quinta-feira, 11 de junho de 2026

Carta Convite: Participe da Campanha pela Reforma e Revitalização do Antigo Prédio do INSS – Um espaço público a serviço da moradia, economia criativa e solidária em Aracaju

 Após o sucesso da campanha de cidadania cultural que reafirmou a necessidade da reforma e revitalização do Palácio Inácio Barbosa, em poucos dias daremos início à nossa segunda mobilização: desta vez, o objetivo é a reforma e a revitalização do antigo prédio do INSS, localizado no centro de Aracaju.

Diferente da campanha anterior (que teve como alvo a Prefeitura de Aracaju), agora o foco principal é a Presidência da República, uma vez que o imóvel pertence à União (governo federal). Também vamos cobrar diretamente os representantes de Sergipe no Congresso Nacional, especialmente os eleitos para a próxima legislatura (tanto os novatos quanto os reeleitos).

Por isso, convidamos a todos para usar este tema como critério de voto nas próximas eleições. Podemos inclusive lançar um slogan mais estruturante, como:
“Só voto em candidato que coloque a cultura, o meio ambiente e as pautas sociais como prioridade.”
O que vocês acham da ideia?


A Segunda Campanha – 

Esta  segunda campanha se baseia em demandas que já apresentamos anteriormente no Blog da Cultura e durante uma participação no Jornal da Fan, quando o ministro Guilherme Boulos (Ministro da  Casa Civil)  foi entrevistado.

Na ocasião, fiz a seguinte pergunta ao ministro:

“Bom dia, Narcizo, ouvintes e ministro Guilherme Boulos. Aqui é Zezito de Oliveira – Educador e Agente Cultural. Há um grande edifício desativado, de propriedade do governo federal, bem no centro de Aracaju. Esse prédio pertence ao INSS e teve uma reforma iniciada em 2023, mas que foi paralisada. Seria possível destinar esse espaço para famílias de baixa renda, organizações da sociedade civil, micro e pequenos empreendimentos ligados à cultura, comunicação, economia solidária, tecnologia, turismo e outras áreas? O senhor pode viabilizar isso?”

A pergunta foi bem recebida pelo ministro Boulos e também por ouvintes ligados à economia criativa, artes incluso. Hoje, um seguidor do Blog da Cultura lembrou novamente dessa pauta, o que nos motivou a retomá-la. Conversamos com o parceiro que atuou conosco  na campanha do antigo prédio da Prefeitura (Palácio Inácio Barbosa), Rás de Sá,  e ele se mostrou favorável. Assim, decidimos dar o pontapé inicial nesta nova jornada.

Ainda hoje, assistimos à cerimônia de entrega de imóveis da União para fins de moradia social, culturais e outros usos coletivos – o que mostra que esse tipo de destinação é viável e já está acontecendo no país.


Em pouco mais de três anos de existência, o Imóvel da Gente se tornou uma das principais ferramentas de democratização e destinação social do patrimônio da União. Dede janeiro de 2023 , a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) destinou mais de 1.700 imóveis federais para políticas públicas voltadas ao atendimento da população, em 625 municípios brasileiros.

Convidamos novamente todos vocês a se engajarem nesta empreitada!
Compartilhem, cobrem os candidatos e futuros parlamentares, e ajudem a transformar um prédio abandonado em um espaço vivo a serviço da cultura, da moradia e da economia criativa e solidária.


 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

quarta-feira, 10 de junho de 2026

“Òsányìn na Escola: O Segredo das Folhas, a Juventude e a 15ª Mostra de Direitos Humanos em Aracaju”.

Por Zezito de Oliveira e Iasmin Feitosa

 Na tarde do dia 8 de junho de 2026, a Escola Estadual Senador Leite Neto, em Aracaju, tornou-se palco de uma experiência cinematográfica transformadora. Em parceria com a Associação de Deficientes Visuais e Escola Estadual Leite Neto, o  Cineclube Realidade promoveu a exibição do curta-metragem de animação “Òsányìn: O segredo das folhas” (2021, 22 min, livre), dirigido por Pâmela Peregrino e produzido entre Alagoas, Bahia e Rio de Janeiro. A sessão reuniu 22 pessoas — entre alunos adolescentes e equipe organizadora — em um ambiente de escuta, afeto e reflexão.


Sobre o filme:
A obra conta a história de uma criança que nasce com folhas em seu corpo. Diante da busca por cura, sua mãe percorre caminhos até que, na escola, a protagonista sofre discriminação e foge para a mata. Na Caatinga, encontra seres encantados de tradições indígenas e negras e inicia uma jornada de autoconhecimento. Sua busca a leva até Òsányìn, o Orisà das folhas, que revela o poder das plantas e a urgência da preservação ambiental.

Recepção e destaques da sessão:
A recepção dos vinte alunos foi muito boa — e não é para menos. O filme encantou pelos traços e cores fortes, pelas belas canções e por uma história que entrelaça temas profundos e urgentes: o preconceito no ambiente escolar, o uso das plantas como tratamento e cura, os aspectos simbólicos e míticos associados à religiosidade de matriz africana, e a grave questão do desmatamento. Durante a exibição, os alunos demonstraram participação ativa e entusiasmada. As cenas musicais, em especial, geraram grande envolvimento da plateia, que reagiu com aplausos espontâneos e acompanhou o ritmo das melodias, elevando o clima de integração e fruição coletiva.

Depoimentos dos alunos:

  • Ray: “O filme mostrou que as ervas medicinais podem cuidar de várias doenças, como dor de cabeça, caxumba, entre outros. O poder delas nos ajuda com diversos sintomas e tem grande utilidade.”

  • Fabrício: “As plantas podem nos curar, mas também podem nos matar.”

  • Davi Alberto: “O filme ensina sobre religião – talvez o candomblé, de certa forma. Passou conceitos e ensinamentos sobre as religiões, as ervas medicinais e o desmatamento, que é algo prejudicial à sociedade.”

  • Anny: “A natureza tem diversidade de cores.”

Contexto da Mostra:
Esta sessão integrou a Etapa de Difusão da 15ª Mostra Cinema e Direitos Humanos (2025/2026), que selecionou 1.150 pontos de exibição em mais de 660 municípios de todo o Brasil. A iniciativa visa descentralizar o acesso ao cinema, levando produções brasileiras — com destaque para documentários, curtas-metragens e obras indígenas e quilombolas — a cineclubes, escolas, centros culturais e ONGs que costumam ficar fora do circuito comercial tradicional. O objetivo é democratizar a cultura e promover debates sobre direitos humanos em todos os territórios.

Observações finais:
Em suma, “Òsányìn: O segredo das folhas” é um filme sensível, bem realizado, pertinente e integral. O Cineclube Realidade reafirma, com esta sessão, seu papel como espaço de formação crítica, diálogo intercultural e valorização da juventude, promovendo cidadania por meio da linguagem audiovisual. A cultura também transforma realidades — e a 15ª Mostra Cinema e Direitos Humanos mostrou, mais uma vez, que o cinema, quando chega à escola, semeia consciência, respeito à diversidade e defesa da vida em todas as suas formas.

Para assistir o filme.... 



Barcelona, Visita à cripta e ao túmulo de Gaudí, 10 de junho de 2026 – Papa Leão XIV

 Antoni Gaudí: há 100 anos, arquiteto que projetou Sagrada Família foi confundido com sem-teto e morreu após ter ajuda negada

Gênio do modernismo catalão foi atropelado por um bonde em Barcelona e não resistiu. Papa Leão XIV celebra missa na basílica no aniversário de sua morte.

Por Daniel Médici, g1

10/06/2026 01h00  

Retrato de Antoni Gaudí de 1878 — Foto: Pablo Audouard Deglaire/Reprodução

Era o início da noite em Barcelona quando um senhor de roupas amarrotadas atravessou distraído a Gran Via de les Corts Catalanes, apoiado em sua bengala, e foi surpreendido por um bonde vindo em sua direção. Ele tentou desviar, sem ver que um outro bonde se aproximava, no sentido contrário.

O velho homem foi atingido em cheio e caiu inconsciente em plena avenida. A cena atraiu vários curiosos, mas, pelo seu aspecto, ele foi tido como um sem-teto, e a maioria dos transeuntes não se preocupou em ajudá-lo.

Aquele homem era o arquiteto Antoni Gaudí i Cornet (1852-1926).

Nesta quarta-feira (10), centésimo aniversário de sua morte, o papa Leão XIV celebra uma missa dentro de sua obra mais famosa, a Basílica da Sagrada Família, na capital catalã.

Igreja da Sagrada Família em Barcelona inaugura Torre de Jesus Cristo

Igreja da Sagrada Família em Barcelona inaugura Torre de Jesus Cristo

Apenas duas pessoas se dispuseram a tentar socorrer Gaudí. Por quatro vezes, eles tentaram fazer um táxi parar e levar o velho ferido para o hospital — por quatro vezes, os condutores se negaram.

Finalmente, após uma longa espera, um guarda civil se aproximou do local e obrigou um quinto táxi a parar e levá-lo para onde pudesse ser atendido.

No dispensário da Ronda de San Pedro, que já não existe mais, os médicos constataram diversas fraturas e um sangramento pelo ouvido. Também anotaram no prontuário que ele não levava consigo nenhum documento – apenas o livro dos Evangelhos, um rosário, um lenço e uma chave. Ainda com status de indigente, ele foi transferido ao hospital de Santa Creu.

Só no dia seguinte ele foi reconhecido pelo capelão da Sagrada Família, cuja construção estava em seus primeiros estágios: tratava-se de ninguém menos que o próprio criador da edificação, que se tornaria um dos cartões-postais mais famosos da Europa.

'Arquiteto de Deus'

Rua vazia em frente a um dos principais pontos turísticos de Barcelona, a catedral da Sagrada Família — Foto: Reuters/Nacho Doce

Rua vazia em frente a um dos principais pontos turísticos de Barcelona, a catedral da Sagrada Família — Foto: Reuters/Nacho Doce

Gaudí agonizaria ainda por três dias, mas a gravidade dos ferimentos fez com que ele morresse aos 73 anos, em 10 de junho de 1926.

Entre o atropelamento e o óbito, a notícia correu pelas ruas de Barcelona, e o acidentado “anônimo” teve a morte anunciada pelos mais diversos jornais espanhóis. Seu funeral foi acompanhado por uma multidão em um cortejo que terminou no canteiro de obras da Sagrada Família, onde seu corpo foi sepultado. Até hoje, seus restos mortais permanecem na mesma cripta do templo.

Católico fervoroso, Gaudí foi apelidado de “arquiteto de Deus”. Com as obras previstas para terminarem em 2032, a Sagrada Família foi consagrada apenas em 2010, pelo papa Bento 16.

Na ocasião, o papa alemão elogiou "o gênio de Antoni Gaudí" que, "inspirado pelo ardor de sua fé cristã, conseguiu transformar esta igreja em um louvor a Deus feito de pedra".

Ao ser proclamado venerável, a Igreja reconhece as “virtudes heroicas” do arquiteto catalão. O ato precede a beatificação, que requer o reconhecimento de um milagre. Um segundo milagre validado pelo Vaticano é então necessário para obter o status de "santo" com a canonização, geralmente no final de um longo processo que dura vários anos.

Modernismo catalão

Gaudí chegou a Barcelona em 1868 para estudar arquitetura, tornando-se o maior nome do modernismo catalão no fim do século 19. Foi na capital da região autônoma que ele deixou algumas de suas obras mais famosas, como o Parque Güell, a Casa Milà e a Casa Battló. Estas e outras quatro edificações foram tombadas como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Sua obra mais famosa, no entanto, é a Sagrada Família, à qual ele se dedicou de 1883 até sua morte.

Profundamente religioso, Gaudí tomou seu trabalho como um sacerdócio. Segundo seus biógrafos, ele parece ter se apaixonado uma vez na vida por uma mulher, mas sem ser correspondido. Dessa forma, permaneceu solteiro até o fim da vida.

À medida que amadurecia, o arquiteto passou a adotar um modo de vida excêntrico, com hábitos frugais, vestindo-se com trajes velhos e sem cuidado com sua aparência. Um de seus costumes era fazer longas caminhadas diárias, inclusive no dia de sua morte, quando ele se dirigia à igreja de San Felipe Neri, para se encontrar com seu amigo e confessor, o padre Agustí Mas.


Gaudi na canção brasileira

"Eva, irmã de neon, Filha de Barcelona e Gaudí, Tu tens asas pra voar, Mas eu te  esperarei"

Sou tímido e espalhafatoso. Torre traçada por Gaudi

1. Caetano Veloso – "Vaca Profana"

Na faixa "Vaca Profana" (do disco Totalmente Demais), Caetano referencia diretamente a arquitetura de Gaudí enquanto reflete sobre sua própria vivência e a efervescência urbana, cantando os versos: "Torre traçada por Gaudi / São Paulo é como o mundo todo / No mundo, um grande amor perdi". A letra celebra a mistura cultural e as particularidades da vida nas metrópoles. 
2. Djavan – "Irmã de Neon"
Djavan tem uma profunda paixão pela arquitetura modernista catalã. Em "Irmã de Neon", o cantor imortaliza essa admiração na canção, elevando Gaudí à figura de gênio criador e padroeiro estético: "Eva, irmã de neon / Filha de Barcelona e Gaudí / Tu tens asas pra voar..."
3. BK' – "GAUDI APEX"

Trazendo a referência para a atualidade, o rapper BK' nomeou uma de suas faixas de sucesso em homenagem ao arquiteto. Na música, a figura de Gaudí é usada como símbolo de ostentação, genialidade, sucesso financeiro e uma construção única de identidade, mesclando suas conquistas com as referências da arquitetura singular do espanhol.

A FORÇA DA MOBILIZAÇÃO POPULAR: Pressão cidadã garante assinatura de projeto para o novo Museu da Cidade no Palácio Inácio Barbosa.

A informação divulgada nesta manhã pelo radialista Narcizo Machado, no Jornal da FAN, confirma que o Palácio Inácio Barbosa passará por um processo de restauração técnica.

A Prefeitura de Aracaju assinou o contrato com a empresa Ágora Arquitetos Associados, sob a coordenação do arquiteto Ézio Déda, para elaborar o projeto executivo de restauro e adequação do imóvel, que abrigará o Museu da Cidade.
O edifício centenário, antiga sede da intendência municipal localizado na Praça Olímpio Campos, encontrava-se desativado e sem uso definitivo após propostas anteriores não avançarem.
RECONHECIMENTO À MOBILIZAÇÃO POPULAR
Este passo atende a uma mobilização da sociedade civil. Fica o registro de agradecimento a todos que assinaram o abaixo-assinado pela reforma e revitalização, aos cidadãos que atuaram na divulgação por meio da imprensa, aos que acompanharam e comentaram as publicações da campanha nas redes sociais, e aos autores de artigos sobre o tema.
O agradecimento estende-se também aos artistas e escritores que se disponibilizaram a colocar suas produções e talentos lítero-artísticos em prol da causa, o que não foi necessário para este momento.
A iniciativa demonstra como a participação cidadã pode atuar na preservação de outros prédios e monumentos históricos que demandam atenção na capital sergipana. , prédios e monumentos de responsabilidade das três esferas de governo... 
Responsável pelo desenvolvimento do projeto, Ézio Déda é o arquiteto que assina o Museu da Gente Sergipana. Novas atualizações sobre o cronograma das etapas técnicas iremos acompanhar nos canais de comunicação da prefeitura e imprensa em geral. 🏛️📻
Zezito de Oliveira e Rás de Sá – Ativistas culturais da nossa cidade
#JornalDaFan #Aracaju #EzioDeda #MuseuDaCidade #MobilizacaoCidada #PatrimonioHistorico #CulturaSE 
Abaixo,  poema e música simbolo da campanha

Tecendo a manhã

                                                                           João Cabral de Melo Neto


Um galo sozinho não tece uma manhã:

ele precisará sempre de outros galos.

De um que apanhe esse grito que ele

e o lance a outro; de um outro galo

que apanhe o grito de um galo antes

e o lance a outro; e de outros galos

que com muitos outros galos se cruzem

os fios de sol de seus gritos de galo,

para que a manhã, desde uma teia tênue,

se vá tecendo, entre todos os galos.


E se encorpando em tela, entre todos,

se erguendo tenda, onde entrem todos,

se entretendendo para todos, no toldo

(a manhã) que plana livre de armação.

A manhã, toldo de um tecido tão aéreo

que, tecido, se eleva por si: luz balão.

(In: A educação pela pedra)

Palácio Inácio Barbosa: Quando o Abandono Ameaça a Memória de Aracaju. Por Emanuel Rocha*


 10 de junho de 2026  

Preservar o palácio e a memória: uma oportunidade para criar o Museu da Imagem e do Som de Sergipe.

Publicado primeiro nos blogs  RoAcontece e Folha de Sergipe

No centro histórico de Aracaju encontra-se um dos mais importantes edifícios públicos da capital. O Palácio Inácio Barbosa, durante décadas, abrigou a administração municipal e testemunhou decisões, projetos e acontecimentos que ajudaram a construir a história da cidade. Hoje, porém, o que deveria ser motivo de orgulho tornou-se símbolo do abandono e do esquecimento do patrimônio histórico.

Mais do que uma construção antiga, o Palácio Inácio Barbosa representa parte da memória coletiva dos aracajuanos. Suas paredes acompanharam o crescimento da capital, as transformações urbanas e as mudanças políticas que marcaram Sergipe ao longo do século XX. O edifício recebeu o nome de Inácio Joaquim Barbosa, responsável pela transferência da capital de Sergipe para Aracaju em 1855, tornando-se uma homenagem permanente a um dos personagens mais importantes da história sergipana.

O abandono de um patrimônio histórico vai além da deterioração física. Quando um prédio como esse é deixado de lado, perde-se também a oportunidade de fortalecer a identidade cultural e preservar a memória das gerações que ajudaram a construir a cidade. Monumentos históricos não são apenas construções antigas. São testemunhos vivos da trajetória de um povo.

Enquanto diversas cidades brasileiras recuperam seus edifícios históricos e lhes dão novas funções culturais, o Palácio Inácio Barbosa permanece aguardando um projeto que esteja à altura de sua importância. Sua restauração não deve ser vista apenas como uma obra de engenharia, mas como um compromisso com a história de Aracaju e de Sergipe.

A memória de um povo não se mantém apenas nos livros. Ela também está presente nos edifícios, nas praças, nos monumentos, nas fotografias, nos documentos e nos registros que atravessam o tempo. Quando esses elementos desaparecem ou são esquecidos, parte da história coletiva corre o risco de ser apagada.

O que está em jogo não é apenas a conservação de um prédio antigo. O que está em jogo é a preservação de uma parte importante da história da capital sergipana. Cada dia de abandono representa uma nova perda para o patrimônio cultural da cidade e um passo a mais em direção ao esquecimento.

Quem sabe o futuro do Palácio Inácio Barbosa não esteja justamente naquilo que Sergipe ainda não possui plenamente: um grande espaço de preservação da memória audiovisual. Em uma parceria entre a Prefeitura de Aracaju e o Governo do Estado, o edifício poderia abrigar um Museu da Imagem e do Som, reunindo fotografias, filmes, gravações, jornais, documentos e depoimentos que ajudam a contar a história dos sergipanos. Seria uma forma de preservar simultaneamente dois patrimônios: o prédio histórico e a memória do povo que ele representa.

Além de valorizar o centro histórico da capital, um Museu da Imagem e do Som permitiria que estudantes, pesquisadores, jornalistas, artistas e a população em geral tivessem acesso a um acervo organizado da história sergipana. Fotografias da antiga Aracaju, registros de manifestações culturais, entrevistas, programas de rádio, imagens de festas populares e tantos outros materiais poderiam ser preservados para as futuras gerações.

O Palácio Inácio Barbosa não precisa ser lembrado apenas como um prédio abandonado. Ele pode voltar a ser um espaço vivo, dedicado à cultura, à educação e à preservação da memória. O que falta não é potencial, nem propostas. Falta vontade política, compromisso com a preservação do patrimônio histórico e respeito à memória dos sergipanos. Transformar essa realidade em algo diferente depende de decisões concretas, antes que o tempo faça desaparecer aquilo que ainda pode ser salvo.

Depois, quando as paredes caírem e a história sobreviver apenas em fotografias amareladas, virão os discursos lamentando o que foi perdido. Mas patrimônio não se salva com discursos, salva-se com atitude.

* Emanuel Rocha é Historiador, poeta popular, escritor  e repórter fotográfico

Saiba mais sobre a História do Palácio Inácio Barbosa na Wikipédia, aqui

Para assinar a petição pública online, aqui 

📢 QUEM AMA ARACAJU PARTICIPA! 🏛️💔

Você sabia que o histórico Palácio Inácio Barbosa (o Prédio Antigo da Prefeitura, no Centro) está abandonado, sem telhado e virando foco de dengue?    https://www.instagram.com/p/DZTlDvmjYGC/

Como diria João Cabral de Melo Neto: " Um galo sozinho não tece uma manhã". A nossa cultura só vai resistir se a gente unir forças! 💪🐓

Assine o abaixo-assinado urgente para exigir da Secretaria e do Conselho Municipal de Cultura:

1️⃣ Vistoria e laudo técnico imediato do prédio.

2️⃣ Projeto de reforma e revitalização em até 90 dias.

3️⃣ Criação de um Complexo Cultural (proposta de um Teatro Municipal e Museu da Imagem e do Som - MIS).

Não podemos trocar nossa história por um estacionamento! Salvar esse patrimônio é gerar emprego, turismo e orgulho para a nossa capital.

✍️ Acesse o link, assine e compartilhe nos seus grupos:

https://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR159994

Reencaminhe esta mensagem! Quem ama Aracaju cuida do seu patrimônio! 🕊️🎨

Tecendo a manhã

                                                                           João Cabral de Melo Neto


Um galo sozinho não tece uma manhã:

ele precisará sempre de outros galos.

De um que apanhe esse grito que ele

e o lance a outro; de um outro galo

que apanhe o grito de um galo antes

e o lance a outro; e de outros galos

que com muitos outros galos se cruzem

os fios de sol de seus gritos de galo,

para que a manhã, desde uma teia tênue,

se vá tecendo, entre todos os galos.


E se encorpando em tela, entre todos,

se erguendo tenda, onde entrem todos,

se entretendendo para todos, no toldo

(a manhã) que plana livre de armação.

A manhã, toldo de um tecido tão aéreo

que, tecido, se eleva por si: luz balão.

(In: A educação pela pedra)