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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O troco de Marcelo Freixo nas Organizações Globo

18/02/2014 - Copyleft - Fonte: Portal Carta Maior

"Eu só fui atingido porque eles acreditam que, ao me atingir, atingem as manifestações. Estão errados."


Fäbio Nassif, do Rio de Janeiro Chico Alencar

"Os cães ladram, Sancho. É sinal de que estamos avançando". Estas foram as palavras do deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) – citando a famosa obra de Miguel de Cervantes - para atenuar a semana de insônia vivida pelo seu colega de partido, o deputado estadual Marcelo Freixo. Envolvido aleatoriamente na responsabilização indireta pela trágica morte do repórter cinematográfico da Rede Bandeirantes, Santiago Andrade, Freixo recebeu nesta segunda-feira (17) um ato de desagravo que lotou o Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciência Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro de militantes, políticos, juristas, artistas e lideranças religiosas.

A resposta de peso se deu justamente porque, entre todos os presentes, havia uma percepção de que a campanha liderada pelas Organizações Globo contra o parlamentar extrapolava não somente os limites éticos de uma cobertura jornalística, mas também buscava atingir o conjunto da população que reencontrou nas ruas um espaço privilegiado de realização da política.

O ato suprapartidário organizado por Luiz Eduardo Soares, Miriam Guindani e Julita Lemgruber se iniciou com um minuto de silêncio em memória a Santiago. Desde o ocorrido, a grande mídia repercutiu acusações do advogado Jonas Tadeu de que o deputado tinha "ligações" com os jovens acusados de acender o rojão que atingiu o cinegrafista.

Manchetes de capa do jornal O Globo, matérias no Jornal Nacional e no Fantástico deram conta de complementar a tese de que o PSOL e outras organizações de esquerda financiam e aliciam pessoas para provocar “vandalismo” nas manifestações. O impacto da denúncia foi tamanho que conseguiu unificar o discurso de publicações como a revista Veja – que publicou uma lista de doações de parlamentares e militantes a uma atividade beneficente de Natal – até de analistas, de outras matizes ideológicas, que criticaram o partido de conveniência com setores "violentos" dos movimentos.

As respostas aos ataques declarados e às críticas oportunisticamente colocadas vieram de vários setores da sociedade. Do músico Caetano Veloso, passando pelo humorista Gregório Duvivier (Porta dos Fundos) e chegando até o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que não só escreveram artigos manifestando indignação com a campanha difamatória mas também a reafirmando no ato de desagravo.

O peso representativo do ato não se resumiu somente aos artistas – estavam também Ivan Lins, Leandra Leal, Thaila Ayala, Clarissa Falcão e outros. Na mesa da atividade, o diretor executivo da Anistia Internacional, Átila Roque, afirmou que “o ataque que o Marcelo vem sofrendo é um ataque ao campo dos direitos humanos como um todo, à cidadania e à democracia”. “Neste momento é fundamental cerrarmos as nossas mãos pelo direito ao protesto”, completou. Leonardo Boff e Frei Betto não puderam estar presentes mas enviaram mensagens de apoio.

Representando a ala de juristas presentes no ato, o desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Ciro Darlan justificou sua presença dizendo que como parte da Justiça, não poderia dar as costas a um ato de injustiça que está sendo praticado. Já o ex-juiz e advogado Geraldo Prado, afirmou que sua solidariedade é a todo o campo democrático e a toda ação coletiva. “Expressões como 'irresponsabilidade' na cobertura da imprensa, na minha opinião, não refletem a realidade, porque irresponsabilidade rima com negligência, e na minha área o que é intencional não é negligente”, disse ao comentar a postura da grande mídia. E concordou com o colega que esta ação vem combinada com a criminalização do protesto e da contestação.

O deputado fez questão de reforçar suas ligações com o advogado Thiago Melo, que trabalha em seu mandato e foi um dos primeiros alvos das acusações por ser voluntário no Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH) – uma organização que presta assessoria jurídica às pessoas vítimas da violência de Estado, incluindo uma centena de manifestantes presos arbitrariamente nos atos. "A suspeita relação não é da Delta com o Governo. Nem da Odebrecht com o governo. É o DDH. O grande problema do Rio é o DDH, e não a cidade-negócio que se tornou o Rio de Janeiro", ironizou o deputado, em crítica à imprensa e em defesa da entidade.

Entre dirigentes e figuras públicas do PSOL presentes, como Renato Cinco, Luciana Genro, Randolfe Rodrigues, Babá, Jean Willys, o jovem vereador de Niterói Henrique Vieira, que foi aluno de Freixo, também afirmou que o ato ultrapassava a solidariedade pessoal. "Nós estamos aqui lutando contra a criminalização dos movimentos sociais, lutando a favor da democracia real que é necessariamente não capitalista, lutando por esta efervescência social organizada em favor de uma verdadeira paz - que não é essa de um falso sossego que esconde a violência cotidiana", disse.

No plenário da atividade ainda estavam presentes o pastor Pastor Mozart Noronha, Reverendo Daniel, Reverendo Tobias Farias, Isabel do Vôlei, Paulo Pinheiro, Eliomar Coelho, Gelsimar Gonzaga, Paulo Ramos (parlamentares do PSOL), Antônio Neiva (executiva do PT-RJ), Cyro Garcia (PSTU), e representantes do Observatório de Favelas, OcupaLapa, Casa Fluminense, Coletivo de Resistência Popular da Zona Oeste e do DCE UFRJ.

Sobre a acusação de que organizações de esquerda financiam militantes para irem às manifestações, o deputado afirmou ter “muito orgulho da juventude militante que está nas ruas e durante muitas campanha chegou a fazer uma camisa, por ironia do destino, dizendo: ‘eu tô na rua por ideal, não recebo um real’. Que ironia. Essa camisa existe há muito tempo porque, no nosso entendimento, se é pago perde seu caráter militante. Aliás, esta camisa é feita para nos diferenciar daqueles que sempre usaram o mecanismo de pagar para encher ônibus, os mesmos que hoje nos acusam", concluiu Freixo.

Antiterrorismo
Boa parte das declarações de apoio ao parlamentar expressaram preocupação com o andamento da chamada Lei Antiterrorismo e outras propostas que estão sendo debatidas nas casas legislativas a fim de regulamentar as passeatas políticas. Segundo Freixo, "o fascismo saiu do armário no Brasil. E saiu com muita força. E a gente pode ter um retrocesso se não nos organizarmos".

Depois de uma semana intensa de desgastes, o editorial d’O Globo publicado na manhã da segunda já alterava o tom das acusações. E assim também foi a cobertura do ato no próprio Jornal Nacional, que se encerrou com uma declaração encabulada da jornalista Patrícia Poeta ao dizer que compreende a indignação do deputado.

Freixo, no entanto, expressou em seu depoimento de encerramento que a Lei Antiterrorismo e a própria "CPI do Vandalismo" montada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro exigem uma resposta unificada dos movimentos sociais. "Sempre nos posicionamos contra a violência. Mas o grande violador dos direitos humanos é o Estado”, disse.

“O maior ato de solidariedade que vocês podem ter por mim é que a gente continue na luta, nas ruas, lutando inclusive contra essa legislação que estão tentando aprovar que é absolutamente fascista. Eu só fui atingido porque eles acreditam que, ao me atingir, atingem as manifestações. Estão errados. As manifestações são muito maiores do que qualquer pessoa porque elas são justas, porque as pautas não foram atendidas e porque a necessidade de transformação é muito maior do que qualquer partido e qualquer movimento específico”, concluiu enfaticamente.

Créditos da foto: Chico Alencar
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CENSURA NÃO! NOVOS LINKS ABAIXO:

Não é à toa que um dos gritos mais ouvidos nas manifestações diz "a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura (e ainda apóia)!"

Na última semana vimos a emissora dedicar extensas reportagens e editorias para versar sobre a liberdade de expressão. Desde o início das manifestações, a Rede Globo utiliza sistematicamente imagens de coletivos de mídia independente sem dar créditos ou pedir prévia autorização.

Entretanto, meu vídeo satirizando o Jornal Nacional foi retirado do ar menos de 12h após sua publicação. O papo dos "direitos autorais" eu dispenso. Quem achar que é certo remover meu vídeo, leia http://pt.wikipedia.org/wiki/Fair_use

ASSISTA ao vídeo censurado, em novos links:
> Youtube: http://youtu.be/Z63YMbCZnkU
> Vimeo: https://vimeo.com/86991705
> Wetransfer (mp4 para download): http://we.tl/b8EFTUTF3R

E aqui os links para os vídeos recomendados ao fim do editorial consertado:
> Globo exalta a ditadura (1975) http://youtu.be/YGiQXNf02eQ

Fair use – Wikipédia, a enciclopédia livre

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"Estranho é O GLOBO não demonstrar tamanho ímpeto editorial quando o assunto é, por exemplo, a comprovada ligação entre o ex-governador em exercício Sérgio Cabral e o empreiteiro Fernando Cavendish. Quantos editoriais foram dedicados ao fato de a empresa de advocacia da primeira-dama, Adriana Ancelmo, ter contratos com concessionárias estaduais? Quantos textos foram escritos sobre as relações entre o governador e Eike Batista?"

Depois de atacar Marcelo Freixo em três editoriais, pelos quais o chamou de inimigo da democracia, O Globo publicou hoje, na página 17 do jornal, a nossa resposta. Essa vitória não teria ocorrido sem a mobilização e as manifestações de indignação de vocês. Muito obrigado por tudo.

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Carta do amigo Leonardo Boff, lida por Ivan Lins no ato de apoio a Marcelo Freixo, dia dia 17 de fevereiro no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ.

"Meu caro Marcelo Freixo:

Não podendo estar em pessoa presente neste ato de desagravo, de protesto e de apoio a sua pessoa, faço-o por meio destas poucas palavras.

Quero expressar minha inteira solidariedade a você pela injustiça sofrida no caso da morte do cinegrafista Santiago Andrade, associando seu nome aos dois rapazes que soltaram o rojão que vitimou um jornalista de excepcional qualidade humana e profissional, em pleno exercício de seu trabalho.

Repudio a irresponsabilidade dos grandes meios de comunicação de nosso país, entre os quais um jornal do peso de O Globo, ao estampar na primeira página uma manchete que, segundo alguns testemunhos, depois negados, ligava seu nome e seu partido, o PSOL, àqueles que cometeram tal crime nefasto.

Esse tipo de jornalismo insensato e tendencioso se deriva da linha ideológica assumida por esses veículos de comunicação, que compactuam e sempre compactuaram com as elites dominantes do nosso país. Nunca devemos esquecer que alguns apoiaram a ditadura civil-militar. Essa linha é anti-povo, é anti-democracia participativa, é anti-manifestações, públicas por mais legítimas que sejam.

Quando podem, seus analistas reforçam o uso da violência policial contra os manifestantes e apoiam a criminalização dos movimentos sociais mais ativos, por terra, por reforma agrária, por educação, por saúde e por transporte popular. Eles não gostam do Brasil que somos, pois gostariam de um Brasil americanizado ou hamburguerizado.

Mas os deixemos para lá, pois só nos diminuem e envergonham.
Eu quero mesmo é apoiar, meu caro Marcelo Freixo, sua luta pelos direitos humanos, começando pelos direitos dos mais invisíveis da sociedade, que são os que moram nos fundões das periferias, direitos à vida e aos meios da vida que são o alimento, o trabalho, a saúde, a educação, a moradia, a segurança e o transporte.

Você combateu com coragem, pondo em risco a própria vida, os milicianos, esta máfia sem piedade que age nas comunidades, ameaçando, extorquindo e eventualmente assassinando opositores incômodos.

Você honrou a consciência ética e humanística do pouco que sobra da política brasileira.

Esta tarde é para mostrar que somos muitos e muitos que pensamos como você, que o apoiamos e lhe rendemos grande admiração pela inteireza de sua vida privada e pública.

Porque existe gente como você, seu companheiro e amigo comum Chico Alencar e outros tantos políticos éticos e comprometidos, que não perdemos a esperança de que a política pode ser coisa séria, o grande instrumento de transformação a partir de baixo, do povo, e de dignificação de cada cidadão que quer dela participar.

Termino com uma palavra do Papa Francisco: a política é a forma mais alta de amor ao próximo; por isso não se admite cristãos omissos nesta arena. Você nos dá a prova da verdade desta palavra do carismático Papa Francisco, que é a política como um gesto amoroso para com o povo e como cuidado por tudo o que tem a ver com bem comum. Que o Espírito de Deus nunca lhe falte.

De seu amigo,
Leonardo Boff.

Rio de Janeiro 17 de fevereiro de 2014."


Leia também:

Comunicação, Cultura e Politica:Tudo a ver  

Por CMI Fortaleza - www.midiaindependente.org:
Encontro de Estudantes de Comunicação em Alagoas, 2006

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
24/4/2007 · 165 · 18
Depois de alguns anos ouvindo e tendo ficado cansado do rádio-jornalismo produzido em Sergipe, sugeri a companheiros radialistas e jornalistas que buscassem elaborar uma pauta que não ficasse vinculada somente aos temas que as grandes redes nacionais elegeram como prioridade.

Pois como sabemos, nem sempre as prioridades da Veja, Globo, SBT, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, entre outros, são de fato representativas dos interesses da maioria da população. Na verdade, estão em função dos vínculos econômicos/corporativos que ligam essas empresas de comunicação a grandes grupos nacionais e internacionais articulados com outros ramos da economia e a certos esquemas de dominação e exclusão, como é o caso de brancos racistas da África do Sul, que detêm o controle acionário da revista VEJA, conforme denúncia divulgada através da Rede Bandeirantes e em outros veículos de comunicação.

Nessa mesma linha, outro aspecto importante e que me levou a afastar-me da audiência das emissoras locais, principalmente em 2006, foi a falta de respeito a uma regra básica de qualquer manual do bom jornalismo, que é sempre ouvir o outro lado. Cansei de ver o PT e o candidato a governador, Marcelo Déda, ser linchado, achincalhado ou humilhado pelas ondas do rádio e não ouvir o contraponto, a outra parte.

Por isso, passei a utilizar como fonte de informação os sites na internet e/ou a edição impressa dos seguintes veículos: Carta Maior, Adital, Brasil de Fato, Caros Amigos, Overmundo, Centro de Mídia Independente , Observatório da Imprensa e Carta Capital.

Ou como no caso do rádio, as emissoras Rádio Brasil Atual , emissoras da rede EBC e da Fundação Padre Anchieta.

Na mesma linha do pensamento da chamada "grande imprensa" , temos aqui em nossa província, porém na forma escrita, o jornal Cinfom que, embora muitas vezes (principalmente no ano de 2006) tenha repetido a suposta “opinião pública” da qual, Veja, Globo, SBT, Folha, Estadão, se julgam porta-vozes, através de seus editoriais, pelo menos não deixou de lado a abordagem ampliada de assuntos que muito interessam a quem mora na periferia, vive de salário mínimo, anda de ônibus, tem os filhos matriculados em escola pública, depende do “humor” dos funcionários e médicos dos postos de saúde, não tem acesso à arte e cultura de qualidade e não pode investir em serviços privados de segurança etc.

São assuntos que nem sempre tem recebido o espaço, a análise profunda, o debate com especialistas, o contraditório, por parte da nossa grande imprensa, a não ser quando acontecem grandes tragédias e mesmo assim com o viés sensacionalista e supostamente “preocupado” com a maioria da população.

Neste ano de 2007 voltei a ouvir programas de rádio produzidos em Sergipe, principalmente a emissora estatal Aperipê FM, que a partir da conquista do governo estadual pela aliança PT - PC do B - PSB - PMDB - PTB etc., está possibilitando a participação de uma equipe que sabe selecionar dos nossos bons e tradicionais artistas e bandas as melhores músicas, incluindo os grandes sucessos.

O mesmo se sucede com os novos artistas e bandas, como DJ Dolores, Mombojó, Afroreggae, Naurêa e uma pá de gente boa, mas que são preteridas em favor tão somente do arrocha, do brega, do forró transgênico ou eletrônico, os únicos tipos de música que tocam na maioria das emissoras comerciais, o que, conseqüentemente, leva a população a achar que não existe mais nada além disso.

A Aperipê FM também apresenta o programa brasileiro da Rádio França Internacional, que ouvi algumas vezes pela internet e que tem uma pauta que interessa a quem quer entender e discutir os grandes temas da atualidade e também aqueles ligados diretamente à nossa realidade, pois é comum o programa entrevistar artistas, intelectuais, ativistas sociais e políticos brasileiros que estão morando, estudando, trabalhando ou de passagem pela França.

No caso da outra emissora estatal, a Aperipê AM, será necessário mudar muito mais, para que ela se torne uma emissora voltada prioritariamente para a informação plural e de qualidade, que acredito ser o papel estratégico para o qual ela parece destinada.

Espero que ela se torne algo tipo uma Nacional local. Será bom para nós e para o novo governo que foi eleito pelos sergipanos para colocar Sergipe em condições de dialogar e contribuir para as mudanças que o Brasil e o mundo tanto precisam.

Uma boa referência para isso também são os programas jornalísticos gerados pela EBC, que atende a todas as nossas expectativas: busca atingir uma gama variada de assuntos de interesse público, com seriedade e profundidade, e ouve o outro lado, mesmo quando é uma opinião contrária ao pensamento do governo federal.

Não apenas em Sergipe, no plano nacional também há situações que precisam de uma atenção especial dos ativistas sociais, políticos e culturais. Recentemente li com pesar a notícia referentes as dificuldades para a manutenção das atividades da agência Carta Maior, que foi um veículo que serviu de trincheira no ano de 2006 ao enfrentamento do esquema midiático que pretendeu derrotar o bloco político vencedor das eleições de 2002.

Será que o governo federal e alguns estaduais comprometidos com as transformações básicas que tanto precisamos (como a democratização da comunicação) não dispõem de dinheiro de publicidade para investir nesses veículos, não como favor, mas como obrigação, considerando que as polpudas verbas de publicidade estatal são o sustentáculo principal da maioria, quiçá de todos os veículos da iniciativa “privada”?

Acho que nem é preciso lembrar aos nossos companheiros e camaradas do governo federal e dos estados que acreditam e fazem a sua parte para ajudar na construção de “outros mundos” que a ditadura militar não foi embora sem que antes se tivesse investido pesado em órgãos de comunicação como a Rede Globo, que vez por outra se lançam contra aqueles que também acreditam e desejam construir “outros mundos”.

Dentre eles, podemos citar o MST, como um símbolo desse embate entre os que detêm poderosos meios de comunicação para manter o povo na indigência intelectual e ética e aqueles que querem seres humanos à altura dos ideais de solidariedade, tolerância, inteligência e beleza que tanto precisamos para não voltarmos novamente à barbárie à qual estamos chegando rapidamente a passos largos.

Para terminar um SALVE !!! para aqueles que lutam para construir e manter Rádios e TV’s Comunitárias, sites e blogs. E não nos esqueçamos de que é preciso interagirmos mais e batalhar muito para que antes do término desse segundo mandato presidencial não continue sendo crime montar uma emissora de rádio para falar do que realmente nos interessa e tocar músicas sem precisar ficar “amarrado” às listas de umas emissoras que tocam músicas que promovem a “prostituição” ou de outras que tocam músicas que promovem a “alienação" e a “intolerância”.

Será que não podemos conquistar o direito de ir além da infeliz dicotomia entre Deus e o Diabo nas ondas do rádio?


P.S.:
1 – No artigo “Algumas reflexões sobre a crise de Carta Maior” Bernardo Kucinski, jornalista, professor da Universidade de São Paulo e editor-associado da Carta Maior, retoma algumas propostas que estiveram em discussão junto ao governo federal no primeiro mandato: (...)Entre essas propostas está o vale-jornal, que daria a todo cidadão sem recursos suficientes um vale para receber o jornal de sua preferência. Numa primeira fase , receberiam o vale jornal cidadãos já cadastrados em programas sociais (...). Outra proposta que o governo deveria retomar era a do programa de apoio à consolidação de veículos sem fins prioritariamente lucrativos, que selecionaria anualmente dez veículos impressos, dez rádios comunitárias e dez sites da internet (...). Seus projetos seriam selecionados por um comitê técnico independente. Se a Secom e as empresas estatais alocassem a esses programas e políticas apenas 3% de suas verbas publicitárias, já se daria um grande salto ma qualidade na mídia brasileira.

2 - Esse artigo foi escrito ao mesmo tempo em que se saboreava, ao fundo, músicas da Aperipê FM.

3 -  A primeira vez em que ouvi falar da banda Mombojó foi através do Overmundo.

4 - Para quem não quer ficar somente na indignação e quer ir além das palavras, vale a pena aprofundar-se no tema das políticas públicas e solicitar o posicionamento dos deputados e senadores sobre a questão da liberdade para a radiodifusão comunitária. Um bom caminho é começar por aqueles legisladores que se dizem de esquerda.



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