Campeã de votos em MG, Ana Elisa defende uso das redes; mulheres de esquerda renovam Congresso.
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terça-feira, 6 de outubro de 2026
Mulheres e jovens de esquerda no congresso eleitas em 2026
E se Flávio Bolsonaro for eleito? Os riscos para a cultura viva comunitária, periférica e independente.
Brasília — O maior risco de uma eventual Presidência de Flávio Bolsonaro para a cultura brasileira não estaria apenas no corte de recursos, mas na transformação de uma política pública de direito em instrumento de poder, capaz até de preservar a fachada institucional do Ministério da Cultura, da Lei Rouanet, da Aldir Blanc e da Cultura Viva enquanto altera o que realmente importa: quem decide, segundo quais critérios e para quem os recursos serão destinados. A hipótese, construída a partir da atuação parlamentar de Flávio, do precedente do governo Jair Bolsonaro e do programa econômico apresentado para 2026, aponta para cortes de investimentos, menos universalidade, mais seletividade, mais peso das emendas parlamentares e mais dependência política, num país que hoje conta com o Sistema Nacional de Cultura, o Marco Regulatório do Fomento e uma rede de Pontos e Pontões de Cultura que não existiam em 2019.
Cultura como direito ou cultura como instrumento de poder?
Há momentos em que a política cultural parece ocupar o centro da cena, com discursos, anúncios, grandes eventos, inaugurações, festivais, fotografias com artistas e promessas de valorização da cultura brasileira, mas existe uma pergunta que deveria vir antes dos aplausos: que lugar a cultura ocuparia no Estado brasileiro se Flávio Bolsonaro chegasse à Presidência da República? Não basta imaginar ap apenas a hipótese mais provável de redução do dinheiro destinado, é preciso perguntar também quem decidiria, segundo quais critérios, para quem e com que finalidade, e é justamente quando fazemos essas perguntas que o cenário mais pessimista começa a aparecer, considerando sua trajetória parlamentar, o governo de Jair Bolsonaro e as propostas econômicas e culturais apresentadas para 2026 permitem construir uma hipótese de risco que merece ser discutida, e assim os riscos vão mais além do que a redução do dinheiro destinado à cultura, mas algo mais profundo, que é a transformação da política cultural de direito em política de governo, de política pública em instrumento de seleção, de participação social em relação de dependência, de cultura viva em cultura administrada de cima para baixo.
O passado ajuda a imaginar o futuro
Flávio Bolsonaro não chega a esse debate como alguém que nunca tenha se manifestado sobre cultura, pois em 2021, como senador, defendeu a política cultural do governo Jair Bolsonaro afirmando que havia mais controle, critérios e transparência na utilização dos recursos (sic), ao mesmo tempo em que criticava o modelo anterior da Lei Rouanet, e em dezembro de 2024 sua crítica ganhou outro contorno durante a discussão de medidas de contenção de gastos, quando questionou por que a Lei Rouanet e os fundos da cultura não estavam entre os mecanismos atingidos pelos cortes, indicando uma concepção diferente daquela que orientou a construção recente do Sistema Nacional de Cultura, com menos confiança em mecanismos amplos e permanentes de fomento e maior ênfase em controle, seleção, critérios e disciplina fiscal, e seu programa econômico de 2026 reforça essa leitura ao propor uma nova regra fiscal, controle das despesas discricionárias, redução de ministérios e cargos e busca de superávits primários, sendo que o problema começa quando essa visão econômica encontra uma política cultural que, nos últimos anos, passou a construir instrumentos permanentes de financiamento e cooperação federativa.
O que existe hoje pode ser maior do que parece
É importante lembrar que o Brasil de 2027 não seria o Brasil de 2019, pois hoje existe um marco regulatório do Sistema Nacional de Cultura, com a Lei nº 14.835/2024 estabelecendo o SNC como regime de colaboração entre União, estados e municípios e reconhecendo a cultura, em suas dimensões simbólica, cidadã e econômica, como direito fundamental, assim como existe o Marco Regulatório do Fomento à Cultura instituído pela Lei nº 14.903/2024, a Política Nacional Aldir Blanc, a Cultura Viva, uma rede de Pontos e Pontões de Cultura, uma experiência acumulada de participação social e uma cultura política que aprendeu, especialmente depois da pandemia, que trabalhadores da cultura não são apenas fornecedores de entretenimento, mas são trabalhadores, comunidades, organizações, territórios e direitos, e justamente por isso uma eventual tentativa de reorientação radical da política cultural encontraria uma institucionalidade que não existia no início do governo Jair Bolsonaro.
Mas o precedente Bolsonaro não pode ser esquecido
Mas o precedente Bolsonaro não pode ser esquecido, pois quando Jair Bolsonaro assumiu a Presidência uma das primeiras mudanças foi a extinção do Ministério da Cultura, e em 2022 Jair Bolsonaro vetou as leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc 2.
E se o Congresso for parte do problema?E chegamos então ao problema central, que é saber se o Congresso for parte do problema, porque o cenário mais pessimista não começa apenas com Flávio Bolsonaro, mas com a combinação entre Executivo e Legislativo, e com um eventual governo Flávio este conseguirá formar uma ampla coalizão com PL, União Progressista, Republicanos, PSD, MDB e outros partidos do centro, encontrando condições políticas para implementar mudanças que Jair Bolsonaro não conseguiu realizar integralmente.
Oposição critica captação bilionária da Rouanet: ‘Deboche com os brasileiros’. Em apenas 4 meses de 2025, o Ministério da Cultura autorizou captação de quase R$2 bilhões para a medida. https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/e01-brasil/oposicao-sobre-artistas-faturarem-r2-bilhoes-com-rouanet-deboche-com-os-brasileiros?utm_source=chatgpt.com
Quando o recurso chega ao território, quem decide?
Quando o recurso chega ao território, quem decide? Imagine um município pequeno onde existe uma quadrilha, um grupo de teatro, uma banda, um mestre da cultura popular, uma associação, um coletivo de juventude, uma rádio comunitária e um Ponto de Cultura, todos precisam de recursos, todos possuem legitimidade, mas o dinheiro é limitado, então quem escolhe? Um edital com critérios claros? Uma comissão independente? Um conselho de cultura? A comunidade? Ou a rede política que consegue chegar primeiro ao gabinete? Essa pergunta parece simples, mas ela pode decidir o futuro da política cultural brasileira, porque a descentralização pode significar duas coisas completamente diferentes: pode significar democratização ou pode significar apenas descentralização do clientelismo.
Cultura não pode voltar a ser favor
Durante muito tempo o trabalhador da cultura aprendeu a sobreviver pedindo, pedia ao prefeito, pedia ao vereador, pedia ao deputado, pedia ao secretário, pedia ao empresário, pedia ao patrocinador, pedia ao político que pudesse "dar uma força", e a política cultural contemporânea nasceu em grande medida da tentativa de superar essa lógica, pois o objetivo de um sistema público de cultura deveria ser exatamente o contrário, que é transformar favor em direito, e o edital não deveria ser uma porta aberta apenas para quem conhece o caminho, a política pública não deveria depender de padrinho, o recurso público não deveria ser apresentado como presente de um governante, e o Estado não deveria dizer "eu estou ajudando você", mas deveria dizer "você tem direito a isso, e existem regras públicas para garantir esse direito", sendo esse talvez um dos pontos mais importantes da discussão sobre Aldir Blanc e Cultura Viva.
O perigo da seletividade
Existe uma palavra muito presente no discurso político contemporâneo que é "seleção", com expressões como selecionar melhor, corrigir distorções, escolher prioridades, valorizar quem merece, dar dinheiro para quem realmente produz, e tudo isso parece razoável, e em certa medida toda política pública precisa estabelecer prioridades, mas existe uma pergunta escondida que é saber quem define quem merece, pois se a resposta estiver em critérios públicos, transparentes e verificáveis, temos política pública, mas se estiver na proximidade com o poder, temos outra coisa, e é nesse ponto que o discurso contra "privilégios" pode produzir uma nova forma de privilégio, pois pode-se combater a concentração da Lei Rouanet e criar outra concentração, pode-se criticar artistas famosos e passar a privilegiar artistas politicamente convenientes, pode-se falar em cultura nacional e transformar uma determinada concepção de Brasil em critério de acesso ao dinheiro público, e pode-se combater a velha política cultural e, sem perceber, reconstruí-la com novas palavras e velhas práticas.
O que Flávio já mostrou no debate sobre cultura?
Existe um dado que não deveria ser ignorado, que é o fato de que em 2024 Flávio apresentou uma emenda durante a discussão do marco do Sistema Nacional de Cultura para incluir a proteção de valores religiosos e a vedação de atividades de caráter político-partidário entre os objetivos do sistema, proposta que foi registrada pelo Senado durante a tramitação.
A cultura nacional pode virar uma cultura oficial?
Valorizar o patrimônio brasileiro é legítimo, valorizar os mestres da cultura popular é legítimo, apoiar tradições regionais é legítimo, preservar manifestações ameaçadas é necessário, mas existe uma fronteira que não pode ser ignorada, pois quando o Estado começa a definir quais manifestações representam a "verdadeira cultura brasileira", abre-se uma disputa política sobre a própria ideia de Brasil, e quem fica de fora? A cultura periférica? O hip-hop? A cultura LGBTQIA+? As expressões indígenas? As culturas afro-brasileiras? A contracultura? A arte experimental? O teatro político? A música independente? A cultura digital? As manifestações que incomodam? Não é necessário afirmar que qualquer governo necessariamente excluiria esses segmentos, mas uma política cultural baseada em critérios ideológicos estreitos poderia produzir exatamente esse efeito, ainda que indiretamente, por meio da seleção dos beneficiários, e quando isso acontece a censura pode nem precisar aparecer como censura, podendo aparecer como critério de edital.
O problema do autoritarismo cultural
É por isso que a palavra autoritarismo precisa ser compreendida não apenas como repressão, pois existe também uma forma mais silenciosa de autoritarismo que é o poder de decidir sozinho o que merece existir, e uma política cultural democrática não exige que o Estado goste da obra, mas exige que o Estado assegure condições para que a sociedade produza sua própria cultura, e o papel público deveria ser criar condições, não escolher previamente o pensamento que será considerado legítimo, não transformar o financiamento em prêmio de fidelidade, não fazer do governante o grande curador da cultura nacional, porque quando o governo passa a ser o grande árbitro da cultura, o artista deixa de ser cidadão e passa a ser dependente, e dependência é o terreno onde o clientelismo floresce.
O Centrão pode piorar isso?
No cenário mais pessimista o Centrão pode piorar isso, porque o modelo de negociação política pode favorecer a distribuição particularizada de recursos, pois o parlamentar precisa mostrar resultado em sua base, o prefeito precisa entregar obras, o governador precisa anunciar investimentos, o governo federal precisa manter sua maioria, e nesse circuito um equipamento cultural pode virar obra política, um festival pode virar vitrine, um edital pode virar instrumento de influência, uma emenda pode virar propaganda, um projeto cultural pode ser associado ao nome do parlamentar que conseguiu o recurso, e pouco a pouco a cultura deixa de ser apresentada como direito e volta a ser apresentada como favor.
A emenda parlamentar é o novo padrinho?
Esta talvez seja uma das perguntas mais incômodas: a emenda parlamentar é o novo padrinho? Durante muito tempo o padrinho era o político que conseguia uma verba, mas hoje em um sistema muito mais sofisticado a intermediação pode acontecer por meio das emendas parlamentares, e a emenda é um instrumento legítimo do processo orçamentário, sendo que o problema não está em sua existência, mas está na possibilidade de que uma política pública nacional seja substituída por uma coleção de iniciativas vinculadas à capacidade de cada parlamentar de conseguir recursos, e se isso acontecer na cultura teremos uma inversão, pois em vez de o Estado formular uma política cultural para os territórios, os territórios passarão a procurar políticos capazes de levar recursos para eles, o que é uma diferença enorme, já que no primeiro modelo o direito vem antes do padrinho e no segundo o padrinho vem antes do direito.
E a austeridade?
Existe ainda outra contradição, que é o fato de que o programa econômico de Flávio propõe redução de despesas, novo regime fiscal e controle das despesas discricionárias, enquanto a cultura depende justamente de uma parcela importante dessas despesas discricionárias para manter programas, editais, instituições e ações de fomento, e se houver forte contenção fiscal a pergunta será inevitável: onde será feito o corte? Se a resposta for reduzir os programas universais e manter apenas projetos considerados prioritários pelo governo, aumenta a importância da seleção; se a seleção for altamente discricionária, aumenta o risco de personalização; se por outro lado os recursos forem distribuídos por emendas parlamentares, aumenta a influência dos parlamentares sobre a política cultural, e chegamos novamente ao mesmo lugar, onde menos dinheiro pode significar mais poder sobre quem recebe o dinheiro, o que é uma das características mais preocupantes do cenário pessimista.
E a Rouanet?
A crítica à Lei Rouanet também precisa ser examinada nesse contexto, pois Flávio já criticou o modelo de financiamento e defendeu maior controle sobre os recursos, e é possível reformar a Rouanet, é possível discutir concentração regional, é possível discutir democratização do acesso, é possível discutir mecanismos de prestação de contas, é possível aperfeiçoar critérios, mas uma reforma pode caminhar em duas direções, podendo tornar o sistema mais transparente e democrático ou podendo substituir uma concentração por outra, e a pergunta fundamental não é "Rouanet sim ou não?", mas sim quem terá poder para decidir o que será financiado depois da reforma.
O mercado resolveria?Outra resposta possível seria ampliar o papel do setor privado, mas existe aí uma contradição, pois o mercado tende a financiar aquilo que possui capacidade de gerar retorno financeiro ou visibilidade, e a cultura de base comunitária muitas vezes não oferece esse retorno, como o mestre que preserva uma tradição local, o grupo de teatro de periferia, a rádio comunitária, o coletivo de juventude, a cultura indígena, o pequeno ponto de cultura, o artista experimental, a atividade cultural em um município pequeno, todos podendo possuir enorme valor social e cultural sem necessariamente apresentar atratividade comercial, e se o Estado se retirar e o mercado não ocupar esse espaço, quem ficará? Provavelmente aqueles que já possuem estrutura, e aí o discurso de democratização pode terminar fortalecendo exatamente os atores que já possuem maior capacidade de captação.
Cultura Viva talvez seja o melhor teste
É por isso que a Cultura Viva será um dos melhores indicadores para observar uma eventual mudança de orientação, pois se um futuro governo fortalecer Pontos e Pontões de Cultura, simplificar procedimentos, ampliar a autonomia das organizações e garantir financiamento continuado, estaremos diante de uma determinada concepção de descentralização, mas se ao contrário, o que deverá acontecer, reduzir recursos, aumentar a discricionariedade e transferir decisões para estruturas políticas, teremos outra coisa, e a diferença estará menos no discurso e mais na forma como o dinheiro chegará ao território, porque cultura viva não é apenas o evento que aparece no palco, mas é aquilo que continua acontecendo quando o palco é desmontado.
E a Aldir Blanc?
A Aldir Blanc é igualmente simbólica, pois sua lógica representa uma tentativa de construir financiamento cultural federativo, e a experiência de 2022 mostrou que o Congresso pode se opor ao Executivo quando este tenta interromper determinada política cultural, e um eventual governo Flávio poderia tentar revisar essa política sob a justificativa de responsabilidade fiscal
O que pode desaparecer primeiro?
Talvez não seja o Ministério da Cultura que pode desaparecer primeiro, talvez não seja a Lei Rouanet, talvez nem a Aldir Blanc, mas o que pode desaparecer primeiro é algo menos visível, que é a ideia de que o cidadão tem direito a uma política cultural permanente, pois quando o recurso passa a depender de um projeto, quando o projeto depende de um edital, quando o edital depende de uma seleção, quando a seleção depende de critérios cada vez mais discricionários, quando a organização precisa procurar um parlamentar, quando o parlamentar precisa mostrar que "trouxe" o recurso, quando o governante transforma a entrega em propaganda, a política pública vai sendo desmontada sem que nenhuma lei seja necessariamente revogada, e é possível preservar a estrutura formal e alterar profundamente sua natureza.
O verdadeiro risco
Por isso, talvez o maior risco de um eventual governo Flávio não seja simplesmente "acabar com a cultura", pois isso seria uma simplificação, mas o risco mais sofisticado seria outro, que é preservar a aparência institucional da política cultural enquanto modifica sua lógica interna, mantendo o Ministério mas reduzindo sua capacidade, mantendo a Rouanet mas redefinindo seus critérios, mantendo a Aldir Blanc mas reduzindo sua previsibilidade, mantendo a Cultura Viva mas submetendo-a a uma seleção mais centralizada, mantendo os editais mas aumentando a burocracia, mantendo a participação social mas transformando-a em cerimônia, mantendo os conselhos mas reduzindo sua capacidade de decisão, mantendo os programas e mudando aquilo que realmente importa, que é quem decide.
A pergunta que fica
Talvez seja por isso que a discussão sobre cultura não possa ser separada da discussão sobre democracia, porque cultura é disputa de memória, é disputa de identidade, é disputa de narrativa, é disputa de território, é disputa de poder, e justamente por isso uma política cultural democrática não deveria perguntar apenas "quanto podemos gastar?", mas deveria perguntar "como garantir que ninguém precise pedir permissão a um padrinho para exercer seu direito à cultura?", e essa talvez seja a fronteira mais importante entre uma política cultural de Estado e uma política cultural de governo, pois a primeira cria instituições que sobrevivem aos governantes e a segunda depende deles, a primeira cria direitos e a segunda distribui oportunidades, a primeira fortalece a sociedade e a segunda pode fortalecer quem controla o Estado.
O que ficará depois do espetáculo?
Quando o palco for desmontado, quando os discursos terminarem e as redes sociais deixarem de mostrar as fotografias das inaugurações, haverá ainda uma pergunta: o Ponto de Cultura continuará funcionando? O grupo comunitário continuará existindo? O mestre terá condições de transmitir seu conhecimento? O jovem terá onde produzir? O artista terá condições de trabalhar? O município terá acesso previsível aos recursos? A sociedade civil continuará participando? Os critérios continuarão sendo públicos? Ou todos voltarão ao velho caminho, ao gabinete, ao telefonema, ao pedido, ao favor, ao "conheço alguém que pode resolver", ao político que aparece na fotografia dizendo que trouxe a verba? Se chegarmos a esse ponto, talvez o problema não seja apenas quanto dinheiro a cultura perdeu, mas será que a cultura perdeu sua condição de direito para voltar a ser moeda de troca política, e essa é a hipótese mais pessimista que precisa ser discutida, não para prever o futuro como se ele estivesse escrito, mas para reconhecer que instituições democráticas não se preservam sozinhas, pois elas precisam de regras, precisam de transparência, precisam de participação, precisam de controle social, precisam de sociedade civil organizada e, sobretudo, precisam de trabalhadores da cultura que não aceitem trocar direitos por favores, porque no final das contas a pergunta mais simples talvez seja a mais importante: queremos uma cultura que dependa de quem está no poder ou um Estado que seja obrigado a respeitar quem faz cultura? A resposta a essa pergunta dirá muito mais sobre o futuro da política cultural brasileira e sobre a escolha dos artistas e intelectuais e amantes das arte e do conhecimento em 25 de Outubro.
segunda-feira, 5 de outubro de 2026
LULA VAI TER QUE APRENDER A OUVIR A VOZ ROUCA DAS RUAS. Mário Jéfferson Leite Melo — Velhinho de Taubaté
Toda eleição deixa um recado. Às vezes vem em forma de vitória; outras, de derrota, de abstenção, de voto silencioso ou de uma surpresa que os analistas de plantão não conseguiram enxergar. A urna eletrônica não fala, mas registra. E registra não apenas preferências: registra satisfações, frustrações, esperanças e desencantos. Quem sabe interpretar uma eleição escuta aquilo que o eleitor não conseguiu dizer durante o mandato.
Lula precisa ouvir essa voz rouca das ruas. E precisa ouvir principalmente aqueles que ajudaram a acreditar que a cultura brasileira finalmente voltaria a ser tratada como política de Estado. O Ministério da Cultura voltou, programas importantes foram reconstruídos, recursos foram disponibilizados e a PNAB e a Lei Paulo Gustavo representaram avanços que precisam ser reconhecidos. Mas existe uma pergunta incômoda que continua circulando pelos territórios: o dinheiro chegou a quem realmente precisava dele, na hora em que precisava?
Porque não basta reativar o Ministério da Cultura em Brasília se, na ponta, o trabalhador continua com o pires na mão procurando uma emenda parlamentar para fazer aquilo que deveria ser sustentado por políticas públicas permanentes. O artista periférico, o grupo de teatro, o mestre da cultura popular, o coletivo de hip-hop, o produtor independente e tantos outros continuam enfrentando editais complicados, burocracia, demora e uma linguagem que muitas vezes parece feita para afastar justamente quem mais precisa. Se o trabalhador da cultura precisa pedir favor para produzir cultura, alguma coisa está profundamente errada.
Há ainda uma doença antiga: políticas públicas desenhadas por quem conhece muito bem o gabinete, mas pouco conhece o território. Gente que domina planilhas, editais e burocracias, mas talvez nunca tenha sentado numa roda de cultura, acompanhado uma oficina numa periferia ou conversado com o artista que precisa escolher entre pagar a conta de luz e comprar o material para seu projeto. Quem não conhece o chão onde a cultura acontece não deveria decidir sozinho os caminhos que ela deve percorrer.
A PNAB e a Lei Paulo Gustavo provaram que o Estado pode colocar dinheiro na cultura. Mas também revelaram que não basta anunciar recursos: é preciso fazê-los chegar com velocidade, simplicidade e justiça. Recurso atrasado pode significar projeto cancelado. Burocracia excessiva pode significar artista excluído. Edital incompreensível pode transformar direito em privilégio de quem já sabe jogar o jogo. Dinheiro parado não produz cultura; produz frustração.
E há outro erro que precisa ser enfrentado: a comunicação. Como fazer uma política pública chegar ao povo ignorando justamente os veículos que estão dentro das comunidades? TVs comunitárias, rádios comunitárias, jornais de bairro, portais independentes e mídias alternativas foram muitas vezes tratados como se fossem invisíveis pelos grandes “magos da comunicação”. Só que esses veículos conhecem o território, conhecem as pessoas e sabem onde a informação precisa chegar. Quem exclui a mídia comunitária do plano de comunicação pública está, muitas vezes, excluindo também o cidadão que deveria receber a informação.
Lula deveria olhar com muito mais atenção para o Conselho Nacional de Política Cultural e para as representações da sociedade civil. Conselho não pode ser decoração. Conferência não pode ser fotografia. Participação popular não pode terminar quando o microfone é desligado. Se os trabalhadores estão dizendo que a política não está chegando à ponta, o governo precisa ouvir. Escutar sem corrigir é apenas uma forma sofisticada de ignorar.
Como reverter? Menos gabinete e mais território. Menos burocracia e mais orientação. Menos concentração e mais descentralização. Editais simplificados, assistência técnica gratuita para pequenos produtores, mecanismos que respeitem a realidade dos coletivos periféricos e uma política permanente de comunicação comunitária. E, principalmente, trabalhadores da cultura participando da construção das políticas, não apenas sendo chamados para aplaudi-las depois de prontas. Não se constrói política pública para o povo sem colocar o povo dentro da sala onde as decisões são tomadas.
A urna, no fim das contas, também é um microfone. Ela fala através do voto, mas também através do desencanto. E o desencanto não deve ser tratado como traição: muitas vezes é cobrança. Quem ainda reclama talvez seja justamente quem ainda acredita. O eleitor que cobra não abandonou o projeto; está perguntando se o projeto ainda se lembra dele.
A cultura brasileira não quer favor. Quer política de Estado. Não quer padrinho. Quer acesso. Não quer pires. Quer dignidade. Não quer esperar meses por um recurso que deveria chegar no momento certo. Quer previsibilidade para trabalhar.
E talvez seja exatamente essa a mensagem que Lula precise ouvir.
Abra as janelas do Palácio, presidente. Não para ouvir os aplausos. Para ouvir a rua. Porque a voz rouca das ruas não é inimiga de governo nenhum. É o alarme que avisa quando a distância entre o discurso e a realidade começa a ficar perigosa. E o Velhinho de Taubaté aprendeu uma coisa ao longo da vida: quem escuta apenas os aplausos acaba sendo surpreendido pelo silêncio das urnas.
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Prestem atenção nessa pergunta formulada por Isabela Bispo à ministra Margarete Meneses.
Como podemos avançar de uma política de apoio pontual para uma política de sustentabilidade e fortalecimento estrutural das entidades e grupos de base comunitária, reduzindo gradualmente sua dependência dos governos?
Propomos a criação de um grupo de trabalho com especialistas e representantes das organizações comunitárias, para formular soluções que garantam estrutura, profissionalização, carreira e continuidade, incluindo iniciativas de apoio às sedes, como a ideia de um “Minha Sede, Minha Vida”, e programas de incubação.
Para isso, é necessária uma ação integrada entre o Ministério da Cultura, Ministério do Trabalho e Secretaria-Geral da Presidência da República, articulando acesso a recursos, formação profissional, estrutura física e incubação de iniciativas comunitárias.
Ontem, 02/10, representando a Comissão Estadual de Pontos de Cultura de Sergipe, participamos do encontro com a Ministra da Cultura, Margareth Menezes, que teve como tema “Cultura como vetor de transformação social e garantia de direitos”.
Foi uma importante oportunidade de diálogo e reflexão sobre os caminhos da política cultural brasileira e sobre a necessidade de avançarmos para além de ações pontuais, construindo uma política cultural de sustentabilidade, continuidade e fortalecimento das organizações, coletivos e grupos culturais de base comunitária.
A Cultura Viva acontece nos territórios, nas comunidades, nos grupos e organizações que, diariamente, promovem transformação social, preservam identidades, fortalecem vínculos e garantem o acesso à cultura como direito.
Seguimos defendendo uma política cultural que fortaleça quem já faz cultura nos territórios e crie condições para que essas iniciativas possam permanecer, crescer e transformar realidades. 🌻🎭
Cultura é direito. Cultura é território. Cultura é transformação.
📸Juliana UEPA/MINC
🎥 Zezito/Ação Cultural
https://www.instagram.com/reel/DeCMx0Sxuox/?stkn=dmZ5bHBnd3lubTg4
ROUBARAM A ESPERANÇA? Frei Betto (*)
Se você já não enxerga perspectiva de futuro, despreza políticos e a política, recolhe-se à sua esfera privada, é sinal de que lhe roubaram a esperança.
Se já não suporta o noticiário, acredita que a espécie humana deu errado e todas as libertações resultam em opressões, saiba que lhe roubaram a esperança.
Se destila ódio nas redes digitais, desconfia de todos que proferem discursos sobre ética e preservação do meio ambiente, e confia apenas em sua conta bancária, esteja certo, roubaram-lhe a esperança.
Se não curte mais sonhos de um futuro melhor, não injeta utopia na veia e não assume seu protagonismo como cidadão, preferindo se isolar em sua redoma de cristal, é sinal de que lhe roubaram a esperança.
Os amigos de Jó tudo argumentaram para que ele abdicasse da esperança. Como teimava em mantê-la acesa se havia perdido terras, riquezas e família? Jó não introjetou a culpa, não jogou sobre os ombros de outrem os males que o afligiam, não abominou os revezes que o acometeram.
Reza o poema de Franz Wright, inspirado na prece da poeta persa Rabi’a al-Adawiyya, “Deus, se pronuncio meu amor por você por medo do inferno, incinere-me nele; / se pronuncio meu amor por ansiar pelo paraíso, feche-o em minha face. / Mas se com você eu falo apenas porque você existe, pare / de esconder de mim sua / infinita beleza.”
Nessa gratuidade da fé, da esperança e do amor é que Jó se sentiu recompensado ao contemplar a infinita beleza: “Te conhecia só por ouvir dizer. Mas, agora, meus olhos te viram” (42, 5).
Como escreveu Spinoza em seu “Tratado teológico político”, “um povo livre se guia pela esperança mais do que pelo medo; o que está oprimido se guia mais pelo medo do que pela esperança. Um almeja cultivar a sua vida. O outro, suportar o opressor. Ao primeiro, eu chamo livre. Ao segundo, chamo servo.”
Você, como eu, é vítima de promessas que se transformaram em ilusões que desembocaram em frustrações. Nem por isso admito que me roubem a esperança.
O segredo? Simples. Não me prendo ao aqui e agora. Olho as contradições do passado, marcado por retrocessos e avanços. Quantas batalhas perdidas resultaram em guerras vitoriosas? E quantos imperadores, senhores da vida e da morte, dos Césares a Átila, o huno; de Napoleão a Hitler; acabaram enxovalhados pela história?
Encaro o futuro em longo prazo. Sei que não participarei da colheita, mas faço questão de morrer semente.
Não creio em discursos nem amarro a minha esperança no paraquedas de algum avatar que promete salvação em curto prazo. Exijo programas e projetos, e julgo seus portadores por critérios rígidos. Procuro conhecer-lhes a vida pregressa, o compromisso com os movimentos sociais, sua ética e valores.
Sei que o futuro será o que fizermos no presente. Não espero milagres. Arregaço as mangas, convicto de que “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
A esperança é uma virtude teologal. A fé crê; o amor acolhe; a esperança constrói. Assim como o caminho se faz ao caminhar, a esperança se tece como o alvorecer no poema de João Cabral de Melo Neto: "Um galo sozinho não tece a manhã: / ele precisará sempre de outros galos. / De um que apanhe esse grito que ele / e o lance a outro: de outro galo / que apanhe o grito que um galo antes / e o lance a outro; e de outros galos / que com muitos outros galos se cruzam / os fios de sol de seus gritos de galo / para que a manhã, desde uma tela tênue, / se vá tecendo, entre todos os galos.”
Gosto do verbo esperançar – estender o fio de Ariadne que nos conduz a todos para fora do labirinto. É um esforço coletivo, uma ação comunitária, um mutirão que nos irmana na certeza de que de dentro da pedra corre o filete de água que forma o córrego, faz o riacho, vira rio e rasga a terra, rega campos, alimenta ribeirinhos, até se somar ao leito do oceano.
Como diz Mário Quintana em “Das utopias”, “Se as coisas são inatingíveis... ora! / Não é motivo para não querê-las... / Que tristes os caminhos, se não fora / A mágica presença das estrelas!”
(*) é escritor, autor de “Ofício de escrever” (Anfiteatro), entre outros livros.
Terry Eagleton propõe a esperança sem otimismo
Obra mais recente do filósofo desafia a visão superficial que a vê como “ilusão” ou “perseverança”. Propõe uma análise crítica da esperança como motor de transformação.
https://outraspalavras.net/blog/terry-eagleton-propoe-a-esperanca-sem-otimismo/
O livro em questão é o sugerido na live acima pelo professor Romero
domingo, 4 de outubro de 2026
Cabaré eleitoral: dinheiro público comprando droga, cerveja e voto
"Gente, isso é grave. Tão usando dinheiro público pra comprar droga e cerveja em troca de voto. É um verdadeiro cabaré eleitoral. Eu não sou puritano, mas dinheiro público não pode financiar isso. É crime. E o pior: funciona. O Coqueiral tá desse jeito . Ministério Público e Justiça Eleitoral precisam agir."
O cenário da fiscalização e do combate aos crimes eleitorais em Aracaju passou por uma profunda metamorfose na última década. No passado, o protagonismo do enfrentamento à compra de votos e ao uso da máquina pública pertencia a grandes coalizões da sociedade civil. Movimentos tradicionais uniam o peso técnico da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SE), o alcance comunitário e paroquial da Arquidiocese de Aracaju e a atuação de conselhos de classe profissionais para capitanear comitês de rua baseados na Lei nº 9.840/1999. Esses comitês mantinham plantões físicos e telefônicos de 24 horas, funcionando como a principal ouvidoria do cidadão comum durante o período de campanha.
Apesar do forte apelo ético desse antigo modelo, as práticas de aliciamento mantiveram-se agressivas nas periferias, adaptando-se às carências locais. Um exemplo contundente dessa realidade é sintetizado no desabafo popular que abre este artigo.
O Coqueiral, localizado na Zona Norte de Aracaju, é uma comunidade historicamente marcada por severas vulnerabilidades socioeconômicas, escassez de infraestrutura urbana básica e forte atuação de grupos ligados ao tráfico de drogas. Essa ausência prolongada do Estado, somada aos baixos índices de renda e à dependência de serviços públicos precários, transforma o bairro em um cenário onde a criminalidade comum frequentemente se sobrepõe à dinâmica urbana cotidiana. Em períodos eleitorais, essa fragilidade estrutural é reiteradamente explorada por redes de clientelismo e esquemas criminosos, que utilizam recursos ilícitos e distribuição de vantagens imediatas para aliciar eleitores e controlar o voto em territórios dominados pela exclusão social.
Diante de crimes complexos e graves como esse — que associam o desvio de verbas públicas ao crime organizado territorial e a esquemas de compra de votos —, a atuação civil voluntária das comissões do passado tornou-se juridicamente limitada. Um comitê formado por cidadãos e religiosos não possui poder de polícia para atuar em áreas de risco, nem ferramentas legais para auditar contas bancárias e quebrar sigilos financeiros. Por essa razão, os canais de repressão e controle institucionalizados assumiram definitivamente a liderança do processo operando por meio do aplicativo Pardal, de forças integradas da Polícia Federal, dos Tribunais de Contas e de agências de inteligência financeira.
Essa transição para o modelo tecnológico e estatal, contudo, não anula a relevância da mobilização social; pelo contrário, a participação da sociedade civil organizada permanece indispensável como uma força complementar essencial. Embora o Estado detenha o monopólio da força e os instrumentos de auditoria, são as entidades civis, as igrejas e os conselhos de classe que possuem a capilaridade e a confiança necessárias para romper a barreira do medo em comunidades vulneráveis. A sociedade civil organizada funciona como uma ponte vital: ela acolhe o cidadão que hesita em procurar uma delegacia, traduz a linguagem jurídica complexa em conscientização popular e atua como uma ouvidoria moral que pressiona as próprias instituições oficiais a agirem com celeridade. Sem o olhar atento das lideranças comunitárias e o respaldo pedagógico de instituições independentes, as ferramentas digitais correm o risco de se tornarem canais vazios, distantes de realidades complexas como a do Coqueiral. No ecossistema atual, a inteligência do Estado e a coragem da sociedade civil não se anulam, mas se somam, sendo a fiscalização oficial o braço executor e a mobilização social os olhos vigilantes da democracia.
Ainda assim, é inevitável lamentar que a comissão liderada pela OAB/SE, Arquidiocese de Aracaju e conselhos de classe tenha deixado de atuar com o mesmo vigor orgânico de outrora. Durante os anos de sua maior atividade (notadamente entre 2004 e 2016), o Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral em Sergipe foi o coração de conquistas democráticas históricas. Foi sob a liderança desse bloco que Sergipe se destacou nacionalmente na coleta de assinaturas para projetos de iniciativa popular cruciais, como a própria consolidação da Lei da Ficha Limpa em 2010 e a campanha "Eleições Limpas" em 2013. Em termos práticos, as denúncias recebidas nos plantões de 24 horas da comissão subsidiaram ações penais do Ministério Público Eleitoral que culminaram no afastamento de prefeitos e vereadores flagrados em esquemas de abuso do poder econômico e na cassação de mandatos obtidos de forma ilícita em municípios da Grande Aracaju e do interior do estado. A ausência desse canal físico humanizado deixa uma lacuna afetiva e pedagógica nas ruas, lembrando-nos de que a eficiência dos algoritmos institucionais jamais substituirá por completo o valor do acolhimento e da coragem do olho no olho.
- Aplicativo Pardal: Desenvolvido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o aplicativo gratuito permite enviar fotos, vídeos e áudios com geolocalização e garante o sigilo da identidade do denunciante. O aplicativo pode ser baixado nas lojas digitais ou acessado pelo Pardal Web do TSE. [1, 2, 3]
- Ouvidoria Eleitoral de Sergipe: Para reclamações gerais e outras manifestações diretamente no estado, o cidadão pode contatar os canais listados na Ouvidoria Eleitoral do TRE-SE, incluindo o e-mail ouvidoria@tre-se.jus.br e o atendimento telefônico. [1]
- Ministério Público Federal / Procuradoria Regional Eleitoral em Sergipe: Canal competente para crimes como compra de votos e desvio de verbas públicas nas eleições gerais. A denúncia pode ser formalizada anexando mídias e provas através da Sala de Atendimento ao Cidadão do MPF ou pelo aplicativo MPF Serviços. [1, 2, 3]
- Ministério Público de Sergipe (MPSE): Focado no suporte e repressão local a crimes de abrangência regional e proteção social, as notificações e petições podem ser enviadas digitalmente pelo formulário de Denúncia Online do MPSE. [1]
- Sistema de Alertas (SIADE): Caso a irregularidade envolva mentiras ou desinformação coordenada que prejudique a lisura do pleito, o envio deve ser feito pelo SIADE do Tribunal Superior Eleitoral. [1]









