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sábado, 2 de abril de 2016

SARAU MULTICULTURAL REVISITA OS ANOS DE CHUMBO ATRAVÉS DA ARTE E DA LITERATURA.


 
No dia 07 de abril de 2016, a partir das 16 horas, no municipio de  Santa Rosa de Lima, será realizado o primeiro sarau temático do Colégio Dr. Edélzio Vieira de Melo, com o  tema “Arte, Luta e Resistência nos Anos de Chumbo”.

A iniciativa,  coordenada pelo professor de História,  José de Oliveira Santos ou professor Zezito como é mais conhecido,  conta também com a participação da  professora de inglês e artes, Kadja Emanuelle, no papel de coordenadora adjunta.

O projeto do Sarau Multicultural tem como objetivo principal, apresentar  uma abordagem diferenciada em termos do tratamento comumente realizado nas escolas, com relação aos acontecimentos ligados ao golpe que derrubou o presidente João Goulart em 01 de Abril de  1964, com a   consequente  implantação da ditadura civil-militar,  seus desdobramentos e a  derrocada em meados da década de 1980.

E qual é este diferencial? Apresentar a temática por meio de linguagens artísticas. Isso  se deve, conforme o professor, a  riqueza da produção cultural no período de 1964 a 1985 e  a necessidade de abordar um tema  polêmico e atual, de uma forma mais lúdica e desarmada, especialmente nestes tempos em que muitos brasileiros querem  recuar os ponteiros do relógio ao tempo  histórico do autoritarismo, do medo e  da perseguição a quem pensava diferente dos governantes de então.

Outro aspecto que colabora,  prossegue o professor,  é uma  disponibilidade muito grande por parte de muitos alunos do Colégio Edélzio Vieira de Melo, quando  participam dos projetos culturais.   “Há uma quantidade incrível de talentos  no campo da música, da dança, do teatro, das artes plásticas e etc..” Assim como colabora,   o apoio  aos projetos culturais desenvolvidos nessa unidade de ensino, da parte do  diretor  Almir Pinto e dos outros integrantes da equipe diretiva e funcionários, assim como da parte dos demais colegas professores. 

Mas é preciso, afirma o professor, ampliar os investimentos  para potencializar a produção cultural da juventude em Santa Rosa de Lima e nos pequenos municípios, pois isso terá um impacto muito grande no desempenho escolar e na prevenção a alguns vícios e doenças, como o alcoolismo por exemplo, assim como prevenir  o envolvimento de uma parcela pequena da juventude com o crime, embora “pequena” esta parcela causa bastante mal estar, estragos  e até tragédias, mesmo m territórios distantes dos grandes centros,  que já não estão  mais longe disso, como há tempo atrás.

Mesmo com a contribuição do  Colégio Dr. Edélzio Vieira de Melo , que segundo o professor Zezito,  pode ser  considerado  um pólo cultural da comunidade é preciso que seja realizado mais, muito mais, como oficinas culturais permanentes que podem culminar em ações como o sarau, as quais se  inserem no rol das  iniciativas culturais que podem ser classificadas como atividade de “contracultura”, e/ou de complemento para colaborar nos esforços de melhoria da qualidade do ensino, da prevenção em saúde, da colaboração na redução dos indices de criminalidade - cabeça vazia,  espaço aberto para acolher  propaganda consumista e  ideologias arcaicas e opressivas, assim como pode dar um enorme contribuição aos esforços de  luta pela redução da pobreza. Pois os postos de trabalho no setor cultural,  tendem  a aumentar  cada vez mais, com a tendência mundial que aponta para o crescimento das atividades econômicas ligadas ao campo do conhecimento, do entretenimento e da criatividade.

Realizar o trabalho contracultural é bem mais difícil, prossegue o professor , porque não faz parte do dia a dia dos alunos e da sociedade brasileira em geral, que foram afastadas  do conhecimento e apreciação  do melhor da produção cultural brasileira,  que dialoga de forma mais  critica com os temas da realidade histórica e social e/ou que buscam inspiração criativa em referenciais  mais fortes, das expressões culturais coletivas  do brasil profundo, como os ritmos, a dança, o teatro  e a poesia  popular.  A exceção,  cada vez mais reduzida, é a   novela Velho Chico, o  programa Sr. Brasil de Rolando Boldrin, Ensaio, Expedições e outros programas das rádios e tvs públicas. 

Para os alunos, a preparação do sarau, enseja momentos de  bastante prazer , como para  Tainara Oliveira, que afirma ter participado de uma das melhores aulas de História que já teve, no dia do  primeira apresentação cantante em sala de aula, das músicas propostas para o Sarau.  

Outros alunos também se manifestaram com relação ao primeiro sarau multicultural do qual participam. Para Franklim Bispo, " o sarau é uma chance de apreciação e renovação, por poder ter contato com música de diversos estilos. Como rock, MPB, bolero etc., que falam de diversos assuntos da sociedade contemporânea, mas que pouca gente se interessa em escutar".
 
Já para Cicero Alves, o sarau é muito importante por causa da diversidade cultural que pretende apresentar. 

 Por último, a aluna Fabiola Firmo tem a expectativa de que tudo a ser apresentado no sarau seja muito bem compreendido, pois os alunos que estão ensaiando para as apresentações, estão trabalhando neste sentido. Fabiola afirma também que é uma proposta muito nova, e por causa disso percebe  algumas dificuldades, mas que está sendo muito legal fazer parte desse projeto.

Além do sarau alusivo ao tema da ditadura militar, faz parte do planejamento a realização de mais cinco saraus temáticos no ano de 2016. No final de abril  com o  tema "Indios"; em junho com o tema "nordeste"; em agosto com o tema "cultura popular"; em outubro com o tema "cultura anglo saxã e nórdica" e em  novembro,  com o tema "consciência negra". 

Em termos de expectativa,  o professor Zezito também concorda com os alunos, e com base na sua experiência em  produção cultural de iniciativas culturais de base comunitária, também aposta no sucesso gradativo da empreitada, o qual poderá consolidar uma experiência que pode até ser realizada em uma dimensão muito maior, a partir de um planejamento conjunto com outras escolas,  em colaboração  com coletivos ou organizações de cultura e de juventude que tem propósito semelhantes, como a Ação Cultural, coletivo/organização da qual o professor Zezito também faz parte e que realizou  alguns saraus em garagem, salão de clube e em igreja.

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