sexta-feira, 3 de abril de 2026

A IGNORÂNCIA, como projeto! Por Diorge Konrad

Durante muito tempo, a gente aprendeu que ignorância era só falta de informação. Que bastava ensinar melhor, divulgar mais, explicar com paciência. Esse raciocínio parte de uma ideia confortável: a de que todo mundo erra sem querer. Até que alguém resolveu olhar para o problema por outro ângulo e perguntar o que acontece quando a ignorância não é um acidente, mas um projeto.

Foi aí que conheci o trabalho de Robert Proctor, historiador da ciência, professor em Stanford, e o homem que deu nome a esse mecanismo desconfortável chamado agnotologia. Agnotologia é o estudo da produção deliberada da ignorância. Não do erro honesto. Não da dúvida legítima. Mas da ignorância construída com método, dinheiro, estratégia e paciência histórica.

Proctor chegou a isso estudando a indústria do tabaco. E aqui vale ser bem didático. Nos anos 1950, a ciência já havia identificado com clareza a relação entre cigarro e câncer de pulmão. O consenso estava se formando. O que a indústria fez não foi negar frontalmente esses estudos. Isso seria fácil de desmontar. O que ela fez foi algo muito mais sofisticado.

Ela financiou pesquisas paralelas, pagou especialistas para relativizar conclusões, criou institutos “independentes” e passou a repetir uma frase-chave: “a ciência ainda não é conclusiva”. Não era mentira direta. Era fabricação de dúvida. O objetivo não era convencer as pessoas de que fumar fazia bem. O objetivo era fazer com que elas pensassem que ainda era cedo demais para ter certeza.

Aqui está o ponto central da agnotologia: não se trata de convencer, mas de paralisar. Se existe dúvida, não há urgência. Se há controvérsia então, não há decisão. Se tudo parece incerto, ninguém precisa agir agora.

Esse método deu tão certo que passou a ser reutilizado. Mudam os temas, mas a engrenagem é a mesma. Mudanças climáticas, por exemplo. Durante décadas, empresas financiaram campanhas não para negar o aquecimento global, mas para transformá-lo em “debate”. O planeta aquecia, os dados se acumulavam, mas a pergunta pública permanecia sempre a mesma: “Será mesmo?”

Vacinas seguiram caminho parecido. Não foi preciso provar que elas não funcionam. Bastou sugerir que talvez não fossem tão seguras assim, que talvez ainda houvesse algo escondido, que talvez fosse melhor esperar. A dúvida virou produto. A hesitação virou comportamento social.

História também entra nessa conta. Quando tudo vira “versão”, quando fatos documentados passam a disputar espaço com opinião, quando arquivos viram narrativa opcional, a ignorância deixa de ser ausência e passa a ser política. Não é esquecimento. 

É uma escolha.

A agnotologia não nasceu na filosofia, mas dialoga diretamente com ideias que muita gente já sentiu na pele sem saber nomear. Michel Foucault já havia mostrado como saber e poder caminham juntos, como certos discursos ganham status de verdade enquanto outros são empurrados para a margem. Proctor mostra o outro lado da moeda: não apenas o que é dito, mas o que é sistematicamente impedido de ser sabido.

Décadas depois, pesquisadores como Naomi Oreskes deixaram isso ainda mais explícito ao analisar como a dúvida científica foi usada como arma política no debate climático. Não se vence a verdade com mentira escancarada. Vence-se desgastando-a, cercando-a de ruído, colocando-a no mesmo nível de qualquer palpite. Quando tudo vira opinião, a verdade deixa de ter urgência.

Esse mecanismo fica ainda mais eficiente quando encontra um terreno fértil chamado dissonância cognitiva. Um conceito da psicologia formulado por Leon Festinger, que explica algo simples e profundamente humano. A gente não gosta de informações que nos obrigam a rever quem somos, no que acreditamos ou ao grupo ao qual pertencemos. Quando uma informação ameaça nossa identidade, o cérebro não reage buscando verdade. Ele reage buscando alívio.

E a dúvida fabricada oferece exatamente isso. Ela não exige mudança. Não cobra revisão. Não pede desconforto. Ela apenas sussurra: “calma, talvez não seja bem assim”. A agnotologia não precisa criar essa tensão. Ela só precisa explorá-la.

As redes sociais transformaram esse processo em escala industrial. Algoritmos aprenderam a entregar conforto cognitivo com precisão assustadora. Se você acredita em algo, sempre haverá um conteúdo dizendo que você tem razão em duvidar do resto. Nesse ambiente, a ignorância não precisa ser imposta. Ela passa a ser escolhida.

Eu faço questão de falar disso aqui porque entender esse mecanismo é uma forma de defesa. Não contra pessoas, não contra ideias específicas, mas contra estruturas invisíveis que moldam o debate público. A melhor forma de se prevenir é entender o mecanismo. A agnotologia não te transforma automaticamente em alguém mais informado ou mais inteligente. Ela te transforma em alguém mais atento. E atenção, hoje, é um ato quase subversivo.

Talvez você nunca tenha ouvido essa palavra antes. E tudo bem. Ela não costuma circular fora da academia justamente porque nomear o problema é o primeiro passo para desmontá-lo. Mas o efeito dela está por toda parte. Nos debates que nunca avançam. Nas discussões que se repetem em círculos. Na sensação constante de que algo está errado, mas nunca errado o suficiente para exigir mudança imediata.

Quando identidade vira trincheira, qualquer dúvida que proteja essa identidade parece virtude. É assim que a guerra cultural se alimenta. Não pela força da verdade, mas pelo conforto da hesitação. Em certos momentos da história, não é a mentira que vence. É a dúvida bem administrada.

E é exatamente por isso que escrever este texto me dá um tipo específico de orgulho. Não aquele orgulho inflado, performático, mas um orgulho quieto, quase teimoso. O de continuar falando de coisas difíceis num tempo em que o fácil viraliza mais rápido. O de explicar um conceito pouco conhecido quando o mundo parece preferir gritar certezas rasas.

Com tudo o que tem acontecido comigo, com o debate público e com o próprio planeta, sentar para escrever sobre isso é, para mim, uma forma de resistência lúcida. E também um gesto de confiança em quem ainda lê com atenção. Se isso aqui servir como munição para quem pensa criticamente, mesmo que só para reconhecer a engrenagem, já valeu.

(*) é doutor em História do Trabalho pela Unicamp – SP

PROFESSORA DE HISTÓRIA BOLSONARISTA SE CONFUNDE COMPLETAMENTE E ERRA TUDO O QUE FALA | Galãs Feios


O que já está sendo feito e o que pode ser ainda mais realizado para combater esse fenômeno da agnotologia.

Litígios e investigações legislativas (modelo do tabaco)

Nos EUA e na Europa, processos judiciais contra empresas de combustíveis fósseis (Exxon, Shell) usam documentos internos para provar que elas sabiam dos danos climáticos décadas atrás, mas financiaram a dúvida. Isso é agnotologia sendo combatida no campo legal.

Jornalismo investigativo e fact-checking

Agências como Lupa, Aos Fatos (Brasil), Snopes, Full Fact (UK) desmontam não apenas mentiras, mas a criação de falsas controvérsias. Elas identificam quando uma “dúvida legítima” foi fabricada.

Divulgação científica e educação midiática

Projetos como Science Vs (podcast), Crash Course (YouTube) e currículos escolares de media literacy (Finlândia, por exemplo) ensinam a identificar táticas de relativização, não apenas fatos.

Regulação de plataformas digitais

O DSA (Lei de Serviços Digitais, na UE) exige que grandes plataformas mitiguem riscos sistêmicos à informação pública. No Brasil, o PL 2630 (em debate) prevê transparência de algoritmos – essencial para expor como a dúvida é amplificada.

Movimentos de transparência científica

Iniciativas como AllTrials (exigem registro público de todos os ensaios clínicos) e Retraction Watch (monitoram estudos fraudulentos) reduzem o espaço para “pesquisas paralelas” financiadas por interesses.

O que pode ser ainda mais realizado (ações necessárias e pouco exploradas)
1. Criar um “índice de dúvida fabricada” (rastreabilidade tática)
Assim como há índices de desinformação, poderíamos mapear padrões de argumentação típicos da agnotologia: “a ciência não é conclusiva”, “faltam mais estudos”, “ambos os lados têm razão”. Um banco de dados público dessas frases, com origem financeira e histórica, desnudaria o método.

2. Responsabilizar “fabricantes de dúvida” criminalmente em casos de dano grave (saúde, clima)
Se a indústria do tabaco foi condenada nos EUA por fraude (não por fumar, mas por mentir sistematicamente), por que não aplicar o mesmo raciocínio a empresas que, sabendo dos riscos, financiaram institutos para semear hesitação vacinal ou negacionismo climático? Ações penais por dolo eventual são possíveis.

3. Ensinar agnotologia como disciplina obrigatória no ensino médio
Não basta aprender sobre fake news. É preciso aprender sobre a fabricação da dúvida. Isso envolve história da ciência, epistemologia e psicologia cognitiva (dissonância). A Finlândia já faz algo próximo – mas focado em fact-checking, não em mecanismos estruturais.

4. Regular o financiamento de “institutos de pesquisa” de fachada
Muitos think tanks que produzem dúvida são juridicamente “independentes”, mas 100% financiados por setores econômicos. Uma lei que exija declaração pública de todos os financiadores acima de 5% da receita, com penalidade por omissão, dificultaria o anonimato da produção de ignorância.

5. Criar selos de “integridade de controvérsia” para veículos de comunicação
Um selo certificador (por universidades ou consórcios de jornalismo) que ateste: “Esta controvérsia tem base científica real, não foi fabricada”. O oposto seria um selo vermelho: “Há evidência de produção deliberada de dúvida neste tópico”. Isso mudaria o incentivo econômico – ninguém quer ser rotulado como disseminador de ignorância organizada.

6. Algoritmos que desacelerem a dúvida fabricada, não apenas removam mentiras
Atualmente, plataformas removem falsidades explícitas, mas a dúvida (“será mesmo que…?”) permanece porque é mais sutil. Um algoritmo poderia identificar padrões de hesitação repetitiva sem evidência nova e reduzir seu alcance orgânico – não por censura, mas por critérios de relevância informacional.

7. Campanhas de “inoculação psicológica” (psychological inoculation)
Pesquisas (como as de Sander van der Linden) mostram que expor as pessoas a uma versão enfraquecida da tática de manipulação, com aviso prévio, gera resistência. Exemplo: mostrar um anúncio antigo do tabaco (“a ciência ainda não é conclusiva”) e explicar a técnica antes que ela seja usada sobre vacinas ou clima.

8. Criar um fundo global de resposta rápida à agnotologia
Quando surgir uma nova controvérsia fabricada (ex.: inteligência artificial maléfica, transgênicos, cloroquina), um consórcio de cientistas, comunicadores e psicólogos poderia lançar em 48 horas uma contranarrativa estrutural – não apenas factos, mas expondo quem financia a dúvida, com que método, há quanto tempo.

Conclusão (alinhada ao espírito do texto)
Nomear o problema é o primeiro passo. O segundo é tratar a agnotologia não como falha individual de informação, mas como crime epistêmico organizado. Hoje, combatemos mentiras. Mas a dúvida fabricada é mais resiliente – porque se disfarça de prudência, modéstia científica ou abertura ao debate.

O que pode ser feito a mais é mudar a pergunta. Deixar de só perguntar “isso é verdade?” e passar a perguntar “por que essa dúvida ainda existe?” – e quem se beneficia com ela. Enquanto não houver responsabilização jurídica, desenho algorítmico defensivo e educação sistemática sobre esse mecanismo, a ignorância continuará sendo um projeto lucrativo.
Com IA Deepseek 


quinta-feira, 2 de abril de 2026

Blog da Cultura lembrando e homenageando Reginaldo Velosos nesta semana santa de 2026, um dos maiores animadores culturais de base comunitária e compositor litúrgico brasileiro

 




OUÇA OUTRAS CANÇÕES DE REGINALDO VELOSO. AQUI

Dom Helder nos ensina que a verdadeira adoração passa pelo serviço aos “cristos” que cruzam nosso caminho diariamente.

Que a nossa comoção diante da imagem de Cristo se transforme em ação diante do próximo.

Uma Sexta-Feira Santa de profunda reflexão.

Um olhar sobre a cidade — Mocambos: Cristo na Lama
Sexta-Feira Santa, 04 de Abril de 1979 

Acima, página Frases de Dom Helder Camara no facebook 



Chega, chega, Páscoa pedindo outros olhares! O mundo...

-  Ó morte, onde está tua vitória?
   Cristo ressurgiu, honra e glória!

Deus disse: “Eu vou te mostrar o caminho,
Por onde andares, vou te ensinar...
Não seja feito um burro sem juízo
E de cabresto e rédea a precisar. (salmo 32,6)

Simão Neto (*)
Semana Santa - abril 2026

(*) Licenciado em Filosofia, Educador Popular,  Técnico Educacional, Animador Cultural,  grande companheiro de sonhos e luta do Pe. Reginaldo Veloso. 



O papel de Reginaldo Veloso (1937–2022) é central na conexão entre a fé cristã e a animação cultural no Brasil, especialmente no Recife. Ele é reconhecido como um dos mentores e fundadores do Programa de Animação Cultural nas escolas da rede municipal do Recife, criado em 1993. 
Sua atuação destaca-se pelos seguintes eixos:
Fundação de Políticas Públicas: Atuou por décadas como assessor na Secretaria de Educação do Recife, onde estruturou a animação cultural como uma ferramenta pedagógica para adolescentes, visando o protagonismo juvenil e a formação cidadã.
Inculturação e Música Popular: Como compositor litúrgico, Veloso aplicou o conceito de animação ao trazer ritmos populares brasileiros, como o frevo, para o ambiente religioso. Sua música "Boca de Povo", por exemplo, adaptava textos bíblicos à sonoridade e à realidade social das periferias.
Articulação Comunitária: No Morro da Conceição, uniu a animação cultural à luta social. Ele incentivou a criação de conselhos de moradores e associações, utilizando a cultura e a fé como meios para que a população se organizasse por direitos básicos, como moradia e infraestrutura.
Resistência e Educação: Sua prática era herdeira da Teologia da Libertação e da pedagogia de Paulo Freire, focando na conscientização política. Durante a ditadura militar, seu trabalho de animação nas comunidades era visto como "subversivo" por incentivar a autonomia do povo. 
Em resumo, Reginaldo Veloso não apenas teorizou, mas institucionalizou a animação cultural como prática educativa e transformadora na gestão pública e na vida comunitária de Pernambuco. 

As influências do conceito francês de animação cultural no Brasil são vastas, moldando desde o modo como entendemos a educação popular até a estrutura de grandes instituições culturais. Enquanto a França é o berço teórico, o Brasil adaptou essas ideias para focar na resistência política e na emancipação social. 

As principais influências e desdobramentos no Brasil incluem:
1. Educação Popular e Transformação Social
Diferente do modelo europeu, que muitas vezes focava na gestão cultural, a influência francesa no Brasil se fundiu com movimentos de base nas décadas de 1960 e 1980. 
Paulo Freire e Augusto Boal: Figuras centrais que são consideradas precursoras dessas práticas no país. Eles utilizaram a "animação" como ferramenta de conscientização e autonomia do sujeito, aproximando-a da pedagogia crítica.
Luta por Autonomia: A prática brasileira de animação cultural historicamente visou a emancipação de grupos sociais, funcionando como uma estratégia de resistência. 
2. A Estrutura dos Centros Culturais
O modelo francês de democratização da cultura inspirou a criação de espaços multidisciplinares no Brasil.
Sesc (Serviço Social do Comércio): É uma das instituições que mais reflete o espírito da animação sociocultural francesa, promovendo não apenas o consumo de arte, mas a convivência, o lazer educativo e o desenvolvimento comunitário.
Temporadas de Intercâmbio: Parcerias contínuas, como o Ano da França no Brasil e a Temporada França-Brasil 2025, reforçam a cooperação em áreas como audiovisual, artes visuais e oficinas de mediação. 
3. Profissionalização e Mediação
Embora no Brasil não existam tantos cursos universitários específicos de "Animador Cultural" como na França, o conceito influenciou novas profissões:
Educadores e Mediadores: A figura do educador de museu ou mediador cultural em grandes exposições (como as Bienais de São Paulo) carrega o DNA do animador francês: alguém que faz a ponte entre a obra e o público.
Gestão Cultural: O modo como o Estado brasileiro estrutura suas políticas de fomento e editais muitas vezes bebe da fonte do "Estado Cultural" francês. 

"A Cultura salvará o Brasil. Pegando aqui emprestado "A beleza salvará o mundo""  de Dostoiévski - ZdO


 A gratidão de quem viveu próximo e  quem mesmo distante. até no exterior, recebeu importantes contribuições deste grande homem... Seja pelo trabalho extraordinário com a liturgia, seja com o trabaho não menos extraordinário com animação e produção cultural de base comunitária... 

"Ontem participei da celebração de Páscoa de um mês de Pe Reginaldo Veloso, que tinha sido adiada. A beleza do encontro da tarde no domingo no Morro da Conceição, tudo como ele gostava e zelava, gente junta que se gostam, em roda em torno da idéia da terra sem males, muitos cantos, belas palavras e a liturgia que interpreta e encarna na vida o Deus que é libertação. Nas memórias ali apresentadas, falei da Animação cultural, do quanto ele gostava e da saudade das rodas de formação e dos encontros de férias, eita que revolução a gente fez e faz parte. Como se cantou lá...a melhor forma de caminhar é de mãos dadas... Viva a galera da fraternidade!"
Simão Neto - Em 04 de julho de 2022

Para lembrar ou conhecer Reginaldo Veloso
Lançamento do Livro: JUVENTUDE EM MOVIMENTO (JEM): UM PROJETO PARA A VIDA
UMA EXPERIÊNCIA DE ANIMAÇÃO CULTURAL ENTRE ADOLESCENTES DAS ESCOLAS DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DA CIDADE DO RECIFE. De autoria do Pe. Reginaldo Veloso.


REGINALDO VELOSO: VIDA, MISSÃO E PROFECIA



Live do CEBI-Sergipe sobre o "Presbítero leigo das comunidades", Reginaldo Veloso, com a participação do Profº Romero Venâncio (UFS), tendo como mediadora Irene Smith(CEBI-SE). Padre Reginaldo Veloso fez a sua Páscoa no último dia 19/05/22.






Reginaldo Veloso: O Amor Mais Profundo" é um documentário que conta a história de vida de Reginaldo Veloso, ex-administrador paroquial do Morro da Conceição, em Recife.
O documentário, com 2h13min de duração, busca revelar um padre Reginaldo pelo olhar do amor como fio condutor. Ordenado em Roma em 1961, dois dias antes da conclamação do Concílio Vaticano II, ele volta ao Brasil em 1966 com a sensibilidade de lutar por justiça social ao lado das populações pobres e oprimidas, especialmente no bairro de Casa Amarela, zona norte do Recife. Contestando posições conservadoras da Igreja, o povo é inflamado a reivindicar do poder público o acesso à água, habitação, transporte e outros direitos fundamentais. 
Roteiro, direção e edição de Daniela Kyrillos.





Com fotos de divulgação do Movimento de Adolescentes e Crianças (MAC) e Programa de Animação Cultural (PROAC e PROCUCA), complementadas com fotos de internet. 
Galera da Fraternidade – Letra e Música; Reginaldo Veloso
1. Minha galera é a galera da fraternidade. Meu tempero é a fé, é o amor-liberdade.
2. O meu assunto é a vida.
È a vida, é a vida!
Caretice, aceitar essa vida-sem-vida!
3. Já é hora de a gente mudar,
esse jeito não dá pra ficar
4. É preciso muita criatividade!
Arregace as mangas com muita vontade!
Vamos investir nessa da felicidade!
Ser feliz é o destino da humanidade!...
5. Nós vamos nessa do chapa
Joãozinho Trinta:
A cultura é beleza que encanta e que agita!
6. O meu samba não vai te enganar;
Eu só canto pra vida mudar!
7. Você traz muita coisa
Então pode perder!
Vamos nessa, galera, botar pra valer!
Cada um tem um gosto e um jeito de ser!
É preciso juntar, fazer tudo render!...
8. A gente vai nessa do indio e da ecologia
Salve o verde, a beleza da geografia!
A beleza da geografia!
9. Não morreu Chico Mendes em vão,
Ressuscita em você, meu irmão!
10. É preciso muita, mas muita coragem!
Se guardar pra si mesmo
É uma grande bobagem!
Pois, no fim, quem dá vida
É quem leva vantagem!
É a galera de Cristo
Partindo em viagem!



LIVE DA AÇÃO CULTURAL COM REGINALDO VELOSO

A 6ª live de quinta da Ação Cultural em 11 de Junho, a partir das 20 horas, trará novamente como abordagem a discussão do eixo: Juventudes, AnimAÇÃO Cultural e Educação Popular, com a participação do Padre Reginaldo Veloso e seu trabalho nos bairros, morros e alagados do Recife.
A pergunta norteadora: Como os meninos e meninas do (*) MAC e do PROAC fazem alegria e constroem sonhos de mãos dadas.



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sexta-feira, 20 de maio de 2022


Papa diz que missão cristã é combater “ocupação imperialista do mundo” e abuso de poder

Publicado por Diario do Centro do Mundo - Atualizado em 2 de abril de 2026 às 15:12

Durante a Missa do Crisma celebrada na Quinta-feira Santa, o Papa Leão XIV afirmou que a missão cristã deve ser atuar como um contraponto àquilo que chamou de “ocupação imperialista do mundo”, advertindo que o abuso de poder jamais produz frutos positivos — seja no campo pastoral, social ou político.

Na celebração realizada na Basílica de São Pedro, o pontífice destacou que a missão confiada por Deus não pode ser distorcida por ambições de dominação, algo que classificou como completamente estranho ao ensinamento de Jesus Cristo.

Segundo ele, a cruz faz parte inseparável dessa missão: ao mesmo tempo em que torna o caminho mais difícil e desafiador, também o transforma e liberta. Nesse sentido, afirmou que a lógica de violência — frequentemente dominante — é desmascarada a partir de dentro quando confrontada pelo verdadeiro espírito cristão.

A fala ocorre em meio à guerra de EUA e Israel contra o Irã e ao genocídio em Gaza. Em 29 de março, a polícia de Israel impediu o Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, de entrar na Igreja do Santo Sepulcro para celebrar a missa de Domingo de Ramos, em um evento sem precedentes relatado como “grave e irracional”.

A Missa do Crisma, uma das principais celebrações da Quinta-feira Santa, inclui a bênção dos óleos sagrados usados ao longo do ano em sacramentos como batismo, crisma, unção dos enfermos e ordenação sacerdotal. Durante a cerimônia, padres também renovam seus compromissos.

Celebrando o rito pela primeira vez como bispo de Roma, Leão XIV dirigiu-se a cerca de mil sacerdotes e reforçou que a missão cristã não é individualista nem desconectada da Igreja. Cada fiel participa segundo sua vocação, disse, mas sempre em comunhão.

O papa também destacou que o Tríduo Pascal — iniciado nessa mesma data — convida os cristãos não a fugir das provações, mas a atravessá-las com Cristo. Segundo ele, esse processo tem o poder de transformar profundamente a identidade humana e a forma como as pessoas se situam no mundo.

Ele reforçou ainda que a Igreja é, por natureza, missionária e dinâmica, e não uma instituição estática. Bispos e padres, afirmou, devem servir a esse povo em movimento, evitando que a missão seja deformada por lógicas mundanas.

Em um dos trechos mais contundentes, Leão XIV criticou a associação entre fé e demonstrações de poder. Para ele, o amor cristão autêntico não se expressa por força, ostentação ou estratégias calculadas, mas pela simplicidade, pelo serviço e pelo respeito às fragilidades humanas.

O pontífice também fez um alerta direto sobre a relação com os pobres: não há “boa nova” quando se chega até eles ostentando sinais de poder, nem verdadeira libertação sem desapego. Em vez disso, exaltou o exemplo de missionários que atuam de forma discreta, compartilhando a vida, servindo sem interesses e dialogando com respeito.

Leão XIV ressaltou que a missão exige humildade diante das diferentes culturas e povos. “Como cristãos, somos hóspedes”, afirmou, defendendo que a Igreja deve priorizar escuta, acompanhamento e testemunho — e não ideias de conquista, mesmo em contextos de secularização.

Ele também abordou a possibilidade de rejeição, lembrando a expulsão de Jesus de Nazaré. Ainda assim, disse que essas experiências podem revelar a força mais profunda do Evangelho, especialmente quando vividas com entrega e serviço.

Durante a homilia, o papa citou Óscar Romero como exemplo de esperança perseverante em meio à violência. Romero foi um sacerdote católico salvadorenho, quarto arcebispo metropolitano de San Salvador, capital de El Salvador. Foi assassinado em 1980, em consequência dos conflitos da Guerra Civil de El Salvador, e reconhecido como mártir e santo pela Igreja Católica.

Ao final, Leão XIV convocou os fiéis a renovar o compromisso com uma missão marcada pela unidade e pela paz. Em tom enfático, afirmou que, em um momento sombrio da história, os cristãos são chamados a levar vida onde prevalece a morte — superando o medo e o sentimento de impotência.

Resumo da Homilia do Papa Leão XIV (Quinta-feira Santa, 2 de abril de 2026)

O Papa reflete sobre a missão cristã, centrada na Páscoa de Cristo, que transforma o orgulho humano e cura feridas. Ele destaca três segredos fundamentais dessa missão:

Desapego: A missão exige deixar o seguro e familiar, arriscando-se pelo novo. Seguir Jesus implica esvaziamento e reconciliação com o passado sem ficar prisioneiro dele.

Encontro: A missão não se faz com domínio, mas com serviço desinteressado, diálogo e respeito. Inspirada em Pentecostes, a Igreja deve acolher e deixar-se acolher, honrando o mistério de cada pessoa e cultura.

Cruz e ressurreição: A incompreensão e a rejeição fazem parte do envio. A cruz não é fracasso, mas caminho para a nova criação. Como São Óscar Romero, os cristãos são chamados a entregar toda a vida a Deus, confiando que outros continuarão a missão.

O Papa conclui exortando a superar o medo e a impotência, renovando o "sim" à missão que exige unidade e traz paz, anunciando a morte e ressurreição do Senhor.

HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV

Basílica de São Pedro
Quinta-feira Santa, 2 de abril de 2026

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Queridos irmãos e irmãs,

Estamos já às portas do Tríduo Pascal. O Senhor conduzir-nos-á, mais uma vez, ao ápice da sua missão, para que a sua paixão, morte e ressurreição se tornem o centro da nossa missão. Efetivamente, o que estamos prestes a reviver tem em si a força de transformar aquilo que o orgulho humano tende geralmente a endurecer: a nossa identidade, o nosso lugar no mundo. A liberdade de Jesus muda o coração, cura as feridas, perfuma e faz brilhar os nossos rostos, reconcilia e reúne, perdoa e ressuscita.

Neste primeiro ano em que presido à Missa Crismal como Bispo de Roma, desejo refletir convosco sobre a missão à qual Deus nos consagra como seu povo. É a missão cristã, a mesma de Jesus, e não outra. Cada um participa nela de acordo com a sua vocação e com uma obediência muito pessoal à voz do Espírito, mas nunca sem os outros, nunca negligenciando ou rompendo a comunhão! Bispos e presbíteros, ao renovarmos as nossas promessas, estamos ao serviço de um povo missionário. Somos, com todos os batizados, o Corpo de Cristo, ungidos pelo seu Espírito de liberdade e consolação, Espírito de profecia e unidade.

O que Jesus vive nos momentos culminantes da sua missão é antecipado pelo oráculo de Isaías, por Ele referido na sinagoga de Nazaré como a Palavra que «hoje» se cumpre (cf. Lc 4, 21). Com efeito, na hora da Páscoa, torna-se definitivamente claro que Deus consagra para enviar: «Enviou-me» (Lc 4, 18), diz Jesus, descrevendo aquele movimento que une o seu Corpo aos pobres, aos prisioneiros, àqueles que caminham às cegas na escuridão e àqueles que se encontram oprimidos. E nós, membros do seu Corpo, chamamos “apostólica” a uma Igreja que foi enviada, impulsionada para além de si mesma, consagrada a Deus no serviço das suas criaturas: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós» (Jo 20, 21).

Sabemos que ser enviado implica, em primeiro lugar, um desapego, ou seja, o risco de deixar o que é seguro e familiar para se aventurar no novo. É interessante que Jesus, «impelido pelo Espírito» (Lc 4, 14) que desceu sobre Ele após o batismo no Jordão, regresse à Galileia e vá «a Nazaré, onde tinha sido criado» (Lc 4, 16). É o lugar que agora deve deixar. Ele move-se «segundo o seu costume» (v. 16), mas para inaugurar um tempo novo. Terá agora de partir definitivamente daquela aldeia, para que amadureça o que ali germinou, sábado após sábado, na escuta fiel da Palavra de Deus. Da mesma forma, chamará outros a partir, a arriscar, para que nenhum lugar se torne um recinto; nenhuma identidade, um esconderijo.

Caríssimos, seguimos Jesus, que «não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-se a si mesmo» (Fl 2, 6-7): toda missão começa por esse tipo de esvaziamento, no qual tudo renasce. A nossa dignidade de filhos e filhas de Deus não nos pode ser tirada, nem se perder, e nem mesmo os afetos, os lugares e as experiências que estão na origem da nossa vida podem ser apagados. Somos herdeiros de tanto bem e, simultaneamente, das limitações de uma história na qual o Evangelho deve ser portador de luz e salvação, perdão e cura. Assim, não há missão sem reconciliação com as nossas origens, com os dons e as limitações da formação recebida; mas, ao mesmo tempo, não há paz sem partidas, não há consciência sem desapego, não há alegria sem correr riscos. Somos Corpo de Cristo se seguirmos em frente, acertando as contas com o passado sem ficarmos prisioneiros dele: tudo se reencontra e se multiplica se antes se deixar ir, sem medo. É um primeiro segredo da missão. É algo que não se experimenta uma vez só, mas em cada recomeço, em cada novo envio.

O caminho de Jesus revela-nos que a disponibilidade para perder, para se esvaziar, não é um fim em si mesma, mas condição para o encontro e para a intimidade. O amor só é verdadeiro se estiver desarmado – desprovido de muitos empecilhos e sem nenhuma ostentação –, se guarda delicadamente a fraqueza e a nudez. Temos dificuldade em lançar-nos numa missão tão exposta e, no entanto, não há «Boa-nova aos pobres» ( Lc 4, 18) se formos ao seu encontro com sinais de poder, nem há libertação autêntica se não nos libertarmos do possuir. Tocamos aqui um segundo segredo da missão cristã. Depois da lei do desapego, vem a lei do encontro. Sabemos que, ao longo da história, a missão foi não poucas vezes pervertida por lógicas de domínio, totalmente estranhas ao caminho de Jesus Cristo. São João Paulo II teve a lucidez e a coragem de reconhecer que «por causa daquele vínculo que nos une uns aos outros dentro do Corpo místico, todos nós, embora não tendo responsabilidade pessoal por isso e sem nos substituirmos ao juízo de Deus – o único que conhece os corações –, carregamos o peso dos erros e culpas de quem nos precedeu». [1]

Consequentemente, é portanto prioritário recordar que o bem não pode advir da prevaricação, nem no âmbito pastoral, nem no âmbito sócio-político. Os grandes missionários são testemunhas de aproximações feitas com delicadeza, cujo método consiste na partilha da vida, no serviço desinteressado, na renúncia a qualquer estratégia calculista, no diálogo, no respeito. É o caminho da encarnação, que assume sempre de novo a forma da inculturação. A salvação, realmente, só pode ser acolhida por cada um na sua língua própria materna: «Que se passa, então, para que cada um de nós os ouça falar na nossa língua materna?» ( Act 2, 8). A surpresa de Pentecostes repete-se quando não pretendemos dominar os tempos de Deus, mas confiamos no Espírito Santo, que «como no tempo de Jesus e dos Apóstolos, está presente também hoje: está presente e está a agir, chega antes de nós, trabalha mais e melhor do que nós; não nos cabe nem semeá-lo nem despertá-lo, mas, antes de mais, reconhecê-lo, acolhê-lo, cooperar com ele, abrir-lhe caminho, seguir-lhe os passos. Ele está presente e nunca desanimou em relação ao nosso tempo; pelo contrário, sorri, dança, penetra, investe, envolve, chega mesmo onde nunca teríamos imaginado». [2]

Para estabelecer esta sintonia com o invisível, é necessário chegar ao lugar para onde somos enviados com simplicidade, honrando o mistério que cada pessoa e comunidade traz consigo. Somos hóspedes: somo-lo enquanto bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos, enquanto cristãos. Na verdade, para acolher temos de aprender a deixar-nos acolher. Mesmo os lugares onde a secularização parece estar mais avançada não são terra de conquista ou reconquista: «Novas culturas continuam a nascer nestas enormes geografias humanas onde o cristão já não costuma ser promotor ou gerador de sentido, mas recebe delas outras linguagens, símbolos, mensagens e paradigmas que oferecem novas orientações de vida, muitas vezes em contraste com o Evangelho de Jesus. […] É necessário chegar onde se formam as novas narrativas e paradigmas, alcançar com a Palavra de Jesus os núcleos mais profundos da alma das cidades». [3] Isto só acontece se, na Igreja, caminhamos juntos, se a missão não for uma aventura heroica de alguém, mas o testemunho vivo de um Corpo com muitos membros.

Existe ainda uma terceira dimensão – talvez a mais radical – da missão cristã. A dramática possibilidade de incompreensão e de rejeição que se manifesta já na reação violenta dos habitantes de Nazaré à palavra de Jesus: «Ao ouvirem estas palavras, todos, na sinagoga, se encheram de furor. E, erguendo-se, lançaram-no fora da cidade e levaram-no ao cimo do monte sobre o qual a cidade estava edificada, a fim de o precipitarem dali abaixo» (Lc 4, 28-29). Embora a leitura litúrgica tenha omitido esta parte, o que nos preparamos para celebrar a partir desta noite compromete-nos a não fugir, mas a “passar pelo meio” da provação, como Jesus, que, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho (cf. Lc 4, 30). A cruz é parte da missão: o envio torna-se mais amargo e assustador, mas também mais gratuito e perturbador. A ocupação imperialista do mundo é então interrompida a partir de dentro, a violência que até hoje se faz lei é desmascarada. O Messias pobre, prisioneiro, rejeitado, precipita-se na escuridão da morte, mas assim traz à luz uma nova criação.

Quantas ressurreições nos são dadas experimentar quando, livres de uma atitude defensiva, descemos ao serviço como a semente à terra! Na vida, podemos passar por situações em que tudo parece ter chegado ao fim. Perguntamo-nos, então, se a missão terá sido inútil. É verdade: ao contrário de Jesus, vivemos também fracassos que dependem da nossa insuficiência ou da dos outros, muitas vezes de um emaranhado de responsabilidades, luzes e sombras. Mas podemos fazer nossa a esperança de muitos testemunhos. Recordo-me de um, que me é particularmente querido. Um mês antes da sua morte, no caderno dos Exercícios Espirituais, o santo Bispo Óscar Romero anotava assim: «O núncio da Costa Rica alertou-me para um perigo iminente precisamente nesta semana… As circunstâncias imprevistas serão enfrentadas com a graça de Deus. Jesus Cristo ajudou os mártires e, se for necessário, sentirei a sua presença muito próxima quando lhe entregar o meu último suspiro. Todavia, mais do que o último instante de vida, o que conta é entregar-lhe toda a vida e viver para Ele… Basta-me, para ser feliz e confiante, saber com certeza que n’Ele está a minha vida e a minha morte; que, apesar dos meus pecados, n’Ele depositei a minha confiança e não ficarei decepcionado, e outros prosseguirão, com mais sabedoria e santidade, o trabalho pela Igreja e pela pátria».

Queridos irmãos e irmãs, os santos escrevem a história. Esta é a mensagem do Apocalipse: «Graça e paz […] da parte de Jesus Cristo, a Testemunha fiel, o Primeiro vencedor da morte e o Soberano dos reis da terra» (Ap 1, 4-5). Esta saudação resume o caminho de Jesus num mundo dividido entre potências que o devastam. No seu seio surge um povo novo, não de vítimas, mas de testemunhas. Nesta hora sombria da história, foi do agrado de Deus enviar-nos para difundir o perfume de Cristo onde reina o odor da morte. Renovemos o nosso “sim” a esta missão que nos exige unidade e que traz a paz. Sim, aqui estamos! Superemos o sentimento de impotência e de medo! Anunciamos a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!

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[1] São João Paulo II, Bula de proclamação do Grande Jubileu do ano 2000 “Incarnationis mysterium” (29 de novembro de 1998), 11.

[2]C. M. Martini, Tre racconti dello Spirito, Milano 1997, 11.

[3] Francisco, Exort. Ap. Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013), 73-74.