informações sobre ações culturais de base comunitária, cultura periférica, contracultura, educação pública, educação popular, comunicação alternativa, teologia da libertação, memória histórica e economia solidária, assim como noticias e estudos referentes a análise de politica e gestão cultural, conjuntura, indústria cultural, direitos humanos, ecologia integral e etc., visando ao aumento de atividades que produzam geração de riqueza simbólica, afetiva e material = felicidade"
No clima da crônica escrita pelo cientista social e escritor Cesar Benjamin, aqui, sobre o imbróglio mercantil que se formou de uns anos para cá em torno das festas de rua e de locais com forte apelo turistico, preferi ficar em casa, na companhia da amada e de um casal de cachorros.
ato contra a “PEC da Bandidagem” em 21 de setembro de 2025 em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Como na vizinhança não há quem curta um som exageradamente alto e nem este que escreve, ficou bem tranquilo e suave ouvir a boa seleção musical realizada por João Marcello Bôscoli para o programa Contraponto, destaque da programação da Rádio Cultura Brasil (São Paulo), focado em música brasileira, explorando diferentes fases da MPB com artistas como Tom Zé, Elis Regina, Elza Soares, Chico Buarque, Djavan, Marisa Monte, Luiz Melodia, Jorge Ben, entre outros, indo ao ar às quartas-feiras às 17h, com reprise aos sábados às 11h, e disponível também online.
Já na manhã deste primeiro dia do ano de 2026, procuro novidades e recebo atualização do canal da carismática DJ Percilia , que tem origem no Rio Grande do Sul , e que foi uma das responsáveis pela trilha sonora pós ceia de natal aqui em casa, inclusive com elogios de uma das duas pessoas visitante que compartilharam esse momento conosco, junto com o casal de filhos.
A primeira sugestão é para uma sequência mais ordenada sem os cortes e quebras de ritmo, como acontece com a setlist da Percilia, feita pra ouvir e dançar, mas todas as duas valendo como sugestão nesse imenso oceano digital com música para todos os gostos, e como boa música nem sempre se sobressai, trago estas duas sugestões para um começo de ano em que precisaremos combinar tudo de bom e de melhor para enfraquecer o neoliberalismo e sua versão mais radicalizada, o neofascismo, nas suas diversas formas, inclusive no campo da cultura, a que o primeiro reduz a mercadoria, e a que o segundo transforma em inimiga quando ajuda na formação do pensamento critico o que para a extrema direita bolsonarista se reduz ao fantasma do "marxismo cultural".
Zezito de Oliveira
Para ouvir o programa Contraponto fora do seus horário convencional, clique aqui
Set - Vem Curtir Música Brasileira (Especial Ano Novo)
P.S.: Atualização às 17:59- Para este fim de tarde no primeiro dia do novo ano e para outros momentos para quem não pode chegar agora ou para quem quiser rever..
Ex-diretor do FMI diz que EUA e Europa agem como “piratas” e aceleram a busca do Sul Global por uma arquitetura financeira pós-Ocidente
27 de dezembro de 2025, 17:59 h
Em entrevista ao canal do professor Glenn Diesen, o economista Paulo Nogueira Batista Jr., ex-diretor executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), dos BRICS, afirmou que o chamado “Ocidente político” — liderado pelos Estados Unidos e seguido pela Europa — está corroendo de forma acelerada as bases do sistema econômico internacional construído no pós-guerra.
Logo no início da conversa, Batista Jr. traça um diagnóstico contundente da conjuntura global e do declínio relativo do poder ocidental. Segundo ele, EUA e aliados estão “perdendo terreno de forma constante” em termos políticos, econômicos, financeiros e demográficos, e reagindo a essa perda de hegemonia com métodos cada vez mais agressivos.
“O Ocidente político (…) está perdendo terreno continuamente (…) e essa queda relativa é acompanhada por algo muito preocupante: a tendência dos EUA e aliados de usar o poder remanescente (…) para atacar política e economicamente países considerados rebeldes, hostis ou não cooperativos.”
Confisco de ativos russos e “pirataria” financeira
Um dos pontos centrais abordados na entrevista é a decisão da União Europeia de congelar e confiscar rendimentos de ativos russos, no contexto da guerra na Ucrânia. Para Batista Jr., a operação não tem base legal e mina a credibilidade do euro e do sistema financeiro europeu.
“Nenhuma base legal. Como eu disse, isso faz parte da pirataria geral que europeus e americanos estão praticando.”
Ele descreve três etapas do processo: primeiro, o congelamento das reservas; depois, a apropriação dos juros; e por fim, a possibilidade de confisco total. Para o economista, mesmo o congelamento já seria ilegal e a apropriação dos rendimentos aprofunda o colapso de confiança.
“Isso consolida a visão no Sul Global (…) de que o euro não é confiável, de que o sistema financeiro europeu não pode ser confiado.”
Batista Jr. destaca a contradição histórica: países do Ocidente sempre se apresentaram como guardiões do direito de propriedade e da segurança jurídica, mas hoje violam esses próprios fundamentos quando se trata de adversários estratégicos.
“A estrutura política e jurídica do Ocidente tem como princípio fundamental o respeito aos direitos de propriedade. Agora, o que estão fazendo com Rússia, Venezuela, Irã e outros países é simplesmente desrespeitar esses direitos.”
Trump, Monroe e a América Latina como “quintal”
Ao comentar os riscos geopolíticos atuais, Batista Jr. aponta a retomada da Doutrina Monroe sob o governo do presidente Donald Trump como uma ameaça direta à soberania latino-americana. Segundo ele, a lógica de considerar o hemisfério ocidental como esfera exclusiva de influência dos EUA ressuscita uma visão imperial, agora aplicada com maior agressividade.
“A Doutrina Monroe revivida por Trump é simplesmente um instrumento de poder imperial.”
O economista observa que, no passado, a Doutrina Monroe teve ambiguidades — combinava afirmação de poder dos EUA e oposição ao colonialismo europeu — mas hoje seria usada como justificativa para intervenção e coerção contra governos independentes, especialmente na Venezuela.
“Agora é completamente diferente. (…) Está sendo colocada em prática, notadamente em duas áreas: Groenlândia e, mais importante, Venezuela.”
Batista Jr. também alerta para o avanço de governos alinhados aos EUA na América do Sul e afirma que Brasil e Colômbia seriam, hoje, os principais freios regionais aos planos de Washington, principalmente por causa do peso estratégico brasileiro.
“O que resta na América do Sul que se opõe aos planos imperiais dos EUA é a Colômbia (…) e, mais importante, o Brasil, por causa do seu tamanho.”
Brasil, eleições de 2026 e o risco de submissão
Ao falar do cenário interno brasileiro, Batista Jr. faz uma advertência direta: as eleições presidenciais de 2026 podem definir se o Brasil continuará resistindo a uma estratégia de submissão regional ou se se tornará novamente um aliado subalterno de Washington.
“Em 2026 teremos eleições presidenciais no Brasil. Se Lula não for reeleito e a extrema direita vencer, você terá outro aliado importante submetido aos planos dos EUA.”
Ele associa essa possibilidade ao avanço de uma nova direita continental e à tentativa de reorganizar o continente sob controle político e econômico norte-americano.
Europa em declínio e crise de credibilidade
Outro eixo forte da entrevista é a avaliação da crise europeia. Para Batista Jr., a Europa vive um processo simultâneo de fragmentação institucional, desindustrialização e perda de autonomia, agravado por decisões que minam a confiança internacional.
Ele ironiza a postura de lideranças europeias ao sugerirem que cortes locais jamais reconheceriam ações russas contra confisco de ativos, como se a justiça fosse guiada por alinhamento político.
“Isso é irresponsável, até infantil. (…) Afeta a credibilidade dos tribunais europeus.”
Batista Jr. afirma que, mesmo que a Europa mude de rumo futuramente, a confiança perdida pode ser quase impossível de recuperar.
“Há uma perda de credibilidade, uma perda de confiança muito difícil de recuperar. Confiança é fácil de perder e difícil de reconquistar.”
Mercosul-União Europeia: acordo travado e “chantagem”
Em um trecho relevante para o Brasil, Batista Jr. comenta o impasse envolvendo o acordo Mercosul-União Europeia, que não foi assinado devido à oposição de países europeus, especialmente França, e à entrada da Itália no bloco de resistência. Segundo ele, o episódio revela a fragilidade da União Europeia e sua incapacidade de agir como bloco coeso.
“A União Europeia não está funcionando como bloco (…) É uma associação importante, mas chamar de bloco hoje é forte demais.”
Batista Jr. critica o conteúdo do acordo, dizendo que ele seria ruim para o Brasil ao abrir o mercado nacional a grandes corporações industriais europeias, e aponta uma manobra do governo italiano.
“A minha leitura é que Meloni está chantageando os europeus: ‘eu aceito o acordo se vocês me derem mais dinheiro pela política agrícola comum’.”
BRICS e a construção de uma arquitetura “pós-Ocidente”
Diante do colapso das regras, Batista Jr. defende que os BRICS e a Organização de Cooperação de Xangai (OCX) acelerem a construção de uma arquitetura alternativa.
Ele reforça que essa estratégia não seria “antiocidental”, mas sim “pós-Ocidente”, uma forma de reduzir vulnerabilidades e dependência diante de sanções, confisco de ativos e coerção financeira.
“O BRICS nunca foi visto como antiocidental. É pró-BRICS, pró-Sul Global. (…) A arquitetura que precisamos construir não é antiocidental. É pós-Ocidente.”
O economista afirma que nem China nem Rússia buscaram confronto inicialmente, mas foram empurradas para ele pela escalada ocidental. Para ele, toda a agressividade recente — tarifas, sanções, congelamento de reservas, uso político do dólar — acelerou o processo de desdolarização e pode culminar numa crise sistêmica.
“Se houver outro grande colapso financeiro (…) o dólar não será o refúgio seguro. Isso pode acelerar a fuga do dólar, que já está em curso.”
A possibilidade de uma nova crise global
Questionado sobre a chance de uma nova crise econômica, Batista Jr. diz não poder prever com certeza, mas alerta para sinais de bolha nos mercados norte-americanos e para o histórico recorrente de crises no sistema financeiro dos EUA.
“Há sinais de vulnerabilidade, sinais de bolha. (…) Muitos especialistas veem sinais fortes de uma bolha que pode estourar.”
Se um colapso acontecer, ele acredita que o impacto global será inevitável e exigirá uma resposta rápida do Sul Global, sobretudo da China — que, segundo ele, é indispensável para qualquer alternativa sistêmica.
“Sem a China, um plano B não pode ser colocado de pé, dado o tamanho dela em relação aos demais BRICS.”
“Nunca vi isso na vida”: a nova fase do sistema internacional
Ao longo da entrevista, Batista Jr. repete a percepção de que o mundo entrou em uma fase inédita de instabilidade, marcada pelo uso aberto de coerção, confisco e ameaça como instrumentos de política econômica.
“Eu nunca vi isso na minha vida inteira (…) estamos atravessando uma fase muito delicada.”
Para ele, o que está em curso não é apenas um rearranjo geopolítico, mas um processo de desgaste estrutural que pode levar a uma transição histórica: o fim do sistema comandado pelo Ocidente e a consolidação gradual de uma ordem multipolar — ainda incerta, mas inevitável.
“O que está acontecendo no Ocidente político é uma forte queda na qualidade da liderança (…) um comportamento autodestrutivo (…) e isso acelera o declínio do Ocidente.”
Fonte: livros de História e Economia (sem consultar IA)
Aos céticos (ou melhor, aos que têm fé em bilionários estelionatários; há muitos!): Nunca na história da humanidade houve tamanha alavancagem monetária sem base real na geração de recursos.
Alavancagem é uma característica do Capitalismo (daí as crises cíclicas, conforme Marx demonstrou em O CAPITAL). Porém, jamais na proporção atual. Os investimentos estão na ordem do Trilhão de dólares enquanto as receitas totais anuais mal passam algumas dezenas de bilhões. A proporção está em aproximadamente 50 anos de faturamento para recuperar um ano de investimento. Isso é insustentável e vai estourar. Só não estourou ainda por conta de trocas fictícias de ações entre as empresas que lucram com a bolha.
Exemplo: Nvidia compra US$ 100 bi em ações da OpenAi e essa faz o mesmo em relação à Nvidia; é dinheiro artificial, que não existe, em transação para enganar trouxas e elevar preço das ações.
Outro exemplo: essa semana a Meta comprou uma empresa de Singapura , a Manus (de IA) e anunciou como grande negócio por conta da menor alavancagem, uma vez que a empresa vem com faturamento "robusto".
Sabem quanto foi pago pela Meta? US$ 2,5 bilhões.
Sabem qual o faturamento máximo da Manus para 2025? US$ 125 milhões.
Ou seja, levará 20 anos para recuperarem o investimento em conta simples, sem juro ou inflação, isso sem contar as despesas com folha de pagamentos e manutencao, que é muito superior ao faturamento. Comparado às demais transações no mercado de IA foi um avanço (a alavancagem cai de 1/50 anos para 1/20). Alguém dirá: mas o preço embute previsão de lucro futuro! Não realizado em nenhuma transação anterior, registre-se. Pura balela, fé, sem qualquer amparo objetivo. Conversa fiada para convencer alguns trouxas a pagarem pelo novo serviço da Meta; e para especuladores que continuarão lavando dinheiro na pirâmide financeira da IA.
Enfim... preparem-se que o tranco será feio.
Final de 2026 voltaremos a conversar.
PS - escrito sem uso de Inteligência Artificial
RETROSPECTIVA OUTRAS PALAVRAS 2025 | IA E NOVAS TECNOLOGIAS
PARA COMPREENDER A FUNDO A IA E SUA CAPTURA
Lançada no Brasil obra essencial sobre a nova tecnologia. Autora provoca: big techs estão transformando a promessa em pesadelo. Há três colapsos em curso e, pior: uma regressão alienada em nossa forma de tomar contato e interpretar o mundo
Por Kate Crawford [publicado originalmente em 17/12/25]
Uma ação que pode ajudar bastante ao enfrentamento de mazelas preocupantes em nossa sociedade..
Uma ação necessária para todo o ano, incluindo os períodos de férias, é a utilização das escolas públicas pelos governos municipais e estaduais para ampliar o número de beneficiários de iniciativas como a do IJPCM.
Para que isso ocorra, é preciso um planejamento estratégico contemplando a necessidade da ação cultural nas escolas, para além das aulas de artes e de projetos pedagógicos culturais como São João e Consciência Negra, mas sem deixar obviamente de somar com as aulas regulares de arte e de outras matérias e com os projetos pontuais.
No caso do governo do estado de Sergipe, por exemplo, sugerimos a priorização dos recursos do FUNDEB na educação básica. Considero que a abertura de uma universidade estadual, anunciada neste final de 2025, poderia ser repensada. Sergipe, sendo um estado de menor porte e já contando com diversos campi da Universidade Federal de Sergipe (UFS) distribuídos pelo território, poderia focar esses recursos na melhoria e expansão das atividades nas escolas de base.
Abaixo, apresentamos iniciativas que exemplificam a implementação de atividades culturais em escolas:
De Pernambuco trazemos a experiência do Programa de Animação Cultural, por meio das lives de formação realizadas pela Ação Cultural no ano de 2020/2021 durante a pandemia de coronavírus.
Do Recife trazemos reportagem escrita e em vídeo sobre uma reunião pública na Câmara Municipal do Recife que discutiu a temática "cultura nas escolas da rede pública".
Já em nosso estado trazemos vídeos-reportagens sobre iniciativas da Ação Cultural no Colégio Leão Magno Brasil (2002 a 2006) e na Escola Júlia Teles (2002 a 2017), localizadas no Conjunto Jardim em Socorro.
De Aracaju trazemos documentário realizado por adolescentes e jovens, participantes de uma oficina de audiovisual, sobre a ocupação estudantil no Colégio Petrônio Portela, no Conjunto Augusto Franco (2016).
Zezito de Oliveira , educador, agente cultural e editor do blog
Foto: IJCPM
Com informações do Portal FAN FM
O Instituto João Carlos Paes Mendonça de Compromisso Social (IJCPM) abriu inscrições gratuitas para oficinas de férias nesta segunda-feira, 29. O projeto é direcionado para jovens de 15 a 24 anos estudantes ou egressos de escola pública.
No total, são 190 vagas distribuídas em 7 cursos de temas variados como dança contemporânea e astronomia, que serão realizados no período entre 19 de janeiro a 5 de fevereiro, nos períodos da manhã e tarde. As inscrições podem ser realizadas até o dia 16 de janeiro, por meio de formulário eletrônico disponibilizado no Instagram do projeto.
Após as inscrições os interessados farão uma visita ao prédio para, em seguida, confirmar o cadastro.
Confira os cursos
Crochê: Arte em nós
19 de janeiro a 28 de fevereiro – Segunda e Quarta das 13h30 às 17h30
Astronomia: Universo em curiosidades
19 de janeiro a 4 de fevereiro – Segunda e Quarta das 14h às 17h30
Escrita e Intervenção
20 de janeiro a 3 de fevereiro – Terça e Quinta das 13h30 às 17h30
Tranças Afro: Nagô e nagô alimentada
20 de janeiro a 3 de fevereiro – Terça e Quinta das 13h30 às 17h30
Teatro: Vencendo a timidez
19 de janeiro a 4 de fevereiro – Segunda e Quarta das 13h30 às 17h30
Hobby e tempo criativo
20 de janeiro a 5 de fevereiro – Terça e Quinta das 9h às 12h
Dança contemporânea
20 de janeiro a 29 de janeiro – Terça e Quinta das 9h às 12h
Para mais informações, o IJCPM disponibiliza o número de Whatsapp (79) 9 8101-1307 para contato.
Juventudes, Paulo Freire e Animação Cultural (Part 2)
Live Ação Cultural com Reginaldo Veloso
O Programa de Animação Cultural (PROAC) é uma iniciativa de educação popular e intervenção social idealizada pelo Padre Reginaldo Veloso em Pernambuco. O programa tem como foco principal o desenvolvimento de comunidades em situação de vulnerabilidade, utilizando a cultura como ferramenta pedagógica e política.
Principais Características do Programa:
Público-alvo: Atende prioritariamente adolescentes e crianças de escolas da rede municipal de ensino, com forte atuação em áreas como o Morro da Conceição, no Recife.
Objetivo: Promover o engajamento comunitário e a transformação das condições de vida por meio da valorização das raízes culturais e da cidadania.
Metodologia: Baseava-se na Educação Popular, onde o "animador cultural" atua como um mediador que organiza atividades lúdicas, educativas e artísticas para fortalecer os laços sociais e a identidade local.
Legado: O trabalho de Padre Reginaldo Veloso no programa é reconhecido por integrar a luta social aos movimentos culturais de Pernambuco, sendo documentado em obras como o livro "Uma Experiência de Animação Cultural entre Adolescentes das Escolas da Rede Municipal de Ensino da Cidade do Recife".
O programa esteve estreitamente ligado ao Movimento de Adolescentes e Crianças (MAC), operando sob a premissa de que a cultura é um direito fundamental para a construção de sonhos e a superação da miséria.
LANÇAMENTO DO LIVRO JUVENTUDE EM MOVIMENTO: UM PROJETO PARA VIDA
Cultura nas escolas municipais do Recife é tema de reunião pública
Debater como a escola pode ser compreendida como um espaço de formação, fruição e de produção artística e cultural foi o motivo central da discussão abordada na reunião pública, promovida pela vereadora Cida Pedrosa (PCdoB), tendo como tema: “A Cultura nas Escolas da Rede Pública do Recife”. Representantes da esfera municipal, associações, organizações estudantis, sociedade civil, professores e alunos marcaram presença no evento realizado na manhã desta sexta-feira (5), no Plenarinho da Casa.
Cultura nas escolas municipais do Recife é tema de reunião pública
Ao abrir a reunião, a vereadora Cida Pedrosa salientou que, atualmente, o Recife conta com 236 escolas, 56 creches e 48 creches-escola, de acordo com informações da Secretaria de Educação do Recife em 2025, num total de 340 escolas públicas municipais. Segundo a parlamentar, é de extrema importância que ações culturais sejam fomentadas em todas as unidades educacionais, independentemente da região da cidade.
“Imaginem se cada escola pública do Recife fosse reconhecida como sendo um centro de formação cultural, descentralizado, capaz de acolher mestras e mestres da nossa cultura, e de agregar linguagens artísticas diversas, da poesia ao frevo, do maracatu às artes visuais, do teatro às culturas urbanas. Ao integrar ações culturais em todas as escolas, estamos democratizando o acesso à cultura e possibilitando que todos os estudantes e as estudantes, de todas as regiões da cidade, possam ter experiências culturais ricas e transformadoras”, explicou Cida Pedrosa.
Após o discurso da vereadora, o assessor parlamentar, José Manoel Sobrinho, apresentou a síntese das propostas para a cultura nas escolas. O trabalho foi elaborado durante as plenárias públicas realizadas no ano de 2024.
“Sobre o tema literatura, livro, leitura e biblioteca, por exemplo, a proposta é de que haja a adoção de livros de escritoras e escritores de Pernambuco nas escolas municipais com recortes de raça, gênero, sexualidade e classe. Em relação ao cordel, podemos defender, junto à Secretaria de Educação do Recife, a realização de um programa de formação e difusão da literatura de cordel. No teatro, podemos requerer à Secretaria de Educação uma agenda permanente para apresentações de teatro e circo nas escolas”, elencou o assessor parlamentar.
Dirceu Marroquim, secretário executivo da Secretaria de Cultura do Recife, pontuou que o debate era de extrema importância, necessário e que era preciso reconhecer as potencialidades das escolas enquanto espaços pedagógicos. Ele citou que existe um programa chamado EduCultura, que será anunciado pelo prefeito João Campos, visando beneficiar as escolas municipais. Ele detalhou como a pasta vem realizando ações com os fazedores e as fazedoras de cultura nas unidades educacionais.
“O prefeito João Campos anunciou, durante a campanha eleitoral, um programa chamado EduCultura. Está sendo formulado o texto final e, em breve, serão lançados os passos de uma ação que vai levar mestres e mestras para as escolas municipais. Temos feito levantamentos sistematizados com todos os dados que a gente tem de fazedores de cultura cruzados com os dados da rede das escolas municipais. Daí, sabemos onde é que tem fazedor de cultura perto de escola com uma quadra para receber ações durante o final de semana. A grande questão é a formulação da ação e isso requer um pouco mais de tempo para fazer bem feito”.
Klayton Pimentel, presidente da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (UMES), disse que era preciso garantir que todas as escolas municipais tenham um espaço de debater a cultura. “A biblioteca dessas escolas estaria com um material produzido pelos artistas do nosso município. É um espaço muito importante para que a juventude continue garantindo e preservando a cultura do Recife. É necessária a inclusão dos grêmios estudantis nesse processo porque eles são a voz do estudante, além de garantir debates culturais com particularidade na cultura municipal”.
Aurivânia Farias, diretora de formação do Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino da Rede Pública do Recife (Simpere), propôs a criação de uma Comissão por entender que o debate do tema exige mais tempo de aprofundamento. “É um desafio imenso, não é algo que se discuta em uma hora ou dia. Sugiro que esse assunto se estenda e eu proponho uma Comissão para que a gente possa se debruçar e encontrar caminhos que sejam viáveis. Recife é um celeiro riquíssimo, multicultural, mas que não atende a necessidade de si própria porque é viva e vive se modificando e renovando”.
Antonieta Trindade, da gerência de formação da Secretaria da Mulher do Recife, destacou que era um grande desafio transformar a escola num instrumento para desenvolver o pensamento crítico. “A escola não pode se limitar ao conhecimento da grade curricular. Os estudantes não podem ter só esse acesso. Eles precisam alargar sua visão do mundo e eu penso que era interessante relatar uma experiência que eu vivi quando assumi, na Secretaria de Cultura do Estado, na gestão de Marcelino Granja, a coordenação de um projeto que tinha como objetivo integrar cultura e educação. Nós levávamos vários escritores e artistas da cultura popular às escolas públicas estaduais”.
Mônica Beltrão, representando a Secretaria de Educação do Recife, ressaltou as ações desenvolvidas pelo Núcleo de Atividades Culturais (NAC) pensadas coletivamente dialogando com estudantes da rede, professoras da rede gestora, fazedores de cultura das comunidades e representações estudantis. “Temos o projeto Rimas [Respeito, Identidade, Movimento, Arte e Sentido], que é Arte na Primeira Infância, pensado a partir da questão tanto da BNCC [Base Nacional Comum Curricular], como na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), desconstruindo e construindo a arte enquanto respeito, identidade, cidadania e movimento". disse. "O PAC, é o Programa de Animação Cultural, nascido a partir do fórum de acesso livre dos estudantes. E estamos também propondo, a partir da escuta dos estudantes, o projeto Arte Psicologia em Ação (APA), com o objetivo de observar, de maneira crítica e sensível, o impacto que questões emocionais exercem sobre os comportamentos dos estudantes”.
Após as explanações dos debatedores, a plateia pôde discutir e sugerir ações à mesa. A vereadora Cida Pedrosa disse que um relatório será encaminhado à Prefeitura do Recife, Governo do Estado e entidades. Ela afirmou que o evento serviu como pontapé para futuras ações. “Faremos requerimentos de algumas ações, a exemplo da ausência do apoio para atividade extracurriculares na escola Pedro Augusto e de outras escolas. Assim como ouvimos a sugestão de convidar agremiações nos bairros e outras questões colocadas aqui. Isso é apenas o início de um processo”.
Quais os livros de Jessé de Souza e de Andre Singer que relativizam a utilização dos conceitos esquerda e direita no debate contemporâneo sobre as preferências ideológicas dos eleitores brasileiros?
Aqui estão os principais livros de Jessé de Souza e André Singer que fundamentam e desenvolvem suas críticas à aplicação tradicional dos conceitos de "esquerda" e "direita" para entender as preferências ideológicas do eleitorado brasileiro contemporâneo.
JESSÉ DE SOUZA
A obra de Jessé é construída sobre a tese de que a interpretação tradicional da sociedade brasileira (baseada em autores como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Raymundo Faoro) é idealista e mascara a verdadeira divisão de classes, que se dá pela competição por recursos escassos e pela moralidade burguesa que estigmatiza os pobres. Para ele, o eixo esquerda-direita econômico é frequentemente ofuscado por essa luta simbólica mais profunda.
Livros centrais para esta discussão:
"A Elite do Atraso: Da Escravidão à Lava Jato" (2017)
Argumento principal: É sua obra de maior impacto. Jessé argumenta que a polarização política no Brasil não é entre "esquerda" e "direita" no sentido clássico, mas entre uma classe trabalhadora (majoritariamente pobre e racializada) e uma "classe rentista" (a elite econômica e seus aliados nas classes médias altas). A "direita", na sua visão, é a expressão política dessa elite, que usa o Estado para seus privilégios, enquanto a "esquerda" (especificamente o lulismo) teria representado, ainda que de forma limitada, os interesses materiais da classe trabalhadora. O conceito de "luta de classes simbólica" é central: a elite constrói narrativas (como a da corrupção seletiva) para dominar e humilhar os pobres, deslocando o conflito do campo econômico para o moral.
"A Classe Média no Espelho: Sua História, seus Sonhos e Ilusões, sua Reality Show" (2018)
Argumento principal: Aqui ele foca no grupo que considera o "turning point" da política brasileira: a classe média baixa/alta. Jessé sustenta que este grupo, movido pelo desejo de distinção social e pelo medo de cair para a classe pobre, adota a moralidade e os valores da elite (o "capitalismo emocional"). Em momentos de crise, ele vota contra seus próprios interesses econômicos (ex.: contra políticas redistributivas) para se alinhar simbolicamente à elite, rompendo com a lógica esperada do voto de esquerda/direita. Esse livro é chave para entender por que a identidade de classe não se traduz diretamente em preferência ideológica tradicional.
"A Ralé Brasileira: Quem é e Como Vive" (2009) e "Os Batalhadores Brasileiros: Nova Classe Média ou Nova Classe Trabalhadora?" (2010)
Argumento principal: Esta duologia oferece a base empírica e teórica da sua visão de classes. Ao redesenhar o mapa das classes sociais no Brasil (definindo a "ralé" e os "batalhadores"), Jessé mostra que a divisão fundamental não é entre capital e trabalho no sentido clássico, mas entre classes que acessam recursos sociais valorizados e as que não acessam. Essa redefinição já aponta para a inadequação dos rótulos políticos convencionais.
ANDRÉ SINGER
A trajetória de Singer é marcada pela análise concreta da política eleitoral e de governo, especialmente do lulismo. Sua relativização do espectro esquerda-direita surge da observação de um realinhamento político profundo a partir de 2013, com a emergência de um novo eixo de conflito.
Livros centrais para esta discussão:
"O Brasil no Espelho: Ensaios sobre o Brasil e a Crise da Modernização Periférica" (2024) - SUA OBRA MAIS ATUAL E SINTÉTICA SOBRE O TEMA.
Argumento principal: Singer apresenta aqui sua tese mais acabada. Ele propõe que o eixo principal da política brasileira deixou de ser econômico (Estado x Mercado) e se tornou cultural-moral. Este novo eixo opõe o polo "Ordem" (conservador, com valores de segurança, tradição, família e hierarquia) ao polo "Progresso" (cosmopolita, com valores de direitos, liberdades e justiça social). O bolsonarismo seria a expressão do polo "Ordem". Essa clivagem corta transversalmente a antiga divisão econômica, explicando por que muitos eleitores que se beneficiaram da "esquerda" econômica (lulismo) migraram para a "direita" bolsonarista por afinidade com a "Ordem".
"Os Sentidos do Lulismo: Reforma Gradual e Pacto Conservador" (2012) e "O Lulismo em Crise: Um Quebra-Cabeça do Período Dilma (2011-2016)" (2018)
Argumento principal: Nestas obras, Singer cunha e desenvolve o conceito de "lulismo". Ele argumenta que o lulismo foi um pacto de classes que, através da transferência de renda, incorporou os "desvalidos" (os pobres) à cidadania sem confrontar as estruturas do capitalismo. Isso criou uma base eleitoral que não era ideologicamente de "esquerda" no sentido revolucionário ou classista, mas pragmática – leal a Lula por seus resultados materiais. Essa análise já mostrava a dissociação entre posição socioeconômica e identidade ideológica clássica, preparando o terreno para a tese do realinhamento posterior.
"O Povo no Poder: A Democracia em Quatro Atos" (2020, org.)
Argumento principal: Como organizador, Singer reúne análises que ajudam a entender a crise democrática e o novo conflito político. Seus próprios capítulos reforçam a ideia de que a polarização recente (Lula x Bolsonaro) não é a simples reativação da velha esquerda versus direita, mas sim a cristalização do novo conflito entre os polos "Ordem" e "Progresso".
Síntese do Diálogo entre os Dois Autores:
Ponto de Convergência: Ambos rejeitam que a economia (Estado x Mercado) seja o principal divisor de águas da política brasileira atual. Ambos enfatizam a centralidade de valores, moral e narrativas simbólicas na formação das identidades políticas.
Divergências de Ênfase:
Jessé Souza explica o fenômeno a partir de uma sociologia das classes profundas, focada na luta simbólica e no habitus da elite e da classe média. Para ele, a direita é a expressão política da "elite do atraso".
André Singer explica a partir de uma ciência política e uma análise conjuntural, focada no realinhamento eleitoral e no surgimento de um novo eixo de clivagem (Ordem x Progresso) que se sobrepôs ao antigo.
Complementaridade: Enquanto Singer mapeia o novo campo de batalha (Ordem x Progresso) e seu impacto no voto, Jessé escava as fundações sociológicas e psíquicas de por que os indivíduos escolhem seus lados nessa batalha, muitas vezes contra seus interesses econômicos imediatos.
Para entender a relativização dos conceitos de esquerda e direita no Brasil, a leitura combinada de "A Elite do Atraso" (Jessé) e "O Brasil no Espelho" (Singer) oferece o quadro analítico mais completo e influente disponível atualmente.
Quais os autores além de Jessé de Souza e Andre Singer que relativizam a utilização dos conceitos de esquerda e direita no debate contemporâneo sobre as preferências ideológicas dos eleitores brasileiros?
Além de Jessé de Souza e André Singer, há outros autores e pesquisadores que, de formas distintas, questionam ou relativizam a aplicabilidade tradicional dos conceitos de "esquerda" e "direita" para explicar as preferências ideológicas dos eleitores brasileiros. Essas abordagens geralmente enfatizam clivagens socioculturais, valores morais, antipetismo, ou a centralidade de pautas não econômicas. Seguem alguns nomes importantes:
1. Sérgio Abranches
Contribuição: Em obras como "Presidencialismo de coalizão" e em análises contemporâneas, Abranches discute como o sistema político brasileiro frequentemente opera por meio de arranjos pragmáticos e clientelistas que transcendem as divisões esquerda-direita, especialmente no Congresso. Ele também explora como identidades e lealdades regionais ou pessoais podem ser mais decisivas do que a ideologia formal.
2. Marta Arretche
Contribuição: Embora mais conhecida por estudos sobre federalismo e políticas públicas, em análises do comportamento político, Arretche destaca a heterogeneidade dentro dos blocos de esquerda e direita e a importância de questões específicas (como segurança, costumes e gestão pública) que não se alinham perfeitamente ao eixo econômico tradicional.
3. Rodrigo Nunes
Contribuição: Filósofo e autor de "Do transe à vertigem: ensaios sobre bolsonarismo e um mundo em transição", Nunes analisa o bolsonarismo como um fenômeno que não se encaixa na dicotomia esquerda-direita clássica, mas mobiliza uma mistura de liberalismo econômico, conservadorismo moral, antipetismo e uma visão antiestablishment paradoxal.
4. Luis Felipe Miguel
Contribuição: Embora mantenha uma perspectiva de esquerda, Miguel critica a simplificação do espectro político, destacando como questões como racismo, gênero e religião criam divisões que cortam transversalmente a clivagem econômica. Em "Democracia e representação: territórios em disputa", discute a complexidade das identidades políticas.
5. Fabio Wanderley Reis
Contribuição: Sociólogo e cientista político, Reis argumenta que a política brasileira é marcada por personalismo, clientelismo e uma relação ambígua com ideologias programáticas, o que enfraquece a aplicação direta dos conceitos de esquerda e direita. Sua obra "Mercado e utopia" explora tensões entre liberalismo e tradição.
6. David Samuels e Cesar Zucco
Contribuição: Em pesquisas quantitativas, como no livro "Partisans, Antipartisans and Nonpartisans", eles mostram que o antipartidarismo (especialmente o antipetismo) é uma força política autônoma no Brasil, que não se alinha necessariamente a uma ideologia coerente de direita. Zucco também destaca como programas de transferência de renda criaram apoios que cruzam fronteiras ideológicas.
7. Juan Linz (embora não brasileiro)
Relevância: Sua teoria sobre cleavages (clivagens) múltiplas (étnicas, religiosas, regionais) é frequentemente invocada para explicar como sistemas políticos como o brasileiro não se estruturam apenas em torno do eixo esquerda-direita econômico.
8. Rafael Cortez
Contribuição: Pesquisador de opinião pública, em estudos com a Tendências Consultoria, destaca a ascensão de pautas morais e de segurança como determinantes do voto, que frequentemente sobrepõem a identificação econômica esquerda-direita.
9. Flávia Biroli
Contribuição: Em trabalhos sobre conservadorismo e gênero, Biroli argumenta que a "agenda dos costumes" criou novas divisões que recombinam posições econômicas e culturais de formas inesperadas, desafiando a categorização tradicional.
10. Oswaldo Amaral
Contribuição: Em pesquisas sobre o PSL e o bolsonarismo, Amaral destaca como partidos "novos" muitas vezes agregam eleitores com preferências ideológicas difusas, unidos mais por rejeições (ao PT, à "velha política") do que por um projeto coerente de esquerda ou direita.
Temas comuns nessas abordagens:
Antipetismo como força autônoma.
Importância de clivagens culturais/morais (religião, segurança, família, gênero).
Personalismo e lideranças carismáticas que transcendem ideologias.
Hibridismo ideológico (ex.: eleitores favoráveis a políticas sociais, mas conservadores em costumes).
Crítica ao reducionismo de classes na análise política brasileira.
Observação:
Muitos desses autores não negam completamente a utilidade dos conceitos de esquerda e direita, mas propõem camadas analíticas adicionais para capturar a complexidade do caso brasileiro. A relativização é, em geral, uma resposta à crise dos partidos programáticos e ao realinhamento político pós-2013.
Quais os livros escritos pelos autores citados acima e que relativizam a utilização dos conceitos de esquerda e direita no debate contemporâneo sobre as preferências ideológicas dos eleitores brasileiros?
Aqui está uma lista de obras específicas dos autores citados que abordam, direta ou indiretamente, a relativização dos conceitos de esquerda e direita no cenário político brasileiro contemporâneo.
1. Sérgio Abranches
Obra mais relevante: "Presidencialismo de coalizão: o dilema institucional brasileiro" (1988).
Por que se relaciona: Embora seja um clássico da ciência política institucional, a obra ajuda a explicar por que a lógica da coalizão pragmática e do toma-lá-dá-cá frequentemente se sobrepõe a alinhamentos ideológicos rígidos no Congresso, relativizando a atuação prática de partidos de "esquerda" e "direita".
2. Marta Arretche
Obra mais relevante: Embora sua produção seja vasta em políticas públicas, para esta discussão, procure seus artigos e capítulos em coletâneas sobre comportamento eleitoral e clivagens. Um exemplo é a organização do livro "Trajetórias das Desigualdades: Como o Brasil Mudou nos Últimos Cinquenta Anos" (2015), que, ao discutir múltiplas dimensões da desigualdade, indiretamente mostra como as preferências políticas não se organizam apenas no eixo econômico esquerda-direita.
Artigo relevante: "Clivagens, Competição Partidária e Desigualdade no Brasil" (em revistas acadêmicas como a Revista Brasileira de Ciências Sociais).
3. Rodrigo Nunes
Obra mais relevante: "Do Transe à Vertigem: Ensaios sobre Bolsonarismo e um Mundo em Transição" (2023).
Por que se relaciona: Analisa o bolsonarismo como um fenômeno pós-ideológico ou "transideológico", que combina elementos de forma inconsistente do ponto de vista tradicional (ex.: liberalismo econômico, estatismo militarista, conservadorismo moral, antipolítica), desafiando diretamente as categorias de esquerda e direita.
4. Luís Felipe Miguel
Obra mais relevante: "Democracia e Representação: Territórios em Disputa" (2014).
Por que se relaciona: Discute como diferentes eixos de dominação (classe, gênero, raça) criam identidades e demandas políticas que não se encaixam perfeitamente no espectro unidimensional esquerda-direita, exigindo uma análise mais complexa das preferências dos eleitores.
5. Fábio Wanderley Reis
Obra mais relevante: "Mercado e Utopia: Teoria Política e Sociedade Brasileira" (1992/2000).
Por que se relaciona: Clássico da teoria política no Brasil, argumenta que a formação social brasileira combinou, de forma peculiar, elementos liberais (mercado) e comunitários/tradicionais (utopia), resultando em um pluralismo de valores que complica a classificação ideológica simplista.
6. David Samuels e Cesar Zucco
Obra mais relevante: O livro seminal é "Partisans, Antipartisans and Nonpartisans: Voting Behavior in Brazil" (2018).
Por que se relaciona: A obra demonstra empiricamente que o antipetismo funciona como uma identidade política poderosa e autônoma, que não corresponde exatamente a uma ideologia de direita. Mostra como muitos eleitores se definem contra algo (o PT) e não por uma agenda programática coerente, relativizando a clivagem tradicional.
7. Juan Linz (Referência internacional)
Obra mais relevante: "A Queda dos Regimes Democráticos" (com Alfred Stepan) e seus textos sobre cleavages (clivagens).
Por que se relaciona: Fornece a base teórica para argumentar que sociedades como a brasileira são marcadas por múltiplas clivagens (regionais, religiosas, urbanas-rurais) que cruzam e fragmentam o alinhamento esquerda-direita, tornando-o insuficiente para explicar o voto.
8. Rafael Cortez (Pesquisador de opinião pública)
Obra mais relevante: Procure os Relatórios e Estudos da Tendências Consultoria, onde atua como politólogo. Não é autor de um livro específico, mas seus artigos e apresentações são fundamentais.
Tema relevante: Pesquisas que mostram o "cidadão de bem" como um significante que agrega eleitores com visões econômicas distintas em torno de valores como segurança, ordem e tradição, criando uma nova identidade política.
9. Flávia Biroli
Obra mais relevante: "Gênero e Desigualdades: Limites da Democracia no Brasil" (2018) e "Conservadorismo, Autoritarismo e Direita no Brasil" (org., com Luciana Tatagiba, 2023).
Por que se relaciona: Mostra como a "agenda dos costumes" (gênero, família, religião) criou uma nova fronteira política que reorganiza alianças e identidades, fazendo com que posições econômicas de esquerda possam coexistir com conservadorismo moral, e vice-versa, desestabilizando as classificações tradicionais.
10. Oswaldo Amaral
Obra mais relevante: Procure seus artigos científicos sobre o PSL e a direita brasileira. Exemplo: "Da Frente para o PSL: a Direita Religiosa e sua Trajetória no Sistema Partidário Brasileiro" (em coletâneas ou revistas como a Revista de Sociologia e Política).
Por que se relaciona: Sua pesquisa mostra como partidos como o PSL surgiram e cresceram agregando eleitores não por um programa ideológico claro, mas por uma combinação de rejeição ao PT, liderança carismática e pautas morais específicas, relativizando a noção de uma "direita" coesa.
Síntese e Recomendações de Leitura:
Para um entendimento profundo do debate, a leitura pode ser orientada por três pilares:
Crítica Teórica à Dicotomia:
Fábio Wanderley Reis ("Mercado e Utopia") oferece a base teórico-histórica.
Juan Linz fornece o ferramental das "clivagens múltiplas".
Análise do Comportamento Eleitoral Contemporâneo:
David Samuels & Cesar Zucco ("Partisans, Antipartisans...") é a obra empírica mais importante, mostrando o papel do antipetismo.
Os artigos de Oswaldo Amaral e Rafael Cortez dão concretude a essas tendências.
Novas Fronteiras Culturais e Morais:
Flávia Biroli é essencial para entender o eixo dos costumes.
Rodrigo Nunes ("Do Transe à Vertigem") oferece uma análise filosófica e abrangente do fenômeno bolsonarista, que é o caso empírico máximo da relativização.
Essas obras, em conjunto, fornecem um mapa completo das principais argumentações que complexificam e relativizam o uso dos rótulos "esquerda" e "direita" para entender o eleitorado brasileiro atual.
Acima com IA deepseek
Popularidade, dados e polarização: o Brasil no espelho com Felipe Nunes - PODPEOPLE #276
“O Brasil no espelho”: Quais lições podemos tirar da pesquisa Quest? – Por Rodrigo Perez
Acaba de ser publicado pela Globo Livros a obra “O Brasil no espelho: um guia para entender o Brasil e os brasileiros”, assinada pelo cientista político Felipe Nunes, CEO da Quest, uma das mais prestigiadas empresas especializadas em pesquisas de ...
Por: Rodrigo Perez Oliveira na REVISTA FÓRUM
Publicado: 03/12/2025 - às 18h44
-Acaba de ser publicado pela Globo Livros a obra “O Brasil no espelho: um guia para entender o Brasil e os brasileiros”, assinada pelo cientista político Felipe Nunes, CEO da Quest, uma das mais prestigiadas empresas especializadas em pesquisas de opinião pública que temos no Brasil. O livro apresenta os dados de um ambicioso trabalho de investigação sobre os valores da sociedade brasileira. Os dados são muitos e complexos, e incontornáveis para intelectuais e lideranças políticas que tenham o interesse em entender o país fora da histeria ideológica que na última década pautou o debate político entre nós, à esquerda e à direita.
O livro divide o Brasil em nove identidades políticas: conservadores cristãos (27%), dependentes do Estado (23%), agro (13%), progressistas (11%), militantes de esquerda (7%), empresários (6%), liberais sociais (5%), empreendedores individuais (5%), extrema-direita (3%). Cada uma delas apresenta opiniões divergentes sobre os principais temas de interesse nacional, como economia, assistência social, segurança pública, democracia, ditadura, costumes etc. Essas “bolhas” (termo usado pelo próprio Felipe Nunes) possuem considerável grau de “calcificação”, ou seja, as possibilidades de trânsito entre elas são restritas, o que sugere o estreitamento da retórica, entendida como técnica de convencimento através da palavra. Todos estão tão confortáveis nas suas bolhas que têm pouco interesse em ouvir opiniões diferentes.
É certo que toda classificação demanda critérios que não são imunes às premissas ideológicas e que sempre podem ser questionados, discutidos e criticados. Por ora, desejo me concentrar em um aspecto específico da pesquisa, justamente aquele que me parece ser o mais importante e urgente para a esquerda. O cruzamento das informações nos permite pensar o “brasileiro médio” como um tipo ideal, no sentido em que Max Weber utilizava a categoria: um modelo abstrato que não necessariamente existe na realidade neste formato, mas nos ajuda a compreender o fenômeno analisado. Dito isso, sim, o “brasileiro médio” é conservador nos costumes, o que não quer dizer que seja “fascista”, ofensa usada e abusada pela esquerda nos últimos anos. A extrema-direita puro sangue contempla apenas 3% da população, bem menor do que o capital eleitoral de Jair Bolsonaro nas duas últimas eleições presidenciais. Se é verdade que toda a extrema-direita vota em Bolsonaro, também é verdade que nem todo eleitor de Bolsonaro é de extrema-direita. Já sabíamos, ainda que intuitivamente. É bom ver a intuição confirmada nos números.
Mas o que significa ser “conservador nos costumes”? A interpretação dos dados apresentados pela Quest permite ensaiar uma resposta. “Conservador nos costumes” é aquele que vê na casa, no espaço doméstico, um lugar que precisa estar seguro da criminalidade e das ideias consideradas desestabilizadoras da estrutura familiar. Isso, porém, não significa, necessariamente, negar direitos fundamentais para as minorias sexuais, raciais e de gênero. Para o brasileiro médio, direitos como adoção de crianças, união civil e igualdade no mercado de trabalho devem ser universalizados. Entretanto, “ideologia de gênero”, intervenção hormonal em crianças para fins de transição de gênero, ameaça aos espaços femininos de intimidade e a ampliação da política de cotas para além do acesso de pobres e negros aos cursos de graduação nas universidades públicas são projetos potencialmente rejeitados e profundamente identificados com a esquerda, o que explica a deterioração do prestígio desse campo político junto à maioria da população.
O brasileiro médio deseja viver em um país onde os direitos fundamentais estejam universalizados, mas não quer se sentir prejudicado neste processo, não deseja ser um perdedor na competição social. A lição me parece muito explícita: a estratégia que deve conduzir a atuação da esquerda precisa estar focada na universalização de direitos, sem ceder à tentação de tensionar nos costumes. Na casa, entre quatro paredes, cada um faz o que quiser. Na praça, no espaço público, todos precisamos ser contemplados pelos mesmos direitos. É a velha e boa utopia republicana.
Abaixo com IA DeepSeek
Existe uma obra relevante de Felipe Nunes (cientista político e diretor da Quaest Pesquisa e Consultoria) que, de fato, contribui diretamente para esse debate. A referida obra é:
"A Mente do Eleitor: O que Psicologia e Neurociência nos Revelam sobre a Política" (2021, coautoria de Brian K. Krueger).
Ambas as obras – a de André Singer e a de Felipe Nunes – contribuem, de modos distintos e complementares, para o entendimento da relativização dos conceitos "esquerda-direita".
1. O Brasil no Espelho (ANDRÉ SINGER) – Contribuição já detalhada:
O livro de Singer apresenta a tese do eixo "Ordem vs. Progresso", argumentando que essa clivagem cultural-moral substituiu a antiga divisão econômica (Estado x Mercado) como principal divisor político no Brasil pós-2013. Isso relativiza "esquerda-direita" ao mostrar que eleitores podem escolher lados com base em valores, medos e identidades (ex.: segurança, tradição, costumes) que não se alinham necessariamente com suas posições econômicas.
2. A Mente do Eleitor (FELIPE NUNES) – A Contribuição da Psicologia Política:
A obra de Felipe Nunes (com Krueger) adiciona uma camada microfundada, cognitiva e emocional ao debate. Seu foco está nos processos mentais, vieses e mecanismos psicológicos que explicam por que as pessoas votam como votam – frequentemente de formas que desafiam a racionalidade ideológica.
Como o livro relativiza "esquerda" e "direita":
a) O Primado da Emoção sobre a Razão Ideológica:
Nunes mostra que decisões políticas são majoritariamente automáticas, emocionais e baseadas em atalhos cognitivos (heurísticas), não em análises programáticas de propostas de esquerda ou direita. Isso explica por que campanhas bem-sucedidas apelam ao medo, esperança, raiva ou identificação tribal, e não a debates ideológicos.
b) A Centralidade da Identidade Partidária e do "Time":
O livro explica como a identificação partidária (ser "petista" ou "antipetista", por exemplo) funciona como uma "identidade social" poderosa, semelhante à torcida por um time de futebol. Essa identidade pode sobrepujar posições ideológicas específicas. Um eleitor pode apoiar medidas contraditórias se forem propostas pelo seu "time", demonstrando que o alinhamento não é doutrinário, mas tribal.
c) Os Vieses que Distorcem a Percepção da Realidade:
Viés de Confirmação: Eleitores buscam e acreditam apenas em informações que confirmem suas lealdades pré-existentes, não em análises que as confrontem com programas de esquerda/direita.
Viés Partidário: A mesma notícia ou dado econômico é interpretado de forma radicalmente oposta dependendo do partido no poder. A percepção da realidade é filtrada pela identidade política, não por um quadro ideológico coerente.
Aversão à Perda e Medo: Decisões eleitorais são frequentemente motivadas mais pelo medo de perder algo (status, valores tradicionais, segurança) do que pela adesão a um projeto de futuro de esquerda ou direita.
d) A Importância da Comunicação Não-Verbal e dos Sinais Subconscientes:
A obra aborda como eleitores decidem com base em características superficiais (aparência, tom de voz, expressões faciais) e sinais de confiança do candidato, fatores que são completamente alheios ao conteúdo ideológico de esquerda ou direita.
Síntese: Como as Duas Obras se Complementam
Dimensão AnalisadaAndré Singer ("O Brasil no Espelho")Felipe Nunes ("A Mente do Eleitor")
Nível de AnáliseMacro (Sociológico e Político). Foca em clivagens estruturais na sociedade (Ordem x Progresso) e realinhamento eleitoral.Micro (Psicológico e Cognitivo). Foca nos processos mentais individuais e nas heurísticas do voto.
Objeto de EstudoForças históricas e grupos sociais. Examina como coalizões de classe e valores se reorganizam no tempo.O cérebro e a mente do eleitor individual. Examina como biologia, emoção e cognição guiam a escolha.
Como Relativiza Esq./Dir.Argumenta que um novo eixo (cultural) substituiu o antigo (econômico). A posição nesse novo eixo não corresponde necessariamente à posição no eixo antigo.Argumenta que a escolha é frequentemente não ideológica, mas sim emocional, tribal e sujeita a vieses que pouco têm a ver com conteúdo programático.
Conclusão ConjuntaA sociedade se reordenou em torno de um conflito que não é mais o clássico.O indivíduo vota com base em mecanismos que ignoram o conflito clássico.
Resumindo:
Singer nos diz "o que" está estruturando o novo campo político (não é mais esquerda x direita no sentido econômico, mas Ordem x Progresso).
Nunes nos explica "por quê" isso é possível a nível individual: porque a mente do eleitor não opera com lógica ideológica, mas com atalhos emocionais e identitários que podem se vincular facilmente a novos eixos como o proposto por Singer.
Portanto, ler "A Mente do Eleitor" (Felipe Nunes) após "O Brasil no Espelho" (André Singer) é extremamente revelador. Ele fornece as ferramentas da psicologia política para entender como a relativização dos conceitos tradicionais, mapeada por Singer, consegue se concretizar na cabeça de cada votante. Juntos, eles oferecem uma explicação poderosa e em duas camadas (macro e micro) para a crise das categorias "esquerda" e "direita" no Brasil contemporâneo.