segunda-feira, 19 de outubro de 2026

O FILHO DO RIOCENTRO - BERNARDO MELLO FRANCO - O GLOBO - 18/10/2026

 

E pensar que eu estava no Riocentro naquele show... poderia nem estar aqui para votar agora #boraLula - ZdO

Em 30 de abril de 1981, um capitão e um sargento do Exército cruzaram o Rio em missão secreta. Transportavam duas bombas para causar terror e pânico num show que reunia milhares de jovens em comemoração ao Dia do Trabalhador. O plano era culpar a esquerda e sabotar o processo de redemocratização do país.

Em 30 de abril de 1981, um tenente que amava a ditadura, mas era tido pelos superiores como "excessivamente ambicioso", assistiu em Resende ao nascimento do primeiro filho. Tempos depois, ele entraria na política como porta-voz dos porões.

Ninguém escolhe o dia em que vem ao mundo, e Flávio Bolsonaro não tem culpa de ter nascido no dia do atentado do Riocentro. No entanto, todos são responsáveis pelas escolhas feitas na idade adulta. Entre a democracia e a ditadura, Flávio sempre marcou a segunda opção.

No livro "Mito ou verdade", o senador expõe seu ideário sem disfarces. No texto, ele exalta o golpe de 1964 e o regime autoritário que perseguiu, prendeu e matou opositores políticos. "Ao invés (sic) de marginalizados, deveriam ser ser tratados como heróis nacionais", escreve, sobre os agentes da repressão.

A exemplo do pai, Flávio glorifica o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que levava crianças para assistirem à tortura dos pais. Descreve o militar como "homem correto, íntegro, que cumpriu seu papel de defender a pátria" e teria sido "massacrado pela mídia".

O filho de Jair acusa a Comissão da Verdade, criada para apurar crimes da ditadura, de "tentar reescrever a História à luz da visão dos terroristas". Ele ataca a memória de vítimas do regime e chega a sugerir que o ex-deputado Rubens Paiva, assassinado no DOI-Codi, teria sido morto por grupos de esquerda.

O livro foi lançado em 2017, quando Flávio ensaiava concorrer ao Senado. Estava no fim do quarto mandato na Assembleia Legislativa do Rio, onde se notabilizou por subir à tribuna todos os anos para festejar o 31 de março, data cultuada pela extrema direita como aniversário da ditadura.

"Fica aqui o meu repúdio a essa massificação que é feita com relação ao regime militar, esquecendo-se do grande avanço econômico, social e político que tivemos", discursou, em 2004. "Para mim, é motivo de muito orgulho e agradecimento aos militares", reforçou, em 2009.

"A esquerda, hoje no poder, insiste em falar que houve um golpe", prosseguiu, em 2010. No ano seguinte, ele celebrou a "data especial" e disse que era preciso combater "a mentira de que houve um golpe militar". "Todos já conhecem o posicionamento da família Bolsonaro", acrescentou. Quem haveria de discordar?

Desde que entrou na política, o patriarca do clã milita na defesa do autoritarismo. Especializou-se em exaltar a violência de Estado, atuar pela impunidade de torturadores, ofender viúvas e órfãos de desaparecidos. Quando o Ministério Público Federal reabriu o caso Riocentro, em 2014, ele fez questão de acompanhar o depoimento de um militar investigado. Diante dos procuradores, atacou a Comissão da Verdade e disse sonhar com uma reedição da Operação Condor, aliança clandestina entre ditaduras do Cone Sul.

A democracia deveria ser tema central na primeira eleição após o 8 de Janeiro e a inédita condenação de generais golpistas. Os marqueteiros treinaram o candidato do PL para evitar menções à ditadura, mas não podem apagar tudo o que ele já disse e escreveu sobre o tema. Por destino e por escolha, Flávio Bolsonaro é o filho do Riocentro.

A noite em que fui ao Riocentro — e encontrei o PT no caminho

Por Zezito de Oliveira

Há poucas dias  foi postado no youtube imagens do Show do Riocentro de 1980. O acesso ao show de 1981 já é possível há  mais tempo. O fato da tentativa de explosão de bombas nesse segundo, é uma das razões de explicação  para isso.

Logo no inicio é informado que as imagens é resultado da gravação da transmissão realizada pela TV Tupi, a  segunda transmissão foi realizada pela Tv Bandeirantes.

Também não tem muito tempo fui ao cinema por duas vezes  assistir o doc. Gonzaguinha – Da maior liberdade, e este trouxe algumas cenas da participação de Gonzaguinha no show 01 de Maio de 1981, inclusive foi ele que avisou sobre a tentativa de explodir bombas dentro do riocentro, na hora não fazia ideia do que poderia acontecer, na verdade nem lembrava muito desse momento, somente vagamente e a minha memória foi avivada há poucos anos quando Paulo Correa, atual secretário de cultura de Aracaju me apresentou o lançamento do CD duplo com o áudio do show. 

Eu já havia feito aquela longa viagem uma vez. Em 1980, saí de São João de Meriti, nas proximidades de onde hoje está a estação Pavuna do metrô, em direção ao Riocentro para participar do primeiro dos dois grandes shows de 1º de Maio que marcaram minha memória. Um ano depois, em 30 de abril de 1981, fiz novamente o percurso.  Desta vez, porém, a viagem ficaria gravada por uma razão que só muitos anos depois eu compreenderia melhor.

Naquela época, chegar da Baixada ao Riocentro era quase uma pequena expedição. O metrô ainda não chegava à Pavuna, as conexões de transporte eram outras e a Barra da Tijuca, local onde está localizado o RioCentro,  parecia ainda mais distante do que hoje. Para quem morava em São João de Meriti, atravessar o Rio de Janeiro até o Riocentro significava enfrentar uma longa viagem de ônibus, com seus desvios, esperas e mudanças de paisagem.

Em 1980, eu havia feito esse percurso movido pela mesma mistura de curiosidade, música, política e vontade de estar presente que levaria novamente ao Riocentro no ano seguinte. O primeiro show ficou como uma referência importante para mim, mas foi o segundo que acabou associado a uma lembrança muito particular: a conversa com dois jovens durante a viagem.

O espetáculo de 1981 era o chamado Show 1º de Maio, realizado na noite de 30 de abril, para celebrar o Dia do Trabalho. O evento, promovido pelo Centro Brasil Democrático, reunia cerca de 20 mil pessoas e tinha no palco nomes como Luiz Gonzaga, Gonzaguinha, Clara Nunes, Beth Carvalho, Alceu Valença, Elba Ramalho e Chico Buarque.

Havia, inclusive, linhas especiais de ônibus para transportar o público.

Foi durante esse deslocamento que encontrei  dois jovens, como eu a época.

Pelo jeito de falar, pelas referências e pelo universo social que pareciam revelar, eles me davam a impressão de serem moradores da Zona Sul. Não posso afirmar hoje que fossem. A memória não guardou esse dado com a precisão de um documento. Guardou, entretanto, algo que considero mais importante: a conversa e o entusiasmo com que falavam das festas promovidas pelo recém-criado Partido dos Trabalhadores.

Aquilo me chamou atenção.

O PT tinha pouco mais de um ano de existência. Era um partido novo, ainda procurando seu lugar numa sociedade que começava a sair lentamente da longa noite da ditadura. E aqueles jovens falavam do partido não apenas como uma organização política ou sindical, mas também como espaço de encontro, convivência, cultura e festa.

Essa lembrança permaneceu durante décadas como uma cena aparentemente pequena, quase sem importância diante dos grandes acontecimentos daquela noite. Mas a pesquisa histórica me fez perceber que ela tinha um contexto.

Em 1981, o PT já construía núcleos em diferentes territórios do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense. Uma edição do Correio da Lavoura, de outubro/novembro daquele ano, anunciava em Mesquita um grande lançamento de núcleos do partido, com programação esportiva, cultural e política, além de barracas de comida e bebida. Em Nova Iguaçu, outra atividade semelhante estava sendo organizada.

Ou seja, aquela conversa no ônibus não era uma lembrança deslocada da realidade. O uso da cultura, da convivência e da festa como parte da construção política do PT fazia parte daquele momento.

Também havia presença do partido na Zona Sul. Núcleos e militantes ligados a comunidades como Chapéu Mangueira e áreas de Copacabana e Leme participavam da construção daquela nova experiência política, que aproximava trabalhadores, lideranças comunitárias, artistas, intelectuais e jovens de diferentes origens sociais.

Talvez seja justamente isso que tenha ficado tão marcado em mim: a possibilidade de que, naquele ônibus, estivéssemos diante de uma pequena amostra da cidade que estava se transformando.

Eu vinha da Baixada. Eles talvez viessem da Zona Sul. Íamos para o mesmo lugar. E conversávamos, ainda que brevemente, sobre uma novidade política que parecia carregar uma promessa diferente.

O ônibus, naquele momento, era mais do que um meio de transporte. Era também um lugar de encontro entre geografias sociais que normalmente pareciam distantes.

E então veio a explosão.

Poucas horas depois, o espetáculo seria atravessado por uma violência que revelaria o tamanho da disputa política existente no Brasil.

Uma bomba explodiu dentro de um Puma no estacionamento do Riocentro. O sargento Guilherme Pereira do Rosário morreu e o capitão Wilson Luís Chaves Machado ficou gravemente ferido. Uma segunda bomba foi encontrada próxima à casa de força. O episódio seria posteriormente associado a setores da extrema direita militar que pretendiam interromper o processo de abertura política.

Naquela noite, porém, ninguém dentro do Riocentro sabia exatamente o que estava acontecendo. Eu também não.

Estávamos ali para ouvir música, encontrar amigos, celebrar o Dia do Trabalhador e, talvez sem perceber, participar de um momento importante da história brasileira.

Gonzaguinha, que estava no palco, acabou se tornando uma das vozes daquele instante. A música e a política, que já caminhavam juntas naquela noite, foram brutalmente atravessadas pela violência.

Quando olho para trás, quase meio século depois, penso que talvez a lembrança daqueles dois jovens no ônibus seja tão importante quanto a lembrança da explosão.

Porque o atentado é história documentada. Está nos jornais, nos processos, nos livros, nos arquivos e nos relatórios. A conversa no ônibus, não. Ela existe na memória de quem estava lá.

E é justamente nessa fronteira entre memória e documento que uma época pode ser melhor compreendida.

O Brasil de 1981 era um país em transição. A ditadura ainda tinha força, mas a sociedade civil avançava. O movimento sindical se reorganizava, as comunidades eclesiais de base estavam ativas, as associações de moradores se fortaleciam, artistas e intelectuais ocupavam espaços de resistência e um partido novo tentava transformar parte dessa energia dispersa em organização política.

Em 1980, eu havia ido ao Riocentro para o primeiro daqueles shows de 1º de Maio. Em 1981, voltei. Na segunda viagem, saí novamente da Baixada em direção à Zona Oeste e, dentro de um ônibus que atravessava a cidade, encontrei dois jovens que falavam com entusiasmo sobre o PT e suas festas.

Poucas horas depois, uma bomba explodiria no estacionamento e o país descobriria, ainda que muitos anos depois, que a abertura democrática continuava sendo disputada à força.

Entre uma coisa e outra estava o Brasil.

Um Brasil que queria cantar, dançar, organizar-se, fazer política e voltar a respirar.

Talvez seja essa a imagem que mais gosto de guardar daquelas duas viagens ao Riocentro: primeiro, a descoberta de um grande espaço de encontro cultural e político; depois, o reencontro com aquele mesmo lugar, agora carregando uma tensão que a maioria de nós ainda não conseguia enxergar.

Eu estava lá nas duas vezes.

E, na segunda, no caminho para o Riocentro, encontrei dentro de um ônibus um pequeno pedaço do Brasil que também estava nascendo ou renascendo.


SHOW RIOCENTRO 30 DE ABRIL DE 1981


1. Postagens encontradas no Blog da Cultura sobre o atentado do Riocentro

Memorial da Democracia - Bomba no Riocentro implode terror militar

1. #1964+60 – A explosão da bomba no Riocentro: novas e antigas informações sobre o caso

1º de abril de 2024

A postagem reúne referências documentais sobre o atentado, incluindo o relatório da Comissão Nacional da Verdade, informações sobre o depoimento do capitão Wilson Machado e a investigação histórica do episódio. É uma boa porta de entrada para aprofundar a pesquisa documental.

Memorial da Democracia - Bomba no Riocentro implode terror militar

2. Outro Atentado como o de 1981 no Riocentro é possível?

25 de dezembro de 2022

Relaciona o atentado de 1981 à tentativa de ataque a bomba em Brasília, em dezembro de 2022. A publicação traz registros audiovisuais do show do Riocentro e referências à Comissão Nacional da Verdade, articulando memória histórica e defesa da democracia.

Riocentro - Um vinil para o show interrompido | Brasil 247

3. FESTIVAL #LULA LIVRE É AMOR DA CABEÇA AOS PÉS

29 de julho de 2018

Texto de Zezito de Oliveira que recupera sua experiência como jovem presente ao show de 1981. O autor relata que poderia ter sido uma das vítimas do atentado e estabelece uma relação entre a tentativa de violência política da ditadura e as disputas políticas posteriores. É especialmente importante para a dimensão autobiográfica da memória do Riocentro.

40 anos do atentado do Riocentro. Essa história não deve ser esquecida

4. Sobre o julgamento e condenação de Bolsonaro e alguns militares golpistas. Depoimento de quem poderia ter morrido no atentado do Riocentro em 1981

12 de setembro de 2025

Artigo de Zezito de Oliveira que retoma o episódio a partir da memória de quem esteve no show. Discute a atuação de setores militares contrários à abertura política, a impunidade e as relações entre a memória da ditadura e as ameaças recentes à democracia.

Retratos de Identificação - Documentário 2014 - AdoroCinema

5. Como 'Anistia 79' reavivou minhas lembranças da democracia e da esperança

23 de agosto de 2026

Embora não seja exclusivamente sobre o atentado, o artigo recupera a lembrança pessoal dos shows de 1º de Maio de 1980 e 1981 e destaca o perigo vivido pelo público no Riocentro. Ajuda a contextualizar o episódio dentro de uma trajetória de juventude, música e luta pelas liberdades democráticas.

2. Qual postagem consultar primeiro?

Minha recomendação é começar pelo texto de 2025, “Depoimento de quem poderia ter morrido no atentado do Riocentro em 1981”, e depois ler o artigo de 2024, que reúne referências documentais. Em seguida, vale voltar à postagem de 2022, que contém vídeos e registros do show.

Os cinco textos permitem acompanhar três dimensões complementares: a experiência pessoal de Zezito de Oliveira, a importância política e cultural do show e a documentação histórica do atentado.

Uma observação: os títulos e links acima correspondem às páginas encontradas na pesquisa; a lista não garante que sejam todas as menções ao Riocentro existentes no blog.

Qual o futuro dos debates políticos na TV? O mesmo dos festivais de música?

 

Hoje, 19/10,  no programa Fim de Tarde da Rádio Eldorado (SP), comentário de  um dos apresentadores do programa  e a repetição da falsa equivalência  entre os dois candidatos, E a pergunta que não quer calar? Como debater  com candidatos tipo Marçal, Flávio e Nikolas? Os editoriais do Estadão sobre o segundo deu a pista. Nos EUA é aplicado um sistema de checagem em tempo real, será que pode ajudar? 




 




Blog da Cultura — 1º de outubro de 2026

Subtítulo: Quando o espetáculo devora a democracia.

O artigo retoma uma reflexão sobre o primeiro debate presidencial do primeiro turno e volta a discutir o tema após o cancelamento do último debate mencionado no texto.

Ação Cultural S.E.
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Leia o artigo completo:

Qual o futuro dos debates políticos na TV? O mesmo dos festivais de música?

O argumento central do artigo

O texto aproxima dois fenômenos separados por décadas: os festivais televisivos de música dos anos 1960 e os debates eleitorais contemporâneos. A questão comum é como a disputa, a rivalidade entre participantes, as provocações e as torcidas podem se tornar parte central do espetáculo, deslocando a atenção do conteúdo que deveria estar em discussão.

O artigo desenvolve esse paralelo em torno de três questões:

  • A transformação da disputa em espetáculo: nos festivais, a rivalidade entre artistas e as torcidas ajudavam a mobilizar a audiência; nos debates eleitorais, conflitos e provocações também podem ganhar mais visibilidade que as propostas.

  • O papel da televisão e das redes sociais: a busca por audiência e engajamento interfere na maneira como a competição é apresentada e repercute.

  • Os riscos para a democracia: o problema não é a existência de divergências, mas a possibilidade de a agressividade e a desqualificação dos adversários ocuparem o lugar da discussão pública.




domingo, 18 de outubro de 2026

Nordeste dará mais uma contribuição inestimável para salvar a democracia e a cultura do Brasil. João Gomes agora é parte dessa corrente.

 Admiração por João Gomes segue firme; salve o povo e a cultura nordestina — e também das regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul —, além do presidente que ama e investe na cultura brasileira.

ZdO

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Após ser cobrado nas redes sociais para revelar seu posicionamento político, João Gomes decidiu falar abertamente sobre suas convicções durante uma apresentação em Londrina.

Ao lado dos amigos Mestrinho e Jota Pê, o cantor leu um texto em que defendeu a educação, a democracia, a liberdade de expressão e os direitos sociais. Durante o discurso, ele também demonstrou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

João ainda relembrou dificuldades que enfrentou na infância e destacou a importância de oferecer oportunidades às pessoas mais vulneráveis. O artista também falou sobre saúde mental, respeito às diferenças e a importância de votar pensando no futuro do Brasil. 






 JOÃO GOMES E MAEANA - CANÇÕES - DIEGO EDICOES



MAEANA CANTA JOÃO GOMES





sábado, 17 de outubro de 2026

45 dos 59 eleitos com até 29 anos para a Câmara e as Assembleias Legislativas (76,3%) são de direita. Nem toda juventude é linda! Então, como fazer crescer a rapaziada em que Gonzaguinha acreditou e defendeu?

"45 dos 59 eleitos com até 29 anos para a Câmara e as Assembleias Legislativas (76,3%) são de direita, mostrando que “nem toda juventude é linda” como sugere a canção do 14 Bis e recolocando a pergunta de Gonzaguinha em “E Vamos à Luta”: como fazer crescer a rapaziada em que ele acreditava? O desafio, apontam educadores e movimentos culturais, é converter energia juvenil em organização comunitária e participação cidadã duradoura, ncluindo pelo meio digital".

 O que a eleição de uma estreante deputada federal de 24 anos do Rio revela sobre a onda de direita no Brasil 

Julia de Castro, sorridente, em cima de um carro de som, faz o gesto de V com a mão; atrás, manifestação bolsonarista, com pessoas vestidas de verde e amareloCrédito,Reprodução/Facebook/@juliadecastrobr

Julia de Castro (PL-RJ), de 24 anos, nunca havia disputado uma eleição até 2026.

Nascida em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, a historiadora formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) resolveu contrariar o roteiro mais comum de quem começa na política: em vez de testar seu nome em uma disputa local, estreou nas urnas com a ambição de conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília.

A aposta foi alta. Para alguns colegas de chapa, uma decisão precipitada. O resultado, porém, superou as expectativas.

Com 103.880 votos, Julia teve desempenho melhor do que veteranos como Glauber Braga (PSOL), Jandira Feghali (PCdoB) e Wladimir Garotinho (PL). Tornou-se, da noite para o dia, a deputada federal mais jovem do Rio de Janeiro.

Embora pouco conhecida do público acima de 35 anos, Julia já contava com uma base fiel de apoiadores nas redes sociais. Seu nome começou a circular em perfis da direita em 2022, quando passou a expor, em vídeos, as hostilidades que sofria por ser eleitora de Jair Bolsonaro (PL). Desde então, tem ampliado sua audiência com conteúdos críticos à esquerda.

A pouco mais de um mês da eleição, em 31 de agosto, Julia tinha 447 mil seguidores no Instagram. Segundo levantamento da consultoria Bites feito a pedido da BBC News Brasil, 60% deles tinham entre 18 e 34 anos. O maior grupo era formado por mulheres pouco mais velhas do que ela — de 25 a 34 anos — que somavam um quarto de toda a audiência.

"Toda eleição, desde 2022, perguntavam se eu iria me candidatar, e eu falava que não. Em 2024, esse bombardeio foi mais intenso, mas eu achava que precisava me preparar mais, ter um pouco mais de casca, de traquejo político, de vivência partidária", diz a deputada eleita.

"Talvez por isso minha primeira eleição tenha sido tão exitosa, porque ela foi no momento certo em relação à carreira que construí na política."

Como as eleições de 2026 mostraram, o sucesso eleitoral de Julia não foi um fenômeno isolado. O pleito ampliou a presença da direita no Congresso, puxada sobretudo pelo PL, que passou de 97 para 121 deputados e elegeu 19 das 54 cadeiras do Senado em disputa.

Nesse movimento, a congressista integrou uma leva de políticos de direita com menos de 30 anos que se elegeram depois de construir capital político nas plataformas digitais, sobretudo entre jovens de até 34 anos.

Os números indicam que 45 dos 59 eleitos de até 29 anos para a Câmara e as assembleias legislativas (76,3%) são de direita. Segundo o Monitor Jovem DX, projeto do Instituto Democracia em Xeque em parceria com o Núcleo de Pesquisas em Psicologia Política e Movimentos Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), sete dos dez candidatos que mais geraram interações nas redes sociais foram eleitos. Cinco deles, de direita.

Entre os casos de maior projeção estão Lucas Pavanato (PL-SP), de 28 anos, que tinha 5,6 milhões de seguidores no Instagram e bateu o recorde de votação para deputado federal em São Paulo, com mais de 3 milhões de votos; e André Fernandes (PL-CE), 28, que reunia 3 milhões de seguidores e foi o mais votado do Ceará, com 684 mil votos.

A pesquisadora Beatriz Besen, coordenadora do Monitor Jovem DX e especialista nos estudos de novas direitas, afirma, porém, que o bom desempenho nas redes sociais não bastou, sozinho, para determinar a eleição dos candidatos.

Segundo ela, o êxito se dá quando a audiência se combina com financiamento, apoio de lideranças, capital político familiar e experiência em disputas anteriores. Para Besen, a direita foi a que melhor entendeu a estratégia multifatorial.

"Houve um investimento grande [da direita] em lançar candidaturas jovens com uma trajetória de influência digital prévia", diz Besen.

"Isso me parece algo que vem sendo construído desde as últimas eleições federais, já sendo colocado em prática nas eleições municipais, mas funcionando de forma mais sistemática nessas eleições."

A fórmula do sucesso de Júlia — e do PL

A trajetória de Julia de Castro é um bom exemplo de como o sucesso eleitoral depende do entrelaçamento entre a popularidade nas redes e a política institucional.

Pouco depois que seus vídeos ganharam tração na direita, Julia participou como influenciadora, em outubro de 2023, de uma conferência conservadora no Rio ao lado, entre outros políticos, dos deputados Luiz Lima e Márcio Gualberto, ambos do PL.

Menos de um mês depois, foi nomeada secretária parlamentar no gabinete de Lima, onde permaneceu por um ano e meio. Depois, em 2025, tornou-se assessora no gabinete de Gualberto na Assembleia Legislativa do Rio e assumiu a vice-presidência nacional do PL Jovem.

No PL Jovem, Julia diz ter começado a montar diretórios, fazer palestras, participar de curso de formação e viajar pelo Brasil para conhecer colegas de direita. Em 2026, recebeu o convite para se filiar ao partido e sair candidata.

"Como eu já tinha esse relacionamento próximo com o partido, foi algo muito natural", diz Julia.

"Pude entender antes como funciona a formação de bases, de diretórios, de filiados, como é que funciona o estatuto, o que é que o partido propõe, quais são as suas agendas, suas propostas, como é estar dentro de um organismo quase que empresarial. Eu era de uma política de internet, muito mais, digamos assim, do campo das ideias e da intelectualidade, do que do campo partidário, que é a política vivida dia a dia na prática."

Na campanha de 2026, o vínculo de Julia com a estrutura partidária resultou em ganhos de verba. A Direção Nacional do PL repassou R$ 500 mil à sua candidatura, valor que respondeu por cerca de 84% do arrecadado por ela.

Parte do dinheiro foi usada para ampliar sua presença tanto nas redes quanto nas ruas: até a prestação parcial, a campanha havia gasto R$ 104,5 mil com impulsionamento de conteúdo e R$ 76,1 mil com militância e mobilização.

Julia diz que pôde usar a verba como quis, sem imposições do PL. "Existiu ali sim uma intenção de fortalecer nossos nomes de forma unitária por parte de certos publicitários do partido, marqueteiros, mas nada orquestrado, nada de forma imposta, e sim sugestões", diz.

"Isso achei muito legal no partido: mesmo você sendo um candidato jovem, ele não te coloca na posição de inexperiente."

Segundo Besen, o PL foi o partido que soube melhor identificar jovens que já tinham audiência e, assim, oferecer condições para que essa influência se transformasse em candidatura competitiva. A sigla conseguiu, segundo ela, articular "visibilidade, apoio de lideranças e estrutura partidária".

O resultado veio nas urnas. O partido da família Bolsonaro foi o que mais elegeu candidatos jovens: 17 de 57 candidaturas — cerca de 30%.

Em comparação, o Missão, partido que mais lançou candidatos jovens, não elegeu nenhum dos 168 nomes. O PT, por sua vez, o segundo com mais candidatos sub-30 eleitos, teve êxito em 8 de 43 candidaturas, um aproveitamento de 18%. Já PSOL e Novo conseguiram ter aproveitamento baixo, de 2,1% e 1,7%, respectivamente.

Ao combinar uma identidade com apelo nas redes a audiência própria e apoio direto de lideranças nacionais, esses candidatos chegam aos partidos com parte do capital político já construído.

Besen destaca também uma comunicação mais agressiva da direita como estratégia eficiente de mobilizar audiência e catapultar quadros novos. Ela cita a mobilização de cortes, conteúdos de ataque e confronto e uma forte delimitação de identidades políticas.

"Isso tem um efeito nas redes: a mobilização de emoções e as estratégias de direcionamento, que também envolvem financiamento, dão resultados", diz Sainz.

É uma estratégia de persuasão e recrutamento diferente da esquerda. O PT, diz Sainz, embora também tenha elegido jovens com forte presença digital, como Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, costuma buscar nomes em espaços historicamente ligados aos partidos.

"A esquerda tende a recrutar via juventudes partidárias, movimento estudantil e movimentos sociais, com mais dependência da estrutura do partido", afirma. "Mas esse quadro pode estar mudando."

Julia de Castro diz acreditar que o sucesso dos jovens eleitos está relacionado a uma relação mais próxima — e cotidiana — com o público. Segundo ela, a nova geração que brotou do campo digital rompe com a imagem do político distante que só expõe detalhes pessoais em época de campanha.

"Além de o povo esperar uma renovação, nós construímos a nossa carreira política através do contato direto com o nosso público. Ele sabe quem nós somos para além de figura pública", diz. "Muitas vezes sabem os nossos gostos, nossa família, nossa história e formação."

Dinheiro importa, mas não explica tudo

Outro fator importante para a vitória nas eleições dos jovens de direita foi, segundo Sainz, o acesso a recursos.

Ele ressalta que o partido mais exitoso, o PL, ficou com a maior fatia do fundo eleitoral: R$ 881,7 milhões, bem acima dos R$ 615,4 milhões destinados ao PT. Na avaliação do pesquisador, dinheiro não produz votos automaticamente, mas ganha muito peso quando se combina com outras vantagens competitivas.

"Nossa hipótese é que o sucesso da juventude depende de recursos desigualmente distribuídos: financiamento, estrutura partidária, padrinhos políticos e, cada vez mais, capital digital", diz Sainz.

"Candidaturas que mobilizam pautas de alto engajamento nas redes convertem atenção em capital político, o que pode reduzir a dependência da máquina partidária tradicional."

Os dados do Monitor Jovem apontam para a mesma direção. Entre os 59 jovens eleitos, a associação entre recursos públicos recebidos e percentual de votos válidos foi positiva, mas fraca.

Isso significa que candidatos mais financiados tenderam, em média, a ter desempenho um pouco melhor, mas o volume de dinheiro esteve longe de determinar quantos votos cada um receberia.

Lucas Pavanato recebeu R$ 2,86 milhões e chegou a 3 milhões de votos; André Fernandes contou com R$ 3,1 milhões e teve 684 mil. Já a deputada estadual Eduarda Campopiano (PL-SP), de 23 anos, alcançou quase 2 milhões de votos com R$ 725 mil, enquanto a federal Ana Júlia (PT-PR), de 26 anos, com R$ 2,97 milhões, recebeu 184,7 mil votos.

As campanhas milionárias, de toda forma, foram exceção no conjunto das candidaturas jovens. Entre os que disputaram uma vaga na Câmara, a mediana de recursos públicos foi de cerca de R$ 5 mil entre os homens e R$ 14 mil entre as mulheres.

E houve quem se elegesse sem receber dinheiro dos fundos. Emerson Freitas (MDB-PE), de 26 anos, dono de um perfil no Instagram com mais de um milhão de seguidores, conquistou uma vaga na Assembleia de Pernambuco com 49,2 mil votos e nenhum recurso do fundo eleitoral. Quase todo o valor arrecadado — R$ 37,3 mil — veio diretamente de pessoas físicas; outros R$ 1,3 mil foram arrecadados por financiamento coletivo.

O poder dos padrinhos digitais e do capital familiar

Eleito como o deputado federal mais votado do país pela segunda vez consecutiva, Nikolas Ferreira (PL-MG) ocupa um papel central no ecossistema da jovem direita do PL.

Segundo Besen, o congressista atua como uma espécie de padrinho digital: ajuda a formar quadros nas redes sociais e a catapultar capitais políticos já em construção ao ampliar alcance, legitimar nomes e conectá-los a uma audiência maior. Ela cita Lucas Pavanato, Eduarda Campopiano e Julia de Castro entre os beneficiados por essa rede.

Esse apoio pesa porque, segundo a pesquisadora, o capital digital raramente nasce durante a campanha. Em geral, os candidatos já chegam à eleição com audiência própria. O papel de lideranças como Nikolas é acelerar essa projeção e transformar visibilidade dispersa em força política concentrada.

"É difícil construir do zero, durante a campanha, uma audiência que se converta em votos", diz Besen. "Os candidatos podem ganhar seguidores, mas o principal movimento é mobilizar e engajar uma audiência já existente. Altos níveis de engajamento podem ampliar a circulação dos conteúdos para além dos próprios seguidores, permitindo alcançar novas pessoas e, potencialmente, furar bolhas."

Os padrinhos digitais convivem também com uma forma bem mais antiga de chegar à política: mais da metade dos jovens eleitos em 2026 — 31 de 59 — tinha capital político familiar. Entre eles estão Alvinho Lira (PP-AL), filho de Arthur Lira; Lula da Fonte (PP-PE), filho do deputado Eduardo da Fonte; e Carlos Muniz Filho (PSDB-BA), filho do presidente da Câmara Municipal de Salvador.

Os dois caminhos podem se misturar. Alvinho, de 20 anos, por exemplo, herdou um sobrenome de peso na política alagoana, mas também construiu presença própria nas redes durante a campanha.

Nos dois últimos levantamentos regionais do Monitor Jovem antes da eleição, foi o jovem candidato a deputado federal com mais interações em Alagoas: somou 11,2 mil interações em 37 publicações entre 31 de agosto e 13 de setembro e 36,1 mil em 49 posts nas duas semanas seguintes. Acabou eleito com 172.628 votos, a maior votação para o cargo no estado.

De onde vem esse movimento — e para onde ele vai?

Estudos dão conta que parte da vantagem da direita na eleição de jovens candidatos começou a ser construída mais de uma década atrás.

O artigo As juventudes de direita redescobrem as ruas, publicado em 2025 pelos pesquisadores Gustavo Paccelli e Christiane Jalles de Paula, argumenta que, a partir de 2013 e sobretudo nos protestos de 2015 e 2016, jovens de direita passaram a acumular experiência de mobilização, redes de apoio e repertórios próprios de atuação política.

Os autores descrevem uma mudança gradual: se em 1992 a presença das juventudes de direita era marginal, em 2013 esses grupos passaram a disputar com mais força o sentido das manifestações, ao explorar pautas como anticorrupção e antipartidarismo e ampliar a presença nas redes.

Em 2015 e 2016, movimentos como MBL e Vem Pra Rua já combinavam mobilização de rua, comunicação digital, marketing político e apoio empresarial, uma infraestrutura que ajudou a transformar militância em capital político.

Algumas lideranças daquele ciclo, como Kim Kataguiri e Fernando Holiday, converteram a projeção em mandatos. Protagonizaram, assim, uma passagem da mobilização — tanto digital quanto nas ruas — para a política institucional.

Besen concorda que o movimento das novas direitas no Brasil ganhou força e visibilidade com as mobilizações de 2013 e 2015 e com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), mas vê esse processo como mais difuso.

Muitos dos candidatos mais jovens que acompanha, sobretudo os que ainda não chegaram aos 24 anos, situam o início da própria trajetória política nas eleições de 2018 ou durante a pandemia. Para ela, esses momentos coincidem com uma expansão do uso das redes sociais como espaço de informação, formação de identidade e sociabilidade política.

É também no pós-pandemia, segundo a pesquisadora, que se torna mais visível a expansão de identidades conservadoras e religiosas entre jovens. Ao mesmo tempo, influenciadores e militantes conseguem transformar audiência em projeção pública e, em alguns casos, essa projeção se converte em capital eleitoral.

Para Besen, foi essa combinação — construída ao longo de diferentes ciclos, e não apenas a partir de 2013 — que ganhou peso nas eleições de 2026.

"Acho que estamos diante de um processo mais duradouro, que está para além do Brasil", diz Besen. "Mas isso não significa que as tendências das próximas eleições estejam definidas."

A pesquisadora sugere que a direita acaba fornecendo uma resposta mais direta ao jovem que se sente frustrado ou desesperançoso quanto ao futuro. "A ideia que tem se propagado nas redes é justamente que esses jovens têm chances de enriquecer rapidamente, mudando sua forma de agir, seus hábitos e sua mentalidade", afirma. "Esses conteúdos têm mobilizado muito os jovens, principalmente homens."

Besen ressalta, porém, que nas suas pesquisas aparecem contradições dentro das posições políticas dos jovens. Muitos navegam entre posições progressistas e conservadoras.

"Essas identidades não estão fechadas, e isso também precisa ser considerado quando falamos de juventude", afirma Besen. "Tivemos sim uma expansão dessas identidades, mas resultados amplos de pesquisas sobre juventude e política não permitem afirmar que a juventude, como um todo, tem se orientado à direita."

14 Bis - Linda Juventude


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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

⭐️🐆 MANIFESTO CULTURAL — A CULTURA TAMBÉM É CAMPO DE LUTA!

Domingo, 18 de outubro, depois dos atos que estarão rolando pela cidade, nossa casa se transforma em espaço de diálogo, encontro e manifestação política através da arte. ✊⭐️


Vamos discutir estratégias, fortalecer nossas redes e refletir sobre o papel da cultura no cenário político atual. Porque defender a democracia é também defender o direito de criar, existir, ocupar espaços e imaginar outros futuros possíveis.
]

🗣️ 18h às 20h — RODA DE CONVERSA

Um encontro entre artistas, educadores, produtores culturais, comunicadores e representantes da nossa comunidade para trocar ideias e pensar estratégias de mobilização e resistência.

🎙️ Com a participação de:

• Paulo Antônio — músico, produtor musical e mestrando em Música pela UFBA
• Disfalq — educadora, mestra em Cinema e clubber
• Dona Onça — artista, produtora cultural e mestra em Comunicação
• Ana Lucia — ex-secretária municipal de Educação de Aracaju e estadual da Inclusão, Assistência e Desenvolvimento Social de Sergipe; Doutora Honoris Causa pela UFS
• Alisson Basílio — jornalista e representante da comunidade ballroom

🎤 20h às 23h — SHOWS & MANIFESTOS

A arte como voz, corpo, memória e instrumento de transformação. Uma noite de apresentações para celebrar nossa potência coletiva e reafirmar que a cultura não se cala!

✨ Anne Carol
✨ Oduma
✨ Diane Veloso
✨ Chevie
✨ João Falcão
✨ Mali
✨ Dona Onça

🎨 EXPOSIÇÃO ARTÍSTICA

📸 Somb — fotografia
🖼️ Aganju — artista visual

📍 ONÇA — Casa de Cultura e Arte
Rua Dom José Thomáz, nº 555, São José
📅 18.10, sábado, a partir das 18h
🎟️ ENTRADA GRATUITA!

A luta também acontece nos palcos, nas ruas, nas pistas, nas nossas palavras e nos encontros que nos fortalecem. Que a nossa arte seja ponte, abrigo, estratégia e enfrentamento.

Vamos à luta, feras latinas! Não estamos nessa sozinhas. ⭐️🐆✊🏾


A iniciativa acima e um bom exemplo de politização da cultura e culturalização da politica como apresentado no artigo abaixo.