quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Igreja e política: comentários revelam o que os católicos esperam do debate eleitoral

 

Aldir Blanc faria 80 anos nesta quarta; filmes, disco e shows celebram seu legado

 "A trajetória de Aldir Blanc, um dos maiores letristas da música popular brasileira, vai além de sua obra artística e inclui uma atuação decisiva na defesa dos direitos autorais e na luta pela dignidade dos trabalhadores da cultura. Sua morte, em maio de 2020, vítima da Covid-19, tornou-se o símbolo de uma mobilização histórica que resultou na criação da Lei Aldir Blanc (Lei nº 14.017/2020) e, posteriormente, na Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), o maior mecanismo de descentralização cultural do país. O legado do compositor, que inclui hinos como "O Bêbado e a Equilibrista" e uma incansável atuação como ativista dos direitos autorais, permanece vivo em cada edital, projeto e artista que hoje encontra na lei um caminho para sobreviver e criar."

A história da música popular brasileira é indissociável da capacidade de traduzir a alma, as dores e as esperanças do nosso povo. Poucos artistas cumpriram essa missão com tanta genialidade quanto Aldir Blanc, um dos maiores letristas, cronistas e compositores que o país já conheceu. Quando a pandemia de Covid-19 silenciou sua voz em maio de 2020, o Brasil não perdeu apenas um artista; perdeu um pedaço de sua própria identidade. No entanto, o nome que outrora assinou hinos de liberdade hoje batiza o maior mecanismo de descentralização cultural da história do país: a Lei Aldir Blanc.
Para compreender o tamanho dessa homenagem, é preciso olhar para a potência de sua obra. Ao lado de parceiros como João Bosco, Aldir deu vida a composições que moldaram a consciência política e social do Brasil. É dele a letra de "O Bêbado e a Equilibrista", eternizada na voz de Elis Regina, que se transformou no hino informal da Anistia durante a ditadura militar. Suas crônicas e canções narravam o cotidiano do subúrbio carioca, as contradições do país e a resiliência do cidadão comum. Aldir Blanc escrevia com a sofisticação dos grandes poetas e a malandragem das calçadas, tornando sua arte profundamente democrática.
Muito Além da Canção: O Ativista dos Direitos Autorais
O que muitos não sabem é que a escolha de seu nome para batizar a principal lei de fomento à cultura do país faz jus a uma faceta de bastidores fundamental na trajetória de Aldir: a sua atuação incansável na defesa dos direitos autorais. Décadas antes de se tornar símbolo da sobrevivência artística na pandemia, ele já compreendia que a liberdade de criação estava diretamente ligada à dignidade financeira dos trabalhadores da cultura.
Nas décadas de 1970 e 1980, o cenário de arrecadação de direitos musicais no Brasil era marcado por opacidade, burocracia excessiva e prejuízos severos aos criadores. Aldir Blanc rebelou-se contra as estruturas vigentes e usou sua influência política para transformar essa realidade. Ao lado de nomes como Maurício Tapajós, Ivan Lins e o maestro Marcus Vinicius de Andrade, fez parte de uma geração pioneira de intelectuais que exigiu transparência e autogestão.
Sua luta converteu-se em ações práticas essenciais para a história da nossa indústria fonográfica:
  • Fundação da SOMBRÁS (1980): Aldir foi um dos fundadores da Sociedade Musical Brasileira, criada no início dos anos 80 para romper com monopólios institucionais e peitar a falta de clareza nos repasses financeiros para compositores e músicos.
  • Criação da SACI e atuação na AMAR: Esteve ativamente envolvido na criação da Sociedade de Artistas e Compositores Independentes e na consolidação da Associação dos Músicos, Arranjadores e Regentes, entidades que pavimentaram o modelo moderno, ético e profissional de defesa da propriedade intelectual no país.
Para Aldir Blanc, o artista não devia esmola ao Estado e nem favores às gravadoras, mas sim o recebimento digno pelo fruto do seu trabalho intelectual. Batizar uma lei de fomento com o seu nome, portanto, não é apenas um tributo póstumo à sua arte, mas uma coroação à sua trajetória de lutas operárias e sindicais dentro da cultura.
O Símbolo na Pandemia e o Nascimento da Lei
A escolha de seu nome para a legislação emergencial em 2020 carregou esse duplo simbolismo: o estético e o humanitário. No início da crise sanitária global, o setor cultural foi o primeiro a paralisar suas atividades devido à necessidade do isolamento social, deixando milhares de técnicos, artistas e produtores sem sustento. A partida de Aldir Blanc por complicações da Covid-19, naquele cenário de severas incertezas, tornou-se o estopim para uma mobilização histórica da sociedade civil e do Congresso Nacional.
A promulgação da Lei Aldir Blanc (Lei nº 14.017/2020) funcionou como um socorro financeiro urgente para um setor em colapso. Mas o mecanismo evoluiu. Hoje, o legado do compositor transformou-se na Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), um programa permanente que garante repasses federais contínuos e anuais para estados e municípios de todo o Brasil. Esse modelo garante que a verba chegue à ponta: ao pequeno festival de cinema, ao grupo de teatro comunitário, às culturas tradicionais e às periferias que Aldir tão bem retratava em suas linhas.
O Legado que Permanece
Celebrar a Lei Aldir Blanc é entender que o fomento à cultura não é um gasto, mas um investimento na memória, na economia e no futuro do país. O menino da Vila Isabel, que se formou em medicina e psiquiatria para depois curar as feridas da alma brasileira através da música, continua vivo.
Cada edital aprovado, cada lona de circo erguida e cada novo artista que consegue viver de sua arte carrega um pedaço do DNA de Aldir Blanc. Sua poesia, que outrora equilibrou o Brasil na corda bamba da história, segue agora sustentando as bases mais profundas da nossa identidade e da subsistência cultural nacional.
Aldir Blanc: Da Poesia da Resistência ao Legado que Financia a Cultura Brasileira
Autor de clássicos como 'O Bêbado e a Equilibrista', 'O Mestre-Sala dos Mares' e 'De Frente pro Crime', letrista morreu em 2020, aos 73 anos, vítima de Covid-19.

Aldir Blanc, um dos maiores letristas da música brasileira e cronista atento do Rio de Janeiro, completaria 80 anos nesta quarta-feira (2).

Seis anos após sua morte, por Covid-19, o compositor é celebrado por artistas de diferentes gerações em uma série de homenagens que inclui shows, disco, dois documentários e programação especial no rádio.

Nascido no Rio de Janeiro em 2 de setembro de 1946, Aldir construiu uma obra marcada pelo humor, pela observação do cotidiano e por personagens e histórias profundamente ligados à cidade.

Em cerca de 50 anos de carreira, deixou mais de 600 músicas e teve como parceiros nomes como João Bosco, Guinga, Moacyr Luz, Cristóvão Bastos, Sueli Costa, Maurício Tapajós, Djavan, Ivan Lins e Edu Lobo.

Entre suas composições mais conhecidas estão “O Bêbado e a Equilibrista”, “O Mestre-Sala dos Mares”, “Bala com Bala”, “Caça à Raposa”, “Dois pra Lá, Dois pra Cá” e “De Frente pro Crime”. Muitas ganharam interpretações marcantes de Elis Regina, uma das principais responsáveis por levar as letras de Aldir ao grande público.

Homenagem no dia do aniversário

LEIA MAIS EM: https://g1.globo.com/guia/guia-rj/noticia/2026/09/02/aldir-blanc-80-anos-homenagens.ghtml?shem=dsdf,sharefoc,agadiscoversdl,,sh/x/discover/m1/4



Chico Alencar
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HOJE, 2 de setembro, meu amigo Aldir Blanc completaria 80 anos, não tivesse "partido fora do combinado" pra morar na eternidade...
O que ele diria sobre o Brasil de hoje, com essas supremas vorcarices e vigarices? 
Tenho certeza que diria o óbvio: "investigue-se tudo, de Moraes a Flávio 01, e 'tutti quanti', pois a nossa esperança equilibrista, em cada passo dessa linha, pode se machucar!".
Acrescento: Mendonça, para de ser "amigo da onça" e terrivelmente parcial: tira o sigilo de TODO o processo do Master, e do "Dark Horse" em especial!
Aldir no carnaval do "Nem Muda Nem Sai de Cima" (1990?) - foto do acervo da querida Mary Sá Freire (ao fundo, também feliz) 


MAIS UM ENCONTRO COM O BRASIL QUE SONHAMOS

Para quem, em algum momento da vida, marcou encontro com um Brasil que apontava para um futuro de justiça, liberdade, criatividade, solidariedade, alegria e prazer, talvez seja hora de marcar mais um.

'Porque esse futuro, que tantas mulheres e homens sonharam e ajudaram a construir, chegou em parte. Mas ainda está em disputa.

Há quem trabalhe todos os dias para nos empurrar de volta para a injustiça, a opressão, a mediocridade, o individualismo, a tristeza e o sofrimento.

E por isso vamos assistir a “Nem Tudo É Paz e Amor”, de Betão Aguiar, um filme que olha para a contracultura brasileira dos anos 1970 através dos filhos daqueles que viveram intensamente aquela experiência de liberdade, criação, transgressão e resistência à ditadura. Um filme sobre uma geração que ousou imaginar que era possível reinventar a vida — e também sobre as contradições, os traumas e os legados dessa aventura. 

Quem já esteve conosco em “Anatomia do Caos”, “Honestino” e “Anistia 79” sabe que esses filmes podem ser muito mais do que filmes. Podem ser encontros com a nossa história — e, sobretudo, com aquilo que ainda queremos fazer dela.

Como escreveu Thiago de Mello, em Quando a verdade for flama:

“As colunas da injustiça

sei que vão desabar

quando o meu povo, sabendo

que existe, souber achar

dentro da vida, o caminho

que leva à libertação.”

Talvez seja essa a nossa tarefa permanente: saber que o caminho existe e não deixar de procurá-lo.

E que bom poder procurá-lo também através do cinema.

No Cinema Walmir Almeida, no Centro de Aracaju, passaram neste ano filmes que, de diferentes maneiras, conversam com essa busca: histórias de resistência, memória, liberdade, cultura, racismo, autoritarismo, criação e transformação.

Porque um país também se transforma quando consegue contar suas histórias, lembrar seus mortos, ouvir suas vozes silenciadas, celebrar sua diversidade e imaginar outros futuros.

E a programação do Cinema Walmir Almeida, no Centro de Aracaju, neste ano, vem oferecendo outros encontros que caminham por essa mesma trilha: “O Agente Secreto”, “Orwell: 2+2=5”, “Alma Negra – Do Quilombo ao Baile”, “Ecos do Teatro Experimental do Negro”, “A Noite de Alaíde”, “Cazuza: Boas Novas”, “Ritas”, “Iracema: Uma Transa Amazônica” e “Baile Perfumado”.

São filmes diferentes, mas que, juntos, podem compor uma espécie de mapa de nossas lutas: contra a ditadura e o autoritarismo, contra o racismo e o apagamento, pela liberdade artística e comportamental, pela memória, pela diversidade e pela possibilidade de imaginar um país diferente.

Por isso, nosso encontro não é apenas para assistir a um filme.

É para lembrar.

É para conversar.

É para reconhecer o que conquistamos.

É para não esquecer o que perdemos.

E, sobretudo, para continuar procurando — juntos — o caminho que leva à libertação.

Porque nem tudo é paz e amor.

Mas também nem tudo está perdido.

E enquanto houver memória, desejo, criação, solidariedade e gente disposta a caminhar junto, continuaremos procurando o caminho que leva à libertação.

Nos vemos no cinema.

Os links sobre as publicações no blog sobre os filmes citados:


O ChatGPT disse:

Outros filmes que dialogam com a proposta

Um artigo que reúne o espírito de toda a sequência

Há ainda este texto  especialmente importante para o que estamos construindo:

“Cinema brasileiro: trincheira contra o ódio, a desinformação, o preconceito e o negacionismo”

https://acaoculturalse.blogspot.com/2026/08/cinema-brasileiro-trincheira-contra-o.html 

Ele inclusive coloca Nem Tudo É Paz e Amor e Anistia 79 no mesmo contexto e defende a ida às salas de cinema como forma de fortalecer a produção cultural, a memória e o debate democrático. 

“Da canção de protesto ao cinema da memória”