Agente Cultura Viva de Natal faz o percurso entre a capital sergipana e a cidade histórica, onde descobre Dona Marieta e a força da queijadinha.
Recebi recentemente uma mensagem que me fez lembrar do quanto a cultura vive de encontros e afetos. Um agente Cultura Viva de Natal, entrou em contato comigo através do Mapa Cultura Viva , esteve em Aracaju a trabalho e quis aproveitar os intervalos entre os dias 2 a 6 para conhecer um pouco da nossa cultura local.
A troca de mensagens foi breve, mas reveladora:
"Bom dia, estou chegando em Aracaju a trabalho, mas gostaria de conhecer um pouco da cultura local e quero saber o que vai ter na cidade do dia 2 ao dia 6. Fui Agente Cultura Viva em Natal e peguei o contato pelo Mapa da Cultura Viva."
Perguntei se ele havia sido agente jovem através de algum pontão, e a resposta veio rápida:
"Isso, Pontão de Cultura e Comunicação do RN. Mas hoje não sou mais, mas meu interesse permanece."
Dentro das informações que dispunha e que procurei com outros companheiros (as) da Rede Cultura Viva de Sergipe, destaquei em um dos momentos uma visita à São Cristóvão.
Então veio o relato que mais me tocou. Nos poucos momentos livres que teve, ele conheceu São Cristóvão – a quarta cidade mais antiga do Brasil, com a Praça São Francisco tombada como Patrimônio Mundial pela UNESCO – e se apaixonou:
"Omi, conheci São Cristóvão no único tempo livre e me apaixonei. Acabei fazendo até um documentário com Dona Marieta kkkkk. Tudo no improviso."
E finalizou com a simplicidade de quem faz cultura com o que tem:
"Obrigado pela atenção, estava bem corrido mas deu certo!"
Uma visita que merece um roteiro à altura
Para esse companheiro da rede Cultura Viva, caso retorne – e para todos os que chegam a Aracaju em busca de experiência cultural – deixo algumas dicas do que acontece na capital sergipana.
📅 Programação cultural
Verificar programação do Teatro Atheneu, Teatro Tobias Barreto e SESC Aracaju – costumam ter espetáculos e outros tipos de atividades artisticas.
🎬 Para cinéfilos
O Cinema do Centro, no Centro Cultural de Aracaju , ainda é um reduto da sétima arte na cidade. Vale conferir a programação da sala Walmir Silveira.
🏛️ Para quem ama patrimônio
Uma visita a São Cristóvão – a apenas 20 km de Aracaju – é imperdível. O Convento e Igreja de São Francisco, o Museu de Arte Sacra e o centro histórico são parada obrigatória. Quem sabe não sai mais um documentário improvisado como o de Dona Marieta?
🎶 Para quem curte sons
A cena musical aracajuana tem roda de samba, forró pé-de-serra, músicos de barzinho , artistas de rock e etc.
🍽️ Para quem quer provar a terra
Não deixe de experimentar o caranguejo, o sururu e a moqueca sergipana. Os restaurantes do Mercado Municipal Antônio Franco, no Centro, são boa pedida.
O que move a cultura é o afeto
A conversa com esse agente Cultura Viva me fez lembrar que a cultura se faz com improviso, com encontro, com paixão. Não importa se o recurso é pouco ou se o tempo é curto – o que fica é a experiência, a memória e o vínculo com o lugar.
Que sua passagem por Aracaju seja tão inspiradora quanto o documentário com Dona Marieta. E que você volte sempre – para mergulhar mais fundo nessa terra de muita riqueza e diversidade cultural
Zezito de Oliveira.
CASA DA QUEIJADINHA - SÃO CRISTÓVÃO/SE
Dia 06.09.2026 resolvi dar uma volta em São Cristovão com meu camarada Luan antes de retornar à Natal. Entre arquiteturas, igrejas, encruzilhadas e caminhos, cruzamos com a capoeiragem de São Cristovão, com a Casa da Queijadinha e o atelier de Nivaldo Oliveira (estava sem bateria na câmera para registro).São Cristovão é uma potência do que é o Brasil profundo, que diz muito mais do que somos do que esse país midiático exportado escrito com "z".
A casa da queijadinha me chamou atenção, fomos provar e Martinha nos contou a história toda, junto com Dona Marieta. Que potencialidade é a tecnologia ancestral, a criatividade negra, a delicadeza e estética que leva a queijadinha. Inclusive só por se chamar queijadinha já é um ato político.
Descobrimos que aquilo era uma "pirataria", uma cópia do que seria uma queijadinha, aliás, muito melhor que o português. De quem precisava se afirmar quanto ao mundo e provar o doce do branco que depois, em São Cristovão, falavam que era doce para "preto e pobre", como disse Dona Marieta.
A forma de se colocar no lugar que merece, de se mostrar para o mundo dizendo "sei fazer melhor e sem nem ter ingredientes". Um recado do terceiro mundo vindo de São Cristóvão.
Que lindeza. Marieta sempre repetiu que é do trabalho, preguiça não cabe na casa dela, aliás, preguiça e doença de branco. Dor nas pernas é doença de branco. Para o negro não existe dor, mas também não existe o açoite. Sobra a potência, a criatividade, a força e a vontade de quem não para um segundo sequer de fazer queijadinha, por que ali está sua mãe, sua avó, sua bisavó que ela tanto queria ao lado para ver que ela conquistou uma casa na cidade alta, na praça principal e somente com a queijadinha. "Somente" porque a colonização nos faz pensar isso, mas uma queijadinha é e representa muita coisa.
Ela disse que além de queijadinha, ela era da maré. Precisei ir lá para conhecer ess e mangue que formou Dona Marieta. Se quiserem saber mais, busquem e vão até São Cristovão.
Créditos elaboração do vídeo:
Enzo dos Santos Gromzynski
Entrevista feita por:
Enzo dos Santos Gromzynski
Luan Caio Andrade Mota
Redes sociais:
Coletivo Guizo (@guizocoletivo)
Casa da Queijadinha (@casadaqueijada)
Atelier de Nivaldo (@atelier.nivaldo.oliveira)
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