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Faltam 12 dias para as eleições e quais os 13 motivos da história da Ação Cultural indicam o melhor caminho para decidir em 04 de Outubro de 2026.
1. Porque o Ponto de Cultura da Ação Cultural voltou
A partir de 2023, com a retomada das políticas culturais no terceiro governo Lula, a Ação Cultural voltou a atuar como Ponto de Cultura dentro de uma política pública estruturada. Depois de um período de interrupção, essa retomada permitiu recuperar uma experiência que fazia parte da própria identidade da organização.
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A retomada das políticas culturais a partir de 2023 recolocou a Ação Cultural no caminho dos Pontos de Cultura, depois de um período de interrupções, e fez voltar ao território experiências como audiovisual, teatro popular, cineclube, formação de jovens e a Mostra Arte e Cidadania. A partir dessa trajetória, 13 pontos ajudam a refletir sobre o que mudou, o que foi reconstruído e quais desafios permanecem para a cultura de base comunitária para balizar as escolhas nestas eleições gerais de 2026.
1. Porque o Ponto de Cultura da Ação Cultural voltou
A partir de 2023, com a retomada das políticas culturais no terceiro governo Lula, a Ação Cultural voltou a atuar como Ponto de Cultura dentro de uma política pública estruturada. Depois de um período de interrupção, essa retomada permitiu recuperar uma experiência que fazia parte da própria identidade da organização.
2. Porque sabemos o que significa perder uma política pública
A história da Ação Cultural também é marcada por interrupções. Quando uma política cultural desaparece, não desaparecem apenas recursos: interrompem-se oficinas, processos formativos, articulações, redes e vínculos construídos durante anos. Por isso, a retomada da Cultura Viva tem um significado concreto para quem viveu esse processo.
3. Porque a Cultura Viva dialoga diretamente com a história da Ação Cultural
Criada em 2004, a Ação Cultural construiu sua trajetória trabalhando com crianças, adolescentes e jovens das periferias de Aracaju e Região Metropolitana, articulando dança, audiovisual, teatro, cineclube, hip-hop, formação e participação social. A retomada da Cultura Viva recoloca essa experiência dentro de uma política pública nacional.
4. Porque a retomada chegou ao território
A retomada não ficou apenas nos discursos e nas leis. Em 2026, o Ponto de Cultura Ação Cultural desenvolveu atividades concretas, entre elas oficinas de audiovisual, teatro popular, cineclube e formação. É no território que uma política cultural deixa de ser apenas uma decisão administrativa e passa a produzir experiências.
5. Porque a juventude voltou a ocupar um lugar central
Uma das marcas da Ação Cultural sempre foi o trabalho com juventude. A retomada possibilitou novamente combinar cultura, formação, comunicação, tecnologia e participação cidadã, criando oportunidades para que jovens não sejam apenas consumidores de cultura, mas também produtores e sujeitos das políticas culturais.
6. Porque o audiovisual voltou a ser instrumento de educação popular
A experiência da Ação Cultural com audiovisual vem de longe. Com a retomada do Ponto de Cultura, essa linguagem voltou a ocupar espaço na formação comunitária, inclusive por meio da oficina Cinema na Palma da Mão. O celular passa a ser também ferramenta de criação, registro e construção de narrativas próprias.
7. Porque o teatro popular voltou para o território
Em 2026, o Ponto de Cultura também retomou o trabalho com teatro popular, incluindo oficina realizada no Bairro Industrial. A experiência reafirma uma concepção de cultura que não separa criação artística, formação, convivência comunitária e participação cidadã.
8. Porque o Cineclube Realidade faz parte dessa retomada
O Cineclube Realidade recupera outra dimensão histórica da Ação Cultural: utilizar o cinema como instrumento de encontro, reflexão e formação crítica. A retomada do cineclube recoloca em circulação uma experiência que articula audiovisual, juventude, direitos e educação popular.
9. Porque a Mostra Arte e Cidadania voltou a fazer sentido
A Mostra Arte e Cidadania faz parte da memória da Ação Cultural desde seus primeiros anos. Sua retomada representa também a recuperação de uma concepção de cultura que reúne criação artística, convivência comunitária, formação e exercício da cidadania.
10. Porque a Ação Cultural voltou a participar da rede de Pontos de Cultura
A retomada não transformou a Ação Cultural apenas em beneficiária de uma política pública. Em 2026, Zezito de Oliveira participou da delegação sergipana na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, depois da mobilização da Rede Sergipe de Pontos de Cultura. E antes, em 2025, participou do Encontro Nacional da Rede Sacix , Rede de Cultura Digital e Midia Livre em São Paulo juntamente com Iasmin Feitosa, agente jovem cultura viva. A organização voltou, assim, a participar também dos debates sobre os rumos da Cultura Viva.
11. Porque voltou a existir a possibilidade de continuidade
Uma das grandes fragilidades das políticas culturais brasileiras sempre foi a descontinuidade. A Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, articulada à Cultura Viva, abre a possibilidade de financiamento continuado e de construção de políticas de Estado. Para organizações comunitárias, isso significa poder pensar para além de um projeto ou de um edital isolado.
12. Porque a retomada também mostrou o que ainda falta conquistar
A retomada não significa que todos os problemas foram resolvidos. A própria Rede Sergipe de Pontos de Cultura continua reivindicando formação, financiamento contínuo, fortalecimento institucional, participação nos conselhos e aperfeiçoamento das políticas de Cultura Viva. A experiência da Ação Cultural mostra que reconstruir uma política é apenas uma etapa de uma caminhada muito maior.
13. Porque a questão agora é saber se aquilo que foi reconstruído terá continuidade
A Ação Cultural atravessou mais de duas décadas de mudanças políticas, avanços, derrotas, interrupções e recomeços. A partir de 2023, voltou a ser um Ponto de Cultura apoiado com recursos federais, retomou oficinas, audiovisual, teatro, cineclube, Mostra Arte e Cidadania e voltou a participar da rede nacional de Cultura Viva.
Para quem acompanha essa história, a questão colocada em 2026 é concreta: o que acontecerá com essa política daqui para frente? A experiência acumulada pela Ação Cultural mostra que cultura de base comunitária precisa de continuidade, financiamento, participação social e políticas públicas permanentes para que conquistas como essas não sejam novamente interrompidas.
Em breve, treze vídeos curtos e treze cards com os motivos apresentados acima.
"GRAÇAS AO LULA": A LIÇÃO DE UMA MÃE NORDESTINA QUE O BOLSONARISMO TENTA ESCONDER
Lucas Santtana ft. Duda Beat - Meu Primeiro Amor (clipe oficial)
Começo essa notinha pelo final do título. Definindo o termo “estupidez”. No dicionário, significa a falta de inteligência, de discernimento, de razão ou de compreensão… E mais: a estúpida não foi a fala do presidente Lula. Foi tentativa de respostas nas redes digitais. Alguns bispos católicos foram para o ataque num tom de desqualificar a opinião do presidente. Em média, a fala nas redes digitais alimentaram a estupidez e a ignorância de sempre nos últimos anos.
Aos fatos. O presidente Lula emitiu opinião sobre dois temas dentro da Igreja Católica: Celibato (obrigatório, acredito que faltou esse adendo à fala) e a participação das mulheres enquanto ordenadas (padre, bispo, etc…). E ainda comparou ao crescimento dos evangélicos (uma opinião pessoal e que pode carecer de base empírica. Mas não considero erro). Para o presidente, a Igreja Católica ganharia mais fiéis se não houvesse o celibato obrigatório e fosse possível a ordenação de mulheres aos postos de poder no catolicismo. Notoriamente, a opinião do presidente tem uma dimensão pragmática: mais mulheres na Igreja e mais religiosos casados seriam mais pessoas efetivamente no trabalho de evangelização. O presidente como católico que é, não pode declarar o que pensa sobre temas (ditos!) delicados? Isto seria querer um mal para sua Igreja? A reação de certos bispos e uma avalanche de fiéis católicos só demonstrou mais desinformação e agressividade do que argumento. Beiraram à estupidez (para variar um pouco). Vamos ser bem sinceros entre nós: o bispo queria uma razão para votar em Flávio Bolsonaro e entrou um álibi. E assim segue para os fiéis desse tipo de bispo. Talvez fosse mais interessante que o presidente tivesse lido uma tese sobre a história do celibato obrigatório dentro da Igreja católica e sobre as razões de o porque as mulheres ficarem de fora do ministério ordenado dentro desse mesmo catolicismo (já que isto não é mais problema para a maioria das Igrejas evangélicas).
Na verdade, a fala superficial do presidente colocou uma questão profunda do clássico “inconsciente católico”, a saber, o poder e a questão econômica dentro do catolicismo. Não se fala abertamente dessas questões no catolicismo. Falar de celibato na Igreja Católica não é só falar em não praticar sexo… Os temas vinculados a sexualidade humana é uma trava a Igreja Católica (ainda hoje! por incrível que pareça). Falar de celibato obrigatório é falar em abusos (sexuais, inclusives), em família (até onde ter uma família atrapalha o apostolado?) e é falar de temas de economia (herança, etc.). Qualquer pessoa informada em História da Igreja, sabe que existem pessoas que se fizeram/fazem celibatárias (como dizia o apóstolo Paulo) por alguma razão teológica profunda e de fórum íntimo, mas que isto nunca foi condição necessária para se exercer qualquer função no Cristianismo. Ser celibatório não é uma desonra, mas ser casado jamais o foi também. Recomendo o extraordinário livro de Eduardo Hoornaert: “A memória do povo cristão” (Vozes). A obra trata da Igreja Cristã nos primeiros quatro séculos de nossa era e com farta documentação. Ou ainda podemos lembrar aqui do livro da teóloga Uta Ranke-Heinemann:“Eunucos pelo Reino de Deus: Igreja Católica e sexualidade - de Jesus a Bento XVI” (editora Rosa dos Tempos) ou ainda a singular coletânea: “Fora do Jardim: mulheres escrevem sobre a Bíblia”, organizada por Christina Buchmann e Celina Spiegel (editora Imago).
A fala do presidente foi num ambiente religioso e o tema que ele levantou foi do âmbito religioso. Talvez (como queriam alguns/algumas) ele não devesse ter falado o que falou por razões de campanha. Estamos perto de uma difícil e decisiva eleição para os destinos do Brasil. Aqui é uma leitura estratégica. Agora, quanto ao conteúdo do que disse o presidente, em nada ele errou ou ofendeu a Igreja. A estupidez ficou por conta das tentativas de respostas que mais tentaram desqualificar do que responder efetivamente onde havia erro na opinião pública do presidente. Paciência.
Durante anos, o debate sobre o financiamento cultural no Brasil foi dominado por uma narrativa simplista: a de que a Lei Rouanet seria um mecanismo exclusivo de privilégios para artistas de esquerda e gêneros tradicionais da MPB. No entanto, dados oficiais e investigações recentes mostram que a engrenagem do dinheiro público na música é muito mais complexa, bilionária e tem como principais beneficiários figuras públicas alinhadas ao conservadorismo e à direita.
A desmistificação dessa narrativa ganhou tração em 17 de dezembro de 2025, quando o senador Randolfe Rodrigues apresentou no Senado Federal um levantamento baseado em dados oficiais do Portal da Transparência. O ranking expôs os dez maiores valores associados a incentivos e verbas públicas no setor musical, revelando um monopólio absoluto de grandes nomes da música sertaneja. [1, 2, 3]
No topo da lista divulgada pelo senador aparecem cifras impressionantes acumuladas ao longo dos anos: [1, 2]
A lista segue com Zezé Di Camargo & Luciano (R$ 32 milhões), Eduardo Costa (R$ 28 milhões), Amado Batista (R$ 23 milhões), Henrique & Juliano (R$ 20 milhões) e Fernando & Sorocaba (R$ 19 milhões). A revelação gerou forte repercussão por envolver artistas que, historicamente, se posicionaram de forma crítica em relação aos incentivos à cultura e manifestaram apoio a pautas de direita. [1, 2]
A Verdadeira Engrenagem: O "Caixa Direto" das Prefeituras
Apesar de o ranking ter vindo a público no contexto da discussão sobre a Lei Rouanet, especialistas apontam que carimbar todo esse montante apenas como incentivo federal é um erro conceitual. Na verdade, os bilhões que movem a indústria dos mega-shows sertanejos correm, em sua grande maioria, por fora da Lei Rouanet. [1]
Enquanto a Rouanet funciona por renúncia fiscal (onde o governo autoriza o projeto e empresas privadas escolhem repassar parte do seu Imposto de Renda), os cachês milionários do sertanejo costumam sair diretamente do caixa de municípios pequenos. Esse modelo é feito através de contratações diretas por inexigibilidade de licitação para feiras agropecuárias e aniversários de cidades. [1, 2, 3]
Essa dinâmica foi detalhada pelo relatório jornalístico "Farras: como os shows com dinheiro público conectam artistas, bets, política e agronegócio", publicado pelo observatório De Olho nos Ruralistas. O dossiê aponta que um grupo seleto de 40 artistas acumulou R$ 3,08 bilhões em contratos diretos com estados e prefeituras.
O estudo do observatório revela duas fragilidades desse ecossistema em comparação com as leis de incentivo federais:
Falta de contrapartida institucional: O dinheiro sai 100% de orçamentos municipais que deveriam cobrir serviços essenciais como saúde e saneamento básico. [1]
Opacidade: O relatório apontou que cerca de 40% desses contratos diretos municipais sequer constavam no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), evidenciando uma grave ausência de fiscalização se comparada à rigorosa prestação de contas exigida pelo Ministério da Cultura na Lei Rouanet. [1]
O Casamento entre Política, Emendas e Agronegócio
A distribuição dessas verbas também possui forte componente político e geográfico. Grande parte dos shows contratados por prefeituras do interior é viabilizada por emendas parlamentares (incluindo as emendas Pix), enviadas por deputados e senadores para inflar orçamentos de eventos locais. [1, 2]
Esses eventos servem como palanque eleitoral em regiões dominadas economicamente pelo agronegócio. Cria-se, portanto, um ciclo de benefícios mútuos: o parlamentar destina a verba, o prefeito realiza a festa para ganhar popularidade, o agronegócio local ganha uma vitrine e o artista sertanejo — que funciona como a linha de frente cultural desse ecossistema — recebe cachês que frequentemente ultrapassam R$ 1 milhão por apresentação única. [1, 2]
O levantamento trazido pelo senador Randolfe Rodrigues e aprofundado pelo jornalismo investigativo demonstra que o moralismo em torno do financiamento cultural no Brasil não sobrevive aos dados oficiais. A verdadeira "farra" com o dinheiro do contribuinte não está em projetos auditados de teatro ou literatura, mas sim nos palcos montados com dinheiro público direto e sem licitação pelas prefeituras do interior. [1, 2, 3]