sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Hoje é dia de orgulho nordestino. Dia do nascimento de Seu Luiz Gonzaga. Um dos mais queridos.

Momentos especiais para mim foi a coordenação da Caravana Luiz Gonzaga Vai a Escola nos anos de 2012 e 2013. Após ter dirigido o Complexo Cultural "O Gonzagão", de 2007 a 2009, em meio a momentos de alegria e de tensão, mas sentindo a presença forte, como uma "força estranha" do velho Luís Gonzaga ao meu lado em alguns momentos. O que me levou até aos prantos, em algumas ocasiões.
Estamos pensando em retomar uma pequena amostra da Caravana Luiz Gonzaga em 2020 para circular em escolas, centros comunitários, igrejas e etc..
Em tempos de um governo demolidor da cultura, como é caso de Bozonazi, não dá para retomar muito mais que um pequena parte da Caravana Luiz Gonzaga.
Mas sempre dá para fazer alguma coisa, até mesmo porque a arte e a cultura sempre resiste e atravessa os piores temporais ou tempestades. E quando o sol renasce, ainda ressurge com mais força.
Zezito de Oliveira
30 Anos sem o Rei do Baião
[*] Thiago Gonzaga

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Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, que cantava acompanhado de sanfona, zabumba e triângulo, levou a cultura musical nordestina para todo o país. Várias das letras de suas músicas, descreviam a luta, as tristezas e injustiças sofridas pelo povo sertanejo.

Nasceu no dia 13 de dezembro de 1912, numa casa de barro batido na Fazenda Caiçara, povoado do Araripe, a 12km da área urbana do município de Exu, extremo noroeste do estado de Pernambuco, a 610km de Recife. Foi o segundo filho de Ana Batista de Jesus Gonzaga do Nascimento, conhecida na região por 'Mãe Santana', e oitavo de Januário José dos Santos do Nascimento.

A cidade de Exu fica no sopé da Serra do Araripe, e inspiraria uma de suas primeiras composições, "Pé de Serra". Seu pai trabalhava na roça, num latifúndio, e nas horas vagas tocava acordeão; também consertava o instrumento. Foi com ele que Luiz aprendeu a tocar. Muito jovem, já se apresentava em bailes, forrós e feiras, de início acompanhando seu pai.
Autêntico representante da cultura nordestina, manteve-se fiel às suas origens mesmo seguindo carreira musical no sudeste do Brasil. O gênero musical que o consagrou foi o baião. Canção emblemática de sua carreira, "Asa Branca", resultou de sua parceria com o advogado, político e compositor cearense Humberto Teixeira. Essa música foi um dos primeiros grandes sucessos nacionais de Luiz Gonzaga. O disco original, lançado pela RCA, no dia 3 de março de 1947.

Segundo Gonzaga, a música nasceu como toada, com raízes folclóricas. A belíssima letra retrata o sofrimento do povo do Sertão do Nordeste brasileiro em face da seca que assola periodicamente a região. "Asa Branca" foi gravada por diversos cantores e instrumentistas, entre eles Dominguinhos, Baden Powell, Caetano Veloso, Elis Regina, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Xangai, Zé Ramalho e Raul Seixas.
A relação entre o casal era boa no início, mas depois começou a se desestabilizar e tornar-se conflituosa, levando Odaléia a sair de casa com o filho, com menos de dois anos de convivência. Luiz a buscou na pensão onde ela voltou a viver, e não aceitava que ela saísse de casa, mas depois decidiu deixá-la com o filho. Léia, então, voltou a trabalhar como dançarina e cantora, e criou o filho sozinha, mas Luiz a ajudava financeiramente e visitava o menino.
Em 1945, Luiz Gonzaga conheceu, em uma casa de shows da área central do Rio, uma cantora de coro e samba, chamada Odaléia Guedes dos Santos, conhecida por Léia. A moça estaria supostamente grávida ao conhecer Luiz. Foram morar em uma casa alugada, e Luiz assumiu a paternidade do bebê, dando-lhe seu nome: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, que acabaria também seguindo a carreira artística, tornando-se o cantor Gonzaguinha.
Em 1946, Luiz voltou pela primeira vez à sua cidade natal, Exu, e reencontrou seus pais, que havia anos não tinham notícias do filho. O reencontro com seu pai é narrado em sua composição "Respeita Januário", em parceria com Humberto Teixeira. Ele ficou alguns meses vivendo com os pais e irmão, mas voltou ao Rio de Janeiro.
Ainda em 1947, a sua primeira companheira Léia morreu de tuberculose, quando seu filho Gonzaguinha tinha dois anos e meio. Luiz queria levar o menino para morar com ele e pediu para Helena criá-lo como se fosse dela, mas ela não aceitou, assim como sua mãe Marieta. O casal na época ainda não tinha adotado Rosa, e Helena queria uma filha, não um filho, e também não queria nenhuma ligação com o passado do marido, o mandando escolher entre ela ou a criança.
Ao chegar ao Rio, ainda em 1946, conheceu a professora pernambucana Helena Cavalcanti, em um show que fez, e começaram a namorar. Ele precisava de uma secretária para cuidar de sua agenda de shows e de seu patrimônio financeiro, e antes de a pedir em namoro, a convidou para ser sua secretária.
Helena precisava de um salário extra para ajudar os pais, já idosos, com quem ainda morava, e aceitou. Nos dias em que não dava aula para crianças do primário, cuidava das finanças de Luiz em um escritório que ele montara. Eles noivaram em 1947 e casaram-se em 1948, permanecendo juntos até o fim da vida de Luiz. Não tiveram filhos. Helena não conseguia engravidar e o casal adotou uma criança, uma menina recém-nascida, a quem batizaram de Rosa Cavalcanti Gonzaga do Nascimento.
Entre os seus grandes sucessos estão, além de "Asa Branca", "Súplica Cearense", "A Feira de Caruaru", "No Meu Pé de Serra", "Assum Preto", "Olha Pro Céu", "Paraíba", "Cintura Fina", "Riacho do Navio", "Xote das Meninas", "Pagode Russo", "ABC do Sertão", alguns destes em parceria com o médico e compositor pernambucano Zé Dantas. [*] É escritor, pesquisador e professor. Mestre em literatura comparada (UFRN) e sócio bemérito da Academia Norte-rio-grandende de Letras.
   
Luiz decidiu manter o casamento, e entregou Gonzaguinha para que fosse criado por seus compadres, os padrinhos de batismo da criança, Leopoldina, apelidada de Dina, e Henrique Xavier Pinheiro. Este casal, apesar de muito pobre, criou o menino com seus outros filhos no Morro do São Carlos. Luiz sempre visitava Gonzaguinha e o sustentava financeiramente. Xavier o considerava como a um filho e lhe ensinava a tocar viola. O menino também os considerava como seus pais.
Luiz Gonzaga morreu no dia 2 de agosto de 1989, vítima de parada cardiorrespiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana. Seu corpo foi velado na Assembleia Legislativa de Pernambuco, em Recife e posteriormente sepultado em seu município natal.

Pedro Luan - Santo Forrozeiro
Caravana Luiz Gonzaga Vai a Escola


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