sexta-feira, 5 de junho de 2026

Será que Aracaju poderá se tornar um lugar ruim para se morar, diferente do que acontece atualmente? O aviso de Genebaldo Freire Dias.

 

Fonte: Facebook WSCOM

EM ENTREVISTA, ESCRITOR CLASSIFICA JOÃO PESSOA COMO CIDADE VIOLENTA E POLUÍDA E GERA REAÇÃO

O ecólogo e escritor especialista em educação ambiental Genebaldo Freire Dias causou forte polêmica e revolta ao tecer duras críticas a João Pessoa durante entrevista recente concedida à TV Sergipe, afiliada da TV Globo. Ao divulgar seu novo livro, intitulado "Antropoceno", o autor discutia os impactos do crescimento urbano desordenado sobre a realidade das capitais brasileiras e utilizou a capital paraibana como um exemplo negativo. Na ocasião, o escritor fez um alerta para que o cenário não se repetisse em Aracaju, classificando a terceira cidade mais antiga do Brasil como um município que se tornou violento, poluído e que perdeu qualidade de vida.

A declaração foi prontamente rebatida pelo vereador Wamberto Ulises, da Câmara Municipal de João Pessoa, que saiu em defesa da imagem da capital. O parlamentar ponderou que a cidade enfrenta desafios comuns a qualquer centro urbano que experimenta um processo de expansão acelerado, mas considerou injusto rotular o município de forma pejorativa. Ulises destacou que João Pessoa é reconhecida nacionalmente por seus avanços, consolidando-se como uma referência em qualidade de vida e potencial de desenvolvimento no Nordeste, ressaltando ainda o acolhimento e as belezas naturais que caracterizam a cidade.

Comentário do editor do blog

Às vezes imagino Aracaju como na canção Bete Balanço. "O seu futuro é duvidoso, eu vejo grana,eu vejo dor.". Na outrora Barra dos Coqueiros, hoje Barra dos Condomínios, município próximo, isso já é bastanre evidente.l.

  • terça-feira, 2 de junho de 2026

    Sessão Especial no Cine Realidade em 06 de junho: Curtas da 2ª Oficina Cinema na Palma da Mão e da 15ª Mostra Cinema e Direitos Humanos

     📽️ 🎬 No dia 06 de junho (sábado), às 16h30, o Cineclube Realidade convida você para uma sessão gratuita de curtas-metragens na Paróquia São Pedro Pescador (Espaço de Convivência).

    📽️ Em cartaz:
    ✅ Curtas da 15ª Mostra Cinema e Direitos Humanos
    “Amazônia sem garimpo” -

    Direção:  Tiago Carvalho e Julia Bernstein- 6 min 34 seg  - 2022 - RJ - Livre - Animação

    Sinopse: 

    “Amazônia sem garimpo” é uma animação que explica, de forma sensível, os impactos da mineração ilegal nos rios e na vida dos povos indígenas.Com uma linguagem acessível e visual marcante, o filme é um ótimo ponto de partida para conversar sobre floresta, território e preservação.

    ✅ Curtas da 2ª Oficina Cinema na Palma da Mão



    Sinopse:
    Lourdes — uma agente de inteligência artificial calculista, fruto do avanço tecnológico mundial — nos mostra que, quando o lucro se torna mais importante que as pessoas, cidades crescem e a humanidade é consumida.

    Um retrato cru sobre ambição, excesso e o colapso da sociedade moderna. Uma entrevista que ninguém deveria ter concedido. Uma verdade que ninguém pode mais ignorar.



    Sinopse

    Leal torcedor e mordomo do Confiança, ele nos mostra como dedicar a vida inteira a algo que o mundo considera pequeno revela que a verdadeira grandeza nasce da permanência silenciosa.

    Camisas penduradas, chuteiras alinhadas, vestiários iluminados antes do jogo — cada gesto é um ato de amor. Este é o retrato íntimo de quem vive o futebol além das quatro linhas.


    Sinopse
    Em ruas pouco iluminadas, sob postes solitários, uma panela quente vira ato político e espiritual. A Fé que Alimenta acompanha Claudionor e Kátia   — um casal resiliente — e a equipe da Sopa Solidária, que há mais de uma década transforma a fome coletiva em responsabilidade partilhada.

    É um filme sobre o gesto mínimo que carrega o máximo: olhar nos olhos, servir, e devolver a dignidade tanto para quem recebe quanto para quem serve.


    Projeto contemplado no Edital de Chamamento Público nº 11/2024 – Rede Municipal de Pontos de Cultura de Aracaju, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e da Política Nacional Cultura Viva. Ministério da Cultura e Governo Federal, com participação da Funcaju, Prefeitura de Aracaju.

    segunda-feira, 1 de junho de 2026

    O planeta perdeu Edgar Morin neste sábado, 30/06, um dos maiores intelectuais do sécuio XX ainda vivo até este dia..

     

    ‘Um exemplo nunca morre’ 🖤
    O filósofo, sociólogo e historiador francês Edgar Morin faleceu nesta sexta-feira (29) aos 104 anos. Foi autor de mais de 80 livros e criou o conceito de “pensamento complexo”, que parte do princípio de que, para lidar com os problemas da contemporaneidade, é preciso superar a fragmentação do conhecimento. Assim, ele propôs a integração de disciplinas como biologia, história e filosofia.
    Pensador à frente do seu tempo, Morin alertou em uma conferência em 1982, quando a revolução da informática ainda estava engatinhando, que “se esse processo se tornasse dominante, pela primeira vez, o saber seria produzido não para ser pensado, refletido, discutido entre os seres humanos, mas essencialmente para ser armazenado e manipulado por instâncias anônimas”.
    O intelectual se manteve ativo até o fim da vida. Jean-Luc Mélenchon, liderança do partido de esquerda radical França Insubmissa, postou homenagens na rede social X e lembrou que, aos 102 anos, Morin participou de protesto contra o genocídio de palestinos em Gaza. “Um exemplo nunca morre”, escreveu.
    No Brasil, o teólogo e colunista do #BrasildeFato Leonardo Boff repercutiu a notícia da morte: “Sou profundamente grato a Edgar Morin, que marcou muito minha visão do mundo, por aquilo que ele deu como fator fundamental — a complexidade — para entender o processo da evolução, a sociedade humana e cada pessoa”.

    Abaixo, conteúdo da Revista IHU

    Autor de “Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro”, Edgar Morin influenciou debates educacionais em diversos países, incluindo o Brasil.

    A reportagem é de Marcelo Moreira, publicada por Agenda do Poder, 29-05-2026.

    O filósofo e sociólogo francês Edgar Morin morreu nesta sexta-feira (29), aos 104 anos, em Paris. Considerado um dos mais influentes intelectuais do século XX e um dos principais nomes do pensamento contemporâneo, Morin estava sob cuidados paliativos após enfrentar uma dupla infecção. Ele completaria 105 anos em julho.

    A morte foi anunciada por seu secretário pessoal, Nelson Vallejo Gomez, em uma publicação nas redes sociais. Na mensagem, Gomez destacou a trajetória do pensador e afirmou que sua obra continuará inspirando gerações em todo o mundo.

    Referência mundial

    Nascido em Paris em 8 de julho de 1921, com o nome Edgar Nahoum, Morin construiu uma carreira marcada pela produção intelectual intensa e pela defesa de uma visão integrada do conhecimento.

    Formado em Direito, História e Geografia, também estudou Filosofia, Sociologia e Epistemologia. Ao longo de mais de oito décadas de atividade intelectual, tornou-se pesquisador emérito do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), uma das mais importantes instituições científicas da França.

    Mesmo após completar 100 anos, manteve uma produção ativa. Aos 102 anos, publicou um romance de inspiração autobiográfica originalmente escrito em 1946, demonstrando a vitalidade intelectual que o acompanhou até os últimos anos de vida.

    Resistência ao nazismo

    Judeu de origem sefaradita, Morin participou da Resistência Francesa durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial. Foi nesse período que adotou o sobrenome Morin, pelo qual se tornaria conhecido internacionalmente.

    Em 1941, ingressou no Partido Comunista Francês, mas se afastou gradualmente da legenda após divergências ideológicas. Suas críticas ao regime soviético e ao ditador Joseph Stálin levaram à sua expulsão definitiva do partido em 1951.

    Ao longo da vida, também se destacou pelo engajamento em causas políticas e humanitárias, incluindo a oposição à Guerra da Argélia e a defesa de movimentos anticoloniais.

    A teoria da complexidade

    O principal legado de Edgar Morin está associado à chamada teoria da complexidade, que questiona a fragmentação do conhecimento em áreas isoladas.

    Para o pensador francês, os fenômenos humanos, sociais, culturais e naturais não poderiam ser compreendidos de forma separada. Sua proposta defendia uma abordagem interdisciplinar capaz de conectar diferentes campos do saber.

    Essa visão influenciou universidades, centros de pesquisa e sistemas educacionais em diversos países, tornando Morin uma referência global para educadores e pesquisadores.

    Forte ligação com o Brasil

    O Brasil ocupou um espaço importante na trajetória do filósofo. Morin visitou o país em diversas ocasiões para participar de debates sobre educação, cidadania e democracia.

    Uma de suas obras mais conhecidas, “Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro”, elaborada em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), tornou-se leitura obrigatória em cursos de formação de professores e em discussões sobre políticas educacionais.

    Ao longo dos anos, suas ideias influenciaram pesquisadores, gestores públicos e educadores brasileiros interessados em construir modelos de ensino mais conectados com os desafios do século XXI.

    Um legado que atravessa gerações

    Autor de mais de 30 livros, Edgar Morin deixa uma obra reconhecida internacionalmente por abordar temas como conhecimento, democracia, cultura, ética e educação.

    Sua defesa da compreensão humana, do respeito às diferenças e da preparação para lidar com as incertezas do mundo contemporâneo ajudou a moldar debates acadêmicos e educacionais em diferentes continentes.

    Com sua morte, encerra-se uma das trajetórias intelectuais mais relevantes da França e do pensamento contemporâneo. Seu legado, no entanto, permanece vivo nas universidades, escolas e centros de pesquisa que continuam discutindo suas ideias sobre a complexidade da vida e da sociedade.

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    Cine Realidade no SAME – Lar de Idosos: arte, memória e emoção em uma tarde inesquecível

    Mais de 35 pessoas prestigiaram a sessão especial com documentários sergipanos e rodas de conversa que emocionaram público interno e externo

    Por Equipe Cine Realidade

    Na última segunda-feira, 01 de junho de 2026, o SAME – Lar de Idosos foi palco de mais uma sessão de sucesso do Cine Realidade. A partir das 15h, no espaço de eventos da instituição, mais de 35 pessoas — entre residentes, familiares, amigos, parceiros da Ação Cultural e comunidade externa — vivenciaram uma tarde de cinema, memória e afeto.

    A organização e a receptividade da instituição foram impecáveis, assim como a participação calorosa do público interno e externo. O evento reafirmou o compromisso do cineclube em levar arte e cultura a espaços de acolhimento, promovendo o cinema como ferramenta de cuidado, cura e salvação — palavras que ecoaram na fala de Zezito de Oliveira, curador do Cine Realidade e do  querido Antônio Vieira, personagem do filme "Brasinha: o som que não envelhece."

    Abertura com afeto e história

    A sessão foi aberta por Antônio Vieira (o Brasinha) e pela jovem aprendiz de audiovisual Iasmin Feitosa, que realizaram uma breve entrevista ao vivo sobre o processo de construção do minidocumentário Brasinha – O som que não envelhece. Eles introduziram os trabalhos que seriam exibidos, explicando a importância da Oficina de Audiovisual e as experiências e impressões de Iasmin ao entrevistar Antônio, além do direcionamento sensível dado por Marcel Magalhães durante todo o processo.

    1ª Exibição – "Han"

    O curta-metragem Han, direção de Janaina Aurem e André Aragão, abriu a programação com uma narrativa silenciosa e visual sobre três gerações no interior nordestino.

    Durante a exibição, o público demonstrou total atenção à tela. Foram observadas risadas leves durante cenas naturalmente humorísticas e expressões reflexivas na cena final, que retratou de forma poética e contundente a dura realidade de muitas famílias brasileiras.

    Ao final, o filme foi recebido com muitos aplausos.

    2ª Exibição – "A Menina Que Tocou o Arco-Íris"

    O episódio especial sobre a trajetória de Maria Feliciana – sergipana conhecida como a mulher mais alta do Brasil – contou com a presença ilustre de dois filhos da homenageada: Shirlei e Cleverton.

    Ambos se emocionaram profundamente ao rever a resiliente trajetória da mãe. Muitos presentes que ainda não conheciam Maria Feliciana passaram a conhecê-la por meio do filme, criando uma ponte afetiva entre passado e presente.

    ✨ "Ganhou o mundo, carregou o mundo, abraçou. E deu continuidade até seu último momento. Ela sempre teve orgulho de ser sergipana..."

    — Shirlei  filha de Maria Feliciana

    A exibição foi finalizada com muitos aplausos e forte emoção em todo o ambiente.

    3ª Exibição – "Brasinha: O som que não envelhece"

    Antes da última exibição, foi feito um discurso inicial reforçando a importância da Oficina de Audiovisual e o valor de registrar histórias de vida como a do senhor Antônio Vieira.

    Durante o filme, observaram-se:

    muitos sorrisos

    comentários discretos e afetuosos

    expressões positivas e olhares reflexivos

    momentos de comoção ao final

    Alguns convidados demonstraram concordância e identificação com falas do entrevistado, reconhecendo suas próprias histórias nas palavras do músico sergipano.

    Roda de conversa: emoção em cada palavra

    Após as exibições, o espaço se transformou em um círculo de memórias e afetos.

    Shirlei, filha de Maria Feliciana, tomou a palavra e emocionou os presentes. Ela compartilhou que sua mãe, em vida, chegou a expressar mais de uma vez o desejo de morar no SAME. Ao concluir, afirmou ter orgulho de dar continuidade à família e agradeceu emocionada a Marcel Magalhães por acolher a história de Maria Feliciana com tanto carinho.

    Antônio Vieira (Brasinha) falou em seguida. Ele explicou que o apelido "Brasinha" surgiu por conta de sua paixão em um período de sua vida, por cantar muitas músicas de Roberto Carlos, tendo sido batizado assim por Luiz Trindade. Depois foi enveredou pela composição e interpretação de músicas para  festivais, interpretação de músicas do tropicalismo, da bossa nova, clube da esquina... "E lá se vai, mais um dia..."

    Agradeceu a todos os presentes — incluindo amigas e amigos — e à OSC Ação Cultural, finalizando com uma declaração que ficará guardada na memória de quem estava ali:

    🎵 "A arte é fonte de redenção."

    — Antônio Vieira (Brasinha)

    Um cineclube de impacto social que segue investindo na arte

    O evento foi marcado por grande envolvimento emocional do público, com destaque para as homenagens às trajetórias de vida de Maria Feliciana e Antônio Vieira — dois símbolos  da cultura sergipana. O Cine Realidade segue firme em sua missão de exibir filmes de impacto social, promover a valorização do público 60+ e fortalecer a identidade cultural sergipana por meio do cinema.

    📸 Galeria 

    ]Registros da sessão especial no SAME – Lar de Idosos, com a participação emocionada de familiares, residentes e equipe organizadora.




    RESPOSTA A UM AMIGO QUE NÃO VAI VOTAR EM LULA. Por Renato Janine Ribeiro

    Do perfil do Professor Renato Janine Ribeiro no facebook em 01/06/2026

     Renato Caporali é um amigo querido, sendo que discordamos em várias coisas e concordamos em outras. Ele postou o texto que ora compartilho, a partir de conversas que tivemos no WhatsApp. 

    Escrevi-lhe uma longa resposta, que segue aqui (e já aviso que qualquer ofensa que façam, a ele ou a mim, será deletada e o autor, bloqueado. Críticas eu aceito bem, ofensas NUNCA):

    Meu amigo, fico contente que nossa conversa, que começou no privado, se torne agora pública e ainda mais que você tenha elaborado um pouco mais os seus argumentos para não votar em Lula em função justamente da nossa discussão prévia. Mas até por isso quero responder aqui a suas questões. Eu numero minhas respostas:

    1. PROBLEMA INSTITUCIONAL E O PAPEL DA PRESIDÊNCIA

    Em primeiro lugar, penso que temos um grande problema institucional: desde a debacle do governo Dilma, a presidência da República perdeu o papel que teve no nosso presidencialismo brasileiro e que foi seu até pelo menos o primeiro mandato de Dilma – que é o de garantir a sustentabilidade do país. Em outras palavras, lembro o que Fernando Henrique certa vez teria dito (não sei se disse mesmo ou não): depois de um julgamento no Supremo Tribunal Federal dando ganho de causa a aposentados ou pensionistas, ele teria dito: "Eles, os ministros do Supremo, não pensam no Brasil". 

    A frase é dura, mas na verdade o nosso sistema faz com que quem pensa no Brasil – isto é, quem pensa em fazer o orçamento fechar, o orçamento equilibrado – é a presidência da República (não o indivíduo necessariamente, mas o cargo, a função). O Legislativo e o Judiciário decidem por conta própria: eles mais criam gastos do que receitas – com frequência retiram receitas e aumentam as despesas. 

    O problema disso tudo é que resta ao chefe do Poder Executivo fazer o equilíbrio. Isso foi feito com razoável eficácia por Fernando Henrique Cardoso a partir do Plano Real, quando as contas se tornaram mais transparentes (porque no tempo da grande inflação era praticamente uma brincadeira lidar com elas). Lula e Dilma fizeram isso no primeiro mandato, mas quando ela perdeu o apoio político – e não vou entrar aqui na discussão de quem foi culpado – a coisa desandou. É significativo que, tão logo ela tenha sido reeleita, já em fevereiro de 2015, Eduardo Cunha aprovou a emenda constitucional que cria as emendas parlamentares de execução obrigatória. Isto é, uma parte crescente do orçamento da União é retalhada entre os 513 deputados e 81 senadores, e nenhum dos colegas – muito menos o presidente da República – pode deixar de pagar esse dinheiro deliberado em absoluta soberania por cada indivíduo. 

    A meu ver, essa divisão de uma parte grande do orçamento em 594 feudos rompe com os princípios republicanos e democráticos. Até agora o Supremo não se pronunciou a respeito; espero que ele declare em algum momento inconstitucional isso, que criou um problema muito grande, enfraqueceu a presidência da República e, pior, o País. A gente teve isso ainda mais naquele período do impeachment, em que Eduardo Cunha se tornou todo-poderoso, e depois, dado o fato de que ele não era um santo de se rezar, o Supremo pegou esse papel. Temos hoje uma situação em que o Legislativo e o Judiciário pegaram muito do poder presidencial. 

    Esta aliás é já uma resposta ao que você diz sobre a incapacidade do Lula para segurar esse retalhamento das emendas. Não podemos esquecer que isso foi introduzido pelo Eduardo Cunha para derrubar Dilma, foi mantido por Temer quando tentou segurar (e conseguiu segurar seu mandato a qualquer custo depois das denúncias sobre a Odebrecht), e finalmente foi levado ao caos por Jair Bolsonaro, que não tinha nenhum projeto para o país, a não ser as vantagens de sua família. Então esse é o primeiro ponto. 

    Isso torna muito difícil recuperar o sistema político brasileiro. Alguns chamam de semiparlamentarismo, mas eu creio que não é: na verdade é um parlamentarismo sem responsabilidade e um presidencialismo sem autoridade. Juntamos, assim, o pior de dois mundos. Para atender à tendência dos brasileiros de votar em indivíduos e não em partidos, o melhor para nós é o presidencialismo. A longo prazo poderemos construir um parlamentarismo, mas isso exigiria que os nossos parlamentares se tornassem responsáveis – o que, por sua vez, exigiria que os eleitores votassem para o parlamento com a mesma convicção com que votam para o executivo. 

    Por ora, o melhor é a gente tentar recuperar o presidencialismo, e não vejo no atual quadro político ninguém mais apto do que Lula para segurar isso, até pelo seu carisma, pela sua liderança. Ele não é o culpado do fraturamento do orçamento, e também não vejo ninguém mais capacitado para essa tarefa ingrata de tentar recompor um sistema político funcional no Brasil – que só vejo como sendo o presidencialismo de coalizão (não temos alternativa, porque a sociedade quer um sistema pluripartidário). Mas, se o presidente tiver autoridade (o que não quer dizer despotismo), ele consegue tocar a coisa, como conseguiram Fernando Henrique, Lula e Dilma no primeiro mandato.

    2. SITUAÇÃO ECONÔMICA E DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

    Quanto à descrição da situação econômica que você efetua, ela parece correta. Lembrar que temos pleno emprego – que é um êxito do atual governo – mas também uma elevada inflação. Segundo você, isso se deve às críticas de Lula ao presidente do Banco Central, etc. Não entrarei nesse ponto porque não sou economista, mas diria apenas que acho pertinente a sua colocação final nesse parágrafo sobre economia: quando você diz que o governo Lula está efetuando uma distribuição de renda sem tirar dos ricos, e que isso de fato é um erro. 

    Uma crítica – de esquerda, aliás – ao governo Lula: ele deveria ter a capacidade, a coragem e apoio político suficiente para efetuar uma efetiva redistribuição de renda – não apenas, segundo você, endividar-se para melhorar a condição dos mais pobres, mas realmente efetivar uma política de cobrar de quem tem rendimentos mais elevados, patrimônio mais elevado, para que esse dinheiro vá para os pobres. 

    E eu penso que aí você concordaria comigo que a melhor destinação não seria no bolso, direto para ir para consumo, e sim na educação e na saúde pública. Na verdade, os governos do PT foram muito fortes nestes dois aspectos – acho que esse mérito existe. Eu gostava muito, sobretudo quando foi ministro da Educação, do Pronatec: um programa que visa formar em educação técnica pessoas que então possam aumentar seu salário, sua remuneração no próprio mercado, e ao mesmo tempo capacitar as nossas empresas a serem mais desenvolvidas, mais avançadas, mais competitivas não só nacional mas internacionalmente. 

    Na saúde pública, o governo Lula também foi muito bom. Outro programa que estava no MEC de que eu gosto muito é o Mais Médicos, que conseguiu atender multidões, sobretudo no que você chama de Sertão, nos lugares afastados que antes eram totalmente desprovidos de atendimento médico. Finalmente, quando você fala que não vota em Lula nem em Flávio Bolsonaro, mas que no caso de ter que escolher entre os dois vota em Lula, eu só posso te cumprimentar por isso – porque significa que, no caso extremo de a família querer voltar a mandar no Brasil, você estaria do lado democrático. Eu não esperava outra coisa de você. Você sabe que eu não aplaudo o seu voto em Kalil e Zema, mas eu respeito pelas suas convicções democráticas – apenas não acho que os dois representem uma diferença significativa em relação ao Bolsonaro.

    3. ÉTICA DEMOCRÁTICA E PRIORIDADE NA JUSTIÇA SOCIAL

    Quanto à educação moral e cívica de que você fala, ou ética republicana – eu prefiro a ética democrática republicana. Sei que esse é um ponto que você sempre insiste, e eu acho que de fato faz sentido. A gente se conheceu aliás e trabalhou juntos quando você me convidou pelo SESI para elaborarmos um programa de curso de ética para as escolas de ensino médio do SESI. A gente elaborou, trabalhou juntos com outras pessoas também, e que infelizmente não teve a difusão que teria sido possível e necessária. Mas creio que a questão ética é muito importante. 

    O que eu frisaria: primeiro, não entendo ética apenas como "não furtarás, não matarás, não falarás mal do próximo", etc. Entendo ética como "sim": eu lutarei para melhorar a vida de todos, para a vida dos meus próximos. Quer dizer: não estou apenas deixando de fazer coisas erradas; estou procurando fazer as coisas boas. 

    No Brasil, a questão prioritária na ética divide um pouco as opiniões. Diria que, de modo geral, a direita tem tendência a resumir a questão ética na crítica à corrupção. Eu entendo que a prioridade num país como o Brasil, marcado pela injustiça social, é acabar com a injustiça social. A corrupção também precisa ser coibida, mas eu não diria que ela é a prioridade zero. Haja vista que o grupo da Lava Jato tanto instrumentalizou politicamente o combate à corrupção – tentou pegar o dinheiro da Petrobras para fazer uma fundação em benefício de ações políticas do seu grupo – e que depois, quando tiraram as máscaras, foram em massa para a extrema-direita, que no Brasil faz questão de recusar toda e qualquer proposta de justiça social. 

    Esta é outra semiconvergência – ou divergência – entre a gente.

    Grande abraço. 

    Renato Caporali

    Um muito estimado amigo de ideias, meu Xará, me convoca a explicitar as razões da minha terminante recusa em votar em Lula nestas eleições - à exceção de uma única situação, trágica, que exporei ao final.

    A primeira e importantíssima razão para não votar em Lula é que ele hoje vive, se alimenta da polarização política brasileira.  Foi o  fundador dela, nos tempos heroicos do nós contra eles, alimentou-a até surgir Bolsonaro, e hoje ainda se nutre dos restos apodrecidos dela. Se nós queremos devolver um pouco de harmonia à política na sociedade brasileira, temos de encontrar outras lideranças que não Lula e Bolsonaro.

    A segunda razão em ordem de importância para mim, economista de profissão, é que Lula - e de resto o PT quase todo - é negacionista em termos de ciência econômica.  Negacionismo não é ruim só em saúde pública não. Lula prejudicou todo seu mandato quando, em vez de se beneficiar da tendência à desinflação provocada pela desvalorização do dólar, se lançou numa cruzada anti-Banco Central, com alvo no então presidente, que, junto com o exagero da PEC da transição, lançou o país nessa combinação de gasto fiscal crescente e taxa de juros nas nuvens.  Lula quer colocar a fórceps os pobres no orçamento sem mexer no quinhão dos ricos, mas aí fica caro e o setor privado, já apertado por um longo ciclo de internalização de custos sociais, tem dificuldade para bancar.

    Como resultado desse processo, temos essa situação esdrúxula de economia em pleno emprego, gasto fiscal crescente e taxas de juros altíssimas, bem acima do patamar de dois dígitos.  Aí você endivida cronicamente a população por essa taxa de juros, e gasta outro caminhão de dinheiro público para salvar a população endividada nessa taxa de juros escorchante. E retroalimenta os juros. Sem coragem para manejar mais ativamente a assistência social, faz política pública de estímulo a vício em jogatinas. Não voto em Lula porque, ainda mais do que Bolsonaro fez, está politizando a política econômica para vencer as eleições, e isso não é bom para a república.

    Finalmente, não quero votar em Lula porque o PT hoje é um partido conservador em ideias, que só assume temas em que fica ideologicamente confortável.  Me refiro a alguns temas que o partido simplesmente não consegue endereçar reflexão séria: na segurança pública, que demorou vinte anos pelo menos a decidir titubeantemente enfrentar; na educação, por exemplo, em que o partido não consegue reconhecer uma necessidade que três quartos da população já reconhecem, de que a educação pública  enfrente o desafio da educação moral e cívica da nossa juventude - e se põem a bloquear soluções que a população, em estado de angústia com a educação dos filhos, se propõe experimentar para transmitir um pouco de ordem disciplinar a uma geração difícil.  

    Chamo essa tendência ideológica de acomodamento no campo das ideias de progressismo conservador.

    [(outro dia o Ministro Flávio Dino, agredido verbalmente num aeroporto por funcionária da empresa, conclamou as empresas a promoverem a educação cívica para seus funcionários.  Ok.  Mas se torna escandaloso o Ministro do STF não conclamar a educação nacional a introduzir na base curricular do país um eixo pedagógico de educação cívica republicana. É impressionante o bloqueio da esquerda brasileira em reconhecer que o nome desse tema escolar é educação moral e cívica, sim. Que inventem outro nome, chamem de ética republicana, mas assumam que isso precisa ser feito. E reconheçam que a outra metade da população tem o direito de definir temas que ela acha que devem ser tratados.  Educação moral não pode ser a difusão de uma moral nova para a sociedade toda; pode e deve ser também, mas não só. O fato de termos tido que desmontar uma educação moral e cívica reacionária e meio idiotizada pela defesa da ditadura militar não nos autorizava deixar um vazio pedagógico nesse campo da formação dos jovens que os clássicos chamavam sem titubear de "educação moral")]

    Lula teve chance, mas não soube aproveitar a chance de reconhecer que havia um problema de legitimidade no seu mandato na forma como a Lavajato foi desmontada, um processo jurídico desastroso que nos colocou na iminência ter de devolver, possivelmente em bancos suíços, dinheiro roubado de empresas brasileiras. Sem reconhecer essa contradição política, Lula governou em estado de denegação - a negação de sua própria responsabilidade. E com isso não teve condições de segurar o parlamento que, através de emendas impositivas, tomou diretamente um naco do orçamento nacional, para alimentar carreiras políticas com dinheiro público, numa manifesta ruptura da igualdade republicana em direitos políticos. E torna a política um negócio muito rentável.

    Lula perdeu o controle do processo legislativo no Congresso Nacional - e mais um mandato tende a ser um desastre histórico, pois a oposição vai sair fortalecida e não enfraquecida destas eleições.  O tempo da hegemonia ideológica e política da esquerda brasileira e do PT em particular se exauriu.  Pode até retornar no futuro, tende a voltar porque o partido tem base social ideológica, mas agora precisa se recompor na oposição. Tivesse Lula preparado a dupla Haddad-Tebet, talvez desse para chegar renovado em 2030, mas ele não teve a lucidez de reconhecer que três mandatos eram suficientes para sua glória política.

    Finalmente, não voto em Lula desta vez porque acho que, em algumas circunstâncias históricas, a alternância é valor em si.  Alternância é, em si e por si, democrática e republicana.  Quando uma força política esgota o que pode produzir de positivo para um país, ela precisa ser substituída - e, na oposição, rever suas ideias, renovar suas propostas.  Lula hoje colhe suas forças no que de pior surgiu na política brasileira nestes últimos vinte anos: uma direita  capaz de trair interesses manifestos do país para manter-se com chance de alcançar o poder.  Uma direita que vai a outros países pedindo que aja, que atue, até militarmente, contra o próprio país. 

    Por isso, no primeiro turno, proponho votar no Caiado para presidente, torcendo para que tenha Zema como vice, numa grande aliança (sertaneja) para superar esse momento histórico alimentado e realimentado por ódios mútuos.  A se manterem Lula e Flávio Bolsonaro nos dois primeiros lugares, voto em qualquer um que estiver em terceiro. 

    E se de todo não tiver jeito e Lula for contra Flávio para o segundo turno, aí voto em Lula. Porque, não sei votar nulo, não consigo votar nulo.  Nunca votei nulo porque acho que sempre existe o menos pior - e nossa responsabilidade perante a nação nos cobra tentar discernir o menos pior. 

    Com todos os defeitos políticos que assinalei acima, Lula é um estadista respeitado no mundo, enquanto os Bolsonaro são uma família que coloca seu domínio do processo político acima dos interesse do país e isso é um comportamento político, mais que reprovável, execrável.  E faz isso com um grau de imprudência e irracionalidade nunca visto na história do país. O PT também tem isso de colocar o partido acima dos interesses do país, mas pelo menos é um partido político republicano e não uma famiglia em busca de poder total.  

    Centrista contumaz, pelo que andam dizendo os cientistas políticos vou ser um dos que vai decidir essa eleição.  Por isso achei que era meu dever deixar meu voto claro desde logo, pois o processo eleitoral já começou, está pegando fogo e quem tem opinião tem de se expor às chamas do embate político. 



    sábado, 30 de maio de 2026

    “Filho da escola pública”: quem é o cordelista de 13 anos que emocionou Lula em Sergipe

    Pedro Gustavo, de Amparo do São Francisco, já era conhecido como poeta mirim em Sergipe antes de viralizar ao declamar versos para o presidente Lula. Assista ao vídeo.

    Por: Diego Feijó de Abreu

    Publicado: 30/05/2026 - às 13h18

     O vídeo em que Lula aparece emocionado com o cordelista Pedro Gustavo, de Amparo do São Francisco, em Sergipe, viralizou nas redes e passou de 4,8 milhões de visualizações. Mas o detalhe que dá força à cena é outro: o jovem que se apresenta como “filho da escola pública brasileira” já era conhecido no estado como poeta mirim, escritor e representante da cultura popular nordestina.

    https://www.instagram.com/reels/DY9WtN-OvDB/

    Pedro Gustavo tem 13 anos e é natural de um dos menores municípios de Sergipe. Antes do encontro com Lula, ele já aparecia em registros locais como cordelista de Amparo do São Francisco, cidade ligada à região do rio São Francisco e à tradição oral nordestina.

    No vídeo publicado pelo presidente, Pedro diz que sempre sonhou em conhecer Lula. O petista pergunta se ele é cordelista e pede que recite seus versos. A resposta vem em forma de homenagem, com referências ao Nordeste, à educação pública e à cultura popular.

    Lula, Pedro Gustavo e escola pública

    A cena ocorreu durante a agenda oficial de Lula em Sergipe na sexta-feira, 29. Segundo o Governo de Sergipe, a programação incluiu compromissos em Aracaju e Lagarto, com anúncio de investimentos da Petrobras e visitas a hospitais.

    A repercussão do encontro reforça a conexão histórica do presidente com a pauta da educação e a cultura nordestina. A força das imagens não está apenas na figura de Lula, mas no fato de Pedro Gustavo não ser apenas um fã na plateia, e sim um representante ativo e real da arte popular sergipana.

    A viagem de Lula a Sergipe também teve peso político. Como mostrou a Revista Fórum, o presidente usou a agenda no estado para voltar a defender Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.

    "A importância do investimento na educação pública e nas políticas de fomento à cultura de base comunitária é para multiplicar e potencializar talentos assim. O presidente Lula é um dos poucos políticos brasileiros que melhor compreendeu isso. Agora colhe os frutos. Sigamos o líder...Tem muito mais aqui em Sergipe e país afora."

    Zezito de Oliveira