terça-feira, 8 de setembro de 2026

Cinemas de rua são patrimônio cultural. Longa vida ao Cinema do Centro

 O risco de descontinuidade do Cinema do Centro, em Aracaju, anunciado pela gestora AVBR para 15 de setembro, acende um alerta sobre a sobrevivência dos cinemas de rua no Brasil. Mais do que uma sala de exibição, o equipamento é espaço de formação de público, memória afetiva e resistência cultural — e sua continuidade exige atenção imediata do poder público, especialmente do Secretário de Cultura, Paulo Corrêa, cuja trajetória na produção cultural pode ser a chave para uma solução que mantenha viva a experiência coletiva da sétima arte na capital sergipana.

Recebi agora há pouco, AQUI,  de um amigo cinéfilo e habitué do Cinema do Centro, o comunicado da AVBR — empresa que gerencia a sala em Aracaju — sobre a impossibilidade de dar continuidade às atividades a partir de 15 de setembro.



Diante disso, como amante da sétima arte, não pude deixar de solicitar ao Secretário de Cultura de Aracaju, Paulo Corrêa, atenção redobrada ao pleito. E acredito que ele ouvirá com sensibilidade, porque um dos pontos que mais me fez comemorar  sua escolha para o cargo — e já tive a oportunidade de dizer isso a ele pessoalmente — é o fato de ser uma pessoa do chão da produção cultural, o que é raro em nomeações para esse tipo de função. Inclusive, encontrei Paulo Corrêa em algumas sessões do Cine Vitória,  fechado por decisão do governo estadual.

Aracaju precisa da continuidade do Cinema do Centro. Já temos um público de nível para apresentar o que a sétima arte pode oferecer — e esse público pode ser ainda mais ampliado com as sugestões apresentadas por frequentadores qualificados da sala Walmir Silveira durante a audiência pública realizada recentemente sobre o tema.

Por que os cinemas de rua são essenciais?

Os cinemas de rua como o Cinema do Centro não são apenas salas de exibição. São:

Espaços de formação de público: criam hábito cinematográfico, educam o olhar e ampliam o repertório cultural da cidade.

Patrimônio afetivo e arquitetônico: guardam memórias afetivas de gerações e integram o paisagismo urbano com sua fachada, marquise e história.

Polos de resistência cultural: em tempos de domínio das grandes redes e do streaming, mantêm viva a experiência coletiva do cinema — a tela grande, a sala escura, o encontro com o outro.

Equipamentos democráticos: quando geridos com subsídio público ou preços populares, garantem acesso à cultura para quem não pode pagar 

Âncoras de revitalização urbana: um cinema em funcionamento movimenta o comércio, o lazer e a vida do entorno.

O fechamento de um cinema de rua não é um evento econômico isolado. É um apagamento cultural. A cidade que perde seu cinema perde um pedaço de sua alma.

Em tempo: o termo francês “habitué”, que utilizei acima, não é referência ao casal de queridos cinéfilos professores de francês da UFS — mas a outro companheiro sergipano que, como este que escreve e vocês que nos leem, aprecia o melhor de todas as artes.

Zezito de Oliveira - Editor do blog da Cultura

Chame gente para dizer o quanto o Cinema do Centro é necessário e importante. Até porque, já não temos mais  o Cine Vitória.. 

P.S.: Deixei no instagram, AQUI,  da publicação o comentário abaixo. A tendência é estrear nessa semana. 

E nós aqui esperando a estreia de Gonzaguinha - Da maior liberdade e outros filmes do cinema nacional, resultado do momento virtuoso em matéria de politicas públicas de cultura em termos de nação.. https://acaoculturalse.blogspot.com/2026/08/vamos-lotar-as-salas-de-exibicao-de.html

Cine Walmir Almeida suspende atividades por tempo indeterminado e aguarda posicionamento da Secult Aracaju             Última semana de programação será até 14 de setembro; continuidade da gestão e da operação depende de novo Termo de Cessão e de apoio público.                                                                     https://clicksergipe.com.br/cotidiano/99/110211/cine-walmir-almeida-suspende-atividades-por-tempo-indeterminado-e-aguarda-posicionamento-da-secult-aracaju.html



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