Por Iasmin Feitosa – Assistente de Produção do Ponto de Cultura Juventude e Cidadania
No dia 31 de outubro de 2026, a Casa da Doméstica Dom Távora (Sindoméstico/SE), em Aracaju, recebeu o Seminário Introdutório de Educação Popular, Ação Cultural e Participação Social, realizado pela Ação Cultural (Ponto de Cultura Juventude e Cidadania). O encontro reuniu 29 pessoas — 25 participantes inscritos e 4 integrantes da equipe organizadora — e teve como facilitadores Romero Venâncio, Tácita Mykaelly e José de Oliveira (Zezito).
Foto: Vanessa NascimentoAcolhimento e ambientação
O espaço foi previamente organizado com uma exposição fotográfica que resgatou a trajetória da Ação Cultural ao longo dos anos, além dos banners da Caravana Luiz Gonzaga e do Cineclube Realidade. Na chegada, cada participante recebeu a camisa do Ponto de Cultura, com o apoio de Vanessa Nascimento, egressa das turmas de Audiovisual e Teatro, na distribuição. Enquanto aguardavam, os presentes assistiram à exibição do mini documentário da 4ª Mostra Artística Cultural realizada em 22 de agosto no Espaço de Convivência da Paróquia São Pedro Pescador no Bairro Industrial.
Programação da manhã
A manhã começou com a exibição do curta “Semente: O Amor Vivido”, produzido pelos alunos da 3ª Turma da Oficina de Audiovisual. Em seguida, Zezito de Oliveira contextualizou o processo de produção, destacou o trabalho dos oficineiros Marcel Magalhães e Raoni Smith e explicou as etapas de roteiro, trilha sonora e gravação. Foi anunciada a continuidade da oficina, incluindo a disponibilização de aulas gravadas.
Após a assinatura da lista de presença, Zezito fez sua apresentação pessoal e profissional. Maxivel Ferreira, um dos fundadores da Ação Cultural e integrante da equipe do projeto, e Margarete Rocha, participante, também compartilharam suas trajetórias — Margarete emocionou o público ao falar sobre suas origens rurais e memórias familiares.
Na roda de apresentação, os participantes revelaram a diversidade de vivências do grupo: membros do Instituto Piabinhas (Povoado São Braz), pessoas ligadas ao balé, ao teatro e à música. Os facilitadores Romero Venâncio e Tácita Mykaelly também se apresentaram.
Tácita Mykaelly trouxe uma reflexão inspiradora sobre a possibilidade de conciliar a atuação na cultura com outras áreas de formação, como Medicina ou Direito, destacando que é possível ter múltiplas possibilidades sem abrir mão das oportunidades profissionais.
Em seguida, Maxivel e Margarete conduziram uma vivência de Danças Circulares. Todos se reuniram em um círculo de mãos dadas e aprenderam os passos, promovendo integração e acolhimento.
O Professor Romero Venâncio iniciou o conteúdo teórico com o tema “Educação Popular”, trazendo reflexões sobre tecnologia, política e sua trajetória profissional, conectando os conceitos à realidade dos participantes. Depois, Zezito de Oliveira apresentou o tema “Ação Cultural”, utilizando slides para resgatar conceitos teóricos com base na memória das experiências históricas e em reflexões filosóficas, sociológicas, antropológicas, econômicas e políticas — conceitos como ação cultural e fabricação cultural, desenvolvidos por Teixeira Coelho; democratização e democracia cultural, desenvolvidos por Albino Rubim; e Cultura Viva e Pontos de Cultura, desenvolvidos por Célio Turino —, além da história, dos projetos e dos desenvolvimentos da entidade, reforçando a vocação prática da Ação Cultural: o “fazer” como essência, mas alimentado pelos mestres do pensamento critico.
Após o lanche, a participante Jaci Farias apresentou um cordel de sua autoria em homenagem ao Presidente Lula, intitulado “Lula Tetra Presidente”. Em seguida, Tácita Mykaelly conduziu o tema “Participação Social”, abordando as Teorias da Participação, a Participação Social na Cultura e experiências da sociedade civil. O período terminou com uma roda de conversa sobre Conferências de Cultura e Economia Solidária e uma dança circular ao som de Gilberto Gil (“Andar com Fé”), seguida de almoço.
Programação da tarde
A tarde foi dedicada às experiências práticas e aos relatos de vida. Isabela e Givanildo, do Instituto Piabinhas (Povoado São Braz, Socorro), apresentaram a instituição, suas origens e o projeto “Pescando Memórias”, que tem como objetivo preservar a identidade cultural local. Eles compartilharam a experiência de participação no programa Domingão com Huck, no quadro “The Wall”, onde conquistaram um prêmio de R$ 364.499,00.
Claudemir compartilhou sua trajetória de superação para conquistar um espaço cultural em um assentamento do MST na cidade de São Cristóvão, além de falar sobre sua atuação e de seus companheiros (as) no teatro, no movimento Hip-hop e no cineclubismo . Quitéria da Silva, representante da Casa da Doméstica, trouxe falas emocionantes sobre sua trajetória pessoal e a história de resistência da instituição, destacando os esforços para manter o espaço vivo e acolhedor.
José Canoas apresentou slides sobre o Programa Nacional dos Circulos de Cultura (PNCC) e a Missão do Agente Territorial de Cultura que desenvolve, gerando um debate produtivo entre os participantes. Sávia egressa da 3ª Turma de Audiovisual e ??, apresentou a iniciativa “Black Connection”. Zezito apresentou e distribuiu a cartilha de gestão produzida pelo Centro Dom José Brandão de Castro (CJDBC), destinada a jovens e agentes culturais em início de atuação. Adinete, também da Casa da Doméstica, falou sobre o trabalho de orientação e acolhimento realizado com as trabalhadoras domésticas, abordando direitos, adversidades e o suporte oferecido pela Casa — cursos, acompanhamento psicológico e acolhimento.
O encerramento contou com uma última roda de dança circular, conduzida por Maxivel. Na partilha de sentimentos sobre o dia, todos expressaram o que sentiam naquele momento. Palavras como Amor, União, Paz, Esperança, Prazer e Fé sintetizaram o espírito do encontro. Após o lanche, o evento foi encerrado às 17h30.
Considerações finais
O Seminário cumpriu plenamente seus objetivos ao promover um espaço de reflexão teórica e troca de experiências práticas, conectando os conceitos de Educação Popular, Ação Cultural e Participação Social à realidade dos agentes culturais comunitários presentes. A diversidade de vivências — de jovens a idosos, de artistas a trabalhadoras domésticas — enriqueceu o debate e fortaleceu a formação de rede entre os participantes.
A metodologia adotada — rodas de conversa, vivências, apresentações culturais e danças circulares — mostrou-se eficaz para integrar teoria e prática, criando um ambiente acolhedor e participativo. A presença de representantes de instituições como o Instituto Piabinhas e a Casa da Doméstica reforçou o caráter comunitário e a capilaridade do projeto.É luxo só- Por Zezito de Oliveira.
Ontem à noite, antes de chegar em casa, procurando uma frase para definir o meu sentimento sobre o Seminário de Educação Popular, Ação Cultural e Participação Social, acabou-me vindo à lembrança “É luxo só”, uma bela canção de Ary Barroso em parceria com Luiz Peixoto, gravada em 1959 e bastante conhecida nas regravações de João Gilberto e Gal Costa.
Daí o mote do texto que pretendo escrever para dizer como foi o dia de ontem: “É luxo só”. E não são todos os eventos de formação educativa, cultural, social e política em que podemos afirmar algo assim.
E, para ser “um luxo só”, precisamos estar acompanhados de pessoas como as que se fizeram presentes neste dia, inclusive os autores que utilizamos para impulsionar nossas falas no período da manhã.
Amanhã concluo o restante. Quem quiser ou puder, envie o depoimento pessoal para publicarmos no blog. É importante que todos preencham o questionário de avaliação, inclusive para receber o certificado de participação.
E, concluído por ora, não construiremos a nação como canta Gonzaguinha em “É” se não fizermos como realizado hoje. Fica a dica para quem quer, como Torquato Neto em um poema musicado por integrantes da banda Titãs, saber o que pode dar certo, porque não temos tempo a perder.
Gratidão a quem contribuiu de diversas maneiras, por menor que tenha sido.
Uma semana depois da vitória do presidente Lula, realizamos um seminário como esse, dançando ciranda na abertura ao som da icônica canção das comunidades eclesiais de base, pastorais sociais e movimentos populares — Momento Novo, é luxo só. Sigamos Juntos!!
Live da Ação Cultural na pandemia sobre o patrono da Casa da Doméstica, Dom Távora.




