CANAL DA AÇÃO CULTURAL

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domingo, 13 de setembro de 2015

Cineclube Realidade e a sessão sobre o filme "Entre a Luz e a Sombra". Duas propostas para serem multiplicadas.



Mais uma sessão do Cineclube Realidade, realizada com sucesso. O filme da vez foi “Entre a Luz e a Sombra”, o qual  suscitou algumas reflexões importantes. Dentre as que consigo recordar, compartilho: “ O rap não e só coisa de negro e de pobre,  tem brancos e ricos  que apóiam e gostam”. Essa fala referiu-se ao apoio recebido por dois dos três protagonistas do filme,  Dexter e Afro X, da parte da atriz e professora  Sophia Bisilliate e do juiz Octávio de Barros Filho.



Outra fala,  comparou o enfoque dado ao presidio Carandiru, pelo filme “Entre a Luz e a Sombra”,   onde a dupla Dexter e Afro X  ocupava a cela 509-E, com o enfoque dado ao presidio pelo filme do mesmo nome. Segundo o jovem que se manifestou , o filme em tela, mostrava outros aspectos interessantes sobre a vida na prisão, questões mais intimistas e do cotidiano, sem a   grandiloquência e a violência como aparece no filme “Carandiru”.


Na minha fala,  disse que por uma feliz coincidência os três primeiros filmes programados nas três primeiras sessões,  apresentaram a arte como potência para a superação da situação de opressão, descaso, abandono e violência. No primeiro filme “Uma onda no ar” o destaque foi a arte da comunicação (rádio comunitária), incluindo também o hip-hop e o samba. No segundo filme, “Na Quebrada” o destaque foi um projeto de oficina de audiovisual e o destaque de “Entre a Luz e a Sombra” foi o Rap, secundado pelo  teatro.




Em função dessa  e de outras falas,  foi sugerido  a exibição do filme “Carandiru”  e “Maré, nossa história de amor” , este último pouco conhecido. Conforme  a sinopse publicada no site interfilmes.
 

  “Maré, Nossa História de Amor, conta a história de Analídia e Jonatha, dois jovens moradores da Maré, favela carioca que das palafitas dos anos 60 passou por diversos planos de urbanização chegando hoje a uma população de cerca de 140 mil pessoas. A Maré é dividida hoje entre dois grupos que dominam o tráfico de drogas e que talvez se odeiem mais do que à própria polícia. Quem mora num lado da comunidade não pode ter contato com o outro, sob pena de punição. Analídia é prima do chefe do tráfico de um dos lados e Jonatha é amigo de infância do chefe do outro lado. Ambos estudam num grupo de dança patrocinado por uma ONG, que fica exatamente no meio dos dois grupos e é dirigido pela ex-bailarina Fernanda (Marisa Orth).” 



Já o conhecido Carandiru,  conforme a Wikipédia "é um filme brasileiro de 2003, do gênero drama, dirigido pelo argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco.

O filme é uma superprodução baseado no livro Estação Carandiru, do médico Drauzio Varella, onde ele narra suas experiências com a dura realidade dos presídios brasileiros em um trabalho de prevenção à AIDS realizado na Casa de Detenção.

 O filme aborda o cotidiano da extinta "Casa de Detenção", mais conhecida por Carandiru (por se localizar no bairro de mesmo nome na cidade de São Paulo), antes e durante o massacre ocorrido em 2 de outubro de 1992, em que 111 presos foram mortos pela polícia.
 

Portanto, o filme a ser escolhido para a 4ª sessão ficará entre estes dois, “Carandiru” ou “Maré, nossa história de amor”. Os outros dois filmes que sobraram na escolha para esta segunda sessão, 5X Favela e Sonhos Roubados,  ficarão para sessões futuras."


Um momento importante dessa última sessão, foi a fala de Maira Ramos e Maria Jamile (1ª foto)  que disseram sobre como foi a presença das duas, no acampamento 2015 do Levante Popular da Juventude, realizado no período de 4 a 7 de setembro no Centro de Formação do MST, localizado  no povoado Quissamã, próximo ao conjunto Jardim.


Após a exibição do filme foi solicitado a presença de todos  na conferencia municipal livre da juventude, a ser realizada no dia 19/09/2015 na Praça da Cultura (CEU), localizada no conjunto Marcos Freire I. Na oportunidade os grupos ligados ao Coletivo Rap Jardim farão apresentações e o filme “Flores do Jardim” será exibido.


A conferência da juventude é importante para apresentar as  necessidades e desejos as juventudes dos municípios e dos estados. Como na  música “Comida”. Você tem fome de que? Você tem sede de que? 


Durante a projeção,  foi distribuído um questionário sobre o filme para ser respondido ou para servir de subsidio para a produção de uma redação. A atividade não é obrigatória, mas foi sugerida como uma forma de incentivar a prática da escrita. Os questionários devolvidos e/ou as redações, serão publicadas na página do face do Cineclube Realidade e no blog da Ação Cultural. Foi solicitado aos jovens que conversem com os professores de português para colaborarem e que assistissem vídeos aulas no youtube sobre redação e produção de texto.


Nas próximas sessões do Cine-Realidade,  serão novamente emprestados revistas e livros sobre questões atuais. Na primeira sessão,  foram emprestados algumas revistas Caros Amigos, inclusive edições especiais sobre Hip-Hop, Literatura Marginal ou Periférica, Che Guevara e outras com entrevistas com MV-Bill e Paulo Lins.


A presença de público continua na faixa de 10 adolescentes/jovens, porém mesmo sendo um número aquém da meta de 20, a qual chegou próximo de ser atingido na primeira sessão, que reuniu 18 adolescentes/jovens/adultos, consideramos bastante positivo a qualidade de interesse em assistir os filmes  e a participação na roda de conversa que acontece depois da exibição.


Como sempre,  é solicitado a colaboração na divulgação e no convite a outros adolescentes e jovens e isso é realizado, tem  um  que traz a namorada, tem  a outra que convida uma colega e assim uma nova opção é oferecida aos adolescentes/jovens/adultos do conjunto Jardim. Nem só com  bares, televisão, futebol e igreja se faz uma tarde de sábado na periferia.


Os pequenos já reclamam uma sessão só para eles, estamos vendo a possibilidade de colocar uma sessão infantil,  antes do filme para os maiores de 12 anos.


A maioria dos filmes exibidos no Cine-Realidade, estão disponíveis e podem ser acessados no youtube, há quem não pode vir ao cineclube e  assiste  na internet,  porém é sempre bom estar junto com outras pessoas para assistir filmes, beber, comer e conversar.

O Cineclube Realidade é uma  iniciativa do Coletivo Rap Jardim, iniciativa que reúne grupos de Rap do conjunto Jardim, Ação Cultural/Ponto de Cultura Juventude e Cidadania e Escola Estadual Júlia Teles. A próxima sessão está prevista para o dia 03 de Outubro.

Para ampliar o alcance das ações da cineclube, a  Ação Cultural aguarda recursos prometidos pelo  Ministério da Cultura e  Secretaria Estadual de Cultura (SE),  por meio de seleção em dois editais, cultura viva e mais cultura nas escolas.

Também espera que a Secretaria de Estado da Educação (SE),  invista mais recursos em ações culturais nas escolas, como acontece em outras cidades e estados brasileiros.
 
 
Zezito de Oliveira - Educador e Produtor Cultural. Texto e fotos

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