Gildo Alves Bezerra *
Neste texto sobre a valorização profissional do magistério qualquer administrador deve saber que existe uma "obrigação mais ou menos solene" "da sociedade" em valorizar a educação. Visto que, este é um dos "princípios da educação pública brasileira".
Faz necessário saber que princípio se refere a "preceito, regra". "Art. 3º Inciso VII Valorização do profissional da educação escolar" (LDB) e a lei 11.738/ 2008 que instituiu o Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério Público da Educação Básica.
Então, aqueles que se propõem a ser administrador e fiscalizador da "coisa pública" não podem perder de vista os princípios e finalidades da educação nacional. Afinal de contas vivemos em uma República?
Outrossim, faz mister lembrar que o STF decidiu que o piso incide sobre o vencimento básico, não sobre a remuneração total.
Como também faz necessário lembrar aos executivos, fiscalizadores da aplicação da lei que "o reajuste é anual, geralmente em janeiro, baseado no crescimento do valor aluno do FUNDEB".
Como não agir "movido pela utopia de pensar e reinventar" Sergipe? Visto que, nossa elite agi e pensa nosso Estado de forma patriarcal, falocêntrica, misoginia, eurocêntrica.
Em suma, a elite sergipana e brasileira agi e pensa como manter os privilégios da população masculina e branca, demonstra um racismo silencioso, onde a igualdade só existe perante a lei.
"A literatura sempre foi um reflexo, mas também um elemento produtor de nossa identidade, (...)".
Faz mister pensar, qual reflexo e qual identidade está sendo produzida em Sergipe. E também refletir e agir sobre o que nos diz Djamila Ribeiro "a ausência ou a baixa incidência de pessoas negras em espaços de poder não costuma causar incômodo ou surpresa em pessoas brancas (...). E, para além disso, é preciso pensar em ações que mudem essa realidade".
"Nas últimas décadas, pesquisadores de várias áreas têm voltado sua atenção para a discussão do papel crucial das práticas de leitura e escrita na inserção dos alunos". (Abaurre, 2012: 07)
Mas, como mudar a realidade da educação em Sergipe se nos falta a valorização profissional, políticas de formação continuada e as condições de trabalho, principalmente, para o desenvolvimento da prática de leitura e escrita dos(as) educandos(as).
Mas, num Estado em que apenas 29,9% das escolas estaduais tem "bibliotecas escolares". Será que a renovação do acervo bibliográficos que retratam sobre as populações indígenas e negras já chegaram as salas de leitura?
Visto que, em apenas 17,6% das escolas municipais tem bibliotecas escolares.
O déficit de bibliotecas escolares é muito alto nas redes estaduais e mais gritante ainda nas redes municipais!!!!!!
Se este cenário já é gravíssimo. Visto que, dito de outra forma 70,1% das escolas estaduais não tem bibliotecas escolares e nos municípios 82,4% das escolas não tem bibliotecas.
Esta tragédia priva a maioria absoluta dos nossos educandos (as) do acesso à leitura.
Imaginem quando as bibliotecas escolares ou salas de leitura não fazem parte do projeto didático-pedagógico das unidades de ensino.
E mais dramático quando não há uma política de renovação do acervo, para que as crianças e adolescentes, tenham contato com as referências bibliográficas
Já pensou n(a Importância do Ato de Ler) de Paulo Freire, o patrono da educação brasileira e sergipana? "A leitura e a escrita são assuntos de interesse social". E também de Gilberto Dimenstein em "O cidadão de papel" quando vai tratar sobre a educação nos fala do "círculo tenebroso". E diz "um jeito de quebrar esse círculo tenebroso é investir em educação".
Mesmo sabendo que o contexto educacional é diferente de quando Dimenstein escreveu o livro ainda cabe a seguinte citação "Tirando uma ou outra exceção (as escolas técnicas, por exemplo), a escola pública não tem boas bibliotecas, nem laboratórios de informática e de ciências, as classes são lotadas, os professores ganham baixos salários e dão aulas em diferentes locais ".
Vejam governantes, principalmente, municipais e estaduais que Gilberto Dimenstein ver a educação como investimento. Bem diferente de governos reacionários que ver na educação com gasto!!!!
Será que os órgãos públicos que deveriam fiscalizar o cumprimento das leis e a aplicação dos recursos públicos e não fazem.
Mas, criminalizam a luta do magistério público sergipano podem se eximirem do epíteto de "algozes" da educação pública sergipana?
*Trabalhador, professor de história, ativista politico-social, sertanejo de Nossa Senhora da Glória-SE e pai de educandos da "escola pública sergipana" e da Universidade Federal de Sergipe.











