terça-feira, 24 de março de 2026

São Romero da América mártir: há 45 anos, o ódio da extrema direita silenciava Dom Romero, mas sua voz se fez esperança que não cala.

 24 de março de 1980 não é apenas memória, é ferida aberta na história e semente plantada no coração do povo. Nesta data, o ódio da extrema direita salvadorenha assassinou um santo, Dom Óscar Arnulfo Romero y Galdámez, um arcebispo que enxertou-se entre os pobres, defendeu sua causa e sofreu a mesma sorte deles: a perseguição e o martírio. Óscar Romero tombou como tantos anônimos que, com a coragem de quem fez da fé um compromisso, elevou sua voz em favor dos injustiçados. Tentaram calar sua voz e acabaram multiplicando seu eco. Ele não sangrou em vão. Porque toda vez que a injustiça levanta a arma, toda vez que um justo cai, levanta-se um povo. Romero não foi vencido: tornou-se esperança. Que o sangue derramado no altar nos lembre: a fé que não incomoda os poderosos talvez ainda não tenha aprendido a amar os pequenos. Mártir Óscar Romero, rogai por nós.   RFinco

Romero, mártir da caminhada nas frestas da Cristandade

Por Marcelo Barros

"Nesse ano, a celebração da memória do martírio de Oscar Romero ocorre na semana anterior às celebrações pascais. Tanto a memória da Páscoa de Jesus, como a de Romero não pode limitar-se a ofícios litúrgicos e pregações bonitas. Precisamos revestir-nos da mesma profecia de Jesus e de Romero para defender os povos crucificados de nossos dias e colocar-nos como testemunhas da ressurreição, junto às vítimas das guerras e tragédias que o Capitalismo provoca no mundo inteiro"

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  Na primavera de 1979, o arcebispo de El Salvador, Oscar Arnulfo Romero, viajou para o Vaticano. Pediu, implorou uma audiência com o Papa João Paulo II, mas em vão.

Finalmente, colocando-se na fila dos fiéis que esperavam a bênção ao final da audiência geral, Romero surpreendeu Sua Santidade para roubar alguns minutos.

Ele tentou entregar-lhe um relatório volumoso, fotos, depoimentos, mas o Papa não aceitou. "Não tenho tempo para ler tanta coisa", respondeu.

Romero balbuciou que milhares de salvadorenhos haviam sido torturados e mortos pelo poder militar. Que ontem não mais, o exército havia baleado 25 diante dos portões da catedral.

O Santo Padre o parou: "Não exagere, senhor arcebispo!" E então exigiu, mandou, ordenou: "Vocês devem se entender com o governo. Um bom cristão não cria problemas para a autoridade. A Igreja quer paz e harmonia!"

Dez meses depois, o arcebispo Romero foi fulminado em El Salvador. As balas o levantaram no meio da missa, quando ele estava levantando a hóstia.

GALEANO, Eduardo. Espelhos: uma história quase universal. Tradução de Eric Nepomuceno. 1. ed. Porto Alegre: L&PM, 2009.

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