Sábado, 29 de Março de 2008

Centenário de Bernhard Wosien

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Centenário de Bernhard Wosien

Produção cultural também é questão do Estado

Alê Barreto · Porto Alegre (RS)

Uma sugestão para as eleições de 2008
Ao assistir os meus primeiros debates sobre cultura em Porto Alegre, sempre percebi que os discursos seguiam, em sua maior parte, ideologias político-partidárias. Achava que isto estava errado e que os assuntos do campo cultural não deveriam estar associados a assuntos do campo político.

Com o tempo, percebi que estava cometendo um equívoco. Se o mundo é um sistema e a maior parte dos problemas ambientais que assistimos ocorrem justamente pela excessiva visão fragmentada dos fenômenos, não teria cabimento eu querer separar cultura de política.

Apareceu então o seguinte problema: como vou me posicionar? Como vou agir? Pensei então que precisava conhecer as diretrizes e programas dos diferentes partidos e saber como agiam seus membros, para somente então assumir publicamente uma posição e ser coerente com minha opção.

Percebi que em geral, pelo menos aqui no RS, os partidos assumem três posições: 1) achar que no mercado está a solução de tudo; 2) achar que todos os problemas do mundo (inclusive os da cultura) têm sua origem no mercado; e 3) defender qualquer uma destas posições, no período que antecede as eleições e depois nada fazer. Aliás, “não fazer nada” depois que acabam as eleições é um fato comum nos candidatos que assumem as posições 1 e/ou 2.

Entendida esta questão, pensei em assumir uma das três posições. Depois vi que não concordo com nenhuma delas, pois o entendimento da dinâmica do campo cultural vai além de incluí-lo ou excluí-lo do contexto do mercado. Por fim, desanimei. Como em Porto Alegre (será só aqui?) a maioria das pessoas que trabalham com cultura se conhece, pensei que não valia a pena me expor publicamente apoiando iniciativas político-partidárias em prol da cultura, prevenindo assim desgastes posteriores, prováveis boicotes dos futuros partidos que viessem a assumir a administração municipal ou estadual.

O que ganhei com isso? A sensação de que algo precisava ser feito e que a minha posição “confortável”, à prova de conflitos, havia me engessado.

Pensando sobre isso lembrei da vídeo conferência de Debra Rowe, professora do Oakland Community College (EUA), durante o Simpósio A Universidade frente aos Desafios da Sustentabilidade em 2004, sobre mobilização estudantil para cobrar a implantação de uma política de desenvolvimento sustentável nas universidades americanas. Cheguei a conclusão que podia fazer algo.

Em 2006 constitui com músicos da banda com quem trabalhava o Coletivo Tarrafa, que desenvolveu atividades até julho de 2007.

Também comecei a produzir conteúdo para reflexão e organização do setor cultural. Primeiramente publiquei o artigo "Vamos Educar as Pessoas para a Produção Cultural?" para mostrar a lacuna imensa que temos em termos de formação para produção cultural. Na sequência, disponibilizei publicamente minha pesquisa sobre financiamento da música. Depois escrevi artigos falando da relação entre educação e a canção, do exercício da atividade de produção cultural e compartilhei informações sobre cultura colaborativa e software livre.

Minha última ação no sentido de contribuir para o desenvolvimento da cadeia produtiva da cultura foi a publicação do livro Aprenda a Organizar um Show.

A partir disso, comecei a receber e-mails de várias pessoas me dando um retorno de que estão lendo estes conteúdos, que situações parecidas ocorrem em suas cidades.

Acredito na importância de se educar as pessoas para a produção cultural. Quando falo em “educar para produção cultural”, não estou restringindo a aprender a encaminhar projetos para leis de incentivo. Me refiro a necessidade de se estruturar métodos de ensino que permitam aos jovens se interessar pelo trabalho com a cultura desde o ensino fundamental, se profissionalizarem no ensino médio e desenvolverem conhecimento de ponta em âmbito universitário.

Mobilize pessoas influentes em seu bairro, cidade ou região para pressionar candidatos a incluir educação para produção cultural em seus programas políticos e projetos de governo.

Feito isso, redija um documento e peça para que o candidato leia e assine.

Veja um exemplo:


COMPROMISSO PÚBLICO DE CANDIDATO


Eu, _______________________________, brasileiro, residente a

________________, portador de RG nº_________,

candidato a _____________________no município de

_______________________________,

pelo partido ____________________, me


comprometo publicamente a cumprir rigorosamente os compromissos a seguir:

• Apoiar, propor e votar em projetos de lei que destinem valores do orçamento público para criação e manutenção de projetos, programas, cursos, centros comunitários, escolas, centros de ensino técnico e universidades, voltados para formação de profissionais que trabalhem com produção cultural, em toda sua diversidade;

• Apoiar, propor e votar em projetos de lei que destinem valores do orçamento público para formação de professores da rede pública para atuarem como sensibilizadores para o trabalho com produção cultural no ensino fundamental;

• Apoiar, propor e votar em projetos de lei que destinem valores do orçamento público para capacitação de profissionais de produção cultural para atuarem como professores na formação técnica em produção cultural no ensino médio;

• Apoiar, propor e votar em projetos de lei que destinem valores do orçamento público para criação e manutenção de cursos de graduação e pós-graduação em áreas que abranjam a produção cultural e que atendam as demandas do Sistema Nacional de Cultura;

• Apoiar, propor e votar em projetos de lei que destinem valores do orçamento público para criação de editais para financiamento de publicações didáticas voltadas para o ensino de produção cultural;

• Apoiar, propor e votar em projetos de lei que destinem valores do orçamento público para criação de cursos de capacitação empresarial para profissionais de produção cultural atuarem como empreendedores, utilizando os conceitos da economia solidária.


Isso é somente um modelo. Você pode adaptá-lo ao contexto de sua cidade.

Mas o que realmente importa é fazer. Eu tenho certeza que não tomará tanto tempo do seu presente, mas pode mudar muito o nosso futuro.

Mesmo sendo a produção cultural "também" uma questão do Estado, cada indivíduo pode ser um agente de transformação para auxiliar a criar condições que ampliem nosso desenvolvimento através da cultura.

Sábado, 22 de Março de 2008

DANÇAS CIRCULARES - Uma Proposta Cultural de Educação e Saúde Integral



Alvaro Pantoja

Por que o ser humano dança?
(Veja também: http://www.youtube.com/watch?v=n3l5aGVmCzI )
Leia também: http://consorciocultural.blogspot.com/
“Que impulso irresistível leva o homem a dançar? Por que, ainda no estado natural mais primitivo, em lugar de economizar suas energias para encontrá-las mais intactas no momento da ação, necessária a seu sustento ou sua defesa, desperdiça-as em movimentos fisicamente esgotantes?
Sem dúvida, por uma necessidade interior, muito mais próxima do campo espiritual que do físico. Seus movimentos, que progressivamente vão se ordenando em tempo e espaço, são a válvula de liberação de uma tumultuosa vida interior que ainda escapa à análise. Em definitivo, constituem formas de expressar os sentimentos: desejos, alegrias, pesares, gratidão, respeito, temor, poder...
No entanto, esses sentimentos estão intimamente relacionados com a necessidade material do grupo humano primitivo. Necessidade de amparo, abrigo, alimento, defesa e conquista; de preocupação, saúde e comunicação. Tais requisitos levam-no, primeiro, a observar a natureza e a relação que existe entre os fenômenos naturais propícios ou contrários à sua necessidade. A cada uma destas manifestações ele atribui um espírito e uma vontade semelhantes à sua.
Para obrigar essa vontade a curvar-se ante a sua, ele inventa fórmulas mágicas, plasmadas em objetos miméticos que traduzem seus desejos. Assim nascem as formas artísticas de expressão: a dança, a pintura, a música, a palavra, o teatro. No princípio, todas estão unidas num só fato mágico e vão se separando com o desenvolvimento da cultura, até os tempos atuais, em que um refluir na busca faz desandar o caminho para refundi-las numa integração.” (OSSONA 1984)2
O primeiro impulso artístico da humanidade nasceu da observação da natureza. Para sobreviver, transformar-se e evoluir, as sociedades primitivas dançaram o ritmo cíclico do universo. A dança era a imitação das formas e dos movimentos da natureza. Como expressão simbólica, dançar era o reflexo tanto da regularidade terrestre quanto da celeste.3
O homem e a mulher antigos, na medida em que desvendavam as leis e os princípios de organização da realidade circundante, registrava-os no corpo através de movimentos rítmicos e significativos. A história da intimidade entre a dança e a linguagem dos padrões da natureza nasceu antes que os seres humanos pudessem gravar suas descobertas em rochas, tecidos, tatuagens. Pela dança, memorizavam os novos conhecimentos e asseguravam a sua transmissão para as gerações futuras. Dançar era, essencialmente, comunicar-se.
Tudo na vida é movimento: o Universo move seus sistemas, e cada sistema seus sóis, estrelas, planetas e satélites. As estações se sucedem ritmicamente, assim como o dia segue a noite, a Lua ao Sol. A vegetação evolui em ciclos rítmicos, sobem e baixam as marés, o ser nasce, cresce, decresce e morre.
O ser humano é testemunha e partícipe de todo esse movimento que o maravilha, e expressa em danças seu assombro, sua necessidade de compreensão.
A dança é uma das raras atividades humanas em que o ser humano está totalmente engajado: corpo, espírito e coração. Por isso, a arte de imitar a natureza através de movimentos rítmicos e repetitivos é uma virtude que torna o conhecimento definitivo, inesquecível. Além do mais, a dança é para todos. As histórias que ela conta são de domínio público e pertencem ao campo da participação geral, da colaboração instintiva.
“A dança, que nasceu e cresceu nas civilizações comunitárias e que se estilizou nas civilizações individualistas, nos dias de hoje pode contribuir significativamente para realização da síntese pela qual nossa época espera: a de uma sociedade aberta, onde o comunitário não se degradasse em totalitário nem a expressão da pessoa em individualismo, mas ao contrário, onde o ser humano pudesse conjugar sinfonicamente, como numa dança bem dançada, sua dimensão social e sua criatividade, em um sistema consciente de sua relatividade e aberto para o futuro, para suas profecias e suas utopias.
Não existe ato mais revolucionário do que ensinar um ser humano a enfrentar o mundo enquanto criador. Esta forma viva de comunhão e de participação da dança moderna recupera para a dança sua função sagrada, isto é: sua função de criação do homem. Talvez ela seja, no sentido mais completo do termo, a “Missa para o tempo presente”. (GARAUDY 1980)4
O que são as Danças Circulares
São danças de roda, tradicionais e contemporâneas, de diferentes culturas (diferentes povos e diferentes épocas) vivenciadas como canal e instrumento de Educação e Cultura, de comunicação criativa, de auto-conhecimento, de saúde integral, de celebração e integração.
"As Danças Circulares estão presentes em antigas tradições de diversos povos de todo o planeta. Suas origens se perdem no tempo e se confundem com as origens da própria Humanidade. Elas refletem a necessidade de comunhão entre os membros da comunidade e se associam a diferentes momentos de suas vidas: o nascimento, o casamento, o plantio, a chegada das chuvas, a entrada da primavera, a colheita, a morte, etc.
O ser humano tem bailado desde que existe. A dança tem sido parte de sua vida, não só como espetáculo, mas antes de tudo, como uma de suas formas de viver. Tem sido uma das formas de unir-se a outros seres, de participar conjuntamente, celebrar, comunicar-se, dizer com seu corpo o que as palavras não podem dizer da mesma maneira.
As Danças Circulares Sagradas foram introduzidas na Inglaterra há cerca de trinta anos atrás por Bernhard Wosien, um professor de dança, alemão, que dedicou muitos anos de sua vida a coletar danças dos povos de várias regiões da Europa.
Talvez um dos motivos que fazem das danças circulares algo tão envolvente seja o fato das coreografias se constituírem em fenômenos cíclicos. Ou seja, os passos são agrupados em sequências que se repetem no decorrer de toda a música. Dessa maneira são reproduzidos os ritmos da natureza: o começo e o fim, o nascimento e a morte, o dia e a noite, as estações do ano, além dos ciclos que compõem a biografia humana.
Assim nós somos levados a perceber as mudanças que vão acontecendo em nossas vidas, vamos nos percebendo seres mutantes que, a cada repetição ocorrente, já não somos mais os mesmos que da última vez.” (VALLE 1998)5

De onde vêm as Danças Circulares

A metodologia de trabalho com as Danças Circulares foi criada por Bernhard Wosien (1908-1986) - alemão, bailarino e pedagogo da dança – a partir de sua pesquisa com as Danças Folclóricas e Étnicas da Europa Central e Oriental, iniciada em 1952.
Contagiado pela alegria e vibração das danças populares, Bernhard idealizou uma proposta de utilização para as áreas de educação e saúde. As danças, muitas das quais no seu formato tradicional não eram em círculo, foram adaptadas, para conectar profundamente as pessoas na roda. Assim nascia esse trabalho com a “Sacred Dance” – Dança Sagrada, na qual o “sagrado” diz respeito ao poder de elevação do espírito humano, associado à prática da dança (e não a uma religião propriamente dita).
Nos últimos 25 anos de sua vida, o agora “dançarino”, dedicou-se integralmente a pesquisar e ensinar as danças de roda como pedagogia e terapia de grupo em instituições educacionais e clínicas, nas áreas de Serviço Social e Terapia Ocupacional.
Em 1976, aos 68 anos, Bernhard foi convidado a mostrar e vivenciar as Danças Sagradas na Fundação Findhorn – Centro Internacional de Educação Transdisciplinar-Holística, fundado em 1961, na Escócia. Este convite foi determinante para a expansão internacional das Danças. No Brasil, as danças chegaram no início da década de 90.
Findhorn promove anualmente, no mês de Julho, desde 1976, o Festival Internacional de Danças Circulares Sagradas, o que tem contribuído para o enriquecimento do repertório, que atualmente incorpora danças tradicionais e contemporâneas das mais diversas culturas, dos quatro cantos do mundo (Ásia, Europa, África, América) - como danças gregas, israelitas, escocesas, russas, sérvias, armênias, ciganas, árabes, brasileiras (indígenas, folclóricas, populares nordestinas e amazônicas).

Como as Danças Circulares educam

Nas Danças Circulares a pessoa é despertada para estabelecer conexões, lançar pontes entre a mente, o coração e as mãos/os pés (o pensar, o sentir e o agir) de uma maneira eminentemente vivencial, dinâmica e participativa: as danças de roda, a música, o canto, a história e os mitos universais das diferentes tradições culturais; exercícios corporais, momentos de silêncio, reflexão e expansão do potencial interior – visualização criativa e meditação; dinâmicas de grupo e de relações interpessoais.
Assim, “as danças se constituem também num importante recurso a ser utilizado em processos educativos sociais. No círculo se trabalha o equilíbrio entre o indivíduo e o coletivo. Na roda, somos convidados a estar presentes, a participar de maneira plena dos processos de transformação social.
Colocados em círculo, percebemos a nossa identidade com o outro pois, ao mesmo tempo em que reconhecemos a nossa igualdade - a unidade que habita no centro - também acolhemos a presença única e insubstituível de cada um que está colocado em pé na linha da circunferência.
Desse modo, desenvolvemos suave e gradativamente o respeito e a valorização das diferenças, além de podermos vivenciar a realidade da interdependência que permeia as relações humanas". (VALLE 1998)4
Como retrato dinâmico da história humana, as danças sagradas oferecem a toda pessoa a oportunidade de tornar-se um dançarino, de abrir-se a um meio de conhecimento a um só tempo introspectivo e do mundo exterior. Além disso, através delas, irmanamo-nos com povos distantes no tempo e no espaço e com os significados e símbolos de seus rituais e celebrações. Nas palavras do filósofo francês Roger Garaudy, “a dança torna o deus presente e o homem potente”. Por isso é considerada sagrada.

O que a vivência das Danças Circulares proporciona 6
1. Harmonia entre corpo-mente-espírito;
2. Elevação da auto-estima;
3. Consciência corporal – coordenação motora, ritmo, sintonia, flexibilidade;
4. Aprendizagem criativa - o desenvolvimento da inteligência integral e a expansão de habilidades, incluindo-se a intuição, o imaginário, a sensibilidade e o corpo no processo de receber e transmitir conhecimentos;
5. Ampliação do potencial humano - com a vivência da arte, do lúdico, do belo, do prazer, da alegria e da conexão com o sagrado;
6. Reconhecer, valorizar e fortalecer as Identidades Culturais Brasileiras (locais/regionais/nacionais), para o encontro criativo e harmônico com os outros povos – enraizar para uma globalização consciente;
7. Sensibilização para a vivência de Valores Humanos e Princípios Éticos universais – respeito e inclusão do diferente, através do contato humano, ético e estético, com pessoas diferentes de nós e culturas diversas da nossa;
8. Aprender a Conhecer – competência cognitiva; Aprender a Fazer – competência técnica; Aprender a Conviver – competência social; Aprender a Ser – competência humana: os quatro pilares básicos da educação sustentável, recomendados pela UNESCO para a Educação no século XXI.
Animando Comunidades de Aprendizagem

· O tempo presente implica e pede um permanente exercício humano de mudança, na convivência ; isto requer, de todos(as) e de cada um(a), fluência e flexibilidade nas relações consigo mesmo(a) e com os semelhantes . As danças oportunizam e favorecem essa vivência/aprendizagem, com simplicidade e profundidade .

· Nesse sentido, é interessante pensar e abordar a proposta das Danças Circulares referida aos paradigmas Ecológico (as três ecologias: pessoal, social, planetária), Holístico (dimensões física, psíquica, mental, espiritual) e Biocêntrico (princípio ‘ biocêntrico’ , idéias de ‘ vivência’ e ‘ vínculo’).

· Centração – as danças circulares impulsionam um movimento vital, que acontece através : da conexão no eixo vertical (com o que está abaixo, a Terra: chão, raízes, memória, passado; e com o que está acima, o Ar: céu, projeto, futuro); e da conexão no eixo horizontal (com quem está à minha direita/esquerda, com as pessoas na roda, a tribo, a comunidade, a humanidade; a dimensão do corpo (bio-física) e da personalidade (bio-psíquica), o cotidiano); da conexão com seu próprio/pessoal centro de vitalidade (no cruzamento do eixo vertical com o eixo horizontal) e com o centro da roda (simbolicamente o Sol, fonte de luz, de energia, de sabedoria, de bênçãos: a dimensão espiritual da vida).

· Buscando o equilíbrio, em busca de integr(ali)idade, da inteireza (na contra-mão da tendência à fragmentação). Equilíbrio em movimento - equilibração , é uma idéia-chave para a compreensão das Danças Circulares . Na dança ... ... ... "o movimento é que gera o conteúdo". Movimento que é fluxo, pulsação . Em ciclos, na música e na dança, como na vida ...

· A experiência de sinergia e de harmonia que as Danças Circulares proporcionam, resulta de um movimento pessoal e coletivo em busca do equilíbrio, que é um exercício de equilibração (a "homeostase" dos gregos) .
Equilíbrio entre : conexão com o próprio centro (de cada um/a) e conexão com
o centro (comum) do círculo .
Equilíbrio entre : coragem (auto-afirmação, ousadia) e consideração (com a
Fonte, com os semelhantes, com o grupo).
Equilíbrio entre : individualidade/diversidade e coletivo/comum-unidade .
Equilíbrio entre : contração/concentração/interiorização e
expansão/propagação/exteriorização .

· As Danças Circulares podem (têm o poder de) atuar como canal para uma transformação, em diversos planos e níveis da existência de indivíduos e grupos humanos. Isto se dá através de uma vivência, que só se viabiliza pela
co-opera-ação dos participantes e por sua sin-toniza-ação em
frequências vibratórias que são canalizadas pelas danças.

· O convite à dança contém a proposta de um exercício de aprendizagem coletiva . O que é ‘aprender a dançar’? O que acontece quando a gente se põe a dançar juntos, na roda ? Refletindo a partir dessas perguntas, podemos aprofundar o sentido da educação como aprendência, como movimento vital de estar aprendendo : a fazer, a conhecer, a conviver, a ser. Estar aprendendo a aprender, como forma de viver.


NOTAS

[1] Educador e sociólogo, de 1990 a 2005 foi membro do Coletivo de Educadores/as do CENAP (Centro Nordestino de Animação Popular, Recife-PE); há 20 anos atua em programas de formação de educadores(as) sociais no Nordeste brasileiro; como assessor/consultor de organizações sociais, tem atuado nas áreas de metodologia do trabalho social e educativo e de gestão de programas e projetos sócio-educativos. Faz formação em Danças Circulares com William Valle (Belo Horizonte – MG), desde 1999, tendo participado do I, II e IV Encontros Brasileiros de Danças Circulares Sagradas (São Paulo, 2002, 2003 e 2005) e da coordenação do I Encontro Nordestino de Danças Circulares (Camaragibe-PE, 2005). Desde 2000 tem focalizado encontros e oficinas de Danças Circulares em Recife-PE, Aracaju-SE, João Pessoa-PB, Maceió-AL, Teresina-PI, Fortaleza e Sobral-CE. Contato: alvarpan@elogica.com.br
2 OSSONA, Paulina. A Educação pela Dança. São Paulo: Summus, 1984
3 Fonte: Grupo RODAS DA LUA (Brasília-DF). Danças Circulares Sagradas. www.rodasdalua.org.br
4 GARAUDY, Roger. Dançar a Vida. São Paulo: Nova Fronteira, 1980
5 VALLE, William. Meu Caminho no Círculo da Dança. Texto original publicado na Revista Tecendo Idéias n.4, do Centro Nordestino de Animação Popular. Recife: CENAP, 2000
6 Fonte: MANA MANI-Recriando a Dança da Vida (Belém-PA). www.manamani.org,br


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GARAUDY, Roger. Dançar a Vida. São Paulo: Nova Fronteira, 1980.
OSSONA, Paulina. A Educação pela Dança. São Paulo: Summus, 1984.
LELOUP, Jean-Yves. O Corpo e seus Símbolos: Uma Antropologia Essencial. Petrópolis: Vozes, 1995
RAMOS, Renata Carvalho (org.). Danças Circulares Sagradas: Uma Proposta de Educação e Cura. S.Paulo: TRIOM, 1996
VALLE, William. Meu Caminho no Círculo da Dança. Revista Tecendo Idéias n.4 (p.44-51). Recife: CENAP, 2000
WOSIEN, Bernhard. Dança: Um Caminho para a Totalidade. S.Paulo: TRIOM, 2000


SÍTIOS NA INTERNET

Roda dos Povos – Encontro Brasileiro de Danças Circulares... Sagradas www.rodadospovos.com.br
Encontro Nordestino de Danças Circulares (Recife-PE) www.encontro.nordestinodc.nom.br
Mana-maní (Belém-PA) www.manamani.org.br
Rodas da Lua – Grupo Rodas da Lua (Brasília-DF) www.rodasdalua.org.br
UniLuz (Nazaré Paulista-SP) www.nazarevivencias.com.br
Giraflor (Curitiba-PR) www.dancascirculares.org
Roda de Luz (Rio de Janeiro-RJ) www.dancascircularesrj.com.br
Triom – Centro de Estudos, Livraria e Editora (S.Paulo-SP)
www.triom.com.br/paginas/p04-4fr.htm l

Imagens do 3º Fórum Popular de Cultura. (2007)

Abertura - Painel: Cultura e Inclusão. 23/11/07

Abertura - Vista Parcial do Público. 23/11/07

Palestra:Dança e Cidadania,Paula Gonçalves da Ong Em Cena Arte e Cidadania(PE).24/11

Palestra:Escola e Ação Cultural, Marcial Lima(AL).24/11/07

3ºMostra Arte e Cidadania.24/11,Apresentação de Fernanda(Aprendiz do Circo Arcoiris)

3ºMostra Arte e Cidadania.24/11,Apresentação da Cia de Dança Rick di Karllo.

3ºMostra Arte e Cidadania.24/11,Apresentação do Grupo de Dança Popular Asa Branca.

3ºMostra Arte e Cidadania.24/11,Apresentação dos aprendizes da oficina de dança arcoiris.

3ºMostra Arte e Cidadania.24/11,Apresentação dos aprendizes da oficina de dança arcoiris.

3ºMostra Arte e Cidadania.24/11,Apresentação dos aprendizes da oficina de dança arcoiris.

Como foi o 3º Fórum Popular de Cultura. (2007)

“ Um evento cuja temática e palestrantes me surpreenderam pela qualidade das suas experiências e da sistematização elaboradas por eles em cima das práticas artísticas e pedagógicas e pela forma como passaram para nós, de forma clara, sem cansar e com emoção”
Essas palavras proferidas por um participante do 3º Fórum Popular de Cultura que aconteceu nos dias 23, 24 e 25 de Novembro sintetizam muito bem a impressão da maioria que estiveram presentes no Gonzagão, local que sediou a edição 2007 do Fórum.

Organizado pela Ong Ação Cultural e contando com o patrocínio do Programa BNB de Cultura o evento contou também com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura e reuniu no horário de maior concentração de público 80 pessoas, que assistiram a mesa redonda “Cultura & Inclusão” e 400 pessoas na mostra “Arte & Cidadania”.

Para os organizadores o mérito principal do evento foi fomentar o inicio da discussão a respeito da elaboração de estratégias para trabalhar com arte e cultura junto a crianças e adolescentes da periferia, cujas “mentes e corações” estão ocupadas com os ritmos e sons que estão na moda, em geral esta necessidade é citada por intelectuais, educadores e artistas, mas pouco é realizado neste sentido.

Conforme discutido durante o fórum não se trata de forçar os adolescentes a abandonar os gostos próprios ou “impostos” pelos meios de comunicação de massa mas, de conhecer e valorizar outros tipos de música, de movimentos, de sensibilidades.

Em termos práticos isso foi apresentando na mostra artística a partir da apresentação do resultado da oficina de dança desenvolvida pela Caravana Arcoiris, desde o inicio do mês de outubro, no Gonzagão, e que preparou um trabalho coreográfico em forma de colagem, onde os adolescentes envolvidos mostraram o que aprenderam de diferente: afro peruano, dança do ventre, contemporâneo e aquilo que eles conheciam: forró e dança de rua.

Essa mesma abordagem também foi destacado na oficina apresentada por Paula Gonçalves e Ketully Costa Leal, da Em Cena Arte e Cidadania, a qual mobilizou os participantes em torno da necessidade de construir coreografias partindo dos referenciais estéticos e históricos de cada um, sem perder de vista, evidentemente, a necessidade de agregar novos conhecimentos aos que eles possuem, reforçando as palavras de Clébio Correia de Araujo que mostrou a necessidade de darmos especial atenção ao processo de trabalho, pois se queremos preparar pessoas com autonomia, não obteremos esse resultado fazendo-os tão somente repetir os movimentos do coreógrafo ou os modelos de arte teatral concebidos pelo professor e/ou diretor.

Outras questões também foram apresentadas como a necessidade de organizarmos um programa de formação de agentes culturais para darmos continuidade e aprofundarmos algumas questões levantadas na discussão sobre as identidades, memória histórica e ação cultural nas escolas que foram apresentadas na discussão coordenada por Marcial Araujo Lima e Clébio Correia de Araujo, a propósito da experiência do projeto “ A escola como pólo cultural da comunidade ”, realizado com estudantes de escolas públicas de Maceió.

A propósito da apresentação desse tema o professor João Brasileiro, afirmou a coincidência sobre alguns questionamentos que estavam sendo feitas por ele e por alguns colegas da Escola Albano Franco, no bairro Santa Maria e a abordagem realizada por Marcial que muito o ajudará na condução dos trabalhos junto aos colegas e alunos da escola onde trabalha.

Outra proposta que teve boa aceitação foi à formação de mini-caravanas formada por agentes culturais para visitar-se mutuamente e desta forma poderem trocar experiências e fortalecer os laços de amizade e de cooperação.

Da parte da Ação Cultural a expectativa principal é que encontros com a metodologia do fórum, cuja característica principal é aproximar quem faz e que elaborou/ elabora reflexão sobre a prática, de quem já faz isso ou que quer ampliar os seus horizontes nesse sentido, sejam organizados por parte do gestores das Secretaria de Educação, Inclusão Social e Cultura, neste último caso os Encontros Culturais que é realizado em várias cidades do estado, em especial o de Laranjeiras pode ser um espaço onde os temas e a metodologia dos fóruns populares de cultura podem ser incorporados.

Ao término do fórum a partir da avaliação com os participantes a opinião predominante é que as pessoas sentem necessidade de mostrar e conhecer experiências exitosas e cujos aprendizados possam ser incorporados por todos , afinal, virar esse mundo em “festa, trabalho e pão” exige muita vontade, estudo e habilidade, pois como afirmou Marcial “é simples, mas não é fácil”.

Leia também: http://www.overmundo.com.br/overblog/o-central-da-periferia-na-escola

Eis aí o II Forum Popular de Cultura. ( 2006)

Na abertura dissemos que a tarde de sábado, 05 de agosto, marcaria a vida de todos os participantes e isso realmente se confirmou no dia 06, também.
Agradecemos a presença de todos que estiveram lá (algo em torno de 80 pessoas, no horário de pico) e desejamos que cada fórum realizado seja, para nós artistas e produtores culturais da periferia, um farol, iluminando o caminho da noite escura que atravessamos. Que a arte produzida pelos nossos artistas brilhe como a luz das estrelas que nos encantam e nos deleitam de prazer, apesar de tanto decepção, solidão, tristeza e sofrimento. Como diz o poeta Thiago de Melo: "Faz escuro, mas eu canto, porque sei que a manhã vai chegar". E podemos também dançar, tocar, pintar, costurar, fotografar e escrever.
Eventos como o fórum fortalecem aqueles que sonham e que buscam melhorar as pessoas através da arte, possibilitando a recriação do mundo como um jardim de mil delícias.

Até breve!

Zezito de Oliveira - Coordenador Geral do II Fórum Popular de Cultura.
Entrada do Auditório do Sebrae.(local de realização do II Fórum).

Vista parcial dos participantes.

Zezito de Oliveira - Coordenador Geral do II Fórum.


Iniciado a partir de um processo desencadeado no final do ano de 2005, coordenado por uma equipe de dirigentes da Ação Cultural e apoiado por alguns sócios e amigos da entidade, o evento contou com o imprescindível patrocínio da Coordenadoria Ecumenica de Serviço, com o importante apoio do SEBRAE e a especial colaboração do SESC, da Fundação Augusto Franco e do Banco do Nordeste.

A PARTICIPAÇÃO DO PÚBLICO
Nos momentos de maior presença de público o fórum chegou a contar com a presença de 80 pessoas, com uma expressiva presença de adolescentes e jovens envolvidos em atividades com grupos culturais na periferia (70%) e destacada presença de meninas e mulheres. (60% do total do público presente).
O público avaliou o fórum como muito útil e necessário o fórum e destacaram muitos aspectos positivos como a escolha dos temas e dos palestrantes Virginia Lúcia e Marcelo Rangel (de Aracaju) e Simão Neto e José Cleto (de Recife) que comunicaram com inteligência e paixão, conquistando assim a aprovação de todos. Da mesma forma, foram elogiadas as apresentações artísticas nas áreas de teatro, com o Grupo Pro Cena de Espetáculos, de dança, com a Companhia Rick di Karllo, Grupo Rei Davi e Pop Dance e a performance com o poeta e ator Jobys.
Palestra: A educação como experiência estética. Virginia Lúcia(palestrante)e platéia.

Lucy Paixão(secretária da Ação Cultural) e Simão Neto(palestrante) .

Luci Paixao(secretária da Ação Cultural) e José Cleto (palestrante).

No que diz respeito à produção do II Fórum em geral, foram observados alguns aspectos negativos que, embora não tenham ofuscado o brilho e a aprovação do evento, deverão ser analisados e discutidos a fim de se maximizar os resultados positivos dos próximos encontros.

"Fiquei triste de não poder ajudar mais. Percebo que nós "povo" somos muito exigentes de organização, programação, cronograma e outras coisinhas e esquecemos que tudo faz parte de uma corrente formada por inúmeros detalhes e cuja força de eficiência depende mesmo do esforço de cada um. Bem, mas mesmo sem ajudar à equipe como gostaria, enquanto expectadora fiquei maravilhada com a tarde de sábado. Nossa, a palestra da Virgínia Lúcia, então, que coisa, hein? Como é bom poder aprender e se divertir ao mesmo tempo. A dinâmica utilizada além de demonstrar na prática a experiência estética enquanto facilitadora da educação idealógica, tornou a tarde mais alegre e nos deixou empolgados e, no mínimo curiosos quanto ao teatro do oprimido e suas infinitas possibilidades na área da educação.
Definitivamente, quem não foi, perdeu. Acredito que esse clima de informalidade do II Fórum Popular de Cultura ajuda e muito a aproximação do eu-agentecultural com a realidade apresentada e discutida e a realidade de cada um. Olha, voltei triste por sair mais cedo em virtude de minha doença, mas muito feliz com o ganho de tempo e cultura da tarde de hoje. Parabéns a todos que fortalecem os elos da corrente de produção e organização do Fórum e da Ação Cultural. E parabéns também à palestrante Virgínia Lúcia (que transformou radicalmente, na tarde de hoje a associação comum que se faz ao termo palestra de "escuta de saberes dito por uma pessoa" em construção saborosa, participativa e dialogada de novos conhecimentos).
Um abraço a todos.
"
Denise Dória


REPERCUSSÃO NA IMPRENSA
Com a ampla divulgação na imprensa local e também no âmbito nacional (inclusive pela internet) o II Fórum Popular de Cultura conquistou grande repercussão. No âmbito local, faz-se necessário destacar a colaboração da Rádio Cultura de Sergipe, que oportunizou um considerável espaço para a divulgação do evento, bem como a ONG Missão Criança, que representa a Agência de Noticias dos Direitos da Infância em Sergipe e que destacou o II fórum como sugestão de tema de pauta para todos os órgãos da imprensa local. O projeto Inclusão Social, iniciativa meritória de comunicadores que se propõe a abrir portas nos meios de comunicação para iniciativas sociais e culturais da periferia e que publicou informações sobre o fórum e sobre a Ação Cultural no Jornal da Cidade também nos auxiliou.
. Nesse mesmo jornal a noticia foi publicada na prestigiada coluna do jornalista Osmário. O jornal “Hora do Povo” e a TV Sergipe, através da agenda cultural, também divulgaram o evento. Mais uma vez contamos com a divulgação através do jornal Cinform que juntamente com a Rádio Cultura sempre nos deram a maior força.
Na imprensa nacional contamos com a colaboração do jornalista Marcelo Rangel do site Overmundo, que inclusive proferiu palestra no fórum sobre a brilhante idéia de conectar aqueles que criam e/ou apóiam a arte independente, alternativa, marginal, da periferia etc.. como queiram chamar, em todo o país.
O serviço de mala direta da representação regional do Ministério da Cultura e da Cese, patrocinadora do evento, também deram uma colaboração importante divulgando o evento para todo o nordeste.

ECOS DO ENCONTRO
Foram convidados para apresentar seus trabalhos teatrais e coreográficos em outros locais, o Grupo Pro Cena de Espetáculos, o Grupo Teatral Voz da Vida e Companhia de Dança Rick di Karllo.
O videasta/documentarista Nixon ficou de manter contato com o poeta/ator do Grupo Teatral Voz da Vida, Jobys, para produzir um documentário sobre o seu trabalho, bastante elogiado pelo público, que busca inspiração na memória do sofrimento e das lutas pela libertação dos afro-descendentes.
A jovem Rafaela, representante do município de Poço Redondo, animou a todos os presentes com o seu depoimento, um misto de fé, resistência e criatividade para fazer do teatro e da criação de cabras uma forma de alimento para o corpo e para o espírito. Tudo interligado e interpendente como deve sempre ser. Várias pessoas, inclusive José Cleto do Recife, sugeriram a presença de Rafaela no fórum 2007 como palestrante e foram iniciadas conversações para descentralizar o fórum e uma das possibilidades é a inserção do município de Poço Redondo.
Depois de algumas tentativas conseguimos contar com a presença do grupo de dança Rei Davi que desenvolve um importante trabalho religioso, artístico e de educação cidadã com crianças, adolescentes e jovens do bairro Piabeta, localizado na periferia de Nossa Senhora do Socorro.
O Centro de Estudos em Políticas Públicas, uma Ong do Rio de Janeiro, entrou em contato conosco para solicitar nossa colaboração na divulgação de um mapeamentos das experiências que em Sergipe envolve adolescentes e jovens no trabalho com arte.

AS OPÍNIÕES DO PÚBLICO
SUGESTÕES E CRÍTICAS
Vista parcial dos participantes.

Vista panorâmica da oficina sobre metodologia.(Facilitador:Simão Neto)

Vista panorâmica da oficina sobre metodologia.(Facilitador:Simão Neto)



“Amei! È preciso mais momentos como este.”
“Uma experiência divertida e inesquecível.”
“Gostaria de parabenizar ao Professor Zezito, coordenador geral do fórum. Foi belíssimo e muito informativo, gostei muito!”
“Continuem com esses projetos, ajudando no crescimento da cultura brasileira.”
“Que tragam mais jovens e que dêem oportunidades para eles falarem sobre a cultura, o que pensam, o que acham e suas intenções para o futuro.”
“Que no próximo fórum o operador dos equipamentos de áudio e vídeo tenha
prática com os mesmos.”
“O espaço para apresentações culturais é pequeno.”
“O próximo fórum poderia ser feito em um ambiente mais aberto para que os jovens pudessem se manifestar, participar e não só ouvir.”


FRASES (Segundo depoimento escrito de alguns participantes)

“Por eu não ser rico, a minha cultura é da periferia?”
“Inclusão pela arte.”
“A arte dá sentido e transforma as nossas vidas.”
“Retomar através da arte o nosso ser desejante, criativo, poético...”(Virginia Lucia)
“O jovem é o hoje e não só o futuro” 2
“Precisamos qualificar e potencializar as nossas ações para garantir nossos direitos” (João Simão)
“Viva e deixe viver.” Frase de um slide exibido por Simão Neto 5
“A arte faz parte da natureza humana!”
“É preciso cuidar do broto para que a vida nos dê flor e fruto.”
“Nunca é tarde para começar a produzir cultura.”
“É preciso tornar o Brasil a verdadeira pátria mãe gentil.”
“Força, querer e fazer.”
“O mundo deveria ser como a gente gostaria que fosse” 3
“Não fazer teatro somente para ficar famosa e sim para ensinar o que o teatro tem de bom.”
“Cuidar da vida.”
“Devemos correr atrás dos nossos objetivos.”
“Um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar.” Chico Science
“A arte é a criação de uns para deleite de todos.”
“A gente quer que aconteça, aconteça algo que a gente goste.”
“Eu quero fazer. Eu quero ser, porque eu posso.”
“Eu tenho direito de ver e fazer arte, de ir ao teatro mais vezes, de envolver a cultura na minha vida.”
“A arte sempre segue a gente.”
“Ter coragem para fazer as coisas que a gente tem medo de realizar.”
“Eu quero, eu vou, ser ator...” (Virginia Lúcia)
“Direito a ter direitos”. (Simão Neto)
“A arte nasce da realidade, passa pela fantasia e retorna para a realidade outra vez.”

MOMENTOS MARCANTES (Segundo depoimento escrito de alguns participantes)

O poeta/ator Jobys arpresentando uma perfomance poética/teatral sobre a memória da escravidão no Brasil.
O Jornalista do site Overmundo, Marcelo Rangel, explicando porque do ponto de vista da identidade cultural sergipana e da ética publica, o nome do nadador Zé Peixe é o mais legitimo para denominar a ponte Aracaju-Barra.
Os meninos cantando e tocando o nosso coração através da música “Tocar”.
(música gravada pelos canarinhos de Petrópolis com o grupo musical a Cor do Som e apresentada em telão na abertura do fórum).
Apresentação do Grupo de Dança Rei Davi do bairro Piabeta.

Apresentação da Cia de Dança Rick di Karllo do Conjunto Eduardo Gomes.


Leia também: http://www.overmundo.com.br/overblog/com-arte-e-com-afeto-1
http://www.overmundo.com.br/overblog/ii-mostra-arte-e-cidadania-em-sergipe

Poesia: Ação Cultural

(Renilson Lima)


Minha terra tem coqueiros
cajueiros,mangabeiras, manguezais.
Tem aratú arando lama
tem caranguejo,sururu e siri.



Minha terra tem rio salgado
fruta doce, caju vermelho.


Tem Batucada, tem Reisado
tem Maculelê, tem Cacumbi
Taieria, São Gonçalo, Parafusos
e todos os sons
e todos os timbres.
Minha terra tem gente bonita
de pele negra
de pele branca
amarela, verde, azul.
Gente de todas as cores
de todos os credos.
Minha terra tão pequena
é vasta de riquezas culturais.
Minha terra tem esperança
nessa gente que dança
que canta, que batuca
que pinta e borda
e nessa gente que acredita
na arte do seio do povo
como cio da terra
onde a semente germina
e a árvore da identidade do povo cresce
e frutifica
e se perpetua
pelas mãos de quem planta
pela vontade de quem cultiva
pela força de quem valoriza.
Minha terra é pura riqueza
a ser perpetuada
pela consciente e nativista


Ação Cultural.

Entrevista com o diretor-presidente da Ação Cultural (triênio 2004-2007)- Zezito de Oliveira


Publicada na edição impressa do Informativo da Ação Cultural – Março de 2006
JAC: Como surgiu a Ação Cultural?
ZEZITO: Surgiu efetivamente a partir das reuniões da Rede PROVAI (Rede de Agentes do Programa de Valorização de Iniciativas Culturais), no ano de 2004. Na ocasião, reunimos artistas, produtores culturais da periferia e educadores, que concluíram que se fazia necessário criar uma entidade que possibilitasse a representação jurídica para fazer jus às exigências colocadas pelo poder público e pela sociedade em geral, no que diz respeito à busca de apoio e patrocínios para garantir a consolidação e ampliação das atividades culturais.

JAC: Quais as principais conquistas obtidas?
ZEZITO: No ano de 2004, ainda como Rede PROVAI, conseguimos a aprovação pela câmara de vereadores da lei que cria o programa VAI e que depende da FUNCAJU para que cumpra sua finalidade, que é destinar um pequeno subsídio financeiro para projetos culturais das comunidades.
Já como Ação Cultural, conseguimos realizar o I Fórum Popular de Cultura, em 2005, que resultou na Carta Cultural da periferia. Como eu disse numa reunião com artistas em Pirambu, a Carta nos aponta a direção que o movimento cultural deve tomar se quiser mudar os rumos dessa história de desinteresse e descaso que o poder público e uma parcela expressiva da sociedade têm pela cultura. Lembro de uma frase conhecida que diz: “Nenhuma corrente de ar ajuda o navegador que não sabe aonde quer chegar”. A carta nos dá pistas interessantes de aonde chegar (objetivos) e como chegar (método).

JAC: Que pistas são estas?
ZEZITO: Destaco como uma das mais importantes aquelas que tratam dos aspectos relacionados aos limites dos próprios artistas e produtores. Achei muito importante esse aspecto porque é mais fácil criticar e cobrar dos outros do que de nós mesmos. Considero um sinal de maturidade que espero contribua para um crescimento interno e interior dos agentes culturais; no primeiro caso enquanto segmento social, no segundo como indivíduos. Vale a pena transcrevermos algumas frases: É preciso superar o estrelismo e o individualismo existente no meio artístico; Falta amor próprio e auto respeito por parte dos artistas e produtores. Um exemplo é a falta de iniciativa de muitos artistas e grupos populares que ficam esperando o financiamento de projetos por parte do governo; Sofremos muito com o imediatismo do próprio artista, reconhecemos que precisamos nos organizar mais, e o fórum é o caminho para essa perspectiva de um futuro melhor; Há necessidade de se unir os grupos para fortalecer as ações culturais.

JAC: Quais são as perspectivas da associação para o ano de 2006?
ZEZITO: Esperamos realizar o fórum popular 2006 com uma estrutura maior. Para isso estamos enviando o projeto para as agências de cooperação e empresas estatais visando obter o apoio financeiro necessário. Como não é um projeto caro e que tem como objetivo buscar a capacitação de agentes multiplicadores para melhorar a qualidade dos trabalhos quanto aos aspectos metodológicos esperamos ser bem sucedidos. Trata-se de focalizar nesse segundo e nos próximos fóruns as questões relacionadas ao como fazer melhor, que é, nas palavras de Álvaro Pantoja, do Centro Nordestino de Animação Popular, um dos aspectos mais importantes para o sucesso de um projeto sócio-cultural. A Carta Cultural apontou alguns desafios nesses aspectos da metodologia e através das palestras e oficinas esperamos enfrentá-los.
JAC: Que desafios são esses?
ZEZITO: Mais uma vez é importante retomarmos a leitura da Carta: “Ampliar o trabalho de conscientização da juventude na perspectiva de valorização da cultura popular; Produzir com qualidade e fortalecer a identidade cultural de nosso povo para atingir uma população com a mente massificada pela cultura de consumo imediato (a pasteurização cultural); Preparar pessoas competentes para trabalhar com cultura junto a crianças e jovens; Incluir mais jovens nas ações culturais com o apoio da sociedade”.
O projeto do fórum 2006 se propõe a reunir artistas/intelectuais orgânicos que darão uma importante contribuição para nos ajudar a encontrar pistas, alternativas, dicas, etc. relacionados a essas questões.

JAC: Como você avalia a gestão do Presidente Lula na área da cultura?

ZEZITO: Na minha opinião o governo federal dá uma lição para todos os prefeitos e governadores de como gerir bem esta área. O Ministro Gilberto Gil é uma pessoa que entende do assunto que gosta do que faz e de quem faz, que sabe ouvir e que está antenado com uma visão integral da cultura. Que vê a cultura gerando empregos e renda, contribuindo para melhorar a educação, a saúde, diminuindo os índices da violência urbana, fortalecendo nossas identidades, enfim contribuindo para a felicidade geral da nação.
Claro que o nosso querido ministro da cultura não poderia fazer muita coisa se não contasse com a colaboração do Presidente que garantiu um aumento de receita no orçamento da união, respeitou a autonomia do ministério e não utilizou a vaga como moeda de troca na época de recomposição da equipe ministerial. Vale ressaltar que mesmo com aumento em relação ao governo anterior, o orçamento do Ministério ainda é pequeno, mas acredito que em um segundo governo isso se modifique, por que o Presidente Lula sabe e nós também que é essa e uma área que apresenta uma das melhores performances em termos de realizações no seu governo.

JAC: E você acredita na reeleição do Presidente?

ZEZITO: Para os artistas ou produtores emergentes como eu e tanta gente boa que nunca pode nem sequer sonhar em ter acesso a dizer o que pensa sobre a melhor forma de gerir a cultura em nosso país e ver isso transformado em diretrizes e ações e que no passado para ter acesso aos recursos públicos dependia de bilhetiinhos de recomendação de artistas ou intelectuais influentes e de um telefonema ou carta de políticos a reeleição do Presidente Lula é necessária.

JAC: E as denuncias sobre corrupção?

ZEZITO: O povo não é burro não, apesar da tentativa de manipulação por parte das rádios, jornais e televisões em sua maioria de propriedade de políticos ligados aos partidos de oposição e cujas concessões, na maioria, foram obtidas graças ao mesmo esquema de corrupção. Lembra da aprovação da lei que aprovou mais um ano de mandato para o ex-presidente Sarney em troca de um festival de concessões de emissoras? O povo sabe que o caixa dois e o mensalão sempre aconteceram e que isso faz parte da engrenagem que os ricos e poderosos criaram para se perpetuarem no poder. E foram coisas dessa natureza que garantiram a poder das elites durante cinco séculos e isso é tão verdadeiro que medidas como o financiamento público de campanha, a fidelidade partidária, o voto distrital que poderiam diminuir a necessidade de utilização desses tipos de praticas, não são discutidos pelo Congresso e nem debatidos por aqueles que refletem os interesses e a opinião das elites dominantes.
O que estamos vendo por aí é gente que fizeram suas carreiras políticas e suas fortunas às custas de roubos, saques e violência contra os pobres da nação posar de gente honesta, decente e sem nenhum defeito de fabricação. Ora, os fariseus na bíblia foram bem mais honestos quando repreendidos por Jesus, desistiram de jogar pedras em Madalena. Mas a política é isso mesmo. O PT quando esteve na oposição também bateu pesado.

JAC: E a gestão municipal e estadual?

ZEZITO: Já tivemos dias melhores. A primeira gestão de Jackson Barreto em meados dos anos 80 foi exemplar, a segunda ficou bem aquém do esperado. O primeiro ano do Prefeito Deda foi bem melhor do que os seguintes.
Em termos de governo do estado, o atual governador foi melhor na primeira gestão, e isso já faz muitos anos, quando construiu e manteve o Centro de Criatividade em grande estilo e deu continuidade as oficinas culturais oferecidas pela extinta Fundação Estadual de Cultura (FUNDESC) que deram uma inestimável contribuição para a formação de muitos artistas, técnicos, produtores e gestores que estão por aí em atividade.
Mas essa realidade pode mudar, se o próximo governador buscar os melhores quadros para cuidar da gestão do setor cultural e disponibilizar as condições mínimas necessárias. È fundamental que esses quadros tenham um perfil bem semelhante ao do Ministro Gil e de sua equipe e que busque recolher o que foi feito de melhor no passado em nosso estado, buscando também sintonizar as antenas com aquilo que é pensado e produzido em Brasília no âmbito da cultura. Ta ligado?

Leia também:
http://www.overmundo.com.br/overblog/aracaju-nos-seus-150-anos-e-a-cultura-que-fica

O Brasil (RE) conhecendo o Brasil.

Texto publicado no jornal Cinform em 2007
O modo tradicional de ampliar o acesso das populações do interior e das periferias a produção audiovisual tem sido levar pacotes de filmes para exibição em espaços públicos esse formato é útil e necessário, mas insuficiente porque mantém o conhecimento técnico /artístico concentrado nas mãos de poucos e impossibilita que diferentes visões sobre as pessoas e a realidade possam ter lugar.

Nessa perspectiva o programa Doc-TV e o Revelando Brasis do Ministério da Cultura inova e inclui, ao incorporar como política pública as iniciativas lideradas por ongs e ativistas sociais desde o inicio da década de 90 quando buscaram se apropriar dos meios de produção audiovisual, bastante facilitada pelo desenvolvimento tecnológico e conseqüente redução dos preços dos equipamentos, para mostrar - sem intermediários - como índios, negros, populações camponesas e da periferia, mulheres, jovens etc, gostariam de serem vistos.

Por isso, deixo o meu abraço e o meu reconhecimento ao Minc pela atitude e ao Cinform (matéria “Deu bode no cinema!, do caderno municípios, edição 1228) que tem sempre dado destaque aos prêmios concedidos a Sergipe e a sugestão para que programas com a mesma filosofia e metodologia sejam realizados no âmbito da próxima gestão da secretaria estadual de cultura.

José de Oliveira Santos “Zezito” – diretor-presidente da Ong Ação Cultural – zezito2002@ig.com.br

CARTA ABERTA AOS CANDIDATOS AO GOVERNO DO ESTADO, AOS CANDIDATOS AO CONGRESSO NACIONAL, A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, AOS PREFEITOS E VEREADORES ELEITO

Texto redigido em 2005.
“Daqui pra frente tudo vai ser diferente” – Roberto Carlos
“Que o passado abra os presentes pro futuro, que não dormiu e preparou, o AMANHECER ” - Taiguara.


Daqui pra frente, queremos a população participando da definição dos princípios e diretrizes da política cultural do Estado e do Município através da convocação de conferências de cultura de dois em dois anos.
Queremos o controle social da política cultural do Estado e do Município através da instalação de um conselho de cultura que seja deliberativo e representativo da diversidade cultural, e não apenas das belas artes e de seus artistas consagrados. No conselho de cultura democrático e plural deve entrar também os representante do hip-hop, das bandas de rock, de reggae, dos grupos de capoeira, dos mestres e dos brincantes da cultura popular.
Na nova política cultural queremos que aquilo que a população da periferia e do interior produz seja apoiado e potencializado. São muitos grupos de capoeira, de folclore, de dança, música, teatro e quadrilhas juninas que se reúnem nas escolas, nas associações de moradores, nas igrejas, e que precisam de uma política de fomento, não como favor, mas como direito, até porque contribuem para diminuir as despesas com saúde, segurança e educação, afastando a juventude das drogas, da criminalidade e melhorando o desempenho na escola. Por isso, solicitamos da Prefeitura de Aracaju a implementação da Lei 3173/04 aprovada pela Câmara Municipal que cria o Programa VAI para apoiar as pequenas iniciativas culturais das comunidades pobres e ao próximo governador que apóie a aprovação de lei semelhante no âmbito estadual.
Na nova política cultural, queremos que o poder público municipal e estadual financie a cultura e não espere somente pelo repasse do governo federal e o patrocínio das empresas estatais e privadas. Em Aracaju, é necessário que a Lei Municipal de Incentivo à Cultura, de autoria do atual prefeito Edvaldo Nogueira, seja aplicada todos os anos, garantindo a participação da iniciativa privada no apoio ao desenvolvimento cultural do município.
É necessário que os recursos destinados à cultura pelo orçamento do município e do estado sejam ampliados. Sem precisar esperar Proposta de Emenda Constitucional, que tramita no Congresso, determinando que deverão ser alocados, no mínimo, 1,5% (Estados) e 1% (municípios) para a área cultural em seus respectivos orçamentos.
É necessário a criação de um Fundo Municipal e Estadual de Cultura para financiar as atividades que não são de interesse do mercado, como a cultura popular (folclore), os museus, os grupos culturais da periferia e os novos artistas.
Queremos todas as emissoras de rádio e televisão, não apenas a Rádio e TV Aperipê, ampliando o espaço para que a música produzida em Sergipe seja conhecida e valorizada. Sergipe produz música brasileira de qualidade e não pode continuar lotando praças, teatros e casas de shows apenas para prestigiar os artistas de outros lugares. Como fica a nossa identidade cultural, nossa auto-estima e a geração de renda para os habitantes do nosso Estado?
Queremos que a população apresente como demanda nas plenárias do Orçamento Participativo, nas diversas conferências, nos outros conselhos de políticas públicas e juntos aos vereadores e deputados, as ações culturais com acompanhamento social, psíquico e pedagógico, como forma de diminuir a presença de meninos cheirando cola nas praças e/ou se embriagando de forma permanente nos bares e restaurantes, como também de meninas sendo obrigadas a vender o corpo para ganhar dinheiro ou gerando vidas de forma leviana e inconseqüente. E mais, é importante lembrar que as ações culturais podem ajudar a evitar que crianças, adolescentes e jovens continuem se tornando alienados, incultos, manobráveis, consumistas, descartáveis, distantes, perdendo as referencias e definhando mentalmente.
Queremos que as prefeituras, o poder Legislativo, a sociedade civil organizada, a imprensa, as empresas e quem puder apóie ações de incentivo à leitura. Principalmente porque o sergipano lê pouco, o que é uma vergonha, comprometendo o desenvolvimento humano, social, econômico e político do Estado.
É necessário que as empresas estatais sediadas em Sergipe apóiem as ações culturais propostas por artistas e grupos culturais emergentes. Não é possível que a maior parte do patrocínio destas empresas seja destinada para grandes projetos e eventos dos poderes públicos e de particulares.
A mesma solicitação dirigimos às fundações e institutos criados por empresários sergipanos que poderiam se modernizar e agir como as organizações de grandes empresas privadas nacionais, que lançam editais para apoiar projetos específicos nas áreas da cultura, educação, inclusão digital, geração de renda, meio-ambiente e muitos outros.
Se realizarmos tudo isso, teremos um povo e um estado mais feliz, e faremos justiça à memória de tantos nomes que batalharam a favor da nossa cultura no passado, e estão presentes na obra e nas boas recordações daqueles que com eles conviveram, como por exemplo, o poeta Mário Jorge, o mestre de capoeira e poeta Macaô, o ator e folclorista Mariano e o professor e ator Douglas, os quais dedicamos esta carta, como também aos sergipanos que estão nascendo agora.

Aracaju, 10 de setembro de 2005

Obs. O texto acima foi produzido a partir da Carta Cultural da Periferia que resultou das discussões no I Fórum Popular de Cultura ( 2005), promovido pela ONG Ação Cultural, enriquecido com subsídios adquiridos através da participação de diretores (as) da entidade no Seminário Cultura Para Todos (2004), Fórum Cultural Mundial (2004), Seminário de Políticas Públicas para as Culturas Populares (2005) e Conferencia Nacional de Cultura (2005).

Leia também: http://www.overmundo.com.br/overblog/outro-brasil-somente-com-participacao-e-arte-1

Carta Cultural da Periferia

Aracaju – SE
31 de Julho de 2005

“Somos mestiços. Não apenas etnicamente mestiços. Somos culturalmente mestiços. Dançando o Toré sob a lua; rezando numa igreja barroca de São Cristóvão; curvadas sobre a almofada da renda de bilros; trocando objetos e valores nas feiras das periferias e do interior; depositando ex-votos aos pés dos nossos santos; dançando um gostoso forró pé de serra no Forrocaju; contemplando o mar e os coqueirais do alto da colina de Santo Antônio; dobrando o fole de uma sanfona numa noite de frio, no mês de junho; tocados pela décima corda da viola sertaneja; possuídos pelo samba de pareia da mussuca e pela dança de São Gonçalo; enfileirados nas Romarias da Terra e de Divina Pastora; o coração de tambores percutindo nos desfiles de 7 de Setembro; girando a cor e a vertigem das danças dos orixás; digerindo antropofagicamente o hip hop no caldo da embolada ou do repente. Somos irremediavelmente mestiços. A lógica da homogeneização nos oprime. Por isso gingamos o corpo, damos um passo e seguimos adiante como num drible de futebol ou numa roda de capoeira que, sem deixar de ser luta, tem alma de dança e de alegria. Como formular um projeto de Políticas Públicas de Cultura que contemple esse mosaico imperfeito? Como abrir janelas e portas e dizer: “Sergipe, mostra a tua cara!”, como na canção de Cazuza?”
Adaptação para a nossa realidade do texto introdutório do documento “A imaginação a serviço do Brasil” produzido em 2002 por artistas, intelectuais e gestores culturais e que serve de texto guia para os programas e projetos da gestão do Ministro Gilberto Gil a frente do Ministério da Cultura.

1) Somos artistas de teatro, dança, música, poesia, videastas/documentaristas, fotográfos, artistas plásticos, educadores, produtores culturais e líderes comunitários. Viemos de Aracaju, Pirambu, São Cristóvão, Socorro, Barra dos Coqueiros, Glória e trazemos no corpo e no imaginário a grande riqueza cultural que herdamos de nossos antepassados.
Para que o avanço da indústria cultural de massa não destrua essas tradições, alguns de nós, como a Organização Veredas da Cultura, o Projeto Ponto de Encontro Cultural e a Companhia teatral Pró-Cena priorizam a realização de um trabalho de conscientização da juventude e da comunidade através de simpósios, oficinas, recitais de poesia, montagens de textos teatrais etc...
Para nós a arte é um meio poderoso de crescimento pessoal, pois resgata valores morais como amizade, responsabilidade, solidariedade; preenche o tempo ocioso, possibilita mudança de comportamento oferecendo novas perspectivas de vida e, em termos mais amplos, possibilita que crianças e jovens tomem conhecimento de seus direitos, além de levantar a auto-estima da comunidade e combater a marginalização e a violência.
Para melhorar a qualidade da produção cultural, promovemos capacitações e temos viajado bastante ,o que nos tem possibilitado adquirir experiências, ampliar currículo e até obter premiações. Percebemos o crescimento da consciência dos políticos em relação à importância da arte para o desenvolvimento, com destaque para o apoio do governo federal aos artistas emergentes através do programa Cultura Viva . Outro destaque é a iniciativa do Ministério da Cultura através da criação do Fundo de Previdência da Cultura (CulturaPrev) que garante uma aposentadoria digna para o artista.
No plano estadual e municipal as mudanças estão começando a acontecer com o inicio da articulação e organização dos artistas e grupos culturais de todas as áreas, como exemplo entre vários, podemos citar o projeto Ponto de Encontro Cultural, voltado para a divulgação das artes plásticas, música e literatura sergipana, notadamente a cultura popular através da literatura de cordel e a criação da ONG Ação Cultural a partir da Rede PROVAI. Percebemos também a ampliação do espaço na imprensa sergipana para a divulgação da produção artística local e o crescimento do interesse do público, o que sinaliza a possibilidade de se poder viver da arte. Há ainda alguns agentes culturais engajados como Zezito, que traz conhecimentos e experiências de outras cidades e os repassa para os artistas e produtores culturais emergentes.
Realizamos eventos de baixo custo, com muito esforço pessoal e sem depender do poder público e através deles mostramos cada vez mais um trabalho melhor e surpreendemos a comunidade mostrando do que somos capaz. Podemos destacar entre os mais recentes a Mostra Arte e Cidadania que reuniu grupos de teatro e dança de diversas comunidades no Teatro Juca Barreto (Cultart) e o Aplausart que trouxe para o Teatro Lourival Batista a Companhia teatral Pró Cena e a Companhia de dança Rick di Karllo do Conjunto Eduardo Gomes.
Um aspecto novo e positivo é a arte musical sergipana ocupar espaço na cena cultural internacional através das apresentações da dupla Chico Queiroga & Antônio Rogério no exterior.
2) Mesmo com essas conquistas e avanços ainda temos muitas dificuldades para vencer e muitos desafios para enfrentar. Os destaques são os seguintes:
2.1 - É preciso ampliar o trabalho de conscientização da juventude na perspectiva de valorização da cultura popular;
2.2 - É necessário produzir com qualidade e fortalecer a identidade cultural de nosso povo, atingindo uma população com a mente massificada pela cultura de consumo imediato (a pasteurização cultural);
2.3 - O poder público não conhece a riqueza da diversidade cultural e nem a valoriza, o que torna necessário o planejamento cultural e políticas públicas para promover as artes em geral;
2.4 - É preciso ampliar a quantidade de grupos articulados, através de fóruns e redes para possibilitar maior intercomunicação;
2.5 - É necessário democratizar as escolhas de vagas para viagens evitando não privilegiar sempre as mesmas pessoas ou os mesmos grupos. É necessário que os escolhidos para as viagens façam o repasse das informações contribuindo assim para socializar idéias e conhecimentos;
2.6 - É preciso superar o estrelismo e o individualismo existente no meio artístico;
2.7 - Falta amor próprio e auto respeito por parte dos artistas e produtores. Um exemplo é a falta de iniciativa de muitos artistas e grupos populares que ficam esperando o financiamento de projetos por parte do governo;
2.8 - Sofremos muito com o imediatismo do próprio artista, reconhecemos que precisamos nos organizar mais, e o fórum é o caminho para essa perspectiva de um futuro melhor;
2.9 - Há necessidade de unir os grupos para fortalecer as ações culturais;
2.10 - A dificuldade principal é buscar pessoas competentes para trabalhar com cultura junto a crianças e jovens;
2.11 - É necessário ampliar os espaços e oportunidade para obter formação;
2.12 - É necessária a discussão sobre os pré-requisitos para se ter acesso ao registro profissional como artista (DRT) de forma a torná-lo mais acessível;
2.13 - Há falta de espaços físicos;
2.14 - As escolas precisam cooperar mais;
2.15 - As comunidades precisam cooperar mais;
2.16 - É necessária maior abertura dos meios de comunicação para o artista emergente;
2.17 - Há necessidade de patrocínio;
2.18 - Há muito preconceito;
2.19 - É necessário incluir mais jovens nas ações culturais com o apoio da sociedade;
2.20 - Como conseguir incrementar projetos num ambiente avesso ao patrocínio cultural?
2.21 - Como enfrentar o descaso e a desvalorização dos órgãos culturais governamentais que valorizam mais o trabalho dos artistas de fora?
2.22 - O que mais nos deixa indignado é o não reconhecimento dos nossos trabalhos aos olhos da comunidade burguesa, da “Elite”. Produzir arte na periferia é complicado;
2.23 - Ha dificuldade em conseguir o apoio e firmar parcerias com o poder público, privado e terceiro setor, onde muitas vezes os projetos nem sequer são avaliados;
2.24 - É necessário dar continuidade e expandir os projetos existentes;
3) Para superarmos as dificuldades e desafios elencados acima desejamos contar com o apoio efetivo do poder público, da sociedade civil e das empresas, da seguinte forma:
3.1 - É fundamental que os recursos estatais destinados a cultura sejam liberados mediante editais de concursos públicos, com o mínimo de burocracia e com divulgação de forma mais ampla a fim de combater o apadrinhamento; e os recursos liberados devem ser bem fiscalizados afim de evitar possíveis desvios;
3.2 - Do poder público esperamos a criação de políticas de fomento à cultura popular que facilitem o envolvimento da iniciativa privada como patrocinador;
3.3 - Do poder público e da iniciativa privada esperamos o aumento da quantidade de recursos para a continuação dos trabalhos e atuações;
3.4 - Esperamos que sejam construídos e/ou disponibilizados espaços para a realização dos projetos de iniciativa da comunidade;
3.5 - É necessário diminuição da burocracia para se obter patrocínio. O Programa Cultura Viva (Pontos de Cultura) é um incentivo ou um desestímulo cultural? (Para as ações comunitárias e populares é inviável tamanha burocracia)
3.6 - É necessária uma maior divulgação da Lei de Incentivo à Cultura e maior abertura para o patrocínio por parte da iniciativa privada.
3.7 - Da Iniciativa privada, esperamos a participação na promoção cultural como contribuição para com a sociedade em que a empresa está inserida não deturpando os valores culturais que fortalecem a identidade cultural do nosso povo em favor de interesses comerciais imediatistas.
3.8 - Em relação às ONGs, a expectativa é que estas não se tornem, enquanto parceiras da produção cultural, apenas um meio de aparição política ou de perpetuação da mendicância, mas sim contribuintes para o desenvolvimento de nossa identidade cultural.
3.9 - As ONGs devem facilitar a aproximação do poder público e as iniciativas populares com ações sistemáticas, não ocasionais. Um exemplo é promover oficinas e cursos para melhorar a capacidade de criar projetos.


ORGANIZAÇÕES E GRUPOS PARTICIPANTES.
Sessenta e oito pessoas assinaram a lista de presença, desse total aproximadamente vinte e um dos presentes estiveram apenas como pessoa física, os demais estiveram representando as organizações e grupos culturais listados abaixo.

ONG AÇÃO CULTURAL (ARACAJU)
ORGANIZAÇÃO VEREDAS DA CULTURA (PIRAMBU)
INSTITUIÇÃO CULTURAL GAJEFPE (ARACAJU)
GRUPO DE DANÇA ECARTE (SOCORRO)
GRUPO DE CAPOEIRA NINHO DOS CARCARÁS (ARACAJU)
GRUPO DE TEATRO FOCO (ARACAJU)
GRUPO TEATRAL ARTES (SOCORRO)
COMPANHIA DE ARTES PRÓ-CENA DE ESPETÁCULOS (SÃO CRISTÓVÃO)
COMPANHIA DE DANÇA RICK DI KARLLO (SÃO CRISTÓVÃO)
COMPANHIA DE DANÇA CRIAÇÃO DE MOVIMENTOS (ARACAJU)
ANS COMPANHIA DE DANÇA (SÃO CRISTÓVÃO)
SINDICATO DOS ARTISTAS E TÉCNICOS EM DIVERSÕES E ESPETÁCULOS - (SERGIPE)
SECRETARIA NACIONAL DE CULTURA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES (SERGIPE/BRASIL)
FUNDAÇÃO DE CULTURA, ESPORTES E TURISMO DE ARACAJU (ARACAJU)
COMPANHIA TEATRAL VOZ DA VIDA (ARACAJU)
JUVENTUDE FRANCISCANA (SERGIPE)
PROJETO PONTO DE ENCONTRO CULTURAL (ARACAJU)
GRUPO COMUNITÁRIO CONEXÃO COM A VIDA (ARACAJU)
CRILIBER (ARACAJU)
COMUNIDADE BOM PASTOR (ARACAJU)
FEDERAÇÃO DAS COMUNIDADES INDEPENDENTES (SERGIPE)
PEPELÉGUAS PRODUÇÕES ARTÍSTICAS (ARACAJU)
CENTRO SERGIPANO DE EDUCAÇÃO POPULAR (SERGIPE)
ASSOCIAÇÃO DOS ARTISTAS PLÁSTICOS (SERGIPE)
ONG INSTITUTO DE ARTES CÊNICAS (SERGIPE)


ANEXO

– CONTRIBUIÇÃO DA ORGANIZAÇÃO AÇÃO CULTURAL PARA QUE O GOVERNO FEDERAL, GOVERNO DE SERGIPE, PREFEITURAS, EMPRESAS E ONGs IMPLEMENTEM ALGUMAS DAS SUGESTÕES DOS AGENTES CULTURAIS (CF. ITENS 2 e 3 DO RELATÓRIO) COM BASE EM EXPERIÊNCIAS BEM SUCEDIDAS DE OUTROS.

1) ASSINAR O PROTOCOLO DE ADESÃO AO SISTEMA NACIONAL DE CULTURA QUE TEM OS SEGUINTES OBJETIVOS:

• Implementar uma política pública de cultura democrática e permanente, pactuada entre os entes da federação, e com a participação da sociedade civil, de modo a estabelecer e efetivar o Plano Nacional de Cultura, promovendo desenvolvimento com pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional.
• Promover a articulação entre os setores público e privado: gestão e promoção pública da cultura; Entre entes federados: coordenação para a estruturação do SNC, formação, circulação e estruturação de bens e serviços culturais.
• Possibilitar a participação da sociedade civil - produtores e usuários - nas definições de políticas e investimentos públicos;
• Tornar mais eficiente a gestão da cultura: capacitar, avaliar e acompanhar o desenvolvimento dos diferentes setores e das instituições públicas e privadas da cultura.
• Criar o Sistema Nacional de Informações Culturais: dados sobre bens, serviços, programas, instituições e execução orçamentária; Promover mapeamentos culturais, para o conhecimento da diversidade cultural brasileira; Aumentar a transparência dos investimentos em cultura.
• Difundir e fomentar as artes e o patrimônio cultural brasileiro e universal; Promover a circulação nacional e inter-regional de projetos; Promover a transversalidade da política cultural; Promover a integração entre a criação, a preservação e a indústria cultural. (fonte: www.cultura.gov.br)

2) DESTINAR NO MÍNIMO 1% DO ORÇAMENTO DO MUNICÍPIO PARA O INVESTIMENTO EM CULTURA.

“Mais investimento em cultura para que o verbo se faça carne!”
O orçamento cultural é o menor de todas as áreas, o valor é tão baixo que, se dobrar, não acontece nada com o orçamento da cidade, e haverá uma revolução nas artes, na proteção do patrimônio, no turismo, no cotidiano e na vida da cidade.
A criação do Fundo Municipal de Cultura, Projeto de Lei que se encontra em fase de discussão na Câmara de Vereadores de Aracaju , apresentado pela ECOS (Entidades Culturais Organizadas), é um passo importante e sinalizará a disposição das autoridades municipais em caminhar no sentido de mostrar a real prioridade do Município, porque é através da quantidade das verbas (e não dos verbos) que se mede o verdadeiro compromisso do poder público com a cultura e com o cidadão. Grupos de Teatro, de Música, experimentos de cinema, novas linguagens e pesquisas artísticas, Grupos de Dança, artesanato, com possibilidades no Brasil e no exterior, enfim, segmentos e manifestações que o mercado não irá patrocinar, pois este quer patrocinar o sucesso, e não o novo, o consolidado, e não a ruptura, o tradicional, e não a nova linguagem. Estas manifestações têm que ser garantidas por dinheiro de fundo com a contrapartida de se apresentarem para escolas, hospitais, promoverem oficinas, etc.
Projeto semelhante pode e deve ser apresentado na Assembléia Legislativa e em outras câmaras municipais.
.
3 - DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AOS MEIOS DE PRODUÇÃO CULTURAL PARA A POPULAÇÃO DA PERIFERIA.

Trata-se de implantar, reformar equipamentos culturais ou adaptar espaços existentes, como também disponibilizar profissionais qualificados para melhorar a produção cultural da periferia e criar uma linha de financiamento para apoiar as iniciativas culturais destas regiões.
É importante ressaltar que em todo o Estado existem artistas, educadores e produtores culturais que fazem cultura e refletem sobre o que produz. Portanto, não se trata de levar pacotes prontos de projetos para o povo, mas fortalecer as iniciativas já existentes. Nesta direção defendemos para a Aracaju a implementação da lei 3.173, de 10 de março de 2004, aprovada pela Câmara de Vereadores, que autoriza o executivo municipal a instituir o Programa para a VALORIZAÇÃO DE INICIATIVAS CULTURAIS – VAI. Esta lei pode e deve ser apresentada na Assembléia Legislativa e nas câmaras municipais de outros municípios.

4 – REALIZAÇÃO DE PARCERIAS PARA PRODUZIR ESTUDOS E PESQUISAS RELACIONADOS À ECONOMIA DA CULTURA.

Para isso se faz necessário investimento com recursos próprios e\ou em parceria para a realização de pesquisas e estudos visando justificar o investimento em cultura, considerando que os recursos financeiros são escassos para atender as demandas por mais verbas para educação, saúde, meio ambiente, transportes, geração de emprego e renda etc. Através destas pesquisas e estudos poderá ser comprovado o potencial da cultura para melhorar a educação, a saúde, as relações interpessoais e com o meio ambiente, a auto-estima o sentimento de pertencimento a cidade, a geração de empregos e renda etc.
Em Aracaju, conforme o Jornal da Cidade, de junho de 2004, as atividades promovidas pelos 64 grupos que integram a Liga das Quadrilhas Juninas do Estado de Sergipe geram de março até a primeira semana de julho quase mil empregos para músicos, cantores, costureiras, maquiadoras, estilistas etc.
As empresas e bancos estatais podem ajudar financiando um programa de concursos para bolsas de pesquisa sobre este tema em cooperação com o Ministério da Cultura e universidades públicas. O governo do estado e até mesmo algumas prefeituras podem propor parceria nesta área, contribuindo com uma parte do financiamento.

5 - INCENTIVO AO EMPREENDEDORISMO CULTURAL.

Um evento artístico-cultural envolve também técnicos e produtores. Nas comunidades da periferia diversas pessoas e grupos estão se mobilizando para preparar além de futuros artistas, aqueles que estarão na retaguarda da produção cultural. Com o crescimento do mercado cultural, alguns estão entrando no mercado de trabalho, através destas iniciativas. Por isso, faz-se necessário o investimento em oficinas, cursos e seminários voltados à área de formação de agentes culturais, produtores e técnicos. O Sebrae de alguns estados tem experiência acumulada nesta área. O Sebrae de Sergipe promoveu um programa desse tipo há alguns anos, mas que no momento encontra-se inativo. A prefeitura da cidade do Recife inclui esta formação no programa denominado MULTICULTURAL que é direcionado para os moradores da periferia.

6 - REALIZAÇÃO DO CADASTRO CULTURAL

Nenhuma política de cultura séria e eficaz pode ser realizada sem o conhecimento de informações atualizadas. O investimento público e privado encontrará no cadastro cultural segurança para ampliar a participação no segmento cultural. Trata-se de definir quantos, o que fazem e quem são os artistas, os técnicos e os produtores culturais; quantos equipamentos culturais existem, e como são utilizados; quais as empresas potencialmente patrocinadoras localizadas em Sergipe e outros dados fundamentais ligados à produção cultural em toda a cidade.
É importante ressaltar que estas informações devem ser disponibilizadas através da Internet, cd-rom e impressos para que todos os interessados possam incorporá-las ao seu planejamento, estudos e pesquisas.

7 - REALIZAÇÃO DE FESTIVAIS E MOSTRAS DE TEATRO, DANÇA, MÚSICA ETC..

Sergipe é um dos poucos estados do Nordeste ( talvez o único) que não promove festivais ou mostras artísticas, nem de cunho exclusivamente local e\ou com atrações de outros estados. A exceção são os festivais e mostras de cultura popular, isso compromete a qualidade da produção local, da seguinte forma:
a) Pouca renovação da cena artística local em virtude da ausência de uma aproximação mais direta com a produção de outras regiões.
b) Pouco incentivo à freqüência do público aos espaços culturais.
c) Isolamento de Aracaju do cenário artístico-cultural regional e nacional.

8 – PROMOÇÃO DE EVENTOS LIGADOS ÀS MANIFESTAÇÕES DO CICLO CARNAVALESCO E NATALINO.

Sergipe também tem seus blocos de carnaval e escolas de samba, embora a invasão massiva dos blocos baianos a partir do Pré-caju tenha diminuído bastante o ímpeto daqueles que fazem o carnaval da cidade.
O ciclo natalino, embora tenha perdido a maioria dos seus folguedos e brincantes, ainda resiste em alguns locais do interior e da periferia, mesmo que não seja de forma real, pelo menos na memória daqueles (as) que fizeram parte de grupos de reisado, guerreiros, pastoril etc.
Para revigorar aquilo que está escondido e\ou esquecido faz-se necessário algumas ações como se seguem :
a) Realização de pesquisas, estudos, seminários e oficinas relacionados às manifestações dos ciclos carnavalesco e natalino.
b) Discussão com a Secretaria de Educação sobre um planejamento conjunto visando inserir professores e alunos das redes municipal e estadual em um conjunto de atividades que ajude no resgate e disseminação das manifestações do ciclo carnavalesco e natalino, especialmente no caso de Aracaju revitalizar o clube do povo e o carnaval nos bairros.
c) E também especialmente no caso de Aracaju realizar a Feirinha de Natal com apresentações do auto de natal nordestino, concertos de música erudita, apresentações de folguedos ligados ao ciclo natalino, carrossel etc.



9 - APOIAR FINANCEIRAMENTE EDUCADORES JUVENIS QUE TRABALHAM COM ARTE NAS COMUNIDADES.

Sugestão apresentada pelo jornalista Gilberto Dimenstein, coordenador da ONG Cidade Escola Aprendiz, através da internet aos candidatos a Presidência da República em 2002. A proposta inspirada nos programas Bolsa Escola e Pet é destinar um salário mínimo para os adolescentes e jovens estudantes que estejam envolvidos com a promoção de atividades artísticas e desportivas.
Esta proposta busca evitar que os coordenadores dos grupos desistam do trabalho com arte e cultura em virtude da necessidade de buscar trabalho no mercado formal e informal.
O principal argumento de defesa da idéia é o fato de que o trabalho desenvolvido pelos grupos representa um beneficio para toda a sociedade, na medida em que evita o envolvimento de muitos adolescentes com drogas, com furtos e assaltos, previne a gravidez precoce, aumenta a auto estima etc.. Por isso, é justo que o poder público colabore desta forma.
Obs.: O governo federal, em parceria com prefeituras, desenvolve o programa Agente Jovem, e o governo do estado, o programa Jovens em Ação. Nos bairros em que os agentes culturais da Ação Cultural estão presentes estes programas praticamente não existem, salvo engano, e naquele de que temos notícia (Conjunto Jardim), quando existe, incorpora um número inexpressivo de jovens protagonistas de ações culturais.

10 - ABRIR AS ESCOLAS PÚBLICAS PARA A COMUNIDADE NOS FINAIS DE SEMANA.

Este programa da UNESCO, intitulado Escola da Paz, testado e aprovado no Rio de Janeiro, já estendido para outros Estados e Municípios, tem como objetivo oferecer oportunidades de acesso à cultura, esporte, arte e lazer para jovens em situação de “vulnerabilidade social”, utilizando a estratégia de abrir escolas nos finais de semana – período de maior incidência de atos violentos envolvendo a juventude. Esta proposta amplia o trabalho desenvolvido pelos grupos em termos de quantidade de crianças e adolescentes atendidos, disponibiliza profissionais qualificados para dar suporte técnico às atividades, elabora um planejamento integrado, melhora os espaços físicos para a realização das atividades etc..
A idéia foi incorporada pelo governo federal em parcerias com estados e municípios com o nome de Escola Aberta e não chegou a Sergipe via governo federal, mas foi incorporada pelo governo estadual com o nome Abrindo Caminhos. No entanto, esta ação não contempla regiões da periferia que deveriam ser priorizadas, como é o caso do Conjunto Jardim, onde há poucos espaços físicos e falta apoio e incentivo para as práticas culturais.
Um problema sério das escolas é a falta de espaços físicos apropriados para a prática de atividades culturais. É raro as que dispõem de auditório e mais raro ainda aquelas que destinam uma sala de aula exclusivamente para a prática de atividades artísticas. É urgente que verbas do MEC , dos estados e das prefeituras sejam destinadas para esta finalidade.


11 – PROMOÇÃO DE CONCURSOS DE PROJETOS PARA FINANCIAMENTO DE PROJETOS CULTURAIS.

O governo federal foi muito feliz quando concebeu o Programa CULTURA VIVA – Pontos de Cultura - que propõe uma maneira bem original e criativa de parceria público-privada em termos de apoio à produção cultural da periferia. O problema são as exigências burocráticas. O Banco do Nordeste criou um programa de fomento do acesso mais simples e que favorece uma participação mais ampla – o Programa BNB DE CULTURA. O programa VAI, criado na administração da Prefeita Marta Suplicy (SP), segue nessa mesma direção.
Esperamos que o Ministério da Cultura, Petrobrás e outras empresas estatais que financiam projetos culturais mediante o uso de editais repensem o seu modus operandi. Uma das possibilidades seria financiar projetos de custos mais baixos e com exigências mais simples.

Imagens dos Fóruns Populares de Cultura nos bairros - conjunto Jardim e Eduardo Gomes.

Henrique da Academia Rick di Karllo.

Vista parcial dos participantes

Apresentação cênica do Grupo Procena de espetáculos.

Lucy Paixão da Academia Rick d Karllo e mulheres artesãs.

Voluntária de apoio (responsável pelo apoio a atividade de relatoria)

Platéia no fórum local do conjunto Jardim

Palestra: Auto Estima e Profissionalização com Clenilde Alferes.(Ong Ação Cultural).

Grupo de Capoeira no fórum local do conjunto Jardim.

Grupo de alunas do Colégio Leão Magno apresentando coreografia.

Relatório de Atividades - 2005

CONQUISTAS
O ano de 2005 começou com uma grande conquista para todos os nordestinos: O concurso de projetos culturais do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). O processo de inscrição e o formulário são muito simples. Participamos com dois projetos: um, cujo objetivo era uma oficina de teatro no conjunto Jardim, e outro voltado para palestras e oficinas de metodologia do trabalho social-educativo com arte. Infelizmente não fomos classificados.

Para o ano de 2006 enviamos novamente um, tendo como foco uma oficina de dança no conjunto Jardim e outro semelhante ao que foi enviado no ano passado, que trata de palestras e oficinas de metodologia do trabalho social-educativo com arte, sendo desta vez enviado através da Prefeitura da Barra dos Coqueiros, como parte integrante da programação do II Encontro Cultural do município a ser realizado, em dezembro de 2006.

Uma conquista no final de 2005 foi o registro em cartório. Está faltando obter o número do CNPJ, o que deve acontecer até o final de janeiro de 2006.

Em Janeiro/ Fevereiro de 2005 mais uma conquista foi conseguirmos romper um bloqueio na escolha dos delegados para representar o estado no Seminário de Culturas Populares em Brasília, que deveria contar apenas com representantes de grupos folclóricos mais inseridos na área de influência de setores ligados à Secretaria de Estado da Cultura, especialmente mestres e brincantes da cidade de Laranjeiras e funcionários do órgão estadual.

Graças à visita à home page do Ministério da Cultura (MINC) ficamos sabendo de uma oficina preparatória, aqui em Aracaju, para o seminário em Brasília, da qual ninguém no Estado de Sergipe ligado à área de cultura, no âmbito da sociedade civil, tinha conhecimento. Foi mantido contato com Isaac Galvão (Presidente do Sindicato dos Artistas) e com a representação do MINC no Nordeste, e a mobilização foi realizada. Isso possibilitou que fosse agregada qualidade à representação de Sergipe no seminário em Brasília
Na capital federal Zezito fez algumas intervenções, inclusive conseguindo aprovar propostas de diretrizes prioritárias no relatório final.

Esse mesmo problema aconteceu no final de 2004, quando da vinda de Élder Vieira, assessor da Secretaria de Programa e Projetos Especiais do MINC esteve presente para falar sobre o Programa Cultura Viva e poucas pessoas na cidade tiveram conhecimento. Navegando através da página do MINC ficamos sabendo e conseguimos mobilizar cerca de 60% dos presentes no auditório.

Uma boa notícia no final do ano foi a eleição de Lucy Paixão, secretária da Ação Cultural, (numa escolha bem disputada, em São Cristóvão) para representar Sergipe na Conferência Nacional de Cultura, em Brasília.

Uma outra conquista importante foi a programação dos almoços culturais na residência do Zezito e Irene. A idéia no princípio foi pensada para gerar algum lucro e contribuir para uma maior integração dos amigos, colaboradores e sócios da Ação Cultural. Mas ficou constatado que não gera lucro financeiro. Contribui todavia para aproximar as pessoas. Foram realizados três momentos em 2005: Fevereiro (feijoada), junho (café nordestino) e novembro (mocotó).
almoço cultural


Por ultimo, não podemos deixar de registrar o evento cultural que mais marcou o ano de 2005 para a Ação Cultural: O I Fórum Popular de Cultura. Feito com raça, coragem e na base do apoio dos amigos e compaheir@s e com a colaboração da Biblioteca Municipal Clodomir Silva, do SESC, do Centro Educacional Bem-Me-Quer e Casa Santa Zita, que cederam espaços para reuniões e realização de atividades ligadas ao evento.
Os aspectos positivos foram os seguintes:
• O trabalho na equipe de coordenação do evento com pessoas com as quais os integrantes da Ação Cultural não tinha desenvolvido atividades em comum antes, como Real, Flávio, Nely e Ademir.
• A grande divulgação através da mídia impressa (Jornal Cinform) e da Rádio Cultura;
• A presença de José Cleto do Recife como palestrante na 2º parte do fórum;
• As ações que realizamos como desdobramento do Fórum, como os fóruns locais e o primeiro intercâmbio e mostra de dança em Pirambu;
• O Novembro Negro, que contou com a colaboração de alguns ativistas do fórum;
• A elaboração da carta cultural da periferia.






Em termos de aspectos negativos, devemos superar:
• A sobrecarga em cima de poucas pessoas;
• A forma precária como foi realizado o registro escrito das palestras e dos debates.
Obs.: Houve um maior cuidado nos fóruns locais.
• Os altos custos do telefone que recaiu sobre uma pessoa.

OPORTUNIDADES

• No ano de 2005 alguns componentes da Ação Cultural participaram de algumas oficinas de planejamento e elaboração de projetos: Curso de Incubação de Cooperativas de Economia Solidária, em Aracaju, promovido pela Universidade Federal de Sergipe; Oficina “Como elaborar projetos para a Lei Rouanet” em Aracaju, promovido pela Universidade Federal de Sergipe; Participação na oficina de orientação sobre o edital de projetos culturais do BNB, em Aracaju; Participação na oficina de elaboração de projetos do programa Petrobrás Cultural, em Aracaju.
• Zezito, Luci e Irene participaram de oficinas de danças circulares em Aracaju com Álvaro Pantoja, do Centro Nordestino de Animação Popular,
• A Ação Cultural esteve representada por Zezito em diversas reuniões da Articulação pela Democratização da Mídia, que tem como proposta discutir alternativas de diálogo com os Movimentos Sociais e Estudantis, Rádios Comunitárias, Sindicatos, Organizações Não Governamentais na busca pela democratização da informação, com foco em ações referentes ao direito humano à comunicação.
Reconhecemos que essas questões devem ser trazidas para uma discussão com os integrantes da Ação Cultural e colaboradores para que a representação seja mais firme e expresse a vontade dos integrantes da ONG.
• O diretor-presidente da Ação Cultural participou dos seguintes eventos como palestrante:
No projeto Palco Giratório, discorrendo sobre o tema “Cultura e Cidadania” promovido pelo Departamento Nacional do SESC, em Aracaju; Na Conferencia Municipal da Barra dos Coqueiros, discorrendo sobre o tema “Política Municipal de Cultura”; No Encontro Nacional de Estudantes de Arte-Educação, discorrendo sobre o tema “Cultura e Movimentos Sociais”; No I Simpósio Cultural de Pirambu, discorrendo sobre o tema “Um outro mundo é possível através da arte”, promovido pela organização Veredas da Cultura; No I FAES – Festival de arte-educação e saúde do Conjunto Orlando Dantas, promovido pela Secretaria Municipal de Saúde, discorrendo sobre o tema: “Diversidade Cultural”.

DIVULGAÇÃO DAS INICIATIVAS CULTURAIS NA IMPRENSA

Fevereiro de 2005 - Arte na cesta básica de todos. (artigo) – Jornal Cinform
Abril de 2005 – Aracaju, seus 150 anos e a cultura que fica. (artigo) – Jornal Cinform
Maio de 2005 – Circuito estimula produção de cultura nos municípios (reportagem) – Jornal Cinform
Julho de 2005 – A conferência municipal de cultura vem aí. (artigo) – Jornal Cinform


Sobre o Fórum Popular de Cultura
Fórum Popular de Cultura – Bilhetim – 31 de Julho de 2005
Cultura dos Excluídos pede passagem – Jornal Cinform - 25 a 31 de julho de 2005
Ação Cultural promove Fórum – Jornal Cinform – 18 a 24 de julho de 2005
Opinião do Leitor – Artistas Anônimos – Jornal Cinform – 08 a 14 de julho de 2005
Montanha Cult/O sobe e desce da cultura – Jornal Cinform – 01 a 07 de agosto de 2005.
Breves – Fórum Popular – Jornal Cinform – 08 a 14 de agosto de 2005.
Fórum Popular - Jornal Cinform – 05 a 11 de setembro de 2005.

DESAFIOS
Durante o primeiro semestre de 2005 elaboramos e tentamos negociar o projeto “Revitalizando a escola através da ação cultural”, junto às Secretarias de Educação de Aracaju, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros. Não obtivemos sucesso. Alguns fundamentos do projeto foram aproveitados na construção do fórum popular de cultura (edição 2006).
Um outro projeto elaborado e apresentado em 2005 para o Banco do Nordeste do Brasil, Superintendência de Sergipe, chama-se “Seminário - Cultura e Desenvolvimento Local”. A proposta foi bem recebida e poderemos negociá-lo junto a diversos patrocinadores para a obtenção de apoio, a partir do segundo semestre de 2006.
Também, em termos de projeto elaborado em 2005, - Show e oficina “Arte e Vida”, do poeta, compositor e cantor cearense Zé Vicente. Chegamos a fazer uma reunião onde apresentamos vídeos com clips e imagens de shows do artista, mas não conseguimos êxito em virtude da pequena participação de pessoas e entidades na reunião, que buscou ampliar as parcerias na realização do evento.
Pretendemos retomar as discussões do projeto no segundo semestre de 2006 na perspectiva de incorporação da proposta do Show e da oficina do Zé Vicente dentro da programação do Fórum 2007.
Uma pergunta constante que é feita para nós é por que não participamos do concurso de projetos do Programa Cultura Viva (MINC), cujo foco é promover inclusão através da cultura, semelhante ao da Ação Cultural. O problema esbarra no registro legal da entidade que deve ter no mínimo dois anos. Se esse impedimento não for incluído nos próximos editais poderemos participar mais cedo.
Outro desafio para 2005 é elaborar projetos para incluir a Companhia de Dança Rick di Karllo, a Companhia Teatral Pró-Cena, a Escola de Música Santa Cecília e o poeta Carlos Augusto Real, visando à participação dos mesmos nos diversos concursos, especialmente o do Banco do Nordeste (edição 2007).

FRUSTRAÇÕES

A Conferencia Municipal de Cultura foi a principal decepção no final do ano de 2005. Como foi em 2004, amargamos a falta de atenção da administração municipal em relação à lei que instituiu o Programa VAI.
Já a conferência estadual, não se realizou, o que comprova a permanente falta de compromisso e de responsabilidade do governo estadual com a gestão democrática da cultura.

LIMITES
O fórum intermunicipal de cultura, que foi iniciado após o retorno do seminário de culturas populares em Brasília, não decolou. A iniciativa contou com a participação de Tereza (de Pirambu) e Vânia (de São Cristóvão) e, da parte da Ação Cultural, Zezito e Maxivel. Foram realizadas diversas reuniões nas cidades de Pirambu e São Cristóvão, mas não houve continuidade. O saldo positivo foi a aproximação e/ou fortalecimento dos laços de amizade. Além das pessoas já citadas, Edineide (da Secretaria de Cultura da Barra dos Coqueiros) e Zailton (da Secretaria de Cultura de Japaratuba). Algumas das idéias que nortearam a realização do I Fórum Popular de Cultura têm origem nas reuniões do fórum intermunicipal.
Outro projeto que não decolou foi o Circuito Arte e Cidadania. Embora tenha sido realizado com relativo sucesso nas cidades de Pirambu e Itabaiana, não conseguimos parcerias para estendê-lo a outros municípios. Entretanto, algumas ações do projeto foram incorporadas aos fóruns locais.

Escritos sobre o fórum popular de cultura sob o calor da emoção.

"O Fórum Popular de Cultura foi um sucesso em todos os sentidos, em termos de quantidade chegamos a atingir 20% a mais do numero estimado que foi de 50 pessoas, as pessoas elogiaram bastante a organização e a dinâmica do evento, o debate entre os artistas da periferia, educadores e produtores culturais foi de alto nível. Os palestrantes – Chico Buchinho, Virgínia Lúcia, Antônio Cruz e Jeane Marcelino foram bastante elogiados certamente porque há um clamor popular querendo vida em abundância, mas vida com beleza. Como disse Caetano Veloso: “Gente e prá brilhar e não pra morrer de fome” e a Banda Titãs: “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte” e digo mais “a gente quer arte e informação de qualidade para ajudar a construir um outro Brasil”.
Nossos agradecimentos em primeiro lugar ao Deus artista do universo e que também se diverte com as nossas criações e a Maria de Nazaré que gostava tanto de festa que nas bodas de caná pediu para seu filho transformar a água em vinho e a todos e todas que contribuíram para o sucesso do evento."


"Há alguns anos participei ativamente juntamente com artistas, lideranças do movimento popular, adolescentes, educadores populares ou sociais como queiram chamar de uma das coisas mais fantásticas em termos de mobilização social que foi a passeata contra a chacina das crianças da terra dura, naquele tempo eu era e continuo aprendiz embora hoje saiba de muito mais coisa do que antes.

Naquela passeata eu percebi que as lutas por mais justiça e por mais dignidade fica muito melhor quando busca denunciar as mazelas e o sofrimento que sofremos quando e feita com criatividade e com beleza.

O mesmo se aplicando a educação popular que pretende formar cidadãos muito mais que solidários como também cheios de beleza, ternura, criativo e éticos conforme aprendi nas oficinas do Centro Nordestino de Animação Popular e no curso de verão do Centro Ecumênico de Serviços a Evangelização e Educação Popular de São Paulo.

O tempo passou e através do Projeto Reculturarte no Bairro América com o apoio de agencias internacionais de cooperação como Visão Mundial, Cese, Unicef e duas vezes com a colaboração do Deputado Estadual Renatinho realizamos aquela que e considerada uma das melhores experiências de arte-educação popular e mobilização social em Aracaju.

Naquele tempo eu pensava que poderíamos construir a partir do projeto uma entidade cultural potente que fosse suficiente para resistir a omissão e negligencia de muita gente que hoje lamenta o fim daquela experiência, pensava que a fogueira da vaidade de muitos educadores que se julgavam superior aos outros não iria engolir todos inclusive aqueles que pensaram que iriam sair ilesos da irresponsabilidade de espalhar mentiras levianas, intrigas e fofocas contra os demais Mas ta bom, éramos todos jovens, sem muita experiência e apesar de alguns defeitos, idealistas e rebeldes.

E novamente aqui estamos, a vida nos da outra chance a partir da Rede PROVAI e posteriormente da criação da ONG Ação Cultural e novamente na realização deste fórum pude perceber que muita gente nova e outras companheiros velhos de guerra acreditam e lutam por um outro Brasil onde justiça e beleza possam se abraçar.
E os elogios ao evento foram muitos como organização, dinâmica e localização, palestrantes, diversidade de linguagens artísticas, raça/etnia, sexo, idade, nível de escolaridade, movimentos, religião, escolaridade, o nível dos palestrantes e como resposta que dei para alguns e que deixo aqui registrada o sucesso foi/e fruto da contribuição de muita gente.

Em primeiro lugar de DEUS pai/mãe todo(a) poderoso(a) e daqueles que nos judeus/cristãos chamamos de anjos, que os índios chamam de encantados e de orixás por aqueles ligados aos cultos afros.

Daqueles que acreditaram desde o inicio que o caminho e por ai e que participaram de todas as reuniões como Reall, Lucy e Flavio.

Da imprensa como a Radio Cultura e em particular a equipe do caderno de cultura do CINFORM que deu um apoio bem maior do que o esperado, o que surpreendeu muita gente especialmente os que desejam que o povo das comunidade marginalizadas continue com a alma pequena, sem acreditar na força da união, na necessidade de continuar lutando para ocupar espaços nas instancias de decisao, que continue crescendo o publico consumidor das porcarias da industria cultural , que os artistas e o povo da periferia não tenha auto-estima e que a maioria pense que não vale a pena continuar lutando por um outro mundo o qual para ser verdadeiramente possivel deve começar dentro da gente.

Agradecemos também o apoio da direção da biblioteca Clodomir Silva que acatou o pedido que fizemos de liberar uma sala para as reuniões, de Irma Simone, diretora da Casa Santa Zita que cedeu as instalações da Pastoral do Menor e que obteve a liberação do anexo do Centro Educacional Bem-Me-Quer."
José de Oliveira Santos "Zezito"
Coordenador Geral do I Fórum Popular de Cultura

A Escola fortalecendo a Cidadania Cultural.

* José de Oliveira Santos(Zezito)
Artigo escrito em 2001


Durante alguns anos como dirigente da Associação dos Moradores do Bairro América - AMABA, pude estabelecer contato com setores ligados ao movimento artístico e intelectuais de Aracaju. Esta aproximação se deu em virtude da necessidade de trabalhar aspectos da cultura, objetivando o reforço da auto estima da população daquele bairro, tão discriminado pelos setores dominantes e infelizmente reforçado por uma parcela bastante ampla dos próprios moradores.

A memória escrita e fotográfica deste trabalho confirma a realização de diversas oficinas culturais, exibição de filmes e vídeos e semanas de arte (1987 e 1988). O sucesso crescente dessas iniciativas vem culminar em 1989, com a aprovação de auxilio financeiro por parte de duas agências de fomento a projetos sociais: Cese (Coordenadoria Ecumênica de Serviço) e Visão Mundial ao Projeto Reculturarte.

Este, nasceu da reflexão feita por alguns componentes da AMABA, em conjunto com o Centro Sergipano de Educação Popular (CESEP), grupos de jovens da Igreja São Judas Tadeu e posto de extensão da FEBEM, no bairro América.

Enquanto cidadão (adolescente ainda) me acostumei na freqüencia a espaços culturais. O fato de ter morado durante muitos anos no Rio de Janeiro, mais especificamente na baixada fluminense, favoreceu este hábito. Das melhores coisas me recordo com saudade: das idas inúmeras ao teatro do SESC e teatro João Caetano, da apresentação de musica clássica do projeto aquarius, promovido pelo jornal O Globo, a biblioteca nacional, a cinemateca do MAM, aos shows Primeiro de Maio (inclusive o de 1981 em que uma bomba explodiu no colo de um militar de direita) etc... Isto tudo, mesmo morando na periferia e ser aluno da escola publica.

Nesta ultima situação foram pouco os momentos em que fui estimulado a prática e a apreciação das diversas formas do fazer artístico. A lembrança mais forte é a apresentação de “Cinderela” por um grupo de teatro de bonecos, e de uma aula-espetáculo de um grupo musical, infelizmente não me recordo do gênero.

Como estudante universitário (entrei na Universidade Federal de Sergipe - UFS em 1990), no ano em que as atividades culturais estimuladas por aquela universidade estavam em decadência, ao contrario dos anos anteriores quando o campus foi um celeiro de artistas para a cultura sergipana, ainda pude ter o prazer de me deliciar(antes de entrar na universidade) com a melhor produção da cultura nordestina, através do Festival de Arte de São Cristóvão, uma das iniciativas mais brilhantes da UFS nos anos 70/80.

O resultado disto e mais as leituras de alguns brasileiros, como Darci Ribeiro, apaixonados pelo povo e pela cultura deste país, é que me tornei um cidadão preocupado e disposto a enfatizar os aspectos mais significativos da cultura brasileira, como elemento constitutivo do esforço para a construção de uma sociedade menos desigual. Segundo Darci:

“Não se tem em nenhum lugar do mundo uma nação feita com base na miscigenação.(...) A massa principal dos brasileiros é feita disso. Uma gente de uma beleza extraordinária, que guarda o patrimônio de talentos corporais do índio e do negro, a sabedoria imensa do índio sobre a floresta e que guarda do negro a imensa espiritualidade. Isso dá ao Brasil um élan. É um povo capaz de fazer coisas incríveis.” (Entrevista concedida ao Jornal do Brasil)

O problema é que infelizmente não estamos habituados a valorizar as nossas raízes negras e indígenas, o que contribui enormemente para um sentimento de inferioridade em relação aos países europeus e norte-americanos. Chegamos até a reforçar a idéia de que os motivos do nosso atraso é exatamente esta herança cultural, há quem afirme ainda hoje que se o país fosse colonizado pelos ingleses ou franceses seriamos uma nação desenvolvida, esquecendo que a maioria das ex-colonias inglesas e francesas tanto na África como na Ásia e na própria América, estão em condições semelhantes ou piores que as nossas. È incrível como adoramos falar mal de nós mesmos, segundo o jornalista Fernando Rosseti:

“Talvez nenhum outro país tenha uma falta de auto-estima tão grande. Ignorante, despreparado, analfabeto são adjetivos suaves com que o brasileiro se autoclassifica. O preconceito é ainda mais forte nas classes média e alta, que fazem questão de reafirmar constantemente sua superioridade em relação ao “povão”(...) Se o bate-papo for entre professores ou educadores, o amargor não tem limites: “Os alunos não querem nada”, “Esse povo não se interessa por Educação”. Não faltam críticas nem mesmo aos professores “despreparados”, “desinteressados”.

Uma das lembranças mais fortes do preconceito contra as raízes culturais negras é a das criticas feitas aos cariocas e baianos justamente aqueles que trazem no corpo, nos ritmos, na devoção aos orixás as marcas mais fortes da ancestralidade africana. Lembro da imagem de “irresponsável”, “festeiro”, “malandro” com a qual o baiano é estigmatizado pelo sergipano, da mesma forma como o carioca o é pelo paulista.
Isso se repete também em relação as áreas de moradia, como no Brasil Colonial, a “casa grande” de hoje, que são os bairros da zona sul referem-se aos bairros da “periferia”, que são as senzalas de hoje com os adjetivos mais desqualificados.

No entanto, é da periferia ou das “senzalas” de hoje, que vemos surgir os principais responsáveis pela nossa alegria nas tão aguardadas noites de sábado, quando nos dirigimos para os bares ou casa de shows, ou nas jovens tardes de domingo quando nos sentamos junto ao sofá, para ver o Faustão ou o Gugu ou para ouvir os cds dos grupos de pagode, reggae, rap ou os artistas da MPB.

E a alegria não é só nossa é também dos moradores dos morros, das favelas, das “baixadas fluminenses” espalhada pelo Brasil afora, quando assisto ou ouço o grupo Cidade Negra, como é bom ver gente do lugar onde morei e com o qual me identifico fazendo bonito no Brasil e no mundo. É bom se ver num espelho que apresente os descendentes dos negros e dos índios como seres capazes de criar beleza mostrando a outra cara de um mundo onde dizem, só tem violência e miséria.

E a escola pública, como se tem posicionado diante disto tudo? Muitos professores são originários da classe média, o pensamento de uma parcela significativa reproduz a visão preconceituosa e elitista da classe dominante, o mesmo se sucede com a maioria dos pais e alunos que tem vergonha do que são e do lugar onde moram. Além dos meios de comunicação, outro responsável por tudo isso e a própria escola que tem a sua estrutura de gestão e currículos organizados de forma ultrapassada e não condizente com o atual estagio de desenvolvimento da sociedade.

É bem verdade que alguma coisa mudou, em passado não tão distante, os livros didáticos de Historia apresentavam os índios como preguiçosos pela recusa em se deixar explorar, para o enriquecimentos dos portugueses.

Quanto aos negros, nunca houve e ainda não há preocupação com o estudo sobre o continente africano. Sobre Zumbi e a luta dos quilombos somente há poucos anos é dado algum destaque. A propósito da capoeira, só uma citação como traço de uma herança cultural, estimular e apoiar a prática nem pensar. Se não fosse o movimento de conquista do espaço escolar vindo de fora para dentro da escola, dificilmente teríamos algo semelhante em termos de dança afro dentro das unidades de ensino. O reggae e o rap, duas importantes formas de expressão cultural dos jovens negros da periferia, passam bem distante da preocupação da maioria dos profissionais da educação.

Apesar disso, ainda bem que alguns sinais positivos de uma mudança de caminhos já começam a se fazer notar . Na década de 90, do século passado, a perspectiva de abordagem da escola como um espaço sociocultural e os sujeitos que nela atuam como portadores de diferentes identidades, assume uma dimensão maior. Acredito que desta maneira a escola se encontra em condição de um diálogo mais profícuo e duradouro com aqueles que as freqüentam.

Assumindo com vontade e decisão este papel, aquilo que tem chegado com maior intensidade para dentro da escola que é a violência física, poderá ser atenuada quando as causas forem discutidas e reapresentadas em forma de ações educativa, que certamente terão na arte um canal privilegiado. Uma experiência realizada em Salvador merece ser apresentada para dar uma idéia bem real de como esta mudança pode ser operada:

"Afinal, quem é a escola senão as pessoas que a compõem? Cadeiras e carteiras quebradas. Alunos desinteressados. Paredes riscadas. Professores atrasados, desanimados. Janelas sem vidro. Banheiros sem pias. Este cenário é familiar para você? Provavelmente, sim. É comum para milhares de escolas espalhadas pelo Brasil afora.

Na Bahia também. Lá, porém, esse quadro que mais parece uma praça de guerra depois da batalha, mas que na verdade é uma escola, virou pano de fundo para uma história de amor. A história de Ritinha e Sinval. Ela é representante de classe, boa aluna. Ele, o bagunceiro, da turma do fundão. Os dois, tão diferentes, se apaixonam. E começam a construir um presente diferente: junto aos amigos, aos professores, a cadeiras, carteiras, paredes, janelas, enfim, à escola.

A história de Ritinha e Sinval é ficção. É o enredo da peça Cuida Bem de Mim, a partir do projeto Quem Ama Preserva. O projeto é uma parceria do Liceu de Artes e Ofícios e da Secretaria de Educação da Bahia, que desenvolveu oficinas de teatro com 570 alunos e 310 professores da rede pública de ensino baiana sobre a depredação das escolas.

Depois do trabalho com estudantes e educadores, foi escrito o texto da peça. Os autores Luiz Marfuz e Filinto Coelho têm longa experiência em teatro.
Marfuz conta que, antes das oficinas, sua idéia de escola se resumia ao espaço físico das salas de aula e corredores. Com a experiência, percebeu que o problema era mais profundo. Incluía a destruição institucional da escola, das relações pessoais, dos papéis mal desempenhados por diretores que não dirigem, professores que não ensinam e alunos que não aprendem.

È uma situação que se repete em cada sala de aula do Distrito Federal, no Rio, em São Paulo, em Minas, no Rio Grande do Sul, no Ceará, no Pará e na Bahia falta então transformar a história de Ritinha e Sinval em realidade. Falta fazer baile, fazer música, fazer teatro, fazer arte, fazer jornal na escola. Fazer do quebra-quebra, do descaso, do desinteresse uma história de amor. Quem se habilita?”


Sem dúvida o processo de mudanças desencadeado por esta postura levará a transformação da visão do mundo de todos os sujeitos envolvidos. Inclusive o preconceito contra a população da periferia e a baixa auto-estima dos moradores. Da mesma forma como o comportamento dos alunos também será afetado de forma positiva, assumindo posturas de maior diálogo e cooperação com colegas e professores com reflexos, inclusive, na melhoria dos indicadores de aprendizagem. Embora o caminho para chegar até lá seja árduo e longo.

Lorene dos Santos, em sua dissertação de mestrado sobre a mudança do currículo de História, na perspectiva abordada acima, destaca o seguinte:

“A idéia de que a história deveria promover um diálogo entre diferentes culturas / temporalidades, num contraponto permanente entre presente / passado, também parte da perspectiva de que é pela contraposição com a diferença que se constrói a identidade. Além disso, a idéia de se trabalhar com a realidade vivenciada cotidianamente, problematizando-a, buscando compreendê-la a partir de sua historicidade, seria uma forma de resgatar as várias dimensões de identidade das quais os sujeitos da aprendizagem são portadores. Nesse sentido, questões relativas a gênero, etnia, faixa etária e tantas outras, parecem encontrar, no ensino da história, um campo fértil para a sua problematização.”

No entanto, existe um sério obstáculo para isso se tornar possível, citando outro autor Lorene dos Santos apresenta a seguinte questão:

“...os professores alegam pouco preparo para abordar questões que tratam de discriminação, preconceito, diferenças culturais, em sala de aula. Uma pesquisa, efetuada com docentes da área de História, Estudos Sociais, mostrou que a falta de formação e informação é apontada como um dos principais obstáculos para abordar esses temas. (PINTO, 1993: 44)”

Embora a citação privilegie a disciplina História, por se tratar de um estudo sobre o ensino desta matéria na rede escolar de Belo Horizonte, é evidente que todos os aspectos relacionadas a questão da identidade (gênero, etnia, faixa etária, religião) diz respeito a todas as outras disciplinas.

Para o professor e/ou estudante interessados em tornar a escola um espaço de criação e liberdade, lugar onde a diferença seja conhecida e valorizada, as alianças para tornar realidade este desejo parecem fortalecidas. Digo “parecem” porque, infelizmente, na maioria das vezes, aquilo que representa um avanço em termos de legislação e de documentos oficiais não é assumido de forma efetiva pelos estratos mais baixos da hierarquia do poder. Basta lembrar da ausência de uma proposta permanente de atualização, para os professores da rede publica de ensino em nosso estado, visando suprir as demandas colocadas que colocamos em destaque A Lei de Diretrizes e Bases, entre outros exemplos, destacamos o Art. 26 § 4º.

“O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente das matrizes indígena, africana e européia.”

Este ponto de vista é fortalecido pelo tema transversal “Pluralidade Cultural” contido nos documentos dos PCNs:

“Para viver democraticamente em uma sociedade plural é preciso respeitar e valorizar a diversidade étnica e cultural que a constitui. Por sua formação histórica, a sociedade brasileira é marcada pela presença de diferentes etnias, grupos culturais, descendentes de diversas nacionalidades, religiões e línguas.(...) Essa diversidade etnocultural freqüentemente é alvo de preconceito e discriminação, atingindo a escola e reproduzindo-se em seu interior. A desigualdade que não se confunde com a diversidade, também está presente em nosso país como resultado da injustiça social. Ambas as posturas exigem ações efetivas de superação”.

E é neste sentido que propomos o projeto “Circuito Cultural Arte e Cidadania nas Escolas” que objetiva formar núcleos de cultura e cidadania para contribuir para que os anseios de uma escola mais inclusiva, plural e prazerosa se torne realidade, contribuindo para que as distancias entre as palavras e os atos sejam abreviadas o mais rapidamente possível, para o bem de todos e felicidade geral nação.
* É Professor de Historia e Educador Popular

RECULTURARTE: Experiência comunitária de Arte - Educação em Aracaju

Por
José de Oliveira Santos (Zezito)
Artigo escrito em 1997


O presente artigo tem como objetivo apresentar um resgate histórico – critico, a partir da vivência pessoal e do reexame da memória escrita produzida nos 06 (seis) anos de existência do Projeto Reculturarte.

O inicio da experiência, em 1989 deu-se a partir do esforço conjunto da Associação dos Moradores e Amigos do Bairro América (AMABA), do Centro Sergipano de Educação Popular (CESEP) cuja sede naquele momento estava situada no Bairro América, com a participação de membros dos grupos de jovens da Igreja São Judas Tadeu, e em alguns momentos com a participação da assistente social do posto de extensão da Fundaçao Estadual de Bem Estar do Menor (FEBEM) no bairro América.

No início de 1989 foi promovida uma série de reuniões com o intuíto de engajar um grupo expressivo de jovens num esforço coletivo de recuperação da dignidade e cidadania das crianças e adolescentes. Após algumas tentativas de elaboração de estratégias para agrupar, socializar, reeducar e formar grupos de produção e geração de renda , junto ao publico infanto - juvenil , decidiu-se utilizar a arte e recreação, considerando que devia-se partir daquilo que é mais ligado ao mundo da criança e que por isso favorece mais a sua grupalizaçao.

Com o objetivo de melhorar a capacidade de intervenção dos jovens, foram realizadas algumas atividades de formação destacando-se nesse ano a realização de um Encontro de Jovens do bairro América, que reuniu representantes de 10 (dez) grupos, incluindo alguns de bairros adjacentes. O tema do encontro foi “A questão do menor abandonado em nosso meio”. Esse evento buscou também ampliar a quantidade de pessoas comprometidas com a proposta de trabalho.

Em termos de ação direta com as crianças, os registros dão conta da realização de um campeonato de bola de gude em maio, uma quadrilha junina em junho, e uma tarde de lazer em outubro de 1989. O grupo de capoeira já existente na AMABA desde 1988 foi incorporado a proposta de trabalho. Outra experiência inicial foi a turma do teatro, animado por um jovem do grupo teatral da igreja e a turma da dança, animada por uma professora, responsável pela organização da quadrilha junina. A formação da cooperativa dos guardadores de carro difere das outras iniciativas pela proposta de organizar os meninos que trabalhavam em frente a igreja, para obterem maiores condições de trabalho e aumento na renda financeira. Depois de algum tempo, em virtude da falta de experiência dos jovens educadores no trato das questões ligadas ao mundo do trabalho, a alfabetização e a recreação foram incorporadas como proposta de intervenção junto aos guardadores de carros.

Com o íntuito de oferecer condições de compra de material necessário para a realização das atividades foi solicitado e aprovado o apoio financeiro da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) de Salvador-Ba.

Em Setembro de 1989 acontece a participação do assessor do Projeto Reculturarte, José da Guia Marques, e três adolescentes no II Encontro Nacional de Meninos e Meninas de Rua, que reuniu em Brasília 700 crianças e 200 educadores do Brasil e de alguns países da América Latina para a discussão de problemas gerais ligados a infância e para pressionar os políticos e autoridades visando a aprovação do estatuto da criança e do adolescente.
Esse encontro contribuiu para o conhecimento de novas linhas de trabalho e iniciou o processo de articulação regional e nacional do Projeto Reculturarte com o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua.

O I Encontro de Crianças e Adolescentes do bairro América e a passeata contra a violência foram resultados da influencia positiva do Encontro em Brasília. Esses dois eventos e o I Festival Infantil foram os momentos de maior destaque no ano de 1990. A passeata contra a violência, inicialmente prevista para ser realizada no bairro América, tornou conhecido o Projeto Reculturarte além dos limites da comunidade, em virtude da revolta de expressivos setores da sociedade aracajuana contra a ação do grupo de extermínio que assassinou quatro crianças no bairro Terra Dura.

Inicialmente, a passeata contra a violência faria um protesto contra a morte de diversas crianças e adolescentes no bairro América que, segundo versões da policia, eram causadas pelas disputas internas entre os grupos de viciados e traficantes.
A partir das denuncias de garotos sobreviventes e da comprovação da participação de policiais na chacina da Terra Dura ficou confirmado que a famosa “guerra da maconha” era uma intervenção de setores da policia e da imprensa. Diante disso a AMABA aceitou a proposta de outras entidades e artistas para a realização de uma mobilização de protestos em conjunto.

Alem da articulação local, a passeata foi vinculada a a campanha nacional “Não Matem Nossas Crianças” coordenada pelo Centro de Apoio as Populações Marginalizadas (CEAP) do Rio de Janeiro que enviou a Aracaju um representante, Ivanir Santos.

De acordo com a entrevista concedida ao Jornal de Sergipe em 27 de novembro de 1990, Ivanir Santos afirmou que sua presença em Sergipe tinha por objetivo conhecer com profundidade a real situação dos menores marginalizados do Estado. “Foi surpreendente para mim, ver o Secretário de Segurança do Estado afirmar num programa local que o numero de casos de assassinatos de menores não era tão alto em Sergipe e verificar, junto aos dados da OAB, o registro de cerca de 140 mortes”, disse. Ivanir Santos explicou que o CEAP deverá fazer uma investigação própria sobre a situação em Sergipe para enviar os dados a Anistia Internacional.

Prosseguindo a experiência bem sucedida de realização dos momentos de formação, foi realizado em setembro de 1990, o 1O Encontro de Educadores do bairro América. Nesse momento, foi realizado um levantamento dos avanços e dos entraves que dificultavam a melhoria da qualidade do trabalho com as crianças e adolescentes. Nesse mesmo ano foi celebrado o convênio com a Visão Mundial, que garantiu a remuneração permanente de alguns educadores e a compra de equipamentos e material de consumo para as atividades (capoeira, dança, teatro, banda afro, esporte, alfabetização, jornal e artesanato) e eventos especiais (festival infantil, retiros, passeios, encontros de educadores e festas)
Com isso o Projeto Reculturarte passou a distinguir a AMABA em relação as demais associações de moradores, pelo destaque da ação cultural, envolvendo crianças e jovens.

Em termos de ação educativa o dia-a-dia do projeto foi realizado através de uma serie de atividades em dias alternados e por eventos de formação e momentos de lazer realizados de forma esporádica.

As atividades foram realizadas na AMABA e em espaços cedidos pela Paroquia São Judas Tadeu (durante os dois primeiros anos de funcionamento do projeto) e em campos, praças, ruas e etc. Do total de tempo destinado para cada atividade, a maior parte foi empregada em ensaios e treinos, o tempo restante para conversas sobre questões internas da atividade ou assuntos de interesse das crianças e adolescentes, com destaque para a questão das drogas, violência e sexualidade.

Com o objetivo de ampliar o tempo para abordagem dos diversos temas, foi realizado em 1995 uma experiência de formação, através dos programas de reflexão: Afetividade, Zumbi dos Palmares e Solidariedade, que eram realizados durante os sábados e serviam como preparação para os retiros realizados em chácaras, escolas, e espaços da igreja (destinados para encontros de fins de semana), onde os temas dos programas de reflexão eram aprofundados.

Quanto a questão de tempo, as atividades foram realizadas com uma média de um a três encontros semanais com duração de duas horas por encontro. O numero de participantes variou de dez (teatro) até cinqüenta (banda).

Algumas atividades estiveram presentes com poucos momentos de interrupção, desde o inicio do Projeto, como é o caso da banda, da dança, do esporte e da capoeira.

A capoeira já existia na AMABA antes mesmo da criação do Projeto Reculturarte, a partir de um projeto do setor de cultura negra da Secretaria de Cultura do município (atualmente FUNCAJU). O Projeto denominado Capoeiração, de 1988, durou apenas um ano, tendo o grupo se constituído a partir da disposição do mestre Alvinho Sucuri e de alguns alunos interessados. Foi a única atividade que mereceu um estudo mais completo por parte de Rita Leolinda, estagiária de Serviço Social da Universidade Federal de Sergipe (UFS), no ano de 1990.

Segundo o relatório de pesquisa o grupo, na época (Maio a Agosto de 1990), contava com dezenove membros assíduos, da faixa etária entre 7 e 14 anos. Já naquele momento a autora apontava alguns limites e problemas, que também apareceriam em analises e discussões relacionadas a outras atividades em anos seguintes.
Rita Leolinda destacou uma grande identificação cultural ligada a capoeira e a mobilização do grupo baseada na própria atividade, embora não seja este o propósito principal do projeto, conforme percebeu a estagiária. Quanto a escolarização, “O índice de repetência 60% e mais de três vezes, é alto” (Rita 1990:16). A autora percebeu também certa reprovação quanto a participação do sexo feminino nos treinos e a utilização de apelidos pejorativos a alguns membros de cor negra acentuada. Quanto a participação de meninas no grupo, essa realidade foi modificada em 1993, com a entrada de algumas adolescentes no grupo, embora não tenha havido continuidade dessa participação.

Quanto a questão do preconceito racial, a proposta do programa de reflexão sobre os 300 anos de Zumbi dos Palmares (1995) incluiu o racismo como principal tema dos debates, não influenciando infelizmente a maior parte dos(as) meninos(as) das atividades.
Para o entendimento da dinâmica do projeto em 1993, visto a partir do olhar de um grupo de vinte crianças e cinco educadores que se reuniram na cidade de Propriá, vale a pena transcrevermos a síntese das várias opiniões acerca do que era bom e do que era ruim naquele momento. As coisas boas eram: alegria, brincadeira, lazer, arte, amor (que muitas vezes não encontramos na família), paz, refugio para os problemas, momento novo agora e sempre, uma forma diferente de ensinar e aprender, desejo de transformar a sociedade, Jesus presente naquilo que gostamos. As coisas ruins eram: injustiças, falsidades, engano, confusão, poucos fazem e muitos criticam, medo do projeto acabar ou dos meninos não poderem levar a frente.

Quando aquilo que diz respeito as dificuldades do relacionamento interpessoal, a não superação de muitos desses problemas provocou o afastamento de muitos educadores(as), meninos(as), assim como de sócios e dirigentes. Se isso não levou ao fim do projeto, sem duvida nenhuma quebrou um pouco o encanto inicial, já que a proposta daqueles que formularam a idéia original ia em sentido contrário as valores individualistas e competitivos que vigoram na sociedade atual.

Em termos conclusivos, embora até o ano de 1995, já que, a partir do segundo semestre de 1996, não estamos mais presentes enquanto dirigentes da AMABA, nem enquanto educadores a constatação que fazemos é que, em termos de resultados, a experiência do projeto foi feliz quanto a grupalizaçao, socialização e reforço da auto-estima de um grupo expressivo de crianças negras e pobres do bairro América. Vale lembrar o sentimento de satisfação e alegria compartilhados por muitos daqueles que estiveram presentes, tanto na condição de realizadores como na condição de convidados, quando da apresentação de produção cultural em alguns momentos, caso do festival infantil (1990 a 1994) e festa Kizomba (1995). O que se viu foi muita beleza, originalidade e sentido de cooperação por parte de todos os envolvidos. No entanto, outras medidas relacionadas a melhoria do padrão socio-economico-cultural, ou não foram levadas em conta ou as tentativas de implementá-las foram bastante tímidas. Pelo fato de ter estado presente no Projeto Reculturarte desde o inicio, confirmo as duas hipóteses.
O estudo de Rita Leolinda acerca da atividade de capoeira já apontava para a necessidade, manifestada pelos próprios meninos, do reforço escolar e cursos profissionalizantes.
Já foi dito que o Movimento Popular está em crise por não ter se preocupado com a estética e com a mística, tendo se reduzido apenas ao aspecto político.

As lições da crise da AMABA/ Projeto Reculturarte de 1993, quando a maior parte dos membros do conselho deliberativo pediu demissão, aponta em sentido contrário a afirmação anterior. No caso da AMABA/Projeto Reculturarte, uma das principais razões do “racha” foi a ênfase excessiva no aspecto cultural (estética). Sobre o assunto, conforme o relatório do primeiro encontro de avaliação institucional da AMABA, de Maio de 1993, a opinião do grupo dissidente a respeito dessa questão foi expressa da seguinte forma: ”Tendência a reduzir o trabalho da AMABA a atividades culturais. Há dois grupos perseguindo objetivos diferentes”
Em minha opinião, a concepção inicial acerca da ação cultural foi pensada de forma integrada, buscando através da arte expressar os sentimentos da população do bairro América acerca da realidade de opressão e de abandono, e ao mesmo tempo, organizar e mobilizar as pessoas diretamente envolvidas, assim como os moradores em geral. Se em alguns momentos o retrato da miséria e das injustiças foi apresentado com competência, a organização e a mobilização para as conquista acerca da melhoria da qualidade de vida ficaram a desejar.

Colaboradores
Revisão Maxivel Ferreira
Digitação Irene Smith

PROJETO RECULTURARTE: UM ESPETÁCULO POSSÍVEL AO CAMINHO DO DESAFIO DA INCLUSÃO SOCIAL NO LAZER
Jussara da Silva Rosa
Luiz Carlos Vieira Tavares
Mestrandos do curso de Educação Física da UNIMEP


RESUMO: No intuito de relatar nossa experiência profissional em um projeto social desenvolvido por uma associação de moradores, é que objetivamos com este artigo trazer para a arena das discussões a possibilidade de diálogo sobre essa prática, divulgando e ampliando nossas ações, bem como, apontar possibilidades para a experiência inclusiva do lazer, e aqui no caso específico na dança, por acreditar que ela permite ao seu participante um verdadeiro sentir, pensar, agir, perceber e reagir enquanto ser humano histórico e cultural na dinâmica de suas relações.

INTRODUÇÃO

O Projeto Reculturarte é desenvolvido no Bairro América da cidade de Aracaju. O Bairro América no seu surgimento era caracterizado como suburbano, mas com o crescimento da cidade hoje já não é mais possível caracterizá-lo por este aspecto.

A história desse bairro começa com a instalação do Reformatório Penal do Estado nesta região, que a partir daí, passou a ser conhecida como “Caatinga da Penitenciária”.

A maioria dos presos nesta época eram do Estado de Sergipe. As suas famílias ao se deslocarem para a capital, na intenção de visitá-los deparavam-se com problemas de acomodação (abrigo) e retorno, visto que nesta época não tinha transporte diariamente. Diante dessas dificuldades as famílias dos presidiários começaram armar tendas e barracos nas redondezas da penitenciária. Porém, estas famílias não foram os primeiros habitantes, pois, já morava lá, o carroceiro e o enfermeiro da penitenciária.

O judeu José Zúkema ao observar esta situação começou a lotear estes terrenos por preços acessíveis para estas famílias e até mesmo para ex-presidiários. Não se sabe ao certo se José Zúkema era realmente dono dessas terras ou se foi apenas o loteador. Zúkema viveu muito tempo na América, mas precisamente nos Estados Unidos, foi por este motivo que ele deu a “Caatinga da Penitenciária” o nome de América.

Desde o seu início o bairro é constituído por uma população de baixa renda, onde a maioria dos trabalhadores são absorvidos na construção civil, no serviço público (servente, vigilante, professor), faxineiras e desempregados. As famílias são grandes, de estrutura frágil, em que a figura do esposo é freqüentemente trocada, além de possuírem grande número de filhos. Estes, por sua vez começam a trabalhar nos primeiros anos de vida para auxiliarem no orçamento de casa.

O bairro é hoje marcado por uma série de problemas sociais que vão desde os mais simples de infra-estrutura até os mais complexos e lamentáveis problemas sociais.
Foi por perceber estes problemas que um grupo de moradores do bairro sentiu a necessidade de criar uma associação que amenizasse ou até mesmo superasse tais problemas, e é a partir desta intenção que surge a Associação de Moradores e Amigos do Bairro América (AMABA).

A AMABA é uma entidade comunitária que foi fundada em 14 de abril de 1983 por um grupo de moradores preocupados com a situação de abandono do bairro, que só é lembrado pelas autoridades na época de eleições. E hoje se caracteriza por ser uma entidade profundamente comprometida e reflexiva com os problemas sociais tais como: violência, saúde, educação, ecologia e lazer.

Na intenção de obter dos governantes um compromisso mais efetivo com a população do bairro e também de bairros vizinhos, a diretoria, coordenadores e moradores se reúnem em comissão para solicitar audiência ao governador, prefeito e secretários; promove abaixo-assinados; denuncia à imprensa as irregularidades e quando é necessário promove atos públicos na intenção de sensibilizar e mobilizar a comunidade para uma atitude política diante das desigualdades e injustiças sociais.

Diante das reivindicações feitas por esta associação, a conquista de uma sede própria e a aquisição do Registro da mesma, foi bastante significativo para que o bairro ganhasse uma nova roupagem.

O bairro hoje dispõe de saneamento básico, ruas pavimentadas, segurança comunitária, arborização, instalação de espaços físicos para o lazer (praças, quadras e teatro de arena).
Outras conquistas vieram, um programa denominado “Cinema nos Bairros”, patrocinado pela Secretaria de Cultura do Município; um outro programa que consistia em visitas ao Centro de Criatividade, onde as crianças e adolescentes tinham a oportunidade de participar de oficinas artísticas e assistir aos espetáculos teatrais gratuitos; a criação de uma “Rádio Comunitária”, cujos equipamentos foram comprados com o apoio da CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço); e por fim, a criação do “Projeto Reculturarte”.

Este projeto nasceu da reflexão feita por alguns componentes da AMABA em conjunto com o CESEP (Centro Sergipano de Educação Popular) e com o posto de extensão da FEBEM (Fundação Estadual do Bem Estar do Menor), em cima da necessidade de estar repensando sobre a apropriação dos espaços destinados ao lazer, bem como o uso de seu conteúdo, visto que as crianças e adolescentes desse bairro não dispunham de muita opção de lazer.

Foi por reconhecer uma defasagem nos conteúdos culturais de lazer, com práticas voltadas quase que exclusivamente para o esporte (futebol) e com a utilização apenas da quadra como espaço para essa prática, que a associação investigou junto à população desse bairro de que forma eles entendiam o lazer e quais as atividades físicas de lazer eles tinham interesse em participar.

De posse dos resultados desta investigação, a associação com o intuito de desmistificar o entendimento que os moradores desse bairro e de uma forma geral a sociedade sergipana, tinham em relação ao lazer, visto que, compreendiam apenas como uma forma de descanso, divertimento, válvula de escape e coisa de desocupado ou de quem tem dinheiro, passou a desenvolver as seguintes atividades: dança, capoeira, música, teatro, artes plásticas, jogos e brincadeiras populares, esportes.

De acordo com Marcellino (1995, p.70), “é preciso que o lazer, além de suas funções de descanso, evasão, e entretenimento, atenda também as necessidades de desenvolvimento cultural”.

Como parte integrante da sociedade brasileira e sergipana, atuando na vida cultural e sócio-política, a AMABA tem procurado entender os conflitos sociais existentes em nossa sociedade, analisando-os e procurando encontrar formas alternativas de solução, é neste sentido que o Projeto Reculturarte funciona, objetivando por meio das atividades lúdico-culturais inserir crianças e adolescentes no convívio e na participação social.

O Projeto Reculturarte contando com o apoio financeiro da CESE e da Visão Mundial, passou a contratar educadores amadores e profissionais, para desenvolver suas atividades.

Nesta perspectiva, o projeto vem contribuindo para a ampliação do entendimento do lazer, por acreditar que este ao mesmo tempo em que possa estar desenvolvendo uma atividade alienante e conformista, pode também se apresentar como uma atividade revolucionária e transformadora a caminho da criticidade e criatividade.
Nos apoiando no pensamento de Marcellino (1998, p.156), ele nos diz que:

Apesar de tudo e embora não de modo exclusivo, é particularmente no tempo de lazer, que são vivenciadas situações geradoras de valores que poderiam ser chamados de “revolucionários”. São reivindicadas formas de relacionamento social mais espontâneas, a afirmação da individualidade, a consciência com, ao invés do domínio da natureza.

Compromissado com a prática da cidadania, o Projeto Reculturarte inclui o lazer como uma das dimensões culturais do ser humano, em que este é estimulado para a vivência de sua existencialidade, numa relação concreta consigo mesmo, com os outros e com o seu contexto.

Como exercício de cidadania este projeto tem possibilitado aos seus participantes o conhecimento dos seus direitos e de seus deveres, a consciência ambiental, a imaginação, a autonomia e a alegria, a criticidade e criatividade.

Ainda nos apoiando em Marcellino (1998, p. 156), o lazer:

É uma questão de cidadania, de participação cultural. Entendo por participação cultural a atividade não conformista, mas crítica e criativa, de sujeitos historicamente situados. Entendo, ainda, a participação cultural como uma das bases para a renovação democrática e humanista da cultura e da sociedade, tendo não só a instauração de uma nova ordem social, mas de uma nova cultura.

A nossa relação direta com esse projeto ocorreu por meio da dança. Em 1993, surge a oportunidade de ministrar aulas de dança nesta associação, o que nos deixou bastante motivados, bem como inseguros frente as dúvidas que tínhamos em relação ao conteúdo e ao estilo de dança que ensinaríamos naquela comunidade.

As crianças e adolescentes que freqüentavam esse projeto manifestavam um certo fascínio pela dança afro e pela dança de rua como uma forma de protesto, talvez por conta dos movimentos de luta e resistência contra as injustiças sociais que esta associação desenvolvia.

Foi então aí a nossa maior escola de dança, aprendemos bastante com aquelas crianças e adolescentes. Foi lá também que começamos a refletir sobre o corpo que dança, pois, nos víamos na missão de ensiná-las o que na verdade não compreendíamos, encontrando-nos completamente descontextualizados da história daquela comunidade, bem como daqueles corpos. Corpos que tinham fome e sede de aprender, corpos que desejavam veemente uma oportunidade de se fazer presente no mundo, corpos que buscavam a liberdade e autonomia e que acreditavam na felicidade.

Como acreditávamos na dança como uma forma de linguagem da expressão humana e enquanto tal, uma obra de arte aberta a diversos sentidos e significados, fizemos a opção de desenvolver nossas ações nesta perspectiva. Visto que, a dança enquanto obra de arte aberta e inacabada pode estar representando a possibilidade do movimento constante da criação e reflexão por meio da experiência vivida. Ela pode ainda possibilitar ao corpo dançante uma transcendência temporária de sua cotidianidade, não como forma de fuga, mas como condição de reflexão de sua realidade.
Assim, a poética do corpo dançante configura-se na vivência da corporeidade, que é experiência perceptiva da realidade sensível.

Como experiência vivencial, a dança proporciona um perceber-se presente no sentido estético da corporeidade e motricidade.
Para Dantas (1999, p.28):

O movimento do corpo dançante designa um deslocamento, uma transformação e identificação com impulso corporal, com a capacidade de projeção do corpo no tempo e no espaço. Um corpo ao dançar, entrega-se ao ímpeto do movimento, deixando-se deslocar e transformar. Ele atravessa o espaço, joga com o tempo, brinca com as leis, diverti-se com o seu peso, provoca dinâmicas inusitadas.

Nesta entrega ao movimento, desenvolvemos uma atmosfera muito agradável. Utilizamos a improvisação por ser um jogo em que sua principal regra é estar aberto e sensível as propostas que vão surgindo. Dantas, (1999, p. 102) nos diz que:

Há na improvisação uma predisposição para atuar de acordo com o momento: o improvisador está pronto para transformar toda circunstância em ocasião, todo acidente em possibilidade e se dispõe a explorar constantemente a memória à procura de soluções inusitadas para as situações criadas pelo jogo.

Neste sentido, as pesquisas e composições coreográficas que desenvolvíamos neste projeto já não eram mais uma iniciativa só nossa, mais sim de todo um grupo. Essa construção ocorria na coletividade, o que nos aproximava cada vez mais por meio do diálogo e do encontro.

Para Pinto (2004), o diálogo deve ser corporificado no sentido de estar atuando contra as desigualdades de oportunidades e concretizando a possibilidade de “acesso a melhores condições de vida”.
Ainda para Pinto (2004, p. 200):

O diálogo, aberto, sem preconceitos, sem querer tirar vantagem em tudo, considerando os sonhos pessoais e coletivos, é o caminho que vejo como mais promissor nesse sentido. A construção de conhecimento e intervenção voltadas à qualidade de vida implica, pois, possibilidades de politização, ou melhor, de conscientização sobre o que é vivido [...] Neste sentido, os problemas surgidos nas nossas intervenções devem ser tratados como oportunidade de educação lúdica para a autonomia: escolhas, negociações, tomadas de decisão e participação coletiva.

O ser humano autônomo no contexto do nosso trabalho, é aquele que se indigna com caminhos já percorridos e pré-estabelecidos, arriscando-se em novos horizontes e desbravando novos rumos traçados por ele mesmo, com possibilidades inclusive de superação dos seus limites.

Na dança o ser humano autônomo transcende o corpo oprimido na busca de sair da acomodação para a transformação, deslocando-se da ingenuidade para a criticidade e criatividade. É a possibilidade de se estabelecer redes de conexões para a conservação ou revolução da concretude histórica do ser humano. “Falar de transcendência do corpo oprimido, portanto, é o mesmo que falar de desejos, relações e mudanças deste corpo. [...] Transcender é, então, matar a morte para que a vida viva” (LIMA JR., 1998, p.27).
É exatamente nesta recusa da opressão que a AMABA, vem desenvolvendo o Projeto Reculturarte, criando novos mecanismos de libertação, para que crianças e adolescentes continuem expressando de forma intensa e significativa a sua existência. Desta forma, a dança enquanto uma das atividades desenvolvidas por este projeto e enquanto uma das manifestações do ser humano tem representado um desses mecanismos para sua expressão.

CONCLUSÃO
A inclusão cultural no lazer e aqui no caso específico da dança, só se constituirá enquanto aprendizagem significativa seja na associação, na escola, na rua, no barracão ou no palco a partir do momento que valorizar o corpo dançante enquanto corpo-sujeito, que traz em si as marcas de sua cultura, que é um corpo que na sensibilidade perceptiva de sua existencialidade conta, faz e refaz história, na dimensão de seu próprio tempo e espaço.
Acreditamos que seja nesta perspectiva que a dança possa contribuir com a inclusão social e cultural no lazer, possibilitando ao corpo dançante por meio da experiência lúdica e artística, o encontro com corpos que dançam, com corpos que assistem e com o mundo, rompendo com o silêncio que esses corpos carregam em si por conta de uma educação autoritária e alienante, e por conta de um modo de produção que só visa o consumo, resgatando nos mesmos a imaginação, o prazer, a auto-estima e, a coragem de desbravar novos caminhos, por meio das experiências vividas, percebidas e sentidas.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

DANTAS, Mônica. Dança o enigma do movimento. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 1999.
LIMA JR., José. Corpoética, cosquinhas filosóficas no umbigo da utopia.São Paulo: Paulinas, 1998.
MARCELLINO, Nelson C. Lazer e humanização. Campinas: Papirus, 1995.
_____________ . Educação Motora e Políticas Públicas. In: I Congresso Latino-Americano de Educação Motora. II Congresso Brasileiro de Educação Motora. Foz do Iguaçu. 1998.
PINTO, Leila Mirtes S. M. Educação Física, Corporeidade, Lazer: Diálogos com Amigos sobre “Riscos a Correr”. In: MOREIRA, Wagner. e SIMÕES, Regina (Orgs) Educação Física, Intervenção e Conhecimento Científico.Piracicaba: Editora Unimep, 2004.

ZÉ VICENTE. Quem é este cantor?

ALI ADIANTE
Zé Vicente
Tantos caminhos andados
tantos shows realizados
tantos olhares brilhantes
tantos abraços trocados
tantos carinhos queridos
tanto passado guardado

Chegamos.
É um outro tempo,
que seja novo!
Um descanso rápido,
um momento prá deitar na varanda
e escutar o bem-te-vi,
cochilar sonhando
com o que há de vir
de belo
de bênçãos
de canções...

Desço
ao meu riacho velho,
existe aí um fio d’água na areia
e avencas singelas na s barreiras!
Acalmo a sede,
contemplo a babugem verdinha
no rastro das chuvas de janeiro.

Silencio,
para sentir o cheiro da terra,
a fala da terra
o espírito da terra!

Reconheço-me
cada vez mais nativo
e todas as vibrações
das árvores, das flores, dos pássaros...
encontram eco em meu corpo.

Quando mais ando
mais retorno para as raízes
deste chão que me gerou.

Pela janela
desta hora
antevejo as bandeiras vivas,
erguidas há séculos,
nos braços teimosos do meu povo!

Vamos lá,
subamos juntos
sigamos juntos
marcando na agenda do futuro
o nosso compromisso
fiel e firme
com a felicidade
que já provamos e sabemos,
que pode estar ali... Adiante!

ORIGENS

Zé Vicente, José Vicente Filho, terceiro dos dez filhos de José Vicente Sobrinho, Zezinho Paraibano, como foi conhecido, e Susana de Oliveira Barros. O pai, como já diz seu nome popular, natural do município de Catolé do Rocha, na Paraíba; a mãe, cearense, do município de Orós.
Foi nessa Família de lavradores, gente simples, festiva, religiosa, apaixonada pela poesia de Cordel e Luiz Gonzaga, que Zé Vicente foi criado, e mesmo hoje, aos 50 anos e muitas viagens a serviço da arte, mantém-se ligado ao seu lugar, sua gente, suas raízes. Nos intervalos da agenda, lá vai ele, 450 quilômetros de estrada, para a roça, no Sítio Aroeiras-Orós, onde está sua mãe, hoje com 76 anos, alguns irmãos, parentes, amigos e sua horta, adubada com cartas recebidas de amigos(as) e admiradores(as), as árvores sobreviventes, as quais chama com os nomes de quem ama.

O ESTUDO

Desde a escolinha municipal, na vizinhança do Sítio Aroeiras, das professoras: Teresinha, Geraldinha, Petrina, até o Curso de Teologia com a orientação do DEPA – Departamento de Pesquisa e Assessoria, em Recife, entre 1981 a 1986, foram muitos caminhos. Concluiu primário no distrito de Guassussê, com provas de Admissão ao Ginásio, em Orós. Todo o Ginásio e 2º Grau foi na cidade de Iguatú, onde esteve plenamente engajado ao Movimento Estudantil, na Pastoral da Juventude. Aí iniciou sua carreira artística, sendo um dos fundadores do Grupo de Teatro Amador – TAI, escreveu, dirigiu e atuou como ator, durante os anos de 1974 a 1979. Neste período, deu seus primeiros passos no contato com o violão e criou seus primeiros versos poéticos de Cordel, poesia popular na Região Nordeste.
Ainda em Iguatú, compôs uma Equipe que produzia e apresentava um programa de Rádio destinado ao público jovem, comunicando poesias, noticias gerais, músicas, cartas, entrevistas etc. O programa: “Juventude em ação”, ia ao ar nas noites de sábado, pela Rádio Iracema de Iguatú. Todo o trabalho era numa visão mais crítica, o que implicou em pressão e conseqüente corte do programa, já que estávamos em pleno regime da Ditadura Militar.
Além do Estudo Escolar, Zé Vicente fez vários Cursos: Iniciação Cinematográfica, na Fundação Pe. Ibiapina em Crato-Ce, de Radialista, através do Sindicato dos Radialistas do Ceará, Curso de Formação Bíblica pelo CEBI – Centro de Estudos Bíblicos, Curso de Verão do CESEP-Centro Ecumênico de Serviço ~Evangelização e Educação Popular, em São Paulo, Curso de Inverno em João Pessoa, na Paraíba, nesses últimos já atuando como artista, cantor e animador.


TRABALHO PROFISSIONAL

Antes de 1988, quando passou a viver profissionalmente como Poeta e Cantor, Zé Vicente, além de lavrador, trabalhou como professor municipal em Orós, como Técnico em Orientação Comunitária, compondo uma Equipe de Coordenação de um Projeto para construção de 450 casas populares em regime de mutirão em Iguatu-Ceará, após as grandes enchentes de 1974.
Trabalhou, oito anos,como Agente de Pastoral, na Diocese de Crateús, nas áreas de Comunidades Eclesiais de Base, Pastoral da Terra e Radialista, produzindo e apresentando programas nas emissoras locais, com a Equipe de Comunicação da Diocese. Nessas área de Comunicação, Zé Vicente, foi criador, juntamente com outras pessoas, de dois Boletins Populares: “CONSTRUÇÃO” em Iguatu e “O ROCEIRO” em Crateús, este, ainda em circulação.
Hoje, a música e a poesia, através de Shows e Oficinas realizadas por todo o Brasil e em alguns países do exterior como a Nicarágua (em 1989), Itália (em 1992), África do Sul(em 2001) é a ação permanente, mas nem por isso, exclusiva na vida de Zé Vicente. Cada vez que retorna das viagens , está lá, na roça onde nasceu, na sua horta, revolvendo a terra-mãe, produzindo cartões ecológicos e animando os parentes e vizinhos para se organizarem, e buscarem juntos novas relações com a natureza e com os outros. Cultivando frutos e poesia, música e novas alternativas de vida.

CARREIRA ARTÍSTICA

A poesia está presente na vida de Zé Vicente desde criança, quando a família, cultivava o costume de recitação de Romances inteiros de Cordel, nas sombras das árvores, em baixo das latadas. Alguns tios e o próprio pai, decoravam partes ou textos integrais dos livretos de Cordel que eram recitados com vibração e graça à luz de lamparinas e de fogueiras.
Na Escola, desde cedo, Zé começou a participar das datas comemorativas, recitando poesias.

Por volta de 1975 a 1979, começou a compor versos. Alguns chegaram a ser publicados:

 “Carta aos Brasileiros”-1978, baseado no documento, coordenado pelo jurista Gofredo da Silva Teles, lançado em São Paulo, exigindo a volta da democracia ao país.

 “Os Direitos das Crianças”- em l979, no ano internacional da criança, publicado pela Editora Vozes.

 “Frei Titto e o Dragão”- em l988, a biografia de Frei Tito de Alencar morto em conseqüência das torturas sofridas ao ser preso junto com outros companheiros dominicanos; publicado pelo CEPE, Centro Frei Tito, em São Paulo.

 “Recado Nordestino”- em 1990, sobre a seca e o uso da mesma por grupos políticos corruptos.

“História do 1º.de Maio”- em l982, contando em cordel o histórico referente a data.

“A Saga do vô Manuel e Mãe das Dores” em l997 e 2001 – narrando em versos as histórias de seus avós paternos, pôr ocasião do centenários de nascimento dos mesmos.
“José de Nazaré” – 2002, para comemorar os 50 anos da devoção ao santo padroeiro da família, que ainda hoje festeja na casa da mãe do Zé, todo o mês de março.
E vários outros poemas.
Na música, Zé Vicente começou a compor e divulgar a partir de 1982, quando morava em Crateús –CE. Desde então gravou:

“Canto das Comunidades”. K-7 com cantos das CEBs.

Músicas: “Baião das Comunidades”, e “Quero ver
Acontecer” gravadas em disco por Paulinas-COMEP.

“Caminhos da América”. Pela Verbo Filmes – SP.

“Festa dos Pequenos”. COMEP, Paulinas.

“Em Canto”. Em K-7. Depois reproduzido em
disco pela COMEP em 1992 – em CD

“Sempre Vida”. COMEP, Paulinas.

“Acorde América”. K-7. Trabalho em sintonia com os
500 anos de colonização da América.

“ZÉ VICENTE, PRESENTE”. Pela COMEP. Disco, CD , K-7.

“PRESENTE, en español”. COMEP.CD


“NÓS”. K-7. Por ocasião da Turnê “Excluídos e
Excludentes” do MARCA, na Itália. MD STUDIO-Ce.

“Sol e Sonho”. CD- música-popular. COMEP.


“Nas horas de Deus, amém”. CD. Benditos populares

“Zé Vicente, Nativo” CD –Paulinas-COMEP

“Tempos Urgentes”- Livro com CD, de poemas. Paulinas.

“CANTAR”- CD para UNICEF, Ceará, canta e dirige a arte.

“Guassussê, Canto da Memória”- compondo oito músicas.

“Dádivas”- CD Celebrativo- Paulinas-COMEP (solo)
Além da produção e dos shows, Zé Vicente assessora Oficinas de Arte-Vida, com dinâmicas para sensibilização e capacitação de novos artistas e é um dos membros fundadores do MARCA – Movimento de Artistas da Caminhada, que reúne cerca de 200 (duzentos) artistas de várias modalidades da arte, em vários Estados do Brasil, desde l990.

Cantar com profunda convicção a fé que dá razão a esperança, a solidariedade, a liberdade, a vida, paz, a festa!

Fortaleza-CE, 2004

Conjunto Jardim.

Vista panorâmica do Conjunto Jardim.

Vista panorâmica do Conjunto Jardim.



O bairro Conjunto Jardim era conhecido como Palestina desde a época da existência de um leprosário. O nome oficial é Djenal Tavares de Queiroz. O primeiro núcleo de residências (Jardim I) foi construído em 1984.

O Conjunto Jardim foi inicialmente construído para as domésticas que moravam em vilas de Aracaju, a maioria com origens no interior do Estado de Sergipe e nos Estados vizinhos de Alagoas, Pernambuco e Bahia e que ao chegar ao Conjunto Jardim intermediaram a vinda de outros parentes.

Em 1988 foram construídas mais casas que formam os núcleos residenciais Jardim II e III, muitas delas construídas em regime de mutirão e seus moradores foram pessoas desabrigadas pelas enchentes que estavam alojadas provisoriamente no espaço da exposição agropecuária e por moradores de vilas que pressionaram o governo estadual com ocupações e passeatas em Aracaju, através do movimento sem teto.

Quanto às tradições culturais, o povo trouxe a festa natalina nas casas e o São João. Antigamente o povo acendia muitas fogueiras nas ruas mas atualmente a quantidade é menor. Havia muita decoração das ruas no mês de junho.

No inicio, havia muita festa de aniversário, muitas das vezes com a divisão de tarefas e gastos com os amigos e vizinhos. Havia também muita festa de 15 anos. Hoje é ruim realizar festas por causa da interferência dos malandros e da polícia.
Atualmente existe a festa das crianças que há quinze anos é organizada por Selma e Yuri, bem como a procissão, a via sacra nas ruas, os grupos de capoeira, as quadrilhas juninas e o desfile de 7 de setembro.

Um destaque importante são os cantores de “arrocha” que moram no Jardim e que fazem sucesso nas rádios e em shows em diversas cidades de Sergipe e de outros estados, mas que dizem morar na Bahia.
Grupo Pop Dance, formação de 2005.

Apresentação do Grupo Teatral Arte na 1ºMostra Arte e Cidadania. 2004

Apresentação do Grupo de Dança Ecarte na 1ºMostra Arte e Cidadania. 2004

Adelmo(bailarino e coreógrafo) e Professor Zezito.



Havia muitos grupos de dança e de teatro que em 2004 acabaram. Em termos culturais, a maioria deixava muito a desejar, pois as coreografias eram feitas a partir das músicas de sucesso, reproduzindo assim os mesmos passos das bandas de pagode e forró. Acabaram por causa de falta de espaços físicos adequados e das dificuldades para obter patrocínio.

Na ausência de atividades culturais, esportivas e de aprendizagem profissional muitos adolescentes e jovens preenchem o tempo ocioso “fazendo neném”. Os adolescentes reclamam que o conjunto não oferece opção de lazer, não há o que fazer, não há para onde ir.

Segundo professores e médicos, estão acontecendo muitos casos de gravidez precoce com adolescentes. Para muitos deles, outra forma de preencher o tempo, o vazio existencial e para compensar a falta de perspectivas de futuro é utilizar drogas. Os jovens furtam para sustentar o vício e os pais vivem amedrontados por causa do perigo de os filhos entrarem nessa onda.

Para a composição desse texto contamos com a colaboração de diversos moradores, alguns mais idosos e que moram no bairro desde 1984 e outros, adolescentes, envolvidos com atividades culturais. A todos somos bastante gratos pela abertura e confiança. Da parte da Ação Cultural, cujo embrião foi gerado no conjunto Jardim, podem contar sempre com o nosso apoio e amizade sincera.

Leia também: http://www.overmundo.com.br/overblog/um-jardim-de-talentos-1

Falta de Preparo e de Visão de Futuro.

De tanto falar e escrever sobre planejamento, políticas públicas de cultura, metodologia, sistematização de iniciativas culturais etc. acabo convencendo alguns dirigentes de entidades e grupos culturais, colegas educadores, gestores culturais de prefeituras do interior etc. a respeito da necessidade de elaborar bons projetos, participar das discussões de políticas culturais, e investir na capacitação dos arte-educadores sociais, que estão a frente das inúmeras iniciativas culturais que pipocam por todo o lado.

O problema é que isso tem custos monetários, inclusive a nossa assessoria/consultoria, como já faço isso gratuitamente para alguns grupos e organizações, fica inviável atender a mais pedidos de forma gratuíta.

Para tentar atenuar e até mesmo resolver o problema a longo prazo, buscando preparar agentes culturais a altura dos desafios atuais, elaboramos o projeto “Oficina de Formação de Agentes Culturais” no ano de 2004 e tentamos obter o patrocínio de algumas empresas estatais e só recebemos resposta positiva do Banco do Nordeste, que financiou a realização do primeiro módulo, que diga-se de passagem, foi um grande sucesso em quantidade de participação e em qualidade de conteúdo na medida em que baseou-se na premissa de que a qualificação técnica da produção e gestão cultural não pode estar dissociada de uma reflexão filosófica, nem da discussão ética.

Na vã tentativa de obter apoio financeiro para a continuidade do projeto, naquele ano, apresentamos a proposta de financiamento dos demais módulos para o então vereador Magal da Pastoral, “autor da lei que cria o programa de fomento para iniciativas culturais da periferia (VAI), em Aracaju”, para a superintendência regional do Banco do Brasil, para a superintendência regional da Petrobrás e para prefeituras ditas “progressistas”. O resultado pode ser resumido com uma antiga gíria “necas de pitibiriba”.

Em função disso, que tal artistas emergentes e representantes de entidades e grupos culturais que desenvolvem trabalhos em comunidades da periferia se unir a nós para tentar convencer quem dispõe de recursos materiais e financeiros a apoiar o projeto “Oficina de Formação de Agentes Culturais”? Do contrário, muito dificilmente obteremos sucesso nos editais para a escolha de projetos que receberão recursos financeiros do Ministério da Cultura, de empresas e de agências internacionais de cooperação para a consolidação e ampliação das iniciativas culturais em nossa tão querida provincia.

Zezito de Oliveira em 2005

Relatório de Atividades - 2003 e 2004.

A Ação Cultural foi criada em reunião realizada no dia 13 de agosto de 2004, na Casa da Cidadania, na Rua Maruim, 333, no centro de Aracaju. A entidade tem como missão e fim institucional criar condições e oportunidades para que crianças e jovens possam desenvolver plenamente o seu potencial como pessoas utilizando programas culturais com conscientização cidadã.

A entidade é composta por artistas e produtores culturais emergentes, além de educadores envolvidos com atividades de arte-educação na periferia. Os esforços para criar uma entidade desse tipo, vêm desde o ano de 2002, no Conjunto Jardim, município de Socorro. No entanto, após diversas reuniões no local o projeto não logrou êxito. Esse mesmo esforço foi desenvolvido pelo grupo de jovens Conexão com a Vida, no bairro São Conrado e Orlando Dantas, durante o mesmo período, sem também obter sucesso.

Vista panorâmica do Conjunto Jardim. (igreja católica ao fundo)2004

Grupo Artes em Dança, 2001

Vista panorâmica do Conjunto Jardim.



A criação da entidade em 2004 reuniu remanescentes dessas duas iniciativas e outros agentes culturais da periferia sujeitos de uma mobilização vitoriosa em torno da aprovação pela Câmara Municipal de Aracaju da Lei que cria o Programa de Valorização de Iniciativas Culturais (VAI), que tem como objetivo apoiar financeiramente, por meio de subsídio, atividades artístico-culturais, realizadas principalmente por jovens de baixa renda e de regiões do município desprovidas de recursos e equipamentos culturais.

Como o esforço de mobilização envolveu diversos artistas individuais, representantes de grupos culturais e entidades, a articulação recebeu a denominação de Rede PROVAI e foram realizadas algumas iniciativas que estão incorporadas neste relatório (em virtude de uma parte dos diretores e sócios da Ação Cultural terem tomado parte nestas ações).

Com o esvaziamento das reuniões da Rede PROVAI o grupo dos agentes culturais “resistentes” resolve priorizar o fortalecimento da Ação Cultural.

1 – Viagens de intercâmbio e troca de experiências junto a entidades, fóruns de debates e conferências.
.Julho de 2003 – Viagem à Fortaleza para conhecer a experiência da Escola de Dança para a Integração Social da Criança e do Adolescente (Edisca) e Associação Curumins. Zezito, Cristiane e Sandra.

Agosto de 2003 – Viagem à Salvador para participação no Seminário Cultura para Todos, promovido pelo Ministério da Cultura. Zezito

Novembro de 2003 – Viagem a Recife para participar do Seminário de Preparação do Fórum Mundial de Cultura. Zezito, Edílson e Elian.

Dezembro de 2003 – Viagem a Recife para participar da I Conferência de Cultura da Cidade do Recife. Zezito

Junho/Julho de 2004 – Viagem a São Paulo para participar do Fórum Mundial de Cultura. Zezito

Novembro de 2004 – Viagem a Recife para participar do Fórum Social Nordestino. Zezito

Dezembro de 2004 – Viagem a Salvador para conhecer o trabalho do Centro de Referência Integral para Adolescentes. Zezito, Denisson e Marcos.

2 - Participação em eventos políticos para destacar a importância da atenção, apoio e incentivo ao protagonismo juvenil através das ações culturais.
Abril de 2004 - Apresentação do Programa VAI na tribuna livre da Câmara de Vereadores por Josenilsom (Neném), do Grupo Conexão com a Vida.

Maio de 2004 - Participação nos debates da audiência pública que a Câmara Federal promoveu em Aracaju para recolher sugestões para a elaboração do Estatuto da Juventude. Zezito.

3 - Realização de evento para visibilizar as iniciativas e realizações, os produtos e resultados de seus trabalhos e projetos, a relevância social dos artistas e grupos envolvidos na mobilização em torno na lei que institui o Programa VAI.
MAIO DE 2004 - MOSTRA ARTE E CIDADANIA NO TEATRO JUCA BARRETO.
Diversas empresas e pessoas foram contatadas e apoiaram a realização, os grupos mostraram o seu talento, foi formada uma equipe de colaboradores voluntários que contribuíram para o sucesso do evento, sendo a divulgação através dos cartazes, faixas e divulgação na imprensa bastante satisfatória.
O teatro Juca Barreto ficou lotado e todas as avaliações comprovam a qualidade do trabalho artístico e a competência da equipe de voluntários.
Apresentação do Grupo de Dança Ecarte na 1º Mostra Arte e Cidadania.

Apresentação do Grupo de Dança da Juventude Franciscana na 1º Mostra Arte e Cidadania.

Apresentação do Grupo

Apresentação do Grupo Pro Cena de Espetáculos na 1º Mostra Arte e Cidadania.

Apresentação da Cia de Dança Rick di Karllo na 1º Mostra Arte e Cidadania.
A

4 – Divulgação das iniciativas culturais na imprensa
Fevereiro de 2003 - Com arte e com afeto (artigo) – Bilhetim (informativo do Centro Sergipano de Educação Popular)

Julho de 2003 – Arte a serviço da cidadania (reportagem) – Jornal Cinform

Abril de 2004 – “Programa VAI” (artigo) – Jornal da Cidade

Abril de 2004 – “A política cultural de Aracaju na contramão da história”. (artigo) – Jornal Cinform

Maio de 2004 – Reportagem no programa Sergipe Comunidade da Tv Sergipe sobre o Programa VAI.

Maio de 2004 – “Um outro mundo é possível, um outro olhar é necessário”. (artigo) – Jornal da Cidade.

Maio de 2004 – “Arte e Cidadania” (nota de coluna social) – Jornal da Cidade

Junho de 2004 – “Sergipanos participarão do Fórum Cultural Mundial”. (reportagem) – Jornal Cinform

Dezembro de 2004 – “Cultura para quem precisa de emprego, paz, auto-estima, alegria e saúde”. (artigo) – Jornal Cinform

5 – Eventos de Formação
Agosto de 2003 – 2º Fórum de Políticas Públicas no Conjunto Jardim
Tema – Arte e Cultura nos Rumos da Cidadania.
Realização – Rede de Agentes Culturais do Conjunto Jardim

Setembro de 2004 - Realização do módulo I da Oficina de Elaboração e Gestão de Projetos Socioculturais tendo como facilitador Álvaro Pantoja do Centro Nordestino de Animação Popular do Recife/PE e que contou com o patrocínio do Banco do Nordeste do Brasil.
Oficina de Elaboração e Gestão de Projetos Culturais

Oficina de Elaboração e Gestão de Projetos Culturais.


6 - Dificuldades e Frustrações
No final de 2004 foi elaborado, discutido e aprovado texto e abaixo assinado para obter assinaturas para sensibilizar o Prefeito de Aracaju visando a implementação do Programa VAI. Infelizmente poucos agentes culturais se mobilizaram e só foram coletadas 150 assinaturas.

Nasce a Ong Ação Cultural.

Apresentação do Grupo de Dança Ecarte na 1º Mostra Arte e Cidadania. (2004)

Apresentação do Grupo Teatral Artes na 1º Mostra Arte e Cidadania. (2004)


Desde as décadas de 60 e 70 a presença de jovens na música e no teatro amador é uma constante na cena cultural brasileira. Muitos artistas profissionais de sucesso na atualidade são oriundos deste movimento. Nos últimos anos os grupos de dança, capoeira e hip-hop também passaram a despertar o interesse da juventude.

No inicio da década de 90, diversas ONGs em Sergipe e em outros lugares do país perceberam o poder que as diversas linguagens artísticas têm para aglutinar, dar sentido à vida de milhares de crianças, adolescentes, jovens e prepará-los para uma melhor inserção no mercado de trabalho como artistas, técnicos, produtores, gestores ou para agregar competências e habilidades a outras escolhas profissionais.

Nesta época, surgiram nos grandes centros urbanos as ONGs que colocam a arte e a cultura em primeiro plano, diferente das demais que utilizam isso somente para ocupar o tempo livre de crianças e adolescentes e/ou para transmitir mensagens educativas relacionadas às questões de direitos humanos, saúde, gênero, etnia, meio ambiente etc..

As ONGs que foram denominadas “ONGs da Cultura” pelos especialistas do assunto constituem a quarta geração e pode ser diferenciada das precedentes pelo foco em cultura como fundamento do trabalho, ação local e pela produção de gestores locais. Dentre muitas podemos destacar o Afro-Reggae do Rio de Janeiro, o Projeto Axé e o Cria de Salvador, o Cenap (Programa PIPA) do Recife e a Edisca de Fortaleza. Estas não utilizam a arte somente como meio, mas a percebem como meio e fim.

A primeira “ONG da Cultura” em Sergipe desse tipo, criada a partir do desejo de artistas, educadores e produtores culturais da periferia, e então oficializada em 13 de Agosto de 2004 tem como missão e fim institucional criar condições e oportunidades para que crianças e jovens possam desenvolver plenamente o seu potencial como pessoas utilizando programas culturais com conscientização cidadã.
Reunião nos momentos iniciais da Ação Cultural. 2004


A ONG foi gerada a partir da Rede PROVAI (Rede de Agentes do Programa de Iniciativas Culturais) e além de prosseguir nos esforços conjuntos com outros grupos e entidades para sensibilizar os formadores de opinião e gestores com o intuito de obter um maior apoio e incentivo para a arte da periferia, buscará também captar recursos humanos, materiais e financeiros para fomentar a produção cultural e democratizar o acesso a (in)formação.

Esse trabalho resultará num produto artístico de melhor qualidade e possibilitará, conforme comprovado através de pesquisas, o aumento da auto-estima, a diminuição dos índices de violência nos bairros, o fortalecimento dos laços identitários, a melhoria da aprendizagem escolar, a formação de profissionais para o mercado de trabalho da cultura e áreas conexas, etc.

A sua diretoria é composta por pessoas envolvidas com trabalhos de arte-cidadania em diversas comunidades, como o Professor Zezito que, quando estudante, participou, durante o período de 1989/96, do Projeto Reculturarte, e nos últimos anos assessora projetos e grupos culturais da periferia, como o da bailarina, atriz e diretora Lucy Paixão, da Cia. de Dança Rick di Karllo, que trabalha com crianças, adolescentes e jovens do Conjunto Eduardo Gomes, e Dênisson dos Santos, produtor cultural e ator com diversos trabalhos apresentados em escolas, salão de igrejas, praças e em teatros da capital e do interior.
Zezito de Oliveira - fundador e diretor-presidente (triênio 2004-2007)

Lucy Paixão - fundadora e secretária da Ação Cultural (triênio 2004-2007)

Denisson dos Santos, fundador e tesoureiro da Ação Cultural (triênio 2007-2007)