informações sobre ações culturais de base comunitária, cultura periférica, contracultura, educação pública, educação popular, comunicação alternativa, teologia da libertação, memória histórica e economia solidária, assim como noticias e estudos referentes a análise de politica e gestão cultural, conjuntura, indústria cultural, direitos humanos, ecologia integral e etc., visando ao aumento de atividades que produzam geração de riqueza simbólica, afetiva e material = felicidade"
247 – Gonzaguinha, um dos maiores nomes da música popular brasileira, consolidou-se como uma das vozes mais contundentes contra a ditadura militar e como um dos principais intérpretes das angústias e esperanças do povo brasileiro. Morto em 29 de abril de 1991, em um acidente de carro no Paraná, o cantor e compositor deixou um legado artístico profundamente ligado à luta por democracia, justiça social e dignidade.
Filho de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, Gonzaguinha nasceu em 1945, no Rio de Janeiro, mas construiu uma trajetória própria, marcada pela independência estética e pelo engajamento político. Sua formação se deu em meio ao ambiente universitário e cultural dos anos 1960, período de intensa efervescência política no Brasil, interrompido pelo golpe militar de 1964.
Voz ativa contra a repressão
Desde o início da carreira, Gonzaguinha se destacou por letras diretas, muitas vezes duras, que confrontavam o autoritarismo e denunciavam a realidade social brasileira. Durante os anos mais repressivos da ditadura, foi um dos artistas mais atingidos pela censura, tendo diversas músicas proibidas pelos órgãos de controle do regime.
Entre suas composições mais emblemáticas está “Comportamento Geral”, que ironiza a submissão imposta à população:
A canção tornou-se um retrato crítico da sociedade sob o regime militar, denunciando a tentativa de domesticação da população por meio do medo e da repressão.
Outra música marcante, “Caminhos do Coração”, reforça o compromisso do artista com valores humanos e sociais, em contraste com a brutalidade do período.
O artista e o povo
Ao longo dos anos 1970 e 1980, Gonzaguinha ampliou seu alcance sem abrir mão do conteúdo político. Suas músicas passaram a dialogar com um público mais amplo, incorporando temas como esperança, solidariedade e a busca por sentido na vida cotidiana.
O maior exemplo dessa fase é “O que é, o que é?”, que se transformou em um dos hinos mais populares da música brasileira:
A canção sintetiza uma visão de mundo profundamente humanista, que dialoga com a resistência democrática ao afirmar a vida, a alegria e a dignidade como valores centrais.
Relação com Luiz Gonzaga e afirmação própria
A relação com seu pai, Luiz Gonzaga, foi inicialmente distante, mas se reaproximou ao longo do tempo. O reencontro artístico e afetivo entre os dois simboliza também a integração entre diferentes vertentes da música brasileira — o regional e o urbano, o tradicional e o político.
Apesar da herança, Gonzaguinha construiu uma identidade própria, marcada pela contundência das letras e pela postura crítica diante das injustiças sociais.
Legado político e cultural
Gonzaguinha não foi apenas um músico, mas um intelectual orgânico da cultura brasileira, que utilizou a arte como instrumento de transformação social. Sua obra dialoga diretamente com o processo de redemocratização do país e com a luta contra o autoritarismo.
Em um Brasil que ainda enfrenta desigualdades profundas e desafios democráticos, suas músicas seguem atuais, ecoando como denúncia e também como esperança.
Ao longo de sua trajetória, Gonzaguinha demonstrou que a música pode ser mais do que entretenimento: pode ser consciência, resistência e instrumento de mudança.
Sua morte precoce, aos 45 anos, interrompeu uma carreira em plena maturidade, mas não diminuiu a força de sua obra. Ao contrário, reforçou seu lugar como um dos artistas essenciais da MPB e como uma das vozes mais autênticas da resistência democrática no Brasil.
Ativista intenso no Movimento, Reall é o idealizador e criador do Coletivo de Artistas Afro-Descendentes em 2002.
sob sua coordenação este Coletivo realiza desde 2005 a Mostra Pluriartística Novembro, cujo objetivo é evidenciar a arte que é produzida, em sua maioria, na periferia da nossa cidade, principalmente por artistas afrodescendentes.
O Coletivo de Artistas Afro-Descendentes lamenta o falecimento do idealizador/criador do grupo, mas exaltamos o seu legado. São 24 Anos de Celebração da Cultura Afro-Sergipana: Por Igualdade na Diversidade! Legado este que não será esquecido nem descontinuado. Continuaremos essa celebração que será cada vez maior à medida que tomarmos cada vez mais consciência de que somos todos filhos da “Mãe África” – Berço da Humanidade.
Programa Viva-SE integra projetos que fortalecem a cultura e o turismo em Sergipe
Iniciativa compreende 19 intervenções com foco no desenvolvimento sustentável, valorização da sergipanidade e fomento à economia criativa
O fortalecimento da sergipanidade e o legado cultural do Estado são base para a implementação do Programa Integrado de Desenvolvimento Cultural e Turístico de Sergipe (Viva-SE), que já iniciou sua fase de execução. A primeira ordem de serviço, para implantação da Pinacoteca de Sergipe, foi assinada neste mês pelo governador Fábio Mitidieri. Ao todo, o programa reúne 19 projetos voltados à cultura e ao turismo, com foco na transformação social, desenvolvimento sustentável e fomento à economia criativa.
Instituído pelo Governo de Sergipe, através da Secretaria Especial de Planejamento, Orçamento e Inovação, da Cultura, Secretaria de Estado do Turismo, do Trabalho, do Emprego e do Empreendedorismo (Seteem), de Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura (Sedurbi) e Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap), em parceria com o Instituto Banese, o programa é viabilizado por meio de operação de crédito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com investimentos totais de R$ 195 milhões, aprovado na Assembleia Legislativa de Sergipe.
O secretário Especial de Planejamento, Orçamento e Inovação, Julio Filgueira, destaca o Viva-SE como um projeto de democratização ao acesso à cultura. “É um trabalho realizado de forma multidisciplinar, com um alinhamento entre várias secretarias e órgãos do Estado, para alcançar aquilo que a gente mais deseja: a valorização da nossa cultura e da nossa sergipanidade. O objetivo é preservar e democratizar o acesso à cultura no nosso estado, impulsionar o desenvolvimento sustentável e fomentar a economia criativa, respeitando as particularidades de cada região. Temos muitas entregas pela frente para fazer com que as manifestações culturais e o turismo em Sergipe sejam cada dia mais valorizados”, ressaltou.
Para além do resgate e preservação do patrimônio sergipano, os projetos do Viva-SE caracterizam-se também como vetores de transformação social, com a finalidade de impulsionar o desenvolvimento sustentável por meio da implementação de novos espaços de fomento à cultura e à economia criativa em diversas regiões de Sergipe, com foco na singularidade e especificidade de cada local.
Segundo o secretário Especial de Cultura, Valadares Filho, além da instalação de novos instrumentos turísticos, o projeto busca ainda a valorização dos espaços já existentes e a pluralidade, com destaque para a importância do turismo religioso e cultural.
“O Viva-SE é um programa que pensa a cultura como vetor de desenvolvimento para Sergipe. Ele integra patrimônio, identidade, turismo e economia criativa, respeitando a história de cada território e, ao mesmo tempo, projetando esses espaços para o futuro. Estamos falando de uma política pública estruturante, que articula diferentes órgãos, fortalece a rede de equipamentos culturais e amplia o acesso da população à cultura. O Governo de Sergipe colocando a cultura como sinônimo de desenvolvimento", enfatizou.
Principais intervenções
O Viva-SE é composto por 19 projetos divididos entre implantação, instalação e revitalização de equipamentos. Entre as principais intervenções, destaca-se a Pinacoteca, um espaço permanente para exposição, curadoria e educação cultural, que será instalado no Centro de Aracaju, com o objetivo de valorizar o acervo público de artes visuais. Também em Aracaju, o Mirante de Santo Antônio será um espaço destinado à contemplação da vista da cidade na colina do bairro Santo Antônio.
A Casa do Artesanato Sergipano abrange oito territórios com o objetivo de potencializar a cadeia produtiva do artesanato sergipano e valorizar as tipologias regionais. O Museu do Forró será um espaço dedicado à valorização do forró, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Sergipe, no Complexo Cultural Gonzagão, em Aracaju. O Vila Vaticano trata-se de um projeto de revitalização urbana de casarões históricos no Centro de Aracaju, com foco em direcionar novos usos aos espaços e promover o turismo na região central da capital.
Ao todo, serão instalados cinco memoriais regionais que funcionarão como espaço para exposição, valorização e preservação das manifestações culturais, são eles: Memorial Arthur Bispo do Rosário, em Japaratuba; Memorial Escritor Francisco Dantas, em Riachão do Dantas; Memorial do Vaqueiro, em Porto da Folha; Memorial dos Náufragos de Sergipe, em Aracaju; e Memorial do Cangaço, também em Aracaju.
Como preservação da memória religiosa dos sergipanos e sergipanas, o Viva-SE inclui o roteiro turístico-religioso denominado Caminho do Crepúsculo de Santa Dulce dos Pobres, em São Cristóvão, intervenção que refaz o trajeto de chegada da Irmã Dulce a São Cristóvão, da estação do trem até o Convento dos Carmelitas, na Igreja Nossa Senhora do Carmo.
Reformas de equipamentos culturais
O Programa Viva-SE engloba também o restauro e revitalização de equipamentos culturais. Em agosto do ano passado, o Governo de Sergipe reuniu gestores e especialistas no Seminário de Gestão de Espaços Culturais para debater os novos rumos, desafios e tendências na preservação e funcionamento de espaços públicos que acolhem diversas manifestações culturais sergipanas.
Entre as instalações que serão restauradas, a Biblioteca Estadual Epiphânio Dória, em Aracaju, receberá reforma e modernização tecnológica. Ainda em Aracaju, o Museu da Gente Sergipana passará por modernização tecnológica do acervo e reforma da estrutura física, enquanto o Palácio Museu Olímpio Campos será reformado e modernizado, com foco em ampliar o acesso à memória política e histórica de Sergipe.
Museus históricos como o Museu Histórico de Sergipe e a Casa do Patrimônio do Iphan, em São Cristóvão, e o Museu Afrobrasileiro de Sergipe e Casa de Cultura João Ribeiro, em Laranjeiras, também receberão restauro e modernização.
Em relação aos componentes do programa, seis estão em etapa avançada, com perspectivas de inauguração até dezembro deste ano. Das 19 intervenções, sete estão em etapa de desenvolvimento, com perspectivas de início das obras até o final de 2026. Três componentes estão com projetos e ou licitações em andamento.
Municípios e projetos do Viva-SE
MunicípioProjeto / Equipamento
AracajuPinacoteca de Sergipe, Mirante de Santo Antônio, Memorial dos Náufragos, Memorial do Cangaço, Museu do Forró, Biblioteca Epiphânio Dória, Palácio Museu Olímpio Campos, Museu da Gente Sergipana, Vila Vaticano, Casa Master do Artesanato (Orla da Atalaia), Ver de Tototó
São CristóvãoMuseu Histórico de Sergipe, Casa do Patrimônio do Iphan, Caminho do Crepúsculo de Santa Dulce dos Pobres
LaranjeirasMuseu Afrobrasileiro de Sergipe, Casa de Cultura João Ribeiro, Museu Histórico
JaparatubaMemorial Arthur Bispo do Rosário
Riachão do DantasMemorial Escritor Francisco Dantas
Porto da FolhaMuseu do Vaqueiro
Campo do BritoMemorial Regional
Canindé de São FranciscoVeredas do Sertão (projeto de valorização territorial)
Observações importantes
Casa do Artesanato Sergipano: O programa prevê a instalação de unidades em oito territórios do estado, contemplando múltiplos municípios.
Abrangência total: De acordo com informações divulgadas pelo Governo do Estado em parceria com o BNDES, o programa contempla mais de 30 municípios sergipanos .
Projetos em Aracaju: A capital concentra o maior número de intervenções, com pelo menos 10 equipamentos culturais sendo implantados ou revitalizados .
Atualização do programa: O Viva-SE foi apresentado inicialmente com 15 projetos , sendo posteriormente ampliado para 19 intervenções , com investimento total de R$ 195 milhões .
Governo de Sergipe e BNDES anunciam R$ 445 milhões em investimentos
Investimento do Governo Federal no Viva-SE
Valor total: R$ 195 milhões
Este montante é viabilizado por meio de operação de crédito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) , aprovada pela Assembleia Legislativa de Sergipe .
Há uma variação na informação sobre o valor exato financiado pelo BNDES:
R$ 180 milhões — valor mencionado pela diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, como recursos de financiamento do banco, com prazo de pagamento de até 34 anos .
R$ 195 milhões — valor total do programa, que inclui investimentos do governo estadual (contrapartida) e a operação de crédito com o BNDES .
Etapas de execução
O programa está dividido em três etapas :
Primeira etapa (R$ 48 milhões já aprovados) :
Pinacoteca de Sergipe (ordem de serviço assinada em fevereiro)
Mirante de Santo Antônio
Memoriais regionais (Escritor Francisco Dantas e Arthur Bispo do Rosário)
Museu do Vaqueiro (Porto da Folha)
Casas do Artesanato Sergipano
Segunda etapa (início das obras previsto até dezembro de 2026):
Reforma da Biblioteca Epiphânio Dória
Restauração dos museus históricos de São Cristóvão e Laranjeiras
Museu do Forró
Caminho do Crepúsculo de Santa Dulce dos Pobres
Memorial dos Náufragos
Terceira etapa:
Vila Vaticano
Museu do Cangaço
Rota turística fluvial Ver de Tototó
Museu da Gente Sergipana
Estrutura de governança
O programa é coordenado por múltiplos órgãos estaduais :
Secretaria Especial de Planejamento, Orçamento e Inovação (Seplan)
Secretaria de Estado da Cultura (Secult)
Secretaria de Estado do Turismo (Setur)
Secretaria do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem)
Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura (Sedurbi)
Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap)
Instituto Banese
Nota importante: O BNDES, embora seja um banco público federal vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, atua na modalidade de financiamento (operação de crédito), não se tratando de repasse direto de recursos do Orçamento Geral da União. O programa Viva-SE é uma iniciativa do Governo de Sergipe, viabilizada por meio de captação de recursos junto ao BNDES .
Abaixo, análise comparativa do programa VIVA_SE com o conteúdo sobre politica e gestão cultural publicada no blog da cultura. Com utilização de IA
O lançamento do Programa Viva-SE, com investimento de R$ 195 milhões do BNDES, representa um dos maiores esforços recentes do Governo de Sergipe na área cultural. Ao articular patrimônio, turismo e economia criativa, o programa sinaliza uma compreensão importante: a cultura não é apenas expressão simbólica, mas também vetor de desenvolvimento.
No entanto, quando analisado à luz das críticas, propostas e reflexões acumuladas por agentes culturais sergipanos — especialmente aquelas sistematizadas no blog da Cultura — o Viva-SE revela tanto avanços significativos quanto lacunas estruturais.
O que o programa acerta
É inegável que o Viva-SE responde a uma demanda histórica do campo cultural: a necessidade de investimento público consistente. Durante anos, uma das principais reclamações dos agentes culturais foi o abandono de equipamentos, a precariedade de museus e a ausência de políticas estruturantes.
Nesse sentido, iniciativas como a criação da Pinacoteca, os memoriais regionais, a modernização de museus e a recuperação de espaços históricos dialogam diretamente com essa crítica. O mesmo vale para o reconhecimento de expressões culturais como o forró e o artesanato, frequentemente apontados no blog como pilares da identidade sergipana.
Outro ponto positivo é a tentativa — ainda que parcial — de interiorização. A presença de ações em municípios fora da capital responde a uma reivindicação recorrente: a descentralização das políticas culturais.
Onde o programa não alcança
Apesar desses avanços, o Viva-SE mantém um padrão já criticado de forma insistente no blog da Cultura: o foco predominante em infraestrutura, em detrimento dos sujeitos da cultura.
Diversos textos disponíveis no blog apontam que a principal fragilidade das políticas culturais não está apenas na ausência de espaços, mas na falta de apoio direto aos agentes culturais — grupos, coletivos, artistas e pontos de cultura que sustentam a produção cotidiana.
Nesse aspecto, o programa é silencioso. Não há detalhamento sobre:
mecanismos de fomento direto
políticas continuadas de apoio
financiamento para manutenção de grupos culturais
A consequência desse modelo já é conhecida: equipamentos culturais que, sem política de ocupação e financiamento, tornam-se subutilizados ou desconectados da realidade local.
A ausência de participação social
Outro ponto crítico, amplamente debatido no blog, é a fragilidade da participação social. O campo cultural sergipano tem reivindicado maior protagonismo na formulação das políticas públicas, por meio de conselhos, fóruns e redes.
O Viva-SE, entretanto, é apresentado como uma política construída de forma institucional, com articulação entre secretarias, mas sem evidência de processos estruturados de escuta da sociedade civil.
Essa ausência compromete um princípio fundamental das políticas culturais contemporâneas: a gestão compartilhada.
Cultura viva versus cultura como produto
O programa também reforça uma tendência que aparece com frequência nas críticas do blog: a aproximação entre cultura e turismo. Embora essa integração possa gerar desenvolvimento econômico, ela traz riscos.
Quando a cultura é tratada prioritariamente como produto turístico, há o perigo de invisibilizar práticas culturais que não se encaixam na lógica de mercado. O blog da Cultura frequentemente alerta para esse desequilíbrio, defendendo a cultura como direito e não apenas como ativo econômico.
Formação e sustentabilidade: pontos frágeis
Outro eixo recorrente nas reflexões do blog é a necessidade de formação cultural continuada — tanto técnica quanto política. O Viva-SE menciona educação cultural, mas não apresenta uma política estruturada de capacitação de agentes.
Além disso, permanece a dúvida central: como serão mantidos os equipamentos após sua entrega? Sem financiamento contínuo, equipes qualificadas e programação permanente, o risco é repetir problemas já conhecidos na gestão cultural.
Entre a estrutura e a vida cultural
O Viva-SE representa, sem dúvida, um avanço na dimensão material da política cultural em Sergipe. Ele fortalece a infraestrutura, valoriza o patrimônio e amplia a presença do Estado no setor.
No entanto, como apontam diversas análises disponíveis no blog da Cultura, o desafio mais profundo permanece: transformar investimento em estrutura em fortalecimento da cultura viva.
Isso implica:
apoiar diretamente os fazedores de cultura
garantir participação social efetiva
estruturar políticas de fomento contínuo
investir em formação e autonomia dos agentes culturais
Sem esses elementos, há o risco de que o Estado construa espaços culturais sem garantir que eles sejam, de fato, ocupados, apropriados e sustentados pela sociedade.
O futuro da política cultural em Sergipe dependerá, portanto, da capacidade de equilibrar essas duas dimensões: a infraestrutura que se inaugura e a vida cultural que precisa ser permanentemente cultivada.
(*) Para além da lei: o que realmente significa “cultura viva”
Nos últimos anos, o termo “cultura viva” ficou conhecido sobretudo por sua incorporação em uma política pública brasileira – a Política Nacional de Cultura Viva (PNCV), criada em 2014. Mas reduzir o conceito ao que diz a lei é empobrecê-lo gravemente. Antes de ser um programa de pontuação, edital ou certificação, cultura viva é uma ideia-força que nasce da própria dinâmica das comunidades.
Em sentido amplo, cultura viva é tudo aquilo que um grupo social cria, recria, pratica e celebra no cotidiano. São as rodas de conversa onde se aprende um ofício, as festas que reúnem vizinhos, as rezas, os mutirões, as narrativas orais que atravessam gerações. Ela não está nos museus ou nos palcos institucionais como algo petrificado: está na ação, no gesto, na relação entre pessoas e territórios.
Três características definem essa compreensão mais abrangente:
Processo, não produto – Cultura viva não se consome; vive-se. Ela se transforma a cada nova execução, sem medo do hibridismo ou da reinvenção.
Memória em movimento – Ela não nega a tradição, mas tampouco a congela. A tradição serve de chão para o voo criativo do presente.
Protagonismo comunitário – Quem define, faz e preserva a cultura viva são os próprios agentes culturais de base, não especialistas externos ou burocracias estatais.
Em menos de quinze dias, dois episódios envolvendo a destruição de acervos públicos foram registrados no país, causando indignação e levantando suspeitas de crime. Na última sexta-feira (24), a Prefeitura de Osasco (Grande SP) descartou centenas de livros da Biblioteca Pública Monteiro Lobato, incluindo jornais e documentos que registravam a memória da cidade, alegando contaminação por fungos. O acervo foi jogado em uma caçamba de lixo um dia após o Dia Mundial do Livro, enquanto a biblioteca permanece fechada desde 2020 e uma reforma inacabada se arrasta desde 2023. Paralelamente, no Maranhão, em 17/04, imagens obtidas pela TV Mirante mostraram documentos públicos com mais de 40 anos, como relatórios e projetos de revitalização, sendo retirados da antiga sede da Secretaria de Estado da Cultura em São Luís e despejados em caçambas no Centro Histórico. Especialistas nos dois casos alertam que o descarte de documentos públicos sem análise técnica pode configurar crime previsto no artigo 305 do Código Penal, com pena de até seis anos de prisão. Enquanto moradores e professores cobram a reabertura da biblioteca em Osasco, o governo do Maranhão alega que os documentos descartados não tinham valor histórico — versão contestada por historiadores, que ressaltam que nenhum documento público é descartável por si só.
A Prefeitura de Osasco descartou centenas de livros da Biblioteca Pública Monteiro Lobato, na Grande São Paulo, na última sexta-feira (24/4), e gerou revolta entre os moradores da cidade. A administração afirma que os exemplares foram descartados após apresentarem contaminação por fungos e para evitar deterioração do restante do acervo.
Segundo moradores, jornais e documentos que registram a memória de Osasco estão entre o conteúdo descartado. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram centenas de livros jogados em uma caçamba de lixo. O descarte ocorreu um dia após a comemoração do Dia Mundial do Livro (23/4).
A biblioteca está fechada desde 2020, quando teve as atividades suspensas por causa da pandemia da Covid-19. Desde então, o local permanece inacessível ao público e apresenta estado de abandono. Os livros descartados teriam sido contaminados por fungos pela falta de manutenção, conforme relatos de osasquenses.
Moradores, professores e escritores pedem pela reabertura do espaço desde 2022. Nas redes sociais, o perfil " reabrebibosasco” afirma que “bibliotecas públicas são um importante patrimônio para a população, pois representam um espaço de encontro entre conhecimento, cultura e cidadania. E é por elas que lutamos”.
Em uma postagem da página, um internauta lamentou o descarte dos livros e reafirmou a memória da biblioteca: “Meu saudoso pai trabalhou nesta biblioteca pública Monteiro Lobato por décadas, desde os anos 1960 até meados dos anos 1990 e muitos desses livros foram catalogados por ele. De onde ele estiver, se viu isso certamente ficou tão triste como estou agora."
Uma reforma começou na biblioteca em setembro de 2023, mas não foi concluída e o prédio segue fechado. A obra tinha previsão de ser entregue no começo de 2024, mas não houve explicações públicas da prefeitura após o vencimento do prazo.
Criada por meio da Lei nº 162, de 20 de setembro de 1963, a Biblioteca Pública Monteiro Lobato (BPML) tem um importante papel na promoção do acesso ao livro e ao estímulo à leitura em Osasco. Antes de ser fechado, o espaço já chegou a receber cerca de duas mil pessoas por mês.
Arquivos públicos com mais de 40 anos são encontrados em caçamba de lixo em São Luís
Imagens obtidas pela TV Mirante mostram retirada de documentos da antiga sede da Secretaria de Cultura. Especialistas alertam que o descarte pode ser crime, e o governo afirma que o material não tinha valor histórico.
Documentos públicos oficiais, alguns com mais de 40 anos, foram encontrados descartados em caçambas de lixo no Centro Histórico de São Luís. Entre os documentos estavam relatórios, tabelas de pagamento e até projetos de revitalização de prédios públicos importantes da capital maranhense.
Imagens obtidas pela TV Mirante na sexta-feira (17) mostram três homens retirando arquivos da antiga sede da Secretaria de Estado da Cultura, localizada na região central da cidade . Os documentos foram levados em um carrinho de mão e jogados em caçambas de lixo próximas à Rua Portugal.
Os materiais encontrados incluem documentos produzidos desde a década de 1980, tabelas de pagamento da secretaria, relatórios de atividades, livros e projetos de revitalização de prédios públicos, como a Biblioteca Benedito Leite.
Especialistas alertam que descarte pode configurar crime
Segundo pesquisadores e especialistas em arquivologia consultados pela reportagem, o descarte de documentos públicos só pode ocorrer após uma análise administrativa e técnica. Caso contrário, a prática pode configurar crime.
O artigo 305 do Código Penal prevê pena de até seis anos de prisão e multa para quem destruir, suprimir ou ocultar documentos públicos ou particulares.
Em entrevista à TV Mirante, o historiador Diogo Gualhardo explicou que existem duas formas legais de preservar documentos institucionais: o armazenamento físico no Arquivo Público do Maranhão ou a digitalização.
Segundo o historiador, ambos os processos exigem avaliação técnica, identificação do material, definição do que deve ser preservado e procedimentos administrativos, como a contratação de empresas especializadas. Ele afirma que o descarte não poderia ter ocorrido da forma registrada nas imagens.
"Não existe um documento descartável por si só. Deve-se analisar que tipo de documentação é essa e a quem pode interessar, mas são documentos públicos oficiais, jamais poderiam ser entregues à lata do lixo como se procedeu”, disse o historiador.
Arquivistas ouvidos pela reportagem explicam que a eliminação de documentos públicos só pode ocorrer após avaliação técnica — que define o que pode ser descartado e o que deve ser preservado — e com autorização da instituição arquivística competente, no caso do Maranhão, o Arquivo Público do Estado.
Arquivo Público do Maranhão está interditado há mais de um ano
O Arquivo Público do Maranhão está interditado há mais de um ano, desde janeiro de 2025. Segundo a Defesa Civil, o prédio apresenta risco de desabamento. Uma obra chegou a ser iniciada, mas ficou restrita à estrutura de sustentação e acabou paralisada.
O prédio reúne documentos desde o século XVII. Parte desse acervo ainda não foi transferida para um espaço provisório, o que tem prejudicado pesquisas e o acesso a registros históricos.
"Não existe, a priori, um documento que seja propriamente descartável, porque isso pode se tornar um objeto de estudos não só para historiadores, mas para administradores. Por exemplo, para alguém que vai pensar a administração estadual nos últimos 30 anos, ele poderia utilizar esse documento", disse o historiador.
Em novembro do ano passado, a Secretaria de Estado da Cultura informou que a vistoria do Corpo de Bombeiros no prédio provisório no Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA) estava em fase final, mas ainda não havia um local adequado para guardar os registros históricos.
Governo diz que documentos descartados não têm valor histórico
Em nota, a Secretaria de Estado da Comunicação informou que os documentos encontrados na antiga sede da Secretaria de Cultura seriam apenas arquivos administrativos e contábeis de gestões antigas, sem valor histórico. Segundo a pasta, esse material já teria cumprido o prazo legal de retenção previsto em decreto estadual e, por isso, não precisaria ser preservado.
A secretaria afirmou ainda que documentos com relevância histórica passam por digitalização e arquivamento adequado, e destacou o compromisso com a gestão correta dos documentos, a transparência e a preservação do patrimônio público.
Procurado, o Governo do Estado não informou quando a obra no Arquivo Público do Marnhão será concluída.
O prefeito atual de Osasco é Gerson Pessoa, filiado ao Podemos (PODE). Ele foi eleito em primeiro turno nas eleições de 2024 e sucedeu Rogério Lins, que também é do mesmo partido. O governador do Estado do Maranhão é Carlos Brandão. Embora tenha sido eleito e reeleito pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), fontes indicam que ele se encontra atualmente sem partido após ser destituído da presidência estadual da sigla em agosto de 2025.
NOTA: MinC repudia descarte de parte do acervo da Biblioteca Pública Monteiro Lobato, em Osasco (SP)
O fato aconteceu na semana em que se comemorou o Dia Mundial do Livro e causou indignação na comunidade.
Impressões
sobre a manifestação do 25 de abril em Lisboa.
* Foi
seguramente a maior dentre as três em que estive. É muito difícil calcular, mas
foram dezenas de milhares. A chegada no Rossio durou mais de 1h30.
* A
participação jovem.foi muito destacada, majoritária, bem acima de outros anos.
E nesta juventude, uma maioria de mulheres.
* Em um
contexto de crescimento dos fascistas do Chega, a vinculação entre a memória da
derrubada da ditadura e a luta contra o fascismo atual foi muito marcada.
* Como de
hábito, a manifestação foi alegre, espontânea, com o povo entoando canções de
luta e sem discursos no carro de som.
Uma grande
lição e uma alegria presenciar mais uma vez o 25A em Lisboa.
Gilberto Grassi Calil
Gilberto Grassi Calil possui graduação em História (Licenciatura) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1994), graduação em História (Bacharelado) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1996), mestrado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1998) e doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense (2005). Atualmente é professor associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, atuando no Curso de História e no Programa de Pós-Graduação em História.
Nuno Cavaco
Nem todos os “capitães” de abril são militares.
Obrigado capitão, com gente como tu Portugal terá futuro!
Nuno Cavaco
𝑨𝒏𝒕𝒊𝒈𝒂𝒎𝒆𝒏𝒕𝒆 é 𝒒𝒖𝒆 𝒆𝒓𝒂 𝒃𝒐𝒎
São já centenas de milhares de pessoas de direita que, fartas das conquistas da “esquerdalha” e da “comunagem”, dizem querer abdicar do que o 25 de Abril lhes trouxe e voltar a viver como antigamente, no tempo de António de Oliveira Salazar.
Município do Seixal
Escola Secundária da Baixa da Banheira
FLUL - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
Jefferson Santos
A festa do 25 de abril é uma das tradições mais comemoradas na Itália. Conhecida como Festa della Liberazione, essa data celebra o fim da ocupação nazista e a queda do fascismo. Dá uma emoção danada ouvir a canção Bella Ciao, um símbolo de resistência.
A Itália está com caras novas na política e uma grata surpresa é Silvia Salis, ex atleta olímpica, foi eleita no ano passado, prefeita de Gênova. Sua ascensão é meteórica, especialistas já a apontam como futura sucessora da Meloni.
Torcendo para a Itália dar essa guinada com ideias progressistas. Ela tem cativado o coração da população italiana, já que sua meta, entre outras, é realizar um desenvolvimento econômico com justiça social. Para ela, não há inimigos, todos têm que andar juntos.
Filiado PSOL, não apóio ditaduras de Esquerda. Morou 8 anos na França
estudou Direito
25 de abril de 2026 na Cidade do Porto -
Por Egidio Santos, Agência de fotografia, Lda
Fotojornalismo Retrato Reportagem Trabalhou em : " O Jornal"," O Independente", "Jornal de Negócios", Museu do Douro. Colabora actualmente com revista "Exame", Universidade do Porto, Escola de Gestão do Porto, "Exame Informática", CCDR-N
Paulo Celestino
artista
Trechos de “As Armas e o Povo” realizado pelo Sindicatos dos Trabalhadores de Cinema Português. Nele vemos Glauber Rocha entrevistando o povo português no desfile do 1º de maio de 1974 em Lisboa, dias após a revolução dos Cravos que ocorreu em 25 de abril daquele mesmo ano libertando Portugal de décadas de ditadura. E também trecho da gravação de “Tanto Mar” de @chicobuarque gravado em 1975 para a RTP🎥🇵🇹Viva a Revolução dos Cravos! Viva o 25 de Abril!
Fonte: Facebook
Sandy - O Amor É Um Ato Revolucionário (Videoclipe)
Amália Rodrigues - "Grândola, Vila Morena" (Audio 1974)
O Fascismo de Todos os Dias - Legendado Portugues - União Soviética - Mikhail Romm (completo)
25 de Abril DJ Set 🇵🇹 | Female Portuguese Voices • “A revolução em flor” - tarabela 25 min
Nota do editor: A cerimônia de geminação é um ato formal e solene que oficializa uma parceria, cooperação ou "irmandade" entre duas entidades, como cidades, santuários ou instituições. Proveniente do latim geminare (duplicar/unir), o evento sela um acordo de relações recíprocas para promover intercâmbio cultural, turístico, religioso ou de desenvolvimento.
Se nem celular tem, como o presidente Lula pode querer entender os jovens? Como poderá enfrentar Nikolas Ferreira, que domina o celular e as redes sociais? Esse é um resumo possível de uma das pautas da presidente da UNE, Bianca Borges (foto), em entrevista ao Estadão.
Já sabemos que os jovens, as abelhas e os tico-ticos despareceram da cena pública. E agora se sabe que Lula pode até se comunicar bem com os bichos, mas não com os jovens. Porque não capta os sons dos jovens, também por não ter celular.
Essa é a frase de Bianca: “De um lado, o Lula que não tem nem celular; do outro, o Nikolas Ferreira, que caminhou mil quilômetros outro dia só para ir gravando stories e fazer cortes para as redes sociais”.
Lula talvez seja o mais jovem presidente que o Brasil já teve desde o golpe que instalou a República. Um jovem agora com 80 anos. Tem vitalidade física, vigor retórico e dedicação intensa, desde o primeiro governo, às demandas dos jovens. Alguém falará do jovem Collor, mas esse era apenas um maratonista.
Lula tem atrevimento, atitudes, espírito de jovem. Mas não tem celular, e esse detalhe pode ser parte do diagnóstico. Nikolas filma o que faz ou simula fazer, em caminhadas, enchentes em Minas e aglomerações. É o que a direita faz melhor do que a esquerda. Principalmente para produzir mentiras e ódio.
Num cenário em que as pesquisas indicam o aumento do reacionarismo entre os jovens, Lula está perdendo apoio porque o mundo mudou e as conversas, os dilemas e os sonhos são outros. Toda a esquerda perdeu, também pela incapacidade de renovação de quadros, fala e ações, que o próprio Lula já abordou.
A direita tem, além do deputado transfóbico bem celularizado, muitos outros exemplos de jovens lideranças, com ou sem mandato, com poder de fala e de síntese. Todos com celulares de última geração, alguns com dezenas celulares.
A UNE hoje liderada por Bianca foi uma entidade de combate antes e depois da ditadura, e muitos nomes das esquerdas ascenderam como líderes estudantis. Lindberg Farias e Orlando Silva foram os últimos a ganhar mandato e projeção nacional. Ninguém mais com expressão política e voto veio depois.
Há muito tempo a União Nacional dos Estudantes não tem a mesma relevância como trincheira de luta. É provável que a UNE tenha envelhecido mais do que Lula, porque os estudantes já não se agrupam, nem em uniões estaduais e municipais de secundaristas, nem nos DCEs das universidades, com a mesma força que tiveram até as manifestações pelo impeachment de Collor em 1992.
Como, nesse ambiente, querer mais conexão do poder com os jovens? Comprar um celular e treinar Lula com um pau de selfie? Reduzir a dependência que Lula tem do seu fotógrafo Ricardo Stuckert, para que o presidente se vire sozinho com um celular Huawei Mate XT Ultimate Design, considerado uma Ferrari perto do iphone 16 da Apple?
Pode ajudar, mas não vai resolver. Em artigo recente na Folha, a jornalista Lúcia Guimarães, que mora em Nova York, escreveu sobre a ausência dos jovens americanos nas ruas.
As manifestações, informa Lúcia, têm cada vez mais gente de mais idade. São pessoas já perto dos 50 anos. Os jovens não lutam mais, contra as guerras e contra o fascismo, como lutaram por tanto tempo e chegaram a lutar até contra Trump.
Lúcia escreveu: “Uma professora universitária (Dana Fisher) que monitora o perfil demográfico do No Kings registrou que a idade média da manifestação de junho de 2025 foi de 36 anos; a de outubro passado foi de 44 anos; e o protesto recordista de 28 de março de 2026 foi o mais grisalho, com idade média de 48 anos”.
A jornalista pergunta: por que os jovens sumiram? As respostas tentadas são: pela clausura das telas e das redes, por desencanto com as instituições, por desprezo pelos partidos e pelos políticos e por medo da polícia.
Na Argentina, uma tradição dos anos 90, que parou por alguns anos e voltou com força no governo de Milei, são as manifestações de rua das quartas-feiras. Promovidas por idosos.
Todas as quartas eles caminham em direção ao Congresso ou à Casa Rosada, levam bordoadas da polícia e retornam na outra quarta. Há jovens nas caminhadas contra o governo do gângster da criptomoeda, mas os atos são essencialmente uma luta de velhinhos e velhinhas.
Os jovens estão mais no celular do que nas ruas, não só em Buenos Aires. E as ruas sempre foram deles desde o dia em que começaram a atirar paralelepípedos na polícia em Paris, lá em 1968.
Bianca tem 26 anos, é militantes do PCdoB e está preocupada com a pouca conexão dos jovens com a memória e com a História e com a desconexão do governo e de Lula com os jovens. O que está acontecendo também no Brasil?
E aí surgiu o celular na pauta da sua entrevista. Mas o celular, como diria o ferreiro sabido, é uma ferramenta. Que põe os jovens em conexão e, ao mesmo tempo, convida jovens, adultos maduros e idosos a ficarem em casa. Um celular na mão de Lula talvez não mude quase nada.
Mas é certo que a situação poderia ser melhor se tivéssemos mais jovens nas ruas para defender os idosos que um dia foram à guerra. Mas aí é preciso sair um pouco do celular. E as ruas terão que ter de novo algum sentido.