CANAL DA AÇÃO CULTURAL

Loading...

PROJETO JORNADA ECOLOGIA E ESPIRITUALIDADE


  Projeto II Jornada Ecologia e Espiritualidade - Edição 2012 é aprovado

O projeto II Jornada Ecologia e Espiritualidade foi aprovado pelo Conselho Gestor do Fundo Nacional de Solidariedade. Confira  lista, aqui

Embora tenha sido aprovado com um valor menor do solicitado, R$5.100,00 ao invés do  R$7.000,00 solicitado, fica  garantido o custeio do principal que é o cachê do assessor/artista,  Zé Vicente,  passagens aéreas e estadia. O custo de som e a cobertura fotográfica/ vídeográfica foi uma das contrapartidas oferecidas  pelo ponto de cultura "Juventude, Cultura e Cidadania"  que  contará com equipamentos apropriados.

Para cobrir as demais despesas que foram cortadas, como material  de divulgação e etc. buscaremos outras parcerias.

Mais...
 Zé Vicente será o assessor/artista convidado


O olhar do Pe. Soares sobre a primeira reunião preparatória da segunda jornada ecológica. AQUI

 

A vida no planeta

Depois da RIO + 20 parece que certo desânimo tomou conta de algumas organizações que lutam pelo meio ambiente. As decisões foram tímidas e a sociedade organizada se pergunta: até quando conviveremos com tanta incerteza? Os próximos meses e anos com a insistência da "crise econômica" na Europa não oferece a humanidade grandes esperanças. O momento é deveras delicado. Num texto emblemático Leonardo Boff aponta:

"Depois das crises que afligem toda a humanidade, particularmente a do aquecimento global, da insustentabilidade do planeta Terra e ultimamente da econômico-financeira, atingindo o coração dos países opulentos, o crescimento do fundamentalismo e a permanente ameaça do terrorismo, os cenários dramáticos que muitos analistas sérios desenham para o próximo futuro da Terra, da Humanidade, da vida[1] ...", completamos, não são animadores. A primazia do econômico sobre o social tem sido a grande mazela da nossa civilização ocidental.

As futuras gerações terão um papel fundamental na disputa pela sustentabilidade do planeta. O sistema necrófilo que alimentamos após a Revolução Industrial, precisa mudar rapidamente. Quem da nossa geração - década de 1960 - não se lembra dos engajamentos sociais e políticos durante a ditadura militar no Brasil? Quem não recorda a formação de uma base utópica em meio às religiões e a sociedade da época? Bons tempos. Só que, passaram. O crivo de análise é outro. O subjetivismo exacerbado que vivemos hoje nos aproxima incomensuravelmente da indiferença e da negação do outro. É preciso rever esse quadro.

Nossa geração necessita de uma marca indelével para substituir a depredação do meio-ambiente. E, em coisas pequenas e simples podemos mudar. Tomar atitudes que revelem o lado místico e mistérico de homens e mulheres mais espiritualizados. Esse combate já se iniciou e com palavras motivadoras, Boff nos apresenta esse caminho como essencial:

"Do capital material somos forçados passar ao capital espiritual. O capital material tem limites e se exaure. O espiritual, é infinito e inexaurível. O capital espiritual feito de amor, de compaixão, de cuidado, de criatividade, realidades intangíveis e valores infinitos que não há limites[2] "
Na comunidade eclesial e com a ONG Ação Cultural, queremos esse ano dá mais um passo na conquista desse equilíbrio entre o ser humano, a natureza e a vida de fé sem limites. Estamos preparando para setembro a II Jornada Ecologia e Espiritualidade com Zé Vicente. Venha e some-se a nossa luta e ardente desejo de justiça, solidariedade equilíbrio ambiental e espiritual.

José Soares de Jesus

 

Justiça e Beleza se abraçam na obra de Zé Vicente.  


Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
21/12/2008 ·
Em 1968 Gilberto Gil, através da composição Procissão, afirmou: “Eu também tô do lado de Jesus, No entanto, acho que ele se esqueceu de dizer que na terra a gente tem que arranjar um jeitinho pra viver" .

Certamente ele não havia tido contato com os pensamentos e ações de centenas de religiosos cristãos (bispos, padres, freiras e leigos) que, no final da década de 60, atuavam de forma discreta para tornar possível o sonho de transformar este mundo em
“festa, trabalho e pão” como disse o compositor e parceiro tropicalista Capinam.

Provavelmente, ao mergulhar nas brenhas e veredas do Brasil, a partir de 2002, Gilberto Gil como ministro, pôde perceber os frutos maduros plantados por tantos cristãos, que nem sempre precisaram romper de forma radical com as estruturas religiosas, como o
Padre Nando, do romance Quarup, de Antonio Calado.

Estes resultados, em termos de ação cultural, estão materializados em milhares de artistas e iniciativas socioculturais que foram alimentados no passado e ainda um pouco nos dias de hoje, pelo compromisso com as mudanças socioestruturais por parte da igreja católica no Brasil.


Quem se der ao cuidado de pesquisar este assunto a fundo, irá se deparar com uma significativa quantidade de
artistas populares e intelectuais orgânicos que iniciaram suas trajetórias na seara de tantas comunidades cristãs de base.
Leia mais:

http://www.overmundo.com.br/overblog/justica-e-beleza-se-abracam-na-obra-de-ze-vicente


 Leia também o release 01 do Zé Vicente, AQUI

Leia sobre o  Sertão Vivo, projeto idealizado e realizado por uma equipe liderada por Zé Vicente. AQUI

O olhar de Zé Vicente sobre a Romaria dos Mártires da Caminhada em Conceição do Araguaia. AQUI



 Ecologia com arte e com as tradições espirituais.  

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
17/9/2012 ·
O mundo vive uma crise ambiental sem precedentes, e as recentes e constantes tragédias climáticas são o retrato visível dessa realidade.

A causa fundante dessa situação é o sistema capitalista predatório e excludente, cujas origens mais distantes no tempo estão ligadas aos primórdios da revolução industrial, que teve início no século XVIIII, embora haja quem defenda que se pode retroceder ao século XV, com o mercantilismo, para localizar as origens de tanta barbárie.

Nos dias de hoje, o capitalismo tornou-se muito mais que um sistema econômico, fortalece-se porque está cada vez mais integrado ao sistema de valores, de significado e de sentido que mobiliza corações e mentes de bilhões de pessoas no mundo inteiro, em especial por meio da publicidade que visa o consumo insano e inconsequente dos bens naturais, tanto em sua forma primária, quanto na industrializada.

Dessa forma, o capitalismo é também um sistema cultural, notadamente nestes tempos da chamada revolução pós industrial, cuja base de exploração e de consumo está cada vez mais alicerçada na produção do conhecimento, dos símbolos e do imaginário individual e coletívo.

Neste sentido, a dimensão cultural é um componente fundamental para compartilharmos informações e conhecimentos com vista à apresentação de outras formas de nos relacionarmos, de produzirmos e consumir, almejando a superação da cultura que tem na ideologia capitalista a sua base de sentido e significado.

As grandes tradições espirituais têm um tesouro inesgotável de informações e conhecimentos que podem ser obtidos por aqueles que se preocupam com a superação do modo de produção capitalista não apenas por meio de grandes sistemas de idéias e ações baseadas na razão, mas também por meio de reflexões, experiências ou vivências relacionadas a outros sistemas de idéias, valores, ou comportamentos, que estão registrados nos modos de viver, nas memórias escritas e nas obras literárias e artísticas de muitas instituições, comunidades ou grupos religiosos espalhados pelos cinco continentes.

O Cristianismo tem referenciais muito importantes neste aspecto: um deles é na pessoa de São Francisco de Assis, um homem com idéias e atitudes atemporais, ou seja, que valem para qualquer tempo.

Outras referências importantes neste sentido podem ser redescobertas não apenas no comportamento de pessoas como São Francisco, mas também nos modos de pensar e agir contidos na bíblia e nos escritos e atitudes de homens e mulheres, tanto da igreja católica romana, quanto das ortodoxas orientais, e das igrejas surgidas com a reforma protestante, iniciada por Martinho Lutero.

A espiritualidade de matriz indígena, africana e oriental também detêm um manancial de riquezas muito grande na perspectiva defendida acima e cada vez mais atraem a atenção de pessoas e setores que tem compromisso com a causa ambiental.

Como elemento fundamental no avanço e consolidação do chamado para a realização das jornadas “ecologia e espiritualidade”, citamos a criação artística, pois os artistas são as antenas da raça, na feliz expressão do escritor Ezra Pound.

Dessa forma, a produção artística tem sido outro manancial importantíssimo de informações e conhecimentos para a compreensão da necessidade de mudarmos nossas ideias, valores e hábitos, que alimentam o monstro que devora a todos e a tudo e, consequentemente, ameaça a permanência da espécie humana (ou da vida) no planeta terra.

Um desses artistas é Saint-Exupery, que afirma no livro “O Pequeno Príncipe” que o essencial é invisível aos olhos. Portanto, mergulhemos nos mistérios de nossas tradições espirituais e busquemos redescobrir em nosso acervo artístico, inclusive em nosso próprio potencial de criação interior, as fontes para descobrirmos ou redescobrirmos aquilo que é mais sagrado, o que é essencial.

Para ajudar nesta tarefa, teremos no inicio da primavera de 2012, em Aracaju, a participação de Zé Vicente, missionário, cantor , compositor, músico, educador e ecologista, definido pelo site MPBnet da seguinte maneira: "Um apaixonado por seu povo, sua terra, pátria, planeta, suas raízes sagradas. Através de Shows e das Oficinas de Arte-Vida, Zé Vicente vai sensibilizando pessoas com sua poesia e música criativa , em sintonia permanente com as grandes causas humanas, sociais e ecológicas do nosso tempo.”

Pode chegar quem estiver sentindo a necessidade de trilhar por este caminho, seguindo as pegadas de muitos homens e mulheres que estão fazendo o mesmo, em diversos lugares do mundo, como ocorreu recentemente no Rio de Janeiro, por ocasião da Cúpula dos Povos na Rio+20.

Para saber mais detalhes sobre a Edição 2012 da Jornada Ecológica, acesse:
AQUI

Leia o artigo "Justiça e Paz se abraçam na obra de Zé Vicente". AQUI

Leia também:

INTEGRIDADE DA CRIAÇÃO PARA OS RELIGIOSOS(AS) HOJE. AQUECIMENTO GLOBAL E MUDANÇA CLIMÁTICA.

AQUI

Baixe e ouça um dos primeiros gravados por Zé Vicente em parceria com Babi Fonteles.
emCANTO. AQUI

2ª Jornada Ecologia & Espiritualidade Edição 2012  

de 21/9 a 23/9 · Aracaju, SE


Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
12/9/2012 
Estamos na reta final para a realização da 2ª Jornada Ecologia & Espiritualidade (21 a 23 de Setembro) – JE2012.

A nossa esperança é que possamos ampliar os resultados e corresponder a algumas expectativas despertadas durante a realização da JE -2011. Uma delas diz respeito à necessidade de ampliação do número de participantes.

Esta constatação foi feita pelos participantes da JE -2011, que se surpreenderam com as condições e oportunidades criadas naquele momento para a discussão de uma abordagem integral ou sistêmica que oriente a vivência de metodologias de educação criativa, pouco comuns em processos de formação e de mobilização em nosso Estado.

Esta é uma das razões mais importantes na motivação do grupo formado por cerca de 7 agentes sociais e culturais que, desde abril, se reúnem na paróquia São Pio X, em Aracaju, para organizar mais uma jornada “ecologia e espiritualidade”.

Lembrando as palavras de Jesus Cristo: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.”

Que venham à JE-2012 todos os que estão em busca da unidade perdida ou, em outras palavras, querendo combinar fé e compromisso sociotransformador, luta e prazer, razão e emoção, trabalho e alegria, pão e poesia, preservação da natureza e atendimento às necessidades humanas essenciais, e, ainda, harmonizar politica e estética.

Convidem aqueles que estão inquietos, indignados e que sentem que é preciso mais coragem, criatividade e generosidade para nos relacionarmos em busca da unidade com todos os seres da criação, tendo como objetivo a superação da crise em que a humanidade está mergulhada em decorrência do modelo capitalista predatório e excludente, que neste início do século XXI se fortalece por estar incorporado aos símbolos, valores e sentidos que alimentam mentes e corações de amplas parcelas da população.

Ainda há tempo!! Como diz o rapper Criolo, em uma de suas músicas: “Ainda há tempo!!”

Por esses motivos, estamos lançando a campanha de divulgação da JE - 2012, que teve inicio com a distribuição de panfletos às centenas de pessoas que participaram da celebração do Grito dos Excluídos, realizada na manhã de 7 de setembro de 2012.

A programação da JE-2012 será composta de palestras e oficinas, noite cultural (show musical, apresentações artísticas e roda de danças circulares) e exposição e venda de comidas, CDs, livros e artesanato.

A assessoria da JE 2012, estará a cargo do missionário, cantor , compositor, músico, educador e ecologista Zé Vicente, definido pelo site MPBnet da seguinte maneira: "Um apaixonado por seu povo, sua terra, pátria, planeta, suas raízes sagradas. Através de Shows e das Oficinas de Arte-Vida, Zé Vicente vai sensibilizando pessoas com sua poesia e música criativa , em sintonia permanente com as grandes causas humanas, sociais e ecológicas do nosso tempo.”

Também na assessoria contaremos com a presença do Padre Isaias e Marlene Ribeiro. (Diocese de Propriá).

Esperamos contar com a colaboração de vocês, compartilhando no facebook, blogs, twitter e outras mídias, as imagens, textos e músicas de divulgação que serão postados nestes dias que antecedem à realização da JE-2012.

Leia também: Justiça e Beleza se abraçam obra de Zé Vicente.

 Inscrições abertas para a 2ª Jornada Ecologia e Espiritualidade em Aracaju.

2ª Jornada Ecologia e Espiritualidade 2012
21 a 23 de Setembro
Realização: Ação Cultural e Paróquia São Pio X
Patrocinio: Fundo Nacional de Solidariedade/Cáritas Brasileira/CNBB
Apoio: Arquidiocese de Aracaju, Paulinas, Rádio Cultura, Gráfica Farias, Instituto Federal de Ensino e Centro Educacional Futuro Feliz
 FICHA DE INSCRIÇÃO
Sol de Primavera (Beto Guedes)

“Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou,  juntos outra vez
Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar”


           O projeto da II Jornada Ecologia e Espiritualidade (JE), busca articular e contribuir no processo de formação politico pedagógica de uma rede de ativistas e educadores ambientais que considerem de forma integrada, a arte, a cultura, a ciência, a  educação popular e o conhecimento bíblico como bases metodológicas e éticas para a compreensão e comprometimento com as causas ambientais nos tempos atuais.
          O projeto é direcionado para agentes e animadores de comunidades, pastorais e movimentos religiosos, além de educadores, agentes culturais e  lideres de comunidade e de  movimentos sociais.
          O projeto será realizado por meio de atividades que já começaram com a avaliação da I Jornada Ecológica em 2011, prosseguindo com a realização de reuniões mensais de planejamento e encaminhamento. A JE ocorrerá no período de 21 a  23 de setembro de 2012 no auditório do Instituto Federal de Ensino (21/09 - abertura-19 horas -) e Centro Pastoral anexo à Paróquia São Pio X, localizada à Av. Visconde de Maracaju, s/n°, bairro 18 do Forte, em Aracaju. (22/09 – 8 ás 17horas e 19h30 ás 24 horas) e (23/09 – 8 ás 12 horas)
          A programação da JE-2012 será composta de palestras e oficinas, noite cultural (show musical, apresentações artísticas  e roda de danças circulares) e exposição e venda de comidas, CDs, livros e artesanato.
         A assessoria da JE 2012, estará a cargo do  missionário, cantor , compositor, músico, educador e ecologista Zé Vicente, definido pelo site MPBnet da seguinte maneira: "Um apaixonado por seu povo, sua terra, pátria, planeta, suas raízes sagradas. Através de Shows e das Oficinas de Arte-Vida, Zé Vicente vai sensibilizando pessoas com sua poesia e música criativa , em sintonia permanente com as grandes causas  humanas, sociais e ecológicas do nosso tempo.”
Também na assessoria contaremos com a presença do Padre Isaias e Marlene Ribeiro.  (Diocese de Propriá).
Nome completo:__________________________________________________
Nome para o crachá:____________________________________________________
Endereço completo: _____________________________________________________________________
Bairro:__________________________________ Cidade: _______________________
CEP:_______________Data de Nascimento: ________________Sexo:____________
Tels: Residencial:______________________Celular:______________________
E-mail:________________________________________________________________
Trabalho Profissional: ___________________________________________________
Religião:___________________________Igreja:______________________________
Entidade/Movimento/Organização: _____________________________________________________________________
Em que atividade religiosa, eclesial, do movimento social, sindical, político, cultural, você participa atualmente??_________________________________________________________
 Que responsabilidade você tem neste trabalho?____________________________________
____________________________________________________________________________
Taxa de Inscrição: R$ 10,00(sem almoço) (  )  Com almoço R$15,00 (no sábado e Domingo) (   ).  
Data de Inscrição: ______/______/______  
Conta para depósito identificado: Associação Cultural – Banco do Brasil -Ag. 2611-5 C/C  27.014-8. No caso de depósito bancário será necessário informar ao secretariado geral do evento através de e-mail e/ou telefone.
Contato: (79) 8107-3513 (Bel) – 8864-5927 (Zezito) – 9836-1945 e 3241-8972 (Irene).


http://acaoculturalse.blogspot.com.br/p/jornada-ecologia-e-espiritualidade-em.html
VAGAS LIMITADAS.

Hospedagem: Os participantes do interior que desejarem, serão acolhidos gratuitamente por famílias e comunidades envolvidas no mutirão da Jornada Ecológica, para jantar, dormir e café da manhã. (noite de sábado e domingo de manhã). Neste caso, esta informação deve ser repassada através de e-mail e telefone e por meio de observação nesta ficha.

 copie, cole em word e envie esta ficha para o  e-mail acima.

NOVO Músicas do Zé Vicente para ouvir e baixar.

Companheira.  AQUI

Meu canto, minha arma.  AQUI

O que vale é o amor. AQUI



NOVO Primeira parte do vídeo de apresentação e reflexão sobre "Fraternidade e a Vida no Planeta"
Primeira parte do vídeo de apresentação e reflexão sobre "Fraternidade e a Vida no Planeta", tema da Campanha da Fraternidade 2011, realizada pela Igreja Católica durante a Quaresma.
Equipe técnica
Direção, edição e trilha musical: Cirineu Kuhn, svd
Supervisão: Padres Luiz Carlos Dias e Valdeir dos Santos Goulart
Co-produção: Edições CNBB e Verbo Filmes

SOS Mata Atlântica lança Plataforma Ambiental aos Municípios 2012 

01/08/2012


Documento tem objetivo de engajar o eleitor e apresentar as principais questões ambientais e seus desafios
 A Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com a Frente Parlamentar Ambientalista e a Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (ANAMMA), acaba de lançar a Plataforma Ambiental aos Municípios 2012. O documento apresenta os principais pontos da agenda socioambiental que precisam ser discutidos, respondidos e solucionados pelos próximos dirigentes dos municípios. A plataforma funciona como um instrumento de apoio ao cidadão eleitor, contribuindo no momento da escolha de seu candidato e na hora de cobrar propostas e resultados. Além disso, ela serve também para os próprios políticos, que poderão utilizá-la e incorporar os temas em seu Plano de Governo.
A plataforma apresenta contribuições que podem ser incorporadas aos 3.222 municípios brasileiros que possuem, em seus territórios, o bioma Mata Atlântica, de acordo com a legislação vigente, que define os limites no Mapa de aplicação da Lei. O intuito é de mobilizar os eleitores destas cidades, incentivando-os a entregar o documento aos seus candidatos – pessoalmente, por e-mail ou correio – e pedir seu comprometimento público.
“Esta é a plataforma da cidadania, de engajamento e compromisso que o cidadão apresenta ao seu candidato. Com ela, damos continuidade ao processo de formação política com foco nas questões ambientais, como já temos feito, há várias eleições e, mais recentemente, com a Frente Parlamentar Ambientalista”, destaca Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica.
As propostas têm como base cinco eixos: desenvolvimento sustentável, clima, educação, saúde e saneamento básico. Dentro deles, apresenta sugestões e obrigações a serem seguidas, como implantar a Política Municipal de Meio Ambiente e o Sistema Municipal de Informações sobre Meio Ambiente; elaborar o Plano Diretor, respeitando os zoneamentos ambientais e elaborar o Plano Municipal da Mata Atlântica, que tem a meta de criar novas unidades de conservação, formar corredores ecológicos, identificar as áreas de preservação permanente e outras de interesse ambiental.
Para a coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, todos devem ter compromisso com o voto, pois a população também tem parcela de responsabilidade do que acontece na política. “Está em nossas mãos reverter o retrocesso e eleger pessoas que tenham interesse em fazer a diferença. Reclamamos dos políticos, como se não fossemos nós quem os elegeu, mas esta é a consequência de um voto sem compromisso”.
É possível fazer o download da Plataforma Ambiental, na íntegra, pelo linkhttp://www.sosma.org.br/projeto/plataforma-ambiental/plataforma-ambiental-para-o-brasil/. Nesse link, os eleitores e candidatos também podem aderir à iniciativa, nas seções “Inscreva-se eleitor” e “Inscreva-se candidato”; e conferir a agenda de lançamento da Plataforma Ambiental nas capitais.
A Plataforma Ambiental aos Municípios 2012 apoia o Programa Cidades Sustentáveis, ferramenta que também oferece aos candidatos às eleições uma agenda de sustentabilidade urbana como referências a serem seguidas pelos gestores públicos.

  • Confira o Boletim de Rádio sobre o assunto:

Malvezzi: “Nem toda a terra está disponível para o ser humano” 

02/08/2012


Foto: Roberto Malvezzi / Arquivo Pessoal
Nem toda a terra está disponível para o ser humano
Entrevista com Roberto Malvezzi,
especialista em temas socioambientais da Comissão Pastoral da Terra do São Francisco

Fazendo o caminho inverso de muitos brasileiros que até hoje fogem da seca, o paulista Roberto Malvezzi migrou para o Nordeste nos anos 1980, onde mergulhou na realidade sertaneja na divisa da Bahia com o Piauí, às margens do São Francisco. Vivendo as lutas pela terra e pela água junto às populações pobres, descobriu que a opressão e o descaso das políticas públicas podem ser combatidos com mobilização social. Nessa entrevista concedida ao Comitê Brasil em Defesa das Florestas, o filósofo militante avalia a tramitação do novo Código Florestal, o papel de parlamentares e do Governo no desmonte da legislação ambiental brasileira e alerta que, no futuro, a avaliação desses governos pode ser bem diferente. Confira abaixo os principais trechos.
Comitê Brasil em Defesa das Florestas – Conte um pouco sobre sua trajetória.
Roberto Malvezzi
 – Nasci em 1953 na pequena cidade de Potirendaba (SP). Saí de lá com 14 anos. Fiz Filosofia, Teologia e Ciências Sociais. Fui seminarista durante anos. Em 1979, vim ao sertão da Bahia, na divisa com São Raimundo Nonato (PI). O pessoal que trabalhava na paróquia trazia gente do Sul de ônibus e ficávamos nas comunidades, alfabetizando as crianças. Estava terminando o Regime Militar, começando as greves do ABC, a ideia do PT e do sindicalismo. Em janeiro de 1980, decidi morar em Campo Alegre de Lourdes (BA) por três anos. Na época, estava sendo concluída a Barragem de Sobradinho, o que provocou a realocação de quatro cidades: Casanova, Remanso, Sento Sé e Pilão Arcado. Lá viviam 72 mil pessoas. Os prefeitos eram nomeados pelo presidente da República, não tínhamos partidos ou sindicatos na região. Foi a Igreja que assumiu esse papel de organizar a população, de tentar dar apoio diante do caos. Após esses três anos, larguei o seminário. Depois de cinco, me casei. Acabei ficando e já são mais de 30 anos.
CBDF – Em seu trabalho na Comissão Pastoral da Terra (CPT), o que você tem vivenciado no sertão do São Francisco?
RM – 
Aqui a CPT surgiu em função das necessidades da população de Sobradinho. Com a construção da barragem, fomos entrando muito nas questões de pobreza, de água. Em Campo Alegre de Lourdes não tem rios. A única água lá é a de chuva. Então veio a seca de 1982, naquele tempo sem infraestrutura. O que a gente viu foi migração, sofrimento humano e mortalidade infantil. A gente pensou que podia levantar nomes de pessoas mortas pela seca. Em poucos municípios, foram mais de 7 mil nomes. Vimos que não conseguiríamos jamais fazer esse levantamento. A projeção à época foi é de que mais de 1 milhão de pessoas tenham morrido de fome, de sede, de inanição. Então, entrou muito a luta da água, a partir de uma necessidade concreta, que é a luta pela terra.
CBDF – O papel da sociedade civil é fundamental nessas lutas, inclusive na do Código Florestal. Você poderia relembrar o contexto da tramitação da lei no Congresso e as partes envolvidas nessa história?
RM
 – Fui membro da equipe da CNBB que elaborou o texto base da Campanha da Fraternidade da Água, em 2004. E tivemos de recorrer ao Código Florestal, porque a Lei Brasileira de Recursos Hídricos, a 9.433/1997, não toca na proteção dos mananciais. No Código estava a proteção das nascentes, das matas ciliares em torno dos rios, das encostas. A gente dizia: ‘Isso já é lei, mas não funciona na prática. As matas ciliares, as nascentes e as encostas não estão sendo respeitadas’. Pelo Código Florestal que tínhamos, tinha que ter mata ciliar de 500 metros em cada margem do São Francisco. Hoje, ele tem apenas 5% de mata ciliar. Então, pode-se imaginar o que significaria hoje se a lei obrigasse os latifundiários a recompor as matas nas margens do rio. Estamos passando por um desmonte da legislação ambiental do Brasil em função de crimes ambientais que foram cometidos. É uma reação às exigências legais que começaram a pesar sobre quem cometeu esses crimes. A grande bancada ruralista, que tem poder no Congresso e já não tinha como evitar multas por seus crimes, partiu para o desmonte da lei. Mesmo com o veto parcial da Dilma e com as mudanças que ela propôs, o resultado final não terá mais nada a ver com o Código Florestal que tínhamos.
CDBF – No fim das contas, o código foi desfigurado.
RM -
 Absolutamente desfigurado, e sem que a gente saiba exatamente aonde vai chegar, porque a lei ainda está sendo alterada. Tem muita coisa nos detalhes, e é nos detalhes que o diabo mora.
CBDF – E quem são os atores chave que estão capitaneando esse desmonte?
RM –
 A bancada ruralista. Não é fácil detectar quem se alia a ela, mas há indícios, observando a última votação sobre o Código Florestal. O que chamávamos de esquerda acabou votando com os ruralistas. E o governo não só se omitiu, mas permitiu que o projeto dos ruralistas andasse com toda a tranquilidade. Depois, tentou adiar, postergar. Grande parte dos deputados, inclusive do PT, tem no caixa de campanha só financiamento de empresas do agronegócio.
CBDF – Eles traíram as origens?
RM 
– Sim, dá para usar essa expressão.
CBDF – Quais seriam alguns desses partidos?
RM – 
PT, PCdoB, todos esses partidos aí votaram na sua grande maioria com os ruralistas. Nem falo do PMDB e de outros, que já são do mundo das oligarquias.
CBDF – Os pequenos produtores têm sido usados como massa de manobra para reduzir a proteção das florestas. Que efeitos desse novo “Código Florestal”você vê justamente sobre os pequenos?
RM – 
Lideranças com tradição entre os movimentos sociais tiveram uma atitude complicada na defesa dos pequenos agricultores com foco na ideia de que se você tem pouca terra e for colocar o que o Código exigia você reduzia a área produtiva dos pequenos agricultores. Mas, desde o começo, sempre foi possível fazer um discernimento entre os pequenos e os grandes agricultores. Para os pequenos, você abre casos especiais. Mas de forma geral, o que está acontecendo? Estamos inviabilizando a vida de milhares de pequenos proprietários em nome da produção, porque você solapa as bases naturais da pequena propriedade. Estivemos em maio em Januária (MG), na região do rio dos Cochos. O rio tinha morrido e as comunidades estavam indo embora. Mas eles mesmos fizeram trabalho de recomposição da mata ciliar E o rio voltou a correr e a abastecer outras comunidades que ficaram sem água. A gente tem notícia de que mais de 1.200 rios desse tipo, do norte de Minas, que são afluentes do São Francisco, morreram em função da agricultura comercial que tomou espaços que eram da água. Tem que colocar esse dilema para os pequenos agricultores.
CBDF – A legislação em vigor amplia a possibilidade de uso da terra. Na prática, o que isso significa para os produtores?RM – O agronegócio já deixou para trás pelo menos 80 milhões de hectares de terras degradadas. Para esse grupo é mais fácil avançar sobre novas áreas, nem que seja para também degradá-las, do que recuperar o que foi degradado. Esse é o custo que eles não querem pagar – por isso mudaram a legislação para ter ‘segurança jurídica’. Não fosse o papel desenvolvido por inúmeras populações, a Caatinga não teria cerca de 50% preservados. Mas os grandes latifúndios do Nordeste, se quiserem expandir o desmatamento, estão autorizados por lei. Este ano secaram os aquíferos do Platô de Irecê, no semiárido baiano. Agora falta água até para beber. O mesmo pode acontecer no oeste do Estado, no chamado “mundo do agronegócio”, onde querem dispensar as outorgas que limitam o uso de água subterrânea.
CBDF – Alterar o Código Florestal e ampliar o uso da terra não reduz a importância de economias que aproveitem as florestas em pé e não emperra a tramitação de legislações como a do pagamento por serviços ambientais?
RM – Sem dúvida. E não podemos esquecer que nem toda a terra está disponível para o ser humano ou para a agricultura. O planeta tem exigências próprias, de respiração, de oxigenação, do ciclo do carbono. Mas é muito difícil levar esses valores a pessoas que enxergam pouco mais que os limites da propriedade.
CBDF – O atual Código Florestal reduz de forma geral a proteção das matas nas margens de rios e córregos, especialmente dos de pequeno porte. Qual o risco para os mananciais do país?
RM – As faixas entre 30 e 500 metros de vegetação na margem dos rios, dependendo de sua largura, já não eram respeitadas, mas se tinha por onde brigar. Agora, temos faixas de apenas 5 metros para os cursos menores. Sem a vegetação, a água penetra menos no solo e as enchentes ganham força e velocidade. Essa realidade geradora de tragédias foi esquecida na reforma do Código Florestal.
CBDF – A destruição da legislação florestal não é um fato isolado. Redução de áreas protegidas, descaso com indígenas e outras populações tradicionais e enfraquecimento de órgãos ambientais fazem parte de um quadro de franco retrocesso. O que está acontecendo com o Brasil?
RM – Levamos décadas construindo uma legislação socioambiental, mas agora enfrentamos uma prevalência absoluta de uma lógica econômica que pretende derrubar tudo o que entende como obstáculo a seu projeto desenvolvimentista.  Como o próprio Lula declarou em 2006, ‘as questões dos índios, quilombolas, ambientalistas e Ministério Público travam o desenvolvimento do País’. Esse é o pano de fundo do projeto de desenvolvimento em curso.
CBDF – A campanha Floresta faz a Diferença foi um marco frente às mobilizações sociais da história recente do Brasil. A sanção parcial da presidente complicou ainda mais o futuro do Código Florestal. Qual a sua avaliação sobre esses movimentos?
RM – Avalio que deslanchamos um processo que alcançou a consciência da sociedade brasileira. As pessoas sabem o que está acontecendo. Pesquisas de opinião pública e outros indicadores deixaram claro que a grande maioria da população era contra mudanças no Código Florestal. Por outro lado, ficou cada vez mais evidente o fosso entre o que a sociedade quer e o que a classe política faz.
CBDF – Qual seria a mensagem para a população entender um pouco desse momento do país?
RM – É um momento de grandes adversidades. O povo brasileiro tem um contentamento muito grande com o governo Lula / Dilma porque muitas dessas políticas sociais foram e são muito importantes para a população, trazendo uma resposta mais imediata às questões da fome, da eletricidade, das moradias. Isso tudo é essencial. Mas o problema é o país que esse Governo está plantando para o futuro. Pode ser que, no futuro, a avaliação desses governos seja bem diferente.

De 25 a 27/05/2012, em Januária, Norte de Minas Gerais, aconteceu o III Encontro da Articulação Popular da bacia do Rio São Francisco. Soraya Fanini ajudou na Análise de conjuntura. Fez uma análise a partir da crise internacional, demonstrou como o Brasil se tornou uma Empresa Brasil desde 1.500, um fazendão para produzir matérias-primas, mercadorias para o 1º mundo, para a China etc. Defendeu um projeto popular de revitalização da bacia do rio São Francisco. Cf. nesse vídeo aqui. Eu, Gilvander Luís Moreira, gravei parte da análise feita pela Soraya Fanini. Belo Horizonte, MG, Brasil, 30/05/2012.

ASSISTA, AQUI

 Em Sergipe, primavera inicia com Jornada Ecológica  

Zezito de Oliveira
Participantes reunidos no abertura da jornada - sexta-feira - 23/09/2011


Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
3/10/2011
Unindo ciência, compromisso social e político, afeto, arte e espiritualidade.

OS BONS TEMPOS ESTÃO DE VOLTA.

Neste 25 de setembro de 2011, ao ultrapassar o portão que dá acesso às salas e auditórios localizados nos fundos da igreja São Pio X para participar do último dia da Jornada Ecologia e Espiritualidade, lembrei-me de bons momentos vividos na década de 80 e meados dos anos 90 do século passado no Rio de Janeiro, em Pernambuco e São Paulo, quando adentrava em alguns espaços eclesiais para participar de encontros, celebrações e eventos culturais.

Naqueles anos, havia um maior número de bispos, padres, irmãs e leigos da igreja católica, como também religiosos e fiéis de igrejas evangélicas históricas, a exemplo das Luterana, Metodista, Congregacional, Presbiteriana (os ramos denominados independente e unida), Anglicana e outras mais, buscando se associar de forma ativa e constante a pessoas que participavam de processos educativos, sociais, políticos e artísticos voltados para a construção de um mundo melhor, independente de crença religiosa ou ideologia.

Por esta razão, a sociedade brasileira avançou em muitas conquistas sociais, políticas, éticas e culturais.

Leia  mais:

http://www.overmundo.com.br/overblog/em-sergipe-primavera-inicia-com-jornada-ecologica
 
Mais músicas de Roberto Malvezzi "Gogó". Para ouvir e/ou baixar

http://www.overmundo.com.br/banco/maria-e-ecologia

Musica Beleza Iluminada - Baixe e Espalhe


            
Clique, aqui

PRESTAÇÃO DE CONTAS DA JORNADA ECOLÓGICA 2011

ENTRADAS:

Inscrições (60) ..............................................................    300,00

Doação do Apostolado da oração .................................     100,00

Doação (Bel)                                                                           120.00

Doação (Zezito) .................................................................            80,00

Doação (Caminhada Biblica) ........................................        52,00

Venda de bolsas (2) .......................................................     20,00

Doação anônima ............................................................   100,00

Doação (José Barbosa) ..................................................     15,00

Lanche ( Manhã do Sabado) ..........................................        19,00

Almoço (Sabado) ...........................................................     50,00

Lanche (Tarde do Sabado) ..............................................    40,00

Cantina (Sabado à noite) ................................................   115,00

Doação sem identificação             ...............................       200,00

Lanche (Domingo de manha) ........................................       95,00

TOTAL ..........................................................................    1.306,00

SAIDAS:

Xerox e impressão dos cantos .......................................          4,90

Despesas solicitadas: Refrigerante, carvão e gelo ........          52,20

Assessoria e contribuição para passagem (Gogó) ........        650,00

Contribuição de combustível (pe. Soares) ....................          40,00

Material das bolsas (tecido e enfeites) ..........................       120,00

Auxilio de taxi  ..............................................................        20,00      

Panfleto extra                                                                              80.00

Camisas e ingredientes do almoço ................................        160,00

Gráfica                                                                                        178,90

TOTAL .........................................................................     1.306.00

                   

OBS: Essa prestação de contas não mensura os valores financeiros dos serviços voluntários.  materiais e equipamentos cedidos .

   

O gospel socio-ecológico de Roberto Malvezzi  divulgação


capa do CD Belo Monte-Nilton Freitas, Targino Gondim e Roberto Malvezzi "Gogó"
1
Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
19/7/2011 · 1 · 10
Sem dúvida, o Brasil é um país cheio de mazelas: uma das maiores concentrações de renda do mundo, situações de violência que, em algumas regiões, equivale a de países em guerra, crimes contra o meio ambiente e seus defensores e outras tantas.

Mas, quem pode negar que o povo de nosso país tem uma capacidade enorme de se unir em situações de tragédia? Que tem um potencial inesgotável de criatividade e uma diversidade cultural considerada das mais ricas do planeta, dentre outras virtudes e oportunidades?

Imagine só, juntar solidariedade, criatividade e diversidade cultural para combater essas mazelas ! Sim, é possível, e está sendo feito por muita gente boa desse imenso e rico país, como diz uma bela canção interpretada por Milton Nascimento.

Todavia, esse tipo de atitude e seus protagonistas nem sempre chegam ao conhecimento de parcela significativa da população. Pelo pouco acesso a esse tipo de informação há dificuldades para motivar pessoas a se envolverem constante e ativamente com processos de transformação das estruturas que (re)produzem injustiça, violência e miséria, tanto material quanto espiritual.

Para fazer com que mais pessoas conheçam e se envolvam de uma forma diferente com as grandes causas do presente e do futuro, está sendo organizada, por um grupo de entidades religiosas e culturais, uma jornada de estudos composta de oração, leitura biblica, danças circulares e cantoria para tratar da questão ambiental.

LEIA MAIS:

http://www.overmundo.com.br/overblog/o-gospel-socio-ecologico-de-roberto-malvezzi

PROGRAMAÇÃO

Dia 23 – Palestra (19h30) – Convivência com o Semi-Árido e Transposição do Rio São Francisco.

Dias 24 e 25 – Estudo Biblico – (9 ás 17hs - dia 24) – (8h30 ás 12h – dia 25)

Dia 24 – Noite Cultural (forró, cantoria e danças circulares) - Das 20 ás 24hs.

Local: Anexo da Igreja São Pio X – Av. Visconde de Maracaju – bairro 18 do Forte.

REALIZAÇÃO - ONG AÇÃO CULTURAL E PARÓQUIA SÃO PIO DÉCIMO

APOIO: Centro Educacional Futuro Feliz, Gráfica Farias, Rádio Cultura e Fundação Aperipê.

Ouça e espalhe! Música Água da Chuva

http://www.overmundo.com.br/banco/agua-de-chuva

Para saber mais, clique aqui 


E aqui




Foto: Roberto Malvezzi "Gogó"

Jornada discute ecologia e espiritualidade

Release       
                         
Uma programação voltada para discutir a ecologia, a religião como estímulo de transformação social e ainda, finalizando, com atividades culturais que incluem cantoria e danças circulares.  Essa é a principal proposta da “Jornada Ecologia e Espiritualidade” organizada pela ONG Ação Cultural e a Paróquia Pio Décimo que  acontecerá nos próximos dias 23 a 25 de setembro na Igreja São Pio X, localizada no Bairro 18 do Forte.
Segundo um dos coordenadores do evento Zezito Oliveira um dos  objetivos do evento é  fazer com que mais pessoas conheçam e se envolvam de uma forma diferente com as grandes causas do presente e do futuro e coma a questão ambiental.  O Brasil é um país cheio de mazelas: uma das maiores concentrações de renda do mundo, situações de violência.  Mas existe muita gente trabalhando com solidariedade e criatividade  para mudar essa realidade”.  A  Jornada também foi planejada por agentes agentes ligados as comunidades eclesiais de base (CEBS) e ao centro ecumênico de estudos bíblicos (CEBI).

DESTAQUE
Na programação (que pode ser conferida logo abaixo) um dos destaque é o músico e ativista Roberto Malvezzi, também conhecido como Gogó.  Malvezi é agente da comissão pastoral da terra (CPT), residente no sertão baiano, compositor e músico desde os anos 70.  Em seu histórico sintetiza uma atuação de organização social através da música.  Nas suas composições , Gogó absorve ritmos da música popular brasileira além de atuar como pesquisador, palestrante e escritor de artigos críticos sobre as questões do meio ambiente. Seu mais recente trabalho musical é o CD “Belo Sertão”, em parceria com Targino Gondim e Nilton Freitas.


PROGRAMAÇÃO

Local:  Anexo da Igreja São Pio X – Av. Visconde de Maracaju – bairro 18 do Forte.
Dia 23 – Palestra (19h30) – Convivência com o Semi-Árido e Transposição do Rio São Francisco.
Dias 24 e 25 – Estudo Bíblico – (9 ás 17hs  - dia 24) – (8h30 ás 12h – dia 25)
Dia 24 – Noite Cultural (forró, cantoria e danças circulares) -  Das 20 ás 24hs.
A jornada está organizada em três blocos. Palestra, Estudo Biblico e Noite Cultural.
A participação em todos os momentos não é obrigatória. No caso do estudo biblico, sugerimos que a participação seja durante o sábado e o domingo,
No sábado será servido almoço no local (opcional). Quem desejar deve acrescentar mais R$5.00 ao valor da taxa e realizar reserva antecipada. O  pagamento pode ser realizado  na secretaria da igreja São Pio Décimo ou depositado  - valor de R$10.00 (taxa de inscrição e + almoço) na conta:
Quem for pagar apenas a taxa de inscrição dever fazer preferencialmente com antecipação na secretaria da igreja ou na sexta (23) ou sábado (24).

Taxa de inscrição R$5.00 
Contatos:
[Irene Smith]9836-1945 ou 3044-8186
{Pe. Soares} - 3236-5833
{Zezito de Oliveira} - 9993-4483
Para saber mais, clique

Colaboração: jornalista Thiago Paulino

FICHA DE INSCRIÇÃO PARA A JORNADA ECOLOGIA E ESPIRITUALIDADE


FICHA DE INSCRIÇÃO PARA A JORNADA ECOLOGIA E ESPIRITUALIDADE

Nome:.......................................................................................................

E-mail:..................................................................................Fone/Celular...........................

Paróquia:............................................................................Religião......................................

Ong ou instituição:................................................................................................................

Taxa: R$5.00
Copie,  cole, preenche e envie para
ongacaocultural@yahoo.com.br

  A 'Hipótese Gaia', de James Lovelock, volta à cena

Por Assis Ribeiro
Do Brasil 247

A TERRA É UM SER VIVO: E NÓS SOMOS O SEU SISTEMA NERVOSO

Há cerca de 40 anos o cientista britânico James Lovelock fez furor com o lançamento da sua "Hipótese Gaia", proposição científica na qual ele definia a Terra como um organismo vivo, inteligente e sensível. Discutida e em parte desacreditada, a ideia volta hoje com toda a sua força original
Por Eduardo Araia
Falar de James Lovelock é falar de paradoxos. A começar por sua reputação de teórico inflamado e visionário e por sua aparência: magrinho, olhos azuis-claros, voz suave e sorriso infantil. Difícil imaginar que esse vovô alegre e brincalhão publicou um dos livros mais sombrios dos últimos anos sobre o futuro do planeta. Da mesma forma, é difícil acreditar que, por trás do ar inofensivo de aposentado, esse homem provocou mais de 40 anos de polêmicas no mundo da ciência com sua hipótese Gaia – que ele batizou com o nome da deusa grega da Terra –, segundo a qual nosso planeta seria um ser vivo.
Foi há quase meio século que Lovelock, na época com 42 anos, assumiu, algo por acaso, o destino de teórico da ciência – bem como o de semeador de encrencas. Ele era, então, um obscuro biofísico britânico, médico de formação, que concebera vários aparelhos engenhosos – "naqueles tempos, os cientistas fabricavam eles mesmos seus instrumentos, pois ninguém tinha dinheiro para comprá-los nas lojas", recorda ele. Alguns desses aparelhos permitiam a detecção de substâncias em concentrações muito baixas, pelo método da cromatografia gasosa, e interessaram à Nasa, que então desenvolvia um programa de exploração de Marte. Para obter esses detectores, a agência norte-americana trouxe seu inventor, que chegou em 1961 ao Jet Propulsion Laboratory (JPL), na Califórnia, com a missão estritamente técnica de adaptar os aparelhos às exigências das naves espaciais.
Mas – traço indelével de seu caráter – o inventor logo resolveu se meter onde não era chamado. "Logo de cara, disse aos biólogos da Nasa que as experiências que eles planejavam eram ridículas: implicitamente, elas partiam do princípio de que as formas de vida em Marte seriam semelhantes àquelas do deserto da Califórnia!" O tom das discussões engrossou e Lovelock foi chamado ao escritório do diretor, furioso por causa do clima de conflito entre os biólogos que ele trouxera a peso de ouro para o JPL. "Você tem três dias para me trazer uma proposta construtiva", ele disse a Lovelock.

James Lovelock, cientista britânico criador da Hipótese Gaia
James Lovelock, cientista britânico criador da Hipótese Gaia

Um sistema que favorece a vida
Três noites em claro mais tarde, Lovelock voltou ao JPL. Trazia um projeto ao mesmo tempo nebuloso e preciso. Sua ideia? Buscar uma "assinatura" global da vida, mais que dissecar algumas amostras demasiadamente locais. E a audácia de sustentar que, ao desvendarmos a composição química da atmosfera marciana pela análise da luz oriunda do Planeta Vermelho, poderíamos talvez perceber se essa atmosfera carrega a marca de seres que nela colhem nutrientes e nela lançam seus dejetos. Ou se, ao contrário, ali simplesmente nada acontece. A ideia de que um simples telescópio munido de um espectrofotômetro permitiria detectar a vida recolocava em questão todo o programa em curso. Os cientistas presentes imediatamente puseram cadeados nas portas, e solicitou-se ao sujeito que voltasse a seus instrumentos... e retomasse sua condição de homem livre e descompromissado o mais rapidamente possível.
A Nasa ficou para trás, mas isso pouco importava. Lovelock havia encontrado uma pista e, como bom sabujo da ciência, nunca mais a abandonaria. Em 1965, ele publicou na revista Nature um primeiro artigo sobre a análise a distância da vida em Marte. Dois anos depois, divulgou algumas das primeiras conclusões, amparadas no estudo da radiação infravermelha desse planeta comparada à da Terra. Eram conclusões extremamente engenhosas e inovadoras, baseadas no segundo princípio da termodinâmica, segundo o qual a matéria tende a uma crescente desordem, à qual se opõe a ação organizadora da vida.


"Expliquei que Marte estava próximo do equilíbrio químico e dominado em 95% pelo dióxido de carbono (uma molécula muito estável), enquanto a Terra estava num estado de profundo desequilíbrio químico", recorda Lovelock. "Em nossa atmosfera, o dióxido de carbono é raro. Aqui, porém, encontramos oxigênio em abundância, que coexiste com o metano e outras substâncias muito reativas." Ora, essa combinação é improvável num planeta onde atuam apenas as leis da química. Para o pesquisador, uma conclusão se impõe: é a vida que renova sem cessar todas essas moléculas e afasta a Terra do equilíbrio químico visto em Marte e Vênus. Esses dois planetas, portanto, estão mortos, enquanto a Terra está viva.
Num planeta no qual há vida, essa característica fica perceptível na atmosfera, onde seres animados colhem nutrientes e lançam dejetos.
Lovelock, que quando muito jovem queria ser médico, se debruça finalmente sobre as propriedades da Terra. E verifica que sua atmosfera, de composição química tão distante do equilíbrio, permaneceu notavelmente estável ao longo das eras. Um pouco como o sangue de um ser vivo. O mesmo se observa no que diz respeito à temperatura: à escala de centenas de milhões de anos, ela exibe uma surpreendente estabilidade. A radiação solar, no entanto, aumentou um terço desde o surgimento da vida na Terra. A propriedade de conservar sua temperatura constante enquanto a do meio circundante varia, a homeotermia, é característica dos animais mais complexos.


Enfim, o raciocínio chega à terceira etapa, a mais controvertida de todas. Lovelock constata que tanto a temperatura como a composição química tendem a valores quase ótimos para a criatura viva – como se o "objetivo" do sistema fosse favorecer a vida. De fato, uma atmosfera com duas vezes mais oxigênio causaria incêndios incessantes, enquanto o oxigênio mais rarefeito acarretaria vários problemas metabólicos para os seres vivos. Segundo Lovelock, a causa é bem clara e, após publicar artigos de grande repercussão, ele resumiu esses pensamentos em 1979 em sua obra de referência: A Terra É um Ser Vivo – A Hipótese Gaia.
Nela, defende a ideia de que a Terra é uma espécie de simbiose (uma associação biológica favorável a todas as partes que a compõem) gigante entre todos os seres vivos e o meio mineral, um superorganismo que se conserva no estado mais favorável possível à vida por meio de mecanismos de retroação (ou seja, o efeito agindo sobre a causa).
Marte (acima), pelas análises de Lovelock, tem uma atmosfera próxima do equilíbrio químico. Já a da Terra se encontra em profundo desequilíbrio químico – fator que indica a existência de vida. Isso levou o cientista britânico a criar a hipótese Gaia, nome da deusa grega (abaixo) associada ao nossso planeta.


Semente da discórdia
Um dos mais eminentes climatologistas norteamericanos da atualidade, David Archer, comenta: "Durante meu primeiro curso de biogeoquímica, fizeram-me ler os primeiros capítulos desse livro. Desde então, impus sua leitura a todos os alunos dos quais me tornei orientador." A ideia, hoje mundialmente aceita, de que é preciso pensar a Terra como um sistema no qual todas as partes interagem, e que biólogos, oceanógrafos, geólogos, meteorologistas, etc. devem trabalhar juntos para conseguir antecipar seu funcionamento, deve muito a Lovelock.
Mas, ao batizar seu objeto de estudo "Gaia", nome de uma divindade feminina (aconselhado por William Golding, Prêmio Nobel de Literatura em 1983), o teórico foi, para muitos, longe demais. Passou-se a recomendar muita prudência na leitura de seus livros, e em várias universidades ele passou a ser tratado como místico e teleólogo, pelo fato de que sua teoria parece conferir um sentido para a vida e a evolução. Imperdoável, para um cientista! Jovens pesquisadores foram inclusive advertidos de que o uso do nome "Gaia" num título de artigo ou trabalho científico podia arruinar ou macular seriamente uma carreira de cientista. Os biólogos, sobretudo Richard Dawkins, acusaram-no com virulência de questionar o darwinismo. Como caracteres "altruístas", favorecendo a biosfera em seu conjunto, e não o indivíduo ou a espécie, poderiam ter sido selecionados pela evolução? Quer-se introduzir aqui uma mão divina, argumentavam, indignados. E não faltaram sequer aqueles que lembravam que o segundo nome de Lovelock, Ephraim, dá testemunho de suas origens familiares rigidamente protestantes...
A independência de pensamento de Lovelock incomoda muita gente. Os ambientalistas, por exemplo, apreciam a metáfora de Gaia, mas se irritam com a defesa histórica que seu criador faz da energia nuclear – para o cientista, a principal fonte energética do futuro.
A simples menção dessas críticas consegue apagar o luminoso sorriso de Lovelock. "Os biólogos tornaram-se exageradamente belicosos por causa dos repetidos ataques desferidos contra eles pelos criacionistas. Assim que alguma coisa sai do seu padrão de pensamento, eles a interpretam como criacionismo e partem para o ataque. Além disso, fazem-no usando as próprias armas dos religiosos, um pouco como se A Origem das Espécies, de Darwin, fosse a nova Bíblia. Não estou minimamente em desacordo com o darwinismo. Minha teoria o engloba, mas em um nível superior. Um pouco como a teoria da relatividade supera, sem a contradizer, a física newtoniana."


Mas, assim sendo, o planeta vivo é apenas uma metáfora? "Claro, ele não é vivo como nós ou uma bactéria, e, nesse sentido, é mesmo uma metáfora", admite Lovelock. "Mas acho que a definição de vida dada pelos biólogos é demasiado restritiva. Afinal, falta a Gaia apenas a reprodução!"
Pode-se apostar que se, em vez de lançar mão do termo Gaia, ele tivesse batizado sua tese de "teoria biogeoquímica", como lhe fora aconselhado, teria evitado muitos aborrecimentos e gozaria de todas as merecidas honras de grande cientista. Mas, como um Dom Quixote da ciência, o obstinado doutor recusa baixar o tom de seus escritos, não admite a retirada de uma única vírgula e se mantém em permanente disputa com seus adversários. Isso lhe valeu um estatuto original de "cientista independente", fora das grandes instituições, inteiramente consagrado à defesa e à consolidação de sua teoria – mas não o impediu de publicar em sua carreira mais de 200 artigos, 30 dos quais na Nature, e de fazer várias descobertas importantes. Por exemplo, a do DMS, aerossóis sulfurosos emitidos pelas algas e capazes de esfriar a atmosfera oceânica. Eles constituem um bom exemplo de retroação "à moda de Gaia": se a temperatura aumenta, as algas proliferam, produzem mais aerossóis... o que, por sua vez, faz baixar a temperatura do oceano.
Tarde demais?
Em relação fria com a maioria das instituições científicas, Lovelock poderia ter se refugiado no seio de uma nova família que lhe estendia os braços: o movimento ecológico. Entusiasmados pela metáfora de Gaia, os ecologistas dos anos 1970 piscam os olhos para seu inventor. Mas desde o início o paradoxal Ephraim não pôde ser digerido pelo movimento verde. É que o homem, que não hesita em se declarar ecologista, é ao mesmo tempo um tecnófilo decidido. Claro, ele manifesta hostilidade à poluição e à excessiva intrusão humana no funcionamento normal de Gaia. Mas isso não o impede de ser, por exemplo, um defensor histórico da energia nuclear – e isso muito antes de a questão do aquecimento global aflorar.
O aquecimento global afetará profundamente a agricultura mundial, deixando-a inviável em diversas regiões do mundo.
"Numerosos verdes franceses, donos de belas mansões na Dordonha (sudoeste do país), vêm a mim para elogiar as vantagens do TGV, o trem ultrarrápido", conta o cientista. "Então, digo a eles: 'Mas vocês sabem que se trata de um transporte nuclear?' Eles, claro, soltam gritos de protesto. Mas isso é verdade! A maior parte dos verdes é feita de burgueses urbanos e bem posicionados na vida. São cheios de boas intenções, mas não entendem nada de ciência nem da realidade."
Embora sempre denunciando as ações poluidoras e os atentados aos ciclos naturais, Lovelock tem se mantido a boa distância de um catastrofismo muito em moda nos meios ecologistas. Para ele, Gaia é bem mais forte que os homens e, no fundo, apenas superficialmente atingida por seus caprichos, mesmo os mais insanos. Ou, melhor dizendo, ele pensava assim: recentemente, mudou quase que radicalmente de posição e, em sua última obra, A Vingança de Gaia, dá um verdadeiro grito de alarme.


"Esse livro", diz ele, "nasceu de uma visita ao Hadley Centre (centro de estudos do clima britânico) em janeiro de 2005. À medida que passava de departamento a departamento, dos especialistas da banquisa polar aos do oceano, e depois aos da floresta, o repicar do sino era sempre o mesmo: as coisas se degradam e a retroação será positiva. Ou seja: por exemplo, o desaparecimento da banquisa oceânica no Ártico irá acelerar o aquecimento do oceano, o oceano não conseguirá mais absorver o carbono, o aquecimento da floresta irá liberar ainda mais CO2... O perigo é mortalmente sério."
Gaia, portanto, está em perigo? "Gaia, precisamente, não", estima Lovelock, "mas, se o aumento da temperatura que prevejo, de 6 a 8 graus centígrados, se produzir, a civilização poderá ser ameaçada: teremos uma extinção em massa de espécies e a agricultura se tornará impossível em boa parte da superfície do planeta. O alimento será insuficiente, haverá migrações de populações inteiras, conflitos, a humanidade se concentrará ao redor das regiões polares..." Esse prognóstico se justifica, segundo Lovelock, pelo fato de modelos atuais subestimarem as retroações.
Fazer as pazes com a Terra
Em seu último livro, A Vingança de Gaia (Editora Intrínseca), Lovelock traça um prognóstico pessimista, julgando que nosso planeta está febril e que sua saúde declina. Ele pede uma reação enérgica para salvar aquilo que ainda pode ser salvo – "fazermos as pazes com Gaia enquanto ainda somos fortes o bastante para negociar, e não quando tivermos nos tornado uma multidão dividida e vencida, em via de extinção".
O momento atual, para ele, é o de uma "retirada sustentável", mais que de um "desenvolvimento sustentável". Para ilustrar a situação, ele costuma usar a metáfora de Napoleão às portas de Moscou em 1812: "Acreditamos ter vencido todas as batalhas, mas a verdade é que avançamos demais, temos demasiadas bocas para alimentar e o inverno se aproxima..." E o Protocolo de Kyoto? Nova metáfora: "É como os acordos de Munique que vivi na minha juventude. O mundo inteiro percebe o perigo que se aproxima e os políticos pronunciam belas frases e fazem de conta que estão fazendo alguma coisa."
A humanidade representa uma grande oportunidade para Gaia, diz Lovelock. "Somos, de certa forma, seu sistema nervoso", ressalta o cientista. "Ela perderia muito se nos perdesse."


Medicina planetária
Diante da gravidade do momento, e fiel a seu gosto pela tecnologia, Lovelock concebe sem reticências uma "medicina planetária". Ela inclui estratégias para refrescar artificialmente o planeta, seja na forma de aerossóis sulfurosos, seja na de espelhos gigantes instalados em órbita no espaço, e várias outras soluções paliativas.
Ele preconiza uma nuclearização maciça da eletricidade mundial e sugere inclusive que uma parte de nossa alimentação seja produzida artificialmente, em fábricas, para minimizar nossa utilização do espaço natural. Programa surpreendente, que demonstra a independência de pensamento de um homem que, apesar de quase meio século de uso da palavra livre, é agora recebido pelos grandes do planeta, como Al Gore, ex-presidente norte-americano e Prêmio Nobel da Paz de 2007.
E como estão as relações entre o homem e Gaia? Será preciso ver nossa espécie como um tipo de câncer do planeta, paralisando pouco a pouco suas funções reguladoras? "A aparição da humanidade constituiu uma grande oportunidade para Gaia", protesta o cientista. "Somos, de certa forma, seu sistema nervoso. Em todo caso, é graças a nós que ela de algum modo tomou consciência de si mesma e inclusive conseguiu se ver a partir do espaço exterior. Ela perderia muito se nos perdesse." E conclui com uma última metáfora: "Gaia, vocês sabem, é como uma avó que recolheu em sua casa um bando de adolescentes demasiado indisciplinados e turbulentos. Ela poderá – talvez com a morte na alma – trancar a porta e deixá-los do lado de fora."
James Lovelock é doutor honoris causa de uma dezena de universidades ao redor do mundo. Ganhou prêmios científicos de vários organismos, tais como a Organização Mundial de Meteorologia, a Academia de Ciências da Holanda, a Sociedade Norte-Americana de Química e o Laboratório Marinho de Plymouth.


A HIPÓTESE GAIA
Na década de 70 o inglês James Lovelock elaborou a hipótese Gaia, e segundo ela, o planeta Terra se comporta como um só organismo vivo
A hipótese Gaia foi elaborada pelo cientista inglês James Lovelock no ano de 1979, e fortalecida pelos estudos da bióloga norte-americana Lynn Margulis. Essa hipótese foi batizada com o nome de Gaia porque, na mitologia grega, Gaia era a deusa da Terra e mãe de todos os seres vivos.
Segundo a hipótese, o planeta Terra é um imenso organismo vivo, capaz de obter energia para seu funcionamento, regular seu clima e temperatura, eliminar seus detritos e combater suas próprias doenças, ou seja, assim como os outros seres vivos, um organismo capaz de se autorregular. De acordo com a hipótese, os organismos bióticos controlam os organismos abióticos, de forma que a Terra se mantém em equilíbrio e em condições propícias de sustentar a vida.
A hipótese Gaia sugere também que os seres vivos são capazes de modificar o ambiente em que vivem, tornando-o mais adequado para sua sobrevivência. Dessa forma, a Terra seria um planeta cuja vida controlaria a manutenção da própria vida através de mecanismos de feedback e de interações diversas.
Um dos argumentos utilizados pelos defensores dessa hipótese é o fato de que a composição da atmosfera hoje parece depender principalmente dos seres vivos. Sem a presença dos seres fotossintetizantes o teor de gás carbônico (CO2) na atmosfera seria altíssimo, enquanto que nitrogênio (N2) e oxigênio (O2) teriam concentrações muito baixas. Com a presença dos seres fotossintetizantes, a taxa de CO2 diminuiu, aumentando consideravelmente os níveis de N2 e O2 disponível na atmosfera. Essa redução do CO2 favorece o resfriamento do planeta, já que esse gás é o principal responsável pelo efeito estufa, influenciando muito na temperatura do planeta. Segundo esse argumento, a própria vida interferiu na composição da atmosfera, tornando-a mais adequada à sobrevivência dos organismos.
Embora muitos cientistas concordem com essa hipótese, outros não a aceitam, discordando da ideia de que a Terra seja um "superorganismo". Um dos argumentos utilizados por esses cientistas é que não só os fatores biológicos moldam o planeta, mas também fatores geológicos, como erupções vulcânicas, glaciações, cometas se chocando contra a Terra, que modificaram e ainda modificam profundamente o aspecto do planeta.
Discordando ou não, a hipótese Gaia nos chama a atenção para as relações existentes entre os seres vivos e o meio ambiente, e principalmente para as relações existentes entre nossa espécie e os demais seres vivos. Dessa forma, utilizemos essa hipótese para refletir sobre os impactos que as nossas atividades estão causando no planeta Terra.