CANAL DA AÇÃO CULTURAL

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terça-feira, 3 de novembro de 2015

A cultura e o pensamento critico na rua. Sarau Cultural 2015 no municipio sergipano de Siriri


 No último dia 31 de Outubro, estivemos mais uma vez presente ao Sarau Cultural no  município de Siriri,  na companhia de companheiros (as) da Ação Cultural e do Grupo de Danças Circulares – Nós na Roda.  A primeira vez aconteceu no ano de 2014, a convite do Padre Valdes, de Siriri,  o qual abraçou a sugestão do Padre Soares, de Aracaju, para  convidar um grupo de pessoas, alguns, integrantes das  Cebs e Cebi e que também são agentes culturais, para apresentar roda de danças circulares e temas sócio culturais  de interesse dos jovens que organizam o Sarau Cultural.

 


A iniciativa de formarmos esta  caravana informal de agentes culturais,  me lembrou outras experiências inesquecíveis com as quais tivemos contato, a Caravana Arco Iris por La Paz e a Caravana LuizGonzaga Vai a Escola. Também me lembrou duas canções do genial Milton Nascimento e de seus também geniais parceiros do Clube da Esquina. “Todo artista deve ir aondeo povo está” e “Aqui vive um povo que é mar e que é rio E seu destino é um dia se juntar.”  “Anovidade é que o Brasil não é só litoral É muito mais, é muito mais que qualquer zona sul Tem gente boa espalhada por esse Brasil Que vai fazer desse lugar um bom país.”


Nesta segunda-feira após a realização do Sarau Cultural,  encontro a declaração do sociólogo português, Boaventura Souza Santos na internet, corroborando o que pensa  àqueles que formaram a "trupe" de agentes culturais que se deslocaram à Siriri e a linha do raciocínio das canções selecionadas. "A cultura está habituada a estar na rua, de modo pacifico, construtivo e criativo, e portanto pode ser um grande  instrumento para ajudar-nos a sermos, no princípio do século XXI, rebeldes competentes".  O Sociólogo Boaventura de Sousa Santos participou do Seminário Cultura e Pensamento na última quinta-feira e dissertou sobre a interação entre os movimentos sociais e cultura. Para ele "as próximas décadas serão marcadas por fortes mobilizações de rua e a cultura pode oferecer um grande aporte à política.”

Os temas sócio culturais deste ano de 2015 foram a campanha contra  o extermínio da juventude e a violência doméstica. O primeiro foi abordado por quem escreve estas linhas e o segundo por Irene Smith. Quem selecionou e focalizou as dancas circulares foram Maxi Ferrreira e Maria Margarette.


Na apresentação do tema “campanha contra o extermínio da juventude” utilizei o trecho principal de uma conversa que tive com uma jovem integrante do ponto de cultura Juventude e Cidadania e que proferiu palavras fortes e tocantes sobre a realidade do Conjunto Jardim, bairro de uma das cidades que mais "crescem" no Brasil, Nossa Senhora do Socorro, integrante da região metropolitana de Aracaju. A  conversa ocorreu no inicio de 2014.



“Os nossos amigos de infância estão morrendo,  estão tudo indo embora. Toda semana morre uma média de 3 jovens, havendo semanas que esse numero chega quase a dobrar. A maioria dos que estão morrendo  estão com idade entre 15 e 20 anos. É raro uma casa que não tenha um jovem  morto pela violência.  Às vezes,  procuramos um amigo no face e o que encontramos no lugar da foto? A palavra   LUTO.

São noticias que já não interessa mais  aos jornais, de tão comum que está acontecendo. Quem mora na comunidade é quem sabe, vivendo  em meio a muitos casos de roubos, assaltos e arrastão na saída  das escolas, inclusive com tiros, criando uma situação de pânico e medo  para os estudantes e suas famílias. Até as festas de rua são perigosas, em uma seresta recentemente dois filhos e um  primo morto, da mesma família, baleados, os meninos morreram na rua, semelhante aos ratos, depois de ingerir chumbinho.

O que dizem aqueles adolescentes envolvidos com drogas e assaltos – Ninguém olha para nós.
 

Outro fonte importante que utilizei,  foi um trecho do manifesto contra o extermínio da juventude de Aracaju, escrito em 2014 e elaborado por Araripe Coutinho, jornalista e poeta que nos deixou há alguns meses. E por falar da violência em Aracaju. Sinistro! Aracaju é considerada uma das cinquentas capitais mais violentas do mundo e o Brasil aparece com quase metade das cidades  nesse triste  ranking
 
“A escalada da violência no município de Aracaju não é uma surpresa para quem acompanha a cidade e se debruça sobre seus indicadores. A maioria dos bairros não tem nenhuma biblioteca pública, não tem nenhum equipamento esportivo público, os postos de saúde não têm, na sua maioria, medicamentos; as delegacias, fim de semana, estão fechadas e não há nenhum centro cultural. Em todo o município, há proliferação de favelas, enquanto centenas de jovens entre 15 e 19 anos estão fora da escola, metade da população jovem, entre 15 a 24 anos, está desempregada e milhares de crianças (170 mil) necessitam de vaga em creche pública. Para se deslocar na cidade, o aracajuano passa em média 2 horas e 23 minutos por dia no trânsito (o equivalente a um mês por ano) e o transporte público, nos horários de pico, oferece condições sub-humanas. Para serem atendidas por um médico no posto de saúde público, as pessoas esperam em média 66 dias; para fazerem exames em laboratório, mais 86 dias; e, para procedimentos mais complexos, mais 178 dias.”



Para não ficar apenas no diagnóstico dos problemas apresentei uma obra de arte que indica alguns dados estatisticos e o começo da saída para a questão da pequena quantidade de negros que acessam o ensino superior, através de ações afirmativas como a politica de cotas. Apresentei também um exemplo de resistência dos descendentes atuais de nossas elites coloniais e escravocratas.




Um exemplo é o sistema de cotas: 6. Como serão preenchidas as vagas por critério racial? A totalidade das vagas reservadas para a cota (50%) será distribuída a partir do critério racial. Ou seja,  metade das vagas de qualquer instituição federal será  destinada aos ex-alunos da rede pública, mas deverão ser preenchidas por pretos, pardos e indígenas, em proporção à composição da população naquela unidade da federação em que a instituição se situa. Essas proporção será calculada a partir de dados do IBGE.  Por exemplo: em um curso com 100 vagas, metade será para cota social – 50 vagas. O preenchimento dessas vagas deverá atender, pelo menos, à proporção de pretos,  pardos e indígenas que vivem no estado.




Quem reagiu as cotas raciais, diferentes atores, principalmente veículos de imprensa como a revista Veja e parlamentares de partidos políticos como o DEM.  


DEM ajuíza ação contra o sistema de cotas raciais instituído por universidades públicas

A instituição de cotas raciais na Universidade de Brasília (UnB) foi objeto da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 186 ajuizada, com pedido de suspensão liminar, pelo Democratas (DEM) no Supremo Tribunal Federal (STF). O partido tem a finalidade de que seja declarada a inconstitucionalidade de atos do poder público que resultaram na instituição de cotas raciais na universidade.

http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=110990

A minha apresentação foi concluído com o clip da música "A Juventude quer Viver" , produzido por jovens da Casa da Juventude em Goiânia promovendo a Campanha A Juventude Quer Viver. A música é um grito contra a violência e em defesa da vida da juventude.

 


 A presença da nossa "caravana"  ou "trupe" informal de agentes culturais em Siriri,  por mais uma vez nos inspira a propor outras sugestões para fortalecer um intercâmbio cultural promissor. Na medida que forem viabilizadas, serão divulgadas para inspirar outros agentes culturais e/ou arte-educadores populares, de uns e outros lugares a seguirem nas  mesmas trilhas territoriais,  do litoral ao  sertão e vice e versa e as trilhas sonoras/dançantes/poéticas/visuais/cinematográficas/teatrais/circenses  que favorecem os encontros pacificos, construtivos e criativos, reafirmando as palavras de Boaventura Souza Santos.

 

 Uma das cirandas selecionadas por Maxivel e Margarette. Dançando e honrando o Cacique Siriri e todos os indios que habitaram aquelas terras e seus descendentes, mesmo que a memória de muitos dançantes/descendentes acerca disso,  tenha sido perdida ou apagada, de propósito.





Zezito de Oliveira - Educador e Agente Cultural

 Leia também:  http://www.sul21.com.br/jornal/sociedade-deve-ir-para-a-rua-diz-sociologo-portugues-boaventura-de-souza-santos/

 http://acaoculturalse.blogspot.com.br/2014/11/manifesto-contra-morte-de-jovens-na.html - o  manifesto completo de Araripe Coutinho

Para quem quer fazer formação em metodologias do trabalho social-educativo com linguagens artisticas e com discussão de temas e conceitos ligados ao pensamento critico, recomendamos: 

2016 – 29º Curso de Verão

ECONOMIA PROMOTORA DOS DIREITOS HUMANOS E AMBIENTAIS
6 a 14 de Janeiro de 2016

APRESENTAÇÃO

   
 IMAGEM 2016 - CópiaCrescem o clamor e a mobilização por políticas econômicas, social e ecologicamente responsáveis. Movimentos sociais e Igrejas apontam, com toda a clareza, que a economia está em função da reprodução da vida humana e do cuidado e preservação de toda a criação e não do deus dinheiro e do “deus” mercado.
     Tornou-se clara toda a gravidade da crise ecológica, com eventos extremos: de secas, inundações. A terra não é mais capaz de recompor suas perdas causadas pela sobre-exploração dos recursos naturais não renováveis, destruição acelerada das matas, rios e oceanos e pela contaminação do ar, que colocam em cheque nosso modelo civilizatório. O Curso de Verão de 2016 ira debater o tema, ECONOMIA PROMOTORA DOS DIREITOS HUMANOS E AMBIENTAIS.
    O Curso Soma-se à (C F E) de 2016, promovida pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs/CONIC: CASA, COMUM NOSSA RESPONSABILIDADE.
     A C F E estará voltada para o saneamento básico capaz de assegurar água de qualidade, esgoto e lixo tratados e coletados, com o lema tirado do Profeta Amós: Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca (Am 5.24).
     O Curso de Verão é um programa de formação popular no campo sócio-político­ cultural, a partir da realidade e seus desafios, à luz da Bíblia, Teologia, Pastoral e do empenho na transformação da sociedade. É um espaço ecumênico e inter- religioso de convivência, partilha de vida, intercâmbio de experiências, celebração  e  compromisso.  Com  especial  atenção  aos  jovens,  acolhe participantes de todas as idades, em busca de maior compreensão, respeito e equidade entre mulheres e homens, no esforço para transformar as pessoas e a sociedade, na linha da justiça, solidariedade e salvaguarda do meio ambiente.
   É um curso realizado em mutirão. Pessoas, famílias, comunidades, movimentos populares e instituições educativas e religiosas colocam-se gratuitamente a serviço de sua preparação ao longo do ano e de sua realização na PUC de São Paulo. O curso tem caráter nacional, organizado para um grande número de participantes. Oferece, ao mesmo tempo, atenção muito pessoal a cada cursista que é acolhido em grupos menores, dentro da metodologia da educação popular, que combina reflexão e criatividade, arte e celebração, vivência e compromisso.

 CONTEÚDO E ASSESSORES

1.Políticas econômicas e garantia de direitos sociais e ambientais.

         Leonardo Sakamoto: cientista social e político, professor do Departamento de Comunicação jornalística da PUC-SP.
2.Desafios ambientais contemporâneos e o saneamento básico.
Adriana Ramos: Membro do Conselho Diretor do Instituto Sócio Ambiental (ISA), assessora de políticas públicas para o meio ambiente e coordenadora da iniciativa amazônica. Brasília DF.
3.Os profetas, promotores da justiça, na defesa da vida e dos direitos dos pobres.
Dom Sebastião Armando Gameleira: Teólogo e Biblista. Bispo emérito do Recife da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) e membro do CEBI. Caruaru, PE.
4.Campanha da Fraternidade Ecumênica: Casa comum: nossa responsabilidade.
Romi Márcia Bencke: Pastora da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e Secretária geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC). Brasília DF

 DESTINATÁRIOS

Pessoas comprometidas com trabalhos pastorais, comunitários e com os movimentos populares e suas causas.

INSCRIÇÃO: Faça sua inscrição on-line no site do CESEEP: www.ceseep.org.br Valor

R$ 215,00 (Desconto para pagamento até 15-12-2015: R$ 195,00)
Almoço: R$ 97,00, equivalente  a 9 refeições restaurante da Puc. Por favor, traga o recibo do depósito do seu pagamento, no dia da chegada.
Hospedagem: Os participantes são acolhidos gratuitamente por famílias e comunidades comprometidas com o mutirão, para jantar,dormir e tomar o café da manhã.
Bolsa: A comunidade ou movimento, que confirmar a presença de 05 (cinco) participantes, terá direito a uma inscrição gratuita.
CURSOS CESEEP ANO 2015
 CURSOS PRESENCIAIS
CURSO LATINO-AMERICANO DE PASTORAL E RELAÇÕES DE GÊNERO
Data: 24 de janeiro a 13 de fevereiro de 2015
Tema – Sexualidade e dignidade humana
CURSO LATINO-AMERICANO PARA MILITANTES CRISTÃOS
Data: 01 a 29 de maio de 2015
Tema – Políticas migratórias: processos e construções identitárias
CURSO DE ECUMENISMO E DIÁLOGO INTERRELIGIOSO
Data: 24 de junho a 24 de julho de 2015
Tema: Educar para o respeito à diversidade religiosa e promover a justiça e a paz.
CURSO LATINO-AMERICANO DE FORMAÇÃO PASTORAL
Data: 02 de agosto a 26 de setembro de 2015
Tema – Mercantilização das cidades: desafio para os movimentos sociais, o estado e as igrejas.

CURSOS ON LINE

Ecologia: cuidar da vida e da integridade da criação
02 de março a 30 de maio
Juventude li: por políticas públicas inclusivas em educação, trabalho e cultura 02 de março a 30 de abril
Política e comunidades humanas: por uma prática popular transformadora

04 de maio a 30 de junho Redes digitais

03 de agosto a 30 de outubro Arte e educação popular
03 de agosto a 30 de setembro

LOCAL DO CURSO

PUC-SP – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – SP
Rua Ministro Godoy, 969 – Perdizes – São Paulo – SP
 

Assista também:

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