CANAL DA AÇÃO CULTURAL

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terça-feira, 25 de abril de 2017

Play list - Canções para entrar no clima da greve geral do dia 28/04/2017 e outros momentos de luta.


Contra um Brasil para poucos brasileiros.

Os descendentes dos traficantes de escravos e dos fazendeiros escravocratas querem o seu país de volta. 

O Brasil de antes de 1930. Sem direitos trabalhistas, com grandes resquícios de condições análogas ao trabalho escravo. Com a maioria da população analfabeta e sem acesso aos bens culturais. 

Um país em que a lei era usada contra os adversários políticos e todo o tipo de arbitrariedade e proteção era usada a favor dos amigos dos coronéis políticos. 

Um país sem espaço para a participação das mulheres e da juventude. 

Um país desindustrializado e cujo mercado consumidor reduzido era ocupado pela produção importada. 

Um país cujas riquezas naturais e serviços públicos, em sua maioria estavam na mão de empresas estrangeiras, as quais fizeram de  tudo para retardar o desenvolvimento da indústria nacional, inclusive usando da estratégia de sabotagens e assassinatos, como fizeram com os empresários Barão de Mauá e Delmiro Gouveia.
 Zezito de Oliveira - Educador e Realizador/Produtor Cultural
























 "Quando eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal
Você não escutou"















A arte como ensaio ou laboratório para a (s) revolução (ões).

A arte tem a força dos oráculos ou dos profetas, porque pode prever ou antecipar futuros desejáveis ou indesejáveis. 

Através da criação artística, podemos antecipar o mundo que queremos, ou apresentar a nossa rejeição ao mundo que vivemos ou a alguns aspectos desse. 

A luta contra o sistema de dominação e dos poderes que insistem em sempre querer nos submeter, estar em afirmar a arte que antecipa o outro mundo que queremos.


Portanto, o processo de criação artística pode servir como uma grande oficina ou laboratório para gestarmos homens e mulheres novos,  ou então pode servir como reforço as velhas estruturas carcomidas, autoritárias e injustas.


Muitas das vezes isso está junto e misturado. Para ampliar o espaço emancipatório dos processos de criação artística, é importante considerar o valor dos estudos e discussões coletivas sobre história, filosofia, sociologia, psicologia e etc., concomitante a condução dos citados processos .


Isso obviamente só é possível, quanto mais a preocupação da arte como produto de mercado estiver em segundo plano. 


Daí porque, assistimos a uma tendência cada vez maior do mercado, em realizar todo o esforço possível para fazer prevalecer o tipo de arte gerado como produto da indústria cultural, quando esta visa o empobrecimento ético e estético da massa ou do povão, considerando o interesse comercial tão somente.


Arte a serviço da alienação e como sustentáculo de sociedades injustas, desiguais e violentas é o que temos como prato do dia na maioria das emissoras de rádio e de televisão.


Os coletivos, organizações e movimentos sociais progressistas, tem a obrigação de criar espaços e oportunidades voltados para que possa ter voz, vez e lugar a  arte que anuncia outros mundos possíveis.

Do contrário, teremos muita dificuldade para garantir o que já conquistamos e avançar nas lutas a favor de novos direitos politicos, sociais e culturais.

Zezito de Oliveira - Educador e Realizador/Produtor Cultural 



QUAL O PAPEL QUE CABE AO POVO NA FORMAÇÃO DA CULTURA?


É preciso pensar um pouco sobre isso: qual o papel que cabe ao povo hoje em dia na formação da cultura do país ao se constatar que é esmagado pela indústria do entretenimento? Não é uma resposta difícil porque tudo é feito às claras. Só não vê quem não quer. Às camadas menos favorecidas da população sempre coube uma parcela importante da criação da arte popular. E arte é transformação. E com transformação se muda o curso da História. Foi a lição que aprendemos.




Abílio Neto - pesquisador musical

 É preciso pensar um pouco sobre isso: qual o papel que cabe ao povo hoje em dia na formação da   cultura do país ao se constatar que é esmagado pela indústria do entretenimento? Não é uma resposta difícil porque tudo é feito às claras. Só não vê quem não quer. Às camadas menos favorecidas da população sempre coube uma parcela importante da criação da arte popular. E arte é transformação. E com transformação se muda o curso da História. Foi a lição que aprendemos.



Infelizmente, a realidade é muito triste: o povo é refém de um inteligentíssimo esquema de mercado que envolve proprietários e diretores de programação de estações de rádio e TV, donos de casas noturnas, de blocos de axé, de clubes de carnaval como “Galo da Madrugada” e “Virgens de Olinda”, de grandes cervejarias, de gravadoras, até chegar aos “intelectuais do convencimento”, esses a quem cabe o papel de tapar o sol com a peneira, ao defenderem com unhas e dentes que essa subordinação não existe, ou que não passa de papo de esquerdista frustrado.



A verdade é que procura-se no meio do povo um novo Zé do Norte e não se acha. Quem não se lembra de: “os óios da cobra é verde/ hoje foi que arreparei/ se arrepasse há mais tempo/ não amava quem amei”?



Quem recorda esses versos de domínio público recolhidos no recôncavo baiano: “ô marinheiro, marinheiro/ marinheiro samba/ quem te ensinou a nadar/marinheiro samba/ foi o tombo do navio/marinheiro samba/ foi o balanço do mar”?



São peças populares, mas tão lindas que foram incorporadas ao repertório do grande Caetano Veloso. Hoje me parece que esse processo criativo do povo foi interrompido porque foi atropelado pelo desprezo ao que não tem apelo comercial. Quem é o responsável por isso? Ora, só pode ser aquele a quem cabe zelar pela cultura. Nada contra o tecnobrega, sertanejo ou funk carioca, mas vejam quem está por trás deles e faturando alto: são os empresários.



 Entre esses, os DJ funkeiros e os DJ de aparelhagem. Um traço em comum entre eles é a riqueza, igualmente aos artistas que mais se destacam nesses gêneros. Tecnobrega, sertanejo-pop e funk são manifestações culturais do povo? Para mim, não, com todas as vênias e respeitos a quem diverge.

Acho que é coisa imposta de cima pra baixo. Na origem, há uma nítida inversão de camadas sociais. Se eu estiver errado, me apontem os do povo que são autores dos sucessos dessas citadas “manifestações culturais”. Indo mais além, vejo o povo como um mero figurante nesse grande jogo de interesse que se me afigura como puramente mercadológico.

 

Emprega-se hoje o nome de manifestação cultural onde não existe cultura. Cultura de verdade, entendo eu, não é aquela que se vale do rápido e fácil domínio das plateias, ao contrário, ela tem um longo processo de formação e somente se reconhece pela sua finalidade maior que é a transmissão para a posteridade de obras ricas em valores artísticos, sejam eles folclóricos, populares (da classe média) ou eruditos. Não é à toa que Alceu Valença, em suas entrevistas, meta a lenha na indústria do entretenimento. Ele sabe o que fala!


O cordelista, músico, cantor e compositor Allan Sales, um dos artistas populares mais famosos do Recife, vê assim a questão:


“É preciso matar a alma do povo na fonte, não pondo em cena o que naturalmente brota desse povo, mas valorizando mercadologicamente toda espécie de lixo cultural que vem a responder a essa demanda midiática e criação de produtos culturais descartáveis. O problema é que hoje somos  majoritariamente uma sociedade de consumidores e não de criadores, e uma sociedade de consumidores, por definição, pressupõe uma massa amorfa, passiva e isenta de senso crítico que engole goela abaixo, sem grandes questionamentos, os 'lepo lepo' da vida.”


1 - Qual a critica principal que o autor do texto faz contra a cultura mercadoria ou contra a mercantilização da cultura. Retire do texto, um exemplo da critica do autor



2 – Dê a sua opinião, se você concorda ou discorda com o autor.  Justifique com argumentos lógicos e coerentes.





Sugestões de outras canções serão incorporadas. Pode-se  fazer isso nos comentários.

2 comentários:

Prof.Gleici.FlordoLírio disse...

Gostei muito das sugestões! Parabéns Zezito

AÇÃO CULTURAL disse...


Grato Prof. Gleici. Há outras play lists temáticas também.
https://acaoculturalse.blogspot.com.br/p/cidade-criativa.html