CANAL DA AÇÃO CULTURAL

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terça-feira, 24 de setembro de 2013

A dor e a delicia de produzir cultura na periferia sergipana.



 (Acima) Seminário de Pesquisa-ação para um Plano Articulado
entre Cultura e Educação
— em Recife / PE - junho de 2012


 Entrevista concedida por Zezito de Oliveira,  via e-mail,  para as estudantes do curso de comunicação da UFS.  Francielle Couto St e Luciana Nascimento.


1.   Atualmente, quais são as atividades voltadas para o audiovisual promovidas pelo Ponto de Cultura Juventude e Cidadania? O feedback é satisfatório?

            No momento, para  a oficina de audiovisual, estamos esperando a liberação da segunda parcela do recurso do convênio do Ponto de Cultura. Já entregamos a prestação de contas, recebemos  orientação para fazer correções e/ou justificar alguns itens, encaminhamos as resposta e estamos aguardando o parecer final. Neste período, tentamos criar uma produtora júnior com alguns  concludentes da oficina, porém esbarramos na falta de disponibilidade de uma pessoa da Ação Cultural para estimular e animar esta iniciativa e na baixa adesão dos concludentes da oficina, em razão de falta de disponibilidade de horário  para o projeto. Enquanto a oficina não é retomada, fizemos duas exibições do material produzido, neste ano de 2013, em primeira mão, no almoço cultural paraense e no sarau multicultural. A recepção foi muito boa. Igualmente a oficina foi bem aceita, conforme pode ser conferido em um relato da experiência realizado pelo próprio oficineiro. AQUI


 

2. De que modo as produções de animação e curtas são levadas aos mais carentes? Qual a importância dessa disseminação?

             As produções de curtas e animação são levadas através do formato cineclube, realizada duas vezes, uma vez no bairro conjunto Jardim e a segunda vez, no local onde está situada a sede da Ação Cultural desde o inicio de 2013, centro de Aracaju. As dificuldades para a continuidade no bairro se deve a questões de segurança do local, a Escola Júlia Teles, com problemas de assalto e risco de furto de nosso equipamento. No centro, a dificuldade diz respeito a questão das passagens. Com o recurso liberado, isso pode ser resolvido, já que dispomos de previsão para o custeio de passagens de adolescentes inscritos nas oficinas do Ponto de Cultura. No caso da escola, há possibilidade de amenização do problema, em médio prazo. No bairro a oficina é muito necessária porque falta opções de lazer para a comunidade  e a aceitação foi muito boa, com a participação de pessoas de diversas idades. No centro, a sala é menor, cabe menos pessoas, porém favorece a concentração e com isso pode-se apresentar curtas ou animação com características mais voltadas para aprofundar a reflexão estética, politica, existêncial, cultural e etc.

 

3. No geral, o que visa as produções exibidas e o que é promovido por vocês em torno disso? 

            O que visamos é a formação de um  olhar voltado para a necessidade de mostrar como pensa e vive a juventude que mora na periferia. Um novo olhar assumido pelos jovens participantes da oficina e por aqueles  que assistem ao resultado final do trabalho. Outro objetivo é alargar o campo de visão dos meninos e meninas envolvidos na oficina e no cineclube no que se refere a valores estéticos e éticos.

4. Como você vê o campo audiovisual Sergipano hoje? Apontar pontos positivos e negativos. 

            O audiovisual em Sergipe está crescendo e precisa de mais incentivo para continuar se desenvolvendo. Cinco fatores concorrem para isso: a criação da Casa Curta SE, o NPD, o trabalho de educomunicação da ong Recriando Caminhos, o curso de audiovisual da UFS e os editais da Secult. Estes são os fatores positivos. Como fatores negativos cito o diálogo incipiente da Casa CurtaSE e curso de Audiovisual da UFS com o trabalho realizado nas escolas e/ou comunidades, via Pontos de Cultura e outros formatos de organização; no caso do NPD, a falta de interesse demonstrado, até agora, pela nova gestão municipal na continuidade e fortalecimento da iniciativa. Quanto aos editais da Secult,  os valores financeiros são reduzidos e, no caso da ong Recriando Caminhos, falta dialogar mais com outros realizadores com atuação na periferia, para contribuir com uma espécie de rede de imagens da periferia. Em termos de imagens produzidas, tenho visto com muito interesse as produções de curtas sergipanos inspirados em questões mais próximas da realidade e frutos do edital da Secult. Há alguns anos, assisti à duas produções herméticas demais para o meu gosto. Da mesma maneira, a qualidade técnica melhorou bastante, mérito dos investimentos realizados pela Casa Curta e pelo NPD Orlando Vieira. 

5-  De que modo o ponto contribui para a expansão do audiovisual em Sergipe?

            Formando público qualificado para outro tipo de produção e consumo, diferente daquilo a que estão acostumados, como é o caso das novelas da globo e o cinema americano 

6. Suas expectativas sob o MinC e a Secult estão sendo atendidas?
            Em parte. O recurso financeiro atende às necessidades. O problema que precisa ser encarado é a redução da burocracia, sem prejuízo da transparência e do cuidado com a boa utilização dos recursos públicos. Neste sentido há a lei Cultura Viva, que está sendo discutida no congresso . Com a chegada da Marta Suplicy ao Ministério da Cultura, felizmente foi reaberto o diálogo com a comissão nacional dos pontos de cultura, objetivando encontrar saídas para os impasses gerados pela legislação inadequada(lei 8666), utilizada como base jurídica na gestão dos pontos de cultura. A sugestão é que a prestação de contas seja realizada por meio digital e com lançamento de informações o mais rápido possível, inclusive de documentos contábeis, com amplo acesso à população. Da mesma maneira, um serviço de tira dúvidas que realmente funcione ajudaria bastante. A Secult poderia tomar esta iniciativa e se destacar pelo pioneirismo. 

7. O Ação Cultural é um ponto de Cultura que tem apoio da Secretaria do Estado da Cultura. Como é este apoio?

             A Ação Cultural recebe o apoio da Secult nas atividades do Ponto de Cultura, por meio do convênio assinado para o repasse de recursos do programa Cultura Viva, idealizado e gerido pelo Ministério da Cultura. A Secult atua como co-gestora do programa. Além do repasse está previsto o acompanhamento e orientação técnica na área da gestão. Lamentavelmente, existe uma enorme dívida quanto a esse compromisso, tanto da parte do MINC como da SECULT, agravado pela legislação inadequada em todos os âmbitos da federação. É uma pena os governos progressistas  não encararem essa questão com a importância que merece e que os recursos públicos  destinados a parcerias com a sociedade civil sejam pouco utilizados em favor de ações de emancipação de setores fragilizados de nossa população. Dessa forma, os maiores beneficiários são as ongs e fundações ligados a interesses empresariais ou a grupos políticos tradicionais e oligárquicos que dispõem de condições para contratar técnicos especializados.

8. Há quanto tempo o Ação funciona e quais locais têm recebido os projetos? Como as pessoas têm reagido?
            A Ação Cultural foi criada em 2004, porém, antes disso, o grupo fundador já se organizava como um coletivo de produção cultural. No que se refere à área geográfica, a principal base de atuação, no momento, é o Conjunto Jardim. No entanto, a Ação Cultural realiza iniciativas culturais itinerantes em outros bairros de Aracaju e em outros municípios da região metropolitana. Como é o caso da Caravana Luiz Gonzaga, que ocorreu de março de 2012 a fevereiro de 2013 e o Sarau Multicultural Itinerante, realizado a partir de 2013.
 

9. Quais projetos têm mais público? Há alguma dificuldade para leva-los a diante?

            O projeto que teve maior público foi a Caravana Luiz Gonzaga Vai a Escola, em razão da quantidade prevista nos objetivos do projeto e em razão da extensão do território abrangido: Aracaju e região metropolitana. Não houve grandes dificuldades, mas a confirmação do quanto a escola precisa avançar na construção de espaços físicos adequados para a criação e difusão dos bens culturais. Outro aspecto importante é a necessidade de investimento na formação cultural dos professores, inclusive na apropriação das linguagens artísticas, como meio de ensino e aprendizagem.



10 - Quais os desafios de estar a frente de um projeto como esse em Sergipe? Quais os pontos positivos e negativos?

            Apesar da  ampliação dos recursos para a área cultural desde 2002, quando o presidente Lula assumiu o governo, o maior desafio continua sendo enfrentar a pouca quantidade de recursos públicos destinados a cultura, não apenas recursos financeiros, mas também de pessoal, neste último caso, temos a gravidade da falta de profissionais concursados nos órgãos da Cultura, 

11-  O que motiva o senhor a fazer um trabalho tão bonito até hoje? E o que espera do futuro?
 
              A motivação nasceu do envolvimento com grupos juvenis da igreja católica, inspirados no pensamento e prática da Teologia da Libertação, bem como em razão da leitura de jornais alternativos, balizados no pensamento crítico de esquerda, e de ter  frequentado espaços culturais como cineclubes, teatros, bibliotecas e shows artisticos de MPB, no Rio de Janeiro,cidade onde morei na década de 1970 e início dos anos 80.

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 Eu vejo a vida Melhor no futuro
Eu vejo isso Por cima de um muro
De hipocrisia Que insiste Em nos rodear...

Eu vejo a vida Mais clara e farta
Repleta de toda Satisfação
Que se tem direito Do firmamento ao chão...

Eu quero crer No amor numa boa
Que isso valha Pra qualquer pessoa
Que realizar a força Que tem uma paixão...

Eu vejo um novo Começo de era
De gente fina Elegante e sincera
Com habilidade Pra dizer mais sim Do que não, não, não...

Hoje o tempo voa amor Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir Não há tempo
Que volte amor Vamos viver tudo
Que há pra viver Vamos nos permitir...




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