segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A I Teia Sergipe dos Pontos de Cultura acontece neste final de semana no Complexo Cultural O Gonzagão, em Aracaju.

  A Teia dos Pontos de Cultura é um encontro nacional e estadual — e, em alguns casos, de âmbito municipal — que funciona como um momento dinamizador da energia criativa dos Pontos e Pontões de Cultura. O evento potencializa os fios materiais e invisíveis que sustentam a Rede Cultura Viva, a mais importante política pública de cultura de base comunitária implantada no Brasil. O país é considerado um dos mais ricos do mundo em matéria de diversidade cultural e biodiversidade, mas, ao mesmo tempo, um dos mais atacados nesses dois campos em função de interesses econômicos predatórios e, em muitos casos, devastadores.

Em Sergipe, como nos demais lugares do Brasil onde o evento vem ocorrendo desde o segundo semestre de 2025, a I Teia Estadual realizará a escolha de 30 delegados que representarão o estado na Teia Nacional, que será realizada em Aracruz, no Espírito Santo, de 24 a 29 de março de 2026. Além disso, serão escolhidos os representantes titulares e suplentes que comporão a nova comissão estadual dos Pontos de Cultura, junto aos cinco membros da atual comissão organizadora da Teia Sergipe 2026.

Para ajudar a preparar os representantes dos Pontos e Pontões de Cultura que participarão da Teia estadual, foram realizadas duas lives preparatórias para a discussão do regimento interno do Fórum dos Pontos e Pontões de Cultura, que acontece como parte importante das Teias. Nessas duas reuniões, algumas preocupações quanto à escolha dos delegados foram bastante destacadas, considerando escolhas pouco satisfatórias de representantes de municípios e do estado para a  última (4ª) Conferência Nacional de Cultura realizada em Brasilia entre os dias  4 e 8 de março de 2024. 

Com o objetivo de contribuir para minimizar ou mitigar os problemas observados, sugeriu-se a elaboração de uma carta de recomendação para a escolha de bons delegados. A seguir, apresentamos algumas sugestões, na expectativa de que outras contribuições possam ser enviadas a fim de enriquecer essa carta de recomendação.

As sugestões abaixo buscam equilibrar critérios fundamentais para a escolha dos delegados: capacidade técnica, representatividade e engajamento.

Em resumo, o "bom delegado" é aquele que, além de conhecer profundamente o setor cultural do seu estado, consegue traduzir as necessidades locais em propostas nacionais, agindo com postura ética, dialógica e representativa.

1. Conhecimento Técnico
  • Conhecimento da Política Nacional de Cultura Viva: O delegado deve ter, no mínimo, conhecimento básico sobre a Política Nacional de Cultura Viva e clareza sobre os eixos temáticos do Fórum Nacional, conforme o Art. 23º do Regimento do II Fórum Estadual dos Pontos e Pontões de Cultura:
    • Eixo 1: Plano Nacional de Cultura Viva para os próximos 10 anos;
    • Eixo 2: Governança da Política Nacional de Cultura Viva;
    • Eixo 3: Cultura Viva, Trabalho e Sustentabilidade da Criação Artística.
  • Atuação Comprovada: Experiência prévia de, no mínimo, três anos no campo da cultura (como artista, mestre, gestor, produtor, agente de cultura viva ou acadêmico).
  • Vivência em Políticas Culturais: Experiência em debates sobre políticas culturais, mesmo que em nível incipiente.
2. Critérios de Representatividade (Diversidade)
  • Paridade e Diversidade: A escolha deve observar o disposto no Artigo 16º e seus parágrafos do Regimento do Fórum Estadual, garantindo a representatividade dos diversos segmentos e identidades.
3. Critérios de Compromisso e Habilidade (Perfil Político)
  • Compromisso com o Relatório Estadual: O delegado deve comprometer-se a defender as propostas aprovadas na etapa estadual durante o Fórum/Teia Nacional, preterindo agendas exclusivamente pessoais ou específicas do Ponto ou Pontão de Cultura do qual faz parte.
  • Capacidade de Diálogo e Negociação: Habilidade para dialogar com delegados de outros estados, buscando consensos e alianças estratégicas em prol do coletivo.
  • Disponibilidade: Comprometimento em participar integralmente da programação do Fórum/Teia Nacional, incluindo grupos de trabalho (GTs) e plenárias de votação.
4. Critérios Éticos e Formais
  • Defesa do Interesse Público: Foco na construção de políticas de Estado que visem à democratização do acesso à cultura e ao fortalecimento da rede.
Já para a escolha dos representantes dos territórios na comissão estadual, sugerimos que, além do disposto acima para a escolha dos delegados ao Fórum/Teia Nacional, os seguintes pontos sejam observados:
Escolher pessoas com características democráticas, descentralizadoras e solidárias. Isso significa buscar formar uma comissão estadual com gestão baseada na participação coletiva, na distribuição de poder e na cooperação, em vez de um modelo autocrático ou centralizado.
Escolher pessoas que disponham de tempo para se dedicar às atividades de articulação, formação e mobilização em rede.
E mais...
Agora é com vocês!
Zezito de Oliveira


domingo, 25 de janeiro de 2026

OFICINAS ONLINE PONTÃO GESTÃO VIVA 3.0

Desde o ingresso da Ação Cultural na Rede Cultura Viva, em 2011/2012, é a primeira vez que uma ação de formação cultural voltada à noções básicas de gestão administrativa e financeira — direcionada a gestores e produtores de base comunitária — ocorre com tamanha pujança e qualidade como agora, no início de 2026, por meio do Pontão de Gestão Viva 3.0.

Essa iniciativa representa um sonho antigo. Recordo-me que, antes de a Ação Cultural tornar-se um Ponto de Cultura — quando precisei me afastar da coordenação geral da entidade para dirigir o Complexo Cultural 'O Gonzagão' (2007 a 2009) —, organizamos ações com  artistas e grupos culturais do Conjunto Augusto Franco e adjacências, quadrilhas juninas principalmente, além dos queridos (as)  parceiros da Caravana Internacional Arco-Íris por La Paz, Pontão de Cultura Itinerante da Rede Cultura Viva, a época.  Para saber mais clique AQUI

Naquele momento, as políticas culturais e de cultura digital, iniciadas em 2003 no governo Lula com o ministro Gilberto Gil, estavam em plena expansão, incluindo a criação do Programa Cultura Viva. Com base nisso, firmamos parcerias com o SEBRAE para promover oficinas de elaboração de projetos, empreendedorismo cultural e em cooperativismo.  Clique AQUI , AQUI , AQUI e AQUI para saber mais.

A participação da Ação Cultural nessas oficinas foi decisiva para a aprovação do projeto 'Juventude e Cidadania' no edital de 2010 do MinC. Após meu retorno à entidade como assessor técnico da mesma, integrando a Rede Sergipe de Pontos de Cultura, ficou evidente a lacuna na formação administrativo-financeira e em legislação, e aqui me refiro aos Pontos de Cultura de toda a rede . 

Infelizmente, em vez de oferecerem suporte, gestores públicos limitavam-se e ainda hoje,  a criticar a suposta incapacidade dos  agentes culturais em lidar com a gestão pública e institucional, além da gestão de suas carreiras e elaboração e gestão de projetos, na maioria dos casos. Essa proposta do Pontão de Gestão Viva 3.0 surge, portanto, como um ação importante para preencher esse vazio histórico, se não em todos os temas, considerando já terem sido apresentados, nem sempre com o tempo a qualidade necessária, pelo menos em alguns outros, como noções básicas de contabilidade para organizações da sociedade civil e de contabilidade para projetos, por exemplo. Saiba mais AQUI e AQUI

Recentemente tomei conhecimento da extinção das duas quadrilhas existentes no Conjunto Augusto Franco, a Asa Branca e Luiz Gonzaga, como tantas em nossas cidades, sem falar da descaracterização. Saiba mais AQUI

Decerto, com iniciativas continuadas como as do Consórcio Cultura lá atrás, infelizmente descontinuada e do Pontão Gestão Viva 3.0, essa situação poderá ser revertida e reforçada ainda mais pelo orçamento formidável da Lei Aldir Blanc e das políticas de acesso do MinC na atual gestão, para a inclusão da micro e pequena produção cultural na seleção dos editais da Lei Rouanet.

E não esqueçamos dos Conselhos de Politicas Culturais, afinal: 
Onde falta participação e controle social, surgem problemas na utilização do dinheiro público. Daí a importância de conselhos de participação social ativos e altivos, atuando tanto no plano da macropolítica — por meio de conselhos de políticas públicas — quanto na orientação do uso de recursos no território, neste caso, na forma de conselhos gestores. 

Zezito de Oliveira - Educador, agente/produtor cultural e pesquisador/escritor.



19/01/2026, das 10h às 12h Introdução ao Orçamento Público – PPA, LDO e LOA

Com Luiz Américo Paranatinga

Objetivo geral: Compreender a estrutura do orçamento público brasileiro e seus instrumentos de planejamento como base para a atuação cultural junto ao poder público. Conteúdo abordado: A oficina apresenta os conceitos fundamentais do Plano Plurianual (PPA), da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA), explicando como esses instrumentos se articulam, como influenciam a formulação de políticas culturais e de que forma Pontos de Cultura podem identificar oportunidades de incidência, diálogo institucional e captação de recursos a partir do orçamento público.

20/01/2026, das 09 às 11h Licitações e Contratações com a Administração Pública

Com Dr. Luiz Jordão

Objetivo geral: Capacitar agentes culturais para compreender os processos de contratação pública e suas implicações na execução de projetos culturais. Conteúdo abordado: Aborda os princípios das licitações, modalidades de contratação, dispensa e inexigibilidade, além dos cuidados necessários para que OSCs e coletivos culturais possam contratar com a administração pública de forma segura, transparente e alinhada à legislação vigente, reduzindo riscos na execução e na prestação de contas.

 21/01/2026, das 09 às 11h MROSC – Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil

Com Dr. Luiz Jordão

Objetivo geral: Apresentar o MROSC como principal marco legal das parcerias entre OSCs e o poder público. Conteúdo abordado: A oficina explora a Lei nº 13.019/2014, seus instrumentos (termo de fomento, termo de colaboração e acordo de cooperação), responsabilidades das partes, etapas de celebração, execução e prestação de contas, com foco na realidade dos Pontos de Cultura e na gestão responsável de recursos públicos.

 22/01/2026, das 10 às 12h Política Cultura Viva – Legislação e Certificação

Com Davy Alexandrisky

Objetivo geral: Compreender os fundamentos legais da Política Nacional Cultura Viva e o papel dos Pontos de Cultura. Conteúdo abordado: Apresenta a legislação que institui a Política Cultura Viva, seus princípios, diretrizes e instrumentos, abordando o conceito de gestão compartilhada, o protagonismo da sociedade civil e a importância dos Pontos de Cultura como estratégia de democratização do acesso, da produção e da fruição cultural.

 23/01/2026, das 10 às 12h Como Formalizar Juridicamente seu Empreendimento Cultural 

Com Heitor Collet

Objetivo geral: Orientar coletivos culturais sobre caminhos jurídicos para formalização e reconhecimento institucional. Conteúdo abordado: A oficina discute os diferentes modelos de formalização (associação, MEI, cooperativa, entre outros), suas vantagens e limitações, bem como os requisitos legais e documentais para que grupos culturais possam se estruturar juridicamente e acessar políticas públicas e mecanismos de fomento.

 26/01/2026, das 10h às 12h Noções de Contabilidade para Pontos de Cultura (OSCs)

Com Daniel Menezes

Objetivo geral: Introduzir conceitos contábeis essenciais para a gestão de Organizações da Sociedade Civil. Conteúdo abordado: Apresenta noções básicas de contabilidade aplicada ao terceiro setor, incluindo registros contábeis, obrigações fiscais, demonstrativos financeiros e cuidados específicos para OSCs, fortalecendo a gestão transparente e a sustentabilidade institucional dos Pontos de Cultura.

 27/01/2026, das 10 às 12h Noções de Contabilidade para Projetos Culturais

Com Daniel Menezes

Objetivo geral: Capacitar agentes culturais para organizar financeiramente projetos culturais. Conteúdo abordado: A oficina aborda conceitos práticos de controle financeiro, fluxo de caixa, organização de documentos fiscais e acompanhamento de despesas, relacionando esses elementos diretamente às exigências de editais, termos de fomento e leis de incentivo.

28/01/2026, das 10h às 12h Projetos – Da Elaboração à Prestação de Contas

Com Heitor Collet

Objetivo geral: Apresentar o ciclo completo de um projeto cultural, do planejamento ao encerramento. Conteúdo abordado: Discute as etapas de concepção, elaboração, execução, monitoramento e prestação de contas de projetos culturais, destacando a coerência entre objetivos, metas, orçamento e resultados, com foco em boas práticas exigidas por editais e órgãos públicos.

29/01/2026, das 10h às 12h Desenvolvendo a Planilha Orçamentária

Com Heitor Collet

Objetivo geral: Aprofundar o conhecimento sobre elaboração e gestão de orçamentos de projetos culturais. Conteúdo abordado: A oficina trabalha a construção detalhada de planilhas orçamentárias, memória de cálculo, unidades de medida, compatibilização com cronogramas e adequação às normas de editais e legislações, reduzindo riscos de glosas e inconsistências.

30/01/2026, das 10 às 12h Produção de Campo e Logística

Com Wesley Cardozo

Objetivo geral: Capacitar agentes culturais para planejar, organizar e executar a produção de campo e a logística de projetos e eventos culturais de forma eficiente, segura e integrada. Conteúdo abordado: A oficina aborda os princípios da produção de campo e da logística aplicada à cultura, incluindo planejamento operacional, cronogramas, fluxos de trabalho, montagem e desmontagem, transporte, hospedagem, alimentação, gestão de equipes, fornecedores e insumos, bem como a articulação entre produção, técnica e comunicação, oferecendo uma visão prática e estratégica para a execução organizada de ações culturais em diferentes territórios e contextos.

 02/02/2026, das 10 às 12h Redação para Projetos

Com Heitor Collet Objetivo geral: Aprimorar a escrita técnica e estratégica de projetos culturais. Conteúdo abordado: Aborda técnicas de redação aplicadas a editais, com foco em clareza, coerência, argumentação, alinhamento com políticas públicas e critérios de avaliação, auxiliando agentes culturais a fortalecerem a competitividade de suas propostas.

03/02/2026, das 10 às 12h Captação de Recursos - Leitura de Editais

Com Heitor Collet

Objetivo geral: Capacitar agentes culturais para interpretar e analisar editais de fomento. Conteúdo abordado: A oficina ensina como ler editais de forma estratégica, identificando requisitos, critérios de avaliação, obrigações do proponente e oportunidades, reduzindo erros formais e ampliando as chances de aprovação.

04/02/2026, das 10 às 12h Captação de Recursos - Lei de Incentivo

Com Heitor Collet

Objetivo geral: Compreender os mecanismos das leis de incentivo à cultura. Conteúdo abordado: Apresenta o funcionamento das leis de incentivo, etapas de submissão, aprovação, captação e execução de projetos, além das responsabilidades do proponente e das estratégias de relacionamento com patrocinadores.

[05/02/2026, das 10h às 12h Captação de Recursos - Emendas Parlamentares

Com Heitor Collet

Objetivo geral: Apresentar o funcionamento das emendas parlamentares como fonte de financiamento cultural. Conteúdo abordado: Discute o ciclo das emendas, articulação política, elaboração de propostas, celebração de termos de fomento e cuidados na execução, contextualizando esse instrumento na realidade das OSCs e Pontos de Cultura.

 06/02/2026, das 10 às 12h Sustentabilidade Financeira - Lean Canvas para Negócios

Com Daniel Domingues

Objetivo geral: Introduzir ferramentas de planejamento estratégico para sustentabilidade financeira. Conteúdo abordado: Apresenta o modelo Lean Canvas adaptado à economia da cultura, auxiliando Pontos de Cultura e agentes culturais a refletirem sobre proposta de valor, públicos, fontes de receita, custos e parcerias estratégicas.

 09/02/2026, das 10h às 12h Acessibilidade: Conceitos e Direitos

Com Dilma Negreiros

Objetivo geral: Compreender os fundamentos da acessibilidade e seus marcos de direitos, qualificando Pontos de Cultura e agentes culturais para planejar ações culturais inclusivas e alinhadas às normas brasileiras. Conteúdo abordado: A oficina apresenta conceitos-chave de acessibilidade (física, comunicacional, atitudinal, metodológica, digital e arquitetônica), a noção de desenho universal e o entendimento de acessibilidade como direito, discutindo deveres e responsabilidades de projetos culturais.

 10/02/2026, das 10h às 12 Sustentabilidade – Conceitos Iniciais

Com Isa Boechat Objetivo geral: Introduzir conceitos fundamentais de sustentabilidade aplicados à cultura. Conteúdo abordado: Apresenta os pilares da sustentabilidade (ambiental, social e econômica), sua relação com projetos culturais e a importância da adoção de práticas responsáveis e conscientes no planejamento e na execução de ações culturais.

11/02/2026, das 10h às 12h Sustentabilidade em Eventos – ABNT NBR ISO 20121

Com Isa Boechat

Objetivo geral: Apresentar normas e boas práticas para a gestão sustentável de eventos culturais. Conteúdo abordado: A oficina aborda os princípios da ABNT NBR ISO 20121, discutindo planejamento, mitigação de impactos, engajamento de públicos e fornecedores, e estratégias para tornar eventos culturais mais responsáveis e alinhados a padrões internacionais.

 23/02/2026, das 10h às 12h Elaborando um Plano de Comunicação Com Julia Sinder 

Objetivo geral: Capacitar agentes culturais para estruturar planos de comunicação estratégicos e coerentes com os objetivos de projetos culturais. Conteúdo abordado: A oficina aborda os fundamentos do planejamento em comunicação aplicada à cultura, incluindo definição de objetivos comunicacionais, públicos estratégicos, mensagens-chave, identidade, cronograma de ações, canais e formatos, além de indicadores de alcance e engajamento, auxiliando Pontos de Cultura e agentes culturais a organizarem ações de divulgação consistentes, integradas e alinhadas às exigências de editais, patrocinadores e políticas públicas.

 24/02/2026, das 10h às 12h Campanhas em Redes Sociais

Com Julia Sinder

Objetivo geral: Introduzir estratégias de divulgação digital para projetos culturais. Conteúdo abordado: Discute planejamento de campanhas em redes sociais, segmentação de público, noções básicas de métricas de acompanhamento, com foco em ampliar alcance, engajamento e visibilidade de ações culturais.

 25/02/2026, das 10 às 12h Elaboração de Press Kit e Portfólio

Com Heitor Collet

Objetivo geral: Orientar agentes culturais na organização de portfólios institucionais e artísticos. Conteúdo abordado: A oficina aborda os elementos essenciais de um press kit, como release, fotos, vídeos, textos institucionais e identidade visual, fortalecendo a comunicação e a imagem pública de projetos e coletivos culturais. Também foca na estrutura, linguagem e curadoria de conteúdo para portfólios, destacando a importância do histórico de atuação, registros e resultados como elementos estratégicos em processos seletivos e editais.

Para se inscrever, clique AQUI

Leia também: 

A Produção Cultural em 2026: o fim da era do “desespero do edital”
Por Pascoal Maynard(*)
Começo este ano com uma sensação diferente. Se em 2024 e 2025 eu ainda respirava o ar da reconstrução, tentando acompanhar a retomada dos mecanismos de fomento que haviam sido desmantelados, agora percebo que o jogo mudou. O Ministério da Cultura deixou claro: entramos na fase da consolidação técnica.
Como produtor cultural, sinto na pele o impacto dessa transição. As recentes orientações sobre a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e o balanço da Secretaria Executiva do MINC, mostram que não estamos mais diante de iniciativas isoladas, mas de um sistema robusto, permanente e altamente fiscalizado. É como se a profissão tivesse ganhado novas regras — e ignorá-las significa ficar para trás.
Ao analisar a passagem do Ciclo 1 para o Ciclo 2 da PNAB, o fomento agora funciona em fluxo contínuo. Não há mais espaço para a lógica dos editais que “aparecem e somem”. O sistema exige domínio absoluto sobre prazos, reprogramação de saldos e uma prestação de contas rigorosa. É um novo patamar de profissionalização: quem não dominar a técnica de gestão financeira verá os recursos passarem pelas mãos dos estados e municípios sem conseguir captar nada para seus projetos.
Essa mudança marca o fim definitivo da era do improviso, do “desespero do edital”. O que começa agora é a era da gestão estratégica de carreira. Não se trata apenas de política cultural, mas da reescrita das regras do ofício.
Escrevo este artigo não apenas como observador, mas como alguém que vive diariamente os desafios da produção cultural. O recado do Ministério da Cultura foi direto: acabou a fase da reconstrução, agora é hora da consolidação técnica. E eu confesso — isso me inquieta.
E aqui está a verdade que muitos não querem ouvir: quem não dominar a gestão financeira, quem não entender prazos, reprogramações e prestações de contas, ficará para trás. Não adianta reclamar da burocracia — ela agora é parte indissociável da profissão. O produtor cultural que insiste em viver apenas da inspiração vai descobrir que a inspiração, sozinha, não paga contas nem garante relevância.
Eu sei que dói admitir, mas a inspiração não basta. Criatividade sem estratégia é apenas hobby. Se você quer viver de cultura em 2026, precisa assumir que sua carreira é uma empresa — e que a gestão é tão vital quanto a criação.
Durante anos, muitos produtores viveram na lógica do improviso. Era o “desespero do edital”: correr atrás de oportunidades esporádicas, inscrever projetos às pressas, torcer por aprovação e, quando não vinha, culpar a burocracia. 
É hora de abandonar a romantização da arte como se fosse suficiente para sustentar uma carreira. Criatividade sem estratégia é hobby. Inspiração sem técnica é apenas passatempo. Se você quer viver de cultura em 2026, precisa assumir que sua carreira é uma empresa — e que a gestão é tão vital quanto a criação.
Ou você se profissionaliza, ou desaparece.
(*) É  jornalista, documentarista  e produtor cultural. Atualmente exerce o cargo de Assessor Especial da Funcap, Presidente do Conselho Estadual de Cultura e apresentador do programa Expressão na Aperipê TV.
Artigo acima publicado no facebook em 20 de janeiro de 2026


Formação de agentes culturais*
18 de maio de 2006 -publicado no site da Fundação Perseu Abramo

O investimento do governo municipal na formação de agentes culturais, que exerçam o papel de gestores de processos culturais, favorece o desenvolvimento local e ajuda a criar espaços de sociabilidade. 

Autores: Valmir de Souza, Hamilton Faria e José Carlos Vazz

A cultura é um dos campos mais propícios para o fortalecimento do diálogo democrático, para articulação social e também para praticar o desenvolvimento local em sua dimensão cultural. O trabalho do agente cultural impulsiona as potencialidades econômicas, sociais, turísticas e ajuda a formar espaços de sociabilidade na cidade.

Atualmente, a cultura tem mostrado sua importância como agregadora das relações na cidade sendo esta um espaço essencialmente cultural. Cada vez mais entende-se que os conflitos sociais estão relacionados às práticas culturais, isto é, o desentendimento cultural leva a ações de incompreensão entre os diversos segmentos sociais. O desenvolvimento hoje passa também pelas ações culturais locais e o desenvolvimento cultural se impõe como cenário catalisador das relações sociais e econômicas; é possível desenvolver o aspecto cultural do município, trabalhando com a diversidade e as características das culturas locais. O trabalho do agente cultural é de fundamental importância nesse contexto e muitas prefeituras estão investindo na formação destes trabalhadores da cultura, tanto do poder público como das comunidades.

QUEM É O AGENTE CULTURAL?

O agente cultural é um cidadão tanto do poder público (Agentes Culturais Públicos) como da sociedade civil (Agentes Culturais Comunitários), que se relaciona com as práticas e ações culturais no município. O agente cultural não é um mero "administrador" de atividades culturais, mas deve ter uma sensibilidade voltada para o sócio-cultural, exercendo ativamente sua função de elo de ligação entre o poder público e as comunidades. Deverá exercer o papel de gestor de processos culturais da cidade, com capacidade inventiva e formadora de massa crítica

Assim, o agente cultural pode ser:

a) O dirigente cultural: é o servidor público investido de poder decisório na formulação e na gestão da política cultural do governo municipal ou de atividades que a compreendam (secretário de cultura, diretor de cultura etc.). As atividades de formação de dirigentes culturais devem incluir, além dos conteúdos gerais de interesse para a formação de qualquer agente cultural, conteúdos destinados a ampliar sua capacitação para a gestão pública.

b) O servidor envolvido em ações culturais: nesta categoria enquadram-se aqueles servidores que ocupam funções fundamentais para a implantação de ações e operação de programas culturais no município. É o caso dos animadores culturais, bibliotecários, atendentes de biblioteca, coordenadores de oficinas etc. Estes profissionais requerem um trabalho de formação básica (comum aos demais agentes culturais) e atividades de formação específica para as funções profissionais que desempenham.

c) O produtor cultural da comunidade: são os membros da comunidade que possuem uma atuação profissional, semi-profissional ou amadora no campo cultural (artistas, artesãos, "agitadores" culturais etc.)

O papel do agente cultural estende-se para além da simples realização de atividades. Ele deve ser, antes de mais nada, um dinamizador das potencialidades culturais da comunidade onde atua. Isto significa atuar como incentivador, socializador e mobilizador das experiências dos grupos culturais locais. Deve agir como portador e organizador da memória coletiva, a partir de uma percepção do tempo cultural, e sua função é impulsionar as práticas culturais democráticas, abrindo os espaços públicos para as comunidades, informando e prestando contas das ações da política cultural do governo municipal.

POR QUE INVESTIR EM FORMAÇÃO?

A formação de agentes culturais públicos e comunitários coloca-se num contexto de novos requerimentos para o trabalho. associados a novas habilidades que não se restringem a aprender um ofício ou uma profissão, mas a desenvolver atividades de relação entre grupos e pessoas, colocando a necessidade de o trabalhador da cultura entender não só sobre a produção cultural, mas saber lidar com processos culturais das cidades e das comunidades.

Há muita necessidade de formação nesta área e o poder público exerce um papel importante ao investir na formação de agentes que implementem uma política cultural articulada a uma política de cultura mais ampla para o município, principalmente devido à carência de informação sobre as possibilidades de se trabalhar com atividades e programas culturais nas pequenas e médias localidades.

CONTEÚDO

Pela própria natureza da ação do agente cultural, o trabalho de formação deve se preocupar em oferecer não somente conteúdos específicos voltados para a sua participação na ação cultural, mas também uma formação mais ampla, que lhe permita compreender e atuar face à complexidade da vida social e da dinâmica urbana. Essa formação básica deve compreender:

1. Entendimento dos processos urbanísticos culturais na cidade: o conhecimento da dinâmica e das intervenções urbanas; necessidade de colocar a cultura como uma preocupação no Plano Diretor da cidade.
2. Entendimento da inserção das cidade num processo global: a cidade não pode ser considerada isoladamente, mas num quadro de mundialização e a ação local deve ser tratada como impulsionadora de transformações globais; o agente cultural deve estar apto a unir o global e o local (‘glocal’)
3. Compreensão dos registros das várias culturas: na cidade circulam várias práticas (populares, de massa, "culta" etc) e discursos que precisam ser entendidos para se poder trabalhar com políticas culturais.
4. Entendimento das diversas artes: cada linguagem artística tem seu próprio modo de operação (teatro, música, literatura, artes plásticas etc.) e sem a compreensão das linguagens específicas o trabalho do agente cultural pode ficar incompleto.
5. Entendimento da multiplicidade cultural das comunidades: compreender os trabalhos culturais voltados para a dinâmica própria de cada comunidade.
6. Entendimento do papel político e social da cultura: a ação cultural e a política cultural devem ser dirigidas para a mudança de valores culturais e sociais.
7. Visão democrática da ação cultural: perceber a interligação do trabalho de democratização da cultura e da democracia cultural; considerar que é no campo que emergem direitos .

EXPERIÊNCIAS

A Fundação Cultural "Cassiano Ricardo" de São José dos Campos-SP (470 mil hab.) investiu fortemente na formação de seu quadro de trabalhadores, realizando, em 1996, o "Curso de Capacitação de Agentes Culturais", coordenado pelo Instituto Pólis, direcionado a 40 funcionários e servidores da área (supervisores, diretores e agentes culturais).

Entre os objetivos do Curso destacam-se: capacitar agentes públicos e comunitários para o trabalho cultural para a população, voltado para uma intervenção cultural na cidade e nos bairros; oferecer aos agentes e gestores municipais de cultura elementos de reflexão sobre seu papel de reorganização das instituições, práticas e valores associados ao universo da cultura; fornecer visão das cidades entendidas como espaços culturais; desenvolver as possibilidades de um trabalho cultural voltado para a comunidade e para a cultura local.

A Coordenadoria de Cultura da cidade de Ouro Fino-MG (32 mil hab.), coordenou e realizou, em 1997, com o apoio do Instituto Pólis, um "Curso de Formação de Agentes Culturais", abrangendo participantes de várias cidades da Região do Sul de Minas Gerais (Pouso Alegre, Monte Sião, Inconfidentes, Jacutinga, Bueno Brandão e Andradas). Foi constatada uma insuficiência de agentes culturais para o desenvolvimento da cultura nos municípios. Ao todo foram 40 participantes entre artistas, dirigentes de secretarias de cultura e de associações culturais. Este curso integra o Programa "Oficina de Cultura" da Secretaria Estadual de Cultura de Minas Gerais, com o financiamento do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que se destina à formação de recursos humanos na área de cultura na modalidade de qualificação profissional visando gerar emprego e renda e a melhorar a qualidade de vida das comunidades locais. Dentre os objetivos do curso destacam-se: entender o conceito de Cultura e de Política Cultural; apreender métodos de trabalho e elaborar projeto cultural; aprender a manejar instrumentos de captação de recursos para projetos culturais; possibilitar a realização de um trabalho com novas parcerias na produção e gestão cultural.

RESULTADOS

O trabalho de formação de agentes culturais deve produzir resultados de curto, médio e longo prazo. Na verdade, esses resultados são cumulativos: complementam-se e criam possibilidades para novos resultados futuros. É importante ter em mente essa variedade de prazos de maturação das atividades, para evitar ineficiência dos projetos ou frustrações.

A formação de agentes culturais, quando leva em consideração as necessidades e potencialidades específicas dos envolvidos, amplia sua aptidão para:

1. operar conceitualmente a temática cultural;
2. entender processos culturais do poder público e da sociedade civil (comunidades);
3. elaborar projetos culturais;
4. trabalhar com atividades culturais relacionadas às comunidades; e
5. entender questões relacionadas à Gestão Pública da Cultura

O desenvolvimento dessas habilidades melhora o desempenho dos agentes culturais e, portanto, torna-se mais eficaz e eficiente a ação cultural local. Entretanto, esses resultados não são únicos. A formação de agentes produz um impacto positivo no desenvolvimento da cidadania e é, também, elemento de valorização do ser humano, oferecendo aos cidadãos envolvidos a possibilidade de ampliar seu horizonte cultural e de intervenção na sociedade.

Os resultados dos trabalhos e atividades desenvolvidos na área de cultura nem sempre alcançam visibilidade imediata, mas transparecem na melhoria do atendimento ao público que usufrui dos bens e dos equipamentos culturais da cidade e do município.
 

* Publicado originalmente como DICAS nº 95 em 1997.
Dicas é um boletim voltado para dirigentes municipais (prefeitos, secretários, vereadores) e lideranças sociais. Atualmente, seu acervo está publicado no site do Instituto Pólis.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Como a (des)informação sobre o Irã chega até a gente?

 



“Para uma iraniana, falar tem se tornado insuportavelmente difícil. Parece que sempre alguém está falando por você. Se afinal te deixam falar, é apenas para confirmar aquilo que eles já acreditam. Eles perguntam: ‘vocês esperam ajuda dos Estados Unidos ou de Israel? O número de mortos é mesmo 12 mil?’ Mas ninguém nos perguntou nada quando o regime fascista que nos governa se tornou campeão em execuções”, discursou a representante do movimento iraniano “Feminists4Jina”, durante uma manifestação em Berlim na semana passada.

A cobrança da jovem iraniana, representante de uma organização que emergiu depois das gigantescas manifestações de 2022, em protesto por Jina Mahsa Amina, que morreu depois de ter sido presa por usar o véu “de modo incorreto”, faz todo o sentido quando a gente acompanha as notícias e comentários sobre o Irã, que praticamente não tem imprensa independente nem livre acesso à Internet.

 Do lado da direita ocidental, o que se vê é a redução de um país com mais de 4 mil anos de história, com uma cultura riquíssima e uma população de 86 milhões de habitantes, a uma terra de terroristas fanáticos e religiosos barbudos, que deve ser invadida pelos Estados Unidos. De outro lado, no mesmo Ocidente, há uma esquerda que não entende os protestos monumentais por liberdade que vem desde a Revolução Islâmica – que, em 1979, levou os aiatolás ao poder e à imposição da Sharia (a lei islâmica) – atribuindo-os simplesmente à influência de potências interessadas em desestabilizar o regime e expandir seu domínio sobre o Oriente Médio.

Porém, a realidade é bem mais complexa, como alertou a jovem ativista iraniana na Alemanha, herdeira de um feminismo combativo que já levou duas mulheres de seu país a conquistar o Nobel da Paz: Narges Mohammadi, presa pela última vez no ano passado, que conquistou o prêmio em 2023; e Shirin Ebadi, que ganhou o Nobel 20 anos antes, e foi entrevistada no Irã pela jornalista Adriana Carranca, a quem recorri para tentar entender um pouco melhor sobre o país em que ela trabalhou como enviada especial. 

“Muitas pessoas que apoiaram a Revolução Islâmica, como a própria Shirin Ebadi, acreditavam que o Aiatolá Khomeini instauraria uma democracia. Ele falava em democracia islâmica, que é algo que soa para muitas pessoas, embora o Irã não seja um país tão religioso nem totalmente xiita – tem muitos ateus, muitos Zoroastristas (religião anterior ao Islã). Boa parte dos ativistas que derrubaram a monarquia – que era odiada pela população – acreditavam que haveria um estado democrático, como havia na época do (Mohammad) Mossadegh, o primeiro-ministro nacionalista que foi derrubado (em 1953) pelos britânicos e americanos. Veja que ironia”, diz a jornalista. 

“Hoje, o líder supremo tem praticamente a última palavra em tudo, inclusive para confirmar a eleição à presidência. E tem a última decisão em praticamente todas as outras áreas. Ele está desde 1989, é um cara de mais de 80 anos, em descompasso com a juventude do país, que está cansada de ser vigiada e importunada pela política de costumes”, explica.

 Para Carranca, os jovens (70% da população nasceu depois da revolução) e as mulheres (que ocupam 67% das vagas nas universidades) não vão desistir da democracia, de uma imprensa livre, do acesso à Internet, e de direitos iguais para as mulheres. “Mesmo os jovens carregam essa herança cultural do império persa e se compreendem como um lugar de 4,5 mil anos de história. Eles vêem esse regime como passageiro: o que são quarenta anos diante de cinco mil anos de uma cultura maravilhosa?”, pergunta Carranca, lembrando que o movimento reformista, de oposição ao regime, se iniciou assim que a população se deu conta de que os aiatolás não queriam democracia.

“Havia muitos jornais independentes reformistas, em farsi, e aí o governo fechava, eles reabriam, certamente eles ainda existem até hoje, mas são ainda mais perseguidos em momentos de crise. A maior parte das informações que temos vem de ONGs, de iranianos fora do país – os da diáspora – que têm acesso às redes, e de alguns correspondentes internacionais. Não é fácil conseguir um visto de jornalista para o Irã, por isso a maioria deles são britânicos-iranianos, americanos-iranianos, que trabalham para agências e jornais ocidentais, mas não é fácil obter informação do regime mesmo estando lá. Isso dificulta, mas por si só não impede a circulação de informações sobre o país – ontem mesmo eu estava conversando com uma iraniana”, conta Adriana Carranca.

“Esses protestos mais recentes foram diferentes dos anteriores porque reuniram muito mais gente do interior, de comerciantes, é uma população mais heterogênea do que aquela formada principalmente por mulheres e jovens urbanos que protestaram pela morte de Mahsa. Tem um componente econômico forte, e não apenas pelo bloqueio ao Irã, mas também pelas decisões do próprio regime, por suas falhas, por seu investimento em áreas não prioritárias para os iranianos, que estão sofrendo com o custo de vida, com os apagões, com a deterioração da infraestrutura. O regime está corroído por dentro, falta aparecer uma liderança capaz de se apresentar como uma alternativa política, porque os protestos ainda são muito descentralizados”, explica. 

Pergunto para ela se uma intervenção dos Estados Unidos não complicaria ainda mais a vida da oposição iraniana. “Certamente, porque quando há uma ameaça externa, os protestos param. Os iranianos são nacionalistas, eles acabam apoiando o governo nesses casos, como a gente viu durante os bombardeios de junho passado. Uma forma que os Estados Unidos poderiam ajudar é promovendo, investindo financeiramente nos grupos iranianos de direitos humanos, de monitoramento, não como uma intervenção externa. Os iranianos querem e podem reconstruir sua democracia, sem paternalismo”.

Volto ao Instagram das jovens mulheres do “Feminists4Jina” e anoto a parte final daquele impactante discurso em Berlim. “Ninguém nos perguntou nada por quase 5 décadas, levante após levante, enquanto as pessoas amadas por nós eram executadas, presas, ou baleadas pelo país, seus corpos desaparecidos ou vendidos para as famílias. Ninguém perguntou como o estupro e o assassinato se tornaram tão baratos e fáceis. Ninguém nos perguntou nada porque nossas vidas só importam quando se tornam relevantes para os países ocidentais ou para as audiências ocidentais”.

“Nós exigimos vida, nós exigimos dignidade, nós exigimos liberdade”, essa é a voz do Irã. Para começar a ouvi-la é bom desconfiar dos porta-vozes ocidentais – de direita ou esquerda, da imprensa ou de governos.