domingo, 29 de março de 2026

Assisti nesta tarde de domingo (29/03/2026) no Cinema do Centro em Aracaju ao filme “Hora do Recreio” e as melhores expectativas se confirmaram. 🎬✨

Hora do Recreio é o filme de Lucia Murat em que alunos brasileiros mostram problemas como violência, racismo e feminicídio. Foto: Divulgação

O documentário já abre com um "respiro" potente: a voz de Djonga com “A Música da Mãe”, tendo como pano de fundo a realidade carioca — ruas, trens, estações e frentes de escolas. Esse fôlego se repete em outros momentos, com outras canções,  exposição de artes visuais (colagem), jogo de máscaras,  preparando o terreno para aulas em forma de rodas de diálogo muito bem conduzidas sobre questões pesadas: violência de gênero, dramas familiares e racismo na vida de adolescentes e  homofobia.  

 O filme consegue ser um sopro de vida ao mesmo tempo em que mergulha em feridas sociais profundas, usando a arte como uma ponte entre o passado de Lima Barreto e o presente desses jovens. 

Na metade do filme, a narrativa mergulha na montagem de uma peça inspirada em “Clara dos Anjos”, de Lima Barreto. É emocionante ver a entrega dos jovens nos papéis! A representação alterna entre encenação, leitura dramática e debates que conectam o subúrbio do início do século XX com a nossa atualidade.
Para quem não conhece, o romance de Lima Barreto é uma denúncia amarga. Clara, uma jovem negra e ingênua, é enganada por Cassi Jones, um malandro branco de elite. O desfecho é um soco no estômago: a consciência de que, perante a elite, "nós não somos nada".
Ao usar a  leitura dramática interrompida por debates, o documentário mostra que a vulnerabilidade de Clara, escrita no início do século XX, ainda ecoa nas esquinas do Rio hoje .
 O "nós não somos nada" que encerra o livro de Lima Barreto é ressignificado no filme. Enquanto na literatura é um grito de dor, no documentário parece servir de combustível para que esses jovens tomem consciência de sua posição e lutem para mudar essa lógica.
É um filme que não apenas documenta, mas educa e provoca.
Um filme necessário que mostra como a literatura de 100 anos atrás ainda explica o Brasil de hoje. Recomendo muito! ✊🏾📚
Zezito de Oliveira


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