sábado, 3 de outubro de 2026

(8) Perfeição (Legião Urbana) e O que é, o que é (Gonzaguinha ) para tocar mentes e corações a favor da melhor decisão neste 04 de Outubro, incluindo càmara e senado.

 Entre Eros e Thanatos: pulsão de vida, pulsão de morte e a escolha brasileira

 Uma leitura psicanalítica e decolonial da polarização no Brasil

O Brasil é atravessado por um contraste profundo entre forças de ligação, cuidado e criação — que aqui chamo, metaforicamente, de pulsão de vida — e forças de dissolução, violência e morte — que chamo de pulsão de morte. Não se trata de reduzir a psicanálise a um rótulo eleitoral, mas de usar essa chave para pensar o pano de fundo da polarização atual, que não é apenas ideológica ou partidária, como, à primeira vista possa parecer. 

Essa ambivalência não nasce hoje. Ela se constitui na formação histórico-racial brasileira: colonização, escravidão, racismo, patriarcado e violência sexual sistemática contra mulheres indígenas e negras. Esses processos submeteram corpos e almas a uma violência colossal e ambígua, produzindo identificações e posições internalizadas: senhor e escravo, opressor e oprimido não habitam apenas o outro; habitam também cada um de nós, como herança colonial e como superego social. Isso nos confunde e nos torna, muitas vezes, perplexos diante de escolhas cruciais.

Neste momento eleitoral, essa disputa se condensa. De um lado, forças sociais, políticas e simbólicas que apontam para a vida, a democracia, o cuidado e a inclusão se reúnem em torno do nome de Luiz Inácio Lula da Silva. De outro, forças que favorecem políticas de morte, exclusão, violência de Estado e necropolítica se expressam na candidatura do filho de Jair Messias Bolsonaro. Mas é preciso rigor: nenhum lado encarna puramente Eros ou Thanatos. A psicanálise ensina que vida e morte caminham juntas, e que a escolha ética consiste em favorecer, dentro de nós e na nação, as forças de ligação, preservação e ampliação da vida.

Somos nós, descendentes desses homens e mulheres, que iremos às urnas neste domingo. Que a pulsão de vida — ou, melhor dizendo, as forças sociais da vida — prevaleçam em cada um de nós e no conjunto da nação, para que o voto em favor da vida, da vida em abundância para todos e todas, forme maioria, de preferência no primeiro turno.

Qual das duas canções abaixo pode representar melhor a escolha da maioria nas eleições deste domingo?  

As duas? Talvez...


Vamos celebrar a estupidez humana

A estupidez de todas as nações

O meu país e sua corja de assassinos covardes

Estupradores e ladrões


Vamos celebrar a estupidez do povo

Nossa polícia e televisão

Vamos celebrar nosso governo

E nosso Estado que não é nação


Celebrar a juventude sem escola, as crianças mortas

Celebrar nossa desunião

Vamos celebrar Eros e Tânatos

Perséfone e Hades

Vamos celebrar nossa tristeza

Vamos celebrar nossa vaidade


Vamos comemorar como idiotas

A cada fevereiro e feriado

Todos os mortos nas estradas

Os mortos por falta de hospitais


Vamos celebrar nossa justiça

A ganância e a difamação

Vamos celebrar os preconceitos

O voto dos analfabetos


Comemorar a água podre e todos os impostos

Queimadas, mentiras e sequestros

Nosso castelo de cartas marcadas

O trabalho escravo, nosso pequeno universo

Toda a hipocrisia e toda a afetação

Todo roubo e toda indiferença

Vamos celebrar epidemias

É a festa da torcida campeã


Vamos celebrar a fome

Não ter a quem ouvir, não se ter a quem amar

Vamos alimentar o que é maldade

Vamos machucar o coração


Vamos celebrar nossa bandeira

Nosso passado de absurdos gloriosos

Tudo que é gratuito e feio

Tudo o que é normal


Vamos cantar juntos o hino nacional

A lágrima é verdadeira

Vamos celebrar nossa saudade

Comemorar a nossa solidão


Vamos festejar a inveja

A intolerância, a incompreensão

Vamos festejar a violência

E esquecer a nossa gente

Que trabalhou honestamente a vida inteira

E agora não tem mais direito a nada

Vamos celebrar a aberração

De toda a nossa falta de bom senso

Nosso descaso por educação


Vamos celebrar o horror de tudo isto

Com festa, velório e caixão

Tá tudo morto e enterrado agora

Já que também podemos celebrar

A estupidez de quem cantou essa canção


Venha

Meu coração está com pressa

Quando a esperança está dispersa

Só a verdade me liberta

Chega de maldade e ilusão


Venha

O amor tem sempre a porta aberta

E vem chegando a primavera

Nosso futuro recomeça

Venha, que o que vem é perfeição


Eu fico com a pureza da resposta das crianças

É a vida, é bonita e é bonita

No gogó!


Viver e não ter a vergonha de ser feliz

Cantar e cantar e cantar

A beleza de ser um eterno aprendiz


Ah, meu Deus, eu sei, eu sei

Que a vida devia ser bem melhor e será

Mas isso não impede que eu repita

É bonita, é bonita e é bonita


Simbora, povo!


Viver e não ter a vergonha de ser feliz

Cantar e cantar e cantar

A beleza de ser um eterno aprendiz


Ah, meu Deus, eu sei, eu sei

Que a vida devia ser bem melhor e será

Mas isso não impede que eu repita

É bonita, é bonita e é bonita


E a vida?

E a vida, o que é? Diga lá, meu irmão

Ela é a batida de um coração?

Ela é uma doce ilusão? Ê-ô


Mas e a vida?

Ela é maravilha ou é sofrimento?

Ela é alegria ou lamento?

O que é, o que é, meu irmão?


Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo

É uma gota, é um tempo que nem dá um segundo

Há quem fale que é um divino mistério profundo

É o sopro do criador numa atitude repleta de amor


Você diz que é luta e prazer

Ele diz que a vida é viver

Ela diz que melhor é morrer

Pois amada não é e o verbo é sofrer


Eu só sei que confio na moça

E na moça eu ponho a força da fé

Somos nós que fazemos a vida

Como der, ou puder, ou quiser


Sempre desejada

Por mais que esteja errada

Ninguém quer a morte

Só saúde e sorte


E a pergunta roda

E a cabeça agita

Fico com a pureza da resposta das crianças

É a vida, é bonita e é bonita


Viver e não ter a vergonha de ser feliz

Cantar e cantar e cantar

A beleza de ser um eterno aprendiz


Ah, meu Deus, eu sei, eu sei

Que a vida devia ser bem melhor e será

Mas isso não impede que eu repita

É bonita, é bonita e é bonita


Simbora, povo!


Viver e não ter a vergonha de ser feliz

Cantar e cantar e cantar

A beleza de ser um eterno aprendiz


Ah, meu Deus, eu sei, eu sei

Que a vida devia ser bem melhor e será

Mas isso não impede que eu repita

É bonita, é bonita e é bonita (bonito!)


Viver e não ter a vergonha de ser feliz

Cantar e cantar e cantar

A beleza de ser um eterno aprendiz


Ah, meu Deus, eu sei, eu sei

Que a vida devia ser bem melhor e será

Mas isso não impede que eu repita

É bonita, é bonita e é bonita


Viver e não ter a vergonha de ser feliz

Cantar


Abaixo uma bela canção bônus na linda interpretação  de Bruna Caram e de Norberto Vinhas

DE VOLTA AO COMEÇO - Bruna Caram canta Gonzaguinha

A live completa.






Leila Diniz grávida, segurando uma flor, em um registro clássico de 1971 feito pelo fotógrafo norte-americano David Drew Zingg. 

A PEC que acaba com a escala 6x1 está parada no Senado desde que passou pela CCJ. Davi Alcolumbre marcou o início da discussão em plenário para terça-feira (6), dois dias depois do primeiro turno. Mas o destino da proposta pode ser decidido nas urnas neste domingo. 

Pesquisas apontam apoio de 70% a 80% da população ao fim da 6x1, com jornada de 40 horas e sem redução salarial. Ainda assim, a presidência do Senado adiou a votação sob o argumento de que ela poderia interferir na eleição. Conveniente: Lula defende a mudança, enquanto Flávio Bolsonaro se colocou contra.

Se Lula vencer no primeiro turno, a pressão pela aprovação cresce. Se Flávio vencer, aumentam as chances de rejeição, mudanças ou de um súbito apelo a “mais debate”. Se a eleição for para o segundo turno, tudo dependerá de quem sair mais forte no domingo.

O adiamento já favorece quem quer enterrar a proposta. Dois terços do Senado estão em disputa agora, momento em que parlamentares são mais sensíveis ao humor do eleitor. Foi assim na Câmara, onde 472 dos 513 deputados aprovaram a mudança, inclusive muitos que antes a criticavam. Depois da eleição, o cálculo muda. Senadores eleitos terão oito anos de mandato; derrotados terão pouco a perder. Cai a pressão das urnas e volta a falar mais alto o poder dos lobbies, dos jantares, das festas com astronautas nuas.

Adiar a votação não foi proteger a eleição de uma pauta oportunista. Foi proteger uma escolha política do julgamento dos eleitores. No domingo, o país não decidirá apenas quem governará a partir de 2027. Também decidirá o quanto o Senado se sentirá autorizado a continuar ignorando o que querem oito em cada dez brasileiros. 

Leia o restante do texto na minha coluna no UOL.


Em artigo publicado na revista Piauí nesta sexta-feira (02), o documentarista e fundador da publicação, João Moreira Salles, faz uma forte crítica ao empresariado brasileiro que se aproxima da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mesmo ciente dos riscos da extrema-direita no poder.
O texto estabelece uma distinção central: a diferença entre a massa de apoiadores que age por crença cega e as elites econômicas que compreendem o risco democrático, mas optam por ignorá-lo. Em atitude rara, o autor elenca grandes empresários que apoiam o candidato.
Para Moreira Salles, enquanto parte da população apoia o bolsonarismo movida por fé — buscando “acreditar em vez de compreender” —, o grupo que frequenta jantares corporativos com Flávio Bolsonaro pertence a uma elite instruída e com pleno discernimento histórico. São executivos que sabem que a trajetória da família é marcada pela exaltação de figuras como o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra.
Recorrendo a Hannah Arendt e Parul Sehgal, Moreira Salles questiona como as democracias são minadas, apontando que a erosão institucional ocorre quando indivíduos em posições de poder decidem "desviar os olhos" por conveniências pragmáticas ou cálculo de poder.
O fundador da Piauí elenca de forma explícita grandes empresários, banqueiros e lideranças que participaram de encontros com Flávio Bolsonaro. Entre os nomes citados estão:
📍Mercado Financeiro e Bancos: André Esteves (BTG Pactual), Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), Milton Maluhy Filho (Itaú Unibanco), Roberto Campos Neto, Marcelo Kayath, Emmanuel Hermann, Christian Egan e Daniel Goldberg.
📍Indústria, Varejo e Serviços: Flávio Rocha (Riachuelo), David Feffer (Suzano), Rubens Ometto (Cosan/Raízen), Richard Gerdau (Gerdau), Fábio Ermírio de Moraes (Votorantim), Fernando Marques (União Química), Paulo Skaf, José Galló (Renner) e Alexandre Ostrowiecki (Multilaser).
📍Energia, Logística e Outros Setores: Eduardo Bartolomeo (Vale), Pedro Parente, Mario Araripe, Fernando Simões, Eduardo Fischer, Roberto Dagnoni, Helio Seibel, Fabio Carvalho e João Camargo.




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