quinta-feira, 5 de março de 2026

Sobre a chamada “retomada” do programa CULTURA VIVA e o adiamento da chamada VI TEIA Nacional dos Pontos de Cultura. Por Célio Turino.

Acabo de saber do  adiamento da suposta Teia Nacional dos Pontos de Cultura. A única que seria realizada durante os quatro anos do atual governo. Antes que questionem a razão de eu haver escrito “suposta”, logo esclareço: o que está para acontecer em Aracruz, Espírito Santo, não será uma Teia em seus fundamentos filosóficos e práticos, tratando-se de um encontro, hiperverticalizado e controlado, permeado por disputas, sequer com proporcionalidade razoável entre os entes federativos. Ao que me informaram, trinta delegados por estados e distrito federal, independente da população e quantidade de Pontos de Cultura; só esse aspecto já distorce por completo o ambiente de encantamento e congraçamento, transformando o encontro em um funil. Não se trata de uma questão menor ou operacional, o que está havendo é a apropriação de uma palavra para uso diverso do original, esvaziando-a de sentido. 



Eu que formulei o conceito e filosofia e coordenei as primeiras quatro Teias Nacionais que houve no Brasil entre 2006/10. Depois disso, houve uma em 2014 e agora essa que se adia. O tema seria “Justiça Climática”, bom tema, mas que poderia ser mais poético e menos subordinado à linguagem tecnoburocrática dos Organismos Internacionais, a exemplo das primeiras Teias. Enfim... Mas esse não é o problema principal. Teia é a realização da potencia dos Pontos de Cultura em rede, é o momento do encantamento, da auto-organização e reflexão, é filosofia da práxis, que só pode acontecer com a quebra de hierarquias culturais e a emergência de novas legitimidades. Foi assim até 2010, mesmo com as Teias estaduais, regionais ou municipais. Teia como o ambiente para aceleração de processos e vínculos. Por isso não cabe representação delegada, ao menos uma pessoa por Ponto de Cultura precisa estar lá, bem como quem mais queira ir, e coletivos e grupos. Na primeira Teia, na Bienal de São Paulo, fretamos ônibus por vezes para atender um único Ponto de Cultura, como as crianças da favela da Rocinha no Rio de Janeiro, ou o povo Yawalapíti, do Xingu, liderados pelo cacique Aritana, meu amigo já falecido, eles viajaram 24 horas de barco até o município de Canarana no Mato Grosso para depois virem à São Paulo, só dançarem em frente à Oca no Ibirapuera e para que o público ouvisse Aritana em conferência no SESC-Vila Mariana. Foi um turbilhão de emoções e sensações. Pela primeira vez na história do país o povo entrava pela “porta da frente”, o prédio da Bienal de São Paulo se abriu para o Brasil de baixo, não mais como mostra, mas como agentes. Junto à Teia, a Primeira Feira Nacional da Economia Solidária, que organizei junto com o professor Paul Singer, então secretário da economia solidária. “Venha se ver e ser visto”, foi o lema da primeira Teia em 2006; mail de mil participantes (à época havia pouco menos de 500 Pontos de Cultura no país). Ano seguinte, em Belo Horizonte, no Palácio das Artes, “Tude de Todos”, já eram 800 Pontos. Quinze dias antes eu quase desmarquei a Teia. Sabem por que? O governo do estado, bem intencionado, mas sem compreender plenamente a filosofia, queria transferir a Teia para um Centro de Convenções. Eu respondi: “O melhor para o povo, o povo tem que adentrar no mais consagrado espaço de cultura do estado, do contrário as hierarquias culturais prevalecerão. Nosso povo nunca mais entrará pela porta dos fundos, mesmo que seja um fundo bem organizado e aparentemente adequado.” A questão é simbólica. Em 2008, em Brasília, na Esplanada dos Ministérios, sob o tema “Reproclamação da República”, aí já passavam de milhares. E em 2010, “Tambores Digitais”no Dragão do Mar em Fortaleza, cinco mil pessoas foram levadas para lá.   

Uma Teia não se mede por braços levantados, nem por regimentos frios, se mede por abraços, maravilhamento, contatos pessoa a pessoa, comunidade a comunidade, criações e invenções. É tão difícil compreender esse significado? Será que novamente sucumbe-se à lógica patriarcal do Poder, das hierarquias e verticalizações? E nem isso se fez direito, tanto que estão tendo que adiar uma Teia acanhada.

Mas o problema não se resume só com a Teia. Isso é só reflexo de um desmonte conceitual-filosófico que prossegue desde 2011. Ponto de Cultura é um conceito matemático, pressupõe unidade e igualdade entre os Pontos. Isso também tirou-se. Tudo virou disputa em editais artificializados (e hoje em dia até projeto se faz por IA, seleção também, portfólios que nem existem, também). A Cultura Viva perdeu vida, virou um sistema burocrático de transferência de recursos para organizações culturais de base comunitária. E nem isso faz bem, ao contrário, reproduz preconceitos e discriminações, os valores são insuficientes para manutenção de atividades contínuas e processuais; e a origem do recurso nem é do Ministério da Cultura em sentido direto, mas da Lei Aldir Blanc que foi uma conquista anterior da sociedade mobilizada. Novamente, eu que fiz o cálculo sobre o valor que seria adequado para a manutenção de um Ponto de Cultura: R$ 60 mil/ano, em valores de 2004, e que deveriam prever uma processualidade de no mínimo três anos, renováveis e sem necessidade de disputa; ou seja, R$ 180 mil por Ponto de Cultura. Atualizado pela inflação esse valor daria R$ 144 mil/ano, arredondando, R$ 150 mil, ou R$ 450 mil em três anos. Por qual razão foi possível em 2004/10 e hoje não é mais? À época a Secretaria de Programas e Projetos, que eu assumi em junho de 2004, contava com apenas 5 funcionários de carreira e 5 DAS, o orçamento para o Brasil era de apenas R$ 5 milhões (para o ano seguinte saltou para R$ 67 milhões). Hoje pulveriza-se valores para ilustrar powerpoints e cifras fictícias. O que importa é a ação no território, e o valor recebido pelas comunidades precisa ser digno, adequado, do contrário não vira um lápis de cor nas mãos de uma criança na favela, é só espuma. Ou então, a reprodução dos velhos preconceitos de sempre: “ao povo, qualquer coisa serve”. E o direito vira ajuda, e a política pública, benesse. E não é só o valor de repasse ao Ponto de Cultura. Cultura Viva é um ecossistema. Tem Ações. Cultura e Saúde, Cultura Digital, Economia Viva, Pontinhos, Griôs (o termo sequer era popularizado à época, foi através da Cultura Viva que o reconhecimento e respeito). Por isso não é possível falar em retomada. Penso até que seria melhor mudar o nome do programa para alguma sigla; burocratas adoram siglas. Ao menos não criaria a confusão quanto ao sentido e filosofia.

Voltando ao adiamento da Teia. De algum tempo eu decidi não me pronunciar sobre a Cultura Viva em sua gestão atual. Por vezes sou convidado a palestras e entrevistas, não me furto, mas prefiro ficar no campo da filosofia e história e não mais do dia a dia. Estou feliz assim, voltando às minhas origens caipiras, morando no interior, escrevendo de pé descalço e olhando para uma mata que arrodeia o meu quintal. Porém, como recebi vários telefonemas e mensagens indignadas quanto ao adiamento, sobretudo por ter acontecido por mal planejamento e incapacidade, vários sentimentos voltaram à baila. Tristezas e injustiças entaladas na alma e que por um lampejo voltam. Por isso escrevo.

Dediquei muito de minha vida à formulação e implantação da Cultura Viva e dos Pontos de Cultura, foram décadas. Não me arrependo de nada e faria novamente. No entanto, o êxito da Cultura Viva no Brasil e no mundo, foi, ao menos da parte do governo que deveria ter sido de continuidade em 2011, foi a razão de tentarem me colocar sob assédio e ostracismo. Desconstruções e assédios violentos, intencionais e maldosos. Em parte, por incompreensão e incapacidade em seguir com o programa no mesmo ritmo, em parte por mediocridade e mesquinharia, em parte por poder; também por conta dos horizontes de autonomia e soberania popular que se abriam, sobretudo com a ousadia que tivemos com a Cultura Digital (hoje percebo que esse também foi um fator relevante, e em outro momento, se houver interesse, posso explicar). O fato é que produziram intrigas, mentiras, desmontes. Valeram-se do poder para ofender e afastar. Falsificaram depoimento meu, quando me convidaram para esclarecimentos sobre um edital e deram uma lista de presença para que eu assinasse, que depois foi juntada a uma ata sem que eu tivesse sido notificado do conteúdo. Essa ata alicerçou uma sindicância contra mim, isso em 2012. Pior, a comissão de sindicância, após meses, reconheceu que não havia nada irregular a dar prosseguimento ao processo. No dia seguinte foram trocados e substituídos por outra comissão que ignorou todo o apurado. Daí o processo foi encaminhado para a Controladoria Geral da União, em 2013. Alguém tem ideia do que é ter 82 auditores da CGU investigando à lupa os contratos assinados? Novamente não encontraram nada de substancial. Daí outra comissão teve que mentir e inventar novas “irregularidades”, todas irrelevantes, mas que davam a impressão de algo enorme. Com isso me encaminharam para um PAD (processo administrativo disciplinar) e foram mais cinco anos de assédio. Que ao final terminou inconcluso e eu sequer tive acesso ao resultado, a despeito de iniciado em 2014. Com isso eu voltei a ter asma (que tenho desde criança, mas que havia curado), minha esposa teve psoríase (descolamento da unha por fundo nervoso), e outros danos a familiares. A bem da verdade só tive paz sob o governo Temer (olha só a ironia), antes, negavam-se a me receber, eu era ofendido, humilhado e atacado na surdina. Ao fim, a vida me levou ao mundo e fui muito bem acolhido fora do Brasil, mas em meu país e sob um governo que eu apoiei, foi assim que aconteceu. Com a retomada em 2023, o mesmo assédio. Com menos ímpeto, porque o tempo havia passado, mas com muita intriga e silenciamento. Em 2024, quando comemorados os 20 anos da Cultura Viva, eu recebi 11 desconvites. Onze. Agentes culturais me convidavam para algum encontro ou palestra e depois, constrangidos, desconvidavam. Até para o Enecult, em que houve um conjunto de mesas sobre a Cultura Viva eu fui afastado (mas dois dias antes do encontro, constrangido, o organizador encaminhou uma mensagem dizendo que eu poderia acompanhar as atividades, na Bahia; foi patético). Enfim...

O que tenho a dizer sobre isso tudo? Não sei. Mas senti vontade em dizê-lo. Viver sob assédio, ainda mais por tanto tempo e sob podres poderes, é muito duro.  

PS - escrito em um fôlego só, sem revisão (do contrário eu apagaria), mas sentindo-me aliviado. A partir de agora esse é um assunto encerrado pra mim.

Nota do editor do blog- O texto escrit0 chegou ao nosso conhecimento no horário da manhã. No horário da noite o Ministério da Cultura divulga a nota abaixo:

A Teia Nacional dos Pontos de Cultura tem nova data: maio de 2026

Alteração foi anunciada nesta quinta-feira (5) pelo Ministério da Cultura e a Comissão Organizadora

Publicado em 05/03/2026 21h00 Atualizado em 05/03/2026 21h07


O Ministério da Cultura (MinC) informou nesta quinta-feira (5) a nova data da 6ª Teia Nacional – Pontos de Cultura pela Justiça Climática. O evento, considerado o maior encontro dos pontos de cultura do país, ocorrerá de 19 a 24 de maio de 2026, no Espírito Santo, no município de Aracruz. Em breve, será aberto o credenciamento dos participantes.

Segundo o comunicado oficial da Comissão Organizadora, composta por governo e sociedade civil, o objetivo da mudança é garantir a plena realização da programação cultural e artística do evento, com segurança, acolhimento e qualidade de recepção do público envolvido e o atendimento de suas especificidades.

Apesar da mudança no calendário, o planejamento da programação e as parcerias institucionais permanecem inalterados. Além disso, a primeira etapa do processo — que envolveu fóruns e Teias estaduais em 26 unidades da federação — já foi concluída e, portanto, segue com os mesmos prazos para o envio dos relatórios.

A Comissão Organizadora ressalta ainda que, pela primeira vez na história das Teias, o evento conta com uma articulação entre os três níveis federativos (União, Estados e Municípios) e a sociedade civil. Esta edição é marcada também pela forte integração com o território capixaba. O evento prevê uma interação direta com 12 aldeias indígenas (etnias Tupiniquim e Guarani); comunidades quilombolas da região e a rede local de pontos e pontões de cultura.

O tempo adicional de preparação contribuirá para uma escuta mais qualificada dos fazedores de cultura; a promoção de ações formativas para as delegações, a organização de fóruns regionais e o alinhamento entre os diversos atores e parceiros envolvidos.

O principal objetivo da 6ª Teia Nacional é ser um espaço de articulação, participação social e construção da Política Nacional de Cultura Viva (PNCV), que há mais de 20 anos reconhece entidades e grupos culturais comunitários.

Serviço

Para esclarecimentos adicionais, entre em contato pelo e-mail: teia2026@cultura.gov.br.


     COMUNICADO DE NOVA DATA DA

6ª TEIA NACIONAL – PONTOS DE CULTURA PELA JUSTIÇA CLIMÁTICA

1. A Comissão Organizadora da 6ª Teia Nacional – Pontos de Cultura pela Justiça Climática, (Portaria SCDC/MinC n° 13 de 29.12.2025), com vistas a assegurar as condições adequadas para a realização do evento, informa que a 6ª Teia será realizada no período de 19 a 24 de maio de 2026, no estado do Espírito Santo, município de Aracruz.

2. A decisão foi adotada a partir de criteriosa avaliação do contexto político- institucional e operacional vigente, quando foram identificados entraves operacionais incontornáveis relacionados à logística, que inviabilizam a plena realização da programação cultural e artística, com os níveis necessários e adequados de segurança, acolhimento e qualidade de recepção, considerando o perfil do público envolvido e as especificidades das suas demandas.

3. Todo o planejamento de programação da Teia e as parcerias institucionais seguem inalterados, com destaque que, pela primeira vez, temos a articulação dos três níveis federativos e da sociedade civil, além de importantes parcerias no território, e a interação com a rede local de pontos e pontões de cultura, em especial com as doze aldeias indígenas (etnias Tupiniquim e Guarani), bem como as comunidades quilombolas, que integram as ações de cooperação com ensino, pesquisa e extensão, e a formação de agentes cultura viva.

4. Vale destacar que a primeira etapa da Teia Nacional, com a realização de fóruns e teias estaduais e distrital foi realizada com sucesso em 26 unidades da federação, permanecendo os mesmos prazos para o envio dos relatórios, e que a ampliação do tempo de preparação permitirá uma escuta mais qualificada, maior articulação colaborativa, com ações formativas para as delegações, realização de fóruns regionais, alinhamento entre os diversos atores envolvidos e agregação de parceiros. O principal  objetivo desse encontro é ser um espaço de articulação, participação social e construção da Política Nacional de Cultura Viva do tamanho do Brasil.

5. Cientes dos desafios que se apresentam na realização desse importante projeto coletivo, apresentamos nossas desculpas pela alteração do cronograma, reiterando o compromisso da Comissão Organizadora em envidar todos os esforços necessários para o êxito e a efetividade da 6ª Teia Nacional e dos respectivos fóruns nacionais, fortalecendo a Cultura Viva como política pública estruturante, de base comunitária, no âmbito do Sistema Nacional de Cultura, promotora de direitos culturais, cidadania e desenvolvimento territorial.

6. Por fim, agradecemos a compreensão e o apoio de todas as instituições, ponteiros e ponteiras, reconhecendo que, embora a decisão possa gerar impactos operacionais pontuais, ela se orienta pelo princípio do interesse público, visando garantir a qualidade, a segurança, o cuidado com as pessoas e a legitimidade do evento. Seguimos enfrentando os desafios com responsabilidade e resiliência, certos de que a construção coletiva se fortalece com o apoio e a parceria de todos, e sempre com foco na efetividade dos resultados desse importante momento da rede Cultura Viva.

7. A Comissão Organizadora coloca-se à inteira disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais que se fizerem necessários, por meio do endereço eletrônico teia2026@cultura.gov.br e no site www.gov.br/culturaviva/pt-br/rede-cultura-viva/teia- 2026/6a-teia-nacional-dos-pontos-de-cultura.

Saudações culturais, Viva a Cultura Viva!

Comissão Organizadora da 6ª Teia Nacional – Pontos de Cultura pela Justiça Climática

 Em meio ao clima de tensão dessa tarde, aguardando a decisão final de uma reunião do Ministério da Cultura com a Comissão Nacional dos Pontos de Cultura as duas canções abaixo foram lembradas em duas  conversas via whatsapp.









quarta-feira, 4 de março de 2026

O documentário “Aracaju, sua história e seus encantos: Um passeio com Vovô Ernesto” tem sessão especial de lançamento em 9 de Março. #HistóriadeAracaju

 

Aracaju, sua história e seus encantos: Um passeio com Vovô Ernesto

Com a proximidade do aniversário de Aracaju, a capital sergipana recebe um presente à altura da sua história. O documentário “Aracaju, sua história e seus encantos: Um passeio com Vovô Ernesto”, inspirado no livro Aracaju – A Mudança da Capital, dos autores Antônio Wanderley e Marcos Vinícius, chega à fase final de edição e será lançado oficialmente em duas sessões distintas: uma para o público geral e outra voltada a gestores da educação.

A produção, promovida pelo Portal Quando Acontece, da Plena Comunicação, propõe um mergulho sensível, educativo e afetivo pela formação e pelas transformações da capital ao longo das décadas e busca aproximar novas gerações da história local por meio de uma narrativa envolvente e pedagógica.

Programação do lançamento

🎞️ Sessão para o público geral

📍 Espaço Alquimia Cultural

📌 Rua Dep. Euclides Paes Mendonça, 560 – Aracaju/SE

🗓 09 de março de 2026 (segunda-feira)

⏰ 8h00

🎓 Sessão especial para gestores das escolas estaduais de Aracaju

📍 Centro de Excelência John Kennedy – Rua dos Estudantes, 570 – Getúlio Vargas, Aracaju/SE

🗓 09 de março de 2026 (segunda-feira)

⏰ 10h00 

📽️ Uma história que conecta gerações

O filme tem como fio condutor o carismático personagem Vovô Ernesto, interpretado pelo ator Cezar Leite. Na trama, três crianças recebem a missão de realizar um trabalho escolar sobre a cidade e contam com a ajuda do avô, um jornalista aposentado que as guia por uma verdadeira expedição histórica e afetiva.

Ao longo da narrativa, o roteiro percorre pontos emblemáticos como a Colina do Santo Antônio, a Ponte do Imperador, a Praça Fausto Cardoso, os Mercados Municipais, o Largo da Gente Sergipana, a Orla de Atalaia e o Farol da Farolândia, além de bairros tradicionais como América, Jabotiana e Siqueira Campos.

Mais do que apresentar cartões-postais, o documentário resgata memórias afetivas e histórias populares que ajudaram a construir a identidade aracajuana.

📚 Educação e ampliação de perspectivas

A proposta é que o documentário seja utilizado como ferramenta pedagógica no ensino da história local, fortalecendo o sentimento de pertencimento e ampliando o diálogo entre comunicação, escola, turismo e comunidade.

Junior Fontes, diretor da Plena Comunicação e idealizador do projeto, destaca que a obra nasce da necessidade de ampliar o acesso a conteúdos sobre a história de Sergipe e de aproximar as novas gerações das próprias raízes.

Com este lançamento, o Portal Quando Acontece reafirma seu compromisso com conteúdos autorais, educativos e culturais — em um momento simbólico para a capital sergipana.


Por que cultura digital interessa a todos os tipos de Pontos de Cultura não apenas aos especializados na temática? #CulturaDigital

Fiquem atentos - Aguardemos o encontro virtual com integrantes de Pontos e Pontões de Cultura envolvidos e/ou interessados na questão da cultura digital. Uma espécie de Pré-Fórum que antecede ao V Fórum Nacional dos Pontos de Cultura que será realizado nos dias 24 e 25 de março de 2026, no município de Aracruz, no Espírito Santo, durante a 6ª Teia Nacional.

Acompanhe o blog da cultura para receber mais informações sobre data e horário. 

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A cultura digital não é apenas um "tema" ou uma categoria técnica; ela é o meio ambiente onde a sociedade acontece hoje. Para os Pontos de Cultura, ela interessa por três razões principais: 

Visibilidade e Rede: Sem o digital, a produção de uma comunidade local fica restrita geograficamente. A cultura digital permite que um Ponto de Cultura no interior se conecte com outros ao redor do mundo, trocando tecnologias sociais e fortalecendo o movimento.

Memória e Registro: Ferramentas digitais facilitam o arquivamento de tradições orais, festas populares e saberes ancestrais. Digitalizar esse patrimônio garante que ele não se perca e possa ser transmitido para as novas gerações.

Gestão e Autonomia: O domínio de ferramentas digitais (softwares livres, edição de vídeo, redes sociais) dá autonomia financeira e administrativa. O Ponto deixa de depender de intermediários para divulgar suas ações ou gerir seus recursos. 

Em resumo, a cultura digital é uma ferramenta de cidadania que potencializa a identidade de qualquer grupo, seja ele de capoeira, artesanato ou teatro.

Existem diversas ferramentas gratuitas e de código aberto (software livre) que ajudam na gestão, na criação e na preservação da memória de um Ponto de Cultura. Aqui estão as principais divididas por necessidade:

Exemplos em software livre

O uso de software livre é um pilar da cultura digital porque garante que o Ponto de Cultura seja dono da sua própria tecnologia, sem depender de assinaturas caras. Abaixo, listei exemplos práticos divididos por utilidade:

1. Criação e Edição de Conteúdo

Para produzir vídeos, cartazes e áudios com qualidade profissional:

Kdenlive ou Shotcut: Editores de vídeo robustos e gratuitos que substituem programas pagos.

GIMP: A principal alternativa ao Photoshop para edição de fotos e criação de identidades visuais.

Audacity: Ferramenta clássica e simples para gravar entrevistas, podcasts e músicas da comunidade.

Inkscape: Ideal para criar logotipos e desenhos vetoriais (que não perdem qualidade ao aumentar para banners, por exemplo). 

2. Gestão e Mapeamento Cultural

Ferramentas desenvolvidas especificamente para o contexto brasileiro:

Mapas Culturais: É o software livre brasileiro mais importante para gestão pública e comunitária da cultura. Ele permite cadastrar agentes, espaços e eventos em uma plataforma colaborativa.

LibreOffice: Suite completa (editor de texto, planilhas e apresentações) que substitui o Microsoft Office. 

3. Preservação de Memória e Acervos

Para organizar a história do seu Ponto de Cultura:

Tainacan: Um plugin brasileiro para WordPress que transforma sites em repositórios digitais de acervos, muito usado por museus e bibliotecas.

Biblivre: Software gratuito e livre para gestão de bibliotecas comunitárias, facilitando o empréstimo de livros e a catalogação.

Omeka: Plataforma focada em criar exposições virtuais e arquivos digitais de coleções históricas. 

4. Internet e Comunicação

WordPress.org: A versão livre do WordPress permite criar sites completos e blogs para divulgar as atividades do Ponto sem ficar preso a redes sociais comerciais.

Firefox e Thunderbird: Navegador e gerenciador de e-mails seguros e que respeitam a privacidade dos dados da organização. 




terça-feira, 3 de março de 2026

Politica Nacional de Cultura Aldir Blanc e Midia Livre - Neri Silvestre , Célio Turino e Zezito de Oliveira #Lei Aldir Blanc2

Em algum momento histórico, tivemos que criar nossas próprias mídias, ou o que era chamado de “imprensa nanica”. Esse movimento consolidou-se como uma iniciativa diversa de contra-informação nos anos 1990 e 2000, com o fortalecimento da internet.

E agora, com a Politica Nacional de Cultura Aldir Blanc, nós, do movimento social das culturas, temos a oportunidade de criar essa dimensão na lei, em todos os estados e municípios: estabelecer editais para mídia livre comunitária, para fazer o contraponto à mídia oficial, colocar em evidência pessoas, coletivos, pontos de cultura, artistas e trabalhadores locais.

Trata-se de enfrentar nossa invisibilidade, criando condições para sermos vistos, e também colocar nossas voz e vezes na boca do povo, a partir do olhar do próprio território, e fomentar a construção de um movimento local de mídias livres, em todos os seus formatos.

NERI SILVESTRE

Pontos de Mídia Livre: por que resgatá-los?

Um de seus criadores narra como política pública surgiu, em 2008, e criou um efervescente universo de mídias independentes. Mesmo experimental, diz, mostrou a importância da aliança entre Cultura e Comunicação, tão necessária, hoje, em tempos de desinformação

CÉLIO TURINO


Abaixo, contextualização e detalhamento com IA Gemini

|Política Nacional de Cultura Viva (PNCV), instituída pela Lei nº 13.018/2014, possui um alto potencial para fomentar Pontos e Pontões de Cultura Digital e Mídia Livre, agindo como um catalisador de soberania tecnológica, democratização da comunicação e descentralização do acesso à produção cultural. Ao reconhecer a Cultura Digital como um de seus eixos temáticos fundamentais, a PNCV transforma coletivos comunitários em agentes ativos de produção de conteúdo, utilizando software livre e ferramentas colaborativas para combater a exclusão digital e fortalecer a diversidade cultural. 

Principais Potenciais da PNCV no Fomento à Cultura Digital e Mídia Livre:

Infraestrutura e Capacitação (Pontões de Cultura Digital): Os Pontões de Cultura temáticos, como o de Cultura Digital e Mídia Livre, mapeiam e capacitam os Pontos de Cultura em todo o país. Eles entregam ferramentas de gestão, comunicação e produção cultural colaborativa, oferecendo uma alternativa à dependência das Big Techs e fortalecendo a soberania digital do Brasil.

Acesso a Recursos Financeiros (Edital Cultura Viva): A política facilita o repasse de recursos federais, estaduais e municipais para projetos de cultura digital, com alto investimento previsto (ex: R$ 47,25 milhões para Pontões em 2025). Isso viabiliza a compra de equipamentos e a manutenção de estúdios comunitários de mídia livre.

Democratização da Produção (Mídia Livre): A PNCV potencializa "Pontos de Mídia Livre" que atuam como "pontos-cruz" na rede, permitindo que comunidades periféricas e tradicionais produzam sua própria narrativa, fugindo da mídia dominante. Exemplos incluem coletivos que utilizam o "Fediverso" para redes sociais e estúdios livres para produção audiovisual.

Desburocratização (Termos de Compromisso): A Lei Cultura Viva simplifica os processos de prestação de contas, facilitando o acesso de coletivos com pouca estrutura jurídica a recursos públicos, permitindo que Pontos de Cultura foquem na produção de conteúdo e não na burocracia.

Rede e Colaboração: A política incentiva a formação de uma rede colaborativa, onde o conhecimento sobre tecnologias livres e a produção de mídia livre é compartilhado, garantindo a autonomia dos coletivos e a sustentabilidade das práticas culturais. 

 Em suma, a interseção entre a Cultura Viva e a Cultura Digital fortalece o protagonismo de base comunitária, promovendo a apropriação tecnológica por populações em vulnerabilidade social. 

Começa Mapeamento Nacional dos Pontos de Cultura Digital e Mídia Livre

Trabalho faz parte da meta dois do projeto e contribuirá para atualizar e ampliar a base de dados do MinC
Pontão de Cultura Digital
Qualificação tecnológica da Rede Cultura Viva

Pontos de Cultura debatem políticas digitais e mídia livre para o setor

Gratuito e aberto ao público, I Encontro Nacional da Rede Sacix será realizado de 21 a 23 de maio, no Centro MariAntonia da USP, em São Paulo.

Comitê Gestor do Pontão Cultura Digital, Comunicação e Mídia Livre fortalece a soberania digital dos Pontos de Cultura

https://colaborativas.net/comite-gestor-do-pontao-cultura-digital-comunicacao-e-midia-livre-fortalece-a-soberania-digitaldos-pontos-de-cultura/

PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO MATERIAL E IMATERIAL ATRAVÉS DA CULTURA DIGITAL DENTRO DA CULTURA VIVA COMUNITÁRIA.

https://www.enecult.ufba.br/modulos/submissao/Upload-699/152464.pdf

Redes das Produtoras Colaborativas inicia Qualificação Digital Nacional dos Pontos e Pontões de Cultura

Qual a importância do trabalho politico pedagógico com cultura digital junto as populações periféricas e marginalizadas do Brasil nesse momento histórico?

Fonte IA ICL - Oráculo 

03/03 • 15:40

Essa é uma pergunta extremamente relevante e atual. Vou buscar nas aulas do ICL o que nossos professores abordam sobre cultura digital, educação e populações periféricas.. Que pergunta potente! Vou compartilhar o que nossos professores abordam sobre esse tema crucial. Encontrei conteúdos muito relevantes que conectam educação digital, democratização do acesso e pedagogia crítica:

Educação Digital e Formação Crítica

Fernando Horta, no curso "Soberania Digital: Um Novo Cenário Internacional", enfatiza que a educação digital deve ser prioridade neste momento histórico. Ele destaca três pilares fundamentais: acesso, democratização e formação crítica. Segundo Horta, "devemos investir mais nesse processo de educação digital" - não apenas como alfabetização técnica, mas como ferramenta de emancipação.

Aula 09 – Tecnologia geração de valor e geopolítica - 88:51

Democratização do Acesso à Informação

César Pereira, no curso "Sociedade Digital: tecnologias, informação e desafios", aborda a importância da democratização do acesso, da comunicação e do uso da informação. Ele afirma: "Estamos democratizando o acesso à informação" - mas isso precisa vir acompanhado de formação crítica para que as populações marginalizadas possam não apenas consumir, mas também produzir conhecimento."

Aula 07 – Conhecimento e Inovação - 2:43

Educação Libertadora e Contexto Digital

O curso "Paulo Freire: Educar e Esperançar" traz fundamentos essenciais para pensarmos o trabalho político-pedagógico com cultura digital. A educação libertadora de Freire é crucial neste momento porque:

Propõe uma educação comprometida com a superação da opressão

Valoriza o diálogo e a construção coletiva do conhecimento

Busca a autonomia e conscientização crítica dos educandos

Aula 04 – Pedagogia do oprimido (Parte I) - 47:09

Formação para o Uso Consciente

Nara Helena, no curso "Adolescentes e Crianças on-line", reforça: "É importante falar cada vez mais sobre a educação digital, a formação de fazer um bom uso dos aplicativos" - especialmente para populações que historicamente foram excluídas dos processos educacionais formais.

Aula 09 – Adolescência e saúde mental - 26:14

A importância neste momento histórico está em: garantir que as populações periféricas e marginalizadas não sejam apenas consumidoras passivas da cultura digital, mas protagonistas críticas, capazes de usar a tecnologia como ferramenta de libertação, expressão e transformação social - exatamente como Paulo Freire propunha com a alfabetização.


Para saber em detalhes sobre o Oráculo ICL, clique AQUI

Contra a guerra injusta e injustificada com o Irã. Editorial da revista jesuíta America. #Análise de Conjuntura

 03 Março 2026

"Qualquer pessoa com memória de 2003 e do período que antecedeu a segunda Guerra do Golfo contra o Iraque também se lembrará de outra lição que os Estados Unidos aprenderam da maneira mais difícil: as aventuras militares americanas no Oriente Médio tendem a terminar muito, muito mal", afirma a revista dos jesuítas americanos America, 02-03-2026, em editorial.

Segundo o editorial, "não há dúvida de que estamos enfrentando uma emergência nacional e internacional enquanto as bombas continuam a cair. Embora ainda tenhamos esperança de um retorno à diplomacia e ao respeito pelo Estado de Direito, também enfrentamos o pior cenário possível, apropriadamente descrito pelo Papa Leão XIV logo após o início dos ataques: o de que não seremos capazes de “assumir a responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável”.

Eis o editorial.

O Oriente Médio mergulhou mais uma vez em conflitos e incertezas — e o principal culpado é o presidente americano que prometeu acabar com o hábito dos EUA de se envolver em “guerras intermináveis”: Donald J. Trump. Ao se unir a Israel para executar o assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, Trump ignorou a lei americana e envolveu o país em uma guerra por sua própria conta e risco. Ele também continua ignorando os custos e os riscos de desestabilizar a já frágil ordem internacional. Como os editores disseram sobre seu aventureirismo na Venezuela há apenas dois meses: “Intervenções militares sem princípios e imprevisíveis tornarão os conflitos regionais mais duradouros e destrutivos”.

É evidente que a oposição ao ataque conjunto EUA-Israel ao Irã não significa, de forma alguma, um endosso ao atual regime iraniano, como se apenas duas opções ruins fossem possíveis: destruir o regime violentamente ou apoiá-lo. Décadas de regime totalitário e a violenta repressão de protestos civis, combinadas com o apoio a guerras por procuração destinadas a minar a estabilidade da região e o desrespeito às resoluções da ONU sobre o desenvolvimento de armas nucleares — juntamente com frequentes apelos à destruição literal dos Estados Unidos e de Israel — fizeram com razão do regime iraniano um pária. Mas reconhecer essa realidade não justifica a mudança de regime pela força, nem torna esse resultado praticamente alcançável.

O cálculo político do governo Trump até agora sugere uma disposição para que os fins justifiquem os meios: uma vez que a oportunidade de eliminar a liderança iraniana por meio de ataques de decapitação se apresentou, era uma oportunidade imperdível, independentemente do que estivesse acontecendo na mesa de negociações. No entanto, esse raciocínio não apenas deixa de atender aos critérios para ação militar em qualquer formulação da teoria da guerra justa ou do direito internacional, como também falha no teste do bom senso. Qual é o fim que supostamente justifica esses meios perigosos e imprevisíveis?

Será uma mudança de regime, como disse o Sr. Trump em duas mensagens de vídeo no fim de semana, após o início dos ataques aéreos? Será uma nova tentativa de destruir o programa nuclear iraniano, após os ataques deste verão? A eliminação de qualquer ameaça de mísseis aos Estados Unidos e a Israel? Ou, como disse o secretário de Defesa Pete Hegseth em uma coletiva de imprensa esta manhã, o objetivo é simplesmente transmitir a mensagem: “Se vocês matarem americanos, se ameaçarem americanos em qualquer lugar do mundo, nós os caçaremos sem remorso e sem hesitação, e os mataremos”? Não está claro que alguém no governo dos EUA — e certamente não na comunidade internacional — saiba qual é o objetivo final.

Qualquer pessoa com memória de 2003 e do período que antecedeu a segunda Guerra do Golfo contra o Iraque também se lembrará de outra lição que os Estados Unidos aprenderam da maneira mais difícil: as aventuras militares americanas no Oriente Médio tendem a terminar muito, muito mal. Essa segunda guerra resultou em enormes baixas civis e militares e praticamente levou o Estado iraquiano à falência. Mesmo hoje, um quarto de século depois, o Iraque permanece uma nação fragmentada e violenta. Enquanto isso, as forças americanas permaneceram em solo iraquiano por décadas após o presidente George W. Bush declarar "Missão Cumprida". A ação americana contra o Iraque em 2003 também contribuiu para a ascensão do Estado Islâmico e a subsequente Guerra Civil Síria, deixando também aquele país devastado.

Em 2003 (e em 1991), o governo dos EUA procurou convencer seus próprios cidadãos e a comunidade internacional, incluindo o Vaticano, da necessidade de intervenção militar no Iraque antes de realizar a invasão propriamente dita. Mesmo em 2003, quando os Estados Unidos agiram com uma coalizão de nações muito menor do que em 1991 e com base no que mais tarde se revelou ser uma evidência exagerada de um programa de armas nucleares iraquiano, o governo de George W. Bush ao menos seguiu os trâmites para obter alguma autorização do Congresso e consenso internacional antes da intervenção militar. Desta vez, o Sr. Trump não fez tal tentativa.

Talvez reconhecendo que não receberia o apoio do Congresso, especialmente à luz das deserções públicas de Rand Paul e outros republicanos proeminentes, o Sr. Trump optou por não se dar ao trabalho. Tampouco tentou apresentar argumentos públicos ao povo americano, do qual apenas um a cada quatro apoia os ataques ao Irã, ou à comunidade internacional.

Existe alguma saída para esse impasse moral e jurídico? Dado que a capacidade do Sr. Trump de iniciar uma guerra supera em muito sua capacidade de terminá-la, o que os Estados Unidos devem fazer em relação ao Irã daqui para frente, agora que assassinaram grande parte de sua liderança sênior, mas não possuem uma maneira viável de fortalecer qualquer alternativa ao regime atual?

O primeiro passo é que o Sr. Trump pare — ou que o Congresso o impeça — de conduzir esta guerra de forma desordenada, com objetivos obscuros e irrealistas. É necessária uma cooperação bipartidária robusta em resposta às ações do presidente: um debate aberto e irrestrito no Congresso, que inclua as vozes francas de legisladores republicanos se manifestando contra a guerra, poderia convencer o Sr. Trump a retornar à mesa de negociações e a formular um plano que ele possa defender perante os aliados, tanto nacionais quanto internacionais. Infelizmente, os Estados Unidos provavelmente precisarão planejar o fim deste conflito sem depender dos aliados ocidentais. Não podemos contar com a comunidade internacional, em grande parte porque, nos últimos 15 meses, a maior parte da comunidade internacional aprendeu a parar de contar conosco.

Não há dúvida de que estamos enfrentando uma emergência nacional e internacional enquanto as bombas continuam a cair. Embora ainda tenhamos esperança de um retorno à diplomacia e ao respeito pelo Estado de Direito, também enfrentamos o pior cenário possível, apropriadamente descrito pelo Papa Leão XIV logo após o início dos ataques: o de que não seremos capazes de “assumir a responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável”.

Leia o texto na fonte original IHU.

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https://outraspalavras.net/geopoliticaeguerra/o-plano-delirante-e-os-riscos-de-trump-e-netanyahu/

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Por dentro do Irã. Por César Benjamin e Natalia Maia Calfat



O velório coletivo das 160 meninas mortas no ataque de Israel ao Irã, com os corpos envoltos em mortalhas brancas, cada um acompanhado por fotografias e flores, enquanto familiares se despedem em meio à dor e ao luto. Uma cena devastadora que expressa a dimensão humana de uma tragédia.

A III GUERRA PODE TER COMEÇADO ESTA SEMANA
Como os negociadores dos EUA bloquearam a proposta de paz de Teerã. Por que Washington joga com a disparada do petróleo, que golpeará o Sul Global e a China. Qual a importância de considerar, desde já, nova ONU e novo Tribunal de Nuremberg
Por Michael Hudson

Nesta edição: Irã, mídia e hipocrisia | Ciberguerras: o que a China entendeu antes do Sul Global | Juros, a despesa que nunca termina | Os limites da “participação” brasileira, num poema mordaz | De onde virá o dinheiro para a Soberania Digital | Uma visão sobre a Política de Especialidades do SUS

O que significa ser muçulmano? Fé e identidade

O Islã reúne fé, tradição e um conjunto de práticas que moldam a vida de milhões de seguidores no mundo.


https://revistaforum.com.br/cultura/o-que-significa-ser-muculmano-fe/


domingo, 1 de março de 2026

A astúcia lulista: sobrevivência molecular que mantém o campo popular vivo onde a ruptura seria aniquilação. Por Sérgio Alarcon #Análise de Conjuntura

"A astúcia do lulismo não é uma ideologia, mas uma inteligência prática de sobrevivência e transformação molecular que, ao navegar pelas restrições estruturais do Brasil, reconfigura o sensível e mantém vivo o campo popular onde a ruptura frontal seria aniquilação".

Eu não conheço ninguém que tenha conseguido reverter uma Lei Magnitsky” - Eduardo Bolsonaro

Agora é só Maduro dedurar o Lula” - Nikolas Ferreira

Se o Lula não tivesse ganhado a eleição em 2022 o Brasil teria virado uma Venezuela.” - Pedro Ronchi, pós sequestro de Maduro.

Superar o lulismo é um debate inadiável” - Jonas Manoel. 

Há um modo recorrente de interpretar a política brasileira, especialmente a partir de setores da esquerda, que oscila entre duas leituras igualmente paralisantes. De um lado, a narrativa da derrota histórica da esquerda dita “revolucionária”: a guerrilha fracassada, a institucionalização sem ruptura, a degeneração pragmática do projeto dos anos 1970-1980. De outro, a crença resignada de que, diante do fascismo social e do cinismo organizado do Centrão, resta apenas apoiar Lula como último dique possível - ainda que esse dique pareça fazer parte do próprio sistema que produz o desastre.

Nessa leitura, a esquerda teria se entrincheirado num dogma defensivo (“é isso ou o pior”); o PT teria se tornado o oposto do que nasceu para ser; e Lula apareceria ora como vítima da correlação de forças, ora como seu engenheiro perverso - ao entregar rádios aos evangélicos, ministérios aos fisiológicos, espaço ao orçamento secreto, teria capitulado integralmente. O resultado seria um circuito fechado: Lula enfraquece a esquerda ao governar; ao enfraquecer a esquerda, torna-se a única alternativa; e assim se perpetua como gestor inevitável de uma ordem que não transforma.

Essa crítica é intelectualmente sofisticada, mas opera num único regime de inteligibilidade: o da macropolítica, da estratégia transparente, do programa coerente, do sujeito histórico reconhecível e da transformação como evento legível. É uma política pensada como se o Brasil fosse um espaço iluminista, no qual a razão pública se expressa por meio do debate racional, da disputa ideológica clara e de instituições minimamente estáveis.

É precisamente contra esse pressuposto que, mobilizando autores como Jacques Rancière, William James (e algo de John Dewey, seguindo certa tradição do pragmatismo) - e a noção de métis, tal como elaborada por Detienne e Vernant e reconectada por Deleuze e Guattari ao campo da micropolítica, tentarei demonstrar como, sob outra perspectiva, funcionam Lula e o lulismo. 

Acho que todos esse autores, a seu modo, deslocam a política do plano da norma para o da prática, da experiência e da invenção situada. Mas alguns dirão que se trata de uma verdadeira colcha de retalhos conceitual - e podem estar certos -, mas a gente tem que exercitar às vezes aquele procedimento que Deleuze ensinou: permitir nos guiar pelos “intersessores”; deixar-se conduzir por encontros heterogêneos, mesmo quando entre eles não se ofereça, à primeira vista, qualquer promessa de conciliação sistemática.

Rancière nos lembra que o ódio à democracia raramente se dirige, em primeiro lugar, às instituições formais. Ele se volta, sobretudo, contra aquilo que essas instituições são incapazes de controlar: a irrupção da igualdade em lugares onde ela não foi previamente autorizada. Para Rancière, democracia não designa um regime político estável, nem um arranjo institucional consolidado, mas o nome do escândalo que emerge quando aqueles que, segundo a ordem dominante, “não deveriam governar” passam a contar, a falar e a interferir no comum, no coletivo.

A política democrática, nesse sentido, não se apresenta como uma epopeia racional guiada por consensos ou procedimentos técnicos. Ela se manifesta como um deslocamento do sensível: uma perturbação daquilo que pode ser visto, dito e pensado. Ao romper a chamada “ordem policial” - isto é, a distribuição hierárquica dos lugares, das vozes e das competências - a democracia introduz um ruído, um excesso, um desacordo que desestabiliza as fronteiras do possível.

Já Deleuze e Guattari, ao retomarem a métis grega (uma retomada implícita, não literal), descrevem uma racionalidade “menor”, astuciosa, que opera nos interstícios e nas turbulências dionisíacas - não o logos soberano apolíneo, mas a inteligência dos que não controlam o jogo e sobrevivem criando desvios, atalhos, acomodações táticas. É a sabedoria da mãe que estica o orçamento familiar, do sindicato que arranca ganhos sem romper o pacto, do favelado que dribla o Estado policial e o mercado predatório ao mesmo tempo. Certamente não visa algo grandioso como uma teoria da emancipação última e grandiosa; mas é ciência da sobrevivência criativa, in acto, na realidade, pois in potentia, em potência, no porvir que se sonha, não há o pão que mata a fome aqui e agora…

Aplicada ao lulismo, essa dupla chave - rancieriana e deleuzo-guattariana - permite uma leitura materialista menos, digamos, “moralizante”. O lulismo não é, em primeiro lugar, uma ideologia nem um programa coerente: é um modo de operar que emerge de experiências concretas da classe trabalhadora brasileira ou, em outras palavras, um modo de produção desejante imediato, maquínico, molecular que  emerge a partir das fábricas do ABC, das comunidades eclesiais de base, dos sindicatos, e das periferias racializadas. Trata-se de uma política que aprendeu, na prática, que no Brasil a ruptura frontal quase sempre termina em aniquilação - política ou literal.

Nesse sentido, o lulismo não representa a derrota da geração fundadora, mas sua metamorfose num terreno em que a revolução clássica se tornou estruturalmente inviável. A vontade de transformação não desapareceu; ela se molecularizou, como diria Guattari. Ela se deu sob a forma de crédito popular, valorização real do salário mínimo, formalização do trabalho doméstico, expansão universitária massiva, isenção do imposto de renda para milhões, políticas de transferência de renda e a entrada concreta de dezenas de milhões de pessoas na vida econômica, simbólica e cidadã do país. Não são apenas reformas administrativas: são, no sentido deleuzo-guattariano, produção de subjetividade (ou, em termos rancierianos, é uma reconfiguração do sensível). Diria, para horror de alguns, um “Marx menor”, cartográfico, situacional, sensível às forças reais do campo onde efetivamente a luta é ao mesmo tempo real e possível - in actu e potentia.

Aqui o diálogo com o pragmatismo deweyano parece-me oportuno e direto: a democracia não é aplicação de princípios universais, mas aprendizagem coletiva experimental sob condições imperfeitas. O lulismo, nesse registro, é política experimental em contexto de restrição estrutural.

A crítica à suposta despolitização lulista falha em perceber que, nas periferias, a política não se realiza prioritariamente na linguagem do debate público ilustrado, mas na linguagem da vida que tenta se organizar. Quando a filha da faxineira entra na universidade, quando a doméstica tem carteira assinada, quando o jovem negro acessa um instituto federal, não se trata apenas de distribuição de benefícios: trata-se de reconfiguração do campo do possível, do sensível - exatamente o tipo de deslocamento que Rancière identifica como político, ainda que não se anuncie como tal.

Acusar Lula de “fabricar” a correlação de forças que o limita é atribuir-lhe um poder quase soberano que ele nunca teve. A estrutura brasileira - neopentecostalismo de massa, patrimonialismo, rentismo, violência policial, oligopólio midiático - precede e excede qualquer liderança individual. Lula não cria esse diagrama; ele navega nele. E navegar não é endossar: é praticar a métis necessária para que o campo popular não seja simplesmente esmagado.

Para a leitura que chamei de “moralista”, isso é acomodação. Para a leitura genealógica, pragmática e micropolítica, é lucidez trágica sobre o terreno real da luta. No Brasil, o herói que tenta romper frontalmente a correlação de forças é rapidamente triturado - os exemplos últimos de Jango, Marighella, ou mesmo Brizola e Dilma, são lembranças incômodas disso. A astúcia que desloca gradualmente a estrutura permanece viva, e com ela a própria possibilidade de conflito futuro.

A política brasileira nunca coube na narrativa da vanguarda heróica nem na da derrota total. Ela opera num regime híbrido, mestiço, micropolítico, experimental, ensaístico. Como sugerem Rancière, Dewey e Deleuze-Guattari, a democracia real não se apresenta como ordem estável nem como redenção final, mas como processo instável de abertura do campo do comum. No Brasil, essa abertura raramente vem como épico; surge como infiltração, rearranjo, invenção cotidiana.

Obviamente a métis não substitui a crítica - ela a torna, talvez, mais precisa. Sim, o lulismo está longe de ser revolucionário no sentido clássico. Sim, a esquerda institucional perdeu capacidade organizativa. Mas também é verdade que, sem a astúcia lulista, o campo popular teria sido devastado pela ofensiva fascista-oligárquica recente. Risco que, aliás, ainda existe.

"Este artigo acima reforça uma opinião que costumo expressar: se o nosso olhar do campo popular focar apenas na macropolítica, o pessimismo e o derrotismo prevalecem. Por outro lado, ao priorizarmos a micropolítica — o trabalho cotidiano e prático, sem perder a conexão com o todo — percebemos o quanto se pode avançar 'por baixo' das grandes estruturas. Isso nos livra da paralisia dos debates puramente intelectuais e elitistas, que criam uma perfeição virtual sem aderência à realidade complexa e contraditória em que o povo vive. É dessa base que retiro o combustível para continuar acreditando em transformações possíveis, mesmo que não tenham o alcance totalizante que desejaríamos."

Zezito de Oliveira


 Abaixo, via IA Deepseek 

Com base na leitura atenta do artigo fornecido, os autores citados e suas respectivas ideias ou conceitos (presentes de forma implícita ou explícita) são:

Autores Citados e Conceitos Associados

Jacques Rancière:

Ideia/Conceito: O "ódio à democracia" e a definição de política como "irrupção da igualdade".

Explicitação no texto: O autor usa Rancière para argumentar que a democracia não é um regime estável, mas o "escândalo" que ocorre quando aqueles que "não deveriam governar" passam a contar e a interferir no comum. Isso se conecta à análise do lulismo como uma "reconfiguração do sensível" — quando a filha da faxineira entra na universidade ou a doméstica tem carteira assinada, ocorre uma "perturbação daquilo que pode ser visto, dito e pensado", rompendo com a "ordem policial" (a distribuição hierárquica dos lugares).

William James:

Ideia/Conceito: Filiação ao Pragmatismo (ênfase na experiência e na prática).

Explicitação no texto: O autor menciona James ao situar seu argumento dentro de uma tradição que desloca "a política do plano da norma para o da prática, da experiência e da invenção situada". Serve como base para a crítica à visão "iluminista" da política.

John Dewey:

Ideia/Conceito: Democracia como "aprendizagem coletiva experimental".

Explicitação no texto: O autor conecta Dewey diretamente à sua tese, afirmando que "a democracia não é aplicação de princípios universais, mas aprendizagem coletiva experimental sob condições imperfeitas". Isso é usado para interpretar o lulismo como uma "política experimental em contexto de restrição estrutural".

Marcel Detienne e Jean-Pierre Vernant:

Ideia/Conceito: A noção de métis (a inteligência astuciosa, a sabedoria prática e adaptativa).

Explicitação no texto: Os autores são citados como a fonte original do conceito de métis, que é central para a argumentação. A métis é descrita como a "racionalidade 'menor', astuciosa, que opera nos interstícios" — a sabedoria da sobrevivência criativa, do desvio e da acomodação tática em situações adversas.

Gilles Deleuze e Félix Guattari:

Ideia/Conceito: Micropolítica, produção de subjetividade, "intercessores" e a retomada da métis.

Explicitação no texto:

Retomada da métis: Eles são mencionados por terem "reconectado" a métis "ao campo da micropolítica".

Intercessores: O autor utiliza o procedimento ensinado por Deleuze de se deixar guiar por "intercessores" (encontros heterogêneos) para construir seu argumento, mesmo que pareçam uma "colcha de retalhos conceitual".

Micropolítica e Produção de Subjetividade: O lulismo é interpretado como um "modo de produção desejante imediato, maquínico, molecular". A vontade de transformação, no lulismo, não desapareceu, mas se "molecularizou" (conceito de Guattari). As políticas sociais são vistas como "produção de subjetividade", transformando a vida concreta das pessoas.

Ideias e Conceitos Presentes sem Autoria Específica (ou como síntese do argumento)

Além dos autores citados, o texto mobiliza e contrapõe conceitos implícitos que são fundamentais para a argumentação:

Macropolítica vs. Micropolítica: Esta é a oposição central do texto. A crítica que o autor combate opera no regime da "macropolítica" (estratégia, programa coerente, sujeito histórico). A análise proposta opera no campo da "micropolítica" (práticas cotidianas, invenção situada, produção de subjetividade).

"Marx menor": O autor cunha essa expressão para descrever uma análise "cartográfica, situacional, sensível às forças reais do campo", em oposição a uma teoria da emancipação grandiosa e última.

Moralismo vs. Materialismo / Genealogia: O texto distingue a crítica "moralizante" (que vê o lulismo como traição ou derrota) de uma leitura "materialista", "genealógica" e "micropolítica" (que o vê como adaptação e luta pela sobrevivência em um terreno hostil).

Experiência histórica brasileira (Jango, Marighella, Brizola, Dilma): O autor usa esses exemplos históricos (de forma implícita) para defender sua tese: no Brasil, a "ruptura frontal" (tentativa de confrontar diretamente a correlação de forças) leva à aniquilação, validando assim a métis lulista como uma estratégia de sobrevivência e deslocamento gradual.