terça-feira, 22 de setembro de 2026

Pedrada (Chico César) & O Vento da Democracia ( Letra: Carlos Rennó. Música: Ivan Lins e Edu Krieger). 13 canções para tocar mentes e corações a favor da melhor decisão em 04 de Outubro, incluindo câmara e senado.

 Pedrada (Chico César)

Cães danados do fascismo

Babam e arreganham os dentes

Sai do ovo a serpente

Fruto podre do cinismo

Para oprimir as gentes

Nos manter no escravismo

Pra nos empurrar no abismo

E nos triturar com os dentes

Ê república de parentes pode crer

Na nova Babilônia eu e você

Somos só carne humana pra moer

E o amor não é pra nós

Mas nós temos a pedrada pra jogar

A bola incendiária está no ar

Fogo nos fascistas

Fogo, Jah

Ê república de parentes pode crer

Na nova Babilônia eu e você

Somos só carne humana pra moer

E o amor não é pra nós

Mas nós temos a pedrada pra jogar

A bola incendiária está no ar

Fogo nos fascistas

Fogo, Jah

Cães danados do fascismo

Babam e arreganham os dentes

Sai do ovo a serpente

Fruto podre do cinismo

Para oprimir as gentes

Nos manter no escravismo

Pra nos empurrar no abismo

E nos triturar com os dentes

Ê república de parentes pode crer

Na nova Babilônia eu e você

Somos só carne humana pra moer

E o amor não é pra nós

Mas nós temos a pedrada pra jogar

A bola incendiária está no ar

Fogo nos fascistas

Fogo, Jah

Ê república de parentes pode crer

Na nova Babilônia eu e você

Somos só carne humana pra moer

E o amor não é pra nós

Mas nós temos a pedrada pra jogar

A bola incendiária está no ar

Fogo nos fascistas

Fogo, Jah, queima, queima (fogo, fogo)

Uh uh uh (fogo, fogo)

Queima, queima

Todo homem que oprimi o outro homem

Por ganância, por dinheiro

Faz da nossa revolta teu incêndio

Cada um de nós com uma fagulha senhor

E queima a Babilônia

Fogo, Jah, fogo, Jah

Mas nós temos a pedrada pra jogar

A bola incendiária está no ar

Fogo nos fascistas

Fogo, Jah


LIVRO DE DANIEL: PEDRADA ANTICAPITALISTA – do CEBI-MG, set./2026

Ê, República de parentes pode crer
na nova Babiblônia eu e você
Somos só carne humana para moer…
E o amor não é para nós!
Mas, nós temos a pedrada para jogar,
a bola incendiária está no ar:
fogo nos racistas!
Chico César, Pedrada

E fogo em toda estrutura e sistema de opressão que geram silenciamentos, apagamentos, deslocamentos forçados, feminícidos, violência… morte (aquela imediata e a dada lentamente, com a fome ou a escala 6×1). É a partir desta realidade que, no ano de 2026, somos chamados, convocadas a ler, estudar, aprofundar o livro de Daniel para o mês da Bíblia.
Nós que somos do CEBI-MG, da caminhada do movimento bíblico libertador, que tentamos, com nosso esforço militante e comprometido a responder aos desafios e urgências da nossa história, sabemos que ler a Bíblia nunca será um exercício neutro.
Contra toda pretensa nossa opção ética-hermenêutica é a de lutar com a Palavra, desconfiar, suspeitar, dos usos (e abusos) do texto biblíco para fazer descobrir o conflito, os de ontem e os de hoje.
Se o fundamentalismo paralisa a crítica e encobre, subsumindo num caldo neutro e requentado pela rotina de uma pastoral biblíca genérica e covarde, a gente tenta promover um encontro fecundo entre a trama que compõe o texto da Bíblia e o tecido que faz nosso corpo (pessoal, social, do mundo).
Para isso, a educação popular: quando na nossa conversa bíblica não faltam as perguntas e questões que tocam no modo de produzir e reproduzir a Vida. Esta tarefa biopedagógica-teológica não é fácil nem cômoda: habitamos o aperto, a perversidade da luta de classes, o lugar sufocado da fronteira, o entremeio, experimentando e compartilhando com as maiorias pobres e trabalhadoras aquele desespero de não saber como irá sobreviver à semana.
Deste (não)lugar, a gente precisa (de precisão), alguns mundos. A gente fala e a pronúncia da nossa vez vem do chão em que a gente pisa. Onde pisam os pés, a cabeça pensa e sente o coração: está. Cada ser- da-cultura é um mundo peculiar, próprio. A cultura existe como acontecimento, imaginário, afeto, visão de vida, das relações, das identidades.
Nossa Educação (e nossa leitura bíblica) é Popular não somente porque lançamos mão de métodos e metodologias que facilitam a participação; nem porque é uma tendência da moda, «trend», nem muito menos uma roupagem acadêmica neutra e despolitizada, mas porque conhecemos e reconhecemos que nosso horizonte hermenêutico se dá a partir de “pessoas postas à margem: os muito pobres, os servos, os excluídos, os migrantes ‘sem eira nem beira’, os aquietados, mas sempre à beira da revolta” (Brandão).
Contra as cômodas e adequadas generalidades, está nossa posição carregada da mais radical intencionalidade. Radical não no sentido de ser extremista, mas no sentido etimológico de superar as injustiças pela raiz. Quando indicamos «educação», pensamos em «popular». Quando falamos em teologias, queremos sublinhar «libertadoras». Quando dizemos Leitura Popular da Bíblia, sublinhamos «revolução».
Quando dizemos “livro de Daniel”, supomos a apocalíptica, a linguagem dos vencidos, que tiveram de inventar sua esperança num momento de esgotamento das possibilidades, de aplastamento, esmagamento de qualquer alternativa.
Quando falamos da pedrinha miúda, dizemos da organização dos sem-poder que, desde a marginalidade, encontram formas de vencer o gigante que pisa forte e cruel.
Quando falamos de novela bíblica, com as apocalípticas (que sempre foram profecias), queremos indicar a necessidade de
se criar imaginários que engendrem novos mundos, com arte, poesia e beleza.
Quando sublinhamos resistência, lembramos dos corpos que valem nada, dos que estão na mira lógica da calculadora depredadora e depravada do capitalismo-patriarcado e das companheiras mulheres que resistem com Susana.

Quando dizemos “mês da Bíblia” não queremos só falar de uma agenda da Igreja Católica, mas da oportunidade de encontro, conversa, discussão, estudo e mutirão… no meio do Povo. Quando falamos Povo, dizemos daqueles que sabem de antecipar bravamente um futuro outro… os palestinos, quem em intifada, com as pedras na mão, nos ensinam sobre coragem e história.
Intifada, com a pedra nas mãos, derrotar os gigantes, em sonho novo, sangue Povo, cantar o amanhã que virá… não porque promessa,
mas porque outros mundos já existem entre nós!

Denis e Thalita,
pela Equipe de Publicações do CEBI-MG

Obs.: Segue, abaixo, em pdf, a íntegra do LIVRO DE DANIEL: PEDRADA ANTICAPITALISTA, do CEBI-MG, Set./2026.

Pode baixar gratuitamente, ler e compartilhar. Oxalá a leitura atenta nos inspire nas lutas necessárias pelo que é justo, bom e belo.

Livro de Daniel em PDF Pedrada anticapitalista Texto-base do CEBI-MG 2026

https://cebimg.org.br/2026/09/21/livro-de-daniel-pedrada-anticapitalista-do-cebi-mg-set-2026/


O Vento da Democracia (Vento Bom) conta com a participação de 37 artistas, como Zeca Pagodinho, Seu Jorge, Daniela Mercury, Chico César, Maria Gadú, Zélia Duncan, Simone e muitos outros. Clipe da canção conta com imagens de Bob Wolfenson e produção do Coletivo Bijari

Por SOM.VC - 16 de setembro de 2026 11:23

S.O.M - Sistema Operacional da Música – acelera oportunidades na cena independente.

Desde os tempos antigos até os dias de hoje, a busca por liberdade e justiça tem sido marcada por grandes desafios. A luta pela democracia ressoa profundamente ao redor do mundo. A música popular brasileira segue pródiga em canções que falam das demandas e inconformidades da sociedade brasileira.

No dia 18 de setembro (sexta-feira), Carlos Rennó, Ivan Lins e Eduardo Krieger foi lançada  a canção inédita “O Vento da Democracia (Vento Bom)”, um projeto que visa a ser uma contribuição artística da música brasileira para a democracia. De autoria de Rennó (letra, projeto e direção artística), Ivan e Krieger (música), com produção musical de Domenico Lancellotti, direção de produção de César Lacerda e produção executiva da Circus Produções, o single é uma carta aberta à igualdade.

A música conta com a participação de 37 artistas, entre eles Zeca Pagodinho, Seu Jorge, Daniela Mercury, Chico César, Maria Gadú, Zélia Duncan, Simone, Monica Salmaso, Delacruz, Duda Beat, Flor Gil e Moreno Veloso.

Além do single, o clipe “O Vento da Democracia (Vento Bom)”, com produção do premiado e engajado Coletivo Bijari, ganha vida com imagens de Bob Wolfenson. Ao longo do videoclipe, o público entra em contato com imagens produzidas por Wolfenson em diversos momentos da história do país, trazendo a essência da busca pela democracia ao longo do tempo e elementos da cultura do Brasil.

“Fui instado a escrever essa letra diante da onda antidemocrática que assola não só o nosso, mas muitos países no tempo presente. E para responder à questão: democracia para quê e para quem, em primeiro lugar? Espero que tenha sucedido bem na missão que me impus. Penso também que o elenco, quantitativamente admirável, que conseguimos reunir corresponde ao que pretendi no plano temático: uma grande diversidade de artistas – admiráveis também em termos qualitativos – em matéria de estilos, gêneros e gerações”, diz Carlos Rennó.


Fascismo: afinal, do que estamos falando?

A palavra fascismo voltou a aparecer com muita frequência no debate político brasileiro. Mas o que ela significa? De onde veio? Quais são suas principais características? E quando chamar alguém ou algum movimento de fascista deixa de ser uma análise histórica e passa a ser apenas um xingamento político?

Para ajudar a responder essas perguntas, reunimos abaixo alguns conteúdos curtos, didáticos e criativos. A proposta é simples: informar para compreender melhor, e compreender para participar do debate público com mais consciência.

🎥 Para começar: o fascismo explicado de maneira simples

Canal Nostalgia — O que é Fascismo? Entenda de um jeito SIMPLES

Assistir ao vídeo no YouTube

Com animações e linguagem acessível, o vídeo apresenta a origem do fascismo e algumas de suas características: nacionalismo, culto ao líder, construção do inimigo, rejeição do pluralismo, elitismo e valorização da violência política.

🎥 Em cerca de 12 minutos

BBC News Brasil — Glossário político: O que é ser fascista?

Assistir ao vídeo no YouTube

Um bom material para entender por que a palavra “fascista” é tão utilizada atualmente e quais são seus significados históricos e políticos.

🎧 Em apenas 2 minutos e 40 segundos

CBN — De novo no debate político, termo “fascismo” encontra definição na história

Ouvir na CBN

Uma introdução muito rápida ao tema, útil para quem quer começar sem entrar imediatamente em uma discussão mais longa.

📖 Para quem prefere ler

BBC News Brasil — O que é fascismo?

Leia o texto da BBC

O texto apresenta diferentes interpretações históricas e ajuda a compreender por que o conceito não deve ser utilizado de maneira indiscriminada.

🎧 Para aprofundar

Lincoln Secco — Fascismos ontem e hoje

Ouvir no Le Monde Diplomatique Brasil

Uma conversa mais longa com o historiador Lincoln Secco sobre as origens históricas do fascismo, suas bases sociais e suas manifestações contemporâneas.


Uma pergunta para começar a conversa

Talvez uma boa maneira de terminar — ou começar — uma roda de conversa seja perguntar:

Quando tudo aquilo de que discordamos passa a ser chamado de fascismo, não corremos o risco de banalizar o próprio conceito?

Compreender o fascismo não significa concordar ou discordar de uma posição política específica. Significa conhecer a história, reconhecer suas características e utilizar os conceitos políticos com responsabilidade.

Informação também é uma forma de participação cidadã.

FASCISMO EM 5 IDEIAS-CHAVE

Ultranacionalismo — a nação é colocada acima dos direitos e diferenças individuais.

Autoritarismo — concentração de poder e redução dos espaços de oposição e participação política.

Culto ao líder — a figura do líder é apresentada como expressão da própria nação e como solução para seus problemas.

Construção do inimigo — grupos políticos, sociais, étnicos ou culturais são apresentados como ameaça à comunidade nacional.

Violência política — a violência contra adversários pode ser legitimada ou glorificada como instrumento de transformação política.

Importante: essas características ajudam a identificar o fenômeno, mas nenhuma delas, isoladamente, é suficiente para definir um movimento como fascista.

Leia também: 

13 canções para tocar mentes e corações a favor da melhor decisão em 04 de Outubro, incluindo càmara e senado..Reis do Agronegócio (Chico César)


domingo, 20 de setembro de 2026

2. Porque sabemos o que significa perder uma política pública

A história da Ação Cultural também é marcada por interrupções. Quando uma política cultural desaparece, não desaparecem apenas recursos: interrompem-se oficinas, processos formativos, articulações, redes e vínculos construídos durante anos. Por isso, a retomada da Cultura Viva tem um significado concreto para quem viveu esse processo.



segunda-feira, 21 de setembro de 2026

A esquerda e a juventude: o desafio de reverter a rejeição crescente

 A pesquisa da AtlasIntel que gerou grande repercussão por apontar uma desaprovação de 72,7% entre jovens de 16 a 24 anos foi realizada entre os dias 15 e 20 de março de 2026 (e divulgada em 25 de março). O instituto também registrou fenômeno semelhante em outros momentos do ano, como no levantamento de janeiro de 2026, que apontou 75,5% de desaprovação nessa faixa etária, e em um monitoramento mais recente divulgado em 31 de agosto de 2026, que registrou 76,9% de desaprovação entre os jovens, reafirmando a tendência de alta na rejeição ao público jovem.

Esses dados representam uma mudança no perfil do eleitorado do PT e de partidos mais à esquerda, configurando um desafio para um provável governo Lula. Conforme indicam outros levantamentos eleitorais, a maioria do eleitorado espera que Lula vença (54%, segundo a BTG/Nexus), embora as pesquisas de intenção de voto mostrem uma disputa bastante equilibrada. Tanto no primeiro quanto no segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem em empate técnico, com o presidente numericamente à frente na maioria dos levantamentos, mas sem uma vantagem que possa ser considerada segura.

Diante desse cenário, e com resultado positivo nas eleições para o campo democrático , ou seja com a vitória de Lula e no caso do pior cenário com a derrota, é altamente necessário um estudo em profundidade e em conjunto  por parte  das fundações de estudos, pesquisa e formação dos partidos — PT (Perseu Abramo), PSOL (Fundação Lauro Campos e Marielle Franco) e PC do B (Fundação Maurício Grabois)  —,  visando reunir especialistas e lideranças juvenis, assim como  adultos que lidam diretamente com jovens. O objetivo seria buscar um entendimento mais sistêmico e complexo sobre a questão, a fim de desenhar saídas de curto, médio e longo prazo para essa situação. Afinal, se não for enfrentada, essa tendência pode levar a esquerda a mais derrotas eleitorais além das que já vem acumulando.

E não será achando que com soluções como o Pé de Meia, Prouni, construção de mais escolas técnicas e universidades isso seja suficiente, mesmo que  necessário.

Sobre o primeiro programa, o professor Luiz Felipe Miguel (UNB) escreveu 

"Lembram de quando a gente criticava os governos do PT por priorizarem a inclusão social por meio do consumo, em vez da expansão e do aprimoramento dos serviços públicos socializados? Pois o pé-de-meia é a radicalização disto. Não se opera, por exemplo, para melhorar as condições materiais, de trabalho e o prestígio dos profissionais da educação. Em vez disso, se dá um trocado para que o estudante de licenciatura conclua seu curso."  Leia o texto completo aqui

Já o professor Fernando Horta (UNB), em artigo de maio de 2023,  faz uma avaliação contundente do ministério da educação, classificando-o como um dos piores do governo.

“Por outro lado, o Ministério da Educação – tomado pelos ‘banqueiros pela educação’ – era outro sangramento diário para o governo. Embora a manutenção do famigerado ‘Novo Ensino Médio’ seja, de longe, o para-raios das críticas ao MEC, não são as únicas. A manutenção de dezenas de bolsonaristas em cargos dirigentes e cargos de confiança e a submissão dos profissionais que lá estão aos ditames do neoliberalismo das fundações vinha desgostando numerosos grupos sociais. De alunos a professores (o coração da educação) há consenso que este é o pior ministério do governo. Camilo Santana, contudo, mantinha firme seu propósito de fazer uma educação alijada dos interesses de professores e educadores.Leia o texto completo aqui


A economia sustentável - Renato Janine Ribeiro

 Doze anos atrás, em plena campanha presidencial, eu publicava um artigo no Valor Econômico sobre a sustentabilidade. Era candidata Marina Silva, mas o artigo vai além da sua data e mesmo de sua candidatura à época. (Mas sim, continua sendo um nome em quem votar!).

Segue o artigo de 2014:
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
A economia sustentável - Renato Janine Ribeiro
Valor Econômico - 15/09/2014
A ênfase na sustentabilidade é o cerne do projeto econômico de Marina, fazendo-a divergir das propostas tucanas
É curioso que os críticos de Marina Silva ignorem o que deveria ser sua maior contribuição para o debate sobre nossa sociedade - um debate tão importante que vai além da política e foca o modelo de civilização. Aliás, sua própria campanha não enfatiza este ponto, provavelmente para não perder o voto útil de empresários ou tucanos. Falo da sustentabilidade, tal como foi analisada por vários economistas de seu grupo. Sem ela, Marina não traria quase nada de novo.
Quando você compra uma passagem aérea, o estresse causado à natureza pela emissão de gás carbono não está incluído no preço. Você espeta a conta na natureza. Ela a repassa sob forma de El Niño, secas, fome, doença.
A estrutura de produção vigente inclui um cálculo deturpado de custos e preços. O mercado pode fixar estes últimos, mas vários custos são, perversamente, terceirizados. Não são bancados pelos agentes visíveis da economia, produtor, comerciante, consumidor. Mas alguém paga por eles. Pior, esse alguém é um vulnerável. Eu viajo de avião para a Europa, com isso sobe o efeito estufa, a Marginal alaga e favelados perdem tudo. A sequência causal que vai do meu voo até a perda do barraco é tão vaga e remota que torna impossível me mandarem o boleto do estrago que, involuntária e inconscientemente, causei. Mas inúmeros estudos científicos mostram que o aquecimento global produz esse tipo de efeito. Como enfrentar o problema?
Economia de Marina não é a mesma dos tucanos
Antes de mais nada, precisa haver transparência. Devemos reexaminar os custos envolvidos em qualquer atividade produtiva. O resultado será preocupante. Não se trata aqui de pregação ideológica ou doutrinária, mas de estudos de biólogos, ecólogos e, recentemente, economistas. Todos eles dizem: primeiro, os custos estão mal calculados; segundo, esse mau cálculo traz vantagens ocultas para certas classes ou grupos sociais (enquanto penaliza outros); terceiro, o planeta não pode continuar como está. Não dá para o homem estressar os recursos da natureza como tem feito.
Os recursos naturais são finitos e preciosos. Alguns não são propriamente finitos, como por exemplo a lavoura, mas mesmo ela necessita de nutrientes minerais. Esta, aliás, uma das razões para lidar com o lixo de forma diferente. Ele pode ser riquíssimo em nutrientes, não há sentido em enterrá-los num lixão. Precisam ser recuperados. Certamente isso vai custar caro. Mas esse custo está mal calculado, porque omite que em breve se esgotarão muitos dos recursos minerais que sustentaram o desenvolvimento no último século. Não reciclar os lixos é mais caro do que reciclar.
Quando alguns acusam os projetos sociais de Marina de ambiciosos, estão sendo modestos! A questão não é só ter dinheiro para educação em tempo integral. É mudar todo o nosso modo de viver. Lojistas dos Jardins fizeram várias perguntas, outro dia, a Walter Feldmann, que representava a candidata. Tinham medo do comunismo, mas nem perguntaram o que a candidata pensa do consumismo. Não perceberam que ela quer um novo pacto civilizatório. Provavelmente os lojistas teriam saído mais preocupados do que entraram, mas por outras razões.
Insisto: o custo geral - ou o preço final pago pela sociedade - pelo que se produza e consuma não vai aumentar. Alguém já paga pelo desastre. A ideia sustentável é fazer que o custo se torne preço, a ser pago pelo beneficiário ou usuário do produto que estressou a natureza. É parar de terceirizar os custos, de espetar na sociedade ou nos pobres o custo de bens que outros usufruem. Essa revisão da conta será dolorosa. Alguns produtos passarão a ter preços proibitivos e até sairão de linha. Satisfazer o consumo perdulário poderá ficar tão caro que não esteja ao alcance da maior parte dos bolsos. A carrodependência tem que diminuir. Pode ser contida por várias formas de cobrança. A Rede não quer tributar, mas há outras formas de cobrar. Pode-se cobrar pelo uso das vias, pela circulação no centro expandido, pelo emprego do carro nos horários de rush. A Air France e as ferrovias francesas já dão ao cliente a opção de pagar pelo plantio de árvores que compensem ambientalmente o carbono que o transporte gerou. Um dia, isso será obrigatório. Fará parte do custo e preço do produto. Viajaremos menos.
Daí, muito a debater. Como rever o setor produtivo, que afinal de contas é o "backbone" de nossa sociedade. Como completar a inclusão social, o que demandará mais produtos de uma natureza já extenuada. As dificuldades de como cobrar os custos, se não for pela via do imposto. E a pergunta se nossa sociedade está madura para esta mudança de rumo. É óbvio que não está. Ao mesmo tempo, é óbvio que o tempo urge. Se empurrarmos as coisas com a barriga, o custo - quando for precificado - da correção de rumo se tornará bem mais alto. Mas essa mudança radical na vida tomará tempo, talvez muito tempo.
Engana-se quem vê em Marina apenas a candidata do tripé ou do setor financeiro ou uma fadinha perdida na floresta. Há um projeto sério aí, certamente incompleto, talvez contraditório ou prematuro, mas há. Uma mudança é proposta, que no entender do Rede pode e deve ser executada rigorosamente dentro dos quadros do capitalismo, mas mesmo assim alterará muito, em termos de cultura.
Tudo isso pode ficar nas intenções. Um mandato não dará para tanto. Mas Marina não é Aécio. Cometerá um erro histórico, caso eleita, se fizer simplesmente a política econômica dos tucanos. E também errará quem apostar que o projeto dela é o deles.
PS - Para refletir sobre estes pontos, um bom começo é o livro de Ricardo Arnt, "O que os Economistas Pensam Sobre Sustentabilidade".
Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo.
E-mail: rjanine@usp.br
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13 canções para tocar mentes e corações a favor da melhor decisão em 04 de Outubro, incluindo càmara e senado..Reis do Agronegócio (Chico César)

 


Reis do Agronegócio
Chico César


Ó donos do agrobiz, ó reis do agronegócio
Ó produtores de alimento com veneno
Vocês que aumentam todo ano sua posse
E que poluem cada palmo de terreno
E que possuem cada qual um latifúndio
E que destratam e destroem o ambiente
De cada mente de vocês olhei no fundo
E vi o quanto cada um, no fundo, mente


Vocês desterram povaréus ao léu que erram
E não empregam tanta gente como pregam
Vocês não matam nem a fome que há na terra
Nem alimentam tanto a gente como alegam
É o pequeno produtor que nos provê e os
Seus deputados não protegem, como dizem:
Outra mentira de vocês, pinóquios véios
Vocês já viram como tá o seu nariz, hem?


Vocês me dizem que o brasil não desenvolve
Sem o agrebiz feroz, desenvolvimentista
Mas até hoje na verdade nunca houve
Um desenvolvimento tão destrutivista
É o que diz aquele que vocês não ouvem
O cientista, essa voz, a da ciência
Tampouco a voz da consciência os comove
Vocês só ouvem algo por conveniência


Para vocês, que emitem montes de dióxido
Para vocês, que têm um gênio neurastênico
Pobre tem mais é que comer com agrotóxico
Povo tem mais é que comer se tem transgênico
É o que acha, é o que disse um certo dia
Miss motosserrainha do desmatamento
Já o que acho é que vocês é que deviam
Diariamente só comer seu "alimento"


Vocês se elegem e legislam, feito cínicos
Em causa própria ou de empresa coligada:
O frigo, a múlti de transgene e agentes químicos
Que bancam cada deputado da bancada
Té comunista cai no lobby antiecológico
Do ruralista cujo clã é um grande clube
Inclui até quem é racista e homofóbico
Vocês abafam, mas tá tudo no youtube


Vocês que enxotam o que luta por justiça;
Vocês que oprimem quem produz e que preserva
Vocês que pilham, assediam e cobiçam
A terra indígena, o quilombo e a reserva
Vocês que podam e que fodem e que ferram
Quem represente pela frente uma barreira
Seja o posseiro, o seringueiro ou o sem-terra
O extrativista, o ambientalista ou a freira


Vocês que criam, matam cruelmente bois
Cujas carcaças formam um enorme lixo
Vocês que exterminam peixes, caracóis
Sapos e pássaros e abelhas do seu nicho
E que rebaixam planta, bicho e outros entes
E acham pobre, preto e índio "tudo" chucro:
Por que dispensam tal desprezo a um vivente?
Por que só prezam e só pensam no seu lucro?


Eu vejo a liberdade dada aos que se põem
Além da lei, na lista do trabalho escravo
E a anistia concedida aos que destroem
O verde, a vida, sem morrer com um centavo
Com dor eu vejo cenas de horror tão fortes
Tal como eu vejo com amor a fonte linda
E além do monte o pôr-do-sol porque por sorte
Vocês não destruíram o horizonte... Ainda


Seu avião derrama a chuva de veneno
Na plantação e causa a náusea violenta
E a intoxicação "né" adultos e pequenos
Na mãe que contamina o filho que amamenta
Provoca aborto e suicídio o inseticida
Mas na mansão o fato não sensibiliza
Vocês já não tão nem aí co’aquelas vidas
Vejam como é que o ogrobiz desumaniza...:


Desmata minas, a amazônia, mato grosso...;
Infecta solo, rio, ar, lençol freático;
Consome, mais do que qualquer outro negócio
Um quatrilhão de litros d´água, o que é dramático
Por tanto mal, do qual vocês não se redimem
Por tal excesso que só leva à escassez
Por essa seca, essa crise, esse crime
Não há maiores responsáveis que vocês


Eu vejo o campo de vocês ficar infértil
Num tempo um tanto longe ainda, mas não muito
E eu vejo a terra de vocês restar estéril
Num tempo cada vez mais perto, e lhes pergunto
O que será que os seus filhos acharão de
Vocês diante de um legado tão nefasto
Vocês que fazem das fazendas hoje um grande
Deserto verde só de soja, cana ou pasto?


Pelos milhares que ontem foram e amanhã serão
Mortos pelo grão-negócio de vocês
Pelos milhares dessas vítimas de câncer
De fome e sede, e fogo e bala, e avcs
Saibam vocês que ganham "cum" negócio desse
Muitos milhões, enquanto perdem sua alma
Que eu me alegraria se afinal morresse
Esse sistema que nos causa tanto trauma

Eu me alegraria se afinal morresse
Esse sistema que nos causa tanto trauma

Eu me alegraria, ô
Esse sistema que nos causa tanto trauma

Ó donos do agrobiz, ó reis do agronegócio
Ó produtores de alimento com veneno

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Faltam 12 dias para as eleições e quais os 13 motivos da história da Ação Cultural indicam o melhor caminho para decidir em 04 de Outubro de 2026.


1. Porque o Ponto de Cultura da Ação Cultural voltou

A partir de 2023, com a retomada das políticas culturais no terceiro governo Lula, a Ação Cultural voltou a atuar como Ponto de Cultura dentro de uma política pública estruturada. Depois de um período de interrupção, essa retomada permitiu recuperar uma experiência que fazia parte da própria identidade da organização.

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