“Então era isso mesmo? Existia um plano? Enquanto os entrevistadores se vestiam com um ar sério e incorruptível, parecia natural acusar o outro, porque ali, naquele jornal, ali sim mora a honestidade acima de qualquer suspeita.
Como se chama aquilo? Jornalismo investigativo? Qualquer pedaço de frase que a Polícia Federal diz é usado como prova definitiva. Todos os policiais da Polícia Federal são incorruptíveis???? Vocês garantem??? Isso é denúncia? Denúncia de quê? Lula é um candidato e não está envolvido em nada! Aonde vocês querem chegar?
A metade da entrevista foi sobre pedaços de frases, fotografias, suspeitas, nenhuma prova. A ideia era, outra vez, aumentar suspeitas sem provas sobre Lula?
O Mendonça quebrou o sigilo bancário do Fabio Luis em janeiro e não encontrou NADA. Mas vocês continuam nessa batalha para derrubar Lula. Descaradamente agora.
Assisti hoje jornais da Gnews e me surpreendi com o enorme tempo gasto unicamente com a primeira parte da entrevista de Lula ao JN. Suspeitas.
Tudo o que Lula tentou dizer sobre Brasil, educação, economia, segurança, parece que a maior emissora de TV do país não deu nenhuma importância.
Os projetos, o olhar que Lula tem sobre o Brasil, aliás, o único candidato que tem um projeto democrático de país, não despertou o menor interesse da Globo.
Se este país cair outra vez nas mãos da extrema direita estúpida, inimiga da educação, da cultura, dos projetos sociais, nós, brasileiros, saberemos identificar os responsáveis por isso.” NEIDE DUARTE. Repórter. In: Instagram
"Quando vocês tiverem dúvidas quanto a que posição tomar diante de qualquer situação, atentem: Se a Rede Globo for a favor, somos contra. Se for contra, somos a favor!"
( frase dita por Leonel Brizola em seus discursos políticos e comícios ao longo das décadas de 1980 e 1990.)
O direito de resposta conquistado por Leonel Brizola em 1994 decorreu de um editorial publicado pelo jornal O Globo em 1992 que criticava sua gestão como governador do Rio de Janeiro. Após uma batalha judicial de dois anos, a Justiça determinou que a Rede Globo lesse em horário nobre a defesa redigida por Brizola, resultando em mais de dois minutos de críticas diretas à emissora no Jornal Nacional.
Leia a íntegra do direito de resposta do governador Leonel Brizola no Jornal Nacional, da TV Globo. O texto foi redigido em 1992:
"Em cumprimento à sentença do juiz de Direito da 18ª Vara Criminal da Cidade do Rio de Janeiro, em ação de direito de resposta, movida contra a TV Globo, passamos a transmitir a nota de resposta do sr. Leonel de Moura Brizola.
'Todos sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça. Aqui cita o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado perante o povo brasileiro. Quinta-feira, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar editorial de 'O Globo', fui acusado na minha honra e, pior, apontado como alguém de mente senil. Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador Roberto Marinho, que tem 86 anos. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si. Não reconheço à Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos, que dominou o nosso país.
Todos sabem que critico há muito tempo a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou na quinta-feira, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípios. É apenas o temor de perder o negócio bilionário, que para ela representa a transmissão do Carnaval. Dinheiro, acima de tudo.
Em 83, quando construí a passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar de todas as formas o ponto alto do Carnaval carioca. Também aí não tem autoridade moral para questionar. E mais, reagi contra a Globo em defesa do Estado do Rio de Janeiro que por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior.
E isso é que não perdoarão nunca. Até mesmo a pesquisa mostrada na quinta-feira revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado. Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade. Seria antes um dever para qualquer órgão de imprensa, dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção.
Quando ela diz que denuncia os maus administradores deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante do seu poder.
Se eu tivesse as pretensões eleitoreiras, de que tentam me acusar, não estaria aqui lutando contra um gigante como a Rede Globo.
Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado. Quando me insulta por nossas relações de cooperação administrativa com o governo federal, a Globo remorde-se de inveja e rancor e só vê nisso bajulação e servilismo. É compreensível, quem sempre viveu de concessões e favores do Poder Público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesma.
Que o povo brasileiro faça o seu julgamento e na sua consciência límpida e honrada separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis, gananciosos e interesseiros.'
assina Leonel Brizola."
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sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Conhecimento histórico para entender o embate da sabatina de ontem. Globo X Lula
O polêmico acordo financeiro de 1962 entre as Organizações Globo e o grupo norte-americano Time-Life, que injetou cerca de 5 milhões de dólares e tecnologia dos Estados Unidos na fundação da emissora, forneceu as bases econômicas e o modelo de negócios que transformaram o canal na maior potência de comunicação do Brasil sob as bênçãos e o alinhamento ideológico da ditadura militar durante a Guerra Fria, uma raiz histórica que ainda hoje alimenta críticas sobre a submissão do canal a Washington, como ilustrado em recente publicação, abaixo, que ironiza a emissora como a "melhor funcionária da Casa Branca" por ignorar o assédio de Donald Trump ao presidente do país durante uma entrevista de quase uma hora.
https://acaoculturalse.blogspot.com/2026/08/conhecimento-historico-para-entender-o.html
Candidatos mitômanos não entram em entrevistas para esclarecer o eleitorado, mas para sequestrar a credibilidade do jornalismo e dar aparência de informação às próprias falsidades. Diante deles, objetividade não significa tratar mentira e fato como equivalentes. Algumas sugestões que reuni com colegas professores de jornalismo (aqui resumidas, no UOL estão na íntegra):
1. Prepare-se antes: mapeie mentiras recorrentes, reúna dados e antecipe as falsidades.
2. Conteste na hora: uma afirmação falsa não pode seguir adiante como se fosse apenas uma opinião.
3. Use tecnologia: checagem em tempo real, pesquisa e IA podem municiar o entrevistador com ajuda de colegas nos bastidores.
4. Não manchete a mentira: destaque a ausência de evidências, e não a falsidade que o candidato deseja viralizar.
5. Use o sanduíche da verdade: apresente primeiro o fato, depois exponha a mentira e termine reafirmando a realidade.
6. Controle a metralhadora: interrompa avalanches de falsidades e obrigue o candidato a responder.
7. Exija provas: “especialistas dizem” ou “há estudos” não bastam sem nomes, documentos, números e fontes.
8. Não confunda equilíbrio com equivalência: imparcialidade é aplicar os mesmos critérios a todos, não colocar fato e mentira no mesmo nível.
9. Explique o perigo da mentira: falsidades políticas podem alimentar perseguições, provocar mortes ou justificar desmontes.
10. Não premie o mentiroso: evite transformar mentira em audiência e propaganda gratuita.
Quem chama cuidado de censura confunde liberdade de expressão com direito a desinformar. O candidato mitômano espera jornalistas intimidados pela acusação de parcialidade. Quando encontra isso, espreguiça-se. E a responsabilidade não é de uma pessoa ou outra, mas de veículos e do jornalismo.

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