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sexta-feira, 27 de abril de 2012

APOLÔNIO XOKÓ É O ENTREVISTADO DO PROGRAMA NO RITMO DA HISTÓRIA, APERIPÊ AM, DESTE DOMINGO. (29/04)


ENTREVISTA COM  APOLÔNIO XOKÓ, NO PRÓXIMO DOMINGO, 29 DE ABRIL, PROGRAMA "NO RITMO DA HISTÓRIA" NA APERIPÊ AM 630, NO HORÁRIO DAS 13 ÁS 14h. OUÇA TAMBÉM VIA INTERNET. http://www.aperipe.com.br/
Modos de ser e fazer Xocó!
Quando eles moravam na caiçara, o que plantavam era tudo dividido com o fazendeiro. Alguns tomavam dinheiro emprestado da colheita do arroz. Quando chegava a época da colheita, quem não devia ao fazendeiro recebia a metade de tudo o que era produzido. Por exemplo: se colhesse dois alqueires de arroz, um era para o índio que plantou e o outro para o fazendeiro. Porém os índios que deviam dinheiro para o fazendeiro, perdiam todo o arroz, pois ele levava tudo para a sua fazenda.

Quanto a pesca na lagoa, também tinha que ser dividida com o fazendeiro. Pescavam e os maiores e melhores peixes eram sempre para eles. Era dividido em 3 partes, o fazendeiro ficava com 2 partes e os índios com 1. Para os Xocós, restavam apenas os peixes ruins e menores.

A comunidade vivia como criado para os Britos, e os netos de João Porfirio. A aldeia plantava arroz, milho, feijão, algodão, e tudo era dividido. As vezes os Britos traziam farinha e milho podres, bichados, para eles comerem. Os fazendeiros não deixavam eles criarem boi, vaca , bode, e nenhum tipo de animal.

Entre 70 e 71, os Xocós passaram muita fome. Comiam cuscuz, e coalhada, e comiam sem açúcar e farinha, porque não tinham. Pescavam aratanha (Camarão pequeno, de água doce, que vive em cardumes) para comer e vender. Contudo a lagoa secou e acabaram os camarões.

Em contrapondo a alimentação dos Xocós sem os fazendeiros era muito sadia. A comunidade sobrevivia com frutas, feijão, arroz, milho, a pesca e a caça eram complemento das refeições. Comiam com suas maneiras, esquentavam na brasa, tiravam do fogo e comiam. Esse tipo de alimentação foi substituída com o tempo, porém ainda hoje existe a maneira própria como is índios fazem suas comidas. As comidas costumeiras são o peixe, carne de boi. Fazem o famoso arribação e o cuscuz. Comem caju, manga, banana, melancia e goiaba.

Destacarei agora sobre a educação dos Xocós, todos participantes da cultura, das festas e dos rituais.

A Educação vem da família, desde que nasce a criança vai adaptando as coisas do seu povo. Ter que respeitar os mais velhos, respeitar a natureza, sabendo distinguir o bom do ruim, ensinar como trabalhar na terra, na água (pesca), na caça, com o artesanato e ter que ir para a escola para aprender como é o mundo la fora. A escola tem a finalidade de incentivar a própria cultura Xocó, para que ela seja vivida e respeitada.

Ensinam a valorizar a terra, as plantas que tem utilidade para remédios, o Toré como ato de respeito e tradição e ter que ser consciente que o povo é um só.
 
A Escola na comunidade Xocó, começou a funcionar em 1980, na sacristia da Igreja. Com o aumento do numero de alunos, surgiu a necessidade de construir uma escola que atendesse todo mundo. Então em 1983, o cacique Daminhão dos Santos e o vice-cacique José Apolônio dos Santos reivindicaram junto ao Governo Estadual a construção da Escola Xocó. Foi construída no ano 2002, através do FUNDESCOLA, uma nova escola que funciona como anexo. Na comunidade funciona da pré-escola a oitava série do Ensino Fundamental.

Na categoria divisão de tarefas as mulheres da aldeia também trabalham na agricultura, algumas pescam e caçam, e também cuidam da horta. Todas lavam roupas de casa no Rio São Francisco que passa dentro da aldeia e para os afazeres de casa a comunidade tem água encanada.

As mulheres se preocupam com a casa para que esteja sempre limpa e para que ela e seus filhos tenham conforto onde dormem e comem. Também se preocupam com as crianças na escola, para que aprendam a ler e escrever.

Os homens trabalham também na agricultura, cuidam da pecuária, praticam a pesca e se preocupam com os problemas existentes na aldeia (Pois a comunidade não conta com policiamento nem delegacia), Ainda há uma preocupação com o sustento dos filhos e com a aprendizagem dos mesmos.

O povo Xocó sabe fazer muita coisa. Com a obra prima a palha, o barro, e a madeira. São feitos vários instrumentos, como o arco e flecha, borduna e, o maracá (instrumento musical) que é produzido com o cambuco. As roupas para o dia de comemoração são feitas de palha do coqueiro, produzidas pelas próprias pessoas da aldeia. O barro serve para produzir a cerâmica, como panela, bule, fogareiro, cuscuzeiro, xícara, caneca, caçarola, potes, conjuntos de potes, conjuntos de caçarolas e etc. Com o coco ou as pontas do boi há a fabricação dos anéis, as pulseiras e os colares. A sua importância é o trazer o artesanato para o dia dos índios, que servirá de renda.

Espero que tenham obtido alguma informação sobre a cultura Xocó e a sua importância nos dias de hoje. A “influencia” do fazendeiro para a alimentação indígena. E os modos de ser, e fazer dos índios Xocó.
Fonte:  http://paulofcamposs.blogspot.com.br/

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Programa radiofônico indígena na internet
O Programa de Índio, primeiro programa radiofônico feito pelos povos indígenas, teve seu acervo recuperado e estará disponibilizado em portal da internet. O site www.programadeindio.org será apresentado oficialmente amanhã (07), às 19h30, no auditório do SESC em São Paulo. A cerimônia contará com a participação dos apresentadores originais Ailton Krenak e Álvaro Tukano, além do coral Guarani Kekoá Pyau.

O projeto “Programa de Índio- história e histórias”, idealizado pela Ikore- projetos culturais e artísticos, em parceria com o Núcleo de Cultura Indígena, foi selecionado pelo edital Petrobras Cultural e possibilitou a digitalização e recuperação deste acervo, com 200 dos programas que construíram a primeira experiência radiofônica de povos indígenas do Brasil. O programa semanal com duração de 30 minutos, ia ao ar na rádio USP, nos anos 80, e foi o primeiro programa no Brasil a colocar os povos indígenas como protagonistas na mídia eletrônica. Com muita verdade, como se fosse uma conversa em volta do fogo, o programa trazia o som das aldeias, a música ritual, as cerimônias, além das informações sobre o cotidiano e as expectativas dos povos indígenas. Com essa iniciativa, a sociedade brasileira poderá ouvir novamente as vozes que fizeram o movimento indígena e ter acesso a mais informações sobre esse período e sobre a história do Brasil.

As raízes
A Rádio USP, ligada à Universidade de São Paulo, cumprindo o papel social de uma rádio educativa, tinha uma programação plural e com temática arrojada, aceitou o desafio e em junho de 1985 foi gravado o piloto, que foi ao ar logo em seguida como o primeiro de uma série de 220 programas diferentes, ao longo de 4 anos e 9 meses. A partir de 1987, o programa começou a ser distribuído para outras emissoras, entre elas a Rádio Universidade de Santa Maria/RS, Escola Federal de Engenharia de Itajubá/MG e Kaiowá de Dourados/MS.
Álvaro Tukano, Apolônio Xocó, Biraci Brasil, Daniel Cabaxi, Marçal Tupã-i, Marcos Terena, Paulo Bororo e muitos outros estavam há anos em um movimento de luta pela organização dos povos indígenas em torno de seus direitos. Pessoas de diferentes etnias, que entendiam a política e o pensamento dos “brancos”, vivendo, trabalhando, estudando nas cidades, elas buscavam interlocutores entre políticos e formadores de opinião, aliados e parceiros para embates com o governo, para a conquista de seus direitos e afirmação de sua identidade.

Tinham na bagagem viagens para fora do País, participação em encontros, seminários, espaços conquistados a mídia, alianças com instituições e intelectuais da época. Sabiam de “onde vinham, o que queriam e para onde iam”. A idéia do Programa de Índio foi gerada nesse ambiente, com essas lideranças, com a compreensão de que novos espaços deveriam ser abertos para a voz e o pensamentos dos povos indígenas.
O rádio foi escolhido como instrumentos por ser um meio democrático, conhecido e respeitado pelas comunidades indígenas, e por não exigir investimentos altos na produção dos programas. O desafio era encontrar uma emissora que abrisse espaço para um programa dirigido e apresentado por pessoas indígenas, com temática e formato definido por elas e que ainda tocasse a música tradicional.

Para ouvir,  clique abaixo:  



http://www.programadeindio.org/index.php?s=pi&n=programa&pid=158#

4 comentários:

AÇÃO CULTURAL disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
AÇÃO CULTURAL disse...

O programa "No Ritmo da História" com Apolônio Xokó fui muito legal. Quem ouviu e quiser enviar comentários, fique a vontade.

Edjane disse...

Não pude ouvir o programa mas fiquei espantada com a exploração de fazendeiros com os índios. É muita sacanagem!!!!!!!!!!

AÇÃO CULTURAL disse...

Edjane,

É mesmo se isso não acontece mais com os Xokós nos dias de hoje, temos muitas tribos que sofrem com isso, Vou postar um video de um grupo de rap indigena do Mato Grasso para você sentir o drama.

Valeu!!