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NO CAMINHO histórico da Doutrina Social da Igreja ou Ensino Social, deixamos a poeira baixar – é um ditado popular muito forte – para nos manifestar sobre a primeira encíclica do Papa Leão XIV. Vamos elaborar dois ou três textos que possam nos ajudar a debater pontos da história entre Leão XIII (1878-1903) e o atual pontificado de Leão XIV, destacando mais os traços que são importantes para a compreensão e discussão da encíclica no campo da Doutrina Social, com relevo para a política social. São pontos fundamentais para o atual contexto em que vivemos de desmonte da democracia e pouca leitura eclesial por parte da maioria das pessoas, incluindo o clero e fiéis que seguem a Igreja.
Fotografia de Gianni Novelli, publicada na revista Mosaico di pace (julho-agosto de 1993), promovida pela Pax Christi.
No final do século XIX os desdobramentos da Revolução Industrial se espalharam por todo mundo e a Europa fervilhava de debates e protestos que apontavam para um novo tempo. É salutar recordar que Karl Marx já tinha elaborado o Manifesto Comunista em 1848 e a pergunta era: a Igreja não vai se manifestar? Com todo o fervilhar das teorias modernas, a Igreja tem algo a dizer? A Rerum Novarum - vejam a tradução, Coisas Novas – no ano de 1891, colocou a Igreja dentro dos embates na época e o Papa Leão XIII trouxe para o debate com essa encíclica um tema central: a questão operária. Vejamos o que acena Leão XIV: “Se, na sua época, Leão XIII falava de «novas questões» (rerum novarum), hoje não podemos simplesmente repetir os seus preciosos ensinamentos, mas devemos pedir a Deus a sabedoria para interpretar as grandes tendências do nosso tempo, em particular os progressos da técnica” (Magnifica Humanitas, n. 4).
NAS PEGADAS de Jesus e do seu evangelho, a Igreja não só pode, como deve debater questões de ordem social, cultural e política, pois ela está mergulhada no mundo e deve ser luz que ilumina e aponta caminhos, absorvendo as angústias e dores do tempo em que vivemos (Gaudium et Spes, n. 1). Uma Igreja com fisionomia querigmática, hospitaleira, samaritana, amorosa e profética. Talvez para alguns esses traços ficaram no passado, mas para os papas atuais eles são condizentes e merecem todo aprofundamento que faça ressoar a voz de uma Igreja saudável.
NAS PEGADAS do Papa Leão XIV, temos que abraçar as provocações da Rerum Novarum e perceber que existe um eixo – normalmente costumamos chamar de ‘continuidade’ no pensamento do magistério da Igreja – forte que une a D.S.I. a todo o pensamento teológico e que podemos sempre nos perguntar: o que trouxe de contundente (herança) a Rerum Novarum, para nosso tempo do séc. XXI? E o Papa Leão descreve na Magnifica Humanitas: “Com esse espírito, Leão XIII publicou, em 1891, a Encíclica Rerum novarum, cujo 135º aniversário celebramos este ano com viva gratidão. O meu amado Predecessor deu impulso, com este documento, àquela reflexão sobre a sociedade, a economia e a política a que hoje chamamos “Doutrina social da Igreja”. E quando alguns contestavam que a Igreja não devia desperdiçar energias em questões mundanas, mas preocupar-se em comunicar uma mensagem de vida eterna, ele respondia com realismo e sabedoria que o anúncio do Evangelho não pode esquecer a vida concreta dos povos” (n. 3).
QUEREMOS TAMBÉM dialogar com todos e todas sobre uma metáfora que utilizamos em algumas aulas e é fruto de nossas pesquisas e leituras. Trata-se das ‘janelas’ da Doutrina Social da Igreja’. Elas são os lugares de muita poesia, beleza e observação social, quando a realidade nos interpela e nos deixa atônitos; elas formam o quadro ideal para que a humanidade seja vista com realismo que apaixona; elas também mostram a dureza dos fatos e nos convidam a interferir na realidade para tentar melhorar. Foi assim que a sociedade e o mundo tornaram-se foco de observação para os papas, para uma legitima crítica social e política e para que a Doutrina Social se estabelecesse. Por isso, nesse primeiro momento podemos acenar para três ‘janelas’ muito importantes – nos próximos textos veremos outras com detalhes – e que são as seguintes:
1ª Janela: o pontificado de João XXIII com suas encíclicas Mater et Magistra (1961) e Pacem in Terris (1963). No caminho da compreensão da nova encíclica de Leão XIII, temos que resgatar as bases colocadas por S. João XXIII, o Papa Bom. O que nos interessa nessa janela não é tanto os detalhes das encíclicas, mas o fato de saber que o pontificado corajoso de Roncalli, representou um tempo de transição entre o pré-Concílio e a própria recepção do Concílio. No momento gritante da guerra fria entre EUA e URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), as palavras, a atuação corajosa e os documentos desse papa, foram fundamentais para minorar a possibilidade de uma terceira guerra. Cada época e cada tempo, como diz o Papa Leão XIV (Magnifica Humanitas, n. 1), mostra a pertinente atuação da Igreja e de sua Doutrina Social. A janela de João XXIII foi capaz de retomar a D.S.I e abrir caminhos de diálogo num mundo fraturado e marcado pelo ódio.
2ª. Janela: o próprio Concílio Ecumênico Vaticano II foi uma janela fundamental que ajudou a consolidar no séc. XX a Doutrina Social da Igreja. O Concílio deu a entender a todos e todas, que a base de atuação para a Igreja seria o diálogo e não a imposição de sua doutrina. Colocou no ecumenismo – Decreto Unitatis Redintegratio – e na Gaudium et Spes – a Igreja no Mundo de Hoje – boas colunas que provocaram na sociedade da época e depois do Concílio, a noção de que a Igreja jamais poderia se afastar das demandas sociais e políticas num mundo marcado pela tensão das guerras e pela fome. Doutrina Social é resposta contundente da Igreja que se preocupa com os últimos e os sofredores.
3ª Janela: a Constituição Gaudium et Spes. Fecharemos esse texto provando que a G.S. pode ser compreendida a parte na discussão da Doutrina Social. Encontramos em alguns números da constituição as respostas que a Igreja já deveria ter dado antes a sociedade; como os números 1, 6, e 22. E para concluir, vamos a uma bela relação com a encíclica Magnifica Humanitas que é a seguinte: as duas primeiras citações do Papa no documento, colocam de modo extraordinário a Gaudium et Spes. Diz o Papa, os cristãos devem olhar para o verbo encarnado e mudar a história sabendo que “o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente” (M.H., n. 1, citando a G.S., n. 22). E destaca no n. 2: “Desejamos entrar em diálogo com todos os homens e mulheres do nosso tempo, com os quais partilhamos os acontecimentos, as questões e as aspirações da humanidade”. Ele põe no documento a citação da G.S. n. 11, que põe as aspirações e as lutas atuais da humanidade, dentro da vontade de Deus e a Igreja deve enxergar esses desafios.
No próximo texto veremos mais duas janelas e o capítulo primeiro da nova encíclica.
P. José Soares de Jesus – CEBs de Aracaju e pároco na S. Pedro Pescador.
- G.S. (Gaudium et Spes. Constituição do Vaticano II).
- M.H. Magnifica Humanitas, Papa Leão XIV.
A fotografia é da grande manifestação contra os Euromísseis, que ocorreu em Roma em 22 de outubro de 1983 e contou com a presença de um milhão de pessoas. Prevost, que havia sido ordenado sacerdote pouco mais de um ano antes (junho de 1982) e estudava Direito Canônico em Roma, estava na praça protestando pela paz junto com seus companheiros agostinianos, outros religiosos e diversos grupos cristãos.
A fotografia, que também inclui Prevost, foi tirada por Gianni Novelli, um padre estigmatino, um “padre dissidente”, editor da revista Com-Nuovi Tempi , envolvido em comunidades cristãs de base (particularmente a Comunidade de São Paulo em Roma), fundador e por muitos anos presidente do Cipax (Centro Interconfessional para a Paz) e um incansável ativista pela paz que faleceu em novembro de 2023. Foi publicada pela primeira vez há mais de trinta anos na revista Mosaico di pace (julho-agosto de 1993), promovida pela Pax Christi, acompanhando uma entrevista sobre questões de paz com o padre agostiniano americano Robert Dodaro, professor de teologia no Instituto Patrístico “Augustinianum” em Roma.
No final de novembro de 2025, Monsenhor Giovanni Ricchiuti, presidente nacional da Pax Christi, presenteou o Papa Leão XIV com a fotografia durante um encontro com o pontífice. Ele já se manifestava, portanto, pela paz e contra a guerra e o rearme no início da década de 1980. Fonte: https://ilmanifesto.it/prevost-pacifista-in-piazza-storia-di-una-foto
Abaixo uma boa canção para introduzir a discussão da Enciclica "Magnifica Humanidade" em grupos de estudo, de formação, de debate e etc..
Cássia Eller - Queremos Saber (DVD – Do Lado do Avesso)
Erasmo Carlos - Queremos saber (DVD Meus Lados B)
Reflexão sobre ciência e poder em “Queremos Saber”
Em “Queremos Saber”, Gilberto Gil utiliza referências à ciência moderna, como "antimatéria" e "raio laser", para levantar questões sobre quem realmente se beneficia dos avanços tecnológicos. No verso “Queremos notícia mais séria / Sobre a descoberta da antimatéria / E suas implicações / Na emancipação do homem / Das grandes populações”, Gil deixa claro que seu interesse está em como essas descobertas podem contribuir para a liberdade e o bem-estar das pessoas, especialmente das camadas mais pobres da sociedade. Ele critica a possibilidade de que o conhecimento científico seja usado apenas para reforçar desigualdades ou atender a interesses restritos.
A música adota um tom questionador ao exigir transparência e responsabilidade no uso das novas invenções, como em “Queremos saber o que vão fazer / Com as novas invenções”. O trecho “Prever qual o itinerário da ilusão / A ilusão do poder” serve de alerta para os perigos de se buscar poder por meio do conhecimento sem considerar as consequências éticas e sociais. Ao citar o “mistério da luz” e a “luz do disco voador”, Gil sugere que ainda há muito a ser compreendido, inclusive sobre fenômenos que fogem à explicação racional. Dessa forma, a canção se transforma em um apelo coletivo por acesso ao conhecimento, ética e reflexão, defendendo que o saber deve ser compartilhado e usado para o bem comum. Fonte: https://www.letras.mus.br/gilberto-gil/335546/significado.html
📅
11 de junho de 2026 | 📍 Escola Municipal Des.
José Sotero Vieira Melo – Rosário do Catete/SE
👥
Público total: 85 participantes (com equipe)
⏰ Acordar mais cedo para valer a
pena
Hoje, o Cine Realidade fez a terceira exibição programada
para esta 15ª Difusão da Mostra Cinema e Direitos Humanos.
Para isso, precisei acordar e sair de casa mais cedo que o
habitual. O mesmo aconteceu com a jovem assistente. Na companhia de duas
professoras extremamente comprometidas com seu ofício, fomos para Rosário do
Catete – cidade do interior de Sergipe, bem pertinho da capital, Aracaju.
Os filmes escolhidos pela professora Marta a partir dessa lista são primorosos.
Assim como os dois principais exibidos nas sessões anteriores.
Na sessão de hoje, exibimos Pau D’Arco e Terra
Doente. Sobre todos os quatro filmes, não posso deixar de dizer: a
pertinência das temáticas, a qualidade técnica e artística e a curadoria estão
de parabéns.
Zezito de Oliveira - Curador do Cine Realidade e Editor do Blog.
Abaixo - Com anotações realizadas por Iasmin Feitosa
🎞️ Turma 1 – 07h30 | 28
participantes
Filme:Pau
D’Arco
Os alunos demonstraram grande concentração. O
filme trouxe seriedade, profundidade e relatos reais sobre o assassinato de
trabalhadores rurais por policiais militares no Pará..
💬 “O assassinato foi algo
impactante e novo para mim.”
Depois de sobreviver à chacina em que a polícia matou 10 trabalhadores sem-terra, a principal testemunha do crime e seu advogado lutam por justiça e pelo direito à terra. Ao seguir seus passos por sete anos na Amazônia Paraense, acontecimentos chocantes indicam uma possível tentativa de encobrir o crime.
🌿 Turma 2 – 09h | 27
participantes
Filme: Terra Doente
O documentário mostra a realidade sob o ponto de
vista indígena, destacando:
A
diferença de cuidado com a natureza entre indígenas e não indígenas
O
medo da contaminação dos rios e animais por agrotóxicos e plantações
excessivas de soja
O
desmatamento em grande escala
O
processo de reconstrução até reestabelecer o lar, a transferência de um local mais impactado pela agressão ao habitat dos indios para outro menos..
🗣️ “O rio que nos
alimenta é a nossa vida.”
Os alunos assistiram com atenção, muitos fazendo anotações.
A exibição terminou com muitos aplausos.
Depoimentos e relatos locais
Alunos trouxeram relatos da própria região:
Plantações
contaminadas em Rosário do Catete
Aviões
despejando agrotóxicos
Desmatamento
na Mata Vermelha
⚠️ “Já pensaram onde os filhos e
netos de vocês vão beber água? E na quantidade de doenças que estamos tendo por
causa disso?”
Muitos responderam: “não”.
Sobre o que polui o rio, citaram: lixo e esgoto.
🔥 Turma 3 – 10h | 28
participantes
Filme: Terra Doente
Houve necessidade de uma breve orientação para concentração
e seriedade. Depois desse momento, os alunos focaram nas cenas
profundas e impactantes. O filme terminou com aplausos e comentários.
O que mais surpreendeu/impactou:
Cena
do indígena pegando mamão num pé alto
Pinturas
corporais e faciais
O
fogo
Rituais
e tradições
Pescar
com a mão
O
rio
A
poluição nos rios e o “sabor de metal”
Sobre o entendimento do filme:
🌳 “Não pode cortar as
árvores, queimar e poluir o rio.”
Zezito complementou:
✂️ “O errado não é cortar como fazem os indios. O
errado é cortar sem necessidade, como muitas vezes fazemos como homens brancos.”
“Valeu a pena? Por quê?”
Matheus:“Sim.
Achei bacana porque nós temos tudo aqui na cidade, mas e eles? Os brancos
não pensam neles.”
Jane:“Sim.
Aprendi coisas que eu não sabia sobre os indígenas.”
Stephanie:“Sim.
Gostei das águas.”
Pergunta que ficou no ar:
🧐 “Existem indígenas como
esses?”
Por que o aluno perguntou "Existem indígenas como esses?"
O aluno fez essa pergunta porque o filme Terra Doente mostrou indígenas com traços culturais fortíssimos – pinturas corporais, rituais, pesca com as mãos, relação sagrada com o rio, fala na língua original – mas ao mesmo tempo lidando com tecnologia e problemas do mundo contemporâneo: agrotóxicos, desmatamento, utilização de drones e câmeras de filmar, canoas com motor, decisões políticas de favorecimento do agronegócio em detrimento da vida das pessoas, dos animais, das plantas, das águas e do solo.
Esse contraste gerou estranhamento. No imaginário comum, o imaginário do aluno, "indígena de verdade" costuma ser associado apenas ao passado, à floresta intocada, ao corpo nu ou com cocar, isolado da tecnologia e dos problemas "dos brancos" e estes talvez nem devam existir mais.
Ao ver que é possível ser profundamente indígena na aparência, nos ritos, na relação com a terra – e simultaneamente ser um sujeito do século XXI – o aluno ficou em dúvida. Sua pergunta revela que ele aprendeu a separar essas coisas: ou o indígena é "tradicional" (e aí estaria no passado), ou é "moderno" (e aí perderia sua identidade). O filme mostrou que essa separação é falsa. Os Khisêtjê são os dois: profundamente originários e plenamente contemporâneos.
SUKANDE KASÁKÁ | Terra Doente
30min - 2025 - MT - Livre - Documentário
Perfil online: @minhanaturezamuda
Direção: Kamikia Kisedje, Fred Rahal
Sinopse:
Kamikia e Lewaiki, do povo Kisêdjê, são obrigados a abandonar sua maior aldeia após detectarem a contaminação por agrotóxicos, que envenena suas terras, rios e alimentos. Cercados por monoculturas de soja, eles lutam para proteger sua cultura, suas famílias e seu território, enfrentando um inimigo invisível que ameaça sua existência.
Gostou deste relato? Compartilhe e acompanhe as próximas
exibições do Cineclube Realidade.
📍 Rosário
do Catete – Sergipe
🎥 Cinema,
memória e transformação social.
Documentário “Pau d’Arco” resgata revelações e depoimentos sobre a violência no campo paraense
Não precisa fazer grande esforço para perceber o avançado processo de descaso, degradação e abandono do Centro de Aracaju. Em qualquer rua ou praça que se vá, o quadro é sempre o mesmo: casas fechadas e algumas em ruínas, monumentos destruídos em praças e ruas inteiras quase desertas, abandonadas.
Também chama a atenção o abandono e degradação de prédios públicos e privados de grande beleza arquitetônica e importância histórica, a começar pela sede da própria Prefeitura de Aracaju, o Palácio Inácio Barbosa, inaugurado na década de 1920 em homenagem ao fundador da cidade.
Leia a reportagem completa no site da Mangue Jornalismo.
Reflexão sobre o acerto da campanha de cidadania cultural em prol da revitalização do centro histórico de Aracaju.
Ter acesso a essas duas matérias foi — e continua sendo — importante para perceber o acerto da nossa campanha de cidadania cultural. Isso se deve especialmente à cobertura dada pela Agência Mangue Jornalismo ao tema, que foi feita de maneira responsável e qualificada.
É importante lembrar que já tinha tido contato com essas matérias antes, mas nunca havia parado para lê-las de forma completa — o que só foi possível agora, por meio das buscas que estou realizando na internet e das conversas que tenho tido com meu parceiro de caminhada cultural, Rás de Sá.
E que buscas são essas? São perguntas fundamentais que estamos tentando responder juntos:
Como o Centro Histórico de Aracaju chegou a esse ponto de abandono e degradação?
O que pode ser feito, por meio da ação cidadã ativa, para despertar a nossa cidade — na linha dos versos da canção de Gerônimo: "Acorda cidade, acorda pra ver"? (cidade aqui, autoridades e população).
Quais são os melhores tipos de destinação para os edifícios retomados e restaurados, de modo a beneficiar a economia criativa e popular da cidade?
Quem pode e/ou quer se juntar a nós nessa busca por respostas?
O ponto de largada está dado. Agora, é caminhar junto.
Zezito de Oliveira - editor do blog da cultura
Candidatos prometem criar empregos e revitalizar o Centro de Aracaju, mas não dizem como fazer
A Undime em parceria com o Ministério da Educação realizou a live sobre a Escola Nacional de Hip Hop. Para conversar sobre o programa, falou da adesão, que está aberta, e trouxe orientações aos gestores.
O Programa Escola Nacional de Hip Hop tem como objetivo realizar a integração da cultura Hip Hop como instrumento didático-pedagógico, em consonância com o Decreto nº 11.784/2023, que dispõe sobre as diretrizes nacionais para as ações de valorização e fomento da cultura hip-hop.
A iniciativa busca promover a inovação curricular, a formação continuada de professores e o fortalecimento da implementação da Lei nº 10.639 e da Lei nº 11.645 que tornaram obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana e indígena na educação básica, no ensino fundamental e médio.
As redes de ensino estaduais, municipais e do Distrito Federal podem formalizar a participação no programa até o dia 30 de junho, no Simec, por meio da assinatura do termo de adesão.
Com esse exemplo e conquista é hora das Culturas Populares se organizarem e articular melhor para uma Escola Nacional das Culturas Populares. A experiência pedagógica e cultural do Instituto Brincante em São Paulo pode servir como uma boa base de justificativa prática, quem souber de outras experiências relevantes pode escrever nos comentários.
Após o sucesso da campanha de cidadania cultural que reafirmou a necessidade da reforma e revitalização do Palácio Inácio Barbosa, em poucos dias daremos
início à nossa segunda mobilização: desta vez, o objetivo é a reforma e a
revitalização do antigo prédio do INSS, localizado no centro de Aracaju.
Diferente da campanha anterior (que teve a prefeitura como principal poder público demandado), agora o foco principal é a Presidência da República, uma vez que o
imóvel pertence à União (governo federal). Também
vamos cobrar diretamente os representantes de Sergipe no Congresso Nacional,
especialmente os eleitos para a próxima legislatura (tanto os novatos quanto os
reeleitos).
Por isso, convidamos a todos para usar este tema como critério de voto
nas próximas eleições.Podemos inclusive lançar
um slogan mais estruturante, como:
“Só voto em candidato que coloque a cultura, o meio ambiente e as pautas
sociais como prioridade.”
O que vocês acham da ideia?
A Segunda Campanha –
Esta segunda campanha se baseia em demandas
que já apresentamos anteriormente no Blog da Cultura e durante
uma participação no Jornal da Fan, quando o ministro Guilherme
Boulos (Ministro da Casa Civil) foi entrevistado.
Na ocasião, fiz a seguinte pergunta ao ministro:
“Bom dia, Narcizo, ouvintes e ministro Guilherme Boulos. Aqui é Zezito
de Oliveira – Educador e Agente Cultural. Há um grande edifício desativado, de
propriedade do governo federal, bem no centro de Aracaju. Esse prédio pertence
ao INSS e teve uma reforma iniciada em 2023, mas que foi paralisada. Seria
possível destinar esse espaço para famílias de baixa renda, organizações da
sociedade civil, micro e pequenos empreendimentos ligados à cultura,
comunicação, economia solidária, tecnologia, turismo e outras áreas? O senhor
pode viabilizar isso?”
A pergunta foi bem recebida pelo ministro Boulos e também por ouvintes
ligados à economia criativa, artes incluso. Hoje, um seguidor do Blog da
Cultura lembrou novamente dessa pauta, o que nos motivou a retomá-la.
Conversamos com o parceiro que atuou conosco na campanha do antigo prédio da
Prefeitura (Palácio Inácio Barbosa), Rás de Sá, e ele se mostrou favorável. Assim,
decidimos dar o pontapé inicial nesta nova jornada.
Ainda hoje, assistimos à cerimônia de entrega de imóveis da União para
fins de moradia social, culturais e outros usos coletivos – o que mostra que
esse tipo de destinação é viável e já está acontecendo no país.
Em pouco mais de três anos de existência, o Imóvel da Gente se tornou uma das principais ferramentas de democratização e destinação social do patrimônio da União. Dede janeiro de 2023 , a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) destinou mais de 1.700 imóveis federais para políticas públicas voltadas ao atendimento da população, em 625 municípios brasileiros.
Convidamos novamente todos vocês a se engajarem nesta empreitada!
Compartilhem, cobrem os candidatos e futuros parlamentares, e ajudem a
transformar um prédio abandonado em um espaço vivo a serviço da cultura, da
moradia e da economia criativa e solidária.