quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Política da Cultura e Cultura na Política.

Esplanada dos Ministérios ao cair da tarde

 Nesse 8 de janeiro de 2026 uma reflexão de 2010 e ainda atual sobre o legado do ministro Gilberto Gil e a potência transformadora dos Pontos e Pontões de Cultura, caso não sejam abortados mais uma vez pelas escolhas politicas da maioria da população nos próximos anos.

Makely Ka · Belo Horizonte, MG - Publicado no portal Overmundo

Poeta, editor, compositor e operário da contra-indústria

9/12/2010 

Em um disco de 1969 Gilberto Gil cantava os contundentes versos: “a cultura, a civilização: elas que se danem, ou não”. O paroxismo da frase aponta tanto para o advento iminente do princípio da barbárie contemporânea quanto contém dentro de si a potência necessária para superá-la numa afirmação anárquica mas positiva de uma outra possibilidade de cultura e civilização. Não deixa de ser irônico que o mesmo autor da frase, mais de quarenta anos depois, assumiria o posto de Ministro da Cultura.

Sintomático que um dos artífices do tropicalismo, o principal movimento estético de vanguarda no Brasil na segunda metade do século XX tenha se embrenhado na política. Gil já havia dado mostras de sua disposição para o gabinete e o palanque em pelo menos duas ocasiões, quando assumiu como vereador em Salvador e depois como candidato a prefeito da capital baiana. Mas era ainda um laboratório do que estava por vir.

Incorporando elementos do movimento contra-cultural, uma das propostas mais caras ao tropicalismo foi, em última instância, a quebra de barreiras entre arte e política, entre intervenção social e cultura. Nesse sentido pode-se dizer que a realização do projeto tropicalista em seu sentido mais amplo, por mais desdobramentos que possa ter gerado, não estaria completa sem uma intervenção efetiva, ampla e incisiva no ambiente político-cultural do país.

O Ministério da Cultura por sua vez, a instância responsável pela elaboração e execução das políticas públicas para o setor no âmbito federal, sempre teve uma existência inexpressiva, primeiro vinculado ao Ministério da Educação, depois rebaixado a secretaria, por fim uma pasta sem recursos suficientes para garantir à população o direito constitucional de acesso aos bens e produtos culturais do país. Mais do que isso, um ministério que se escorou num único mecanismo de ação delegando a responsabilidade do fomento ao mercado e favorecendo grupos e agentes na base da política de balcão. Reflexo de um pensamento elitista que sempre pautou as políticas – ou a falta delas – para o setor.

Por tudo isso a nomeação de Gilberto Gil para o cargo de Ministro da Cultura equivale aproximadamente, na relação direta e proporcional entre as hierarquias governamentais, à própria eleição do presidente Lula. A dimensão simbólica do fato só encontra paralelo na história recente com a nomeação de Villa-Lobos para a direção da antiga Superintendência Educacional e Artística na era Vargas. Mas o gesto aqui é ainda mais amplo e o desafio mais complexo.

Em Salvador me disseram que Gil teria recusado o primeiro convite de Lula. O futuro ministro então ligou para o amigo e conselheiro Antônio Risério. Antropólogo especialista em cultura africana no Brasil, desafeto de ACM, referência intelectual dos tropicalistas, Risério teria dito em resposta: “vai ficar na Senzala, não vai entrar na Casa Grande?”. O sarcasmo da analogia em tom de desafio diz muito sobre as relações entre alta e baixa cultura e a disparidade nas relações de produção e consumo entre as diferentes classes sociais do país.

E se Villa-Lobos vislumbrou a realização de um projeto cultural de amplitude para o país com a implantação do canto orfeônico nas escolas públicas brasileiras durante a ditadura Vargas nos anos 40, o projeto de Gil propunha uma mudança de paradigma, uma inversão na forma de pensar e perceber a cultura brasileira. E mais, transformar essa visão em política de Estado! Não era pouco, mas de certa forma o embrião já estava todo ali no discurso de posse. Precisávamos definitivamente encarar a cultura como um fator estratégico para o desenvolvimento do país.

O fato é que o tema da nunca esteve, até então, na pauta das discussões políticas com a devida importância. A despeito do acesso à Cultura ser um direito previsto na Constituição Brasileira de 1988 e dever ser assegurado a todos os cidadãos pelo Estado Brasileiro. A despeito ainda dos Direitos Culturais estarem previstos expressamente na Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948, como fator de singularizarão da pessoa humana e comporem juntamente com os Pactos Internacionais de Direitos Civis e Políticos e de Direitos Econômicos Sociais e Culturais a Carta das Nações Unidas, da qual o Brasil é signatário com posição ratificada em 1992. Para além do caráter simbólico e de sua importância para a formação da identidade brasileira, a cultura tem se mostrado como fator fundamental de desenvolvimento econômico gerador de emprego e renda. Acabamos de passar por uma crise financeira mundial no momento em que outra já se anuncia e o setor cultural foi um dos que mais demonstrou capacidade de reação e superação. Não é por acaso que é o setor da economia que mais cresce no mundo todo, de acordo com dados recentes do Banco Mundial.

Gil assume o Ministério em 2002 e parte de um germe plantado por intelectuais orgânicos - aqueles que colocam a mão na massa encefálica - ligados ao núcleo expandido do tropicalismo como Antônio Risério, Rogério Duarte, Wally Salomão, Jorge Mautner e o próprio Juca Ferreira conseguindo a adesão imediata de jovens criativos e bem preparados vindos de diversas partes do país que se entusiasmaram com a idéia. Entre eles o próprio Alfredo Manevy, atual Secretário Executivo recrutado das fileiras da crítica cinematográfica mais política e aguerrida.

Naquela ocasião não havia um projeto consistente do PT para o setor cultural. Isso fica claro ao analisarmos as propostas apresentadas pelo partido tanto nas eleições daquele ano quanto nas anteriores. Assim como o PT nenhum outro partido jamais apresentou propostas minimamente fundamentadas para o setor simplesmente porque jamais perceberam a dimensão do espectro cultural. Basta passar o olho nos programas de governo lançados pelos candidatos à presidência. Todos apresentaram, em linhas gerais, uma continuidade das políticas culturais implementadas na atual gestão, com ampliação dos Pontos de Cultura e revisão dos mecanismos de investimento público no setor.

A idéia-conceito que sustentou a implantação do Pontos de Cultura dá a dimensão da mudança paradigmática operada nesse período. Ao promover o encontro inusitado da simplicidade radical de uma tradição oriental secular com uma disciplina humanista relativamente recente do pensamento ocidental foi realizada uma síntese poderosa capaz de promover um movimento sísmico no Brasil profundo. O Do-in antropológico proposto pelo então Ministro em seu discurso inaugural, sugerindo uma massagem nos pontos nevrálgicos do país de forma a possibilitar que a energia dessas veias e artérias culturais ramificadas por todo o território fluíssem resultou em mais de cinco mil pontos de cultura espalhados por todo o país e uma tecnologia social que virou modelo e hoje é exportada para todo o mundo.

Mas não foi só isso, durante esses anos houve uma intensa movimentação, tanto em listas virtuais quanto em encontros presenciais de dezenas de milhares de agentes, entre eles artistas, produtores, pesquisadores, gestores, jornalistas e cidadãos em geral interessados em discutir políticas públicas para a cultura. Foram organizados fóruns onde se discutiu exaustivamente cada ponto considerado importante nas respectivas áreas. Mais do que simples consultas, as conferência de cultura se transformaram numa demonstração vigorosa do exercício democrático com a capacidade de anular, por si, qualquer possibilidade de clientelismo de um lado e de dirigismo por outro. Isso em cada setor, mas também transversalmente. A criação desse canal de interlocução inédito da sociedade civil com o governo por sua vez, impulsionou a criação de grupos, coletivos, associações e cooperativas em todos os cantos, que vieram respaldar e dar legitimidade aos fóruns. A fermentação dessa massa gigantesca resultou no Plano Nacional de Cultura, que por sua vez integra o Sistema Nacional de Cultura, com a proposta de implementação de ações coordenadas com ramificação nas esferas federais, estaduais e municipais.

Outro movimento importante foi a correção das distorções da famigerada Lei Rouanet com a criação do Procultura – Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura aprovado recentemente no Congresso Nacional. Um dos trunfos do programa é a criação de fundos setoriais - uma demanda antiga da classe artística - geridos a partir de colegiados e comitês formados por representantes da sociedade civil e repasse de verbas através de editais públicos com critérios claros e transparentes.

Vale menção ainda a consulta pública para revisão da Lei dos Direitos Autorais e toda a cruzada do Ministério da Cultura a favor da cultura livre, da ampliação do acesso à banda larga, a implantação do Vale Cultura, que deverá promover o acesso de uma parcela significativa da população brasileira a produtos e bens culturais e a articulação da Proposta de Emenda à Constituição n° 150, de 2003, a PEC da Cultura, com elevação dos patamares orçamentários nas três esferas do poder.

Claro que ainda falta muita coisa! Ressentimos por exemplo a inexistência de indicares para um diagnóstico mais preciso sobre as atividades culturais no país, que movimentam milhões mas estão pautadas em sua grande maioria pela informalidade; a revisão do enquadramento jurídico e dos encargos tributários para as empresas e profissionais do setor artístico; a reestruturação da FUNARTE e a criação das agências para cada setor; enfim, ainda há muito trabalho pela frente.

Mas mesmo as críticas tem sido absorvidas e debatidas publicamente em várias ocasiões. Muitas delas, cabe dizer, vindas de lobbies e grupos que viram seus interesses ameaçados, que tentaram desqualificar as propostas a priori com receio de que as mudanças – principalmente a revisão da Lei Rouanet e a reforma da Lei do Direito Autoral – interferissem nos lucros e privilégios adquiridos durante anos de limbo. Mas, de todas as críticas, uma ganhou destaque na imprensa e merece atenção especial aqui pela importância do interlocutor e sua posição estratégica em meio ao processo como um todo. Caetano Veloso foi um dos críticos mais contumazes da gestão, manifestando publicamente seu descontentamento com os rumos das políticas do Ministério da Cultura e com as posições defendidas pelo ministro. Mas foi o próprio Caetano quem declarou certa vez que "Rogério Duarte disse numa louca conversa em 68 que Gil era o profeta e eu apenas o seu apóstolo." O caráter profético da máxima ganha contornos inusitados quarenta anos depois. O fato é que o próprio Caetano reconheceu, ao fim do mandato do colega de Tropicália e importância de sua passagem pelo Ministério da Cultura, a projeção e destaque alcançados por um Ministério antes invisível. Mas no momento em que Caetano defende a liberação do iTunes para venda de músicas online no Brasil em seu artigo semanal no jornal O Globo ele efetivamente se torna um apóstolo de Gil na sua cruzada pela cultura digital. Gil foi o primeiro artista do primeiro escalão a perceber as mudanças na estrutura de funcionamento da indústria fonográfica e investir num novo modelo de negócios. Disponibilizou arquivos para download gratuito e defendeu a flexibilização do direito autoral; fez as primeiras transmissões ao vivo pela internet e foi também pioneiro na utilização de plataformas 2.0; incorporou os princípios do software livre e da economia criativa não só ao seu discurso mas à sua própria obra.

Mas há pelo menos mais dois fatos que chamam a atenção neste momento. O primeiro é a disputa, até então inédita, pelo cargo de Ministro da Cultura. Eu já acompanhei pela imprensa a citação de pelo ao menos duas dezenas de nomes cogitados para assumir a pasta no novo governo. Até muito pouco tempo não havia o menor interesse, nenhum partido disputava a cultura, era perfumaria, moeda de troco na barganha dos ministérios - como infelizmente ainda acontece em muitas secretarias e fundações em municípios e até estados.

Outro fato interessante é que a partir de 2011 o ensino de música volta a ser obrigatório nas escolas brasileiras, em cumprimento à lei sancionada em 2008. Reivindicação legítima e urgente da classe musical, o ensino de música nas escolas deve exercer a médio e longo prazo um impacto imenso no perfil dos consumidores e na qualidade da produção de um país que já é reconhecido como um dos mais musicais do planeta. É inevitável pensar no arco que vai do canto orfeônico nos anos 40, passa pela reformulação curricular durante a ditadura militar - que excluiu o ensino de música e reduziu a carga-horária e a importância das disciplinas ligadas às artes e humanidades em geral -, e o retorno do ensino de música ao currículo obrigatório. Nesse intervalo entre a atuação de Villa-Lobos e a gestão de Gilberto Gil / Juca Ferreira a cultura parece ter assumido uma dimensão política até então inimaginável.

Graças a essa nova configuração estamos a caminho de realizar em ato, nos próximos anos, as potencialidades do Brasil transformando-o em referência na produção e no acesso a uma das matérias mais sofisticadas do intelecto humano, que é a arte e a cultura. Agora portanto é bola pra frente, não é possível mais recuar!


Pontos de Cultura no MinC: a expressão mais marcante na transformação

O Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura beneficiou mais de nove milhões de brasileiros, uma das maiores ações de política pública de cultura da história do país.

AQUI e AQUI

Pontos de Cultura no MinC: a expressão mais marcante na transformação

O Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura beneficiou mais de nove milhões de brasileiros, uma das maiores ações de política pública de cultura da história do país.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Tem inicio o Curso de Verão do CESEEP na PUC-SP nesse 07 de janeiro. Experiência ecumênica e inter-religiosa combinando educação popular e ação cultural

CV2026 (1º dia) Celebração de Abertura - Conjuntura



CV2026 (2º dia) Capitalismo e Colapso Ambiental





Curso de Verão - ANO XXXIX - 2026 – “Justiça Ambiental: Compromisso Social e Inter-Religioso com o Bem-Viver"

Celebração de Abertura - Conjuntura

Assessoria: Luiz Marques /  UNICAMP

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O QUE É O CURSO DE VERÃO?

O Curso de Verão é Popular, ecumênico e realizado em mutirão é organizado para um grande número de pessoas e, ao mesmo tempo, garante trabalho em pequenos grupos. Dentro da proposta metodológica da Educação Popular, combina reflexão e criatividade, arte e celebração, além da convivência fraterna e o compromisso transformador no retorno à prática nas pastorais e movimentos sociais. Tem caráter nacional, mas é aberto à participação de pessoas de outros países que falem/entendam a língua portuguesa. Dedica especial atenção às juventudes, que iniciam a sua militância pastoral e social.

MAIS INFORMAÇÕES: 

VISITE: https://www.cursodeverao.com/

ACOMPANHE NOSSAS REDES SOCIAIS:

Youtube:    / cursodeverao1  

Facebook:    cursodeveraooficial  

Instagram:   / cursodeverao  

Flickr: https://www.flickr.com/photos/cverao/


Curso de Verão 2026: 'Justiça Ambiental e o Compromisso Social e Inter-religioso' | 







 Convite especial | Curso de Verão 2026 ✨


No dia 09 de janeiro, às 17h, o Curso de Verão convida você para uma exibição imperdível no TUCA:

🎬 O Evangelho da Revolução

Um documentário potente que revisita a história de cristãos e cristãs que, movidos pela fé e pela Teologia da Libertação, se colocaram ao lado do povo nas lutas por justiça social na América Latina.
A partir de imagens históricas e entrevistas marcantes, o filme nos conduz por experiências vividas no Brasil, em El Salvador, na Nicarágua e no México, mostrando como a fé se transformou em compromisso político, resistência e esperança.

🗓 09 de janeiro de 2026
⏰ 17h
📍 TUCA – Rua Monte Alegre, 1024, Perdizes (SP)
🎥 Duração: 116 minutos

👉 Faça sua inscrição no site: https://ceseep.org.br/

Venha com seus amigos e amigas, a tenda, sua rede, sua história! E venha celebrar essa caminhada com a gente Ver menos




Nota sobre a reunião da representação de cineclubes com representação do Ministério da Cultura em 18 de dezembro de 2025

 No último dia 18 de dezembro, com articulação do CNC e em conjunto da Organização dos Cineclubes Capixabas - OCCa e do Secretariado Latino Americano da  Federação Internacional de Cineclubes, contando com apoio do Escritório Estadual do MINC / ES; participamos de uma agenda on line com a Divisão de Políticas Públicas para Cineclubes da Secretaria do Audiovisual - SAV / MINC.

Dentre os objetivos da reunião solicitada em conjunto pelas Entidades Cineclubistas, foi reconectar o diálogos entre as Entidades Cineclubistas e a SAV / MINC, propondo-se avançar construtivamente no fomento de ações formativas e políticas públicas para o cineclubismo brasileiro.  

Seguimos na busca para viabilizar a 31ª Jornada Nacional de Cineclubes, ao mesmo que, avançamos na base de dados reorganizando o quadro de filiad@s ao CNC. 

Compreendendo que Juntas e Juntos Podemos Mais, registramos a expectativa de que no primeiro bimestre, possamos realizar uma reunião conjunta com os Estados.


A expectativa para o primeiro bimestre de 2026, ao reunirmos o CNC e Entidades Estaduais e ou Representações Cineclubistas nos Estados, é que possamos reconectar os cineclubes e o movimento em prol de sua rearticulação nacional, fortalecendo os diálogos e o fomento de políticas públicas para o cineclubismo brasileiro.



Agressão convertida em celebração: a herança bélica dos fogos de efeitos visuais e rojões. Por Silvana Andrade

A queima de fogos de artifício e bombas  introduz no ambiente civil um tipo de contaminação que se aproxima mais de eventos explosivos de caráter bélico do que de qualquer ideia de celebração. O paralelo com a guerra não é retórico. Sustenta-se nos elementos químicos liberados, nas reações físicas e na lógica de devastação pontual que se repete, ano após ano, sob o manto da normalidade social.

queima de fotos em Copacabana (RJ) - Foto: Divulgação

Do ponto de vista ambiental e toxicológico, os fogos dispersam no ar, no solo e na água uma combinação de metais pesados e compostos químicos amplamente documentados. Entre eles estão o chumbo, associado a danos neurológicos, cognitivos e cardiovasculares; o bário, utilizado para produzir tons verdes e conhecido por provocar arritmias, fraqueza muscular e comprometimento respiratório; o cobre, responsável por colorações azuladas, tóxico para organismos aquáticos e cumulativo no ambiente; o estrôncio, empregado nos tons vermelhos, capaz de interferir no metabolismo ósseo; o alumínio, presente como combustível e intensificador da explosão, relacionado a processos inflamatórios e impactos neurológicos; o antimônio, utilizado como estabilizador, com potencial carcinogênico; o cádmio, altamente tóxico e bioacumulativo, associado a danos renais e ósseos; e o níquel, conhecido por seus efeitos alérgicos, respiratórios e cancerígenos.

A esses metais somam-se partículas ultrafinas, óxidos de nitrogênio, dióxido de enxofre e monóxido de carbono. Essas substâncias não desaparecem com o fim do espetáculo. Permanecem suspensas no ar, depositam-se no solo, escorrem para corpos d’água e ingressam na cadeia alimentar.

Em termos técnicos, o cenário que se forma após grandes queimas se assemelha ao observado em áreas submetidas a detonações de artefatos explosivos em contextos militares de baixa intensidade, com picos súbitos de poluição atmosférica e deposição química persistente. A diferença está apenas no enquadramento alegórico e na identidade material do impacto, não em sua essência.

O mesmo se aplica à dimensão sonora. Os estampidos alcançam níveis de pressão acústica comparáveis aos de detonações utilizadas em operações armadas, ativando respostas neurofisiológicas idênticas. O corpo humano não distingue a origem do som. O sistema nervoso reage da mesma forma, acionando mecanismos de sobrevivência, elevando hormônios do estresse e desorganizando funções vitais.

Em áreas de guerra, esses efeitos são reconhecidos como trauma acústico. Em situações festivas, são tratados como efeito colateral aceitável. A fisiologia, porém, não opera por convenções culturais.

Nos animais, o paralelismo é ainda mais evidente. Não há compreensão capaz de converter explosões em alegria. O que existe, para eles, é apenas ameaça. Na recusa instintiva ao ruído e ao impacto, talvez resida uma lição ética que a humanidade ainda precisa aprender. A audição ampliada transforma o ambiente em território hostil, produzindo fugas desesperadas, colisões, abortos, mortes súbitas, abandono de ninhos e ruptura de ciclos ecológicos.

Algo análogo acontece com pessoas autistas, idosos e indivíduos com necessidades especiais, para quem o estrondo significa ruptura, colapso sensorial e grande tormento.

O uso de fogos barulhentos revela a persistência de um método de força e domínio. O estouro é demonstração figurada de poder e ocupação do espaço comum, suspendendo temporariamente qualquer consideração pelo outro. É um gesto que se impõe, não que acolhe.

É nesse ponto que o mito da caverna de Platão se apresenta como chave interpretativa. Os clarões e formas momentâneas dos fogos atuam como sombras projetadas na parede, suficientes para capturar o olhar, insuficientes para revelar a realidade. A luz artificial e ruidosa distrai, anestesia e mantém a consciência voltada para o espetáculo, enquanto os efeitos concretos permanecem fora do campo de percepção.

Sair da caverna implica suportar o desconforto da lucidez, reconhecer que aquilo que se toma por festividade reproduz uma forma de violência normalizada. Não é fortuito que a lucidez costuma despertar resistência e tentativas de silenciamento.

A insistência nesse tipo de festa expõe a dificuldade coletiva de reconhecer os limites éticos da própria alegria. Quando a felicidade depende da produção de medo, dor, aflição ou contaminação, ela se desloca para um campo mais próximo da dominação do que do convívio.

A explosão que ilumina o céu por segundos deixa no chão resíduos que persistem por meses. O fenômeno, em sua estrutura, é o mesmo. A comparação não é exagero. É diagnóstico.

Fogos de artifício reproduzem, em proporção reduzida e socialmente legitimada, elementos centrais da experiência bélica. Detonação, poluição química, trauma acústico, devastação ambiental e sofrimento de inocentes. A única diferença é que, nesse caso, a violência recebe o nome de festa.

Uma sociedade que avança moralmente aprende a reconhecer quando certos hábitos se tornam incompatíveis com o conhecimento acumulado. Celebrar a vida por meio de ações que replicam o mecanismo da destruição constitui um atraso civilizatório.

É impreterível proibir, em âmbito nacional, a fabricação e a comercialização dos fogos tradicionais. Trata-se de um progresso moral tardio, mas inadiável. Não é o fim das celebrações, mas a evolução de todas elas.

Já existem alternativas tecnológicas e éticas capazes de produzir beleza sem violações, como espetáculos de drones luminosos, projeções mapeadas e feixes de luz que não ferem, não aterrorizam e não deixam destroços.

A paz, o amor, a empatia, a solidariedade etc. não se constroem com explosões, mesmo quando elas brilham.

Silvana Andrade é jornalista, fundadora e presidente da ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais). É membra especialista do Fórum Global de Segurança Alimentar e Nutrição (FAO) e conselheira ad hoc da UNESCO-SOST no Brasil. 

A profecia das barricadas: Dez anos da Primavera Secundarista frente ao colapso da escola-plataforma e à militarização do saber. Lígia Bacarin


O Fio Condutor da Degenerescência

A história da educação pública brasileira na última década não é uma sucessão de eventos isolados, mas o desenrolar de uma totalidade dialética onde o projeto de formação humana está sob ataque sistemático. Em 2015, o movimento de ocupação das escolas conceituado como a “Primavera Secundarista”, emergiu como a antítese política à tentativa de “reorganização escolar” e terceirização da gestão. Ao ocuparem as unidades de ensino, os estudantes não apenas defendiam prédios; eles reivindicavam o direito ao pensamento crítico e à gestão democrática.

Dez anos depois, o cenário de 2025 revela que a derrota temporária daqueles projetos em 2015 foi metamorfoseada pelo capital em estratégias mais sofisticadas e brutais. O que antes era uma “reorganização” física tornou-se uma plataformização da alma pedagógica e uma militarização da conduta estudantil. A relação entre esses temas é umbilical: a retirada do conteúdo científico e humanístico (esvaziamento) exige um modelo de controle (militarização) para silenciar a frustração social, enquanto a terceirização para as Big Techs converte a educação em mercadoria de dados. Este artigo analisa como o “adestramento escolar” atual é o desfecho de um projeto de classe que os secundaristas de 2015 tentaram, profeticamente, barrar.

1. Mordente e a Judicialização: A Raiz da Criminalização Atual

Para compreender a escola-quartel de 2025, é preciso olhar para as estratégias de contenção jurídica de 2015 analisadas por Giuliana Volfzon Mordente. Segundo Mordente, o Estado utilizou o aparato judicial não apenas para reintegrar à posse das escolas, mas para deslegitimar o estudante como sujeito político. A imposição de multas exorbitantes, a criminalização de lideranças e o uso de “interditos proibitórios” foram o laboratório para o que vivemos hoje.

Mordente demonstra que o sistema de justiça atuou para garantir que a escola voltasse à sua função de “reprodutora da ordem”, tratando o conflito pedagógico como uma questão de polícia. Essa transição do “direito ao protesto” para o “caso de polícia” é o alicerce jurídico que permitiu, anos mais tarde, a implementação em massa das Escolas Cívico-Militares. Em 2025, a militarização não é apenas uma escolha administrativa; é o estágio final da repressão judicial que Mordente denunciou em 2015: o fechamento de qualquer canal de diálogo democrático.

2. Militarização como Instrumento de Gestão do Conflito Social

De acordo com a pesquisa de Zanelato (2025), o avanço das Escolas Cívico-Militares (ECIMs) é a resposta autoritária ao potencial insurgente revelado em 2015. A militarização opera em duas frentes: a moral e a financeira. No plano moral, institui-se o “adestramento”, onde a disciplina militar substitui a disciplina intelectual. O aluno deixa de ser um sujeito de direitos para ser um corpo a ser moldado, silenciado por regulamentos que punem a dissidência e a estética periférica.

No plano financeiro, a tese de Zanelato revela que a militarização é um mecanismo de transferência de fundo público. Entre 2021 e 2025, o governo paranaense inflou os gastos com gratificações para militares da reserva nas escolas, enquanto congelava salários de professores e precarizava a infraestrutura básica. A escola não é mais um espaço de educação, mas um mercado para a corporação militar gerir a crise social.

3. Plataformização e o Esvaziamento Científico

Se a militarização controla o corpo, a plataformização controla o intelecto. A substituição de professores e livros didáticos por plataformas digitais geridas por Big Techs representa a subsunção real do trabalho docente ao capital tecnológico. O conhecimento é fragmentado em “pílulas de conteúdo” e quizzes gamificados que geram uma falsa sensação de aprendizado.

Esta “escola-aplicativo” promove o que chamamos de aprovações fake. Zanelato (2025) denuncia que a busca incessante por índices levou o Estado a mecanismos de exclusão de alunos com baixo desempenho e à redução drástica de vagas no ensino noturno e EJA. Cria-se uma “escola vitrine”: estatisticamente perfeita, mas pedagogicamente morta. O esvaziamento dos conteúdos clássicos e das ciências humanas é o objetivo final; quer-se um trabalhador que saiba operar uma interface, mas que seja incapaz de ler a realidade social.

Conclusão: Do Colapso à Reocupação do Futuro

A análise dialética nos permite ver que o colapso da educação em 2025 é o triunfo temporário da mercadoria sobre o ser social. A junção do controle militar (analisado por Zanelato) com a criminalização institucional do dissenso (analisada por Mordente) criou o cenário perfeito para a privatização final. O adestramento que visa a produtividade imediata e a obediência cega é a antítese da educação defendida pelos secundaristas em 2015. A degenerescência da escola hoje é o resultado de décadas de um projeto que substituiu a autonomia pela vigilância, o professor pelo algoritmo e o debate pela ordem unida.

Para superar essa encruzilhada, o caminho da esquerda, dos sindicatos e dos movimentos em defesa da escola pública exige o que Mordente identifica como a retomada da escola como território de conflito e de direito inalienável. A solução não reside na reforma das plataformas ou na “humanização” do quartel, mas na ruptura radical com a lógica da judicialização punitiva. É preciso restabelecer a escola como espaço de comum, onde a gestão democrática não seja apenas um termo jurídico, mas uma prática cotidiana de autogoverno estudantil e docente. O caminho para barrar a degenerescência passa pela construção de frentes amplas que vinculem a luta pedagógica à luta contra o capital, denunciando que a “aprovação fake” e o controle biométrico são faces da mesma desumanização que precariza a vida fora dos muros escolares.

Inspirados pelo legado de 2015, a reconstrução da escola pública exige uma pedagogia da insurgência que confronte a “paz dos cemitérios” imposta pela militarização. Como aponta Mordente, a resistência deve ser jurídica, mas sobretudo popular, transformando cada tentativa de silenciamento em um novo fórum de debate político. A solução para o esvaziamento de conteúdos é a reafirmação do saber científico, histórico e artístico como ferramenta de libertação, e não como dado estatístico. Somente uma educação que se reconheça como parte da luta de classes poderá reverter o adestramento e devolver à juventude o direito de não apenas ocupar a escola, mas de projetar um mundo onde o conhecimento não seja uma mercadoria, e a disciplina não seja uma algema.

Ligia Maria Bueno Pereira Bacarin 

Professora de História na rede pública de ensino. Com mestrado em Fundamentos da Educação, pós-graduação em Educação Especial e doutorado em Fundamentos da Educação. Militante do Fortalecer PSOL-PR e colaboradora nas mídias sociais da Geração 68.

Referências Bibliográficas:

ZANELATO, Italo Ariel. “Nossa escola não é caso de polícia”: uma análise histórica da militarização dos colégios públicos e civis do Paraná (2019-2025). Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Estadual de Maringá, 2025.

MORDENTE, Giuliana Volfzon. A luta secundarista e a repressão estatal: entre a ocupação e o tribunal. [Referência à obra/análise de Mordente sobre a judicialização e criminalização de 2015].

MARX, Karl. O Capital: Crítica da Economia Política. Livro I. São Paulo: Boitempo, 2013.

ALTHUSSER, Louis. Aparelhos Ideológicos de Estado. Rio de Janeiro: Graal, 1985.

HARVEY, David. O Novo Imperialismo. São Paulo: Edições Loyola, 2004.


Livro sobre 8 de Janeiro organizado por Gisele Cittadino e Carol Proner é lançado no RJ

Obra resgata sequência de atos antidemocráticos dos últimos anos que levaram à tentativa de golpe de Estado

Por: Redação Revista Fórum digital

Publicado: 06/01/2026 - às 12h30

O Rio de Janeiro recebe, nesta quinta-feira (8), o lançamento do livro “8 de Janeiro: golpe derrotado, democracia preservada”,uma  obra coletiva organizada por Gisele Cittadino e Carol Proner. 

O livro conta, com análises feitas através de múltiplas perspectivas, a tentativa de ruptura institucional ocorrida no dia 8 de Janeiro de 2023 e os mecanismos que permitiram a preservação da ordem constitucional e democrática.

O livro reúne juristas, acadêmicos e pesquisadores que examinam o 8 de janeiro não como um episódio isolado, mas como o ponto culminante de uma sequência de atos de deslegitimação do processo democrático, de recusa em aceitar o resultado das urnas e de ataques progressivos às instituições. A obra propõe uma leitura comprometida com a memória democrática, rejeitando qualquer tentativa de banalização, esquecimento ou relativização dos fatos.

Após o lançamento em Brasília, o evento no Rio de Janeiro reafirma o papel da cidade como espaço histórico de reflexão política, jurídica e cultural. O encontro será também um momento de diálogo público sobre os riscos do autoritarismo, a importância da Constituição e a necessidade de fortalecer uma cultura democrática capaz de lidar com a derrota política sem recorrer à violência, à intimidação ou à ruptura institucional.

Mais do que registrar os acontecimentos, o livro assume um compromisso explícito com a memória. O “8 de Janeiro” não é uma data a ser comemorada, mas rememorada. Preservar a memória dos ataques à democracia é condição para impedir que eles se repitam.

O lançamento é aberto ao público e contará com a presença das organizadoras, as professoras Gisele Cittadino e Carol Proner, além de diversos autores, convidados e representantes da comunidade acadêmica, jurídica e política.

Serviço:

Lançamento do livro: 8 de Janeiro: o golpe derrotado, democracia preservada

Data: 8 de janeiro de 2026. 

Horário: 

17:30 – Abertura

18:00 – Fala de convidados

18:30 – Apresentação do livro

19:00 – Coquetel

Local: ABI -Associação Brasileira de Imprensa. Auditório do sétimo andar. Rua Araújo Porto Alegre, 71 – Centro. 

Cidade: Rio de Janeiro


terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Ação Cultural e Consciência Latino Americana

A ideia de tratar a invasão dos EUA à Venezuela e o sequestro de Maduro neste início de 2026 surge da necessidade de unir a questão cultural às mobilizações populares contra a violência imperialista exercida sob a liderança de Donald Trump. O que faz todo o sentido por este ser um espaço de debate de ideias com muita conexão da arte e da  cultura com a politica, com a educação, com a comunicação  e com a economia.


Pata fazer isso  vem a mente a reflexão  proposta por Belchior na canção “Conheço o meu lugar”

"O que é que pode fazer o homem comum

Neste presente instante senão sangrar?

Tentar inaugurar

A vida comovida

Inteiramente livre e triunfante?

O que é que eu posso fazer

Com a minha juventude

Quando a máxima saúde hoje

É pretender usar a voz?”

É também sob essa ótica que o professor Romero Venâncio propôs um texto e uma live  necessária e oportuna sobre a nossa participação, enquanto brasileiros, na construção de uma identidade e de um sentido de pertencimento latino-americano.

UMA NOTINHA

Como faz falta nos currículos e filosofia, história, ciência política ou antropologia estudos sobre América Latina de um ponto de vista histórico e conceitual. Em filosofia, se torna desastroso a ausência do pensamento latino americano numa hora como a atual (o ataque a Venezuela e o imperialismo trumpista!). 

Faz imensa falta em filosofia ler autores como Salazar Bondy (Peru); Leopoldo Zea (México); Enrique Dussel (Argentina); Alejandro Serrano Caldera (Nicarágua); Ludovico Silva (Venezuela); María Lugones (Argentina); Lélia Gonzalez (Brasil); Eduardo Galeano (Uruguai)... E tem muito mais. Muitos/muitas. Um certo e radical eurocêntrico em nossos currículos limita demais o conhecimento latino americano por parte de uma jovem geração que fica sem saber o que dizer quando a conjuntura latino americana aperta  e exige uma compreensão mais profunda.

A memória latino americana da Teologia da Libertação nos faz  grande falta nessas horas difíceis do continente latino. Esse vínculo orgânico entre filosofia da libertação latino americana, teologia da libertação e historiografia crítica tem relevância impactante quando nas horas mais duras do continente latino precisamos de reflexão diante do quadro conjuntural. O pensamento latino americano enquanto caldo cultural não penetrou nossas mentes e corações nesse Brasil permanentemente em transe. Em tempo.

Após a leitura acima, a ideia de escrever sobre 'Cultura e Consciência Latino-Americana' evoluiu para 'Ação Cultural e Consciência Latino-Americana'. Isso se deve ao fato de que, no primeiro caso, a concepção de cultura parece algo inerte e estático — referindo-me aqui à cultura letrada de caráter acadêmico e elitista e às belas-artes, mesmo considerando os programas de democratização cultural. Já a ação cultural, embora as contemple, representa uma cultura em movimento, que se relaciona com outras dimensões da vida real, incluindo a política, a educação e a comunicação. Trata-se de uma proposta da cultura como ação estratégica para a construção da democracia cultural, influenciando, por conseguinte, a construção da democracia social, política e econômica.  

E agora, entrando na relação entre as mobilizações de rua e nas redes digitais, a pergunta que fazemos é: quantas pessoas se sentirão impelidas ou instigadas a participar das mobilizações como uma das formas de responder às questões colocadas nos versos da canção de Belchior? Ou seja, usar a sua voz em comunhão com outras que pensam de forma semelhante.
FESTIVAL ARACAJU#8J                      +Direitos +Democracia 

Data: 08 de Janeiro - 16h #PraçaGeneralValadão

Com muita música sergipana, alegria e disposição de luta, vamos  construir na tardinha do dia 08 de Janeiro, no Centro de Aracaju/SE, uma manifestação política cultural, em defesa dos direitos do povo e das liberdades democráticas.

A ideia é tentar construir coletivamente uma programação politizada e atrativa para a população, para nossas famílias e militantes em geral. Estamos articulando para termos espaço recreativo gratis para crianças, e barraquinhas com artesanato e alimentação diversa. As atrações confirmadas até o momento são: Descidão dos Quilombolas, Anne Carol, Thais Voices e Banda, João Mário, Luno Torres, NG Lampião da Rima ..., em palco aberto.

Vamos protestar e cantar com camaradas artistas e demais trabalhadores/as, para afirmar em alto e bom som, que não há democracia plena com desigualdade social e sem a ampliação permanente dos direitos do povo e das famílias trabalhadoras*. 

A democracia social só se conquistará com ampla e combativa mobilização popular por reformas estruturais, que melhorem rapidamente a vida do povo sergipano e brasileiro.

* 👩🏽 As mulheres e as famílias brasileiras, que na sua maioria, são negras e vivem nos bairros populares e nas periferias do país, não toleram mais as chacinas, a violência policial e urbana, o feminicídio, a homofobia e o racismo . 

* * 🏳️‍🌈 As diversidades devem existir com dignidade, sem perseguição, sem violência ou exclusão

* 💼 Fim da escala 6x1, sem redução dos salários e direitos garantidos

*  🎓 Em defesa das universidades federais não aceitaremos cortes orçamentários que atacam a educação pública, a ciência, a permanência estudantil e o direito da juventude trabalhadora de acessar e permanecer na universidade.

* 🏛️ A maioria do atual Congresso Nacional é Inimiga do povo, e sem pressão popular, de fora pra dentro, só servem aos interesses antidemocráticos e  econômicos das elites nacionais e estrangeiras, com objetivo de derrubar e ou sabotar e chantagear o governo Lula.

* 🌎 A soberania dos Países e Povos devem ser respeitadas, com paz e sem submissão ao imperialismo #BrasilSoberanoPopular #PalestinaLivredoRioaoMar #PazPopularNaVenezuela

E retomando a uma questão colocada mais acima, “quantas pessoas se sentirão impelidas ou instigadas a participar das mobilizações como uma das formas de responder as questões colocadas nos versos  da canção de Belchior ou seja, usar a voz em comunhão com outras  que pensam de forma semelhante.

Essa pergunta pode ser colocada de outra maneira: pensando os grandes grupos e a multidão como correntes de água, e a ação cultural como fios condutores ou nascentes e pequenos rios que alimentam os grandes, podemos, então, constatar — pelo formato e quantidade de pessoas nos atos — o quanto de ação cultural elas vivenciam em seu dia a dia.

E aqui surge uma questão nova para muitos que fazem política no campo da esquerda: a ação cultural, que também é pedagógica, social e comunicacional, é uma das bases sobre as quais está alicerçada a consciência política. A outra base é o sentimento de indignação e de injustiça, além de valores humanos positivos como solidariedade , empatia, entre outros."
"Fui trabalhar hoje, o povo não tá nem aí pra invasão da Venezuela rssss" 
Frase escrita neste 5 de janeiro em um grupo no whatsapp


Zezito de Oliveira

P.S.: (IN)FELIZ 2026?
Hoje, 7 dias do Ano Novo, há 61 conflitos armados no mundo (é "a 3a Guerra Mundial em pílulas", dizia o saudoso Papa Francisco). Os gastos militares globais somam US$ 2,7 trilhões, enquanto 117 milhões de seres humanos enfrentam a tortura da fome e dos desastres climáticos - denunciou o embaixador brasileiro na ONU, Sérgio Danese.  
Trump, cuspindo em todos os tratados internacionais, se arvora em dono do mundo, neocolonizador. E, desprezando a mínima coerência, já reconhece que "seu" presidiário Maduro não chefia cartel de drogas. E o próprio cartel "Los Soles" não existe como alardeado, diz o Departamento de Justiça dos EUA. Força bruta + mentiras dão lastro a UMA INSANIDADE CIVILIZATÓRIA!
Mas, apesar do quadro sombrio, há sinais de esperança. Mais de 60% da população norte-americana rejeitam o atual governante dos EUA ("No Kings!"); a quase totalidade das nações condena o ataque à Venezuela e as ameaças à Colômbia, Cuba e Groenlândia; a presidente do México, Claudia Schenbaum, indaga "pq o magnata não prende os traficantes norte-americanos"; o presidente colombiano, Gustavo Petro, lidera, hoje, manifestações massivas em seu país por soberania nacional e energia limpa.
Esperança se constrói na luta!
Chico Alencar no facebook em 07 de janeiro de 2026


EDITORA EXPRESSÃO POPULAR

Nos últimos dias, os Estados Unidos realizaram um ataque militar direto à Venezuela, com bombardeios em alvos civis e militares, e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

A ação faz parte de uma escalada da guerra híbrida do imperialismo estadunidense para controlar recursos estratégicos (petróleo, terras raras) da América Latina e acabar com o chavismo.

A Venezuela enfrenta há anos uma ofensiva constante da direita, apoiada pelos Estados Unidos, especialmente por ter sido um dos países que, no final dos anos 90, colocou em xeque o modelo neoliberal com uma proposta socialista, expressa no projeto da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba).

📚 Para você entender o cenário político latino-americano, disponibilizamos gratuitamente em PDF quatro títulos fundamentais.