CANAL DA AÇÃO CULTURAL

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terça-feira, 28 de junho de 2011

ARTE NA CAMINHADA DAS COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE


DESAFIOS E PROPOSTAS.

Zé Vicente

No dia 28 de janeiro de 2011, estive presente na Ampliada das CEBs reunida no Centro de Expansão da Diocese de Crato, Ceará, para organizar os passos rumo ao 13º Inter-eclesial planejado para acontecer, em janeiro de 2014, em Crato e Juazeiro. Fui convidado pelo Secretariado do 13º, para uma tarefa bem específica: motivar a discussão sobre a importância de um Projeto de Arte na Caminhada das CEBs, tema sentido, como urgente, por muitos de nós, principalmente da área artística e sempre recorrente por ocasião dos grandes eventos.

Durante pouco mais de uma hora, conduzimos nossa conversa, temperada com músicas e testemunhos em três níveis:

  • Nossa percepção do que é a Arte para nós;
  • Memória e Missão da Arte na Caminhada das Comunidades;
  • Projeto de Arte na Caminhada – desafios e possibilidades.

O QUE É ARTE PARA NÓS?

Iniciei com um breve testemunho, em que compartilhei com as pessoas da Ampliada, um pouco de minha história, desde os primeiros passos na comunidade onde nasci, o Sítio Aroeiras, município de Orós/CE, bebendo nas tradições das novenas e benditos de Mãe Suzana e, quando na década de 1970, criamos o primeiro Grupo do Dia do Senhor, para celebrações da Palavra aos domingos, já recorrendo à arte,através das dramatizações do evangelho, histórias populares e músicas, passando pelo período em que morei na cidade de Iguatu, onde fundamos o TAI (Teatro de Amadores de Iguatu), ensaiando os primeiros passos com a literatura de Cordel.

Contei do tempo em que morei em Crateús e Estudei Teologia em Recife, quando entrei no campo das composições musicais (entre 1981 a 1990).

Neste ano de 2011, estou celebrando os 30 anos da primeira música: “Povo Novo”, espalhada pela PJMP (Pastoral da Juventude do Meio Popular). Atualmente, além das viagens, temos o Projeto Sertão Vivo, na roça de Orós, que por quase 15 anos estamos apostamos na arte,nos cuidados com a saúde e na sensibilização e educação ambiental.

Após esse relato, perguntei para as pessoas presentes o que é arte, nas suas experiências de vida e missão. “Beleza, encanto, mística, inspiração da alma, força de animação das lutas, cultura, dança, pintura, poesia, alegria, expressão de nossa identidade...” foram algumas das palavras vindas dos corações presentes.

Seguindo a reflexão, procurei resumir minha percepção e experiência com arte em suas dimensões:

a) Arte-educação – quantas belas experiências existem por aí, sensibilizando e capacitando pessoas para um olhar contemplativo e de encanto sobre o mundo e a história, para a criação da beleza, para novos comportamentos proféticos, abertos ao diálogo e convívio nas diferenças, para construção de Culturas de Vida e Paz;

b) Arte-profissão – quando em 1988, fiz a opção de sobreviver da música e da poesia, não foi fácil, não era conhecido e fui alertado, por Dom Fragoso, então bispo de Crateús, com quem convivia e trabalhava, de que poderia enfrentar dificuldades. Fui descobrindo que o artista pode sim, viver do suor de sua arte. Aqui relembro uma frase do poeta e herói revolucionário nicaragüense, Carlos Fonseca, impressa numa nota de dinheiro: “não somos peixes para viver da água, não somos aves para viver no ar, somos homens para viver da terra”, aqui vale a adaptação: “somos artistas, para vivermos da arte”.

Na época em que criamos o MARCA – Movimento de Artistas da Caminhada, um desafio pouco trabalhado foi exatamente a diferença entre artistas de profissão e artistas com outras profissões. Chamávamos de “artistas militantes” e “militantes artistas”. Hoje é possível e necessária uma melhor abordagem, incluindo aí nas leituras de conjunturas e estudos, o tema das produções e do mercado de arte, em todos os campos: música, moda, culinária, feiras, festas, produções visuais etc.

Como esse tema se faz presente na chamada Economia Solidária? Temos lamentado, quando nos reunimos, sobre as dificuldades encontradas; não raras vezes, quando acontece algum convite para criarmos ou apresentarmos nossas artes em Igrejas ou outros espaços coordenados por pessoas vindas das Comunidades e Movimentos Populares, que tudo parece mais exigente e difícil. Há situações em que nos pedem para atuar voluntariamente, em eventos beneficentes, mas nos mesmos eventos, contratam artistas ou bandas comerciais e pagam seus cachês.

Há situações mais graves em que pagamos pra trabalhar, pois nem somos perguntados(as) se tivemos alguma despesa de viagem. Vale fazermos uma alusão ao descaso com a memória dos nomes e dos direitos autorais, nas obras postas e circuladas entre nós. Não será essa uma questão de justiça, importante e em sintonia com tema do próximo inter-eclesial a estarmos atentos?

c) Arte-terapia – muitas experiências, em muitos lugares, nesse campo do cuidado e até da cura de graves problemas de saúde, através da arte que desperta, motiva, eleva o ser humano, para a sua vocação e missão holística! Tais experiências – dança,teatro,hip-hop,pintura... estão notadamente nas periferias das cidades, onde a arte está oferecendo alternativas de vida e saúde humana para as crianças e jovens em situação de risco, pelo tráfico de drogas e a cultura da violência.

d) Arte-sacra, celebrativa –está presente com todas as suas linguagens, desde os tempos mais remotos, nos templos e nos mais diferentes rituais. Quantos(as) artistas e movimentos, existiram, que mesmo tendo que sobreviver com as chamadas encomendas e censuras, deixaram as suas marcas proféticas na Caminhada da humanidade.

Hoje, nas celebrações populares, romarias, liturgias, como estamos percebendo e refletindo sobre o papel das artes e seus (as) artistas?

Como encaramos a dicotomia imposta pelos setores mais reacionários entre o que classificam como “arte sacra”, aquela criada e usada dentro das Igrejas, versus “Arte mundana ou, profana”,a que circula no âmbito da sociedade civil?

Como estamos percebendo os movimentos do mercado crescente e lucrativo nesse campo da arte sacra? Assim como existe hoje o agro-hidro-negócio, estamos vendo crescer também o “sacro-negócio”. Temos estudado muito pouco o fenômeno dos padres cantores e outras expressões, infladas pela grande mídia.

As CEBs, a meu ver, vem mantendo certo retraimento sobre construção de um projeto de arte, não ocupando um espaço importante, para trazermos a discussão sobre os conteúdos, a nossa relação com Teologia da Libertação, com as Culturas atuais e com as categorias artísticas.

MEMÓRIA E MISSÃO DA ARTE NA CAMINHADA:

Com apoio de Batista, do secretariado do inter-eclesial e de Marcos, artista plástico e padre em Valença-RJ, trouxemos uma rápida memória da arte na Caminhada das CEBs, em especial nos grandes encontros, iniciando pela apresentação dos cartazes de todos os Inter-eclesiais; tecendo alguns comentários emocionados de pessoas presentes que viveram aqueles momentos marcantes. Temperamos com cantos criados naqueles tempos favoráveis. Lembramos nomes de quem contribuiu com criações artísticas significativas – Patrício, o cego poeta do Maranhão, PE. Leôncio Asfuri, do Acre, Zé Germano, o violeiro do Ceará, Dona Rosa Dias do DF, Zé Martins, companheiro cantor, falecido em 2009, Cerezo Barredo, Domingos Sávio, Adélia Carvalho, Anderson Augusto e Elda Broilo nas artes plásticas, só para lembrarmos alguns, entre tantos nomes.

Vimos alguns caminhos seguidos nos campos das produções.

O primeiro e muito eficaz, tem sido esse do cuidado e das publicações locais. A primeira gravadora precisa ser sempre o coração da Comunidade. Da fitas k-7, aos CDs artesanais, das camisetas aos DVDs, criados nos fundos de quintais.

Outro caminho aberto, se deu no âmbito das Editoras mais conhecidas: Paulinas, com a coleção “Canto das Comunidades” em discos (LPs),depois em CDs e livros. A Paulus, em primeiro tempo, nas áreas dos livros e depois em CDs, VERBO FILMES, com todo o acervo de filmes históricos, como “Pé-Fé na Caminhada” entre outros e o antológico Disco “Caminhada dos Mártires”, feito com orientação de D. Pedro Casaldáliga.

O CEBI, com vasta produção popular sobre a leitura popular da Bíblia e o CD “Em nome do primeiro amor” (Paulus). Nos últimos Inter-eclesiais, Zé Martins e Angela, através do CENOR (criado por ele), coordenou a produção musical, voltada exclusivamente para as celebrações e animação da caminhada interna das CEBs. Tem também várias produções chamadas “independentes” circulando e motivando a nossa caminhada.

Foram vários os comentários, sobre os conteúdos e os símbolos presentes nos cartazes e outras criações artísticas – a Bíblia, o mapa da América Latina, a cruz, o anel de tucum, o caminho,o trem... - a proposta eclesial e política presentes em nossa vasta criação artística, o espaço Memória e Caminhada, cuidado pelo Irmão Renato em Brasília, apresentado por Sérgio Coutinho e Pe. Nelito, já tem um acervo importante.

Parece urgente, a pesquisa mais apurada e a criação de espaços e eventos para possibilitarmos uma maior visibilidade de nossa memória artística, com a devida referência e reverência a quem cria e acredita na arte, como uma fonte viva que anima e alimenta as profundas razões de vida e organizações populares.

PROJETO DE ARTE NA CAMINHADA DAS CEBs – DESAFIOS E POSSIBILDADES

Temos consciência do potencial artístico presente na Caminhada das CEBs e Movimentos Populares?

Está claro, para nós artistas da Caminhada, agentes pastorais, assessores,bispos e padres que acompanhamos essa Caminhada, que a arte pode ser considerada como Ministério importante a serviço da vida comunitária e da missão na construção de outro mundo possível, segunda a mística do Reino do Divino Artista da Vida?

A meu ver parece claro que temos dedicado pouca atenção a esse tema, e vamos reproduzindo a cultura de mercado, que sobrevive de encomendas, para seus eventos de impacto passageiro e que precisa sempre de outro evento para passar novo produto, sua marca. Nesse sentido lembrei na Ampliada de Crato, que não tenho usado tanto a expressão CEBs, nas músicas que componho, mas espero não deixar dúvidas quanto às bandeiras e causas cantadas, como sendo da Caminhada das Comunidades Eclesiais de Base; mas também estão nas mãos e corações das Pastorais Sociais e Vários Movimentos Populares. No nosso caso, não me sinto tranquilo, quanto ao destaque absoluto da marca “CEBs”. Penso que poderíamos repensá-la, procurando evidenciar mais as grandes causas as quais estamos assumindo. Poderemos ter nas CEBs uma boa marca, estilo etiqueta do Reino, mais discreta, evidenciando os grandes conteúdos que assumimos.

No curto espaço de tempo, dedicado ao assunto, apenas levantamos alguns desafios e possíveis ações a trilharmos, considerando a importância de construirmos um Projeto de Arte mais em longo prazo, assumindo alguns bons desafios, tais como:

· Mapeamento do que existe de artes na caminhada, criadores(ras) e produtores(ras), contemplando a diversidade de crenças e culturas existentes hoje;

· Criarmos um programa destinado à capacitação de artistas, promotores de eventos e vendedores, seguindo a dinâmica da Economia Solidária;

· Motivar algumas pessoas responsáveis pelas assessorias, para que pesquisem e escrevam sobre esse tema “arte” na Caminhada das CEBs. Na ocasião, lembramos ao Manfredo Oliveira, Benedito Ferraro e outros homens e mulheres que nos acompanham sempre, solicitando mais atenção sobre esse assunto;

· Na perspectiva do 13º Inter-eclesial, já estão marcados alguns eventos, como o Seminário com artistas, a produção de algum subsídio musical,mas aberto,para os meios de comunicação etc. Que rumo queremos imprimir a esses eventos? Como organizar melhor a nossa missão nessa área artística, nos vários campos – música, artes plásticas, moda alternativa, culinária, artesanato etc.?

· Ver como planejar melhor e preparar mais a presença de artistas das comunidades e regionais nas delegações que virão para as Ampliadas e ao inter-eclesial.

· É urgente pensarmos na criação de um Setor, com estrutura mínima e recursos, para esse serviço, mais em longo prazo. Penso que esta não é mais uma tarefa só de uma pessoa, nem de uma equipe localizada, mas é uma responsabilidade do conjunto das CEBs, através de suas instâncias representativas.

· Estudar mais profundamente a relação arte e liturgia nas CEBs.

· Lembramos que a CNBB, oferece o prêmio “Margarida de Prata”, a filmes brasileiros que tratam de temas coerentes com as causas defendidas pela Igreja, não seria interessante abrir para outras linguagens de artes, que brotam na Caminhada?

Agradecido pela atenção e carinho com quem a turma da Ampliada Nacional, acolheu e entrou na reflexão e a sinalização para trilharmos juntos, abrindo novos caminhos para a Arte na Caminhada.

Zé Vicente – poeta-cantor

Contato: zvi@uol.com.br



Leia também: http://www.overmundo.com.br/overblog/justica-e-beleza-se-abracam-na-obra-de-ze-vicente


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Ciclo junino em Sergipe : decadência ou revitalização?

José Paulino da Silva – Doutor em Filosofia e História da Educação

O Centro de Criatividade, visando comemorar o aniversário de 26 anos de fundação promoveu no dia 10 próximo passado, um fórum junino com o objetivo de discutir a “Contribuição dos festejos juninos para a formação da Identidade Cultural Sergipana”. Convidado para ser um dos provocadores deste tema, aceitei por acreditar que esta discussão mantém acesa a chama da defesa da cultura popular brasileira da qual o ciclo junino é um segmento. E por entender também que a melhor forma de manter a identidade cultural de um povo é oportunizar-lhe meios para que possa continuar a expressar-se produzindo cultura e (usu)fruindo da produção cultural. A identidade de um povo é uma realidade dinâmica em constante elaboração. Ao longo do processo de sua construção algumas características vão perdendo sua força, outras se acentuam. Ao interagir com outras culturas, os povos e segmentos populares reelaboram sua própria produção simbólica. Entre as instituições que exercem influência cultural, citamos o poder político e econômico representados , entre outros, por agentes públicos e meios de comunicação. Mas é a própria população que deve assumir-se como protagonista de sua vida incluindo sua cultura.

Para nós sergipanos, o ciclo junino é um período denso de significado. Seu traço mais marcante é a celebração da festividade através da dança e da música como momento de participação efetiva do povo. Como afirmei em outra oportunidade, “a festividade se apóia em memória e crenças comuns, alimenta esperanças coletivas, celebra a vida, favorece a gratuidade do criar, o compartilhar desinteressado, o reencontro com a alegria de viver e do conviver que reconcilia o homem consigo, como os outros, com o cosmos, lembrando-o que a felicidade é direito e meta de todos”(CD Vozes e Toques Sergipanos).

Megashows x celebração festiva

Sem querer ser pessimista, nem muito menos saudosista, tenho constatado que o ciclo junino em Sergipe, está perdendo o sentido de celebração, de efetiva participação da população. Basta verificar o que ocorre com a música e a dança, duas expressões mais representativas deste ciclo. Tem sido crescente a sua desvalorização causada pela ganância dos grupos que comandam a indústria cultural dos mega-shows e pela permanente ausência de uma política pública comprometida com os valores da cultura popular. A união destes dois fatores negativos tem causado desgaste, prejuízo e humilhação a artistas deste ciclo e, sobretudo, tem privado o povo do prazer da dança, da alegria do brincar. Os mega-shows musicais que primam pela espetacularização, são vendidos como entretenimentos a uma platéia de consumidores que já não dançam nem cantam, mas são expectadores da exibição do que acontece no palco’.

A transformação de Aracaju num grande pólo dos festejos juninos com dois grandes espaços, um situado no mercado municipal e outro na orla da Atalaia, tem prejudicado sensivelmente os demais bairros e as cidades que integram a grande Aracaju. Em pouco tempo o pólo denominado de Forró Caju do mercado municipal apagou literalmente as fogueiras da tradicional rua São João bem como o brilho dos festejos que se realizavam nas ruas do bairro Santo Antônio.

A programação junina em todo estado tem se tornado repetitiva. Tem acontecido a cada ano, uma homogeneização da programação na qual se priorizam os artistas de fora e as bandas de forró eletrônico, colocando-os nos melhores horários, nos maiores palcos, com maiores cachês, em detrimento dos trios de forró e grupos dos artistas locais.. Como exemplo de desvalorização do artista local, basta olhar a propaganda veiculada nas revistas de circulação nacional e na imprensa local, sobre o Forró Caju: um cartaz com o rosto de vários artistas nordestinos, mas nenhum sergipano! Para enfrentamento desta questão, sem dúvida, desagradável, humilhante, não basta uma legislação que estabeleça critérios justos e transparentes. É necessário vontade política por parte dos gestores públicos e evidentemente, senso ético. Vontade política ligada mais ao fazer do que ao dizer.Vale aqui citar o exemplo que está acontecendo atualmente no Estado da Paraíba. O secretário de Cultura daquele Estado, Chico César decidiu não liberar verbas para as prefeituras contratarem as bandas de “forró de plástico”. A reação a esta sua decisão, diz matéria veiculada na imprensa, foi como “soltar um busca-pé numa sala de reboco lotada.” (Folha de São Paulo. E 4 Ilustrada, Edição de 8 de maio de 2011. RAIZ FORTE). É importante observar que a decisão do secretário Chico César teve total apoio do governador e de outros artistas de renome nacional.

Há quem defenda que esta realidade a que chegou o ciclo junino em Sergipe, seja irreversível, decorrente da dinâmica dos fatos. Afinal a sua espetacularização não tem aumentado o fluxo turístico, inclusive trazendo mais divisas para o comércio local? A concentração dos espetáculos não tem sido uma boa para o marketing das empresas financiadoras e também um excelente palco para maior visibilidade dos políticos, especialmente quando é ano eleitoral? Admitir este raciocínio é concordar que tudo está bom, tudo está bonito. Apatia por parte da sociedade civil, conformismo ou silêncio por parte da maioria dos artistas que se acreditam na condição de nada poder dizer. E é isto o que os grupos que se apropriam dos valores da cultura do povo e os gestores inescrupulosos querem que aconteça.

Será que tudo está perdido?

Acredito que não. Muita coisa pode ser feita. Um ponto de partida é não ficar de braços cruzados, esperando que tudo venha das mãos do poder público, como benesse do líder político. Isto não significa que não se deva exigir do gestor político a responsabilidade de administrar bem as coisas públicas. É importante que a população discuta através de suas associações as possíveis formas para resgatar sua efetiva participação nas manifestações do ciclo junino e estimular o direito à alegria, ao lazer sadio na volta da celebração festiva deste ciclo

Revitalizar o ciclo junino não pode ser entendido como saudosismo ou um simples retorno ao passado. Queremos aqui lembrar que há uma relação dinâmica entre passado, presente e futuro. Entender a relação entre memória e história é uma chave importante para quem quer conhecer a realidade atual e propor ações afirmativas para sua transformação. Lembro um pensamento do filósofo Bergson ”A memória que se atualiza no presente, e que se move do passado em direção ao presente, não se detêm nele; pela própria natureza contínua da duração, ela é portadora do futuro.” A história do ciclo junino, com toda sua plasticidade, toda sua beleza, toda sua riqueza de significados, continua muito viva na memória da população, especialmente dos moradores dos bairros mais populares mais antigos. Como aproveitar este potencial?

Algumas sugestões

O filósofo cubano José Martí dizia que O fazer, é a melhor forma do dizer. ” Creio que o objetivo deste Fórum Junino foi indagar a cada um de nós,(população, gestores públicos, artistas, empresários, mídia) do lugar onde estamos, o que podemos fazer ante a questão do ciclo junino e a identidade sergipana . Eis algumas sugestões:

· A criação de Pólos-Arraiais nos bairros, com infra-estrutura necessária para boas apresentações e dança de forró.

· Estimular os moradores dos conjuntos e condomínios a fazerem seu São João.

· Resgatar e devolver aos moradores das comunidades, os espaços denominados de “Barracões Culturais” que foram construídos com dinheiro público e hoje se encontram abandonados ou invadidos. Fazer circular nestes barracões artistas locais com programação semanal.

· Buscar com a população local, iniciativas que possam reativar, brincadeiras como ‘O Arraial do Arranca Unha’ e revitalização de espaços como, a ‘Rua São João,’ ‘Espaço Cultural o Gonzagão’.

· As danças do ciclo junino (forró, quadrilhas, côco de roda) poderiam se constituir em matéria de ensino nas escolas, e de dinamização nos barracões culturais visando a integração da geração jovem com os valores deste ciclo.

· Apoiar as quadrilhas no sentido de que elas encontrem um equilíbrio entre o tradicional e o contemporâneo (estilização) estimulando-as a manter maior envolvimento com a comunidade, através da realização de um trabalho sócio-educativo junto à juventude, pessoas de terceira idade...sem perder a dimensão de ser uma expressão cultural que devolva ao povo o direito à alegria e do divertir-se coletivamente.

· Mantendo a similaridade com o Festival de Verão, promover sempre no mês de maio um Grande Forró da Juventude, com a participação de jovens sanfoneiros de todo o Brasil, interiorizando este festival nos centros maiores dos oito territórios sergipanos.

· Manter acesa a chama do Fórum de Forró de Aracaju, evitando deixar para última hora as providências necessárias para sua realização.

· Criar uma comissão mista (poder público, sociedade civil, representante dos artistas) para definir critérios transparentes para programação de shows pagos com o dinheiro público.

Como disse antes, cada um a seu modo, pode contribuir para a revitalização do ciclo junino. Esta é uma luta de todos na qual a responsabilidade maior deve ser dos gestores públicos. Esses tem o dever de induzir políticas e destinar recursos a eventos que valorizem os artistas, os espaços e equipamentos relativos a este ciclo para que a população possa expressar sua alegria de viver, celebrando esta festividade como participante efetivo e não como simples espectador.

Financiamento cultural sem comprometer a autonomia

Plataformas de crowdfunding começaram a se espalhar pelo Brasil desde o início deste ano. A ideia nada mais é do que a reinvenção contemporânea da famosa vaquinha, só que desta vez baseada na internet e destinada a bancar projetos culturais independentes

por Lucas Pretti

(publicado originalmente no jornal “Le Monde Diplomatique Brasil”, junho 2011
http://diplomatique.uol.com.br/artigo.php?id=955
)

ilustração de Allan Sieber

Dinheiro é sempre o problema dos produtores culturais, seres estranhos estes – afinal, quem mais sente prazer ao tentar o equilíbrio (talvez) impossível entre manifestação artística genuína e viabilidade comercial? Até pouco tempo, havia no Brasil três saídas para o problema “quem banca a minha arte?”, todas com algum nível de contradição: ficar atento aos editais públicos (migalhas do orçamento distribuídas a alguns poucos felizardos); convencer empresas a reverter parte de seus impostos via leis de incentivo fiscal (e submeter o projeto aos interesses da marca); ou “empreender” (o que, em muitos casos, significa “vender cerveja no bar do teatro para produzir a peça”). Tudo muito duro e absolutamente ligado à sorte de ser escolhido por comissões duvidosas, ter amigos ou parentes influentes nos departamentos de marketing ou atrair alguns bacanas para comprar a cerveja salvadora.

Mas eis que veio a internet, tempos estranhos estes – afinal, quando mais houve tanta semelhança entre questionar e pertencer ao sistema? Ter uma ideia relevante, conseguir espalhá-la pelos nichos de interessados no assunto e falar, falar, falar, foi a possibilidade que a sociedade em rede proporcionou aos produtores culturais. A febre recente no Brasil dos sites de crowdfunding mostra que o futuro e a garantia das produções brasileiras independentes (talvez) estejam exatamente na comunicação entre pessoas em rede.

A tradução literal de “crowdfunding” é “financiamento pela multidão”. Lógica simples, nada mais que a reinvenção contemporânea da vaquinha. Se cada um de nós tem R$ 50, juntos podemos ter milhares de reais. Desde o início do ano, mais de vinte sites brasileiros se propõem a intermediar o contato, a vaquinha, entre criadores de projetos e a multidão financiadora.

Com exemplos fica mais fácil entender. A jornalista paulistana Natália Garcia, de 27 anos, concebeu o projeto Cidades Para Pessoas, no início de 2011, depois de pesquisar e militar durante quatro anos pela causa da mobilidade urbana e o uso massivo de bicicletas como meio de transporte em metrópoles. Ela vislumbrou a apuração profunda e a produção de dossiês-reportagem com as experiências de doze cidades do mundo na busca por um convívio pacífico da população com os carros, sem privilegiar as máquinas – e quanto isso poderia servir de exemplo, inspiração e projeto para o “desplanejamento” de São Paulo. Contatou então o urbanista dinamarquês Jan Gehl, responsável pelo redesenho de Copenhague e diversas outras metrópoles pelo mundo, e fechou, a partir dos critérios do especialista, a lista dos destinos, da qual constam, por exemplo, Roterdã e Cidade do México. O projeto duraria doze meses, um mês de vida e pesquisa em cada cidade, e consumiria R$ 25 mil – gastos reduzidíssimos, prevendo hospedagem solidária e máxima economia com voos e trens locais.

Natália poderia seguir um dos três caminhos tradicionais da produção cultural. Detalharia nome, objetivo geral, objetivos específicos, metas, justificativa, cronograma, acessibilidade, democratização do acesso, contrapartidas, orçamento etc. etc. etc. e submeteria tudo a meses de espera e mínimas chances de aprovação em editais públicos; faria a peregrinação entre empresas para convencer gente não tão interessada em repensar o desenvolvimento das cidades brasileiras e em associar a marca a algo que não geraria lucro nem teria visibilidade; ou tentaria o tal “empreendimento individual”, quase inviável neste caso: teria de vender cerveja demais…

Ela preferiu apostar em dois estudantes de administração de empresas, Diego Borin Reeberg e Luís Otávio Ribeiro, que preparavam a estreia da plataforma Catarse (catarse.me), hoje a mais antiga (tem quatro meses) e mais bem-sucedida iniciativa brasileira de crowdfunding. A dupla reproduziu no país o modelo inaugurado pelo site Kickstarter (kickstarter.com), que em abril completou dois anos de atividades nos Estados Unidos, e a realização de mais de 2 mil projetos com US$ 40 milhões arrecadados. Natália, então, produziu um vídeo apresentando seu Cidades Para Pessoas, e espalhou pela rede a tal ideia de viajar doze cidades e trazer soluções para São Paulo. Para isso, precisaria da ajuda voluntária de internautas, que poderiam doar qualquer quantia. O projeto só daria certo caso conseguisse, em três meses de campanha, juntar os R$ 25 mil. Caso contrário, os financiadores teriam o dinheiro devolvido.

Se tentarmos adivinhar pelas postagens no Facebook, neste momento a jornalista Natália Garcia deve estar pedalando por alguma ciclovia de Copenhague, isso se já não partiu para Oslo, o segundo destino da empreitada. Em noventa dias, ela levantou os R$ 25 mil e realiza agora, com independência absoluta, um dos projetos de sua vida – e que se tornou o primeiro grande case brasileiro de crowdfunding. Um trabalho jornalístico de interesse público indiscutível, financiado pelas pessoas, que só puderam se conhecer e colaborar porque estavam conectadas em rede.

Não é só bom coração

Dizendo assim, parece que todos os problemas estão resolvidos. Basta algum trabalho de divulgação na internet e, pronto, há dinheiro para qualquer coisa. Pura ilusão, ainda bem. Há duas características comuns entre os projetos que conseguiram se viabilizar via crowdfunding no Brasil, um país de cultura colaborativa por natureza, sem dúvida, mas também bastante desconfiado quando o assunto é dar dinheiro para pessoas desconhecidas. A primeira é mesmo o interesse público, a quantidade de pessoas que se beneficiaria com a realização do projeto e a importância moral de financiá-lo. O Cidades Para Pessoas é um exemplo, assim como o projeto Morar, do Coletivo Garapa, que pretende realizar, com R$ 16 mil, uma publicação e um blog com registros fotográficos dos moradores e dos escombros dos edifícios São Vito e Mercúrio, no centro de São Paulo, desocupados e em processo de demolição, num projeto discutível da prefeitura paulistana.

A segunda característica é a dificuldade que o dono da ideia teria em tirá-la do papel pelas vias tradicionais. Quanto mais improvável, mais o senso de caridade entra em jogo. Costumam comover apoiadores, pequenos empreendimentos pessoais como editar um livro, reformar um teatro, gravar e prensar CDs de música, fazer um filme. Quanto mais independência, quanto menos possibilidades, mais chance. Quando, por exemplo, a artista plástica Maíra das Neves poderia planejar que muitas pessoas a ajudariam, com R$ 5 mil, a mobiliar seu ateliê, no Rio de Janeiro, com apenas 1 m2, mas um pé-direito muito alto?

Todas as plataformas de crowdfunding funcionam com a lógica da contrapartida. Cada quantia doada vale uma recompensa ao doador, que passa também a interagir e integrar, de certa forma, o projeto. O Coletivo Garapa promete imprimir fotos e dar várias cópias do jornal aos patrocinadores. Já Natália Garcia vai produzir boletins semanais sobre a aventura nas doze cidades, e dar o livro completo ao final de um ano. E o Movimento Elefantes, coletivo de big bands paulistas que pediu R$ 1.980 para prensar CDs, vai enviar para a casa dos mecenas um álbum autografado pelas dez bandas. Isso torna a relação limpa, transparente. Trata-se sempre de empreendimentos privados, com interesse específico. Se você resolver apoiar, recebe algo em troca, como numa transação comercial tradicional. Senso de justiça muito bem-vindo num tempo em que tanto dinheiro público é usado para produções privadas, a maior aberração da nossa Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) que, em geral, acaba favorecendo o marketing individual em detrimento da necessidade coletiva.

Não é apenas assim em países como os Estados Unidos, em que a prática do crowdfunding não é mais novidade. Claro que o interesse público e a dificuldade de viabilizar entram na conta e na tomada de decisão sobre apoiar ou não um projeto. A diferença é que, por lá, já se desenvolveu um sentimento que no Brasil ainda começa a tomar forma, pelo menos enquanto a tela do computador é intermediária: ajudar por ajudar, de graça, sem nada em troca, apenas pelo prazer de ver alguém feliz realizando seu projeto. Ao escolher a quantia a ser doada, é possível optar por não respeitar a lógica da contrapartida e simplesmente destinar o dinheiro. Toda a lógica da cultura digital, da vida em rede, em comunidades, é baseada nesse tipo de confiança e ajuda mútua.

Foi com esse intuito que o Kickstarter nasceu, em abril de 2009, em Nova York, pela mão de três jovens americanos – esse tipo de “empreendedor hype” que nasce às pencas no mundo pós-Google, pregando a flexibilidade no trabalho, a criatividade, a alegria e muita grana no final do mês, sem atropelar ninguém (ou sem ninguém perceber o atropelamento). Eles inauguraram o modelo de negócio. Uma parceria com a Amazon Payments garante a segurança das transações, que rende 5% do total para os donos (e 95% para os autores de projetos).

As plataformas de crowdfunding brasileiras também não proliferam à toa. É um nicho de negócio muito lucrativo, sob a lógica de intermediação há muito estabelecida pela internet, em que o intermediário não precisa acumular tanto dinheiro nem explorar seus clientes (como fazem as gravadoras, editoras, agências e outros mal-intencionados no mercado tradicional). Ganham todos. O dono da ideia tem o projeto realizado. Os patrocinadores recebem algo útil em troca, e dormem tranquilos por terem ajudado alguém de boa-fé. E os donos do site recebem os 5% de taxa administrativa em agradecimento à hospitalidade – afinal, foi na “casa” deles que as duas pontas da produção (projeto e financiadores) se conheceram. A Estante Virtual (estantevirtual.com.br), site que possibilita aos sebos a venda de livros por preços baixíssimos, era até então o melhor exemplo brasileiro desse negócio típico da cultura digital. Para que enriquecer se eu posso apenas facilitar a vida de muita gente e viver bem? É, sim, um rompimento com a visão de mundo do capitalismo pré-internet.

Homo ludens

Em 2010, o escritor e publisher norte-americano Craig Mod já tinha escrito e diagramado o livro Art space Tokyo, um guia de arte na capital japonesa; faltava imprimir e distribuir. Menos por altruísmo que pelo interesse de ter seu projeto realizado, ele fez um estudo detalhado de como se dar bem em sites de crowdfunding, tendo como cobaia ele mesmo. Terminou por entender a lógica do comportamento de internautas quando diante de um projeto. E descobriu a palavra mágica: jogo.

Segundo a teoria de Mod, publicada em bit.ly/craigmod, a primeira regra é não deixar o orçamento do projeto alto demais. Isso traz a sensação de que o autor está buscando mais vantagens pessoais do que realmente a viabilização de sua ideia. Claro que o custo é relativo e depende muito das proporções do projeto. A recomendação é seguir o bom senso e a razoabilidade.

A segunda regra é respeitar o que a revista Wiredjá postulava em março de 2007, com a capa “Get Naked” (“Fique Nu”), cuja reportagem principal discutiu a necessidade de transparência total entre empresas, instituições e pessoas nas relações pela internet. Ou seja, não mentir. Se o orçamento é R$ 10 mil, é recomendável abrir os gastos, mostrar as planilhas, mesmo que nelas esteja o valor do lucro pessoal. Quem navega pela cultura digital não vê problema nenhum nisso. A doação é mais provável quando o doador sabe exatamente onde seu dinheiro vai parar. (E isso vale para todas as esferas da sociedade em rede, política, trabalho, relações pessoais etc., mas é outra discussão).

A terceira regra diz respeito à quantia doada por cada apoiador. Antes de formatar o seu, Craig Mod pesquisou detalhes dos últimos trinta projetos bem-sucedidos no Kickstarter e identificou um traço comum. A maioria das doações foi de US$ 50 (23% do total), seguidas por US$ 100 (16%), depois US$ 500 ou US$ 25 (9% cada). Metade dos orçamentos dos projetos veio de pessoas doando essas quantias, levando à conclusão que se pode esperar muitos doando quantias pequenas (US$ 25 ou US$ 50) e, alguns, quantias grandes (US$ 100 ou US$ 500). Pouquíssimos escolheram doar valores muito baixos ou muito altos. Adaptar o orçamento a esse comportamento foi um cuidado que o escritor teve.

A última percepção de Mod talvez seja o centro de toda a questão. Cada autor de um projeto de crowdfunding pode escolher o período durante o qual as doações podem ser feitas, ou seja, quanto tempo cada campanha vai durar. Ele optou por apenas quatro semanas – exatamente por intuir a lógica do jogo. Nas duas primeiras semanas, o gráfico do dinheiro que entrou foi muito ascendente, atingindo US$ 15 mil rapidamente. Na terceira semana o ritmo praticamente congelou, para, então, na última, voltar a crescer e atingir o total de US$ 25 mil que o escritor havia pedido no início. A conclusão de Mod é que a perspectiva do jogo, da gincana, do tempo que vai esgotar, estimula as pessoas a doar, como se fosse uma tarefa a cumprir, uma competição a vencer. Tanto que, no texto em que descreve a experiência, ele afirma que, se pudesse refazê-la, tentaria captar os US$ 25 mil em três semanas, uma a menos. É mais incendiário, mais urgente. “Em crowdfunding, campanhas curtas são mais eficientes”, diz.

Quando se fala em cultura contemporânea baseada em redes digitais é preciso ter em mente que se fala em revolução. A perspectiva do mundo conectado e da velocidade de comunicação, interação, troca, construção coletiva, fazem delirar qualquer futurólogo hippie dos anos 60, que lutava por liberdade e por uma cultura planetária interconectada. Qualquer aparelho celular, hoje, pode fazer ligações via Skype, utilizando redes Wi-Fi e ignorando as redes de telefonia celular. Na própria essência do aparelho, do produto, está sua destruição. Esse tipo de contradição é a materialização da contracultura sessentista.

O crowdfunding é mais uma cor desse delírio coletivo que a internet causa por definição, mesmo com tantas empresas e governos querendo controlar o incontrolável e lucrar como se fazia há vinte anos. O mundo em rede serve para questionar, expandir, testar os limites da ordem. Em entrevista ao projeto Produção Cultural no Brasil, o produtor Cláudio Prado, coordenador do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital, resume o que chama de atitude cultural pós-rancor: “A internet abre horizontes, possibilidades. Você vê coisas acontecendo, se estimula e estimula outros. Este é o desbunde. Eu vejo todos os dias gente com sonhos. Não tinha gente com sonhos até há pouco tempo. O sonho era arrumar um bom emprego, um bom salário”.

Na produção cultural brasileira, o crowdfunding abriu um quarto caminho, quase absolutamente puro, para levantar dinheiro e materializar ideias improváveis. Abriu a possibilidade do sonho.

Lucas Pretti
Jornalista, ator e produtor cultural,
integrante da Casa da Cultura Digital em São Paulo/SP

Plataformas brasileiras de crowdfunding

Geral

www.catarse.me

www.benfeitoria.com

www.movere.me

Projetos culturais

www.multidao.art.br

www.incentivador.com.br

www.produrama.com.br

Outros

www.embolacha.com.br (música)

www.queremos.com.br (shows)

www.wacawaca.com.br (games)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sergipe ganha mais 16 Pontos de Cultura

A rede de Pontos de Cultura de Sergipe acaba de ganhar 16 novos integrantes. Na tarde da última sexta-feira, 27, foram anunciados os novos projetos que irão compor a rede que beneficia inúmeras instituições culturais do Estado.

Os Pontos de Cultura fazem parte de uma ação prioritária do Programa Mais Cultura, do Ministério da Cultura (MinC), adotado pela Secretaria de Cultura de Sergipe, que articula várias ações deste programa, através de iniciativas desenvolvidas pela sociedade civil. A iniciativa firma convênios, por meio da seleção por editais públicos, onde os Pontos são responsáveis por articular e impulsionar as ações que já existem nas suas comunidades.

O edital foi lançado no dia 28 de junho de 2010 e teve 32 projetos aptos para concorrer ao convênio, que foram avaliados e selecionados por uma comissão formada por seis integrantes, sendo destes, dois da Secult, dois do MinC e dois da sociedade civil, representada pelo Sesc e Sebrae/Se.

Para a secretária de Estado da Cultura, Eloísa Galdino, os Pontos de Cultura são fundamentais para a disseminação e fortalecimento da Cultura sergipana, em diferentes municípios do Estado. “Através dos Pontos mantemos a cultura popular brasileira viva, e em Sergipe, isso não poderia ser diferente. Lançamos o edital e aguardamos ansiosos pelos inscritos. Agora, só nos resta comemorar o sucesso da seleção e torcer para que os beneficiados façam jus a verba que estão recebendo”, destacou a gestora.

Avaliação

Os Pontos aprovados no edital são projetos sem fins lucrativos, de caráter cultural ou com histórico de atividades culturais; além de instituições que atuam na produção artístico-cultural há pelo menos dois anos, contribuindo para a inclusão social dos envolvidos. A banca julgadora foi formada por dois representantes do MinC, dois da Secult e dois da sociedade civil.

O secretário adjunto de Estado da Cultura, Marcelo Rangel, era um dos avaliadores que representaram a Secult. Segundo ele, os projetos passaram por uma triagem para analisar se atendiam os pré-requisitos necessários para concorrer e posteriormente receber o convênio. “Fizemos uma avaliação técnica para observar aspectos como relevância, público alvo, abrangência sócio-cultural de cada projeto e a que eles se propõem. Estamos julgando necessariamente, as ideias que os proponentes propuseram no papel, e assim avaliando-as segundos esses critérios”, explicou Rangel.

O representante do Ministério da Cultura, Carlos Henrique Chenaud, por sua vez, argumenta que a seleção criteriosa do MinC, juntamente com a comissão dos Estados, é importante pois traz um pouco da experiência e da realidade que os curadores do Ministério vêem em outros estados. “Já passamos por inúmeros estados fazendo a avaliação dos Pontos, e sabendo da filosofia do projeto Mais Cultura e de suas necessidades, nosso papel, é escolher projetos e ações culturais aqui em Sergipe, que se adéqüem a essa realidade e compartilhem da mesma ideologia”, acentuou Carlos Henrique.

Já para o curador Edinilson Nascimento, que representa a sociedade civil, através do Sebrae/SE, os projetos estão mais consistentes e mais capazes de serem contemplados. “Este é um processo avaliativo muito importante, e no meu caso, em especial, que estou participando pela segunda vez, é gratificante, pois percebo nas propostas o quanto as ações sócio-culturais de Sergipe estão evoluindo em seus projetos. Isso é muito bom, pois percebemos que o trabalho realizado pela Secult, através de oficinas de capacitação, que por vezes conta com o apoio do Sebrae/Se, está surtindo efeito”, apontou.

Seleção

A Rede de Pontos de Cultura do Estado de Sergipe será constituída pelas entidades privadas conveniadas a partir do edital. Confira abaixo a lista completa dos selecionados: Abaixo, a relação dos demais inscritos que não atingiram a pontuação exigida (superior a 50,00 pontos):

Filarmônica Nossa Sra Da Conceição (Agreste Central) – 69,59 pontos
Soc. Para Avanço Humano e Ecosófico (Grande Aracaju) – 65,53 pontos
Centro de Promoção de Desenvolvimento Sustentavel Ilê Acé O. O. Ladê (Grande Aracaju) – 64,48 pontos
Assoc. Circulante de Ed. Arte e Cultura (Grande Aracaju) – 60,83 pontos
Assoc. dos Moradores do Pov. Ladeirinha A (Baixo São Francisco) – 60,21 pontos
Ação Cultural (Grande Aracaju) – 59,58 pontos
Soc. Filarmônica Pe. Manoel Araújo (Agreste Central) – 58,20 pontos
Assoc. Sergipana de Desenvolvimento Comunitário e Resgate da Cidadania (Sul Sergipano) – 57,90 pontos
Instituto de Artes Cênica (Grande Aracaju) – 55,95 pontos
Grupo Teatral Boca de Cena (Grande Aracaju) – 55,77 pontos
Ação Social Prof. Elizabete (Leste Sergipano) – 55,30 pontos
Associação dos Artesãos de Poço Redondo (Alto Sertão) – 55,01 pontos
Associação Cultural Raízes Nordestinas (Alto Sertão) – 53,80 pontos
Federação Nacional Arte Albertina Brasil (Alto Sertão) – 53,19 pontos
Companhia de Artes Mafuá (Grande Aracaju) – 52,03 pontos
Instituto Vida Ativa (Alto Sertão) – 51,20 pontos

Abaixo, a relação dos demais inscritos que não atingiram a pontuação exigida (superior a 50,00 pontos):

Sociedade Ecoar (Grande Aracaju) – 41,56 pontos
Instituto Viver Aracaju (Grande Aracaju) – 47,03 pontos
Beija-flor Produções Artísticas (Grande Aracaju) – 40,1 pontos
Centro Social D. José Vicente Távora (Grande Aracaju) – 45,99 pontos
Liga Sergipana de Blocos e Escolas de Samba (Grande Aracaju) – 22,35 pontos
Assoc. Moradores e Amigos de Sto Amaro (Grande Aracaju) – 28,12 pontos
Assoc. Lagartense de Gays, Lesbicas e Transgeneros (Centro Sul) – 44,17 pontos
Gararu Sociedade Popular Educativa e Cultural (Alto Sertão) – 20,70 pontos
Assoc. de Escola de Musica Talentos Daqui (Agreste) – 23,81 pontos
Instituto de Pesquisa em Tecnologia e Inovação (Sul sergipano) – 36,20 pontos
Associação Indígena das Mulheres Xocós (Alto Sertão) – 39,42 pontos
Centro de Inclusão Social Tia Emília (Agreste) – 41,30 pontos
Associação de Desenvolvimento Social Bairro Olaria (alto Sertão) – 22,60 pontos
Assoc. Comunitária de Moita Bonita (Agreste) – 33,00 pontos
Assoc. de Moradores da Rua da Saudade (Sul sergipano) – 26,70 pontos

O Instituto Simaodiense (Centro Sul) foi desclassificado do processo seletivo por descumprir o item 5.4 do edital.

O que é Pontos de Cultura?
Assista aqui