sábado, 8 de agosto de 2026

"Crème de la crème" - A professora Gisele Jordão na abertura do Plano de Formação Artístico e Cultural da Prefeitura de Aracaju realizada em 08/08/2026 na Universidade Tiradentes em Aracaju

 "Crème de la crème" é uma expressão francesa que significa "o creme do creme". É usada para indicar o melhor de um grupo, o topo da qualidade ou a nata de alguma coisa.

A professora, pesquisadora e produtora cultural Gisele Jordão é "crème de la crème" — e dificilmente alguém que participou do primeiro curso do Plano de Formação Artístico e Cultural da Prefeitura de Aracaju, promovido pela Secretaria Municipal da Cultura (Secult Aju), haverá de negar isso.

Gisele Jordão Costa é doutora em comunicação, gestora cultural e coordenadora do bacharelado em Cinema e Audiovisual da ESPM São Paulo. Desde 1993, atua como sócia-diretora da 3D3 Comunicação e Cultura, liderando grandes projetos e prestando consultoria em investimentos culturais. Suas pesquisas focam em consumo cultural e no poder de transformação social das artes

No link abaixo, vocês encontram a matéria da Secult Aju sobre esse primeiro dia; amanhã, publicaremos um artigo de nossa autoria com mais detalhes e observações.

O primeiro curso do Plano de Formação Artístico e Cultural da Prefeitura de Aracaju, promovido pela Secretaria Municipal da Cultura (Secult Aju), foi concluído neste sábado, 8, após um dia de atividades, reflexões e troca de experiências entre agentes culturais e a professora Gisele Jordão.

Com o tema “Introdução à Elaboração de Projetos Culturais”, a formação reuniu um público diverso e promoveu discussões sobre vários aspectos relacionados à elaboração e ao desenvolvimento de projetos culturais.

Segundo o assessor técnico e cultural da Secult Aju, Fabrício Aquino, a formação foi bastante proveitosa e conseguiu ir além da abordagem prática inicialmente planejada. “Gisele falou da elaboração de um projeto cultural e permeou diversos assuntos, como captação. Primeiro, ela fez um apanhado de pensamento crítico de várias áreas para mostrar como esse pensamento reverbera no projeto e se desdobra em suas justificativas, metodologia, objetivo geral e específicos, além dos resultados esperados. Mostrou também  como estruturar o projeto”, explicou.

Fabrício também destacou a participação do público e a adaptação da metodologia ao número de inscritos, pois a proposta inicial previa uma formação mais prática e precisou ser ajustada para o formato de palestra, sem comprometer a transmissão dos conteúdos, conduzidos por Gisele de maneira lúdica a partir de reflexões e exemplos de projetos que alcançaram bons resultados ou não tiveram sucesso, o que, segundo ele, contribuiu para a receptividade dos participantes.

O produtor audiovisual, Andrey Costa, conheceu o Plano de Formação pelas redes sociais da Secult Aju e participou da formação deste sábado. Segundo ele, a experiência superou as expectativas. “Eu estava esperando algo muito mais técnico, mas a fala e toda a experiência da Gisele contribuíram para incentivar a nossa visão crítica. Ela começa desde a base, mudando o nosso pensamento e a nossa visão em relação a como o artista deve se comportar, como deve pensar os produtos e toda a cadeia cultural de uma forma coletiva”, avaliou.

A operadora de telemarketing, Ana Paula, que está começando a atuação no setor cultural, também participou da formação após conhecer a iniciativa pelo Instagram. Para ela, o encontro apresentou uma abordagem que foi além da expectativa inicial de uma capacitação essencialmente técnica.

Achei que iria ser algo mais técnico, objetivo, porém seguiu uma linha muito mais teórica e prática e foi além do que foi proposto, que é essa questão da produção em si, da elaboração dos projetos, mas também uma visão cultural do local. Não só do planejamento, mas também dos projetos, como é que funciona, e a gente percebe que a elaboração  tem que ser pensada no local”, destacou.

Ao avaliar a experiência, Gisele Jordão destacou a diversidade do público e a troca construída ao longo da formação. “Eu aprendi a nunca esperar nada, porque aí toda surpresa é mais interessante, mas hoje eu consegui ter uma surpresa para além de qualquer expectativa, porque era um público muito diverso, com perspectivas muito diversas, e eu senti que a gente conseguiu coexistir da melhor forma possível”, afirmou.

A professora também ressaltou a participação dos agentes culturais durante o encontro. “Houve uma troca muito rica de perspectivas e ideias, com dúvidas muito pertinentes, requisições e compreensões. Houve uma troca de compreensões hoje aqui. Isso foi muito legal, e eu senti que a gente está começando um projeto muito potente, que eu espero ver crescer e participar”, disse.

Gisele ainda agradeceu à equipe da Secult Aju pela recepção e destacou a relação construída durante a atividade. “Essa cidade é muito impressionante, as pessoas são muito especiais, e isso ficou muito claro hoje aqui. Isso ficou muito evidente. Eu desejo toda sorte, agradeço à Secretaria de Cultura de Aracaju, pois fui bem recebida e desejo para vocês todo sucesso”, agradeceu.

Próximos passos 

O curso “Introdução à Elaboração de Projetos Culturais” integra o Plano de Formação Artístico e Cultural da Prefeitura de Aracaju. A iniciativa segue até novembro com atividades voltadas à capacitação de profissionais e agentes do setor cultural.

https://www.aracaju.se.gov.br/noticias/118764/formacao_realizada_pela_prefeitura_de_aracaju_reune_agentes_culturais_em_dia_de_troca_de_conhecimentos.html

Nota do editor do blog

Como na canção Paula e Bebeto de Caetano e Milton onde "qualquer maneira de amor  vale a pena". Para nós da Ação Cultural todo bom investimento em fomento cultural, formação e aprimoramento da legislação é sempre bem vindo.



Quem pode definir o que seria um candidato ao parlamento amigo do povo no varejo e inimigo no atacado?

 Como diferenciar um deputado amigo do povo no vareho e no atacado?

Sugestão para quem for abrir uma conversa em grupo ou individual sobre o assunto, apresentar primeiro a definição de varejo e atacado do dicionário e depois solicitar ao grupo ou a pessoa que  responda. E depois, apresentar a explicação abaixo. 

Diferenciar um deputado que defende o povo no varejo daquele que defende no atacado depende de identificar se a atuação dele foca em favores individuais ou em mudanças estruturais.

🏛️ Deputado do Varejo (Foco Assistencialista)
  • Ações individuais: Distribui ambulâncias, patrocina festas locais ou consegue consultas médicas para eleitores específicos.
  • Emendas parlamentares: Direciona recursos públicos para obras paradas ou pequenas reformas em sua base eleitoral visando votos imediatos.
  • Discurso local: Foca estritamente em problemas invisíveis ao restante do país para criar dependência política.

🌐 Deputado do Atacado (Foco Estrutural)
  • Leis nacionais: Vota e cria projetos que alteram impostos, direitos trabalhistas, saúde pública e educação para toda a população.
  • Fiscalização do Orçamento: Controla grandes gastos do Poder Executivo e combate desvios de bilhões em verbas públicas.
  • Impacto de longo prazo: Abre mão de privilégios imediatos para pautar reformas econômicas e sociais que beneficiam milhões de cidadão
  • Para prossegui a discussáo:
  • Como você avalia os projetos que o deputado da sua região votou recentemente?
  • Você prefere que o foco de um parlamentar seja trazer recursos diretos para a sua cidade ou votar grandes reformas nacional

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Tempo livre sem estrutura aumenta risco de adolescentes se envolverem em violência Desafio não é simplesmente preencher o tempo dos jovens, mas garantir que esse tempo seja vivido em contextos que favoreçam desenvolvimento, senso de pertencimento e participação social

 Por Camila Bezerra

04/08/26 • 14:07

Crédito: Antônio Cruz/ Agência Brasil

Resumo da notícia ​

Uma pesquisa internacional que ouviu mais de 58 mil adolescentes em 21 países identificou um fator até então pouco explorado no debate sobre violência juvenil: o tempo livre sem supervisão de adultos e sem atividades com propósito educativo, esportivo ou cultural. Segundo o levantamento, publicado em maio na revista científica PLOS One, esse tipo de tempo livre, quando o jovem fica por conta própria, sem rotina definida, tem forte relação com a participação em atos infracionais e episódios de violência.

Crédito: Antônio Cruz/ Agência Brasil

O trabalho integra o International Self-Report Delinquency Study (ISRD), rede de pesquisadores que, há mais de três décadas, aplica questionários anônimos a adolescentes para mapear tanto a prática de delitos quanto a condição de vítima de violência.

À frente da equipe brasileira está a psicóloga Marina Rezende Bazon, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (USP). Para ela, esse tempo desestruturado ajuda a explicar por que alguns jovens se envolvem mais em situações de risco: trata-se do período em que o adolescente decide sozinho o que fazer, muitas vezes circulando sem destino em contextos onde as chances de contato com atividades ilícitas são maiores.

Tempo livre desestruturado

O estudo diferenciou duas situações: o tempo passado dentro de casa, geralmente ligado ao uso da internet sem acompanhamento; e o tempo passado fora do ambiente doméstico, em ruas e espaços públicos, também sem monitoramento.

Ainda que o principal fator associado a delitos continue sendo a convivência com colegas que também cometem infrações, o tempo livre desestruturado surgiu logo depois como uma variável relevante, e essa relação se repetiu em todos os países analisados. Bazon chama atenção para o efeito somado dessas duas condições: a combinação entre grupos de pares infratores e ausência de estrutura no tempo livre é particularmente preocupante.

A quarta edição do ISRD reuniu dados entre janeiro de 2021 e maio de 2024. No Brasil, a coleta ocorreu em Ribeirão Preto e Sertãozinho, no interior de São Paulo, com cerca de 1,9 mil estudantes de 13 a 17 anos, de escolas públicas e privadas, seguindo um protocolo padronizado internacionalmente.

Os adolescentes responderam a questionários anônimos em tablets, usando a técnica da “delinquência autorrevelada”, perguntas indiretas sobre comportamentos específicos, como ter furtado algo de um estabelecimento, em vez de perguntar diretamente se o jovem já cometeu um crime.

Segundo Bazon, esse método tende a gerar respostas mais sinceras justamente por garantir o anonimato, revelando dinâmicas que as estatísticas oficiais não captam, já que estas refletem mais a atuação dos órgãos de controle do que a real extensão da violência entre jovens.

A pesquisa também investigou episódios de vitimização, perguntando aos participantes se já haviam sofrido ofensas ligadas a cor da pele, religião, orientação sexual ou aparência, tanto pessoalmente quanto pela internet.

Meninas

Um dos achados que mais chamou atenção foi o aumento da participação de meninas em condutas ofensivas on-line, sobretudo ataques relacionados à aparência física de outras pessoas. Bazon associa essa mudança à forma como a supervisão familiar se organiza: historicamente mais rígida com as meninas no mundo físico, essa vigilância se equilibra menos no ambiente digital.

As pesquisadoras também notaram que meninas aparecem mais entre os casos de sobreposição entre vítima e agressora: jovens que ao mesmo tempo sofrem e praticam violência. Esse grupo específico costuma apresentar quadros mais graves de sofrimento psicológico, conflitos familiares e dificuldades na escola.

Evasão escolar

Como a pesquisa foi feita com estudantes matriculados, os autores reconhecem que adolescentes em situação de maior vulnerabilidade — fora da escola ou em unidades socioeducativas — não foram incluídos, o que sugere que os números podem estar subestimando o problema entre os jovens mais expostos a risco.

Bazon reforça que a evasão escolar prolongada é hoje um dos principais indicadores de vulnerabilidade, com casos de adolescentes que passam anos afastados da escola sem que a rede de proteção atue de forma efetiva para reintegrá-los.

A pesquisadora também destaca que a delinquência autorrevelada aparece em todas as classes sociais, e não apenas entre os mais pobres. O que muda é a intensidade da vigilância policial e institucional, que recai desproporcionalmente sobre esse grupo.

Estresse tóxico

O ISRD já prepara sua quinta onda de pesquisas, que deve aprofundar temas como misoginia, crimes de ódio on-line e experiências adversas na infância — abuso, negligência, violência doméstica e convivência com adultos com dependência química ou transtornos mentais. Esse conjunto de vivências está ligado ao que os pesquisadores chamam de “estresse tóxico”, associado depois a problemas de saúde mental, dificuldades escolares e reincidência infracional.

No entanto, vale ressaltar que os dados reforçam a importância de investir em programas comunitários de lazer, esporte e cultura capazes de atrair os jovens, absorvendo parte do tempo livre com atividades estruturadas e supervisionadas.

De acordo com o estudo, uma redução de 20% no tempo livre desestruturado fora de casa esteve associada, em média, a quedas de 9,6% na prevalência de delitos e 7,4% na incidência de delitos na amostra total.

Isso não significa, porém, que a relação seja puramente linear. Bazon pondera que o efeito dessas políticas depende da qualidade das alternativas oferecidas e das condições sociais que estruturam o cotidiano dos adolescentes. No caso do tempo livre on-line, o desafio é ainda mais complexo: a exposição prolongada à internet sem mediação pode aumentar o contato com conteúdos e grupos de risco, mas também representa uma forma legítima de sociabilidade juvenil contemporânea. Por isso, a pesquisadora defende políticas de educação digital, proteção on-line e maior responsabilização das plataformas, além do apoio a famílias para o acompanhamento do uso da internet pelos filhos.

No fim, o estudo sugere que o desafio não é simplesmente preencher o tempo dos jovens, mas garantir que esse tempo seja vivido em contextos que favoreçam desenvolvimento, senso de pertencimento e participação social.

*Com informações da Agência Fapesp.