segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O DEVOCIONISMO E A FUGA DA PASTORAL Por Pe. José Soares


O Padre José Soares de Jesus, da Paróquia São Pedro Pescador, Arquidiocese de Aracaju,  publicou um artigo no qual analisa o crescimento do chamado "devocionismo ingênuo" nas comunidades religiosas, caracterizado por uma vivência da fé descomprometida com a reflexão e com a transformação social. O texto, que recupera ensinamentos do Papa Francisco, critica o clericalismo e as práticas pietistas que alienam os fiéis, e convoca a Igreja a retomar o caminho de uma espiritualidade encarnada, libertadora e comprometida com os pobres.

O MOMENTO atual é muito complexo para toda e qualquer atividade que envolva o espírito coletivo e sobretudo quando o tema é pastoral e conscientização. DURANTE o ciclo mais pesado da pandemia, vozes se levantaram em todo canto para negar o vírus e a vacina. Vozes no clero e na sociedade que vociferavam absurdos que acabou criando um profundo mal-estar em muita gente. De um lado os que se denominavam muito bem informados, os quase médicos/as de plantão e tinham receita para tudo - de ivermectina até remédio injetável - e para todas as idades. Do outro lado, os desinformados que sempre acatam todas as informações dúbias que aparecem e que só geram tolice, discórdia, polarização e um pouco de "estupidez social". Parece que esse tempo passou: será? Bom ficarmos atentos/as; talvez ele esteja bem forte e com outros nomes e adequações. 

NO CONTEXTO atual, está reflorescendo com força uma nova onda - já bem conhecida por teólogos/as - que intitulamos de "devocionismo ingênuo". É uma categoria religiosa e que tem força social e cultural, porque tem penetrado nas várias camadas da sociedade e das igrejas. O DEVOCIONISMO é um estilo de vida religiosa que se mostra pouco afeito a reflexão e que leva as pessoas para o campo do pietismo, do espraiamento de novenas que nunca terminam e que se situam entre a vida de Maria - só em alguns aspectos - a de alguns santos e dos anjos e arcanjos, que tem sido os mais procurados e divulgados por fiéis cristãos e até não fiéis, já que esperam uma ajuda miraculosa por parte daqueles a quem cultuam. Essas devoções não param de crescer e afetam de cheio o trabalho pastoral das igrejas e das comunidades. E quem lucra com essas práticas? Quem ganha muito com o devocionismo é o clericalismo, porque quanto maior for a ingenuidade e infantilização dos fiéis, mais uma parte do clero dominará o espaço religioso e se realizará com o pretexto de que está contribuindo com a fé do povo, o que não é verdadeiro e se situa na dimensão ilusória da fé.

O COMBATE a esse modo complexo de vida religiosa é bem difícil, pois, quem se distância ou aponta falhas nessa prática é logo rechaçado; quem procura abrir caminhos para esclarecer e ajudar o povo de Deus, a atravessar as vicissitudes da vida é visto como descrente. O Papa Francisco foi muito enfático quando escreveu na mensagem do Dia Mundial dos Pobres em 2024: "A fé cristã não pode ser reduzida a uma devoção passiva que não incomoda os poderes deste mundo". O cristão não pode enxergar a dor e a morte de tantas pessoas com fome e enfermas, sem dar o seu apoio, colocando-se contra os sistemas de opressão e denunciando as causas de tantas calamidades. Ele também na Evangelii Gaudium, alertou para uma vivência anêmica e frágil, sobretudo quando ela não muda nossas vidas e o contexto no qual vivemos. Diz ele: "A nossa fé é desafiada a entrever o vinho em que a água pode ser transformada, e a descobrir o trigo que cresce no meio do joio. Cinquenta anos depois do Concílio Vaticano II, apesar de nos entristecerem as misérias do nosso tempo e estarmos longe de otimismos ingênuos, um maior realismo não deve significar menor confiança no Espírito nem menor generosidade" (E.G. n. 84).

Concluindo, podemos nos preparar sempre para tempos de luta – referimo-nos a endurecimento desse devocionismo que na verdade é parte de um sistema orquestrado para alienar – e discernimento, para que o evangelho seja o nosso ponto de referência e não as práticas ingênuas e vazias – não falamos em nenhum momento em maldade, mas, muito fingimento religioso – que não ajudam no amadurecimento espiritual e humano das pessoas. A nossa referência está no evangelho e na busca de uma espiritualidade encarnada a partir de Jesus e de sua ação corajosa e libertadora. Despertar e rever caminhos para chegarmos numa pastoral que crie laços e não fique emaranhada nas doutrinas. Rever caminhos é compreender que devemos utilizar mecanismos do nosso tempo para dialogar com as pessoas, propor caminhos de vida espiritual, sem querer domesticar a ninguém. Vida pastoral é parceria que se concebe com a defesa dos que sofrem, o sopro do Espírito e a bondade de Deus que sempre chega antes de nossos esquemas e intenções. 

P. José Soares de Jesus.

Paróquia São Pedro Pescador.

- Obs. Devocionismo não é o mesmo que religiosidade popular. Muito diferente.

- E.G. – Evangelii Gaudium, uma Exortação Apostólica do Papa Francisco, 2013.


Para suscitar um debate entre a letra da canção "Religião Libertadora" (Pe. Zezinho) e o texto do Pe. José Soares sobre o "devocionismo ingênuo", proponho as três perguntas a seguir:

1. A fé que incomoda x a fé que acomoda

"É por causa dos profetas que anunciam, que batizam, que organizam, denunciam."

"É por causa de um Jesus que anunciava, mas também gritava aos grandes: ai de vós."

Enquanto a canção celebra uma fé que denuncia, organiza e incomoda os poderosos, o texto critica um "devocionismo ingênuo" que não incomoda os poderes deste mundo.

Pergunta: O que faz com que uma mesma tradição cristã produza, ao mesmo tempo, uma fé que denuncia as injustiças e outra que se refugia em práticas pietistas e alienantes? Que forças sociais e eclesiásticas alimentam cada uma dessas vertentes?

2. O clamor dos oprimidos x o silêncio da devoção

"É por causa dos pequenos e oprimidos, dos seus sonhos, dos seus ais, dos seus gemidos."

"É por causa de quem sofre a dor do povo, é por causa de quem morre sem matar."

A canção coloca a dor do povo como razão de ser da fé. O texto, por sua vez, alerta que o devocionismo ingênuo desvia a atenção das "vicissitudes da vida" e das "causas de tantas calamidades".

Pergunta: Como conciliar a devoção popular — que pode ser um consolo legítimo para quem sofre — com o risco de que ela se torne um "ópio" que desmobiliza a luta contra as estruturas que geram esse sofrimento? Onde traçar essa linha?

3. Profecia x clericalismo

"É por causa do profeta que se cala, mas até com seu silêncio grita e fala."

"É por causa de um Jesus que anunciava, mas também gritava aos grandes: ai de vós."

A canção exalta a profecia — inclusive a que grita contra os poderosos. O texto denuncia que o devocionismo ingênuo favorece o clericalismo, pois "quanto maior for a ingenuidade e infantilização dos fiéis, mais uma parte do clero dominará o espaço religioso".

Pergunta: A estrutura hierárquica da Igreja tende a incentivar ou a inibir a profecia libertadora? O devocionismo ingênuo seria uma consequência intencional ou apenas um subproduto da lógica institucional?

Essas perguntas podem abrir um debate sobre o papel da religião na sociedade contemporânea: se ela deve ser um instrumento de conformação ou uma força de transformação — e quais os mecanismos que a empurram para um lado ou para outro.

Zezito de Oliveira - Editor do Blog da Cultura









Onde estava você? Fome Zero, Cultura Viva e a força que a esquerda precisa reencontrar, inclusive para vencer eleições.

 

A pergunta que ecoa de uma canção de Guilherme Arantes lançada em 2013,  de uma conversa na Comunidade Bom Pastor, Aracaju, em  2023  e da dificuldade dos candidatos de esquerda em obter sucesso em eleições  recentes, serve de fio condutor para uma reflexão sobre os limites e as contradições de duas políticas emblemáticas dos governos Lula — o Fome Zero e o Programa Cultura Viva. Criados para além do mero assistencialismo, com vocação emancipatória e forte participação social, ambos os programas viram sua dimensão transformadora ser gradualmente engolida pela cultura burocrática do Estado, segundo críticas de seus próprios formuladores, Frei Betto e Célio Turino,  mesmo com esforços recentes em atenuar no caso do Cultura Viva com as lei 13.018/2014 e  a Lei 14.903/2024 que estabelece o marco regulatório do fomento à cultura, no âmbito da administração pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.  O texto argumenta que a esquerda, ao apostar quase todas as fichas no fortalecimento das estruturas estatais, pode ter negligenciado o fortalecimento da sociedade civil, e que a pergunta "onde estava você?" — dirigida não ao eleitor, mas à própria esquerda — insiste em permanecer sem resposta, sobretudo quando se trata de reconstruir redes de autonomia, protagonismo e organização popular que sobrevivem independentemente dos governos.

A canção “Onde Estava Você” (1) , do Guilherme Arantes, lançada em 2013, insiste em voltar à minha cabeça. Não por acaso. Ela me lembra uma conversa que tive com o professor Romero Venâncio(2), lá na Comunidade Bom Pastor, em 2023. E, desde então, ela não para de me perguntar uma coisa que a esquerda parece ter esquecido de responder: onde estávamos nós, como lideranças de esquerda fora deste período eleitoral,  quando o Estado não estava,  ou mesmo onde estamos quando este chega mesmo de forma incipiente, paliativa, incompleta?

O governo Lula, com toda a sua importância histórica, talvez tenha cometido um erro delicado: apostou quase todas as fichas no reforço das estruturas estatais. Estruturas necessárias, meritórias, fundamentais — mas insuficientes. Porque há lideranças e iniciativas sociais, culturais e políticas de esquerda que precisam ser fortalecidas a partir do Estado, sim, mas sem ficarem presas às amarras pesadas da cultura burocrática estatal.

Essa reflexão nos leva a duas experiências que marcaram os primeiros governos Lula: o Fome Zero e o Programa Cultura Viva. Experiências diferentes, mas que compartilham uma mesma pergunta de fundo: o que acontece com uma política pública quando ela deixa de ser um instrumento de emancipação e vira apenas um mecanismo de compensação?

O Fome Zero não nasceu dentro do Estado. Nasceu da sociedade. Foi gestado no Instituto Cidadania, com a participação de ONGs, sindicatos, movimentos sociais, pesquisadores. A fome não foi descoberta pelo governo — ela já estava lá, viva, dolorida, e foi a sociedade quem a colocou na mesa. O Estado entrou depois, para dar escala. E essa origem importa. Porque ela revela algo que depois se perdeu: a política como reconhecimento de uma demanda social, e não como concessão.

Frei Betto, que esteve na formulação inicial, sempre fez uma distinção que considero precisa. Não se trata de negar o Bolsa Família — ele mesmo reconheceu sua importância. Mas, para ele, o Fome Zero tinha um caráter emancipatório, enquanto o Bolsa Família assumiu um caráter compensatório. O Fome Zero pretendia mexer nas estruturas sociais, associar a “fome de pão” à “fome de beleza”, promover educação cidadã, passar da consciência ingênua à consciência crítica. Essa dimensão, diz ele, não avançou como deveria.

E é aqui que a Cultura Viva entra como um contraponto e um espelho.

O Cultura Viva também não nasceu para ser um programa de financiamento qualquer. Nasceu para reconhecer o que já existia. A ideia era simples e revolucionária: o Estado não deveria dizer aos grupos culturais o que fazer; deveria reconhecer o que eles já faziam, apoiar, fortalecer, criar condições para que fizessem mais. “Moldar-se à realidade, em vez de moldar a realidade.” Essa inversão é tudo.

A Lei 13.018/2014, que transformou o programa em política nacional, é clara: autonomia, protagonismo, capacitação social das comunidades. O Estado, ali, não é o centro. É o apoio. Mas, na prática, o que acontece quando o recurso público chega? Chegam também os editais, os formulários, as prestações de contas, os prazos, os sistemas eletrônicos. E a pergunta que não quer calar: como financiar uma iniciativa social sem burocratizá-la? Como exigir responsabilidade sem destruir a autonomia de quem recebe?

Célio Turino, um dos formuladores do Cultura Viva, foi ainda mais fundo. Ele identificou uma mudança de concepção a partir de 2011, quando, segundo sua avaliação, a dimensão experimental, comunitária e emancipatória do programa foi perdendo espaço para uma lógica mais tecnicista e burocrática. Não faltou dinheiro apenas. Faltou compreensão. A política foi sendo substituída pela técnica. A comunidade deixou de ser sujeito e voltou a ser tratada como alguém que precisa ser capacitado pelo Estado. Inversão perigosa.

E, dentro da Cultura Viva, havia um braço que talvez tenha sido o mais subestimado e o mais perseguido: a Cultura Digital. Lá nos anos 2000, enquanto o mundo ainda discutia inclusão digital, os Pontos de Cultura já experimentavam software livre, conhecimento compartilhado, produção colaborativa, comunicação comunitária. Não se tratava de ensinar a comunidade a usar a tecnologia, mas de fazer com que ela produzisse, compartilhasse e tivesse autonomia sobre a tecnologia que utilizava.

O Brasil, entre 2004 e 2010, chegou a ser referência mundial nisso. Hoje, quando discutimos inteligência artificial, soberania digital e o poder das plataformas, parece que esses problemas surgiram ontem. Mas já estavam ali, nos Pontos de Cultura, nos estúdios multimídia, nas oficinas de metarreciclagem, nos jovens hackers, nas redes colaborativas. A pergunta não era apenas técnica. Era política: quem controla a narrativa? Quem produz a memória? Quem decide o que aparece e o que desaparece?

Essa experiência, infelizmente, perdeu centralidade. Turino fala em retração, retrocesso, desmonte. E, no Lula 3, embora a Cultura Viva tenha sido institucionalmente retomada, a pergunta que fica é: estamos recuperando apenas a estrutura ou também a filosofia? Porque uma coisa é ampliar editais. Outra é reconstruir redes. Uma coisa é transferir recursos. Outra é fortalecer autonomia.

E é aí que as duas experiências se encontram. Fome Zero e Cultura Viva, cada uma a seu modo, nos ensinam que não basta financiar. É preciso potencializar. O Estado pode colocar recursos onde antes não havia, pode reconhecer o invisível, pode garantir direitos. Mas ele não pode ocupar o lugar da sociedade. Porque, quando ocupa esse lugar, mesmo com boas intenções, a sociedade pode perder justamente aquilo que mais precisa para transformar a realidade: autonomia, organização, criatividade e capacidade de construir seu próprio futuro.

Talvez a esquerda precise reencontrar a sociedade. E talvez seja por isso que a pergunta continua fazendo sentido, quase dez anos depois da canção de Guilherme Arantes e três anos depois daquela conversa na Comunidade Bom Pastor: onde estava você?

A resposta, provavelmente, é que estávamos ali o tempo todo. Nos territórios. Nas comunidades. Nos Pontos de Cultura. Nos movimentos. Nos jovens. Nas redes. Só faltou — e talvez ainda falte — àqueles  que ficam mais presos aos gabinetes, aos grandes eventos, voltar a nos encontrar, mas não agora, não por causa da campanha eleitoral.

(1) Onde Estava Você? - Guilherme Arantes

Só o tempo em nós respondeu

Em que se transformou

A amizade que uma vez existiu

Quem foi leal, quem ficou e o que se abandonou


Onde estava voc

Quando mais eu precisei

Do amigo pra lutar

Em tempos de guerra e paz


Onde andava você

Quando o mundo me esqueceu

Na areia do deserto e não te achei jamais


Tanto trabalho que deu

Reconstruir o chão

O universo desabou num furacão

Pedra por pedra, valeu

O aprendizado é assim


Onde estava você

Quando mais eu precisei

Do amigo pra lutar

Em tempos de guerra e paz


Onde andava você

Quando o mundo me esqueceu

Na areia do deserto e não te achei jamais


Quando somos jovens

Tantos sonhos são pra durar

Muitos só nos álbuns

De memórias pra guardar


Só o tempo em nós respondeu

Em que se transformou

A amizade que uma vez existiu

Quem foi leal, quem ficou

E o que se abandonou


Onde estava você

Quando mais eu precisei

Do amigo pra lutar

Em tempos de guerra e paz


Onde andava você

Quando o mundo me esqueceu

Na areia do deserto e não te achei jamais


Quando somos jovens

Tantos sonhos são pra durar

Muitos só nos álbuns

De memórias pra guardar

(2) Lembro do professor  Romero Venâncio ter feitio referência a um escrito de Lênin para reforçar seu argumento. Pela proximidade com o argumento apresentado, uma hipótese é o texto É Melhor Menos, mas Melhor”, escrito em 2 de março de 1923 e publicado no Pravda em 4 de março daquele ano. Nele, Lênin critica os problemas do aparelho estatal soviético, a burocratização e a pressa administrativa, defendendo sua reconstrução cuidadosa e a utilização dos melhores elementos existentes na sociedade. Ver: LÊNIN, V. I. “É Melhor Menos, mas Melhor”. In: Obras Escolhidas em três tomos. Lisboa; Moscovo: Edições “Avante!”; Edições Progresso, 1977, t. 3, p. 670-681.

domingo, 30 de agosto de 2026

"A Globo é inimiga do povo brasileiro e como tal deve ser tratada". Frase do biógrafo e jornalista Fernando Morais. Entende o porquê na matéria abaixo..

“Então era isso mesmo? Existia um plano? Enquanto os entrevistadores se vestiam com um ar sério e incorruptível, parecia natural acusar o outro, porque ali, naquele jornal, ali sim mora a honestidade acima de qualquer suspeita.

Como se chama aquilo? Jornalismo investigativo? Qualquer pedaço de frase que a Polícia Federal diz é usado como prova definitiva. Todos os policiais da Polícia Federal são incorruptíveis???? Vocês garantem??? Isso é denúncia? Denúncia de quê? Lula é um candidato e não está envolvido em nada! Aonde vocês querem chegar?

A metade da entrevista foi sobre pedaços de frases, fotografias, suspeitas, nenhuma prova. A ideia era, outra vez, aumentar suspeitas sem provas sobre Lula?

O Mendonça quebrou o sigilo bancário do Fabio Luis em janeiro e não encontrou NADA. Mas vocês continuam nessa batalha para derrubar Lula. Descaradamente agora.

Assisti hoje jornais da Gnews e me surpreendi com o enorme tempo gasto unicamente com a primeira parte da entrevista de Lula ao JN. Suspeitas.

Tudo o que Lula tentou dizer sobre Brasil, educação, economia, segurança, parece que a maior emissora de TV do país não deu nenhuma importância.

Os projetos, o olhar que Lula tem sobre o Brasil, aliás, o único candidato que tem um projeto democrático de país, não despertou o menor interesse da Globo.

Se este país cair outra vez nas mãos da extrema direita estúpida, inimiga da educação, da cultura, dos projetos sociais, nós, brasileiros, saberemos identificar os responsáveis por isso.” NEIDE DUARTE. Repórter. In: Instagram

Leila Cordeiro

 "Quando vocês tiverem dúvidas quanto a que posição tomar diante de qualquer situação, atentem: Se a Rede Globo for a favor, somos contra. Se for contra, somos a favor!"   

 ( frase dita por  Leonel Brizola em seus discursos políticos e comícios ao longo das décadas de 1980 e 1990.)

O direito de resposta conquistado por Leonel Brizola em 1994 decorreu de um editorial publicado pelo jornal O Globo em 1992 que criticava sua gestão como governador do Rio de Janeiro. Após uma batalha judicial de dois anos, a Justiça determinou que a Rede Globo lesse em horário nobre a defesa redigida por Brizola, resultando em mais de dois minutos de críticas diretas à emissora no Jornal Nacional. 

Leia a íntegra do direito de resposta do governador Leonel Brizola no Jornal Nacional, da TV Globo. O texto foi redigido em 1992:

"Em cumprimento à sentença do juiz de Direito da 18ª Vara Criminal da Cidade do Rio de Janeiro, em ação de direito de resposta, movida contra a TV Globo, passamos a transmitir a nota de resposta do sr. Leonel de Moura Brizola.

'Todos sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça. Aqui cita o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado perante o povo brasileiro. Quinta-feira, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar editorial de 'O Globo', fui acusado na minha honra e, pior, apontado como alguém de mente senil. Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador Roberto Marinho, que tem 86 anos. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si. Não reconheço à Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos, que dominou o nosso país.

Todos sabem que critico há muito tempo a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou na quinta-feira, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípios. É apenas o temor de perder o negócio bilionário, que para ela representa a transmissão do Carnaval. Dinheiro, acima de tudo.

Em 83, quando construí a passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar de todas as formas o ponto alto do Carnaval carioca. Também aí não tem autoridade moral para questionar. E mais, reagi contra a Globo em defesa do Estado do Rio de Janeiro que por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior.

E isso é que não perdoarão nunca. Até mesmo a pesquisa mostrada na quinta-feira revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado. Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade. Seria antes um dever para qualquer órgão de imprensa, dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção.

Quando ela diz que denuncia os maus administradores deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante do seu poder.

Se eu tivesse as pretensões eleitoreiras, de que tentam me acusar, não estaria aqui lutando contra um gigante como a Rede Globo.

Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado. Quando me insulta por nossas relações de cooperação administrativa com o governo federal, a Globo remorde-se de inveja e rancor e só vê nisso bajulação e servilismo. É compreensível, quem sempre viveu de concessões e favores do Poder Público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesma.

Que o povo brasileiro faça o seu julgamento e na sua consciência límpida e honrada separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis, gananciosos e interesseiros.'

assina Leonel Brizola."

Leia também

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Conhecimento histórico para entender o embate da sabatina de ontem. Globo X Lula

 O polêmico acordo financeiro de 1962 entre as Organizações Globo e o grupo norte-americano Time-Life, que injetou cerca de 5 milhões de dólares e tecnologia dos Estados Unidos na fundação da emissora, forneceu as bases econômicas e o modelo de negócios que transformaram o canal na maior potência de comunicação do Brasil sob as bênçãos e o alinhamento ideológico da ditadura militar durante a Guerra Fria, uma raiz histórica que ainda hoje alimenta críticas sobre a  submissão do canal a Washington, como ilustrado em recente publicação, abaixo,  que ironiza a emissora como a "melhor funcionária da Casa Branca" por ignorar o assédio de Donald Trump ao presidente do país durante uma entrevista de quase uma hora.

https://acaoculturalse.blogspot.com/2026/08/conhecimento-historico-para-entender-o.html


Candidatos mitômanos não entram em entrevistas para esclarecer o eleitorado, mas para sequestrar a credibilidade do jornalismo e dar aparência de informação às próprias falsidades. Diante deles, objetividade não significa tratar mentira e fato como equivalentes. Algumas sugestões que reuni com colegas professores de jornalismo (aqui resumidas, no UOL estão na íntegra):

1. Prepare-se antes: mapeie mentiras recorrentes, reúna dados e antecipe as falsidades.
2. Conteste na hora: uma afirmação falsa não pode seguir adiante como se fosse apenas uma opinião.
3. Use tecnologia: checagem em tempo real, pesquisa e IA podem municiar o entrevistador com ajuda de colegas nos bastidores.
4. Não manchete a mentira: destaque a ausência de evidências, e não a falsidade que o candidato deseja viralizar.
5. Use o sanduíche da verdade: apresente primeiro o fato, depois exponha a mentira e termine reafirmando a realidade.
6. Controle a metralhadora: interrompa avalanches de falsidades e obrigue o candidato a responder.
7. Exija provas: “especialistas dizem” ou “há estudos” não bastam sem nomes, documentos, números e fontes.
8. Não confunda equilíbrio com equivalência: imparcialidade é aplicar os mesmos critérios a todos, não colocar fato e mentira no mesmo nível.
9. Explique o perigo da mentira: falsidades políticas podem alimentar perseguições, provocar mortes ou justificar desmontes.
10. Não premie o mentiroso: evite transformar mentira em audiência e propaganda gratuita.

Quem chama cuidado de censura confunde liberdade de expressão com direito a desinformar. O candidato mitômano espera jornalistas intimidados pela acusação de parcialidade. Quando encontra isso, espreguiça-se. E a responsabilidade não é de uma pessoa ou outra, mas de veículos e do jornalismo.

NEIDE DUARTE E LEILA CORDEIRO SOBRE ENTREVISTA NO JN: “VISIVELMENTE TENDENCIOSA” | Cortes 247





sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Um prédio vazio no centro de Aracaju pode virar moradia, cultura e trabalho?

 

Imagem-conceito: como poderia ser um antigo prédio hipotético  após uma requalificação inspirada em experiências do Programa Imóvel da Gente. A proposta combina referências de habitação social, retrofit, cultura, economia solidária, pequenos empreendimentos e uso comunitário presentes em projetos desenvolvidos ou destinados pelo programa em diferentes cidades brasileiras

Experiências do Programa Imóvel da Gente mostram que antigos imóveis federais podem ganhar novas funções sociais — e Sergipe já está entre os estados contemplados pela nova fase do programa, mas com outros imóveis. 

Por que um grande edifício federal desativado no centro de Aracaju deve permanecer sem uso quando poderia abrigar famílias de baixa renda, organizações da sociedade civil, iniciativas culturais, empreendimentos de economia solidária e pequenos negócios?

A pergunta ganha novo significado diante dos resultados do Programa Imóvel da Gente, criado pelo Governo Federal para dar função social a imóveis da União que estão vazios, ociosos ou subutilizados.

A proposta para Aracaju é particularmente concreta: existe um grande prédio pertencente ao INSS, localizado na região central da cidade, cuja reforma foi iniciada em 2023 e posteriormente paralisada.

Em vez de simplesmente retomar o projeto original, seria possível discutir uma nova concepção para o imóvel: transformá-lo em um edifício de usos múltiplos, articulando habitação, cultura, trabalho, economia solidária, comunicação, tecnologia e turismo.

Não seria uma experiência sem precedentes.

O Governo Federal já está fazendo isso

O próprio Governo Federal define o Imóvel da Gente como uma política destinada a utilizar o patrimônio da União para implementar políticas públicas, entre elas habitação, regularização fundiária e criação ou melhoria de equipamentos públicos de educação, saúde, assistência social e cultura.

As diretrizes atuais do programa estão organizadas em quatro linhas de ação: provisão habitacional de interesse social; regularização fundiária urbana; políticas públicas e programas estratégicos; e empreendimentos de múltiplos usos em grandes áreas.

Essa última possibilidade é especialmente importante para pensar o caso de Aracaju.

O prédio do antigo INSS não precisaria ser tratado como um imóvel destinado a uma única finalidade.

Ele poderia ser pensado como infraestrutura pública para várias políticas simultaneamente.

O antigo INSS de São Paulo: o precedente mais próximo

Entre as experiências do programa, uma das mais próximas da realidade de Aracaju está em São Paulo.

Um antigo imóvel do INSS, localizado na Rua Martins Fontes, no centro da capital paulista, foi destinado à implantação de 152 unidades habitacionais para famílias de baixa renda.

Há uma semelhança evidente:

Aracaju: antigo prédio do INSS + área central + imóvel sem uso.

São Paulo: antigo prédio do INSS + área central + transformação em habitação social.

É importante, entretanto, não confundir destinação com entrega.

O empreendimento paulista ainda representa uma etapa de transformação do patrimônio público em habitação. Não se trata de afirmar que as 152 famílias já receberam as chaves.

Essa distinção é fundamental porque mostra como o Imóvel da Gente funciona: primeiro o patrimônio é destinado à finalidade social; depois vêm as etapas de projeto, contratação, reforma e ocupação.

João Pessoa: quando habitação e atividade econômica ocupam o mesmo prédio

Outro caso particularmente interessante está em João Pessoa.

O antigo prédio do IPASE, localizado no Centro Histórico da capital paraibana, está sendo transformado no Residencial Antônio Júnior.

O projeto prevê 50 apartamentos para famílias de baixa renda e 17 boxes comerciais no térreo.

Ou seja, não se trata simplesmente de transformar um prédio abandonado em um conjunto habitacional.

A proposta combina:

moradia + comércio + revitalização do centro histórico.

O projeto é considerado pioneiro no uso do retrofit para habitação de interesse social e já recebeu reconhecimento nacional ligado ao Minha Casa, Minha Vida.

É justamente esse tipo de experiência que poderia inspirar uma discussão sobre o antigo INSS de Aracaju.

E se o prédio tivesse mais de uma função?

Imagine um edifício no centro de Aracaju que reunisse:

Moradia popular

Apartamentos destinados a famílias de baixa renda, integrados à infraestrutura urbana existente.

Cultura

Salas para organizações culturais, Pontos de Cultura, coletivos, produtores, artistas, grupos de teatro, música, dança e audiovisual.

Comunicação

Espaços para comunicação comunitária, produção audiovisual, podcasts, rádio web, jornalismo independente e formação em mídia.

Economia solidária

Cooperativas, associações, empreendimentos populares, artesanato, alimentação e iniciativas de geração de trabalho e renda.

Tecnologia e economia criativa

Laboratórios, coworking, formação digital e pequenos empreendimentos ligados à inovação.

Turismo e patrimônio

Projetos voltados ao Centro Histórico de Aracaju, memória, patrimônio, gastronomia e turismo cultural.

Não seria necessário escolher entre essas possibilidades.

A lógica do programa permite pensar em usos combinados.

O patrimônio público pode servir à economia solidária

Essa hipótese também encontra precedente no próprio Imóvel da Gente.

Em São Paulo, um imóvel da União foi destinado à implantação de um Centro Nacional de Agroecologia e Economia Solidária.

A proposta articula produção, distribuição de alimentos, economia solidária, formação e atividades comunitárias.

A experiência mostra que a utilização social de um imóvel público não precisa ficar restrita à prestação de serviços governamentais.

O patrimônio da União também pode servir à organização econômica e social da população.

Cultura também faz parte dessa política

A cultura aparece explicitamente entre as finalidades que podem receber imóveis da União.

O Governo Federal tem utilizado o programa para apoiar equipamentos e iniciativas culturais em diferentes estados.

Um dos exemplos é a destinação da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, para finalidade cultural.

Isso reforça uma questão importante para Aracaju:

um prédio público não precisa ser apenas um prédio administrativo.

Pode tornar-se um equipamento cultural, social e econômico.

Sergipe já está dentro dessa agenda

E existe um elemento novo que torna essa discussão ainda mais atual.

Em junho de 2026, o Governo Federal anunciou uma nova fase do Programa Imóvel da Gente em Sergipe, com previsão de beneficiar aproximadamente mil famílias no estado.

Isso significa que a discussão sobre o antigo INSS de Aracaju não precisa ser feita de maneira isolada.

Ela pode ser inserida em uma política federal que já está sendo implementada em Sergipe.

A questão passa a ser:

por que não discutir também a destinação social de um dos maiores imóveis federais vazios localizados no centro da capital?

O que poderia ser feito com o antigo INSS?

A proposta não precisa nascer pronta.

Poderia ser construída através de um processo envolvendo:

  • Governo Federal;
  • Secretaria do Patrimônio da União;
  • INSS;
  • Prefeitura de Aracaju;
  • Governo de Sergipe;
  • movimentos de moradia;
  • organizações culturais;
  • organizações da sociedade civil;
  • Pontos de Cultura;
  • empreendimentos de economia solidária;
  • universidades;
  • entidades empresariais;
  • moradores e comerciantes do centro.

O primeiro passo poderia ser um estudo de viabilidade técnica, arquitetônica, econômica e social.

Depois, um processo participativo poderia definir quais usos são mais adequados ao edifício.

O centro de Aracaju precisa ser ocupado

Existe ainda uma questão maior.

A discussão sobre o antigo INSS não é apenas uma discussão sobre patrimônio federal.

É também uma discussão sobre o futuro do centro de Aracaju.

Centros urbanos não são revitalizados apenas com pintura de fachadas ou recuperação de praças.

Eles precisam de pessoas morando, trabalhando, produzindo cultura, consumindo, estudando e circulando.

Um prédio vazio produz exatamente o contrário: reforça a sensação de abandono.

Um prédio ocupado por moradores, trabalhadores, artistas, empreendedores e organizações sociais produz vida urbana.

Por isso, recuperar o antigo INSS poderia ser uma oportunidade para articular habitação e revitalização urbana.

Não se trata apenas de reformar um prédio

A discussão, portanto, não deveria ser reduzida a:

"Quando será retomada a reforma do antigo INSS?"

A pergunta mais importante talvez seja:

"Qual função social queremos que esse prédio cumpra no futuro de Aracaju?"

As experiências do Programa Imóvel da Gente mostram que existem diferentes respostas possíveis.

São Paulo mostra que um antigo INSS pode ser transformado em habitação social.

João Pessoa mostra que um prédio público pode combinar moradia e atividade comercial.

Experiências do programa em outras cidades demonstram que imóveis da União também podem apoiar cultura, economia solidária, equipamentos sociais e outras políticas públicas.

E Sergipe já está incluído na expansão da política.

A oportunidade

O antigo INSS de Aracaju pode continuar sendo lembrado como um prédio público abandonado cuja reforma foi interrompida em 2023.

Ou pode tornar-se um projeto capaz de responder a alguns dos principais desafios da cidade:

moradia, revitalização do centro, cultura, trabalho, economia solidária e inclusão social.

A decisão não é apenas arquitetônica.

É política.

E diz respeito à maneira como a cidade entende o patrimônio público.

BOX | O que o antigo INSS de Aracaju poderia abrigar?

🏠 Habitação

  • apartamentos para famílias de baixa renda;
  • moradia de interesse social;
  • espaços de convivência.

🎭 Cultura

  • Pontos e Pontões de Cultura;
  • salas de ensaio;
  • espaços para dança, teatro e música;
  • audiovisual;
  • exposições e memória.

📻 Comunicação

  • rádio comunitária/web rádio;
  • produção audiovisual;
  • podcasts;
  • formação em comunicação digital.

🤝 Economia solidária

  • cooperativas;
  • artesanato;
  • gastronomia;
  • empreendimentos populares;
  • comercialização coletiva.

💻 Tecnologia

  • coworking;
  • laboratório de inovação;
  • formação digital;
  • pequenos negócios tecnológicos.

🧭 Turismo e patrimônio

  • informações turísticas;
  • roteiros culturais;
  • memória do centro de Aracaju;
  • iniciativas ligadas ao patrimônio histórico.

BOX | O que o Programa Imóvel da Gente já demonstra?

Antigo INSS — São Paulo: projeto para 152 unidades habitacionais.

Antigo IPASE — João Pessoa: 50 moradias + 17 espaços comerciais, em processo de retrofit.

Sergipe: nova fase anunciada em 2026 com previsão de beneficiar cerca de mil famílias.

Diretriz nacional: o programa contempla habitação, políticas públicas estratégicas e empreendimentos de múltiplos usos.

Fontes para aprofundamento

Programa Imóvel da Gente — Ministério da Gestão

Perguntas frequentes e diretrizes do Programa Imóvel da Gente

Diretrizes das quatro linhas de ação do programa — Resolução CPDIU

Programa Imóvel da Gente beneficia mil famílias em Sergipe

Documento oficial sobre funcionamento e entregas do programa


sábado, 20 de abril de 2024

Igreja e Política — Diálogo dos Cardeais do Brasil” - próxima quarta-feira, 2 de setembro de 2026, às 21h, diretamente dos estúdios da Rede Vida em Brasília.

 

O programa especial  será realizado ao vivo na próxima quarta-feira, 2 de setembro de 2026, às 21h, diretamente dos estúdios da Rede Vida em Brasília. 

Detalhes do Encontro

  • O que é: Um momento de reflexão coletiva com os cardeais brasileiros sobre cidadania, ética na vida pública e os desafios democráticos do país. 
  • Propósito: Debater os fundamentos da Doutrina Social da Igreja, incentivando o voto e a participação consciente dos leigos sem apoiar partidos ou candidatos específicos. 
  • Contexto: O programa substitui o tradicional debate de Aparecida em anos eleitorais, servindo como orientação moral e espiritual diante do cenário de polarização. 

Onde Assistir

A transmissão ao vivo será feita em uma rede de emissoras católicas, incluindo:

  • Rede Vida (e pelo canal oficial no YouTube)
  • TV Canção Nova
  • TV Evangelizar
  • Rede Século XXI 


Apoio à Carta dos Bispos do Diálogo pelo Reino, "NÃO DEIXEMOS CAIR A PROFECIA" - (para adesões de Organizações, Coletivos, Conselhos, Pastorais e Movimentos)


NÃO DEIXEMOS CAIR A PROFECIA

“Enviou-nos para evangelizar os pobres” (Lc 4,18)

Nós Bispos, do Diálogo pelo Reino, iluminados pela Palavra de Deus, atentos aos desafios da realidade atual e em comunhão com as recentes orientações do Magistério da Igreja, vimos a público manifestar o que segue:

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, para o sexênio de 2026 a 2032, aprovadas pelos bispos, na 62ª Assembleia Geral da CNBB, reafirmaram categoricamente que a missão da Igreja é evangelizar – ela existe para isso! – sabendo que evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo.

Nada se deve antepor a essa missão (n. 62).

A evangelização parte do encontro pessoal com Cristo, passa pela vida de comunidade e amplia, necessariamente, o seu horizonte para a ação sociotransformadora da sociedade e da Casa Comum (n. 65).

O magistério recente, do Papa Francisco e do Papa Leão XIV, nos convida a ser uma Igreja sinodal, a caminhar juntos no caminho do Reino, inaugurado por aquele que seguimos, Jesus Cristo. O seu Reino é de justiça e paz, de fraternidade e inclusão, de perdão e vida nova, de misericórdia e salvação. Por isso, ser cristão é assumir as opções evangélicas em cada época de nossa história. Na presente época, defender os mais pobres e sofredores e cuidar da criação é missão central da espiritualidade para aqueles que vivem em Cristo, especialmente para nós, bispos.

Considerando
o contexto da grave crise social e ecológica, iluminados pela Palavra de Deus e pela Doutrina Social da Igreja, somos convocados a refletir, a agir e educar a sociedade para a defesa de uma civilização do bem viver. Alegramo-nos por tantas lideranças e Comunidades Eclesiais que anunciam o Evangelho da vida e denunciam estruturas opressoras, causadoras de feridas na terra e no coração da humanidade. Alegramo-nos também pelas inúmeras pastorais sociais, juntamente com vários movimentos populares pelo exemplo dado no enfrentamento da mineração predatória, do agronegócio sem critério, de situações diversas no mundo do trabalho, das violências contra:
as mulheres, os povos originários, os afrodescendentes, a população LGBTQIAPN+, entre outros.

Papa Leão XIV, na Carta Encíclica Magnifica Humanitas, diz que em “cada época paira o risco de se construir um mundo desumano e mais injusto” (n.1). Segundo ele, “nos últimos anos, tornou-se cada vez mais evidente o quão rápida e profundamente a digitalização, a inteligência artificial (IA) e a robótica estão transformando o nosso mundo” (n.4). Ele pede que “evitemos a ‘síndrome de Babel’: a idolatria do lucro, que sacrifica os fracos; a uniformidade que anula as diferenças; a pretensão de uma linguagem única – mesmo digital – dedicada a traduzir tudo em dados e desempenhos, inclusive o mistério da pessoa” (n.10).

Essa realidade, descrita pelo Papa, encontra eco no coração de pessoas com mentalidades fechadas num conservadorismo autoritário que, lamentavelmente, através das redes e alguns dos meios de comunicação de inspiração católica, incluindo alguns membros dos ministérios ordenados, religiosos e leigos, promovem devocionismos, discursos superficiais e violentos contra pessoas que testemunham a fé no meio dos pobres, na defesa da democracia e das pautas ambientais. Elas são indiferentes e rejeitam as orientações do magistério da Igreja, alimentando bolhas alienadas e alienantes no ambiente socioeclesial, se alimentam do ódio e alimentam o ódio contra aqueles e aquelas que têm uma vivência de Igreja comprometida com a transformação social e com o cuidado da  criação, elas revelam uma agressividade que fere as pessoas, rompe a comunhão e enfraquece o profetismo eclesial.

Por isso, não são raros os ataques dirigidos a irmãos do episcopado, mas também a presbíteros, a diáconos, religiosas e religiosos, consagrados e a tantos outros cristãos leigos e leigas. Tentam desqualificar, silenciar, intimidar e mesmo calar a voz profética da Igreja.

Na mesma encíclica, o Papa Leão XIV nos orienta acerca dos princípios da Doutrina Social da Igreja: o Bem Comum, a Destinação Universal dos Bens, a Subsidiariedade, a Solidariedade e a Justiça Social (nº 65-81).

A Doutrina Social da Igreja tem seu fundamento na dignidade da pessoa humana, entendida como reflexo de cada ser criado à imagem e semelhança de Deus. Ela é ancorada na Revelação Divina (Sagradas Escrituras) e na grande Tradição da Igreja orientando o agir cristão diante dos problemas da sociedade.

Em sintonia com a Mensagem ao Povo Brasileiro (1), aprovada e publicada durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, em 24 de abril de 2026, afirmamos:

Em tempo de eleições, tais situações tendem a aumentar. Sendo assim, renovamos nosso
pacto pela vida, pela democracia, pela soberania e pela defesa da casa comum. O tempo atual exige de todos nós cristãos e da sociedade brasileira, muita coragem para gestar um projeto de país que não pactue com a grave injustiça social que sempre nos
acompanhou.

Em tempo de eleições, reafirmamos que não temos partido, mas que estamos do lado dos pobres, de quem os respeita e defende; de quem defende a democracia e a soberania do país; de quem é contra qualquer postura fascista; de quem é contra a manipulação política  da Religião; de quem é contra
a avalanche de mentiras e disseminação do ódio pelas avenidas digitais, Por isso incentivamos cada cidadão a fazer uma escolha consciente e lúcida de candidatas e candidatos comprometidos com as causas populares, com o bem comum e com a proteção de nossa Casa Comum. O Evangelho de Jesus Cristo não nos permite ter outra posição.

Que Maria, profetiza da libertação, continue entoando o seu Magnificat e nos ensine também a cantá-lo, não apenas com os lábios, mas com escolhas, atitudes e compromissos que façam florescer a justiça, a fraternidade e a esperança.

21 de agosto de 2026

Bispos do Diálogo pelo Reino


Organizações que apoiam a Carta dos Bispos do Diálogo pelo Reino, "Não deixemos cair a Profecia", 21/8/26

CBJP - Comissão Brasileira Justiça e Paz

CJP-DF – Comissão Justiça e Paz de Brasília

CJP – Comissão Justiça e Paz de São Paulo

MNFP - Movimento Nacional Fé e Política

Vida e Juventude – Centro Popular de Formação da
Juventude

Observatório Eclesial Brasil

CEFEP – Centro Nacional Fé e Política Dom Helder Camara

Coletivo Padres da Caminhada

Grito dos Excluídos Continental, Lajeado/RS

Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH

CIMI - Conselho Indigenista Missionário, Brasília-DF 

Comissão Pastoral da Terra – CPT, Goiânia - GO

CJP - Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Santarém-PA

Conselho Nacional de Cristãos Leigos e Leigas Leste 2, Minas Gerais

Grupo de Esquerda Liberdade e Trabalho – GELT, Belo Horizonte/MG

Caritas da Arquidiocese de Pelotas/RS

Pastoral Afro-brasileira Regional SUL1, SP 

Serviço Pastoral dos Migrantes,Toledo/MG 

Coletivo Reunir - Rede Unidade e Resistência, Porto Alegre 

Serviço de Assistência Social N.S. da Conceição de João Monlevade MG

Escola de Política e Cidadania ZO Butantã, São Paulo/SP

CEBs, CNLB, Pastorais Sociais, Galileia MG 

Inspetoria Madre Mazzarello, Belo Horizonte / MG

CEBS e MAM – Movimento de Atingidos pela Mineração de MG

Comissão Justiça e Paz do Regional Sul 1 da CNBBB    , São Paulo - SP

Paróquia São Francisco de Assis, Rio de Janeiro-RJ

CNLB - Regional norte 2 (Pará e Amapá)

CNLB Regional Oeste 1, Campo Grande MS

Movimento Internacional das Mulheres Cristãs Leigas e Religiosas, Curitiba/PR

Rede La Salle de Educação, Porto Alegre RS 

CNLB Conselho Nacional do Laicato do Brasil Sul2, Paraná 

Pastoral Luterana de Vitória, Espírito Santo, Brasil

Movimento Laudato Si, João Pessoa PB

CORES - Coletivo Resistência de MG, Belo Horizonte/MG

Coletivo Constância D Angola, Nova Venécia - Espírito Santo 

Pastoral da Sobriedade da Diocese de Ponta Grossa/PR

Caritas Diocesana de Caratinga, Minas Gerais

Càritas Diocesana de Guarulhos/SP

Movimento das Equipes Docentes do Brasil, Teresina - Piauí 

Vidas pelo Reino, Campo Grande MS

CJPIC  - Comissão de Justiça e
Paz e Integridade da Criação, Rio de Janeiro 

Conselho Nacional dos Leigos do Brasil, São Mateus ES 

Pastoral da Criança no Rio de Janeiro

Esteio da Caridade, Lábrea-AM

Pastoral Fé e Política da Diocese de Campo Limpo, São Paulo 

CNLB Arquidiocese do Rio de Janeiro 

Movimento Fé e Política, Balsas/MA 

Frades Franciscanos Conventuais de Brasília - DF

Conselho Nacional do Laicato do Brasil/ Diocese de Porto Nacional-TO 

Pastoral da Saude no Distrito Federal 

CEBs de Minas Gerais

CNLB       Cruz das Almas - Bahia

Servidores na Luta, Campo Mourão - Paraná 

Juventude da Teologia da Libertação, Paulista, Pernambuco

Membro do Mosteiro de São Bento, Garanhus PE

Fraternidade Secular Charles de Foucauld, São Paulo  - SP

Escola de Fé e Política de Caetité/Bahia

CEBI, Poço Verde/SE

Teologia da Libertação, São Bernardo do Campo/SP

Pastoral da Catequese, Araçatuba/São Paulo 

Associação de Moradores Jardim Casa Branca e Adjacências, São Paulo

Rede Fé e Política Rio de Janeiro (MNFP), Rio de Janeiro 

Resistência Diaconal, Rio de Janeiro/RJ

Pastoral Carcerária do ES - Regional Leste 3 - CNBB     Vitória - ES

SISPMC – Sind. Servid. Municipais de Colatina e Governador
Lindenberg, ES

Movimento de Mulheres Negras de Colatina e Região Zacimba Gaba ES

Associação Leigos Missionários Combonianos, Contagem/MG

Pastoral da Ecologia Integral Arquidiocese de Cuiaba, Mato Grosso

Articulação da Pastoral da Ecologia Integral no Brasil, Londrina PR 

Coletivo Teologias da Libertação , Brasília, DF

Comitê Luz da Estrela, Belo Horizonte - MG

Articulação da Pastoral da Ecologia Integral do Brasil, Rio de Janeiro 

Associação Fé e Luz, São Paulo, 
SP

Missionárias do Coração Eucarístico de Jesus, Ananindeua-Pará

Apostolado da Oração, Brumadinho MG

Associação de admiradores - APROME BV, Belo Horizonte MG 

CJP da Arquidiocese de Olinda e Recife PE

Ação Cultural - Sergipe