blog da Cultura
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segunda-feira, 6 de abril de 2026
Quando nos referimos a Educação Popular, Comunicação Independente e Ação Cultural temos um bom exemplo no Café com Boulos..
domingo, 5 de abril de 2026
As diversas Páscoas e o mundo atual. Por Marcelo Barros (*)
Muita gente fala de Páscoa como se só existisse uma. De fato, no mundo religioso, existe a Páscoa judaica e a Páscoa cristã. Na sociedade, existe a Páscoa de quem aproveita o feriado para ir à praia ou passear. Mesmo em cada uma das Páscoas religiosas, há várias formas de viver e celebrar esse evento.
Provavelmente, o termo Páscoa (Peshach) significa passo. Em regiões do antigo Oriente Médio, designava uma dança de primavera. Era o passo (Páscoa) dos abrigos do inverno para o convívio com as outras pessoas e a natureza. Então, por sua origem, a Páscoa tem caráter ecológico e, até hoje, a humanidade festeja a primavera.
Assim, no hemisfério-sul, em setembro, comunidades indígenas e afrodescendentes mantêm festas, nas quais celebram as manifestações divinas na Mãe-Terra, nas águas e na natureza. É possível que, no Candomblé Ketu, a festa das Águas de Oxalá tenha algo a ver com isso. É um rito de procissão na qual as pessoas carregam água e recordam o mito de Oxalá, que estava preso e foi libertado. É comemoração de uma libertação.
Até hoje, no Judaísmo, a festa de Páscoa, conhecida pelo nome de Peshach ocorre nas sinagogas e comunidades de todo o mundo. Neste ano de 2026, a Páscoa judaica é celebrada de 1º a 9 de abril. Recorda a libertação do povo oprimido que, conforme a Bíblia, era escravizado no Egito, sob o jugo dos faraós e em uma festa de Páscoa, tomou uma refeição apressada, para partir para a libertação.
Desde tempos antigos, essa festa consiste, principalmente, em uma ceia litúrgica chamada Seder. Além disso, durante sete ou oito dias, as pessoas evitam comer alimentos fermentados (chamêts). Consomem matsá (pão ázimo) e outras comidas simbólicas, que lembram o sofrimento e a saída apressada do Egito.
A tradição traduziu o termo hebreu como judeu e, posteriormente, a própria Bíblia identificou hebreu com israelita. Historiadores, exegetas e pesquisadores da história, como o estadunidense Norman Gottwald e o alemão Gerd Theissen, acreditam que o termo hebreu não designava etnia ou raça e sim categoria social, que, hoje, corresponderia a lavrador sem-terra, ou migrante sem-documento.
Infelizmente, hoje, muitos religiosos e religiosas do Judaísmo tradicional celebram liturgicamente a Peshach, mas, ao mesmo tempo, apoiam o governo sionista que massacra o povo palestino e chama o Irã de amalecitas, que, conforme a interpretação fundamentalista de textos do livro de Josué, devem ser simplesmente exterminados.
Graças a Deus, há sinagogas que celebram a ceia pascal e proclamam ao mundo que Deus é Amor e está sempre do lado dos povos crucificados de hoje. Os ritos, em sua essência, são os mesmos. O que muda é a interpretação e a ética com a qual as pessoas ligam o rito à vida concreta e à realidade de hoje. Nessa Páscoa de 2026, em nome da fé, há soldados israelitas que se negam a participar da guerra.
Desde 1969, em Tel Aviv e em Jerusalém, as comunidades do Neve Shalom, Oásis de Paz, reúnem pessoas judias e árabes. Embora enfrentem sérios problemas de segurança e ameaças de grupos fundamentalistas judeus e muçulmanos, a Neve Shalom mantém escolas bilingues, em hebraico e árabe e presta socorro às famílias, vítimas da guerra. Na quarta-feira, 1 de abril, essa comunidade celebra o SEDER, a ceia pascal judaica. Na quinta-feira, inicia a celebração cristã da Páscoa.
No Cristianismo, em geral, só as Igrejas consideradas históricas celebram a Páscoa. Entre elas, há grupos que ligam Liturgia e Vida e outros que se negam até a cantar o hino da Campanha da Fraternidade, porque não o consideram religioso.
Nas paróquias e comunidades, os ritos e textos litúrgicos ainda mantêm linguagem e conteúdo sacrificial. Celebram a morte de Jesus como sacrifício oferecido a Deus para salvar a humanidade do inferno. Cantam a cruz, na qual Cristo, por sua morte, nos salvou. Crentes escrevem nas paredes: O sangue de Cristo tem poder.
Graças a Deus, em todo o mundo, cresce o número de grupos e comunidades que acreditam: não foi por sua morte e seu sangue que Cristo nos salvou. Foi por sua vida doada por amor até a morte e morte de cruz. Cremos na vida e não na morte. Não podemos acreditar em um Deus que precisa que seu filho morra para se reconciliar com a humanidade. Cremos na salvação, não como apenas libertação do pecado e sim como vida nova que, através do Espírito, o Cristo Ressuscitado nos dá, para renovar-nos interiormente e transformar as relações humanas e todo o universo.
Neste momento, o Brasil, a América Latina e o mundo atravessam uma noite social e politicamente pesada. A violência cometida pelo império contra Venezuela e contra Cuba, sua intervenção em países como Argentina e Honduras que fizeram a direita ganhar as eleições, assim como suas ameaças sobre todos os nossos povos são sinais de que a pobreza da Venezuela, a dignidade do povo cubano e nossas minorias abraâmicas por todo o continente desafiam o poder do Império. A resistência e a teimosia em crer que outro mundo é possível revelam que a Cruz dos povos crucificados de hoje é cruz de ressurreição.
No século IV, São João Crisóstomo, bispo de Constantinopla, afirmava: “Por sua ressurreição, o Cristo vem tornar a nossa vida uma festa contínua, mesmo em meio às lutas e dificuldades que enfrentamos”.
PÁSCOA/26: "Que nossa Páscoa seja sem fim", texto de Marcelo Barros, lido por frei Gilvander Moreira
Malhação do Judas em 2026. Em Aracaju, como resiste a tradição? E pais afora?
Foto- Ras de Sá
O Velhinho de Taubaté e as tradições que se perdem no tempo
Por Mário Jéfferson Leite Melo (o velhinho de Taubaté, em construção) - São Paulo.
O Velhinho acordou naquele sábado com um silêncio diferente… não era só o silêncio do mundo — era o silêncio da memória pedindo licença pra falar. Porque, veja bem… no tempo do Velhinho, sábado depois da Sexta-feira da Paixão não era só mais um dia. Era o Sábado de Aleluia, e o nome já vinha carregado de promessa, igual nuvem preta que a gente sabe que vai virar chuva boa.
De manhã, parecia que até o vento andava de cabeça baixa. As igrejas quietas, os sinos calados, como se o tempo tivesse tirado o chapéu em respeito. Diziam os antigos — e o Velhinho acredita até hoje — que aquele era o dia em que o céu cochichava baixinho, pra não acordar a dor de Maria.
Mas bastava o sol esquentar um tiquinho… e pronto! A molecada virava o mundo do avesso.
Era um corre-corre danado pelas ruas de terra, batendo de porta em porta, numa espécie de procissão ao contrário — não de penitência, mas de travessura autorizada por Deus (ou pelo menos tolerada, que santo também tem senso de humor).
— “Ô de casa!”
E lá vinha o coro, afinado na marra da alegria: — “Deus te pague! Deus te ajude!”. Quando caía balas, moedas, qualquer coisinha que tilintasse ou adoçasse o dente, era como se o céu abrisse uma frestinha só pra sorrir.
Agora… se não vinha nada… ah, meu amigo… aí o julgamento era rápido, direto e sem recurso: — “Pão duro miserável! Pão duro miserável!”. E lá se ia a turma, rindo, porque até a maldade ali era leve, dessas que não machucam — só cutucam o orgulho.
O Velhinho, com os olhos meio marejados e meio risonhos, lembrou também de Silveiras, ali pertinho, onde existia a lendária PR Cabrito… uma rádio que não precisava de antena, nem de licença, nem de verdade — porque vivia na frequência da imaginação. Era ela que “transmitia” a Malhação de Judas. E depois vinha o grande espetáculo: a leitura do testamento. Meu Deus do céu… O Judas, que já tinha sido malhado, ainda tinha que dividir seus “bens” — que nunca eram bens — com os figurões da cidade. Fulano herdava uma dentadura sem dente, sicrano ganhava um chapéu furado, e assim ia… uma justiça poética que nem juiz nenhum dava conta de assinar.
Era o povo rindo de si mesmo, das autoridades, da vida… Era a sabedoria vestida de piada. Porque o Velhinho aprendeu cedo que tradição é isso: não mora em livro, mora na boca do povo. Não vive em decreto, vive na repetição. E quando para de ser contada… vira saudade.
Hoje, ele olha em volta e vê que muitas dessas coisas foram se perdendo, como reza esquecida no fundo da gaveta ou fotografia que desbota sem ninguém perceber. As crianças já não batem nas portas — batem em telas.
O “Deus te pague” virou notificação silenciosa. E o “pão duro miserável” … ah, esse foi aposentado pela indiferença, que é pior, porque não grita — só apaga.
O Velhinho coça o queixo, ajeita o chapéu imaginário e solta, meio rindo, meio sério: — “O mundo hoje tem pressa demais pra lembrar… e pressa demais também pra esquecer.” Mas ele ainda acredita — teimoso como só — que tradição é igual brasa de fogão a lenha: pode parecer apagada…, mas se alguém sopra com carinho… ela volta.
E talvez — só talvez — ainda tenha uma criança em algum canto batendo numa porta qualquer, esperando não só uma bala…, mas um motivo pra continuar dizendo, em coro: — “Deus te pague, Deus te ajude…”
Porque enquanto alguém disser isso de coração… o tempo não leva tudo, não.
Foto- Ras de Sá
No vídeo acima e AQUI, do bairro Novo Horizonte, municipio de Socorro, o protesto contra o governador de Sergipe, com destaque para o problema da crise no abastecimento de água..
A cobertura do Blog da Cultura em outros anos... AQUI
“Gostava de prescrever Cultura, dar bilhetes de cinema em consulta a utentes (*)que não iriam. A Cultura em Portugal é um luxo e um privilégio” - Do Jornal Expresso - Portugal
“The Pitt” está a caminhar para o final da segunda temporada. No podcast “No Último Episódio”, Margarida Santos, médica de medicina geral e familiar e autora do podcast “Consulta Aberta”, analisou o realismo do ambiente hospitalar retratado na série e abordou a importância da cultura na saúde, num episódio originalmente publicado a 30 de janeiro de 2026
(*) usuários dos serviços de saúde. Também chamados de pacientes no Brasil
03 abril 2026 04:00José Paiva Capucho
João Reis. Sonoplastia - Tomás Almeida. Fotografia
Margarida Santos é médica de família. E é também autora de um dos podcasts mais famosos da SIC Notícias, o “Consulta Aberta”. Portanto, um rosto bem conhecido que, além de passar horas dentro de consultórios, hospitais e centros de saúde, passa também muito tempo a informar a audiência sobre saúde. Mas quando o crítico de cinema e televisão José Paiva Capucho, autor do podcast “No Último Episódio”, a convidou para falar do regresso de “The Pitt”, a profissional de saúde sabia que estava perante um outro desafio: será que uma série pode espelhar a própria realidade dos hospitais portugueses? “Sim, há muito realismo ali, o caos está bem representado, mas um médico português não é mesmo um médico norte-americano”, contou a também podcaster.
Recapitulando: nesta segunda temporada, o Dr. Robby (Noah Wyle, que também está envolvido na criação e realização da série) está prestes a tirar uma licença sabática durante uns tempos. O seu serviço de urgências de Pittsburgh passou, na primeira temporada, por um caos organizado de pacientes e doentes, tendo o ponto alto uma tragédia: um ataque terrorista durante um festival. Conhecemos os colegas, alguns segredos, mas pouco mais do que a sua vida dentro daquele hospital. O que importa é o realismo, o método, e ver partos de bebés que parecem mesmo a sério. “A minha experiência de um serviço de urgências no hospital de São José não foi igual, claro. Em ´The Pitt´, apesar do caos, tudo funciona bem. Existe equipamento médico, é possível fazer uma ecografia no momento sem ter um cenário que encontramos cá: um ecografista para todo o hospital”, argumenta.
Ainda assim, Margarida Santos acredita que a cultura é um veículo fundamental de informação e, portanto, “The Pitt”, é extremamente importante numa altura de grande desinformação no universo da ciência e da saúde. “Se eu fizer um vídeo sobre o testamento vital, ninguém vai querer saber, mas um episódio da série sobre isto é diferente, portanto, sim, a cultura é fundamental neste caso”, finaliza.
Leia a matéria no site do Expresso, aqui
domingo, 8 de março de 2020
sexta-feira, 16 de agosto de 2019








