sábado, 2 de novembro de 2019

Conversas com quem gosta de ensinar e de aprender.



Freireanamente falando. Conversas sinceras  na escola em tempos de obscurantismo e de retrocessos  não será um ato revolucionário?

Quando cheguei a uma das escolas periféricas onde comecei a trabalhar no inicio desse ano, após a licença remunerada que gozei durante nove meses, perguntei no inicio sobre o que deveríamos fazer com alunos que não querem assistir as aulas. A pergunta não foi pelo fato de não ter algumas respostas, mas  por saber que isso é um desafio muito grande para ser deixado sob a responsabilidade de um professor apenas. Fiz por ter aprendido ainda na adolescência, que duas cabeças pensam melhor que uma e também por ter aprendido que conversando nos entendemos melhor. Fiz a pergunta por saber que essa situação  de quem não  quer ficar na sala de aula, não é uma questão do momento, vem de uma história de vida e familiar, de um contexto comunitário com pouquíssimos ou nenhum ambiente que complemente positivamente a  formação educativa e cultural proporcionada pela escola. Vem de uma cultura escolar.

Uma cultura escolar que pouco prezou as conversas dialógicas  com professores e alunos, do reconhecimento das capacidades intelectuais e práticas de quem vive o dia a dia da escola, agravada ainda mais nestes tempos de pressões do poder econômico  e seus lobbies,  voltados a venda de   pacotes empresariais que pensam a escola como uma espécie de fabrica à lá inicio do século vinte, em que "manda quem pode, obedece quem tem juízo".


O artigo abaixo ajuda a melhorar o debate.

Bolsonaro para os pobres, Paulo Freire para os ricos


" Outra maneira de fazer educação é possível". O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe (SINTESE)    e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) bem poderiam iniciar uma campanha de âmbito local e nacional com este mote. 

Uma campanha que apresente as diversas maneiras encontradas por profissionais em Sergipe e país a fora para construir uma educação democrática e de qualidade. Ao mesmo tempo, que faca críticas fundamentadas baseadas em pesquisas e estudos acadêmicos às propostas autoritárias e verticais que o Governo de Sergipe sempre tentou implantar, mesmo quando teve como governador um representante do Partido dos Trabalhadores.

Esse campanha pode investir em parcerias com universidades e centros de pesquisa, para a  produção de relatos de experiências pedagógicas exitosas na perspectiva democrática, tanto com relação a participação como a aprendizagem. Esses relatos podem ser apresentados por meios de artigos acadêmicos, como através de vídeos . O ideal é que sejam nos dois formatos.

Em termos de comunicação com o grande público, a campanha pode investir em um site repositório dos trabalhos de pesquisa/estudo, vídeos e etc. Pode criar um canal permanente no you tube, com um programa simples,didático e criativo para apresentar um resumo das pesquisas/estudos e relatos.

MAIS AMOR POR FAVOR E UM POUCO MAIS DE CONHECIMENTO SOBRE PAULO FREIRE E DE TEORIA E PRÁTICA ANARQUISTA TAMBÉM.

Levará um tempo para rompermos com a educação bancária. O tempo que durará isso, será o tempo que levarmos,  para desconstruir dentro de nós , a noção de poder incutida em nós mesmos,  por tantos anos de educação autoritária,  vertical, hierárquica e elitista,  na família e na igreja, como também na escola.

Parabéns aqueles que compreendem e fazem educação libertadora ou emancipadora, nas famílias, nas comunidades religiosas, nas organizações, coletivos e movimentos sociais.

Também nos sindicatos e nos partidos. Mas cuidado, pelos temas, formatos de escolha e  pelo padrão metodológico de apresentação e discussão -  as ideias e ideais  progressistas podem não corresponder aos fatos.
Corroborando o que disse o amigo Ser Pensante:

"Meus inimigos estão no poder"
O inimigo é o poder.
Abra mão do poder sobre os outros.
Sem patrões, sem padrões.

Para saber mais sobre o termo educação bancária.

O video abaixo avança no debate  da questão proposta  acima:



UM SENTIDO PARA A VIDA

A questão da socialização ou da interação entre adolescentes e jovens sempre foi um tema que me interessou. Em certa medida, quando adolescente vivi essa experiência e mais ainda quando completei 18 anos. Mais na frente, jovem adulto, passei a ser um dos pivôs importante disso. Como pode ser acompanhado em nossos artigos sobre a Amaba/Projeto Reculturarte e etc..

Hoje, 01 de novembro de 2019, conversando com uma aluna entre outras coisas, sobre o te
mpo em que ela andou com depressão, sobre quando juntou-se à meninas que gostavam de beber como forma de socialização e da vez em que tomaram um porre tão grande que uma delas ficou desacordada pelo excesso. Lembrou sobre quando andou com uma turma de garotos da pesada e etc.

Como chegaram mais duas alunas e um aluno, conversamos sobre as igrejas como espaços de diálogo acerca de questões ligadas a juventude, considerando que todas elas frequentam igrejas evangélicas. Acerca disso me disseram: Em uma igreja, as conversas com os jovens são mais abertas, incluindo a sexualidade. Já em outra, pouco se discute, priorizam os casais, porém sob um viés conservador, como no fato de considerarem masturbação como pecado, diferente do que pensa a menina, a qual considera uma questão inerente a nossa humanidade. Já em outra igreja, o tema da sexualidade é considerado tabu. Nada ou quase nada se fala a esse respeito.

Semelhante a elas, o aluno que entrou na roda de conversa tem potencial de interesse e gosto por leitura, e por se expressar verbalmente, ficou certo de uma delas e o rapaz, ficaram responsáveis por apresentar uma aula na sala para os colegas. O que já tinha sido objeto de conversa entre nós tempos atrás.

No final da conversa, sugeri ao grupo para se reunirem afim de trocar ideias em torno de temas com leitura de textos antes de um bate papo, assim como filmes provocadores. Me coloquei a disposição para colaborar, assim como sei de outros professores que também se disporão.

Fiz isso por saber o potencial imenso que estamos perdendo, ao não compreendermos o quanto crianças, adolescentes e jovens precisam de condições e oportunidades para poderem interagir, construir  e/ou reconstruir sentidos, além de se prepararem melhor para a vida, para o ensino médio, para a vida afetiva e profissional e etc. Um bom texto para aprofundar argumentos acerca dessa necessidade.
Sobre o trabalho com crianças, adolescentes realizados na Amaba/Projeto Reculturarte.
terça-feira, 8 de outubro de 2019
AMABA/PROJETO RECULTURARTE – O ESQUECIDO CÍRCULO DE CULTURA DA ARACAJU DOS ANOS DE 1980 E 1990

O QUE AS ESCOLAS PUBLICAS PRECISAM APRENDER COM AS ESCOLAS DE SAMBA.

Escrito em 19 de setembro de 2019. Hoje foi o dia  de ver a quanto anda o grau de alienação e de ensino descontextualizado em algumas  escolas públicas em termos de desfiles. A primeira escola passou  em frente a minha casa no Siqueira Campos no horário da manhã . A segunda passou agora a tarde em frente a casa de um amigo , aqui no Bairro Industrial onde me encontro. As duas citaram a Amazônia. A primeira em um carro de som, sem nada a mais fazendo  referência, nem faixa ou cartaz. Também houve uma fala pela defesa da escola pública. Porém , nada mais que isso. Já a segunda estava cheia de adereços e alguns cartazes referente a temas ou questões diversas, mas  um com referência bem "neutra " a Amazônia. Somente com o nome escrito em letras grandes e coloridas.


Um texto para aprofundar o que está escrito acima: 

De onde saiu o tiro, também saiu a Tuiuti. Mais educação e incentivo a cultura e menos policia e censura.



Para ir além e bem mais fundo no que estamos tratando. UM TEXTO NECESSÁRIO DO SITE OUTRAS  PALAVRAS.

 Zezito de Oliveira.


i] Licenciado em História (UFS); especialista em Arte-Educação (FSLF); professor de História na rede pública de ensino; agente/produtor/assessor de iniciativas culturais de base comunitária. Contato: zezitodeoliveira@gmail.com


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