informações sobre ações culturais de base comunitária, cultura periférica, contracultura, educação pública, educação popular, comunicação alternativa, teologia da libertação, memória histórica e economia solidária, assim como noticias e estudos referentes a análise de politica e gestão cultural, conjuntura, indústria cultural, direitos humanos, ecologia integral e etc., visando ao aumento de atividades que produzam geração de riqueza simbólica, afetiva e material = felicidade"
O problema da esquerda nas mídias sociais, segundo pesquisador de Harvard | Entrevista
Acrescido em 12/05/2022
Criadores do canal Meteoro: "Isenção é uma falácia"
Os criadores do canal Meteoro Brasil, Ana Lesnovski e Álvaro Borba, comentam a política nacional.
Produzir conteúdos informacionais com o canal Meteoro ou com a participação de jovens jornalistas como o Álvaro Borba. Fiquem ligados compas petro, Lula está certo!!!!
O Lula no momento da sua fala, na parte final do vídeo, deixa claro a necessidada de comunicarmos os melhores argumentos que defendem outra politica energética e industrial para o Brasil, conforme pode-e constatar na primeira parte do vídeo, de uma maneira que chegue a maioria da população trabalhadora, donas de casa e estudantes deste país.
Na sexta aula do Curso de Formação de Agentes de Combate à Desinformação, desenvolvido pela Rede Conecta e transmitido pela TV 247, é tratado o tema da “Dissolução cognitiva e guerra cultural: como opera a extrema direita”. João Cezar de Castro é Professor Titular de Literatura Comparada da UERJ, pesquisador do CNPq e ensaísta. Autor de 13 livros e organizador de mais de 20 títulos.
O fenômeno político mais importante nas décadas iniciais do século XXI é o avanço transnacional da extrema direita. Sua arma principal: a guerra cultural, ponta de lança do projeto político de despolitização da polis. Nesta aula, tenta-se entender o fenômeno recorrendo ao conceito de dissolução cognitiva (Leon Festinger), explicitando as afinidades estruturais entre a dinâmica do universo digital e a visão do mundo da extrema direita.
postado em 10/04/2022
Assista aos programas do pesquisador e professor da UFABC Sérgio Amadeu no Youtube..
Mensagem e link enviada para quem nos enviou o meme abaixo.
Solicita a quem enviou o meme para dizer em que leis ele votou contra o trabalhador e as populações vulneráveis.. Assim a mensagem fica completa, a fazer desse jeito acaba por promover o rosto e o nome dele, por sinal desconhecido para muita gente do povão.. Compartilhe junto este link também:: http://acaoculturalse.blogspot.com/2022/03/comunicacao-de-esquerda-como-fazer-para.html
acrescido em 20/04/2022
GOL
Luiz Carlos Azenha
Do ponto-de-vista eleitoral, o perdão do Coiso ao bandido parlamentar é perfeito.
Desloca o debate da pauta econômica para os “inimigos” togados que “impedem” o Coiso de trabalhar.
Engaja a militância na campanha com um inimigo claro: o “sistema”, que obviamente inclui Lula, Alckmin e o STF.
O Coiso é um “presidente de oposição” e, com este discurso, pode justificar sua incompetência jogando a culpa em terceiros.
Com parte da esquerda focada em atacar Lula-Alckmin num momento político crucial, Bolsonaro ganha contornos de favorito no segundo turno.
Há mais de quarenta anos, desde que Ronald Reagan assumiu a Casa Branca, os neoliberais trabalham pela destruição da esfera pública, com o discurso de "tirar o Estado das costas do povo".
É discurso tornado arma pelos ricos para não pagar impostos.
Reagan aplicou o "trickle down economics", que é mais ou menos o mesmo discurso que a ditadura militar fez no Brasil: o bolo tem de crescer, para depois distribuir.
No caso do ator de Hollywood, a riqueza ia se acumular de tal forma no topo que eventualmente "escorreria" como mel milagroso a encobrir toda a sociedade.
Papo de estelionatário.
Este discurso foi incorporado pela mídia corporativa global, razão pela qual as redações de jornais e emissoras de rádio e tv tiveram necessariamente de se tornar bastiões da direita (com disseminada caça às bruxas de quem discordava).
O objetivo é demolir a ágora, monetizar todo o espaço público, e é por isso que todos os nossos debates de hoje são travados em plataformas privadas (Facebook, Instagram, Google, Twitter).
Estas redes, ao sintonizar os algoritmos, escolhem qual discurso é o prevalente (o que explica a repentina queda de audiência de blogs brasileiros de esquerda já faz algum tempo, por exemplo).
O Facebook ganhou milhões de dólares com mentiras e meias verdades impulsionadas pela campanha de Trump, enquanto freia outros conteúdos produzidos absolutamente de graça para a plataforma.
Privatizou suas fotos, suas ideias. Cada pensamento seu postado nesta rede, de grátis, enriquece Zuck e os seus acionistas.
Ora, se estes bilionários, como o Elon Musk, são os primeiros beneficiários da chamada "elisão fiscal", a forma "educada" de sonegar impostos usando advogados caros, por que trabalhariam por Estados que promovem o bem estar social?
Se o dinheiro não fez o que Reagan previa, o "trickle down", o discurso fez. De tanto ser martelado, tornou-se senso comum.
Não me espanta mais ver gente beneficiária do Bolsa Família atacar a cobrança de impostos da qual se beneficia. Quem aí não conhece uma dúzia de pobres de direita?
Considerando o baixíssimo nível de politização da sociedade brasileira, torna-se um grande desafio para qualquer candidato encarar o senso comum e se eleger.
Para complicar, como observou minha filha Manuela, a cobertura de política da grande mídia brasileira parece um concurso de fofocas, que passa ao largo das questões nacionais relevantes. É disse-me-disse disfarçado de jornalismo.
O domínio dos plutocratas sobre a sociedade permite a eles terceirizar o poder formal aos palhaços da antipolítica, com o compromisso de que não farão absolutamente nada para atacar o modelo injusto e excludente -- pelo contrário.
O paradigma mudou de tal forma nos últimos 40 anos que os desafios da esquerda para se comunicar com a sociedade se tornaram enormes. É como se você fosse consultar um guia e descobrisse que as palavras estão repentinamente desaparecendo dele.
A enorme perplexidade da esquerda pode ser explicada em parte por isso. Quem se deu relativamente bem recentemente, como o Mélenchon na França e o Sanders nos Estados Unidos, teve de inovar não só no conteúdo, mas também na forma de entusiasmar os eleitores mais jovens.
Quem se deu bem? Quem conseguiu mobilizar algo que os jovens têm de sobra: a utopia e a energia para mudar.
"marinete nova, do
pneu azul, quando for me leve, para Aracaju...”
(cantiga
popular, domínio público)
Luiz Eduardo Oliva
Advogado,
poeta, ex-secretário de Estado dos Direitos Humanos e da Cidadania e membro da
Academia Sergipana de Letras Jurídicas.
Quem
escreverá a crônica da cidade de Aracaju? Tantas gerações, tantos momentos,
tantas aventuras alegro-melancólicas vividas que se apaga no tempo e perde-se
na memória. Dum arraial de pescadores, a cidade expandiu-se para o além mangue.
Metropolizou-se.
Quem
lembrará (e acreditará) que essa já foi uma cidade boêmia? Que havia um tal de
Gravatinha, um Trio Atalaia, uma Boate Segredo? Que já houve um cabaré num
lugar que era chamado de Vaticano sem papa onde reinou uma mulher com o
religioso nome de Candelária? Que já foi uma cidade com um único edifício – o
Atalaia, como a única praia e uma única música com este mesmo nome?
A
cidade cresceu, mas há o esquecimento da cidade que já foi. Outrora bucólica,
interiorana por sua gente que para cá migrou, Aracaju manteve nas pessoas um
pouco de cada cidade do interior sergipano. Coisinhas pequenas, brigas comuns,
crimes escandalosos, tudo aqui repercutia. Quem matou Carlos Firpo? Porque
história tão intricada, tão fantástica, tão novelesca como jamais novela alguma
reproduziu, até pouco tempo foi pouco estudada, não fosse o livro “Rua Lilás”
do meu xará, o grande Luiz Eduardo Costa? Porque Aracaju está fadada a
desmemoriar-se, a ser uma cidade estéril, despersonalizada, espoliada?Triste o fim de Policarpo Quaresma, ficou o
romance. Triste o fim do romance aracajuano, ficou a cidade.
Não
lamentamos, sequer veneramos os nossos mortos. Quem mais fala de Barrinhos, de
Henrique Souza - o jovem músico que se foi jovem, de Zé Rosa o símbolo do
socialismo sergipano, do Antônio Teles cantor de todas as noites, de Lisboa o
cabeleireiro ou Lisboa o cantor do Trio Atalaia. Quem se lembrará de Rubens
Chaves um dos nossos primeiros arquitetos que projetou a galeria Álvaro Santos?
Quem recorda Carlos Rubens ou Hilton Lopes? Quem ainda procura os textos
sergipaníssimos de Luiz Antônio Barreto, ou quem já leu “Um menino Sergipano”
de Genolino Amado, que foi da Academia Brasileira de Letras e que retrata a Aracaju
do início do século passado?
Porque
nossos símbolos perdem-se no tempo sem que entendamos os seus
significados?Pergunte se alguém sabe
dizer por que uma praça é mini golfe se
oficialmente seu nome é Getúlio Vargas? Pergunte se alguém sabe por que o nosso
maior edifício é chamado de Maria
Feliciana se lá está contida uma placa com o nomeEdifício Estado de Sergipe? E porque político nenhum se interessou
por propor na Assembléia Legislativa uma lei para de uma vez por todas
oficializar o nome daquela que já foi a mulher mais alta do Brasil e até
considerada por algum tempo a mulher mais alta do mundo e ainda é viva?
Porque existe uma Rua da Frente se não existe
uma Rua do Fundo? Porque o Bar do Meio ficava numa esquina enquanto a Clínica
dos Acidentados estava em frente à outrora casa do Dr. Guerra vizinho à casa do
Dr. Batalha? Porque motivo o Hotel Jangadeiro está no centro enquanto o Bar
Texano fica em uma região de praia?Porque na Praça Camerino ergueu-se uma estátua a Silvio Romero e na Praça
Fausto Cardoso há o Palácio Olímpio Campos se um foi apontado como o mentor da
morte do outro? E porque o parque Teófilo Dantas, que não é parque, ergueu-se a
estátua justamente do Monsenhor Olímpio Campos que tem o olhar voltado para a
estátua de seu desafeto na outra praça?
Aracaju
nasceu planejada, mas cresceu desordenada. Cidade de muitos contrastes e pouca
memória, nesse dezessete de março está com os seus 167 anos. Como estará o
sentimento do aracajuano, nascido ou não na cidade fundada pelo fluminense
Inácio Barbosa, para comemorar data tão significativa?Eleva o sentimento cidadão dos que nesta
cidade convivem para comemorar seu aniversário com a mesma fé, o mesmo afã, a
mesma paixão familiar com que, na vida privada, comemoramos as datas que nos
são significativas?
E a
nossa canção, a canção da nossa cidade? Viver Aracaju cantou Ismar Barreto. “Mirando as ondas do mar”, na praia de
Atalaia imortalizou em melodia Claudio Miguel. “Nossa cidade, cenário da ponte, entre o houvera e o haverá” solfejou
Paulo Lobo nas ruas de Ará. Na outrora Rua da Aurora, documentou Sergio Borges.
Alcides Melo cantou o Mercado Tales Ferraz onde “no céu de estrelas conversou com a lua e no chão de marquises deitou
sua alma”. Antônio Vilela cantou uma das mais belas músicas aracajuanas,
hoje esquecida, para a praia de Atalaia “sob
o céu azul a linda praia de Aracaju”. Chiko Queiroga e Antônio Rogério lembraram da Aracaju menina que é “nome tupi e ien-ien gatum tupiniquim”. “Nas marinetes da vida, brincando de manja
com os sonhos” em parceria que fiz com Lula Ribeiro cantamos
a Praia Formosa.
Como
fazer os aracajuanos entenderem o bem que se faz à cidade que se mora quando se
incentiva o sentimento bairrista de amor cidadão, de amor suburbano,
metropolitano coração? Bem que eu quis escrever uma crônica de amor, e o amor
estava em tudo que eu vi, nos becos, nas ruas, nas praças desta cidade, em tudo
quanto eu amei e amo. Mas como não tenho a verve do grande Antônio Maria,
cronista e compositor carioca nascido no Recife, fico cronista riachãoense que
penso viver (e reviver) a Aracaju dos meus sonhos, na cidade que me acolheu
quando para cá migrei do interior e todas as vezes que me distancio dela fico cantarolando
como na infância, aquela velha cantiga que dizia: "marinete nova, do pneu azul, quando for me leve, para Aracaju...”
PS: A foto que ilustra este artigo é uma
homenagema um dos maiores fotógrafos
aracajuanos, Lineu Lins, falecido no último dia 20 de fevereiro deste ano.
(**)
Artigo Publicado no Jornal da Cidade/SE, edição nº 14.573 de 17
a 21 de março de 2022, onde Luiz Eduardo
Oliva escreve quinzenalmente.
(***)
Agradeço a leitura, críticas são muito bem vindas, ajudam a melhorar os
próximos artigos.
Na Comunidade Católica Bom Pastor, bairro Santos Dumont, Aracaju.
Nos próximos dias 1, 2 e 3 de
abril realizaremos um conversão, mais uma grande roda de conversa sobre a
Campanha da Fraternidade de 2022. O convite é aberto para católicos, pessoas de
outras denominações cristãs ou outras religiões, ou mesmo quem não tem religião
definida.
O que é a Campanha da Fraternidade e qual a sua importância
e necessidade? Alguns links publicados
no blog ajuda a compreender bastante.... E há muito mais na internet, até
vídeos que se colocam de forma contrária.
E quem não é bobo sabe porque...
Uma frase bem conhecida de Paulo Freire pode ajudar a entender: “Quando a educação
não é libertadora, o sonho do oprimido é se tornar opressor.”
Logo, quem critica a Campanha da Fraternidade se
incomoda com o despertar da consciência e solidariedade cidadã, coletiva, de classe.
Com o a abertura dos olhos de quem sabe ler mas não sabe interpretar o texto,
além do pouco conhecimento de memória histórica....
Esta segunda roda será mediada por três educadores... No dia 01 de abril (sexta-feira) Hildebrando Maia assessor politico do SINTESE, contribuirá com a análise de conjuntura sobre a realidade atual da educação no Estado de Sergipe. Isso na sexta a noite.
No sábado pela manhã, 02 de abril, este que escreve contribuirá com um olhar sobre educação popular e participação social/cidadã nos textos base das CF de 1982 e de 1998.
No sábado a tarde, haverá uma apresentação do texto base da CF de 2022. Isso será realizado por Cláudio Caducha, com histórico de liderança sindical, educador popular/agente cultural e liderança politica (vereador e vice-prefeito na Barra dos Coqueiros).
A programação prossegue no domingo , 03 de abril, com a apresentação de um documentário sobre o Padre Josimo, avaliação desta segunda grande roda de diálogo, planejamento para futuras ações e etc...
A INSCRIÇÃO DEVERÁ SER REALIZADA ATÉ O DIA 28 DE MARÇO do corrente e o preço está está bem acessível, custa R$20.00 e cobre os lanches dos três dias e o almoço do sábado... Isso se torna possível por conta do patrocinio da seção local do Centro Ecumênico de Estudos Biblicos (CEBI).
O local, sede da Comunidade Bom Pastor, dispões de instalações adequadas para os dias de pernoite para quem mora longe e/ou preferir dormir no local. Neste caso é necessário trazer lençóis, toalhas, material de higiene pessoal e etc...
Quem for participar e não puder estar presente nos três dias, não há problema. Embora em dois dos três dias a programação será realizada apenas em um turno. Isso na sexta e no domingo. Durante o sábado será nos dois turnos (manhã e tarde).
Como já informado, a minha contribuição será apresentar um recorte dos textos base das CF 1982 e 1998, considerando os eixos temáticos educação popular e participação social cidadã..
Para quem puder fazer, há uma tarefa a ser levada por escrito e que será socializada nos subgrupos antes da minha intervenção... Quem não puder levar, será convidado a fazer no inicio da atividade educativa no dia 2 de abril (sábado).
TAREFA; Lembranças das Campanhas da Fraternidade (CF). Qual (is) a (s) campanha (s) que mais lhe marcou (aram) e por qual (is ) razão (ões). Escrever antes do encontro e levar. Se o texto for grande, fazer um resumo para apresentar no sub-grupo... Os textos poderão ser publicados no blog da Ação Cultural em data posterior ao encontro, a depender da liberação dos autores dos mesmos.
Para quem mora fora do estado ou para quem quiser rever, pretendo realizar uma sequência de duas lives onde apresentarei o mesmo conteúdo. A primeira acerca da Campanha da Fraternidade de 1982 e segunda acerca da Campanha da Fraternidade de 1998. Isso até o final do primeiro semestre...
Live do deputado estadual e professor Iran Barbosa, em comemoração aos 167 anos de Aracaju, com participação de Sarah França, arquiteta, urbanista e professora doutora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Sergipe (UFS); e Antônio Wanderley, professor de História das redes públicas estadual (aposentado) e municipal de Aracaju.
A força de grana que ergue e vorazmente destrói coisas belas.
Ana Luiza Libório no facebook
O que será?
E hoje festejamos mais um aniversário da cidade. E o que dizer sobre ela ?
Da infância tenho diáfanas lembranças: a colina do Santo Antônio com seus pés de sapoti e jenipapos. Meu tio morava na casa da encosta da encosta, àquela quase normanda, onde já aconteceu a Casa Aracaju. Lá passamos férias memoráveis entre árvores frondosas e enormes esquadrias de caixilho de madeira e vidro.
A Atalaia? Um imenso coqueiral. Em 1966 veraneamos por lá . Verão inesquecível para as crianças . Toda manhã íamos a praia, totalmente deserta, e a tarde pescávamos siris na maré do Apicum. A noite ficávamos no escuro, ainda não tinha energia elétrica, observando atentos a passagem da luz do antigo farol.
Na adolescência verdadeiro paraíso. Passear pelo comércio, visitar livrarias, lojas de tecidos e ir nos os armarinhos comprar contas e botões de madre pérola, uma rotina . O cachorro quente no Parque era programa certo nessas tardes descompromissadas.
Sábado a noite o programa imbatível era comer carangueijo na Atalaia. O Veludo o bar mais famoso. Talvez o primeiro grande empreendimento na Atalaia. O Manequito mais mocó e o Barraco para os descolados de então.
Cine Palace aos domingos, tomar sorvete na Cinelândia e na volta parar no relógio da Praça Fausto Cardoso ou, ainda, as matinees da Atlética, as noites dançantes do Iate e na Oxente, no Cotinguiba, onde só enxergávamos os dentes e roupas brancas.
Mas e a Aracaju pós pandemia? O que nos trouxe de aprendizado o isolamento e o mergulho na tecnologia?
Será que finalmente ingressaremos, urbanamente civilizados, no século XXI?
Será que o uber vai frear a demolição em massa que se abateu sobre o Bairro São José?
E os antigos casarões da Rua de Estância, a um passo do Rio Sergipe, sobreviverão?
E as casas modernistas da inigualável Rua da Frente, também?
Será que a zona de expansão vai enfim ser tratada como área de preservação paisagistica?
Será que o trabalho remoto vai resolver o problema da mobilidade?
Será que o preço dos combustíveis, a economia verde, ou mesmo a guerra, vai nos ajudar a virar a chave?
Voltaremos a morar perto do Centro, das praças, dos bancos e lojas e poder andar a pé pelas cidades?
Ou será que vamos repetir o equívoco de outras capitais desenhadas para carros em alta velocidade com calçadas estreitas e hostis aos pedestres? Será essa a cidade que queremos para morar?
Foto Hernani Romero Libório
Aracaju, parabéns pela existência; não pela forma e pelo local onde nasceu!
Firmo Santos no facebook
João Bebe Água tinha razão: a capital de Sergipe não poderia ter deixado de ser São Cristóvão.
Ao que se sabe, a capital de Sergipe foi transferida de São Cristóvão, uma cidade – para a época - com infraestrutura, com comércio, com serviços, com uma população urbana, com um conjunto arquitetônico considerável, para uma área inóspita, formada por mangues, lagoas, dunas e matagal, apenas por interesse os latifundiários, produtores de cana do Vale do Cotinguiba.
Ao contrário do que determinada corrente quer nos fazer crer, o que prevaleceu não foi o interesse da maioria da população; não foi uma visão futurista de Ignácio Barbosa, no sentido de criar uma capital “planejada”. Foi por interesse ou por pressão dos verdadeiros mandatários da época: os grandes produtores de açúcar e outros produtos manufaturados.
Quanto, financeiramente, deve ter custado para os cofres de Sergipe, abandonar uma capital, numa cidade – pode-se dizer – consolidada, para começar a construir uma cidade dentro de um charco?
Quanto, culturalmente, deve ter custado para o povo da então capital, São Cristóvão, ver o seu posto de capital ser derrubado a canetadas de deputados e de um governador?
Quanto, ambientalmente, perdeu Sergipe ao permitir que uma região frágil e ao mesmo tempo rica, do ponto de vista ambiental, fosse destruída? Neste ponto devemos dar um desconto porque, certamente, à época não se pensava sobre o impacto que seria trazer a capital para cá. E também devemos dar mais um desconto porque sendo ou não capital a área poderia estar, hoje, destruída da mesma forma.
Vindo para a atualidade, como a cidade e, principalmente, o seu povo é maltratado por aqueles que são eleitos para cuidar da cidade e do seu povo?
Como prefeitos, vereadores, governadores, deputados, senadores, se omitem diante do uso indevido da cidade por uma minoria gananciosa?
Como tais autoridades permitem que a cidade e o seu povo sejam agredidos e malcuidados, somente para beneficiar uma minoria?
Como tais autoridades usam os meios legais única e exclusivamente para dispor a cidade aos agressores e criminosos do meio ambiente?
Aracaju é uma cidade linda e tem um povo também muito ordeiro, muito receptivo, merece ser parabenizada diariamente, mas em todos os seus aniversários não há como deixar de lembrar do quanto ela (Aracaju) e o seu povo mais pobre “apanham” de autoridades e dos gananciosos.
Uma conhecida frase de Monteiro Lobato afirma que um país se
faz com homens e livros. Trazendo para a cidade de Aracaju, no dia do seu aniversário,
a comemorar 167 anos neste 17 de março de 2022, podemos partir da afirmação de Monteiro Lobato,
mas ir além: Uma cidade inteligente se
faz com homens, mulheres e histórias, histórias essas que poderão se perder com o tempo
ou que poderão se eternizar em livros, filmes, canções, fotografias, pinturas e
etc..
E por que cidade inteligente? Porque uma cidade inteligente tem um prefeito inteligente e cidadãos que sabem
o quanto é importante investir para que
mais e mais pessoas tomem posse das suas histórias, das suas próprias vidas, dos seus familiares, dos bairrros... Histórias da cidade para além do quadrado de pirro e dos grandes vultos ligados as famílias abastadas que herdaram a maior
parte destas terras, das suas riquezas naturais,
do resultado da exploração da força de trabalho local e das oportunidade de ascensão econômica, social e
intelectual.
Portanto estamos falando aqui de duas cidades, a cidade da burguesia
e a cidade dos trabalhadores, bem na linha do que é afirmado na conhecida canção
Cidadão e na menos conhecida Lamento Nativo.
E tomar posse das suas histórias, é acessar e saber contar
ou recontar histórias de diferentes tamanhos no tempo e no espaço, e assim vai o
morador de Aracaju aumentando de forma tranquila e resolvida o seu grau de
pertença a cidade, a coesão coletiva, a auto estima, o respeito e preservação
pelos bens históricos e culturais que nos chegam através da transmissão e preservação
de geração em geração.
Além de ter essa memória histórica da cidade como referenciais para o ensino aprendizagem e como fonte de renda, considerando os bons produtos culturais
que podem ser realizados com base nessa memória preservada, redescoberta,
retomada, difundida.
Assim, quantos postos de trabalho e arrecadação de tributos
pode proporcionar o investimento nisso
que estamos propondo acima? Tarefa para um prefeito “inteligente” secundado por secretários
idem não apenas o da cultura, como o das finanças, o da educação, o da comunicação,
assim como os técnicos e etc...
Além de ser tarefa para uma cidade que tem um significativo
contingente de cidadãos também “inteligentes” que sabem valorizar a produção
cultural e a história de sua cidade...
Cidadãos que consomem o produto cultural local e que demandam
do poder público e dos empresários o apoio e o incentivo necessário para que
essa produção possa cada vez mais, ter voz, ter vez e lugar....
A canção "Mercado Thales Ferraz" de Alcides Melo, na opinião do também músico, cantor e compositor sergipano Marcos Odara, é a música mais emblemática sobre Aracaju. É a Aracju na sua "essência" mais underground.
"Nas docas do porto
Nas bocas de fumo
Nos trapos dos guias
Nas feiras de cais
NO Beco dos Cocos
NA Ponte do Lino
Nos mictórios
Nos cabarés
O cheiro de povo
Se gruda aos corpos
Das prostitutas
Das verdureiras
Dos biscaiteiros
E carregadores
Dos camelôs
Da mendicância
E os pombos brancos, são meus irmãos, onde eles dormem eu adormeço..."
LP I Festival Sergipano de Música Popular Brasileira 81 - TV Sergipe - A primeira canção é "Mercado Thales Ferraz"
Esse é mais um registro histórico em homenagem aos 50 anos da TV Sergipe, o primeiro FSMPB-Festival Sergipano da Música Popular Brasileira, evento que aconteceu no ano de 1981 no ginásio Constâncio Vieira em Aracaju. Os apresentadores são Gilvan Fontes e Lurdinha Gusmão. Confira.