoje, inclusive os de classe média. Os partidos não atraem, a política não atrai, a política estudantil está tendo agora um crescimento, que eu acho importante, mas está minguada, comparando-se ao que já foi. Então, tem gente que diz que o jovem de hoje não está interessado em mudar o mundo. Não parece. Uma porção de jovens de classe média apoia o MST, milita, vai trabalhar lá... até mora embaixo da lona preta.
É como na minha geração. Claro, os estudantes estavam nas ruas... mas quem foi lutar? Uma minoria. As pessoas estavam adorando que o Brasil estava se tornando uma sociedade de consumo. A grande maioria, enquanto teve o milagre brasileiro, estava indo para os shoppings.
Talvez o que aconteça hoje, como não existe a ditadura, é que os jovens se envolvam em vários tipos de militância. A militância ecológica agrega muita gente. E não que eles tenham uma visão de esquerda, anticapitalista, revolucionária... talvez não tenham. Mas eles estão interessados na discussão política do meio ambiente. Porque está mais perto, é mais fácil de compreender, exige menos debate teórico, não sei por quê... mas esse é um campo de militância do jovem. Assim como as lutas pelos direitos individuais, antirracistas, por reconhecimento de homossexuais... Agora, essas lutas são fáceis do capitalismo absorver. A luta anticapitalista no Brasil ainda é confusa. O MST é uma exceção. Nessa crise, por exemplo, um grupo de estudantes acampou no Anhangabaú (Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo), tentando fazer algo como o que aconteceu em Wall Street, nos Estados Unidos. Mas aqui não tem efeito nenhum. Basta a imprensa ignorar e a polícia intimidar que o assunto não existe.
E não precisa muito para a polícia, principalmente a de São Paulo, “intimidar”. O que significa: partir para a pancadaria?
Olha, não existe mais um Doi-Codi aqui em São Paulo. Mas a polícia paulistana é tão violenta quanto. Mata, tortura e há uma indiferença da sociedade em relação a isso. Esse movimento que houve agora na USP não era, como muitos colunistas de jornal falaram, um movimento de jovenzinhos mimados. Eles estão lutando contra a falta de direitos. É confuso, evidente, porque não ter polícia no campus é controverso, pois teve até assassinato lá... Mas a questão é o modo como a polícia age. Não tem uma passeata que não seja dissolvida com porrada, gás de pimenta, cassetete... São Paulo, nesse ponto, é o estado mais conservador do país. E o que me assusta é que a violência é grave e a sociedade fica indiferente. No período militar, tinha uma parte da população que era indiferente também. Tinha uma parte que até apoiava a violência, achava ótimo que apanhassem os comunistas. Mas também tinha uma parte que não apoiava a violência, que não estava indiferente, mas que tinha medo. Hoje não é pra ter todo esse medo de se manifestar. Tudo bem, a polícia pode chegar, jogar gás de pimenta... mas pouca gente se manifesta. Na última passeata na avenida Paulista, não sei se foram uns 3 mil estudantes, mas é pouco. Podia ter uma passeata de 50 mil.
A violência – e a indiferença da sociedade – são mais marcantes no campo, onde a luta de classes é mais selvagem?
A região do agronegócio é um assunto à parte. No livro O que resta da ditadura, uma série de ensaios publicados pela editora Boitempo – esse livro vale ser citado, o leitor que puder deve ler – faz uma análise exatamente disso. Como uma ditadura que termina sem nem um tipo de investigação, de punição, deixa muitos restos. Tem um dado de uma pesquisadora estadunidense que diz que o Brasil, de todos os países que passaram por uma ditadura na América Latina, é o único onde a violência policial aumentou, em vez de diminuir. Só que não é mais contra estudantes, não é mais contra supostos subversivos... é contra pretos, pobres, favelados, contra gente fumando maconha, é o cara do exército que se acha desacatado pelo menino do morro...
A violência de classe no Brasil sempre existiu. Sérgio Buarque de Holanda nos mostrou o que os donos dos escravos faziam dentro de suas terras, por conta própria, a crueldade com os escravos... e a polícia não entrava. O fazendeiro, o senhor de engenho, dentro do seu pequeno feudo, fechado, era rei, policial, juiz. E o Estado não invadia, por uma questão de conluio. O pacto de classes no Brasil colonial e pós-colonial permitia, por exemplo, que o pai de família rural prendesse a filha desvirginada no quarto pro resto da vida... Sem falar nas revoltas populares que foram massacradas durante o período pré-independência. E a gente aprende na escola que a independência se deu sem sangue, dom Pedro lá, bonitinho, no cavalo... Por isso que eu coloquei no meu livro que o Brasil é afetivo, encantador, violento, tenebroso.
A que causas você atribui o aumento da violência?
Eu não sei analisar se a violência está aumentando. O que me preocupa mais, como disse, é a indiferença das pessoas em relação à violência. O que talvez esteja mais acentuado, e eu acho que isso tem a ver com os apelos da sociedade de consumo, é a violência dita banal. A violência que tem a ver com o jovenzinho que para no farol e começa a disputar com o outro quem põe o som mais alto, e acaba em racha, e acaba em tiro... e atropela gente que não tem nada a ver com isso. A violência do sujeito que acha que para se incluir tem de ostentar algum tipo de poder que lhe é conferido por uma mercadoria. Então ele pode matar para roubar um tênis, ou, quando ele consegue um carro, tem que ir até o limite de velocidade e arrisca as pessoas, não agüenta um pequeno confronto de trânsito e já sai para brigar. É o modo como nós estamos cada vez mais definindo quem nós somos, a nossa qualidade humana, pelas mercadorias e as disputas que isso promove.
E olha que interessante... no tempo do império, a segregação pelos signos de poder era tremenda. A roupa que cada um podia usar, o tecido que podia comprar, se andava de carruagem ou de cavalo... Ou seja, a segregação pelo que você pode ter existe em toda sociedade de classes. E talvez já tenha sido até mais forte. Muito poucos podiam ostentar ou desfrutar de benefícios e privilégios e a maioria não desfrutava nem de direitos. Os direitos estão se expandindo.
Inclusive o direito a integrar a sociedade de consumo.
Isso é curioso. Há um ponto includente, na sociedade de consumo. Por exemplo, a não ser que seja um garoto que só compra roupas de marcas importadas, não tem muita diferença entre o que usa um filho de família de classe média e o filho da empregada dessa família. Essas evidências eram muito mais fortes antes, havia menos mercadoria quando as roupas eram muito caras. Talvez por isso é que as pessoas briguem com mais violência por aquilo que as distingue. O filhinho de papai porque tem outro cara com um carrão e ele quer se sobressair. Ou o jovem de classe C, que pode comprar seu primeiro carro, e de repente acha que pode sair perseguindo os outros... Eu digo carro porque, dentro da sociedade de consumo, a propaganda de carro eu acho um horror! Na propaganda de bebida, o máximo que pode ter de segregação é: você comprou a marca X porque não sabia que a marca Y era melhor, então você é um otário. Mas a cerveja qualquer um tem dinheiro pra comprar. Agora, o carro... o cara passa com o carro e todo mundo fica babando a pé... o flanelinha disputa com o outro o direito de guardar o carro do playboy... o cara adora provocar inveja... o carro lhe basta, o mundo pode estar caindo lá fora... é o máximo da convocação para você não ter nenhum tipo de solidariedade com ninguém.
Uma apologia ao individualismo? E, daí, a indiferença em relação ao coletivo?
Um pouco isso. Mas temos de ver que o individualismo tem suas vantagens. Por isso eu não usei essa palavra. Por exemplo, o individualismo que tem a ver com liberalismo eu acho que traz ganhos mesmo na sociedade pós-capitalista, que eu não vou chamar de comunista, mas talvez de socialista, no sentido amplo. Eu espero que esses direitos individuais não se percam. Nós, que somos mulheres, sabemos os ganhos que tivemos com o individualismo. Que cada um possa escolher seus destinos, que cada um possa fazer suas opções sexuais, decidir se vai formar família ou não, que se possa ser mãe solteira, ser mãe por inseminação artificial, não ser mãe... sem ser a escória da sociedade! Que gente rica possa escolher trabalhar com o MST ou ir para comunidades indígenas na Amazônia. A riqueza das diferenças individuais é um ganho do capitalismo liberal, que a gente chama de individualismo. Ao mesmo tempo, o individualismo é nefasto quando lança as pessoas em uma luta de todos contra todos.
Os brasileiros e a sociedade brasileira têm recursos para trabalhar as “dores” do Brasil?
Sim, sem dúvida. Políticas públicas são saídas possíveis, mas precisa haver movimento social que pressione por essas políticas. Uma coisa que talvez tenha sido um problema no governo Lula é que muita gente que se mobilizava até então se sentiu assim: “ah... conseguimos eleger o Lula e as coisas vão acontecer”. Houve uma desmobilização e o próprio estilo de governar do Lula contribuiu para isso. “Deixa que eu cuido... calma, gente, as coisas não podem ser tão rápidas...” Esse estilo de governar eu acho um problema, politicamente. Embora ele tenha sido um grande governante do ponto de vista administrativo. Mas, politicamente, ele se colocar como um “pai” – aí vem aquela história... a gente não pode sempre dizer sim para os filhos. Enfim, ele ajudou muito a desmobilizar. Tudo bem, o papel dele não era mobilizar. Mas era acolher a mobilização. E tem também o crescimento econômico, que desmobiliza. Houve a inclusão econômica de muita gente, pelo menos da classe C, que contribuiu também para desmobilizar. As pessoas se interessam menos pelas outras lutas na hora em que elas começam a ter oportunidades individuais. Começam a cuidar de suas vidas, a fazer suas revoluções individuais. De um modo geral, as pessoas lutam muito pouco por idealismo. E, na maior parte das vezes, só quando a água bate no pescoço. Aí é que acontece a grande luta. O importante é que quem está se mobilizando tenha inteligência política suficiente para saber que pontos políticos podem mobilizar, como é que se dialoga com a sociedade mobilizada. Para articular, para angariar aliados. Senão ficam pequenos guetos de manifestações que ou são reprimidos ou não falam com ninguém. A questão toda, na essência, é fazer política.

Serviço
Título: 18 crônicas e mais algumas
Autora: Maria Rita Kehl
Editora: Boitempo Editorial
Páginas: 160
Preço: R$ 30,00


Dois Pesos
(Trecho do artigo que causou o cancelamento da coluna de Maria Rita Kehlno jornal O Estado de São Paulo)
“Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos instruídos pensavam nos interesses do país. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano. Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do país, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.”

Trechos do livro
Os vira-latas do Bumba

“No morro do Borel, 150 pessoas – somente desabrigados e seus familiares– fazem protesto contra a precariedade de sua condição e exigem a presença do poder público. Manifesto do Comitê de Mobilização e Solidariedade das Favelas de Niterói critica a especulação imobiliária que expulsa as famílias pobres dos bairros para as encostas e contribui para a deterioração do meio ambiente. E exige ‘... compromissos com os problemas públicos, que nos respeitem como cidadãos e seres humanos’. Não faltarão autoridades para acusar os poucos que se mobilizam para protestar de politizarem a questão. Uai: mas a questão não é política? Querem que acreditemos que viver sobre um velho lixão (há 17 mil pessoas emc ondições semelhantes na Grande São Paulo) é uma situação... natural? Nós somos os derrotados que não conseguem chorar. Vivemos, todos, sobre uma espécie de lixo mal soterrado. Antigamente se chamava entulhoautoritário. Somos o cachorrinho do morro do Bumba, salvos por um triz, sem entender o que temos a ver com aquela bagunça toda.”
Tortura, por que não
“Encaremos os fatos: a sociedade brasileira não está nem aí para a tortura cometida no país, tanto faz se no passado ou no presente. Pouca gente se manifestou a favor da iniciativa das famílias Teles e Merlino, que tentam condenar o coronel Ustra, reconhecido torturador de seus familiarese de outros opositores do regime militar. Em 2008, quando o ministro da Justiça Tarso Genro e o secretário de Direitos Humanos Paulo Vanucchi propuseram que se reabrisse no Brasil o debate a respeito da (não) punição aos agentes da repressão que torturaram prisioneiros durante a ditadura, as cartas de leitores nos principais jornais do país foram, na maioria, assustadoras: os que queriam apurar os crimes foram acusadosde ressentidos, vingativos, passadistas. A culpa pela ferocidade da repressão recaiu sobre as vítimas.”
Tristes trópicos
“A concentração de terras e a produtividade do agronegócio, boas para enriquecer algumas poucas famílias, não são necessárias para o aumento da riqueza ou para sua distribuição no campo. Nem para alimentar os brasileiros. A agricultura familiar – pasmem: emprega mais, paga melhor e produz mais alimentos para o consumo interno do que o agronegócio. Verdade que não rende dólares, nem aos donos do negócio nemaos lobistas do Congresso. Mas alimenta a sociedade. Vale então perguntar quantos brasileiros precisam perder seus empregos no campo, ser expulsosde seus sítios para viver em regiões já desertificadas e improdutivas,quantas gerações de filhos de ex-agricultores precisam crescer nas favelas, perto do crime, para produzir um novo-rico que viaja de jatinho e manda a família anualmente pra Miami. Quanto nos custa o novo agromilionário sem visão do país, sem consciência social, sem outra concepção política senão alimentar lobbies no Congresso e tentar extinguir a lutados sem-terra pela reforma agrária”