A ideia surgiu a partir da conversa de um importante líder religioso de Aracaju com o editor do Blog da Cultura, Zezito de Oliveira. Este soube, por meio do líder religioso, da disposição de Marcos Santana em se lançar candidato a deputado federal nestas eleições, com base no legado histórico que construiu como prefeito da quarta cidade mais antiga do Brasil.
Como consequência disso, na manhã desta quinta-feira, o Blog da Cultura realizou um debate ao estilo do programa Roda Viva, da TV Cultura, com Marcos Santana, ex-prefeito de São Cristóvão por oito anos e candidato a deputado federal pelo PSB de Sergipe.
Com isso, um documento ancorado nas discussões realizadas no Blog da Cultura, destacando a necessidade de ampliação do acesso à cultura por parte das populações periféricas, foi entregue há cerca de dois meses a Marcos Santana, que endossou prontamente seu conteúdo. Uma reunião para aprofundar os pontos abordados ficou de ser marcada e aconteceu nesta quinta-feira, conforme informado.
A reunião foi realizada via plataforma Google Meet e reuniu um grupo de dez pessoas envolvidas com ações culturais na periferia, que acompanham as publicações do Blog da Cultura e endossam as demandas nelas levantadas.
Abaixo segue um resumo das questões abordadas. Com a expectativa da vitória de Marcos Santana e do presidente Lula, respectivamente como deputado e presidente, nossa esperança é que o círculo virtuoso das políticas culturais e da gestão cultural — inaugurado pelo presidente Lula quando assumiu a presidência da República em 2003 e por Marcos Santana quando assumiu a prefeitura de São Cristóvão em 2017 — possa continuar crescendo, se consolidando e espalhando benefícios e prosperidade, em especial para as populações de baixa renda. Benefícios como autoestima, senso de pertencimento, bem-estar, criatividade, respeito às diferenças, saúde mental e prosperidade, pela possibilidade de a cultura e a economia criativa gerarem inserção produtiva no mercado de trabalho e na produção de riqueza, seja como assalariado ou como dono do próprio negócio.
Cultura, eleição e mobilização: Blog da Cultura debate com Marcos SantanaEncontro virtual reuniu dez pessoas e discutiu a carta da Comissão
Estadual de Pontos de Cultura, desafios da gestão cultural e estratégias para
engajar a juventude.
Na manhã de 1º de outubro de 2026, das 8h às 9h15, o Blog da Cultura
promoveu um encontro virtual com leitores do blog e Marcos Santana, ex-prefeito de São
Cristóvão por oito anos e candidato a deputado federal pelo PSB de Sergipe. O
encontro, realizado via Google Meet, reuniu dez pessoas e teve como fio
condutor a política cultural, a mobilização comunitária e os desafios pós
eleições 2026
A carta da Comissão Estadual de Pontos de Cultura
Danilo, do coletivo Inferninho, apresentou a carta elaborada pela
Comissão Estadual dos Pontos de Cultura, direcionada a candidatos —
principalmente deputados federais — com pautas para assinatura e compromisso. O
documento é resumido e de fácil apresentação, e o pedido foi para que Marcos
Santana o enviasse e assinasse por meio do gov.br.
Os pontos centrais da carta incluem:
- apoio
a projetos de fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura (SNC) e do
Plano Nacional de Cultura (PNC);
- apoio
a PECs que estabeleçam dotação mínima para a cultura;
- emendas
federais para pontos e equipamentos culturais municipais;
- aperfeiçoamento
dos processos de incentivo fiscal, como a Lei Rouanet e o audiovisual;
- projetos
de formação cultural para jovens em periferias.
Marcos Santana sinalizou que
receberá e assinará a carta com carinho, comprometendo-se a subscrever projetos
em tramitação e a integrar a bancada ou frente parlamentar de cultura na Câmara
Federal, caso eleito.
Trajetória e compromissos de Marcos Santana
Marcos Santana apresentou sua trajetória política: militância desde
1983, fundação local do PT, migração ao MDB e atualmente filiado ao PSB, além da atuação como prefeito de São Cristóvão. Destacou sua
preocupação com a política cultural e a intenção de atuar de forma legislativa
mais ampla em Brasília.
Marcos enfatizou que pretende ser um deputado que atue legislativamente,
e não apenas por meio de emendas, construindo e participando de frentes
parlamentares de cultura e fortalecendo as políticas culturais nacionais e
locais.
Foi ressaltada a relevância de centros comunitários e atividades
presenciais, com atrativos culturais e alimentação, para envolver jovens que estão
presos nas redes sociais.
Cultura de base, conselhos e participação popular
Danilo explicou sua atuação no Conselho Municipal de Políticas Culturais
de São Cristóvão e a importância de fortalecer a participação popular. Ele
observou que o Conselho está em processo de consolidação e precisa ser mais
utilizado pela sociedade.
Destacou-se o papel transversal da cultura como política de juventude e
transformação social, além da necessidade de representação dos pontos de
cultura no debate com candidatos e governos. O coletivo Inferninho foi
reconhecido por ter recebido grande incentivo de Marcos Santana durante sua
gestão como prefeito, assim como outros coletivos culturais juvenis da cidade,
que agora apoiam sua candidatura.
Desafios administrativos e burocráticos na gestão
cultural
Marcos detalhou dificuldades práticas enfrentadas na gestão cultural
municipal: regularização de artistas e grupos para pagamento, problemas com o
uso de espaços históricos como o Convento de São Francisco, entraves por normas
e autorizações e conflitos com órgãos de proteção do patrimônio.
Entre os exemplos citados, estão restrições de uso de cozinha e
apartamentos no Convento, exigências de regularidade para pagamentos que
atrasam ou impedem a remuneração de artistas, e tensões entre vontade política
e limitações administrativas. Como projeto de longo prazo, Marcos mencionou a
transformação de uma casa em ruína num teatro para a cidade de São Cristóvão,
preservando a arquitetura local, e o plano de fortalecer a filarmônica municipal
e levá-la aos bairros e povoados como política de formação de plateia.
Trabalho, direitos e precarização
Claudionor dos Santos trouxe o debate sobre propostas que afetam
trabalhadores, mencionando a escala de trabalho 6x1 que, na prática, tem virado
7x1. Houve críticas à precarização e à tentativa de redução de direitos, com
preocupação em relação a projetos e PECs que possam ampliar a exploração.
Marcos comentou o contexto legislativo, citando o surgimento de muitas
siglas “de aluguel” e alterações na legislação partidária, como as federações,
que modificam as dinâmicas eleitorais. Também foram mencionadas reduções e
alterações no número de vagas e nas regras eleitorais. A resposta de Marcos
partiu de um comentário e de uma pergunta formulada por Jesse James.
Juventude, presença e formação política
Vários participantes, como João Delmiro e Claudionor dos Santos,
reforçaram que muitos jovens estão afastados da política por desinteresse ou
pela ausência de canais presenciais. A recomendação foi de um trabalho “de
formiguinha”, agregando jovens gradualmente e combinando debates com atividades
culturais e alimentação para atrair participação.
João destacou a importância do diálogo comunitário presencial — em
centros comunitários, com lanches e atividades — para sensibilizar e formar
consciência política. Marcos argumentou que a desmobilização é uma estratégia
da direita e defendeu o uso de atividades culturais como porta de entrada para
debates políticos e para a formação de plateia e de consciência crítica.
Encaminhamentos e próximos passos
Ao final, foi solicitado o envio da carta da Comissão Estadual para
assinatura de Marcos, que reafirmou o compromisso de assiná-la e trabalhar nas
pautas apresentadas. Também foi feito um pedido para que o material de campanha
— vídeos curtos e materiais sobre cultura e educação — seja compartilhado e
distribuído para multiplicar a mensagem nos últimos dias.
Zezito de Oliveira propôs uma reunião pós-eleição com representantes
comunitários, equipe e coletivos para discutir a descentralização do FASC e de
outros eventos do calendário cultural da cidade, além de projetos de
equipamentos culturais, como centros culturais e CEUs, e o acompanhamento das
ações como consta em um documento enviado a Marcos Santana há cerca de dois
meses.
Memórias, afetos e o simbolismo da filarmônica
Zezito de Oliveira compartilhou uma lembrança pessoal sobre os pais e
sua relação simbólica com a banda filarmônica e com São Cristóvão. Seu pai, José de Deus, foi músico
multi-instrumentista e gostava muito de São Cristóvão , onde a familia teve/tem casa, herança por parte da mãe
de Zezito, Maria Marlene, que nasceu na cidade. A fala de Marcos sobre a importância da banda filarmônica de São
Cristóvão e a necessidade de levá-la a outros territórios, para além da sede,
fez Zezito e Jesse James, seu irmão, que participava da transmissão, conectarem
a memória familiar com o trabalho cultural e a campanha.
A reunião terminou com a sensação de que a cultura segue sendo um
território estratégico de organização, memória e esperança — e que a
mobilização dos próximos dias pode ajudar a transformar esse legado em
políticas públicas efetivas com a reeleição de Lula e contribuição dos sergipanos para elevar o nível da representação parlamentar de Sergipe na câmara federal.



