sábado, 26 de setembro de 2026

A Oficina de Bordado "Linhas de Sabedoria: vamos bordar símbolos Adinkras" é presencial e acontecerá no Instituto Inculca, no dia 7 de novembro de 2026, sábado, das 10h ás 14h.

Local: Rua Dr. Áureo Dias Galvão, 137 - Bairro Inácio Barbosa, Aracaju, Sergipe.


Vamos bordar símbolos Adinkras do povo Akan (Gana). Os Adinkras são símbolos visuais criados pelo povo Akan, da África Ocidental (atual Gana). Nesta oficina, cada ponto será a afirmação: de que a sabedoria africana não se apagou; de que a beleza e a força feminina são centrais; e de que o futuro se constrói por aqueles que não se esquecem de olhar para trás.

Prática: 
- Apresentar os símbolos Adinkras como sistema visual de sabedoria ancestral do povo Akan (Gana).
- Refletir sobre a presença e resistência dos saberes africanos na cultura brasileira, especialmente no artesanato e nas artes manuais.
- Experimentar tecnicamente o bordado manual, criando um bordado com símbolos adinkra.
- Reflexão sobre memória, pertencimento e resistência cultural.

Turmas com até 10 alunas para atendimento individual. 

O valor da inscrição nesta oficina (com carga horária de 4 horas e material incluído) é R$ 120,00 e este valor poderá ser pago em 1 ou 2 parcelas via PIX - chave Pix :  novasnarrativas2025@gmail.com 
- fazendo o pagto de 50% você já reserva a sua vaga e o pgto da segunda parcela poderá ser feito até o dia 2 de novembro de 2026.

A inscrição somente será válida após o pgto integral do valor do curso, e o envio dos comprovantes de depósito/PIX por WhatsApp para o telefone 79 98816-5885, com identificação da aluna (nome completo). 

Após o recebimento da comprovação do pagamento, você receberá uma CONFIRMAÇÃO, com todas as informações necessárias para sua Participação na Oficina. 

Em caso de desistência ou falta da aluna/o o valor não será devolvido.

Bem-vindas artistas e artesãs! 
Este é somente o começo dessa linda História escrita entre linhas, meadas e paninhos.

Fico a disposição para mais informações neste mesmo WhatsApp  e também pelo direct do perfil @artesanal.sergipe no Instagram. 

Valéria Machado / Criativa na Artesanal Sergipe
Artista Têxtil e Produtora Cultural

Para se inscrever, clique AQUI



Cultura, Educação Popular e Participação Social: Construindo Cidadania nos Territórios

Como transformar atividades culturais em formação, organização comunitária e participação cidadã? É a partir dessa pergunta que a Ação Cultural realiza, no dia 17 de outubro (sábado), o Seminário de Educação Popular, Ação Cultural e Participação Social, na Casa da Doméstica/Sindoméstica, em Sergipe, reunindo agentes culturais comunitários, artistas, educadores, lideranças de movimentos sociais, estudantes, técnicos, gestores públicos, jovens, coletivos e lideranças comunitárias para compartilhar experiências e discutir caminhos para uma cultura mais democrática, participativa e comprometida com a transformação social. Com 20 vagas e 12 horas de carga horária — 8 horas presenciais, das 8h às 12h e das 14h às 18h, e 4 horas online, em data a combinar —, o encontro em formato de roda de conversa será mediado por Zezito de Oliveira, Romero Venâncio e Tácita Mykaelly e tem como objetivo promover reflexão e diálogo sobre iniciativas culturais emancipadoras, solidárias e participativas. O evento oferecerá almoço e auxílio-passagem, neste segundo caso  a quem necessitar.


A Ação Cultural convida agentes culturais comunitários, artistas, educadores, lideranças de movimentos sociais, estudantes, técnicos e gestores públicos a participarem do Seminário Introdutório de Educação Popular, Ação Cultural e Participação Social.

O seminário tem como objetivo promover um espaço de reflexão e diálogo sobre Educação Popular, Ação Cultural e Participação Social, visando potencializar iniciativas culturais com viés emancipador, solidário e participativo.

Informações sobre o evento:

  • Carga horária: 12 horas - 1 encontro de 8 horas, dividido em dois turnos - sábado . 2 - encontro online de 4 horas

  • Formato: Roda de conversa

  • Vagas: 20 participantes

  • Local: Casa da Doméstica/Sindoméstica/SE - R. Propriá, 376 - Centro, Aracaju - SE (Próximo ao Quartel Central do Corpo de Bombeiros)

  • Data: 17 de Outubro (sábado) 8 `às 12 h - 14 às 18h - O dia do encontro on-line será e horário será combinado com os presentes neste dia

  • Facilitadores/Mediadores - Zezito de Oliveira, Romero Venâncio e Tácita Mykaelly

  • Zezito de Oliveira, é um historiador, professor, escritor e produtor cultural nascido em São Cristóvão, Sergipe. Com uma trajetória profundamente ligada aos movimentos sociais e à descentralização da arte, ele é uma das principais referências em iniciativas culturais de base comunitária na região metropolitana de Aracaju. 

  • Romero Junior Venâncio Silva, mais conhecido como Romero Venâncio, é um influente filósofo, teólogo, professor universitário e intelectual brasileiro. Docente de longa data na Universidade Federal de Sergipe (UFS), ele se destaca nacionalmente como pesquisador das interseções entre religião, política, estética e movimentos sociais.

  • Tácita Mykaelly Nascimento Leal é uma pesquisadora, gestora cultural e bióloga brasileira. Natural de Sergipe, sua atuação profissional transita de forma interdisciplinar entre a ciência, a produção e a gestão de políticas públicas de cultura.

INFORMAÇÃO IMPORTANTE:

O evento fornecerá almoço e auxílio-passagem (ônibus ou taxi-lotação) nesse segundo caso para quem necessitar de apoio nesse sentido.

Inscrições AQUI

 O Seminário de Educação Popular, Ação Cultural e Participação Social, a ser realizado no dia 17 de outubro (sábado) na sede da Casa da Doméstica/Sindoméstica(SE), nasce da trajetória da Ação Cultural e da necessidade de refletir sobre os desafios atuais da cultura como instrumento de formação, organização comunitária, democratização de oportunidades e participação cidadã.

Desde sua criação, a Ação Cultural vem desenvolvendo experiências que aproximam cultura, educação popular e atuação comunitária, especialmente junto às periferias e a segmentos historicamente excluídos do acesso aos bens e serviços culturais. Projetos, oficinas, cineclubes, ações audiovisuais, atividades de teatro, mostras culturais, processos formativos e iniciativas de articulação em rede constituem um percurso no qual a cultura é compreendida não apenas como produção artística ou entretenimento, mas também como espaço de aprendizagem, expressão, construção de vínculos, afirmação de direitos e transformação social.

Essa perspectiva permanece presente na atuação recente da organização, especialmente por meio da retomada do Ponto de Cultura da Ação Cultural, das ações do Cineclube Realidade, das atividades de formação e da participação nas redes de Pontos e Pontões de Cultura. Essas experiências revelam a importância de criar espaços permanentes para que artistas, educadores, agentes culturais, jovens, lideranças comunitárias e demais sujeitos envolvidos com a cultura possam compartilhar conhecimentos, avaliar suas práticas e construir coletivamente novos caminhos.

A realização do seminário também responde a um desafio colocado pelo atual momento das políticas culturais brasileiras. A ampliação dos mecanismos de financiamento e a implementação de políticas como a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e a Lei Paulo Gustavo representam importantes conquistas. Entretanto, o fortalecimento das políticas culturais não depende somente da existência de recursos públicos. É necessário ampliar a capacidade de participação da sociedade na formulação, acompanhamento, avaliação e controle social dessas políticas.

Nesse contexto, educação popular, ação cultural e participação social não podem ser tratadas como dimensões separadas. A educação popular contribui para que os sujeitos compreendam criticamente a realidade e reconheçam sua capacidade de intervenção; a ação cultural cria espaços concretos de expressão, criação, convivência e produção de conhecimento; e a participação social possibilita que esses sujeitos ocupem os espaços de decisão e contribuam para a construção das políticas públicas.

O seminário pretende, portanto, constituir-se como um espaço de diálogo e formação a partir das experiências concretas desenvolvidas nos territórios. Mais do que discutir conceitos de maneira abstrata, a proposta é colocar em circulação conhecimentos produzidos por quem atua diretamente nas comunidades, nas escolas, nos espaços culturais, nos coletivos e nas redes de participação social.

A iniciativa parte também da compreensão de que uma política cultural democrática não se constrói apenas de cima para baixo. Ela precisa reconhecer os saberes existentes nos territórios, estimular o protagonismo dos sujeitos e criar condições para que artistas, agentes culturais, educadores, jovens e comunidades deixem de ser apenas beneficiários das políticas públicas e se tornem também participantes de sua construção.

Nesse sentido, o seminário pretende contribuir para a formação de  agentes culturais e educadores populares, fortalecer redes de colaboração e estimular uma cultura de participação que ultrapasse os momentos de realização de projetos e editais. Pretende, ainda, refletir sobre como as experiências acumuladas pela Ação Cultural e por outras organizações, coletivos e movimentos podem contribuir para uma atuação cultural mais integrada às demandas sociais e às lutas pela democratização dos direitos.

Realizar este encontro significa, portanto, abrir um espaço para olhar criticamente para a caminhada realizada, reconhecer aprendizados, identificar limites e construir novas possibilidades. Significa compreender que uma oficina, um cineclube, uma apresentação artística, uma mostra cultural ou uma reunião comunitária podem ser, quando articulados a processos de formação e participação, espaços de exercício da cidadania.

O Seminário de Educação Popular, Ação Cultural e Participação Social pretende ser, assim, mais do que um encontro de reflexão. Quer constituir-se como um espaço de troca de experiências, produção coletiva de conhecimento, fortalecimento de redes e renovação do compromisso com uma cultura democrática, participativa e socialmente transformadora.

Porque, para a Ação Cultural, democratizar a cultura não significa apenas ampliar o acesso aos bens culturais. Significa também ampliar a possibilidade de cada pessoa e cada comunidade criar, participar, decidir e transformar a realidade em que vive.

Para Aprofundar:

Se ação cultural cria condições para que as pessoas inventem seus próprios fins, se a educação popular procura formar sujeitos capazes de ler e transformar a realidade, e se a participação social permite que esses sujeitos intervenham nas decisões públicas, então não estamos falando de três coisas diferentes, mas de três dimensões de um mesmo processo de construção da cidadania cultural.

Uma trilha para estudo

 1 - Teixeira Coelho — Refundação da Ação Cultural

2 - Célio Turino — Cultura Viva e o transbordamento de fronteira

3 - Romero Venâncio — Educação Popular: dos marxismos ao neopentecostalismo

4 - Paulo Freire/Romero Venâncio — A vida e a vida de Paulo Freire

5 - Neri Silvestre — Participação social e neoliberalismo

6 - Célio Turino + Neri Silvestre + Zezito de Oliveira — Política Nacional de Cultura Aldir Blanc e Mídia Livre

1 - Ação Cultural 

Refundação da Ação Cultural
Refundação da Ação Cultural — Blog da Cultura

O texto parte da trajetória da própria Ação Cultural, organização criada em 2004 por artistas, produtores culturais e educadores, com atuação inicialmente voltada para crianças, adolescentes e jovens das periferias de Aracaju e Região Metropolitana. Em seguida, recupera a definição de Ação Cultural de Teixeira Coelho: um processo de criação ou organização das condições necessárias para que pessoas e grupos possam inventar seus próprios fins no universo da cultura.

O ponto pedagógico mais importante é a diferença entre fazer cultura para as pessoas e criar condições para que as pessoas façam cultura. A ação cultural, nessa perspectiva, não começa necessariamente com uma obra pronta, mas com a criação de condições para autonomia, criação e protagonismo.

Para o seminário: é o texto de entrada para responder à pergunta “afinal, o que é ação cultural?”

“Rapadura é doce, mas não é mole!” — oficina Cinema na Palma da Mão
“Rapadura é doce, mas não é mole!” — Blog da Cultura

O artigo relata o segundo dia da oficina Cinema na Palma da Mão, realizada no Bairro Industrial, em Aracaju. A atividade trabalhou a introdução ao roteiro e apresentou aos participantes elementos básicos do ciclo audiovisual, incluindo roteiro, fotografia, captação de imagens e edição.

A importância do texto está em mostrar a ação cultural acontecendo na prática: uma atividade de formação técnica é utilizada para desenvolver capacidade criativa e permitir que os participantes produzam suas próprias narrativas.

Para o seminário: é um exemplo concreto de como uma oficina pode deixar de ser apenas um curso técnico e tornar-se processo de formação cultural e protagonismo

Crème de la crème — minha experiência no primeiro curso do Plano de Formação Artístico e Cultural de Aracaju

O texto parte da experiência de participação no primeiro curso do Plano de Formação Artístico e Cultural da Prefeitura de Aracaju, realizado em agosto de 2026. A autora/autor destaca a oficina ministrada por Gisele Jordão, que trabalhou conceitos como trabalho em rede, território criativo e desafios da gestão cultural.

O interesse para o seminário está em aproximar ação cultural e formação dos agentes culturais, mostrando que a qualificação não precisa ficar restrita ao domínio técnico: envolve também compreensão de território, redes, gestão e articulação.

Para o seminário: ajuda a discutir formação cultural como processo de autonomia e articulação, e não apenas capacitação para acessar editais.

“Crème de la crème” — Blog da Cultura


2. Ação Cultural e Cultura Viva — Célio Turino

Cultura Viva e o transbordamento de fronteira — entrevista com Célio Turino
Entrevista com Célio Turino — Blog da Cultura

Este é um dos textos mais importantes da lista.

A entrevista foi realizada em 2024 por pesquisadores da UFF e da UFPR e recupera a experiência de Célio Turino como criador e gestor do Programa Cultura Viva e dos Pontos de Cultura no Ministério da Cultura entre 2004 e 2010.

Turino apresenta a Cultura Viva como uma concepção orgânica e comunitária de cultura, associada à ideia de potência da vida. Ele enfatiza que a experiência dos Pontos de Cultura se desenvolveu de baixo para cima, valorizando as iniciativas já existentes nos territórios.

Outro aspecto importante da entrevista é sua reflexão sobre diversidade. Para Turino, a diversidade cultural ganha força quando promove encontro entre diferentes, em vez de produzir isolamento ou fragmentação.

Para o seminário: esse texto permite fazer a passagem de Teixeira Coelho para Célio Turino:

ação cultural → protagonismo → território → Cultura Viva → Pontos de Cultura.


O Fio de Ariadne: Realidade, Consciência e Cultura em Tempo de Labirinto — Célio Turino
O Fio de Ariadne — Blog da Cultura

O texto trabalha a relação entre realidade, consciência e cultura, utilizando a imagem do fio de Ariadne como metáfora para encontrar caminhos em situações complexas.

A reflexão de Turino dialoga com a ideia de que a cultura pode ajudar comunidades e indivíduos a compreender a realidade e encontrar caminhos coletivos, em vez de simplesmente consumir produtos culturais.

Para o seminário: é útil para discutir a ação cultural como processo de leitura da realidade e produção de sentidos, aproximando cultura, consciência e transformação.

Viva Cultura Viva — Neri Silvestre, com referência a Célio Turino
Viva Cultura Viva — Blog da Cultura

Neri Silvestre parte de sua experiência com a Cultura Viva e das Teias para defender a importância de preservar o caráter vivo, comunitário e territorial da cultura.

O texto critica uma compreensão excessivamente economicista da cultura, centrada exclusivamente em editais, dinheiro, indicadores e estruturas burocráticas. Em contraposição, valoriza protagonismo, autonomia, emancipação e fortalecimento dos territórios.

Neri reproduz ainda uma formulação de Célio Turino segundo a qual Cultura + Natureza = Cultura Viva, ampliando a compreensão de cultura para além daquilo que é produzido exclusivamente pela ação humana.

Para o seminário: excelente para discutir a pergunta:

“Cultura Viva é apenas um programa de financiamento ou é uma concepção de política cultural?”

3. Educação Popular — Paulo Freire e Romero Venâncio

Educação Popular: dos marxismos ao neopentecostalismo — Romero Venâncio
Educação Popular: dos marxismos ao neopentecostalismo — Blog da Cultura

O texto recupera parte da história da Educação Popular no Brasil, destacando o Movimento de Educação de Base (MEB), sua aproximação com as classes populares e a influência crescente das ideias de Paulo Freire.

Um dos pontos centrais é a passagem de uma educação mais tradicional para uma concepção baseada na conscientização, contato direto com as bases e participação popular.

Para o seminário: ajuda a compreender que Educação Popular não significa simplesmente oferecer educação para pessoas pobres. Trata-se de uma concepção de educação que procura trabalhar com os sujeitos populares, valorizando sua experiência e sua capacidade de intervenção.

A vida e a vida de Paulo Freire — Romero Venâncio
A vida e a vida de Paulo Freire — Blog da Cultura

Romero Venâncio apresenta uma reflexão sobre a vida e a obra de Paulo Freire, tomando como referência especialmente sua trajetória intelectual e a importância de sua pedagogia.

O texto recupera o contexto dos ataques sofridos por Freire e reafirma a centralidade de sua contribuição para pensar educação, cultura e transformação social.

Para o seminário: funciona como introdução à pergunta:

“Por que Paulo Freire continua sendo uma referência para a Educação Popular?”

Anísio Teixeira, Paulo Freire e Ginásio Vocacional — a educação no Brasil que pode dar certo

Anísio Teixeira, Paulo Freire e Ginásio Vocacional — Blog da Cultura

A publicação apresenta uma live dedicada à relação entre Educação Básica, Universidade Pública e Educação Popular, com participação de Romero Venâncio, Daniel Ferraz Chiozzini e Luigy Marks.

O texto recupera experiências educacionais brasileiras anteriores e próximas ao golpe de 1964, incluindo o Movimento de Cultura Popular do Recife, o Centro Popular de Cultura, o Movimento de Educação de Base, o Sistema Paulo Freire de Educação de Adultos e os Ginásios Vocacionais.

Para o seminário: permite mostrar que a Educação Popular tem uma história brasileira concreta, marcada por experiências que procuraram aproximar educação, cultura, participação e realidade social.

Seminário Educação Popular e Planejamento
Seminário Educação Popular e Planejamento — Blog da Cultura

O artigo registra uma atividade realizada em fevereiro de 2020, concebida como continuidade do Seminário Educação Popular e Memória, coordenado por Romero Venâncio.

O objetivo era construir um plano de ação para fortalecer iniciativas educativas e culturais baseadas nos referenciais filosóficos e metodológicos da Educação Popular. Participaram da articulação Ação Cultural, ADUFS, CEBI-SE, ABJD, Centro de Estudos Árabes e Islâmicos da UFS e Coletivo Trapiche.

Para o seminário de 17 de outubro: este é um texto especialmente importante porque mostra que a Ação Cultural já vem construindo, há anos, espaços de formação e planejamento relacionados à Educação Popular.

Educação Popular, Audiovisual e Lei Paulo Gustavo

Seminário Educação Popular, Audiovisual e Lei Paulo Gustavo — Blog da Cultura

O texto apresenta uma proposta de seminário que procurava aproximar Educação Popular, audiovisual e políticas de fomento cultural.

O objetivo era fortalecer realizadores culturais e educadores populares interessados nas leis de incentivo, mas com atenção especial à inclusão e ao protagonismo de populações historicamente excluídas. A proposta também previa a criação de um Observatório de Políticas Culturais de Sergipe.

Para o seminário: mostra uma preocupação muito atual: como transformar acesso aos recursos públicos em processo de formação, inclusão e participação?

4. Participação Social — Neri Silvestre

Papo reto com Neri Silvestre — Participação social e neoliberalismo
Papo reto com Neri Silvestre — Blog da Cultura

Aqui Neri parte de uma comparação entre a gestão da vida cotidiana e a gestão pública. A ideia central é que relações sociais são construídas por negociação, diálogo, diversidade e acordos.

A partir daí, o autor questiona um modelo de Estado orientado prioritariamente pela lógica empresarial, redução de gastos e diminuição do papel estatal, relacionando esse processo ao enfraquecimento da participação social. Defende, em contraposição, uma governança deliberativa e universal, baseada no diálogo.

Para o seminário: é provavelmente o texto mais direto de Neri para discutir:

participação social ≠ simplesmente ser consultado.

A questão passa a ser participar das decisões.

É preciso desenhar outros mundos... — Neri Silvestre
É preciso desenhar outros mundos — Blog da Cultura

O texto procura aproximar o debate sobre políticas culturais da vida cotidiana das populações que estão nos territórios mais vulnerabilizados. A preocupação de Neri é que as políticas culturais não sejam pensadas apenas a partir das estruturas institucionais, dos gestores ou dos grandes centros.

O título já sintetiza sua proposta: é necessário “desenhar outros mundos” e reconectar a política cultural ao cotidiano de quem está “mais embaixo”.

Para o seminário: contribui para discutir território, desigualdade, participação e políticas culturais de base comunitária.

Viva Cultura Viva — Neri Silvestre
Viva Cultura Viva — Blog da Cultura


Política Nacional de Cultura Aldir Blanc e Mídia Livre — Neri Silvestre, Célio Turino e Zezito de Oliveira
Política Nacional de Cultura Aldir Blanc e Mídia Livre — Blog da Cultura

Este é um dos textos mais interessantes para fechar a trilha.

O ponto de partida é a experiência histórica da imprensa alternativa e das mídias comunitárias. O texto argumenta que a Política Nacional Aldir Blanc pode abrir espaço para políticas de apoio à mídia livre comunitária, permitindo que Pontos de Cultura, coletivos, artistas e trabalhadores locais produzam e difundam suas próprias narrativas.

A ideia é especialmente relevante para a participação social: quem não controla os meios de comunicação também encontra dificuldades para disputar a narrativa sobre sua própria realidade.

Para o seminário: reúne quatro dimensões:

cultura + comunicação + território + participação social.

Este último merece posição de destaque, pois aproxima diretamente Célio Turino e Neri Silvestre, além de estabelecer diálogo com a experiência da Ação Cultural, mídia livre, Cultura Viva, cultura digital e participação.


5. Participação cidadã e controle social — experiência da Ação Cultural

1ª Reunião de Pontos de Cultura em Sergipe rumo à Teia 2026
1ª Reunião de Pontos de Cultura em Sergipe — Blog da Cultura


A questão da participação e controle social dos fazedores de cultura
A questão da participação e controle social — Blog da Cultura

O artigo questiona como os agentes culturais participam efetivamente da formulação das políticas culturais.

Um exemplo apresentado é o processo de escolha de representantes dos fazedores de cultura para conselhos municipais, a partir da experiência de Mucugê, na Bahia. O texto questiona por que experiências semelhantes não poderiam ser consideradas em Sergipe e Aracaju. Também levanta a necessidade de formação política e técnica para participação e controle social.

Para o seminário: é fundamental porque transforma “participação social” em uma questão prática:

Quem escolhe os representantes? Quem participa? Como participa? O que acontece depois da participação?

Encontro da Participação Social — #ocupagov #democraciaemrede
Encontro da Participação Social — Blog da Cultura



6. Os três conceitos juntos

Cineclube Realidade e Fratelli Tutti em ação
Cineclube Realidade e Fratelli Tutti em ação — Blog da Cultura

Esse talvez seja o texto que melhor explica por que os três conceitos foram reunidos no mesmo seminário.

O projeto articula cineclube, oficinas de audiovisual e teatro, Mostra Arte e Cidadania e o Seminário de Educação Popular, Ação Cultural e Participação Social. O objetivo declarado do seminário é criar um espaço de reflexão e diálogo capaz de potencializar iniciativas culturais com caráter emancipador, solidário e participativo.

A publicação também mostra como as oficinas são pensadas: não apenas para ensinar técnicas, mas para estimular protagonismo, diálogo, reflexão cidadã e participação comunitária. O audiovisual aparece, inclusive, como ferramenta para evidenciar problemas da comunidade e mobilizar discussões sobre direitos e políticas públicas.

Para o seminário: é o texto que permite juntar as peças:

Educação Popular → formação de sujeitos
Ação Cultural → criação e expressão desses sujeitos
Participação Social → intervenção deles na vida coletiva e nas políticas públicas.

7. Referência oficial do Ministério da Cultura

Guia Prático para Participação Social na Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura — MinC
Guia Prático para Participação Social — MinC

Documentos orientadores da Política Nacional Aldir Blanc — MinC
Documentos orientadores — MinC


O Legado de Freire na Prática: Análise e Ação com Frei Betto e Rudá Ricci. Brasil e eleições 2026

  Frei Betto e Rudá Ricci, são duas das vozes mais influentes do debate social brasileiro, trilham caminhos diferentes, mas compartilham a mesma espinha dorsal: ambos são profundamente freireanos.

Mais do que admiradores de Paulo Freire, eles transformaram a teoria em prática. Seja nas comunidades eclesiais com Frei Betto ou na formação política com Rudá Ricci, o compromisso de ambos se apoia em três pilares essenciais:

O Diálogo: A rejeição à educação tradicional e autoritária.

A Leitura do Mundo: O entendimento de que o saber nasce da realidade do povo.

O Esperançar: A busca ativa e organizada pela transformação social.

Abaixo, um artigo de Frei |Betto de análise de conjuntura e uma entrevista em vídeo com Rudá Ricci. Vale ler e assistir. A conclusão, a vitória de Lula nestas eleições representam um passo importante para o Brasil continuar soberano e buscar justiça social, melhor ainda se for no primeiro turno. Mas para enfrentar os podres poderes internos e externos precisamos fazer escolhas de deputados e senadores alinhados com os objetivos do presidente Lula e nos organizar de forma coletiva cada vez mais. porque os próximos anos não serão fáceis, o que não é novidade para a maioria do povo brasileiros, porém os desafios serão ainda maiores.. 

Desafios à campanha de Lula. Artigo de Frei Betto

"O desafio reside em transformar esta eleição em uma votação sobre soberania nacional versus subserviência externa, e não em uma competição de personalidades ou propaganda negativa".

O artigo é de Frei Betto, escritor e autor de “Anatomia do Poder” (Vozes), entre outros livros.

Eis o artigo.

O fato de Flávio Bolsonaro empatar com Lula nas pesquisas não é reflexo de uma suposta "direitização" da sociedade brasileira. As causas desse cenário são bem mais complexas do que supor que metade do eleitorado abraçou o bolsonarismo.

A eleição presidencial de 2026 já nasceu em um formato altamente polarizado. Candidatos de centro ou da "terceira via" não encontraram espaço de sobrevivência, e a disputa se dá, na prática, entre Lula e Flávio. Pesquisa do Datafolha de abril já mostrava que, seja contra Flávio, Zema ou Caiado, Lula empataria tecnicamente. Mas, em seguida, a dispersão interna do campo da direita começou a se desfazer: candidatos como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury viram suas intenções de voto encolherem e esses votos migram quase integralmente para Flávio.

Em outras palavras, o crescimento de Flávio não vem, em larga medida, da entrada de novos eleitores, nem de uma guinada do eleitorado de centro para a direita, e sim da concentração do "voto útil" da direita. O eleitor antipetista conclui que Flávio é a única opção de direita capaz de derrotar Lula. O voto antipetista, antes disperso, se desloca rapidamente para ele. Trata-se de um julgamento sobre "quem tem mais chance de vencer", que não equivale necessariamente a uma adesão ideológica ao candidato bolsonarista.

A campanha de Flávio demonstra maior disciplina na definição de pautas: concentra-se no medo da insegurança, no custo de vida e na construção da imagem de uma versão moderada de Bolsonaro. Esses temas têm penetração direta na classe média urbana e no eleitorado do Sudeste.

Em contraste, a campanha de Lula, por bastante tempo, não conseguiu apresentar uma narrativa clara e forte sobre por que governar mais quatro anos, e seu material de campanha se limitava a listar projetos já realizados, em vez de construir um apelo emocional voltado ao futuro.

Dados da AtlasIntel, de meados de setembro, mostram que a rejeição de Lula chega a 52%, enquanto a de Flávio é de 50,2%. Isso significa que cerca de metade do eleitorado brasileiro não votaria em Lula de forma alguma. Para essa parcela, a questão nunca foi apoiar todas as propostas de Flávio, mas quem é o único capaz de derrotar o PT.

A campanha de Flávio não está isenta de fragilidades. O escândalo do Banco Master, deflagrado em maio (envolvendo um acordo de 134 milhões de reais com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme biográfico de Bolsonaro), chegou a provocar uma queda significativa na intenção de voto em seu nome. A AtlasIntel registrou, na época, queda de 39,7% para 34,3% no primeiro turno.

No entanto, em setembro, à medida que a controvérsia em torno do STF deslocou o foco da opinião pública do escândalo de Flávio para a própria instituição judiciária, ele recuperou o terreno perdido.

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O governo de Donald Trump tem demonstrado apoio aberto a Flávio Bolsonaro e questionado a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. Essa atitude é um contraste com o passado, onde a interferência era mais velada. Segundo analistas, essa interferência não une necessariamente o país; ao contrário, intensifica a polarização, pois cada eleitor interpreta as ameaças externas com base em sua identidade política.

Quais as razões dessa ofensiva da Casa Branca? Disputa geopolítica com a China, pois o Brasil é um parceiro comercial importante do gigante asiático. Para Washington, ter um governo brasileiro alinhado automaticamente aos EUA significaria tirar mais uma peça chinesa do tabuleiro na América Latina. E um governo submisso a Washington poderia permitir operações militares estadunidenses na Amazônia sob o pretexto de combate ao narcotráfico, algo que já ocorre em países vizinhos e seria um ganho estratégico enorme para os EUA.

Em 2018, a contenção do movimento progressista no Brasil se deu por meio de uma operação judicial que levou à prisão o principal líder de centro-esquerda. Em 2026, a pressão externa é mais direta e declarada, busca influenciar o eleitorado a favor do candidato alinhado aos interesses dos EUA. O objetivo — evitar que o Brasil se consolide como um polo de poder autônomo — permanece o mesmo.

Nesse processo eleitoral vale perguntar onde está a responsabilidade da esquerda. Acomodou-se face à imagem de Lula, e o PT, ao apoiar-se excessivamente no carisma pessoal do seu líder, enfraqueceu a sua capacidade de organização autônoma. Abandonou o trabalho de base, de organização e mobilização populares. O partido nunca pensou seriamente em como lidar com a complexa engenharia política do sistema federativo brasileiro, o que dificultou a implementação de projetos de mudança mais profundos, como a reforma agrária.

A extrema-direita promoveu nas redes digitais uma degradação do debate público ao utilizar ataques mais agressivos, discursos de ódio e desinformação. O campo progressista não conseguiu contrapor-se eficazmente a esta ridicularização e virulência ostensivas, e criar uma comunicação igualmente poderosa na era digital. Embora a grande mídia também tenha desempenhado historicamente um papel semelhante ao de um "partido político" como aparelho de hegemonia.

O governo implementou políticas com forte apelo popular, como a isenção do imposto sobre o rendimento para quem ganha até 5.000 reais, a proposta do fim da jornada de trabalho 6x1 sem redução salarial, o controle dos preços dos alimentos, a redução do desemprego e, agora, o aumento do valor do Bolsa Família. Ao colocar os pobres de forma radical no orçamento, reconquista-se a confiança da base eleitoral.

Mas é preciso que o campo progressista se posicione claramente na linha de frente em defesa da soberania nacional, opondo-se à interferência externa (como a do governo Trump) e à subserviência do bolsonarismo aos EUA. Este é um ponto de mobilização com grande apelo popular. É necessário que o próprio Lula lidere a batalha da comunicação ao quebrar a desinformação da extrema-direita com narrativas políticas claras e mobilizadoras, em vez de apenas utilizar o aparelho estatal para transmitir informações.

O desafio reside em transformar esta eleição em uma votação sobre soberania nacional versus subserviência externa, e não em uma competição de personalidades ou propaganda negativa.

Pesquisas e análises acadêmicas mostram que a base de apoio do bolsonarismo é mais ampla do que "fascistas" puros. O contingente central inclui grupos evangélicos conservadores, parte do agronegócio, eleitores anti-PT e apoiadores de políticas “bukelianas” de segurança. Estes eleitores podem não concordam com todo o radicalismo de Bolsonaro e seus filhos, mas suas preocupações com a criminalidade, a moral tradicional ou a corrupção fazem tenderem para a direita.

Dados mais recentes revelam uma corrida extremamente equilibrada. Pesquisa Datafolha de 17 de setembro mostra Lula com 39%, Flávio com 36%, dentro da margem de erro (2 pontos percentuais), ou seja, empate técnico. A simulação de segundo turno mostra Lula com 46%, Flávio com 44%, também empate técnico. A chave são os indecisos e os abstencionistas. A Quaest estima que 10% dos eleitores brasileiros estão indecisos, cerca de 21 milhões de pessoas, o dobro do mesmo período de 2022. Este contingente concentra-se principalmente nas regiões Sul e Sudeste, e são precisamente os estados que decidem a eleição. Além disso, historicamente a taxa de abstenção no Brasil tem sido elevada: mais de 30 milhões não compareceram às urnas em cada turno das eleições de 2022.

Para impedir a reinstalação do bolsonarismo, a esquerda e as forças progressistas precisam se concentrar em várias frentes. Divulgar os avanços sociais dos governos do PT e transformar a eleição em um referendo sobre "soberania versus subserviência aos EUA". Este é atualmente o quadro narrativo mais promissor. As ações do governo Trump — aumento de tarifas sobre o Brasil, classificação de organizações criminosas brasileiras como "organizações terroristas estrangeiras", comentários públicos sobre a classificação de Flávio nas pesquisas — são um incentivo à direita. Mas também oferecem a Lula a oportunidade de transformar o tema eleitoral em defesa da soberania nacional e oposição à interferência externa.

A campanha de Flávio está repleta de sinais de alinhamento com os EUA. Seu irmão Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por lobby nos EUA para pressionar o sistema judicial brasileiro.

A vantagem de Lula vem da sua base sólida: políticas de transferência social, promoção de emprego para as camadas mais pobres e sua reputação internacional. Mas sua fraqueza também é evidente: a idade (81 anos em outubro de 2026), problemas de saúde, fadiga do eleitorado após longo período no poder e o reduzido crescimento econômico de cerca de 1,9% em 2026, com a inflação a rondar 4,0%.
Para os indecisos que se preocupam mais com o bolso do que com ideologia, a esquerda precisa de propostas mais específicas e tangíveis. A campanha de Lula já prometeu criar um Ministério da Segurança Pública para combater organizações criminosas — uma resposta à ansiedade dos eleitores sobre a segurança.

As debilidades da esquerda mencionadas anteriormente — o PT apoiar-se excessivamente no carisma pessoal de Lula, falta de organização autônoma; desvantagem na comunicação em redes digitais — continuam a ser obstáculos. A direita construiu uma máquina de mobilização sofisticada através das redes, e a esquerda ainda tenta recuperar o atraso. Se o campo progressista não tiver capacidade de comunicação igualmente eficaz será difícil ter êxito na mobilização dos indecisos.

Os eleitores de Bolsonaro, em sua maioria, não são fascistas, e sim pessoas insatisfeitas. Se a esquerda tratá-los como "inimigos ideológicos" e não "eleitores que precisam ser reconquistados", então perde a batalha.

Agora a tarefa urgente é conquistar os indecisos e convencer os absenteístas eleitorais a votarem em Lula e na renovação do Congresso Nacional.

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