domingo, 15 de fevereiro de 2026

Acadêmicos de Niteroi faz hoje o desagravo por tudo que a cultura sofreu quando os cavaleiros das trevas chegaram em 2016 ao comando da nação e trouxeram a noite escura.

 


Samba-Enredo 2026 - Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil

Acadêmicos de Niterói

Quanto custa a fome? Quanto importa a vida

Nosso sobrenome é Brasil da Silva

Vale uma nação, vale um grande enredo

Em Niterói, o amor venceu o medo

Vale uma nação, vale um grande enredo

Em Niterói, o amor venceu o medo


Olê, olê, olê, olá

Vai passar nessa avenida mais um samba popular

Olê, olê, olê, olá

Lula, Lula


Eu vi brilhar a estrela de um país

No choro de Luiz, a luz de Garanhuns

Lugar onde a pobreza e o pranto

Se dividem para tantos

E a riqueza multiplica para alguns


Me via nos olhares dos meus filhos

Assombrados e vazios

Com o peito em pedaços

Parti atrás do amor e dos meus sonhos

Peguei os meus meninos pelos braços

Brilhou um Sol da pátria incessante

Pro destino retirante

Te levei, Luiz Inácio


Por ironia, treze noites, treze dias

Me guiou Santa Luzia, São José alumiou

Da esquerda de Deus Pai, da luta sindical

À liderança mundial


Vi a esperança crescer

E o povo seguir sua voz

Revolucionário é saber

Escolher os seus heróis

Zuzu Angel, Henfil, Vladimir

Que pagaram o preço da raiva

Nós ainda estamos aqui

No Brasil de Rubens Paiva


Lute pra vencer

Aceite se perder

Se o ideal valer

Nunca desista

Não é digno fugir

Nem tão pouco permitir

Leiloarem isso aqui

A prazo, à vista


É, tem filho de pobre virando doutor

Comida na mesa do trabalhador

A fome tem pressa, Betinho dizia

É, teu legado é o espelho das minhas lições

Sem temer tarifas e sanções

Assim que se firma a soberania

Sem mitos falsos, sem anistia


Quanto custa a fome? Quanto importa a vida

Nosso sobrenome é Brasil da Silva

Vale uma nação, vale um grande enredo

Em Niterói, o amor venceu o medo

Vale uma nação, vale um grande enredo

Em Niterói, o amor venceu o medo


Olê, olê, olê, olá

Vai passar nessa avenida mais um samba popular

Olê, olê, olê, olá

Lula, Lula


Eu vi brilhar a estrela de um país

No choro de Luiz, a luz de Garanhuns

Lugar onde a pobreza e o pranto

Se dividem para tantos

E a riqueza multiplica para alguns


Me via nos olhares dos meus filhos

Assombrados e vazios

Com o peito em pedaços

Parti atrás do amor e dos meus sonhos

Peguei os meus meninos pelos braços

Brilhou um Sol da pátria incessante

Pro destino retirante

Te levei, Luiz Inácio


Por ironia, treze noites, treze dias

Me guiou Santa Luzia, São José alumiou

Da esquerda de Deus Pai, da luta sindical

À liderança mundial


Vi a esperança crescer

E o povo seguir sua voz

Revolucionário é saber

Escolher os seus heróis

Zuzu Angel, Henfil, Vladimir

Que pagaram o preço da raiva

Nós ainda estamos aqui

No Brasil de Rubens Paiva


Lute pra vencer

Aceite se perder

Se o ideal valer

Nunca desista

Não é digno fugir

Nem tampouco permitir

Leiloarem isso aqui

A prazo, à vista


É, tem filho de pobre virando doutor

Comida na mesa do trabalhador

A fome tem pressa, Betinho dizia

É, teu legado é o espelho das minhas lições

Sem temer tarifas e sanções

Assim que se firma a soberania

Sem mitos falsos, sem anistia


Quanto custa a fome? Quanto importa a vida

Nosso sobrenome é Brasil da Silva

Vale uma nação, vale um grande enredo

Em Niterói, o amor venceu o medo

Vale uma nação, vale um grande enredo

Em Niterói, o amor venceu o medo


Olê, olê, olê, olá

Vai passar nessa avenida mais um samba popular

Olê, olê, olê, olá

Lula, Lula

Olê, olê, olê, olá

Vai passar nessa avenida mais um samba popular

Olê, olê, olê, olá

Lula, Lula


Olê, olê, olê, olá

Lula, Lula

Olê, olê, olê, olá

Lula, Lula




Fabiano Trompetista defende homenagem da Acadêmicos de Niterói a Lula: "ele merece"



Como a arte e a cultura foram atacadas pelos governos Temer e Bolsonaro?

Os governos de Michel Temer (2016-2018) e Jair Bolsonaro (2019-2022) foram marcados por medidas que afetaram a estrutura institucional, o financiamento e a liberdade de expressão no setor cultural brasileiro.

Gestão Michel Temer

A abordagem de Temer foi caracterizada pela instabilidade institucional e austeridade econômica:

Extinção e recriação do MinC: Assim que assumiu, Temer extinguiu o Ministério da Cultura (MinC), transformando-o em uma secretaria do Ministério da Educação. Após intensas ocupações de prédios públicos por artistas em 21 capitais, o governo recuou e recriou a pasta.

Apesar da recriação formal do Ministério da Cultura após a pressão popular e a ocupação de prédios como o Palácio Capanema, o governo Michel Temer adotou uma estratégia de asfixia administrativa e financeira.

Embora a "placa" do ministério tenha voltado à porta, o funcionamento interno e a capacidade de execução de políticas públicas foram profundamente comprometidos por três vias principais:

1. Crise de Liderança e Instabilidade Política

A pasta tornou-se um "balcão de trocas" políticas para manter a base aliada no Congresso, resultando em uma rotatividade que impediu qualquer planejamento de longo prazo:

Troca constante de ministros: Em menos de três anos, o MinC teve cinco gestores (considerando interinos e titulares como Marcelo Calero, Roberto Freire e Sérgio Sá Leitão).

Perfil Técnico vs. Político: A nomeação de nomes mais alinhados ao mercado ou a partidos políticos específicos (como o PPS/Cidadania) mudou o foco da pasta, que passou a priorizar a "economia criativa" em detrimento de políticas de cidadania cultural e diversidade.

2. O Garrote Financeiro (Teto de Gastos)

A aprovação da Emenda Constitucional 95 (Teto de Gastos) foi o golpe mais duro na estrutura do MinC. A cultura, por não ser uma área com gastos constitucionalmente obrigatórios (como saúde e educação), tornou-se o alvo principal dos cortes:

Contingenciamento: Mesmo com o orçamento aprovado, o governo federal bloqueava a liberação do dinheiro. Em 2017, por exemplo, o MinC sofreu um corte de quase 43% do seu orçamento discricionário, inviabilizando editais e a manutenção de órgãos como o IPHAN e a Funarte.

Paralisia de Órgãos Vinculados: Museus e bibliotecas enfrentaram dificuldades básicas para pagar contas de luz, segurança e manutenção, o que gerou um estado de degradação física em diversas instituições federais.

3. Esvaziamento Institucional e Administrativo

O governo Temer iniciou um processo de centralização e redução de quadros que facilitou o desmonte posterior no governo seguinte:

Corte de Cargos Comissionados: Houve uma redução drástica em cargos de confiança e funções gratificadas, o que desarticulou equipes técnicas que atuavam há décadas em áreas como patrimônio e direitos autorais.

Fim da participação social: Conselhos e fóruns de participação popular, que ajudavam a formular políticas junto à sociedade civil, foram esvaziados ou tiveram suas reuniões reduzidas, distanciando o ministério dos produtores culturais independentes.

4. Mudança de Discurso (Criminalização da Arte)

Foi durante o governo Temer que o debate público sobre a Lei Rouanet começou a ser massivamente distorcido pelo governo e seus aliados.

Embora o governo não tenha acabado com a lei, ele passou a utilizá-la como ferramenta de pressão política, auditando projetos de forma seletiva e alimentando uma narrativa de que a cultura era um "gasto desnecessário" ou um "privilégio de artistas famosos", preparando o terreno para a retórica de "guerra cultural" que viria a seguir.

Resumo: O MinC de Temer foi um "ministério de fachada". Ele existia no papel para aplacar a fúria da classe artística, mas não possuía autonomia financeira nem estabilidade política para operar.

Teto de Gastos: A sanção da PEC do Teto de Gastos (EC 95) congelou investimentos públicos, impactando diretamente orçamentos discricionários como o da cultura. 

Gestão Jair Bolsonaro

O governo Bolsonaro é frequentemente descrito como um período de "guerra cultural" e desmonte sistemático: 

Extinção Definitiva do MinC: O ministério foi extinto no primeiro dia de governo, sendo rebaixado a Secretaria Especial de Cultura, vinculada sucessivamente aos ministérios da Cidadania e do Turismo.

Ataques à Lei Rouanet: O governo reduziu drasticamente o teto de cachês para artistas (de R 3.000](https://www.cartacapital.com.br/politica/leia-rouanet-governo-diminui-cache-de-artistas-e-restringe-captacao-por-empresas/)) e impôs novas regras que dificultaram a captação de recursos por grandes projetos.

Censura e Veto de Conteúdo: Houve tentativas de bloquear editais com temática LGBTQIA+ e o cancelamento de exposições ou espetáculos sob o pretexto de preservar "valores cristãos". Casos emblemáticos incluem a perseguição à exposição Queermuseu e a tentativa de proibir manifestações políticas no Lollapalooza.

Conflitos Institucionais: Instituições como a Fundação Palmares sofreram intervenções ideológicas, como a exclusão de personalidades negras históricas de sua lista de homenageados.

Vetos a Leis de Emergência: Durante a pandemia, Bolsonaro vetou as Leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc 2, que previam socorro financeiro ao setor; os vetos foram posteriormente derrubados pelo Congresso. 


'O Carnaval é o maior ato político do Brasil' | Entrevista com Tiaraju Pablo





sábado, 14 de fevereiro de 2026

Carnaval: projetos de bolsonaristas no Senado tentam “enquadrar” escolas de samba

 Carnaval: projetos de bolsonaristas no Senado tentam “enquadrar” escolas de samba: Projetos propostos por senadores bolsonaristas pretendem impor cortes no direcionamento de recursos públicos a escolas de samba e agremiação carnavalescas por conta de eventuais enredos que passariam a ser proibidos, de acordo com os textos. O PL 392/2026, do senador Bruno Bonetti (PL-RJ), que assumiu o mandato em dezembro por conta da licença do titular, […] #revistafórum

Portela encerra o terceiro dia de carnaval do grupo Especial na Marquês de Sapucaí - (Tomaz Silva/Agência Brasil)   

Projetos propostos por senadores bolsonaristas pretendem impor cortes no direcionamento de recursos públicos a escolas de samba e agremiação carnavalescas por conta de eventuais enredos que passariam a ser proibidos, de acordo com os textos. 

O PL 392/2026, do senador Bruno Bonetti (PL-RJ), que assumiu o mandato em dezembro por conta da licença do titular, Romário (PL-RJ), proíbe o uso de verba pública em “homenagens,  projetos, enredos, apresentações ou quaisquer atividades que  promovam a exaltação, a homenagem personalista ou a referência elogiosa a autoridades políticas ou ocupantes de cargos eletivos em exercício de mandato”.

A proposta foi apresentada em meio ao debate provocado pelo enredo da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu desfile deste ano.

Também ficam proibidos enredos que “caracterizem promoção pessoal de autoridade ou servidor público, ou propaganda político-eleitoral, direta ou indireta” e “utilizem nomes, símbolos ou imagens que guardem identidade com campanhas eleitorais ou plataformas partidárias”.

O texto do senador estabelece ainda, em caso de descumprimento, a suspensão imediata de repasses remanescentes, a devolução integral dos valores recebidos, com a devida atualização monetária, e o impedimento de receber recursos públicos federais, incentivos fiscais ou celebrar parcerias com a União pelo prazo de cinco anos.

“Apologia ao crime”
Um outro projeto em tramitação na Casa é o PL 1.211/2025, do senador Cleitinho (Republicanos-MG), que prevê suspensão de repasses e aplicação de multas para escolas de samba e blocos que utilizem recursos públicos para promover apologia ao crime, ao tráfico de drogas ou à intolerância religiosa.

A fiscalização do cumprimento da lei, segundo a proposta do parlamentar, será realizada pelo Ministério Público, a Polícia Federal ou a Polícia Civil, conforme a natureza do caso.

Entre as punições possíveis estão a suspensão imediata de qualquer repasse ou financiamento público relacionado ao evento, até que a situação seja regularizada; multa administrativa em valor equivalente a até 100% do valor do patrocínio público recebido ou do incentivo cultural, conforme a gravidade da infração, e proibição de participação em eventos culturais financiados com recursos públicos ou patrocinados por estatais, por período não inferior a dois anos, em caso de reincidência.

Carnaval valorizado
Também tramitam no Congresso Nacional propostas que buscam valorizar elementos históricos do Carnaval, como o PL 4.962/2023, da deputada Lídice da Mata (PSB-BA), que reconhece o trio elétrico como manifestação da cultura nacional.

O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e destaca a origem do trio elétrico na Bahia, quando Dodô e Osmar adaptaram instrumentos eletrificados a um veículo motorizado para tocar frevo e arrastar multidões pelas ruas. “O trio elétrico é um dos grandes fenômenos musicais, artísticos e sociológicos do Brasil”, afirma a autora. As propostas aguardam encaminhamento para análise nas comissões do Senado.

Com informações da Agência Senado  

Fabiano Trompetista defende homenagem da Acadêmicos de Niterói a Lula: "ele merece"




O Carnaval e a alegria do Espírito. Por Marcelo Barros (*) & CARNAVAL ou RETIRO. A FALSA POLÊMICA CONSERVADORA Romero Venâncio (*)

O Brasil já está em ritmo de Carnaval. Antigamente, o Carnaval dominava mais o litoral do Nordeste, Salvador, Rio de Janeiro e algumas cidades históricas. Hoje, a televisão e os meios de comunicação estendem essa cultura para todo o país. Mesmo em meio às dores, angústias e dificuldades cotidianas, que não são poucas, as pessoas mergulham na dança, nas brincadeiras de rua e na alegria do Carnaval. Frevos, sambas, axés e outros estilos de música embalam a festa. Já nos anos 50, Dorival Caymmi resumia o sentimento popular ao cantar: "Quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça, ou doente do pé...".

Há quem veja nisso mera alienação. Grupos religiosos tradicionalistas veem o Carnaval como expressão do mundanismo e ocasião de pecado. Alguns grupos cristãos conservadores inventam “Cristoval”, ou Carnaval de Jesus. 

Os grupos religiosos que pregam contra o Carnaval e inventam encontros espirituais para afastar as pessoas das brincadeiras de Momo usam  como pretextos o medo do pecado e problemas como desordem moral, bebedeiras e drogas que, realmente, existem em qualquer evento de massa, como shows e manifestações coletivas. No entanto, essas pessoas, terrivelmente religiosas, já eram contrárias aos festejos desses dias, mesmo em épocas, nas quais o Carnaval era mais espontâneo e inocente. O que está por trás dessa rejeição moralista é o pensamento neoplatônico que opõe corpo e espírito. 

Essa filosofia pagã incorporou-se de tal modo no Cristianismo que as pessoas esquecem que, conforme os evangelhos, Jesus gostava de festa e era sempre visto em companhia de gente não muito recomendável pela sociedade religiosa. Era acusado de ser comilão e bebedor de vinho. Conforme o quarto evangelho, Ele começa a dar sinais de sua missão, em uma festa de casamento e até transforma água em vinho, para que a alegria dos convidados pudesse ser completa (Cf. Jo 2, 1- 11). 

Diversas vezes, nos evangelhos, Jesus afirma que veio ao mundo para que todas as pessoas tenham alegria e vida profundamente vivida (Jo 10, 10). Queixa-se de sua geração que parece com pessoas que, ao som da música e da dança, ficam indiferentes (Lc 7, 31- 32). 

Tudo isso leva-nos a pensar que, provavelmente, Jesus prefere o carnaval do povo na rua, do que retiros ou festinhas das pessoas que se consideram espirituais. 

Nos anos 70, na semana antes do Carnaval, em uma crônica radiofônica, Dom Helder Camara, então arcebispo de Olinda e Recife, afirmava: "Carnaval é a alegria popular. Direi mesmo, uma das raras alegrias que ainda sobram para a minha gente querida. Peca-se muito no carnaval? Não sei o que pesa mais diante de Deus: se excessos, aqui e ali, cometidos por foliões, ou o farisaísmo e a falta de caridade por parte de quem se julga melhor e mais santo por não brincar o carnaval. (...) Brinque meu povo querido! Minha gente queridíssima. É verdade que quarta-feira a luta recomeça. Mas, ao menos, se pôs um pouco de sonho na realidade dura da vida!" ("Um olhar sobre a cidade", 01/ 02/ 1975). 

Toda festa, mesmo a mais aparentemente mundana, reúne pessoas em expressão de alegria. Por isso, tem dimensão nobre e mesmo espiritual. O que caracteriza a festa é a liberdade de brincar, o direito de subverter a rotina e de expressar alegria e comunhão, através de comida gostosa, música contagiante e dança que unifica corpo e espírito. 

Em 1972, Chico Buarque compôs a melodia para o filme “Quando o Carnaval chegar”, comédia musical de Cacá Diegues que tomava o Carnaval como parábola da festa da libertação. Chico, Nara Leão, Maria Bethânia e Gal saíam pelas ruas cantando: 

"Quem me vê assim,

 parado e distante, 

até parece 

que nem sei sambar. 

Tou me guardando pra quando 

o Carnaval chegar".

Na época, tratava-se do Carnaval da libertação da ditadura militar e das opressões que vinham daquela estrutura autoritária de injustiças. Atualmente, o império não mais precisa de militares para garantir, em toda a América Latina, governos ilegítimos e ditadura econômica, disfarçada sob as aparências de democracia formal. Guerras midiáticas e bloqueios econômicos têm sido muito mais eficazes para derrubar regimes que se opõem ao Império e massacrar o povo que vota em governos que queiram transformar o mundo.

Por isso, a organização do povo nos blocos de Carnaval e a capacidade de coordenar multidões, ao som de uma marcha, samba-enredo, ou frevo de rua, manifestam a capacidade do nosso povo de se organizar social e politicamente. superar preconceitos e mentiras, diariamente jogados por meios de comunicação inescrupulosos e vendidos ao império. O Carnaval pode ser sim parábola e instrumento para superarmos as ondas de ódio e intolerância, propostas pela mídia dominante e lutarmos pacificamente por maior igualdade social e por justiça que signifique verdadeira libertação para todo o povo. 

Com outras letras e outras melodias, em ritmos mais novos, continuamos a cantar o correspondente à velha música do Chico: “Quem vê assim, tão parado e distante, parece que eu nem sei sambar. Tou me guardando pra quando o Carnaval chegar”.

(*) É monge beneditino e teólogo de Pernambuco conhecido por sua defesa dos pobres e pelo diálogo inter-religioso. Ordenado por Dom Hélder Câmara, ele atuou na resistência à ditadura e se tornou referência na Teologia da Libertação e da Terra, colaborando com movimentos sociais como o MST.














Live.Reflexão
CARNAVAL ou RETIRO. A FALSA POLÊMICA CONSERVADORA
Romero Venâncio.UFS
13/2. Sexta. Às 20h



(*) graduado em Teologia pelo Instituto de Teologia de Recife (ITER) e professor de Filosofia na Universidade Federal de Sergipe (UFS).











quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Bloco da madrugada coloca o coração de Dom Hélder no centro da folia pernambucana


O Galo agora tem coração: Dom Helder eternizado como símbolo profético da paz

O maior símbolo do Carnaval do mundo sempre teve voz, mas agora ele tem alma. Ao instalar no peito do gigante a memória de Dom Helder Camara, o Recife deixa de apenas brincar para começar a pulsar. Esse coração, que atravessou as ruas em cortejo saindo do Convento de Santo Antônio, não é um adereço: é um manifesto de luz e papel reciclado que se recusa a ignorar as feridas da nossa sociedade.

Eternizar Dom Helder no centro da Ponte Duarte Coelho é um ato de coragem estética e política. O “Bispo dos Pobres” agora vigia a folia com seu olhar de justiça, lembrando-nos que a verdadeira paz não se faz com silêncio, mas com a corajosa denúncia das desigualdades. O material sustentável, que ganha vida sob o brilho dos LEDs, é o espelho de uma trajetória que sempre viu nos pequenos a maior grandeza de um povo.

Neste Carnaval, o Galo não apenas reina; ele intercede. Cada batida luminosa em seu peito é um grito profético que atravessa a multidão, transformando a alegria em resistência. O coração do Galo agora bate por quem tem sede de justiça, provando que, em Pernambuco, a esperança não só desfila, ela comanda a massa e ilumina o futuro. 


 O Galo Gigante de 2026 levará à Ponte Duarte Coelho uma mensagem de paz, fraternidade e esperança. Batizada de Galo Folião Fraterno, a alegoria gigante que vai reinar no principal cartão-postal do carnaval do Recife entre os dias 11 e 18 de fevereiro homenageia dom Helder Câmara, símbolo da luta pelos direitos humanos e da defesa dos mais vulneráveis.

Assinada pelo designer e multiartista Leopoldo Nóbrega, em parceria com a produtora, arquiteta e designer Germana Xavier, a alegoria mantém a tradição de sustentabilidade: desde 2019, 100% da escultura é produzida com materiais descartados e recicláveis.

CDs, tampas de garrafa, plásticos, redes de pesca, conchas, lonas, restos de cortinas e garrafas PET compõem a indumentária do galo. As cores de 2026, verde, amarelo, azul e branco, fazem referência ao Brasil e dialogam com o fato de o Recife ser uma das cidades-sede da Copa do Mundo Feminina de 2027.

“O Galo Gigante traz os tons desse carnaval do Recife para Pernambuco, para o Brasil e para o mundo. Ele traz também a mensagem de que a gente precisa se conectar muito mais com o próximo, com o meio ambiente, com a arte, com a sustentabilidade, com a relação entre tradição e inovação, dentro de todo esse cenário produtivo construído por pessoas que estão ali fazendo parte, como marisqueiras, artesãos, cenógrafos, a equipe da Arte Plena, pessoas de comunidades diversas, muitas vezes invisibilizadas dentro desse cenário social”, afirma o artista Leopoldo Nóbrega.

O figurino também estabelece um diálogo entre o Sertão e o litoral pernambucano. Elementos inspirados nos gibões do cangaço, como o sol e a estrela, se unem a biojoias feitas com conchas e restos de redes de pesca, trazendo o alerta sobre o impacto do descarte inadequado de lixo nos mares e mangues. A cauda ganha sombrinhas de frevo e penas com maior volumetria, feitas a partir de tecidos reaproveitados.

A edição de 2026 traz ainda referências à ciência e à tecnologia. Espirais de DNA aparecem nas penas da cauda, simbolizando a celebração da vida. As 27 estrelas da bandeira brasileira serão produzidas em impressoras 3D pelo núcleo de robótica da comunidade do Xié e Entra Apulso. No peito, o galo exibe um Sagrado Coração iluminado por LEDs e resíduos tecnológicos.

Conhecido como o “Dom da Paz”, dom Helder foi arcebispo de Olinda e Recife de 1964 a 1985, tendo enfrentado, duramente, as ações da ditadura militar. Foi indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel da Paz. Sua forte ligação com o povo do Recife e com o carnaval marcou a trajetória do religioso, que via na festa popular um ato de fé e resistência. O legado do arcebispo será celebrado na escultura de 32 metros de altura e oito toneladas, uma das maiores do país.

“O coração do galo é inspirado em eom Helder: essa generosidade, essa fraternidade e esse amor pelo povo e pelo carnaval que ele sempre trouxe. É um momento de evolução, de muitas criatividades, de muitas pessoas, muitos talentos e muitos materiais expressivos. E a gente tem certeza de que isso só começa agora, porque o carnaval é feito por milhares de pessoas”, destaca Leopoldo Nóbrega.

Amiga de dom Hélder, Maria Elvanda de Araújo conta que o arcebispo sempre admirou o carnaval e que estaria honrado em receber a homenagem. “Dom Helder sempre aprovou o carnaval. A gente tem histórias dele abençoando o carnaval ou pedindo a Deus para não chover, porque o povo precisava se divertir, porque o carnaval era o momento do povo. É uma honra participar deste momento e saber que dom Helder segue sendo lembrado”, registra.

A saúde mental é outro eixo central da alegoria. Inspirada na obra de Nise da Silveira, referência no uso da arte como ferramenta terapêutica, parte da escultura foi construída por usuários de políticas públicas municipais, por meio de oficinas de arteterapia. A iniciativa envolve a Secretaria de Saúde, a Coordenação de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, a Secretaria de Assistência Social e Combate à Fome e a Província Franciscana Santo Antônio do Brasil.

“Nós realizamos trabalhos com oficinas arteterapêuticas para promover uma ativação real da importância da saúde mental, do cuidado com o próximo e da coletividade. Também falamos muito sobre sustentabilidade. Trazemos várias referências, incluindo Nise da Silveira, que é um ícone e uma grande inspiração para a gente”, pontua Leopoldo.

As oficinas utilizam técnicas como colagem, pontilhismo e termocolagem, com tintas à base de água e materiais como espelhos. As atividades ocorrem em equipamentos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), no Centro Integrado de Atenção à População em Situação de Rua (CINPOP) e em espaços da Província Franciscana, reforçando a proposta de cuidado em liberdade, inclusão social e valorização da cultura popular.

Uma das artistas aprovadas pelo edital é Diana Araújo, de 61 anos, que tinha o objetivo de trabalhar ao lado de Leopoldo Nóbrega. “Eu trabalho com pontilhismo, e a minha especialidade é o pontilhismo 3D. Quando saiu o resultado, eu fui classificada. Fiquei bem feliz e impactada. Eu nunca pensei em participar de um trabalho tão grandioso como esse. A gente já vive a energia do Galo e nesse momento, fazer parte de uma escultura gigantesca é algo muito importante para mim”, conta.

Além disso, a construção do Galo Gigante tem um importante papel social, observa Leopoldo. Cerca de 200 usuários e usuários beneficiados pelas políticas públicas do Recife e instituições envolvidas participam da cocriação artística por meio de workshops de arteterapia.

“A gente trouxe também moradores em situação de rua, pessoas com transtornos, deficiências e pessoas que aparentemente não fazem parte dessa parcela mais glamourosa da sociedade. Mas, ao contrário, a gente sabe que a potência de cada um está no processo de cocriação, na imaginação e na participação.”

“O Galo Gigante é um marco do carnaval do Recife e de Pernambuco. Ele tem um simbolismo muito grande, tanto pela sua beleza quanto pelo gigantismo que carrega, mas também por toda a mensagem que é construída. Este ano, ele convida à fraternidade, à reflexão sobre a política de saúde mental, e todo o colorido que o envolve”, afirma o presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife, Marcelo Canuto.

https://www.diariodepernambuco.com.br/vida-urbana/2026/01/11706154-galo-gigante-homenageia-dom-helder-camara-e-leva-debate-sobre-saude-mental-para-o-carnaval.html


 Começou o reinado, o símbolo do nosso Carnaval está de pé! 🐔 O Galo Folião Fraterno subiu e, durante toda a folia, vai estar olhando pela cidade. ❤️‍🔥✨
🌈 Olha pra cima, Recife.
🎥: Julio Santos
#PraTodosVerem Vídeo do Galo da Madrugada feito com drone, que mostra a escultura de 32 metros de pé, na Ponte Duarte Coelho.


Com homenagem a Dom Helder Câmara, Galo da Madrugada é erguido no Recife | #SBTBrasil




Há algo no Carnaval do Recife que vai além do frevo, dos blocos e das multidões. É um convite coletivo para respirar fundo, compartilhar afetos e atravessar a vida com um pouco mais de leveza. Neste ano de 2026, o Galo Gigante despontará com a temática do Galo Folião Fraterno e reafirma a força simbólica, além de assumir um papel ainda mais sensível ao colocar a saúde mental no centro da cena carnavalesca.
A alegoria gigante da Ponte Duarte Coelho, que liga os bairros da Boa Vista e de Santo Antônio, no Centro do Recife, reinará na cidade entre os dias 11 e 18 de fevereiro. 
O Galo Folião Fraterno é assinado pelo designer, multiartista e arteterapeuta Leopoldo Nóbrega, ao lado da produtora, arquiteta e designer Germana Xavier. A obra deste ano, que pesa 8 toneladas em seus 32 metros de altura, propõe um diálogo sensível entre arte, tecnologia, espiritualidade e cuidado emocional. 
Trazer a saúde mental para o Carnaval, e especificamente para o Galo Gigante, nos ajuda a reconhecer que cuidado não se faz apenas em consultórios ou serviços especializados, mas também nos espaços da cultura, da coletividade e do simbólico. Nesse sentido, a arteterapia emerge como estratégia privilegiada.
A proposta do Galo Gigante deste ano se ancora na obra e no legado da psiquiatra alagoana Nise da Silveira, que revolucionou as práticas psiquiátricas por ser contrária aos métodos agressivos de tratamento aplicado aos pacientes. Como uma das primeiras psiquiatras a investir na terapia ocupacional, Nise tornou essa ocupação uma maneira de explorar a criatividade e possibilitar aos pacientes a retomada de vínculos com a realidade.

O Brasil anda se sentindo mais latino-americano, não acha?

 Publicado no Intercept



Como boa goiana que sou, vejo Goiás em vários outros lugares. Às vezes vejo Goiás de um jeito bom e carinhoso, quando caminho por Valparaíso no Chile e lembro da nossa Valparaíso goiana e do gostinho da nossa pamonha que não é a mesma coisa que uma pastelera de choclo, mas eu trato como se fossem parentes.


No Peru tem muita comida boa com milho também e quando eu morei no México tive a oportunidade de comer milhos que nem conhecia. Comi também um risoto inesquecível de huitlacoche, que é um fungo do milho que o agro brasileiro trata como doença, e no México é iguaria. Por isso, quando eu ando pela América Latina, eu vejo um pouquinho da minha terra em cada país; infelizmente, na parte ruim também.


agronegócio também se nota pela região. O bioma mais desmatado no Brasil é o meu Cerrado e, embora haja queda recente na taxa de desmatamento, não tem sido suficiente.


Já pararam pra pensar que quando se desmata radicalmente, vai sobrando cada vez menos para desmatar? E assim, a taxa de desmatamento cai não necessariamente porque resolvemos preservar, mas porque não há muito de sobra para destruir? Nas regiões onde o agro já domina vemos muito disso. Por isso não adianta olharmos apenas para as taxas anuais, já que a área desmatada total também conta.


É por isso que recentemente vi bastante Goiás enquanto andava pelo Uruguai, mesmo se tratando de biomas diferentes. As monoculturas de árvores (principalmente pinus e eucaliptos) dominam 7% do território uruguaio e são usadas até para créditos de carbono fajutos hoje em dia.


O pampa sul-americano perdeu 16,3% de vegetação nativa nos primeiros vinte anos do século e já que a vegetação campestre favorece atividades como a pecuária, a produção de carne avança junto com a produção de soja, que já fez do Uruguai um dos maiores exportadores do cultivo no planeta


A integração dos nossos biomas se mistura com a nossa história de passado colonial, com o legado do colonialismo que persiste até hoje, com a concentração de renda, com a desigualdade e, portanto, também com os desafios que enfrentamos conjuntamente.


Ora somos mão de obra barata pro resto do mundo, ora somos um grande celeiro e açougue que deve abastecer uma indústria de alimentos global baseada em desperdício, monotonia alimentar, e uma lógica onde maior quantidade não significa menos fome nem qualidade nutritiva.

Esse olhar é muito importante porque o brasileiro nessa imensidão de país e falando português muitas vezes não se identifica com os seus vizinhos. Salvo quem mora em região de fronteira ou está em territórios de maior fluxo migratório, é muito fácil cair no engano de que latinos são os outros.


Mas, felizmente, tenho a impressão de que nossa integração cultural está aumentando, e viajar na região está se tornando mais atrativo para muita gente do que ir para o Norte Global.


É interessante ver o mundo mais longe de nós, mas ver o que está pertinho conta muito também. Permite encontrar caminhos comuns e desenvolver estratégias conjuntas também.


É dessa forma que sentimos a dor dos incêndios na Patagônia argentina e chilena como sentimos quando queima a Amazônia brasileira, boliviana ou colombiana. É também dessa forma que torcemos para que vizinhos se livrem da sua extrema direita e que a nossa não alcance mais poder.


Ainda, é assim que sentimos orgulho quando descobrimos que apesar de um passado cruel e explorador, as raízes comuns da América Latina também são de música, de festa, de poesia e comida boa.


Por isso que mesmo em um país em que apenas uma minoria fala espanhol (como primeira ou segunda língua), há brasileiros que se encantaram com a filosofia de Pepe Mujica, com as construções dos zapatistas, com as letras e ritmos do último álbum do Bad Bunny, e com a persistência da luta cubana. 


Que difícil é ser latino, mas que lindo também.



Pra incrementar seu conhecimento
sobre desenvolvimento, natureza

e América Latina:



Parece estranho, mas é real. Sempre que uma figura de direita quer reclamar de impostos no Brasil e argumenta que aqui é muito difícil empreender, falam como se o cenário favorável aos empresários no Paraguai significasse desenvolvimento e prosperidade geral, o que não é verdade. E como tem muito dedinho brasileiro no Uruguai e no Paraguai, fica a dica do livro "Fronteiras da dependência: Uruguai e Paraguai" (orgs: Fabio Luis Barbosa dos Santos, Fabiana Dessotti, Fabio Maldonado & Rodrigo Chagas). Dá pra entender realmente o que se passou com ganhos progressistas no Uruguai, o que se passa nas zonas francas paraguaias, enquanto se explora também o papel do agro e da política energética nos dois países.