sexta-feira, 10 de julho de 2026

🎬 Vamos ao cinema assistir Anatomia do Caos!

 

Mais do que um documentário, o filme é um convite à reflexão sobre um dos períodos mais marcantes da história recente do Brasil. Ao revisitar os acontecimentos da pandemia e os debates da CPI da Covid, a obra contribui para preservar a memória coletiva e fortalecer o exercício da cidadania.

Acreditamos que a cultura e o cinema têm um papel fundamental na formação do pensamento crítico, na defesa da democracia e na ampliação do diálogo sobre temas que impactam a vida de todos nós. Por isso, prestigiar Anatomia do Caos é também valorizar o cinema brasileiro e apoiar produções comprometidas com a verdade, a memória e o interesse público.

📍 Convide amigos e familiares.
🎥 Vamos assistir, refletir e debater juntos.

SINOPSE:
A obra oferece um registro detalhado da CPI da Covid-19, utilizando imagens inéditas dos bastidores do Senado e depoimentos. O documentário aborda os momentos críticos da crise sanitária, incluindo conflitos políticos, revelações e a gestão federal da pandemia, focando na busca por responsabilidade e no registro histórico dos eventos.


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sábado, 27 de junho de 2026


Música e Cinema: "Vamos Fazer um Filme" da Legião Urbana Traduz a Importância dos Cineclubes

Sabe aquela música "Vamos fazer um filme", que a Legião Urbana lançou lá em 1993? Ela é muito mais do que uma letra bonita: é um verdadeiro manifesto sobre fazer as coisas juntos, mandar o papo reto e usar a arte para mudar o mundo.
E sabe o que tem tudo a ver com essa vibe? O nosso cineclube e as nossas oficinas de audiovisual e teatro popular! Na real, tá tudo junto e misturado (e, às vezes, junto e separado), porque a arte é uma coisa só. 🍿✨
Um cineclube não é só um lugar para ver filme comendo pipoca. É um espaço de resistência, onde a galera se reúne para debater, pensar e criar comunidade. Saca só como a letra da música explica direitinho a importância de todo esse movimento que estamos construindo:
1. "O sistema é mau, mas minha turma é legal" 🤝
  • Na música: O mundo pode ser um lugar difícil e isolador ("viver é foda"), mas a salvação está na união, no rolê com os amigos verdadeiros. É o famoso "um por todos e todos por um".
  • No nosso espaço: Em tempos onde todo mundo assiste a séries isolado no quarto, a gente junta a galera presencialmente. O cineclube e as oficinas transformam a arte em um rolê coletivo, onde ninguém precisa se sentir sozinho.
2. "A minha escola não tem personagem / Tem gente de verdade" 🗣️
  • Na música: Renato Russo criticava as aparências e as fórmulas prontas da TV, defendendo a vida real e as dores de verdade.
  • No nosso espaço: O cinema comercial adora entregar histórias rasas. Já o cineclube traz filmes independentes e documentários que mostram a realidade como ela é. A conversa depois da sessão ensina a galera a abrir o olho e não engolir qualquer narrativa pronta.
3. "Alguém falou do fim do mundo... Vamos fazer um filme" 🎬
  • Na música: Diante da bad e do pessimismo, a resposta é botar a mão na massa e criar algo novo. "Fazer um filme" significa reescrever a própria história.
  • No nosso espaço: É exatamente isso que as oficinas fazem! A gente não quer apenas que você assista, mas que você crie, atue e produza. Isso dá voz para quem o sistema tenta calar, permitindo que a nossa galera vire protagonista e conte suas realidades para o mundo.
4. "Como é que se diz eu te amo? Somos muito mais que isso" ❤️
  • Na música: Há um questionamento sobre o distanciamento moderno, reforçando que juntos somos mais fortes.
  • No nosso espaço: Trocar ideias olho no olho, seja debatendo um filme ou ensaiando uma cena de teatro, é um exercício puro de empatia. A gente cria laços de afeto reais através da arte.
No fim das contas, a Legião Urbana já dava a letra: a arte não serve só para entreter, serve para libertar a mente!



Sobre o Cineclube Realidade

O Cineclube Realidade é um projeto de exibição audiovisual independente e comunitário que atua em Sergipe, sendo gerido como uma atividade permanente do coletivo  Ação Cultural. [1, 2]
  • O Cinema Vai Onde o Povo Está 🚌🎬: O Cineclube Realidade opera fortemente de forma itinerante. Ele não fica preso a uma sala chique de shopping; ele roda por Sergipe, ocupando associações de moradores, escolas públicas e institutos comunitários em bairros como o São Braz (em Nossa Senhora do Socorro), em Aracaju, São Cristóvão,  Santo Amaro das Brotas, Rosário do Catete.. [1, 2]
  • Papo Reto sobre Temas Urgentes 🗣️✊: A curadoria  não foca em blockbusters vazios. Eles trazem produções independentes, curtas nacionais e mostras especiais de peso, como a Mostra Cinema e Direitos Humanos e a Mostra Mercosul Audiovisual. O foco principal é debater a realidade das periferias, as vivências da juventude, questões ambientais e direitos humanos. [1, 2, 3]
  • Cineclube + Oficinas: O Combo Perfeito 🔄🎭: O grande diferencial do Cineclube Realidade junto à Ação Cultural de Sergipe é que eles não querem que o público seja apenas espectador passivo. O espaço funciona de forma integrada com as oficinas de audiovisual e teatro. Isso significa que os filmes e vídeos gravados pela própria galera da comunidade e das oficinas são exibidos e valorizados na tela do cineclube, fechando um ciclo completo de arte, aprendizado e protagonismo. [1, 2]
Em resumo: é a ferramenta perfeita para descentralizar a cultura em Aracaju e arredores, garantindo que o cinema seja, de fato, um direito de todos.

Projeto contemplado no Edital de Chamamento Público nº 11/2024 – Rede Municipal de Pontos de Cultura de Aracaju, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e da Política Nacional Cultura Viva. Ministério da Cultura e Governo Federal, com participação da Funcaju, Prefeitura de Aracaju.

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quinta-feira, 9 de julho de 2026

VIVA AOS 48 ANOS DA PASTORAL DA JUVENTUDE DO MEIO POPULAR (PJMP)

A PJMP floresceu na Arquidiocese de Olinda e Recife (Pernambuco) em meados dos anos 70. No dia 09 de julho de 1978, aconteceu o primeiro encontro, e nele foi deliberada a criação de um movimento para acompanhar, subsidiar e articular os grupos de jovens do meio popular nas periferias da Arquidiocese. Posteriormente, foi decidido tomar forma de pastoral.

O Espírito Santo de Deus soprou bem forte e as sementes lançadas em Pernambuco logo se espalharam e floresceram também em outros estados e dioceses, que, em menos de um ano de caminhada pastoral, acontecia o primeiro encontro nacional da PJMP com a participação de jovens empobrecidos de todos os regionais da CNBB na época.

A PJMP nasceu a partir da influência direta de Dom Helder Camara e sua ação pastoral é baseada nos ensinamentos de Jesus Cristo. 

A PJMP é herdeira da linda história social da Igreja Católica, reafirmando tudo o que foi profetizado no Concílio Ecumênico Vaticano II, nas Conferências Gerais do Episcopado Latino-Americano e Caribenho (Medellín, 1968; Puebla, 1979; Santo Domingo, 1992; e Aparecida, 2007), nos Ensinamentos Sociais da Igreja (Magistério Social), nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), nas Pastorais Sociais, no Movimento Fraterno Encontro de Irmãos, na Ação Católica (Geral e Específica), no Movimento de Educação de Base, nos Círculos Bíblicos, na Educação Popular e na Teologia da Libertação. 

A PJMP carrega em sua história a Opção Preferencial pelos/as Empobrecidos/as e a Opção Preferencial pelas Juventudes, sendo ela mesma O VERBO PROFÉTICO de ambas as Opções Preferenciais da Igreja Libertadora e Transformadora: UMA PASTORAL DAS JUVENTUDES EMPOBRECIDAS. 

Ou seja, a PJMP não assume meramente essas Opções Preferenciais, ela mesma é o fruto, é o gesto concreto, é a vivência prática na sua ação pastoral, tornando-se a Opção Preferencial Pelas Juventudes Empobrecidas.

E mais recente, essa missão cravada no meio popular, encontrou profundo amparo com o Papa Francisco, quando na "Exortação Pós-Sinodal Cristo Vive", ele propôs uma Pastoral da Juventude Popular. (No Brasil, essa Pastoral já existe há 48 anos...)

No Plano Político Pastoral Missionário (PPPM), a missão da PJMP é: “Vivenciar o projeto libertador de Jesus Cristo, sendo Igreja em saída, que testemunha o Reino de Deus e a alegria do Evangelho nas periferias, atuando frente aos desafios eclesiais e sociais, como sinal de esperança nas experiências de fé e nas lutas da juventude do meio popular.”

VIVA AS JUVENTUDES DO MEIO POPULAR!!! 

Olinda-PE. 09.07.2026.

FILIPE XAVIER 

Militante, Educador e Historiador no meio popular.

A juventude é a bandeira do amor - Música da PJMP/ Pastoral da Juventude do Meio Popular









Artigo publicado no jornal “O Globo”, em 11 de abril de 1969, sintetizando entrevista dada por D. Hélder Câmara durante uma viagem feita à Manchester, na Inglaterra, em que conclama os estudantes de todo o mundo a se unir aos Beatles para denunciar a sociedade.





MAGNIFICA HUMANITAS de LEÃO XIV: o ARCO HISTÓRICO com PAULO VI na Doutrina Social da Igreja (II).

 Continuidade do comentário do Padre José Soares, arquidiocese de Aracaju,  sobre a primeira encíclica de Leão XIV;

NESTE SEGUNDO espaço para abordarmos o pensamento social da encíclica atual do Papa Leão XIV, queremos destacar a sua forte percepção no capítulo primeiro (Um pensamento dinâmico fiel ao Evangelho), com três expressões bem contundentes; abordaremos mais uma “janela” da Doutrina Social da Igreja (DSI) que corresponde ao pontificado de Paulo VI e faremos uma apresentação bem detalhada do que chamamos o arco histórico entre as ideias do Papa Leão e os pontificados do séc. XX, dando ênfase – claro que a ideia é essa – a Paulo VI e a Populorum Progressio.

1) As expressões de Leão XIV. O caminho da Doutrina Social da Igreja no século XX, não pode ser apartado do Concílio Vaticano II. Enquanto ele tem sido quase que “triturado” nas redes sociais e até em alguns ambientes da própria Igreja Católica, o Papa Leão XIV cita-o com abundância em sua encíclica e faz da Gaudium et Spes, “janela” – como chamamos no artigo passado – ou seja, um lugar profundo de interação com a DSI e o mundo atual. O papa afirma que a Doutrina Social, “nasce de uma Igreja que caminha com a humanidade” (M.H., n. 18) e enxergamos nesse número uma extraordinária chave de leitura para o capítulo primeiro e para quem está iniciando seus estudos ou pesquisas sobre o tema. Ele aborda as expressões que seguem:   

  - 1.1. “Patrimônio de Sabedoria” (n. 24). Uma colocação como essa perpassa e ultrapassa o campo eclesial, colocando o pensamento do papa na vanguarda das discussões sobre a Inteligência Artificial (IA), sobre o conhecimento científico – e ele aborda demais isso no n. 23 – dentro da discussão teológica e aproxima as ideias de Leão XIV de João XXIII e Paulo VI e dos demais papas que foram célebres no século XX. A ideia de patrimônio é profunda e significa: origem, herança, consistência, arcabouço, legado e bens. O próprio Papa Leão se expressa assim: 

“Alimentada por este diálogo fecundo entre Evangelho e conhecimentos humanos, a Igreja aprofundou progressivamente a sua Doutrina social, fazendo amadurecer ao longo do tempo um património de sabedoria dotado de uma coerência teológica e antropológica enraizada na visão cristã da pessoa” (M.H., n. 24).

Não se pode correr do diálogo e abertura com as ciências modernas e nem execrar o pensamento que está fora do redil da Igreja, pois, a Igreja tem uma Tradição imensa que a qualifica para debater e sugerir caminhos de luzes para a sociedade como um todo. A Igreja não é um pote seco à beira da estrada na espera de alguém para enchê-lo. Ela é uma fonte, lugar de saciar a sede e de tornar a sua água, espelho de vida e de salvação. E fechando a profunda citação do patrimônio, Leão fecha assim: a função da Doutrina social não é substituir as instituições, mas ajudar no discernimento e reconhecimento da dignidade das pessoas (n. 24)

  - 1.2. A toda luta insana pelo ‘poder’ – e na Igreja existe e muito, como na sociedade civil a ponto de desgastar, excluir e até matar – nos contrapomos com a verdade do evangelho (n. 25) e acrescenta: “antes de mais, não conta ocupar espaços de poder ou defender bastiões culturais, mas iniciar processos de bem e deixá-los amadurecer; assim, a verdade do Evangelho não se impõe de cima, mas cresce no tempo, no entrelaçar-se concreto das vidas, das comunidades e das culturas” (n. 25). Que afirmação forte e densa de conteúdo para nossas formações em paróquias e fora delas. O Papa Leão mostra que enxerga além de nossos limites eclesiais, escreve para aumentar a força da Doutrina Social da Igreja e sabe – com toda a certeza e pelas luzes que o acompanham – que nossos lugares curiais e eclesiais estão fragilizados, “adoecidos” e paralisados...INÉRCIA.   

  1.3. “Teologia da comunhão na história”. É o resultado de muita preocupação por parte da Igreja e dos crentes de todas as religiões (M.H. n. 27), que não se perca a defesa dos direitos de quem sofre. Esse caminho de luta e discernimento só se dá na história humana e ligada a ela com muita acuidade e misericórdia, para deixar claro a opção de Deus pelos últimos. Leão XIV afirma: “Assim, quando a dignidade dos irmãos é desfigurada, quando a política não responde aos dramas da humanidade, quando a economia se volta contra a pessoa ou a ciência ultrapassa os limites do seu método” (n. 27), a Igreja deve entrar nesse debate e recordar que ela possui instrumentos para servir a apoiar que está desfigurado e ferido. Uma exposição de fato extraordinária essa do n. 27, ao colocar a Teologia no lugar do encontro entre a fé de tantos irmãos e irmãs, excedendo o campo da mera doutrina especulativa, para mergulhar na prática de uma pastoral que resgata atitudes e vidas. Portanto: na Doutrina Social não se aceita o aniquilamento da     dignidade de ninguém; não se concebe uma política afastada do bem comum e não podemos conceber uma economia separada da ética e geradora de miséria exclusão social. 

2) A janela de Paulo VI. Temos que ressaltar nessa janela, a contínua percepção do papa em matéria de dialogar e defender a exaustão que a Igreja não se afaste dos princípios fundamentais do evangelho. Paulo VI não destrói, mas dá prosseguimento as ideias de João XXIII, encarando com vivacidade que o novo olhar de uma sociedade em estado de ebulição, carregada de profundas mudanças, mexeu e muito com os ensinamentos da Igreja. De modo “Ad Intra” é preciso destacar as iniciativas frequentes dos episcopados nacionais que, antes do Vaticano II eram inexistentes. O próprio Paulo VI deu um grande exemplo de impulso a colegialidade e profunda comunhão, quando esteve pessoalmente na Colômbia para a II Conferência dos Bispos Latino Americanos em 1968, a chamada Conferência de Medellin. Já de modo “Ad Extra” a Igreja viu-se perante novos e provocativos desafios do mundo moderno – já passado o Vaticano II – e os documentos que compõem a DSI precisam dizer algo: sobre a secularização e a pobreza crescente no mundo. E agora, qual a posição da Igreja numa sociedade que renunciou à sua estrutura vertical e à homogeneidade, mergulhando de vez no secularismo? Como devem agir os cristãos e os demais crentes? O Papa Paulo VI respondeu em 1971 com a Carta Apostólica Octogesima Adveniens de Paulo VI em 1971. 

Diante de tantas questões novas, a Igreja procura fazer um esforço de reflexão, para poder dar uma resposta, no seu campo próprio, à expectativa dos homens”. E continua: “A doutrina social da Igreja, com toda a sua dinâmica, acompanha os homens em tal busca diligente. Se ela não intervém para autentificar uma estrutura estabelecida ou para propor um modelo pré-fabricado, também não se limita a recordar alguns princípios gerais. Ao contrário, ela é algo que se desenvolve por meio de uma reflexão que é feita em permanente contato com as situações deste mundo, susceptíveis de mudanças, sob o impulso do Evangelho” (n. 42). 

    Com Paulo VI o método da DSI passa de dedutivo, para o método indutivo. A preocupação do papa não está mais em destacar os “altíssimos princípios da revelação e do direito natural para daí deduzir um modelo de sociedade cristã, válido para todos os casos, a traduzir em prática em todo tempo e em todo lugar, mas se parte da leitura dos “sinais dos tempos”, confiadas às diversas comunidades cristãs, para interpretá-los depois à luz do evangelho e do ensinamento da Igreja” (Sorge Bartolomeo, p. 15). A dinâmica do diálogo deve substituir a da imposição; a beleza do mistério está presente nas atitudes dos homens e mulheres que são imagem e semelhança de Deus; a presença eclesial não se dá só coma celebração constante dos sacramentos, mas com atuação cristã nas periferias “sociais e existenciais”, como nos disse o Papa Francisco, sucessor de Paulo VI. 


Cérebro Eletrônico
Gilberto Gil

O cérebro eletrônico faz tudo
Faz quase tudo
Faz quase tudo
Mas ele é mudo

O cérebro eletrônico comanda
Manda e desmanda
Ele é quem manda
Mas ele não anda

Só eu posso pensar
Se Deus existe
Só eu
Só eu posso chorar
Quando estou triste
Só eu
Eu cá com meus botões
De carne e osso
Eu falo e ouço. Hum

Eu penso e posso
Eu posso decidir
Se vivo ou morro por que
Porque sou vivo
Vivo pra cachorro e sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
No meu caminho inevitável para a morte
Porque sou vivo
Sou muito vivo e sei

Que a morte é nosso impulso primitivo e sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
Com seus botões de ferro e seus
Olhos de vidro

Tecnologia e humanidade em "Cérebro Eletrônico" de Gilberto Gil
Em "Cérebro Eletrônico", Gilberto Gil faz uma crítica direta à crescente presença da tecnologia e das máquinas na vida cotidiana, destacando suas limitações diante da experiência humana. Ao dizer “cérebro eletrônico faz tudo, faz quase tudo, mas ele é mudo”, Gil evidencia que, apesar de toda a eficiência e capacidade das máquinas, elas não possuem voz própria, sentimentos ou subjetividade. Essa reflexão ganha ainda mais força ao lembrar que a música foi composta durante a ditadura militar, período em que Gil estava preso e a liberdade individual era duramente reprimida. O contexto político se reflete na ideia de máquinas que “mandam e desmandam”, mas não compreendem ou sentem, sugerindo uma crítica ao controle social e à desumanização.

A letra ressalta a singularidade do ser humano em versos como “só eu posso pensar se Deus existe, só eu posso chorar quando estou triste”. Gil reforça que, por mais avançada que seja a tecnologia, ela nunca será capaz de acessar emoções, espiritualidade ou consciência – elementos que definem a humanidade. O trecho “cérebro eletrônico nenhum me dá socorro no meu caminho inevitável para a morte” mostra a limitação das máquinas diante das questões existenciais. Assim, a canção, com seu tom irônico e experimental típico do tropicalismo, alerta para o risco da alienação tecnológica e valoriza a autonomia e a sensibilidade humanas frente ao avanço das máquinas.
Fonte da letra e da análise do significado.  https://www.letras.mus.br/gilberto-gil/46197/



Nota do Editor 

Dando continuidade ao que fizemos no primeiro artigo da série, trazemos novamente a arte de Gilberto Gil para conversar com as reflexões do Padre José Soares. Essa união não é por acaso: ela ajuda a iluminar as belas e desafiadoras páginas da encíclica Magnifica Humanidade.

Mas é importante dizer: essa escolha não é só enfeite ou uma forma de tornar o texto mais “leve” para agradar os leitores. Ela nasce de uma convicção bem simples e ao mesmo tempo muito forte: a de que a música popular – principalmente a nossa MPB – é um lugar especial onde a filosofia, a fé e as angústias do mundo se encontram. Gilberto Gil não é apenas um grande compositor; ele é um pensador que, com suas letras, antecipou discussões que a própria Igreja demoraria anos para colocar no papel.

Quando ouvimos "Cérebro Eletrônico", por exemplo, Gil já estava falando, lá nos anos 1960, sobre os perigos de uma tecnologia que quer substituir o ser humano e sobre o valor insubstituível da nossa carne, da nossa dor e da nossa liberdade. Esse tipo de reflexão bate de frente com o que o Papa Leão XIV e o Papa Paulo VI nos disseram sobre os limites da ciência e a defesa da dignidade de cada pessoa. A canção popular, nesse sentido, funciona como um "termômetro da alma" – ela capta o que a sociedade está sentindo antes mesmo de os grandes documentos oficiais colocarem em palavras.

Além disso, trazer Gilberto Gil para perto do Padre Soares é uma maneira de escutar os "sinais dos tempos", que é exatamente o que a Doutrina Social da Igreja nos pede, especialmente desde o tempo de Paulo VI. A Igreja não pode ficar fechada em seus próprios muros; ela precisa aprender com a poesia que nasce nas ruas, nas rodas de samba e nas canções que embalam o dia a dia do povo brasileiro.

Portanto, essa ponte entre arte e teologia não é forçada. Ela é, na verdade, um jeito de dizer que o Espírito de Deus sopra onde quer – inclusive nas melodias – e que a reflexão sobre a vida, a morte, a técnica e o sentido da existência é de todos, não só dos especialistas. Ao unir Gil e o Padre Soares, queremos mostrar que a encíclica não é um texto frio e distante, mas uma conversa viva que ganha cor, ritmo e emoção quando a gente a escuta junto com a música brasileira.

ENCÍCLICA POPULORUM PROGRESSIO | DOM PAULO RESPONDE - 27/05/2025 #93

🕊️ Acompanhe a mensagem do Arcebispo de Olinda e Recife na Rádio Olinda! Todas as tardes Acompanhe a interação do Arcebispo de Olinda e Recife com seus fieis e mergulhe na beleza da compreensão.


Para ouvir a formação complete de Dom Paulo Jackson sobre Doutrina Social da Igreja na Rádio Olinda, clique aqui

A encíclica de Leão XIV “Magnifica humanitas”: áudio e texto

No 135º aniversário da “Rerum novarum”, o Pontífice reflete, em sua primeira encíclica, “Magnifica humanitas”, sobre a Doutrina Social da Igreja na era da inteligência artificial.  Aqui

O Papa Leão XIV enviou suas cordiais saudações a todos os participantes da Cúpula Global “AI for Good” 2026, organizada pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), a principal plataforma das Nações Unidas para o avanço da IA ​​a serviço do desenvolvimento sustentável. O evento se realiza em parceria com outras agências da ONU e é co-organizada pelo Governo suíço. A mensagem do Santo Padre foi assinada pelo secretário de Estado, card. Pietro Parolin.
Ao se reunirem para refletir sobre a IA, que suscita algumas das principais questões de nosso tempo a respeito do futuro da humanidade, o Pontífice assegura a presença da Santa Sé e sua abertura ao diálogo, especialmente neste momento de virada histórica.
Em sua recente Carta Encíclica Magnifica humanitas, escreve o secretário de Estado, o Papa Leão XIV expressou seu desejo de dialogar com todos os homens e mulheres de nosso tempo, a fim de “identificar novos caminhos para o bem comum e para a promoção de uma vida digna para todos”.
Deste modo, a Magnifica humanitas é fruto de sua escuta de “cientistas e engenheiros que trabalham com entusiasmo sincero em tecnologias capazes de aliviar sofrimentos imensos; líderes políticos e funcionários públicos que procuraram com tenacidade normas justas; pais e professores profundamente preocupados com o futuro das gerações mais jovens”. No entanto, ao mesmo tempo, ela também foi impulsionada por relatos preocupantes sobre possíveis usos indevidos de algoritmos e pela perda da autonomia humana em áreas críticas.
Ao desejar que participem de discussões construtivas e enriquecedoras, o Santo Padre garante suas orações em seus esforços “para servir à humanidade”.
Genebra acolhe desde terça-feira, 7 de julho, a cúpula “AI for Good”, ou “Inteligência Artificial para o Bem”, que se realiza após o Diálogo Mundial sobre a Governança da IA.
São quatro dias de palestras e workshops, com a participação de especialistas de todo o mundo. Do Brasil, entre outros, participa a líder indígena Puyr Tembé, da Terra Indígena Alto Rio Guamá, no Pará. Hoje, 9 de julho, ela deu sua contribuição no painel “IA, sabedoria indígena e o futuro da humanidade”.

serça-feira, 26 de maio de 2026

Magnifica Humanitas. Limites, possibilidades, perspectivas. Algumas análises


Para produção de conteúdo nessa postagem utilizamos IA para pesquisa de dados, revisão de texto  e produção de imagens

Abaixo, o primeiro artigo da trilogia...

terça-feira, 16 de junho de 2026

MAGNIFICA HUMANITAS de LEÃO XIV: o processo histórico e a Doutrina Social da Igreja (I) -Por Padre José Soares - Arquidiocese de Aracaju

NO CAMINHO histórico da Doutrina Social da Igreja ou Ensino Social, deixamos a poeira baixar – é um ditado popular muito forte – para nos manifestar sobre a primeira encíclica do Papa Leão XIV. Vamos elaborar dois ou três textos que possam nos ajudar a debater pontos da história entre Leão XIII (1878-1903) e o atual pontificado de Leão XIV, destacando mais os traços que são importantes para a compreensão e discussão da encíclica no campo da Doutrina Social, com relevo para a política social. São pontos fundamentais para o atual contexto em que vivemos de desmonte da democracia e pouca leitura eclesial por parte da maioria das pessoas, incluindo o clero e fiéis que seguem a Igreja.