terça-feira, 9 de junho de 2026

Escola da Familia! Mas o investimento custa caro...Disse Roberto Marinho a Brizola quando este lhes falou do Cieps.. O que respondeu Brizola?

"Caro mesmo é o preço da ignorância." Esta foi a célebre e certeira resposta de Leonel Brizola a Roberto Marinho (e que ele repetiria mais tarde para outros críticos, como tecnocratas e adversários políticos). 
A história desse embate reflete a profunda divisão ideológica sobre o papel da educação pública no Brasil da década de 1980: 
O Contexto do Embate
Quando Leonel Brizola assumiu o governo do Rio de Janeiro em 1983, ele deu início ao ambicioso projeto dos CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública), idealizados pelo antropólogo Darcy Ribeiro e desenhados por Oscar Niemeyer. As escolas eram inovadoras, oferecendo ensino em tempo integral, alimentação completa, atividades culturais e assistência médica. 
Ao apresentar a maquete e a proposta das escolas ao dono da Rede Globo, Roberto Marinho, o empresário criticou a grandiosidade da estrutura e sugeriu que Brizola fizesse apenas "umas casinhas simples" ou "escolinhas", alegando que os prédios eram caros demais para a população pobre. 
Os Argumentos de Brizola
Diante da visão de que a educação de qualidade integral para os mais vulneráveis seria um desperdício ou um "gasto" excessivo, Brizola defendia os seguintes pontos:
  • Educação é investimento, não gasto: Ele afirmava que o dinheiro direcionado às escolas constrói o futuro do país, enquanto a mentalidade que restringe recursos perpetua a desigualdade.
  • A ignorância custa mais caro: Para o governador, o verdadeiro prejuízo econômico e social para o Brasil era manter o povo sem instrução e sem cidadania. Ele apontava que a ignorância afetava negativamente o desenvolvimento da nação inteira, inclusive o das próprias elites dominantes. 
  • Justiça social: Brizola se recusava a oferecer uma "escola pobre para os pobres", lutando para que a escola pública tivesse o padrão de excelência historicamente reservado apenas às classes mais ricas. 
Esse episódio marcou o início de uma longa e dura ruptura política e midiática entre o governo de Leonel Brizola e as Organizações Globo durante a consolidação dos "Brizolões". 
Para compreender a defesa enfática de Leonel Brizola sobre o papel estratégico e o valor real da educação em tempo integral, assista ao registro histórico no vídeo a seguir: AQUI

Outro argumento:


Cadê as famílias? Cadê o interesse na vida escolar dos filhos?
Terminou o primeiro trimestre letivo e, a cada ano, as reuniões com as famílias estão mais esvaziadas. A cada ano, cresce a sensação de que uma parte da sociedade passou a enxergar a escola não como uma instituição formadora, mas como um local para manter adolescentes ocupados durante algumas horas do dia. Pouco importa se estão aprendendo. O importante é que não deem trabalho em casa.
Muitos pais já não comparecem às reuniões, aos atendimentos pedagógicos ou aos momentos de construção conjunta de soluções. Em vez disso, parte dessa comunicação tem sido substituída por cobranças instantâneas em grupos de WhatsApp, mensagens enviadas fora do horário de trabalho e, em casos extremos, pela utilização de gravadores escondidos nas mochilas dos filhos para fiscalizar o discurso dos professores.
O impacto desse cenário não recai apenas sobre os estudantes. Recai também sobre os professores. Professores que precisam ensinar conteúdos, mediar conflitos, acolher sofrimentos emocionais, lidar com cobranças constantes e ainda trabalhar sob a sensação de estarem sendo observados, julgados e questionados a qualquer momento.
Não é coincidência que os índices de adoecimento mental entre professores tenham crescido de forma tão significativa nas últimas décadas. Ansiedade, esgotamento emocional, afastamentos por sofrimento psíquico e perda do sentido do trabalho tornaram-se temas frequentes nos debates sobre educação.
Quando a parceria desaparece, alguém paga a conta. E, muitas vezes, quem está pagando essa conta são os professores e os próprios adolescentes. Os adolescentes, porque crescem com menos acompanhamento familiar, menos referências adultas e menos suporte emocional. Os professores, porque passam a carregar responsabilidades que nunca deveriam ser exclusivamente deles.
Vivemos em uma sociedade que cobra cada vez mais da escola, mas participa cada vez menos dela. E nenhuma escola, por melhor que seja, conseguirá sustentar sozinha as consequências dessa escolha.

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