A Esquerda em Questão — de Lula a Lênin
A recente fala do presidente Lula durante a reunião do G7, captada por microfones e rapidamente viralizada, trouxe à tona uma questão que parece atravessar a história recente da política brasileira — e mundial: afinal, o que significa ser "de esquerda"? Em conversa com líderes europeus, Lula afirmou que "nunca foi esquerdista" e defendeu que "o mundo é do caminho do meio". A declaração, surpreendente vinda de um ícone da esquerda latino-americana, reabre um debate que vai muito além da autodefinição de um político.
O debate, no entanto, não é novo. Já em 1918 e 1920, Lênin dedicava textos como "Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo" e "Criançada Esquerdista" a criticar o que considerava um desvio infantil e pequeno-burguês dentro do próprio movimento revolucionário: a recusa intransigente a participar de instituições burguesas como parlamentos ou a incapacidade de calcular realisticamente a correlação de forças. Para Lênin, o "esquerdismo" era uma postura que, sob a aparência de radicalidade, servia objetivamente aos interesses da reação — uma advertência que ecoa com força quando observamos os movimentos contemporâneos que se recusam a qualquer mediação institucional.
É a partir desse mosaico — a pragmática autodefinição de Lula, a teoria crítica de Bobbio, a tentativa polêmica de PC Siqueira em junho de 2013, e a advertência leniniana contra os desvios do próprio campo progressista — que nos situamos e por isso buscamos trazer as diversas vozes do debate para cá.
Sobre a fala de Lula, o que penso a respeito...
Lula ´é um humanista e social democrata. Neste caso de centro-esquerda. Penso que ele gostaria de ser um social democrata forte., o que significa dizer: A defesa da conciliação entre o capitalismo e o forte papel do Estado, garantindo que o livre mercado seja regulado para promover igualdade social, serviços públicos universais (como saúde e educação) e forte proteção ao trabalhador. Historicamente, esse modelo é a base de partidos e governos de centro-esquerda, sendo o "modelo nórdico" (países como Suécia, Noruega e Dinamarca) o exemplo mais clássico de social-democracia consolidada. Em entrevistas internacionais (como à rede norueguesa NRK), Lula já elogiou o sistema de bem-estar social dos países nórdicos, considerando-o um modelo de desenvolvimento e qualidade de vida que concilia crescimento econômico com forte amparo à população.
Zezito de Oliveira - Editor do blog da cultura

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