segunda-feira, 1 de junho de 2026

O planeta perdeu Edgar Morin neste sábado, 30/06, um dos maiores intelectuais do sécuio XX ainda vivo até este dia..

 

‘Um exemplo nunca morre’ 🖤
O filósofo, sociólogo e historiador francês Edgar Morin faleceu nesta sexta-feira (29) aos 104 anos. Foi autor de mais de 80 livros e criou o conceito de “pensamento complexo”, que parte do princípio de que, para lidar com os problemas da contemporaneidade, é preciso superar a fragmentação do conhecimento. Assim, ele propôs a integração de disciplinas como biologia, história e filosofia.
Pensador à frente do seu tempo, Morin alertou em uma conferência em 1982, quando a revolução da informática ainda estava engatinhando, que “se esse processo se tornasse dominante, pela primeira vez, o saber seria produzido não para ser pensado, refletido, discutido entre os seres humanos, mas essencialmente para ser armazenado e manipulado por instâncias anônimas”.
O intelectual se manteve ativo até o fim da vida. Jean-Luc Mélenchon, liderança do partido de esquerda radical França Insubmissa, postou homenagens na rede social X e lembrou que, aos 102 anos, Morin participou de protesto contra o genocídio de palestinos em Gaza. “Um exemplo nunca morre”, escreveu.
No Brasil, o teólogo e colunista do #BrasildeFato Leonardo Boff repercutiu a notícia da morte: “Sou profundamente grato a Edgar Morin, que marcou muito minha visão do mundo, por aquilo que ele deu como fator fundamental — a complexidade — para entender o processo da evolução, a sociedade humana e cada pessoa”.

Abaixo, conteúdo da Revista IHU

Autor de “Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro”, Edgar Morin influenciou debates educacionais em diversos países, incluindo o Brasil.

A reportagem é de Marcelo Moreira, publicada por Agenda do Poder, 29-05-2026.

O filósofo e sociólogo francês Edgar Morin morreu nesta sexta-feira (29), aos 104 anos, em Paris. Considerado um dos mais influentes intelectuais do século XX e um dos principais nomes do pensamento contemporâneo, Morin estava sob cuidados paliativos após enfrentar uma dupla infecção. Ele completaria 105 anos em julho.

A morte foi anunciada por seu secretário pessoal, Nelson Vallejo Gomez, em uma publicação nas redes sociais. Na mensagem, Gomez destacou a trajetória do pensador e afirmou que sua obra continuará inspirando gerações em todo o mundo.

Referência mundial

Nascido em Paris em 8 de julho de 1921, com o nome Edgar Nahoum, Morin construiu uma carreira marcada pela produção intelectual intensa e pela defesa de uma visão integrada do conhecimento.

Formado em Direito, História e Geografia, também estudou Filosofia, Sociologia e Epistemologia. Ao longo de mais de oito décadas de atividade intelectual, tornou-se pesquisador emérito do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), uma das mais importantes instituições científicas da França.

Mesmo após completar 100 anos, manteve uma produção ativa. Aos 102 anos, publicou um romance de inspiração autobiográfica originalmente escrito em 1946, demonstrando a vitalidade intelectual que o acompanhou até os últimos anos de vida.

Resistência ao nazismo

Judeu de origem sefaradita, Morin participou da Resistência Francesa durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial. Foi nesse período que adotou o sobrenome Morin, pelo qual se tornaria conhecido internacionalmente.

Em 1941, ingressou no Partido Comunista Francês, mas se afastou gradualmente da legenda após divergências ideológicas. Suas críticas ao regime soviético e ao ditador Joseph Stálin levaram à sua expulsão definitiva do partido em 1951.

Ao longo da vida, também se destacou pelo engajamento em causas políticas e humanitárias, incluindo a oposição à Guerra da Argélia e a defesa de movimentos anticoloniais.

A teoria da complexidade

O principal legado de Edgar Morin está associado à chamada teoria da complexidade, que questiona a fragmentação do conhecimento em áreas isoladas.

Para o pensador francês, os fenômenos humanos, sociais, culturais e naturais não poderiam ser compreendidos de forma separada. Sua proposta defendia uma abordagem interdisciplinar capaz de conectar diferentes campos do saber.

Essa visão influenciou universidades, centros de pesquisa e sistemas educacionais em diversos países, tornando Morin uma referência global para educadores e pesquisadores.

Forte ligação com o Brasil

O Brasil ocupou um espaço importante na trajetória do filósofo. Morin visitou o país em diversas ocasiões para participar de debates sobre educação, cidadania e democracia.

Uma de suas obras mais conhecidas, “Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro”, elaborada em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), tornou-se leitura obrigatória em cursos de formação de professores e em discussões sobre políticas educacionais.

Ao longo dos anos, suas ideias influenciaram pesquisadores, gestores públicos e educadores brasileiros interessados em construir modelos de ensino mais conectados com os desafios do século XXI.

Um legado que atravessa gerações

Autor de mais de 30 livros, Edgar Morin deixa uma obra reconhecida internacionalmente por abordar temas como conhecimento, democracia, cultura, ética e educação.

Sua defesa da compreensão humana, do respeito às diferenças e da preparação para lidar com as incertezas do mundo contemporâneo ajudou a moldar debates acadêmicos e educacionais em diferentes continentes.

Com sua morte, encerra-se uma das trajetórias intelectuais mais relevantes da França e do pensamento contemporâneo. Seu legado, no entanto, permanece vivo nas universidades, escolas e centros de pesquisa que continuam discutindo suas ideias sobre a complexidade da vida e da sociedade.

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