quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

GUIA DE INFORMAÇÕES PARA OS PARTICIPANTE DA TEIA SERGIPE 2026. Elaborado por Rafhael Almeida e Zezito de Oliveira

Inscrições

 Quem se inscreveu de forma On LINE - Terá sua inscrição garantida como delegado (1 representante por ponto). Lembrando que para participar como delegado com direito a votar e ser votado para compor a comissão estadual  (CEPDC) ou para fazer parte da representação sergipana na Teia Nacional em  Aracruz (ES) precisa comprovar que o Ponto de Cultura do qual faz parte é certificado pela plataforma cultura viva  ou foi aprovado em edital municipal municipal e estadual como Ponto ou Pontão de Cultura.  

. A Funcap encaminhou e mail para todos os inscritos solicitando os documentos comprobatórios para quem se inscreveu pelo forms, dentro de um prazo delimitado para entrega

. Caso não tenha recebido o e mail, favor encaminhar o documento para o e mail da FUNCAP.

. No dia do evento, será aceita inscrição apenas como OUVINTE (Sem direito a voto, a se candidatar para a CEPC e para as vagas delegados).

. A Alimentação e a Hospedagem dos Ouvintes que se inscreverem no dia é de responsabilidade do próprio inscrito.

Condições para ser Delegado

1) Estar devidamente inscrito pelo forms e credenciado no dia do evento

2) Estar presente na hora da votação

3) Ter apresentando documento comprobatório (Certificado de Ponto ou Comprovação de Aprovação em Edital). Encaminhar para pncvfuncap@gmail.com

OBS: Apenas 1 delegado por ponto

OBS: O credenciamento irá acontecer na manhã do dia 30/01 (7:30 as 9:00). 

Comissão Estadual de Pontos de Cultura

É o Conjunto de Pontos que irão incentivar, representar e auxiliar os Pontos de Cultura frente a Cultura Viva e outras políticas públicas estaduais de Cultura. Com funções de organizar a Rede de Pontos de Sergipe, Articular internamente e externamente os pontos de Cultura, Deliberar sobre GTs, Planos de Trabalhos e Ações que envolvem os Pontos de Cultura 

Será Eleita no Primeiro Dia de evento.

Composição:

- 5 titulares e seus respectivos suplentes da Comissão Organizados

- 8 titulares e seus respectivos suplentes (1 por território)

Obs: A Comissão Organizadora irá deliberar sobre casos Omisso.

Obs: Os GTs são abertos para participação de qualquer ponto de Cultura e as temáticas dos primeiros GTs poderão ser deliberadas durante o evento 

Obs: Após a formação da Comissão Estadual de Pontos de Cultura, os mesmos terão 30 dias para apresentar o primeiro regimento interno

Obs: quem se credenciar depois poderá perder a categorização como Delegado.

Obs: Casos Omissos ou Situações específicas serão deliberadas pela Comissão Organizadora que estará devidamente uniformizado durante a realização do evento

A favor da comunidade teremos neste final de semana, 30 e 31/01/2026, a TEIA Sergipe 2026

Encontro articula rede, formação e participação social para o fortalecimento da cultura sergipana


Mestra Marilene - Ponto de Cultura Caatingart - Japaratuba - Foto Marco Ferro

O Governo de Sergipe divulgou nesta quarta-feira, 28, a programação da 1ª Teia Estadual Pontos de Cultura pela Justiça Climática nos territórios Sergipanos, que será realizada nos dias 30 e 31 de janeiro, das 7h às 18h, no Complexo Cultural Gonzagão. A iniciativa é promovida pela Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap) e pela Secretaria Especial de Cultura (Secult), em articulação com o Ministério da Cultura (MinC) e a Rede Sergipe de Pontos de Cultura, e marca a primeira edição do projeto no estado, com foco no fortalecimento da rede comunitária de cultura em Sergipe.

Com a justiça climática como eixo central, a Teia parte do entendimento de que enfrentar a crise do clima envolve também reconhecer direitos, proteger territórios e valorizar os modos de vida de comunidades e povos tradicionais, que historicamente cuidam de seus espaços e saberes. A proposta é colocar a cultura como parte das respostas possíveis ao desafio ambiental, conectando práticas culturais populares a temas como sustentabilidade, preservação e bem viver.

O encontro vai funcionar como um grande espaço de troca e articulação, reunindo representantes de Pontos e Pontões de Cultura, agentes culturais, artistas, coletivos e iniciativas reconhecidas no estado. Ao longo dos dois dias, a programação combina momentos de debate e formação com mostras e apresentações artístico-culturais, para que o público compreenda a pauta a partir da discussão e também da vivência das expressões culturais presentes na rede.

Entre os assuntos que entram em pauta, estão reflexões sobre a trajetória e os próximos passos da Cultura Viva, além de temas diretamente ligados ao dia a dia das iniciativas, como orientações sobre legislação e editais, prestação de contas e processos de certificação e uso de ferramentas de gestão cultural, como o Mapa Cultural. Também estão previstas discussões estruturantes sobre o futuro da Política Nacional de Cultura Viva, incluindo propostas para um plano de médio e longo prazo, debates sobre governança e mecanismos de participação, e a relação entre cultura, trabalho e sustentabilidade da criação artística.

Programação

1º dia – 30 de janeiro (sexta-feira)

Manhã

7h30 - Café da manhã/credenciamento

9h - Apresentação Artístico Cultural: Maculelê Mirim

9h30 - Abertura e formação da mesa com convidados (fala dos convidados: Representante do Ministério da Cultura; Representante da Comissão Nacional de Pontos de Cultura; Representante da Comissão Organizadora; Secretário Estadual de Cultura; Presidente do Conselho Estadual de Cultura; Chefe do Escritório do MINC; Representante da UFS; Representante da Funcap; Representante da Sociedade Civil; Representante do Conselho Estadual da Igualdade Racial)

10h45 - Apresentação Artístico Cultural: Tambores do Sertão

11h25 - Conferência: Cultura Viva – Memória e Perspectiva (Representante do MINC)

12h05 - Informes e orientações sobre a tarde e o dia seguinte

12h30 - Almoço

Tarde

14h - Apresentação Artístico Cultural: Raízes do Forró

14h20 - Mini-Conferência (Legislação/Edital – Alidiney Borges; Prestação de Contas – Grazzy Coutinho; Cerfificação/Mapa Cultural – Alice Monteiro / Eduardo Lima)

16h20 - Coffee Break

17h - Eleição dos novos representantes da comissão estadual

18h - Encerramento

2º dia – 31 de janeiro (sábado)

Manhã

7h30 - Café da manhã

9h - Apresentação Artístico Cultural: Loucurarte

9h20 - Leitura e aprovação do regimento

10h30 - Apresentação e discussão do tema geral “Pontos de Cultura pela Justiça Climática” – Givanildo Santana

11h - Discussão dos três eixos (Eixo 1: Plano Nacional Cultura Viva para os próximos 10 anos – Zezito de Oliveira; Eixo 2: Governança da Política Nacional de Cultura Viva – Representante do MINC; Eixo 3: Cultura Viva, Trabalho e Sustentabilidade da Criação Artística – Lindolfo Amaral)

12h30 - Almoço

Tarde

14h - Apresentação Artístico Cultural: Reisado Gregoriano

14h25 - Lançamento do novo Mapa Cultural de Sergipe

15h - Apresentação Artístico Cultural: Exibição de clipe musical da Ação Cultural

15h20 - Leitura e aprovação dos eixos temáticos

16h - Eleição dos delegados

17h25 - Coffee Break

17h45 - Encerramento

https://www.se.gov.br/agencia/noticias/educacao-cultura/governo_de_sergipe_divulga_programacao_da_1_teia_estadual_pontos_de_cultura_pela_justica_climatica_nos_territorios_sergipanos#gallery-2






Todo mundo fala da necessidade de formação de gestores culturais de base comunitária , mas pouco foi/é realizado nas áreas ¨"duras", tipo legislação e contabilidade, como faz o Pontão Gestão Viva 3.0

Fiquemos atentos! Prosseguem as oficinas virtuais introdutórias e relativamente imersivas, por causa dos limites do formato online,  voltadas prioritariamente para agentes culturais de base comunitária. Ao todo, são 21 oficinas que começaram em janeiro e se encerrarão em fevereiro.

A participação, com média diária de 70 pessoas, é considerada alta em razão dos horários ofertados — já que a maioria acontece das 10h às 12h. Por outro lado, tem-se registrado no chat um reconhecimento quase unânime e agradecimentos à iniciativa do Pontão Gestão Viva e à sua principal liderança, Davy Alexandrinsk. Preferimos afirmar 'quase unanimidade' em atenção à conhecida frase cunhada pelo jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues: 'toda unanimidade é burra'.

A última, realizada ontem, 27/01/2026, teve uma participação tão intensa no chat que um terceiro momento on-line foi sugerido para responder às perguntas que ultrapassaram o limite de tempo. O tema abordado foi 'Contabilidade para Projetos Culturais'.

Para se ter uma ideia do quanto esses temas técnicos de gestão são importantes para os que compõem a Rede de Pontos e Pontões de Cultura Viva em Sergipe, os dez agentes culturais da comissão estadual da Teia Sergipe 2026 escolheram, como temas de três miniconferências estritamente introdutórias, os seguintes tópicos: Legislação/Editais; Prestação de Contas; Certificação de Pontos de Cultura; e Mapa Cultura Viva.

O futuro da nossa rede já começou a ser desenhado! ✨

Estamos preparando um ciclo de encontros e saberes: das oficinas online e cartilhas inéditas até o abraço coletivo nas Teias estadual e nacional. O futuro da nossa cultura se constrói agora, de mãos dadas.

Acompanhe o perfil e vamos juntos fazer história em 2026! 🎭  https://www.instagram.com/pontaogv3.0/

🤝 O Pontão Gestão Viva 3.0 é uma realização do Campus Avançado junto ao Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Política Nacional Aldir Blanc.

Para se inscrever, clique AQUI



segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A I Teia Sergipe dos Pontos de Cultura acontece neste final de semana no Complexo Cultural O Gonzagão, em Aracaju.

  A Teia dos Pontos de Cultura é um encontro nacional e estadual — e, em alguns casos, de âmbito municipal — que funciona como um momento dinamizador da energia criativa dos Pontos e Pontões de Cultura. O evento potencializa os fios materiais e invisíveis que sustentam a Rede Cultura Viva, a mais importante política pública de cultura de base comunitária implantada no Brasil. O país é considerado um dos mais ricos do mundo em matéria de diversidade cultural e biodiversidade, mas, ao mesmo tempo, um dos mais atacados nesses dois campos em função de interesses econômicos predatórios e, em muitos casos, devastadores.

Em Sergipe, como nos demais lugares do Brasil onde o evento vem ocorrendo desde o segundo semestre de 2025, a I Teia Estadual realizará a escolha de 30 delegados que representarão o estado na Teia Nacional, que será realizada em Aracruz, no Espírito Santo, de 24 a 29 de março de 2026. Além disso, serão escolhidos os representantes titulares e suplentes que comporão a nova comissão estadual dos Pontos de Cultura, junto aos cinco membros da atual comissão organizadora da Teia Sergipe 2026.

Para ajudar a preparar os representantes dos Pontos e Pontões de Cultura que participarão da Teia estadual, foram realizadas duas lives preparatórias para a discussão do regimento interno do Fórum dos Pontos e Pontões de Cultura, que acontece como parte importante das Teias. Nessas duas reuniões, algumas preocupações quanto à escolha dos delegados foram bastante destacadas, considerando escolhas pouco satisfatórias de representantes de municípios e do estado para a  última (4ª) Conferência Nacional de Cultura realizada em Brasilia entre os dias  4 e 8 de março de 2024. 

Com o objetivo de contribuir para minimizar ou mitigar os problemas observados, sugeriu-se a elaboração de uma carta de recomendação para a escolha de bons delegados. A seguir, apresentamos algumas sugestões, na expectativa de que outras contribuições possam ser enviadas a fim de enriquecer essa carta de recomendação.

As sugestões abaixo buscam equilibrar critérios fundamentais para a escolha dos delegados: capacidade técnica, representatividade e engajamento.

Em resumo, o "bom delegado" é aquele que, além de conhecer profundamente o setor cultural do seu estado, consegue traduzir as necessidades locais em propostas nacionais, agindo com postura ética, dialógica e representativa.

1. Conhecimento Técnico
  • Conhecimento da Política Nacional de Cultura Viva: O delegado deve ter, no mínimo, conhecimento básico sobre a Política Nacional de Cultura Viva e clareza sobre os eixos temáticos do Fórum Nacional, conforme o Art. 23º do Regimento do II Fórum Estadual dos Pontos e Pontões de Cultura:
    • Eixo 1: Plano Nacional de Cultura Viva para os próximos 10 anos;
    • Eixo 2: Governança da Política Nacional de Cultura Viva;
    • Eixo 3: Cultura Viva, Trabalho e Sustentabilidade da Criação Artística.
  • Atuação Comprovada: Experiência prévia de, no mínimo, três anos no campo da cultura (como artista, mestre, gestor, produtor, agente de cultura viva ou acadêmico).
  • Vivência em Políticas Culturais: Experiência em debates sobre políticas culturais, mesmo que em nível incipiente.
2. Critérios de Representatividade (Diversidade)
  • Paridade e Diversidade: A escolha deve observar o disposto no Artigo 16º e seus parágrafos do Regimento do Fórum Estadual, garantindo a representatividade dos diversos segmentos e identidades.
3. Critérios de Compromisso e Habilidade (Perfil Político)
  • Compromisso com o Relatório Estadual: O delegado deve comprometer-se a defender as propostas aprovadas na etapa estadual durante o Fórum/Teia Nacional, preterindo agendas exclusivamente pessoais ou específicas do Ponto ou Pontão de Cultura do qual faz parte.
  • Capacidade de Diálogo e Negociação: Habilidade para dialogar com delegados de outros estados, buscando consensos e alianças estratégicas em prol do coletivo.
  • Disponibilidade: Comprometimento em participar integralmente da programação do Fórum/Teia Nacional, incluindo grupos de trabalho (GTs) e plenárias de votação.
4. Critérios Éticos e Formais
  • Defesa do Interesse Público: Foco na construção de políticas de Estado que visem à democratização do acesso à cultura e ao fortalecimento da rede.
Já para a escolha dos representantes dos territórios na comissão estadual, sugerimos que, além do disposto acima para a escolha dos delegados ao Fórum/Teia Nacional, os seguintes pontos sejam observados:
Escolher pessoas com características democráticas, descentralizadoras e solidárias. Isso significa buscar formar uma comissão estadual com gestão baseada na participação coletiva, na distribuição de poder e na cooperação, em vez de um modelo autocrático ou centralizado.
Escolher pessoas que disponham de tempo para se dedicar às atividades de articulação, formação e mobilização em rede.
E mais...
Agora é com vocês!
Zezito de Oliveira


domingo, 25 de janeiro de 2026

OFICINAS ONLINE PONTÃO GESTÃO VIVA 3.0

Desde o ingresso da Ação Cultural na Rede Cultura Viva, em 2011/2012, é a primeira vez que uma ação de formação cultural voltada à noções básicas de gestão administrativa e financeira — direcionada a gestores e produtores de base comunitária — ocorre com tamanha pujança e qualidade como agora, no início de 2026, por meio do Pontão de Gestão Viva 3.0.

Essa iniciativa representa um sonho antigo. Recordo-me que, antes de a Ação Cultural tornar-se um Ponto de Cultura — quando precisei me afastar da coordenação geral da entidade para dirigir o Complexo Cultural 'O Gonzagão' (2007 a 2009) —, organizamos ações com  artistas e grupos culturais do Conjunto Augusto Franco e adjacências, quadrilhas juninas principalmente, além dos queridos (as)  parceiros da Caravana Internacional Arco-Íris por La Paz, Pontão de Cultura Itinerante da Rede Cultura Viva, a época.  Para saber mais clique AQUI

Naquele momento, as políticas culturais e de cultura digital, iniciadas em 2003 no governo Lula com o ministro Gilberto Gil, estavam em plena expansão, incluindo a criação do Programa Cultura Viva. Com base nisso, firmamos parcerias com o SEBRAE para promover oficinas de elaboração de projetos, empreendedorismo cultural e em cooperativismo.  Clique AQUI , AQUI , AQUI e AQUI para saber mais.

A participação da Ação Cultural nessas oficinas foi decisiva para a aprovação do projeto 'Juventude e Cidadania' no edital de 2010 do MinC. Após meu retorno à entidade como assessor técnico da mesma, integrando a Rede Sergipe de Pontos de Cultura, ficou evidente a lacuna na formação administrativo-financeira e em legislação, e aqui me refiro aos Pontos de Cultura de toda a rede . 

Infelizmente, em vez de oferecerem suporte, gestores públicos limitavam-se e ainda hoje,  a criticar a suposta incapacidade dos  agentes culturais em lidar com a gestão pública e institucional, além da gestão de suas carreiras e elaboração e gestão de projetos, na maioria dos casos. Essa proposta do Pontão de Gestão Viva 3.0 surge, portanto, como um ação importante para preencher esse vazio histórico, se não em todos os temas, considerando já terem sido apresentados, nem sempre com o tempo a qualidade necessária, pelo menos em alguns outros, como noções básicas de contabilidade para organizações da sociedade civil e de contabilidade para projetos, por exemplo. Saiba mais AQUI e AQUI

Recentemente tomei conhecimento da extinção das duas quadrilhas existentes no Conjunto Augusto Franco, a Asa Branca e Luiz Gonzaga, como tantas em nossas cidades, sem falar da descaracterização. Saiba mais AQUI

Decerto, com iniciativas continuadas como as do Consórcio Cultura lá atrás, infelizmente descontinuada e do Pontão Gestão Viva 3.0, essa situação poderá ser revertida e reforçada ainda mais pelo orçamento formidável da Lei Aldir Blanc e das políticas de acesso do MinC na atual gestão, para a inclusão da micro e pequena produção cultural na seleção dos editais da Lei Rouanet.

E não esqueçamos dos Conselhos de Politicas Culturais, afinal: 
Onde falta participação e controle social, surgem problemas na utilização do dinheiro público. Daí a importância de conselhos de participação social ativos e altivos, atuando tanto no plano da macropolítica — por meio de conselhos de políticas públicas — quanto na orientação do uso de recursos no território, neste caso, na forma de conselhos gestores. 

Zezito de Oliveira - Educador, agente/produtor cultural e pesquisador/escritor.



19/01/2026, das 10h às 12h Introdução ao Orçamento Público – PPA, LDO e LOA

Com Luiz Américo Paranatinga

Objetivo geral: Compreender a estrutura do orçamento público brasileiro e seus instrumentos de planejamento como base para a atuação cultural junto ao poder público. Conteúdo abordado: A oficina apresenta os conceitos fundamentais do Plano Plurianual (PPA), da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA), explicando como esses instrumentos se articulam, como influenciam a formulação de políticas culturais e de que forma Pontos de Cultura podem identificar oportunidades de incidência, diálogo institucional e captação de recursos a partir do orçamento público.

20/01/2026, das 09 às 11h Licitações e Contratações com a Administração Pública

Com Dr. Luiz Jordão

Objetivo geral: Capacitar agentes culturais para compreender os processos de contratação pública e suas implicações na execução de projetos culturais. Conteúdo abordado: Aborda os princípios das licitações, modalidades de contratação, dispensa e inexigibilidade, além dos cuidados necessários para que OSCs e coletivos culturais possam contratar com a administração pública de forma segura, transparente e alinhada à legislação vigente, reduzindo riscos na execução e na prestação de contas.

 21/01/2026, das 09 às 11h MROSC – Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil

Com Dr. Luiz Jordão

Objetivo geral: Apresentar o MROSC como principal marco legal das parcerias entre OSCs e o poder público. Conteúdo abordado: A oficina explora a Lei nº 13.019/2014, seus instrumentos (termo de fomento, termo de colaboração e acordo de cooperação), responsabilidades das partes, etapas de celebração, execução e prestação de contas, com foco na realidade dos Pontos de Cultura e na gestão responsável de recursos públicos.

 22/01/2026, das 10 às 12h Política Cultura Viva – Legislação e Certificação

Com Davy Alexandrisky

Objetivo geral: Compreender os fundamentos legais da Política Nacional Cultura Viva e o papel dos Pontos de Cultura. Conteúdo abordado: Apresenta a legislação que institui a Política Cultura Viva, seus princípios, diretrizes e instrumentos, abordando o conceito de gestão compartilhada, o protagonismo da sociedade civil e a importância dos Pontos de Cultura como estratégia de democratização do acesso, da produção e da fruição cultural.

 23/01/2026, das 10 às 12h Como Formalizar Juridicamente seu Empreendimento Cultural 

Com Heitor Collet

Objetivo geral: Orientar coletivos culturais sobre caminhos jurídicos para formalização e reconhecimento institucional. Conteúdo abordado: A oficina discute os diferentes modelos de formalização (associação, MEI, cooperativa, entre outros), suas vantagens e limitações, bem como os requisitos legais e documentais para que grupos culturais possam se estruturar juridicamente e acessar políticas públicas e mecanismos de fomento.

 26/01/2026, das 10h às 12h Noções de Contabilidade para Pontos de Cultura (OSCs)

Com Daniel Menezes

Objetivo geral: Introduzir conceitos contábeis essenciais para a gestão de Organizações da Sociedade Civil. Conteúdo abordado: Apresenta noções básicas de contabilidade aplicada ao terceiro setor, incluindo registros contábeis, obrigações fiscais, demonstrativos financeiros e cuidados específicos para OSCs, fortalecendo a gestão transparente e a sustentabilidade institucional dos Pontos de Cultura.

 27/01/2026, das 10 às 12h Noções de Contabilidade para Projetos Culturais

Com Daniel Menezes

Objetivo geral: Capacitar agentes culturais para organizar financeiramente projetos culturais. Conteúdo abordado: A oficina aborda conceitos práticos de controle financeiro, fluxo de caixa, organização de documentos fiscais e acompanhamento de despesas, relacionando esses elementos diretamente às exigências de editais, termos de fomento e leis de incentivo.

28/01/2026, das 10h às 12h Projetos – Da Elaboração à Prestação de Contas

Com Heitor Collet

Objetivo geral: Apresentar o ciclo completo de um projeto cultural, do planejamento ao encerramento. Conteúdo abordado: Discute as etapas de concepção, elaboração, execução, monitoramento e prestação de contas de projetos culturais, destacando a coerência entre objetivos, metas, orçamento e resultados, com foco em boas práticas exigidas por editais e órgãos públicos.

29/01/2026, das 10h às 12h Desenvolvendo a Planilha Orçamentária

Com Heitor Collet

Objetivo geral: Aprofundar o conhecimento sobre elaboração e gestão de orçamentos de projetos culturais. Conteúdo abordado: A oficina trabalha a construção detalhada de planilhas orçamentárias, memória de cálculo, unidades de medida, compatibilização com cronogramas e adequação às normas de editais e legislações, reduzindo riscos de glosas e inconsistências.

30/01/2026, das 10 às 12h Produção de Campo e Logística

Com Wesley Cardozo

Objetivo geral: Capacitar agentes culturais para planejar, organizar e executar a produção de campo e a logística de projetos e eventos culturais de forma eficiente, segura e integrada. Conteúdo abordado: A oficina aborda os princípios da produção de campo e da logística aplicada à cultura, incluindo planejamento operacional, cronogramas, fluxos de trabalho, montagem e desmontagem, transporte, hospedagem, alimentação, gestão de equipes, fornecedores e insumos, bem como a articulação entre produção, técnica e comunicação, oferecendo uma visão prática e estratégica para a execução organizada de ações culturais em diferentes territórios e contextos.

 02/02/2026, das 10 às 12h Redação para Projetos

Com Heitor Collet Objetivo geral: Aprimorar a escrita técnica e estratégica de projetos culturais. Conteúdo abordado: Aborda técnicas de redação aplicadas a editais, com foco em clareza, coerência, argumentação, alinhamento com políticas públicas e critérios de avaliação, auxiliando agentes culturais a fortalecerem a competitividade de suas propostas.

03/02/2026, das 10 às 12h Captação de Recursos - Leitura de Editais

Com Heitor Collet

Objetivo geral: Capacitar agentes culturais para interpretar e analisar editais de fomento. Conteúdo abordado: A oficina ensina como ler editais de forma estratégica, identificando requisitos, critérios de avaliação, obrigações do proponente e oportunidades, reduzindo erros formais e ampliando as chances de aprovação.

04/02/2026, das 10 às 12h Captação de Recursos - Lei de Incentivo

Com Heitor Collet

Objetivo geral: Compreender os mecanismos das leis de incentivo à cultura. Conteúdo abordado: Apresenta o funcionamento das leis de incentivo, etapas de submissão, aprovação, captação e execução de projetos, além das responsabilidades do proponente e das estratégias de relacionamento com patrocinadores.

[05/02/2026, das 10h às 12h Captação de Recursos - Emendas Parlamentares

Com Heitor Collet

Objetivo geral: Apresentar o funcionamento das emendas parlamentares como fonte de financiamento cultural. Conteúdo abordado: Discute o ciclo das emendas, articulação política, elaboração de propostas, celebração de termos de fomento e cuidados na execução, contextualizando esse instrumento na realidade das OSCs e Pontos de Cultura.

 06/02/2026, das 10 às 12h Sustentabilidade Financeira - Lean Canvas para Negócios

Com Daniel Domingues

Objetivo geral: Introduzir ferramentas de planejamento estratégico para sustentabilidade financeira. Conteúdo abordado: Apresenta o modelo Lean Canvas adaptado à economia da cultura, auxiliando Pontos de Cultura e agentes culturais a refletirem sobre proposta de valor, públicos, fontes de receita, custos e parcerias estratégicas.

 09/02/2026, das 10h às 12h Acessibilidade: Conceitos e Direitos

Com Dilma Negreiros

Objetivo geral: Compreender os fundamentos da acessibilidade e seus marcos de direitos, qualificando Pontos de Cultura e agentes culturais para planejar ações culturais inclusivas e alinhadas às normas brasileiras. Conteúdo abordado: A oficina apresenta conceitos-chave de acessibilidade (física, comunicacional, atitudinal, metodológica, digital e arquitetônica), a noção de desenho universal e o entendimento de acessibilidade como direito, discutindo deveres e responsabilidades de projetos culturais.

 10/02/2026, das 10h às 12 Sustentabilidade – Conceitos Iniciais

Com Isa Boechat Objetivo geral: Introduzir conceitos fundamentais de sustentabilidade aplicados à cultura. Conteúdo abordado: Apresenta os pilares da sustentabilidade (ambiental, social e econômica), sua relação com projetos culturais e a importância da adoção de práticas responsáveis e conscientes no planejamento e na execução de ações culturais.

11/02/2026, das 10h às 12h Sustentabilidade em Eventos – ABNT NBR ISO 20121

Com Isa Boechat

Objetivo geral: Apresentar normas e boas práticas para a gestão sustentável de eventos culturais. Conteúdo abordado: A oficina aborda os princípios da ABNT NBR ISO 20121, discutindo planejamento, mitigação de impactos, engajamento de públicos e fornecedores, e estratégias para tornar eventos culturais mais responsáveis e alinhados a padrões internacionais.

 23/02/2026, das 10h às 12h Elaborando um Plano de Comunicação Com Julia Sinder 

Objetivo geral: Capacitar agentes culturais para estruturar planos de comunicação estratégicos e coerentes com os objetivos de projetos culturais. Conteúdo abordado: A oficina aborda os fundamentos do planejamento em comunicação aplicada à cultura, incluindo definição de objetivos comunicacionais, públicos estratégicos, mensagens-chave, identidade, cronograma de ações, canais e formatos, além de indicadores de alcance e engajamento, auxiliando Pontos de Cultura e agentes culturais a organizarem ações de divulgação consistentes, integradas e alinhadas às exigências de editais, patrocinadores e políticas públicas.

 24/02/2026, das 10h às 12h Campanhas em Redes Sociais

Com Julia Sinder

Objetivo geral: Introduzir estratégias de divulgação digital para projetos culturais. Conteúdo abordado: Discute planejamento de campanhas em redes sociais, segmentação de público, noções básicas de métricas de acompanhamento, com foco em ampliar alcance, engajamento e visibilidade de ações culturais.

 25/02/2026, das 10 às 12h Elaboração de Press Kit e Portfólio

Com Heitor Collet

Objetivo geral: Orientar agentes culturais na organização de portfólios institucionais e artísticos. Conteúdo abordado: A oficina aborda os elementos essenciais de um press kit, como release, fotos, vídeos, textos institucionais e identidade visual, fortalecendo a comunicação e a imagem pública de projetos e coletivos culturais. Também foca na estrutura, linguagem e curadoria de conteúdo para portfólios, destacando a importância do histórico de atuação, registros e resultados como elementos estratégicos em processos seletivos e editais.

Para se inscrever, clique AQUI

Leia também: 

A Produção Cultural em 2026: o fim da era do “desespero do edital”
Por Pascoal Maynard(*)
Começo este ano com uma sensação diferente. Se em 2024 e 2025 eu ainda respirava o ar da reconstrução, tentando acompanhar a retomada dos mecanismos de fomento que haviam sido desmantelados, agora percebo que o jogo mudou. O Ministério da Cultura deixou claro: entramos na fase da consolidação técnica.
Como produtor cultural, sinto na pele o impacto dessa transição. As recentes orientações sobre a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e o balanço da Secretaria Executiva do MINC, mostram que não estamos mais diante de iniciativas isoladas, mas de um sistema robusto, permanente e altamente fiscalizado. É como se a profissão tivesse ganhado novas regras — e ignorá-las significa ficar para trás.
Ao analisar a passagem do Ciclo 1 para o Ciclo 2 da PNAB, o fomento agora funciona em fluxo contínuo. Não há mais espaço para a lógica dos editais que “aparecem e somem”. O sistema exige domínio absoluto sobre prazos, reprogramação de saldos e uma prestação de contas rigorosa. É um novo patamar de profissionalização: quem não dominar a técnica de gestão financeira verá os recursos passarem pelas mãos dos estados e municípios sem conseguir captar nada para seus projetos.
Essa mudança marca o fim definitivo da era do improviso, do “desespero do edital”. O que começa agora é a era da gestão estratégica de carreira. Não se trata apenas de política cultural, mas da reescrita das regras do ofício.
Escrevo este artigo não apenas como observador, mas como alguém que vive diariamente os desafios da produção cultural. O recado do Ministério da Cultura foi direto: acabou a fase da reconstrução, agora é hora da consolidação técnica. E eu confesso — isso me inquieta.
E aqui está a verdade que muitos não querem ouvir: quem não dominar a gestão financeira, quem não entender prazos, reprogramações e prestações de contas, ficará para trás. Não adianta reclamar da burocracia — ela agora é parte indissociável da profissão. O produtor cultural que insiste em viver apenas da inspiração vai descobrir que a inspiração, sozinha, não paga contas nem garante relevância.
Eu sei que dói admitir, mas a inspiração não basta. Criatividade sem estratégia é apenas hobby. Se você quer viver de cultura em 2026, precisa assumir que sua carreira é uma empresa — e que a gestão é tão vital quanto a criação.
Durante anos, muitos produtores viveram na lógica do improviso. Era o “desespero do edital”: correr atrás de oportunidades esporádicas, inscrever projetos às pressas, torcer por aprovação e, quando não vinha, culpar a burocracia. 
É hora de abandonar a romantização da arte como se fosse suficiente para sustentar uma carreira. Criatividade sem estratégia é hobby. Inspiração sem técnica é apenas passatempo. Se você quer viver de cultura em 2026, precisa assumir que sua carreira é uma empresa — e que a gestão é tão vital quanto a criação.
Ou você se profissionaliza, ou desaparece.
(*) É  jornalista, documentarista  e produtor cultural. Atualmente exerce o cargo de Assessor Especial da Funcap, Presidente do Conselho Estadual de Cultura e apresentador do programa Expressão na Aperipê TV.
Artigo acima publicado no facebook em 20 de janeiro de 2026


Formação de agentes culturais*
18 de maio de 2006 -publicado no site da Fundação Perseu Abramo

O investimento do governo municipal na formação de agentes culturais, que exerçam o papel de gestores de processos culturais, favorece o desenvolvimento local e ajuda a criar espaços de sociabilidade. 

Autores: Valmir de Souza, Hamilton Faria e José Carlos Vazz

A cultura é um dos campos mais propícios para o fortalecimento do diálogo democrático, para articulação social e também para praticar o desenvolvimento local em sua dimensão cultural. O trabalho do agente cultural impulsiona as potencialidades econômicas, sociais, turísticas e ajuda a formar espaços de sociabilidade na cidade.

Atualmente, a cultura tem mostrado sua importância como agregadora das relações na cidade sendo esta um espaço essencialmente cultural. Cada vez mais entende-se que os conflitos sociais estão relacionados às práticas culturais, isto é, o desentendimento cultural leva a ações de incompreensão entre os diversos segmentos sociais. O desenvolvimento hoje passa também pelas ações culturais locais e o desenvolvimento cultural se impõe como cenário catalisador das relações sociais e econômicas; é possível desenvolver o aspecto cultural do município, trabalhando com a diversidade e as características das culturas locais. O trabalho do agente cultural é de fundamental importância nesse contexto e muitas prefeituras estão investindo na formação destes trabalhadores da cultura, tanto do poder público como das comunidades.

QUEM É O AGENTE CULTURAL?

O agente cultural é um cidadão tanto do poder público (Agentes Culturais Públicos) como da sociedade civil (Agentes Culturais Comunitários), que se relaciona com as práticas e ações culturais no município. O agente cultural não é um mero "administrador" de atividades culturais, mas deve ter uma sensibilidade voltada para o sócio-cultural, exercendo ativamente sua função de elo de ligação entre o poder público e as comunidades. Deverá exercer o papel de gestor de processos culturais da cidade, com capacidade inventiva e formadora de massa crítica

Assim, o agente cultural pode ser:

a) O dirigente cultural: é o servidor público investido de poder decisório na formulação e na gestão da política cultural do governo municipal ou de atividades que a compreendam (secretário de cultura, diretor de cultura etc.). As atividades de formação de dirigentes culturais devem incluir, além dos conteúdos gerais de interesse para a formação de qualquer agente cultural, conteúdos destinados a ampliar sua capacitação para a gestão pública.

b) O servidor envolvido em ações culturais: nesta categoria enquadram-se aqueles servidores que ocupam funções fundamentais para a implantação de ações e operação de programas culturais no município. É o caso dos animadores culturais, bibliotecários, atendentes de biblioteca, coordenadores de oficinas etc. Estes profissionais requerem um trabalho de formação básica (comum aos demais agentes culturais) e atividades de formação específica para as funções profissionais que desempenham.

c) O produtor cultural da comunidade: são os membros da comunidade que possuem uma atuação profissional, semi-profissional ou amadora no campo cultural (artistas, artesãos, "agitadores" culturais etc.)

O papel do agente cultural estende-se para além da simples realização de atividades. Ele deve ser, antes de mais nada, um dinamizador das potencialidades culturais da comunidade onde atua. Isto significa atuar como incentivador, socializador e mobilizador das experiências dos grupos culturais locais. Deve agir como portador e organizador da memória coletiva, a partir de uma percepção do tempo cultural, e sua função é impulsionar as práticas culturais democráticas, abrindo os espaços públicos para as comunidades, informando e prestando contas das ações da política cultural do governo municipal.

POR QUE INVESTIR EM FORMAÇÃO?

A formação de agentes culturais públicos e comunitários coloca-se num contexto de novos requerimentos para o trabalho. associados a novas habilidades que não se restringem a aprender um ofício ou uma profissão, mas a desenvolver atividades de relação entre grupos e pessoas, colocando a necessidade de o trabalhador da cultura entender não só sobre a produção cultural, mas saber lidar com processos culturais das cidades e das comunidades.

Há muita necessidade de formação nesta área e o poder público exerce um papel importante ao investir na formação de agentes que implementem uma política cultural articulada a uma política de cultura mais ampla para o município, principalmente devido à carência de informação sobre as possibilidades de se trabalhar com atividades e programas culturais nas pequenas e médias localidades.

CONTEÚDO

Pela própria natureza da ação do agente cultural, o trabalho de formação deve se preocupar em oferecer não somente conteúdos específicos voltados para a sua participação na ação cultural, mas também uma formação mais ampla, que lhe permita compreender e atuar face à complexidade da vida social e da dinâmica urbana. Essa formação básica deve compreender:

1. Entendimento dos processos urbanísticos culturais na cidade: o conhecimento da dinâmica e das intervenções urbanas; necessidade de colocar a cultura como uma preocupação no Plano Diretor da cidade.
2. Entendimento da inserção das cidade num processo global: a cidade não pode ser considerada isoladamente, mas num quadro de mundialização e a ação local deve ser tratada como impulsionadora de transformações globais; o agente cultural deve estar apto a unir o global e o local (‘glocal’)
3. Compreensão dos registros das várias culturas: na cidade circulam várias práticas (populares, de massa, "culta" etc) e discursos que precisam ser entendidos para se poder trabalhar com políticas culturais.
4. Entendimento das diversas artes: cada linguagem artística tem seu próprio modo de operação (teatro, música, literatura, artes plásticas etc.) e sem a compreensão das linguagens específicas o trabalho do agente cultural pode ficar incompleto.
5. Entendimento da multiplicidade cultural das comunidades: compreender os trabalhos culturais voltados para a dinâmica própria de cada comunidade.
6. Entendimento do papel político e social da cultura: a ação cultural e a política cultural devem ser dirigidas para a mudança de valores culturais e sociais.
7. Visão democrática da ação cultural: perceber a interligação do trabalho de democratização da cultura e da democracia cultural; considerar que é no campo que emergem direitos .

EXPERIÊNCIAS

A Fundação Cultural "Cassiano Ricardo" de São José dos Campos-SP (470 mil hab.) investiu fortemente na formação de seu quadro de trabalhadores, realizando, em 1996, o "Curso de Capacitação de Agentes Culturais", coordenado pelo Instituto Pólis, direcionado a 40 funcionários e servidores da área (supervisores, diretores e agentes culturais).

Entre os objetivos do Curso destacam-se: capacitar agentes públicos e comunitários para o trabalho cultural para a população, voltado para uma intervenção cultural na cidade e nos bairros; oferecer aos agentes e gestores municipais de cultura elementos de reflexão sobre seu papel de reorganização das instituições, práticas e valores associados ao universo da cultura; fornecer visão das cidades entendidas como espaços culturais; desenvolver as possibilidades de um trabalho cultural voltado para a comunidade e para a cultura local.

A Coordenadoria de Cultura da cidade de Ouro Fino-MG (32 mil hab.), coordenou e realizou, em 1997, com o apoio do Instituto Pólis, um "Curso de Formação de Agentes Culturais", abrangendo participantes de várias cidades da Região do Sul de Minas Gerais (Pouso Alegre, Monte Sião, Inconfidentes, Jacutinga, Bueno Brandão e Andradas). Foi constatada uma insuficiência de agentes culturais para o desenvolvimento da cultura nos municípios. Ao todo foram 40 participantes entre artistas, dirigentes de secretarias de cultura e de associações culturais. Este curso integra o Programa "Oficina de Cultura" da Secretaria Estadual de Cultura de Minas Gerais, com o financiamento do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que se destina à formação de recursos humanos na área de cultura na modalidade de qualificação profissional visando gerar emprego e renda e a melhorar a qualidade de vida das comunidades locais. Dentre os objetivos do curso destacam-se: entender o conceito de Cultura e de Política Cultural; apreender métodos de trabalho e elaborar projeto cultural; aprender a manejar instrumentos de captação de recursos para projetos culturais; possibilitar a realização de um trabalho com novas parcerias na produção e gestão cultural.

RESULTADOS

O trabalho de formação de agentes culturais deve produzir resultados de curto, médio e longo prazo. Na verdade, esses resultados são cumulativos: complementam-se e criam possibilidades para novos resultados futuros. É importante ter em mente essa variedade de prazos de maturação das atividades, para evitar ineficiência dos projetos ou frustrações.

A formação de agentes culturais, quando leva em consideração as necessidades e potencialidades específicas dos envolvidos, amplia sua aptidão para:

1. operar conceitualmente a temática cultural;
2. entender processos culturais do poder público e da sociedade civil (comunidades);
3. elaborar projetos culturais;
4. trabalhar com atividades culturais relacionadas às comunidades; e
5. entender questões relacionadas à Gestão Pública da Cultura

O desenvolvimento dessas habilidades melhora o desempenho dos agentes culturais e, portanto, torna-se mais eficaz e eficiente a ação cultural local. Entretanto, esses resultados não são únicos. A formação de agentes produz um impacto positivo no desenvolvimento da cidadania e é, também, elemento de valorização do ser humano, oferecendo aos cidadãos envolvidos a possibilidade de ampliar seu horizonte cultural e de intervenção na sociedade.

Os resultados dos trabalhos e atividades desenvolvidos na área de cultura nem sempre alcançam visibilidade imediata, mas transparecem na melhoria do atendimento ao público que usufrui dos bens e dos equipamentos culturais da cidade e do município.
 

* Publicado originalmente como DICAS nº 95 em 1997.
Dicas é um boletim voltado para dirigentes municipais (prefeitos, secretários, vereadores) e lideranças sociais. Atualmente, seu acervo está publicado no site do Instituto Pólis.