UMA CANÇÃO PARA QUEM NÃO SEPARA FÉ E VIDA COMO FAZ JESUS DE NAZARÉ NO EVANGELHO. UMA CANÇÃO PARA CANTAR NO ALTAR E NA PORTA DA IGREJA. UMA CANÇÃO PARA CRENTES OU NÃO, UMA CANÇÃO PARA CRISTÃOS OU NÃO. UMA CANÇÃO PARA MENTES E CORAÇÕES LIVRES OU QUE ESTÃO BUSCANDO. SEM ESQUECER DA CONSCIÊNCIA CRITICA, BELEZA E SENSIBILIDADE DO AUTOR DAS TIRINHAS DO ARMANDINHO, ALEXANDRE BECK, CATARINENSE, PARA HOMENAGEAR NOSSOS IRMÃOS ANTIFASCISTAS QUE MORAM NA REGIÃO SUL..
Alexandre Beck nasceu em 1972 em Florianópolis, Santa Catarina. Sua trajetória acadêmica e profissional é marcada por uma busca por se encontrar: ele se formou em Agronomia e em Comunicação Social. Apaixonado por desenhar desde a infância, ele começou a trabalhar profissionalmente na área no ano de 2000, ilustrando para o jornal Diário Catarinense, onde criou inicialmente a tira cômica República, inspirada em seus amigos de juventude.
Unindo seu conhecimento agronômico ao talento artístico, Beck também passou anos desenvolvendo cartilhas e quadrinhos educativos focados no meio ambiente e na sustentabilidade. Porém, foi a partir da criação despretensiosa de um garotinho de cabelos azuis que seu trabalho alcançou projeção nacional e internacional.
A História do Armandinho
O nascimento de Armandinho foi fruto de um improviso e de um prazo apertado. No dia 9 de outubro de 2009, Alexandre Beck recebeu a missão urgente de criar três tirinhas para ilustrar uma matéria sobre economia doméstica (focada em pais e filhos poupando água e luz) no jornal Diário Catarinense.
Como seus personagens habituais da tira República não se encaixavam na pauta, Beck resgatou o rascunho de um menino que havia desenhado para um projeto de livro que acabou engavetado. Pela pressa e falta de espaço no layout, ele não teve tempo de desenhar os pais por inteiro, optando por fazer apenas rabiscos de pernas compridas ao lado do garoto.
A recepção do público e da redação foi tão positiva que o menino ganhou uma coluna fixa em maio de 2010. Inicialmente ele não tinha nome; o batismo veio através de um concurso cultural realizado com os leitores do jornal. O nome "Armandinho" foi sugerido por uma professora de Florianópolis, justificando que o garotinho parecia estar sempre "armando" alguma confusão ou questionamento inteligente.
Características e Sucesso das Tirinhas
• O Olhar Infantil: Para dar profundidade aos roteiros, Alexandre se inspirou fortemente na sua filha, que na época tinha 7 anos, observando como as crianças enxergam o mundo com pureza e criticidade.
• Temas Centrais: Embora seja uma criança, Armandinho aborda com leveza e ironia temas profundos como direitos humanos, cidadania, preconceito, política e preservação ambiental.
• Fenômeno de Público: O personagem explodiu nas redes sociais a partir de 2012. Suas tirinhas já foram compiladas em mais de 11 livros, são frequentemente utilizadas em questões de vestibulares, no ENEM e em livros didáticos por todo o Brasil.
Abaixo estão os dois pontos históricos mais marcantes da composição:
O Mistério de "São José da Costa Rica"
O verso "Quero a utopia, quero tudo em dia / Que a gente possa cantar / Quero São José da Costa Rica / Se a gente quiser cantar" costuma intrigar os ouvintes.
A menção à Costa Rica é altamente simbólica:
• Símbolo de Paz: A Costa Rica aboliu suas forças armadas em 1948, tornando-se uma referência mundial de desmilitarização e estabilidade democrática na América Latina.
• O Pacto de San José: Foi na capital do país (San José) que se assinou a Convenção Americana sobre Direitos Humanos em 1969. O tratado garantia liberdades civis essenciais que os brasileiros não tinham plenamente na época.
• Metáfora da Utopia: Para Brant e Milton, citar o lugar era uma forma poética e sutil de pedir um Brasil sem armas, livre de censura e que respeitasse os direitos humanos fundamentais.
O Significado do Termo "Civil"
Naquele momento, o país era governado por generais (regime militar). Ao cantar que deseja um "coração civil", a música faz uma defesa direta do retorno do poder aos cidadãos comuns e da escolha de um presidente civil para o país — o que acabou impulsionando os movimentos populares anos depois, como as Diretas Já.
