terça-feira, 16 de junho de 2026

MAGNIFICA HUMANITAS de LEÃO XIV: o processo histórico e a Doutrina Social da Igreja (I) -Por Padre José Soares - Arquidiocese de Aracaju

NO CAMINHO histórico da Doutrina Social da Igreja ou Ensino Social, deixamos a poeira baixar – é um ditado popular muito forte – para nos manifestar sobre a primeira encíclica do Papa Leão XIV. Vamos elaborar dois ou três textos que possam nos ajudar a debater pontos da história entre Leão XIII (1878-1903) e o atual pontificado de Leão XIV, destacando mais os traços que são importantes para a compreensão e discussão da encíclica no campo da Doutrina Social, com relevo para a política social. São pontos fundamentais para o atual contexto em que vivemos de desmonte da democracia e pouca leitura eclesial por parte da maioria das pessoas, incluindo o clero e fiéis que seguem a Igreja.

Fotografia de Gianni Novelli, publicada  na revista Mosaico di pace (julho-agosto de 1993), promovida pela Pax Christi.

No final do século XIX os desdobramentos da Revolução Industrial se espalharam por todo mundo e a Europa fervilhava de debates e protestos que apontavam para um novo tempo. É salutar recordar que Karl Marx já tinha elaborado o Manifesto Comunista em 1848 e a pergunta era: a Igreja não vai se manifestar? Com todo o fervilhar das teorias modernas, a Igreja tem algo a dizer? A Rerum Novarum - vejam a tradução, Coisas Novas – no ano de 1891, colocou a Igreja dentro dos embates na época e o Papa Leão XIII trouxe para o debate com essa encíclica um tema central: a questão operária. Vejamos o que acena Leão XIV: “Se, na sua época, Leão XIII falava de «novas questões» (rerum novarum), hoje não podemos simplesmente repetir os seus preciosos ensinamentos, mas devemos pedir a Deus a sabedoria para interpretar as grandes tendências do nosso tempo, em particular os progressos da técnica” (Magnifica Humanitas, n. 4).
NAS PEGADAS de Jesus e do seu evangelho, a Igreja não só pode, como deve debater questões de ordem social, cultural e política, pois ela está mergulhada no mundo e deve ser luz que ilumina e aponta caminhos, absorvendo as angústias e dores do tempo em que vivemos (Gaudium et Spes, n. 1). Uma Igreja com fisionomia querigmática, hospitaleira, samaritana, amorosa e profética. Talvez para alguns esses traços ficaram no passado, mas para os papas atuais eles são condizentes e merecem todo aprofundamento que faça ressoar a voz de uma Igreja saudável.
NAS PEGADAS do Papa Leão XIV, temos que abraçar as provocações da Rerum Novarum e perceber que existe um eixo – normalmente costumamos chamar de ‘continuidade’ no pensamento do magistério da Igreja – forte que une a D.S.I. a todo o pensamento teológico e que podemos sempre nos perguntar: o que trouxe de contundente (herança) a Rerum Novarum, para nosso tempo do séc. XXI? E o Papa Leão descreve na Magnifica Humanitas: “Com esse espírito, Leão XIII publicou, em 1891, a Encíclica Rerum novarum, cujo 135º aniversário celebramos este ano com viva gratidão. O meu amado Predecessor deu impulso, com este documento, àquela reflexão sobre a sociedade, a economia e a política a que hoje chamamos “Doutrina social da Igreja”. E quando alguns contestavam que a Igreja não devia desperdiçar energias em questões mundanas, mas preocupar-se em comunicar uma mensagem de vida eterna, ele respondia com realismo e sabedoria que o anúncio do Evangelho não pode esquecer a vida concreta dos povos” (n. 3).
QUEREMOS TAMBÉM dialogar com todos e todas sobre uma metáfora que utilizamos em algumas aulas e é fruto de nossas pesquisas e leituras. Trata-se das ‘janelas’ da Doutrina Social da Igreja’. Elas são os lugares de muita poesia, beleza e observação social, quando a realidade nos interpela e nos deixa atônitos; elas formam o quadro ideal para que a humanidade seja vista com realismo que apaixona; elas também mostram a dureza dos fatos e nos convidam a interferir na realidade para tentar melhorar. Foi assim que a sociedade e o mundo tornaram-se foco de observação para os papas, para uma legitima crítica social e política e para que a Doutrina Social se estabelecesse. Por isso, nesse primeiro momento podemos acenar para três ‘janelas’ muito importantes – nos próximos textos veremos outras com detalhes – e que são as seguintes:
1ª Janela: o pontificado de João XXIII com suas encíclicas Mater et Magistra (1961) e Pacem in Terris (1963). No caminho da compreensão da nova encíclica de Leão XIII, temos que resgatar as bases colocadas por S. João XXIII, o Papa Bom. O que nos interessa nessa janela não é tanto os detalhes das encíclicas, mas o fato de saber que o pontificado corajoso de Roncalli, representou um tempo de transição entre o pré-Concílio e a própria recepção do Concílio. No momento gritante da guerra fria entre EUA e URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), as palavras, a atuação corajosa e os documentos desse papa, foram fundamentais para minorar a possibilidade de uma terceira guerra. Cada época e cada tempo, como diz o Papa Leão XIV (Magnifica Humanitas, n. 1), mostra a pertinente atuação da Igreja e de sua Doutrina Social. A janela de João XXIII foi capaz de retomar a D.S.I e abrir caminhos de diálogo num mundo fraturado e marcado pelo ódio.
2ª. Janela: o próprio Concílio Ecumênico Vaticano II foi uma janela fundamental que ajudou a consolidar no séc. XX a Doutrina Social da Igreja. O Concílio deu a entender a todos e todas, que a base de atuação para a Igreja seria o diálogo e não a imposição de sua doutrina. Colocou no ecumenismo – Decreto Unitatis Redintegratio – e na Gaudium et Spes – a Igreja no Mundo de Hoje – boas colunas que provocaram na sociedade da época e depois do Concílio, a noção de que a Igreja jamais poderia se afastar das demandas sociais e políticas num mundo marcado pela tensão das guerras e pela fome. Doutrina Social é resposta contundente da Igreja que se preocupa com os últimos e os sofredores.
3ª Janela: a Constituição Gaudium et Spes. Fecharemos esse texto provando que a G.S. pode ser compreendida a parte na discussão da Doutrina Social. Encontramos em alguns números da constituição as respostas que a Igreja já deveria ter dado antes a sociedade; como os números 1, 6, e 22. E para concluir, vamos a uma bela relação com a encíclica Magnifica Humanitas que é a seguinte: as duas primeiras citações do Papa no documento, colocam de modo extraordinário a Gaudium et Spes. Diz o Papa, os cristãos devem olhar para o verbo encarnado e mudar a história sabendo que “o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente” (M.H., n. 1, citando a G.S., n. 22). E destaca no n. 2: “Desejamos entrar em diálogo com todos os homens e mulheres do nosso tempo, com os quais partilhamos os acontecimentos, as questões e as aspirações da humanidade”. Ele põe no documento a citação da G.S. n. 11, que põe as aspirações e as lutas atuais da humanidade, dentro da vontade de Deus e a Igreja deve enxergar esses desafios.
No próximo texto veremos mais duas janelas e o capítulo primeiro da nova encíclica.
P. José Soares de Jesus – CEBs de Aracaju e pároco na S. Pedro Pescador.
- G.S. (Gaudium et Spes. Constituição do Vaticano II).
- M.H. Magnifica Humanitas, Papa Leão XIV.

A fotografia é da grande manifestação contra os Euromísseis,   que ocorreu em Roma em 22 de outubro de 1983 e contou com a presença de um milhão de pessoas. Prevost, que havia sido ordenado sacerdote pouco mais de um ano antes (junho de 1982) e estudava Direito Canônico em Roma, estava na praça protestando pela paz junto com seus companheiros agostinianos, outros religiosos e diversos grupos cristãos. 

A fotografia, que também inclui Prevost, foi tirada por Gianni Novelli, um padre estigmatino, um “padre dissidente”, editor da revista Com-Nuovi Tempi , envolvido em comunidades cristãs de base (particularmente a Comunidade de São Paulo em Roma), fundador e por muitos anos presidente do Cipax (Centro Interconfessional para a Paz) e um incansável ativista pela paz que faleceu em novembro de 2023. Foi publicada pela primeira vez há mais de trinta anos na revista Mosaico di pace (julho-agosto de 1993), promovida pela Pax Christi, acompanhando uma entrevista sobre questões de paz com o padre agostiniano americano Robert Dodaro, professor de teologia no Instituto Patrístico “Augustinianum” em Roma. 

No final de novembro de 2025, Monsenhor Giovanni Ricchiuti, presidente nacional da Pax Christi, presenteou o Papa Leão XIV com a fotografia durante um encontro com o pontífice. Ele já se manifestava, portanto, pela paz e contra a guerra e o rearme no início da década de 1980.   Fonte: https://ilmanifesto.it/prevost-pacifista-in-piazza-storia-di-una-foto


Abaixo uma boa canção para introduzir a discussão da Enciclica "Magnifica Humanidade" em grupos de estudo, de formação, de debate e etc.. 



Reflexão sobre ciência e poder em “Queremos Saber”
Em “Queremos Saber”, Gilberto Gil utiliza referências à ciência moderna, como "antimatéria" e "raio laser", para levantar questões sobre quem realmente se beneficia dos avanços tecnológicos. No verso “Queremos notícia mais séria / Sobre a descoberta da antimatéria / E suas implicações / Na emancipação do homem / Das grandes populações”, Gil deixa claro que seu interesse está em como essas descobertas podem contribuir para a liberdade e o bem-estar das pessoas, especialmente das camadas mais pobres da sociedade. Ele critica a possibilidade de que o conhecimento científico seja usado apenas para reforçar desigualdades ou atender a interesses restritos.
A música adota um tom questionador ao exigir transparência e responsabilidade no uso das novas invenções, como em “Queremos saber o que vão fazer / Com as novas invenções”. O trecho “Prever qual o itinerário da ilusão / A ilusão do poder” serve de alerta para os perigos de se buscar poder por meio do conhecimento sem considerar as consequências éticas e sociais. Ao citar o “mistério da luz” e a “luz do disco voador”, Gil sugere que ainda há muito a ser compreendido, inclusive sobre fenômenos que fogem à explicação racional. Dessa forma, a canção se transforma em um apelo coletivo por acesso ao conhecimento, ética e reflexão, defendendo que o saber deve ser compartilhado e usado para o bem comum. Fonte:  https://www.letras.mus.br/gilberto-gil/335546/significado.html


sexta-feira, 12 de junho de 2026

🎬 Cineclube Realidade em Rosário do Catete: cinema, direitos humanos e o grito da terra

📅 11 de junho de 2026 | 📍 Escola Municipal Des. José Sotero Vieira Melo – Rosário do Catete/SE

👥 Público total: 85 participantes (com equipe)


⏰ Acordar mais cedo para valer a pena

Hoje, o Cine Realidade fez a terceira exibição programada para esta 15ª Difusão da Mostra Cinema e Direitos Humanos.

Para isso, precisei acordar e sair de casa mais cedo que o habitual. O mesmo aconteceu com a jovem assistente. Na companhia de duas professoras extremamente comprometidas com seu ofício, fomos para Rosário do Catete – cidade do interior de Sergipe, bem pertinho da capital, Aracaju.

Os filmes escolhidos pela professora Marta a partir dessa lista são primorosos. Assim como os dois principais exibidos nas sessões anteriores.

Na sessão de hoje, exibimos Pau D’Arco e Terra Doente. Sobre todos os quatro filmes, não posso deixar de dizer: a pertinência das temáticas, a qualidade técnica e artística e a curadoria estão de parabéns.

Zezito de Oliveira - Curador do Cine Realidade e Editor do Blog.

Abaixo - Com anotações realizadas por Iasmin Feitosa


🎞️ Turma 1 – 07h30 | 28 participantes

Filme: Pau D’Arco

Os alunos demonstraram grande concentração. O filme trouxe seriedade, profundidade e relatos reais sobre o assassinato de trabalhadores rurais por policiais militares no Pará..

💬 “O assassinato foi algo impactante e novo para mim.”

Pau D´Arco

89 min - PA - 2025 - 14 anos - Documentário

Perfil online: @docpaudarco @_ana_aranha_

Direção: Ana Aranha

Sinopse: 

Depois de sobreviver à chacina em que a polícia matou 10 trabalhadores sem-terra, a principal testemunha do crime e seu advogado lutam por justiça e pelo direito à terra. Ao seguir seus passos por sete anos na Amazônia Paraense, acontecimentos chocantes indicam uma possível tentativa de encobrir o crime.


🌿 Turma 2 – 09h | 27 participantes

Filme: Terra Doente

O documentário mostra a realidade sob o ponto de vista indígena, destacando:

  • A diferença de cuidado com a natureza entre indígenas e não indígenas
  • O medo da contaminação dos rios e animais por agrotóxicos e plantações excessivas de soja
  • O desmatamento em grande escala
  • O processo de reconstrução até reestabelecer o lar, a transferência de um local mais impactado pela agressão ao habitat dos indios para outro menos.. 

🗣️ “O rio que nos alimenta é a nossa vida.”

Os alunos assistiram com atenção, muitos fazendo anotações. A exibição terminou com muitos aplausos.

Depoimentos e relatos locais

Alunos trouxeram relatos da própria região:

  • Plantações contaminadas em Rosário do Catete
  • Aviões despejando agrotóxicos
  • Desmatamento na Mata Vermelha

⚠️ “Já pensaram onde os filhos e netos de vocês vão beber água? E na quantidade de doenças que estamos tendo por causa disso?”

Muitos responderam: “não”.

Sobre o que polui o rio, citaram: lixo e esgoto.


🔥 Turma 3 – 10h | 28 participantes

Filme: Terra Doente

Houve necessidade de uma breve orientação para concentração e seriedade. Depois desse momento, os alunos focaram nas cenas profundas e impactantes. O filme terminou com aplausos e comentários.

O que mais surpreendeu/impactou:

  • Cena do indígena pegando mamão num pé alto
  • Pinturas corporais e faciais
  • O fogo
  • Rituais e tradições
  • Pescar com a mão
  • O rio
  • A poluição nos rios e o “sabor de metal”

Sobre o entendimento do filme:

🌳 “Não pode cortar as árvores, queimar e poluir o rio.”

Zezito complementou:

✂️ “O errado não é cortar como fazem os indios. O errado é cortar sem necessidade, como muitas vezes fazemos como homens brancos.”

“Valeu a pena? Por quê?”

  • Matheus: “Sim. Achei bacana porque nós temos tudo aqui na cidade, mas e eles? Os brancos não pensam neles.”
  • Jane: “Sim. Aprendi coisas que eu não sabia sobre os indígenas.”
  • Stephanie: “Sim. Gostei das águas.”

Pergunta que ficou no ar:

🧐 “Existem indígenas como esses?”

Por que o aluno perguntou "Existem indígenas como esses?"

O aluno fez essa pergunta porque o filme Terra Doente mostrou indígenas com traços culturais fortíssimos – pinturas corporais, rituais, pesca com as mãos, relação sagrada com o rio, fala na língua original – mas ao mesmo tempo lidando com tecnologia e problemas do mundo contemporâneo: agrotóxicos, desmatamento, utilização de drones e câmeras de filmar, canoas com motor,  decisões políticas de favorecimento do agronegócio em detrimento da vida das pessoas, dos animais, das plantas, das águas e do solo.

Esse contraste gerou estranhamento. No imaginário comum, o imaginário do aluno, "indígena de verdade" costuma ser associado apenas ao passado, à floresta intocada, ao corpo nu ou com cocar, isolado da tecnologia e dos problemas "dos brancos" e estes talvez nem devam existir mais.

Ao ver que é possível ser profundamente indígena na aparência, nos ritos, na relação com a terra – e simultaneamente ser um sujeito do século XXI – o aluno ficou em dúvida. Sua pergunta revela que ele aprendeu a separar essas coisas: ou o indígena é "tradicional" (e aí estaria no passado), ou é "moderno" (e aí perderia sua identidade). O filme mostrou que essa separação é falsa. Os Khisêtjê são os dois: profundamente originários e plenamente contemporâneos.

SUKANDE KASÁKÁ | Terra Doente

30min  - 2025 - MT - Livre - Documentário 

Perfil online: @minhanaturezamuda 

Direção:  Kamikia Kisedje, Fred Rahal

Sinopse: 

Kamikia e Lewaiki, do povo Kisêdjê, são obrigados a abandonar sua maior aldeia após detectarem a contaminação por agrotóxicos, que envenena suas terras, rios e alimentos. Cercados por monoculturas de soja, eles lutam para proteger sua cultura, suas famílias e seu território, enfrentando um inimigo invisível que ameaça sua existência.


Gostou deste relato? Compartilhe e acompanhe as próximas exibições do Cineclube Realidade.

📍 Rosário do Catete – Sergipe
🎥 Cinema, memória e transformação social.


 

Documentário “Pau d’Arco” resgata revelações e depoimentos sobre a violência no campo paraense


 Curta-metragem indígena vence Festival É Tudo Verdade com denúncia sobre agrotóxicos no Xingu

Narrado pelos próprios indígenas, filme mostra impactos da monocultura no território Wawi, do povo Kisêdjê, no estado do Mato Grosso

https://www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/curta-metragem-indigena-vence-festival-e-tudo-verdade-com-denuncia-sobre


Centro de Aracaju está em avançado processo de degradação e abandono. Ruínas de prédios históricos públicos e privados denunciam o ataque à memória

 Publicado em 11 de março de 2024 às 07:24

 Não precisa fazer grande esforço para perceber o avançado processo de descaso, degradação e abandono do Centro de Aracaju. Em qualquer rua ou praça que se vá, o quadro é sempre o mesmo: casas fechadas e algumas em ruínas, monumentos destruídos em praças e ruas inteiras quase desertas, abandonadas.

Também chama a atenção o abandono e degradação de prédios públicos e privados de grande beleza arquitetônica e importância histórica, a começar pela sede da própria Prefeitura de Aracaju, o Palácio Inácio Barbosa, inaugurado na década de 1920 em homenagem ao fundador da cidade.

Leia a reportagem completa no site da Mangue Jornalismo.

https://manguejornalismo.org/centro-de-aracaju-esta-em-avancado-processo-de-degradacao-e-abandono-ruinas-de-predios-historicos-publicos-e-privados-denunciam-o-ataque-a-memoria/?utm_source=chatgpt.com

Publicado em 11 de setembro de 2024 às 07:35

Reflexão sobre o acerto da campanha de cidadania cultural em prol da revitalização do centro histórico de Aracaju.

Ter acesso a essas duas matérias foi — e continua sendo — importante para perceber o acerto da nossa campanha de cidadania cultural. Isso se deve especialmente à cobertura dada pela Agência Mangue Jornalismo ao tema, que foi feita de maneira responsável e qualificada.

É importante lembrar que já tinha tido contato com essas matérias antes, mas nunca havia parado para lê-las de forma completa — o que só foi possível agora, por meio das buscas que estou realizando na internet e das conversas que tenho tido com meu parceiro de caminhada cultural, Rás de Sá.

E que buscas são essas? São perguntas fundamentais que estamos tentando responder juntos:

Como o Centro Histórico de Aracaju chegou a esse ponto de abandono e degradação?

O que pode ser feito, por meio da ação cidadã ativa, para despertar a nossa cidade — na linha dos versos da canção de Gerônimo: "Acorda cidade, acorda pra ver"? (cidade aqui, autoridades e população).

Quais são os melhores tipos de destinação para os edifícios retomados e restaurados, de modo a beneficiar a economia criativa e popular da cidade?

Quem pode e/ou quer  se juntar a nós nessa busca por respostas?

O ponto de largada está dado. Agora, é caminhar junto.

Zezito de Oliveira - editor do blog da cultura

Candidatos prometem criar empregos e revitalizar o Centro de Aracaju, mas não dizem como fazer

https://manguejornalismo.org/candidatos-prometem-criar-empregos-e-revitalizar-o-centro-de-aracaju-mas-nao-dizem-como-fazer/





Com Escola Nacional, Hip-Hop entra na escola pela porta da frente..


A Undime em parceria com o Ministério da Educação realizou a live sobre a Escola Nacional de Hip Hop. Para  conversar sobre o programa, falou da adesão, que está aberta, e trouxe orientações aos gestores. 

O Programa Escola Nacional de Hip Hop tem como objetivo realizar a integração da cultura Hip Hop como instrumento didático-pedagógico, em consonância com o Decreto nº 11.784/2023, que dispõe sobre as diretrizes nacionais para as ações de valorização e fomento da cultura hip-hop.   

A iniciativa busca promover a inovação curricular, a formação continuada de professores e o fortalecimento da implementação da Lei nº 10.639 e da Lei nº 11.645 que tornaram obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana e indígena na educação básica, no ensino fundamental e médio. 

As redes de ensino estaduais, municipais e do Distrito Federal podem formalizar a participação no programa até o dia 30 de junho, no Simec, por meio da assinatura do termo de adesão.


 Com esse exemplo e conquista é hora das Culturas Populares se organizarem e articular melhor para uma Escola Nacional das Culturas Populares. A experiência pedagógica e cultural do Instituto Brincante em São Paulo pode servir como uma boa base de justificativa prática, quem souber de outras experiências relevantes pode escrever nos comentários.

Mais informações,  aqui         aqui

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Carta Convite: Participe da Campanha pela Reforma e Revitalização do Antigo Prédio do INSS – Um espaço público a serviço da moradia, economia criativa e solidária em Aracaju

 Após o sucesso da campanha de cidadania cultural que reafirmou a necessidade da reforma e revitalização do Palácio Inácio Barbosa, em poucos dias daremos início à nossa segunda mobilização: desta vez, o objetivo é a reforma e a revitalização do antigo prédio do INSS, localizado no centro de Aracaju.

Diferente da campanha anterior (que teve a prefeitura como principal poder público demandado), agora o foco principal é a Presidência da República, uma vez que o imóvel pertence à União (governo federal). Também vamos cobrar diretamente os representantes de Sergipe no Congresso Nacional, especialmente os eleitos para a próxima legislatura (tanto os novatos quanto os reeleitos).

Por isso, convidamos a todos para usar este tema como critério de voto nas próximas eleições. Podemos inclusive lançar um slogan mais estruturante, como:
“Só voto em candidato que coloque a cultura, o meio ambiente e as pautas sociais como prioridade.”
O que vocês acham da ideia?


A Segunda Campanha – 

Esta  segunda campanha se baseia em demandas que já apresentamos anteriormente no Blog da Cultura e durante uma participação no Jornal da Fan, quando o ministro Guilherme Boulos (Ministro da  Casa Civil)  foi entrevistado.

Na ocasião, fiz a seguinte pergunta ao ministro:

“Bom dia, Narcizo, ouvintes e ministro Guilherme Boulos. Aqui é Zezito de Oliveira – Educador e Agente Cultural. Há um grande edifício desativado, de propriedade do governo federal, bem no centro de Aracaju. Esse prédio pertence ao INSS e teve uma reforma iniciada em 2023, mas que foi paralisada. Seria possível destinar esse espaço para famílias de baixa renda, organizações da sociedade civil, micro e pequenos empreendimentos ligados à cultura, comunicação, economia solidária, tecnologia, turismo e outras áreas? O senhor pode viabilizar isso?”

A pergunta foi bem recebida pelo ministro Boulos e também por ouvintes ligados à economia criativa, artes incluso. Hoje, um seguidor do Blog da Cultura lembrou novamente dessa pauta, o que nos motivou a retomá-la. Conversamos com o parceiro que atuou conosco  na campanha do antigo prédio da Prefeitura (Palácio Inácio Barbosa), Rás de Sá,  e ele se mostrou favorável. Assim, decidimos dar o pontapé inicial nesta nova jornada.

Ainda hoje, assistimos à cerimônia de entrega de imóveis da União para fins de moradia social, culturais e outros usos coletivos – o que mostra que esse tipo de destinação é viável e já está acontecendo no país.


Em pouco mais de três anos de existência, o Imóvel da Gente se tornou uma das principais ferramentas de democratização e destinação social do patrimônio da União. Dede janeiro de 2023 , a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) destinou mais de 1.700 imóveis federais para políticas públicas voltadas ao atendimento da população, em 625 municípios brasileiros.

Convidamos novamente todos vocês a se engajarem nesta empreitada!
Compartilhem, cobrem os candidatos e futuros parlamentares, e ajudem a transformar um prédio abandonado em um espaço vivo a serviço da cultura, da moradia e da economia criativa e solidária.


 

quarta-feira, 10 de junho de 2026