quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

"Ócio demais faz mal", diz presidente do Republicanos contra o fim da escala 6x1 - O povo não tem dinheiro. Vai ficar mais exposto. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade?',

Fonte: Página Anarcomiguxos no Facebook

] Essa fala é interessante porque expõe claramente três pensamentos intrínsecos da classe dominante (e que infelizmente o pobre de direita não vai entender:

1) para a classe dominante, o pobres não podem ter tempo pra pensar. Daí sempre fazerem o possível para que os pobres descansem apenas o mínimo possível pra não colapsarem ou mesmo que trabalhem até a exaustão. Daí os ataques a qualquer feriado que exista no Brasil.

2) para a classe dominante os pobres não têm direito a festejar (vejam os ataques ao Carnaval). É uma ideia de que festejar seria uma "recompensa" ao "mérito"... e no capitalismo só tem mérito quem tem fortuna, logo, "permitir" que os pobres festejem seria como premiar quem "não merece". 

Embora eles sejam contra o Carnaval (por motivos religiosos) de uma forma geral, não teriam nenhuma problema se este fosse restrito aos "bailes de máscaras" de clubes privados ou aos camarotes do sambódromo. O "problema" é o Carnaval de rua onde qualquer pessoa pode simplesmente improvisar uma fantasia com o que tiver em casa e ir se divertir com amigos e vizinhos sem pagar nada por isso.


Eles abominam a ideia de pobres, com tempo livre, se divertindo.

3) para a classe dominante, principalmente a classe dominante dos países com histórico escravagista, essa história de "Deus, Pátria e Família" é um lema para os ricos, para eles pobres não têm família, eles produzem mão de obra. Até porque eles não pensam que os mais  pobres possuam sentimentos familiares. A continuação da fala desse cidadão é afirmando que os pobres não ficariam com a família se tivessem tempo livre, porque "os brasileiros não são assim".

Qualquer unidade de brasileiro que já tenha convivido com estrangeiros do Norte vai ter ouvido em algum momento sobre como povos do Sul têm uma vida girando em torno da família (tudo é feito em família e todos estão sempre juntos) enquanto no Norte saem de casa com 18 anos e às vezes passam anos sem falar com parentes (mesmo os pais).

E eu tenho certeza que ele só disse isso porque o que ele realmente pensa seria impublicável, sabendo que esse nível de pensamento elitista é aceitável para uma parte dos pobres e mesmo reproduzido por eles, eu tenho certeza que o que ele realmente gostaria de ter dito é muito pior


"Ócio demais faz mal", diz presidente do Republicanos contra o fim da escala 6x1
'O povo não tem dinheiro. Vai ficar mais exposto. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade?', questiona Pereira
26 de fevereiro de 2026, 06:57 h

Portal 247 - O presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), afirmou ter levado ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), preocupações sobre a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da jornada de trabalho 6x1. Em entrevista à Folha de São Paulo, o parlamentar declarou ser contrário à votação do tema em ano eleitoral e apontou possíveis impactos negativos para a economia brasileira.

Pereira relatou que externou sua posição diretamente a Motta e ouviu do presidente da Câmara que a tramitação da PEC buscaria assegurar protagonismo ao Legislativo diante da possibilidade de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentar um projeto de lei sobre o assunto.

Ao comentar a proposta, Pereira afirmou: “Estou muito preocupado. Eu já demonstrei ao Hugo Motta a minha contrariedade ao tema. Não é o momento para se debater. Poderia se debater em outro momento, mas em ano eleitoral é muito sensível, porque expõe a Casa [Câmara]. Às vezes até tem que votar [favorável] por conta de ser um ano eleitoral, porque o eleitor pode não entender bem se você votar contra, por exemplo. Eu estou preocupado”.

Ele argumentou que, conforme notas técnicas do setor produtivo, a mudança pode elevar custos. “Pelas notas técnicas do setor produtivo, vai encarecer mais ainda. Pode ficar ruim para todos, porque vai tirar mais ainda a competitividade do setor produtivo brasileiro”, declarou.

Sobre a decisão de pautar a matéria, Pereira relatou a justificativa apresentada por Motta: “Ele falou ‘vamos fazer um debate’. No momento que ele despachou para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), ele me disse: ‘Eu estou fazendo isso porque se eu não fizer, o governo vai fazer, então é melhor que a Casa tome o protagonismo’”.

Questionado sobre a comparação feita por Motta entre a PEC e marcos históricos como a criação da CLT e o fim da escravidão, o dirigente partidário afirmou: “Me surpreendeu um pouco. A CLT, com todos os méritos, tem muitos problemas. É só você comparar com os países com pleno emprego e economia mais pujante. A gente tem um abismo”. Ele também citou diferenças de custo trabalhista e tributário em relação a países europeus e à China.

Ao abordar a demanda por mais tempo de lazer, Pereira declarou: “Eu acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, a pessoa tem que ter lazer, mas lazer demais também, o ócio demais faz mal”. Ele acrescentou que a população enfrenta limitações econômicas: “O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?”.

Banco Master e investigações
Sobre o caso envolvendo o Banco Master, o deputado afirmou que as investigações devem seguir seu curso. “Isso é um negócio que você vê como ele começa, mas não sabe como termina. Está a cargo da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário”. Ele ressaltou que recursos públicos precisam ser apurados: “É dinheiro público. Tem que ser investigado e, se comprovadas fraudes e crimes, serão penalizados, não tenho dúvidas”

Pereira também destacou que o Fundo Garantidor de Crédito envolve recursos privados e que o sistema financeiro deve se organizar sob regulação do Banco Central

Disputa política e cenário eleitoral
No campo político, o presidente do Republicanos avaliou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ocupou espaço na direita após a prisão de Jair Bolsonaro (PL). “Não tem vácuo. Acho que foi ocupado por ele [Flávio]. Se o Bolsonaro apoiar você, você já sai com 20%. E tem 15% de antipetismo, aí já vai a 35%. Ele já está no segundo turno. São os números que estão aí”, afirmou

Ao comentar decisões tomadas pelo PL sem diálogo com outras legendas, declarou: “Não é uma coisa que ajuda no debate, na aproximação. [...] Isso distancia”. Sobre eventual apoio em 2026, disse que a discussão interna começará após o prazo da janela partidária

Questionado se considera que Jair Bolsonaro tentou um golpe de Estado, respondeu: “Eu acho que golpe de Estado você só dá se você tiver o apoio das Forças Armadas. Se tentou, não teve o apoio. Mas eu não sei. Não participei, não conheço, não me debrucei nos autos do processo que o julgou, então prefiro não dar essa opinião”

Pereira também afirmou não se incomodar com críticas ao Congresso e reiterou posições liberais na economia, defendendo privatizações amplas, com exceção de Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica Federal e Petrobras

Aos 53 anos, Marcos Pereira é advogado, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, está em seu segundo mandato como deputado federal e já ocupou o cargo de ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços no governo Michel Temer (MDB)


Ao atacar o fim da escala 6x1, o deputado federal Marcos Pereira acabou fortalecendo justamente a campanha por mais descanso. Ao sugerir que trabalhadores pobres não saberiam o que fazer com um dia livre a mais — associando de forma preconceituosa lazer a vícios e desordem — o presidente do Republicanos, partido de Tarcísio de Freitas, transformou um debate trabalhista em julgamento moral. O argumento mistura fé com política pública, confundindo Teologia da Prosperidade com Filosofia da Exaustão, e levanta uma questão central: cabe ao Estado decidir qual é o caminho da virtude de cada trabalhador?

Descanso não é sinônimo de desvio. Direitos trabalhistas não são ameaça moral. A história mostra que avanços como a jornada de oito horas enfrentaram resistência, mas se consolidaram porque equilibrar trabalho e vida fortalece a sociedade. A pergunta não é o que o pobre fará com mais tempo livre. É por que alguém precisa trabalhar seis dias seguidos para provar seu valor. O debate sobre a 6x1 precisa de dados e respeito, não de estigmas. Trabalhadores não precisam de tutela. Precisam de dignidade.






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