terça-feira, 23 de junho de 2026

O governo federal vai destinar 80 imóveis da União para a produção de 11.025 moradias populares em 44 municípios de 21 estados brasileiros.

 O governo federal vai destinar 80 imóveis da União para a produção de 11.025 moradias populares em 44 municípios de 21 estados brasileiros. A medida foi oficializada após a publicação do resultado do edital da modalidade Entidades do Minha Casa, Minha Vida, considerada a maior oferta única de imóveis da história do programa. A iniciativa permitirá que terrenos e prédios públicos atualmente sem uso sejam transformados em habitação para famílias de baixa renda organizadas por associações, cooperativas e movimentos populares.

Entre os imóveis selecionados estão áreas públicas urbanas e seis prédios do INSS que já são ocupados por famílias e passarão por processos de requalificação para se tornarem moradias permanentes. A Secretaria de Patrimônio da União terá até 150 dias para concluir a análise documental e viabilizar a contratação dos empreendimentos por meio da Concessão de Direito Real de Uso gratuita. Dos 91 imóveis inicialmente disponibilizados no edital lançado em 2025, 80 foram aprovados após análise técnica e seguirão para execução dos projetos habitacionais.

A medida reforça a política do governo Lula de utilizar patrimônio público ocioso para enfrentar o déficit habitacional e ampliar o acesso à moradia digna. A ação integra o programa Imóvel da Gente, que desde 2023 já destinou mais de 1.800 imóveis federais para políticas públicas em 638 municípios do país. Segundo o Ministério da Gestão e da Inovação, a estratégia busca não apenas ampliar a oferta de habitação popular, mas também recuperar imóveis degradados, revitalizar áreas urbanas e garantir que bens públicos cumpram sua função social.

Em Carta a Dom George Luiz, Bispo Diocesano de Propriá, Fiéis Pedem Diálogo e Revisão de Medida Contra o Religioso Frei Roberto

Na manhã deste dia 22 de junho, representantes de diversas comunidades católicas e movimentos sociais dos municípios de Poço Redondo, Porto da Folha, Monte Alegre de Sergipe, Graccho Cardoso, Gararu, Nossa Senhora de Lourdes e Canhoba estiveram na Cúria Diocesana de Propriá para protocolar uma carta dirigida ao Bispo Diocesano, Dom George Luiz.



O documento, subscrito por 493 fiéis, manifesta apoio ao Frei Roberto Eufrásio de Oliveira, missionário com longa trajetória de serviço pastoral na Diocese de Propriá, e solicita a abertura de um espaço de escuta, diálogo e reconciliação diante do anúncio de que o religioso estaria impedido de exercer atividades em parte do território diocesano.

As comunidades destacam que Frei Roberto faz parte da história da Diocese, tendo desenvolvido sua missão junto ao povo sertanejo, inspirado pelas orientações da Igreja Católica, pelo Concílio Vaticano II, pelas Conferências Episcopais de Medellín e Puebla e pela experiência das Comunidades Eclesiais de Base.

Na carta, os fiéis pedem que sejam ouvidas as comunidades envolvidas e que a situação seja reavaliada à luz da caridade pastoral, da misericórdia e do compromisso com a verdade, valores fundamentais da caminhada cristã.

Segundo os representantes das comunidades, a expressiva adesão ao documento demonstra o reconhecimento, a confiança e o apreço que os fiéis mantêm pelo trabalho missionário desenvolvido por Frei Roberto ao longo de décadas de evangelização no sertão sergipano.

Histórico de atuação

Frei Roberto Eufrásio de Oliveira, OFMCap, é um frade capuchinho e missionário Capuchinhos reconhecido por sua expressiva atuação pastoral na defesa dos povos empobrecidos, camponeses e indígenas no Nordeste brasileiro, com destaque histórico na Diocese de Propriá, em Sergipe Mangue Jornalismo. Ele é uma das figuras emblemáticas da chamada "Igreja dos Pobres" Teologia Nordeste e da aplicação das diretrizes do Concílio Vaticano II na região Teologia Nordeste. [1]
Atuação na Diocese de Propriá e Resistência
Durante as décadas de 1970 e 1980, Frei Roberto teve um papel central na organização social e religiosa no norte de Sergipe Mangue Jornalismo:
  • Opção pelos pobres: Ao lado de Dom José Brandão de Castro (primeiro bispo de Propriá), ele ajudou a estruturar as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) Mangue Jornalismo.
  • Conflitos agrários: Atuou diretamente junto à Comissão Pastoral da Terra (CPT) Mangue Jornalismo mediando conflitos contra elites latifundiárias Mangue Jornalismo. Apoiava os pequenos agricultores no "Caso Betume" Mangue Jornalismo e nas contestações contra obras da Codevasf IHU.
  • Causa Indígena: Participou ativamente da mobilização histórica de 1978 que resultou na retomada das terras sagradas dos indígenas Xokó, localizadas na Ilha de São Pedro, em Porto da Folha Mangue Jornalismo.
  • Perseguição: Em razão de seu compromisso social, foi agredido fisicamente em latifúndios Mangue Jornalismo e figurou formalmente na lista de religiosos investigados pelo aparato de repressão da Ditadura Militar em Sergipe Mangue Jornalismo.
Expansão da Ação Missionária e Legado Escritor
  • Formação na Paraíba: Nos anos 1980, estendeu seus trabalhos à Arquidiocese de João Pessoa, a convite de Dom José Maria Pires, colaborando na formação teológica e no Centro de Formação Missionária em Serra Redonda UFS.
  • Escola Missionária: Manteve colaboração estreita com o teólogo belga padre José Comblin na coordenação de escolas de formação pastoral popular Repositório UFPB.
  • Obras publicadas: Registrou os aprendizados da caminhada nos livros "Caminhando com Jesus: uma experiência missionária no Nordeste" RI UFPE e "Experiência missionária no Nordeste do Brasil: Manual do Missionário e da Missionária" Plínio Corrêa de Oliveira.
Nascido em julho de 1942 Capuchinhos, Frei Roberto celebrou mais de 50 anos de vida presbiteral Teologia Nordeste. Ele permanece reconhecido pelas comunidades de base como uma referência viva de memória histórica e compromisso social Teologia Nordeste

Veja a lista de 34 padres, freiras e leigos investigados pela ditadura militar em Sergipe. A opção da igreja pelos pobres era prova de comunismo



Inscrições abertas para oficina gratuita de iniciação teatral no Bairro Industrial

O Ponto de Cultura Ação Cultural, em parceria com a Paróquia São Pedro Pescador, abre inscrições para a Oficina de Teatro Popular, uma formação gratuita de 20 horas voltada para adolescentes a partir de 13 anos interessados em artes cênicas. A iniciativa integra o projeto contemplado pelo Edital de Chamamento Público nº 11/2024 da Rede Municipal de Pontos de Cultura de Aracaju, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e da Política Nacional Cultura Viva, com participação da Funcaju e da Prefeitura de Aracaju.

Oficina de Teatro no Conjunto Jardim em 2016 - Ponto de Cultura Ação Cultura Juventude e Cidadania

Uma imersão no universo teatral

A oficina propõe uma introdução prática e teórica à arte dramática, abordando desde princípios básicos do teatro até exercícios de interpretação e construção de personagens. A ementa inclui jogos dramáticos, expressão corporal e vocal, consciência cênica, além de uma breve viagem histórica pela arte da representação.

O objetivo é que os participantes descubram suas potencialidades criativas a partir de situações cotidianas contextualizadas em sua própria realidade, desenvolvendo não apenas habilidades artísticas, mas também uma reflexão crítica sobre seu papel na comunidade.

Metodologia e resultados esperados

Com uma abordagem que valoriza a confiança, a solidariedade e a sociabilidade, a oficina estimula os jovens a se expressarem através do corpo e da fala, improvisando a partir de temas objetivos e subjetivos. O processo criativo culminará na produção de pelo menos 2 esquetes teatrais (com duração entre 10 e 20 minutos cada), que serão apresentadas na Mostra Arte e Cidadania, em escolas públicas, equipamentos culturais do bairro e arredores, igrejas e no SAME.

Entre os impactos esperados estão o fortalecimento da identidade cultural dos participantes, o estímulo ao protagonismo juvenil, a melhoria da autoestima e o desenvolvimento de habilidades criativas e comunicacionais. A iniciativa também visa contribuir para a qualificação de artistas amadores e semi-profissionais residentes no Bairro Industrial e adjacências, abrindo portas para o ingresso no mercado da cultura e da economia criativa.

OFICINEIROS/FACILITADORES

Raimundo Venâncio (ator, diretor teatral, dramaturgo e produtor cultural): Cearense radicado em Sergipe, é uma referência no teatro local com forte engajamento social. Fundou diversas companhias, dirigiu o Complexo Cultural Lourival Baptista (CCLB). Foi reconhecido como Cidadão Aracajuano (2012) e Cidadão Sergipano (2016).

Tânia Maria ("Taninha") (atriz e cantora): Artista versátil de pequena estatura, mas grande presença cênica. Atuou em comédias e dramas, sendo seu papel mais marcante o musical Billie Holiday – A Canção. Também lançou o CD Tamanho Não é Documento e participa de projetos sociais com arte preventiva.

Parceria principal: Juntos realizaram o espetáculo Billie Holiday – A Canção, com Tânia Maria como intérprete e Raimundo Venâncio como diretor. A montagem foi sucesso nacional, recebeu o Prêmio SEBRAE de Economia Criativa 2023 e teve convites para se apresentar no exterior.

Serviço

Oficina: Teatro Popular – Iniciação Teatral

Carga horária: 20 horas 

Período: Entre 10 e 29 de julho (6 dias seguidos, terça a sábado, durante a tarde)

Local: Paróquia São Pedro Pescador (Av. João Rodrigues, Bairro Industrial, Aracaju/SE)

Público: Adolescentes a partir de 13 anos, jovens e adultos interessados em artes cênicas e cultura popular, sem necessidade de experiência prévia

Vagas: 20

Inscrições:  https://docs.google.com/forms/d/1jS62fYELnBpeb9Y0XrInSS6P8jMs4ld_U1v65-eNxWA/edit

Informações: Acompanhe as novidades pelo blog da Ação Cultural e redes sociais.

Não perca essa oportunidade de descobrir seu potencial artístico e transformar sua comunidade através da arte!

Ação Cultural abre inscrições para nova turma do projeto pioneiro de audiovisual com celular no Bairro Industrial

Após o sucesso das duas primeiras turmas, realizadas entre março e maio de 2026, o Ponto de Cultura Ação Cultural anuncia a abertura de inscrições para a 3ª Oficina de Audiovisual com Celular – "Cinema na Palma da Mão". A iniciativa, que integra o projeto contemplado pelo Edital de Chamamento Público nº 11/2024 da Rede Municipal de Pontos de Cultura de Aracaju, é realizada com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e da Política Nacional Cultura Viva, com participação da Funcaju e da Prefeitura de Aracaju.

Foto da gravação do minidoc "O Peso da Batina" com o Padre José Soares, um dos filmes de conclusão da 1ª turma da oficina "Cinema na Palma da Mão". 

Uma trajetória de sucesso e transformação

A primeira turma da oficina aconteceu de 24 de março a 23 de abril de 2026, reunindo 12 participantes, durante a tardes de terças e quintas,  na Paróquia São Pedro Pescador, no Bairro Industrial. Os encontros foram marcados por uma dinâmica complementar entre gerações e pelo entusiasmo dos aprendizes, que tiveram contato com todas as etapas do processo audiovisual: roteiro, captação de imagens e edição.

"Foi bonita a primeira aula da oficina. Fiquei contente!", destacou Zezito de Oliveira, assessor pedagógico e de produção, ao relembrar o reencontro com Marcel Magalhães, oficineiro que já havia conduzido a primeira oficina de audiovisual da Ação Cultural em 2012. A continuidade do trabalho, agora com a tecnologia dos celulares, representa a retomada de uma ação pioneira iniciada há mais de uma década e interrompida por causa da extinção do Ministério da Cultura em 2016 e consequente descontinuidade do então Programa Cultura Viva, hoje Lei Cultura Viva.

A segunda turma, realizada de 12 a 22 de maio de 2026 no turno da noite também na Paróquia São Pedro Pescador, consolidou o sucesso da iniciativa, com 14  novos participantes mergulhando no universo do audiovisual e produzindo conteúdos que refletem suas realidades e perspectivas.

Metodologia inovadora e experiências transformadoras

A oficina "Cinema na Palma da Mão" se destaca por sua abordagem prática e inovadora. Os participantes são incentivados a transformar seus dispositivos móveis em ferramentas de criação e expressão, aprendendo a narrar suas próprias histórias e a olhar criticamente para a realidade de suas comunidades. Um dos diferenciais é o uso de uma ferramenta de inteligência artificial para auxiliar na construção de roteiros e no esclarecimento de dúvidas, agilizando o processo de aprendizado.

 As aulas, conduzidas por Marcel Magalhães, roteirista e diretor com passagem por importantes festivais de cinema, têm sido avaliadas positivamente pelos participantes. "Foi muito bom, divertido compartilhar de cada um. As explicações de Marcel foram perfeitas e muito produtivas", comentou a aprendiz Patrícia. Ezequiel, outro participante, resumiu a experiência: "Muito boa a aula. Gerou muito entusiasmo, desejo de saber. Se a primeira aula foi assim... As próximas nos levará a passos mais distantes".

A diversidade geracional tem sido apontada como um dos pontos altos do projeto, promovendo uma rica troca de experiências entre adolescentes, jovens e adultos. Para a aprendiz Iasmin Feitosa, "a variação entre as idades... foi algo complementar. Acredito que todos nós iremos aprender muito com essa oficina, e também uns com os outros".

Por que participar?

Mais do que um curso técnico, a oficina se configura como um espaço de liberdade, transformação social e fortalecimento da cidadania, em sintonia com os princípios da encíclica Fratelli Tutti do Papa Francisco, que propõe a formação humana integral. Ao aprender a produzir audiovisual com o celular, os participantes adquirem ferramentas para:

Preservar a memória e a identidade de seus grupos e comunidades;

Ampliar a visibilidade de suas iniciativas culturais, rompendo barreiras geográficas;

Acessar novos recursos e editais de fomento à cultura;

Atuar como protagonistas na construção de narrativas próprias, combatendo estereótipos.

Serviço

As inscrições para a 3ª Oficina de Audiovisual com Celular – "Cinema na Palma da Mão" estão abertas para integrantes de iniciativas culturais, adolescentes, jovens, professores  e comunidade em geral do Bairro Industrial e adjacências, assim como  residentes em outros bairros de Aracaju, preferencialmente periféricos. As vagas são limitadas.

Período de realização: De 17/07 a 26/07 (dois finais de semana)

Local: Aracaju Parque Shopping, Bairro Industrial, Aracaju/SE (local a confirmar)

Carga horária: 20 horas

Inscrições:  https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScY2d4hTSkr7rjewsIOAsVUU7Fs7XrRivh8uFf_fkR8yHHUxQ/viewform

Informações: Acompanhe as novidades pelo blog da Ação Cultural e redes sociais.

Não perca essa oportunidade de transformar seu celular em uma ferramenta de criação e transformação social!


segunda-feira, 22 de junho de 2026

LIVE "CULTURA VIVA: DA SALA DE AULA AO TERRITÓRIO"

 "Cultura Viva: Da Sala de Aula ao Território – A Jornada Transformadora de uma Agente Jovem"

Data:  26 de junho de 2026

Horário: 19h

 Duração estimada: 60 a 90 minutos

Plataforma: YouTube (transmissão ao vivo)

Convidada: Iasmin Santos Feitosa – Agente Jovem Cultura Viva – Ponto de Cultura Ação Cultural (Aracaju/SE)

Mediação: Editor do Blog da Cultura 

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SOBRE A LIVE

O que acontece quando uma jovem sergipana mergulha nos bastidores da política cultural brasileira e sai transformada? Essa é a pergunta central da nossa próxima live, que receberá Iasmin Santos Feitosa, Agente Jovem Cultura Viva do Ponto de Cultura Ação Cultural, em Aracaju/SE.

Entre novembro de 2024 e junho de 2025, retomada neste ano de março até julho, Iasmin vive uma experiência que ela mesma define como "mais transformadora do que qualquer sala de aula". Nesta conversa aberta e descontraída, ela compartilhará os desafios, aprendizados e descobertas que marcaram sua trajetória como agente cultural.

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TEMAS QUE VAMOS ABORDAR

📌 A experiência transformadora 

📌 Os bastidores da política cultural 

📌 A viagem a São Paulo e a Rede Sacix 

📌 A ponte entre território e políticas públicas 

📌 Resistência, rede e futuro

PARA QUEM É ESTA LIVE

Esta live é para:

Jovens interessados em atuar na gestão e produção cultural

Agentes culturais, artistas e educadores

Estudantes e pesquisadores de políticas públicas e cultura

Qualquer pessoa que acredite no poder transformador da arte e da cultura comunitária

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DIFERENCIAL DA LIVE

Diferente de uma palestra tradicional, esta conversa será conduzida a partir de perguntas extraídas diretamente de um pequeno  relato autobiográfico da convidada, publicada no ABC Cultura Viva (https://pesquisaculturaviva.org/abc-cultura-viva/depoimentos/iasmin-santos-feitosa/ ) , garantindo profundidade, autenticidade e conexão com a experiência real vivida por ela.

Teremos também participação ao vivo do público nos comentários, com perguntas e interações em tempo real.

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SERVIÇO

O quê: Live "Cultura Viva: Da Sala de Aula ao Território"

Quem: Iasmin Santos Feitosa (Agente Jovem Cultura Viva)

Onde: https://www.youtube.com/@acaoculturalsergipe1

 Quando: 26/06/2026  às 19h

Projeto contemplado no Edital de Chamamento Público nº 11/2024 – Rede Municipal de Pontos de Cultura de Aracaju, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e da Política Nacional Cultura Viva. Ministério da Cultura e Governo Federal, com participação da Funcaju, Prefeitura de Aracaju.

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5ª Sessão do Cine Realidade com filmes da15ª Mostra Difusão Cinema e Direitos Humanos acontece nesta sexta-feira em Aracaju com a segunda exibição do filme "Pau d'Arco"

 “Pau d’Arco” alia cinema e jornalismo em um retrato comovente sobre liberdade e violência no campo

Dia: 26 de junho às 16 horas - Endereço: Rua Marechal Floriano, 80 - Rua do fundo do centro de criatividade e próxima a Rua Laranjeira. - Bairro Getúlio Vargas...



Documentário acompanha dois personagens de um dos episódios mais brutais da luta pela terra no Pará.

Por Cine NINJA - 9 de abril de 2025 14:27

Por Clayton Nobre

O documentário “Pau d’Arco”, dirigido por Ana Aranha, teve sua estreia no festival É Tudo Verdade 2025 como uma denúncia contundente e profundamente humana sobre um dos episódios mais brutais da luta pela terra no Brasil contemporâneo: a chacina de dez trabalhadores sem-terra em Pau D’Arco, no Pará, ocorrida em 2017. Com produção da Repórter Brasil e da Amana Cine, o filme investiga os rumos pós-massacre, mas também o silêncio que tenta apagá-lo da memória nacional.

Para o público da Cinemateca de São Paulo, o festival apresentou Pau D’Arco sob a lembrança do clássico “Cabra Marcado para Morrer”, de Eduardo Coutinho. Ambos os documentários constroem um elo poderoso com a linhagem de um cinema comprometido com a escuta, dando rosto e voz a personagens que carregam a experiência do trauma, da luta e da resistência no campo.

Muitos de nós, ativistas sociais, acompanhamos o caso da Pau D’Arco por meio de mídias como a Repórter Brasil e o jornalismo da CPT, a Comissão Pastoral da Terra. Aqui é importante mencionar quais são os limites éticos e estéticos que aproximam o cinema e o jornalismo por uma causa tão importante. Estamos falando de um jornalismo investigativo que usa o documentário como forma de expandir a experiência estética junto a espectadores diante de um caso urgente e que precisa sensibilizar e ganhar amplitude. Em “Pau D’Arco”, a jornalista Ana Aranha e equipe somaram as potências tanto do jornalismo (a apuração, a investigação, o contato com as fontes) quanto do cinema (a construção de um bom roteiro, personagens carismáticos, edição e ritmo). E sendo cinema, temos a liberdade de nos envolver sem quaisquer amarras da neutralidade.

Já falamos por vezes como a chamada crise do jornalismo, em nossa opinião, sempre se configurou na crise de uma determinada figura do jornalista corporativo, que trabalha dentro dos limites de uma redação jornalística e se vê rebaixado diante do fim do papel do mediador. Isso porque os novos produtores de conteúdo, cada vez com mais acesso às tecnologias de comunicação, conseguem meios para narrar suas realidades sem mediações de terceiros. Na Amazônia, isso é igualmente salutar. Onde caberia o papel do jornalista profissional diante dessa realidade?

Com uma necessidade latente da Amazônia contar sua história em primeira pessoa — e mais que isso: ser vista e ouvida —, o documentário se apresenta, inicialmente, com uma mediadora distante e coloca em cena dois protagonistas do caso da Pau D’Arco. Com uma abordagem sensível, a câmera se aproxima de Fernando dos Santos, o único sobrevivente que não esconde sua identidade, e de José Vargas, advogado dos sem-terra, ambos alvos de constantes ameaças.

Eles não são apenas fontes: são os pilares da narrativa, sujeitos ativos da história que se constrói. E que personagens! Fernando, assumidamente homossexual, conecta-se com o espectador pela ânsia de liberdade. Fernando não é apenas testemunha de uma tragédia, mas disso que é o desejo mais primoroso de um camponês que luta pela reforma agrária: a vida simples. Resistir pelo território não é apenas resistir ao chumbo e à reintegração de posse, mas por uma vida em sua plenitude. 

Durante o debate que assistimos após a exibição na Cinemateca, o entrosamento entre Ana e Vargas, o outro protagonista, era evidente. Em diversos momentos, Vargas afirmou que passou a encarar Ana quase como uma analista durante a construção do documentário. Em certa parte do filme, gravada durante a pandemia, vemos vídeos diários que Vargas gravava para Ana e para a Repórter Brasil, em que relata seu cotidiano de resistência e o sentimento de injustiça, ainda mais latente após ser ele próprio vítima de um processo judicial injusto. Assim como Fernando, ainda que de outro modo, Vargas se desnuda diante da própria câmera que ele opera, chora, emociona e nos mobiliza.

Não é exagero dizer que “Pau d’Arco” nos atinge com a força de uma verdade que já não cabe mais nos moldes do jornalismo tradicional. Mas, ao contrário do “soco no estômago” que muitas vezes se usa para definir filmes de denúncia, o impacto aqui é outro: é a construção de um vínculo afetivo, de um desconforto que nasce da escuta atenta e da empatia com os personagens e, no decorrer, a construção de um sentimento de mobilização. A narrativa não nos agride, ela nos convoca.

Ana Aranha, na verdade, começa a se revelar como personagem justamente neste momento de convocação, em que o espectador se sente impelido a uma participação mais ativa diante da impunidade e da injustiça. É como se ela representasse o espectador em um momento de revolta, dúvidas e questionamentos.

Mas há coisas que o jornalismo por si só não é capaz de operar e o cinema nos traz essa oportunidade de modo sublime. Os diálogos de Fernando e Vargas sobre a vida no campo e na cidade — a imagem que ilustra o cartaz do filme —, e depois os diálogos de Ana e Vargas sobre o ativismo, sobre a nossa impotência diante da impunidade, sobre a necessidade de nos manter ativos e resilientes, são momentos de rara intimidade e potência política. Não há concessões à espetacularização da dor, o que vemos são encontros entre pessoas que, em lugares diferentes da luta, compartilham a urgência de continuar. É nesses instantes que o filme transcende a denúncia para se tornar também um espaço de elaboração coletiva, de construção de sentido.

Democracia seletiva

O caso da chacina de Pau D’Arco, mais do que uma tragédia isolada, escancara o projeto de violência histórica que marca a luta pela terra no Brasil. O spoiler não é dos melhores. Assassinos permanecem soltos, mandantes desconhecidos e a denúncia extrapola o fato em si: trata-se de uma região marcada por outros massacres, como o de Eldorado do Carajás, e que carrega consigo os escombros de uma redemocratização inconclusa. Em Pau D’Arco, os algozes foram forças policiais, portanto o Estado brasileiro. O mesmo Estado que, ao fim da ditadura militar, deixou soltos seus operadores da repressão, manteve viva a metodologia da tortura e da eliminação de corpos indesejados, e perpetuou uma lógica de guerra contra os pobres, os pretos e os trabalhadores do campo.

E precisamos reconhecer nossa responsabilidade nessa redemocratização eterna. Quando a Lei da Anistia, ao fim de 1979, exclui os “criminosos comuns” — pretos, pobres, de periferia, os que roubavam pão, os que foram expulsos do campo para a marginalidade das cidades — em detrimento de “criminosos políticos” do rol de vítimas da ditadura, ela ajuda a consolidar um pacto que ainda hoje estrutura a violência institucional no Brasil e deixa aberta a tampa da ditadura. Nossa democracia foi seletiva em sua memória. Parte da militância, ao priorizar os artistas exilados e os estudantes brancos da PUC, negligenciou a violência que se abatia (e ainda se abate) sobre os corpos subalternizados. Reconhecer isso é fundamental para enfrentarmos o fascismo e o conservadorismo estrutural que persistem. A partir daquele ano, um conjunto de ocupações de fazendas improdutivas em diferentes estados deu corpo a um movimento agrário, fundado oficialmente em 1984, que viria a se tornar o maior do mundo. Contudo, a lógica militar já sedimentava sua noção de inimigo interno e operava a força ostensiva contra movimentos sociais, sindicais, do campo e das florestas.

Ana Aranha fala aos espectadores que “Pau d’Arco”, agora lançado e finalizado, segue para uma fase importante para o cinema político e ambiental: a produção de impacto. Pois o impacto não é um fim em si mesmo. A partir de agora, seu processo de distribuição é um ato político. Filmes socioambientais como este não deveriam existir apenas para colecionar prêmios ou enaltecer biografias, por mais que o mérito artístico exista — e de fato existe. Eles devem provocar incidência na sociedade, ocupar casas legislativas, alimentar o debate público e colaborar para a justiça. Assim também, o jornalismo.


Depois de sobreviver à chacina em que a polícia matou 10 sem-terras, a principal testemunha do crime e seu advogado lutam por justiça e pelo direito à terra. Ao seguir seus passos por sete anos na Amazônia Paraense, são revelados acontecimentos chocantes na tentativa de encobrir o crime.


Projeto contemplado no Edital de Chamamento Público nº 11/2024 – Rede Municipal de Pontos de Cultura de Aracaju, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e da Política Nacional Cultura Viva. Ministério da Cultura e Governo Federal, com participação da Funcaju, Prefeitura de Aracaju.